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Variabilidade Cardíaca em Atletas e Sedentários

A dissertação de Rui Leite do Prado investiga a variabilidade da frequência cardíaca em atletas de futsal em comparação a jovens sedentários. O estudo analisa as respostas autonômicas cardiovasculares, utilizando métodos de análise temporal e espectral da variabilidade da frequência cardíaca. A pesquisa contribui para a compreensão das diferenças fisiológicas entre atletas e sedentários, destacando a importância do treinamento físico na saúde cardiovascular.

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juliacarvalho29v
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Variabilidade Cardíaca em Atletas e Sedentários

A dissertação de Rui Leite do Prado investiga a variabilidade da frequência cardíaca em atletas de futsal em comparação a jovens sedentários. O estudo analisa as respostas autonômicas cardiovasculares, utilizando métodos de análise temporal e espectral da variabilidade da frequência cardíaca. A pesquisa contribui para a compreensão das diferenças fisiológicas entre atletas e sedentários, destacando a importância do treinamento físico na saúde cardiovascular.

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Universidade do Vale do Paraíba

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento

“Variabilidade da Freqüência Cardíaca: Estudo comparativo das respostas


autonômicas cardiovasculares em atletas de Futsal e sedentários jovens”

Rui Leite do Prado

Dissertação de Mestrado apresentada ao


programa de Pós – Graduação em Ciências
Biológicas como complementação dos créditos
necessários para obtenção do titulo de Mestre em
Ciências Biológicas.

São José dos Campos, SP


2005
Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento

Variabilidade da Freqüência Cardíaca: Estudo comparativo das respostas


autonômicas cardiovasculares em atletas de Futsal e sedentários jovens

Rui Leite do Prado

Dissertação de Mestrado apresentada ao


programa de Pós – Graduação em Ciências
Biológicas como complementação dos créditos
necessários para obtenção do titulo de Mestre em
Ciências Biológicas

Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Álvaro B. Lopes Martins

São José dos Campos, SP


2005
“Sendo a língua o veiculo das idéias, quando não
for bebida na veia mais límpida, mais cristalina,
mais extreme, não verterá extreme, cristalino,
límpido o pensamento de quem a utiliza.”
Rui Barbosa
Dedicatória

Aos meus pais, José e Maria, “in memóriam”, pelo exemplo


de amor e dedicação à família.

À minha esposa, Giovanna pela demonstração de amor


através da renuncia aos seus sonhos, para que eu pudesse
realizar os meus.

Ao meu filho Octávio, a minha maior inspiração,


enriquecendo o nosso cotidiano com seu carisma e sua
alegria.

À minha filha que ainda vai nascer e em breve estará aqui


para nos trazer muitas alegrias.
Agradecimento especial

A todos os voluntários, por terem cedido algumas


horas de suas vidas para que eu pudesse realizar este
trabalho.

A todos vocês, meu respeito e gratidão.


Agradecimentos

• A Deus, por todos os momentos nos quais esteve sempre presente,


dando-me força e serenidade para superar os obstáculos,

• À minha família, e amigos, pelo carinho e compreensão das ausências


destes anos,

• Ao meu orientador Profo Dr. Rodrigo Lopes Martins que, desde a


concepção inicial deste estudo, empenhou-se de modo singular para
que este momento se tornasse realidade,

• Ao Profo Dr. Cairo Lúcio Nascimento Junior, que me acolheu desde o


momento em que comecei a trabalhar com Matlab, permitindo que
utilizasse o laboratório da rede de computadores da Eletrônica do
Instituto Tecnológico da Aeronáutica ELE/ITA, onde pude
desenvolver parte do meu trabalho acadêmico de forma tranqüila,

• Ao Cardiologista e Profo Dr. Jorge Pinto Ribeiro da UFRS, com sua


vasta experiência nesta área contribuiu de forma significativa para a
conclusão final da tese,

• Ao Profo Dr. Rodrigo A. Lazo Osorío, por ter revisado e também


pelos incentivos e oportunidades de compartilhar os meus
conhecimentos com outros colegas,

• À Profa Dra. Tereza Cristina da UFSCar e ao Prof Luiz Carlos


Laureano da Rosa, apesar de nos conhecermos há pouco tempo,
demonstraram total interesse e apoio na análise estatística,

• Ao Profo Mestre João Luiz Azevedo e toda a sua equipe: Professores


doutores Adson Ferreira da Rocha, Francisco Assis do Nascimento e
Luiz Fernando Junqueira Jr., do Departamento de Engenharia Elétrica
e Medicina da Universidade de Brasília - UNB, por ceder gentilmente
o programa desenvolvido em Matlab e pela troca de idéias via e-mails
e telefonemas, contribuições sem as quais este trabalho não teria sido
realizado,

• Ao treinador e preparador físico Francisco Sarmento de Mello e a


toda comissão técnica, pelo apoio e amizade compartilhados durante
todo o período em que estive presente junto a equipe juvenil de Futsal
da AESJ,

• Aos Mestres e amigos Denise Alonso e Ronaldo Vilela Barros, da


Universidade de São Paulo, por toda ajuda na identificação dos
limiares,
• Aos amigos Osmar Vogler, Alexandre Boa Ventura Oliveira da Pós-
Graduação do ITA, André Ferreira de Oliveira do Ensaio de Vôo do
CTA e André Brennand do Instituto de Estudos Avançados (IEAv)
que me auxiliaram nos momentos mais decisivos da minha tese,

• À Dra Wanessa Nogueira Campos pela disposição na avaliação clínica


e ao Profo Ney Veneziani pelo auxilio na avaliação física dos
voluntários,

• À Cardiologista e Profa Dra Edna Ma Lavisio, pela amizade, respeito


e competência nas suas orientações,

• Aos amigos Profo Msc Maurício Galdino da UNITAU e ao


Engenheiro Mario T. Shimanuki do ITA, pelo auxilio irrestrito
oferecido durante a preparação final da minha apresentação,

• Ao Profo Dr Carlos Criollo da UNIVAP e aos engenheiros do ITA,


Alan, Clênio.e Maxmilian, pela atenção e interesse em ajudar no
aperfeiçoamento da rotina do Matlab,

• Aos profissionais do Laboratório do Esforço Físico da Universidade


do Vale do Paraíba – LAEF/UNIVAP: professores Fabiano Barros
Souza e Leandro Y.A. Kawaguchi, pelo apoio e pela disponibilidade
em ajudar na realização dos experimentos deste trabalho,

• A Fundação Cassimiro Montenegro Filho do ITA, em especial ao


Profo Dr. Adilson Marques da Cunha por ceder o espaço em seu
laboratório de tecnologia (LAB/TEC), onde pude fazer todas as
pesquisas, com acesso às bibliotecas eletrônicas e a secretária Ósea
Ivete C. Mattos pela confiança depositada,

• Aos colegas de trabalho da Divisão de alunos do ITA secretária


Mirian S. Goulart, Profa Dra Maria Elizabeth S. Gonçalves e Profo Dr
Alberto Adade Filho,

• Ao bibliotecário Aurélio Marcondes e à bibliotecária Elaine Nuci do


ITA, pelo auxilio em todos os momentos,

• À bibliotecária Rosângela RC Taranger, da UNIVAP, por sua atenção


e apoio na organização do trabalho,

• A todos os professores que contribuíram para minha formação,

• E a todos aqueles que, de maneira direta ou indireta, se propuseram a


ajudar de alguma forma na realização deste trabalho.
Muito obrigado
SUMÁRIO

LISTA DE SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS UTILIZADAS................................... i


LISTA DE FIGURAS............................................................................................................. iii
LISTA DE TABELAS........................................................................................................... vii
LISTA DE EQUAÇÕES....................................................................................................... viii
RESUMO ............................................................................................................................. ix
ABSTRACT............................................................................................................................. xi
1. INTRODUÇÃO................................................................................................................... 1
1.1 Objetivo........................................................................................................................... 3
1.2 Justificativas .................................................................................................................... 4
2. REVISÃO DE LITERATURA............................................................................................. 6
2.1 Sistema cardiovascular ..................................................................................................... 7
2.2 Estrutura cardíaca............................................................................................................10
2.3 Sistema nervoso autonômico – SNA - (controle extrínseco) ...............................................10
2.4 Sistema de condução elétrica cardíaca (controle intrínseco) ...............................................11
2.5 Função dos moduladores fisiológicos do sistema nervoso autonômico................................13
2.6 Eletrocardiograma...........................................................................................................14
2.6.1 Variabilidade de freqüência cardíaca (VFC) .............................................................17
2.6.2 Métodos de Análise da variabilidade da freqüência cardíaca......................................17
2.6.3 Análise no domínio do tempo ..................................................................................18
2.6.4 Análise no domínio da freqüência ............................................................................20
2.7 Algoritmo utilizado para Análise Tempo-Freqüência do sinal VFC ....................................22
2.7.1 Distribuições Tempo-Freqüência (DTF)...................................................................23
2.7.2 Espectrograma Auto-Regressivo ..............................................................................24
2.8 Efeito do destreinamento e do treinamento aeróbio na VFC...............................................26
2.8.1 Variabilidade da freqüência cardíaca durante o exercício físico dinâmico ...................32
2.8.2 Variabilidade da freqüência cardíaca durante a recuperação.......................................33
2.8.3 Interações cardiorespiratórias no controle VFC.........................................................34
3. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 36
3.1 Aspectos Éticos ..............................................................................................................37
3.2 Critério de inclusão.........................................................................................................38
3.3 Coleta de dados dos atletas..............................................................................................38
3.3.1 Periodização do período preparatório .......................................................................39
[Link] Fase Básica.................................................................................................39
[Link] Fase específica ............................................................................................39
3.4 Coleta de dados dos sedentários .......................................................................................40
3.5 Avaliação Clínica ...........................................................................................................40
3.5.1 Medidas antropométricas ........................................................................................41
3.6 Protocolo experimental................................................................................................... 42
3.6.1 Padronização para coleta do sinal do eletrocardiograma ............................................43
3.6.2 Padronização para as coletas dos dados metabólicos e descrição do protocolo de
velocidade ..........................................................................................................46
3.7 Determinação do limiar ventilatório 1 (LV1) ....................................................................47
3.8 Determinação do pico máximo de oxigênio ......................................................................48
3.9 Detecção dos Complexos QRS.........................................................................................48
3.10 Metodologia empregada para classificação e eliminação dos batimentos ectópicos ............48
3.11 Parâmetros empregados para a análise da VFC durante as 4 fases do TEFDC-D................50
3.12 Forma utilizada para a seleção do trecho de 180 segundos, referente às 4 fases (AQ – LV1 -
PE - RA).............................................................................................................51
3.13 Configuração utilizada para o processamento do sinal (iRR) nas 4 fases do teste de esfoço
físico (AQ, LV1, PE e RA) ..................................................................................51
3.14 Índices temporais utilizados ...........................................................................................52
3.15 Índices espectrais utilizados ...........................................................................................54
3.16 Abordagem estatística ...................................................................................................55
4. RESULTADOS.................................................................................................................. 56
4.1 Idade, características antropométricas e capacidade vital dos voluntários estudados.............57
4.2 Tempo de atividade dos atletas de Futsal e inatividade dos sedentários ...............................58
4.3 Distância percorrida (km) ................................................................................................58
4.4 Velocidade (km/h) ..........................................................................................................59
4.5 Teste de esforço físico dinâmico contínuo do tipo degraus (TEFDC-D)..............................60
4.5.1 Limiar Ventilatório 1 (LV1) ....................................................................................60
[Link] Consumo de Oxigênio relativo (VO2–ml/kg/min) no LV1 ..............................60
[Link] Consumo de Oxigênio absoluto (VO2 –l/min) no LV1.....................................61
[Link] Freqüência Cardíaca (FC) no LV1................................................................62
[Link] Potência (P) no LV1....................................................................................62
[Link] Ventilação Pulmonar (VE) no LV1...............................................................63
[Link] Produção de Dióxido de Carbono (VCO2 ) LV1..............................................64
[Link] Análise de correlação no limiar ventilatório 1 (LV1) ......................................65
4.5.2 Pico do esforço (PE)...............................................................................................66
[Link] Consumo de Oxigênio relativo (VO2–ml/kg/min) Pico ...................................66
[Link] Consumo de Oxigênio absoluto (VO2 –l/min) Pico.........................................66
[Link] Freqüência Cardíaca (FC) Pico.....................................................................67
[Link] Potência (P) Pico.........................................................................................67
[Link] Ventilação Pulmonar (VE) Pico....................................................................68
[Link] Produção de Dióxido de Carbono (VCO2 ) Pico..............................................69
[Link] Análise de correlação no pico do esforço (PE)...............................................70
4.5.3 Correlação entre os valores das variáveis no LV1 e no PE.........................................71
[Link] Dispersão das variáveis metabólicas no LV1 e no PE.....................................71
4.6 Análise temporal e espectral da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) .......................77
4.6.1 Análise dos índices temporais na fase de aquecimento (AQ)......................................77
[Link] Intervalo RR médio (iRR) ............................................................................77
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)........................................78
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (r-MSSD) ...........................................................................................78
4.6.2 Resultados da Análise dos índices espectrais na fase de aquecimento (AQ) ................80
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)...........................80
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF).............................80
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (LF/HF).....................................80
4.6.3 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais na fase AQ................81
4.6.4 Resultados da Análise dos índices Temporais obtidos na fase do limiar Ventilatório 1
(LV1) .................................................................................................................82
[Link] Intervalo RR médio (iRR) ............................................................................82
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)........................................82
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (r-MSSD) ...........................................................................................83
4.6.5 Análise espectral – limiar ventilatório 1 (LV1) .........................................................84
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)...........................84
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF).............................84
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)............................84
4.6.6 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais na fase do LV1..........85
4.6.7 Análise temporal –pico do esforço (PE) ...................................................................86
[Link] Intervalo RR médio (iRR) ............................................................................86
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)........................................86
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (r-MSSD) ..........................................................................................87
4.6.8 Análise espectral – pico do esforço (PE)...................................................................88
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)...........................88
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF).............................88
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)............................88
4.6.9 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais – no pico do esforço
(PE)....................................................................................................................89
4.6.10 Análise temporal – recuperação ativa (RA)..............................................................90
[Link] Intervalo RR médio (iRR) .........................................................................90
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN).....................................90
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)...............................................................................91
4.6.11 Análise espectral – recuperação ativa (RA)..............................................................92
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)........................92
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF) ..........................92
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF) .........................92
4.6.12 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais – RA........................94
4.7 Análise da variância dos índices temporais e espectrais nas 4 fases do TEFDC-D – atletas
(AFS) e sedentários (SED)...................................................................................94
4.7.1 Índices temporais - Atletas......................................................................................94
[Link] Intervalo RR médios (iRR)...........................................................................95
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)........................................95
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (r-MSSD) ...........................................................................................95
4.7.2 Índices espectrais - Atletas......................................................................................96
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)...........................96
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF).............................97
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)............................97
4.7.3 Índices temporais - Sedentários ...............................................................................99
[Link] Intervalo RR médio (iRR) ............................................................................99
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)........................................99
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (r-MSSD) ...........................................................................................99
4.7.4 Análise da variância dos índices espectrais - Sedentários .........................................101
[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF).........................101
[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)...........................101
[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)..........................101
4.8 Correlações das capacidades metabólicas versus índices temporais e espectrais obtidos no
obtidos no LV1 e PE..........................................................................................103
4.9 Resultado da análise de distribuição tempo-freqüência AR. .............................................103
5. DISCUSSÃO.................................................................................................................... 105
5.1 Características antropométricas......................................................................................106
5.2 Freqüência cardíaca de repouso......................................................................................107
5.3 Limiar ventilatório 1 (LV1) ...........................................................................................107
5.4 Pico do esforço (PE) .....................................................................................................108
5.5 Dispersão das variáveis metabólicas no limiar ventilatório 1 (LV1) e no Pico do esforço...110
5.6 Variabilidade da freqüência cardíaca (VFC)....................................................................111
5.6.1 Análise dos índices temporais e espectrais..............................................................111
[Link] Análise temporal na fase do aquecimento (AQ) ...........................................111
5.6.2 Comparação entre os dois grupos (AFS vs SED).....................................................112
5.6.3 Análise espectral da variabilidade da freqüência cardíaca ........................................113
5.6.4 Comparação dos componentes de baixa freqüência (LF) versus alta freqüência (HF) nas
quatro fases.......................................................................................................113
5.6.5 Razão LF/HF........................................................................................................116
5.6.6 Correlação dos índic es temporais versus índices espectrais......................................119
[Link] iRR médios versus LF e HF e razão LF/HF nas 4 fases do TEFDC-D...........119
[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN) vs alta e baixa freqüência
(HF e LF) .........................................................................................................120
[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes (R-MSSD) vs alta e baixa freqüência e razão LF/HF............................120
5.7 Análise de distribuição tempo-freqüência AR .................................................................121
5.8 Considerações finais .....................................................................................................124
5.9 Algumas limitações.......................................................................................................125
6. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS............................................................................... 126
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................. 130
ANEXOS .......................................................................................................................... 149
ANEXO A .......................................................................................................................... 150
ANEXO B .......................................................................................................................... 151
ANEXO C .......................................................................................................................... 153
ANEXO D .......................................................................................................................... 158
ANEXO E .......................................................................................................................... 176
i

LISTA DE SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS UTILIZADAS


A/D - Conversor análogo – digital
AR - Modelo auto-regressivo
ASCII “American Standard Code for Information Interchange”- Código
usado para gravar arquivos de texto no computador
ATFAR - Análise Tempo-Freqüência Auto-Regressiva
bpm - Batimentos por minuto
BTPS - “Body temperature pressure standard” (padrão)
DC - Débito cardíaco
DF - Domínio da freqüência
Dp - Desvio padrão
DT - Domínio do tempo
ECG - Eletrocardiograma
FeO 2 - Fração expirada de oxigênio
FC - Freqüência cardíaca
FR - Freqüência Respiratória
FSR - Freqüência sinus respiratória
Futsal - Fotebol de salão
HF - “High frequency” – componente espectral de alta freqüência
Hz - Hertz
LA - Limiar anaeróbio
LF - “Low frequency”- componente espectral de baixa freqüência
l/min - Litros por minuto
LV - Limiar ventilatório
Matlab - Ambiente para processamento de sinais e cálculos com matrizes
ml/kg/min - Mililitros por peso por grama por minuto
mmHg - Milímetro de mercúrio
ms - Milessegundos
ms2 - Milessegundo ao quadrado
PNN50 - Porcentagem dos ciclos sucessivos que apresentam diferenças de
duração acima de 50 milissegundos.
PSD - “Power spectral density” – densidade de potência espectral
QRS - Complexo que representa a contração ventricular
rs - Coeficiente de correlação de Spearman
rpm - Respiração por minuto
iRR - Intervalo entre duas ondas R no eletrocardiograma
iRR médios - Valor médio dos intervalos RR no eletrocardiograma
RMSSD - Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-
R normais adjacentes
SA - Sino atrial
SDANNi - Desvio-padrão das médias dos intervalos R-R
SDNN - Desvio-padão de todos os intervalos R-R
SDNNi - Média dos desvios-padrão dos intervalos R-R
SNA - Sistema nervoso autônomo
SNC - Sistema nervoso central
SNS - Sistema nervoso simpático
ii

SNP - Sistema nervoso parassimpático


STPD - “Standard temperature and pressure dry”
STFT“ Short-Time Fourier Transform” - Transformada de Fourier de Curto-
termo
TEFDC-D - Teste de esforço físico dinâmico continuo do tipo degraus
TV - “Tidal volume” – volume corrente
ULF - “Ultra low frequency” - espectro de freqüência ultra baixa
URA - Umidade relativa do ar
VE - Ventilação pulmonar (BTPS)
VCO2 - Produção de dióxido de carbono
VFC - Variabilidade da freqüência cardíaca
VO2 - Cosumo de oxigênio
VO2 máx - Consumo máximo de oxigênio (STPD)
VLF - “Very low frequency” - espectral de freqüência muito baixa
W - Wats
iii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Circulação sistêmica. A direção do fluxo sangüíneo desoxigenado (CO2 ) é indicado pelas setas
azuis; seguindo a seqüência numérica (1,2 e 3). A direção do fluxo sangüíneo oxigenado (O2) é
indicado pelas setas vermelhas, seguindo a sequência numérica (4, 5 e 6)...................................... 8

Figura 2 - Sistema de condução elétrica cardíaca, através do nodo sinusal (SA) e sistema de Purkinje,
mostrando também o nodo atrioventricular, as vias atriais internodais e os ramos ventriculares
do Feixe de Hiss (GUYTON;HALL 2002).............................................................................................12

Figura 3 - Eventos no eletrocardiograma. A onda P corresponde à despolarização (estimulação) dos átrios.


O complexo QRS resulta da soma das ondas de despolarização dos dois ventrículos, que
superpõe, mas que não são sincronizadas, gerando uma onda de grande amplitude. A onda T,
por sua vez, corresponde à repolarização dos ventrículos. A repolarização dos átrios não é
visível no ECG, pois é sobreposta pelo complexo QRS (BURTON, 1977)......................................16

Figura 4- SDNN = desvio-padrão de todos os intervalos R-R, expresso em milissegundos (ms).......................18

Figura 5 - SDANNi desvio-padrão das médias dos intervalos R-R, calculados em intervalos de cinco minutos,
expressa em ms. ..........................................................................................................................................18

Figura 6 - SDNNi = média dos desvios-padrão dos intervalos R-R calculados em intervalos R-R de cinco
minutos, expressa em milissegundos. .....................................................................................................19

Figura 7 - PNN50 = percentagem dos ciclos sucessivos que apresentam diferenças de duração acima de 50
ms. Neste exemplo equivale a 20 %, ou seja dos 10 intervalos RR adjacentes, apenas dois (o 2º e
o 8º) apresentam diferenças de duração superior a (+)50 ms...........................................................19

Figura 8 - Espectrograma AR, exemplos do comportamento do sistema nervoso autônomo (simpático e


parassimpático) em dois momentos diferentes: em (A) representa um individuo em repouso na
posição sentado, em (B), na posição deitado........................................................................................25

Figura 9 - Significado das cores apresentadas nos espectrogramas........................................................................25

Figura 10– Modelo dos mecanismos envolvidos na adaptação do consumo máximo de oxigênio em treinados
em paralelo com os dos destreinados.....................................................................................................32

Figura 11 - Ilustração das montagens de 3 derivações do ECG e do analisador de gases..................................45

Figura 12- Representação esquemática do TEFDC-D realizado em esteira elétrica automática com
inclinação constante 1,5 %. A cor azul representa o aquecimento (AQ) com duração de 1 min a
cada estágio, a cor marrom o exercício (Ex) com 2 min a cada estágio, e a cor amarela a
recuperação ativa (RA) com 1min a cada estágio...............................................................................47

Figura 13 - Identificação do limiar ventilatório 1 (LV1) por técnica ventilatória. Observado no instante
durante o exercício em que as curvas de VE/ VO2 (linha azul escuro, em a) e FeO2 (linha
vermelha, em b), atingiram seu valor mínimo antes de começarem a subir, indicados por uma
seta vertical.................................................................................................................................................48

Figura 14 - Exemplo de intervalograma para detecção de batimentos ectópicos, num trecho de 180 segundos
na fase do aquecimento.............................................................................................................................49
iv

Figura 15 Representação esquemática do parâmetro adotado para a seleção dos trechos (janelas – 180
segundos), nas diferentes fases do exercício físico dinâmico. Em (a) intervalograma RR e em (b)
espectrograma. (ENU) = espaço não utilizado para o estudo da VFC. A seta verde em (a) indica
o ponto central do LV1..............................................................................................................................50

Figura 16 - Ilustração da tela do computador do programa analisador dos gráficos T-F de um dos AFS - AQ
1) gráfico de intervalos RR interpolado com “spline” cúbica; 2) gráfico do Espectrograma
Auto-Regressivo e 3) gráfico representando a variação da Razão LF/HF em função do Tempo,
também é apresentado em forma de planilha os Índices estatísticos temporais.............................53

Figura 17 - Ilustração da tela do computador do programa analisador dos gráficos T-F de um dos AFS –
LV1 a) gráfico de intervalos RR interpolado por “splines” cúbica a 4 Hz; b) Espectrograma
Auto-Regressivo e c) representando a densidade do espectro de potência (PSD), também são
apresentados em forma de planilha, os Índices estatísticos Espectrais..........................................55

Figura 18 - Estão representados em (a) os valores da distância em quilômetros (km) e em (b) a


velocidade máxima em quilômetros por hora (km/h) atingida no TEFDC-D do grupo dos atletas
de Futsal (AFS – n=13) e sedentários (SED – n=13).........................................................................59

Figura 19 - Estão representados em (a) os valores relativos (ml/min/kg) e em (b) os valores absolutos (l/min)
de consumo de oxigênio (VO2 ) obtidos dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED), no
LV1. ..............................................................................................................................................................61

Figura 20 - Estão representados em (a) os valores de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto
(bpm), em (b) potência em Watts (W) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) obtidos
no limiar ventilatório1 (LV1) durante o TEFDC-D .............................................................................63

Figura 21 - Em (a) valores de ventilação pulmonar (VE) em litros por minutos (l/min) e em (b) produção de
dióxido de carbono (V) em litros por minuto (l/min) dos atletas (AFS) e sedentários (SED)
obtidos no Limiar ventilatório1 (LV1) durante TEFDC-D.................................................................64

Figura 22 - Estão representados em (a) os valores relativos (ml/Kg/min) e em (b) os valores absolutos (l/min)
do consumo de oxigênio (VO2 ) obtidos no Limiar ventilatório1 (LV1) durante TEFDC-D. ........67

Figura 23 - Estão representados em (a) os valores de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto
(bpm), em (b) potência em Watts (W) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) obtidos
no pico do esforço (PE) durante o TEFDC-D. .....................................................................................68

Figura 24 - Em (a) valores de ventilação pulmonar (VE) em litros por minutos (l/min) e em (b) produção de
dióxido de carbono (VCO2 ) em litros por minuto (l/min) dos atletas (AFS) e sedentários (SED)
obtidos no pico do esforço durante TEFDC-D. ....................................................................................69

Figura 25 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis VO2 L LV1 e Vo2 pico representados em
atletas de Futsal (a) e sedentários ( b); valores das variáveis FC LV1 e FC pico representados
em (c) e (d). podem-se observar os valores das medianas mínimos e máximos nas linhas
tracejadas....................................................................................................................................................73

Figura 26 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis P (W) no LV1 e P pico em (W) -representados
em (a) atletas de Futsal e (b) sedentários; valores das variáveis VE LV1 e VE pico
representados em (c) e (d). podem-se observar os valores das medianas mínimos e máximos nas
linhas tracejadas........................................................................................................................................75

Figura 27 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis VO2 (l/min) LVI e VO2 (l/min) pico
representados em (a) atletas de Futsal e (b) sedentários; valores das variáveis V LV1 E V Pico
represntados em (c) e (d). Podem-se observar os valores das medianas mínimos e máximos nas
linhas tracejadas........................................................................................................................................76
v

Figura 28 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase do
aquecimento (AQ) -3 minutos..................................................................................................................79

Figura 29 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) e
em milissegundos ao quadrado por Hertz ms2 /Hz. em (c) razão LF/HF. Freqüências obtidas
junto aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase de aquecimento (AQ),
apresentados de forma comparativa entre os grupos..........................................................................81

Figura 30 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase do
limiar ventilatório (LV1)...........................................................................................................................83

Figura 31 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz ms2 /Hz, razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (LV1),
apresentados de forma comparativa entre os grupos..........................................................................85

Figura 32 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase do
pico do esforço (PE)..................................................................................................................................87

Figura 33 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz ms2 /Hz, razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (PE),
apresentados de forma comparativa entre os grupos..........................................................................89

Figura 34 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase da
recuperação ativa (RA).4.6.11 Análise espectral – recuperação ativa (RA)...................................91

Figura 35 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz (ms2 /Hz), razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (RA),
apresentados de forma comparativa entre os grupos..........................................................................93

Figura 36 - Análise de variância nas quatro fases do TEFDC-D dos índices iR-R médio em (A), SDNN em (B)
e r-MSSD em (C) em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS).............................................96

Figura 37 - Representação dos valores de LF em (a), HF em (b) milessegundo ao quadrado por Hertz
(ms2 /Hz) e da razão LF/HF em ( c) dos atletas obtidas nas quatro fases do TEFDC-D.
Aquecimento ( 1-AQ); limiar ventilatórioI (2-LV1), pico do esforço (3-PE) e recuperação ativa
(4-RA). As diferenças estatísticas foram representas da seguinte forma: NS=não significativo;
*=p<0,05=significante; **=p<0,01=muito significante e ***=p<0,001=extremamente
significante..................................................................................................................................................98

Figura 38 - Análise de variância nas 4 fases do TEFDC-D dos índices iR-R médio em (a), SDNN em (b) e r-
MSSD em (c) em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS). As diferenças estatísticas
foram representas da seguinte forma: NS = não significativo; **=p<0,01=muito significante e
***=p<0,001=extremamente significante..........................................................................................100
vi

Figura 39 - Representação dos valores de LF em (a), HF em (b) em milessegundo ao quadrado por Hertz
(ms2 /Hz) e da razão LF/HF em (c) dos sedentários obtidas nas quatro fases do TEFDC-D.
Aquecimento (1-AQ); limiar ventilatórioI (2-LV1), pico do esforço (3-PE) e recuperação ativa
(4-RA). As diferenças estatísticas foram representas da seguinte forma: NS = não significativo;
**=p <0,01=muito significante e ***=p<0,001=extremamente significante. ............................102

Figura 40 Resultado comparativo dos intervalogramas em (a) e espectrogramas AR em (b) de um atleta e de


um sedentário durante as quatro fases do TEFDC -D. ......................................................................104
vii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Determinação das bandas de freqüências para análise dos índices espectrais .....
............................................................................................................................ 54

Tabela 2- Idade, características antropométricas e dados de pressão arterial sistólica


repouso (PASr) e diastólica repouso (PADr) em mmHg, de freqüência cardíaca
(FCr) em bpm, de freqüência respiratória em repouso (FRr)em rpm, atletas de
Futsal (AFS), sedentários (SED) ........................................................................ 57

Tabela 3 - Dados dos valores médios do tempo de atividade dos atletas de Futsal (AFS) e
inatividade dos sedentários (SED). .................................................................... 58

Tabela 4 -. Valores dos coeficientes de correlação entre as variáveis estudadas, obtidas no


momento do Limiar ventilatório 1 ...................................................................... 65

Tabela 5 - Valores do coeficiente de correlação entre as variáveis estudadas, obtidas no


pico do esforço.................................................................................................... 70

Tabela 6 - Valores dos Coeficientes de correlação entre as variáveis estudadas, no LV1


versus no Pico do esforço (AFS e SED). ............................................................ 71

Tabela 7 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais (Aquecimento). ............................................................. 82

Tabela 8 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais (limiar ventilatório1). .................................................. 86

Tabela 9 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais da análise Tempo-Freqüência (pico do exercício) ...... 90

Tabela 10 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais da análise Tempo-Freqüência (recuperação ativa) .... 94
viii

LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 1 – RMSSD = raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos
R-R normais adjacentes, expressa em ms. Neste exemplo simplificado, é
calculado por meio da equação acima. ........................................................ 19

Equação 2 – Predição de percentual de gordura................................................................. 42

Equação 3 – Predição da gordura absoluta........................................................................ 42

Equação 4 – predição da massa magra ............................................................................... 42


ix

RESUMO

O presente trabalho visa estudar a variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) no


domínio do tempo (DT) e no domínio da freqüência (DF) em atletas praticantes de
atividade física do tipo futebol de salão (AFS). Participaram voluntariamente 13 atletas na
faixa etária de (17 ± 1) anos, cujas variabilidades das FC foram comparadas às de um
Grupo Controle constituído por 13 sedentários (SED) normais com (17 ± 1) anos de idade.
Todos os voluntários foram submetidos a: avaliação clínica e antropométrica; teste de
esforço físico dinâmico contínuo do tipo degraus (TEFDC-D); ergoespirometria e
eletrocardiografia dinâmica, (ECG). Para a análise dos dados relativos à eletrocardiografia
dinâmica, selecionaram-se quatro fases (“janelas” com duração de 180 segundos cada
uma): aquecimento (AQ); limiar ventilatório1 (LV1); pico do esforço (PE) e recuperação
ativa (RA). Utilizaram-se para análise no DT, a média dos intervalos RR do ECG (iRR), o
desvio padrão do iRR (SDNN), e a raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças
entre os intervalos adjacentes (RMSSD). Para análise no DF, os componentes espectrais de
freqüência baixa (“low frequency” - LF – 0,04 a 0,15 Hz) e alta (“high frequency” - HF –
0,15 a 0,4 Hz), freqüências essas avaliadas pelo modelo Autoregressivo (AR). Também se
calcularou a razão LF/HF e realizou-se a análise subjetiva dos espectrogramas através da
análise de Distribuição Tempo-Freqüência com base no modelo AR. Na fase AQ houve
diferenças estatísticas (p<0,05, p<0,01 e p<0,01) significativas entre os índices temporais
(iRR, SDNN e RMSSD) dos dois grupos, indicando maior VFC para os AFS. Na análise do
DF, os índices LF, HF e razão LF/HF também apresentaram diferenças estatísticas (p<0,05,
p<0,05 e p<0,05) entre os grupos, indicando maior tono simpático e parassimpático para o
grupo dos AFS. Na fase do LV1, não houve diferenças estatísticas significantes (p>0,05)
para os índices temporais e espectrais Nas fases PE, as diferenças dos valores foram
bastante significantes (p<0,001) apenas para os índices temporais iRR e SDNN, cujos
valores em mediana foram menores para o grupo de AFS. No DF houve diferença
estatística (p<0,001) entre os grupos para o componente LF (maiores valores de mediana
nos AFS) e da razão LF/HF (p<0,01), os valores na escala foram menores que 1 para os
AFS, indicativo de maior predomínio vagal. Para o componente HF não houve diferença
estatística significativa. Na fase RA as diferenças obtidas no teste de comparação são
x

significativas perante os dois grupos (p<0,001) para os índices iRR e SDNN. O teste
indicou que não existe diferença significativa (p<0,05) para o índice RMSSD nos grupos
AFS e SED (p>0,05). No DF, houve diferença estatística entre os grupos (p<0,001) apenas
para a razão LF/HF, dando a impressão de maior proteção vagal para o grupo de AFS nesta
fase. Em conclusão, durante o TEFDC-D, com aumento progressivo de cargas, a influência
da atividade simpática na freqüência cardíaca não se tornou progressivamente mais
importante em intensidade mais elevada. Os Atletas apresentaram automatismo sinoatrial
semelhante ao de indivíduos sedentários em todas as fases do teste observados na análise
visual dos espectrogramas. Os resultados de nosso experimento indicam que índices da
variabilidade da freqüência cardíaca no DT e DF apresentam características distintas do
sistema nervoso autônomo em condições fisiológicas. Em troca aparente da retirada vagal
para predomínio simpático no começo do exercício (AQ), reflete-se retirada vagal,
provavelmente, sem excitação simultânea da atividade simpática, visto que não houve mais
acréscimo até o fim do teste. Dessa forma, os nossos resultados deste trabalho não
concordam com o conhecimento estabelecido de que há uma grande ativação imediata
vagal no transiente de recuperação ativa, principalmente nos atletas.

Palavras chaves: Análise Espectral; Atletas; Exercício Intenso; Sistema Nervoso


Autonômico; Variabilidade da Freqüência Cardíaca.
xi

ABSTRACT

The main goal of the present work is to study the heart rate variability (HRV) in
time domain (TD) and frequency domain (FD) of athletes who practice physical exercises
such as society soccer (PES). Participating as volunteers, 13 athletes in the age group of
(17±1) years old, whose variabilities of FC were compared to those from a Control group
composed by 13 normal sedentary people (SED) aging (17±1) years old. All volunteers
were submitted to: clinical and anthropometrics evaluation, test of continuous dynamic
physical strength of step type (CDPS-S); ergospirometry and dynamic electrocardiography
(ECG). For the analysis of the data related to the dynamic electrocardiography, 4 phases
were selected (windows of 180 secs of duration each): warming (WA), ventilating
threshold1 (VT1), effort peak (EP) atrium-sinus and active recovery (AR). During TD
analysis, the following were used: average of the interval RR of the ECG (iRR), standard
deviation of iRR (SDNN), and the square root from the square average of the differences
between the adjacent intervals (RMSSD). For FD analysis, the spectral components of low
frequency (0.04 to 0.15 Hz) and high frequency (0.15 to 0.4 Hz), using the autoregressive
model (AR) for validation, were used. We also calculated the ratio LF/HF and the
subjective analysis of the spectrogram was carried out by the analysis of the time-frequency
distribution using the AR model. In the AQ phase there were significant statistical
differences (p<0.05, p<0.01 e p<0.01) among the temporal indexes (iRR, SDNN and
RMSSD) from both groups, indicating higher HRC for the PES. In the FD analysis, the
indexes LF, HF and the ratio LH/HF also presented statistical differences (p<0.05, p<0.05
and p<0.05)) among the groups, indicating higher sympathetic and parasympathetic tone
for the PES group. In the VT1 phase, there were no significant statistical differences for the
temporal and spectral indexes. In the phase EP, the difference of values were very
meaningful (p<0.001) just for terminal indexes iRR and SDNN, which average values were
smaller for the PES group. In the FD there was statistical difference (p<0.001) among the
groups for LF components (higher average values in the PES) and at the ratio LF/HF
(p<0.01), the values on the scale were smaller than 1 for the PES, indicating a higher vagal
predominance. For the HF component there was no significant statistical difference. In the
AR phase the differences obtained in the comparative test were significant in the presence
xii

of both groups (p<0.001) for the IRR and SDNN indexes. The test indicated there was no
significant difference (p<0.05) for the index RMSSD in the PES and SED groups (p>0.05).
In the FD, there was statistical difference among the groups (p<0.001) just for the LF/HF
ratio, causing the impression of a higher vagal protection for the PES group in such phase.
In conclusion, during the CDPS-S, with the progressive increase of load, the influence of
the sympathetic activity in the heart frequency did not turn progressively more important in
higher intensity. The athletes presented automatic sinus-atrium similar to those sedentary
individuals in all test phases observed in the visual analysis of the spectrograms. The results
of our experiment indicate that heart rate variability indexes in TD and FD showed distinct
features of the autonomous nervous system in physiological conditions. In apparent change
of the vagal retreat for the sympathetic predominance in the beginning of the exercises
(WA), causes vagal retreat, probably, without simultaneous excitation of the sympathetic
activities, considering there was not extra increase until the end of the test. Thus, our results
disagree with the established knowledge that there is a great immediate vagal activation in
the transient of the active recovery, mainly in athletes.

Keywords: Athletes, Autonomous Nervous System, Intensive Exercises, Heart Rate


Variability, Spectral Analysis.
1. INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO 2

A variabilidade dos sinais cardiovasculares no domínio do tempo e da freqüência


permitiu identificar a existência de diferentes mecanismos envolvidos na regulação do
sistema cardiovascular (AKSELROD et al., 1981; PAGANI et al., 1986, PICHOT et al.,
2002). Na investigação clinica, este tipo de análise foi aplicado ao estudo da variabilidade
da freqüência cardíaca (VFC) durante as últimas décadas, por seu valor como um preditor
de morte cardíaca. É conhecido que o aumento da VFC é correlato à condição de saúde,
enquanto a diminuição corresponde às doenças cardiovasculares e risco de mortalidade
independente da idade, freqüência cardíaca, fração de ejeção sistólica, classe funcional da
NEW YORK HEART ASSOCIATION e da atividade ectópica ventricular (KLEIGER et
al., 1987, CUNINGHANT, 2002).
A medida da VFC tornou-se uma ferramenta extensamente utilizada por avaliar o
funcionamento autonômico cardiovascular de forma não invasiva em várias situações
fisiológicas, como por exemplo: em tensão mental (BERNTSON et al., 1997; PAGANI et
al., 1995; BERNARDI et al., 2000), esfriamento facial (JESUS et al., 1994), utilização de
substâncias farmacológicas (RIBEIRO et al., 1991; MONTANO et al., 1998; STEIN et al.,
2002), em posições de decúbitos (PIKKUJÂMSÂ et al., 2001), na manobra de valsalva
(JUNQUEIRA JR, 1990). Foi amplamente estudado em repouso (KATONA et al., 1982;
HEDELIN et al., 2000; PORTIER et al., 2001; PICHOT et al., 2002) e durante exercício
moderado (LUCINI et al., 1995; MACOR et al., 1996; CATAI et al., 2002) e menos
estudado em exercício intenso (i.e, acima do limiar ventilatório) (ARAI et al., 1989;
YAMAMOTO et al. 1991a; NAKAMURA et al. 1993; CASADEI et al., 1995; COTTIN et
al., 2002) apresentando resultados limitados e controversos.
O exercício físico revela-se do ponto de vista fisiológico extremamente complexo,
porque envolve uma interação de todos os sistemas que compõem o organismo vivo, tais
como o neuromuscular, o cardiorespiratório, o termo-regulador, o hormonal, sistemas
tampões, de amortecimento ou amplificações de sinais, ativadores (excitadores) ou
inibidores e tantos outros, atuando ininterruptamente em nível central e periférico,
objetivando a condição de equilíbrio favorável à fisiologia humana, modificado pelo fator
do estresse físico (ROWELL, 1986; GALLO JR et al., 1990; SAUL, 1990).
Nesse contexto, os estudos das respostas ao exercício físico dinâmico são
particularmente úteis, por permitirem uma aplicação de diferentes níveis de estresse,
INTRODUÇÃO 3

quantificáveis da carga de trabalho ou das repercussões em respostas metabólicas (TASK


FORCE, 1996). O exercício físico tem sido utilizado em análises no domino da freqüência
para delinear a VFC. Entretanto, tais análises, utilizando transformada de Fourier, são
confiáveis somente quando os dados utilizados são estacionários, o que, em geral, é difícil
de se obterem durante o exercício.

1.1 Objetivo
Avaliar e comparar a modulação autonômica cardica (VFC) e das variáveis
metabólicas de atletas de Futsal e de um grupo Controle: no aquecimento (AQ), no limiar
ventilatório 1 (LV1), no exercício intenso (PE) e na recuperação ativa (RA), utilizando a
análise tempo-freqüência auto-regressiva (ATFAR) para o estudo da VFC, técnica que não
requer que os sinais analisados sejam estacionários, e técnica ventilatória de Wasserman et
al (1973), para as variáveis metabólicas.
INTRODUÇÃO 4

1.2 Justificativas
Nos esportes coletivos ou individuais, os atletas vêm se aperfeiçoando e superando
limites antes considerados inatingíveis com um menor risco de lesões. Tudo isto vem
ocorrendo graças a diversos fatores. Um deles é o desenvolvimento técnico de treinamento
desportivo associado a equipamentos que mensuram cada vez melhor o sujeito, fornecendo
parâmetros de controle mais completos e fidedignos (CARMO, 2003).

Os dois fatores básicos de controle em treinamento desportivo são o volume e a


intensidade da atividade física (CARMO, 2003 apud DANTAS, 1998). Entende-se por
volume a quantidade de atividade realizada. Pode ser medida, principalmente, pela
distância percorrida ou pelo tempo de duração da atividade física. Normalmente este fator é
de fácil mensuração. Já a intensidade indica a qualidade da atividade física realizada. Pode
ser analisada através da força aplicada, da ação motora, das variáveis metabólicas, da
freqüência cardíaca, e da VFC, dentre outros parâmetros.

Com base nestes dois fatores, volume e intensidade, é possível sugerir uma
atividade física segura e proveitosa para o sujeito, a partir da escolha de uma combinação
ideal que o levará a se desenvolver com aproveitamento máximo e reduzida probabilidade
de lesões de ordem muscular (CARMO, 2003) ou até mesmo cardíaca (PRADO et al.,
2004). Este procedimento pode ser aplicado para pessoas sedentárias, atletas ou ainda para
pessoas que necessitem de tratamento fisioterápico (WESSERMAN, 1990; BARROS
NETO et al., 2001; CARVALHO et al., 2003; CARMO, 2003; PRADO et al., 2004).

As repercussões sobre o controle autonômico do coração em condições adaptativas


a exercícios, com sobrecargas intermitentes1 , com intensas solicitações fisiológicas tanto ao
nível óstemuscular, quanto dos sistemas cardiovascular, respiratório e demais sistemas
funcionais como os praticantes de Futsal exercem, por exemplo, não tem sido abordado
utilizando-se a análise da VFC como ferramenta de investigação. São também
caracterizados como polivalentes dinâmicos por desempenhar funções inerentes a qualquer
posto especifico em quadra (MOLINA, 1992), do ponto de vista fisiológico, parece indicar
uma importante participação do metabolismo aeróbio. Apesar do caráter intermitente, é
comum que o atleta realize freqüentes transições de esforços de alta intensidade (estímulos
INTRODUÇÃO 5

supramáximos2 ) para períodos de recuperação e vice-versa (BALSOM et al., 1994;


OLIVEIRA, 1999).
Por conseguinte, surgiu o interesse em realizar-se um estudo com esse tipo de atleta
utilizando-se a análise da VFC para melhor se conhecer as repercussões cardíacas
decorrentes desse tipo de treinamento. Em suma, objetivou–se no presente estudo, obter
respostas para as questões como essa: sabendo-se, que quando se executa repetidos
exercícios aeróbios há mudanças no perfil do balanço autonômico cardíaco em função do
parassimpático (DE MEERSMAN, 1993; FURLAN et al., 1993; GOLDSMITH, et al.,
1992; HEDLIN et al., 2000; STEIN et al., 2000:2002), como seria a característica deste
perfil em que causam uma certa sobrecarga de esforço ao coração, como a prática freqüente
de exercícios mistos ou híbridos, ou seja, apresentam intensidade que agrupam tanto
características aeróbias, como anaeróbias (MOLINA, 1992; OLIVEIRA, 1999)? Essas
características alteram de forma benéfica o perfil autonômico de seus praticantes? Existe
influência do volume de treinamento empregado? Qual será a magnitude das diferenças
encontradas entre os valores obtidos por esses indivíduos e o grupo Controle?

Este estudo justifica-se, fundamentalmente, pelo fato de se aplicar a uma


modalidade muito popular e, no entanto, ainda carente de uma abordagem mais cientifica
sobre diversos aspectos que o caracterizam e cujos resultados passarão a constituir mais
uma referência na caracterização do complexo quadro dos jogadores jovens de Futsal.

1
Modalidades esportivas que apresentam como característica a intermitência, tem sido sugerido ocorrer um
aumento da contribuição do metabolismo aeróbio para a ressíntese de ATP (TABATA et al., 1997).
2
Durante estímulos supramáximos, a ressíntese de ATP é ralizada primeiramente pelas vias anaeróbias
(BALSOM, et al., 1994).
2. REVISÃO DE LITERATURA
REVISÃO DE LITERATURA 7

Neste capitulo, é apresentada, uma revisão bibliográfica sobre: o sistema


cardiovascular; estrutura cardíaca; sistema nervoso autônomo; sistema de condução elétrica
cardíaca; função dos moduladores fisiológicos do sistema nervoso autonômico. Em
seguida, é apresentado o eletrocardiograma, a: definição de VFC; os métodos de análise da
VFC no domínio do tempo e da freqüência; o algoritmo utilizado para análise tempo-
freqüência do sinal biológico cardiovascular e sua importância. Finalmente, uma revisão
sobre o efeito do treinamento aeróbio na VFC; o efeito da aptidão física em atletas na VFC;
seguido do estudo do comportamento da VFC durante o exercício físico dinâmico e durante
a recuperação; finaliza com uma breve revisão das interações cardiorespiratórias no
controle da VFC.

2.1 Sistema cardiovascular


Formado pelo coração e vasos sangüíneos, o sistema cardiovascular desempenha
importantes funções fisiológicas em todos os organismos vivos e por isso está organizado
morfológica e funcionalmente para atender às diferentes necessidades específicas de cada
órgão ou sistema em cada situação.
A homeostasia do sistema cardiovascular é realizado por eficientes mecanismos de
controle retroalimentado que buscam manter a pressão arterial e o volume venoso central
dentro de uma faixa relativamente estreita de variação. Isso é conseguido pela regulação
constante da freqüência cardíaca e do tônus vascular, com grande modulação por parte do
sistema nervoso autonômico, através dos barorreceptores arteriais (aórticos e carótdos),
cardiopulmonares e sistema renina-angiotensina aldesterona, (SMITH;KAMPINE, 1990).
Sabe-se que as respostas das variáveis cardiovasculares como as alterações da FC
(ROBINSON et al., 1966; RIBEIRO et al., 1991; GALLO JR et al., 1995; STEIN et al.,
2000; 2002), pressão arterial (PA), volume sistólico, volume diastólico final (USHIZIMA
et al., 2001), débito cardíaco3 (DC) (McARDLE et al., 1998) entre outras, ocorrem em
situações tais como a simples mudanças de posição corporal (ROWELL, 1986) ilustrado na
Figura 8, ou dos níveis de estresse físico (ARAI et al., 1989; RIBEIRO et al., 1991; STEIN
et al., 2000; COTTIN et al., 2002) e mental (BERNTSON et al., 1997). São elas mediadas

3
volume de sangue bombeado por um ventrículo por unidade de tempo e reflete a capacidade funcional do
sistema cardiovascular, sendo determinado conforme a FC multiplica-se pelo volume de ejeção
REVISÃO DE LITERATURA 8

pelo sistema nervoso autonômico (SNA), e têm por objetivo adequar o DC, ou seja, o fluxo
de sangue às áreas hierarquicamente mais importantes (ROWELL, 1986; GREEN et al.,
1992). O sangue arterial distribui cerca de 25 por cento (%) de seu oxigênio total aos
tecidos em repouso. A diferença oxigênio artéria venosa em repouso indica que há uma
reserva de oxigênio disponível para as necessidades respiratórias. Durante o exercício, esta
diferença aumenta, enquanto os tecidos extraem mais oxigênio, excedendo 85% de extração
de oxigênio do sangue em consumo de oxigênio máximo (VO2 max). (FROELICHER
1994). A Figura 1 apresenta o esquema da circulação sangüínea para as diversas regiões do
corpo comandado por duas potentes bombas distintas: Átrio e ventrículo direito (bomba de
baixa pressão) bombeiam sangue para os pulmões. Átrio e ventrículo esquerdo (bomba de
alta pressão) bombeiam sangue para a circulação sistêmica.

Figura 1 - Circulação sistêmica. A direção do fluxo sangüíneo desoxigenado (CO2 ) é


indicado pela seta azul; seguindo a seqüência numérica (1,2 e 3). A
direção do fluxo sangüíneo oxigenado (O 2 ) é indicado pela seta
vermelha, seguindo a seqüência numérica (4, 5 e 6).
REVISÃO DE LITERATURA 9

Durante a execução do exercício físico, as variáveis cardiorrespiratórias que


recebem informações de aferentes periféricos modificam-se com a finalidade de aumentar o
transporte de oxigênio e nutrientes aos músculos em atividade contrátil, para manter, ao
longo do tempo, a formação de adenosina trifosfato (ATP) e/ou restaurar as suas reservas
que foram consumidas durante as fases de contração anaeróbia (MACIEL et al., 1986).
Os ramos simpático e parassimpático do sistema nervoso autônomo exercem
marcante influência sobre o aparelho cardiovascular, traduzida pela regulação das
propriedades eletrofisiológicas e contráteis do coração e de diversas variáveis
hemodinâmicas. Em indivíduos que exercem atividade física atlética regular e competitiva,
o conhecimento do estado funcional autonômico cardíaco é de grande interesse e carece de
melhor caracterização (ASTRAND;RODAHL, 1987; TASK FORCE, 1996).
A freqüência cardíaca nos indivíduos normais é determinada pela freqüência de
descarga das células no nódulo sinus atrial (SA). Durante atividade física ou eventos que
desencadeiam emoções, a freqüência cardíaca aumenta na medida em que a atividade
nervosa parassimpática diminui e os estímulos simpáticos e catecolaminas circulantes
aumentam.
O aumento da FC em exercício físico gera uma elevação do débito cardíaco, um
aumento da contratibilidade miocárdica por incremento da estimulação simpática, bem
como uma maior participação da curva do mecanismo de Frank-Starling4 proporcionando
uma eficaz distribuição de oxigênio para os músculos (PIÑA et al., 2003).
De uma maneira geral, o sistema nervoso simpático (SNS) atua aumentando á
atividade cardíaca, elevando a freqüência de batimentos, a velocidade de condução do
estimulo elétrico e a força de contração do miocárdio. Já o sistema nervoso parassimpático
(SNP) promove o efeito inverso ao do SNS, pois possui ação depressora do conotropismo e
inotropismo (parâmetro determinado pelo estado contrátil intrínseco e extrínseco do
miocárdio gerado pelo nervo simpático cardíaco) (MACIEL et al., 1986).

4
Medida do desempenho ventricular, em função do enchimento para um dado nível de contratilidade; à
medida que a pressão arterial e o retorno venoso aumentam, o débito cardíaco inicialmente aumenta
proporcionalmente, a seguir horizontaliza-se e diminui.
REVISÃO DE LITERATURA 10

2.2 Estrutura cardíaca


O aumento no rendimento cardíaco máximo acompanhado de treinamento aeróbio é
o resultado do volume de pulsação melhorada com a máxima FC ligeiramente reduzida ou
inalterada. Enquanto o tamanho do coração é relativo ao corpo todo e fatores genéticos, o
volume de pulsação maior resultante do treinamento aeróbio são atribuídos ao aumento do
músculo cardíaco e à expansão total do volume de sangue durante o repouso e durante o
exercício (PELLICCIA et al., 1991). Contudo, a hipertrofia cardíaca é dependente do tipo
de exercício. Para indivíduos treinados aerobiamente têm um aumento de volume do
coração e diâmetro das cavidades com um aumento proporcional na espessura da parede
dos músculos (BONADUCE et al., 1998).
Hipertrofia cardíaca moderada reflete a fundamental e normal adaptação aeróbia de
treinamento induzida do músculo para um aumento de tarefa (carga de trabalho),
independente da idade (MOORE;PALMER, 1999). Esse aumento, caracterizado pela
dilatação da cavidade ventricular esquerda e uma hipertrofia ventricular modesta
permanecerá depois de cessados os treinos (HICKSON et al., 1995).

2.3 Sistema nervoso autonômico – SNA - (controle extrínseco)


O sistema nervoso autônomo provê inervação para o coração. Embora o
músculo cardíaco tenha um mecanismo intrínseco para a FC, influências neurais
sobrepõem-se ao ritmo inerente do miocárdio (TASK FORCE, 1996). Essas influências
originadas do centro cardiovascular da medula oblongata fluem através do sistema nervoso
simpático e componente parassimpático (vagal). Tais divisões operam em paralelo, mas
difere uma da outra devido às diferenças nos neuromediadores, receptores e ações
fisiológicas (BANNSTER, 1990). Todas as funções autonômicas são mediadas pela
liberação de substâncias químicas neurotrasmissoras que podem ser liberadas nos nódulos
ou na região periférica. Duas substâncias químicas são importantes como transmissores
químicos autonômicos: a acetilcolina e a noradrenalina. Elas são secretadas pelos neurônios
pós-gangliorares e atuam sobre os diferentes órgãos causando efeitos, respectivamente,
parassimpático ou simpático. Essas substâncias chamam-se mediadores colinérgicos e
adrenérgicos.
REVISÃO DE LITERATURA 11

A influência parassimpática na FC é mediada pela liberação de acetilcolina


pelo nervo vago. Receptores muscarínicos de acetilcoloina respondem a essas liberações,
principalmente por um aumento na permeabilidade da célula íons de potássio (K +)
(OSTERRIEDER et al., 1980; SAKAMANN et al., 1983). Isso provoca aumento da
negatividade no interior das fibras, efeito de hiperpolarização, o qual faz com que o tecido
excitável fique menos excitável. Esse estado de hiperpolarização diminui o potencial de
repouso da membrana do nodo SA para valor mais negativo (-85 a -90 milivolt - mV) que
o normal (-55 a -60mV). Portanto, a elevação do potencial de membrana do nodo SA
provocada pelo influxo de Na+ necessita de mais tempo para alcançar o potencial limiar
para excitação, o que diminui a freqüência da ritmicidade das fibras nodais. Se a
estimulação vagal é muito intensa, é possível parar a auto-ritmicidade desse nodo
(GUYTON;HALL, 2002). Entretanto a ativação vagal retarda a FC, aumentando o tempo
de condução átrio-ventricular, deprime a excitabilidade das fibras condutoras especializadas
e do miocárdio (TASK FORCE, 1996; JUNQUEIRA, 1998).
A influência simpática na FC é mediada pela liberação de norepinefrina e
epinefrina (OPIE, 1998).
A fibra pós-glanglionar simpática inerva o coração todo inclusive o nodo
sinoatrial (SA), átrio ventricular (AV) e o atrial e o ventricular miocárdio.

2.4 Sistema de condução elétrica cardíaca (controle intrínseco)


As contrações rítmicas do coração dependem do seu sistema elétrico que têm a
função de gerar e distribuir a corrente elétrica e garantir o seu funcionamento mecânico. O
sistema gerador é o nodo SA, local onde inicia o ciclo cardíaco5 . O nodo SA é um
aglomerado de células excitáveis especializadas, localizado na porção ântero-superior do
átrio direito (Figura 2); e funciona como um marcapasso natural do coração, determinado o
ritmo e a freqüência das batidas.

5
O conjunto dos fenômenos mecânicos que ocorrem nas fases da contração sistólica e do relaxamento
diastólico do coração constitui o ciclo cardíaco, e inclui alterações das dimensões e volumes atriais e
ventriculares, modificações das pressões no interior dos átrios e dos ventrículos, modificações da pressão
arterial sistêmica e pulmonar, modificações da pressão venosa sistêmica e pulmonar, e os movimentos de
fechamento a abertura das valvas intracardíacas.
REVISÃO DE LITERATURA 12

Do nodo SA, o impulso elétrico se propaga pelos átrios por feixes internodais e
provoca a sua contração, o que força a passagem do sangue para os ventrículos através das
válvulas mitral e tricúspide.
Para chegar aos ventrículos o impulso elétrico deve passar por uma estrutura
chamada nodo atrioventricular (AV), que também se constitui num aglomerado celular
excitável especializado, localizado na junção entre os átrios e os ventrículos, e funciona
como uma estação retransmissora de energia. Há uma pequena pausa durante a passagem
da onda para o próximo sistema (feixe de Hiss). Conecta os átrios com os ventrículos por
intermédio de um par de vias condutores denominadas ramos direito e esquerdo do feixe
átrio ventricular (feixe de Hiss), Ao atingir os ventrículos, essas vias condutoras se
ramificam em fibras cada vez menores, denominadas fibras de Purkinje, que representa
uma rede terminal de condução do impulso elétrico (cerca de cinco vezes mais rápido que o
músculo cardíaco normal) para o sincício6 ventricular estimulando-o e provocando a sua
contração (JUNQUEIRA, 1988).

Figura 2 - Sistema de condução elétrica cardíaca, através do nodo sinusal (SA) e sistema de Purkinje,
mostrando também o nodo atrioventricular, as vias atriais internodais e os ramos ventriculares
do Feixe de Hiss (GUYTON;HALL 2002).

6
Uma massa multinucleada de protoplasma produzida pela fusão de células formando uma rede.
REVISÃO DE LITERATURA 13

2.5 Função dos moduladores fisiológicos do sistema nervoso autonômico


As influências neurais sobre os componentes cardiovasculares se fazem de duas
maneiras: a) diretamente, a partir de estruturas situadas em todos os níveis do sistema
nervoso central (SNC), por meio das terminações nervosas autonômicas: eferente simpático
e parassimpático que fazem conexões com o coração e com o sistema vascular, b)
reflexamente por meio dos arcos reflexos de complexidade variada que envolve diferentes
partes do sistema nervoso, como a medula espinhal, o tronco cerebral, o hipotálamo, o
cerebelo e o córtex cerebral, as quais recebem informações aferentes procedentes de
diversos receptores espalhados pelo aparelho cardiovasculares e retornam respostas
modificadas pelo SNA (JUNQUEIRA, 1998). Dentre os mecanismos reguladores reflexos
destacam-se em importância, o reflexo barorreceptor, responsável pela estabilização e
normalização da pressão arterial em resposta à modificação aguda desta (NEGRÃO et al.,
2001). Foi proposto ser o principal mediador vagal entre a FC e a pressão sangüínea cujo
intervalo RR é alterado em resposta às mudanças da pressão arterial (ECKBERG, 1980). O
barorreceptor é o principal meio nervoso encontrado na parede do arco aórtico e nos sinus
da carótida; quando estimulado, resulta em uma redução da FC e contractilidade cardíaca e,
assim, uma queda da pressão sanguínea (NEGRÃO et al., 1992). O reflexo
quimiorreceptor ou metaborreflexo, que é regulador dos níveis sangüíneos de oxigênio e
gás carbônico, cuja ação acontece quando o oxigênio fornecido para ativar os músculos for
inadequado pela taxa presente do metabolismo, metabólitos acumulam e estimulam os
nervos sensores e o reflexo da resposta isquêmica cerebral, que contribui para a regulação
do fluxo cerebral, os reflexos gerados em mecanorreceptores ventriculares, que
influenciam a contratilidade do coração, a freqüência cardíaca, aumentando a atividade
simpática e a pressão arterial (ANSORGE et al., 2002).

O sistema renina-angiotensina têm sido proposto para modular funções nervosas


autonômicas em uma escala de tempo de segundos para minutos, indicando que o sistema
renina-angiotensina efetua o controle cardiovascular a curto-prazo.
As catecolaminas (epinefrina e norapenifrina) liberadas pelas glândulas supra-renais
em resposta à ativação simpática generalizada também produzem um efeito semelhante,
como estimulante simpático direto, porém, de ação mais lenta, sobre a função cardíaca. Já
as terminações nervosas das fibras parassimpáticas (nervo vago) se concentram nos nódulos
REVISÃO DE LITERATURA 14

sinoatrial e atrioventricular e nos músculos atriais. Sua estimulação libera acetilcolina, que
retarda o ritmo de descarga sinusal, diminuindo a freqüência cardíaca (ROWELL, 1986;
McARDLE et al., 1998).
As pequenas artérias, arteríolas e esfíncteres7 cardíacos recebem inervação das fibras
nervosas simpáticas adrenérgicas (noradrenalina) e parassimpáticas colinérgicas
(acetilcolina) que, quando estimuladas, promovem vasoconstrição e vasodilatação,
respectivamente, levando em consideração o fato de que qualquer vasoconstrição de
ativação simpática que esteja presente em um tecido ativo é sobrepujado rapidamente pela
poderosa vasodilatação induzida pelos co-produtos do metabolismo local (McARDLE et
al., 1998).
Dessa forma, os ajustes do sistema cardiovascular permitem a regulação rápida da
FC assim como a distribuição efetiva do sangue no circuito vascular em resposta às
necessidades metabólicas e fisiológicas do organismo (ROWELL, 1986; MITCHELL,
1990; McARDLE et al., 1998).

2.6 Eletrocardiograma
Os potenciais bioelétricos associados à atividade dos músculos cardíacos podem ser
registrados através de eletrodos de superfície, constituindo assim, o chamado
eletrocardiograma (ECG). Com o ECG, podem-se posicionar os eletrodos de captação em
diversas derivações. O ECG normal, cuja faixa de freqüência vai de 0,05 a 100 Hz, é
caracterizado pelos eventos periódicos (batimentos cardíacos) representados pelas ondas P-
QRS-T com amplitude de vários milivolts (COHEN, 1989), (Figura 3).
A atividade elétrica da célula miocárdica compreende a sucessão cíclica de dois
eventos: o potencial de repouso e o potencial de ação. No músculo ventricular o potencial
da célula em repouso é cerca de -85mV e têm seu valor aumentado para cerca de +20 mV,
durante cada batimento. O potencial de repouso da membrana da fibra sinusal têm
negatividade máxima entre apenas -55 a -60mV, em comparação com -85 a 90 mV para a
fibra muscular ventricular (GUYTON;HALL,2002).

7
Uma faixa anular de fibras musculares que constrange uma passagem ou fecha um orifício natural, podendo
ser constituídos de fibras musculares lisas e/ou estriadas; chamado também de esfíncter muscular.
REVISÃO DE LITERATURA 15

Funcionalmente, as células miocárdicas podem ser excitáveis. Isso significa que a


polarização basal de – 0,25mV pode ser alterada rapidamente e repetidas vezes.
Os canais iônicos da membrana (canais rápidos de sódio, canais lentos de cálcio-
sódio e canais de potássio) abaixo apresentados têm papel importante nas alterações de
voltagem do potencial de ação no músculo cardíaco.
Os sinais elétricos cardíacos são transmitidos por meio de potenciais de ação, em
três fases: a) fase de repouso: diz-se que a membrana está polarizada negativamente (-55
mV). Nesta fase, canais rápidos de sódio (Na+) estão inativados e tornar-se-ão carregados,
quando positivamente; b) fase de despolarização: a permeabilidade ao Na+ aumenta muito,
ou seja, vários canais de sódio (geralmente receptores) se abrem. Quando o potencial
alcança um valor limiar, canais de Na+ terminam de despolarizar a célula; c) fase de
repolarização: quando os canais de Na+ se fecham, as bombas de sódio-potássio
repolarizam novamente a célula. Quando os canais lentos de cálcio-sódio fecham, a
permeabilidade da membrana para os íons de potássio (K +) aumenta rapidamente e o
potencial de ação volta para seu valor de repouso (GUYTON;HALL, 2002)

O estímulo elétrico origina-se do nodo SA e prossegue para longe do nodo, de forma


concêntrica, em todas as direções, se difunde nas aurículas e produz o primeiro sinal
denominado “onda P” no ECG (BURTON, 1977).
O complexo QRS representa o início da contração ventricular (despolarização) cujo
impulso elétrico caminha do nódulo A-V para o Feixe A-V e daí para o ramo direito e
esquerdo do Feixe de Hiss, terminando nas fibras de Purkinje e nas células miocárdicas. A
ação física da contração ventricular dura (0,16 segundos aproximadamente) na verdade,
mais tempo que o complexo QRS (0,09 segundos), mas consideremos o complexo QRS
como representante da contração ventricular. A onda Q é a primeira deflexão, para baixo; a
seguir, vem uma deflexão para cima, que é a onda R e, muitas vezes, não existe a onda Q.
Em seguida, a onda S dirigida para baixo completa o complexo QRS que representa a
atividade da contração ventricular. Finalmente, a onda T representa a repolarização dos
ventrículos que podem ser novamente estimulados, dando origem a um novo ciclo cardíaco
(BURTON, 1977). Assim, a variabilidade da freqüência cardíaca pode ser estimada com
base nos intervalos entre os batimentos (intervalo RR), os quais são mais facilmente
REVISÃO DE LITERATURA 16

calculados como sendo os períodos entre ondas R consecutivas, ou intervalos RR. A


Figura 3, apresenta um sinal do ECG típico, destacando as ondas P, Q, R, S, e T, e
intervalo RR.
Assim, o sinal de VFC pode ser obtido diretamente do sinal de ECG e é baseado
nessa informação sobre os instantes das contrações cardíacas que se constrói o sinal RR, da
VFC e que descreve os batimentos consecutivos ao longo do tempo.

Figura 3 - Eventos no eletrocardiograma. A onda P corresponde à despolarização (estimulação) dos


átrios. O complexo QRS resulta da soma das ondas de despolarização dos dois
ventrículos, que superpõe, mas que não são sincronizadas, gerando uma onda de
grande amplitude. A onda T, por sua vez, corresponde à repolarização dos ventrículos.
A repolarização dos átrios não é visível no ECG, pois é sobreposta pelo complexo
QRS (BURTON, 1977).
REVISÃO DE LITERATURA 17

2.6.1 Variabilidade de freqüência cardíaca (VFC)


Variabilidade da freqüência cardíaca (VFC), termo em inglês conhecido
mundialmente como “heart rate variability” (HRV), é definida como a variação que ocorre
entre batimentos cardíacos sucessivos em ritmo sinusal (TASK FORCE, 1996), aplicado às
variações nas flutuações batimento a batimento do intervalo RR (iRR). Ela reflete o efeito
do tono simpático e parassimpático e outros mecanismos de controles fisiológicos nas
funções cardíacas.

2.6.2 Métodos de Análise da variabilidade da freqüência cardíaca


Os estudos da VFC analisam a variação entre os batimentos sinusiais sucessivos.
Todavia, como a onda P é de baixa amplitude e apresenta dificuldade técnica na sua
identificação, utiliza-se o pico da onda R como referência, justificando a sinonímia da
variabilidade do intervalo RR. O estudo da VFC permite analisar as oscilações que ocorrem
durante gravações eletrocardiográficas de curta duração (2, 5, 15 minutos) (SAYERS,
1973; PAGANI et al., 1986; MALLIANI et al., 1991) ou de longa duração (Holter 24
horas) (MALIK;CAMM, 1995). Entretanto, vários aspectos metodológicos ainda carecem
de padronização.
Nos últimos anos, observa-se um interesse crescente no desenvolvimento de
métodos que podem descrever o comportamento das oscilações cardiovasculares, e são
classificados como não-lineares e lineares (MORAES et al., 1999).
Uma classe de métodos de estimação espectral diz respeito aos métodos com base
nas distribuições Tempo-freqüência “Time-Frequency Distribution” (TFD).
Esses métodos são particularmente adaptados à análise de sinais não estacionários
uma vez que descrevem as modificações do conteúdo de freqüências do sinal com o tempo,
mapeando uma função unidimensional do tempo, noutra função bidimensional do tempo e
freqüência. Normalmente, a maior parte desses sinais está disponível num curto espaço de
tempo. São exemplos os sinais do ECG obtidos num teste de esforço físico máximo, ou no
caso de sinais de fluxo sanguíneo (sinal Doppler8 ), em que a velocidade do sangue varia
com o tempo, o que provoca não-estacionariedade do sinal. Os sinais com essas

8
Técnica usada por meio da ecocardiografia para medir o fluxo sangüíneo cardiovascular.
REVISÃO DE LITERATURA 18

características assumem normalmente a forma de seqüências de dados discretos, nas quais a


informação relevante aparece misturada com ruído e/ou efeitos aleatórios. Nessas situações,
para além da aplicação das técnicas de estimação espectral, há que se aplicar em técnicas
estatísticas por forma do sinal à informação relevante (MALPLAS, 1987). Dentre os vários
métodos existentes, optamos pela análise tempo-freqüência auto-regressiva (ATFAR),
ainda pouco explorados no estudo da análise da VFC e detalhados mais adiante.

2.6.3 Análise no domínio do tempo


Uma forma de avaliar o comportamento das oscilações cardiovasculares é calcular a
dispersão em torno da média da freqüência cardíaca por um período prolongado. Por
levarem em consideração o fator tempo e não o fator freqüência, como na análise espectral,
os índices derivados desse tipo de abordagem são conhecidos como índices no domínio do
tempo. Apesar de traduzirem de forma muito simplificada, o complexo comportamento do
sistema cardiovascular, esses índices fornecem informações relevantes.
Os índices utilizados até o momento, com as suas abreviações conhecidas
internacionalmente (TASK FORCE, 1996), estão representados nas figuras abaixo de forma
prática.

Figura 4- SDNN = desvio-padrão de todos os intervalos R-R, expresso em milissegundos (ms).

Figura 5 - SDANNi desvio-padrão das médias dos intervalos R-R, calculados em intervalos de cinco
minutos, expressa em ms.
REVISÃO DE LITERATURA 19

Figura 6 - SDNNi = média dos desvios-padrão dos intervalos R-R calculados em intervalos R-R de cinco
minutos, expressa em milissegundos.

Figura 7 - PNN50 = percentagem dos ciclos sucessivos que apresentam diferenças de duração acima de 50
ms. Neste exemplo equivale a 20 %, ou seja dos 10 intervalos RR adjacentes, apenas dois (o 2º e
o 8º) apresentam diferenças de duração superior a (+)50 ms.

Equação 1 – RMSSD = raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais
adjacentes, expressa em ms. Neste exemplo simplificado, é calculado por meio da equação
acima.

O índice de domínio de tempo mais amplamente usado é o intervalo RR médio. É


facilmente calculado mediante uma escolha adequada detectando-se o complexo QRS.
Outro parâmetro comumente usado é o SDNN (normalmente usado em holter 24-horas)
(Figura 4). Considerando-se essas variáveis refletem as influências parassimpáticas e
simpáticas em VFC (KLEIGER et al., 1992; MACOR et al., 1996). Em um estudo
marcante de Kleiger e colaboradores (1987), associaram-se os valores de SDNN < 50 ms
como preditores de mortalidade quando comparados aos pacientes com VFC preservada
(SDNN > 100 ms). Os outros parâmetros de domínio de tempo não ganharam muita
popularidade nos recentes anos.
O significado fisiológico desses índices, quando calculados por períodos longos de
tempo, têm sido estudado basicamente através da correlação com os achados da análise
REVISÃO DE LITERATURA 20

espectral (MYERS et al., 1986; BIGGIER et al., 1992). De uma forma geral, todos eles
correlacionam-se com os componentes de alta freqüência, mas não permitem distinguir
quando as alterações da variabilidade da freqüência cardíaca são devidas a um aumento do
tono simpático ou a uma retirada do tono vagal. Entre eles, RMSSD (Equação 1) e PNN50
(Figura 7) são os que apresentam melhor correlação com os componentes, entre 0,15 e 0,4
Hz do espectro de freqüência, traduzindo melhor a modulação vagal (VIBYRAL et al.,
1990; BIGGIER et al., 1992; EWING et al., 1984). SDNN e SDANNi (Figura 5)
correlacionam-se bem com os componentes de espectro de freqüência abaixo de 0,0033 Hz,
que seriam responsáveis pelo controle da freqüência cardíaca durante as flutuações muito
lentas, ligadas ao ritmo circadiano, durante os períodos de atividade e nas mudanças de
postura (KLEIGER et al., 1991), SDNNi (Figura 6) se correlaciona com os componentes
entre 0,0033 e 0,04 Hz do espectro de freqüência e é menos afetado pela atividade e por
mudanças de postura (MYERS et al., 1986).

2.6.4 Análise no domínio da freqüência


Também conhecido como densidade espectral da freqüência cardíaca, cada
complexo QRS é detectado e os intervalos entre batimentos considerados normais são
computados para a construção de uma série Temporal, uma representação gráfica da análise
espectral da VFC pode ser mostrada no sistema de dois eixos: no eixo horizontal, estão
representadas as diferentes bandas de freqüência (expressa em Hertz – que equivale a 1
ciclo por segundo), e no eixo vertical está representada a amplitude da curva, expressa
como densidade de potência milessegundos ao quadrado/Hertz (ms 2 / Hz), representado na
Figura 17 (c), pág 55. Os métodos para a análise espectral são classificados em
paramétricos (modelo de auto-regressão) e não paramétricos (transformação rápida de
Fourier), ambos com resultados similares, permitindo identificar e separar os diferentes
componentes de freqüências (as diferentes ondas) da série temporal. O método não
paramétrico, possui vantagem pela simplicidade de cálculo e velocidade de processamento
em relação ao método paramétrico.

A representação autonômica dos componentes no domínio da freqüência têm sido


estudada em animais e em seres humanos. Em relação à representação vagal, existe uma
REVISÃO DE LITERATURA 21

concordância entre diversos estudos, mesmo com metodologias distintas. O componente de


alta freqüência é mediado quase que exclusivamente pelo nervo vago, desaparecendo com o
bloqueio farmacológico (ASKELROD et al., 1981; RIBEIRO et al., 1991),
parassimpatectomia seletiva (RANDALL et al., 1991), e aumenta com a estimulação com
escopolamina (VYBIRAL et al., 1990). O componente de baixa freqüência – (LF) ainda é
controverso na literatura e está associado à atividade predominantemente simpática
(PAGANI et al., 1986; RIMOLDI 1990; BLOOMFIELD et al., 1995), mas com influências
do parassimpático, visto que diminuiu com bloqueio do nervo vago com atropina
(AKSELROD et al., 1981).
Os componentes de freqüência e suas origens fisiológicas identificados são os
seguintes (TASK FORCE, 1996):
a) Componente de alta freqüência (“High Frequency” - HF) - (0,15-0,4Hz) - existe
uma alta correlação entre os componentes de alta freqüência e a freqüência respiratória
(FR). Estes componentes não são afetados pelo uso de beta-bloqueadores, mas são
drasticamente reduzidos pela vagotomia bilateral. Portanto, os componentes de HF
correspondem às variações da freqüência cardíaca relacionadas com o ciclo respiratório
(arritmia sinusal respiratória), modulação Parassimpática.

b) Componente de baixa freqüência (“Low Frequency” - LF) - (0,04 a 0,15 Hz) -


mediado pelo sistema nervoso simpático e parassimpático, com predominância simpática
em algumas situações específicas e que reflete as oscilações do sistema termorregulação,
tono vasomotor e sistema renina angiotensina-aldosterona.
Sugere-se que a variabilidade da FC a 0,1 Hz (LF) depende do reflexo barorreceptor
ativado por flutuações na pressão arterial (SAYERS et al., 1973; AKSEROLD et al., 1981).

c) Componente de freqüência muito baixa (“Very Low Frequency” – VLF) – A


faixa de freqüência está compreendida de 0,003 a 0,04Hz, com freqüência menor que 3
ciclos por minuto. Alguns autores (POMERANZ et al., 1985; AKSELROD et al., 1985)
descrevem-na como dependente, tanto da ação do sistema nervoso simpático como do
parassimpático, mas o próprio Akselrold et al (1985) também acreditam que possa estar
ligada ao controle termorregulador e vasomotor, enquanto, Lindkvist et al (1989) apud
REVISÃO DE LITERATURA 22

Long at al (1995) acreditam que essa banda de freqüência é influenciada pelo sistema
renina-angiotensina-aldesterona;

d) Componente de freqüência ultrabaixa (“Ultra Low Frequency” - ULF) sua banda


de freqüência menor que 0,003 Hz, não têm seu significado fisiológico ainda bem
esclarecido. Essa banda sofre a influência do parassimpático e simpático e, obviamente,
não está presente nos registros de curta duração. Parece estar relacionada com o sistema
neuroendócrino e ritmos circadianos, dentre outros.

Outra medida muito utilizada é a relação LF/HF, a qual pode fornecer informações
úteis sobre balanço entre os sistemas simpático e parassimpático.
A medida de componentes é feita normalmente em valores absolutos (ms2 ). LF e HF
também podem ser medidos em unidades normalizadas (u.n) em proporção às quais
representam o valor relativo de cada componente do poder de densidade espectral da
seguinte forma: PSD total menos o PSD VLF, dividido por PSD LF ou HF vezes 100, igual
a LFun ou HFun (PAGANI et al., 1986; MALLIANI et al., 1991).

2.7 Algoritmo utilizado para Análise Tempo-Freqüência do sinal VFC


As técnicas de análise no domínio do tempo e da freqüência não permitem ao
pesquisador observar como as influências simpática e parassimpática do sistema nervoso
autônomo sobre o nódulo sinoatrial variam ao longo do tempo, uma vez que os índices
obtidos com a análise clássica refletem o resultado da análise global de um intervalo RR
(BARTELS et al., 2003; CARVALHO et al., 2003).
A Análise estatística do sinal RR traz informações sobre a dispersão dos intervalos,
ou seja, faz uma medida da variabilidade dos intervalos RR em um dado intervalo de
tempo. Já a análise espectral permite mensurar as influências simpática e parassimpática do
sistema nervoso na freqüência cardíaca, uma vez que o ramo parassimpático tem respostas
mais rápidas que o simpático, tornando possível distinguir suas influências devido ao
espectro em faixas de freqüência (BARTELS et al., 2003).
Nenhuma dessas técnicas (clássicas), porém, permite verificar de maneira clara (ver
espectrograma Figura 8 pág 25), como e quanto o equilíbrio simpático parassimpático
REVISÃO DE LITERATURA 23

varia ao longo do tempo, ao contrário da análise Tempo-Freqüência da VFC descrita mais


adiante, ferramenta desenvolvida para observar de forma direta como o sistema nervoso de
uma pessoa reage a um estímulo qualquer.
A utilização da análise Tempo-Freqüência no estudo da VFC traz uma série de
novos protocolos experimentais, podendo ser útil para entender melhor como o SNA
modula a freqüência cardíaca.

2.7.1 Distribuições Tempo-Freqüência (DTF)

Os métodos de estimação espectral baseados nas distribuições tempo-


freqüência permitem localizar a energia do sinal, tanto no tempo como na
freqüência (COHEN, et al., 1989), não requerendo que os sinais em análise sejam
estacionários no segmento de tempo em consideração. Os valores adquiridos
através da DTF na superfície acima do plano tempo freqüência dão uma indicação
de quais componentes espectrais se encontram presentes em cada instante
temporal.

As distribuições DTF são métodos alternativos à “Fast Fourier Transform”


(FFT), que foram descritos na literatura e que são especialmente vocacionados para
a análise de sinais não estacionários. Desses métodos, destacam-se os chamados de
distribuições de Wigner-Ville (WVD) (BOASHASH et al., 1987), Choi-Williams
(CWD) (CHOI et al., 1989), e distribuição de Bessel (BD) (GUO et al., 1994). Apesar
das muitas vantagens desses métodos em relação ao método clássico baseado na
FFT, têm uma desvantagem fundamental em relação a este, que se traduz na
elevada carga computacional que requerem. Assim, são difíceis de utilizar quando
é necessário efetuar uma análise do sinal em tempo real.

O que se propõe neste trabalho é a utilização do espectrograma baseado no


modelo Auto-Regressivo, que têm boa resolução tempo-freqüência e, em geral,
fornece gráficos mais claros e objetivos que o espectrograma de Fourier.
REVISÃO DE LITERATURA 24

2.7.2 Espectrograma Auto-Regressivo


No escalograma, a resolução freqüencial está diretamente ligada à escala, ou à faixa
de freqüência que está sendo analisada. Já no espectrograma de Fourier, a resolução está
relacionada com o comprimento da janela usado para segmentar o sinal. Quanto maior a
janela, melhor a resolução espectral. No entanto, com janelas longas não se têm uma boa
resolução temporal, tornando a análise tempo-freqüência menos eficiente, mas com o
modelo auto-regressivo, a resolução freqüência, apesar de também ser afetada pelo
comprimento da janela, é determinada principalmente pela ordem do modelo (MARPLE,
1987).
A análise tempo-freqüência da VFC baseada na modelagem AR já foi proposta por
um grupo de engenheiros biomédicos italianos, mas a técnica utilizada por eles é
ligeiramente diferente da usada neste trabalho. Na proposta original, não há interpolação do
sinal de VFC. Os coeficientes do modelo AR são atualizados a cada batimento, sendo
estimados com base no novo intervalo e nos coeficientes anteriores (CARVALHO et al.,
2003).
O espectrograma Auto-regressivo, no entanto, ou espectrograma AR pode ser
calculado de maneira mais simples e mais precisa, utilizando interpolação por “splines”
cúbicas (CARVALHO et al., 2002a). O que se propõe é construir o espectrograma AR de
maneira análoga ao que se constrói o gráfico baseado na “Short Time Fourier Transform”
(SFTF), mas utilizando o modelo AR no lugar da Transformada de Fourier. Com isso,
evitam-se as aproximações causadas pelo uso de um fator de esquecimento, como na
técnica italiana, além de evitarem-se as distorções devido à amostragem não uniforme do
sinal RR.
A principal vantagem do espectrograma AR é que a resolução freqüencial é pouco
afetada pelo tamanho da janela (MARPLE, 1987). Dessa forma, consegue-se boa resolução
espectral (Figura 8 )e melhora à medida que se aumenta a ordem do modelo.
REVISÃO DE LITERATURA 25

Figura 8 - Espectrograma AR, exemplos do comportamento do sistema nervoso autônomo (simpático e


parassimpático) em dois momentos diferentes: em (A) representa um individuo em
repouso na posição sentado, em (B), na posição deitado.

Figura 9 - Significado das cores apresentadas nos espectrogramas.


REVISÃO DE LITERATURA 26

Para podermos entender melhor o significado do espectrograma através das cores,


devemos observar nas linhas horizontais (negrito) do espectrograma (Figura 8) que fazem
as separações das bandas de freqüências, olhando de baixo para cima, seguem as seguintes
ordens: VLF, LF e HF no espectrograma e, no eixo vertical, estão definidos os valores das
bandas de freqüências que vão de 0,004 a 0,4 Hz. Após, basta observar qual(is) cor(es),
podem atuar no instante(t) em que vão representar o grau da intensidade da energia (quando
houver) das determinadas freqüências espectrais. Com essa representação (Figura 9),
caracteriza-se a Análise Tempo-Freqüência.

2.8 Efeito do destreinamento e do treinamento aeróbio na VFC


Aptidão física ruim e falta de atividade física (sedentarismo) foram associadas a um
risco duas vezes maior de morte cardiovascular (EKELUND et al., 1988, BLAIR et al.,
1989; KESANIEMI et al., 2001; LAUKKANEN et al., 2001; MYERS et al., 2002).
Estudos prévios também mostraram que a boa aptidão física (efeito do treinamento aeróbio)
atua no sistema nervoso autonômico, provocando aumento da atividade parassimpática e
concomitante redução da atividade simpática (FLETCHER et al., 1995), manifestada
clinicamente pela menor freqüência cardíaca e pressão arterial de repouso (DAVY et al.,
1997; CHACON-MIKAHIL et al., 1998). Além da bradicardia sinusal, que é prevalente em
atletas treinados aerobiamente, alterações da condução atrioventricular têm sido
encontradas no eletrocardiograma de repouso de alguns atletas (BONADUCCE et al., 1998;
RIBEIRO, 1999; STEIN, et al., 2000; 2002).
Diante desses fatos é possível que atividade física exerça também influência nos
diversos índices da VFC (GOLDSMITH et al., 1992). Alguns estudos demonstraram uma
correlação direta da VFC com o aumento da capacidade aeróbia (GOLDSMITH et al.,
1992; DE MEERSMAN, 1993; STEIN et al., 1999). Entretanto outros obtiveram resultados
diferentes (SACKNOFF et al., 1994; LAZOGLU et al., 1996; MIGLIARO et al., 2001).

O efeito do treinamento aeróbio a longo prazo foi associado ao aumento da


variabilidade da FC especialmente com a freqüência sinus respiratória (FSR) mediada pelo
vagal, observado durante gravações curtas (2 a 10 minutos) do sinal da VFC em situação de
repouso (De MEERSMAN, 1992; SHI et al., 1995; LEVY et al., 1998; CARTER et al.,
REVISÃO DE LITERATURA 27

2003; COTTIN et al., 2004a) ou durante gravações dinâmicas por longo prazo (24 horas de
sinal) (PIGOZZI et al., 2001). Ao contrário, outros estudos controlados não têm mostrado
qualquer associação entre treinamento aeróbio e variabilidade da FC durante as gravações
curtas (MACIEL et al., 1985) ou gravações mais longas (LOIMAALA et al. 2000).
Diversas razões ou mecanismos podem explicar os resultados controversos dos
estudos da VFC após os exercícios aeróbios. Adaptações a longo prazo para os
treinamentos aeróbios regulares resultam de uma complexa combinação de fatores de
reações bioquímicas, estrutural, metabólico, fator humoral e neural (FURLAN et al., 1993).
Recebem também influências de modulação adicionais ao exercício físico dinâmico outros
fatores como: 1) genéticos e somáticos (sexo, idade, peso, altura, massa magra, massa
gorda, tipo e qualidade de fibras musculares); 2) hábitos alimentares (quantidade e
qualidade dos alimentos); 3) estado de saúde; 4) fumo; 5) ingestão de bebida alcoólica; 6)
ciclo circadiano (horário do dia); 9) condições ambientais em que o exercício é realizado
(temperatura, umidade relativa do ar, pressão barométrica); 10) tipo de exercício (dinâmico
e/ou estático, etc.); 11) condições nas quais ele é realizado (quantidade de massa muscular
envolvida, percentual de força de contração, ângulo da articulação, posição de decúbito,
etc., e protocolo utilizado) (HICKSON et al. 1985; HAYANO et al. 1990; GALLO JR et al.,
1990; MOLGAARD et al., 1991; GALLO JR et al., 1995; PAGANI et al., 1995; RYAN et
al., 1996; HEPPLE, 2000; STOLARZ et al., 2003; CARTER et al., 2003).

A taquicardia que o exercício dinâmico provoca tem sido amplamente estudada em


modelos animais e humanos (ROBINSON et al., 1966; GALLO et al., 1995, RIBEIRO,
1999). No exercício, com aumento progressivo de cargas, a FC aumenta de forma
oscilatória com um aumento lento inicial, seguido de uma fase de aumento linear e em
cargas muito elevadas, pode apresentar estabilização. Robinson et al (1966), Ekblom et al
(1972), Ribeiro et al (1991) demonstraram, através de bloqueio farmacológico em
humanos, que o sistema nervoso parassimpático apresenta uma retirada progressiva em um
teste máximo. Além disso, sugeriram que o estímulo simpático ao nodo SA também
aumentava progressivamente até o esforço máximo (ROBINSON et al., 1966; EKBLOM,
et al., 1972; LEWIS et al., 1980). Entretanto, o bloqueio simpático não foi completo nas
cargas elevadas, persistindo dúvidas sobre o papel do sistema nervoso simpático em cargas
REVISÃO DE LITERATURA 28

elevadas de trabalho. Além de seu efeito agudo, a prática regular de exercício é capaz de
influenciar o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático num período mais
longo. Atletas condicionados aerobiamente apresentam uma freqüência cardíaca mais baixa
em repouso e em cargas submáximas de exercícios (RIBEIRO et al., 1991).
Negrão e colaboradores (1992) acreditam que a bradicardia em treinados possa ser
dependente das alterações das células do marca-passo (nodo SA), fato que pode ser
atribuído a uma redução da freqüência cardíaca intrínseca. Entretanto, até o presente,
controvérsias ainda persistem no que diz respeito à possível contribuição de cada um desses
fatores no controle da freqüência cardíaca em atletas.
Nos trabalhos onde foram estudadas a regulação da FC em diferentes estágios do
exercício demonstraram que, nos exercícios leves inferiores às correspondentes ao limiar
ventilatório 1 (LV1), a retirada vagal parece ser o único mecanismo responsável pela
taquicardia induzida pelo exercício. A retirada da atividade vagal ocorre rapidamente no
início do exercício (10 a 20 segundos), seguido por uma tendência de estabilização após o
primeiro minuto do exercício, mediada pela retomada vagal (RIBEIRO et al., 1991).
Estudos têm demonstrado que a retirada vagal que ocorre no início do exercício é
decorrente dos impulsos aferentes da região do córtex motor e dos mecanorreceptores sobre
a área cardiovascular no bulbo (MITCHELL, 1990; WILLIAMSON et al., 1995). A
irradiação cortical no centro do vaso motor intensifica a descarga adrenérgica no coração e,
simultaneamente, provoca inibição da atividade vagal. Se o exercício dinâmico está com
uma freqüência cardíaca menor que 100 batimentos por minutos (bpm), a atividade
simpática do coração não aumenta, sugerindo que a taquicardia acontece somente devido à
redução na harmonia parassimpática (VICTOR et al., 1987), enquanto que a intensificação
simpática sobre o coração têm sido explicada pela ação das catecolaminas circulantes
(ROWELL, 1986) e pela ação metaborreflexora aferente iniciada na musculatura
esquelética ativa (MITCHELL, 1990; IDDLEKAUFF et al., 1997; ANSORGE et al., 2002).
Todos esses mecanismos agem em sintonia, para atender à demanda metabólica na
musculatura esquelética ativa.
No exercício com esforços acima do LA, o aumento lento e linear da FC se deve à
estimulação simpática e essa estimulação aumenta de intensidade, proporcionalmente ao
aumento do nível de esforço (ROBINSON et al., 1966). Vale ressaltar que a taquicardia que
REVISÃO DE LITERATURA 29

ocorre nos primeiros segundos do exercício físico é mediada pela retirada vagal,
independente do nível de esforço (MACIEL et al., 1986; YAMAMOTO et al., 1991a;
GALO JR et al., 1995; TULLPO et al., 1996).

Alonso e colaboradores (1998), estudando o efeito do impacto metabólico sobre o


comportamento de FC e de sua variabilidade (VFC), durante exercício físico progressivo do
tipo degrau máximo, verificaram um aumento da FC concomitante ao da intensidade de
esforço e uma diminuição progressiva da VFC até a intensidade do exercício em que foi
caracterizado o LA. A partir desse ponto, os autores observaram que a VFC mantém-se
inalterada, sugerindo que a sua diminuição ocorre em fase do exercício com predomínio do
metabolismo anaeróbio, concomitante ao aumento da FC, medida pela diminuição
crescente da atividade vagal e predomínio da atividade simpática.
Como pode ser observado, o LA, além de ser um determinador das mudanças
fisiológicas, altera a atividade do sistema nervoso autonômico, principalmente da eferência
simpática sobre o coração e os vasos sangüíneos, modificando as respostas (GALLO JR et
al., 1996).

Os limiares Podem ser identificados por vários métodos, invasivos e/ou os não
[Link] (1984) afirma que há crescimento acentuado do lactato plasmático,
de forma exponencial, no momento do LA e refere-se ainda a um método direto e não
invasivo na determinação do LA por meio da análise das variáveis ventilatórias (uso da
ergoespirometria) produção de dióxido de carbono (VCO2 ), consumo de oxigênio (VO2 ) e
ventilação pulmonar (VE). Segundo aquele autor, durante a realização de exercício
dinâmico contínuo e incremental, observam-se nessas variáveis, pontos de mudanças que
podem ser caracterizados como o momento do LA, quando ele é identificado no momento
em que se observa um aumento desproporcional da ventilação pulmonar e da produção de
dióxido de carbono, relativamente à elevação linear do consumo de oxigênio
(WASSERMAN et al., 1999).
O limiar anaeróbio (LA) ou limiar ventilatório (LV), por ser um parâmetro
fisiológico, geralmente expresso em potência (w), carga (km/h) FC ou VO 2 são obtidos em
níveis submáximo de exercícios dinâmicos e podem ser determinados em duas situações:
REVISÃO DE LITERATURA 30

no LV1 e no LV2 por assumirem diferentes características durante o exercício progressivo


máximo. O aumento desproporcional da VE em relação ao aumento do VO 2 leva a um
aumento sistêmico do VE/VO2 mas essa relação mantém-se estável, enquanto as reservas
de bicarbonato forem suficientes para impedir a redução acentuada do PH sangüíneo. Essa
intensidade de exercício foi chamada de LV1. O aumento progressivo das cargas provoca
acúmulo de ácido láctico superior à capacidade de tamponamento, fazendo com que os
sistemas envolvidos trabalhem para tentar compensar a acidose metabólica. Quando ocorre
o aumento desproporcional da VE (hiperventilação), em resposta ao aumento da VCO2
resultante do tamponamento do ácido láctico formado pela aceleração do metabolismo
anaeróbio, essa intensidade denomina-se LV2, ou seja é identificado imediatamente abaixo
da hiperventilação (WASSERMAN;MCILROY, 1964).
Esse método correlaciona-se muito bem com o método do lactato em amostras
repetidas de sangue. Um aumento no equivalente ventilatório para oxigênio (VE/VO2 )
durante o exercício, sem uma mudança correspondente no equivalente ventilatório para
dióxido de carbono (VE/VCO2 ), foi indicado também como sensível e confiável para
determinar o LA.
Por ser um método não invasivo e de fácil determinação, têm grande importância
nas pesquisas relacionadas ao esporte e lazer, na medicina preventiva e de reabilitação,
especialmente nas áreas de cardiologia e de peneumologia (WASSERMAN;MCILROY,
1964; DAVIS et al., 1979; WASSERMAN, 1990; BARROS NETO et al., 2001).

A identificação dos limiares anaeróbios por método invasivo pode ser realizada a
partir da dosagem da concentração de ácido láctico sangüíneo coletado por cateteres em
veias (STAMFORD et al., 1981; CAIZZO et al., 1982) ou artérias (KUTTINGER, 1962;
WASSERMAN et al., 1964; EKBLOM, et al., 1968) ou, por meio de pequenas amostras
obtidas da polpa dos dedos (BELCASTRO;BONEN, 1975) ou do lóbulo da orelha (BUNC
et al., 1995).

Esse interesse em estudar a VFC em indivíduos com maior capacidade aeróbia,


representada por maiores valores de consumo de oxigênio máximo (VO2 máx ), ou estudos
longitudinais envolvendo o treinamento aeróbio, têm argumentos importantes como
demonstram os estudos de Goldsmith et al (1992), De Meersman (1993), Puig et al (1993),
REVISÃO DE LITERATURA 31

Sacknoff et al (1994), Bonaduce et al (1998), Hedelin et al (2000), Pichot et al (2002),


Cottin et al (2002) e Tulppo et al (2003) que encontram maior oscilação temporal entre os
espaços RR normais e maiores valores de PSD total nesses indivíduos, o que pode
representar maior proteção a determinados problemas de ordem cardiovascular. Tulppo et
al (1998b) mostrou que o nível de intensidade de exercício ao qual a flutuação vagal do iRR
desapareceu era significativamente mais alto em voluntários com boa aptidão física
comparada a esses com outro grupo de aptidão física ruim.
Os efeitos do exercício aeróbios sobre as adaptações centrais adquiridas com o
treinamento físico estão diretamente relacionados ao débito cardíaco, o qual sofre
modificações em função da adaptação da freqüência cardíaca e do volume sistólico.
A (Figura 10) mostra um resumo dos possíveis mecanismos envolvidos na
adaptação do VO 2max em indivíduos treinados em paralelo com destreinados.
REVISÃO DE LITERATURA 32

Figura 10– Modelo dos mecanismos envolvidos na adaptação do consumo máximo de oxigênio em treinados
em paralelo com os dos destreinados.

2.8.1 Variabilidade da freqüência cardíaca durante o exercício físico dinâmico


Mudanças na modulação autonômica de FC durante exercício foram
tradicionalmente processados por medidas espectrais da VFC (ARAI et al., 1989,
YAMAMOTO et al., 1991a; NAKAMURA et al., 1993). Porém, o uso desses índices em
exercício mostrou resultados contraditórios, especialmente durante altas intensidades do
exercício físico dinâmico (ARAI et al., 1989; RIBEIRO et al., 1991; YAMAMOTO et al.,
1991a; NAKAMURA et al., 1993; CASADEI et al., 1995; CASADEI et al., 1996;
GREGOIRE et al., 1996; TULPPO et al., 1996; WARREN et al., 1997; TULPPO et al.,
1998b; PERINI;VEICSTEINAS, 2003). Por exemplo, alguns estudos mostraram a relação
da razão LF/HF aumentar (YAMAMOTO et al., 1991a; NAKAMURA et al., 1993;
CASADEI et al., 1996; GREGOIRE, 1996) durante o exercício, considerando que, em
outros estudos, a relação da razão LF/HF é diminuída (BREUER et al., 1993, COTTIN et
al., 2004b).
REVISÃO DE LITERATURA 33

Os resultados controversos podem ser devido às diferenças nas unidades ou métodos


de análise espectral. A variabilidade da freqüência cardíaca representa um marcador da
atividade autonômica e têm sido utilizada como índice do balanço simpático-vagal (TASK
FORCE, 1996).
O exercício físico é um modelo apropriado para o estudo de índices da VFC, uma
vez que, nessa situação, a modulação autonômica da freqüência cardíaca é obtida pela
retirada da atividade vagal e o aumento da atividade simpática (RIBEIRO, 1999).
A variação da freqüência de amostragem provocada durante exercício é outro fator
importante para descoberta precisa das flutuações do iRR que podem contribuir com os
achados controversos. Uma vez que a discrepância total do iRR diminui progressivamente
as taxas de trabalho crescentes, a presença de componente(s) não neural(is) de arritmia de
sinus respiratória conduziria à uma super estimação da atividade de vagal, o que poderia
explicar o comportamento do parâmetro espectral em parte durante exercício pesado
(CASADEI et al., 1996; COTTIN et al., 2004b).
Em resumo, vários estudos prévios mostraram a fraca influência de medidas da VFC
convencional para revelarem mudanças na modulação autonômica da FC a intensidade de
exercício menor que 70% do VO 2max. (YAMAMOTO;HUGHSON, 1991b; CASADEI et
al., 1995; TULPPO et al., 1996; WARREN et al., 1997; TULPPO et al., 1998b). A
influência das propriedades de correlação fractal da VFC para revelar mudanças no
comportamento da FC durante exercício de alta intensidade não é conhecido.

2.8.2 Variabilidade da freqüência cardíaca durante a recuperação


Recuperação da regulação autonômica da FC têm sido proposta a curto prazo
dentro de alguns minutos (aproximadamente de 10 a 20 min) depois do exercício máximo
ou submáximo (ARAI et al., 1989; PERINI et al., 1989;
KANNANKERIL;GOLDBERGER, 2002). O efeito parassimpático na recuperação têm
sido proposto como um mecanismo subjacente (ARAI et al., 1989; PERINI et al., 1989;
SUGAWARA et al., 2001; KANNANKERIL;GOLDBERGER, 2002).
A recuperação lenta da FC depois do exercício dinâmico máximo ou submáximo à
curto prazo é considerado preditor poderoso de mortalidade global com base em dados
populacionais (COLE et al., 1999; 2000; NISSINEN et al., 2003). Dados experimentais
REVISÃO DE LITERATURA 34

mostraram que a atividade vagal previne a fibrilação ventricular de isquemia induzida


depois dos exercícios (SCHWARTZ et al., 1984; VANOLI et al., 1991), e esses
exercícios de treinamento dão proteção antecipatória contra mortes repentinas pelo
melhoramento da função vago cardiovascular (HULL et al., 1994).

2.8.3 Interações cardiorespiratórias no controle VFC


Interações cardiorespiratórias também têm sido investigadas por análise espectral. O
padrão de respiração têm forte efeito sobre a HF-VFC em indivíduos em repouso, com a
energia na banda HF decrescendo quando a freqüência respiratória (FR) aumenta e apenas,
quando o volume corrente (tidal volume - TV) aumenta (HIRSCH;BISHOP, 1981).
Pomeranz et al (1985) considerou o pico HF como uma estimação quantitativa da arritmia
do sinus respiratório que é afetado pela FR e o TV. O efeito da intensidade de exercício
sobre o padrão de respiração também é bem conhecido. Em baixos níveis de exercício,
aumentar a intensidade do trabalho acarreta um aumento somente na FR com o TV
permanecendo constante (CLARK et al., 1983; BEAVER et al., 1986). Além disso, durante
exercício incremental, um aumento no tono simpático e a interrupção da atividade
parassimpática foram associados a uma redução tanto nos componentes LF quanto HF-VFC
quando FC, FR e TV aumentaram (COTTIN et al., 1999; MACOR et al., 1996). Contudo, o
controle cardiovascular autonômico não é o único mecanismo que induz a VFC. Por
exemplo, estudos prévios de receptores de transplante do coração mostraram um esperado
desaparecimento de VFC em repouso, devido à completa desenervação (ARAI et al., 1989;
BERNARDI et al., 1989). Entretanto, durante exercício, a VFC apareceu inesperadamente e
foi relacionado ao efeito da respiração (ARAI et al., 1989).
Em indivíduos saudáveis, durante exercício intenso, isto é, a um ritmo de trabalho
maior do que a força no limite ventilatório, fenômeno conhecido como “arritmia sinus
respiratória”, o controle cardíaco vagal não é mais efetivo (ROWELL, 1997).
Embora a retirada vagal seja conflitante com um incremento em HF-VFC, a
hiperventilação induzida por exercício intenso poderia ser o resultado de um efeito
mecânico nodo SA, induzindo um aumento em HF-VFC (tal qual em receptores de
transplante do coração). Durante a fase de inspiração, a expansão da caixa torácica induz
um decréscimo na pressão intratorácica que, por sua vez, incrementa o retorno venoso e,
REVISÃO DE LITERATURA 35

conseqüentemente, incrementa o preenchimento do ventrículo direito (ROWELL, 1997).


Esse incremento induz um alongamento (crescimento) do nodo SA provocando um
incremento na atividade do nodo SA e um incremento na FC (COTTIN et al., 2002).
Durante a fase de expiração, o esvaziamento dos pulmões provoca o efeito oposto,
com um decremento na FC. De acordo com essa hipótese, outros mostraram que o nodo SA
poderia, de fato, trabalhar como um receptor alongado (KOHL et al., 1992).

A VFC é portanto um método que cada vez mais acresenta qualidade ao diagnostico
da aptidão física e à monitorização do treinamento de atletas, permitindo inclusive que se
introduza o conceito básico do treinamento cientifico que é o respeito à individualização
biológica do Atleta.
3. MATERIAL E MÉTODOS
MATERIAL E MÉTODOS 37

Os testes foram realizados no Laboratório Avaliação de Esforço Físico da Universidade


do Vale do Paraíba. Os protocolos experimentais foram realizados sempre no mesmo
horário, levando-se em consideração as influências do ritmo circadiano e, se, em período
pós-prandial, observou-se um intervalo de 2 a 3 horas após uma refeição leve.
Foi mantido um número mínimo de pessoas na sala para não haver interferência no
estado emocional dos voluntários.

As condições ambientais experimentais (AFS-SED) foram controladas e mantidas em


uma temperatura média de 23 ± 0,76 o C, umidade relativa do ar média de 58 e a pressão
barométrica média foi de 710 ± 1,63 mmHg (tabela III, Anexo D).

3.1 Aspectos Éticos


Atendendo às normas de conduta em pesquisa experimental com seres humanos,
procedimento este estabelecido pelo Ministério da Saúde, resolução número 196/96, este
trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Paraíba –
UNIVAP, segundo parecer ¹ L034/2003/CEP (Anexo A). Os voluntários foram
informados e esclarecidos a respeito dos objetivos e da metodologia experimental a que
seriam submetidos, esclarecido o caráter não invasivo e nos casos de aceitação plena, foram
assinados termos de consentimento formal de participação no estudo.
MATERIAL E MÉTODOS 38

3.2 Critério de inclusão


O(s) voluntário(s) que:

• Após receberem as informações e instruções iniciais, tenham concordado e


assinado o termo de consentimento (Anexo B);
• Estiverem no programa de treinamento físico há mais de um ano e participarem
de, no mínimo três sessões de treinamento físico e/ou específico por semana para
os atletas;
• Estiverem sem praticar atividade física há mais de seis meses para os
sedentários;
• Não tabagistas;
• Não etilistas;
• Não obesos (peso gordo < 21 %) adaptado de Golding et al (1989);
• Não usuários de drogas que causem dependências químicas;
• Tiverem ausência de anomalidades dos sistemas cardiovascular, respiratório ou
músculo-esquelético;
• Sem história clínica de doenças de Chagas, diabetes Mellitos, dislipidemias e
hipertensão;
• Maiores que 16 anos e menores que 20 anos de idade;
• Não estiverem tomando nenhum medicamento que venha a comprometer o teste;
• Estiverem sem impedimento médico.

3.3 Coleta de dados dos atletas


Os 26 indivíduos foram divididos em 2 grupos (G), como a seguir:
1) G1: foi constituído por 13 voluntários, com idade entre 16 a 20 anos, atletas de
Futsal da Associação Esportiva São José - AESJ - de São José dos Campos – SP
Categoria Juvenil de Futsal (AFS), participantes há, pelo menos um ano, e sem
interrupções nessa modalidade. Esses aspectos foram levados em consideração, de
acordo com critérios de inclusão aos voluntários AFS a participarem do estudo. Os
dados foram coletados na ultima semana do período preparatório. Abaixo está
descrito o período preparatório em que os atletas de Futsal se encontravam.
MATERIAL E MÉTODOS 39

3.3.1 Periodização do período preparatório


A comissão técnica da equipe AESJ, categoria Juvenil de Futsal teve 40 dias para
trabalhar com a equipe durante o período preparatório (tempo para treinar com a equipe
completa antes de se iniciar o Campeonato Estadual), que, no presente estudo foi divido em
fase básica (também conhecido como fase de preparação geral) e fase específica (também
denominada de fase especial).
Para a fase básica foram utilizados 16 dias de treinamentos e, para a fase específica
foram utilizados, 24 dias.

[Link] Fase Básica


Durante a fase básica do período preparatório da equipe de Futsal, procurou–se
enfatizar os trabalhos para a otimização da resistência aeróbia, resistência muscular,
flexibilidade, coordenação (exercícios coordenativos para o aperfeiçoamento dos
deslocamentos em geral) e trabalho técnico, que visou principalmente os fundamentos
controle de bola, deslocamentos com bola, passes, etc. Durante a fase básica, também já
ocorreram alguns estímulos referentes à força rápida, velocidade e resistência de jogo –
trabalho intermitente.

[Link] Fase específica


Nesta fase o programa de preparação física priorizou os exercícios para o
desenvolvimento da força rápida (exercícios de tração, saltos horizontais e verticais e
trabalho de rampa), velocidade e resistência de jogo – obtida por intermédio dos treinos
técnicos-taticos que visavam à resistência do jogo.
São exemplos de trabalhos realizados nos treinos-técnicos–taticos (critério adotado no
estudo); a) marcação individual; b) marcação e retorno; c) cobertura e antecipação; d) saída
de meio; e) marcação do goleiro; f) quebra de marcação com goleiro; g) ataque com goleiro
linha; h) contra ataque 4x3 e 3x2; i) coletivo fracionado e coletivo.
Esses trabalhos se caracterizam por apresentarem caráter intermitente e intensidade
elevada.
Os treinamentos táticos foram realizados trabalhos que envolveram o padrão do jogo a
uma intensidade baixa (Método de repetição), além de possibilitarem aos jogadores a
MATERIAL E MÉTODOS 40

assimilação e o aperfeiçoamento da técnica dos fundamentos de Futsal e das estratégicas de


jogo organizadas pelo treinador, também foram utilizados dentro do microciclo com o
intuito de “quebrar” a intensidade dos treinamentos durante a semana.
Foi nesta fase de preparação (semana que antecedeu o período competitivo) que os
dados foram coletados.
É importante ressaltar, que as coletas eram feitas antes de iniciar qual tipo de
treinamento físico e/ou específico.

3.4 Coleta de dados dos sedentários


2) G2: o grupo controle foi formado por 13 voluntários sedentários (SED) da região,
com idade entre 16 e 20 anos, os quais não poderiam ter participado de qualquer atividade
física-desportiva, há pelo menos seis meses, e que também não desenvolvesse atividade
profissional com esforço físico significativo.

Esses indivíduos (AFS e SED) foram submetidos à entrevista para que se pudesse
saber de suas condições de sedentarismo, como planejado, no momento da elaboração do
projeto de pesquisa (Anexo C).

3.5 Avaliação Clínica


Anterior ao protocolo experimental, os voluntários foram submetidos a uma série de
avaliações, que tinham por objetivo assegurar suas condições de saúde e diagnosticar
possíveis alterações que contra-indicassem a participação na pesquisa.
Primeiramente, foi realizada uma avaliação constando de anamnese em que foram
coletadas informações referentes aos hábitos de vida e alimentares, história atual e
pregressa de doenças e os antecedentes familiares. Durante essas avaliação, também foi
realizado um exame físico completo, como mensuração da freqüência cardíaca (FC),
freqüência respiratória (FR), avaliada pressão arterial (PA), realizada ausculta cardíaca e
pulmonar por uma médica especialista. Os equipamentos utilizados foram: um
frequencimetro POLAR®, um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio NARCOSUL® e
um estetoscópio TYCOS®. Verificados também peso, altura e medidas das dobras cutâneas
MATERIAL E MÉTODOS 41

sempre pelo mesmo avaliador (Anexo C) com os seguintes equipamentos: uma balança e
um estadiometro de metal FILIZOLA® e um adipômetro SESCORF ®.
Foi dada atenção a aspectos como o uso de medicamentos, doenças e cirurgias
sofridas pelo indivíduo, uma vez que, para poder fazer parte do grupo de pesquisa, os
voluntários não podiam apresentar nenhuma enfermidade ou lesão que pudesse
comprometer os resultados dos testes, bem como eles acarretarem risco à saúde, e nem
poderem fazer uso de substância ergogênica.

3.5.1 Medidas antropométricas


Objetivo: a intenção de coletar os valores antropométricos dos voluntários
participantes do estudo prendeu-se ao fato de poderem-se obter maiores esclarecimentos
sobre as características morfométricas dos participantes de Futsal, constatando a presença
da influência do tipo de treinamento físico sobre o padrão biométrico apresentado,
comparando-se com as medidas obtidas do grupo controle.
Deu-se destaque às seguintes variáveis:
• Massa corporal total;
• Estatura;
• Dobras cutâneas (Ó de 5 dobras);
• Massa gorda (% de gordura) (Equação 2);
• Massa gorda absoluta (Equação 3);
• Massa magra absoluta (Equação 4);
Todos os voluntários foram submetidos às seguintes medidas:
• Estatura (em cm): medidos em estadiômetro de metal. constituído este aparelho
de um palanque no qual desliza um cursor que mede a estatura do individuo em
pé e com precisão da leitura de 1 mm.
• Massa corporal (em kg): avaliação em uma balança de marca FILIZOLA®, com
precisão de 100 gramas.
• Dobras cutâneas (em mm): as medidas das espessuras das dobras cutâneas
foram mensuradas por um adipômetro de marca SESCORF ®. Segue-se a
padronização estabelecida por Guedes (1994).
MATERIAL E MÉTODOS 42

As medidas de espessuras das dobras cutâneas foram realizadas invariavelmente por


um mesmo avaliador e experiente sempre do lado direito do avaliado, com precisão mínima
de 0,1 milímetro, obtidas por interpolação da escala original do compasso. Realizou-se uma
série de três medidas sucessivas num mesmo local, considerando a mediana das três como
sendo o valor adotado para esse ponto.
Os locais de medidas utilizados para a avaliação da quantidade de gordura
subcutânea foram os das regiões: 1) triciptal (TP); 2) subescapular (SB); 3) supra-ilíaca
(SI); 4) abdominal (AB) e panturrilha medial (PM), sendo que a última foi realizada com o
avaliado sentado. Todas as demais, em posição ortostática.

Equação 2 – Predição de percentual de gordura

%GORD. = 5,783 + 0,153(TR + SB + SI + AB + PM), onde:

• %GORD. Quantidade de gordura em termos relativos à massa corporal.


(GUEDES, 1994):

Após a predição do percentual de gordura (gordura relativa), foram utilizadas as


seguintes equações para a determinação da massa gorda (gordura absoluta) e massa magra
(Equação 3 e 4, respectivamente (GUEDES, 1994):

Equação 3 – Predição da gordura absoluta


• Gordura absoluta = massa corporal (%gord./100);

Equação 4 – predição da massa magra


• Massa magra = massa corporal – gordura absoluta

3.6 Protocolo experimental


Este protocolo foi padronizado com os objetivos de avaliar a modulação autonômica
do coração nas condições de exercício e recuperação, proporcionar uma avaliação das reais
condições físicas dos voluntários, por meio da determinação da aptidão física aeróbia
(informações metabólicas), determinar o limiar ventilatório1 (LV1) pelo método
MATERIAL E MÉTODOS 43

ventilatório (WASSERMAN et al., 1973; WASSERMAN et al., 1990) e valores para


determinarem variáveis no momento desse parâmetro fisiológico, e também no pico do
esforço (PE), como o consumo de oxigênio (VO2 ), potência (P), freqüência cardíaca (FC),
ventilação pulmonar (VE) e produção de dióxido de carbono (VCO2 ).

Os testes foram realizados em ambiente fechado, com temperatura local mantida


entre 23 0 C e 25 0 C. Todos os voluntários foram informados sobre a técnica, riscos e
finalidades do exame. Com o objetivo de reduzir o número de exames considerados
ineficazes, durante o período de inclusão, os voluntários foram encorajados a se
exercitarem até a exaustão, desde que não apresentassem sintomas limitantes.

Cuidados adicionais na realização do teste incluem a calibração prévia do aparelho


para que fatores de correção como o STPD (Standard Temperature – 0 0 C and Pressure –
760 mmHg, Dry) e o BTPS (Body Temperature Pressure Saturated), possibilitem a
comparação dos resultados do teste, independentemente da variação da temperatura e
pressão atmosférica. Os sistemas “breath by breath” ou “average” forma de extração e
medição de micro amostras da expiração pelo método de ciclos respiratórios são utilizados
nos aparelhos de ergoespirometria, os quais permitem segurança e confiabilidade nas
variáveis analisadas (CONS. NAC. ERG. SOC. CARD. BRAS. 1995). É necessário o
emprego de bocal selando firmemente a passagem de ar, interligado ao equipamento
analisador de gases, e clipe nasal pelo indivíduo em teste, demonstrado na Figura 11.

3.6.1 Padronização para coleta do sinal do eletrocardiograma


A execução do Eletrocardiograma foi monitorizada através do Eletrocardiógrafo
Digital (ECGD) e Software ERGO PC ELITE 13 de fabricação MICROMED® - (Brasil –
DF). Empregou-se convencionalmente a derivação bipolar CM5 com preparo para 3
derivações (Figura 11) em na posição convencional do ECG clássico, (CONS. NAC. ERG.
SOC. BRAS. 1995).
Desde a geração dos campos elétricos no coração até a digitalização do ECG,
inclusive o sinal, existe a susceptibilidade à ruído. A amplitude do sinal de um ECG é
muito pequena, alguns microvolts, e por isso, a relação sinal/ruído também é pequena.
MATERIAL E MÉTODOS 44

Impedância da pele, oscilações da rede elétrica, comprimento do cabo de aquisição, tipo de


eletrodo utilizado, presença de pêlos são alguns exemplos de fontes de ruídos presentes em
um sinal de EGC.
A variação da linha de base do sinal cardíaco ocorre devido à diferença de potencial
elétrico existente entre a pele do paciente e o eletrodo. Com essa diferença de potencial
ocorre o efeito pilha, que faz com que a linha de base varie e para suprimir esse problema,
foram instalados filtros passa-banda 0,5-100 Hz e notch em 60 Hz, que reduzem quase que
totalmente a variação da linha de base. A freqüência de amostragem é de 300 Hz e 12 bit de
resolução.
Foi realizado o preparo da pele com discreta abrasão, com lixa ultrafina (n0 400) e,
na presença de pêlos, submeteu-se a região à tricotomia (com lâmina descartável), onde
foram aplicados os eletrodos de carbono ativado, auto-adesivo e descartável.
MATERIAL E MÉTODOS 45

Figura 11 - Ilustração das montagens de 3 derivações do ECG e do analisador de gases

a) Montagem de 3 derivações para coleta dos dados do ECG


CM5 B (-) Clavícula direita, justa lateral ao manúbrio esternal;
A (+) Sobre a 5ª. Costela na linha axilar anterior esquerda;
C (-) Sobre a 4ª. Articulação esternocostal direita (V1);
D (+) Últimos arcos costais à esquerda, próximo à linha hemiclavcular;.
terra E Últimos arcos costais à direita, próximo à linha hemiclavicular.

b) Montagem do clipe nasal e capacete bucal para o envio dos gases inspirados e
espirados ao analisador.

1 analisador dos gases (VO 2000);


2 capacete bucal;
3 clipe nasal.

A derivação eletrocardiográfica bipolar têm a vantagem de ser mais simples, requer


menos tempo para ser colocada e é menos dispendiosa; em geral, menos ruidosa em termos
de artefatos (BLACKBURN et al., 1964).
MATERIAL E MÉTODOS 46

3.6.2 Padronização para as coletas dos dados metabólicos e descrição do


protocolo de velocidade

Simultaneamente a coletas dos sinais elétricos cardíacos (ECG), foram coletados os


dados metabólicos através do analisador das variáveis metabólicas Cardiorespiratory
Diagnostic Systems (CDS) de marca MEDGRAPHIS® - (USA). O referido aparelho era
calibrado ao final de cada teste. Foi feita a colocação do dispositivo bocal-capacete
Figura 11) seu respectivo ajuste para acoplagem do voluntário ao aparelho. Foi colocada,
em seguida, uma pinça nasal para que pudesse respirar alguns segundos, adaptando-o à
maneira como iriam respirar durante todo o procedimento, ou seja, o ar inspirado foi
direcionado ao aparelho CDS (que fez a análise dos gases), por uma válvula unidirecional.

Foi utilizada uma esteira elétrica automática marca INBRASPORT®, modelo Super
ATL para o TEFDC-D que iniciou com uma inclinação de 1,5% ficando constante até a
exaustão e a recuperação do indivíduo. A velocidade inicial foi de: 4 km/h no 1o . min; 5
km/h no 2o . min; 6 km/h no 3o .min; e 7 km/h no 4o . min caracterizando o aquecimento
(AQ). O tempo, a partir do 5o . min, teve duração de 2 min a cada estágio com a velocidade
progressiva de 1 km/h por estágio, caracterizando o exercício (Ex) propriamente dito. Logo
após o indivíduo chegar à exaustão, a velocidade foi reduzida para 6 km/h, 5km/h e 4km/h
respectivamente, com 1 min de duração cada estágio, caracterizando a recuperação ativa
(RA). Observar na Figura 12.
MATERIAL E MÉTODOS 47

Protocolo de velocidade

18
16
14
12

Velocidade 10
(km/h)
8
6
4
2
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 1415 16 17 18 19 20 2122 23 24 25 26 27
Tempo (minutos)

Figura 12- Representação esquemática do TEFDC-D realizado em esteira elétrica automática com
inclinação constante 1,5 %. A cor azul representa o aquecimento (AQ) com duração de 1
min a cada estágio, a cor marrom o exercício (Ex) com 2 min a cada estágio, e a cor
amarela a recuperação ativa (RA) com 1min a cada estágio.

3.7 Determinação do limiar ventilatório 1 (LV1)


O limiar ventilatório 1 (LV1) foi determinado no minuto durante o exercício em que
as curvas da fração expirada de oxigênio (FeO 2 ) e da razão de ventilação para o consumo
de oxigênio (VE/VO2 ) atingiram o seu valor mínimo antes de começarem a subir.(Figura 13).
No presente estudo, não se optou pelo LV2, por poder haver da parte de alguns
voluntários (sedentários) pouca sensibilidade dos quimiorreceptores ventilatórios
(BARROS NETO et al., 2002) e essas respostas ventilatórias podem não estar presentes,
limitações musculares periféricas, sendo prejudicada a identificação desse limiar
(WASSERMAN et al., 1999; BARROS NETO et al., 2002). Por isso, optou-se pela
detecção do LV1.
MATERIAL E MÉTODOS 48

(a) (b)

Figura 13 - Identificação do limiar ventilatório 1 (LV1) por técnica ventilatória. Observado no instante
durante o exercício em que as curvas de VE/ VO 2 (linha azul escuro, em a) e FeO2 (linha
vermelha, em b), atingiram seu valor mínimo antes de começarem a subir, indicados por uma
seta vertical.

3.8 Determinação do pico máximo de oxigênio


O pico máximo de oxigênio foi definido como o VO2 obtido no pico do exercício
(VO 2 pico), quando o indivíduo se encontrava em exaustão, com o critério dos voluntários
atingirem 86 % da freqüência cardíaca máxima.

3.9 Detecção dos Complexos QRS


A série dos intervalos RR foi obtida com o sistema Ergo PC Elite 13W da Micromed
(DF–Brasil), o qual utiliza para a detecção dos complexos QRS um algoritmo de
comparação de nível. Esse algoritmo compara a derivada do ECG, num determinado
trecho, com limites inferiores e superiores pré-estabelecidos. Caso a derivada esteja dentro
dos limites, o algoritmo procura pelo pico do complexo QRS, a onda R. O ni tervalo é
determinado como o período de tempo entre dois picos detectados.

3.10 Metodologia empregada para classificação e eliminação dos batimentos


ectópicos
Depois de gravados os arquivos do iRR em ASCII (Americam Standard Code for
Information Interchange), código usado para gravar arquivos de texto no computador,
MATERIAL E MÉTODOS 49

foram eles analisados pela metodologia descrita. A seguir, a marcação e remoção dos
batimentos ectópicos foram feitas com supervisão direta do autor deste estudo e de um
médico da Seção de Reabilitação Cardíaca da UNIVAP. A classificação dos batimentos
ectópicos foi feita inicialmente pela forma automática do sistema implantado (Figura 14) e
posteriormente revisada por nós. Foram excluídas as gravações que apresentavam mais de
2% de artefatos (CUNINGHANT, 2002). As Correções manuais foram realizadas nos
batimentos prematuros supraventriculares, ventriculares e pausa com omissão anterior e
batimento subseqüente, em seguida interpolado por “splines” cúbicas pelo sistema.

Figura 14 - Exemplo de intervalograma para detecção de batimentos ectópicos, num trecho de 180 segundos
na fase do aquecimento.
MATERIAL E MÉTODOS 50

3.11 Parâmetros empregados para a análise da VFC durante as 4 fases do


TEFDC-D

Basicamente, durante a análise dos dados, as observações estiveram concentradas


nos 4 seguintes momentos vivenciados pelos voluntários (n=26), momentos esses que
denominamos de fase:
1) 180 segundos no início do exercício caracterizando o aquecimento (AQ);
2)180 segundos fase correspondente ao limiar ventilatório1 (LV1), sendo 90
segundos antes e 90 segundos após o LV1;
3) 180 segundos fase correspondente ao pico do esforço (PE);
4)180 segundos fase correspondente à recuperação ativa (RA), logo após o PE.
Os parâmetros adotados estão ilustrados na Figura abaixo.

Figura 15 Representação esquemática do parâmetro adotado para a seleção dos trechos


(janelas – 180 segundos), nas diferentes fases do exercício físico dinâmico.
Em (a) intervalograma RR e em (b) espectrograma. (ENU) = espaço não
utilizado para o estudo da VFC. A seta verde em (a) indica o ponto central do
LV1.
MATERIAL E MÉTODOS 51

3.12 Forma utilizada para a seleção do trecho de 180 segundos, referente às 4


fases (AQ – LV1 - PE - RA)
Para que pudesse ter precisão, quanto à seleção do trecho desejado “180 seg”, foi
necessário desenvolver uma rotina em Matlab e incorporar ao sistema de análise tempo-
freqüência autorregressiva (ATFAR) denominado de “Conversor de Tempo/Indice”. Como
o próprio nome diz, a rotina converte o tempo inicial (t1 ) fornecido pelo pesquisador e em
seguida, obtém-se o valor do índice referente ao intervalo de tempo dos iRR. O mesmo
procedimento é feito com o tempo final (t2 ).
Após a identificação de todos os índices através do conversor Tempo/Indice, inicia-
se a seleção dos trechos pelo módulo “Outlier RR” que, por sua vez, registra o índice
referente ao tempo desejado não permitindo mais alterações (motivo de segurança), e a
partir daí, já se podem obter o tão esperado espectrograma, os gráficos e as planilhas
Temporais e Espectrais fornecidas pelo módulo ATFAR.

Nesses períodos de 180 segundos (chamados de janelas), podem estar presentes


diferentes números de amostras RR, as quais são dependentes dos valores de FC no dado
momento investigado, ou seja, quanto maior a FC na janela de 180 segundos selecionadas,
maior a quantidade de amostras existentes.

3.13 Configuração utilizada para o processamento do sinal (iRR) nas 4 fases do


teste de esfoço físico (AQ, LV1, PE e RA)
• A taxa de interpolação do sinal RR por “splines” cúbica escolhida foi de 2
Hz, uma vez que não há ganhos reais em utilizar se a amostragem de 4 Hz,
pois a mesma informação pode ser obtida sem distorção, usando a
freqüência de 2 Hz. Dessa forma, consegue-se um cálculo mais rápido do
espectrograma, embora não seja, recomendável a interpolação à taxa de 1
Hz, já que o sinal de VFC pode apresentar componentes não desprezíveis
em freqüência acima de 0,5 Hz (CARVALHO et al., 2003);
MATERIAL E MÉTODOS 52

• Ordem do modelo AR foi de 12 (por ser mais compatível com a taxa de


interpolação de 2 Hz), selecionado pelo Baysian Information Criterion
(BIC), tem por objetivo ponderar a variância de erro de predição do modelo,
indicando que ordem minimiza esse erro (CARVALHO et al. 2003);

• A janela escolhida foi a de Hamming, por não apresentar distorção do


espectrograma e também por ser mais utilizada na literatura, ao contrário da
janela Retangular e de Bartlett, apesar de oferecerem uma boa resolução
frequencial;

• O comprimento da janela foi de 12 segundos, com o intuito de observar


respostas mais rápidas (participação do SNP) do sistema nervoso autônomo,
do que resultou um espectrograma mais detalhado;

• A amostragem do espectrograma foi de 0,5 Hz com 512 pontos por


densidade de potência espectral (pts/PSD).
A configuração descrita acima foi utilizada para análise tempo-freqüência (T-F) por
apresentar um baixo custo computacional, Isso não difere de uma configuração mais
elevada em que possa ocorrer pouca ou nenhuma distorção nos índices T-F.

Após a seleção do batimento inicial (t1 ) e final (t2 ) do sinal (trecho), e escolhida a
janela de observação, de um determinado momento do registro do iRR, o programa
desenvolvido em Matlab realizava a análise da VFC T-F sobre os intervalos RR normais.
Daí, é gerado um relatório de cada um dos índices contendo os seguintes itens sobre a VFC:

3.14 Índices temporais utilizados


• SDNN = desvio padrão dos intervalos RR médios presentes naquela janela de
180 segundos estudados (o que caracteriza a própria VFC);
• pNN50 = percentagem dos ciclos sucessivos que apresentam diferença de
duração acima de 50 milessegundos;
MATERIAL E MÉTODOS 53

• r-MSSD = raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos RR


normais adjacentes, expressa em milissegundos.

Na figura abaixo pode-se verificar uma janela de observação de (180 segundos) de


um espectrograma iRR, interpolado por “splines” cúbica de um dos voluntários AFS
durante a fase AQ do TEFDC-D. Os resultados estatísticos da análise Temporal e espectral
encontram-se apresentados no Anexo D.

Figura 16 - Ilustração da tela do computador do programa analisador dos gráficos T-F de um dos AFS - AQ
1) gráfico de intervalos RR interpolado com “spline” cúbica; 2) gráfico do Espectrograma
Auto-Regressivo e 3) gráfico representando a variação da Razão LF/HF em função do Tempo,
também é apresentado em forma de planilha os Índices estatísticos temporais
MATERIAL E MÉTODOS 54

3.15 Índices espectrais utilizados


O processamento previamente descrito analisou a VFC pelo método de análise
Tempo-Freqüência com base no modelo auto-regressivo (descrito acima), com algoritmo
matemático para determinar o número, a freqüência e a amplitude dos componentes
oscilatórios (harmônicas) presentes na janela de observação, distribuindo-os, em potências
de densidade espectral (PSD) (milissegundos ao quadrado sobre Hertz = ms 2 /Hz) dentro de
bandas de freqüência (em Hertz = Hz) por nós pré-determinadas. Seguindo o proposto por
vários autores de renome na área, reunidos numa força tarefa (“TASK FORCE of The
European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and
Eletrophysiology”, 1996) designados a estabelecer parâmetros adequados à correta
aplicação da análise espectral da VFC em diferentes estudos que a incluam, as bandas
espectrais limites (em Hz) aplicadas ao presente trabalho foram as seguintes, (Tabela 1).

Tabela 1 - Determinação das bandas de freqüências para análise dos índices espectrais
ANÁLISE ESPECTRAL FREQÜÊNCIA PERÍODO
(Hertz) (segundo)
Baixa freqüência (LF) 0,0400 a 0,1500 25 a 6,7
Alta freqüência (HF) 0,1500 a 0,4000 6,7 a 2,5

As bandas de freqüência citadas acima foram estudadas em unidades absolutas


medidas em densidade de potência espectral (PSD). Abaixo, na Figura 17 pode-se verificar
uma janela de observação (de 180 segundos) de um espectrograma dos intervalos RRi de
um dos voluntários atleta, durante 90 segundos, que antecedem o LVI e 90 segundos
precedentes ao LVI.
MATERIAL E MÉTODOS 55

Figura 17 - Ilustração da tela do computador do programa analisador dos gráficos T-F de um dos AFS –
LV1 a) gráfico de intervalos RR interpolado por “splines” cúbica a 4 Hz; b) Espectrograma
Auto-Regressivo e c) representando a densidade do espectro de potência (PSD), também
são apresentados em forma de planilha, os Índices estatísticos Espectrais.

3.16 Abordagem estatística


Para se escolher que tipo de teste estatístico seria empregado (paramétrico ou não
paramétrico), aplicou-se o teste de Shapiro Wilka (CONOVER, 1980) para fazer uma
avaliação quanto aos tipos de distribuição das variáveis em diferentes condições. Utilizou –
se a forma de “Box plot”, que apresentam graficamente o sumário dos valores, mínimos e
máximos, 1o . e 3o . quartis, como sendo valores (separatriz) que dividem a distribuição em
duas partes, tal que 25% dos valores sejam menores que ele e 75%, dos valores sejam
maiores que ele, medianas como sendo o valor que ocupa a posição central da distribuição
(sempre representada na forma de uma barra vermelha horizontal) e os “outliers”,
utilizando-se a Statistics Toobox do Matlab versão 6.5 (2001).
A análise estatística de significância foi realizada a partir de testes paramétricos (t
Student), quando os dados apresentavam a existência de normalidade em sua distribuição e
a não existência de normalidade das observações neste caso aplicaram-se os testes não
paramétricos: Teste de Mann Whitney e Kruskall-Wallis para amostras não pareadas, Teste
Wilcoxon para amostras pareadas e para análise de correlação, utilizando Spearman. Foram
considerados níveis de significância P-valor = 0,01 e P-valor = 0,05.
4. RESULTADOS
RESULTADOS 57

4.1 Idade, características antropométricas e capacidade vital dos voluntários


estudados

Estão apresentados na Tabela 2 em valores médios e respectivos desvios padrões


(DP) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED), os dados referentes à idade em anos,
peso, massa gorda absoluta (MGA) e massa magra absoluta (MMA) em quilograma (kg),
massa gorda relativa (MGR) em porcentagem (%) (obtidos na somatória das 5 dobras
cutâneas), estatura em centímetros (cm), pressão arterial sistólica de repouso (PASr) e
diastólica de repouso (PADr), em milímetros de mercúrio (mmHg), freqüência cardíaca de
repouso (FCr) em batimentos por minuto (bpm), freqüência respiratória de repouso (FRr)
em respiração por minuto (rpm). Utilizou-se do Teste t Student para análise de comparação
entre os grupos. Os dados apresentados mostram que:

A idade, a estatura o peso, a massa gorda absoluta (MGA), a massa gorda relativa
(MGR), a PASr, PADr e a FRr, não apresentaram diferenças (p > 0,05) estatísticas. As
diferenças significativas (p< 0,05) estatísticas estavam presentes na massa magra absoluta
(MMA) e na FCr.

Tabela 2 - Idade, características antropométricas e dados de pressão arterial sistólica


repouso (PASr) e diastólica repouso (PADr) em mmHg, de freqüência
cardíaca (FCr) em bpm, de freqüência respiratória em repouso (FRr)em
rpm, atletas de Futsal (AFS), sedentários (SED)
Características AFS (n=13) SED (n=13)
X ±DP X ±DP
Idade (anos) 17 ± 1 17 ± 1 NS
Estatura (cm) 174,85 ± 5,03 172,231 ± 6,08 NS
Peso (Kg) 65,38 ± 5,8 60,79 ± 8,06 NS
MGA (Kg) 8,79 ± 1,88 8,70 ± 2,55 NS
MMA (Kg) 56 ± 4,75 52,09 ± 6,21*
MGR (%) 13,36 ± 2,03 14,16 ± 2,90 NS
PASr (mmHg) 114 ± 10 112 ± 8NS
PADr (mmHg) 75 ± 8 75 ± 7 NS
FCr (bpm) 64 ± 7 74 ± 9,*
FRr (rpm) 16 ± 3 16 ± 3 NS

X = média; DP = desvio padrão, MGA = massa gorda absoluta; MMA = massa magra absoluta; MGR =
massa gorda relativa; cm= centímetros; kg = quilogramas; % = porcentagem; mmHg = milímetro de
mercúrio; bpm = batimentos por minuto; rpm = respiração por minuto. P<0,05 = *; NS = não significativo
(em relação ao grupo de atletas).
RESULTADOS 58

4.2 Tempo de atividade dos atletas de Futsal e inatividade dos sedentários


Apresentados na tabela abaixo.

Tabela 3 - Dados dos valores médios do tempo de atividade dos atletas de Futsal (AFS) e
inatividade dos sedentários (SED).

X ±DP
AFS (n=13) – tempo de atividade da modalidade (em anos) 9± 3
SED (n=13) – tempo de inatividade (em anos) 1,5 ± 1
X = média; DP = desvio padrão.

4.3 Distância percorrida (km)


Estão apresentados em “Box Plots” os valores das medianas, 1º. e 3º. quartis (Q 1 e
Q3 ) e valores mínimo e máximo dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) os dados
referentes à distância total percorrida (DTP) em quilômetros (km) e velocidade máxima
atingida (VMA) em quilômetros por hora (km/h) no TEFDC-D. Utilizou-se o Teste Mann-
Whitney para análise de comparação entre os grupos.

Figura 18 (a). Por meio do teste de comparação, p-valor (p<0.01), nota-se que
existe diferença significante entre os 2 grupos. Para o grupo AFS, verifica-se que a
distância percorrida varia de 2 a 4,4 km. Os valores observados nesse grupo estão
distribuídos de forma levemente assimétrica. Nota-se que 50% dos atletas percorrem de 2 a
3,5 km e os outros 50% percorrem de 3,5 a 4,4 km de distância. Considerando o grupo
SED, observa-se que a distância percorrida é de 800 a 1800 metros. A distribuição dos
valores para esse grupo é simétrica: 50% dos sedentários percorrem de 800 a 1300 metros e
os outros 50% uma distância de 1300 a 1800 metros. Ao comparar o grupo SED com o
grupo AFS, nota-se que o valor máximo da distância percorrida pelos sedentários é menor
do que o valor mínimo da distância percorrida pelos atletas.
A amplitude da distância dos atletas é maior, de aproximadamente 2,4 km,
comparada aos sedentários, que é de aproximadamente 1 Km. Observa-se que não existe
“outlier”, tanto para a distribuição do grupo AFS, assim como para o grupo SED.
RESULTADOS 59

4.4 Velocidade (km/h)


Figura 18 (b). Ao observar o p-valor (p<0.01), nota-se que existe diferença
significativa entre os dois grupos. A velocidade dos atletas varia de 12 a 17 km/h, e que
50% dos atletas possui uma velocidade de 12 a 15 km/h e os outros 50% têm uma
capacidade de 15 a 17 km/h; é possível verificar uma leve assimetria na distribuição dos
valores.
Para o grupo SED, verifica-se que as informações da velocidade estão concentradas
em 10 km/h, ou seja, quase 100% dos sedentários têm essa velocidade; mas note que
existem três pontos aberrantes “outliers” que se encontram afastados da concentração citada
anterior. Os valores desses 3 pontos são 8, 9 e 11 km/h; é possível verificar uma leve
assimetria.
Ao comparar os dois grupos, nota-se que o valor máximo da velocidade dos
sedentários (11 km/h) é menor que o valor mínimo da velocidade dos atletas (12 km/h). A
amplitude da velocidade dos atletas é maior, 5 km/h, comparada aos sedentários que é de 3
km/h.

(a) (b) Legenda “boxPlot”

4.5
17
4 16

3.5 15
P < 0,01 P < 0,01
Distancia percorrida (Km)

14
3
velocidade (Km/h)

13
2.5
12
2 11

1.5 10
9
1
8

AFS SED AFS SED

Figura 18 - Estão representados em (a) os valores da distância em quilômetros (km) e em (b) a velocidade
máxima em quilômetros por hora (km/h) atingida no TEFDC-D do grupo dos atletas de Futsal
(AFS – n=13) e sedentários (SED – n=13).
RESULTADOS 60

4.5 Teste de esforço físico dinâmico contínuo do tipo degraus (TEFDC-D)


Os resultados a seguir foram obtidos durante o TEFDC-D. Deu-se especial destaque
às variáveis que pudessem revelar o comportamento do sistema cardiorespiratório dos AFS
e SED no momento do limiar ventilatório 1 (LV1) e no pico do esforço (PE), Utilizou-se do
Teste de Mann Whitney, objetivando-se a comparação de valores entre os grupos. As
variáveis estudadas durante o TEFDC-D no momento do LV1 e PE foram: consumo de
oxigênio (VO2 ) em litros por min (l/min) e em mililitro de quilograma por minuto
(ml/kg/min); a produção de dióxido de carbono (VCO2 ) em l/min; a freqüência cardíaca
(FC) em batimentos por minuto (bpm); a potência em Watts (W) e a ventilação, (VE) em
l/min.

4.5.1 Limiar Ventilatório 1 (LV1)


Os valores individuais médios das variáveis cardiorespiratórias e de potências
obtidos no momento do Limiar ventilatório 1 (LV1) calculados pelo método ventilatório
(Figura 6), encontram-se demonstrados nas tabelas IX e X (Anexo D). Também,
encontram-se representados graficamente em “Blox Plots” os valores das respectivas
variáveis comparativamente entre os grupos de AFS e SED, podendo–se observar os
valores de medianas, Q1 , Q3 e os valores mínimos e máximos.

[Link] Consumo de Oxigênio relativo (VO2–ml/kg/min) no LV1


Figura 19 (a). Após analisar os grupos e aplicar o teste de comparação, nota-se que
existe diferença estatisticamente significativa (p<0.05).
No grupo AFS, verifica-se que quase 100% dos valores observados na escala do
“box plots” de VO 2 relativo no LV1, encontram – se distribuídos de 30 a 48 mg/ kg/ min,
mas existe um ponto aberrante, o que proporciona uma distribuição assimétrica para a
direita; esse “outlier” ocasionou uma grande amplitude (aproximadamente 35 ml/kg/min).
Para o grupo SED, a distribuição dos valores é bem diferente; os valores estão entre
25 a 40 ml/kg/min na escala, nota-se uma leve assimetria à esquerda justificada pela
distribuição dos valores, em que 50% estão entre 25 a 35 ml/kg/min na escala e os outros
50% de 35 a 40 ml/kg/min.
RESULTADOS 61

Nota-se que a amplitude dos valores para os sedentários é pequena comparada à


amplitude dos atletas, e que em torno de 80% dos valores dos sedentários na escala é
aproximadamente igual a 40% dos valores dos atletas.

[Link] Consumo de Oxigênio absoluto (VO2–l/min) no LV1


Figura 19 (b). Observando o p-valor (p<0.01), nota-se que os valores comparados
entre os grupos são significativos estatisticamente.
Nota-se que existe assimetria dos valores de VO 2 absoluto no LV1 para os 2 grupos;
porém, ocorrem em lados opostos; para os atletas a assimetria é positiva (valores grandes)
e nos sedentários, a assimetria é negativa (valores pequenos). Nenhum dos grupos possui
“outliers”.
Nos atletas, verifica-se uma maior amplitude em que os valores de VO2 absoluto no
LV1 são distribuídos de 1,8 a 4,8 l/min na escala; em que 50% desses valores estão entre
1,8 a 2,7 l/min e os outros 50% entre 2,7 a 4,8 l/min; porém, para os sedentários que
possuem uma amplitude menor, os valores estão entre 1,4 a 2,6 l/min com referência na
escala ajustada e que 50% estão de 1,4 a 2,2 l/min e os outros 50% estão entre 2,2 a 2,6
l/min.
Pode-se observar que 75% dos valores de VO 2 absoluto no LV1 para os sedentários
são iguais a 50% dos valores para os atletas.

(a) (b) Legenda “boxPlot”

70 4

3.5
VO2 LVI (ml/Kg/min)

60

3
VO2 LV1 (l/min)

50
p < 0,01
p < 0,01 2.5
40

30
1.5

AFS SED
AFS SED data1
data2
Figura 19 - Estão representados em (a) os valores relativos
data3 (ml/min/kg) e em (b) os valores absolutos (l/min)
data4
de consumo de oxigênio (VO 2 ) obtidos
data5
dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED), no
limiar ventilatório 1 (LV1). data6
data7
data8
data9
data10
data11
data12
data13
data14
RESULTADOS 62

[Link] Freqüência Cardíaca (FC) no LV1


Figura 20 (a). O teste de comparação indica um p>0.05, o que significa que não foi
encontrada diferença estatística para os grupos no quesito freqüência cardíaca.
O grupo SED têm uma amplitude maior na distribuição de freqüência cardíaca e
apresenta assimetria à esquerda, devido a um “outlier” (valor pequeno).

[Link] Potência (P) no LV1


Figura 20 (b). O valor de p (p<0.01) indica que a variável potência apresentou
diferenças estatísticas significantes.
No grupo dos atletas, a distribuição dos valores da potência é assimétrica. A
distribuição dos valores da potência para os atletas têm uma amplitude razoavelmente
grande, por causa dos “outliers” essa amplitude é de aproximadamente 320 watts (escala).
Os valores da potência para os atletas estão distribuídos da seguinte forma: 50% dos atletas
estão entre 260 a 340 W de potência e os outros 50% estão entre 340 a 580 Watts de
potência.
Nos sedentários, nota-se que quase 100% dos valores da potência concentram – se
entre 200 a 235 Watts de potência, mas existem 4 pontos aberrantes, dos quais, três estão
entre 150 a 200 watts e o outro está em 270 Watts de potência. Mesmo com esses pontos
“outliers”, a amplitude dos valores da potência para os sedentários não é tão grande quanto
a dos atletas:120 watts de potência.
O valor máximo da potência dos sedentários (“outliers”) coincide com o valor
mínimo dos atletas.
RESULTADOS 63

(a) (b) Legenda “boxPlot”


600
180
550
170 500

160 450
FC LVI (bpm)

400

Potência LVI (W)


150
p > 0,05. 350
140 300
P < 0,01
130 250
200
120
150

AFS SED AFS SED

Figura 20 - Estão representados em (a) os valores de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto
(bpm), em (b) potência em Watts (W) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) obtidos
no limiar ventilatório1 (LV1) durante o TEFDC-D

[Link] Ventilação Pulmonar (VE) no LV1


Figura 21 (a). Para a variável ventilação pulmonar, pode-se dizer que existe
diferença estatística significante, pois o p<0.01.
Os grupos demonstraram uma distribuição dos valores de ventilação de forma
assimétrica para a direita. Ao comparar os grupos, verifica-se que o valor mínimo da
ventilação pulmonar dos atletas coincide com o valor mediano dos sedentários que é
correspondente a 53 l/min., indicando uma baixa ventilação pulmonar dos SED, quando
comparados aos AFS.
Para o grupo dos atletas, não existe ponto aberrante e ressalta-se que 50% dos
valores da ventilação pulmonar estão entre 53 a 72 l/min e os outros 50% estão entre 72 a
109 l/min.
Para o grupo dos sedentários, quase 100% dos valores da ventilação encontra-se em
uma escala menor que está entre 47 a 58 l/min; porém, existem 3 “outliers”, (38, 69, e 83
l/min). Esses valores fazem com que a distribuição da variável ventilação adquira uma
forma assimétrica.
RESULTADOS 64

[Link] Produção de Dióxido de Carbono (VCO2) LV1


Figura 21 (b). Pode-se dizer que existe diferença estatística entre os grupos para os
valores da produção de CO2 (p < 0.01).
No grupo dos atletas, é notada uma grande assimetria à direita em que 50% dos
valores de produção de CO2 estão entre 1,8 a 2,3 l/min e a outra metade das informações
entre 2,3 a 4,0 l/min, sem detectar “outliers” no grupo dos atletas.
Nos sedentários, a distribuição dos valores da produção de CO2 não é tão disperso
como nos atletas, ou seja, as informações estão concentradas na escala, porém, existe um
“outlier”. Os valores de produção de CO2 para os sedentários estão representados da
seguinte forma: 50% entre 1,2 a 2 l/min e os outros 50% de 2 a 2,5 (l/min), sendo que o
valor 1,2 l/min é considerado “outlier”.

(a) (b) Legenda


“boxPlot”

110
4
100
3.5
90
VCO2 LVI (L/min)

3
VE LVI (L/min)

80

70 2.5
p <0,01 p < 0,01
60
2
50
1.5
40

AFS SED AFS SED

Figura 21 - Em (a) valores de ventilação pulmonar (VE) em litros por minutos (l/min) e em (b) produção de
dióxido de carbono (V) em litros por minuto (l/min) dos atletas (AFS) e sedentários (SED)
obtidos no Limiar ventilatório1 (LV1) durante TEFDC-D
RESULTADOS 65

[Link] Análise de correlação no limiar ventilatório 1 (LV1)


Utilizou – se o teste de associação entre duas variáveis, obtidas no LV1 junto aos
dois grupos para constatar-se qual (is) variável (is) teria (m) maior influência sobre as
demais e seria(m) a (s) mais importantes(s) no momento do LV1, calculando-se a
correlação pelo coeficiente de Spearman (rs).
Esses resultados demonstram que as correlações entre o VO 2 e VCO2 são, para
ambos os grupos, as variáveis de maior importância na determinação do LV1,
representados na Tabela 4.

Tabela 4 -. Valores dos coeficientes de correlação entre as variáveis estudadas, obtidas no


momento do Limiar ventilatório 1
Variáveis Atletas Valor- p Sedentários Valor- p
VO2rel/FC 0,45 0,124 -0,01 0,950
VO2rel/P 0,68 0,023* 0,077 0,802
VO2rel/VE 0,96 0,000*** 0,59 0,034*
VO2rel/VCO2 0,89 0,000*** 0,32 0,284
FC/P 0,25 0,417 0,07 0,826
FC/VE 0,50 0,801 0,07 0,816
FC/VCO2 0,38 0,19 0,11 0,711
P/VE 0,58 0,367 0,65 0,015*
P/VCO2 0,66 0,015* 0,73 0,004**
VE/VCO2 0,94 0,000** 0,75 0,003**
VO2 abs/FC 0,43 0,146 0,11 0,711
VO2 abs /P 0,68 0,010** 0,78 0,001**
VO2 abs /VE 0,95 0,000*** 0,77 0,002**
VO2 abs/VCO2 0,91 0,000*** 0,78 0,002**
FC = freqüência cardíaca; P = potência; VE = ventilação Pulmonar; VO 2 = consumo de oxigênio
(ml/Kg/min); V = produção de dióxido de carbono; p<0,001 = ***; p<0,01 =**; p<05.=*
RESULTADOS 66

4.5.2 Pico do esforço (PE)


As mesmas variáveis estudadas no LV1 foram também analisadas no momento do
pico do esforço durante a execução do TEFDC-D e os resultados obtidos individualmente
estão representados nas tabelas XII e XIII (Anexo D).

[Link] Consumo de Oxigênio relativo (VO2–ml/kg/min) Pico


Figura 22 (a). Pelo do teste de comparação (p<0.01), é possível dizer que existe
diferença estatística entre os grupos, para a variável consumo de VO 2 .
No grupo dos atletas, existe um “outlier” (77 ml/kg/min); o comportamento dos
valores é assimétrico à direita. A distribuição dos 50% dos valores do consumo de VO 2
para os atletas estão entre 46 a 52 ml/kg/min e a outra metade está entre 52 a 77 ml/kg/min.
No grupo dos sedentários, nota – se que existe uma distribuição simétrica dos
valores (não existe “outliers”). Os valores de consumo de VO 2 dos sedentários estão abaixo
da escala ao comparar com os atletas; o valor máximo do consumo de VO 2 dos sedentários
não atinge o valor mínimo para os atletas.

[Link] Consumo de Oxigênio absoluto (VO2–l/min) Pico


Figura 22 (b). Por meio do teste de comparação (p<0.01), pode-se dizer que existe
diferença estatística entre os grupos na variável consumo absoluto de VO 2 no pico.
Entre os dois grupos, nota–se que existe uma leve assimetria dos valores para a
direita, mas as distribuições dos valores nos grupos são diferentes na escala. Nos atletas, a
amplitude dos valores é aproximadamente 1,5 l/min e nos sedentários é 1,2 l/min; 50% dos
valores absolutos l/min do consumo de oxigênio estão entre 2,8 a 3,6 (lmin) e a outra
metade está entre 3,6 a 4,4 (l/min).
Para o grupo de sedentários, 50% dos valores estão de 1,9 a 2,4 (l/min) de consumo
de oxigênio, e os outros 50% de 2,4 a 3,1 (l/min). Nota–se que aproximadamente 10% dos
valores máximos para os sedentários são iguais aos valores mínimos de consumo de VO2
para os atletas.
RESULTADOS 67

(a) (b) Legenda


boxPlot”

80 4.5
75
70 4

65
VO2 pico (ml/Kg/min)

3.5
60

VO2 pico (L/min)


55
3
50 p < 0,01
p < 0,01
45 2.5
40
35 2

AFS SED AFS SED

Figura 22 - Estão representados em (a) os valores relativos (ml/Kg/min) e em (b) os valores absolutos (l/min)
do consumo de oxigênio (VO 2 ) obtidos pico do exercício (PE) durante TEFDC-D.

[Link] Freqüência Cardíaca (FC) Pico


Figura 23 (a). Utilizando o teste de comparação, pode-se notar que não ocorreu
diferença estatística significante (p>0,05) entre os grupos.
No grupo dos atletas, existe um “outlier” (valor pequeno), valor menor do que o
valor mínimo dos sedentários.
A amplitude para este grupo está no intervalo de aproximadamente 165 até
aproximadamente 197 batimentos por minuto (bmp), e 50% dos atletas têm FC entre
aproximadamente 180 até 195; enquanto que para o grupo dos sedentários, 50% estão
localizados entre (aproximadamente) 170 e 190 bpm (aproximadamente).
Os dois grupos têm distribuição levemente assimétrica para a esquerda.

[Link] Potência (P) Pico


Figura 23 (b). Nota–se que existe diferença estatística entre os grupos, após aplicar
o teste de comparação (p<0.01), para a potência no pico do esforço.
Verifica-se que a distribuição, para ambos os grupos é simétrica, assumindo valores
em intervalos bem diferentes: o grupo AFS assume valores no intervalo 500 a 850
aproximadamente e o grupo SED assume valores no intervalo 150 a 350 aproximadamente.
RESULTADOS 68

O valor máximo da potência dos sedentários é bem menor que o valor mínimo da potência
dos atletas.
No grupo dos atletas os valores da potência estão distribuídos da seguinte forma:
50% dos valores estão de 490 a 660 (W) de potência e a outra metade de 660 a 830 (W).

(a) (b) Legenda“boxP


lot”

800
190
700

Potência pico (W)


180 600
NS
FC pico (bpm)

500
170 p < 0,01
400

160 300

200
150

AFS SED AFS SED

Figura 23 - Estão representados em (a) os valores de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto
(bpm), em (b) potência em Watts (W) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) obtidos
no pico do esforço (PE) durante o TEFDC-D.

[Link] Ventilação Pulmonar (VE) Pico


Figura 24 (a). Pela aplicação do teste de comparação, pode–se dizer que existe
diferença estatística entre os grupos na variável ventilação pulmonar (p<0.01).
Existe assimetria na distribuição dos valores da variável para os dois grupos e
também um “outlier” no grupo dos atletas, único valor da ventilação pulmonar nos atletas
que coincide com os valores da ventilação nos sedentários, ou seja, todos os valores da
ventilação dos sedentários estão abaixo dos valores dos atletas, com exceção do “outlier”.
Nota–se que a amplitude dos valores na ventilação para os atletas é maior, quando
comparada a dos sedentários. A distribuição dos valores da ventilação nos atletas apresenta
uma assimetria à esquerda; já nos sedentários, essa assimetria está à direita.
RESULTADOS 69

[Link] Produção de Dióxido de Carbono (VCO2) Pico


Figura 24 (b). Pode-se dizer, pelo teste (p<0.01) que existe diferença estatística
entre os valores da produção de CO2 nos dois grupos.
A distribuição dos valores nos grupos é assimétrica, porém, cada grupo com suas
características. Nota–se a existência de um “outlier” no grupo dos atletas, sendo este o
único que coincide com os valores dos sedentários. Para os atletas, a distribuição está
assimétrica para a esquerda; um fator que influenciou essa assimetria foi o “outlier”
encontrado bem abaixo dos valores da produção de CO2 nos atletas 2.1 l/min e nos
sedentários, o valor mínimo é de aproximadamente 1.0 l/min. Nota-se que o valor máximo
da produção de CO2 no pico dos sedentários é igual ao valor mínimo dos atletas. Nos
sedentários, há uma leve assimetria à direita.

(a) (b) Legenda


“boxPlot”

4.5 4.5

4 4
VCO2 pico (L/min)
VE pico (L/min)

3.5 3.5

p < 0,01 p < 0,01


3 3

2.5 2.5

2 2

AFS SED AFS SED

Figura 24 - Em (a) valores de ventilação pulmonar (VE) em litros por minutos (l/min) e em (b) produção de
dióxido de carbono (VCO2 ) em litros por minuto (l/min) dos atletas (AFS) e sedentários
(SED) obtidos no pico do esforço durante TEFDC-D.
RESULTADOS 70

[Link] Análise de correlação no pico do esforço (PE)


Utilizou – se o teste de associação entre duas variáveis mensuradas a nível ordinal
(postos), obtidas no pico do esforço junto aos dois grupos para constatar qual ou quais
variáveis teriam maior influência sobre as demais e seria(m) a(s) mais importantes(s) no
momento do PE, calculando-se a correlação pelo coeficiente de Spearman (rs). Tabela 5
abaixo.

Tabela 5 - Valores do coeficiente de correlação entre as variáveis estudadas, obtidas no


pico do esforço.
Variáveis Atletas p-valor Sedentários p-valor
rs rs
VO2 rel/FC -0,58 -0,369 -0,10 0,739
VO2 rel/P 0,46 0,117 -0,03 0,993
VO2 rel/VE 0,52 0,071 0,63 0,002*
VO2 rel/VCO2 0,69 0,009** 0,42 0,149
FC/P -0,21 0,499 -0,42 0,154
FC/VE 0,07 0,720 -0,03 0,910
FC/VCO2 -0,03 0,914 -0,32 0,279
P/VE 0,31 0,297 0,42 0,150
P/VCO2 0,54 0,0546* 0,54 0,550
VE/VCO2 0,84 0,000*** 0,72 0,006**
VO2 abs/FC 0,55 0,05* -0,42 0,151
VO2 abs /P 0,38 0,418 0,69 0,009**
VO2 abs /VE 0,53 0,549 0,63 0,009**
VO2 abs/ VCO2 0,69 0,719 0,80 0,001**
FC = freqüência cardíaca; P = potência; VE = ventilação Pulmonar; VO2 = consumo de oxigênio
(ml/Kg/min) em valores relativos (rel); VCO2 = produção de dióxido de carbono, VO2 em valores
absoluto (abs) em l/min ; *** p < 0,001; ** = p < 0,01; * = p < 0,05.
RESULTADOS 71

4.5.3 Correlação entre os valores das variáveis no LV1 e no PE


Para se conhecer a presença das relações dos valores das variáveis obtidos no LV1 e
no pico do esforço durante o TEFDC-D, calculou-se o Coeficiente de Correlação de
Spearman (rs), tabela abaixo.

Tabela 6 - Valores dos Coeficientes de correlação entre as variáveis estudadas, no LV1


versus no Pico do esforço (AFS e SED).

Variáveis Atletas p-valor Sedentários p-valor


LV1 versus PE rs rs
VO2 (ml/kg/min) 0,49 0,093ns 0,73 0,005**
FC (bpm) -0,12 0,693ns 0,70 0,007**
P (W) 0,34 0,255ns 0,88 0,0001***
VE (l/min) 0,74 0,004** 0,82 0,006**
VO2 (l/min)o 0,74 0,004** 0,87 0,0001***
VCO2 (l/min) 0,62 0,02* 0,75 0,003**
*** p<0,001; ** =p <0,01; * = p<0,05, NS = não significante.

[Link] Dispersão das variáveis metabólicas no LV1 e no PE


Figura 25 (a). No grupo dos atletas: Aplicado o teste de correlação, pode-se dizer
que não existe correlação entre as 2 variáveis (p > 0,05): quando aumenta o consumo de
VO2 no LV1 também aumenta o consumo no pico para o grupo dos atletas.
Nota – se que a maior parte dos valores de consumo de VO 2 em ambos os testes
para os atletas se concentram na escala de VO 2 no LV1 de 30 a 50 ml/kg/min, e no PE os
valores de VO 2 estão entre 45 a 60 ml/kg/min. Vale ressaltar que temos um valor máximo
para ambas as variáveis, considerado atípico para a distribuição.
Pode-se dizer que o comportamento entre as duas variáveis é aproximadamente
linear com o valor de rs igual 0,50.
Figura 25.(b). No grupo dos sedentários o teste de correlação indica que existe
correlação entre as variáveis de consumo de VO 2 no pico e no LV1 (p < 0.01).
No grupo dos sedentários, notamos que os valores são mais dispersos uns dos
outros, mas seguindo uma relação linear.
RESULTADOS 72

Verificamos valores mais baixos ao compararmos com o grupo dos atletas, ou seja,
os valores máximos dos sedentários são equivalentes aos valores mínimos dos atletas, com
referência à escala (ml/kg/min) a que esses valores estão ajustados. Não se nota ponto
atípico.
Figura 25 (c). No grupo dos atletas: não existe correlação entre as variáveis, porém
ela se comporta de forma tal que quando os valores de FC LV1 aumentam, os pontos se
distanciam da reta ajustada, o que pode indicar grande variabilidade.
Esses valores situam – se principalmente na escala do LV1 entre 150 a 175 (bpm) e
na escala pico entre 170 a 200 (bpm); porém, temos que ressaltar a existência de dois
valores atípicos, em que em deles está localizado em 150 (bpm) para escala pico e 158
(bpm) para a escala LV1, e outro ponto está em 165 (bpm) para escala pico e 177 (bpm) na
escala LV1. É necessário, oferecer uma atenção especial a esses valores.
Figura 25 (d). No grupo dos sedentários: mesmo existindo correlação entre as
variáveis, os valores não se comportam de forma aparentemente linear. Conforme aumenta
a freqüência cardíaca no teste do LV1, também aumenta a freqüência no teste do pico.
Apesar de ter 2 valores recuados da maioria do grupo, não temos valores consideravelmente
atípicos.
RESULTADOS 73

ATLETAS FUTSAL SEDENTÁRIOS

(a) (b)
80 44
43
75 x VO2 LVI
p > 0,05 42 x min p < 0,01
VO2 Pico ( ml/Kg/min)

VO2 pico (ml/Kg/min)


70 rs = 0,49 41 x max rs = 0,73
x VO2 LVI x median
x min 40 y max
65
x max
39 y median
x median y VO2 pico
60 y min 38
y max
y median 37
55
y VO2 pico
36
50
35

45 34
25 30 35 40
30 40 50 60 70 80

VO2 LV1 (ml/kg/min) VO2 LV1 (ml/kg/min)

(c) (d)
200 195
x FC LVI
190 x min
190 185 x max
x median
FC pico (bpm)

FC pico (bpm)

180 y min
180 x FC LVI y max
x min p > 0,05 175 y median
x max rs = -0,12 y FC pico
x median 170
170
y min 165
y max p < 0,01
160 y median 160 rs = 0,70
y FC pico
155
150 150
150 155 160 165 170 175 180 100 120 140 160 180 200
FC LV1 (bpm) FC LV1 (bpm)

Figura 25 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis VO2 L LV1 e Vo2 pico representados em
atletas de Futsal (a) e sedentários ( b); valores das variáveis FC LV1 e FC pico
representados em (c) e (d). podem-se observar os valores das medianas mínimos e
máximos nas linhas tracejadas.
RESULTADOS 74

Figura 26 (a). No grupo dos atletas: o comportamento dos dados não parece ser
linear; a maioria dos valores da potência no grupo dos atletas se localiza na escala
entre 250 a 400 (w) para a potência no teste do LV1 e entre 480 a 780 (w) no teste
do pico. É importante rastrear e analisar um ponto atípico que está bem no alto das
escalas (potência no pico e no LV1). A correlação não é significativa (p > 0.05).
Figura 26 (b). No grupo dos sedentários nota-se que existe uma distribuição linear;
portanto, a reta se ajusta melhor aos valores da variável potência.
Não existe ponto atípico ao analisar as informações. Os valores máximos de
potência dos sedentários não atingem os valores mínimos de potência para o grupo dos
atletas. A correlação é significativa (p < 0.001).
Figura 26 (c). No grupo dos atletas: note que os valores estão mais dispersos ao
comparar com o grupo dos sedentários, importante verificar que a reta se ajusta aos valores
altos, pois são esses os valores que os atletas têm na variável ventilação no LV1 e no pico.
A correlação é significativa (p < 0.01).
Figura 26 (d). No grupo dos sedentários: Nesse grupo, os valores estão
concentrados bem abaixo da escala da variável ventilação no LV1 e no PE, apenas um valor
está deslocado da maior parte concentrada, a correlação é significativa (p < 0.01).
RESULTADOS 75

ATLETAS FUTSAL SEDENTÁRIOS

(a) (b)
850 340
x P LVI
p > 0,05 320 x min
800
rs = 0,34 x max

Potência pico (W)


300
Potência pico (W)

750 x P LVI x median


x min 280 y min
700 y max
x max 260
x median y median
650
y min 240
y P pico p < 0,001
600 y max rs = 0,88
y median 220

550 y P pico
200

500 180

450 160
250 300 350 400 450 500 550 600 140 160 180 200 220 240 260 280
Potência LV1 (W) Potência LV1 (W)

(c ) (d)
140 110
x VE LVI
x min
120 p < 0,01 100 x max p < 0,01
VE PICO (L/min)

VE pico (L/min)

rs = 0,73 x median rs = 0,82


90 y min
100 y max
x VE LVI y median
x min 80 y VE pico
80 x max
x median 70
y min
60 y max
y median 60
y VE pico
40 50
50 60 70 80 90 100 110 30 40 50 60 70 80 90
VE LV1 (l/min) VE LV1 (l/min)

Figura 26 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis P (W) no LV1 e P pico em (W) -
representados em (a) atletas de Futsal e (b) sedentários; valores das variáveis VE LV1
e VE pico representados em (c) e (d). podem-se observar os valores das medianas
mínimos e máximos nas linhas tracejadas.

Figura 27 (a, b). No grupo dos atletas: A reta explica bem os valores da ventilação.
Os valores mínimos dos atletas são mais altos do que os valores mínimos para os
sedentários. No grupo dos atletas, não notamos valor atípico.
No grupo dos sedentários verifica-se que os valores estão bem distribuídos em volta
da reta, sem pontos atípicos.
RESULTADOS 76

Figura 27 (c, d). No grupo dos atletas: ao comparar as variáveis nota –se uma
distribuição linear em volta da reta; porém, com um ponto atípico bem próximo de 2 (lmin)
para ambas as escalas, o qual não se localiza na região próxima da reta. A reta está bem
ajustada aos valores altos da escala.
No grupo dos sedentários: existe correlação entre as variáveis; porém, o gráfico de
dispersão não mostra um comportamento linear entre as variáveis. Outros modelos (sem ser
o linear) devem ser considerados.

ATLETAS FUTSAL SEDENTÁRIOS


(a) (b)

4.5 3.2
p < 0,01 x VO2 LVI
x min
rs = 0,74 3 p < 0,001
x max
VO2 pico (L/min)

VO2 pico (L/min)


4 x median rs = 0,87
2.8 y min
y max
x VO2 LVI 2.6 y median
3.5 x min Y VO2 pico
x max 2.4
x median
y min
3 2.2
y max
y median
y VO2 pico 2

2.5 1.8
1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 1.4 1.6 1.8 2 2.2 2.4 2.6 2.8
VO2 LV1 (l/min) VO2 LV1 (l/min)

(c) (d)

5 3
x VCO2 LVI
2.8 x min p < 0,01
4.5 rs = 0,75
VCO2 pico (L/min)

VCO2 pico (L/min)

x max
2.6 x median
4 y min
y max
2.4 y median
3.5 x VCO2 LVI
x min y VCO2 pico
2.2
x max
3 p < 0,05 x median
rs = 0,62 y min 2
2.5 y max
y median 1.8
y VCO2 pico
2 1.6
1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 1 1.5 2 2.5
VCO2 LV1 (l/min) VCO2 LV1 (l/min)
Figura 27 - Diagrama de dispersão dos valores das variáveis VO2 (l/min) LVI e VO2 (l/min) pico
representados em (a) atletas de Futsal e (b) sedentários; valores das variáveis V LV1 E V
Pico represntados em (c) e (d). Podem-se observar os valores das medianas mínimos e
máximos nas linhas tracejadas.
RESULTADOS 77

4.6 Análise temporal e espectral da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC)


Os resultados obtidos estão descritos comparativamente entre o grupo de atletas de
Futsal (AFS) vs o grupo de sedentários (SED) e apresentados em forma de “Box Plots”,
com os valores de mediana, mínimo e máximo, 1º e 3º. Quartis (Q 1 e Q3 ) e com seus
respectivos níveis de significância estatística (quando houver), adquiridos através do Teste
de Meann –Whitney.
Os parâmetros dos índices temporais estudados foram: iRR médio, SDNN e r-MSSD,
e para os índices espectrais, os parâmetros foram: LF, HF e razão LF/HF cuja definição já
foi descrita no capítulo anterior. Os índices foram obtidos nas quatro fases (AQ, LV1, PE e
RA) com duração de 3 minutos cada fase, determinadas no teste de esforço físico dinâmico
contínuo do tipo degraus (TEFDC-D). Utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman
(Sr) em cada fase do teste.

4.6.1 Análise dos índices temporais na fase de aquecimento (AQ)


Na análise dos índices temporais, deu-se destaque ao estudo do intervalo RR (iRR)
médio e o SDNN pois, quanto maior for o valor do SDNN dos iRR médios, maior será a
VFC encontrada na condição funcional estudada.

[Link] Intervalo RR médio (iRR)


Figura 28 (a). Aplicado o teste de comparação, verificou-se que existe diferença
estatística entre os grupos (p<0,01).
O grupo AFS apresenta assimetria à direita na distribuição de seus valores. Nos dois
grupos, encontramos “outliers” moderados: No grupo AFS, este “outlier” situa-se na
extremidade superior da escala, e nos sedentários um na parte superior e um na parte
inferior. A amplitude dos valores para o grupo AFS é de 554 a 890 ms na escala (e o valor
“outlier” é igual a 911 ms e para o grupo SED é de 470 até 630 ms, o “outlier” superior e
inferior são iguais a 696 e 432 respectivamente).
RESULTADOS 78

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 28 (b). O teste indica que existe diferença entre os grupos AFS e SED (p
<0.05). Os dois grupos apresentam um conjunto de valores bem concentrados: para o grupo
AFS, o intervalo é de 41 ms até 106 ms para o grupo SED, o intervalo é de 4 ms até 100
ms.

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 28 (c). O teste indica que existe diferença entre os grupos AFS e SED (p <
0.01). Os grupos assumem valores em intervalos quase que distintos: intervalo para AFS:
12 ms a 59 ms; para o grupo SED: de 3 ms a 25 ms. Tanto no grupo dos atletas como no
dos sedentários, existe um “outlier” superior.

A representação gráfica desses valores acima apresentados pode ser


comparativamente observada entre os grupos na Figura 28, abaixo.
RESULTADOS 79

DADOS DA FASE DO AQUECIMENTO (AQ) – AFS versus SED


- ANÁLISE TEMPORAL -

(a) (b)
700
900

850 600
iR-R médío (ms)

800 500

(ms)
750
400
700

SDNN
650 300
P < 0,01
600
200
550

500 100
p < 0,05
450 0

AFS SED
AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

Figura 28 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase
do aquecimento (AQ) -3 minutos.
RESULTADOS 80

4.6.2 Resultados da Análise dos índices espectrais na fase de aquecimento (AQ)


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 29 (a). Aplicado o teste de comparação, verificou-se que existe diferença
estatística entre os grupos (p<0.01).
Os dois grupos apresentam assimetria à direita na distribuição de seus valores. Em
ambos, encontramos “outliers”. No grupo dos atletas, verifica-se um ponto aberrante (muito
distante dos demais). A amplitude dos valores, para o grupo AFS é de 52 até 365, (e o valor
“outlier” é igual a 817) e para o grupo SED é de 9 até 167 (aproximadamente, e o “outlier”
é igual a 250).

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 29 (b). Aplicado o teste de comparação, nota–se que existe diferença
estatística entre os grupos, para a variável de alta freqüência (p<0.05).
O grupo dos sedentários está bem concentrado nos valores baixos: 50% dos valores
são menores do que aproximadamente 10 ms 2 /Hz; enquanto que para o grupo AFS, nota-se
uma amplitude de 9 até 167 ms2 /Hz . Na distribuição dos valores da freqüência nos
sedentários, é possível notar uma leve assimetria à direita e um ponto “outlier” também a
direita, que corresponde a 356 ms 2 /Hz de freqüência.

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (LF/HF)


Figura 29 (c). Nota–se que existe diferença estatística entre os grupos (p < 0.05).
Verifica-se assimetria à direita dos valores da razão (LF/HF) nos dois grupos; no grupo dos
sedentários, existe um “outlier”.
O grupo dos sedentários assume valores tanto maiores como menores do que o dos
atletas, pouco mais concentrado.
RESULTADOS 81

DADOS FASE DO AQUECIMENTO (AQ) - AFS versus SEDENTÁRIO


- ANÁLISE ESPECTRAL -

(a) (b)

800 350

700 300

PSD HF (ms2/Hz)
PSD LF (ms2/Hz)

600
250
500
200
400
150
300
100
200
p < 0,01
100 50
P < 0,05
0 0

AFS SED AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

10
razão LF/HF

P < 0,05
4

AFS SED

Figura 29 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) e em
milissegundos ao quadrado por Hertz ms 2 /Hz. em (c) razão LF/HF. Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase de aquecimento (AQ),
apresentados de forma comparativa entre os grupos.

4.6.3 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais na fase AQ


Utilizou – se o teste de associação entre duas variáveis, obtidas no AQ junto aos
dois grupos, calculando-se a correlação pelo coeficiente de Spearman (rs).

As variáveis foram: domínio do tempo (DT) em milessegundos (ms) – intervalo RR


médio(iRR médio), Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN) e Raiz quadrada
média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R normais adjacentes (r-MSSD) com
RESULTADOS 82

os do domínio da freqüência (DF) em milessegundos ao quadrado por Hertz (ms2/Hz) –


baixa freqüência (LF) e alta freqüência (HF).

Os AFS apresentaram significância estatística somente nos iRR médios vs LF e HF


(p < 0,05), r-MSSD vs LF (p < 0,05) e HF (p < 0,01).
Para os SED, as significâncias estatísticas apresentadas foram: iRR médios vs LF
(p<0,05); SDNN vs LF e HF (p < 0,05); r-MSSD vs LF (p < 0,01) e HF (p < 0,01). Como se
podem observar. (Tabela 7) abaixo.

Tabela 7 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais (Aquecimento).

ATLETAS p-valor SEDENTÁRIOS p-valor


rs rs

iRR médios vs LF 0,7747 0,0019** 0.6099 0.0268*


iRR médios vs HF 0,7088 0,0067** 0.3791 0.2013 NS
SDNN vs LF 0,1923 0,529 NS 0.6044 0.0286*
SDNN vs HF 0,2198 0,4706 NS 0.5495 0.0517*
r-MSSD vs LF 0.8022 0.001** 0.8681 0.0001***
r-MSSD vs HF 0.8516 0.0002*** 0.8681 0.0001***
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman; * = p < 0,05; ** = p < 0,01; *** = p < 0,001;
NS = não significativo.

4.6.4 Resultados da Análise dos índices Temporais obtidos na fase do limiar


Ventilatório 1 (LV1)
[Link] Intervalo RR médio (iRR)
Figura 30 (a). Verifica-se pouca diferença na distribuição dos valores, isto é: ambos
os grupos têm uma leve assimetria à direita, nenhum dos grupos têm “outlier” e suas
amplitudes são equivalentes.

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 30 (b). O teste indica que não houve diferença entre os grupos AFS e SED
(p > 0,05). Ambos apresentam um conjunto de valores com distribuição equilibrada. Com
valores extremos de 6 e 22 ms para o grupo de atletas, com leve assimetria à direita, (DQ,
RESULTADOS 83

5,22 ms). Para o grupo de sedentários, os extremos são 10 e 28 ms. Os SED têm a menor
variabilidade em torno da mediana DQ, 4,11 ms (apresenta um “outlier” de 47 ms).

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 30 (c). O teste também indica que não houve diferença estatística
significante entre os grupos. Nota-se que o grupo dos AFS apresenta 50 % dos valores de
entre 2,9 e 5 ms, outros 50% entre 5 e 9 ms apresentando pequeno desvio em torno da
mediana (DQ, 1 ms ) para os dois grupos, observados na Figura abaixo

DADOS DA FASE DO LIMIAR VENTILÁTORIO 1 (LV1) – AFS versus SED


- ÍNDICES TEMPORAIS -
(a) (b)
460
45

440 40
R-R médío (ms)

35
(ms)

420
30
400
25
SDNN

NS
380 20
NS
15
360
10
340
5

AFS SED AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

20

18

16
r-MSSD (ms)

14

12

10

6
NS
4

AFS SED

Figura 30 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase
do limiar ventilatório (LV1).
RESULTADOS 84

4.6.5 Análise espectral – limiar ventilatório 1 (LV1)


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 31 (a). No grupo dos atletas, existe uma leve assimetria à esquerda da
distribuição dos valores da baixa freqüência. Além disso, o intervalo é pequeno: varia de
0,08 a 2,5 ms 2 /Hz de freqüência.
No grupo dos sedentários, existe um valor aberrante. Existe assimetria à direita para
a distribuição dos valores da baixa freqüência no LV1 para os sedentários. Notamos um
maior intervalo para este grupo que varia de 0,7 a 9,2 ms 2 /Hz.

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 31 (b). Nota–se assimetria à direita para ambos os grupos de atletas.
No grupo dos atletas, encontramos um “outlier”, porém, o mais distante é
equivalente a 4,7 ms2 /Hz, enquanto que os demais valores da freqüência se distribuem de 0
a 1.7 ms 2 /Hz de freqüência na escala ajustada.
No grupo dos sedentários, nota-se a presença de dois “outliers”; que correspondem
aos valores 1,7 a 4,2 ms 2 /Hz de freqüência; os demais valores estão em uma pequena
variação da escala correspondente de 0,2 a 0,8 ms 2 /Hz na escala de freqüência.

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)


Figura 31 (c). Nota–se assimetria à direita para ambos os grupos.
No grupo dos atletas, 50% dos valores da razão LF/HF estão entre 0,2 a 2 e a outra
metade de 2 a 12 na escala ajustada para a razão das freqüências.
No grupo dos sedentários, existe um “outlier” de valor correspondente a 16,5 na
escala. Os valores da razão nos sedentários estão distribuídos da seguinte forma: 50% está
entre 1,2 a 2,5 e a outra metade entre 2,5 a 16,5 na escala ajustada para a razão. A
variabilidade do grupo SED é um pouco menor do que a do grupo AFS (sem considerar o
“outlier”).

O teste de comparação entre os grupos não indicou diferença estatisticamente


significativa (p>0,05) em nenhum dos índices estudados nesta fase do exercício.
RESULTADOS 85

DADOS DA FASE DO LIMIAR VENTILATÓRIO 1 (LV1) – AFS versus SED


- ÍNDICES ESPECTRAIS -

(a) (b)

8
PSD LF (ms2/Hz)

2
NS

AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

16

14

12
razão LF/HF

10

6
NS
4

AFS SED

Figura 31 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz ms 2 /Hz, razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (LV1),
apresentados de forma comparativa entre os grupos.

4.6.6 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais na fase do


LV1
Correlacionaram-se os valores, obtidos no DT (iRR médio, SDNN e r-MSSD) com
os do DF (LF, HF e razão LF/HF).
Os AFS apresentaram significância estatística no iRR médios vs LF e HF (p < 0,05);
r-MSSD vs LF (p < 0,05) e HF (p < 0,01).
RESULTADOS 86

Para os SED, as significâncias estatísticas apresentadas foram: iRR médios vs LF


(p<0,05); SDNN vs LF e HF (p < 0,05); r-MSSD vs LF (p < 0,01) e HF (p < 0,01), como se
podem observar na Tabela 8, abaixo.

Tabela 8 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais (limiar ventilatório1).
ATLETAS p Valor SEDENTÁRIOS p Valor
rs rs

iRR médios vs LF 0.6264 0.0219* 0.5055 0.078 NS


iRR médios vs HF 0.3187 0.2885 NS 0.4945 0.0857 NS
SDNN vs LF 0.5659 0.0437* 0.4505 0.1222 NS
SDNN vs HF 0.4121 0.0437* 0.2912 0.3343 NS
r-MSSD vs LF -0.0440 0.8866 NS 0.033 0.9149 NS
r-MSSD vs HF 0.5769 0.0389* 0.5549 0.0489*
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman; * = p < 0,05, NS= não significativo.

4.6.7 Análise temporal –pico do esforço (PE)


[Link] Intervalo RR médio (iRR)
Figura 32 (a). Em ambos os grupos, notamos simetria na distribuição dos valores,
houve informações significantes (p<0,001). Os sedentários são mais heterogêneos na
distribuição dos dados, com valor da amplitude total e inter-quartil 57 % maior que o
grupo de atletas.

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 32 (b). Aplicado o teste de comparação, nota–se diferença estatística (p<
0,001) entre os grupos, também; apresentam assimetria à direita na distribuição de seus
valores. Notamos a presença de um “outlier” para o grupo de SED (igual a 35 ms).
Nota-se que o grupo de atletas têm o menor valor do desvio inter-quartil (DQ, 2,37
ms AFS e 4,17 ms SED), ou seja, apresenta pequena dispersão em torno da medida central.
Entretanto, apresenta uma variabilidade maior, ao calcularmos o coeficiente de variação do
quartil (CVQ igual 30, 87% para os AFS e 25 % para os SED).A causa da maior variação é
devida aos 50% dos valores superiores estarem mais dispersos.
RESULTADOS 87

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 32 (c). Apesar do teste não nos ter dado informações significantes
estatisticamente, notamos que, em ambos os grupos, existem “outliers”, correspondetes ao
valor máximo.
No grupo de atletas, notamos assimetria para a direita e uma grande amplitude
(CVQ igual a 39,70 % - AFS contra 13% - SED) ao compararmos com o grupo de
sedentários.

DADOS DA FASE DO PICO DO ESFORÇO (PE) – AFS versus SED


- ÍNDICES TEMPORAIS -
(a) (b)
35
440

30
420
iRR- médios (ms)

SDNN (ms)

25
400

20
380

15
360
P < 0,001 P < 0,001
340 10

320 5

AFS SED AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

20
18
r-MSSD (ms)

16
14
12
10
8
N S
6
4

AFS SED

Figura 32 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase
do pico do esforço (PE).
RESULTADOS 88

4.6.8 Análise espectral – pico do esforço (PE)


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 33 (a). Houve diferença estatística (p < 0,001) entre os grupos. Os atletas
são mais homogêneos, em torno da mediana com valor de dispersão (Q igual a 0,23 ms para
AFS e de 0,43 ms para SED), Porém, apresentam uma variabilidade bem maior quando se
aplica o CVQ (AFS é de 78,80% e para SED igual a 31,23 %), não levando em
consideração os dois “outliers” que aparecem no grupo dos sedentários.

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 33 (b). Ao comparar esse índice, obtido na condição de final do exercício
(PE), verifica-se que não houve diferenças estatísticas (p > 0,05). Os atletas apresentaram
maior distância entre o 1º e 3º quartis, refletindo na variabilidade dos dados vistos pelo
cálculo do coeficiente de variação do quartíl (CVQ igual a 74,44 % para o grupo AFS e
32,08 % para o grupo SED).

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)


Figura 33 (c). Por causa da existência de “outliers” em ambos os grupos é possível
notar uma forte assimetria à direita na distribuição dos valores para a razão LF/HF no pico
do esforço.
No grupo dos atletas, os valores estão condensados em uma curta amplitude, se não
levarmos em conta os “outliers”. 50% dos valores estão entre 0 a 0,8 na escala e a outra
metade está entre 0,8 a 11 na escala de razão.
No grupo dos sedentários, verifica-se uma maior amplitude nos valores mais
agrupados. A distribuição dos valores está entre 1 a 2.7 na escala que corresponde a 50%
deles, e os outros 50% estão entre 2.7 a 13 na escala da razão LF/HF, no pico do esforço. O
teste de comparação indica diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p <
0.01) (pode ser visto graficamente, pela diferença no intervalo para os dois grupos).
RESULTADOS 89

DADOS DA FASE DO PICO DO ESFORÇO (PE) – AFS versus SED


- ÍNDICES ESPECTRAIS -

(a) (b)

5 4

HF (ms2/Hz)
PSD LF (ms2/Hz)

4
3

PSD
P <0,001 1
1
N S

0 0

AFS SED AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

12

10
razão LF/HF

P < 0,01
2

AFS SED

Figura 33 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz ms 2 /Hz, razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas junto
aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (PE),
apresentados de forma comparativa entre os grupos.

4.6.9 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais – no pico


do esforço (PE)
Correlacionaram-se os valores obtidos no DT (iRR médio, SDNN e r-MSSD) com
os do DF (LF, HF e razão LF/HF).
RESULTADOS 90

Os AFS apresentaram significância estatística somente nos iRR médios vs LF e HF


(p<0,05), r-MSSD vs LF (p < 0,05) e HF (p<0,01).
Para os SED as significâncias estatísticas apresentadas foram: iRR médios vs LF (p
< 0,05); SDNN vs LF e HF (p < 0,05); r-MSSD vs LF (p < 0,01) e HF (p < 0,01).como se
podem observar, na Tabela abaixo.

Tabela 9 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais da análise Tempo-Freqüência (pico do exercício)

ATLETAS - p Valor SEDENTÁRIOS p Valor


rs - rs

iRR médios vs LF 0.7198 0.0055** 0.4835 0.0941 NS


iRR médios vs HF -0,0659 0.8305 NS 0.2637 0.3839 NS
SDNN vs LF 0.6923 0.0087** 0.4396 0.1328 NS
SDNN vs HF 0.5714 0.0413* 0.2692 0.3737 NS
r-MSSD vs LF 0.4725 0.1029 NS -0,1758 0.5656 NS
r-MSSD vs HF 0.8736 0.0001*** 0,4011 0.1743 NS
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman; * = p < 0,05; ** = p < 0,01; *** = p < 0,001;
NS = não significativo.

4.6.10 Análise temporal – recuperação ativa (RA)


[Link] Intervalo RR médio (iRR)
Figura 34 (a). No índice iRR médio, é possível fazer a verificação das informações,
com diferenças significativas (p < 0,001). Em ambos os grupos há assimetria à direita.
Os sedentários apresentam maior variabilidade na distribuição dos dados na escala,
influenciados pela amplitude, com valor de dispersão em torno da medida central (para o
grupo de SED mediana igual a 381, desvio Q 25,81 ms, para o grupo de AFS mediana igual
a 325 ms, desvio Q é 8,48 ms). O grupo de AFS apresenta um “outliers” moderado.

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 34 (b). As diferenças obtidas no teste de comparação são significantes perante
os dois grupos (p<0,001). Nota-se a presença de dois “outliers” severos (inferior e superior)
no grupo de sedentários.
RESULTADOS 91

Os atletas apresentam distribuição mais heterogênea do que o grupo de SED,


representado pelo cálculo do CVQ igual a 47,18 contra 12,55 % (dos sedentários).
Devemos observar também que 50 % dos dados do grupo de AFS estão bem mais dispersos
que a outra metade.

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 34 (c). O teste indica que não existe diferença entre os grupos AFS e SED (p >
0,05). Os dois grupos apresentam um conjunto de valores mais concentrados na metade
(50%) inferior da escala e nota-se maior amplitude para grupo de AFS no outra metade
superior. O grupo de sedentários, apresentou dois “outliers”: um moderado e outro severo.

FASE DA RECUPERAÇÃO ATIVA (RA) – AFS versus SED


- ÍNDICES TEMPORAIS -

(a) (b)
70
440
60
iR-R médío (ms)

420
50
SDNN (ms)

400
40
380
30
360 p < 0,001
P < 0,001 20
340
10
320
AFS SED
AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”


45

40
r-MSSD (ms)

35

30
25

20

15

10
NS
5

AFS SED

Figura 34 - Valores iRR médios em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED)
representados em (a), SDNN (ms) em (b), r-MSSD (ms) em (c), adquiridos durante a fase da
recuperação ativa (RA).4.6.11 Análise espectral – recuperação ativa (RA)
RESULTADOS 92

4.6.11 Análise espectral – recuperação ativa (RA)


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 35 (a). O teste de comparação não apresentou diferença estatística (p >0,05)
em ambos os grupos. Nota-se a presença de um “outlier” severo para o grupo AFS e um
moderado para o grupo de SED. O cálculo do coeficiente de variação revelou valores altos
para os AFS e SED (CVQ igual 80,91% e 67,03% respectivamente).

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 35 (b). Nota-se a presença de “outliers” nos grupos. O teste de significância
estatística não apresentou diferença (p>0,05). Os atletas tiveram uma dispersão maior na
distribuição dos dados (valores de mediana 0,40 com desvio em torno da mediana (DQ)
igual a 2,65 ms2 /Hz e para o SED a mediana é igual 0,65 e DQ é igual 0,79).

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)


Figura 35 (c). Pode-se dizer que existe diferença significativa entre os grupos
(p<0.01).
No grupo dos atletas, verifica – se uma assimetria à direita e nota-se menor
amplitude dos valores da razão em comparação com o grupo dos sedentários. Essa
amplitude corresponde a 4 na escala da razão
Ao contrário do grupo dos atletas, nos sedentários encontra-se uma grande
amplitude na distribuição dos valores da razão, em torno de 13,2 na escala ajustada.
Não existe “outlier” na distribuição dos valores na escala da razão.
RESULTADOS 93

FASE DA RECUPERAÇÃO ATIVA (RA) – AFS versus SED


- ÍNDICES ESPECTRAIS -

(a) (b)
150

50

PSD HF (ms2/Hz)
PSD LF (ms2/Hz)

40
100

30

20
50

10

NS
NS 0
0
AFS SED
AFS SED

(c) Legenda “boxPlot”

14

12

10
razão LF/HF

P <0,001
2

AFS SED

Figura 35 - Valores absolutos dos componentes de baixa freqüência (LF) em (a) e alta freqüência em (b) em
milissegundos ao quadrado por Hertz (ms 2 /Hz), razão LF/HF em (c). Freqüências obtidas
junto aos atletas de Futsal (AFS) e sedentários (SED) durante a fase do limiar anaeróbio (RA),
apresentados de forma comparativa entre os grupos.
RESULTADOS 94

4.6.12 Correlações entre os valores dos índices temporais e espectrais – RA


Correlacionaram-se os valores, obtidos no DT (iRR médio, SDNN e r-MSSD) com
os do DF (LF, HF e razão LF/HF).

Os AFS apresentaram significância estatística somente nos iRR médios vs LF e HF


(p < 0,05), r-MSSD vs LF (p<0,05) e HF (p<0,01).

Para os SED as significâncias estatísticas apresentadas foram: iRR médios vs LF (p


< 0,05); SDNN vs LF e HF (p<0,05); r-MSSD vs LF (p<0,01) e HF (p<0,01). Como se
podem observar, Tabela 10.

Tabela 10 - Valores dos Coeficientes de Relações entre as Variáveis, obtidas dos Índices
Temporais e Espectrais da análise Tempo-Freqüência (recuperação
ativa)

ATLETAS p Valor SEDENTÁRIOS p Valor


rs rs

iRR médios vs LF 0.4505 0.1222 NS 0.522 0.0672 NS


iRR médios vs HF 0.5165 0.0707 NS 0.4176 0.1556 NS
SDNN vs LF 0.3626 0.2232 NS 0.3901 0.1875 NS
SDNN vs HF 0.1978 0.5171 NS 0.1593 0.6031 NS
r-MSSD vs LF 0.8956 0 *** 0.2582 0.3942 NS
r-MSSD vs HF 0.8242 0.0005*** 0.7308** 0.0045**
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman; * = p<0,05; ** = p<0,01; *** = p<0,001; NS
= não significativo.

4.7 Análise da variância dos índices temporais e espectrais nas 4 fases do


TEFDC-D – atletas (AFS) e sedentários (SED)

4.7.1 Índices temporais - Atletas


Utilizou-se o Teste de Kruskal-Walls na análise de variância nos índices.
Em nossos achados, a análise temporal trouxe diferenças entre os grupos revelando
os maiores valores de iRR médios para os dois grupos comparados às demais fases do
exercício estudado. Será utilizada como base de comparação a fase de aquecimento. Mesmo
RESULTADOS 95

que tal fase do exercício (AQ) seja considerada leve, a ocorrência desses valores de iRR já
pode refletir a resposta do coração ao estimulo promovido pelo SNA e que tem reflexo na
maior FC observada em relação a FC de repouso.

[Link] Intervalo RR médios (iRR)


Figura 36 (a). Os iRR médios dos AFS nesta fase, (valores de mediana) foram 43%
maiores que o limiar ventilatório1- LV1 (p<0,01); 49,68% maiores do que a fase do pico do
esforço –PE e recuperação ativa – RA (p<0,001). A diminuição do iRR manteve-se até o
final do exercício; quando comparado o PE com o RA, não apresentou diferença estatística
significante.

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 36 (b). SDNN = (dp) reflete todos os componentes cíclicos responsáveis
pela variabilidade da freqüência cardíaca. Este índice revelou importante diminuição com
relação às demais condições funcionais, conferindo, à AQ, a maior VFC obtida no DT. Os
SDNN (valores de medianas) dos AFS foram 80% maiores que no LV1 (p < 0,001);
90,23% maiores que no PE (p < 0,001) e 80,60% maiores que a RA (p < 0,01).

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 36 (c) r-MSSD, também foram modificados, quando comparados com as
demais fases, salientada sua forte relação com a atividade vagal. Os RMSSD dos AFS nesta
fase foram 82,14% maiores que no LV1 (p<0,001); 81,07 maiores que o PE (p<0,001) e
76,41 % que o RA (p <0,001).
Nota-se que, a partir do LV1, PE e RA, não houve diferenças significantes. O que
deu para notar é que o LV1 apresentou o menor grau de variabilidade em torno da medida
central mediana representado em termos absolutos pela medida semi-interquartílica (Q)
igual a 1,05 ms contra 7,35 ms do AQ; 3,15 ms do PE e 3,84 ms do RA, que apresentaram
uma variabilidade maior em torno da mediana. Em termos relativos, o AQ foi o que
apresentou menor variabilidade representada pelo coeficiente de variação quartil (CVQ)
igual a 25% contra 31% do LV1; 39,70% do PE e 46,52% do RA.
RESULTADOS 96

DADOS DOS ÍNDICES TEMPORAIS NAS QUATRO FASES DO TEFDC-D


- ATLETAS-

(a) (b)

900
100

800
iRR MÉDIOS (ms)

80

700
***
***

SDNN (ms)
***
*** 60 ***
600 *
40
500

*** 20 NS
400
** QS
NS
300
*
0
1 2 3 4 1 2 3 4

AQ LV1 PE RA AQ LV1 PE RA

(c) Legenda “boxPlot”

70

60
r-MSSD (ms)

50

40
***
30 ***
NS
20 ***
10
NS
NS
0
1 2 3 4

AQ LV1 PE RA

Figura 36 - Análise de variância nas quatro fases do TEFDC-D dos índices iR-R médio em (A), SDNN em
(B) e r-MSSD em (C) em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS).

4.7.2 Índices espectrais - Atletas


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 37 (a). Nota-se que, no AQ, o índice LF apresenta maiores valores de
energia na escala (mínimo, 50 e máximo, 350 ms 2 /Hz), revelando diferenças estatísticas
significantes em relação às demais fases (P<0,001). Não ocorreram diferenças
significativas entre as fases LV1, PE e RA. Observe que a queda de energia foi abrupta, a
RESULTADOS 97

partir da fase LV1, mantendo –se até o final do teste, ocorrendo algumas variações em
torno da medida central mediana (Md) e seus respectivos desvios inter-quartílicos (DQ).
Para o LV1, (Md,1,64 ms 2 [DQ,0,48], PE Md, 0,28 ms 2 [DQ,0,23], RA Md, 0,94 ms 2 [DQ
0,80]) . Ao calcularmos o coeficiente de variação do quartil, notamos que o PE e RA
atingiram maiores valores (CVQ, 76,80 % e 80.91 % respectivamente menores para AQ e
RA, 59 % e 28 %).

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 37 (b) Este índice na fase AQ, alcança valores maiores de potência
(amplitude), (AQ Md, 44,72 ms 2 [DQ, 44,22] contra LV1 Md, 0,65 ms 2 [DQ, 0,35] PE
Md,0,28 ms 2 [DQ, 0,32] e RA Md, 0,40 [DQ, 2,65]. Aplicado o teste de comparação, nota-
se diferença significante entre as outras fases; p <0,01e 0,001).
Na comparação entre o LV1 vs PE, existe diferença significante (p<0,05); para a
fase LV1 vs RA e PE vs RA não existe diferença significante (p>0,05). Todos as fases
tiveram o CVQ elevados, maior destaque para o RA com 93 %.

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)


Figura 37 (c) Nota-se que os 50% dos valores mais baixos da escala para cada fase
estão sempre mais concentrados ao se compararem com a outra metade que corresponde
aos 50% valores maiores: existe assimetria à direita.
A maior amplitude da distribuição dos valores encontra – se na fase LV1 e a menor
na fase PE, isso se os “outliers” existentes na fase PE forem desprezados.
Importante fazer um rastreamento e verificar o porquê desses “outliers”, pois,
aparentemente, as distribuições dos valores da razão dos atletas nas quatro fases são
equivalentes, porém, com valores distintos entre elas, ou seja, todos os “Box plots”
possuem características semelhantes.
Em cada fase, os valores iniciais e finais são distintos: os valores em PE são todos
menores do que na fase AQ.
Existe diferença significativa entre as fases AQ e PE e AQ e RA; LV1 e PE, LV1 e
RA. Para as fases AQ e LV1 não existe indicação de diferença; também não existe
indicação de diferença para as fases PE e RA.
RESULTADOS 98

DADOS DOS ÍNDICES ESPECTRAIS NAS QUATRO FASES DO TEFDC-D


- ATLETAS -

(a) (b)

800 350

700 300
PSD LF (ms2/Hz)

PSD HF (ms2/Hz)
600
250

500
200
400
150
300
***
*** 100 ***
200
*** ***
ns 50 NS
100
ns ns ** NS
0 0 *
1 2 3 4 1 2 3 4

AQ LV1 PE RA AQ LV1 PE RA

(c) Legenda “boxPlot”

12

10
Razão LF/HF

8
*** **
6

NS
4

2
*
NS
0
*
1 2 3 4

AQ LV1 PE RA

Figura 37 - Representação dos valores de LF em (a), HF em (b) milessegundo ao quadrado por Hertz
(ms 2 /Hz) e da razão LF/HF em ( c) dos atletas obtidas nas quatro fases do TEFDC-D.
Aquecimento ( 1-AQ); limiar ventilatórioI (2-LV1), pico do esforço (3-PE) e recuperação
ativa (4-RA). As diferenças estatísticas foram representas da seguinte forma: NS=não
significativo; *=p<0,05=significante; **=p<0,01=muito significante e
***=p<0,001=extremamente significante.
RESULTADOS 99

4.7.3 Índices temporais - Sedentários


[Link] Intervalo RR médio (iRR)
Figura 38 (a). Os valores dos SED iRR médios [Link] as demais
situações investigadas apresentaram valores significativamente (p<0,001) maiores, ou seja,
iRR médios (valor de mediana) 30,55% maiores do que os obtidos no LV1 31,13% maiores
do que no PE, e 29,33% maiores do que a RA.
Nota-se que na comparação das outras fases (LV1, PE e RA), não ocorreu diferença
estatística (p>0,05).

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN)


Figura 38 (b). Os SDNN apresentados pelos SED (valores de medianas) durante a
fase de aquecimento, foram 65,20% maiores do que no LV1 (p<0,001); 68,67% maiores do
que o PE (p<0,001), e 27,20 % maiores do que a RA (p > 0,05). Observando os “Box
Plots”, nota-se um achatamento dos valores nos momentos mais críticos do teste LV1 e PE,
e na seqüência (RA), a retomada dos valores demonstrando VFC. Para os atletas, houve
essa ocorrência, mas em pequena magnitude.

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (r-MSSD)
Figura 38 (c). r-MSSD desta fase para os sedentários comparados com as demais
fases do teste teve seus valores significativamente (p < 0,001) maiores, sendo (valor de
mediana) 60% maior que na VLI; 62,37% maior que o PE e 64,65% maior que a RA.
RESULTADOS 100

DADOS DOS ÍNDICES TEMPORAIS NAS QUATRO FASES DO TEFDC-D


- SEDENTÁRIOS -

(a) (b)
700
90

650
80

600 ***
iRR MÉDIOS (ms)

70
NS
*** 60

SDNN (ms)
550

*** 50
***
500
NS 40 **
450 ***
30
**
400
20 NS
NS NS
350 10

0
1 2 3 4 1 2 3 4

AQ LV1 PE RA AQ LV1 PE RA

(c) Legenda “boxPlot”

45

40

35
r-MSSD (ms)

30

25

20
**
15 ***
NS
10
**
NS NS
5

1 2 3 4

AQ LV1 PE RA

Figura 38 - Análise de variância nas 4 fases do TEFDC-D dos índices iR-R médio em (a), SDNN em (b) e r-
MSSD em (c) em milissegundos (ms) dos atletas de Futsal (AFS). As diferenças estatísticas
foram representas da seguinte forma: NS = não significativo; **=p<0,01=muito significante e
***=p<0,001=extremamente significante.
RESULTADOS 101

4.7.4 Análise da variância dos índices espectrais - Sedentários


[Link] Densidade de potência espectral baixa freqüência (PSD LF)
Figura 39 (a). No AQ o LF destaca-se pela maior amplitude na escala, com
diferenças significantes comparadas com outras 3 fases com LV1 e PE, (p<0,001) com RA
(p<0,01). Não ocorreu diferença significante entre LV1, PE e RA ao serem comparados
A componente de baixa freqüência apresenta ter mais energia concentrada na fase de
AQ. As outras fases apresentam energia próxima de zero. Os valores de mediana e desvio
inter-quartílico foram: AQ Md, 133,13 ms2 [DQ, 34,10], LV1 Md, 1,64 ms2 [DQ, 0,91],
PE Md, 0,28 [DQ,0,43], RA Md, 0,94 [DQ, 0,80]. O LV1 teve o menor CVQ, igual 28.66
%.

[Link] Densidade de potência espectral alta freqüência (PSD HF)


Figura 39 (b). Todas as fases tiveram diferenças significativas ao se compararem
com a fase AQ (p<0,001). Não ocorreram diferenças significativas nas fases LV1, PE e
RA, comparadas entre si. (p >0,05). Os valores de mediana e desvio foram: AQ Md,
12,01ms2 [DQ, 9,33], LV1 Md, 0,47 ms2 [DQ, 0,22], PE Md, 0,35 ms2 [DQ, 0,14], RA
Md, 0,66 [DQ, 0,40].

[Link] Razão baixa freqüência para alta freqüência (razão LF/HF)


Figura 39 (c). Nota–se que existem “outliers” nas três fases; um na fase AQ, outro
na fase LV1 e 2 na fase PE. Esses “outliers” são responsáveis pela assimetria à direita. nas
quatro fases.
Os valores mínimos são equivalentes entre as quatro fases: porém, com valores
superiores distintos e forma da distribuição também distinta.
Na fase RA, existe uma leve assimetria, ou seja, os valores estão distribuídos de
forma homogênea.
Nas fases LV1 e PE, os 50% valores menores da razão estão mais concentrados; ao
contrário da outra metade em que se encontram mais dispersos. Não existe diferença
significativa entre as quatro fases.
RESULTADOS 102

DADOS DOS ÍNDICES ESPECTRAIS NAS QUATRO FASES DO TEFDC-D


- SEDENTÁRIOS -

(a) (b)
250 300

250
200

PSD HF (ms2/Hz)
PSD LF (ms2/Hz)

200
150

150

100
** 100
*** **
50
NS 50 NS
*** ***
NS NS
0
NS
0 *** NS

1 2 3 4 1 2 3 4

AQ LV1 PE RA AQ LV1 PE RA

(c) Legenda “boxPlot”

16

14
Razão LF/HF

12

10

8
NS
6 NS NS
NS NS NS
4

0
1 2 3 4

AQ LV1 PE RA

Figura 39 - Representação dos valores de LF em (a), HF em (b) em milessegundo ao quadrado por Hertz
(ms 2 /Hz) e da razão LF/HF em (c) dos sedentários obtidas nas quatro fases do TEFDC-D.
Aquecimento (1-AQ); limiar ventilatórioI (2-LV1), pico do esforço (3-PE) e recuperação ativa
(4-RA). As diferenças estatísticas foram representas da seguinte forma: NS = não
significativo; **=p <0,01=muito significante e ***=p<0,001=extremamente significante.
RESULTADOS 103

4.8 Correlações das capacidades metabólicas versus índices temporais e


espectrais obtidos no obtidos no LV1 e PE
Utilizou-se o coeficiente de correlação de Spearman (rs). Os valores metabólicos
VO2 em mililitro por quilo por minuto (ml/Kg/min), FC em batimentos por minuto (bpm),
VE, VO 2 e VCO2 em litros por minuto (l/min) com os dos índices temporais (RRi médio,
SDNN e r-MSSD) em milessegundo (ms). Os resultados dos atletas e sedentários
encontram-se nas tabelas XIII e XIV, Anexo D.
Para grupos de AFS, as variáveis, FC, P, VE, VCO2 e VO 2 em valores relativos e
absolutos tiveram correlação significante (p<0,05) negativo com o iRR médios na fase do
LV1. O SDNN não apresentou correlação significante com nenhuma variável metabólica
estudada.
O grupo de sedentários apresentou correlação significante (p<0,05) negativa com as
variáveis VO2 rel, P e VCO2 versus iRR médios e FC, P, versus SDNN.
Não houve correlação das variáveis metabólicas versus r-MSSD na fase do LV1
com nenhum dos grupos. Curiosamente, o valor do (rs) se deu positivo, para as variáveis
VO2 , P, VE, e VCO2 e valor de (rs) negativo para a FC versus o índice r-MSSD no grupo de
AFS, e o inverso ocorreu com o grupo de sedentários, tanto no LV1 como no PE.
As correlações das variáveis metabólicas na fase LV1 versus índice no domínio da
freqüência para os AFS foram significantes (p<0,05) negativo na variável Potência versus
LF e razão LF/HF, variáveis VO 2 e VCO2 versus HF, e VO2 versus HF para o grupo de
sedentários.

4.9 Resultado da análise de distribuição tempo-freqüência AR.


A análise observacional feita no espectrograma do comportamento das bandas de
energia LF e HF ao longo do TEFDC-D de cada voluntário, nos fez chegar aos seguintes
fatos:
Para os atletas e sedentários de uma forma geral, as informações que foi possível
notar, é que, no início do teste fase1 (aquecimento - AQ), há atividade autonômica intensa
(maior para LF) (Quadro 1, Anexo E), no meio, entre 35 a 50 % do esforço físico
aproximadamente, fase2 (limiar ventilatório1 – LV1), praticamente na há potências nessas
bandas, diminui abruptamente (maior para LF) (Anexo E); na fase 3 (pico do exercício -
RESULTADOS 104

PE), a potência LF aumenta um pouco nos atletas (mesmo assim com um HF mais variável)
e muito nos sedentários (Anexo E). Além, disso, nos sedentários esse aumento de potência
na banda LF se dá bem antes que nos atletas, na fase 4 (recuperação ativa - RA), as
potências LF e HF continuam próximo de zero, mas para os atletas o HF aparenta estar
mais variável em relação ao LF (Anexo E). Para o grupo controle é notório o domínio do
componente LF, (Anexo E). A Figura abaixo mostra o comportamento autonômico de um
atleta e de um sedentário durante as quatro fases do exercicio físico dinamico,
represetandos pelos intervalogramas e espectrogramas AR.

Figura 40 Resultado comparativo dos intervalogramas em (a) e espectrogramas AR em (b)


de um atleta e de um sedentário durante as quatro fases do TEFDC-D.
5. DISCUSSÃO
DISCUSSÃO 106

No presente estudo, primeiramente são discutidas as diferenças antropométricas,


entre os grupos, o efeito do treinamento aeróbio dos atletas comparados com o grupo
controle através dos parâmetros fisiológicos obtidos no LV1 e PE. Secundariamente, uma
associação entre as quatro fases (AQ, LV1, PE e RA) obtidos no teste de esforço físico
(índices temporais e índices espectrais). Finalmente, a associação dos índices espectrais
com a análise subjetiva dos espectrogramas AR, abrindo uma perspectiva moderna no
campo de fisiologia de exercício.

5.1 Características antropométricas


Estão bem estabelecidas na literatura que as respostas fisiológicas ao exercício
físico são dependentes de vários fatores, tais como, características antropométricas, estilo
de vida, condição de saúde, entre outros (HICKSON et al., 1985; GALLO et al., 1987;
HAYANO et al., 1990; GALLO JR et al., 1990; MOLGAARD et al., 1991; DAVI et al.,
1999; CATAI et al., 2002; STOLARZ et al., 2003). Dessa forma, a presente investigação
foi conduzida considerando-se a padronização dos fatores acima referidos no sentido de
caracterizar a amostra e controlar suas variações em função das interferências nas respostas
fisiológicas. Tal procedimento reduz as interferências das variáveis estudadas, permitindo
maior confiabilidade na interpretação fisiológica destas.

Para análise da Tabela 2 observa-se que os atletas apresentaram maiores valores no


índice de massa magra absoluta. Esses dados são corroborados com dados da literatura. A
variável em questão pode ser justificada pela interferência de vários fatores que,
conjuntamente, poderiam atuar nessa relação, tais como, o próprio volume de treinamento,
os componentes genéticos, cardiovasculares (FLECK et al., 1988) e musculares (TESCH et
al., 2004), característica das respostas endócrinas (KRAEMER et al., 2002), metabólicas
(DUDLEY et al., 1991) e de alimentação (ASTRAND;RODAHL, 1987; MCARDLE et al.,
1996), etc.
DISCUSSÃO 107

5.2 Freqüência cardíaca de repouso


A modulação autonômica é o principal mecanismo responsável pelo controle da FC
em indivíduos saudáveis. Durante o repouso, tanto as eferências parassimpáticas como as
simpáticas estão tonicamente ativas com efeito, predominantemente, vagal. A estimulação
das fibras eferentes parassimpática está associada à diminuição dos valores de FC,
enquanto a estimulação das fibras eferentes simpáticas esta associada ao aumento deles
(SATO et al., 1980; MACIEL et al., 1986).
Em repouso, dois fatores parecem influenciar a FC: o nível de condicionamento dos
indivíduos (ROWELL, 1986; LOIMAALA et al., 2000) e a posição de decúbito
(PIKKUJÂMSÂ et al., 2001).
Neste estudo, os voluntários do grupo de atletas apresentaram menores valores de
FC de repouso em relação aos do grupo de controle, na posição sentada, com diferenças
significativas. Estes resultados são concordantes com os documentados na literatura em que
indivíduos treinados, principalmente em atividades aeróbias, apresentam bradicardia sinusal
em repouso, que pode estar associada a um incremento do volume sistólico (PUIG et al.,
1993; SACKNOFF et al., 1994; BONADUCE et al., 1998; RIBEIRO, 1999; KOUIDI et
al., 2002) e, principalmente, relacionado à adaptações intrínsecas no sistema de
condução elétrica do coração (NEGRÃO et al., 1992; STEIN et al., 2000; 2002).

5.3 Limiar ventilatório 1 (LV1)


Os valores absolutos de VO 2 (l/min) e os corrigidos de VO 2 (ml/kg/min) como o da
potência no LV1 foram estatisticamente (p<0,01) diferentes entre os dois grupos
estudados. Em contraposição, os valores de FC não apresentaram diferenças (p>0,05)
estatísticas entre os grupos; mesmo assim, os valores de mediana dos AFS foram menores
nos AFS (163 bpm contra 165 bmp dos SED), sem levar em conta que os valores dos
limiares dos atletas ocorreram após os dos sedentários, o que reforça a idéia de que a maior
capacidade aeróbia tenha sido de maior magnitude no grupo AFS em comparação com o
grupo de SED.
Para atingirem maior potência no LV1 (período de transição, após 50% da
conclusão) do que o grupo SED, os AFS produziram significativamente (p<0,01) mais CO2
(2,34 l/min contra 2,02 l/min) e apresentaram maiores valores de VE (71 l/min contra
DISCUSSÃO 108

53,75 l/min), o que era de se esperar, porque o aumento da VCO2 promove, como resposta
fisiológica, a elevação da VE.

O estudo das correlações entre os valores das variáveis no LV1 demonstrou o VO 2 e


o VCO2 como sendo as variáveis que mais influenciaram o comportamento das demais,
revelando um auto-valor de correlação positiva, com significâncias estatísticas
significativas (p<0,01). Secundariamente, pode-se constatar que tiveram importância, a VE
e a potência (P) e esse comportamento deu-se tanto para o grupo de AFS, como para o
grupo de SED.

5.4 Pico do esforço (PE)


Num teste de esforço progressivo máximo, o aumento do VO 2, com a intensidade de
exercício, pode apresentar uma estabilização (platô), apesar de um aumento na carga de
trabalho. No entanto, isso está intimamente correlacionado à participação do metabolismo
anaeróbio. Nesta situação, considera-se que foi alcançado o limite fisiológico do sistema de
fornecimento e de utilização de oxigênio máximo (VO2 max ), que pode ser definido como a
captação máxima (pulmões), transporte (coração e venoso) e utilização do oxigênio
dinâmico (principalmente pelos músculos), durante o exercício dinâmico, envolvendo
grande massa muscular corporal (ASTRAND;RODAHAL, 1987). A observação deste platô
nem sempre é possível em adultos, especialmente idosos, sedentários e doentes, além de ser
raramente encontrado em crianças (ROWLAND et al., 1997).

Em nosso estudo, devido à limitação do teste por parte dos sedentários e de alguns
atletas, que possa ter sido provocada por fadiga muscular principalmente dos membros
inferiores (e não mecanismos hemodinâmicos centrais), utilizamos o termo “VO2 pico”
para os valores mais altos de consumo de oxigênio obtidos durante o TEFDC-D, e por ser
também comumente utilizado em outros trabalhos científicos.
Na comparação entre os valores de VO 2 pico, (Figura 22 -) obtiveram-se diferenças
significativas (p<0,01) entre os grupos, tanto valores relativos (VO 2 ml/kg/min) da variável
em questão (AFS = 52 ml/kg/min; SED = 38 ml/kg/min, valores de medianas), assim como
os absolutos (VO 2 l/min – AFS = 3,58 l/min; SED = 2,41 l/min valores de mediana). Esses
DISCUSSÃO 109

resultados são concordantes com os obtidos por Barros Neto e colaboradores (2001) que
estudaram, além de jogadores de Futsal e sedentários, outras modalidades esportivas.

Não devemos deixar de mencionar que, apesar dos atletas apresentarem o VO 2 pico
maior que o dos SED, a distribuição dos valores foi assimétrica à direita, diferente do grupo
de sedentários, que apresentaram distribuição simétrica (grupo mais homogêneo).
Naturalmente, ocorreu maior dispersão dos valores de VO 2 para os AFS, que está
relacionado, além do componente genético, a outros fatores, como, por exemplo, a posição
em quadra (jogo). Este fato dos atletas ocuparem posições diferentes na modalidade
esportiva Futsal, refletindo diferentes capacidades aeróbias individuais.

Devemos destacar que o menor valor de VO 2 do grupo de AFS foi aproximadamente


10 % maior que os valores máximos para os sedentários.
Esses resultados reforçam a argumentação de que o treinamento realizado
objetivando-se a capacidade aeróbia promove melhoras nessa variável (DAVIS et al., 1979;
GREGOIRE et al., 1996; CHACON-MIKAHIL et al., 1998).
Outrossim, não ocorreu diferença estatística dos valores de FC pico (Figura 18 a)
entre os grupos, fato muito freqüente entre indivíduos da mesma faixa etária, já que os
valores dessa variável sofrem muita influência do processo de envelhecimento
(ASTRAND, RODAHL, 1987; SEALS et al., 1994). Independentemente do tipo de
treinamento realizado, a FC pico (entendida aqui como a FC máxima obtida no, pico do
esforço), pouco ou nada se modifica, quando se estuda indivíduo da mesma faixa etária
(McARDLE et al., 1996; ROWELL, 1997).
A relação entre os valores de potência e FC no esforço físico é de extrema
importância na fisiologia do esforço, pois traduz a resposta da FC frente à demanda imposta
pelo esforço realizado, expresso pela potência. Pode-se constatar que o grupo AFS com
uma FC pico de 185 bpm (valor de mediana), obteve um valor de potência pico de 719,6W
(valor de mediana), enquanto os SED, para uma FC pico praticamente semelhante, de 174
bpm (valor de mediana), obtiveram um valor de potência pico de 219,4 W (mediana). Os
valores obtidos pelos AFS foram superiores aos dos SED para a maioria dos indivíduos
estudados, o que são os mesmos para os indivíduos de capacidade aeróbia, avaliados pelos
DISCUSSÃO 110

valores do limiar ventilatório 1, no grupo AFS. Houve diferença expressiva entre os valores
de potência pico, o que poderia ser explicado pelo fato de a força muscular aplicada ter sido
maior no grupo AFS, o que permitiria que atletas de Futsal desenvolvessem maior
implemento de velocidade na esteira rolante relacionado com as potências mais elevadas, às
custas da ativação de fibras musculares anaeróbias. Os elevados valores de VE pico e VCO
pico, apresentados pelos AFS em relação ao grupo controle (p<0,01), poderiam dar suporte
a essa argumentação.
Os coeficientes de correlação calculados revelaram para os AFS uma significativa
correlação (p<0,05) entre a VO 2 x VE (rs = 0,55), altas e significativas correlações (p<0,01)
para VO 2 x VCO2 (rs = 0,72) e VE x VCO2 (rs = 0,84).
Os SED apresentaram mais correlações com coeficientes altos e significativos
(p <0,01), como: VO 2 x P (rs = -0,69); VO 2 x VE (rs = 0,69); VO 2 x VCO (r = 0,80), VE x
VCO2 (r = 0,72). Esses valores demonstram no esforço pico, maior interdependência entre
as variáveis no grupo SED do que no AFS.

5.5 Dispersão das variáveis metabólicas no limiar ventilatório 1 (LV1) e no Pico


do esforço.
Documentaram-se, pois, no pico do esforço respostas das variáveis inversa à
condição do LV1 no que se refere à interdependência das variáveis nos SED e AFS. Elas
tiveram correlação positiva e significância estatística (p<0,01), destacando-se que os SED
apresentavam sempre valores mais baixos ao compararmos com o grupo de AFS.

De todos os resultados no presente estudo, com relação às medidas antropométricas,


em situações de repouso e de atividade física dinâmica, pode-se concluir que a interferência
da prática da atividade física desenvolvida pelos AFS, com relação ao grupo controle
(SED), ficou evidenciada em determinadas medidas das dobras cutâneas, e
fisiologicamente, nos menores valores da FC de repouso, na diferença significativa dos
valores da distância percorrida (km), velocidade máxima atingida (km/h), potência (P) e de
VCO2 no LV1; além dos maiores valores de Potência , VO 2 , e VCO2 no pico do esforço.
DISCUSSÃO 111

5.6 Variabilidade da freqüência cardíaca (VFC)


5.6.1 Análise dos índices temporais e espectrais
Partindo do pressuposto de que durante o repouso existe um predomínio da
atividade parassimpática (TASK FORCE, 1996), e a 70 % da carga máxima existe
predominância da atividade simpática (RIBEIRO et al., 1991), delineamos o experimento
de forma que a coleta das informações da VFC fosse feita no primeiro instante em que os
equipamentos eram ligados.

Com o intuito de observar e comparar posteriormente as importantes modificações


metabólicas que, sabidamente, ocorrem nos primeiros minutos para ajustarem os vários
sistemas orgânicos a uma nova demanda muscular, optamos por registrar esse período. O
sistema nervoso autonômico (SNA), principal responsável pelos vários ajustes, atua sobre o
coração, provocando o aumento da freqüência cardíaca e o volume sistólico, elevando o
débito cardíaco a uma nova condição satisfatória às novas necessidades metabólicas. Tal
elevação da FC no exercício físico dinâmico, cuja intensidade seja abaixo do ponto do LV1,
deve-se à retirada vagal (ROBNSON et al., 1966, GALLO JR et al., 1988; RIBEIRO et al.,
1991), o que promove uma taquicardia rápida atingindo um valor de pico ao redor dos
primeiros 10 a 20 segundos (GALLO JR et al., 1995; CHACON-MlKAHIL, 1998); seguida
por um platô de estabilização após o primeiro minuto do exercício. Essa resposta, segundo
Gallo Jr e colegas (1995), é o único mecanismo responsável pela adequação da FC às
necessidades metabólicas nos exercícios dinâmicos que ocorrem em níveis de intensidade
abaixo do LV1.

[Link] Análise temporal na fase do aquecimento (AQ)


Em nossos achados, a análise temporal na fase do aquecimento (AQ) trouxe
diferenças entre os grupos, revelando os maiores valores de iRR médios para os dois
grupos, comparados às demais fases do exercício estudado. Mesmo que esta fase do
exercício (AQ) seja considerada leve, a ocorrência desses valores de iRR, já podem refletir
a resposta do coração ao estímulo promovido pelo SNA acima referido e que têm reflexo na
maior FC observada em relação à FC de repouso.
DISCUSSÃO 112

Esse comportamento autonômico cardíaco semelhante entre os grupos, cujas às


diferenças estatísticas foram significantes, demonstra na análise no domínio do tempo, que
o teste na fase do aquecimento promoveu estímulo ao sistema cardiovascular de ambos os
grupos e que estes reagiram diminuindo os iRR médios e a VFC expressa pelo
comportamento do SDNN dos iRR médios e r- MSSD. A análise dos resultados no domínio
do tempo não permite fazer inferências seguras se o que foi observado deveu-se
exclusivamente à diminuição da atuação parassimpática sobre o nodo SA, já caracterizado
na literatura, no que se refere às baixas potências utilizadas. Outrossim, apesar da pequena
intensidade do esforço realizado pelos sedentários em relação aos atletas ocorreu
importante diminuição dos SDNN dos iRR médios observados durante a fase de
aquecimento, o que, segundo vários autores (FURLAN et al., 1993; TASK FORCE, 1996),
é representativo da atuação simpática, não podendo-se, portanto, descartar a possibilidade
de atuação deste ramo do SNA, concomitantemente retirada vagal, no fenômeno observado.

5.6.2 Comparação entre os dois grupos (AFS vs SED)


Houve diferenças significantes dos iRR médios nas fases do TEFDC-D entre os
grupos estudados, com exceção do LV1, que não apresentou diferenças significantes;
porém os AFS tiveram seus valores na escala mais variável que a dos SED, o que dá a
conotação de uma boa adaptação cardíaca nesta fase (LV1).

Podemos concluir, que os AFS apresentam melhores adaptações cardiovascular,


representado pelo menor número do total de intervalos RR (TiRR) em valores de mediana
na fase AQ (AFS, 271 TiRR vs 333 TiRR dos SED – p < 0,001), na fase LV1 (AFS 458
iRR vs SED 480 TiRR – p > 0,05), na fase PE (AFS 517 TiRR vs SED 483 TiRR –
p<0,01), e na fase RA (AFS 480 TiRR vs SED 461 TiRR – p > 0,05). Pode ser observado
que, nas fases PE e RA os atletas tiveram maior número de TiRR, isso pode ser justificado
pelo fato dos AFS terem percorrido uma distância maior conseqüentemente à uma
velocidade também maior (p<0,01) (Figura 18) e aplicando maior força contrátil visto pela
elevação significante (p<0,01) da potência (W) (Figura 20 -b e Figura 23b) durante o
TEFDC-D, o que significa dizer, em outras palavras, que o grupo de SED aumenta o débito
cardíaco (DC).
DISCUSSÃO 113

5.6.3 Análise espectral da variabilidade da freqüência cardíaca


A análise dos resultados no DF revelou predomínio da participação simpática nos
controles autonômicos cardíacos durante a fase de aquecimento (AQ), porque o
componente LF foi significativamente (p<0,01) superior ao componente HF,
principalmente para o grupo de sedentários. A partir dessa fase, os valores de PSD LF e HF
decaíram drasticamente até o final do exercício em ambos os grupos. Durante o exercício, o
uso da análise espectral têm produzido resultados controversos. Usando transformada
rápida de Fourier, Arai et al (1989) demonstraram redução rápida de todos os componentes
durante o exercício, quando comparados com o repouso. Yamamoto e Hughson (1991b),
usando a técnica de análise “coarse-graining spectral analysis”, demonstraram apenas
pequenas alterações na razão baixa / alta freqüência até a intensidade do primeiro limiar
ventilatório.
Ribeiro et al (1991), visando ao bloqueio farmacológico com atropina e propanolol,
demonstram que a atividade simpática aumenta até um pouco acima do limiar ventilatório e
tende a estabilizar, enquanto a atividade parassimpática continua sendo retirada até o
máximo. No entanto, índices no domínio do tempo e da freqüência não foram satisfatórios
para detectar atividade autonômica do exercício em experimentos com bloqueio
farmacológico (POLANCZYK et al., 1998).

5.6.4 Comparação dos componentes de baixa freqüência (LF) versus alta


freqüência (HF) nas quatro fases
Este estudo mostrou uma diminuição esperada da energia espectral global entre AQ
versus LV1, PE e RA. Entretanto a energia espectral em LF e HF varia entre as
intensidades do exercício (fases), e uma evidência de uma mudança qualitativa no controle
cardíaco. É conhecido que, em voluntários saudáveis, todo o componente de energia
espectral da VFC diminui quando o a intensidade do exercício aumenta (ARAI et al., 1989;
BREUER et. al., 1993; MACOR et al., 1996; COTTIN et al., 1999). Além disso, é
reconhecido agora também que a diminuição LF e HF é principalmente à retirada vagal
(MACOR et al., 1996; ECKBERG, 1997).
DISCUSSÃO 114

Este estudo confirmou tais resultados com a VFC em LF e HF com diferenças


estatisticamente significantes entre a fase AQ versus LV1, PE e RA, para os grupos (AFS e
SED).
Ao comparar as fases do TEFDC-D (LV1, PE, RA), no AQ, mostrou-se uma
importante redução do componente LF em ambos os grupos e essa variabilidade de baixa
freqüência não foi modificada após o incremento de carga até o final do TEFDC-D. Esse
achado não reforça em parte o conceito de que as oscilações de baixa freqüência refletem
atividade simpática. Fato, constatado por nós pela medida direta durante o exercício
progressivo dinâmico pela análise tempo-freqüência AR, salientando que, durante o
exercício, a freqüência cardíaca atingiu valores de 86 % da freqüência cardíaca máxima,
principalmente para o grupo de AFS, o que corresponde a um estímulo máximo do nó
sinusal (RIBEIRO et al., 1991).
Essa redução da VFC durante o exercício dinâmico poderia resultar de um tono
simpático elevado que saturaria a capacidade do nodo SA em ser modulado por outros
mecanismos fisiológicos mais sutis (MALIK;CAMM, 1995). Alguns autores têm sugerido
que ritmo de curta duração tanto de baixa, quanto de alta freqüência não resultam apenas de
estímulos eferentes simpáticos e parassimpáticos, mas podem ser gerados de interações
cardiorespiratórias complexas em níveis centrais e periféricos (MALIK;CAMM, 1995).

Os resultados da comparação entre os componentes LF e HF revelam significativas


(p<0,001) diferenças para o grupo de sedentários nas fases AQ, LV1 e PE, com maiores
valores para LF em unidades absolutas.
Na fase RA, tendeu a uma maior variação da componente LF, comparado ao HF,
mas esta diferença que não foi estatisticamente significante, o que sugere a elevação da
atividade simpática e provável redução da atividade vagal durante o TEFDC-D (LUCINI et
al., 1995).
Para os AFS, as diferenças significativas (P<0,01 e 0,05) ocorreram no AQ e LV1,
maior valores para LF. Por outro lado, para as fases PE e RA não ocorreram diferenças
estatísticas na comparação dos componentes (Figura 37 - a), no entanto, a componente HF
apresentou maior variabilidade nos dados com 5% maior para HF na fase PE e 39 % maior
para HF na fase RA em relação ao LF (Tabela XIV, Anexo D). Isto leva a crer em uma
DISCUSSÃO 115

maior proteção vagal para o grupo de atletas. Os resultados deixam claros que os valores
LF e HF das fases LV1, PE e RA (Figura 37 - ) foram muito pequenos em relação à fase
AQ (p<0,001), que também deixa claro o predomínio da potência LF, nas fases AQ e LV1.
Muitos autores descrevem-na como predomínio da estimulação simpática (LONGO, et al.,
1995), com aumento nítido dos componentes LF durante o exercício progressivo dinâmico
(BARTELS et al., 2003). Em nossos achados, tanto os valores de potências HF como LF
vieram a diminuir e de forma abrupta a partir do LV1, enquanto a atividade parassimpática
refletida pelo componente HF sendo retirada até quase o máximo, chegando próximo de
zero.
Em estudos realizados por Ribeiro et al (1991), os componentes de HF demonstrarem
redução adicional após uso de atropina, sugerindo alguma atividade vagal. Alguns
componentes de alta freqüência foram observados após duplo bloqueio, sugerindo que outros
fatores não neurais (aumento da atividade respiratória, alterações metabólicas, etc.)
pudessem afetar a freqüência cardíaca e sua variabilidade, durante a realização de exercícios
físicos, como havia sido proposto por Arai et al (1989), que examinou o espectro da VFC em
voluntários normais e pacientes com transplante cardíaco em repouso e mostraram que havia
um desaparecimento da VFC comparados com o grupo controle por não haver nenhuma
inervação funcional do nodo SA (pós-cirúrgica) (ARAI et al., 1989; BERNARDI et al.,
1990). Porém, durante o exercício, a VFC apareceu inesperadamente e foi relacionado ao
efeito respiratório, deduzindo que o controle cardiovascular não é o único mecanismo que
induz a VFC.
Se tomarmos como parâmetro os períodos do aquecimento (AQ), condição funcional
em que ocorreram os maiores valores de potência espectral nas bandas LF HF, em relação às
demais fases do TEFDC-D de ambos os grupos e compará-los aos valores de medianas das
potências de LF e HF obtidas na fase LV1, pode-se constatar uma significativa diferença
entre eles, em ambos os grupos. Por exemplo, para os AFS ocorreu uma diminuição de
98,6% nos valores de medianas dos valores de potências da banda HF (44,71 ms 2 /Hz na fase
AQ e 0.6 ms/Hz durante a fase LV1), enquanto para os SED foi de 95,83% (12 ms 2 /Hz na
fase AQ e 0,5 ms/Hz durante a fase do LV1), valores em termos percentuais também
encontrados por Paschoal e colaboradores (1996), que realizou o teste com um grupo de
atletas e sedentários e comparou com o repouso com o LA.
DISCUSSÃO 116

Essas grandes diferenças entre os valores representativos da atividade vagal sobre o


nodo SA, em duas situações bem distintas, refletem a grande extensão da capacidade de
influência do sistema nervoso parassimpático sobre o comportamento dos iRR e,
obviamente, sobre a FC.

Na potência LF para os AFS ocorreu diminuição de 98,23% nos valores de mediana


dos valores da banda LF (113,1 ms 2 /Hz na fase AQ e de 2 ms 2 /Hz na fase LV1), enquanto
para os SED, foi de 58,82 % (17 ms 2 /Hz e 7 ms2 /Hz durante a fase LV1)

Nos - nos limitamos a concluir sobre o comportamento do componente HF para o


grupo de sedentários na fase PE, que foi significativamente menor que a LF, talvez devido as
possíveis limitações em executar o teste e não atingirem o pico do exercício
conseqüentemente não ocorrendo a hiperventilação cardiorespiatória, ficando em
desvantagem para uma comparação mais próxima aos do grupo de AFS.

Em conclusão, durante o exercício severo, a presença de uma porcentagem maior mas


não significativa de HF (Figura 33 a, Figura 39 b e Quadro 3, anexo E) pode sugestionar
uma persistência (ou até mesmo um aumento relativo) em atividade vagal cardíaca,
realmente, há agora evidencias que a respiração não reflita a atividade vagal cardíaca devido
a mecanismo não neural presente (ARAI et al, 1989, BERNARDI 1990 et al., COTTIN et
al., 2004b). Igualmente, as oscilações dos intervalos RR não refletem o aumento em
atividade simpática associada com o exercício: pelo contrario, eles tendem a desaparecer à
taxas de trabalho altas quando a atividade adrenérgica é elevada.

5.6.5 Razão LF/HF


Foi sugerido que a relação LF para HF reflita o balanço simpático vagal (PAGANI
et al., 1986). Este conceito foi discutido amplamente e ainda gera controvérsias (EKBERG,
1997). Entretanto a relação LF/HF foi utilizada neste estudo porque sempre era maior que 1
(2,63) para a fase PE e sempre menor que 1(0,71) para fase AQ, apenas para o grupo de
atleta. Essa interrupção gradual da relação LF/HF poderia ser correlacionado quando
DISCUSSÃO 117

passasse do limiar ventilatório2 e poderia prover um índice fidedigno para descoberta do


limiar da VFC. Porém, mais testes de exercícios de resistência são necessários para
verificar a utilidade da relação LF/HF como um índice fidedigno para a determinação do
limiar ventilatório.

No grupo de SED, a razão LF/HF não apresentou diferenças significantes (p>0,05)


do início ao fim do TEFDC-D, mas devemos salientar, que os valores tiveram tendências
diferenciadas como, por exemplo, a fase AQ foi 10% maior em valores de mediana que a
fase LV1, e PE.
Na comparação entre AQ e fase RA, foi 44 % menor em relação a RA, cujo, os
valores incialmente tiveram uma queda, e no final aumentou um pouco. Onde supostamente
ocorreu maior predomínio simpático, se considerarmos o conceito criado por PAGANI et
al., (1986).
Para o grupo de atletas, a razão LF/HF tendo como base a fase AQ, houve
modificações significativas (p<0,001 e 0,01) ao compararmos com PE e RA (p<0,05), ao
compararmos LV1 versus PE e RA. E ao comparar PE versus RA, não encontramos
diferenças significantes (p>0,05).

Ao compararmos a razão LF/HF na fase AQ entre AFS e SED encontrados valores


menores e significantes (p<0,05) para os atletas, dando a entender maior predomino
simpático para o grupo de SED nesta fase.
Na fase LV1, não ocorreram diferenças significativas, mas aproximadamente 50 %
dos atletas tiveram valores da razão LF/HF menores que os SED.
Na fase PE, houve diferenças significantes (p<0,01) com valores na escala maiores
para os SED. E finalmente na fase RA, as diferenças foram também significantes (p<
0,001) em relação ao grupo de SED.
Alguns estudos mostraram a relação LF/HF aumentar (YAMAMOTO et al., 1991;
NAKAMURA et al., 1993; CASADEI et al., 1996; GREGOIRE et al., 1996) durante o
exercício, considerando que em alguns outros é diminuído (BREUER et al., 1993). Os
resultados controversos podem ser devido a diferenças nas unidades ou nos métodos de
análise espectral.
DISCUSSÃO 118

Medida de concentração sanguínea de noradrenalina não têm apoiado o conceito de


que a razão baixa freqüência /alta freqüência possa servir como índice de atividade
simpática quando a intensidade supera o primeiro limiar ventilatório (LV1) (BREUER et
al., 1993). Componentes espectrais também têm sido quantificados em unidades
normalizadas (percentual do espectro total) para expressar (justificar) alterações nas
atividades simpato-vagal durante o exercício (PAGANI, et al., 1995; PERINI et al., 2003,
PRADO, et. al., 2004). Casadei e colaboradores (1995) mostraram claramente que as
mudanças do poder LF e HF durante o exercício é ni dependente da unidade de medidas
normalizadas.

Para os AFS houve mudanças na razão LF/HF. Com base neste achado fica difícil
apoiar o conceito da razão LF/HF poderia ser usado para avaliar o tono simpático, como
havia sido proposto por Rimoldi et al. (1990) e Yamamoto et al. (1991).
Conclui-se que pela redução espectral do exercício, pequenas alterações em valores
absolutos podem influenciar valores relativos. Portanto, não está claro se os resultados
devem-se a diferenças no delineamento do estudo e aspectos metodológicos, ou se as
oscilações dos intervalos RR não podem ser utilizados para avaliar a influencia autonômica
durante o exercício.
A Relação aos componentes espectrais LF/HF do iRR, estes diminuíram com carga
crescente de esforço físico, considerando que atividade simpatizante cardiovascular é
conhecida para aumentar.

Neste estudo, a razão LF/HF para os atletas foi o único parâmetro espectral que
mostrou diferenças significativas entre as fases, o que não ocorreu com o grupo de
sedentários. Esperava-se predominância da atividade simpática na VFC.

Sugeriu-se possibilidade de uma predominância da atividade simpática na VFC no


grupo de atletas. Entretanto não constatamos um aumento nos valores absolutos do índice
LF nas fases estudadas, sugerindo uma queda mais abruptada do índice HF, quando
comparado com o índice LF com o decorrer do TEFDC-D.
DISCUSSÃO 119

A participação da modulação autonômica no comportamento não linear da


freqüência cardíaca já foi estudada por outros autores. Hagerman at al. (1996) utilizou o
coeficiente de Lyapunov para estudar o comportamento da VFC em repouso, e sob
bloqueio autonômico parcial e total e durante o exercício. A eliminação da modulação
autonômica através do duplo bloqueio, e a redução do tono vagal com aumento da atividade
simpática durante o exercício não elimina o comportamento caótico do sistema, traduzido
por valores do coeficiente de Lyapunov ainda acima de zero. Os achados sugerem que o
vago e o simpático modula parte do comportamento, mas não são os únicos responsáveis
por ele.

Uma das limitações na interpretação a VFC pela metodologia utilizada em nosso


estudo é não dispormos de um marcador específico da atividade simpática (Ribeiro, 1999),
dificultando o conhecimento das mudanças que possam ocorrer sobre o sistema nervoso
simpático e parassimpático de uma forma individualizada. Como de uma forma geral a
maioria dos índices correlaciona-se com o tono parassimpático e a elevação da razão
LF/HF com o tono simpático, como foram propostos por Rimoldi et al (1990) e Yamamoto
et al (1991).

5.6.6 Correlação dos índices temporais versus índices espectrais.


[Link] iRR médios versus LF e HF e razão LF/HF nas 4 fases do TEFDC-D.
As correlações entre as variáveis nos DT e DF revelam resultados estatísticos
significantes para o grupo de AFS, tendo os iRR médios versus LF na fase: AQ (rs= 0,77; p
< 0,01), LV1 (rs =0,63, p<0,05); PE (rs =0,72, p<0,01). Os SED apresentaram significativa
correlação positiva apenas na fase AQ (rs =0,61, p<0,05). Para ambos os grupos, não
ocorreu o que se esperava, ou seja, quando ocorre diminuição dos intervalos RR médios, há
elevação proporcional do componente simpático atuante sobre o coração representado pela
potência LF e vice-versa (correlação negativa).
Para as variáveis iRR médios versus HF, as correlações significantes
estatisticamente ocorreram somente para os AFS na fase AQ (rs =0,71, p<0,01) iRR médios
foram maiores quando foi maior a influencia parassimpática representado pelo componente
HF em valores absolutos.
DISCUSSÃO 120

[Link] Desvio-padrão de todos os intervalos R-R (SDNN) vs alta e baixa


freqüência (HF e LF)
Observou-se que somente os AFS apresentaram resultados significantes (p<0,05)
obtidos da correlação entre o SDNN com os componentes HF apenas na fase PE (rs =
0,57), revelando que o aumento dos SDNN em parte deveu-se à influência parassimpática;
por outro lado, ocorreu correlação positiva significativa (rs=0,57, p<0,05 e rs=0,70, p<0,01)
nas fases LV1 e PE, entre o componente LF e os SDNN dos RR médios somente para o
grupo AFS. Neste caso não podemos sugerir o aumento da atividade simpática cujo, o
SDNN foi diminuindo proporcionalmente ao componente LF que, por sua vês deveria
aumentar nessa fase (correlação negativa) fato que não aconteceu.
Essa argumentação deveria ganhar sustentação quando se discutia o valor do
coeficiente obtido da correlação entre os iRR médios e a razão LF/HF, o qual foi
significativamente (p<0,05) positivo (rs = 0,56 PE) e (rs = 0,58 RA) do grupo de AFS e
SED respectivamente. Esses resultados não revelaram que o marcador balanço-simpático
expresso pela razão LF/HF têm maiores valores quando os iRR médios são menores, não
reforçando a interpretação de que a elevação seja decorrente da diminuição do tono vagal e
aumento do tono simpático para ambos os grupos.

[Link] Raiz quadrada média das diferenças sucessivas entre os intervalos R-R
normais adjacentes (R-MSSD) vs alta e baixa freqüência e razão LF/HF
Segundo Ribeiro et al (1991) o R-MSSD é o índice que apresenta melhor correlação
com componentes entre 0,15 e 0,4 Hz, traduzindo melhor a modulação vagal (EWING et
al., 1984; VYBIRAL et al., 1990; BIGGIER et al., 1992). Em nossos achados, a correlação
do índice r-MSSD (p<0,001) positivas nas fases: AQ (AFS e SED) e RA (AFS). Por outro
lado, o rMSSD versus HF apresentou correlação significativa (p<0,001) positiva em todos
as fases do TEFDC do grupo de AFS.
Os sedentários obtiveram significativa correlação positiva (p<0,01) nas fases: AQ,
LV1 e RA.
DISCUSSÃO 121

A correlação do índice r-MSSD versus razão LF/HF apresentou significância


(p < 0,05) negativa (rs= - 0,55 e rs = -0,61) nas fases: AQ e LV1 apenas para o grupo de
AFS.
Torna-se difícil uma justificativa plausível para os resultados obtidos com os AFS e
SED durante o TEFDC-D, pois, se ocorreu correlação positiva significativa entre, por
exemplo, o aumento dos iRR médios com a suposta maior participação simpática,
possivelmente seja devida aos componentes vagais presentes na banda LF (AKSELROD,
1981; APPEL et al., 1989), sendo eles os responsáveis pela ativação do pico de potência
espectral nessa banda, sabidamente relativa ao tono simpático (RIMOLDI et al., 1990;
HAYANO et al., 1990; PASCHOAL et al., 1996). Se isso realmente aconteceu com os
grupos durante as fases AQ (AFS e SED) e LV1 e PE (AFS) na correlação feita com os iRR
médios versus componente LF, o que poderia explicar o resultado das demais correlações.
De uma forma geral, todos os índices temporais se correlacionam com os
componentes de alta freqüência, mas não permitem distinguir quando as alterações da VFC
são derivadas a um aumento do tônus simpático ou a uma retira do tônus vagal. As razões e
os significados fisiológicos ainda não são conhecidos e necessitariam de novas
investigações neste sentido.

5.7 Análise de distribuição tempo-freqüência AR


Verificamos em nosso estudo, pela análise visual, através dos espectrogramas
(Anexo E), que o padrão de comportamento dos componentes de energia LF e HF, nos
diferentes níveis de esforço estudado foi semelhante ao descrito na literatura por alguns
autores (RIBEIRO, 1991; COTTIN et al., 2002; PERINI;VEICSTEINAS, 2003), ou seja,
para os atletas e sedentários de uma forma geral, no início do teste (AQ), há atividade
autonômica intensa (Quadro 1 e Quadro 5 Anexo E) maior para LF, cujo comportamento
pode ser atribuído à diminuição da estimulação parassimpática (retirada vagal) sobre o
nódulo sino atrial. No meio do teste (LV1), nota-se uma grande diminuição (queda abrupta)
de energia LF e HF, na fase PE e RA. a potência LF aumenta um pouco para os sedentários
e diminui para os atletas.
DISCUSSÃO 122

Para Perini e Veicsteinas, 2003 que a mudança do componente LF observada de


media à alta intensidade de exercício pode ser a expressão das modificações nos
mecanismos de controle da pressão arterial (barorreflexo) que acontecem com o exercício.

Ao analisarmos de forma visual os intervalogramas (dados do intervalo RR durante


as fase do teste) e compararmos com o espectrogramas na fase PE e fase RA, notamos que,
apesar da quebra da linearidade (inflexão para cima) da freqüência cardíaca, representada
pelo iRR (aumento da VFC, obviamente decréscimo da FC) cujo comportamento é
considerado por vários autores como decorrente da retomada imediata da atividade vagal
(MACIEL et al.,1985; GALLO JR et al., 1988; CATAI et al., 2002), nossos achados vão de
encontro ao conceito acima, fato visto ao observarmos os espectrogramas (Quadro 4,
Anexo E) e no qual não vimos a retomada da atividade vagal retornando de forma
significativa durante a fase RA que teve duração de 3 minutos. Para o grupo de sedentários,
além de não observarmos esse aumento, vimos um aumento maior da atividade simpática
representada pela componente LF (freqüências de 0,04 a 0,15).
O presente estudo corrobora que três minutos de recuperação ativa (RA) não são
suficientes para observar a retomada da atividade vagal de forma significativa após
exercício severo tanto para atletas jovens de Futsal como para os sedentários da mesma
faixa etária.
Recuperação atrasada da FC depois do exercício máximo ou sub-máximo é um
preditor poderoso de mortalidade global entre dados baseados em populações (COLE et al.,
1999; 2000; NISSINEN et al., 2003). Por outro lado, dados experimentais mostraram que a
ativação vagal impede a fibrilação ventricular isquêmica induzida (SCHWARTZ et al.,
1984, VANOLI et al., 1991), e que o treinamento físico confere antecipadamente a
proteção contra morte súbta intensificando a função vagal cardiovascular (HULL et al.,
1991) A recuperação da regulação autonômica a curto-prazo pode acontecer dentro de
alguns minutos (10-20min) nos exercícios máximos ou sub-máximos (ARAI et al., 1989;
PERINI et al., 1990; KANNANKERIL;GOLDENBERGER, 2002). O efeito
parassimpático na recuperação pós-exercício, foi considerado como o mecanismo
subjacente (ARAI et al., 1989; PERINI et al., 1990; SUGAWARA et al., 2001;
KANNANKERIL;GOLDENBERGER, 2002)
DISCUSSÃO 123

Estudos anteriores mostraram que a função sistólica ventricular esquerda e os


padrões cardíacos “filling” foram alterados por um longo tempo depois de exercícios
exaustivos prolongados (NIEMELÄ et al., 1984; DOUGLAS et al., 1987). Mais esforços da
atividade simpática talvez seriam necessários para compensar o desempenho cardíaco
reduzido, para manter o efetivo rendimento cardíaco e para ativar fluxo de sangue
suficiente. Depois da restauração das funções hemodinâmicas e cardíaca ao nível normal, a
energia simpática diminui gradativamente o domínio vagal retorna. Isso e também evidente
que estas respostas autonômicas compensatórias são protetoras durante a fase de
recuperação da homeostasia cardiovascular normal depois do exercício exaustivo.
Variadas variações inter-individuais foram observadas no tempo de recuperação do
reduzido fluxo vagal: os pacientes com melhor aptidão cardiorespiratoria mostraram
recuperação mais rápida da função autonômica alterada do que naqueles com fraca aptidão.
É amplamente aceito que a boa aptidão física e os treinamentos com exercícios
físicos regulares induzem adaptação do sistema nervoso autônomo, que é mais comumente
observado na forma de um declínio na FC basal. É admitido que o tono vagal cardíaco
aumenta em indivíduos bem treinados aos comparados aqueles não treinados
(GOLDSMITH et al., 1992; DE MEERSMAN 1993; DAVY et al., 1997; TULPPO et al.,
1998b; AUBERT et al., 2001; UENO et al 2002; RENNE et al., 2003). Estudos anteriores
confirmaram que a regulação vagal da FC foi mais eficiente em pacientes com melhor
capacidade física (TULLPO et al., 1998b).
A limitação desse experimento foi de se observar um período de apenas três minutos
de recuperação, o que nos impediu de podermos comparar com a literatura presente. Por
outro lado, fizemos outras observações em nosso laboratório com um período maior
(aproximadamente 30 minutos) de recuperação após o exercício intenso e pudemos
observar e confirmar a importância da aptidão cardiovascular na regulagem autonômica
significando que a cadencia gradativa de recuperação da regulagem autonômica, alterada
depois do exercício intenso está também relacionada à aptidão física individual.
DISCUSSÃO 124

5.8 Considerações finais


Os estudos de Rochelle et al (1992) demonstraram que indivíduos com capacidade
física regular obtiveram HF 4,2 maiores que os indivíduos sem atividade física regular.
Valores semelhantes também foram encontrados em nossos estudos HF 3,8 maiores que o
grupo de SED, entretanto. Essas diferenças de valores foram projetadas apenas na fase do
aquecimento do TEFDC-D.
Sacknoff et al (1994) estudaram em um grupo de 30 indivíduos, 18 controles e 12
atletas e verificaram uma freqüência cardíaca significativamente menor e índices da
atividade parassimpática no domínio do tempo maiores em atletas.
Outros autores (STEIN et al., 1999) demonstraram um aumento da VFC e
diminuição da FC em indivíduos com melhor capacidade física, entretanto nenhum estudo
relatou a influência da freqüência cardíaca nesses resultados.
Normalmente o individuo que se prontifica a iniciar um programa de exercícios
físicos aeróbios regulares costuma também mudar seus hábitos alimentares e ingestão de
álcool; diminui uso de cigarros ou opta pelo abandono total; altera o sono entre outros
hábitos. Por isso, talvez, o exercício físico levado ao aumento da capacidade física, seja um
dos poucos fatores capazes de modificar a modulação do sistema nervoso autônomo no
coração, com conseqüentes modificações nos valores da VFC, como observado em outras
publicações, onde foi possível aumentar a VFC e conseqüentemente, diminuir a
mortalidade cardiovascular, com uso de beta-bloqueador no pós-infarto agudo do miocárdio
(SANDRONE et al., 1994; YUSEF et al., 2000), uso de inibidores de enzima de conversão
na insuficiência cardíaca (SLOVD, 1991; BINKLEY et al., 1993) e a abandono do hábito
de fumar (STEIN et al., 1996).

Estudos prospectivos de grande porte serão necessários para melhor entender o


efeito da atividade física nos índices da VFC e no balanço autonômico, considerando os
fatores discutidos.
Sugere a importante influência da FC na análise da VFC, como talvez modificações
nos índices da VFC, relatados com o exercício, não sejam decorrentes de alterações diretas
nos índices, e sim, de forma indireta pelo comportamento da freqüência cardíaca,
normalmente mais baixa em indivíduos com melhor capacidade física.
DISCUSSÃO 125

Maiores estudos são necessários para confirmar a hipótese de que existe um


marcador para a atividade simpática através da razão LF/HF visto nos exercícios de alta
intensidade. Alternativamente, não se deve descartar a possibilidade de haver outros
mecanismos ativos sutis ainda não identificados sincronizados com a VFC durante o
exercício progressivo, contribuindo para os padrões observados.

5.9 Algumas limitações


Um fator limitante para a interpretação dos dados é o número pequeno de
voluntários. Com base no número pequeno de voluntários uma interpretação da resposta
fisiológica podem não refletir mudanças, o que pode, inclusive, ser gênero especifico.

Outra limitação importante consiste na coleta dos dados das pressões arterial
sistólica e diastólica (PAS e PAD) durante o exercício, o que poderia trazer informações
relevantes do controle autonômico cardiovascular. Não fomos capazes de coletar tais dados,
devido ao grau de dificuldade existente entre os voluntários correndo na esteira
(movimentação brusco dos braços) dificultando a colocação do aparelho (estetoscópio). A
bicicleta ergométrica poderia ser uma forma alternativa para causar a elevação do VO 2 e
permitir uma boa coleta da PAS e PAD sem que houvesse interferências da movimentação
brusco dos membros superiores. Entretanto, optamos pela esteira ergométrica, por ser mais
específico ao gesto (corrida) da modalidade esportiva praticada pelos atletas de Futsal.
6. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS
CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS 127

1- Este trabalho, ao utilizar a análise tempo-freqüência da VFC, baseada na modelagem


auto-regressiva variante no tempo, foi capaz de mostrar distinção clara entre as
características espectrais dos sinais de indivíduos treinados, com relação aos de indivíduos
sedentários, contribuindo para o entendimento do comportamento do sistema nervoso
autonômico.
2- Os índices derivados da análise tempo-freqüência AR apresentaram boa
reprodutibilidade e foram capazes de quantificar a modulação simpática e parassimpática
do nodo SA.

3 - Fase 1 (AQ)
Os atletas apresentaram índices de RMSSD duas vezes maior e HF, três vezes maior na
fase do aquecimento (AQ), sugerindo aumento do tono parassimpático representado pela
potência de alta freqüência (HF) e indiretamente pelo índice RMSSD.

4 - Fases 2 e 3 (LV1, PE)


Durante o TEFDC-D, com aumento progressivo de cargas, a influência da atividade
simpática na freqüência cardíaca não se torna progressivamente mais importante nas
intensidades elevadas, para ambos os grupos, caracterizando supressão de densidade de
potência espectral de baixa freqüência (LF). Os AFS não apresentarão diferenças
significativas entre LF e HF na fase PE, mas um HF mais variado (aumentado) sujerindo
maior proteção vagal nesta fase. Para os SED o tono LF foi superior em todas as fases do
teste.

5 - Fase 4 (RA)
Durante a fase da recuperação ativa (RA), os três minutos não foram suficientes para se
observar o aumento gradativo da potência HF no grupo de sedentários (predomino LF).
Para os atletas, o HF foi mais variado em relação ao LF nesta fase, porém, sem diferenças
significativas, o que também não apresentou um aumento gradativo da potência HF. Dessa
forma, os resultados deste trabalho não concordam com o conhecimento estabelecido de
que há uma grande ativação vagal no transiente de recuperação representado pelo
CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS 128

componente HF, principalmente nos atletas, mesmo com a apresentação da curva de


inflexão para cima dos intervalos RR observados nos intervalogramas (Anexo E).

6 - Fases (AQ, LV1, PE, RA)


O automatismo sinoatrial revelou um comportamento autonômico muito similar durante
as quatro fases do TEFDC-D para ambos os grupos, observados nos espectrogramas AR.
sugerindo que há um mecanismo de controle que se adapta à novas situações independente
da capacidade física.

7 - A variável funcional capacidade física avaliada pelo consumo máximo de oxigênio


(VO 2 pico) também exerceu influência na variabilidade da freqüência cardíaca: a) a melhor
capacidade foi acompanhada de menor freqüência cardíaca e maior variabilidade da
freqüência cardíaca; b) o efeito da capacidade física observada na VFC pode ser secundário
a influência da diminuição da freqüência cardíaca sobre a VFC.

8 - Os atletas apresentaram a relação da razão LF/HF maior que 1 nas fase AQ e LV1 e
menor que 1 nas fases, PE e RA (Figura 37c, e Tabela XIV Anexo D ), sugerindo maior
proteção vagal nas fases menor que 1. Para o grupo controle a relação da razão LF/HF foi
sempre maior que 1 em todas as fases (Figura 39c).

Esse decréscimo gradual da relação LF/HF poderia estar correlacionada à passagem do


limiar ventilatório 2 e poderia prover índices fidedignos para a descoberta do limiar da
VFC. Porém, mais testes de exercício de resistência são necessários para comprovar a
utilidade da relação LF/HF.
CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS 129

PERSPECTIVAS:
• Criar um índice por intermédio do comportamento da VFC que possa auxiliar na
avaliação e no treinamento físico.

• Novos experimentos com a utilização de substâncias farmacológicas.

• Desenvolver um sistema (algoritmo) que possibilite maior sensibilidade na


decomposição do sinal.
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WHIPP, B.J. Peripheral chemoreceptor control of exercise hyperpnea in humans. Med. Sci.
Sports Exerc., v.26, p.337-347, 1994.

WOO, M. A. et al. Patterns of beat to beat heart rate variability in advanced heart failure.
Am. Heart. J., v.123, p.704-710, 1992.
ANEXOS
ANEXOS 150

ANEXO A
ANEXOS 151

ANEXO B
TERMO DE CONSENTIMENTO FORMAL DE PARTICIPAÇÃO NO ESTUDO:
“VARIABILIDADE DA FREQÜÊNCIA CARDÍACA: ESTUDO COMPARATIVO DAS RESPOSTAS
AUTONÔMICAS CARDIOVASCULARES EM JOGADORES DE FUTSAL E SEDENTÁRIOS

JOVENS ”

Responsáveis:

Rui Leite do Prado – aluno de Mestrado

Prof. Dr. Rodrigo Álvaro Brandão Lopes Martins

O abaixo assinado,_________________________________________________
RG: __________________Órgão Exp.____________, declara que é de livre e espontânea
vontade que está participando como voluntário do projeto de pesquisa supracitado, proposto
pelo Educador Físico e pesquisador Rui Leite do Prado, que será realizado no Laboratório
de Esforço Físico do Departamento de Fisioterapia da UNIVAP
A pesquisa tem por finalidade observar a modulação das atividades simpática e
parassimpática através da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC), bem como observar
a ocorrência do limiar de anaerobiose durante o exercício físico dinâmico em atletas de
Futsal e sedentários jovens.
Durante o estudo, deverá comparecer ao Laboratório de Esforço Físico – LAEF/UNIVAP,
inicialmente para que seja submetido à anamnese clínica e esportiva ;e posteriormente a) à
avaliação antropométrica (medidas das dobras cutâneas); b) a teste de esforço máximo
(protocolo contínuo) para coleta de variáveis cardiorespiratórias de interesse no estudo; c)
a eletrocardiograma (ECG) dinâmico .
Serão tomadas antes, durante e após o teste as medidas hemodinâmicas (pressão arterial
sistólica, pressão arterial diastólica, freqüência cardíaca, freqüência respiratória).
Obteve todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a
participação do referido ensaio.
Obteve todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a
participação do referido ensaio.
Está livre de interromper a participação no ensaio a qualquer momento, a não ser que esta
interrupção seja contra-indicada por motivo médico.
ANEXOS 152

Os resultados obtidos durante o ensaio serão mantidos em sigilo, e os voluntários não serão
identificados por ocasião da exposição ou publicação dos resultados experimentais.
A coordenação do ensaio compromete-se a mantê-lo informado do progresso da pesquisa,
caso julgue a informação relevante para o voluntário.
Poderá contactar a Secretaria da Comissão de Ética para apresentar recursos ou
reclamações em relação ao ensaio clínico.
Aspecto Legal: Elaborados de acordo com as diretrizes e normas regulamentadas de
pesquisa envolvendo seres humanos atendendo à Resolução ¹ 196, de 10 de outubro de
1996, do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde – Brasília - DF.
É condição indispensável para a participação no ensaio clínico que esteja em boa saúde e,
portanto, não esteja no momento, sob tratamento médico ou com alguma contra-indicação
médica.
Declaro que li e entendi as informações precedentes e sempre que tiver alguma dúvida
sobre os exames a que serei submetido, prontamente serei esclarecido sobre eles mesmos,
inclusive podendo consultá-los, se achar necessário.

São José dos Campos,_____de_______de 2003

________________________ ___________________________
Voluntário Dr. Fabio Baptista
Médico Cardiologista
CRM ¹ 70671

________________________ _______________________________
Pai ou responsável Prof. [Link] Álvaro B. Lopes
Orientado – Coord. do LAEF/UNIVAP IP&D
Fone: 39471114

____________________________________
Pós-graduando: Rui Leite do Prado
Fone: 3947-3016 ou 3902-8022
ANEXOS 153

ANEXO C
FICHA INDIVIDUAL DE AVALIAÇÃO

CLASSIFICAÇÃO: ______________________ CÓDIGO: _____________


(NÃO PREENCHER) (NÃO PREENCHER)

1 – Identificação:

Nome:______ ______________________________________________
Data de nascimento: ____/____/19____ Idade: _______ anos

Sexo: Masculino Feminino Raça:__________________________


Estado Civil: ________________
E-mail:_______________________________ @_______________________________
Curso:_________________________________________________________________
Endereço: __________________________________ nº _______
Cidade: ________________________________________________ Est.: _____
CEP: __________-_____
Procedência: cidade: ___________________ Est.: ______
Tel.:___________________ Cel.:______________________Data: ______/____/______

2 – informações gerais:
Mora com os pais ( ) Sim ( ) Não
Tempo de Estudo: ____horas/dia Estudo extra-escolar: ____horas/dia
Tempo gasto em transporte: ____horas/dia Tempo em computador: ___ horas/dia
Tempo em vídeo game: ___horas/dia Tempo em TV: ____ horas/dia

3 - Hábitos:
a) Sono: ________ horas/diárias. Horário de: deitar_________
acordar__________
b) Dorme durante o dia: Sim ( ) Não ( ) raramente ( )Tempo diário:__________
c) Ingestão de álcool: nunca ( ) Não ( ) Sim ( ) raramente ( )
ANEXOS 154

Se sim ou raramente: tipo – [ ] destilada [ ] fermentada


Quantidade: ________ml. ___vez, por_________. Há quanto tempo___
d) Ingestão de café ( ) ou chá ( ) : _____________ xícaras/dia.
e) fumo: [ ] nunca [ ] não [ ] sim [ ] raramente
Se sim: ___ cigarros/dia Se não: quando parou: ________ cigarros/dia

f) Alimentação:
___horas: café da manhã_______________________________________________
___horas colação (depois do café, antes do almoço):_________________________
___horas: almoço:____________________________________________________
___horas: colação:____________________________________________________
___horas: café da tarde:________________________________________________
___horas: colação:____________________________________________________
___horas: jantar______________________________________________________
___horas: ceia:_______________________________________________________

g) Consome lanches, guloseimas (balas, chicletes, biscoitos, outros.):


[ ] não [ ] sim [ ] raramente
h) Líquido que consome normalmente:
[ ] água [ ] suco [ ] refrigerante [ ] isotônico [ ] outro. Qual?______
i) Faz uso de suplementação:
[ ] nenhum tipo [ ] aminioácidos [ ] carboidratos [ ] creatina
[ ] outro. Qual? ____________
j) Dieta alimentar orientada: [ ] não[ ] sim ; Profissional:_____________
Tipo: _________________________ Objetivo: ____________________________
ANEXOS 155

4 - Atividade física:
4.1 Somente para atletas
modalidade praticada: ___________________ posição(es): _____________
quando inicio: __________________ tempo de prática: ________________
parou alguma vez?______ tempo: ______ motivo: ___________________
duração do treino:______vez(es) por dia________ vez(es) por semana.
Durante: ______horas por período.
outra(s)modalidade(s):____qual?_______freqüência:______vez(es)/semana
fase do treinamento em que se encontra_____________________________

4.2 Somente para sedentários


tempo sem praticar nenhuma atividade física:____________________________
quando praticou alguma modalidade/atividade física: ______/_______ [ ] nunca
modalidade:___________________ . Tempo:_ __________________________
tempo em que fica sentado: trabalho, dirigindo, escola, em casa: ____ horas/dia
5 - Histórico Clínico:
Doença Cardíaca Não Sim Início Especifique

Pneumologica
Endócrina
Ortopédica
Reumatológica
Renais
Infecciosa
Diabetes Mellitus
Lesão Músculo
Esquelético
Acidente Vascular
Cerebral
Hipertensão Arterial
Outras doenças
Cirurgias:_______________________________________________________

Faz uso de Medicamento(s): ( ) Sim Não ( )


Medicamento(s):
________________________________________________________
ANEXOS 156

6 – Informações gerais dos familiares:

Patologia de outros parentes: ________________________________________

7 - Exame clínico

7.1 Sinais Vitais

FC FR PAS PAD
bpm ipm mmHg mmHg

7.2 Ausculta Cardíaca

Foco de Ausculta Cardíaca


Mitral
Aórtico
Aórtico Acessório
Pulmonar
Tricúspide

7.3 Ausculta Pulmonar

Ausculta Pulmonar
Regiões Pulmão Direito Pulmão Esquerdo
Apical
Medial
Basal

____________________________
Dra Wanessa Nogueira Campos
CRM ¹ 65137
ANEXOS 157

8 - Composição Corporal:

Peso: _________kg Estatura: ___________cm

8.1 mensuração de dobras cutâneas

MENSURAÇÃO DA GORDURA SUB-CUTÂNEA


Pregas Cutâneas 1a medida 2a medida 3a medida mediana

Tricipital - TR
Subescapular- SB
Supra-ilíaca - SI
Abdominal - AB
Pant.média - PM

Responsáveis

Prof. Dr. Rodrigo Álvaro B. Lopes Rui Leite do Prado


Orientador Orientando
ANEXOS 158

ANEXO D

Tabela I - Dados da caracterização do treinamento dos atletas de Futsal (AFS): freqüência


semanal (dias de treino por semana), duração de cada treino (em horas) e
tempo em que pratica a modalidade em anos.(N=13)
DIAS HORAS TEMPO
DE DE DE
TREINO TREINO TREINO
Atletas de Futsal (semana) (horas) (anos)

ABF-AD 3 2 8
APT-GO 3 4 6
ACL-AD 3 2 11
BRS-DA 4 2 10
CAA-AE 3 2 10
DFF-AD 3 2 10
EVV-AD 3 2 11
FSN-AE 3 2 13
IMR-AE 5 2 3
JEA-GO 4 4 7
LOM-FI 5 2 11
PHP-AD 3 2 11
RSR-PI 3 2 7
Mínimo 3 2 3
1º. Quartil 3 2 7
mediana 3 2 10
3º. Quartil 4 2 11
Máximo 5 4 13
Média 3.5 2.3 9.1
DP 0.8 0.8 2.7
al = ala; gl = goleiro; fx= fixo; pv = pivô
DP = desvio padrão
ANEXOS 159

Tabela II - Dados de alguns hábitos de vida dos sedentários: Tempo de inatividade em


meses, tempo despendido com estudo, TV, videogame e transporte em
dias, quantidade de substancia que contenha cafeína (chá, café) em xícaras
por dia, e tempo de sono em horas por dia.(N=13).
tempo gasto
com estudo, chá, café Sono
inatividade
Sedentários transporte, tv,
videogame

(meses) horas/dia xícaras/dia horas/dia


ADC 36 12 5 9
ADS 12 15 2 9
AHH 8 17 0 12
BRS 24 18 0 8
BTM 24 12 1 8
DRK 7 14 1 8
EHC 12 10 0 11
FBS 24 13 1 9
JFC 36 16 0 8
JEB 36 10 1 8
PLC 12 8 2 6
RPM 10 15 0 7
WBB 24 12 0 6
Mínimo 7 8 0 6
1º.Quartil 12 12 0 8
mediana 24 13 1 8
3º.Quartil 24 15 1 9
Máximo 36 18 5 12
Média 20.38 13.23 1.00 8.38
DP 10.94 2.95 1.41 1.71
DP = desvio padrão
ANEXOS 160

Tabela III - Dados da umidade relativa do ar (URA) em porcentagem (%), da pressão


barométrica (PB) em mililitro de mercúrio (mmHg) e da temperatura (T)
em grau Celsius (o C) da sala de experimento mantidas nos dias da
realização do TEFDC-D do grupo de atletas de Futsal (N=13) e do grupo
de sedentários (N=13).
Grupo URA PB T Grupo URA PB T
o o
atletas ( %) (mmHg) ( C) sedentário ( %) (mmHg) ( C)
ABF 70 710 24 ADC 70 711 23
APT 50 706 24 ADS 58 711 23
ACL 45 711 24 AHH 62 710 23
BRS 42 711 24 BRS 68 708 21
CAA 42 711 24 BTM 45 710 24
DFF 41 711 24 DRK 71 713 23
EVV 66 710 24 EHC 63 711 23
FSN 50 711 24 FBS 54 710 23
IMR 68 711 24 JFC 70 710 23
JEA 70 710 25 JEB 71 713 23
LOM 50 706 24 PLC 40 710 24
PHP 70 711 23 RPM 60 712 24
RSR 70 711 24 WBB 45 711 24
Mínimo 41 706 23 Mínimo 40 708 21
1º.Q 45 710 24 1o Q 54 710 23
mediana 50 711 24 mediana 62 711 23
3º.Q 70 711 24 3o Q 70 711 24
Máximo 70 711 25 Máximo 71 713 24
Média 56.46 710.00 24.00 Média 59.77 710.77 23.15
DP 12.49 1.83 0.41 DP 10.83 1.36 0.80
Q = quartil; DP = desvio padrão.
ANEXOS 161

Tabela IV - Dados das dobras cutâneas em milímetros(mm) e somatória ( ) das 5 dobras


cutâneas do percentual de gordura(%) obtidos dos atletas de Futsal
(N=13)
Sub supra (Ó) das
voluntários Tríceps escapular ilíaca Abdominal Panturrilha dobras
(mm) (mm) (mm) (mm) média(mm) (%)
ABF 10 9.5 9.5 10.5 7.5 12.97
APT 6.5 12.5 13.5 19 8.5 14.96
ACL 5 7.5 4.5 6.5 6 10.3
BRS 11 11 9.5 11.5 14 14.5
CAA 11.5 13.5 8 16.5 16 15.8
DFF 11 8 9.5 12 11 13.68
EVV 12.5 12 16 26 14 18.02
FSN 9 9.5 10 12 8 11.9
IMR 8 9 7 9.5 8 12.13
JEA 8 9.5 5.5 12.5 8.5 12.52
LOM 7 9 10 11 9.5 12.91
PHP 8 9 9.4 7 8 12.12
RSR 8 8.5 7 9.5 7 11.9
Mínimo 5 7.5 4.5 6.5 6 10.3
1º.Q 8 9 7 9.5 8 12.12
mediana 8 9 9.4 11 8 12.52
3º.Q 11 11 10 12.5 11 14.5
Máximo 12.5 13.5 16 26 16 18.02
Média 8.88 9.88 9.18 12.58 9.69 13.36
DP 2.19 1.82 3.07 5.26 3.11 2.03
Q = quartil; DP = desvio padrão.
ANEXOS 162

Tabela V - Dados das dobras cutâneas em milímetros(mm) e somatória ( ) das 5 dobras


do percentual de gordura(%) obtidos dos sedentários (N=13)
Supra (Ó) das
Voluntários Tríceps Subscapular ilíaca Abdominal Panturrilha dobras
(cm) (cm) (cm) (cm) média (cm) (%).
ADC 8.5 11.5 10 14.5 8.5 13.89
ADS 5.5 7 5 6.5 10 10.99
AHH 15 10 18 29 16.5 19.32
BRS 7.4 10 9 13 12.3 13.69
BTM 11.5 14 20.5 20.5 15.3 18.3
DRK 7 8.5 7.5 10.5 10.2 12.47
EHC 6 6.5 5 7 6 10.45
FBS 11.5 15 12 25 12 17.33
JFC 5.5 7.5 5.5 10.5 7 11.29
JEB 8.5 9 7 13.5 9 12.97
PLC 7.5 9.9 6.2 10 9.2 12.33
RPM 15 12.5 12 18.5 13.5 16.72
WBB 9.5 11 9.6 12.3 13.4 14.32
Mínimo 5.5 6.5 5 6.5 6 10.45
1º.Q 7 8.5 6.2 10.5 9 12.33
mediana 7.5 9.9 7.5 12.3 10 12.97
3º.Q 11.5 11.5 12 18.5 13.4 16.72
Máximo 15 15 20.5 29 16.5 19.32
Média 9.11 10.18 9.79 14.68 10.99 14.16
DP 3.26 2.60 4.85 6.79 3.16 2.89
Q = quartil ; DP = desvio padrão
ANEXOS 163

Tabela VI - Dados da idade em anos, peso em quilograma (kg), estatura em centímetros


(cm). Grupo atletas de fustas (AFS) e sedentários (SED).
Grupo Idade Peso Estatura Grupo Idade Peso Estatura
AFS (anos) (kg) (cm) SED (anos) (kg) (cm)

ABF 18 63 171 ADC 17 61.5 162


APT 16 71.0 170.0 ADS 17 52.5 169
ACL 18 61.0 175.0 AHH 16 68.4 183
BRS 16 62 170.0 BRS 18 61 178
CAA 16 66.7 167.0 BTM 16 49.6 167
DFF 17 69 174.0 DRK 17 61.2 177
EVV 17 72 174.0 EHC 16 56.4 173
FSN 17 66 181.0 FBS 17 79.8 180
IMR 17 68.5 178.0 JFC 16 49.6 167
JEA 18 76 186.0 JEB 17 65 174
LOM 16 58 174.0 PLC 17 61.8 169
PHP 16 60 177.0 RPM 17 61.5 173
RSR 16 57 176.0 WBB 18 62 167
Mín 16 57 167 Mín 16 49.6 162
1º.Q 16 61 171 1º. Q 16 56.4 167
med 16 62.8 174 med 17 61.2 169
3ºQ 17 69 177 3º. Q 17 62 177
Máx 18 76 186 Máx 18 79.8 183
Média 16.77 65.38 174.85 Média 16.85 60.79 172.23
DP 0.83 5.80 5.03 DP 0.69 8.06 6.08
DP = desvio padrão
ANEXOS 164

Tabela VII - Dados da freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm),
freqüência respiratória (FR) em respiração por minuto (rpm), de
pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD) em
milímetros de mercúrio (mmHg), durante o repouso (r), realizados
pelos atletas de Futsal – AFS (N=13).
GRUPO FCr FRr PASr PADr GRUPO FCr FRr PASr PADr
AFS (bpm) (rpm) (mmHg) (mmHg) SED (bpm) (rpm) (mmHg) (mmHg)
ABF 80 20 130 80 ADC 88 25 120 80
APT 58 18 120 80 ADS 89 14 120 80
ACL 62 16 110 70 AHH 68 15 100 70
BRS 60 12 120 80 BRS 80 16 120 80
CAA 66 14 130 90 BTM 70 17 120 80
DFF 65 13 110 80 DRK 76 14 110 80
EVV 61 19 120 80 EHC 79 21 110 80
FSN 58 17 100 70 FBS 80 13 110 70
IMR 70 18 100 70 JFC 60 15 100 70
JEA 75 16 120 70 JEB 60 14 110 70
LOM 55 12 110 70 PLC 70 16 120 80
PHP 60 13 110 70 RPM 74 18 110 60
RSR 60 17 100 60 WBB 75 17 100 70
Mín 55 12 100 60 Mín 60 13 100 60
1º.Q 60 13 110 70 1 o .Q 70 14 110 70
med 61 16 110 70 med 75 16 110 80
o
3 Q 66 18 120 80 3 o .Q 80 17 120 80
Máx 80 20 130 90 Máx 89 25 120 80
Média 63.85 15.77 113.85 74.62 Média 74.54 16.54 111.54 74.62
DP 7.26 2.71 10.44 7.76 DP 9.03 3.31 8.01 6.60
DP = desvio padrão
ANEXOS 165

Tabela VIII - Dados da massa gorda absoluta (MGA) e massa magra absoluta (MMA) em
quilograma, do grupo de atletas de Futsal (N=13) e do grupo de
sedentários (N=13).
Grupo MGA MMA Grupo MGA MMA
atletas (Kg) (Kg) sedentários (Kg) (Kg)
ABF 8.15 54.65 ADC 8.54 52.96
APT 10.89 61.91 ADS 5.77 46.73
ACL 6.28 54.72 AHH 13.21 55.19
BRS 8.99 53.01 BRS 8.35 52.65
CAA 10.54 56.16 BTM 9.08 40.52
DFF 9.44 59.56 DRK 7.63 53.57
EVV 12.98 59.02 EHC 5.89 50.51
FSN 7.86 58.14 FBS 13.83 65.97
IMR 8.13 60.49 JFC 5.6 44
JEA 9.51 66.49 JEB 8.43 56.57
LOM 7.49 50.51 PLS 7.62 54.18
PHP 7.27 52.73 RPM 10.28 51.22
RSR 6.78 50.22 WBB 8.88 53.12
Mínimo 6.28 50.22 Máximo 5.6 40.52
1º.Q 7.49 53.01 1º.Q 7.62 50.51
mediana 8.15 56.16 mediana 8.43 52.96
3º.Q 9.51 59.56 3º.Q 9.08 54.18
Máximo 12.98 66.49 Mínimo 13.83 65.97
Média 8.79308 56.7392 Média 8.70077 52.0915
DP 1.87217 4.75277 DP 2.54875 6.20699
Q = quartil; DP = desvio padrão.
ANEXOS 166

Tabela IX - Dados de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm),


consumo de oxigênio (VO 2 ) em mililitros por quilograma por minuto
(ml/kg/min), ventilação pulmonar (VE), produção de dióxido de
carbono (VCO2 ) e VO 2 em litros por minuto (l/min) e potência (P) em
Wats (W) obtidos no limiar ventilatório 1 (LV1) durante o TEFDC-D ,
realizados pelos atletas de Futsal (N=13)
atletas VO2 FC P VE VO2 VCO2
(ml/kg/min (bpm) (w) (l/min) (l/min) (l/min)
ABF-AL- 41.88 159 337.5 65 2.63 2.29
APT-GL- 44.65 174 319.5 88.5 3.17 2.94
ACL-AL- 43.77 165 327.8 74 2.67 2.19
BRS-AL- 36.61 159 333.2 55.2 2.27 2.05
CAA-AL- 39.88 171 358.5 72.4 2.66 2.43
DFF-AL- 35.94 171 370.8 61.3 2.48 2.19
EVV-AL- 30.28 150 324 54.1 2.18 1.92
FSN-AL- 43.64 160 354.7 85.3 2.88 2.92
IMR-AL- 47.59 168 579.5 101.9 3.26 3.26
JEA-GL- 46.45 157 408.4 86.6 3.53 3.3
LOM-FX- 32.59 163 261 53.8 1.89 1.86
PHP-AL- 35.67 159 322.5 61.6 2.14 2.23
RSR-PV- 75.61 176 549.7 109.1 4.31 4.01
Mínimo 30.28 150 261 53.8 1.89 1.86
1º.Quartil 35.94 159 324 61.3 2.27 2.19
mediana 41.88 163 337.5 72.4 2.66 2.29
3º.Quartil 44.65 171 370.8 86.6 3.17 2.94
Máximo 75.61 176 579.5 109.1 4.31 4.01
Média 42.66 164.00 372.85 74.52 2.77 2.58
DP 11.27 7.62 91.70 18.39 0.66 0.65
AL = ala; GL = goleiro; FX = fixo; PV = pivô; DP = desvio padrão
ANEXOS 167

Tabela X - Dados de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm), consumo
de oxigênio (VO2) em mililitros por quilograma por minuto (ml/kg/min),
ventilação pulmonar (VE), produção de dióxido de carbono (VCO2 ) e VO 2
em litros por minuto (l/min) e potência (P) em Wats (W) obtidos no limiar
ventilatório 1 (LV1) durante o TEFDC-D , realizados pelos sedentários -
SED (N=13).
SED VO2 FC P VE VO2 VCO2
(ml/kg/min) (bpm) (w) (l/min) (l/min) (l/min)
ADC 28.29 150 210 46.8 1.74 1.68
ADS 35.43 180 179.2 52 1.86 1.8
AHH 31.58 165 233.5 55.3 2.16 2.04
BRS 35.25 168 225.9 56.7 2.15 2.09
BTM 36.61 166 211.7 53.1 2.27 2.09
DRK 34.15 147 208.9 52.7 2.09 2.08
EHC 25.71 153 153.7 36.9 1.45 1.18
FBS 32.58 180 272.4 83.3 2.6 2.5
JFC 39.92 176 169 58.3 1.98 1.99
JEB 38.15 115 211.9 68.9 2.48 2.09
PLC 37.22 165 211 54.3 2.3 1.99
RPM 31.54 181 210 46.5 1.94 1.86
WBB 37.76 159 211 53.2 2.21 1.8
Mínimo 25.71 115 153.7 36.9 1.45 1.18
1º. Quartil 31.58 153 208.9 52 1.94 1.8
mediana 35.25 165 211 53.2 2.15 1.99
3º.Quartil 37.22 176 211.9 56.7 2.27 2.09
Máximo 39.92 181 272.4 83.3 2.6 2.5
Média 34.17 161.92 208.32 55.23 2.09 1.94
DP 4.10 18.13 29.54 11.17 0.31 0.30
DP = desvio padrão
ANEXOS 168

Tabela XI - Dados de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm),


consumo de oxigênio (VO2) em mililitros por quilograma por minuto
(ml/kg/min), ventilação pulmonar (VE), produção de dióxido de
carbono (VCO2 ) e VO 2 em litros por minuto (l/min) e potência (P) em
Wats (W) obtidos no pico de esforço (PE) durante o TEFDC-D,
realizados pelos atletas de Futsal – AFS (N=13)
AFS VO2 FC P VE VO2 VCO2
(ml/kg/min) (bpm) (w) (l/min) (l/min) (l/min)
ABF-AL- 64.49 150 768.7 118.1 4.05 4.08
APT-GL- 48.31 197 522 126.5 3.43 3.74
ACL-AL- 58.68 174 588.2 110.2 3.58 3.33
BRS-AL- 49.19 185 524.4 56.3 3.05 2.2
CAA-AL- 49.63 185 643.2 100.03 3.31 3.42
DFF-AL- 46.52 195 665.4 75.3 3.21 2.93
EVV-AL- 51.53 193 785 103.7 3.71 3.85
FSN-AL- 58.18 197 719.6 134.9 3.84 4.68
IMR-AL- 55.91 181 838.5 136.9 3.83 4.49
JEA-GL- 52.89 191 480 110.8 4 4
LOM-FX- 49.83 191 559.3 105.7 2.89 3.59
PHP-AL- 51.17 197 654.2 119.2 3.07 4.04
RSR-PV- 77.89 166 667.7 121.2 4.44 4.66
Mínimo 46.52 150 480 56.3 2.89 2.2
1º.Quartil 49.63 181 559.3 103.7 3.21 3.42
mediana 51.53 191 654.2 110.8 3.58 3.85
3º.Quartil 58.18 195 719.6 121.2 3.84 4.08
Máximo 77.89 197 838.5 136.9 4.44 4.68
Média 54.94* 184.77 647.40 109.14 3.57 3.77
DP 8.54 14.11 110.42 22.60 0.46 0.70
Valores de referência * VO2 relativo = 56,66; (Barros Neto, 1999).
DP = desvio padrão.
ANEXOS 169

Tabela XII - Dados de freqüência cardíaca (FC) em batimentos por minuto (bpm),
consumo de oxigênio (VO2) em mililitros por quilograma por minuto
(ml/kg/min), ventilação pulmonar (VE), produção de dióxido de carbono
(VCO2 ) e VO 2 em litros por minuto (l/min) e potência (P) em Wats (W)
obtidos no pico de esforço (PE) durante o TEFDC-D, realizados pelos
sedentários (N=13)
Voluntários VO2 FC P VE VO2 VCO2
(ml/kg/min) (bpm) (w) (l/min) (l/min) (l/min)
ADC 34.47 168 257 58.2 2.12 2.19
ADS 37.52 189 219.4 62.4 1.97 2.01
AHH 38.01 174 285.5 72.4 2.6 2.6
BRS 42.62 187 274 73.5 2.6 2.43
BTM 43.23 178 211.7 70.4 2.68 2.54
DRK 39.38 169 255.8 68.8 2.41 2.58
EHC 34.57 191 192.5 61.9 1.95 1.9
FBS 38 189 333.5 101.7 3.05 2.93
JFC 43.15 191 169.3 72.4 2.06 2.12
JEB 41.23 156 271.6 74.5 2.68 2.27
PLC 37.86 174 258.3 57 2.34 1.98
RPM 37.4 189 257 57 2.3 2.04
WBB 41.42 168 258.3 63.1 2.56 2.13
Mínimo 34.47 156 169.3 57 1.95 1.9
1º. Quartil 37.52 169 219.4 61.9 2.12 2.04
mediana 38.01 178 257 68.8 2.41 2.19
3º. Quartil 41.42 189 271.6 72.4 2.6 2.54
Máximo 43.23 191 333.5 101.7 3.05 2.93
Média 39.14* 178.69 249.53 68.72 2.41 2.29
DP 2.99 11.45 42.59 11.82 0.33 0.31
Valores de referência * VO2 relativo = 37,5 (AHA, 1999)
DP = desvio padrão.
ANEXOS 170

Tabela XIII - Valores dos índices temporais iRR médios, SDNN e RMSSD em
milissegundos (ms) nas fases de aquecimento (AQ), do limiar
ventilatório 1 (LV1), pico do esforço (PE), e recuperação ativa (RA)
com um período de 3 minutos cada fase, obtidos no teste de esforço
físico dinâmico do tipo degraus. Atletas de Futsal (AFT) n=13.

iRR iRR iRR iRR


médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD
Atletas ms (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms)
de Futsal
(AQ) (AQ) (AQ) (LVI) (LVI) (LVI) (PE) (PE) (PE) (RA) (RA) (RA)

ABFal 611.72 50.31 20.94 396.12 10.43 4.29 332.57 5.23 6.45 321.44 9.45 8.35
APTgl 669.32 75.45 38.56 370.74 18.95 3.72 321.20 6.88 4.80 317.82 14.95 5.70
ACLal 911.44 65.79 58.68 380.41 8.79 4.03 340.22 12.18 3.75 319.45 4.57 3.87
BRSal 686.59 86.27 41.11 429.77 19.01 4.68 359.07 8.38 4.89 336.41 10.96 12.72
CAAal 555.12 70.62 15.53 353.64 5.77 2.92 335.59 4.65 3.24 330.12 8.41 3.29
DFFal 580.79 41.34 11.63 374.71 13.66 3.55 319.96 5.14 3.51 314.21 13.14 3.91
EVVal 666.97 70.43 21.12 413.07 14.72 5.05 316.21 13.42 21.04 365.41 44.59 11.71
FSNal 891.00 94.11 73.41 461.30 22.80 9.78 341.39 10.06 11.07 319.58 8.90 13.09
IMRal 629.75 69.57 21.87 363.17 6.78 5.94 336.93 5.31 6.73 358.63 38.47 6.18
JEAgl 554.92 66.54 16.66 345.39 18.64 20.02 339.66 16.72 18.40 335.05 26.27 14.08
LOMfx 754.95 105.89 35.10 392.22 14.51 4.36 338.92 5.33 4.78 325.91 6.93 4.42
PHPal 642.29 68.10 29.20 410.52 10.47 5.13 324.81 6.82 4.96 316.90 13.89 4.86
RSRpv 670.03 56,21 26.20 345.34 8.01 11.77 335.09 8.45 11.22 336.78 24.80 12.09
Mínimo 554.92 41.34 11.63 345.34 5.77 2.92 316.21 4.65 3.24 314.21 4.57 3.29
1º.Quartil 611.72 66.35 20.94 356.02 8.21 3.80 324.81 5.31 4.78 319.45 8.90 4.42
mediana 666.97 70.00 26.20 380.41 13.66 4.68 335.59 6.88 4.96 325.91 13.14 6.18
3º.Quartil 686.59 78.15 38.56 410.52 18.64 5.94 339.66 10.06 11.07 336.41 24.80 12.09
Máximo 911.44 105.89 73.41 461.30 22.80 20.02 359.07 16.72 21.04 365.41 44.59 14.08
DQ 49.14 9.86 7.35 27.25 5.22 1.05 7.43 2.37 3.146 8.48 7.95 3.84
CVQ% 7.44 12.90 24.71 7.11 38.88 31.33 2.23 30.87 39.70 2.59 47.18 46.52
al = ala; gl = goleiro; fx= fixo; pv = pivô.
DQ = desvio quartilico; CVQ% = coeficiente de variação do quartil.
ANEXOS 171

Tabela XIIIV - Valores dos índices temporais iRR médios, SDNN e RMSSD em
milissegundos (ms) nas fases de aquecimento (AQ), do limiar
ventilatório 1 (LV1), pico do esforço (PE), e recuperação ativa (RA)
com um período de 3 minutos cada fase, obtidos no teste de esforço
físico dinâmico do tipo degraus. Sedentários (SED) n=13.

iRR iRR iRR iRR


médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD médios SDNN RMSSD
ms (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms) (ms)
SED
(AQ) (AQ) (AQ) (LVI) (LVI) (LVI) (PE) (PE) (PE) (RA) (RA) (RA)

ADC 628.59 73.80 19.30 409.59 16.70 6.63 389.77 12.32 6.11 408.62 46.30 6.40
ADS 432.53 4.38 2.65 381.98 16.45 4.92 372.16 11.54 4.98 328.86 9.69 4.92
AHH 534.89 55.22 11.83 375.26 18.80 4.58 378.25 19.40 4.66 421.69 48.04 4.01
BRS 540.79 34.72 6.46 364.52 9.71 3.91 358.97 9.30 3.89 351.27 28.73 4.03
BTM 540.16 30.47 13.58 362.24 12.61 6.61 354.87 13.32 6.51 440.01 38.85 44.56
DRK 696.64 93.63 41.49 437.23 27.68 5.37 422.46 26.90 5.18 402.48 41.02 4.76
EHC 507.48 35.27 10.70 413.32 46.76 6.88 358.64 358.64 9.12 357.01 34.93 9.83
FBS 466.10 27.75 9.33 333.51 11.84 7.05 323.00 11.18 5.25 361.27 31.87 4.87
JEB 606.12 82.19 21.60 435.30 22.00 9.73 444.82 23.57 8.86 451.97 69.30 13.18
JFC 540.37 42.13 21.27 351.09 20.93 4.42 350.24 20.66 4.44 356.99 35.92 4.29
PLS 563.30 71.53 24.19 370.80 14.80 6.05 373.45 15.03 5.61 403.36 32.96 6.77
RPM 539.30 47.98 20.92 341.29 12.71 4.47 341.30 12.66 4.69 349.53 26.38 4.84
WBB 544.02 55.16 13.77 393.14 17.60 3.61 391.34 17.62 3.66 381.90 33.40 3.94
Mínimo 432.53 4.38 2.65 333.51 9.71 3.61 323.00 9.30 3.66 328.86 9.69 3.94
1º.Quartil 534.89 34.72 10.70 362.24 12.71 4.47 354.87 12.32 4.66 356.99 31.87 4.29
mediana 540.37 47.98 13.77 375.26 16.70 5.37 372.16 15.03 5.18 381.90 34.93 4.87
3º.Quartil 563.30 71.53 21.27 409.59 20.93 6.63 354.87 12.32 4.66 408.62 41.02 6.77
Máximo 696.64 93.63 41.49 437.23 46.76 9.73 444.82 358.64 9.12 451.97 69.30 44.56
DQ 34.10 9.33 1.75 0.91 0.22 1.71 0.43 0.14 1.43 1.95 0.40 2.31
CVQ%c 55.85 57.62 55.16 45.65 47.85 43.42 31.23 32.08 33.26 67.03 48.28 40.74
DQ = desvio quartilico; CVQ% = coeficiente de variação do quartil.
ANEXOS 172

Tabela XIV - Valores dos índices espectrais totais PSD LF, PSD HF e em milissegundos
ao quadrado por Hertz (ms 2 /Hz) e razão PSD LF/HF, obtidos nas fases de
aquecimento (AQ), limiar ventilatório 1 (LV1), pico do esforço (PE) e
recuperação ativa (RA) durante o teste de esforço físico tipo degraus.
Atletas de Futsal – AFS (N=13).

PSD PSD PSD PSD PSD PSD PSD PSD


LF HF PSD LF HF PSD LF HF PSD LF HF PSD
ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF

(AQ) (AQ) (AQ) (LVI) (LVI) (LVI) (PE) (PE) (PE) (RA) (RA) (RA)
AFS
(N=13)

ABFal 345.19 44.72 7.72 2.29 0.91 2.51 0.24 0.21 1.16 1.70 2.66 0.64

APTgl 133.13 55.60 2.39 1.83 0.15 11.98 0.07 0.28 0.24 0.27 0.18 1.48

ACLal 365.72 155.60 2.35 2.12 0.18 12.02 1.18 0.09 13.12 0.19 0.12 1.57

BRSal 262.47 164.31 1.60 1.64 1.57 1.04 0.37 0.10 3.57 148.38 34.92 4.25
CAAal 52.97 8.65 6.13 0.08 0.04 1.86 0.03 0.06 0.50 0.04 0.11 0.39

DFFal 57.96 17.82 3.25 1.35 0.21 6.28 0.07 0.11 0.61 0.15 0.21 0.72

EVVal 80.04 29.42 2.72 1.97 0.31 6.29 0.08 2.23 0.04 0.94 0.38 2.50

FSNal 816.50 356.11 2.29 2.38 0.71 3.35 1.40 1.82 0.77 2.76 5.64 0.49

IMRal 67.20 10.46 6.43 0.54 0.56 0.96 0.30 0.37 0.80 0.98 0.42 2.36
JEAgl 52.26 22.86 2.29 1.51 4.69 0.32 1.29 4.58 0.28 1.80 5.48 0.33

LOMfx 201.44 76.51 2.63 2.53 1.65 1.53 0.42 0.29 1.46 0.10 0.40 0.24

PHPal 185.87 109.69 1.69 1.16 0.78 1.49 0.07 0.11 0.59 0.19 0.07 2.56

RSRpv 99.59 21.26 4.68 0.30 0.24 1.24 0.52 0.74 0.71 4.10 7.51 0.55

Mín 52.26 8.65 1.60 0.08 0.04 0.32 0.03 0.06 0.04 0.04 0.07 0.24

1º.Q 67.20 21.26 2.29 1.16 0.21 1.24 0.07 0.11 0.50 0.19 0.18 0.49
med 133.13 44.72 2.63 1.64 0.56 1.86 0.30 0.28 0.71 0.94 0.40 0.72

3º.Q 262.47 109.69 4.68 2.12 0.91 6.28 0.52 0.74 1.16 1.80 5.48 2.36

Máx 816.50 356.11 7.72 2.53 4.69 12.02 1.40 4.58 13.12 148.38 34.92 4.25

DQ 92.64 44.22 1.2 0.48 0.35 2.52 0.23 0.32 0.33 0.80 2.65 0.93

CVQ% 59.23 67.53 34.24 28.66 62 67.07 76.80 74.44 39.88 80.91 93.64 65.62
al = ala; gl = goleiro; fx= fixo; pv = pivô.
Q = quartil; DQ = desvio quartilico; CVQ% = coeficiente de variação do quartil.
ANEXOS 173

Tabela XVI - Valores dos índices espectrais totais PSD LF, PSD HF e em milissegundos
ao quadrado por Hertz (ms 2 /Hz) e razão PSD LF/HF, obtidos nas fases
de aquecimento (AQ), limiar ventilatório 1 (LV1), pico do esforço (PE)
e recuperação ativa (RA) durante o teste de esforço físico tipo degraus.
Sedentários – SED (N=13).

PSD PSD PSD PSD PSD PSD PSD PSD


LF HF PSD LF HF PSD LF HF PSD LF HF PSD
ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF ms 2 ms 2 LF/HF

(AQ) (AQ) (AQ) (LVI) (LVI) (LVI) (PE) (PE) (PE) (RA) (RA) (RA)
SED
** * * ns ns ns *** ns ** ns ns ***
ADC 58.80 5.26 11.17 .12 0.47 2. 139 0.91 0.35 2.62 3.48 0.42 8.22
ADS 0.30 0.10 2.90 0.93 0.69 1.36 1.19 0.59 2.01 0.44 0.66 0.67
AHH 12.66 9.02 1.40 1.09 0.24 4.56 1.28 0.29 4.44 4.05 0.51 7.97
BRS 15.17 3.39 4.47 4.79 0.28 17.01 4.43 0.34 12.91 0.14 0.37 3.36
BTM 36.09 9.37 3.85 1.37 0.24 5.66 0.95 0.35 2.72 22.08 56.28 7.55
DRK 248.10 297.52 0.83 1.60 0.57 2.83 1.32 0.58 2.28 0.19 0.78 11.54
EHC 29.38 20.42 1.44 4.88 1.71 2.85 1.74 1.92 0.91 1.75 0.78 2.24
FBS 55.35 6.86 8.07 0.89 0.79 1.13 0.45 0.31 1.43 2.42 0.43 5.66
JEB 183.97 57.86 3.18 9.33 4.17 2.23 5.63 2.05 2.74 11.48 3.01 3.82
JFC 125.98 25.52 4.94 1.85 0.17 10.92 1.82 0.16 11.12 2.00 0.30 6.76
PLS 62.84 12.01 5.23 1.70 0.22 7.59 1.64 0.25 6.62 0.96 1.74 3.65
RPM 95.15 73.62 1.29 0.59 0.43 1.37 0.73 0.60 1.22 7.80 1.21 1.18
WBB 26.95 18.89 1.43 2.91 0.53 5.46 2.65 0.55 4.86 4.86 0.35 14.06
Mín 0.30 0.10 0.83 0.59 0.17 1.13 0.45 0.16 0.91 0.14 0.30 0.67
1º.Q 26.95 6.86 1.43 1.09 0.24 2.23 0.95 0.31 2.01 0.96 0.42 3.36
med 55.35 12.01 3.18 1.60 0.47 2.85 1.32 0.35 2.72 2.42 0.66 5.66
3º.Q 95.15 25.52 4.94 2.91 0.69 5.66 1.82 0.59 4.86 4.86 1.21 7.97
Máx 248.10 297.52 11.17 0.59 0.17 1.13 5.63 2.05 12.91 22.08 56.28 14.06
DQ 34.10 9.33 1.75 0.91 0.22 1.71 0.43 0.14 1.43 1.95 0.40 2.31
CVQ% 55.85 57.62 55.16 45.65 47.85 43.42 31.23 32.08 33.26 67.03 48.28 40.74
Q = quartil; DQ = desvio quartilico; CVQ% = coeficiente de variação do quartil.
* = p <0,05; ** = p< 0,01; *** = p < 0,001; NS = não significante (em relação ao grupo de
atletas).
ANEXOS 174

Tabela XVII - Correlação entre as variáveis metabólicas com os índices temporais e


espectrais obtidos no limiar ventilatório 1 (LV1), no TEFDC-D dos
atletas de Futsal (N=13) e sedentários (n=13)
Metab vs Temporal. ATLETAS valor SEDENTÁRIOS valor
rs p rs p
VO2 rel vs IRR médios (-)0,632 0.021* (-)0.016 0.957 NS
VO2 rel vs SDNN (-)0.231 0.448 NS (-)0.017 0.957 NS
VO2 rel vs RMSSD 0.368 0.216 NS (-)0.181 0.553 NS
FC vs IRR médios (-)0.578 0.038* (-)0.430 0.143 NS
FC vs SDNN (-)0.426 0.147 NS (-)0.617 0.025*
FC vs RMSSD (-)0.099 0.746 NS 0.124 0.687 NS
P vs IRR médios (-)0.539 0.058 NS (-)0.713 0.006**
P vs SDNN (-)0.390 0.189 NS (-)0.584 0.036*
P vs RMSSD 0.357 0.231 NS (-)0.333 0.266 NS
VE vs IRR médios (-)0.621 0.0235* (-)0.363 0.223 NS
VE vs SDNN (-)0.258 0.394 NS (-)0.214 0.482 NS
VE vs RMSSD 0.363 0.223 NS (-)0.022 0.943 NS
VO2 abs vs IRRmédios (-)0.654 0.0153* (-)0.599 0.0305*
VO2 abs vs SDNN (-)0.165 0.591 NS (-)0.368 0.2158 NS
VO2 abs vs RMSSD 0.379 0.201 NS (-)0.176 0.5656 NS
VCO2 vs IRR médios (-)0.646 0.0169* (-)0.562 0.0454*
VCO2 vs SDNN (-)0.212 0.487 NS (-)0.427 0.146 NS
VCO2 vs RMSSD 0.446 0.128 NS (-)0.067 0.829 NS
Metab vs Espectral. ATL (Sr) p-valor SED (Sr) p-valor
VO2 rel vs LF 0.132 0.668 NS 0.4286 0.144 NS
VO2 rel vs HF 0.159 0.603 NS (-)0.176 0.566 NS
VO2 vs LF/HF (-)0.121 0.694 NS 0.143 0.642 NS
FC vs LF 0.141 0.648 NS (-)0.416 0.157 NS
FC vs HF (-)0.025 0.936 NS 0.275 0.362 NS
FC vs LF/HF 0.247 0.417 NS (-)0.037 0.901 NS
P vs LF (-)0.588 0.0345* (-)0.303 0.314 NS
P vs HF (-)0.066 0.831 NS (-)0.587 0.035*
P vs LF/HF (-)0.489 0.090 NS 0.342 0.253 NS
VE vs LF (-)0.407 0.168 NS 0.1758 0.566 NS
VE vs HF (-)0.302 0.316 NS (-)0.198 0.517 NS
VE vs LF/HF (-)0.192 0.529 NS 0.4076 0.168 NS
VO2 abs vs LF (-)0.352 0.237 NS (-)0.077 0.803 NS
VO2 abs vs HF (-)0.242 0.426 NS (-)0.494 0.086 NS
VO2 abs vs LF/HF (-)0.209 0.494 NS 0.335 0.263 NS
VCO2 vs LF (-)0.209 0.494 NS (-)0.116 0.705 NS
VCO2 vs HF (-)0.492 0.087 NS (-)0.346 0.246 NS
VCO2 vs LF/HF (-)0.146 0.635 NS 0.233 0.444 NS
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman;** = p<0,01; * = p<0,05;NS = não significante.
ANEXOS 175

Tabela XVIII - Correlação entre as variáveis metabólicas com os índices temporais e


espectrais obtidos no pico do esforço (PE), no TEFDC-D dos atletas de
Futsal (N=13) e sedentários (n=13)
Metab vs Temporal. ATLETAS valor SEDENTÁRIOS valor
rs p rs p
VO2 rel vs IRR médios 0.247 0.415 NS 0.181 0.553 NS
VO2 rel vs SDNN 0.363 0.223 NS 0.093 0.762 NS
VO2 rel vs RMSSD 0.544 0.055 * (-)0.214 0.482 NS
FC vs IRR médios (-)0.252 0.406 NS (-)0.216 0.478 NS
FC vs SDNN 0.119 0.698 NS (-)0.061 0.843 NS
FC vs RMSSD (-)0.012 0.964 NS 0.491 0.088 NS
P vs IRR médios 0.198 0.517 NS 0.733 0.004**
P vs SDNN (-)0.368 0.216 NS 0.493 0.087 NS
P vs RMSSD 0.170 0.578 NS 0.044 0.886 NS
VE vs IRR médios 0.016 0.957 NS (-)0.171 0.577 NS
VE vs SDNN 0.137 0.654 NS (-)0.072 0.816 NS
VE vs RMSSD 0.434 0.138 NS (-)0.259 0.393 NS
VO2 abs vs IRRmédios (-)0.022 0.943 NS (-)0.402 0.173 NS
VO2 abs vs SDNN 0.341 0.255 NS (-)0.270 0.372 NS
VO2 abs vs RMSSD 0.659 0.014 * (-)0.430 0.143 NS
VCO2 vs IRR médios (-)0.038 0.901 NS (-)0.082 0.788 NS
VCO2 vs SDNN 0.181 0.553 NS (-)0.192 0.529 NS
VCO2 vs RMSSD 0.698 0.008 ** (-)0.280 0.354 NS
Metab vs Espectral. ATL (Sr) Valor-p SED (Sr) Valor- p
VO2 rel vs LF 0.611 0.0278* 0.516 0.071 NS
VO2 rel vs HF 0.159 0.603 NS (-)0.088 0.775 NS
VO2 vs LF/HF 0.308 0.306 NS 0.588 0.034*
FC vs LF (-)0.211 0.4909 NS (-)0.044 0.885 NS
FC vs HF (-)0.025 0.936 NS 0.632 0.020 *
FC vs LF/HF (-)0.532 0.061 NS (-)0.552 0.050 *
P vs LF (-)0.121 0.694 NS (-)0.154 0.615 NS
P vs HF (-)0.137 0.654 NS (-)0.802 0.001***
P vs LF/HF 0.022 0.943 NS 0.416 0.157 NS
VE vs LF 0.324 0.280 NS 0.2231 0.464 NS
VE vs HF (-)0.011 0.977 NS (-)0.350 0.241 NS
VE vs LF/HF (-)0.071 0.817 NS 0.347 0.245 NS
VO2 abs vs LF 0.429 0.144 NS (-)0.149 0.628 NS
VO2 abs vs HF (-)0.016 0.957 NS 0.705 0.007 **
VO2 abs vs LF/HF (-)0.148 0.629 NS 0.427 0.145 NS
VCO2 vs LF 0.357 0.231 NS (-)0.258 0.394 NS
VCO2 vs HF 0.192 0.529 NS (-)0.451 0.122 NS
VCO2 vs LF/HF (-)0.154 0.616 NS 0.181 0.553 NS
rs = Coeficiente de Correlação de Spearman;** = p<0,01; * = p<0,05;NS = não significante.
ANEXOS 176

ANEXO E
Quadro 1. GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA
(estudado durante a fase do aquecimento - AQ)

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô;
(s) = segundos.
ANEXOS 177

Quadro 2 GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA (estudado


durante a fase do limiar ventilatório 1 – LV1).

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô
(s) = segundos.
ANEXOS 178

Quadro 3. GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do pico do exercício – PE).

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô;
(s) = segundos.
ANEXOS 179

Quadro 4. GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase da recuperação ativa - RA).

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô;
(s) = segundos.
ANEXOS 180

Quadro 5. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do aquecimento - AQ).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. (s) = segundos.
ANEXOS 181

Quadro 6. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do limiar ventilatório 1 – LV1).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. (s) =segundos.
ANEXOS 182

Quadro 7. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do pico do exercício - PE).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. (s) = segundos
ANEXOS 183

Quadro 8. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – SÉRIE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase da recuperação ativa - RA)

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= intervalograma interpolado por “splines” cúbicas, figuras 2 = espectrograma


auto-regressivo. (s) = segundos
ANEXOS 184

Quadro 9 GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do aquecimento – AQ).

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô; (s) = segundos


Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =
variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 185

Quadro 10 GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do limiar ventilatório 1- LV1).

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô; (s) = segundos.

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 186

Quadro 11 GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do pico do exercício - PE)

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô; (s) = segundos.

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 187

Quadro 12 GRUPO DE ATLETAS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase da recuperação ativa- RA)

ABF - AD APT - GO ACL - AD BRS - AD

CAA – AE DFF – AD EVV AD FSN - AE

IMR – AE JEA - GO LOM - FI PHP - AD

RSR - PI

AD = ala direita; GO = goleiro; AE = ala esquerda; FI = fixo; PI = pivô; (s) = segundos.

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 188

Quadro 13 GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do aquecimento - AQ).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 189

Quadro 14. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do limiara ventilatório 1 – LV1).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 190

Quadro 15. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase do pico do exercício – PE).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.
ANEXOS 191

Quadro 16. GRUPO DE SEDENTÁRIOS – VFC – ANÁLISE TEMPO-FREQÜÊNCIA


(estudado durante a fase da recuperação ativa – RA).

ADC ADS AHH BRS

BTM DRK EHC FBS

JFC JEB PLC RPM

WBB

Figuras 1= variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda LF, figuras 2 =


variação da potência relativa em porcentagem (%) da banda HF, figuras 3 = variação da
razão LF/HF; (s) = segundos.

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