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Em conflito, Índia e
Paquistão são potências
nucleares: conheça o
arsenal de cada um
Dados são da Federação de Cientistas Americanos mostram que a
Índia e o Paquistão têm, respectivamente, o 6º e o 7º maiores
arsenais do mundo. Em ambos os casos, ogivas estão
armazenadas e precisariam ser implantadas em lançadores para
estar prontas para uso.
Por Matheus Moreira, g1 — São Paulo
07/05/2025 10h06 · Atualizado há uma hora
Caxemira: Entenda o conflito entre Índia e Paquistão
A Índia e o Paquistão possuem, respectivamente, o 6º e
o 7º maiores arsenais nucleares do mundo, segundo a
Federação de Cientistas Americanos (FAS). Nesta
quarta-feira (7), um ataque do Paquistão na região da
Caxemira controlada pela Índia deixou mortos e feridos.
Os dois países já travaram três guerras por causa da
região.
Atualmente, nove países no mundo detêm armas
nucleares. O arsenal global soma 12.331 ogivas.
Distribuição por país:
· Índia: 180 ogivas
· Paquistão: 170 ogivas
Em ambos os casos, todas as ogivas estimadas são
classificadas como “em reserva/não implantadas”. Isso
significa que elas precisam de algum nível de
preparação para serem utilizadas.
Michelly Geraldo , especialista em política nuclear, diz
que mesmo com a escalada na tensão entre os dois
países, a probabilidade de uso de armas nucleares no
atual cenário é considerada baixa.
"Ambos os países ainda operam sob uma
lógica de dissuasão nuclear mútua. [...]
obviamente que, se continuarem
retaliando a cada novo ataque, estraremos
em ciclo de escalada bastante perigoso e
difícil de sair, fazendo com que cheguemos
mais perto de um limiar nuclear. E o uso
das armas nucleares, mesmo que táticas,
no subcontinente extremamente populoso
como esse da Ásia Meridional, traria
consequências devastadoras., disse.
O arsenal nuclear da Índia e do Paquistão é pequeno
quando comparado aos dos Estados Unidos e da
Rússia, que têm os maiores estoques do mundo. A
Rússia e EUA possuem, respectivamente, 5.449 e 5.277
ogivas nucleares cada um, o equivalente a 84% das
existentes.
Além disso, as ogivas de Índia e Paquistão estão
armazenadas, e não implantadas em lançadores — e,
portanto, prontas para uso. Os EUA têm 1.770 ogivas
implantadas, sendo 1.670 em dispositivos de longo
alcance; e a Rússia, 1.710.
A doutrina nuclear do Paquistão pode ser descrita como
a manutenção do número de armas nucleares
necessárias para garantir a defesa nacional.
O programa nuclear paquistanês está diretamente
relacionado aos conflitos históricos com a Índia. Para
evitar ataques convencionais rápidos em seu território,
o país desenvolveu, por exemplo, armas nucleares de
curto alcance.
O mesmo ocorre do lado indiano. Um dos principais
fatores que sustentam a doutrina nuclear da Índia é a
tensão com o Paquistão. A estratégia indiana é
chamada de “First No Use” (não usar primeiro, em
tradução livre) e estabelece que o país não será o
primeiro a recorrer a armas nucleares em um eventual
conflito, mas responderá caso seja atacado.
"Até este momento, é improvável o uso de
armas nucleares, porque a resposta
esperada é do Paquistão e o país está em
condições econômicas desfavoráveis,
inclusive por consequências do
aquecimento global", diz o professor de
Relações Internacionais da UFF e
pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin.
Míssil balístico do Paquistão capaz de transportar carga nuclear (dez.2015) — Foto:
ISPR / AFP
De modo geral, o número total de armas nucleares no
mundo está diminuindo, principalmente devido ao
desmonte de ogivas que estavam fora de serviço,
especialmente nos Estados Unidos e na Rússia.
No entanto, considerando apenas as ogivas nucleares,
desconsiderando lançadores, mísseis e aeronaves, o
cenário é de crescimento.
Segundo a FAS, países como China, Índia, Coreia do
Norte, Paquistão, Reino Unido e a própria Rússia podem
estar ampliando seus estoques ativos.
Ataque do Paquistão
Nesta quarta, um ataque do Paquistão na região da
Caxemira controlada pela Índia deixando dezenas de
mortos e feridos.
Segundo a agência de notícias AFP, o ataque da
artilharia paquistanesa aconteceu no distrito de
Poonch. A ofensiva aconteceu após o Paquistão afirmar
que revidaria os ataques indianos do dia anterior. A
Índia confirmou ter atacado nove alvos paquistaneses,
mas o ministro da Defesa indiano disse não haver civis
entre os mortos — o Paquistão diz que sim.
Os países vizinhos têm um longo histórico de rivalidade
desde a independência dos territórios, em meados do
século 20.
Por causa dos ataques na região, companhias aéreas
asiáticas mudaram rotas e cancelaram voos que
passavam pelo local. Segundo a Reuters, 52 voos para o
Paquistão foram cancelados.
Disputa pela Caxemira
A Caxemira é uma região na cordilheira do Himalaia
disputada tanto pela Índia quanto pelo Paquistão desde
a independência de ambos do Reino Unido, em
[Link], o controle da região é dividido entre
China, Índia e Paquistão.
Paquistão e Índia reivindicam a totalidade do território.
No último dia 22, homens armados abriram fogo contra
turistas em um resort, deixando 26 mortos — a maioria
indianos — em Pahalgam.
O ataque terrorista foi reivindicado por um grupo
militante chamado "Resistência da Caxemira", até então
desconhecido entre os grupos que fazem ataques no
território. Desde então, as tensões na região voltaram a
crescer.
A Índia classificou o massacre como um “ataque
terrorista” e acusou o Paquistão de estar por trás da
ação. O Paquistão, por sua vez, negou qualquer
envolvimento no ataque e retaliou: fechou o espaço
aéreo para aviões indianos, cancelou vistos e
suspendeu relações comerciais com o vizinho.
Com a região em alerta máximo, três oficiais do Exército
indiano relataram que soldados paquistaneses
dispararam contra uma posição indiana na noite de
quinta-feira. Como resposta, os soldados indianos
revidaram o ataque, mas não houve vítimas, segundo
os oficiais, que pediram anonimato por questões de
protocolo.
As Nações Unidas pediram à Índia e ao Paquistão
"máxima contenção para garantir que a situação não se
deteriore ainda mais".
ISRAEL ÍNDIA
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