Didática é considerada como arte e ciência do ensino, o objetivo deste artigo é analisar o processo
didático educativo e suas contribuições positivas para um melhor desempenho no processo de ensino-
aprendizagem. Como arte a didática não objetiva apenas o conhecimento por conhecimento, mas
procura aplicar os seus próprios princípios com a finalidade de desenvolver no individuo as habilidades
cognoscitivas, tornando-os críticos e reflexivos, desenvolvendo assim um pensamento independente.
Nesse Artigo abordamos esse assunto acerca das visões de Libâneo (1994), destacando as relações e os
processos didáticos de ensino e aprendizagem, o caráter educativo e crítico desse processo de ensino,
levando em consideração o trabalho docente além da organização da aula e seus componentes didáticos
do processo educacional tais como objetivos, conteúdos, métodos, meios de ensino e avaliação.
Concluímos o nosso trabalho ressaltando a importância da didática no processo educativo de ensino e
aprendizagem.
1.0 PROCESSOS DIDÁTICOS BÁSICOS, ENSINO E APRENDIZAGEM.
A Didática é o principal ramo de estudo da pedagogia, pois ela situa-se num conjunto de conhecimentos
pedagógicos, investiga os fundamentos, as condições e os modos de realização da instrução e do ensino,
portanto é considerada a ciência de ensinar. Nesse contexto, o professor tem como papel principal
garantir uma relação didática entre ensino e aprendizagem através da arte de ensinar, pois ambos
fazem parte de um mesmo processo. Segundo Libâneo (1994), o professor tem o dever de planejar,
dirigir e controlar esse processo de ensino, bem como estimular as atividades e competências próprias
do aluno para a sua aprendizagem.
A condição do processo de ensino requer uma clara e segura compreensão do processo de
aprendizagem, ou seja, deseja entender como as pessoas aprendem e quais as condições que
influenciam para esse aprendizado. Sendo assim Libâneo (1994) ressalta que podemos distinguir a
aprendizagem em dois tipos: aprendizagem casual e a aprendizagem organizada.
a. Aprendizagem casual: É quase sempre espontânea, surge naturalmente da interação entre as
pessoas com o ambiente em que vivem, ou seja, através da convivência social, observação de objetos e
acontecimentos.
b. Aprendizagem organizada: É aquela que tem por finalidade específica aprender determinados
conhecimentos, habilidades e normas de convivência social. Este tipo de aprendizagem é transmitido
pela escola, que é uma organização intencional, planejada e sistemática, as finalidades e condições da
aprendizagem escolar é tarefa específica do ensino (LIBÂNEO, 1994. Pág. 82).
Esses tipos de aprendizagem tem grande relevância na assimilação ativa dos indivíduos, favorecendo um
conhecimento a partir das circunstâncias vivenciadas pelo mesmo.
O processo de assimilação de determinados conhecimentos, habilidades, percepção e reflexão é
desenvolvido por meios atitudinais, motivacionais e intelectuais do aluno, sendo o professor o principal
orientador desse processo de assimilação ativa, é através disso que se pode adquirir um melhor
entendimento, favorecendo um desenvolvimento cognitivo.
Através do ensino podemos compreender o ato de aprender que é o ato no qual assimilamos
mentalmente os fatos e as relações da natureza e da sociedade. Esse processo de assimilação de
conhecimentos é resultado da reflexão proporcionada pela percepção prático-sensorial e pelas ações
mentais que caracterizam o pensamento (Libâneo, 1994). Entendida como fundamental no processo de
ensino a assimilação ativa desenvolve no individuo a capacidade de lógica e raciocínio, facilitando o
processo de aprendizagem do aluno.
Sempre estamos aprendendo, seja de maneira sistemática ou de forma espontânea, teoricamente
podemos dizer que há dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo. O nível reflexo
refere-se às nossas sensações pelas quais desenvolvemos processos de observação e percepção das
coisas e nossas ações físicas no ambiente. Este tipo de aprendizagem é responsável pela formação de
hábitos sensório motor (Libâneo, 1994).
O nível cognitivo refere-se à aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais,
caracterizada pela apreensão consciente, compreensão e generalização das propriedades e relações
essenciais da realidade, bem como pela aquisição de modos de ação e aplicação referentes a essas
propriedades e relações (Libâneo, 1994). De acordo com esse contexto podemos despertar uma
aprendizagem autônoma, seja no meio escolar ou no ambiente em que estamos.
Pelo meio cognitivo, os indivíduos aprendem tanto pelo contato com as coisas no ambiente, como pelas
palavras que designam das coisas e dos fenômenos do ambiente. Portanto as palavras são importantes
condições de aprendizagem, pois através delas são formados conceitos pelos quais podemos pensar.
O ensino é o principal meio de progresso intelectual dos alunos, através dele é possível adquirir
conhecimentos e habilidades individuais e coletivas. Por meio do ensino, o professor transmite os
conteúdos de forma que os alunos assimilem esse conhecimento, auxiliando no desenvolvimento
intelectual, reflexivo e crítico.
Por meio do processo de ensino o professor pode alcançar seu objetivo de aprendizagem, essa atividade
de ensino está ligada à vida social mais ampla, chamada de prática social, portanto o papel fundamental
do ensino é mediar à relação entre indivíduos, escola e sociedade.
1.1 O CARÁTER EDUCATIVO DO PROCESSO DE ENSINO E O ENSINO CRÍTICO.
De acordo com Libâneo (1994), o processo de ensino, ao mesmo tempo em que realiza as tarefas da
instrução de crianças e jovens, também é um processo educacional.
No desempenho de sua profissão, o professor deve ter em mente a formação da personalidade dos
alunos, não apenas no aspecto intelectual, como também nos aspectos morais, afetivos e físicos. Como
resultado do trabalho escolar, os alunos vão formando o senso de observação, a capacidade de exame
objetivo e crítico de fatos e fenômenos da natureza e das relações sociais, habilidades de expressão
verbal e escrita. A unidade instrução-educação se reflete, assim, na formação de atitudes e convicções
frente à realidade, no transcorrer do processo de ensino.
O processo de ensino deve estimular o desejo e o gosto pelo estudo, mostrando assim a importância do
conhecimento para a vida e o trabalho, (LIBÂNEO, 1994).
Nesse processo o professor deve criar situações que estimule o indivíduo a pensar, analisar e relacionar
os aspectos estudados com a realidade que vive. Essa realização consciente das tarefas de ensino e
aprendizagem é uma fonte de convicções, princípios e ações que irão relacionar as práticas educativas
dos alunos, propondo situações reais que faça com que os individuo reflita e analise de acordo com sua
realidade (TAVARES, 2011).
Entretanto o caráter educativo está relacionado aos objetivos do ensino crítico e é realizado dentro do
processo de ensino. È através desse processo que acontece a formação da consciência crítica dos
indivíduos, fazendo-os pensar independentemente, por isso o ensino crítico, chamado assim por
implicar diretamente nos objetivos sócio-políticos e pedagógicos, também os conteúdos, métodos
escolhidos e organizados mediante determinada postura frente ao contexto das relações sociais
vigentes da prática social, (LIBÂNEO, 1994).
È através desse ensino crítico que os processos mentais são desenvolvidos, formando assim uma atitude
intelectual. Nesse contexto os conteúdos deixam de serem apenas matérias, e passam então a ser
transmitidos pelo professor aos seus alunos formando assim um pensamento independente, para que
esses indivíduos busquem resolver os problemas postos pela sociedade de uma maneira criativa e
reflexiva.
1.2 A DIDÁTICA E O TRABALHO DOCENTE
Como vimos anteriormente à didática estuda o processo de ensino no seu conjunto, no qual os objetivos,
conteúdos fazem parte, de modo a criar condições que garantam uma aprendizagem significativa dos
alunos. Ela ajuda o professor na direção, orientação das tarefas do ensino e da aprendizagem, dando a
ele uma segurança profissional. Segundo Libâneo (1994), o trabalho docente também chamado de
atividade pedagógica tem como objetivos primordiais:
Assegurar aos alunos o domínio mais seguro e duradouro possível dos conhecimentos científicos;
Criar as condições e os meios para que os alunos desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais de
modo que dominem métodos de estudo e de trabalho intelectual visando a sua autonomia no processo
de aprendizagem e independência de pensamento;
Orientar as tarefas de ensino para objetivo educativo de formação da personalidade, isto é, ajudar os
alunos a escolherem um caminho na vida, a terem atitudes e convicções que norteiem suas opções
diante dos problemas e situações da vida real (LIBÂNEO, 1994, Pág. 71).
Além dos objetivos da disciplina e dos conteúdos, é fundamental que o professor tenha clareza das
finalidades que ele tem em mente, a atividade docente tem a ver diretamente com “para que educar”,
pois a educação se realiza numa sociedade que é formada por grupos sociais que tem uma visão
diferente das finalidades educativas.
Para Libâneo (1994), a didática trata dos objetivos, condições e meios de realização do processo de
ensino, ligando meios pedagógico-didáticos a objetivos sócio-políticos. Não há técnica pedagógica sem
uma concepção de homem e de sociedade, sem uma competência técnica para realiza-la
educacionalmente, portanto o ensino deve ser planejado e ter propósitos claros sobre suas finalidades,
preparando os alunos para viverem em sociedade.
É papel de o professor planejar a aula, selecionar, organizar os conteúdos de ensino, programar
atividades, criar condições favoráveis de estudo dentro da sala de aula, estimular a curiosidade e
criatividade dos alunos, ou seja, o professor dirige as atividades de aprendizagem dos alunos a fim de
que estes se tornem sujeitos ativos da própria aprendizagem.
Entretanto é necessário que haja uma interação mútua entre docentes e discentes, pois não há ensino
se os alunos não desenvolverem suas capacidades e habilidades mentais.
Podemos dizer que o processo didático se baseia no conjunto de atividades do professor e dos alunos,
sob a direção do professor, para que haja uma assimilação ativa de conhecimentos e desenvolvimento
das habilidades dos alunos. Como diz Libâneo (1994), é necessário para o planejamento de ensino que o
professor compreenda as relações entre educação escolar, os objetivos pedagógicos e tenha um
domínio seguro dos conteúdos ao qual ele leciona, sendo assim capaz de conhecer os programas oficiais
e adequá-los ás necessidades reais da escola e de seus alunos.
Um professor que aspira ter uma boa didática necessita aprender a cada dia como lidar com a
subjetividade do aluno, sua linguagem, suas percepções e sua prática de ensino. Sem essas condições o
professor será incapaz de elaborar problemas, desafios, perguntas relacionadas com os conteúdos, pois
essas são as condições para que haja uma aprendizagem significativa. No entanto para que o professor
atinja efetivamente seus objetivos, é preciso que ele saiba realizar vários processos didáticos
coordenados entre si, tais como o planejamento, a direção do ensino da aprendizagem e da avaliação
(LIBÂNEO, 1994).
1.3 A ORGANIZAÇÃO DA AULA E SEUS COMPONENTES DIDÁTICOS DO PROCESSO EDUCACIONAL
A aula é a forma predominante pela qual é organizado o processo de ensino e aprendizagem. É o meio
pelo qual o professor transmite aos seus alunos conhecimentos adquirido no seu processo de formação,
experiências de vida, conteúdos específicos para a superação de dificuldades e meios para a construção
de seu próprio conhecimento, nesse sentido sendo protagonista de sua formação humana e escolar.
É ainda o espaço de interação entre o professor e o indivíduo em formação constituindo um espaço de
troca mútua. A aula é o ambiente propício para se pensar, criar, desenvolver e aprimorar conhecimentos,
habilidades, atitudes e conceitos, é também onde surgem os questionamentos, indagações e respostas,
em uma busca ativa pelo esclarecimento e entendimento acerca desses questionamentos e
investigações.
Por intermédio de um conjunto de métodos, o educador busca melhor transmitir os conteúdos,
ensinamentos e conhecimentos de uma disciplina, utilizando-se dos recursos disponíveis e das
habilidades que possui para infundir no aluno o desejo pelo saber.
Deve-se ainda compreender a aula como um conjunto de meios e condições por meio das quais o
professor orienta, guia e fornece estímulos ao processo de ensino em função da atividade própria dos
alunos, ou seja, da assimilação e desenvolvimento de habilidades naturais do aluno na aprendizagem
educacional. Sendo a aula um lugar privilegiado da vida pedagógica refere-se às dimensões do processo
didático preparado pelo professor e por seus alunos.
Aula é toda situação didática na qual se põem objetivos, conhecimentos, problemas, desafios com fins
instrutivos e formativos, que incitam as crianças e jovens a aprender (LIBÂNEO, 1994- Pág.178). Cada
aula é única, pois ela possui seus próprios objetivos e métodos que devem ir de acordo com a
necessidade observada no educando.
A aula é norteada por uma série de componentes, que vão conduzir o processo didático facilitando
tanto o desenvolvimento das atividades educacionais pelo educador como a compreensão e
entendimento pelos indivíduos em formação; ela deve, pois, ter uma estruturação e organização, afim
de que sejam alcançados os objetivos do ensino.
Ao preparar uma aula o professor deve estar atento às quais interesses e necessidades almeja atender,
o que pretende com a aula, quais seus objetivos e o que é de caráter urgente naquele momento. A
organização e estruturação didática da aula têm por finalidade proporcionar um trabalho mais
significativo e bem elaborado para a transmissão dos conteúdos. O estabelecimento desses caminhos
proporciona ao professor um maior controle do processo e aos alunos uma orientação mais eficaz, que
vá de acordo com previsto.
As indicações das etapas para o desenvolvimento da aula, não significa que todas elas devam seguir um
cronograma rígido (LIBÂNEO, 1994-Pág. 179), pois isso depende dos objetivos, conteúdos da disciplina,
recursos disponíveis e das características dos alunos e de cada aluno e situações didáticas especificas.
Dentro da organização da aula destacaremos agora seus Componentes Didáticos, que são também
abordados em alguns trabalhos como elementos estruturantes do ensino didático. São eles: os objetivos
(gerais e específicos), os conteúdos, os métodos, os meios e as avaliações.
1.3.1 OBJETIVOS
São metas que se deseja alcançar, para isso usa-se de diversos meios para se chegar ao esperado. Os
objetivos educacionais expressam propósitos definidos, pois o professor quando vai ministrar a aula já
vai com os objetivos definidos. Eles têm por finalidade, preparar o docente para determinar o que se
requer com o processo de ensino, isto é prepará-lo para estabelecer quais as metas a serem alcançadas,
eles constituem uma ação intencional e sistemática.
Os objetivos são exigências que requerem do professor um posicionamento reflexivo, que o leve a
questionamentos sobre a sua própria prática, sobre os conteúdos os materiais e os métodos pelos quais
as práticas educativas se concretizam. Ao elaborar um plano de aula, por exemplo, o professor deve
levar em conta muitos questionamentos acerca dos objetivos que aspira, como O que? Para que? Como?
E Para quem ensinar?, e isso só irá melhorar didaticamente as suas ações no planejamento da aula.
Não há prática educativa sem objetivos; uma vez que estes integram o ponto de partida, as premissas
gerais para o processo pedagógico (LIBÂNEO, 1994- pág.122). Os objetivos são um guia para orientar a
prática educativa sem os quais não haveria uma lógica para orientar o processo educativo.
Para que o processo de ensino-aprendizagem aconteça de modo mais organizado faz-se necessário,
classificar os objetivos de acordo com os seus propósitos e abrangência, se são mais amplos,
denominados objetivos gerais e se são destinados a determinados fins com relação aos alunos,
chamados de objetivos específicos.
a. Objetivos Gerais: exprimem propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino diante
das exigências postas pela realidade social e diante do desenvolvimento da personalidade dos alunos
(LIBANÊO, 1994- pág. 121). Por isso ele também afirma que os objetivos educacionais transcendem o
espaço da sala de aula atuando na capacitação do indivíduo para as lutas sociais de transformação da
sociedade, e isso fica claro, uma vez que os objetivos têm por fim formar cidadãos que venham a
atender os anseios da coletividade.
b. Objetivos Específicos: compreendem as intencionalidades específicas para a disciplina, os caminhos
traçados para que se possa alcançar o maior entendimento, desenvolvimento de habilidades por parte
dos alunos que só se concretizam no decorrer do processo de transmissão e assimilação dos estudos
propostos pelas disciplinas de ensino e aprendizagem. Expressam as expectativas do professor sobre o
que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de ensino. Têm sempre um caráter pedagógico,
porque explicitam a direção a ser estabelecida ao trabalho escolar, em torno de um programa de
formação. (TAVARES, 2001- Pág. 66).
1.3.2 CONTEÚDOS
Os conteúdos de ensino são constituídos por um conjunto de conhecimentos. É a forma pela qual, o
professor expõem os saberes de uma disciplina para ser trabalhado por ele e pelos seus alunos. Esses
saberes são advindos do conjunto social formado pela cultura, a ciência, a técnica e a arte. Constituem
ainda o elemento de mediação no processo de ensino, pois permitem ao discente através da assimilação
o conhecimento histórico, cientifico, cultural acerca do mundo e possibilitam ainda a construção de
convicções e conceitos.
O professor, na sala de aula, utiliza-se dos conteúdos da matéria para ajudar os alunos a desenvolverem
competências e habilidades de observar a realidade, perceber as propriedades e características do
objeto de estudo, estabelecer relações entre um conhecimento e outro, adquirir métodos de raciocínio,
capacidade de pensar por si próprios, fazer comparações entre fatos e acontecimentos, formar
conceitos para lidar com eles no dia-a-dia de modo que sejam instrumentos mentais para aplicá-los em
situações da vida prática (LIBÂNEO 2001, pág. 09). Neste contexto pretende-se que os conteúdos
aplicados pelo professor tenham como fundamento não só a transmissão das informações de uma
disciplina, mas que esses conteúdos apresentem relação com a realidade dos discentes e que sirvam
para que os mesmos possam enfrentar os desafios impostos pela vida cotidiana. Estes devem também
proporcionar o desenvolvimento das capacidades intelectuais e cognitivas do aluno, que o levem ao
desenvolvimento critico e reflexivo acerca da sociedade que integram.
Os conteúdos de ensino devem ser vistos como uma relação entre os seus componentes, matéria,
ensino e o conhecimento que cada aluno já traz consigo. Pois não basta apenas a seleção e organização
lógica dos conteúdos para transmiti-los. Antes os conteúdos devem incluir elementos da vivência prática
dos alunos para torná-los mais significativos, mais vivos, mais vitais, de modo que eles possam assimilá-
los de forma ativa e consciente (LIBÂNEO, 1994 pág. 128). Ao proferir estas palavras, o autor aponta
para um elemento de fundamental importância na preparação da aula, a contextualização dos
conteúdos.
a. Contextualização dos conteúdos
A contextualização consiste em trazer para dentro da sala de aula questões presentes no dia a dia do
aluno e que vão contribuir para melhorar o processo de ensino e aprendizagem do mesmo. Valorizando
desta forma o contexto social em que ele está inserido e proporcionando a reflexão sobre o meio em
que se encontra, levando-o a agir como construtor e transformador deste. Então, pois, ao selecionar e
organizar os conteúdos de ensino de uma aula o professor deve levar em consideração a realidade
vivenciada pelos alunos.
b. A relação professor-aluno no processo de ensino e aprendizagem:
O professor no processo de ensino é o mediador entre o indivíduo em formação e os conhecimentos
prévios de uma matéria. Tem como função planejar, orientar a direção dos conteúdos, visando à
assimilação constante pelos alunos e o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades. É uma ação
conjunta em que o educador é o promotor, que faz questionamentos, propõem problemas, instiga, faz
desafios nas atividades e o educando é o receptor ativo e atuante, que através de suas ações responde
ao proposto produzindo assim conhecimentos. O papel do professor é levar o aluno a desenvolver sua
autonomia de pensamento.
1.3.3 MÉTODOS DE ENSINO
Métodos de ensino são as formas que o professor organiza as suas atividades de ensino e de seus alunos
com a finalidade de atingir objetivos do trabalho docente em relação aos conteúdos específicos que
serão aplicados. Os métodos de ensino regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem,
professor e os alunos, na qual os resultados obtidos é assimilação consciente de conhecimentos e
desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e operativas dos alunos.
Segundo Libâneo (1994) a escolha e organização os métodos de ensino devem corresponder à
necessária unidade objetivos-conteúdos-métodos e formas de organização do ensino e as condições
concretas das situações didáticas. Os métodos de ensino dependem das ações imediatas em sala de aula,
dos conteúdos específicos, de métodos peculiares de cada disciplina e assimilação, além disso, esses
métodos implica o conhecimento das características dos alunos quanto à capacidade de assimilação de
conteúdos conforme a idade e o nível de desenvolvimento mental e físico e suas características
socioculturais e individuais.
A relação objetivo-conteúdo-método procuram mostrar que essas unidades constituem a linhagem
fundamental de compreensão do processo didático: os objetivos, explicitando os propósitos
pedagógicos intencionais e planejados de instrução e educação dos alunos, para a participação na vida
social; os conteúdos, constituindo a base informativa concreta para alcançar os objetivos e determinar
os métodos; os métodos, formando a totalidade dos passos, formas didáticas e meios organizativos do
ensino que viabilizam a assimilação dos conteúdos, e assim, o atingimento dos objetivos.
No trabalho docente, os professores selecionam e organizam seus métodos e procedimentos didáticos
de acordo com cada matéria. Dessa forma destacamos os principais métodos de ensino utilizado pelo
professor em sala de aula: método de exposição pelo professor, método de trabalho independente,
método de elaboração conjunta, método de trabalho em grupo. Nestes métodos, os conhecimentos,
habilidades e tarefas são apresentados, explicadas e demonstradas pelo professor, além dos trabalhos
planejados individuais, a elaboração conjunta de atividades entre professores e alunos visando à
obtenção de novos conhecimentos e os trabalhos em grupo. Dessa maneira designamos todos os meios
e recursos matérias utilizados pelo professor e pelos alunos para organização e condução metódica do
processo de ensino e aprendizagem (LIBÂNEO, 1994 Pág. 173).
1.3.4 AVALIAÇÃO ESCOLAR
A avaliação escolar é uma tarefa didática necessária para o trabalho docente, que deve ser
acompanhado passo a passo no processo de ensino e aprendizagem. Através da mesma, os resultados
vão sendo obtidos no decorrer do trabalho em conjunto entre professores e alunos, a fim de constatar
progressos, dificuldades e orientá-los em seus trabalhos para as correções necessárias. Libâneo (1994).
A avaliação escolar é uma tarefa complexa que não se resume à realização de provas e atribuição de
notas, ela cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnóstico e de controle em relação ao rendimento
escolar.
A função pedagógico-didática refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e
específicos da educação escolar. Ao comprovar os resultados do processo de ensino, evidencia ou não o
atendimento das finalidades sociais do ensino, de preparação dos alunos para enfrentar as exigências da
sociedade e inseri-los ao meio social. Ao mesmo tempo, favorece uma atitude mais responsável do
aluno em relação ao estudo, assumindo-o como um dever social. Já a função de diagnóstico permite
identificar progressos e dificuldades dos alunos e a atuação do professor que, por sua vez, determinam
modificações do processo de ensino para melhor cumprir as exigências dos objetivos. A função do
controle se refere aos meios e a frequência das verificações e de qualificação dos resultados escolares,
possibilitando o diagnóstico das situações didáticas (LIBÂNEO, 1994).
No entanto a avaliação na pratica escolar nas escolas tem sido bastante criticada sobre tudo por reduzir-
se à sua função de controle, mediante a qual se faz uma classificação quantitativa dos alunos relativa às
notas que obtiveram nas provas. Os professores não tem conseguido usar os procedimentos de
avaliação que sem dúvida, implicam o levantamento de dados por meio de testes, trabalhos escritos etc.
Em relação aos objetivos, funções e papel da avaliação na melhoria das atividades escolares e
educativas, tem-se verificado na pratica escolar alguns equívocos. (LIBÂNEO, Pág. 198- 1994).
O mais comum é tomar a avaliação unicamente como o ato de aplicar provas, atribuir notas e classificar
os alunos. O professor reduz a avaliação à cobrança daquilo que o aluno memorizou e usa a nota
somente como instrumento de controle. Tal ideia é descabida, primeiro porque a atribuição de notas
visa apenas o controle formal, com objetivo classificatório e não educativo; segundo porque o que
importa é o veredito do professor sobre o grau de adequação e conformidade do aluno ao conteúdo
que transmite. Outro equívoco é utilizar a avaliação como recompensa aos bons alunos e punição para
os desinteressados, além disso, os professores confiam demais em seu olho clínico, dispensam
verificações parciais no decorrer das aulas e aqueles que rejeitam as medidas quantitativas de
aprendizagem em favor de dados qualitativos (LIBÂNEO, 1994).
O entendimento correto da avaliação consiste em considerar a relação mútua entre os aspectos
quantitativos e qualitativos. A escola cumpre uma função determinada socialmente, a de introduzir as
crianças, jovens e adultos no mundo da cultura e do trabalho, tal objetivo não surge espontaneamente
na experiência das crianças, jovens e adultos, mas supõe as perspectivas traçadas pela sociedade e
controle por parte do professor. Por outro lado, a relação pedagógica requer a independência entre
influências externas e condições internas do aluno, pois nesse contexto o professor deve organizar o
ensino objetivando o desenvolvimento autônomo e independente do aluno (LIBÂNEO, 1994).
1.4 A PROFISSÃO DOCENTE E SUA REPERCUSSÃO SOCIAL
Segundo Libâneo (1994) o trabalho docente é a parte integrante do processo educativo mais global pelo
qual os membros da sociedade são preparados para a participação da vida social. Com essas palavras
Libâneo deixa bem claro o importante e essencial papel do professor na inserção e construção social de
cada individuo em formação. O educador deve ter como principal e fundamental compromisso com a
sociedade formar alunos que se tornem cidadãos ativos, críticos, reflexivos e participativos na vida social.
O docente no processo de ensino e aprendizagem é a ponte de mediação entre o aluno em formação e
o meio social no qual está inserido; uma vez que ele vai através de instruções, conteúdos e métodos
orientar aos seus alunos a viver socialmente. Sendo a educação um fenômeno social necessário à
existência e funcionamento de toda a sociedade, exige-se a todo instante do professor as competências
técnicas e teóricas para a transmissão desses conhecimentos que são essenciais para a manutenção e
progresso social.
O processo educacional, notadamente os objetivos, conteúdos do ensino e o trabalho do professor são
regidos por uma série de exigências da sociedade, ao passo que a sociedade reclama da educação a
adequação de todos os componentes do ensino aos seus anseios e necessidades. Porém a prática
educativa não se restringe as exigências da vida em sociedade, mas também ao processo de promover
aos indivíduos os saberes e experiências culturais que o tornem aptos a atuar no meio social e
transformá-lo em função das necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade (LIBÂNEO,
1994 pág.17). O professor deve formar para a emancipação, reflexão, criticidade e atuação social do
indivíduo e não para a submissão ou o comodismo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este artigo podemos perceber o importante papel que a didática desempenha no processo de
ensino e aprendizagem. Como vimos ela proporciona os meios, as condições pelos quais a prática
educacional se concretiza. Ela orienta o trabalho do professor fazendo-o significativo para que possa
guiar de forma competente, expressiva e coerente as práticas de ensino. Através dos componentes que
constituem o processo de ensino, visa propiciar os meios para a atividade própria de cada aluno, busca
ainda formá-los para serem indivíduos críticos, reflexivos capazes de desenvolverem habilidades e
capacidades intelectuais.
REFERÊNCIAS
ALTHAUS, M.T.M. Ação didática no ensino superior: a docência em discussão. Rev. Teoria e Prática da
Educação, v.7, n.1, abr. 2004.
LIBÂNEO, José Carlos. A Didática e as exigências do processo de escolarização: formação cultural e
científica e demandas das práticas socioculturais. Disponível em:
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
LIBÂNEO. José Carlos. O essencial da didática e o trabalho de professor em busca de novos caminhos:
Disponível em: [Link] em 23.11.2013.
TAVARES, Rosilene Horta, Didática Geral. Belo Horizonte: Editora, UFMG, 2011.
Elieide Pereira dos Santos1
Isleide Carvalho Batista2
Mayane Leite da Silva Souza3
Orientação
Maria de Fátima Ferreira da Silva4
Graduando do Curso Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí-UESPI,
1.
Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí-
UESPI, 2.
Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí-
UESPI, 3.
Pedagoga Licenciada pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI, especializada em Psicopedagogia,
Professora da Universidade Estadual do Piauí e do Plano Nacional de Formação de Professores da
Educação Básica-PARFOR, 4.
Publicado por: Mayane Leite da Silva Souza
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