1º fórum de debate de Ética Profissional
Tema: VOCAÇÃO PARA O COLECTIVO
a) As barreiras para esta vocação colectiva
A vocação para o colectivo na sociedade contemporânea é dificultada pelo individualismo e
egoísmo, como apontam Durkheim (2000), Mil (2006) e Weber (2004).
Estes autores observam que a busca pelo benefício pessoal enfraqueceu o espírito
comunitário nas grandes cidades, onde a convivência colectiva é marginalizada.
E ainda destacam que "a moralidade é a raiz da liberdade social", sugerindo que a falta de
uma ética comum compromete a harmonia social e a acção colectiva.
Numa outra abordagem, afirmam que a verdadeira realização humana só se encontra no bem
comum, evidenciando que a colaboração é essencial tanto para o bem-estar social quanto
individual.
Estes autores reforçam a unidade social exigindo o esforço contínuo, apontando que o
individualismo impede a construção de uma sociedade coesa. Essas ideias reforçam que, para
superar as barreiras do individualismo, é necessária uma ética solidária que promova a
interdependência, equilibrando os interesses pessoais com os colectivos para alcançar uma
convivência harmónica.
b) "O homem não deve construir seu bem a custa de destruir o de
outros, nem admitir que só existe a sua vida em todo o
universo" Qual é a sua análise para esta frase.
A frase destaca a importância de não buscar o bem pessoal à custa do sofrimento dos outros,
rejeitando uma visão egocêntrica onde o indivíduo acredita que sua vida é a única que
importa. Ela defende que o progresso individual deve estar em harmonia com o bem
colectivo, promovendo a solidariedade e a responsabilidade mútua. Essa perspectiva
enfatiza a interdependência entre as pessoas, sendo fundamental para a construção de uma
sociedade justa e equilibrada, onde todos possam se beneficiar de forma equitativa.
Referências (formato APA 7ª edição)
Durkheim, É. (2000). O suicídio (3ª ed., N. Rouanet, Trad.). Martins Fontes. (Original publicado em
1897)
Mill, J. S. (2006). Sobre a liberdade (L. de A. Lima, Trad.). L&PM. (Original publicado em 1859)
Weber, M. (2004). A ética protestante e o espírito do capitalismo (3ª ed., H. Mannheim, Trad.).
Pioneira. (Original publicado em 1905)
1º Fórum de debate de geometria projectiva
Tema: Perspectividade e Projectividade
Perspectividade Central;
Uma perspectividade central é uma transformação projectiva que leva todos os pontos de
uma recta a pontos correspondentes de outra recta de forma que as rectas que unem cada
ponto à sua imagem passem por um mesmo ponto fixo (o centro da perspectividade).
No exemplo da Figura, o ponto P é o centro de perspectividade (todas as rectas que unem
vértices correspondentes passam por ele) e a linha formada pelas intersecções dos lados
correspondentes é o eixo de perspectividade. Por esse motivo, dois triângulos são ditos
perspectivos por um ponto se os segmentos que unem vértices correspondentes convergem
num mesmo ponto. A perspectiva central é fundamental na geometria projectiva: ela conserva
a co linearidade, leva rectas paralelas ao infinito e transforma círculos em cónicas (por
exemplo, segmentos de círculos cortados pelo plano geram parábolas ou hipérboles no
projecto). Este tipo de representação é amplamente usado para construir pontos colineares ou
demostrar propriedades projectivas como o Teorema de Desargues.
Razão Simples e Dupla
Considere três pontos colineares A , B ,C . A razão simples (ou divisão de segmento) destes
pontos é definida pelo quociente orientado das distâncias, por exemplo
CA
( A , B ; C )= ,
CB
Assumindo um sentido orientado para a recta. Em geral, esta razão simples não se preserva
sob transformações projectiva. Por sua vez, dada uma quádrupla ordenada de pontos distintos
A,B,C,D numa recta, define-se a razão dupla (ou razão cruzada, cross-ratio) como a razão
entre duas razões simples. Em notação orientada, uma forma comum de escrever é
AC∗BD
( A , B ; C , D )= ,
BC∗AD
Onde AC denota a distância orientada entre A e C , e assim por diante. Equivalentemente,
pode-se expressar a razão dupla como uma divisão de razões simples:
AC :CB
( A , B ; C , D )= .
AD : DB
Conjuntos harmónicos de pontos (acima) e de rectas (abaixo). No caso dos pontos, um
conjunto quadrangular formado por quatro pontos A,B,C,F na recta dá origem ao par
harmónico (A,B;C,F) ou H(AB,CF) onde F é conjugado harmónico de CCC em relação a
AAA e B. A figura ilustra esta construção: escolhe-se um triângulo auxiliar e projecta-se para
determinar o quarto ponto FFF de modo que (A,B;C,F) seja harmónico.
A razão dupla de quatro pontos colineares A,B,C,FA,B,C,FA,B,C,F (denotada (A,B;C,F) é
chamada de harmónica quando ( A , B ; C , F )=−1. Geometricamente, no conjunto harmónico
de pontos ilustrado, as posições de C e seu conjugado harmónico Fusão definidas de tal forma
que trocas adequadas dos pares não alteram esta relação. Em termos simples, o quaternião
harmónico capta a proporção projectiva entre os quatro pontos, sendo invariante sob co
linearidades projectivas. Assim, qualquer colineação projectiva leva um conjunto harmónico
de pontos em outro conjunto harmónico. A Figura 2 (acima) exemplifica a obtenção de F
dado A,B,C por construções de segmentos concorrentes; abaixo, dualmente, mostra-se o
conjunto harmónico de rectas obtido por seções. Isso ilustra que a razão dupla é um conceito
fundamental que sobrevive a projecções: o quaternião harmónico de pontos ou rectas
permanece constante sob transformações projectivas
Propriedades da Razão Dupla
A razão dupla possui propriedades de simetria e invariância fundamentais na geometria
projectiva. Uma das mais importantes é que ela se mantém invariável sob qualquer
projectividade: se uma transformação projectiva leva A , B ,C , D em A ' , B ' ,C ' , D ' , então
( A , B ; C , D)=( A ' , B ' ; C ' , D).
Em particular, foi observado desde Pappus (séc. III a.C.) que a razão cruzada é preservada por
projecções planas. É essencialmente o único invariante de quatro pontos colineares sob as
transformações projectivas. Outras propriedades incluem a observação de sinal: ( A , B ; C , D)
é negativo se, e somente se, um dos pontos C,D estiver entre A,BA, e o outro não. Além
disso, as seis diferentes razões duplas obtidas permutando-se os quatro pontos obedecem às
relações clássicas (por exemplo, ( A , B ; C , D)=1−( A , C ; B , D), etc.), mas aqui destacamos
sobretudo a invariância projectiva e as relações mais simples de simetria indicadas acima.
Expressão Analítica da razão Anarmónica e Dupla
Escolhendo uma coordenada afim numa recta (por exemplo, fazendo A ↦ xA , etc.), pode-se
escrever analiticamente a razão cruzada como
( xC−xA)(xD−xB)
( A , B ; C , D)=
( xC−xB)(xD−xA )
Esta fórmula resulta directamente da definição por distâncias orientadas. Como caso especial,
se algum dos pontos C ou D for o ponto no infinito da recta, o termo correspondente na
fórmula é omisso: por exemplo, se D é o ponto no infinito, a razão ( A , B ; C , ∞) reduz-se à
razão simples ( AC :BC ). A terminologia “razão anarmónica” enfatiza que essa expressão
geral mede o desvio da divisão harmónica; de fato, chamamos de razão anarmónica essa razão
dupla genérica, e de razão harmónica o caso especial em que ela vale −1.
Conceito da Projectividade
Uma projectividade é, em termos gerais, uma bijecção de pontos de uma linha em pontos de
outra (ou da mesma) que leva rectas em rectas e preserva as razões duplas de quatro pontos.
Equivalentemente, é qualquer transformação que possa ser decomposta como composição de
perspectividades (centrais ou axiais). Por exemplo, se três pares de pontos correspondentes
numa linha definem uma perspectividade, então projectando à partir
de dois centros distintos podemos obter uma projectividade entre dois feixes de rectas.
Historicamente, Chasles definiu duas configurações pontuais como projectivas se estivessem
relacionadas anarmonicamente, enquanto von Staudt enfatizou a relação harmónica e
Poncelet descreveu a geração por projecções e seções. Em essência, a projectividade estende a
noção de afinidade considerando projecções gerais, sendo caracterizada precisamente pela
manutenção invariante da razão dupla.
Teorema Fundamental da Geometria Projectividade
Teorema: Uma projectividade é determinada quando três pontos colineares e seus três
pontos colineares correspondentes são dados.
E claro que podemos trocar três pontos colineares’ por ’três rectas concorrentes’.
Assim, cada uma das relações abaixo é suficiente para determinar uma única projectividade:
Ponto Duplo e Invariante
Classificação e tipos das Projectividades.
Referências:
Auffinger, A. C. T. de C., & Valentim, F. J. da S. (2003). Introdução à geometria projectiva.
Departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo.
Boyer, C. B., & Merzbach, U. C. (2010). História da matemática (E. F. Gomide, Trad., 3ª
ed.). Blucher.
Queiroz, A., Souza, J. R., & Nunes, R. S. (1953). Exercícios de geometria descritiva: Tomo I
– Homologia, projeção ortogonal, axonometria. Porto Editora.
Rosa, A. P. (2008). Geometrias não euclidianas (Dissertação de Mestrado). Faculdade de
Ciências da Universidade de Lisboa.
Souza, J. R. de. Elementos de geometria projectiva. Porto Editora.
Sousa, J. E. R. de. (1949). Questões de axonometria central. Tipografia Imprensa Portuguesa.
Tema: Noções Sobre Conjuntos e demonstrações.
[Link] Conjuntos
Uma nota histórica sobre conjuntos
Georg Cantor (1845–1918) é amplamente reconhecido por ter revolucionado a matemática ao
desenvolver, a partir de 1874, a Teoria dos Conjuntos. Seus estudos tiveram início com a
busca por uma formalização do conceito de infinito. Através dessa investigação, Cantor
chegou à surpreendente conclusão de que existem diferentes ordens de infinito, o que
desafiava profundamente as concepções matemáticas da época.
Para classificar essas ordens, Cantor formulou a ideia de números transfinitos, permitindo
comparar o “tamanho” de conjuntos infinitos. Essa inovação levou à criação de um novo
formalismo matemático – a Teoria dos Conjuntos –, que se tornaria o fundamento da
matemática moderna.
Segundo Howard Eves, conforme citado em História da Matemática,
“A moderna teoria dos conjuntos é uma das notáveis criações do espírito humano.”
A relevância da Teoria dos Conjuntos ultrapassa o campo matemático. Ela constitui uma
ferramenta essencial na compreensão dos fundamentos da matemática, especialmente em
áreas como o cálculo diferencial e integral. Pode-se afirmar que se trata de um formalismo
interdisciplinar, funcionando como elo entre a matemática, a lógica matemática e a filosofia.
No final do século XIX, esse novo paradigma transformou profundamente a matemática,
estabelecendo as bases para disciplinas modernas como a análise, a topologia, a álgebra e a
lógica formal. Como afirma Fraleigh (1999), os conjuntos passaram a ser considerados o
alicerce para a construção de sistemas matemáticos formais, influenciando diretamente o
desenvolvimento da estrutura da matemática contemporânea.
Conceito de conjunto
Um conjunto é uma coleção bem definida de objetos distintos, chamados elementos. Os
conjuntos são geralmente representados por letras maiúsculas e seus elementos por letras
minúsculas. Como destacado por Garcia e Lequain (2002), a ideia de “bem definido” significa
que é possível determinar com clareza se um objeto pertence ou não ao conjunto.
Um conjunto é uma coleção bem definida de elementos. Denota-se geralmente por letras
maiúsculas (ex.: A, B, C) e seus elementos por letras minúsculas (ex.: a, b, c).
Exemplo: A={1 , 2, 3 }, B= { x ∈ N| x é ímpar }
Descrição
Há três formas principais de descrever conjuntos:
Extensão: listando seus elementos, por exemplo: A={1 , 2, 3 }.
Compreensão: descrevendo uma propriedade comum, por exemplo:
C={ x ∈ N|x <5 }={0 , 1, 2 , 3 , 4 , }
Diagramas de venn: Nele constrói-se uma linha fechada, e no seu interior inseri-se os
elementos do conjunto.
Exemplo: Representação, utilizando o diagrama de Venn, dos conjuntos
A={a , b , c , d }, B={d , e , f , g }e C={d , e ,c , h }.
Subconjunto
Se todos os elementos de um conjunto A pertencem a um conjunto B, então A é subconjunto
de B, representado como A ⊆ B. Conforme De Amio (2007), a relação de inclusão é
fundamental para a construção de estruturas algébricas mais complexas.
Dado o conjunto A e B , dizendo que A ⊆ B se:
∀ x∈ A ,x ∈B
Se A ⊆ B e A ≠ B , então A é um subconjunto próprio de B, denotado A ⊂ B.
Exemplo: A={1 , 2}, B={1, 2 , 3 , 4 }⇒ A ⊂ B
Conjunto Vazio
O conjunto vazio, representado por ∅, é aquele que não possui nenhum elemento. Ele é
subconjunto de qualquer conjunto. Fraleigh (1999) observa que sua existência é essencial para
a lógica matemática, pois representa a possibilidade de ausência dentro de um sistema formal.
∅ ={}
E, por definição ∀ A , ∅ ⊂ A
Exemplo: D={x ∈ N∨x 2=−1=∅ }
Reunião e Interseção
Dados os conjuntos A e B:
(i) a reunião A ∪ B é o conjunto formado pelos elementos de A ou de B;
(ii) a interseção A ∩ B é o conjunto formado pelos elementos de A e de B
Portanto, se considerarmos as afirmações
x∈ A e x ∈B
veremos que x ∈ A ∪ B quando pelo menos uma dessas afirmações for verdadeira e, por outro
lado, x ∈ A ∩B quando ambas as afirmações acima forem verdadeiras. Mais concisamente:
x ∈ A ∪ B significa x ∈ A ou x ∈ B ;
x ∈ A ∩B significa x ∈ A e x ∈ B .
Nota-se, deste modo, que as operações A ∪ B e A ∩ B entre conjuntos constituem a
contrapartida matemática, em linguagem de conjuntos, dos conectivos lógicos ou e e (às vezes
representados pelos símbolos ∨ e ∧, respectivamente). Assim, se P é a propriedade que
define o conjunto A e Q é a propriedade que define o conjunto B, então, A ∪ B e A ∩ B são
os conjuntos definidos pelas propriedades P ou Q e P e Q, respectivamente.
Exemplo: Diremos que x ∈ R tem a propriedade P se x 2−3 x+ 2=0 , e tem a propriedade Q
se x 2−5 x+ 6=0.
O conjunto dos números que possuem a propriedade P é A = {1, 2} e o conjunto dos números
que têm Q é B = {2, 3}. Assim, a afirmação x 2−3 x+ 2=0 ou x 2−5 x +6=0 equivale a
x ∈ {1 , 2 ,3 }; e a afirmação x 2−3 x+ 2=0 e x 2−5 x +6=¿ 0 equivale a x ∈ {2 }ou x =2. Noutras
palavras,
AUB={1 ,2 , 3 } e A ∩ B={2}
As propriedades relacionadas com as operações de união e interseção constituem teoremas
cujas demonstrações, em geral, não são difíceis. A comutatividade e associatividade decorrem
diretamente das definições, e a distributividade é de verificação um pouco menos imediata.
Complementar
A noção de complementar de um conjunto só faz pleno sentido quando se xa um conjunto U,
chamado o universo do discurso, ou conjunto-universo. O universo U pode ser visto como o
assunto da discussão ou o tema em pauta: estaremos falando somente dos elementos de U.
Uma vez xado U, todos os elementos a serem considerados pertencerão a U e todos os
conjuntos serão subconjuntos de U, ou derivados destes. Por exemplo, na Geometria Plana, U
é o plano; na teoria aritmética da divisibilidade, U é o conjunto dos números inteiros.
Dado um conjunto A (isto é, um subconjunto de U), chama-se complementar de A ao
conjunto Ac formado pelos objetos de U que não pertencem a A.
Uma propriedade imediata do complementar é a seguinte:
c c
U =∅ e ∅ =U
Lembramos que, uma vez fixado o conjunto A, para cada elemento x em U, vale uma, e
somente uma, das alternativas: x ∈ A , ou x ∉ A . Como já observamos, o fato de que, para todo
x ∈ U, não existe uma outra opção além de x ∈ A ou x ∉ A é conhecido em lógica como o
Princípio do Terceiro Excluído; e o fato de que as alternativas x ∈ A e x ∉ A não podem ser
ambas verdadeiras ao mesmo tempo chama-se o Princípio da Não Contradição. Desses
Princípios, decorrem as regras operatórias básicas referentes ao complementar:
Desses Princípios, decorrem as regras operatórias básicas referentes ao complementar:
(i) Para todo conjunto A ⊂ U, tem-se Bc C = A. (Todo conjunto é complementar do
seu complementar.)
(ii) (ii) Se A ⊂ B então Bc ⊂ Ac . (Se um conjunto está contido em outro, seu
complementar contém esse outro.
Exemplo:
Em Matemática é frequente, e muitas vezes útil, substituir uma implicação por sua
contrapositiva, a m de tornar seu significado mais claro ou mais manipulável. Por isso, é
extremamente importante entender que P ⇒ Q e ∼ Q ⇒ ∼ P são armações equivalentes. Em
particular, a equivalência entre uma implicação e sua contrapositiva é a base das
demonstrações por contradição.
Exploramos as relações fundamentais entre a linguagem da álgebra de conjuntose a
linguagem das implicações lógicas. Chama-se atenção para as vantagens, em certas situações,
de expressar implicações lógicas em termos de conjuntos. Consideremos P e Q duas
condições, aplicáveis aos elementos de um conjunto U. Consideremos A e B subconjuntos de
U, cujos elementos satisfazem P e Q, respectivamente. As principais equivalências entre a
linguagem de implicações e a linguagem de conjuntos podem ser resumidas no quadro a
seguir:
1.2. Sobre demonstrações
Proposições e funções proposicionais
Proposição: sentença que pode ser verdadeira (V) ou falsa (F).
Exemplos:
“5 é um número ímpar.” → proposição verdadeira (V)
“2 + 2 = 5” → proposição falsa (F)
Função Proposicional: depende de uma variável.
Exemplo: P ( x ) : x 2 ≥ 0 ¿
2. Conectores Lógicos
Conector Símbolo Leitura Definição Formal Exemplo
Negação ¬P "não P" Verdade se P é falso Se PP: “5 é ímpar” ⇒
¬P: “5 não é ímpar” ⇒
Falsa
Conjunção P∧Q "P e Q" Verdadeira apenas se PP: “2 < 4”; QQ: “3 é
ambas forem ímpar” ⇒ V ∧ V = V
verdadeiras
Disjunção P∨Q "P ou Q" Falsa apenas se PP: “3 é par”; QQ: “5 >
(inclusivo) ambas forem falsas 2” ⇒ F ∨ V = V
Implicação P→Q "se P, então Falsa apenas se P for PP: “Está chovendo”,
Q" V e Q for F QQ: “Está nublado” ⇒
V→V=V
Bicondiciona P↔Q "P se e Verdadeira se P e Q PP: “2 é par”; QQ: “4 é
l somente se têm o mesmo valor par” ⇒ V ↔ V = V
Q" lógico
Demonstração Indireta (ou por contradição)
Também chamada por contradição ou raciocínio ad absurdum.
Ideia geral
1. Queremos provar P.
2. Suponha, para fins de contradição, que ¬P seja verdadeiro.
3. A partir de ¬P (e de outros fatos já conhecidos), derive uma contradição lógica
(por exemplo, algo do tipo “Q e ¬Q ao mesmo tempo”).
4. Como ¬P leva a algo impossível, concluímos que ¬P é falso e, portanto, PPP é
verdadeiro.
Exemplo clássico: √ 2 é irracional
p
1. Proposição: √ 2 “não pode ser escrito como fração com inteiros p e q sem
q
fator comum.”
Demonstração de Existência
5. Conclui-se que existem infinitos primos — uma existência “abundante”, sem apontar um
em particular
Referências Bibliográficas
De Amio, W. (2007). Fundamentos de Matemática: Álgebra. LTC Editora.
Fraleigh, J. B. (1999). A First Course in Abstract Algebra. Addison-Wesley.
Garcia, A., & Lequain, Y. (2002). Elementos de Álgebra. IMPA.
Demonstração por contra-exemplo
2º Fórum de debate de geometria projectiva
Tema: Involução, Campos e Homologias Planas.
Caro estudante.
Neste fórum discutiremos sobre conceitos da Involução, Campos e
Homologias Planas, sustente os seus comentários de acordo com o tema
acima exposto observando os seguintes itens:
Involução;
Teoremas e Corolários sobre Involuções;
Teorema de Desargues;
Campos;
Colineação;
Homologia como Colineação Perspectiva.
1º Fórum de debate de análise harmónica
Tema: Funções Analíticas
a) Noção de Funções analíticas
uma função f (z), com z ∈ ∁ , é analítica (ou homorfa) em um ponto z 0 se ela for:
Derivável em z 0 e,
Derivável em toda uma vizinhança de z 0.
Ou seja: analiticidade exige mais do que apenas a existência da derivada em um ponto — a
função deve ser derivável em uma região ao redor desse ponto.
b) Derivabilidade
Derivada num ponto
c(conjunto aberto e conexo). Diz-se que f (z) e derivável num ponto z ∈ R, se existir o limite
∆f ( z) ∆ f ( z + ∆ z ) −f (z )
lim = lim
∆ z→0 ∆z ∆z→0 ∆z
df
Este limite designa-se por f , (z ) ou e é chamado de deivada da função f (z) no ponto z.
dz
, ∆f (z) df ∆f (z)
Assim, f ( z )= lim ou = lim
∆ z→0 ∆z dz ∆ z →0 ∆ z
É importante observar que para existência da derivada f , (z ) o limite acima não pode depender
de modo como ∆ z tende para zero, ou seja, como o ponto ( z +∆ z ) tende a z.
É válida a proposição:uma função f(z) derivável num ponto z é contínua nesse ponto.
c) Propriedades das derivadas de função complexa
sejam f (z) e g(z ) funções definidas em C , então:
'
1. Linearidade: [ f ( z ) + g(z ) ] =f ' ( z )+ g ' ( z )
Exemplo: Seja f ( z )=z 2 e g ( z )=e z , a=2 , b=−i
d
[ 2 z2 −ie z ]= 2∗d ( z 2 ) −i d ( e z )=2∗2 z −i∗e z =4 z−ie z
dz dz dz
'
2. Produto: [ f ( z )∗g (z) ] =f ' ( z )∗g ( z ) + g' ( z )∗f ( z )
Seja f ( z )=z 2 e g ( z )=sinz
d 2
[ z ∗sinz ]= d ( z2 )∗sinz + z 2 d ( sinz ) =2 z∗sinz+ z 2∗cosz
dz dz dz
[ ]
' ' '
f (z) f ( z )∗g ( z ) + g ( z )∗f ( z )
3. Quociente: = , g ( z )≠ 0
g( z) [ g' ( z ) ]
2
Seja f ( z )=z 2 +1 e g ( z )=z
[ ]
d z +1 ( 2 z )∗z−( z +1 )∗1 2 z −(z +1) z −1
2 2 2 2 2
= 2
= 2
= 2
dz z z z z
4. Composição (Regra da Cadeia): fog=( f ' og )∗g'
Seja f ( w )=cos w e g ( z )=z 2, então h ( z )=f ( g ( z ) ) =cos ( z 2)
d ( z 2 )∗d 2
h ( z )= [ cos (z ) ] =−sin ( z )=−sin ( z 2)∗2 z=−2 zsin(z 2)
' 2
dz dz
As derivadas das funções elementares de uma função de variável complexa, são calculadas
pelas mesmas regras que se usam para as derivadas das mesmas funções de variável real.
d) Teorema de Cauchy-Riemann
Se f ( z ) : R ⟶C com R ⊂ C , diferencial num ponto z 0 ∈ R e f ( z ) =( u ; v ), então no ponto
∂u ∂ v ∂u −∂ v
( x 0 , y 0 )=z 0 verifica-se: ∂ x = ∂ y ; ∂ y = ∂ x .
Em coordenadas polares r , φ as equações Cauchy-Riemann tem a forma:
1 −1
∗∂u ∗∂u
∂u r
=
; ∂v
=
r
∂x ∂φ ∂r ∂φ
Exemplo: Seja f ( z )=z 2 ¿( x +iy)2=x 2− y 2 +i(2 xy)
Então:
∂u ∂v
2 2
u ( x , y )= x − y ; =2 x ; =2 x
∂x ∂y
∂u ∂v
v ( x , y )=2 xy ; =−2 y ; =2 y
∂y ∂x
As equações de Cauchy-Riemann são satisfeitas. Logo, f ( z )=z 2 é derivável (e de facto
holomorfa) em todo C .
e) Função analítica
Diz-se que uma função f (z) e analítica numa região R , se ela é derivável em cada R . Diz-se
que f (z) é analítica num ponto z 0, se ela é analítica numa região contendo z 0.
O conceito de analiticidade requer a existência dea derivada em todos os pontos de um
conjunto aberto.
Para que uma função f ( z )=u ( x , y )+ iv(x ; y) seja analítica numa região R é necessário e
suficiente que nessa região sejam deriváveis as funções u ( xy )=Ref ( z ) , v ( xy )=lmf ( z) e
estejam satisfeitas em R as equações de Cauchy-Riemann. Uma função que satisfaz as
equações de Cauchy-Riemann so em certos pontos isolados não é analítica.
Denomina-se ponto singular ou singularidade isolado de uma função f ( z ) , se existe uma
vizinhança de z 0 que não contem nenhum outro ponto singular, distinto de z 0. Caso contrario,
diz-se que z 0 é singularidade não-isolada.
A derivada de uma função f ( z )=u ( x , y )+ iv(x ; y), que é analítica numa região R calacula-se
conforme as regras:
, ∂u ∂u , ∂u ∂u
f ( z )= +i ; f ( z )= −i
∂x ∂x ∂y ∂y
Exemplo: verificar, se são analíticasas funções dadas: f ( z )=z∗e z
Resolução: Atendendo que z=x +iy , vamos decompor a função dada nas suas partes reais e
imaginarias.
f ( z )=z∗e =e [ ( xcosy− ysiny ) +i(xsiny + ycosy) ].
z z
Assim, u ( x , y )=Ref ( z )=e x (xcosy− ysiny ),
x
v ( x , y )=Imf ( z )=e ( xcosy− ysiny).
Achamos as derivadas parciais das funções u ( x , y ) e v (x , y ).
∂u x ∂u x
=e ( xcosy− ysiny +cos y); =−e ¿
∂x ∂y
∂u x ∂u x
=e ( xsiny+ ycosy+ siny ); =e ( xcosy− ysiny+ cosy ).
∂x ∂y
∂ u ∂ v ∂u −∂ v
É facial ver que se verificam as equações: = ; =
∂x ∂ y ∂ y ∂x
Conclui-se que as funções u ( x , y ) e v (x , y ) tem as derivadas parciais continuas e satisfazem as
equações de sobre todo plano complexo. Logo, a função dada f ( z ) é analítica.
f) Funções harmónicas conjugadas e equação de Laplace.
Uma função f ( z )=u ( x , y )+ i( x , y ), analítica na região R possui as derivadas de todas ordens
em R e essas derivadas por sua vez, também, analíticas em R. neste caso as funções
u ( x , y )=Ref ( z ) , v ( x , y )=Imf (z ) possuem R derivadas parciais continuas de qualquer ordem,
e representa funções harmónicas conjugadas, satisfazendo a equação de Laplace, isto é,
2 2 2 2
∂ u ∂ u ∂ v ∂ v
2
+ 2 =0 e 2
+ 2 =0
∂x ∂y ∂x ∂y
Esta propriedade permite recuperar uma função analítica através da sua parte real ou da
imaginária, a saber. Caso ser dada só a parte real u ( x , y ) de uma função analítica
f ( z )=u ( x , y )+ i( x , y ) a sua parte imaginária v (x ; y ) pode-se obter através de u(x ; y ) de
modo seguinte:
( x, y) x x
v ( x , y )= ∫ −∂ ∂ y
u
dx+¿
∂u
∂ x
dy +C ⇔−∫ u'y ( x , y 0 ) dx +∫ u'x ( x , y ) dy +C ¿ , onde C é a
(x , y )
0 0
y 0 x 0
constante de integração (x 0 , y 0) é ponto de integração no qual a função u(x ; y ) e derivável.
Analogamente, a parte real u(x; y) pode ser recuperada através da imaginária v (x ; y ):
(x , y) x x
∂v ∂u
u ( x , y )= ∫ dx−¿ dy +C=−∫ v 'y ( x , y 0 ) dx+∫ v 'x ( x , y ) dy +C ¿
(x , y ) ∂ y
0 0
∂x x 0 y 0
Exemplo: provar que a função u ( x , y )=sinhx∗siny é a parte real de uma função analítica
f ( z )= ( x , y ) +iv( x , y) e obter a função de modo que f ( 0 )=−i
Resolução: Vamos verificar se a função dada ( x , y ) satisfaz a equação de Laplace, isto é,
2 2
∂ u ∂ u
2
+ 2 =0 .
∂x ∂y
2 2
∂ u ∂u
Ao encontrar as segundas derivadas 2
=sinhx∗siny , 2
=−sinhx∗siny obteremos:
∂x ∂y
2 2
∂ u ∂ u
2
+ 2 =sinhx∗siny −sinhx∗siny=0
∂x ∂y
Por consequência, a função u(x , v ) satisfaz a equação de Laplace e, então, é função
harmónica e, consequentemente, representa a parte real da função analítica
f ( z )=u ( x , y )+ iv ( x , y ).
Referências bibliográficas:
ALMIRANTE, A., & KARINA, A. K. (2023). Funções de variável complexa. Universidade
Estadual Paulista. Curso de Licenciatura em Matemática.
Ávila, G. (2018). Variáveis complexas e aplicações (3ª ed.). LTC.
Silva, M. (2018). Análise complexa e aplicações [Dissertação de mestrado profissional,
Universidade Estadual Paulista]. Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.
1º Fórum de Debate de cálculo integral
Tema: Funções de várias variáveis
Uma função de várias variáveis é uma regra que associa a cada ponto (x 1 , x 2 ,… x n )∈ Rn um
único numero real f (x 1 , x 2 , … x n)∈ R n
As mais comuns são:
Funções de duas variáveis: f ( x , y )=x 2+ y 2
Funções de três variáveis: f ( x , y , z )=xe− z + y 2
a) Domínio de funções de 2 variáveis
Domínio de uma função é o conjunto de elementos do conjunto de partida que através da lei
(função) tem um correspodente no conjunto de chegada, ou seja, para funções de duas
variáveis x e y é o conjunto D de todos pares (x,y) para os quais a regra z = f(x,y) é definida.
Seja: f : U ⊂ R n ⟶ R .(n>1)
n
Df ={(x 1 , x 2 , … x n )∈ R /fseja definida }
Exemplo com duas variáveis: O volume dum cilindro com base de raio r e altura h, é uma
função de duas variáveis e é dada pela condição V =π ¿ r 2∗h. Expressando V como função de r
e h teremos V (r , h)=π ¿ r 2∗h.
O domínio desta função são todos pares (raio, altura) que se podem tomar e dar sentido a
expressão acima. Neste caso, o domínio será dado por:
Df ={ r , h ) ∈ R :r ≥ 0❑ h≥ 0
n
Referências bibliográficas
ÁVILA, G. (1994), Cálculo II. Funções de uma Variável. Rio de Janeiro.
BEIRÃO, C. (1992), Cálculo integral em R(n), ISP, Maputo.
DEMIDOVITC. B. (1993), Problemas e Exercícios de Análise Matemática. Escolar Editora.
Lisboa.
FLEMMING, D. M.; GONÇALVES, M. B. (2004), Cálculo. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall.
SWOKOWSKI, E. (1995), Cálculo Com Geometria Analítica. Vol. 2. 2ª ed. São Paulo:
Makron Books, Brasil.
Exemplo com três variáveis: Seja a função: f ( x , y , z )= √ 1−x 2− y2 −z2
Identificar restrições da função: A função envolve uma raiz quadrada, e sabemos que para a
raiz estar definida no conjunto dos reais, o que está dentro da raiz deve ser ≥ 0:
2 2 2
1−x − y −z ≥ 0
Resolver a desigualdade: x 2+ y 2+ z 2 ≤1
Essa é a equação de uma esfera sólida (inclusive o interior) de raio 1, centrada na origem (0,
0, 0).
O domínio da função f (x , y , z) é o conjunto de todos os pontos (x , y , z)∈ R3 que estão
dentro ou sobre a superfície da esfera de raio 1.
3 2 2 2
Df ={( x , y , z) ∈ R ∨x + y + z ≤ 1 }
b) Limite de funções de várias variáveis
Definição: seja f uma função definida sobre algum intervalo aberto que contém o número a ,
excepto possivelmente no próprio a . Então diz-se que o limite de f (x) quando x tendepara
a é L se para todo número ε há um número correspondente δ >0 tal que |f ( x ) −L|<ε sempre
que 0<| x−a|< δ (Stewart 2001, p.18).
1. Exemplo: Limite de funções de 2 variáveis
Seja função f ( x , y )=x + y
lim f (x , y)
Mostre que (x , y)→(0 , 0)
Temos: |f ( x , y )−0|=¿ x + y∨¿
Usando a desigualidade triangular: |x + y|≤|x|+| y|≤ √ 2∗√ x2 + y 2
E
Então: |x + y|< ℇ sempre √ x + y <
2 2
√2
E
Se escolhermos: δ=
√2
Então, sempre que: 0< √ x 2 + y 2 <δ ⇒| x+ y|< ε . Portanto, o limite é 0.
Generalizando para 3 variáveis
Se f ( x , y , z ) é uma função de três variáveis, a definição é:
lim f ( x , y , z )=L
(x , y, z )→(a ,b , c)
Se, para todo ε > 0, existe δ >0 tal que:
0< √( x−a ) + ( y−b ) + ( z −c ) < δ ⟹|f ( x , y , z )|−L< ε
2 2 2
Seja função: f ( x , y , z )=x 2 + y 2 + z 2
Mostre que: (x , y, zlim f ( x , y , z )=0
)→(0 ,0 ,0 )
Temos: |f ( x , y , z )−0|=x 2 + y 2 + z 2
Sabemos que: x 2+ y 2+ z 2=¿∨( x , y , z)∨¿ 2
Ou seja: x 2+ y 2+ z 2 < E se √ x 2+ y2 + z 2 < √ E
Se ecolher δ=√ E então 0< √ x 2 + y 2 + z 2< δ ⟹|f ( x , y , z )|< E
Logo, o limite é 0.
Ou seja:
O limite existe somente se o valor da função se aproxima de um mesmo número,
independentemente do caminho pelo qual você se aproxima do ponto.
Se o resultado depender do caminho, então o limite não existe.
b) Derivadas parciais de 1a ordem e de ordens superiores
Definição: A derivada de uma função f é um número a , denotada por
∂f ' f ( x )−f (a)
=f ( a )=lim (se o limite existir). (Stewart 2001, p.19)
∂x x →a x−a
Derivada parcial
Em funções de duas variáveis, geralmente o objectivo tem sido determinar a taxa de variação
da função com uma das variáveis mantendo a outra constante, ou seja, é derivar a função em
relação a uma das variáveis mantendo a outra fixa. Esse processo é chamado de derivação
parcial e a derivada resultante é chamada de derivada parcial.
Analogamente define-se a derivada parcial de f em relação à variável y no ponto (a ,b) é:
∂f f ( a , b+h ) −f ( a , b)
(a , b)=lim
∂y h→0 h
Isto quer dizer que para determinar:
∂f
; deriva em relação a x, fixando y e z.
∂x
∂f
; deriva em relação a y, fixando x e z.
∂y
∂f
; deriva em relação a z, fixando x e y.
∂z
Seja a função: f ( x , y )=x 2 y +3 x y 2
Vamos calcular as duas derivadas parciais de primeira ordem: Derivada parcial de f (x , y )
em relação a x fixando y .
∂f ∂ 2
= ( x y +3 x y 2)
∂x ∂x
2
x y → derivada em relação a x : 2xy
2 2
3 x y → derivada em relação a x : 3 y
∂ 2
( x y +3 x y 2 ) =2 xy +3 y 2
∂x
Derivada parcial de f (x , y ) em relação a y fixando x .
∂f ∂ 2
= ( x y +3 x y 2 )
∂y ∂y
2
x y → derivada em relação a y : x
2
2
3 x y → derivada em relação a x : 6 xy
∂ 2
( x y +3 x y 2 ) =x2 +6 xy
∂x
Derivadas de maior ordem
As derivadas parciais de uma função de duas variáveis são também funções de duas variáveis.
Portanto, elas podem ser ainda, derivadas, ou seja, delas derivam outras derivadas parciais. As
funções resultantes são designadas derivadas parciais de segunda ordem.
Se z=f (x , y ),
( )
2
∂ ∂f ∂ f
1. A derivada parcial de f x em relação a x é ( f x ) x =f xx =f 11 = =
∂ x ∂ x ∂ x2
∂ ∂ 2
Exemplo: Seja a função: f ( x , y )=x 2+ 6 xy ¿ f xx = ( f ) = (2 xy +3 y )
∂ x x ∂x
2 xy → 2 y
2
3 y →0
f xx =2 y
( )
2
∂ ∂f ∂ f
2. A derivada parcial de f x em relação a y é ( f x ) y =f xy =f 12= =
∂ y ∂ x ∂ yx
(deriva f x em relação a y)
∂ ∂ 2
Exemplo: Seja a função: f ( x , y )=x 2+ 6 xy ¿ f xy =
∂y
( f x )=
∂y
(2 xy +3 y )
2 xy → 2 x
2
3 y →6 y
f xy =2 x +6 y
( )
2
∂ ∂f ∂ f
3. A derivada parcial de f y em relação a x é ( f y ) x =f yx =f 21= =
∂ x ∂ y ∂ xy
(deriva f y em relação a x)
∂ ∂ 2
Exemplo: Seja a função: f ( x , y )=x 2+ 6 xy ¿ f yx =
∂x
( f y )= (x +6 xy )
∂x
2
x →2x
6 xy →6 y
f yx =2 x+ 6 y
Confirmação de que f xy =f yx
( )
2
∂ ∂f ∂ f
4. A derivada parcial de f y em relação a x é ( f y ) y =f yy =f 22= = 2
∂ y ∂y ∂ y
∂ ∂ 2
Exemplo: Seja a função: f ( x , y )=x 2+ 6 xy ¿ f yy =
∂y
( f y )=
∂y
(x + 6 xy )
2
x →0
6 xy →6 x
f yy =6 x
2
∂ f
A notação f xy = , por exemplo, significa que primeiro derivamos em relação a x e
∂ y∂x
depois em relação a y.
d) Extremos livres (máximos e mínimos) extremos condicionados
(multiplicadores de Laplace), para funções de 2 e 3 variáveis
1. Extremos livres (máximos e mínimos)
Definição: Buscamos máximos ou mínimos locais de uma função f (x , y ) ou f (x , y , z) sem
restrições. Isso acontece quando a derivada parcial da função em cada variável é igual a zero
(ponto crítico).
Exemplo: (2 variáveis)
Seja f ( x , y )=x 2+ y 2−4 x−6 y
∂f ∂f
Calcular derivadas parciais: f x = =2 x−4 ; f y= =2 y −6
∂x ∂y
Igualar a zero: 2 x−4=0 ⇒ x =2 2 y−6 ⇒ y=3
Ponto critico: (2,3)
Classificar o ponto com a matriz Hessiana
f xx=2, f yy =2, f xy =0
2
D=f xx f yy − ( f xy ) =2∗2−0=4>0 , f xx >0
Minimolocal (2,3)
2. Extremos condicionados (multiplicadores de Laplace)
Definição: Quando queremos encontrar os extremos de uma função, sujeita a uma restrição
(como g( x , y)=c), usamos o método dos multiplicadores de Lagrange.
Exemplo: 2 variáveis com restrições
Seja a função: f ( x , y )=xy , restrição: x + y=10
Escrever os gradientes ∇ f =( y , x), ∇ g=(1, 1)
{
y=λ∗1 ⇒ λ=1
Montar o sistema com Langrange ∇ f =λ ∇ g ⇒ x=λ∗1 ⇒ λ=x
x+ y=10
Resolver o sistema: x= y , x + x=10 ⇒ x=5 , y=5
Extremo em (5,5)
Valor máximo: f ( 5 , 5 )=25
Método de Multiplicadores de Laplace com 3 variáveis
É um método de otimização usado para encontrar máximos ou mínimos de uma função com
restrições. Ele introduz variáveis auxiliares (os multiplicadores de Lagrange) e resolve um
sistema de equações que iguala os gradientes da função objetivo e da restrição.
Para determinar os valores máximos e mínimos de f (x , y , z)sujeita a g(x , y , z )=k (supondo
que estes valores existam), é preciso proceder da seguinte maneira:
1º passo: escrever o problema na forma
Maximizar (minimizar) f (x , y , z) sujeita a g ( x , y , z ) =k .
{
f x (x , y , z)=λ g x ( x , y , z )
2º passo: resolver o sistema de equações f y ( x , y , z )=λ g y ( x , y , z )
f z (x , y , z)=λ g z ( x , y , z )
Determinar os valores de x , y , z e λ
3º passo: calcular o valor de f em todos pontos (x , y , z)encontrados no 2º passo. O maior
desses valores é o máximo e o menor é o mínimo de f .
Exemplo: Determine os valores extremos da função f ( x , y )=x 2+ 2 y 2 no circulo x 2+ y 2=1
Resolução
1º passo: Max (ou Min) f ( x , y )=x 2+ 2 y 2 sujeita a g ( x , y )=x 2 + y 2=1
{ {
f x =λ g x 2 x=2 λx
2º passo: f y =λ g y ⇒ 4 y=2 λ y
2 2
g=k x + y =1
De acordo com a primeira equação temos: 2 x ( 1− λ )=0⇒ x=0 λ=1
Se x=0 , a ultima equação dá-nos y=±1 obtendo assim os pontos (0 ;−1) e (0 ; 1)
Se λ=0 a segunda equação dá-nos y=0 e, de acordo com a última equação x=± 1 obtendo
deste modo deste modo os pontos (−1 ; 0) e (1 ; 0).
3º passo: Calculando f nestes pontos obtemos:
2 2
f ( 0 ;−1 )=2 ¿(−1) =2 f ( 0 ; 1 ) =2¿ 1 =2
2 2
f (−1 ; 0 )=(−1) =1 f ( 1 ; 0 ) =1 =1
Logo, o valor mínimo de f será f ( ± 1 ; 0 )=1 e o valor máximo f ( 0 ; ± 1 )=2
Referências bibliográficas
ÁVILA, G. (1994), Cálculo II. Funções de uma Variável. Rio de Janeiro.
BEIRÃO, C. (1992), Cálculo integral em R(n), ISP, Maputo.
DEMIDOVITC. B. (1993), Problemas e Exercícios de Análise Matemática. Escolar Editora.
Lisboa.
FLEMMING, D. M.; GONÇALVES, M. B. (2004), Cálculo. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall.
SWOKOWSKI, E. (1995), Cálculo Com Geometria Analítica. Vol. 2. 2ª ed. São Paulo:
Makron Books, Brasil.