UNA
Universidade Nachingwea
CURSO: Licenciatura em Administração pública e
gestão
Cadeira: Psicologia Social
Período: laboral
2º Ano 1º Semestre
Tema: O behaviorismo como perspectiva psicológica:
fundamentos históricos, princípios teóricos e aplicações
contemporâneas
DISCENTE:
Érica Neusa Camal Gomes
Glória Manuel Uamusse
Maria António Hilário
Sónia Neves Novela
UNA
Universidade Nachingwea
CURSO: Licenciatura em Administração pública e Gestão
Cadeira: Psicologia Social
Período: laboral
2º Ano 1º Semestre
Tema: O behaviorismo como perspectiva psicológica: fundamentos históricos, princípios
teóricos e aplicações contemporâneas
DISCENTE:
Érica Neusa Camal Gomes
Glória Manuel Uamusse
Maria António Hilário
Sónia Neves Novela
Apresentado a cadeira Psicologia
Social, Delegação da Matola, para
avaliação em ensino de
Administração pública e Gestão , sob
orientação de:
Docent
e: Manuela Sumindila, Msc.
índice
I. Introdução:.....................................................................................................................................2
II. Desenvolvimento...........................................................................................................................3
1. Revisão Teórica............................................................................................................................3
1.1. O Paradigma Emergente e a Superação das Dicotomias...................................................3
1.2. A Nova Aliança entre Ciências Naturais e Sociais..............................................................3
1.3. O Conhecimento Prudente para uma Vida Decente..........................................................4
2. Discussão......................................................................................................................................5
2.1. A Crise do Paradigma Atual................................................................................................5
2.2. As Implicações Sociais do Novo Paradigma........................................................................6
III. Conclusão..................................................................................................................................7
IV. Referências bibliográficas..........................................................................................................8
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I. Introdução:
1.1. Apresentação da obra e do autor
Joseph Alois Schumpeter (1883-1950) foi um economista e cientista político austro-
americano, reconhecido por suas contribuições à teoria do desenvolvimento econômico e à
análise dos sistemas políticos. Sua obra "Capitalismo, Socialismo e Democracia"
(Capitalism, Socialism and Democracy), publicada originalmente em 1942, consolida-se
como um marco teórico que transcende a economia, abordando temas como inovação,
dinâmica histórica dos sistemas econômicos e a natureza da democracia.
- Tradução utilizada: A edição em português, traduzida por Ruy Jungmann e publicada
pela George Allen & Unwin Ltd. , permite acesso ao pensamento schumpeteriano no
contexto lusófono, preservando o rigor conceitual da versão original.
- Objetivo da obra: Schumpeter busca analisar as contradições internas do capitalismo,
avaliar a viabilidade do socialismo como sucessor histórico e redefinir a democracia como
mecanismo político realista.
1.2. Contexto histórico e intelectual da publicação
A obra foi escrita durante um período de crise e transformação global:
Cenário econômico:
- Impactos da Grande Depressão (1929) e questionamento da resiliência do capitalismo.
- Ascensão de modelos socialistas (ex.: União Soviética) como alternativas ao liberalismo.
Cenário político:
- Avanço de regimes totalitários (nazismo, fascismo) e enfraquecimento das democracias
liberais.
- Debates sobre a compatibilidade entre democracia e planejamento econômico.
Contexto intelectual:
- Críticas ao marxismo ortodoxo (ex.: previsão do colapso capitalista).
- Influência de autores como Max Weber (racionalização burocrática) e Karl Marx (análise
dialética).
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Schumpeter posiciona-se como um "conservador crítico", reconhecendo as conquistas do
capitalismo, mas antevendo sua autodestruição por meio de sucesso, não de fracasso.
1.3. Objetivo da análise
Este trabalho visa:
1. Sistematizar os argumentos centrais da obra, com ênfase nos conceitos de destruição
criativa, transição para o socialismo e teoria realista da democracia.
2. Contextualizar criticamente as teses de Schumpeter em relação ao debate econômico-
político de sua época.
3. Avaliar a relevância contemporânea das ideias schumpeterianas, especialmente em
cenários como:
- A aceleração tecnológica (ex.: inteligência artificial, plataformas digitais).
- Crises da democracia representativa (ex.: populismo, tecnocracia).
- Renovação do debate sobre socialismo (ex.: propostas de economia mista e bem-estar
social).
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II. Desenvolvimento
2. Fundamentos Teóricos
2.1. Conceitos-chave
Schumpeter constrói sua análise a partir de três pilares teóricos que desafiam visões
tradicionais da economia política:
1. Destruição Criativa:
- Definição: Processo pelo qual inovações (tecnológicas, organizacionais, mercadológicas)
substituem estruturas econômicas obsoletas, gerando crescimento por meio da
desestabilização.
- Exemplo: A indústria de transporte foi revolucionada pelo automóvel (Ford), que
substituiu carruagens, e hoje é impactada por plataformas digitais (Uber).
- Contraste com Marx: Enquanto Marx via o colapso capitalista como fruto de contradições
internas (ex.: luta de classes), Schumpeter o entende como resultado de seu próprio
dinamismo.
2. Capitalismo como Sistema Evolutivo:
- Empreendedor como agente central: Figura responsável por introduzir inovações,
rompendo com a circularidade estática da economia.
- Instituições burguesas: Valores como competição e acumulação de capital sustentam o
sistema, mas tendem a se corroer com o tempo.
3. Democracia como Método:
- Definição schumpeteriana: Democracia é um mecanismo institucional para selecionar
líderes por meio da competição eleitoral, não um sistema de participação direta ou realização
do "bem comum".
- Crítica ao idealismo clássico: Schumpeter rejeita visões utópicas (ex.: Rousseau) e
enfatiza o realismo político: a democracia é uma ferramenta, não um fim.
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2.2. Metodologia de Schumpeter
A obra combina três abordagens metodológicas:
1. Análise Histórico-Econômica:
- Schumpeter examina a trajetória do capitalismo desde a Revolução Industrial,
identificando padrões cíclicos de inovação e crise.
- Exemplo: A ascensão e queda de monopólios é entendida como parte natural do processo
de destruição criativa.
2. Crítica Teórica ao Marxismo:
- Schumpeter reconhece a influência de Marx na análise dialética, mas refuta suas
previsões:
- O proletariado não seria o agente revolucionário, mas sim a elite intelectual e
burocrática.
- O socialismo emergiria não de uma crise do capitalismo, mas de sua maturidade.
3. Interdisciplinaridade:
- Integra economia, sociologia e ciência política para explicar como valores culturais (ex.:
empreendedorismo) e estruturas institucionais (ex.: Estado de direito) moldam sistemas
econômicos.
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3. Análise do Capitalismo
3.1. Dinâmica do capitalismo
Schumpeter descreve o capitalismo como um sistema em constante movimento,
impulsionado por dois elementos centrais:
1. O papel do empreendedor:
- Agente da inovação: O empreendedor não é apenas um gerente ou capitalista, mas um
inovador que rompe com práticas estabelecidas, introduzindo novos produtos, mercados ou
métodos produtivos.
- Exemplo histórico: Henry Ford e a produção em massa de automóveis, que revolucionou a
indústria e a sociedade no início do século XX.
- Incentivos: A busca por lucros extraordinários (não rotineiros) motiva o risco
empreendedor.
2. Crítica à visão marxista do colapso capitalista:
- Contradição schumpeteriana: Enquanto Marx previa que o capitalismo entraria em
colapso por suas crises (ex.: superprodução, exploração do trabalho), Schumpeter argumenta
que seu declínio viria de seu sucesso: O avanço tecnológico e a burocratização das empresas
minariam as instituições sociais que sustentam o sistema (ex.: propriedade privada, livre
concorrência).
- Paradoxo: O capitalismo cria uma elite intelectual crítica (ex.: acadêmicos, técnicos) que
passa a questionar seus próprios fundamentos.
3.2. Limites do capitalismo
Schumpeter identifica contradições internas que, a longo prazo, fragilizariam o sistema:
1. Burocratização das empresas:
- À medida que as empresas crescem, a inovação deixa de ser liderada por empreendedores
e passa a ser gerida por corporações burocráticas.
- Exemplo: Grandes conglomerados modernos priorizam estabilidade e controle de riscos
em detrimento de rupturas criativas.
2. Erosão das instituições burguesas:
- Declínio da família burguesa: A racionalização econômica enfraquece valores como
empreendedorismo e acumulação privada.
- Críticas culturais: Intelectuais e movimentos sociais passam a rejeitar a lógica capitalista,
promovendo ideais coletivistas.
3. Socialização do progresso:
- Inovações como patentes e infraestrutura tecnológica são apropriadas pela sociedade,
reduzindo a vantagem individual do empreendedor.
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4. Transição para o Socialismo
4.1. Por que o socialismo seria possível?
Schumpeter argumenta que o socialismo não emergiria de uma revolução violenta, como
previsto por Marx, mas como uma evolução institucional decorrente do próprio êxito do
capitalismo:
1. Sucesso do capitalismo como causa de seu declínio:
- Desenvolvimento das forças produtiva: O capitalismo, ao impulsionar inovações
tecnológicas e organizacionais, criaria uma base material avançada suficiente para sustentar
uma economia planejada.
- Burocratização da economia: Grandes corporações capitalistas operam com lógicas
próximas ao planejamento central (ex.: hierarquias rígidas, controle de mercados), facilitando
a transição para um modelo socialista.
2. Fatores socioculturais::
- Declínio do espírito empreendedor: A rotinização da inovação em estruturas corporativas
reduziria a necessidade de figuras heroicas como os empreendedores.
- Ascensão de uma intelligentsia crítica: Intelectuais e técnicos, formados pelo sistema
capitalista, passariam a defender valores coletivistas e a racionalização econômica.
3. Vantagens teóricas do socialismo:
- Eliminação de crises cíclicas: Um sistema planejado poderia evitar flutuações econômicas
associadas à anarquia dos mercados.
- Equidade social: Redução de desigualdades via redistribuição de recursos.
4.2. Críticas ao socialismo
Apesar de reconhecer a viabilidade técnica do socialismo, Schumpeter aponta desafios
fundamentais:
1. Desafios da planificação econômica:
- Complexidade de coordenação: A falta de mecanismos de preços e mercados dificultaria o
cálculo econômico eficiente (Schumpeter dialoga indiretamente com críticos como Ludwig
von Mises).
- Rigidez institucional: Sistemas centralizados tendem a sufocar a adaptação a mudanças
contextuais, contrariando a dinâmica da destruição criativa.
2. Tensão entre eficiência e liberdade:
- Centralização do poder: A planificação exigiria um Estado forte, aumentando riscos de
autoritarismo e restrição de liberdades individuais.
- Inércia burocrática: A substituição da competição por decisões administrativas poderia
gerar estagnação e corrupção.
3. Compatibilidade com a democracia:
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- Schumpeter duvida que o socialismo possa coexistir com sua definição realista de
democracia (competição entre elites), já que o controle estatal da economia concentraria
poder político e econômico nas mesmas mãos.
5. Democracia e Sistemas Econômicos
5.1. Teoria schumpeteriana da democracia
Schumpeter redefine a democracia como um **mecanismo institucional** para seleção de
líderes, distanciando-se de visões idealistas:
1. Democracia como competição entre elites:
- Definição: A democracia não é um sistema de participação direta do povo, mas um
método em que grupos políticos disputam votos para governar, semelhante a um mercado
político.
- Exemplo: Eleições são comparadas a uma "disputa por clientes", onde partidos ajustam
propostas para atrair eleitores.
- Crítica à democracia clássica:: Schumpeter rejeita a noção de "vontade geral" (Rousseau)
por considerar ingênuo o pressuposto de racionalidade coletiva.
2. Limitações da democracia liberal:
- Influência de grupos de interesse: Lobbies e corporações podem distorcer a competição
política.
-Irrationalidade eleitoral: Eleitores tomam decisões baseadas em emoções ou propaganda,
não em análises racionais.
5.2. Compatibilidade entre democracia e socialismo
Schumpeter questiona se a democracia pode sobreviver em um sistema socialista:
1. Centralização do poder econômico e político:
- Riscos: Em um regime socialista, o Estado controla os meios de produção e as instituições
políticas, eliminando a separação entre economia e política.
- Exemplo histórico: Regimes socialistas do século XX (ex.: URSS) concentravam poder no
partido único, sufocando a competição política.
2. Tensão entre planejamento e liberdade:
- Burocracia vs. Autonomia: A planificação econômica exige estruturas hierárquicas que
limitam a pluralidade de ideias e a inovação.
- Ausência de alternativas: Sem mercados, não há mecanismos para corrigir erros de
alocação de recursos, aumentando a dependência de decisões estatais.
3. Democracia schumpeteriana no socialismo:
- Possibilidade teórica: Schumpeter admite que uma democracia socialista poderia existir se
mantivesse competição entre elites políticas.
- Obstáculo prático: A fusão entre poder econômico e político tenderia a suprimir a
autonomia das instituições democráticas.
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6. Recepção Crítica e Atualidade
6.1. Impacto da obra no século XX
A obra de Schumpeter gerou debates intensos e influenciou diversas correntes teóricas:
1. Economia e Inovação:
- Destruição criativa tornou-se um conceito central para estudos sobre empreendedorismo (ex.:
Clayton Christensen e a "inovação disruptiva") e dinâmica industrial.
- Críticas de economistas neoclássicos: Schumpeter foi acusado de subestimar a capacidade
autorregulatória dos mercados e superestimar o papel do Estado na transição ao socialismo.
2. Ciência Política:
- Sua teoria realista da democracia influenciou autores como Robert Dahl (poliarquia) e Giovanni
Sartori (teoria das elites), consolidando uma visão minimalista da democracia.
- Controvérsias: Schumpeter foi criticado por reduzir a democracia a um "mercado político",
ignorando dimensões participativas e deliberativas.
3. Debate sobre socialismo:
- Críticos liberais (ex.: Friedrich Hayek) argumentaram que Schumpeter subestimou os problemas
de cálculo econômico em sistemas centralizados.
- Social-democratas (ex.: Anthony Crosland) viram na obra uma justificativa para modelos mistos
(mercado + Estado de bem-estar).
6.2. Relevância no século XXI
As ideias de Schumpeter continuam a ecoar em debates contemporâneos:
1. Tecnologia e destruição criativa:
- Era digital: Plataformas como Amazon e Netflix exemplificam a desestabilização de setores
tradicionais (varejo, entretenimento).
- Gig economy: Empreendedorismo em escala global (ex.: startups de tecnologia) contrasta com a
precarização do trabalho.
2. Crise da democracia liberal:
- Ascensão do populismo: Líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro instrumentalizam a
competição eleitoral schumpeteriana, mas desafiam instituições democráticas.
- Tecnocracia vs. participação: Governos baseados em dados (ex.: Singapura) refletem a tensão
entre expertise técnica e soberania popular.
3. Renascimento do debate sobre socialismo:
- Socialismo democrático: Propostas como as de Bernie Sanders (EUA) e Jeremy Corbyn (Reino
Unido) revivem a discussão sobre planejamento econômico com liberdades políticas.
- Capitalismo de stakeholders: Corporações adotam discursos ESG (ambiental, social e
governança), refletindo uma "socialização parcial" da economia.
Críticas contemporâneas à obra
1. Subestimação da resiliência capitalista:
- O capitalismo adaptou-se a crises (ex.: 2008) via intervenção estatal e inovações financeiras,
contrariando a previsão de autodestruição.
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2. Ausência de questões ambientais:
- Schumpeter ignorou limites ecológicos do crescimento, tema central no século XXI (ex.:
discussões sobre decrescimento e Green New Deal).
3. Globalização:
- A análise de Schumpeter focou em economias nacionais, mas a interdependência global redefine
a dinâmica entre capitalismo, socialismo e democracia.
Exemplos de Aplicação Prática
China: Combina capitalismo de Estado com controle político autoritário, desafiando a previsão
schumpeteriana de uma transição democrática ao socialismo.
União Europeia: A tensão entre soberania nacional e integração econômica ilustra os dilemas da
governança em sistemas complexos.
II. Conclusão
6. Síntese das Contribuições de Schumpeter
A obra *Capitalismo, Socialismo e Democracia* oferece uma análise pioneira que transcende
seu contexto histórico, destacando-se por:
1. Repensar a dinâmica capitalista: Ao substituir a noção marxista de colapso por uma
visão de autodissolução via sucesso, Schumpeter antecipou debates sobre inovação e
resiliência sistêmica.
2. Redefinir a democracia: Sua teoria realista (democracia como competição entre elites)
influenciou gerações de cientistas políticos, mesmo em meio a críticas por seu ceticismo em
relação à participação popular.
3. Questionar a transição ao socialismo: Ao vincular socialismo à burocratização
capitalista, Schumpeter ofereceu uma via alternativa às revoluções marxistas, ainda que
controversa.