0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações17 páginas

Origem e Princípios do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado por leis que definem a integração de serviços de saúde públicos e privados, garantindo atendimento universal e equitativo. O SUS é estruturado em três níveis de complexidade e prioriza a descentralização, a participação da comunidade e a integralidade do atendimento. A municipalização da saúde permite que os municípios gerenciem recursos e ações de saúde, promovendo agilidade e adequação às necessidades locais.

Enviado por

daniela rotta
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações17 páginas

Origem e Princípios do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado por leis que definem a integração de serviços de saúde públicos e privados, garantindo atendimento universal e equitativo. O SUS é estruturado em três níveis de complexidade e prioriza a descentralização, a participação da comunidade e a integralidade do atendimento. A municipalização da saúde permite que os municípios gerenciem recursos e ações de saúde, promovendo agilidade e adequação às necessidades locais.

Enviado por

daniela rotta
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O que é o SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988, e regulamentado
pelas Leis n.º 8080/90 (BRASIL, 1990a) e nº 8.142/90 (BRASIL, 1990b), os quais definem a
integração de ações, atividades e serviços de saúde prestados pelos órgãos e instituições
públicas federais, estaduais e municipais e, de forma complementar, as entidades de iniciativa
privada. Os serviços integram uma rede organizada por regiões com diferentes níveis de
complexidade.
O SUS permite atendimento a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados
através de contribuições sociais e impostos pagos pela população e compõe os recursos
tripartite: governo federal, estadual e municipal.

Figura 1 - Logo do Sistema Único de Saúde (SUS)


Como surgiu o SUS?
No início da década de 70, os serviços públicos de saúde eram centrados na atenção as
medidas curativas e não as preventivas; priorizavam os interesses da área privada, e eram
organizados sem a participação da população. A partir daquela década, na busca de soluções,
os municípios começaram a estruturar atividades de assistência à saúde implantando Postos
de Saúde (PS). A sociedade se organizou através do movimento da “Reforma Sanitária”,
revendo a estrutura dos serviços oferecidos pela União, Estado e Município.
Em 1986, no fórum de debates sobre a saúde, a 8ª Conferência Nacional de saúde elaborou
propostas de mudanças que passaram a constar na Constituição Federal de 1988.
Na Constituição de 1988 (BRASIL, 1988), a saúde é então definida como resultante de políticas
sociais e econômicas, como direito do cidadão e dever do Estado, como parte de seguridade
social, cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema de Saúde organizado
segundo as diretrizes:
Descentralização: significa compartilhar o poder, isto é, distribuir o poder e recursos além de
redefinir as atribuições de competência de cada esfera do governo. Assim, o município passa a
assumir uma série de ações e serviços que antes eram feitas pelo governo do estado ou pelo
governo federal.
Atendimento integral: O princípio da integralidade se baseia na compreensão de que os
usuários têm o direito de serem atendidos em todas as suas necessidades. Deve haver
integração entre as ações preventivas e curativas, com maior atenção para as preventivas.
Universalidade: Todas as pessoas têm acesso garantido às ações e serviços de saúde com
igualdade. É de responsabilidade do poder público oferecer condições para o exercício deste
direito. Isso acontecerá mediante a implantação do SUS.
Direito às informações: Todas as pessoas têm acesso garantido às informações sobre a
situação de saúde, assim como à condição de saúde da comunidade, organizações dos serviços
bem como a forma de sua utilização.
Equidade: Não é a mesma coisa que igualdade. É o respeito às diferentes condições e
necessidades da população. O sistema de saúde deve estar sempre atento às desigualdades,
utilizando a realidade de cada comunidade para definir as prioridades na destinação de
recursos e na orientação de programas a serem desenvolvidos.
Participação da comunidade: Toda a sociedade tem direito de participar no planejamento, na
avaliação e na fiscalização dos servidores de saúde de forma organizada, através de conselhos
municipais, regionais e locais.
O papel dos Serviços de Saúde:
A assistência à saúde se organiza em três níveis de complexidade: primária, secundária e
terciária. Cada nível tem atribuições específicas. Esta divisão é muito importante, porque
estabelece as Unidades Básicas de Saúde (postos de saúde) como porta de entrada do usuário
no sistema de saúde, podendo chegar aos serviços de maior complexidade. Tudo depende da
necessidade de cada usuário.

Referências:
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.
BRASIL, Leis, Decretos. Lei nº 8080 (Sistema Único de Saúde – SUS). Brasília, DF, 1990a.
BRASIL, Leis Decretos. Lei nº 8142. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do
Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF, 1990b.

2.1.1 Vídeo sobre os princípios do SUS


Assista ao vídeo sobre os princípios do SUS.
Transcrição do vídeo
Vídeo sobre os princípios do SUS. O vídeo apresenta um locutor único e quando conceitos
importantes são mencionados, eles aparecem escritos na tela.
Narrador: Aqui é o Paulo de novo, e agora eu vou falar com vocês um pouquinho dos princípios
do SUS. A Lei 8080 e a Constituição Federal de 1988 trazem, na sua redação, os princípios do
SUS. Para facilitar o entendimento, vamos dividir em dois blocos: os princípios que são
doutrinários e os princípios que são organizativos. Os princípios doutrinários são aqueles que
regem todas as ações do SUS, independentemente do nível de complexidade.
A universalidade visa garantir que todas as pessoas da nação tenham acesso à saúde, fazendo
com que o Estado deva garantir esse acesso a essas pessoas, independente de gênero, de raça,
de trabalhar ou não trabalhar. É um princípio que diferentemente do que historicamente o
Brasil tinha, onde apenas quem trabalhava tinha acesso, faz com que agora todos tenham
acesso à saúde independentemente de qualquer tipo de critério. A equidade visa combater as
desigualdades em saúde no país. Apesar de todos terem direito à saúde, nem todos têm as
mesmas condições de acesso aos serviços de saúde.
Então, uma maneira de fazer com que essa desigualdade diminua, é tratando de maneira
desigual os desiguais. No caso da equidade, um exemplo que podemos citar para ficar mais
fácil de compreender, é aquela pessoa que tem direito à saúde, mas, por exemplo, ela é
acamada e não consegue ir no Posto de Saúde. Uma ação que vai fazer com que essa pessoa
tenha as mesmas condições de acessar o serviço de saúde tanto quanto outra pessoa que
consegue, por exemplo, chegar até o posto propriamente dito, são as atividades de atenção
domiciliar.
Então, isso foi feito para que pessoas que têm algum tipo de dificuldade, que vão ficar em
casa, mas merecem tanto quanto os outros as condições e o acesso aos serviços de saúde
possam ter acesso a esse serviço. Estamos tratando essa pessoa de uma maneira desigual,
fazendo com que ela consiga se aproximar daquelas outras que de alguma forma conseguem
ter acesso ao serviço de saúde. A integralidade entende o usuário do SUS como um todo.
Visa desmistificar aquela doença como um simples problema e entender quais são as
complexidades que estão por trás. Visa levar ao usuário do SUS promoção, prevenção e
tratamento, não somente o tratamento, como antes do SUS comumente acontecia. Dentre os
princípios organizativos, temos a hierarquização, regionalização, descentralização e a
participação social. A hierarquização nada mais é do que organizar os serviços de saúde por
níveis de complexidade.
No Brasil e em muitos outros países, três níveis são bem comuns: a atenção básica ou primária
à saúde; a média complexidade que comporta as especialidades, como centros especializados
de fisioterapia, fonoaudiologia, os CAPS; e a alta complexidade que normalmente concentram
os hospitais. Na base temos em torno de 80% das demandas, na metade da pirâmide em torno
de 15%, e no topo em torno de 5%. É muito interessante a gente perceber que o nível
tecnológico exigido fica mais complexo à medida que sobe ao topo da pirâmide.
Quando vamos em um hospital e percebemos uma fila com uma série de problemáticas que
são relativamente básicas, entendemos que a atenção básica à saúde não está funcionando
naquela região. Idealmente, quando os postos de saúde estão funcionando, há uma drenagem
bastante intensa, fazendo com que no hospital chegue apenas o que realmente é uma situação
hospitalar. Então, esse é um viés muito importante quando a gente pensa em saúde.
Considerando que com essa base da pirâmide de 80% a gente tem atenção primária, a
principal estratégia de saúde no Brasil está concentrada na atenção primária à saúde, que hoje
é a Estratégia de Saúde da Família e eu vou falar um pouquinho disso no próximo vídeo.
Continuando agora os próximos princípios, nós temos a regionalização. A regionalização visa
articular todos os serviços de saúde de uma determinada região, considerando o contexto
naquela região.
Então, apesar de termos algumas métricas e alguns indicadores e indicativos do próprio
Ministério da Saúde, cada realidade municipal é diferente, e quando vai ser instalado qualquer
tipo de serviço de saúde novo, é importante considerar o que já tem naquela região. A
descentralização, terceiro princípio organizativo, visa fazer com que cada ente federativo
tenha um nível de responsabilidade diferente, e pensando nessa questão mais contextual, é
trabalhada a autonomia dos municípios.
O município, independente da macro região brasileira que a gente tá falando, vai ter
autonomia para pensar de que forma que a saúde vai ser tratada dentro daquele contexto.
Logicamente, por não ter tantos recursos, o município fica mais preso na questão da atenção
básica, tendo algumas ações normalmente voltadas para média complexidade. Mas pensando,
por exemplo, na atenção básica, ele vai planejar de que forma que a Estratégia Saúde da
Família vai funcionar dentro daquele município.
Quantas equipes de estratégia têm que ter, quantas equipes do núcleo de apoio à saúde da
família teriam que ter pra poder ter um alcance desejado dentro daquela população… Isso
tudo o município consegue planejar e justificar depois pro Ministério da Saúde fazendo com
que fique mais próximo da sua realidade.
A participação social que eu mencionei no vídeo anterior, está fixada na Constituição Federal
de 1988, na Lei Orgânica 8080 de 1990, e traz duas ferramentas importantíssimas para que
consigamos debater, controlar e ter a transparência desejada nas ações de saúde. Dentre essas
duas ações, vamos citar as Conferências de Saúde e os Conselhos de Saúde. Tanto as
Conferências de Saúde como os Conselhos de Saúde vão acontecer do micro para o macro, ou
seja, pensando no Conselho de Saúde, você pode e deve ter um conselho local de saúde que
vai estar dentro do seu Posto de Saúde - inclusive alguns não possuem isso, mas você pode
requisitar e fazer com que haja esse espaço para debater os problemas de saúde locais - os
Conselhos Municipais de Saúde, Conselho Estadual, Conselho em nível federal.
As conferências também existem em nível municipal, que podem ser macro regionais - Quando
os municípios são muito pequenos eles podem se organizar para debater uma determinada
temática - as conferências estaduais e as conferências nacionais. Quando existem algumas
situações para discussão, do micro para o macro, são realizadas algumas ações e processos
para que cheguem as verdadeiras demandas da população até o conselho nacional para que
seja deliberado o que realmente é bom para a população.
A grande crítica aqui e o que percebemos hoje que, de certa forma, está desestruturando um
pouco o SUS, são as inúmeras ações que são realizadas de maneira impositiva sem considerar
essa abertura de participação social que está prevista em constituição federal. Então, dentro
desse viés, temos a reforma da política nacional de atenção básica, que não considerou a
participação social idealmente como deveria, e outras ações como o próprio teto dos gastos
públicos.
É responsabilidade nossa (povo) entender que fazemos parte dessas decisões e que se alguma
coisa está ruim na saúde, em parte pode ser pela nossa omissão. Procure ocupar os espaços
sociais e fazer com que a sua voz seja ouvida em prol da nossa saúde.

2.2 SUS na prática


Redes de Atenção à Saúde:
Rede de atenção primária: Fazem parte das Unidades Básicas de Saúde que prestam
atendimentos, como: vacinação, controle de pressão, curativos, pré-natal, inalações, injeções,
atendimento odontológico e clínica médica básica (clínica geral, pediatria e ginecologia).
Rede de atenção secundária: Divide-se em serviços ambulatoriais e hospitalares. Os serviços
ambulatoriais prestam atendimento em especialidades como: dermatologia, cardiologia,
oftalmologia, etc. Os serviços hospitalares realizam ações de baixa complexidade como
urgências/ emergências, partos normais e cirurgias de pequeno e médio porte.
Rede de atenção terciária:São os serviços ambulatoriais e hospitalares que realizam
atendimento de grande complexidade e que, muitas vezes, necessitam de equipamentos
sofisticados como cirurgia de coração, hemodiálise, tomografia, quimioterapia, etc.

O que é municipalização?
Na prática, municipalizar a saúde é aplicar o princípio da descentralização. É trazer para o
governo municipal a capacidade de definir, junto com os usuários, as ações e atividades do
setor. Os governos estaduais e federais transferem para os municípios as atribuições que eram
de sua competência.
Quando o município se torna gestor dos recursos públicos, existe mais agilidade para oferecer
aos cidadãos respostas para os problemas locais, diminuem-se as fraudes e a distribuição dos
recursos se dá de acordo com a realidade de cada município.

Como acontece a municipalização?


Para regulamentar o SUS, foi editado em 1990 as “Leis Orgânicas de Saúde” - Leis nº 8080/90
(BRASIL, 1990a) e 8142/90 (BRASIL, 1990b); em 1993, foi publicada a Norma Operacional
Básica/93 (NOB/93); em 1996, foi a Norma Operacional Básica/96 - NOB/96 (BRASIL, 1996), e
em 2001, a Norma Operacional da Assistência a Saúde - 01/NOAS/2001 (BRASIL, 2002). Todos
eles dispondo sobre a descentralização e as formas de gerência do SUS.
O gerenciamento acontece através de três comissões especiais:
Em âmbito nacional, a “Comissão Intergestores Tripartite” é formada por representantes do
Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários Estaduais (Conass) e o Conselho
Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). A função da “Comissão Tripartite” é
elaborar propostas políticas em nível nacional. Ela esta subordinada ao Conselho Nacional de
saúde, que é composto por representantes dos usuários (50%), e representantes dos demais
segmentos (governo federal, trabalhadores da saúde, prestadores públicos e privados).
Em âmbito estadual, a “Comissão Bipartite” é formada por representantes da Secretaria de
Estado e Secretarias Municipais de Saúde, de forma partidária e tem a função de elaborar
propostas políticas de saúde em nível estadual. A comissão esta subordinada ao Conselho
Estadual de Saúde que é composto por representantes dos usuários (50%), representantes dos
demais segmentos 25% (governo estadual) e 25% (trabalhadores de saúde, prestadores
públicos e privados).
Em âmbito municipal, o “Conselho Municipal de Saúde” atua de forma deliberativa no
planejamento e no controle da execução da política de saúde municipal. A formação do
conselho varia conforme a lei de cada município, porém respeitando a Lei 8142/90 (BRASIL
1990b).

2.3 Norma operacional básica


Como o município passa a ser gestor do SUS?
As secretarias municipais de saúde assumem a gestão das ações e serviços de saúde através de
normas. A Norma Operacional Básica/93 (NOB/93) (BRASIL, 1993) apresentou modalidades de
gestão progressivas, em que – gradativamente – os municípios foram assumindo
responsabilidades. Por esta norma, os municípios passaram a atuar no gerenciamento
ambulatorial, programas de vigilância epidemiológica e sanitária, e ações em saúde do
trabalhador, podendo até chegar a gerência de atividades hospitalares.
A Norma Operacional Básica/96 (NOB/96) (BRASIL, 1996) estabeleceu duas modalidades de
gestão: Plena da Atenção Básica e Plena do Sistema Municipal. Na Gestão Plena da Atenção
Básica, o município gerencia as ações e serviços relacionados à assistência básica. Recebe os
recursos para o custeio destas ações, planejamento, executando ou acompanhando a
execução, avaliando o impacto das ações e remunerando os serviços realizados. Na Gestão
Plena do Sistema Municipal, o município é o gestor de todo o sistema de saúde, planejamento,
acompanhamento e avaliação dos serviços de saúde. Recebe a totalidade dos recursos no
Fundo Municipal e procede ao pagamento dos serviços realizados.
Para o custeio das ações básicas (vacina, curativos, assistência farmacêutica, atividades
educativas e preventivas, consultas médicas de pediatria, ginecologia e clínica médica, e
procedimentos de odontologia) foi definido o valor de R$ 10,00 per capita/ano, denominado
Piso de Atenção Básica (PAB).
O valor programado para o custeio das ações, serviços de saúde e áreas de vigilância sanitária
e epidemiológica (ações básicas, ações de média e alta complexidade, internações
hospitalares) é denominado Teto Financeiro de Assistência Municipal (TFAM).
Em janeiro de 2001, foi publicada a Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS/
01/2001) (BRASIL, 2002) que define as regras de regionalização do atendimento, na qual os
municípios de referência para procedimentos mais especializados poderão receber por
atendimento prestado a moradores de outros municípios.
Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS/01)
Plano Diretor Regional para assistência (PDR): Diretrizes que garantem acesso à assistência à
saúde integral dos usuários do SUS o mais próximo de sua residência, de modo hierarquizado,
utilizando bem os recursos humanos e tecnológicos existentes em cada localidade.
Plano Diretor de Investimentos (PDI): Estabelece, com base em critérios populacionais, as
normas para destinação de recursos tecnológicos necessários para complementar as ações
assistenciais de média e alta complexidade, criando uma rede de referência qualificada e apta
a prestar assistência aos usuários.
Programação Pactuada Integrada (PPI): Define o fluxo para assistência de média e alta
complexidade com o conhecimento da rede de referência (UTI, Centro de Atendimento a
Pacientes com Câncer e cirurgias cardíacas, neurocirurgia, ortopedia e outros), entre os
gestores municipais, assumindo as responsabilidades do repasse de recursos e garantia de
assistência a ser prestada. O Ministério da Saúde está repassando um incentivo financeiro para
estimular os municípios a reorganizarem seus serviços com enfoque para a saúde da família.
Assim, existe um acréscimo ao valor repassado para o Piso de Atenção Básica quando os
municípios resolvem implantar tais estratégias, como Saúde da Família e Agentes Comunitários
de Saúde.
Programa Saúde da Família (PSF): Com este programa o serviço de saúde passa a funcionar
com equipes compostas por médicos, agentes comunitários de saúde, auxiliares de
enfermagem e enfermeiros. Cada equipe fica responsável por grupos de aproximadamente
2.400 a 4.000 pessoas. As famílias são cadastradas e as equipes trabalham com as seguintes
atribuições:
Conhecer a realidade das famílias;
Identificar os problemas de saúde e situações de risco de adoecer;
Elaborar, com a participação da comunidade e outros serviços, um plano para enfrentar os
problemas que determinam os riscos de adoecer;
Prestar assistência integral, com ênfase à promoção da saúde;
Desenvolver ações educativas para a saúde;
Outras ações com base na realidade local. A base das ações inclui, ainda, as atividades de
visitas domiciliares, com cuidados no domicílio e participação em grupos comunitários.
Programa de Agentes Comunitários de Saúde (ACS): O agente comunitário de saúde
desenvolve suas ações nos domicílios de sua área de responsabilidade e junto à unidade de
saúde, que programa e supervisiona suas atividades.
Observação: Em cada município deve ser elaborada a forma como será desenvolvido o
trabalho do ACS desde que atenda a Portaria nº 648/06. Hoje, no Brasil, existem realidades
muito diferentes. Além da ESF, EACS, ESB, e Agente de Endemias (Agente da Dengue) Portaria
nº 1007/10, o Ministério da Saúde também incentiva financeiramente o Programa de Combate
as Carências Nutricionais, Ações de Vigilância Sanitária e Assistência Farmacêutica Básica.

2.4 Resolvendo os Problemas do SUS


Cartão nacional de saúde – SUS
Para facilitar o atendimento à população, criou-se o Cartão Nacional de saúde (SUS), que traz
toda a informação pessoal do usuário. Este documento ainda fornece os dados sobre os
procedimentos clínicos realizados pelo paciente e os nomes dos medicamentos que ele utiliza,
especialmente dos que possuem maior custo.
Hoje, o SUS atende milhares de usuários que, através do cartão, podem ser devidamente
registrados. Para organizar todas essas informações, o sistema é frequentemente atualizado,
desta forma, o médico que presta o atendimento fica sabendo de tudo o que já foi feito com a
pessoa que está sendo atendida.
O histórico emitido é totalmente confiável, já que o Sistema Único de Saúde é uma entidade
íntegra, que preza pela qualidade dos serviços prestados. A utilização do cartão diminui a
possibilidade de fraudes, pois, toda vez que uma consulta ou medicamento é solicitado, fica
registrado para quem ele foi entregue.
O cadastramento do usuário é fácil e rápido, basta ir ao posto de sua cidade ou a qualquer
unidade básica de saúde, portando o RG, CPF (Cadastro de Pessoa Física), comprovante de
endereço (conta de luz, telefone, água, etc.) e número do PIS/PASEP.
O cartão SUS é importantíssimo e fundamental na marcação de consultas, dentre outros
serviços, pois ele torna muito mais prático e rápido o processo de agendamento e
atendimento.

O SUS tem problemas?


Uns dos maiores problemas do SUS é a falta de recursos financeiros. Com o princípio da
universalização, colocado em prática após a implantação do SUS, o número de pessoas que
deve ser atendido pelo sistema público aumentou. Para que toda a população seja atendida
com dignidade e qualidade, é necessário um aumento de investimento em saúde.
Os valores de investimento com saúde no Brasil são demonstrados com base numa série
histórica, cujos valores apresentam-se como resposta ao controle social no SUS. O
financiamento é destinado ao cumprimento das legislações específicas para o pagamento de
serviços e procedimentos de saúde em todos os níveis de complexidade. Se comparado com
outros países da América Latina, em 1990 o Brasil teve um gasto per capita semelhante ao da
Argentina, Chile e Uruguai. No entanto, foi o país que apresentou uns dos piores indicadores
de níveis de saúde, como expectativa de vida, taxa de mortalidade infantil, mortalidade
materna e cobertura vacinal.
Outro problema é a pouca participação dos estados que, com a municipalização da saúde,
retiram progressivamente os investimentos no financiamento do SUS, alocando em média, por
exemplo, no ano de 1995, 3,8% do seu orçamento para a área da saúde. Os municípios, em
geral, aplicaram, no mesmo ano, cerca de 8,7% de seus orçamentos na área da saúde.
Com a diminuição de recursos do governo federal, os estados e municípios têm que investir
cada vez mais em saúde. O art. 33 da Lei Federal nº 8080/90 (BRASIL, 1990) cita que os
recursos financeiros são oriundos do orçamento da Seguridade Social e de outros orçamentos
da União, além de outras fontes. O pouco detalhamento das fontes e omissão dos percentuais
orçamentários destinados à saúde, com consequente redução de recursos para o setor, fez
com que vários setores se organizassem para que fosse proposta uma emenda constitucional
que fixasse percentuais de destinação dos orçamentos da União, estados e municípios para a
área da saúde. Desde o ano de 1996, esta proposta vinha sendo discutida pela Assembleia
Legislativa e Senado Federal e, finalmente, em meados do ano de 2000, foi aprovada a
proposta de emenda constitucional nº 29 (EC 29), com as seguintes determinações, as quais
até hoje não saíram do papel:
 A União terá que agregar 5% a mais ao Orçamento da Saúde com base no repasse de
1999. O reajuste fica atrelado à variação nominal do Produto Interno Bruto;
 Os Estados terão que gastar, no mínimo, 7% dos seus orçamentos com saúde em 2000.
O percentual deve chegar a 12% até 2004;
 Os Municípios comprometem 7% de suas contas em 2000, chegando a 15% também
em 2004.
A emenda define que não são considerados gastos em “ações e serviços públicos de saúde” as
despesas com inativos e pensionistas, dívidas, assistência médica e odontológica específica
para servidores, serviços de limpeza pública e tratamento de resíduos sólidos, ações de
saneamento e ações financiadas com transferências voluntárias da União ou do Estado.
Não há dúvida da necessidade premente de se aumentar os investimentos públicos em saúde,
cujo destino deve ser claramente definido, para que a prioridade seja sempre a necessidade da
população, e não mais o corporativismo de empresas multinacionais de medicamentos que
provocam aumento desenfreado de custos no Sistema de Saúde, sem a melhoria dos níveis de
saúde.
O “SUSesso” do SUS
O SUS está sendo construído e, para efetivação e aprimoramento integral das diretrizes do
Sistema, é necessário à participação de todos os cidadãos nos conselhos de saúde (local,
regional e municipal).

Afinal, o que significa Cidadania?


Os dicionários, em geral, definem cidadania como: estado ou qualidade de cidadão.

Uma das coisas mais importantes conseguidas na Constituição Federal de 1988 foi a garantia
da participação da população no Sistema Único de Saúde. Isto é exemplo de exercício da
cidadania através do controle social.

2.5 Controles e conselhos


Controle Social: O que é isso?
O controle social é a participação na definição de prioridades e metas; bem como a fiscalização
do poder público para impedir a ação inadequada do uso dos recursos públicos.
No Conselho Municipal de Saúde, a população usuária, os trabalhadores de saúde, a
administração pública (municipal e estadual) e os representantes de prestadores de serviço de
instituições privadas e filantrópicas buscam, juntos, uma solução para os problemas de saúde.
As conferências municipais de saúde também são espaços decisivos para participação da
sociedade na definição e na avaliação da política pública de saúde.

O que é Conselho Regional de Saúde?


O conselho regional é uma instância de participação dos conselhos locais de saúde e de outras
entidades sociais da área que atuam na defesa dos interesses regionais da comunidade.

Essas entidades congregam e sistematizam, em nível regional, as necessidades da população e


também contribuem com as diretrizes dos serviços de saúde para o município.

Sobre Conselhos Locais de Saúde:


No Brasil, a saúde, muitas vezes, ocupa espaço na imprensa de forma negativa: mau
atendimento, cobranças indevidas, filas grandes, falta de vagas, etc.
Isso está mudando e pode mudar ainda mais com a implantação dos “Conselhos Locais de
Saúde”. A comunidade organizada pode participar colaborando com a qualidade dos serviços
de saúde.

Como criar o Conselho Local de Saúde?


Os Conselhos Locais são criados pelas conferências locais de saúde. Por isso, é fundamental a
participação de todo grupo organizado para que sejam discutidos os problemas de saúde. O
Conselho, depois de eleito, deve definir as normas de funcionamento e montar o regimento
interno.

As funções do Conselho Local de Saúde são:


Atuar na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde com função consultiva e
fiscalizadora sobre os serviços locais de saúde;
Fiscalizar a execução do plano e das políticas municipal e local de saúde;
Detectar irregularidades e buscar soluções;
Elaborar propostas e sugestões para o Conselho Municipal e a Conferência Municipal de
Saúde.

O Conselho de Saúde ainda pode:


Pesquisar as condições de vida e os problemas de saúde do bairro;
Priorizar soluções para problemas urgentes;
Participar da elaboração de atividades a serem realizadas pela unidade como: novos
programas, forma de agendamento de consultas, etc.;
Elaborar formas de comunicação para divulgar os serviços prestados pela unidade;
Receber denúncias de irregularidades e fazer apurações.
Como o Conselho Local de Saúde pode planejar suas ações?
É muito importante que o Conselho Local de Saúde não fique preso apenas ao problema da
falta de médicos e medicamentos, mas que além destes pontos passe a pensar sobre aspectos
que determinam a condição de saúde e da doença.
Desenvolver um trabalho que objetive a mudança das condições da população exige que a
equipe da Unidade de Saúde e o Conselho Local de Saúde conheçam bem a área de
abrangência sob sua responsabilidade, suas micro áreas de maior risco de adoecer, a condição
de seus domicílios e de acesso aos serviços de saúde.
Para planejar suas ações, o conselho pode optar pelo Método Altadir do Planejamento Popular
– MAPP. Este método permite selecionar os problemas mais importantes e estabelecer o que
fazer, quem vai fazer e quando fazer. Permite criar uma disciplina de análise em grupo, para
enfrentar os reais problemas de sua área de responsabilidade.
O planejamento, através do MAPP, deve ser realizado por quem vai executar as operações que
foram traçadas, isto é: planeja quem executa. Além deste princípio, é preciso analisar a
condição de governabilidade sobre o problema e a sua importância antes de priorizar o que
será trabalhado pelo grupo. Respeitando estes princípios, o resultado atingido com certeza
será bom, o que deixa o grupo animado para continuar agindo com compromisso.
Assista ao vídeo a seguir para aprofundar mais seus conhecimentos sobre gestão participativa
no SUS. O vídeo demonstra de uma forma lúdica a função dos conselhos de saúde e
importância da participação e controle social, que integram a gestão do SUS aos usuários.
No Conexão SUS de hoje vamos entender como ocorre a gestão do SUS. E por falar em gestão,
você sabe o que isso significa? Você já ouviu falar em gestão participativa? O que uma coisa
tem a ver com a outra? Nesse vídeo, vamos abordar esses temas e assim poderemos
compreender o que é essa gestão participativa dentro do SUS. Lá no início da nossa série,
falamos sobre participação social, mas vamos relembrar do que isso se trata. O SUS tem como
um de seus princípios a participação social, e ela existe para que possa haver uma maior
democracia no espaço da gestão da saúde. Essa gestão é realizada pelos estados e municípios,
pois o SUS adota, como estratégia organizativa, a descentralização para atingir os cidadãos em
seu cotidiano. Para que essa gestão participativa ocorra, alguns dispositivos foram criados,
permitindo dessa forma que a participação e o controle popular pudessem crescer, integrando
a gestão do SUS aos usuários. Os dispositivos são esses: a Política Nacional de Humanização, os
Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais de Saúde e ainda as Conferências de Saúde.

A Política Nacional de Humanização, ou Humaniza SUS, aposta num novo modo de gerir os
serviços de saúde, de uma forma coletiva e compartilhada, contribuindo para um atendimento
mais resolutivo, democrático e também humanizado, buscando um compromisso de
corresponsabilidade e participação entre os sujeitos envolvidos, que são eles os trabalhadores,
os usuários e os gestores. A humanização se refere a um novo modo de administrar com
interação, trabalho em equipe. Baseando-se no diálogo entre os usuários e também os
gestores. A humanização vai além de tratar o paciente como número, é tratá-lo como um
todo. Humanizando o atendimento, respeitar e cuidar do paciente, com afeto e de forma
acolhedora.

Agora vamos falar o que são os Conselhos de Saúde no Brasil. Eles são órgãos municipais,
estaduais e também nacional. Eles existem para que a sociedade possa intervir nas ações do
SUS. Esses conselhos são compostos por representantes de diversas categorias da sociedade,
profissionais de Saúde e de outras categorias, e ainda representantes da comunidade. Todos
os membros têm poderes semelhantes na tomada de decisão, bem como no
acompanhamento, controle e fiscalização das políticas de saúde.

O Conselho Municipal de Saúde, por exemplo, controla o dinheiro da Saúde, acompanha as


verbas que chegam pelo SUS, e também os repasses de programas federais, participa na
elaboração de metas para a saúde dentro do município, controla a execução de ações de
saúde. E os conselheiros devem sempre se reunir pelo menos uma vez por mês.

As Conferências de Saúde são espaços democráticos, onde vários segmentos da sociedade se


manifestam, orientam e decidem os rumos da saúde em cada esfera. As conferências são
compostas por representantes da sociedade, do governo, dos profissionais de saúde, dos
prestadores de serviços, parlamentares e outros membros, com o objetivo de avaliar a
situação da saúde atual e propor as diretrizes para a formulação das políticas de saúde. Tanto
nos municípios, quanto nos estados e também no país.

A Conferência Nacional de Saúde foi criada em 1941, bem antes de existir o SUS. Ela
desempenha um importante papel nos avanços da saúde pública. Para você ter uma ideia, o
Samu, a Rede Cegonha e o programa Saúde da Família nasceram a partir de debates em
conferências nacionais, que acontecem a cada quatro anos.

A gestão participativa do SUS cria uma nova etapa na questão do controle social. Ela é o
diálogo dos usuários, dos trabalhadores e dos prestadores de serviços do SUS, criando nos
conselhos municipais de saúde e nas conferências de saúde um verdadeiro espaço de
interlocução, de diálogo e problematização, construindo uma verdadeira gestão participativa
no SUS. Esse tipo de gestão contribui para o fortalecimento da participação popular em saúde,
na perspectiva de criarmos, assim, a democracia participativa.

2.6 Saúde coletiva


Das aulas que tivemos até agora, trabalhamos as Políticas Públicas de Saúde desde o
descobrimento do Brasil até o SUS, porém não acaba aqui. Daremos continuidade nas ações da
Saúde Pública. Você conhecerá o Processo de Trabalho em Saúde.

Figura 1 - Dra. Zilda Arns


A Pastoral da Criança, hoje presente em 27 países, foi destaque da 1.ª edição do Prêmio ODM
Brasil, em 2005.
“A atuação desta grande mulher e grande sanitarista brasileira foi essencial para elevar a
criança a uma condição prioritária dentro das políticas públicas brasileiras”, afirmou o ministro
da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão. “Morreu em missão, como viveu toda a sua vida.”
A garantia de assegurar saúde para a comunidade não é responsabilidade exclusiva dos
profissionais de saúde, mas também responsabilidade de todos os cidadãos, para quem sabe
podermos cobrar de fato a responsabilidade do Estado, com o papel de monitorar, avaliar e
fiscalizar os serviços de saúde prestadores ou não do SUS.
Se abre uma proposta para a mudança do Art. 196. “A saúde é direito de todos e dever do
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988).
O que se está ressaltando, contudo, é que o objetivo de produzir saúde seria comum a todas as
práticas em saúde e não somente àquelas vinculadas à saúde pública. Toda prática sanitária,
em alguma medida, estaria obrigada a produzir algum valor de uso; no caso, algum coeficiente
de bem-estar. Ainda que junto se produzam também iatrogenia (refere-se a um estado de
doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico)
e controle social. Nenhum bem ou serviço pode desvincular-se completamente da obrigação
de atender a necessidades sociais. O que varia é o grau e a qualidade com que são atendidas
as necessidades.
A saúde pública e a clínica se diferenciam pelo recorte do objeto de intervenção. A saúde
coletiva, pensada como núcleo de saberes e práticas, recorta parcela do objeto processo
saúde/doença de maneira diferente à clínica, ou aos outros programas sociais, mantendo,
contudo, o mesmo objetivo: produzir saúde.

Qual seria, então, o objeto da saúde coletiva?


Diversos autores vêm dando indicações desse objeto: centralmente o processo saúde/doença/
intervenção em sua dimensão mais coletiva a saúde pública.
Em saúde pública, poder-se-ia trabalhar com a ideia de mudança tanto das estruturas, sua
democratização e das normas de direito, quanto da capacidade reflexiva e de iniciativa dos
sujeitos individuais e coletivos. A reconstrução da saúde coletiva passaria por um
deslocamento de ênfase, antes foi a doença, depois as estruturas, agora se trata de também
valorizar o fortalecimento dos sujeitos individuais e coletivos. No entanto, esse deslocamento
de ênfase não pode significar abandono das outras dimensões. Assim como produzir sujeitos
saudáveis sem considerar a doenças ou a possibilidade de se enfermar. Ou sem avaliar
criticamente aspectos estruturais (ambiente, leis, normas etc.).
Na realidade, valeria buscar uma nova dialética entre doença, saúde, estruturas e sujeitos, que
não seria nem a antidialética positivista da medicina, que fica com a doença descartando a
responsabilidade com a história dos sujeitos concretos, nem o estruturalismo da saúde pública
tradicional, que delegava ao Estado e ao aparato técnico quase toda a responsabilidade pela
produção de saúde.
Saúde Coletiva é uma expressão que designa um campo de saber e de práticas referido à
saúde como fenômeno social e, portanto, de interesse público. As origens do movimento de
constituição deste campo remontam ao trabalho teórico e político empreendido pelos
docentes e pesquisadores de departamentos de instituições universitárias e de escolas de
Saúde Pública da América Latina e do Brasil, em particular, ao longo das duas últimas décadas.
“Saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde
física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o
saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a organização de
serviços médicos e paramédicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de
doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social que irá assegurar a cada indivíduo, dentro da
comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde".
Resumidamente, a Saúde Coletiva nasce através dos movimentos sociais com emancipação
dos sujeitos na conquista de modos de vida mais saudáveis e não a partir do Estado ou dos
interesses das classes sociais dominantes. A Saúde Coletiva permeia no campo científico, nas
práticas de produção, de conhecimentos e da socialização junto aos movimentos sociais.

2.7 História natural da doença


A história natural do processo saúde versus doença e seus determinantes.
A história natural de uma doença abrange as etapas da inter-relação entre o agente, o
hospedeiro e o meio ambiente. A partir do momento em que o estímulo patológico é criado no
meio ambiente ou em outro lugar, ocorre a resposta do homem a esse estímulo, que resultará
na sua recuperação, cronicidade da doença, invalidez ou morte.
A história natural de qualquer processo mórbido no homem compreende os períodos de pré-
patogênese e de patogênese. Por meio da história e com auxílio da epidemiologia, é possível
esquematizar as medidas preventivas.
A doença não é uma condição estática, é um processo que segue um curso mais ou menos
natural. Este processo desenvolve-se como resultado de múltiplas causas que afetam a
interação de:
A – agente H – homem meio ambiente.
Saúde → Pré Doença → Doença → Doença Crônica → Invalidez → Morte.

Agente patológico: Qualquer substância ou elemento (nutritivo, físico, químico ou biológico)


cuja ausência ou presença pode desencadear ou perpetuar um processo patológico.
Sua participação no processo da doença depende de suas características biológicas, químicas
ou físicas, das reações produzidas no homem, de suas reservas e fontes na natureza, e dos
veículos e condições para a contaminação no homem. Ex.: vírus, bactérias, fungos, frio, calor,
tóxico, poluição, etc.
Hospedeiro humano - É o homem que irá desenvolver ou não a doença, dependendo da
intensidade da agressão do agente e do meio ambiente, mas também, de acordo com a idade,
sexo, raça, hábitos e costumes, nível educacional, características e reações psicológicas,
mecanismos de defesa.
Meio Ambiente - O conjunto de todas as condições e influências externas ao homem que
interferem na sua saúde física e mental. Os fatores ambientais são os físicos, sociais,
econômicos e biológicos, tais como a geografia, clima, saneamento, renda familiar, condições
de habitação e a cultura (tabus, lendas, tradições).
Período de Pré-Patogênese - É a fase que precede a doença, ou seja, o período de interação
entre o agente potencial, o hospedeiro e o meio ambiente.
Período Patogênese - É o curso natural da doença durante a qual o homem interage com o
estímulo (uma situação ambiental, um agente infeccioso) e apresenta como resposta inicial
uma mudança nos tecidos ou uma reação alterada. A seguir, ocorrem alguns sinais ou
sintomas que após a ação do tempo ou da terapêutica, provocarão a sua recuperação,
cronicidade, invalidez ou morte.
A falta de informações corretas sobre o processo pré-clínico dificulta o diagnóstico precoce da
patologia, o que acarretará prejuízos à saúde do homem, devido ao tratamento mais
prolongado e/ou agressivo, a recuperação tardia ou a instalação de sequelas ou cronicidade.
A Saúde Pública estabelece medidas sanitárias que possam ser aplicadas economicamente a
grande número de pessoas, com resultados satisfatórios para uma alta porcentagem delas, por
exemplo: vacinação. Lembre-se que é um dever de todos nós mantermos nossa vacinação em
dia, para não corrermos risco de pegar doenças evitáveis, como tétano, hepatite, etc.

AVALIAÇÃO
Associe corretamente as Redes de Atenção à Saúde às suas características:
Rede de atenção primária: Fazem parte das Unidades Básicas de Saúde que prestam
atendimentos, como: vacinação, controle de pressão, curativos, pré-natal, inalações, injeções,
atendimento odontológico e clínica médica básica (clínica geral, pediatria e ginecologia).
Rede de atenção terciária: São os serviços ambulatoriais e hospitalares que realizam
atendimento de grande complexidade e que, muitas vezes, necessitam de equipamentos
sofisticados como cirurgia de coração, hemodiálise, tomografia, quimioterapia, etc.
Rede de atenção secundária: Divide-se em serviços ambulatoriais e hospitalares. Os serviços
ambulatoriais prestam atendimento em especialidades como: dermatologia, cardiologia,
oftalmologia, etc. Os serviços hospitalares realizam ações de baixa complexidade como
urgências/ emergências, partos normais e cirurgias de pequeno e médio porte.

Questão 2
O que deveria ser feito para toda população ser atendida com dignidade, qualidade e
igualdade através do SUS?
a. Cobrar tarifas anuais da população para que a qualidade e tecnologia do SUS continue
crescendo.
b. Aumentar os impostos federais.
c. Diminuir os gastos com segurança e investir no Sistema de Saúde.
d. Desenvolver ações educativas para a saúde.
e. Aumentar os investimentos e recursos financeiros destinados ao SUS.

Questão 3
Para o custeio das ações básicas foi definido qual valor per capita/ano (denominado Piso de
Atenção Básica (PAB)?
a. R$ 20,00
b. R$ 15,00
c. R$ 25,00
d. R$ 5,00
e. R$ 10,00

Questão 4
Sobre as Redes de Atenção à Saúde, relacione os níveis conforme sua definição.
Rede de atenção primária: Fazem parte das Unidades Básicas de Saúde que prestam
atendimentos, como: vacinação, controle de pressão, curativos, pré-natal, inalações, injeções,
atendimento odontológico e clínica médica básica (clínica geral, pediatria e ginecologia).
Rede de atenção terciária: São os serviços ambulatoriais e hospitalares que realizam
atendimento de grande complexidade e que, muitas vezes, necessitam de equipamentos
sofisticados como cirurgia de coração, hemodiálise, tomografia, quimioterapia, etc.
Rede de atenção secundária: Divide-se em serviços ambulatoriais e hospitalares. Os serviços
ambulatoriais prestam atendimento em especialidades como: dermatologia, cardiologia,
oftalmologia, etc. Os serviços hospitalares realizam ações de baixa complexidade como
urgências/ emergências, partos normais e cirurgias de pequeno e médio porte.

Questão 5
Na Constituição de 1988 (BRASIL, 1988), a saúde é então definida como resultante de políticas
sociais e econômicas, como direito do cidadão e dever do Estado, como parte de seguridade
social, cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema de Saúde organizado
segundo algumas diretrizes. Associe-as corretamente:
Universalidade: Todas as pessoas têm acesso garantido às ações e serviços de saúde com
igualdade.
Descentralização: Significa compartilhar o poder, isto é, distribuir o poder e recursos além de
redefinir as atribuições de competência de cada esfera do governo.
Atendimento integral: O princípio da integralidade se baseia na compreensão de que os
usuários têm o direito de serem atendidos em todas as suas necessidades.

Questão 6
Associe corretamente as diretrizes do SUS:
Equidade: Não é a mesma coisa que igualdade. É o respeito às diferentes condições e
necessidades da população.
Participação da comunidade: Toda a sociedade tem direito de participar no planejamento, na
avaliação e na fiscalização dos servidores de saúde de forma organizada, através de conselhos
municipais, regionais e locais.
Direito às informações: Todas as pessoas têm acesso garantido às informações sobre a
situação de saúde, assim como à condição de saúde da comunidade, organizações dos serviços
bem como a forma de sua utilização.

Questão 7
No Programa Saúde da Família (PSF) as famílias são cadastradas e as equipes trabalham com
algumas atribuições. Quais atribuições a seguir estão corretas?
I. Conhecer a realidade das famílias;
II. Identificar os problemas de saúde e situações de risco de adoecer;
III. Elaborar, com a participação da comunidade e outros serviços, um plano para enfrentar os
problemas que determinam os riscos de adoecer;
IV. Prestar assistência integral, com ênfase à promoção da saúde;
V. Desenvolver ações educativas para a saúde.
a. Apenas as alternativas III, IV e V estão corretas.
b. Apenas as alternativas I, II e III estão corretas.
c. Apenas as alternativas I, III e V estão corretas.
d. Apenas as alternativas I, IV e V estão corretas.
e. Todas as alternativas estão corretas.

Questão 8
Qual foi o movimento responsável pela revisão da estrutura dos serviços de saúde no Brasil?
a. Movimento de Saúde Pública.
b. Movimento Sanitário.
c. Reforma Sanitária.
d. Movimento pela Saúde Coletiva.

Questão 9
Preencha a lacuna corretamente:
O cartão Nacional de saúde (SUS) foi criado para facilitar o atendimento à população. Ele
fornece os dados sobre os procedimentos clínicos realizados pelo paciente e os nomes dos
medicamentos que ele utiliza.

Questão 10
Preencha a lacuna corretamente:
Uns dos maiores problemas do SUS é a falta de recursos financeiros.

Questão 1
Qual é o órgão que possui representantes dos usuários, governo federal, trabalhadores da
saúde e prestadores públicos e privados?
a. Conselho Nacional de Saúde.
b. Comissão Bipartite.
c. Comissão Intergestores Tripartite.
d. Conselho Municipal de Saúde.

Questão 2
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Para o custeio das ações básicas (vacina, curativos, assistência farmacêutica, atividades
educativas e preventivas, consultas médicas de pediatria, ginecologia e clínica médica, e
procedimentos de odontologia) foi definido o valor de R$ 50,00 per capita/ano, denominado
Piso de Atenção Básica (PAB).
Verdadeiro
Falso

Questão 3
O que é a Norma Operacional Básica?
a. Um conjunto de normas que regulamentam o exercício da medicina.
b. Um conjunto de normas que regulamentam a venda de medicamentos.
c. Um conjunto de normas que regulamentam a descentralização e as formas de gerência do
SUS.
d. Um conjunto de normas que regulamentam o funcionamento dos hospitais.

Questão 4
Foi decidido na Constituição de 1988, que uma das diretrizes que o Sistema de Saúde deve
seguir para se manter organizado é a universalidade. Marque a alternativa que corresponda a
definição da palavra em destaque.
a. Significa compartilhar o poder, isto é, distribuir o poder e recursos além de redefinir as
atribuições de competência de cada esfera do governo. Assim, o município passa a assumir
uma série de ações e serviços que antes eram feitas pelo governo do estado ou pelo governo
federal.
b. Baseia-se na compreensão de que os usuários têm o direito de serem atendidos em todas
as suas necessidades. Deve haver integração entre as ações preventivas e curativas, com maior
atenção para as preventivas.
c. Todas as pessoas têm acesso garantido às ações e serviços de saúde com igualdade. É de
responsabilidade do poder público oferecer condições para o exercício deste direito. Isso
acontecerá mediante a implantação do SUS.
d. É o respeito às diferentes condições e necessidades da população. O sistema de saúde deve
estar sempre atento às desigualdades, utilizando a realidade de cada comunidade para definir
as prioridades na destinação de recursos e na orientação de programas a serem desenvolvidos.
e. Toda a sociedade tem direito de participar no planejamento, na avaliação e na fiscalização
dos servidores de saúde de forma organizada, através de conselhos municipais, regionais e
locais.

Questão 5
Quais são as funções do Conselho Local de Saúde?
I. Atuar na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde com função consultiva e
fiscalizadora sobre os serviços locais de saúde;
II. Identificar os problemas de saúde e situações de risco de adoecer;
III. Detectar irregularidades e buscar soluções;
IV. Elaborar, com a participação da comunidade e outros serviços, um plano para enfrentar os
problemas que determinam os riscos de adoecer;
a. Todas as afirmativas estão corretas.
b. As afirmativas II e IV estão corretas.
c. As afirmativas II e III estão corretas.
d. As afirmativas I e II estão corretas.
e. As afirmativas I e III estão corretas.

Questão 6
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Quando o estado se torna gestor dos recursos públicos, existe mais agilidade para oferecer aos
cidadãos respostas para os problemas locais, diminuem-se as fraudes e a distribuição dos
recursos se dá de acordo com a realidade de cada estado.
Verdadeiro
Falso

Questão 7
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
O Conselho Regional de Saúde define as prioridades e metas; bem como a fiscalização do
poder público para impedir a ação inadequada do uso dos recursos públicos.
Verdadeiro
Falso

Questão 8
Você estudou que a história natural de uma doença abrange as etapas de inter-relação entre o
agente, o hospedeiro e o meio ambiente. A partir do momento em que o estímulo patológico é
criado no meio ambiente ou em outro lugar, ocorre a resposta do homem a esse estímulo, que
resultará na recuperação, cronicidade da doença, invalidez ou morte. A partir disso, relacione
os conceitos com seus significados corretos.
Período Patogênese
É o curso natural da doença durante a qual o homem interage com o estímulo (uma situação
ambiental, um agente infeccioso) e apresenta como resposta inicial uma mudança nos tecidos
ou uma reação alterada. A seguir, ocorrem alguns sinais ou sintomas que após a ação do
tempo ou da terapêutica, provocarão a sua recuperação, cronicidade, invalidez ou morte.
Período de Pré-Patogênese
É a fase que precede a doença, ou seja, o período de interação entre o agente potencial, o
hospedeiro e o meio ambiente.
Hospedeiro humano
É o homem que irá desenvolver ou não a doença, dependendo da intensidade da agressão do
agente e do meio ambiente, mas também, de acordo com a idade, sexo, raça, hábitos e
costumes, nível educacional, características e reações psicológicas, mecanismos de defesa.
Meio Ambiente
O conjunto de todas as condições e influências externas ao homem que interferem na sua
saúde física e mental. Os fatores ambientais são os físicos, sociais, econômicos e biológicos,
tais como a geografia, clima, saneamento, renda familiar, condições de habitação e a cultura
(tabus, lendas, tradições).

Questão 9
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
A assistência à saúde se organiza em seis níveis de complexidade.
Verdadeiro
Falso

Questão 10
Assinale se a frase abaixo é verdadeira ou falsa:
Os serviços do SUS integram uma rede organizada por regiões com diferentes níveis de
complexidade. Ele disponibiliza atendimento a todos os cidadãos e é financiado com recursos
arrecadados através de contribuições sociais e impostos pagos pela população.
Verdadeiro
Falso

Você também pode gostar