100% acharam este documento útil (1 voto)
11 visualizações30 páginas

Climatização Eficiente em Edifícios

O documento aborda a climatização e refrigeração em edifícios, enfatizando a importância do conforto térmico e eficiência energética. Discute fatores que afetam a qualidade do ar interior, mecanismos de transferência de calor, e a legislação relacionada à certificação energética. Além disso, apresenta métodos de cálculo para cargas térmicas e ganhos solares, considerando as variáveis climáticas e a envolvente dos edifícios.

Enviado por

mjoaogpinto
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
11 visualizações30 páginas

Climatização Eficiente em Edifícios

O documento aborda a climatização e refrigeração em edifícios, enfatizando a importância do conforto térmico e eficiência energética. Discute fatores que afetam a qualidade do ar interior, mecanismos de transferência de calor, e a legislação relacionada à certificação energética. Além disso, apresenta métodos de cálculo para cargas térmicas e ganhos solares, considerando as variáveis climáticas e a envolvente dos edifícios.

Enviado por

mjoaogpinto
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Climatização e Refrigeração

Mestrado Eng.ª Mecânica


TÉRMICA DE EDIFÍCIOS
- Objetivo: Conforto térmico com menor custo.
- Ferramentas: Normas e legislação.
- Desempenho energético: Projeto de edifico.
- Fatores ambientais:
Fatores que influenciam a qualidade do ar interior:
- Temperatura,
- humidade relativa,
- velocidade do ar,
- odores,
- concentração de micro-organismos ou poeiras em suspensão no ar,
- nível de ruído,
- Iluminação.
Fontes de contaminação:
- Materiais de construção,
- Substâncias resultantes da utilização.
Envolvente de um edifício
- Planos que separam o ambiente interno do ambiente externo.
- Opaca (paredes, pavimentos, coberturas, portas, etc.) e Envidraçada.
- Diferença térmica entre o interior do edifício e o ambiente exterior.
- Contribuem para: consumo de energia de climatização e para o conforto dos
utilizadores.
- Objetivo: manter temperatura e humidade adequadas (conforto térmico), num
equilíbrio entre ganhos e perdas de calor.
- Ventilação.
- Coeficiente de transmissão térmica U [W/(m2K)], depende de condutibilidade
térmica (λ) e da espessura (e).
Certificação Energética de Edifícios (SCE)
- Estabelece valores de U mínimos regulamentares para os diversos elementos
da envolvente (coberturas, paredes, pavimentos e envidraçados).
- Localização do edifício (classificação por zonas climáticas, para Inverno Verão,
da altitude do local, da distância à costa e outras (tipo de edifício, tipo de
utilização, confinamento com outros edifícios, etc.).
- Desempenho energético do edifício (recomendações para melhoria de conforto
redução de consumos).
- Manual Técnico para a Avaliação do Desempenho Energético dos Edifícios,
aprovado pelo Despacho n.º 6476-H/2021, de 1 de julho, estabelece a
metodologia de cálculo para efeitos da avaliação do desempenho energético
dos edifícios.
Balanço térmico
Consiste na contabilização de todas as trocas de calor através da envolvente do
edifício.

Mecanismos de transmissão de calor:


• Condução: Transferência a nível molecular (semelhante à
condução elétrica). Processo de transmissão mais
Importante nos edifícios. Depende λ e da espessura.
• Convecção: Transferência de energia devido ao
Movimento de fluidos. Aumenta com a velocidade do fluido.
Pode ser natural ou forçada.
• Radiação: Transferência de energia por ondas eletromagnéticas entre duas
superfícies a diferentes temperaturas. Pela vibração das moléculas superficiais é
emitida energia radiante através do espaço até atingir uma superfície opaca, a
qual absorve parte desta energia e reflete a restante.
Balanço energético:

• Trocas de calor por condução através das envolventes do edifício (Qcond);


• Trocas de calor devido à ventilação (Qconv), convecção interior e exterior;
• Ganhos térmicos devido à radiação solar (QRad);
• Ganhos térmicos no interior, devido à utilização de equipamentos, iluminação
e emitidos pelos ocupantes(QGI).

Qnec – Necessidades energéticas do edifico para manter as condições interiores:


Qnec = Qcond + Qconv + QSolar + QGI
Inverno / Verão: Necessidades energéticas no Verão são diferentes das do
Inverno; sentidos do fluxo de calor diferente.

O calor devido à radiação solar e à utilização de


equipamentos constituem ganhos de energia no
inverno, mas perdas no verão.

QAquec = Qcond + Qconv - QSolar - QGI (Inverno)

QArref = Qcond + Qconv + QRad + QGI (Verão)


Tipos de calor envolvidos nos processos de transferência de calor:

Calor sensível - Quando um objeto é aquecido (ou arrefecido), a respetiva


temperatura sobe (ou desce) à medida que o calor é adicionado (ou removido). O
aumento (ou diminuição) de calor é designado calor sensível.

Calor latente - Todas as substâncias puras na natureza podem ver o seu estado
(gás, líquido ou sólido) alterado. As alterações de estado requerem a adição (ou
remoção) de calor. O calor que causa estas alterações de estado é chamado calor
latente. O calor latente provoca a alteração de estado sem alteração da
temperatura.

A capacidade sensível é a capacidade necessária para alterar a temperatura e a


capacidade latente é a capacidade para alterar a humidade do ar.
Cargas térmicas
- Carga térmica é a quantidade de calor que deve ser retirada ou fornecida a um
local ou sistema, por unidade de tempo, com o objetivo de manter
determinadas condições térmicas.
- O cálculo de carga de térmica é a base principal do projeto, é o primeiro passo
do projeto, que irá influenciar significativamente o custo inicial de investimento,
custo operacional e consumo de energia, além do impacto no conforto térmico
dos ocupantes.
- Os cálculos das cargas térmicas devem ser os mais exatos possíveis, evitando
aplicar “fatores de segurança” arbitrários para compensar eventuais incertezas
no cálculo, que pode resultar num valor irreal e superdimensionado do sistema
de climatização, gerando custos adicionais.
- Ganho de calor sensível é obtido diretamente do ambiente, por meio de
condução, convecção, e/ou radiação, provocando o aumento de temperatura;
- Ganho de calor latente ocorre quando a humidade é adicionada ao ambiente
(transpiração de pessoas, ou vapor de equipamentos; fontes: pessoas,
renovação de ar e infiltração).
- Principais fatores a ter em conta no cálculo das cargas térmicas:
• envolvente do edifício,
• pessoas,
• iluminação,
• equipamentos internos,
• renovação de ar
• infiltrações.
Envolvente (opaca ou envidraçada)

Transferência de calor por condução (Qcond) pela envolvente:


𝑛

𝑄𝑒𝑛𝑣 = ෍ 𝑈𝑖 𝐴𝑖 𝑇𝑖 − 𝑇𝑒
𝑖=1
Ui - Coeficiente de transmissão térmica do elemento i [W/(m2 K)];
Ai - Área do elemento i (m2);
Ti - Temperatura interior (ºC);
Te - Temperatura exterior (ºC).
Coeficiente de transmissão térmica de cada elemento (Ui):
1 𝑒𝑖
= 𝑅𝑖 =
𝑈𝑖 𝜆𝑖
Ri - Resistência térmica
λ - Condutibilidade térmica
e - espessura

O Guia SCE – Parâmetros de Cálculo, de 13 de Março de 2020, estabelece os


procedimentos e parâmetros para quantificar as transferências de calor por
condução através dos vários elementos construtivos da envolvente.
Pessoas

Carga térmica associada aos ocupantes depende de:


• Número máximo de pessoas previsto;
• Horários de ocupação;
• Atividade (Calor latente + Calor sensível). A Tabela seguinte apresenta QS e QL
do homem em diferentes atividades (Tabela 1, capítulo 30 do livro ASHRAE
Fundamentals Handbook (2005)).
Iluminação
- A iluminação contribui para o ganho de calor dum espaço interior. Isto porque
existem lâmpadas que emitem energia na forma de calor.
- A energia consumida pelas lâmpadas é praticamente toda ela transformada em
carga térmica do ar do espaço.
- A potência de iluminação corresponde ao somatório das potências nominais
das lâmpadas, balastros e transformadores. Quando a potência associada aos
balastros ou transformadores é desconhecida adiciona-se à potência da
lâmpada: 30% (eletromagnéticos) ou 10% (eletrónicos).
- O capítulo 30 do livro ASHRAE Fundamentals Handbook (2005), indica os
parâmetros de ganho de calor por tipo de luminária e detalha os fatores que
devem ser utilizados para o cálculo do calor dissipado pelos vários
componentes de iluminação.
- Os sistemas de iluminação em edifícios encontram-se sujeitos ao
cumprimento dos requisitos previstos no capítulo 11 do Manual Técnico para a
Avaliação do Desempenho Energético dos Edifícios, aprovado pelo Despacho
n.º 6476-H/2021, de 1 de julho.
Equipamentos internos
- Carga térmica devida a equipamentos que dissipam calor deve ser calculada a
partir do levantamento dos equipamentos instalados e das informações do
fabricante. Na ausência de informações, devem ser adotados os valores típicos
de densidade de potência de equipamentos internos e taxas de dissipação de
calor listados nas tabelas 8, 9, 10, 11 do livro ASHRAE Fundamentals Handbook
(2005).
- No caso particular dos edifícios sem qualquer equipamento instalado, deve ser
considerado o valor de densidade de potência por defeito, em função do tipo de
utilização do edifício:
a) Para edifícios de comércio, 5 W/m2
b) Para edifícios de serviços, 15 W/m2
Renovação de ar (Ventilação)
- Ventilação natural: considera-se como uma infiltração.
- Ventilação forçada: as cargas térmicas sensíveis e latentes são aplicadas
diretamente no dimensionamento da unidade de tratamento de ar e não afetam
os cálculos da carga térmica do espaço anterior.
- A ventilação é necessária para diluir os odores emitidos pelas pessoas, pelos
alimentos e sua confeção, pelas casas de banho, pelo tabaco, etc.
- O capítulo 9 do Manual SCE, aprovado pelo Despacho n.º 6476-H/2021, de 1 de
julho, contém no os requisitos legais aplicáveis aos sistemas de ventilação.
- Caudais mínimos de ar novo legais - Tabela 69, pág. 107 do Manual SCE).
- Sistemas de ventilação em habitações novos devem ter sempre um mínimo de
0,5 renovações / hora.
Tabela - Caudais mínimos de ar novo no interior de edifícios em Portugal
Infiltrações
- Fluxo de ar do exterior para o interior através de frestas e outras aberturas não
intencionais, e também através do uso de portas localizadas na fachada.
- A infiltração afeta tanto a temperatura como a humidade do ar, de forma não
controlada.
- É importante que os edifícios sejam projetados para reduzir ao mínimo possível
a taxa de infiltração.
- A pressão interna do edifício deve ser superior à externa. Se tal acontecer não é
necessário as infiltrações no cálculo de carga térmica do edifício.
- Capítulo 16 do livro ASHRAE Fundamentals (2013) apresenta os princípios e
estimativas de infiltrações em edifícios.
Ganhos solares
- Radiação solar incidente pode ser absorvida pelas superfícies, refletida e
transmitida
- Superfícies opacas: o calor gerado pela radiação solar incidente: Qrad = qrad  A
qrad (W/m2) - radiação solar incidente,  (%) - coeficiente de absorvidade
- Superfícies envidraçadas: Além do calor radiante absorvido (Qrad = qrad  A), o
vidro transmite radiação solar, deixa-se atravessar por radiação:
Qrad,T =  x qsolar x A,  (%) - coeficiente de transmissibilidade do vidro
- O cálculo dos ganhos solares encontra-se detalhado no ponto 4.3 de Anexo IV
do RCCTE (Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos
Edifícios); 2 métodos propostos.
Zonamento climático
- Permite estabelecer os principais parâmetros climáticos, por zona do país,
essenciais para o projeto de climatização dos edifícios.
- O Anexo III do RCCTE e o despacho n.º 15793-F/2013 publicam as diferentes
zonas em Portugal e respetivos parâmetros climáticos.
As zonas climáticas de Inverno são definidas a partir do número de graus-dias (GD),
na base de 18 °C, correspondente à estação de aquecimento, conforme a Tabela:
Tabela 02 - Critérios para a determinação da zona climática de Inverno

As zonas climáticas de Verão são definidas a partir da temperatura média exterior


Text, V, conforme a Tabela:
Tabela 03 - Critérios para a determinação da zona climática de Verão
Valores climáticos de referência:
- Duração da estação de aquecimento (meses)
- Graus-dias de aquecimento (ºC)
- Temperatura exterior média do mês mais frio, para aquecimento, ext,I (ºC)
- Temperatura exterior média durante todo o Verão, para arrefecimento, ext,V (ºC).

Os valores dos parâmetros climáticos X associados a um determinado local, são


obtidos a partir de valores de referência XREF para cada NUTS III e ajustados com base
na altitude desse local, z. Os ajustes a efetuar, devido à altitude, são obtidas pela
seguinte expressão: X = XREF +  (z - zREF) [meses ou ºC]
em que os valores de referência e os declives  são dados pelas tabelas anteriores
Tabela 04 - Valores de referência e declives  para Tabela 05 - Valores de referência e declives para
ajustes em altitude para a estação de aquecimento ajustes em altitude para a estação de arrefecimento
Valores de referência para a estação de aquecimento:
GD – Número de graus-dias [ºC];
D - Duração da estação de aquecimento [meses];
ext,I - Temperatura exterior média do mês mais frio da estação de aquecimento [ºC];
GSul - Energia solar média mensal durante a estação, recebida numa superfície vertical
orientada a Sul, [kWh/(m2 mês)].

Valores de referência para a estação de arrefecimento:


Lv - Duração da estação = 4 meses = 2928 horas;
ext,V - Temperatura exterior média durante toda a estação de arrefecimento [°C];
Isol - Energia solar acumulada durante a estação, recebida na horizontal (inclinação 0°) e
em superfícies verticais (inclinação 90°) para os quatro pontos cardeais e os quatro
colaterais, [kWh/m2].
Exercícios

1 - Determinar a zona climática de Inverno de um local sito em Moimenta da Beira a 690


m de altitude.

2 - Determinar a duração da estação de aquecimento de um local situado em Vila do


Conde a uma altitude de 5 m.

3 - Determinar a zona climática de verão de um local sito em Moimenta da Beira com


uma altitude de 690 m.
Legislação
Elevado peso dos edifícios no consumo energético requer regulamentações que
visam a melhoria do desempenho energético e das condições de conforto dos
edifícios. A principal legislação nacional relacionada o desempenho energético
dos edifícios em vigor, é a seguinte:
• Manual SCE (Certificação Energética de Edifícios) – Manual técnico para a
Avaliação do Desempenho Energético dos Edifícios
• Guia SCE – Parâmetros de Cálculo de13 de Maio de 2020, da Direção Geral de
Energia e Geologia.
• Decreto-Lei n.º 80/2006 de 4 de Abril. Este decreto é uma nova versão do
RCCTE

Você também pode gostar