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Divórcio Litigioso e Guarda de Filhos

O documento trata de uma sentença de divórcio litigioso entre Fernanda Miranda de Oliveira e João de Oliveira, onde o juiz decreta o divórcio, estabelece a guarda unilateral dos filhos com a mãe e fixa a pensão alimentícia em 30% dos rendimentos do pai. Também determina a partilha de bens, incluindo a destinação de um imóvel aos filhos e a indenização de R$ 15.000,00 por danos morais a ser paga pelo Requerido à Requerente. O pedido reconvencional do Requerido foi julgado improcedente e a gratuidade de justiça foi mantida para a Requerente.
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Divórcio Litigioso e Guarda de Filhos

O documento trata de uma sentença de divórcio litigioso entre Fernanda Miranda de Oliveira e João de Oliveira, onde o juiz decreta o divórcio, estabelece a guarda unilateral dos filhos com a mãe e fixa a pensão alimentícia em 30% dos rendimentos do pai. Também determina a partilha de bens, incluindo a destinação de um imóvel aos filhos e a indenização de R$ 15.000,00 por danos morais a ser paga pelo Requerido à Requerente. O pedido reconvencional do Requerido foi julgado improcedente e a gratuidade de justiça foi mantida para a Requerente.
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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO AMAZONAS

7ª VARA DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE MANAUS/AM


Autos do Processo nº 0539000-88.2023.8.04.0001

SENTENÇA

I – RELATÓRIO

Trata-se de ação de divórcio litigioso, cumulada com pedido de guarda, alimentos, partilha de
bens e indenização por danos morais, ajuizada por Fernanda Miranda de Oliveira em face de
João de Oliveira.

O Requerido apresentou contestação c/c reconvenção, na qual impugna as alegações de


traição e maus-tratos, pleiteia a guarda compartilhada dos filhos, propõe a fixação dos
alimentos em 15% dos seus rendimentos líquidos e requer a partilha igualitária dos bens. Além
disso, formula pedido reconvencional de reconhecimento de alienação parental e indenização
por danos morais.

Foram produzidas provas documentais, testemunhais e periciais, incluindo estudo psicossocial.

Passo à análise do mérito.

II – FUNDAMENTAÇÃO

1. Do Divórcio

Nos termos do artigo 226, §6º, da Constituição Federal, e artigo 1.571, IV, do Código Civil, o
divórcio é um direito potestativo e independe da comprovação de culpa. Assim, decreto o
divórcio das partes, determinando a expedição do respectivo mandado para averbação no
registro civil.

2. Da Guarda dos Filhos e Convivência Parental

O estudo psicossocial aponta que o Requerido apresenta comportamento inadequado para o


pleno exercício da guarda compartilhada, tendo episódios de instabilidade emocional que
podem comprometer o bem-estar dos filhos menores. Além disso, há medidas protetivas
concedidas anteriormente à Requerente, o que demonstra risco à integridade emocional e
física dos menores.

Diante disso, e com base no artigo 1.584, §2º, do Código Civil, defiro a guarda unilateral à mãe,
Fernanda Miranda de Oliveira, permitindo ao pai o direito de visitas supervisionadas, as quais
deverão ocorrer em ambiente seguro e previamente estabelecido, podendo ser reavaliadas
conforme a evolução da convivência.

No que tange ao menor Lucas, filho biológico exclusivo do Requerido, verifica-se que a
Requerente não pleiteou sua guarda, e não há provas de que tenha tentado afastá-lo do pai,
razão pela qual o pedido de alienação parental formulado pelo Requerido deve ser rejeitado.

3. Dos Alimentos

O Requerido propôs pagar 15% de sua renda líquida a título de pensão alimentícia para os
filhos Felipe e Luís. Entretanto, considerando sua condição financeira como empresário e o
padrão de vida que as crianças mantinham antes da separação, verifica-se que tal percentual é
insuficiente.

Nos termos do artigo 1.694 do Código Civil, a pensão deve ser fixada com base no binômio
necessidade-possibilidade. Assim, fixo os alimentos em 30% dos rendimentos líquidos do
Requerido, a serem descontados em folha de pagamento ou depositados mensalmente na
conta informada pela Requerente.

Quanto ao pedido de alimentos formulado pela Requerente, indefiro, pois não há provas de que
ela esteja em situação de dependência econômica extrema, conforme exige o artigo 1.695 do
Código Civil.

4. Da Partilha de Bens

O casamento foi celebrado sob o regime de comunhão parcial de bens, conforme artigo 1.658
do Código Civil.

O imóvel situado na Rua Sol, nº 15, bairro Flores, adquirido na constância do casamento, deve
ser destinado aos filhos menores, com usufruto vitalício da mãe, garantindo-se sua moradia e
estabilidade. Tal medida visa resguardar o princípio do melhor interesse da criança.

No que tange aos veículos, o veículo Honda City fica com a Requerente e o Hyundai Creta com
o Requerido, sem necessidade de compensação financeira.

5. Do Dano Moral

A Requerente pleiteia indenização por dano moral, alegando que o Requerido a expôs a
humilhação pública, traição notória e maus-tratos psicológicos. O conjunto probatório
demonstra que o Requerido manteve um relacionamento extraconjugal amplamente conhecido,
causando profundo abalo emocional à Requerente. Além disso, os laudos psicológicos
confirmam o impacto emocional negativo na Autora e nos filhos.

Dessa forma, reconhecendo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ, AgInt no


REsp 1.647.183/RS), fixo a indenização por dano moral no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil
reais), a ser pago pelo Requerido à Requerente.

Por outro lado, quanto ao pedido reconvencional de indenização formulado pelo Requerido,
não há provas de que a Requerente tenha praticado difamação ou qualquer ato ilícito que
justifique reparação moral. Assim, julgo improcedente o pedido de indenização por dano moral
formulado pelo Requerido.

6. Da Justiça Gratuita

A Requerente demonstrou insuficiência de recursos, razão pela qual mantenho a gratuidade de


justiça concedida a ela.

O Requerido, por sua vez, não comprovou sua hipossuficiência financeira, sendo empresário e
possuindo bens de alto valor. Assim, revogo o benefício da justiça gratuita ao Requerido, que
deverá arcar com as custas processuais e despesas do processo.

III – DISPOSITIVO

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE a ação principal e IMPROCEDENTE a


reconvenção, nos seguintes termos:

a) Decreto o divórcio das partes, com expedição de mandado de averbação;


b) Defiro a guarda unilateral dos filhos menores Felipe e Luís à Requerente, fixando ao
Requerido visitas supervisionadas;
c) Fixo os alimentos em 30% dos rendimentos líquidos do Requerido para os filhos Felipe e
Luís;
d) Indefiro o pedido de alimentos para a Requerente;
e) Determino que o imóvel localizado na Rua Sol, nº 15, bairro Flores, seja destinado aos filhos
menores, com usufruto vitalício da mãe;
f) Determino que o veículo Honda City fique com a Requerente e o Hyundai Creta com o
Requerido;
g) Condeno o Requerido a pagar R$ 15.000,00 (quinze mil reais) à Requerente por danos
morais;
h) Rejeito o pedido reconvencional de reconhecimento de alienação parental e indenização por
danos morais;
i) Mantenho a gratuidade de justiça para a Requerente e revogo a do Requerido;
j) Condeno o Requerido ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios,
fixados em 10% sobre o valor da condenação, nos termos do artigo 85 do Código de Processo
Civil.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Manaus, 25 de março de 2025.

MARCELO CARDOSO BRITO


Juiz de Direito

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