INSTITUTO FEDERAL DO NORTE DE MINAS GERAIS
CAMPUS MONTES CLAROS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
BIOCOMBUSTÍVEIS
Biogás
Docente: M. Sc. Thalles de Assis Cardoso Gonçalves
Discentes:
Amanda Veloso Durães
Celine Kelly Rodrigues Soares
Diego Ribeiro de Almeida
Olívia Montalvão Pereira
Pedro Jorge de Faria
Montes Claros - MG
24 de abril de 2025
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O biogás é originado de um processo biológico chamado de biodigestão que resulta
em uma mistura de gases composta, principalmente, por gás metano (CH4) que tem um
volume aproximado entre 50-70% e dióxido de carbono (CO2) com um volume entre 50-25%,
além de conter pequenas quantidades de hidrogênio (H2), sulfeto de hidrogênio (H2S), entre
outros gases. A biodigestão é um processo biológico que ocorre quando uma matéria orgânica
decompõe-se em um ambiente úmido na ausência de oxigênio (anaeróbio) a partir da ação de
microrganismos metabolicamente ativos. Toda matéria orgânica é considerada uma
matéria-prima para a produção de biogás e biometano.
A produção de biogás está intimamente ligada aos resíduos orgânicos provenientes de
diversas fontes, principalmente industriais e domiciliares. No Brasil, os resíduos utilizados
para o processo de produção de biogás são poucos, apesar da variabilidade de resíduos que
podem ser empregados serem altos, como é possível visualizar na tabela 2. Os resíduos
provenientes da suinocultura e da indústria de alimentos e bebidas somados são cerca de 70%
da matéria orgânica empregada na biodigestão.
Tabela 1 - Resíduos de atividades industriais, agrícolas e agroindustriais utilizados para a
produção de biogás e biometano.
Fonte: Adaptado da Fundação Estadual do Meio Ambiente (2015).
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A biodigestão anaeróbia é um processo biológico em múltiplas etapas, no qual a
matéria orgânica é degradada por consórcios microbianos em ambiente sem oxigênio,
resultando na produção de biogás (principalmente metano) e digestato. O processo é dividido
em quatro fases principais: hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese.
Na hidrólise, compostos orgânicos complexos como carboidratos, lipídios e proteínas
são decompostos em moléculas mais simples, como açúcares, ácidos graxos e aminoácidos,
por meio da ação de enzimas produzidas por bactérias hidrolíticas. Essa etapa é essencial para
tornar os substratos acessíveis às próximas fases microbianas.
Durante a acidogênese, os produtos da hidrólise são fermentados por bactérias
acidogênicas, resultando na formação de ácidos graxos de cadeia curta (acético, propiônico e
butírico), além de dióxido de carbono (CO₂) e hidrogênio (H₂). Na acetogênese, esses
compostos são convertidos em ácido acético, H₂ e CO₂ por bactérias acetogênicas.
Finalmente, na metanogênese, arqueas metanogênicas transformam o ácido acético e o
hidrogênio em metano (CH₄). Existem dois grupos principais de arqueas: os metanógenos
hidrogenotróficos, que utilizam H₂ e CO₂, e os acetoclásticos, que utilizam ácido acético.
As condições operacionais influenciam diretamente a eficiência da digestão. A faixa
de pH ideal está entre 6,5 e 8,0, e a temperatura pode variar conforme o tipo de
microrganismo predominante: psicrofílicos (< 25 °C), mesofílicos (37–42 °C) e termofílicos
(50–60 °C). As arqueas metanogênicas são especialmente sensíveis a variações bruscas de
temperatura, pH e presença de compostos tóxicos. Outro fator relevante é a relação
carbono/nitrogênio (C/N): valores desbalanceados podem resultar em acúmulo de carbono
(reduzindo a atividade microbiana) ou formação excessiva de amônia (inibindo o crescimento
dos microrganismos).
Antes da digestão, é comum a realização de um pré-tratamento para aumentar a
eficiência do processo. Este pode ser químico (por exemplo, com NaOH para atacar ligações
da hemicelulose em biomassa lignocelulósica), mecânico (redução do tamanho de partículas e
aumento da área superficial) ou microbiano (com separação das etapas iniciais em pH ácido
para favorecer a atividade de enzimas hidrolíticas).
A unidade de biodigestão é o reator onde ocorre a conversão da matéria orgânica em
biogás e digestato. Os biodigestores podem variar em configuração quanto ao tipo de
alimentação (batelada ou contínua), direção do fluxo (ascendente ou laminar), concentração
de sólidos (sólida, semissólida ou líquida) e sistema de agitação (completa, parcial ou sem
mistura). Dentre os modelos mais utilizados, destacam-se o chinês, canadense, indiano, de
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fluxo tubular e o de mistura completa, escolhidos conforme a aplicação, substrato e escala do
projeto. A tabela a seguir apresenta alguns dos critérios citados:
Tabela 2 - Fatores para escolha do sistema de biodigestão.
Fonte: Adaptado de Kunz et al. (2019)
O processo anaeróbio possui diversas reações durante o processo, sendo elas de
hidrólise, oxidação e de redução. As reações de oxidação libera energia e possui a energia
livre de Gibbs positiva, já as reações de redução absorvem energia e é negativo a energia livre
de Gibbs.
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Tabela 3 - Algumas reações de oxidação e redução do processo anaeróbico
Fonte: Harper e Pohland, 1986
Além da produção de biogás, a biodigestão anaeróbia gera como subproduto o
digestato, efluente resultante da decomposição da matéria orgânica. Esse material, rico em
nutrientes como nitrogênio e fósforo, pode ser utilizado como biofertilizante agrícola,
apresentando baixo impacto ambiental quando corretamente manejado. Outro subproduto é o
lodo, constituído por partículas com baixa biodegradabilidade que se sedimentam durante o
processo.
O uso e descarte do digestato devem seguir parâmetros normativos, como pH entre 5 e
9, temperatura inferior a 40 °C, ausência de sólidos flutuantes, e limites específicos de carga
orgânica (DBO ≤ 50 mg/L; DQO ≤ 150 mg/L), para evitar contaminações ambientais. Já os
resíduos sólidos provenientes do pré-tratamento e do lodo devem ser devidamente
armazenados, tratados e descartados, de modo a não comprometer o meio ambiente.
O biogás pode ser produzido a partir de diversas fontes de resíduos como agrícolas,
esgoto, indústria alimentícia, estercos, etc. Enquanto que o biodiesel e o etanol tem pouca
variabilidade de material orgânico para a produção. O biogás pode ser utilizado tanto para
aquecimento e eletricidade quanto para combustível veicular, porém a eficiência do biodiesel
e etanol, que são restritos aos meios de transporte, é superior ao biogás.
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Referências
BICALHO, J. R. S. Modelagem computacional de um reator anaeróbico fabricado em
polietileno de alta densidade rotomoldado. Dissertação de Mestrado. Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, Instituto Politécnico, RJ, Brasil, 2007.
KARLSSON, Tommy et al. Manual básico de biogás. Lajeado-RS: Editora Univates, 2014.
ISBN 978-85-8167-073-7.
KUNZ, A.; STEINMETZ, R. L. R.; AMARAL, A. C. do. (ed.). Fundamentos da digestão
anaeróbia, purificação do biogás, uso e tratamento do digestato. Concórdia: Sbera;
Embrapa Suínos e Aves, 2019
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (Brasília-DF).
Embrapa Agroenergia et al. Biogás e suas contribuições para os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável. Brasília-DF: [s. n.], 2022. ISBN 2177-4439. Disponível em:
[Link]
f. Acesso em: 21 abr. 2025.
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL – MDR. Guia prático do biogás.
Disponível em:
[Link]
POLO, Matheus Henrique Marques. Estudo sobre a produção e utilização do biogás. 2015.
Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Engenharia Mecânica) - Universidade
Tecnológica Federal do Paraná, [S. l.], 2015.
SOUZA, Letícia Bartolomeu; PECCI, Lorene. Projeto de implementação de um
biodigestor modelo fluxo tubular para a produção de biogás a partir de resíduos sólidos
orgânicos do restaurante universitário da URFPR - Campus Ponta Grossa. 2021.
Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Engenharia Química) - Universidade
Tecnológica Federal do Paraná, [S. l.], 2021.
UNIVERSIDADE DO VALE DO TAQUARI - UNIVATES. Biogás: conceitos e aplicações.
Disponível em: [Link]