MPB - Música Popular Brasileira
Daniela Diana
Professora licenciada em Letras
A música popular brasileira resulta de um conjunto de manifestações
culturais de influência indígena, africana e europeia.
Já o movimento MPB (Música Popular Brasileira) é uma referência à
produção musical nacional desenvolvida após o golpe militar de 1964.
Estão enquadradas nesse período todas as músicas de sucesso no rádio
e televisão, independente do posicionamento em relação ao regime
militar.
História da Música Popular Brasileira
A música sempre esteve presente na rotina das populações nativas do
Brasil em rituais e festas religiosas, antes do descobrimento. O canto era
entoado para embalar o bate-pau, danças ritmadas com o uso do bambu.
A chegada do colonizador português representou incremento na
sonoridade, com instrumentos como violão, viola, cavaquinho, tambor e
pandeiro. Até os dias atuais, esses são elementos que remetem à
identidade musical local, principalmente no samba.
Somente no século XVII, instrumentos de harmonia mais sofisticada,
como o piano, foram incorporados ao arsenal musical local. Ainda assim,
ficavam restritos às famílias nobres ou abastadas.
O colonizador português utilizou a música como instrumento de
catequese. Os padres jesuítas musicaram peças teatrais e autos como
forma de facilitar a compreensão do evangelho. Padre José de Anchieta
é reconhecido como compositor de muitas dessas peças e autos.
A tradição das danças, do ritmo e do som africanos foram decisivos para
as atuais manifestações da música nacional. O batuque, extraído de
instrumentos como atabaques, cuíca, reco-reco, pandeiro e tambor,
formam a base do que seria, mais tarde, o samba.
A música popular brasileira também recebeu influência francesa,
manifestada nas tradicionais quadrilhas. A dança em pares, comum nas
festas de São João, é uma alegoria às danças da corte francesa.
A partir de 1800, a mistura de influências já resulta na composição de
modinhas e popularizam o ritmo lundu. Entre os mais reconhecidos
compositores de modinha estão Padre José Maurício Nunes, Francisco
Manuel da Silva e Cândido Inácio da Silva.
As composições de modinhas e o lundu foram incrementadas com a
sonoridade erudita e influenciam para o surgimento de novos ritmos,
como a polca, o maxixe e o choro.
O ano de 1870 é tido como ponto de partida do choro, que notabilizou
muitos artistas, entre eles Chiquinha Gonzaga. Em 1899, a maestrina e
pianista carioca lança "Ó Abre Alas", a primeira marchinha de Carnaval.
O pioneirismo de Chiquinha Gonzaga foi reconhecido por meio da Lei
Federal N.º 12.624, que instituiu o dia 17 de outubro como o "Dia da
Música Popular Brasileira". A data lembra o aniversário da artista. A
trajetória de Chiquinha influencia compositores como Anacleto de
Medeiros, Irineu Almeida e Pixinguinha.
As composições de Pixinguinha representaram um divisor de águas na
história da música popular brasileira. Isso ocorreu por estarem
diretamente ligadas ao surgimento do samba.
O gênero samba, que surge a partir de 1917, é considerado uma
revolução. Inspira compositores como Ernesto Joaquim Maria dos Santos
e Mauro de Almeida. Pixinguinha, porém, é sua melhor tradução.
Até 1950, choro e samba revelam nomes que ainda são destaques na
música local, como Jacob do Bandolim e Nelson Gonçalves. Essa é a
época da chamada "Era do Rádio", com a influência de intérpretes como
Dalva de Oliveira, Caubi Peixoto e Ângela Maria.
Os início dos anos 50 também são destacados pela influência
de Cartola, considerado um dos maiores mestres do samba nacional. A
melodia de Cartola é revelada também na voz da gaúcha Elis Regina.
Paralelo ao sucesso do samba e do choro, surge nos anos 50 o
movimento que ficou conhecido como Bossa Nova. O movimento
demonstra o cotidiano local, em especial o carioca e sua malemolência.
A melodia suave foi perpetuada por Tom Jobim, com letras de Vinicius de
Moraes. A Bossa Nova evidenciava a mistura da música erudita aos
ritmos nacionais e recebeu reconhecimento internacional.
Entre seus representantes está também o compositor e intérprete João
Gilberto.
A Bossa Nova é o ponto de partida para movimentos musicais que
ocorrem em paralelo entre o fim da década de 50 e a década de 60. São
a Tropicália e Jovem Guarda, que apontam o cotidiano, mas demonstram
a rebeldia, o questionamento às instituições oficiais.
Saiba mais. Leia:
Bossa Nova
Anos 50
Vinicius de Moraes
Samba
História e Origem do Carnaval
O Movimento MPB
A década de 60 é considerada um período de ebulição na música
brasileira. É quando passam a coexistir o samba, o jazz, a Bossa Nova, o
sertanejo de raiz, a moda de viola, o baião nordestino, o rock e outros.
Esse período é considerado um marco para a indústria da música
nacional. Compositores e intérpretes passam a contestar o regime militar
que cassou direitos e restringiu a liberdade.
A partir dessa fase é popularizada a sigla MPB como marca de um
movimento próprio de contestação social e política.
Nomes da MPB
O carioca Chico Buarque está entre os maiores representantes da MPB,
ao lado de Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Gilberto Gil.
Já o baiano Raul Seixas muda a era do rock nacional revelado
pela Jovem Guarda. O artista impõe letras marcadas pela contrariedade
à rotina, à exploração social e do trabalho.
Como movimento, a MPB também é manifestada pelo romantismo com
letras que abordam as relações amorosas. Entre os nomes
estão Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Nessa faceta da MPB, Chico
Buarque é elevado a uma espécie de tradutor da alma feminina,
revelando seus desejos, culpas e sonhos no estilo denominado "cantiga
e amigo".
Manifestação semelhante é observada no trabalho de Caetano e Gil,
além de outros, como Djavan, Gal Costa, Simone e Leila Pinheiro.
Complemente sua pesquisa:
Músicas da Ditadura Militar
Tropicalismo
Anos 60
Moda de Viola