2.
QUAL OU QUAIS SÃO AS HIPÓTESES ETIOLÓGICAS PROVÁVEIS PARA O QUADRO
APRESENTADO POR ESTE PACIENTE?
CIRROSE HEPÁTICA ALCOÓLICA
- A cirrose hepática alcoólica representa a forma avançada da lesão hepática induzida
pelo álcool
- Caracterizada por desorganização difusa da arquitetura hepática normal com
formação de nódulos regenerativos cercados por fibrose, levando à perda da função
hepática
- O etanol é metabolizado no fígado principalmente pela enzima álcool desidrogenase,
gerando acetaldeído, um composto altamente tóxico. O aumento do estresse oxidativo,
causa danos às membranas dos hepatócitos, levando à inflamação crônica. Como
resposta inflamatória, ocorre a formação de fibrose hepática progressiva
HIPERTENSÃO PORTAL
- A hipertensão portal é o aumento da pressão no sistema porta, secundário a uma
resistência ao fluxo sanguíneo portal
- As alterações decorrentes da cirrose distorcem a arquitetura vascular intra-hepática,
comprimindo e obstruindo os sinusoides hepáticos e ramos da veia porta intra-
hepáticos (↑ resistência → ↑ pressão na veia porta)
- Como resposta há vasodilatação esplâncnica que aumenta o fluxo sanguíneo para a veia
porta agravando ainda mais a hipertensão portal
- As quatro principais consequências da hipertensão portal são: (1) encefalopatia
hepática; (2) ascite; (3) formação de derivações venosas portossistêmicas; e (4)
esplenomegalia congestiva.
ASCITE
- Nos pacientes com cirrose, a ascite é causada por hipertensão portal e retenção de
água e sódio pelos rins.
- A vasodilatação esplâncnica reduz o volume circulante efetivo, levando à ativação renal
compensatória com retenção de água e sódio por ação do ADH, sistema simpático e
SRAA.
- Ocorre expansão do volume de líquido extracelular, o que se manifesta como edema
periférico e ascite
Manifestações clínicas e associações com o caso
- O diagnóstico da doença hepática associado ao álcool requer uma anamnese
minuciosa acerca da duração do consumo e da quantidade de álcool consumida
- Cerca de 40% dos indivíduos com cirrose são assintomáticos até os estágios mais
avançados da doença; quando sintomáticos, eles apresentam manifestações
inespecíficas: anorexia, perda de peso, fraqueza, dor abdominal inespecífica no
quadrante superior direito, febre, náuseas e vômitos, diarreia e na doença avançada,
sinais e sintomas de insuficiência hepática
Ao exame físico, o fígado e o baço podem estar aumentados de volume com borda
hepática firme e nodular.
Outros sinais frequentes são icterícia das escleras, eritema palmar, angiomas
aracneiformes, aumento de volume das parótidas, baqueteamento digital, atrofia
muscular ou acumulação de edema e ascite
Relacionando com o caso
- Paciente etilista desde os 15 anos (história de etilismo crônico) → fator de risco
- Fraqueza, inapetência, plenitude gástrica, equimoses em região pré-tibial,
hepatomegalia (borda romba e superfície irregular) → cirrose alcoólica
- Aumento do volume abdominal, plenitude gástrica, inchaço nos pés (edema), macicez
móvel em região infraumbilical, abdome globoso → ascite
- Baço percutível (esplenomegalia), fezes escurecidas → hipertensão portal