PARVOVIROSE
CANINA
Cynthia Woisczyk, Fernanda Fortes e Nicolli Passos
A parvovirose canina é uma doença viral altamente contagiosa, causada
pelo Parvovírus Canino tipo 2 (CPV-2).
• População mais afetada:
Filhotes não vacinados e cães imunossuprimidos.
• Importância:
Alta taxa de mortalidade, principalmente se não tratada precocemente.
Agente Etiológico
• Parvovírus Canino tipo 2 (CPV-2)
• Vírus DNA, não envelopado, extremamente resistente no ambiente.
• Tropismo por células em divisão rápida (epitélio intestinal, medula óssea e
linfóides).
Patogênese
Transmissão:
O vírus é eliminado nas fezes dos cães infectados e pode sobreviver por meses no ambiente. A
contaminação ocorre por contato com fezes, objetos, chão, roupas, ou até pelas patas e focinho do cão.
O vírus invade o tecido linfoide e atinge a corrente sanguínea.
Replicação ocorre principalmente em:
• Criptas intestinais
• Medula óssea
• Tecido linfoide
Consequência: destruição celular → imunossupressão e colapso da barreira intestinal.
Sinais Clínicos:
Histologia – Intestino Delgado
Principais alterações histológicas:
• Atrofia e fusão de vilosidades intestinais
→ Redução da área de absorção e comprometimento da barreira intestinal.
• Destruição de criptas intestinais
→ O parvovírus infecta células em mitose nas criptas de Lieberkühn, levando à necrose.
• Inflamação severa da lâmina própria
→ Infiltrado inflamatório (neutrófilos, linfócitos e plasmócitos).
• Presença de células criptales necrosadas
→ Pode-se observar células com núcleos picnóticos e cariorréxicos.
• Hemorragias
→ A mucosa intestinal danificada pode sangrar, explicando a diarreia com sangue.
2. Medula óssea
• Hipoplasia ou aplasia medular
→ Devido à destruição de precursores hematopoiéticos, causa leucopenia
(queda de glóbulos brancos), predispondo o cão a infecções secundárias.
Tecido linfóide (linfonodos, baço, tonsilas, placas de Peyer)
• Depleção linfocitária
→ Redução da resposta imune.
• Necrose dos centros germinativos
→ Visível em linfonodos, baço e placas de Peyer.
Forma Cardíaca (Rara)
• Ocorre em filhotes com menos de 2 semanas.
• Miocardite necrosante com infiltrado linfocítico.
• Pode causar morte súbita.
Diagnóstico e Confirmação Histológica
• Diagnóstico clínico e laboratorial (teste ELISA, PCR).
• Confirmação histológica:
• Lesões em tecidos afetados.
• Imuno-histoquímica para detecção do vírus nos tecidos.
Prevenção:
Vacinação é a principal forma de prevenção
evitar o contato de filhotes não vacinados com ambientes ou cães potencialmente contaminados .
Tratamento:
Não existe cura específica para o vírus, mas o tratamento de suporte intensivo (hidratação,
medicamentos para controlar vômito, antibióticos para evitar infecções secundárias, etc.) é
fundamental.
O sucesso do tratamento depende muito da precocidade no diagnóstico e da resposta do sistema
imunológico do animal.
Imagens 1 e 2: Mucosa intestinal com aspecto coriáceo e material fibrilar, canino, macho, SRD, jovem.
Imagem 3: Intestino delgado, enterite necro-hemorrágica multifocal Imagem 4: Intestino delgado, enterite necro-hemorrágica multifocal
acentuada, canino, macho, SRD, 1 ano. Coloração: HE; Objetiva: 10x. acentuada, canino, macho, SRD, 1 ano. Coloração: HE; Objetiva: 40x.
Imagem 5: Canino, macho, SRD com infecção por CPV-2. Intestino delgado com Imagem 6: medula óssea de um canino
hiperemia da serosa e linfonodos mesentéricos com coloração vermelha.