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Metrônomo Inclusivo para Surdos em Música

O trabalho apresenta o desenvolvimento de um aplicativo de metrônomo adaptado para o ensino de música a pessoas com deficiência auditiva, utilizando feedback visual, auditivo e vibrotátil. O objetivo é facilitar a aprendizagem de aspectos musicais como ritmo e tempo, integrando a tecnologia com dispositivos vestíveis e avaliando a aceitação através do Modelo de Aceitação de Tecnologia (TAM). A pesquisa destaca a importância de métodos pedagógicos específicos e adaptações tecnológicas para promover uma educação musical inclusiva e eficaz.
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Metrônomo Inclusivo para Surdos em Música

O trabalho apresenta o desenvolvimento de um aplicativo de metrônomo adaptado para o ensino de música a pessoas com deficiência auditiva, utilizando feedback visual, auditivo e vibrotátil. O objetivo é facilitar a aprendizagem de aspectos musicais como ritmo e tempo, integrando a tecnologia com dispositivos vestíveis e avaliando a aceitação através do Modelo de Aceitação de Tecnologia (TAM). A pesquisa destaca a importância de métodos pedagógicos específicos e adaptações tecnológicas para promover uma educação musical inclusiva e eficaz.
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XIII Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE 2024)

III Workshop Pensamento Computacional e Inclusão (WPCI 2024)

Desenvolvimento de um metrônomo adaptado para o ensino


de música a pessoas com deficiência auditiva
Samuel Merson 1, Lauro Stephan 1, Francisco Medeiros 1, Alexandre D'Andrea 1, Radamir
Sousa1
1 Laboratório de Realidade Aumentada e Virtual (LARA).
Instituto Federal de Educação da Paraíba.
Av. Primeiro de Maio, 720 - Jaguaribe, João Pessoa - PB, 58015-435, Brazil
{samuel,lauro,petronio,[Link],[Link]}@[Link]

Abstract. Teaching music to people with hearing impairments is a bene cial


and challenging activity that can be developed using tools. The present work
aims to develop a personalized musical education solution adapted for people
who are deaf or hard of hearing in the form of a mobile application. By
implementing a metronome and related functions, learners can learn musical
aspects such as rhythm, tempo, and meter with synchronized visual, auditory,
and vibrotactile feedback. The application will allow integration with
wearable devices, such as smartwatches, and will be evaluated using the
Technology Acceptance Model (TAM).
Resumo. O ensino de música para pessoas com de ciência auditiva é uma
atividade bené ca e desa adora que pode ser desenvolvida com o uso de
ferramentas. O presente trabalho tem como objetivo desenvolver uma solução
personalizada de educação musical adaptada para surdos na forma de um
aplicativo para dispositivos móveis. Por meio da implementação de um
metrônomo e de funções correlacionadas, os educandos têm a oportunidade
de aprender aspectos musicais como ritmo, tempo e compasso com feedback
visual, auditivo e vibrotátil sincronizado. O aplicativo possibilitará a
integração com dispositivos vestíveis, como smartwatches, e será avaliado
utilizando o Modelo de Aceitação de Tecnologia (TAM).

1. Introdução
A música tem sido uma forma de expressão cultural e identitária profundamente
enraizada em diversas culturas ao longo de diferentes períodos históricos,
desempenhando um papel fundamental na sociedade. Platão, por exemplo, enfatizou
que a educação musical é essencial para o desenvolvimento de indivíduos aptos a viver
em comunidade, enquanto Aristóteles reconheceu a música como um meio de
entretenimento intelectual adequado para o lazer. Boécio, por sua vez, classificou a
música como a primeira das sete artes liberais [McCarthy e Goble, 2011].
O aprendizado de um instrumento musical é amplamente reconhecido como benéfico
para o desenvolvimento de várias habilidades, especialmente durante a infância e a
adolescência. Brown (2012) sugere que a educação musical nessas fases facilita o
aprendizado em outras áreas do conhecimento, além de aprimorar competências que são
valiosas ao longo da vida. Entre os benefícios atribuídos ao aprendizado musical,
destacam-se o desenvolvimento da linguagem, o aumento do quociente de inteligência
(QI), a intensificação da atividade neural, a melhoria das habilidades espaço-temporais e

DOI: 10.5753/wpci.2024.245178 01
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um desempenho superior em testes. O estudo conduzido por Porflitt e Rosas-Díaz


(2019) complementa essa literatura, identificando benefícios significativos também para
a população adulta que pratica instrumentos musicais, evidenciando uma relação
robusta entre o treinamento musical e melhorias no desempenho cognitivo, tanto nas
funções executivas quanto em outras áreas da cognição.

2. Fundamentação teórica
Estudos recentes indicam que a adoção de métodos pedagógicos específicos é
imprescindível para garantir a eficácia dos programas de educação musical destinados a
pessoas surdas. A utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a ênfase na
percepção corporal e visual da música são destacadas como estratégias cruciais [Silva,
2020]. A educação musical para surdos enfrenta desafios, especialmente a tendência de
supervalorizar os aspectos auditivos da música. White (1976) defende a implementação
de técnicas que envolvam movimentos corporais e estímulos visuais para engajar os
estudantes surdos, enquanto Gibson (2000) argumenta a favor da integração de
diferentes sentidos para proporcionar uma experiência musical completa. Hake et al.
(2023) ressaltam o impacto positivo da educação musical no desenvolvimento social e
emocional de pessoas surdas, oferecendo uma alternativa valiosa para a expressão e
comunicação. Lee (2014) sublinha o papel crucial da tecnologia e das abordagens
terapêuticas, destacando que, com os recursos adequados, indivíduos surdos podem
participar plenamente de atividades musicais. Ainda, enfatiza a importância da
qualidade da interação e da relevância pedagógica para que os programas educacionais
atinjam seus objetivos, enquanto Araújo e Medeiros (2021) destacam que a correta
elicitação e engenharia de requisitos são essenciais para o sucesso no desenvolvimento
de software educacional.
O feedback visual desempenha um papel central na garantia de que os usuários
compreendam o estado atual do sistema e as ações que estão realizando, conforme
afirmam Shneiderman e Plaisant (2004). Em ferramentas similares que não são
adaptadas, geralmente entre 20% e 30% da tela é dedicada ao feedback visual; no
entanto, no metrônomo acessível desenvolvido neste trabalho, aproximadamente 60% a
70% da tela é destinada a essa função. Essa ênfase é fundamental para fornecer uma
ferramenta de aprendizado adaptada, pois, para as pessoas surdas, a visão representa
uma estratégia auditiva altamente versátil, e o uso do toque no contexto da
musicalização é viável apenas devido à sua dependência contextual de pistas visuais
[Holmes, 2017].
A música é uma forma de arte sensorial que muitas vezes é subestimada em sua
capacidade de transcender barreiras auditivas. Para indivíduos surdos, a música
tradicionalmente centrada no som pode parecer inacessível à primeira vista. Contudo,
avanços significativos na tecnologia e na compreensão da percepção sensorial têm
aberto novas possibilidades. Entre essas inovações, o feedback vibrotátil destaca-se
como uma ferramenta crucial, transformando a experiência musical para pessoas surdas.
O feedback vibrotátil utiliza estímulos táteis, como vibrações, para transmitir
informações musicais. Essas sensações podem ser aplicadas de diversas maneiras, desde
dispositivos portáteis que vibram em resposta a diferentes frequências musicais até

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plataformas mais complexas que integram vibrações em ambientes musicais imersivos.


De acordo com Murphy (2021), o feedback vibrotátil pode proporcionar uma
experiência musical rica e envolvente para indivíduos surdos, permitindo-lhes sentir a
música de maneira única e pessoal.
Pesquisas recentes sublinham os benefícios significativos do feedback vibrotátil
na inclusão musical de pessoas surdas. Inovações tecnológicas, como as descritas por
Karam et al. (1996), permitem a percepção das características rítmicas e melódicas da
música por meio de dispositivos táteis, promovendo uma conexão emocional e social
através da experiência compartilhada da música [Burn, 2016; Karam et al., 1996]. O
metrônomo, tradicionalmente utilizado para ajudar músicos a manter um ritmo
constante por meio de sinais sonoros em intervalos regulares, pode ser adaptado para
fornecer sinais visuais e táteis, como luzes piscando e vibrações, tornando-o acessível a
pessoas surdas. Essas adaptações permitem que os alunos surdos acompanhem o ritmo e
o tempo musical de maneira eficaz, sem depender da audição [Murphy, 2022].
Estudos sugerem que os sinais visuais e táteis emitidos pelo metrônomo
auxiliam os alunos na internalização do ritmo, facilitando a execução musical precisa.
Essa prática é particularmente útil em atividades que exigem sincronização rítmica,
como tocar em conjunto com outros músicos [Gorder, 2024]. Além disso, a utilização
do metrônomo contribui para a melhoria da coordenação motora dos alunos, pois a
necessidade de sincronizar os movimentos corporais com os estímulos visuais ou táteis
aprimora a precisão e a coordenação dos gestos musicais. Isso é especialmente relevante
para a execução de instrumentos musicais, onde a coordenação precisa entre mãos e
olhos é essencial [Arthur et al., 2016].
Um dos principais desafios na implementação do metrônomo na educação
musical de pessoas surdas é a necessidade de adaptar o equipamento para atender às
necessidades específicas dos alunos. Isso inclui a modificação dos metrônomos
tradicionais para emitir sinais visuais e táteis em vez de apenas auditivos. Essas
adaptações requerem investimentos em tecnologia e recursos, bem como um
entendimento claro das necessidades dos alunos [Dávila & Porto, 2021]. A presença de
tecnologias assistivas como esta contribui para a criação de um ambiente educacional
mais equitativo e acessível [Vathagavorakul et al., 2024]. No entanto, a implementação
eficaz dessas ferramentas demanda investimentos tecnológicos e treinamento adequado
para os educadores.
Através da implementação de um metrônomo adaptado, aspectos fundamentais
da música, como BPM, tempo e ritmo, podem ser ensinados de forma dinâmica, ao
oferecer feedback imediato em diferentes configurações. O tempo é o termo utilizado
para designar a velocidade de uma melodia ou ritmo, e o BPM (Batidas Por Minuto) é a
unidade de medida comumente usada para representar essa velocidade. Uma batida
pode ser entendida como uma unidade temporal de uma composição, e o valor do BPM
é representado pelo número de vezes que uma batida ocorre em uma música durante o
intervalo de um minuto. O ritmo, por sua vez, apresenta significados variados na
literatura entre músicos e musicólogos, mas converge ao representar uma ampla gama
de possíveis padrões de duração musical, tanto regulares quanto irregulares.

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Abordando o caráter educacional das funcionalidades do aplicativo, a utilização


simultânea de diversos estímulos, como luminosidade, elementos visuais, vibrações e
sons, justifica-se por favorecer a concentração do usuário, mitigando os limites da
memória de curto prazo. A memória de curto prazo refere-se à capacidade de um
indivíduo de reter uma quantidade limitada de informações na mente em um estado
ativo e prontamente disponível por um breve período de tempo [Marco e Yasir, 2019]. A
atenção desempenha um papel fundamental em nosso processo de aprendizagem
[Chaves, 2023], e a utilização de múltiplas modalidades sensoriais, como visão, som,
sensações táteis, localização espacial e gestos, é uma técnica eficaz para maximizar a
concentração e a eficiência da memória de curto prazo [Norman, 2013]. Dessa forma,
favorece-se a retenção de informações na memória de longo prazo, potencializando o
aprendizado. Como a surdez é um espectro, no qual os indivíduos apresentam diferentes
níveis de perda auditiva, a implementação de som no metrônomo é necessária para
atingir outros públicos. A combinação de diversos estímulos permite que a aplicação
atenda tanto a usuários surdos quanto a cegos e indivíduos sem deficiências.

3. Trabalhos Relacionados
Além dos aspectos técnicos, a adaptação da música por meio do feedback vibrotátil
representa um avanço cultural e inclusivo significativo. Projetos como o "MusicAid,"
discutido por Marschall et al. (2020), exemplificam como a colaboração entre músicos,
pesquisadores e comunidades surdas pode não apenas enriquecer a experiência musical
individual, mas também fomentar novas formas de expressão artística e culturalmente
sensíveis. Em um mapeamento da literatura realizado por Silva et al. (2020), no qual
foram analisados 217 artigos sobre educação musical para surdos publicados entre 1956
e 2017, constatou-se uma diminuição nas publicações sobre essa temática, sugerindo um
desvanecimento do interesse acadêmico na área. Contudo, também se identificou que,
ao longo do período estudado, o foco das pesquisas migrou de estudos sobre o problema
da surdez em si para o papel da educação musical na aquisição de competências básicas
pelos surdos, diversidade e preconceitos.
Na investigação da eficácia dos metrônomos táteis em comparação com os puramente
auditivos, Ammirante et al. (2016) constataram que, se o estímulo tátil for
suficientemente proeminente, a precisão da sincronização de um usuário utilizando um
metrônomo tátil pode igualar-se à sincronização obtida com um metrônomo auditivo.
Essa eficácia pode até ser superada se uma área maior do corpo do usuário for exposta
aos estímulos táteis. Em relação à sincronização visual, o experimento conduzido por
Gan et al. (2015) demonstrou que a sincronização de usuários expostos a estímulos
visuais realistas, como uma bola quicando, foi quase tão precisa quanto a sincronização
com um metrônomo auditivo.
Hupke et al. (2019) investigaram o impacto do metrônomo tátil na coordenação motora
de alunos surdos, utilizando dispositivos que emitiam vibrações sincronizadas com o
tempo musical. Os pesquisadores observaram uma melhoria significativa na precisão
dos movimentos dos alunos, destacando a importância das adaptações táteis na prática
instrumental, que permitem aos alunos surdos desenvolver habilidades motoras

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refinadas. Lima Filho et al. (2024) ressaltam a grande preferência do público surdo por
indicativos visuais ao interpretar músicas.
Nosso trabalho avança o estado da arte ao desenvolver um aplicativo de metrônomo
digital que incorpora feedback visual, auditivo, vibrotátil e luminoso sincronizado,
corroborando as sugestões da literatura sobre a relevância dos estímulos visual e tátil na
educação e percepção musical de surdos. Ao oferecer uma experiência sensorial
multimodal aos alunos, o aplicativo abre novas perspectivas para o ensino de música,
implementando de forma integrada diferentes estímulos positivos que foram validados
de modo isolado em outros estudos. Com a integração dessas funcionalidades,
proporcionamos uma ferramenta inclusiva que enriquece a experiência musical e
educativa dos indivíduos surdos, alinhando-se às melhores práticas recomendadas pela
pesquisa acadêmica.

4. Materiais e Métodos
Optar pela criação de uma aplicação desktop, apesar de potencialmente oferecer outras
possibilidades de uso, não se alinhava com o objetivo de proporcionar acesso a este
recurso tecnológico educacional ao maior número possível de pessoas. Considerando
essa limitação e a familiaridade da equipe com o trabalho em dispositivos móveis que
utilizam vibrações e indicadores visuais, além da possibilidade de integração com
dispositivos vestíveis (wearables), decidiu-se pela adoção do framework Flutter em
conjunto com a linguagem de programação Dart. Outros fatores, como a disponibilidade
de bibliotecas, plugins e a escalabilidade do projeto, também foram considerados nessa
escolha.
A interface do aplicativo é composta por duas telas, cada uma projetada para maximizar
a usabilidade e a facilidade de uso. Embora existam bibliotecas em Flutter que facilitam
o desenvolvimento inicial de metrônomos genéricos, optou-se por desenvolver as
funções e os temporizadores do zero, visando garantir a modularização e a
personalização da aplicação à medida que funcionalidades mais complexas fossem
incluídas no escopo de desenvolvimento. O metrônomo base foi construído em uma
classe separada das funcionalidades adicionais, como vibrações e luminosidade, para
manter a replicabilidade e a coesão do código-fonte. A principal função do metrônomo
base é definir as operações fundamentais, tais como iniciar, parar, definir BPM,
configurar cliques e calcular os temporizadores com base no BPM.
Quando instanciado como objeto, o metrônomo base pode ser iniciado com as
configurações padrão, executando a seguinte rotina ao iniciar: declara uma variável
inteira “intervalo” como 60.000 dividido pelo BPM exibido na tela, passa esse resultado
por uma função de arredondamento nativa do Dart para garantir que o resultado seja um
inteiro e atribui o valor final como a duração em milissegundos de um temporizador
periódico, utilizado como intervalo de tempo entre batidas e cliques. A tela inicial é
composta por diversos componentes visuais para garantir sua funcionalidade e instancia
um metrônomo base, ao qual são atribuídas funções adicionais para controlar aspectos-
chave da aplicação, como a vibração. Quando em funcionamento, a aplicação oferece

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vibrações, feedbacks visuais, luminosos e sonoros sincronizados com o intervalo de


funcionamento das batidas e cliques.
Para manter a sincronização entre todos os aspectos mencionados, o código foi
estruturado de modo que, independentemente da configuração de compasso escolhida
pelo usuário, toda primeira batida de compasso seja classificada como uma batida
especial pelo programa, enquanto as batidas subsequentes são reconhecidas como
“cliques”. A batida especial marca o início do ciclo de cada compasso e ajuda a manter a
sincronização; entretanto, tanto as batidas quanto os cliques executam uma função de
callback interno toda vez que são acionados. A interface da página principal permite ao
usuário selecionar quantos compassos e batidas deseja, colocando essa configuração em
loop, ou seja, a execução é retomada com mais um ciclo toda vez que os compassos
escolhidos se completam.
Para as vibrações, foi utilizada a biblioteca Vibration, versão 1.9.0, que oferece um
plugin para simplificar chamadas ao hardware, permitindo personalizar a intensidade e a
duração das vibrações. A aplicação verifica se o usuário deseja ou não a ativação das
vibrações, permitindo que essa configuração seja alterada dinamicamente durante a
execução, e aciona as vibrações com base nos callbacks recebidos enquanto o
metrônomo está em funcionamento. Caso a vibração corresponda a um callback de
batida especial, calcula-se 80% do intervalo de tempo até o próximo clique ou batida
especial como parâmetro para a duração da vibração, e 50% desse tempo caso o
callback seja de um clique. Essa janela de tempo é crucial para evitar sobrecarga de
chamadas quando as configurações de BPM estão muito altas, garantindo que o usuário
consiga distinguir os intervalos.
Os feedbacks visuais seguem a mesma lógica: a cada callback recebido, a aplicação
determina a mudança de cor da tela. A diferença neste aspecto reside na transformação
da interface: assim que o usuário inicia a execução, a interface muda para uma versão
onde todos os elementos, como botões e valores, são excluídos para destacar os ciclos
do compasso por meio da cor. Nesse estado, a tela anterior é minimizada para
evidenciar as bordas, o plano de fundo e um círculo central que muda de cor de forma
sincronizada, restando apenas um pequeno botão de pausa para retornar ao estado
inicial. A cada batida especial, uma cor predefinida, atualmente preto, é aplicada,
enquanto para os demais cliques as cores são randomizadas. O feedback luminoso
utiliza a biblioteca Torch_Controller, versão 2.0.1, e, a cada callback recebido, a
lanterna do dispositivo é acionada, se disponível, pela mesma duração da vibração.
O feedback sonoro utiliza a biblioteca Audioplayers, versão 5.2.1, com duas faixas
sonoras curtas, uma para o feedback da batida especial e outra para os demais cliques. A
reprodução do áudio é gerida por uma implementação de múltiplos players de áudio,
atualmente 10, organizados em formato de fila. Sem uma estrutura de reutilização,
intervalos muito curtos entre os callbacks podem causar sobrecarga nos players e
interromper o funcionamento da aplicação. Diferentes players não podem ser
sobrepostos no mesmo canal de reprodução, e um mesmo player precisa executar
totalmente a faixa e ser reconfigurado ou ter a fonte de áudio definida novamente. Com
a fila, sempre que um áudio precisar ser reproduzido, um player subsequente estará

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disponível, mesmo que o player atual ainda não tenha terminado a reprodução. Ao
finalizar a execução da faixa, o player utilizado é reconfigurado e colocado ao final da
fila, em um ciclo contínuo.

5. Resultados
O aplicativo visa ensinar elementos musicais de maneira interativa a indivíduos com
deficiência auditiva, oferecendo uma experiência intuitiva, acessível e sensorial.
Conforme ilustrado na Figura 1, a interface é projetada de forma simplificada,
permitindo que as configurações sejam ajustadas por meio de alguns componentes
essenciais.
Na parte superior da tela, encontra-se o componente AppBar, acompanhado por
um menu hambúrguer na lateral, onde estão localizados ajustes e funções adicionais que
não são necessárias para a página principal. No centro, em destaque, é exibido o valor
atual do BPM, ladeado por ícones de incremento e decremento para ajustes unitários,
além de quatro widgets posicionados nas extremidades.
Ao serem acionados, esses ícones permitem o ajuste do valor do BPM conforme
ilustrado. Para selecionar os valores de compasso e batidas por compasso, utiliza-se o
widget ValueSetter, posicionado logo abaixo do container circular, que inclui a
definição de adaptadores e listeners para tratar as seleções dos usuários. No centro da
interface, o indicador visual de container circular altera sua cor conforme os valores
determinados pelo usuário no BPM e no ValueSetter. Esse container circular, em
implementações futuras, terá a função de mostrar o decorrer do tempo do compasso em
números. Finalmente, os ícones de alternância, implementados utilizando o IconButton
nativo do Flutter, permitem ativar ou desativar dinamicamente o feedback luminoso e as
vibrações, bem como iniciar a aplicação.

Figura 1. Tela inicial do aplicativo

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A segunda tela do aplicativo, vista na figura 2, é acessada ao clicar no ícone de "play"


iniciando o metrônomo. Toda a tela principal está contida dentro de um widget de
container animado, e ao clicar no ícone, o estado do widget é alterado e a animação é
chamada. A tela inicial é reduzida em 15% e a maioria dos componentes são removidos,
restando apenas o indicador visual circular, a appBar, o ícone de play e as bordas.

Figura 2. Aplicativo em execução realizando transição de cores

A transição de tela é realizada de forma “ease in quart” e dura cerca de 350


milissegundos. As bordas que são geradas com a redução da tela e o indicador visual
circular mudam de cor de acordo com as funções de callback já descritas. A tela
reduzida e simplificada ajuda a focar a atenção do usuário nos elementos essenciais,
evitando distrações e sobrecarga cognitiva [Norman, 2013].

6. Trabalhos Futuros e Conclusão


Dado o estágio atual de desenvolvimento do aplicativo, as próximas fases do projeto
envolvem a criação de funcionalidades mais avançadas e a implementação de um
protocolo de conexão com smartwatches e dispositivos vestíveis similares. Um módulo
de polirritmia, que permitirá ao usuário instanciar múltiplos metrônomos em uma única
página para criar ritmos e batidas personalizadas, já está concebido. Além disso, será
necessário implementar diferentes faixas de áudio para a personalização do metrônomo,
animações na tela de execução, predefinições de ritmos reconhecidos como padrão na
aplicação, e funções para o aumento ou diminuição gradual e automática do BPM.
A conexão com smartwatches e dispositivos vestíveis visa aumentar a imersão,
possibilitando o uso da aplicação enquanto se toca um instrumento, sem que o usuário
precise comprometer uma ou ambas as mãos no processo. A implementação de feedback
tátil a partir do toque na interface também está em planejamento. Espera-se que o

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usuário possa interagir criando um ritmo ou batida própria em uma tela específica, por
meio do toque na tela, e que a aplicação seja capaz de identificar o ritmo e o BPM,
fornecendo todos os feedbacks sensoriais já apresentados. Quando o aplicativo atingir
um estágio mais avançado de desenvolvimento, sua usabilidade e utilidade serão
validadas por meio de um questionário baseado no Modelo de Aceitação de Tecnologia
(TAM). A aceitação do caráter educacional e funcional da proposta será testada com a
colaboração de ouvintes normais, músicos ouvintes, pessoas surdas e alunos de música,
tanto ouvintes quanto surdos.

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