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MINISTÉRIO DA SAÚDE
PROTOCOLO CLÍNICO E
DIRETRIZES TERAPÊUTICAS
DIABETE MELITO TIPO 1
PORTARIA CONJUNTA SCTIE/SAES/MS Nº 17 DE 12
DE NOVEMBRO DE 2019
DIAGNÓSTICO INTRODUÇÃO
A doença caracteriza-se pela destruição das
Figura 1 – critérios diagnósticos de diabete melito tipo 1 células beta pancreáticas, determinando
deficiência na secreção de insulina, o que
QUADRO CLÍNICO + EXAME LABORATORIAL torna essencial o uso desse hormônio como
tratamento, para prevenir, eventos micro- e
macrovasculares, cetoacidose, coma e morte. O
Sintomas de insulinopenia Glicemia aleatória > 200mg/dL1 pico de incidência do Diabete Melito tipo 1
inequívocos (polidipsia, (DM1) ocorre em crianças e adolescentes, entre
poliúria, polifagia, noctúria e OU
10 e 14 anos, e, menos comumente, em
perda de peso inexplicada) Glicemia 2 horas após sobrecarga
adultos de qualquer idade, no entanto, o
oral 75g de glicose ≥ 200mg/dL2
OU OU diagnóstico em pessoas adultas com DM1
também é recorrente.
Glicemia de jejum 8h ≥ 126mg/dL3
Ocorrência de cetoacidose OU
prévia HbA1c ≥ 6,5%3
HbA1c: hemoglobina glicada, preferencialmente por método certificado pelo National CID-10
Glycohemoglobin Standardization Program.
¹ paciente com sintomas clássicos de insulinopenia não precisa repetir; ² raramente utilizado; 3 em E10.0 Diabete melito insulino-dependente -
duas ocasiões. Hiperglicemia associada ao estresse agudo infeccioso, traumático ou circulatório com coma
não deve ser considerada diagnóstica de DM, pois muitas vezes é transitória. Portanto, o paciente
deve ser reavaliado fora deste contexto agudo para observar se há hiperglicemia persiste. E10.1 Diabete melito insulino-dependente -
com cetoacidose
Cetoacidose Diabética (CAD), complicação do DM que pode cursar com E10.2 Diabete melito insulino-dependente -
náusea, vômitos, sonolência, torpor e coma e que pode levar ao óbito. A com complicações renais
CAD ocorre especialmente na presença de estresse agudo. E10.3 Diabete melito insulino-dependente -
com complicações oftálmicas
E10.4 Diabete melito insulino-dependente -
com complicações neurológicas
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
E10.5 Diabete melito insulino-dependente - com
complicações circulatórias periféricas
Serão incluídos neste Protocolo os pacientes com diagnóstico de DM1 conforme
definido no item diagnóstico. Para isso, o paciente deverá apresentar sinais de E10.6 Diabete melito insulino-dependente -
insulinopenia inequívoca acrescidos da demonstração de hiperglicemia: com outras complicações especificadas
Diabete melito insulino-dependente -
E10.7 com complicações múltiplas
Sinais de insulinopenia Demonstração de hiperglicemia para diagnóstico
inequívoca: sintomas de de DM:
hiperglicemia importante
Glicemia aleatória maior do que 200 mg/
E10.8 Diabete melito insulino-dependente -
com complicações não especificadas
(glicemia acima de 200
dL na presença de sintomas clássicos de
mg/dL necessariamente
associada à poliúria, + hiperglicemia (polidipsia, poliúria, noctúria e E10.9 Diabete melito insulino-dependente -
perda inexplicada de peso); sem complicações
noctúria, polidipsia, OU
polifagia noctúria e perda Glicemia em jejum de 8 horas ≥ 126 mg/dL em
de peso inexplicada) ou duas ocasiões;
presença de cetoacidose OU
diabética.
HbA1c ≥ 6,5% em duas ocasiões;
OU
Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga ≥ 200 mg/dL
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CRITÉRIOS DE INCLUSÃO PARA O TRATAMENTO COM ANÁLOGO DE INSULINA DE AÇÃO RÁPIDA
Para o uso de análogo de Uso prévio de insulina NPH e insulina Regular por pelo menos três meses
insulina de ação rápida, os
pacientes deverão
apresentar, além dos Apresentação, nos últimos seis meses, de pelo menos um dos critérios abaixo, após terem sido excluídos fatores
critérios de inclusão de causais para as hipoglicemias (redução de alimentação sem redução da dose de insulina, exercício físico sem
DM1, todas as condições redução da dose de insulina, revisão dos locais de aplicação de insulina, uso de doses excessivas de insulina, uso
excessivo de álcool):
descritas em laudo médico:
Hipoglicemia grave (definida pela necessidade de atendimento emergencial ou de auxílio de um terceiro para sua resolução)
comprovada mediante relatório de atendimento emergencial, registros em softwares, tabelas ou glicosímetros, quando
disponíveis;
Hipoglicemias não graves repetidas (definida como dois episódios ou mais por semana) caracterizadas por glicemia capilar <
54mg/dL com ou sem sintomas ou < 70mg/dL acompanhado de sintomas (tremores, sudorese fria, palpitações e sensação de
desmaio);
Hipoglicemias noturnas repetidas (definidas como mais de um episódio por semana);
OU
Mau controle persistente, comprovado pela análise laboratorial dos últimos doze meses de acordo com os critérios da HbA1c.
Realização de automonitorização da glicemia capilar (AMG) no mínimo três vezes ao dia;
Acompanhamento regular (mínimo duas vezes ao ano) com médico e equipe multidisciplinar e sempre que possível com
endocrinologista.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO PARA O TRATAMENTO COM ANÁLOGO DE INSULINA DE AÇÃO PROLONGADA
Para o uso de análogo de Uso prévio da insulina NPH associada à insulina análoga de ação rápida por pelo menos três meses
insulina de ação
prolongada, os pacientes
deverão apresentar, além Apresentação, nos últimos seis meses, de pelo menos um dos critérios abaixo após terem sido excluídos fatores causais
dos critérios de inclusão de para as hipoglicemias (redução de alimentação sem redução da dose de insulina, exercício físico sem redução da dose de
DM1, todas as seguintes insulina, revisão dos locais de aplicação de insulina, uso de doses excessivas de insulina, uso excessivo de álcool):
condições descritas em
Hipoglicemia grave (definida pela necessidade de atendimento emergencial ou de auxílio de um terceiro para sua resolução) comprovada
laudo médico: mediante relatório de atendimento emergencial, registros em softwares, tabelas ou glicosímetros, quando disponíveis;
Hipoglicemia não graves repetidas (definida como dois episódios ou mais por semana) caracterizadas por glicemia capilar < 54mg/dL com
ou sem sintomas ou < 70mg/dL acompanhado de sintomas (tremores, sudorese fria, palpitações e sensação de desmaio);
Hipoglicemias noturnas repetidas (definidas como mais de um episódio por semana);
Persistente mau controle, comprovado pela análise laboratorial dos últimos doze meses de acordo com os critérios da HbA1c.
CRITÉRIOS DE MANUTENÇÃO DO TRATAMENTO COM ANÁLOGOS DE INSULINA DE AÇÃO
RÁPIDA E PROLONGADA
Para a manutenção do tratamento com a insulina Atingir as metas de controle glicêmico, conforme o Quadro 1. Redução
análoga de ação rápida e insulina análoga de ação Necessário anexar resultado de HbA1c do período avaliado ou mínima de
a situação da variabilidade glicêmica por softwares ou outros 0,5% no valor
prolongada, o paciente deverá comprovar a métodos, quando disponíveis da HbA1c
manutenção da automonitorização e do
acompanhamento regular além de apresentar, nos
últimos seis meses, pelo menos um dos critérios,
Melhora dos episódios de hipoglicemia, Presença de condições clínicas que
descritos em laudo médico: comprovada por meio de registro possam promover ou contribuir para a
em glicosímetros ou meios gráficos glicemia fora das metas, não
disponíveis persistente por mais de seis meses
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TRATAMENTO
O tratamento da pessoa com DM1 possui 5 componentes:
• educação em diabetes, insulinoterapia Crianças e
Parâmetros Adolescentes Adultos Gestantes
• automonitorização glicêmica
• orientação nutricional e Glicemia pré-prandial (mg/dL) 70 a 145 70 a 130 < 90
• prática de exercício físico. Glicemia pós-prandial (mg/dL) 90 a 180 < 180
1ª hora < 140
2ª hora < 120
Os objetivos de controle glicêmico devem ser
determinados individualmente, de acordo com a Glicemia ao deitar (mg/dL) 120 a 180 - -
idade do paciente e a capacidade de identificar e Glicemia na madrugada (mg/dL) 80 a 162 - -
tratar hipoglicemias.
HbA1c (%) < 7,5 < 7,0 < 6,0
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO
Educação em diabetes e estímulo ao autocuidado, orientação nutricional, e cessação do tabagismo
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
Pacientes com DM1 têm deficiência absoluta de insulina endógena, razão por que a insulinoterapia é obrigatória no tratamento. O
esquema de insulinoterapia deve incluir uma insulina basal de ação intermediária ou prolongada (insulina NPH humana ou análoga de
ação prolongada) e uma insulina de ação tipo bolus de ação rápida (humana regular ou análoga de ação rápida), com doses
fracionadas em pelo menos três aplicações diárias, que devem respeitar a faixa etária, peso do paciente, gasto energético diário
incluindo atividade física e dieta e levando-se em consideração possível resistência à ação da insulina e a farmacocinética desses
medicamentos.
FÁRMACOS
Insulina NPH 100U/mL Insulina regular 100U/mL Insulina Análoga de ação rápida Insulina Análoga de ação prolongada
suspensão injetável solução injetável 100U/mL solução injetável 100U/ml solução injetável
ADMINISTRAÇÃO DAS INSULINAS
Pacientes com DM1 Dose total diária de insulina Pico de ação
Diagnóstico recente (lua de mel) < 0,5 < 0,25
Após a remissão parcial/adultos 0,7 a 1,0 0,3 a 0,5
Crianças:
Lactentes 0,2 a 0,4 0,1 a 0,2
Pré-púberes 0,5 a 0,8 0,2 0,4
Púberes 0,8 a 2,0 0,4 a 1,0
TEMPO DE TRATAMENTO - CRITÉRIOS DE INTERRUPÇÃO
O tratamento medicamentoso com insulina não pode ser interrompido para os pacientes com DM1, visto que se pode desencadear
um quadro de cetoacidose diabética, coma e morte. Entretanto, o tratamento deve ser revisto e ajustado de acordo com a indicação
médica seguindo as orientações deste Protocolo.
Pacientes em uso de insulina análoga de ação rápida ou prolongada, quando não comprovarem a manutenção do bom controle,
avaliados por meio dos critérios de manutenção de tratamento deste Protocolo, devem ter o tratamento interrompido e retornar ao
uso da insulina basal.
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FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO DIABETE MELITO TIPO 1
Diagnóstico de DM1
Possui critério de inslusão?*
SIM NÃO
Possui critério de exclusão?* Exclusão do PCDT
SIM NÃO
Uso de insulina NPH e regular;
Exclusão do PCDT AMG, no mínimo, 3x por dia;
Acompanhamento médico regular
Apresenta critério de inclusão para insulina análoga de ação rápida?
SIM NÃO
Iniciar tratamento com insulina
análoga de ação rápida associada a Manter insulina NPH e regularβ
insulina NPH
Apresenta critério de inclusão para
insulina análoga de ação prolongada?
NÃO SIM
Manter insulina análoga de ação Iniciar tratamento com insulina
rápida associada a insulina NPH, análoga de ação prolongada associada
conforme critérios de manutençãoβ a insulina análoga de ação rápida
Apresenta critério de manutenção?
SIM NÃO
Manter insulina análoga de ação
prolongada associada à insulina Reavaliar tratamento
análoga de ação rápidaβ
Critérios inclusão de insulina Critérios inclusão de insulina
Critérios de manutenção
análoga de ação prolongada análoga de ação rápida
* Casos especiais: β A cada seis meses, o paciente deve ser avaliado a respeito de hipoglicemia e dos critérios de
Os pacientes, em uso de insulina análoga, deverão cumprir manutenção, caso haja alguma mudança, o tratamento deve ser reavaliado.
os critérios de manutenção do tratamento, de acordo com o
item 5.1 desde PCDT. AMG: Automonitorização da glicemia capilar.
As informações inseridas neste material tem a finalidade de direcionar a consulta
rápida dos principais temas abordados no PCDT. A versão completa corresponde a
Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 17, de 12 de novembro de 2019 e pode ser
acessada em [Link]