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Ciclo de Investimento em Ativos Intangíveis

O documento aborda o ciclo de investimento, focando em ativos intangíveis e suas características, reconhecimento, mensuração e divulgação. O trabalho é parte de uma avaliação acadêmica na Licenciatura em Contabilidade e Auditoria da Universidade Rovuma e inclui uma metodologia de pesquisa bibliográfica. Além disso, discute conceitos de amortização e imparidade, com ênfase na importância dos ativos intangíveis para as organizações.
Direitos autorais
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Ciclo de Investimento em Ativos Intangíveis

O documento aborda o ciclo de investimento, focando em ativos intangíveis e suas características, reconhecimento, mensuração e divulgação. O trabalho é parte de uma avaliação acadêmica na Licenciatura em Contabilidade e Auditoria da Universidade Rovuma e inclui uma metodologia de pesquisa bibliográfica. Além disso, discute conceitos de amortização e imparidade, com ênfase na importância dos ativos intangíveis para as organizações.
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1

Armando Armando Paulo


Nelcia Rosário Manuel
Milena Amaral Guilherme
Papito Jaime Amur
Susana Titos Abilio Machone

O Ciclo de Investimento

(Licenciatura em Contabilidade e Auditoria 1º Ano)

Universidade Rovuma
Extensão Niassa
2022
2

Armando Armando Paulo

Nelcia Rosário Manuel

Milena Amaral Guilherme

Papito Jaime Amur

Susana Titos Abilio Machone

O Ciclo de Investimento
(Licenciatura em Contabilidade e Auditoria 1º Ano)

Este Trabalho será apresentado no Departamento


de Ciências Econômicas e Empresarias, no curso
de Contabilidade e Auditoria, na disciplina de
Contabilidade Financeira II, para fins avaliativos.
Sob orientação do dr. Jordão Nkuamba

Universidade Rovuma
Extensão Niassa
2022
3

Índice
1. Introdução ........................................................................................................................ 5

1.1. Objectivos .................................................................................................................... 5

1.1.1. Objectivo Geral ........................................................................................................ 5

1.1.2. Objectivos específicos .............................................................................................. 5

1.2. Metodologia ................................................................................................................. 5

2. Ativo ................................................................................................................................ 6

2.1. Conceito ....................................................................................................................... 6

2.2. Activos intangíveis ...................................................................................................... 7

2.2.1. Conceito ................................................................................................................... 7

2.2.2. Reconhecimento e Mensuração dos Activos Intangíveis ......................................... 9

2.2.3. Classificação dos Activos Intangíveis .................................................................... 10

2.2.4. Tratamento Contabilístico dos Ativos Intangíveis nas Normas Internacionais de


Contabilidade ........................................................................................................................ 13

2.3. Caracterização do Normativo .................................................................................... 14

2.3.1. Objetivo e Âmbito ...................................................................................................... 14

2.3.2. Reconhecimento e Mensuração dos Ativos Intangíveis ............................................. 15

2.3.3. Determinação do Valor de Ativos Intangíveis ............................................................ 17

2.3.4. Mensuração do Custo dos Ativos Intangíveis ........................................................ 18

2.3.5. Vida Útil dos Ativos Intangíveis ............................................................................ 18

2.3.6. Avaliação da Vida Útil ........................................................................................... 19

2.3.7. Ativo Intangível Gerado Internamente ................................................................... 20

2.3.8. Divulgação ............................................................................................................. 20

2.3.9. Importância do Ativo Intangível ............................................................................ 21

2.3.10. Diferença entre Ativo Tangível e Ativo Intangível ................................................ 22

2.3.11. A Diferença entre Ativo Intangível e Goodwill ..................................................... 22

3. Amortização................................................................................................................... 22

3.1. Definição .................................................................................................................... 22


4

3.1.1. Capital .................................................................................................................... 23

3.1.2. Juros ....................................................................................................................... 23

3.1.3. Juros Simples.......................................................................................................... 23

3.1.4. Juros Compostos .................................................................................................... 25

3.1.5. Fórmula para o Cálculo de Juros Compostos ......................................................... 26

3.2. Taxa Nominal e Taxa Real ........................................................................................ 27

3.2.1. Taxa Nominal ......................................................................................................... 27

3.2.2. Taxa Real................................................................................................................ 28

3.2.3. Valor Presente e Valor Futuro ................................................................................ 29

3.2.4. Equivalencia Financeira ......................................................................................... 31

3.2.5. Descontos Simples ................................................................................................. 32

4. Imparidade ..................................................................................................................... 32

4.1. Definição .................................................................................................................... 32

4.2. Perdas por Imparidade ............................................................................................... 32

4.2.1. Determinação da Existência da Imparidade ........................................................... 33

4.2.2. Mensuração de Perda por Imparidade .................................................................... 34

4.2.3. Quantia Recuperável de um Ativo ......................................................................... 35

4.2.4. Justo Valor Menos Custos da Venda .......................................................................... 35

4.2.4. Reversão das Perdas por Imparidade ..................................................................... 36

4.2.5. Reversão de uma Perda por Imparidade de um Ativo Individual .......................... 37

4.2.6. Reversão de uma Perda por Imparidade de uma UGC........................................... 37

4.2.7. Divulgação das Perdas por Imparidade .................................................................. 37

[Link]. Divulgação por Classe de Ativos: ...................................................................... 38

[Link]. Divulgação por Segmente:.................................................................................. 38

4.2.8. Montante da perda ou reversão; ............................................................................. 38

5. Conclusão ...................................................................................................................... 39

6. Referências Bibliográficas ............................................................................................. 40


5

1. Introdução
Este trabalho, aborda a respeito de activos inviáveis. Referência a sua definição, mensuração,
reconhecimento e divulgação. Além disso, fala a respeito de amortização e imparidade. No
desenvolvimento deste trabalho, estes temas, serão abordados com mais detalhes e precisão.

1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
O objectivo do presente é o conhecimento e a investigação sobre ciclo de investimento,
especificamente referenciar a respeito de activos intangíveis e amortização

1.1.2. Objectivos específicos


• Definir activos intangíveis
• Falar do reconhecimento e mensuração dos activos intangíveis;
• Falar de como elas são divulgados;
• Falar sobre amortização e imparidade.

[Link]
Para a realização do presente trabalho foi o método de pesquisa de análise e revisão
bibliográfica.
6

2. Ativo
[Link]
Começaremos a definir os Activos segundo a perspectiva e ideologia de alguns autores.

Segundo Silva (2010) no início tinha na sua génese conceções jurídico patrimonialistas definido
como um conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa, ou seja, suportadas pela
segurança jurídica da posse da propriedade dos bens. O mesmo autor refere ainda que,
atualmente consideram-se desadequadas aquelas conceções no processo de produção e relato
financeiro útil à tomada de decisões de todos os utentes da informação e que hoje em dia
privilegia-se o ponto de vista económico, ao invés do direito de propriedade.

Canning,1929 citado por Lopes (2008:127) designa “Activo” como um serviço futuro
expresso em unidades monetárias ou convertível em meios monetários cujos benefícios
económicos venham a estar à disposição de uma entidade.

Borges, et al (2010) referem ainda que o conceito de activo se estende não só aos bens que têm
existência física, mas também aos que não têm como é o caso por exemplo das marcas, patentes
ou software. Bem como aos que não sendo propriedade da empresa podem ser obtidos através
de contratos de “leasing” ou de aluguer de longa duração.

Enquanto Lopes (2008) refere ainda que na mesma linha, Daum (2003:16), designa “activos”
como tudo aquilo que é detido pela empresa, que possui um valor monetário e que pode surgir
sobre quatro formas:

• Activos correntes – a serem consumidos ou vendidos num período não superior a um


ano;
• Activos físicos ou tangíveis – sob forma de equipamentos ou propriedades e que têm
normalmente um período de vida económica superior a um ano;
• Investimentos – caracterizados por representarem uma participação de capital;
• Activos intangíveis – por não possuírem existência física ou não serem investimentos,
mas com valor para a empresa.
• Em suma, pode ser considerado um ativo, todo e qualquer elemento com ou sem
natureza física, que seja controlado pela empresa e que a ela proporcione a possibilidade
de obtenção de fluxos de caixa.
7

Em suma, pode ser considerado um ativo, todo e qualquer elemento com ou sem natureza física,
que seja controlado pela empresa e que a ela proporcione a possibilidade de obtenção de fluxos
de caixa, ou que pode gerar lucros para a empresa ou instituição.

Visto que o foco deste trabalho é falar sobre activos intangíveis, mas nos era necessário dar
uma breve conceituação de activos, para termos uma noção dela e ate que nos levasse a este
ponto.

[Link] intangíveis
2.2.1. Conceito
Segundo Lopes (2008), a procura de uma definição universalmente aceite que possa traduzir a
essência daquilo que a literatura em geral e a contabilística em particular tem consagrado como
“Activos Intangíveis”, tem sido seguida pelos mais diversos autores. Para o mesmo autor no
contexto da literatura de gestão ou mesmo na literatura jurídica, as designações Intangíveis,
Ativos do Conhecimento ou Capital Intelectual têm sido utilizados de forma indiferenciada. O
autor refere ainda que: “quando os direitos a ele associados ficam legalmente protegidos, a
designação mais comum tem sido a de “Propriedade Industrial”.

(Lopes, 2013:220). Concluindo que na verdade o valor destes ativos está intrinsecamente
associado aos direitos que a sua posse possa conferir aos seus detentores. A intangibilidade de
um ativo deriva da sua falta de materialidade, de acordo com

Segundo Daum (2003:16), um Ativo Intangível é tudo aquilo que não possui existência física
ou é investimento, mas possui valor para a organização. Os ativos intangíveis são, pois, a base
para a capacidade de inovação de uma organização e por isso a fonte primordial dos benefícios
económicos futuros (Lopes, 2013: 220).

Na NIC - NIC – Normas Internacionais de Contabilidade o ativo intangível é definido como


“um activo não monetário identificável sem substância física” (NIC, 38).

Gonçalves et al. (2015) faz uma análise à definição, referindo que, uma vez que se trata de um
activo tem que cumprir os requisitos gerais de ativos como:

• Controlo – que advém do direito de utilização de uma propriedade industrial ou marca;


• A fiabilidade do custo – que no caso da compra se verifica pelo documento de suporte
à aquisição;
• Que gera benefícios económicos para a empresa através da utilização, que é na
expectativa das entidades e que dá origem ao investimento;
8

• Não monetário porque não é dinheiro nem se converte diretamente em dinheiro;


• Identificável, porque cada elemento se distingue de outros;
• Sem substância física ou com natureza incorpórea.

A análise apresentada acima vai de encontro com a NCRF – Norma Contabilística de Relato
Financeiro 6. Para que um ativo seja classificado como ativo intangível, devem verificar-se as
seguintes condições:

• Identificabilidade;
• Controlo;
• Benefícios económicos futuros;
• Mensurabilidade.

As condições apresentadas acima obedecem aos critérios espelhados na tabela a seguir:


Critério Descrição
Associado ao facto do ativo ser separável, ou seja, capaz
de ser dividido da entidade e vendido, transferido,
licenciado, alugado ou trocado seja de forma
individualizada ou em conjunto com um contrato, ativo
Identificabilidade
ou passivo relacionado. Por outro lado, o ativo deve
resultar de direitos contratuais ou de outros direitos legais,
sejam eles transferíveis ou separáveis da entidade ou de
outros direitos e obrigações.
Associado ao poder de puder vir a obter benefícios
económicos futuros (por razões de mercado, de
conhecimento científico ou humanas) que fluam do
Controlo
recurso intangível e possa ser restringido o acesso de
terceiros a esses benefícios. Esta capacidade fica
enraizada nos direitos legais emergentes.
Associados aos réditos da venda de produtos ou

Benéficos Económicos Futuros serviços, poupanças de custos, ou outros benefícios


resultantes do uso do ativo pela entidade.

Tabela: Os ativos intangíveis


Fonte: Lopes (2013:221)
9

2.2.2. Reconhecimento e Mensuração dos Activos Intangíveis

Segundo Lopes (2008:145), o reconhecimento contabilístico dos intangíveis não é tarefa fácil
ou mesmo transparente. O mesmo autor refere que “o seu reconhecimento como custos em
determinado período não coincide temporalmente com o possível retorno desse esforço de
captação e fluidez de benefícios económicos. O autor considera que isto significa um
desajustamento total do método das partidas dobradas num contexto em que surgem fortes
indícios de que os intangíveis são uma poderosa fonte de valor.

Hendriksen e Van Breda (1999, p.388) referem que: “os ativos intangíveis formam uma das
áreas mais complexas da teoria da contabilidade, em parte em virtude das dificuldades de
definição, mas principalmente por causa das incertezas a respeito da mensuração de seus valores
e da estimação de suas vidas úteis”.

Ainda com relação à dificuldade do reconhecimento dos ativos intangíveis nas demonstrações
financeiras das entidades, em situações especiais, “parte desses ativos sejam reconhecidos
debaixo da expressão genérica de goodwill, particularmente nas situações em que esses
intangíveis foram adquiridos no contexto de alguns tipos de concentrações especiais”
(Rodrigues, 2003:169).

Para o reconhecimento de um item como ativo intangível é necessário que satisfaça as


condições de ativo e os critérios de reconhecimento. Para que seja considerado como ativo, tem
que ser identificável, controlável e gerar benefícios económicos futuros conforme já se referiu
atrás.

Segundo Hendriksen e Breda (1992) para o reconhecimento de qualquer ativo existem três
condições: os benefícios económicos futuros prováveis, os obtidos ou controlados pela empresa
e como resultado de factos económicos passados.

De acordo com o ponto 21 da NCRF – Norma Contabilística de Relato Financeiro 6 os


critérios de reconhecimento de um ativo intangível são:

• For provável que os benefícios económicos futuros esperados que sejam atribuíveis ao
ativo fluam para a entidade; e
• O custo do activo possa ser fiavelmente mensurado.
10

O ponto 9 da NCRF 6 apresenta alguns exemplos comuns de itens que se enquadram nos ativos
intangíveis tais como: software de computadores, patentes, copyrights, filmes, listas de clientes,
direitos de hipotecas, licenças de pesca, quotas de importação, franchises, relacionamentos com
clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, quota de mercado e direitos de comercialização.
2.2.3. Classificação dos Activos Intangíveis

Os activos intangíveis tem muitas classificaoes por motivo destes serem de difícil identificação.
Neste caso, apresentarei um resumo de certas classifições segundo alguns aoutores que tentara
dar uma breve consideração sobre este assunto.

Tendo como base os diversos normativos contabilísticos vários autores têm apresentado
categorias de ativos intangíveis. Lopes (2013:138) apresenta uma série de categorias
identificadas por vários autores, como é o caso de Reilly e Schweihs (199:19-20) que
categorizam os activos intangíveis numa base fundamentalmente econômica e generalista e
cujas fronteiras são de difícil previsão. Segundo estes autores, dam a seguinte classificação:

• Marketing – caracterizados pela sua natureza comercial, podem consolidar a


diferenciação perante o mercado. Podem ser objeto de registo legal. (Marcas registadas;
Nomes comerciais; Logotipos, etc.
• Tecnológicos – de natureza de processos; Documentação técnica; Desenhos,
Conhecimento Técnico, etc.); técnica e associados à diferenciação dos processos.
Podem ser objeto de registo legal. (Patentes
• Artísticos – associados à criatividade e inovação. Podem ser objeto de registo legal.
(Trabalhos literários; Direitos de autor; Mapas, Gravações, etc.);
• Processamento De Dados – associados ao processamento de dados e informação.
Associada aos sistemas integrados de gestão. (Software; Direitos de software; Bases de
dados automáticas, etc.);
• Engenharia – caracterizados pela sua natureza técnica, podem consolidar a
diferenciação pela via do processo. Podem ser objeto de registo legal. (Design industrial;
patentes de produtos; Segredos; tecnológicos, etc.);
• Clientes – traduz as relações com clientes, nomeadamente a sua tipologia, acessos
privilegiados, volume de transações, entre outros. (Listas de clientes; contratos; Ordens
de compras; relações com clientes, etc.;
11

• Contratuais – engloba as relações consolidadas por via contratual, nomeadamente a sua


tipologia, acessos privilegiados, volume de transações, entre outros. (Acordos
preferenciais de fornecimento, acordos de licença, acordos de franchise; etc.);
• Capital Humano – associado às competências, aptidões e comprometimento dos
recursos humanos. (Formação dos recursos humanos, acordos laborais; contratos de
união; Reputação dos recursos humanos, etc.);
• Localização – de natureza fundamentalmente espacial, traduz os privilégios resultantes
da gestão de recursos naturais e geográficos. (Direitos de arrendamento; Direitos de
exploração; Concessões, etc.;
• Goodwill – Excesso de preço pago por uma organização sobre o justo valor dos activos
adquiridos. (Goodwill institucional; valor agregado do negócio, etc.).

Segundo o autor este tipo de categorização permite a inclusão de ativos específicos em


determinada categoria, em função tanto dos critérios utilizados na sua medição, como da
sensibilidade e apreciação pontual por parte do analista.

Segundo Berry (2004), apresenta uma categorização relevante para os intangíveis em


associação com os critérios da identificabilidade, controlo e existência de benefícios
económicos futuros, englobando os intangíveis em seis categorias nomeadamente:

• Propriedade intelectual;
• Marcas;
• Tecnologias de informação;
• Clientes;
• Empregados; e
• Conhecimento.

Sacui e Szatmary (2015), apresentam no seu trabalho categorias de activos intangíveis com base
nas normas IFRS – International Financial Reporting Standards 3 e SFAS – Statement of
Financial Accounting Standards 141, referindo que “as normas diferenciam entre ativos
intangíveis identificáveis e ativos intangíveis não identificáveis ou goodwill”.

Enquanto Sacui e Szatmary, (2015: 387), referem ainda que estas categorias atendem aos
critérios de reconhecimento como ativos intangíveis além do goodwill: ativos intangíveis com
12

base em tecnologia, em contrato, relacionados com clientes, relacionados ao marketing e


relacionados à arte conforme tabela abaixo:

Categorias de Ativos Intangíveis Os Ativos Intangíveis Incluídos em Cada


Iten
Identificáveis Categoria

Tecnologias patenteadas, tecnologias não


Ativos intangíveis baseados em
1 patenteadas, software e bases de dados
tecnologia
informáticos, segredos comerciais, etc.;

Licenças, contratos de publicidade, contratos


Ativos intangíveis baseados em de fornecimento, contratos de arrendamento,
2
contratos licenças de construção, contratos de franquia,
contratos de trabalho, etc.;

Ativos intangíveis relacionados com Listas de clientes, pedidos ou atrasos de


3
o cliente; produção, não-contratual com o cliente, etc.;

Nomes comerciais, marcas de serviço,


Ativos intangíveis relacionados ao
4 marcas coletivas, marcas de certificação,
marketing
nomes de domínio da Internet, etc.;
Jogos, óperas e balés, livros, revistas, direitos
musicais, fotos contratos com clientes e
Ativos intangíveis relacionados à
5 relacionamentos relacionados com o cliente,
arte.
relacionamento e fotografias, material de
vídeo e audiovisual etc.

Tabela: Categorias de ativos intangíveis identificáveis de acordo com a IFRS – International Financial Reporting
Standards 3 e SFAS – Statement of Financial Accounting Standards 141.

Fonte: adaptado de Sacui e Szatmary (2015: 388)

Segundo Lopes (2013:142), para Cohen (2005) a caracterização de ativos intangíveis é feita de
forma redutora – os mesmos são separados segundo a sua identificabilidade, ou seja, apenas
duas categorias:
13

I. Intangíveis Identificáveis: propriedade intelectual (patentes, direitos de autor, marcas


registadas e segredos registados), investigação e desenvolvimento, marcas e software.
II. Intangíveis não identificáveis: Goodwill e capital humano.

Também Mas e Serasa Pérez (2006: 27), apresentam a divisão dos ativos intangíveis feita por
Nevado (2002), que figuram nos balanços das empresas, bem como os e os que não garantem
os critérios de reconhecimento e como tal, não figuram nas demonstrações financeiras. A
divisão obedece às seguintes categorias:

Ativos intangíveis identificáveis ou separáveis e controláveis – podem ser: adquiridos a


terceiros (concessões; direitos de propriedade industrial; direitos de propriedade intelectual;
aplicações informáticas e franquias) e gerados internamente (gastos de Investigação e
desenvolvimento, em geral todos os considerados anteriormente, mas criados pela própria
empresa).

Ativos intangíveis não identificáveis ou não separáveis e não controláveis – podem ser: Por
aquisição de outra empresa (Fundo de comércio –goodwill; Gerados internamente (Capital
intelectual – capital humano, capital estrutural e capital relacional).

De acordo com a divisão acima os ativos intangíveis apresentados são considerados visíveis
com exceção dos não identificáveis gerados internamente que são considerados invisíveis.

Da consulta bibliográfica feita conclui-se que, embora o tema sobre ativos intangíveis se aborde
desde há muitos anos, os ativos intangíveis, têm-se tornado cada vez mais importantes para as
entidades, assumindo-se cada vez mais como a sua “ nova fonte de riqueza” em detrimento dos
ativos tangíveis, sendo uma das principais fontes de criação de valor, mas ainda assim são pouco
considerados nas demonstrações financeiras e o seu reconhecimento contabilístico tem vindo a
gerar alguma controvérsia dadas as características particulares associadas aos intangíveis como:
a ificuldade de identificá-los devido a sua natureza não física e a sua difícil mensuração

2.2.4. Tratamento Contabilístico dos Ativos Intangíveis nas Normas Internacionais


de Contabilidade

Durante a pesquisa referente a este trabalho, foi notório que os activos intangíveis podem ser
tratados e classificados de várias formas. Mas a norma escolhida neste trabalho, foi a NIC –
Normas Internacionais de Contabilidade, como diz o nome, norma internacional de
contabilidade, é nela que nos basearemos a nossa classificação.
14

2.3. Caracterização do Normativo

As normas internacionais de contabilidade (NIC), são um conjunto de pronunciamentos de


contabilidade internacionais publicados e revistos pelo International Accounting Standards
Board (IASB) – Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade. Por normas
internacionais de contabilidade entende-se:

• As International Accounting Standards, - IAS;


• As Normas Internacionais de Contabilidade –NIC;
• As International Financial Reporting Standards – IFRS;
• As Normas Internacionais de Iinformação Financeira – NIIF;
• As interpretações conexas (interpretações do SNC – Sistema de Normalização
Contabilística). (Antão [Link]. 2015:14).

A temática dos ativos intangíveis nas normas internacionais de contabilidade é regida pela NIC
38 – Ativos Intangíveis, que foi emitida em 1998, e revista em março de 2004. Visa a
harmonização no tratamento dos intangíveis de modo a tornar claro e uniforme o entendimento
sobre estes ativos. Para o caso especifico de ativos intangíveis em concentrações de atividades
empresariais o normativo é a IFRS – International Financial Reporting Standards 3 - Business
Combination - (Concentrações de atividades Empresariais).

2.3.1. Objetivo e Âmbito

O ponto 1 da NIC – Normas Internacionais de Contabilidade 38 refere que o objetivo da norma


é o de prescrever o tratamento contabilístico dos intangíveis que não são especificamente
tratados noutras normas. Esta norma exige que uma entidade reconheça um ativo intangível se,
e apenas se, critérios específicos forem satisfeitos. A norma também especifica como mensurar
a quantia escriturada de ativos intangíveis e exige divulgações especificadas acerca de ativos
intangíveis. Os quais abordaremos neste trabalho pois faz parte de um subtema que nele será
abordado.

Quanto ao seu âmbito (ponto 2) a norma aplica-se à contabilização de ativos intangíveis, exceto:

• Ativos intangíveis que se encontrem no âmbito de outra Norma;


• Ativos financeiros, tal como definidos na IAS 32 – Instrumentos Financeiros:
apresentação;
15

• Reconhecimento e mensuração de ativos de exploração e avaliação (ver a IFRS


Exploração e Avaliação de Recursos Minerais);
• Dispêndios com o desenvolvimento e extração de minérios, petróleo, gás natural e
recursos não regenerativos semelhantes.

Para os casos de tratamentos específicos de outros ativos intangíveis cuja contabilização é


prevista noutra norma, a NIC 38 não se aplica, tal é o caso dos ativos intangíveis detidos por
uma entidade para a venda no decurso ordinário da atividade empresarial, Ativos por impostos
diferidos; Locações que estejam dentro do âmbito da NIC 17 – Locações; Ativos provenientes
de benefícios de empregados; Ativos financeiros tal como os definidos na NIC 32, bem como
os tratados na NIC 28, o goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais é
na IFRS 3. Relativamente ao conteúdo da IAS 38 – Ativos intangíveis, não existem diferenças
substanciais face à NCRF 6 - Ativos intangíveis, normativo adotado em Portugal uma vez que
a NCRF 6 adotou todos os preceitos e quadro conceitual preconizados na NIC 38,
compreendendo igualmente as alterações subsequentes a essa norma e interpretações conexas,
e as futuras normas e interpretações conexas, emitidas ou adotadas pelo IASB.

Uma vez que se assiste a uma convergência dos dois normativos, com exceção da
contabilização dos ativos intangíveis com vidas úteis indefinidas, vai-se apenas destacar
algumas questões relativas aos pontos revistos na NCRF 6 e, para se evitar redundâncias, os
desenvolvimentos feitos na revisão da NCRF 6 (no normativo Português) em cada um dos
pontos, servem para o caso da NIC 38.

2.3.2. Reconhecimento e Mensuração dos Ativos Intangíveis

Nas NIC, o ativo intangível é definido como: “um ativo não monetário identificável sem
substância física” (pontos 8 da NIC 38).

A simples existência de qualquer activo não é razão suficiente para que ele seja reconhecido
contabilmente. Ele deve ser reconhecido, obedecendo às mesmas regras válidas para os demais
activos, ou seja, quando tiver definição apropriada, ser mensurável e preciso.

Para Perez e Famá (2006, p. 14) o Activo Intangível só deve ser reconhecido como ativo, se ele
preencher todos os requisitos de ativo, tais como:

a) Corresponder à definição apropriada;


b) Ser mensurável (existência de um atributo de mensuração confiável);
16

c) Ser relevante e
d) Ser preciso (a informação é verificável e neutra).

Para Hendriksen e Van Breda (1999. p 388), para que um item possa ser reconhecido como
ativo, ele deve preencher todos os requisitos de reconhecimento de qualquer ativo, ou seja,
apenas deverá ser reconhecido como ativo quando:

a) Corresponder à definição apropriada;


b) Ser mensurável (existência de um atributo de mensuração confiável);
c) Ser relevante e
d) Ser preciso (a informação é verificável e neutra).

Um item do ativo intangível adquirido deve ser reconhecido quando satisfizer a definição de
ativo intangível, quando os benefícios econômicos futuros forem prováveis e se o custo puder
ser mensurado. Para tanto, uma empresa deve ser capaz de demonstrar todos os seguintes
critérios:

• Viabilidade técnica;
• Capacidade de usar ou vender o ativo intangível;
• Disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros para completar o
desenvolvimento;
• Capacidade de medir confiavelmente o gasto com o desenvolvimento.

Caso não haja condições de reconhecer um ativo intangível este deve ser registrado como
despesa.

O CPC – Comitê de Pronunciamentos Contabilística (2010) estabelece que um Ativo


Intangível deve atender:

a) A definição de ativo intangível, ou seja, ativos não monetários, identificáveis, não


possuem substância física, controláveis e geradores de benefícios econômicos futuros;
b) Possuir os critérios de reconhecimento tais como: somente se, for provável que os
benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da
entidade e o custo do ativo possa ser mensurado com confiabilidade.
17

Então, com base nessas informações, muitos itens do ativo intangível poderiam ser inseridos
no balanço patrimonial ao invés de serem classificadas como despesas, como, por exemplo,
custos com pesquisas e desenvolvimentos.

2.3.3. Determinação do Valor de Ativos Intangíveis

Para conseguir apurar o valor de um ativo intangível, é preciso considerar todo o seu custo.
Nesse ponto, consideramos os valores que foram gastos para que ele fosse criado ou o valor
pago para sua contratação. Além disso, existem outros fatores que devem ser considerados. Os
quais são eles:

I. Mão de Obra

Considerando que o ativo intangível seja um software, por exemplo, é preciso considerar todo
o tempo gasto em mão de obra para sua criação e bom funcionamento. Por exemplo:

• Todas as tarefas realizadas diariamente para a elaboração do projeto;


• Quanto tempo foi gasto no planejamento;
• Quanto tempo foi gasto no desenvolvimento;
• Quanto tempo foi gasto na correção de possíveis bugs;
• Tempo gasto e tempo previsto de manutenção; etc.
II. Participação dos Sócios

Se por ventura os sócios participarem da construção do ativo intangível e receberem


remuneração da empresa, ela deve ser considerada um custo, através do “pró-labore” pago
mensalmente.

III. Terceiros e Ferramentas

É preciso colocar na ponta do lápis os gastos com contratação de terceiros e de ferramentas


específicas para criar seu software. Tenha o cuidado de separar os valores pagos para construção
da ferramenta e os valores de manutenção, pois serão pontos diferentes nesse orçamento.

As ferramentas contratadas que não poderão ser vendidas junto com o seu software, como
gestão de horas e servidor na nuvem para hospedagem, por exemplo, não devem ser
consideradas no custo do ativo intangível.
18

IV. Construção ou Melhorias

A construção de um software ou plataforma é constante: as melhorias e otimizações dos


processos precisam ser consideradas no projeto. Ainda assim, é preciso que essa ferramenta
seja capaz de gerar resultados para a empresa enquanto passa pelo processo de melhorias e
criação de novas funcionalidades, por exemplo.

Para facilitar a organização, é interessante dividir o processo de construção em fases, para ter
uma visão muito mais clara do que é “construção” e de quando ele realmente se torna um ativo,
de fato.

2.3.4. Mensuração do Custo dos Ativos Intangíveis

Para mensurar o custo dos ativos intangíveis, determina-se a maneira como o ativo foi
adquirido: separadamente ou através de uma combinação de negócios.

• Custo por aquisição separada: o preço pago pela entidade ao adquirir separadamente
um ativo intangível reflete sua expectativa sobre os possíveis benefícios econômicos
esperados, incorporados ao ativo.

Além disso, o custo dos ativos intangíveis adquiridos desta maneira inclui:

• preço de compra, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis


sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos;
• Qualquer custo diretamente atribuível à preparação do ativo para a finalidade proposta.
• Custo por aquisição em uma combinação de negócios: o ativo intangível adquirido
desta maneira deve ser avaliado através da metodologia do valor justo na data de
aquisição.

Este reflete as expectativas de mercado na data de aquisição com relação à probabilidade de


geração de benefícios econômicos a favor da empresa.

2.3.5. Vida Útil dos Ativos Intangíveis

Para a determinação da vida útil dos ativos intangíveis deve-se:

I. Primeiramente, faz-se necessário avaliar se a vida útil do ativo é definida ou indefinida.


No primeiro caso, a vida útil é formada, assim, pela duração ou volume de produção ou
unidades semelhantes.
19

II. No último, a vida útil é determinada com base na análise de todos os fatores relevantes
e, mesmo assim, não há um limite previsível durante o qual o ativo irá gerar fluxos de
caixa líquidos positivos.

Muitos fatores devem ser considerados na determinação da vida útil de um ativo intangível, a
saber:

• A utilização prevista de um ativo pela entidade e se o ativo pode ser gerenciado


eficientemente por outra equipe de administração;
• Os ciclos de vida típicos dos produtos do ativo e as informações públicas sobre
estimativas de vida útil de ativos semelhantes, utilizados de maneira semelhante;
• Obsolescência técnica, tecnológica, comercial ou de outro tipo;
• A estabilidade do setor em que o ativo opera e as mudanças na demanda de mercado
para produtos ou serviços gerados pelo ativo;
• Medidas esperadas da concorrência ou de potenciais concorrentes;
• nível dos gastos de manutenção requerido para obter os benefícios econômicos futuros
do ativo e a capacidade e a intenção da entidade para atingir tal nível;
• período de controle sobre o ativo e os limites legais ou similares para a sua utilização,
tais como datas de vencimento dos arrendamentos/locações relacionados;
• Se a vida útil do ativo depende da vida útil de outros ativos da entidade.

2.3.6. Avaliação da Vida Útil

Existem duas formas para a definição da vida útil dos ativos intangíveis:

• Vida útil definida: que é o período determinado em que se espera que o ativo gere
entradas líquidas de caixa; e
• Vida útil indefinida: quando não for possível determinar este período. A amortização
no caso da vida útil definida deve ocorrer de acordo com o período determinado da sua
vida útil, pelo método linear.

Já para a vida útil indefinida os ativos intangíveis não são amortizáveis, ou seja, não devem
sofrer amortização. No entanto devem ser submetidos a teste de impairment anualmente ou
sempre que houver qualquer indicação de que o ativo possa ter perdido valor.
20

2.3.7. Ativo Intangível Gerado Internamente

Um ativo intangível gerado internamente consiste em soluções, por exemplo, criadas pela
empresa:

• A criação de uma ferramenta que atenda demandas da instituição;


• Uma ferramenta que gera algum tipo de benefício econômico para a empresa, desde a
criação de renda até mesmo a redução dos gastos mensalmente.

Dentre as possibilidades de ativo intangível, estão:

• Websites;
• Ferramentas e softwares;
• Títulos e periódicos;
• Dire itos de comercialização;
• Protótipos, modelos e projetos;
• Fórmulas;
• Receitas;
• Patentes; etc.

2.3.8. Divulgação

Para a divulgação das informações as entidades devem considerar os principais aspectos


relacionados a seguir, considerando que deve haver distinção dos ativos intangíveis gerados
internamente de outros ativos intangíveis:

• Valor agregado dos gastos com pesquisa e desenvolvimento reconhecidos no resultado


durante o período;
• Se vida útil definida ou indefinida. No caso de vida definida, informar a vida útil e as
taxas de amortização utilizadas e no caso de vida útil indefinida informar o seu valor
contábil e os motivos que fundamentam essa avaliação;
• valor contábil bruto e da amortização acumulada, agregado com qualquer perda pela
recuperação do valor “impairment”, no começo e no fim do período;
• As contas da demonstração do resultado no qual a amortização dos ativos intangíveis
foi incluída.
21

Também a instituiçãoou empresa deve fazer a distinção entre os ativos produzidos internamente
e os adquiridos de outras empresas e divulgar informações como:

• Os prazos de vida útil ou as taxas de amortização utilizadas (caso a vida útil seja
definida);
• Os métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil definida;
• valor contabilístico bruto e eventual amortização acumulada (mais as perdas
acumuladas no valor recuperável) no início e no final do período;
• A rubrica da demonstração do resultado em que qualquer amortização de ativo
intangível for incluída;
• A conciliação do valor contábil no início e no final do período.

A divulgação das informações referentes aos ativos intangíveis não se restringe aos
apresentados neste artigo. Quaisquer particularidades devem constar na divulgação dos dados,
conforme análise interna de cada entidade.

As dificuldades de mensuração e reconhecimento dos ativos intangíveis sempre foram alvo de


estudo e polêmica. Mas ao longo do tempo com o avanço tecnológico e desenvolvimento de
propriedades intelectuais como marcas e patentes levou consequentemente a um alto
investimento em ativos intangíveis. Isto tornou inquestionável a necessidade de tratar com
diferencial e critérios específicos os ativos intangíveis com o objetivo primordial de aprimorar
a informação contábil.

2.3.9. Importância do Ativo Intangível

Infelizmente ainda é comum encontrarmos empresários que não se atentam à importância dos
ativos intangíveis. Por não serem ativos “físicos” e não serem tão fáceis de mensurar, acabam
passando despercebidas e sendo pouco valorizadas, mesmo com seu ótimo potencial de retorno
financeiro.

É importante se lembrar que o valor dos ativos intangíveis vai além do que pensamos: pessoas,
conhecimento, propriedade intelectual e ferramentas podem sempre serem aprimoradas e
oferecerem ainda mais resultados para o negócio, ao contrário dos ativos tangíveis que tendem
a depreciar com o tempo.
22

2.3.10. Diferença entre Ativo Tangível e Ativo Intangível

A principal diferença entre o ativo tangível e o ativo intangível é a existência física. Enquanto
o primeiro consiste em algo palpável, o segundo muitas vezes não é tão fácil de identificar.
Além disso, o ativo tangível possui como característica a facilidade de liquidar e vender no
mercado, uma vez que é mais fácil de ser mensurável.

O ativo intangível, no entanto, por ser algo com mensuração mais difícil, costuma ser mais
difícil de vender. É importante pontuar também que, por definição, os ativos tangíveis são
depreciados, enquanto os ativos intangíveis, por outro lado, são amortizados. A depreciação de
ativos tangíveis consiste na redução do valor desses bens devido ao desgaste ou redução de sua
utilidade com o tempo.

A amortização dos ativos intangíveis, por fim, consiste na redução de valor aplicado na
aquisição desses bens, com duração limitada ou com prazo legal de uso também limitado.

2.3.11. A Diferença entre Ativo Intangível e Goodwill


O goodwill também é considerado um ativo intangível. No entanto, trata-se de um ativo
intangível capaz de expressar seu valor e gerar riquezas incrementais a longo prazo para a
empresa, através da entrada de um sócio, por exemplo.

O ativo intangível do goodwill é determinado pela diferença entre o valor justo de uma empresa
e o preço pago por ela, por exemplo. Esse valor é justificado pelo agrupamento dos ativos
intangíveis da empresa que, apesar de serem identificáveis, são indivisíveis.

3. Amortização
[Link]ção

O termo amortização é muito comum no mercado financeiro e muito utilizado quando o assunto
é, principalmente, financiamento ou empréstimo. Mesmo assim ainda existem muitas dúvidas
sobre o que é amortização.

A amortização – é pagar um valor que se deve ou pegou emprestado, seja à vista ou em


parcelas. Cada uma dessas modalidades possui características específicas. Ou seja,
Amortizaçãoé o pagamento do principal em parcelas.
23

3.1.1. Capital

Capital é todo o acúmulo de valores monetários em um determinado período de tempo


constituindo assim a riqueza como expresso anteriormente. Normalmente o valor do capital é
conhecido como principal (P). A taxa de juro (i), é a relação entre os Juros e o Principal,
expressa em relação a uma unidade de tempo. (n).

3.1.2. Juros

Deve ser entendido como Juros, a remuneração de um capital (P), aplicado a uma certa taxa (i),
durante um determinado período (n), ou seja, é o dinheiro pago pelo uso de dinheiro
emprestado. Portanto, Juros (J) = preço do crédito. A existência de Juros decorre de vários
fatores, entre os quais destacam-se:

a. Inflação: a diminuição do poder aquisitivo da moeda num determinado período de


tempo;
b. Risco: os juros produzidos de uma certa forma compensam os possíveis riscos do
investimento;
c. Aspectos intrínsecos da natureza humana: quando ocorre de aquisição ou oferta de
empréstimos a terceiros.

Sempre se tem especificado as taxas de juros anuais, trimestrais, semestrais, mensais, entre
outros, motivo pelo qual deve-se especificar sempre o período de tempo considerado.

Quando a taxa de juros incide no decorrer do tempo, sempre sobre o capital inicial, dizemos
que temos um sistema de capitalização simples (Juros simples). Quando a taxa de juros incide
sobre o capital atualizado com os juros do período (montante), dizemos que temos um sistema
de capitalização composta (Juros compostos).

Na prática, o mercado financeiro utiliza apenas os juros compostos, de crescimento mais rápido
(veremos adiante, que enquanto os juros simples crescem segundo uma função do 1º grau –
crescimento linear, os juros compostos crescem muito mais rapidamente – segundo uma função
exponencial).

3.1.3. Juros Simples

O regime de juros simples é aquele no qual os juros incidem sempre sobre o capital inicial. Este
sistema não é utilizado na prática nas operações comerciais, mas, a análise desse tema é de uma
24

certa forma, importante. Considere o capital inicial P aplicado a juros simples de taxa i por
período, durante n períodos.

Lembrando que os juros simples incidem sempre sobre o capital inicial, podemos
escrever a seguinte fórmula, facilmente demonstrável:

𝑱 = 𝑷. 𝒊. 𝒏 = 𝑷𝒊𝒏

J = juros produzidos depois de n períodos, do capital P aplicado a uma taxa de juros por período
igual a i.

No final de n períodos, é claro que o capital será igual ao capital inicial adicionado aos juros
produzidos no período. O capital inicial adicionado aos juros do período é denominado
Montante (M). Logo, teríamos:

𝑱 = 𝑷. 𝒊. 𝒏 = 𝑷𝒊𝒏 𝑴 = 𝑷(𝟏 + 𝒊. 𝒏)

Exemplo:

A quantia de 3.000,00 é aplicada a juros simples de 5% ao mês, durante cinco anos. Calcule o
montante ao final dos cinco anos.

Resolução:

Temos: P = 3.000,00

i = 5% = 5/100 = 0,05 e

n = 5 anos = 5 x 12 = 60 meses.

Portanto, M = 3.000,00 x (1 + 0,05 x 60) = 3.000,00 x (1+3) = 12.000,00.

A fórmula J = Pin.

Onde:

P e i são conhecidos, nos leva a concluir pela linearidade da função juros simples, senão
vejamos: P.i = k.

Teremos: J = k.n, onde k é uma constante positiva. (Observe que P. i > 0)


25

Ora, J = k.n é uma função linear, cujo gráfico é uma semi-reta passando pela origem. Portanto,
J/n = k, o que significa que os juros simples J e o número de períodos n são grandezas
diretamente proporcionais. Daí infere-se que o crescimento dos juros simples obedece a uma
função linear, cujo crescimento depende do produto P.i = k, que é o coeficiente angular da semi-
reta J = kn.

3.1.4. Juros Compostos

O capital inicial (principal) pode crescer, como já sabemos, devido aos juros, segundo duas
modalidades, a saber:

a. Juros simples - ao longo do tempo, somente o principal rende juros;


b. Juros compostos - após cada período, os juros são incorporados ao principal e passam,
por sua vez, a render juros. Também conhecido como "juros sobre juros".

O regime de juros compostos considera que os juros formados em cada período são acrescidos
ao capital formando um montante, capital mais juros, do período. Este montante, por sua vez,
passará a render juros no período seguinte formando um novo montante e assim
sucessivamente. Pode-se dizer então, que cada montante formado é constituído do capital
inicial, juros acumulados e dos juros sobre juros formados em períodos anteriores.

Este processo de formação de juros compostos é diferente daquele descrito para os juros
simples, onde somente o capital rende juros, não ocorrendo remuneração sobre os juros
formados em períodos anteriores.

Vamos ilustrar a diferença entre os crescimentos de um capital através juros simples e juros
compostos, com um exemplo:

Suponha que 1.000,00 são empregados a uma taxa de 20% a.a., por um período de 4 anos a
juros simples e compostos Teremos:

P = 1.000,00 i= 20% a.a. n= 4 anos i= 20% a.a n= 4 anos

n Juros Simples Juros Composto


Juros por periodo Montante Juros por periodo Montante
1 1.000,00 x 0,2 = 200 1.200,00 1.000,00 x 0,2 = 200 1.200,00
2 1.000,00 x 0,2 = 200 1.400,00 1.200,00 x 0,2 = 240 1.440,00
3 1.000,00 x 0,2 = 200 1.600,00 1.440,00 x 0,2 = 288 1.728,00
26

2.074,00
4 1.000,00 x 0,2 = 200 1.800,00 1.728,00 x 0,2 = 34

O gráfico a seguir permite uma comparação visual entre os montantes no regime de juros
simples e de juros compostos. Verificamos que a formação do montante em juros simples é
linear e em juros compostos é exponencial:

Fig: gráfico de juros simples e composto

Fonte: Cristiano Reinaldo, Matemática Financeira (2005, p.8)

Exemplo:
A loja São João financia a venda de uma mercadoria no valor de 16.000,00, sem entrada,
pelo prazo de 8 meses a uma taxa de 1,422. Qual o valor do montante pago pelo cliente.
Resolução: 𝑀 = 𝐶 𝑥 (1 + 𝑖)𝑛
𝑀 = 16.000,00 𝑥 (1 + 1,422)8
𝑀 = 22.753,61
Na prática, as empresas, órgãos governamentais e investidores particulares costumam reinvestir
as quantias geradas pelas aplicações financeiras, o que justifica o emprego mais comum de juros
compostos na Economia. Na verdade, o uso de juros simples não se justifica em estudos
econômicos.
3.1.5. Fórmula para o Cálculo de Juros Compostos
Considere o capital inicial (P) 1.000,00 aplicado a uma taxa mensal de juros compostos (i) de
10% (i = 10% a.m.). Vamos calcular os montantes (principal + juros), mês a mês:

• Após o 1º mês, teremos: 𝑀1 = 1000 𝑥 1,1 = 1100 = 1000(1 + 0,1)


27

• Após o 2º mês, teremos: 𝑀2 = 1100 𝑥 1,1 = 1210 = 1000(1 + 0,1)2


• Após o 3º mês, teremos: 𝑀3 = 1210 𝑥 1,1 = 1331 = 1000(1 + 0,1)3

Dando continuidade ao raciocínio dos juros compostos, a evolução dos juros que incide a um
capital para cada um dos meses subsequentes após o nº (enésimo) mês o montante acumulado
ao final do período atingiria:

𝑺 = 𝟏𝟎𝟎𝟎 (𝟏 + 𝟎, 𝟏)𝒏

De uma forma genérica, teremos para um principal P, aplicado a uma taxa de juros compostos
i durante o período n:

𝒔 = 𝑷(𝟏 + 𝒊)𝒏 ou 𝑴 = 𝑪(𝟏 + 𝒊)𝒏

Onde:

• S / M = montante;
• P / C = principal ou capital inicial;
• i = taxa de juros;
• n = número de períodos que o principal P (capital inicial) foi aplicado.

Observação:

Na fórmula acima, as unidades de tempo referentes à taxa de juros (i) e do período (n), tem de
ser necessariamente iguais. Este é um detalhe importantíssimo, que não pode ser esquecido.
Assim, por exemplo, se a taxa for 2% ao mês e o período 3 anos, deveremos considerar 2% ao
mês durante 3 x 12=36 meses.

[Link] Nominal e Taxa Real


3.2.1. Taxa Nominal
A taxa nominal de juros relativa a uma operação financeira, pode ser calculada pela expressão:

Taxa nominal = Juros pagos / Valor nominal do empréstimo

Assim, por exemplo, se um empréstimo de 100.000,00, deve ser quitado ao final de um ano,
pelo valor monetário de 150.000,00, a taxa de juros nominal será dada por:

• Juros pagos = Jp = 150.000 – 100.000 = $50.000,00


• Taxa nominal = in = 50.000 / 100.000 = 0,50 = 50%
28

3.2.2. Taxa Real


A taxa real expurga o efeito da inflação.

Um aspecto interessante sobre as taxas reais de juros é que, elas podem ser inclusive negativas.

Vamos encontrar uma relação entre as taxas de juros nominal e real. Para isto, vamos supor que
um determinado capital P é aplicado por um período de tempo unitário, a uma certa taxa
nominal in.

O montante S1 ao final do período será dado por S1 = P(1 + in). Consideremos agora que durante
o mesmo período, a taxa de inflação (desvalorização da moeda) foi igual a j. O capital corrigido
por esta taxa acarretaria um montante S2 = P (1 + j).

A taxa real de juros, indicada por r, será aquela que aplicada ao montante S2, produzirá o
montante S1. Poderemos então escrever:

S1= S2 (1 + r)

Substituindo S1 e S2, vem:

P(1 + in) = (1+r). P (1 + j)

Daí então, vem que:

(1 + in) = (1+r). (1 + j).

Onde:

• in = taxa de juros nominal


• j = taxa de inflação no período
• r = taxa real de juros

Exemplo:

Numa operação financeira com taxas pré-fixadas, um banco empresta 120.000,00 para ser pago
em um ano com 150.000,00. Sendo a inflação durante o período do empréstimo igual a 10%,
pede-se calcular as taxas nominal e real deste empréstimo.

Teremos que a taxa nominal será igual a:

in = (150.000 – 120.000,00) /120.000,00 = 30.000,00/120.000,00 = 0,25 = 25%. Portanto in =


25%
29

Como a taxa de inflação no período é igual a j = 10% = 0,10, substituindo na fórmula

anterior, vem:

= (1 + in) = (1+r). (1 + j)

= (1 + 0,25) = (1 + r). (1 + 0,10)

=1,25 = (1 + r).1,10

=1 + r = 1,25/1,10 = 1,1364

Portanto, r = 1,1364 – 1 = 0,1364 = 13,64%

Se a taxa de inflação no período fosse igual a 30%, teríamos para a taxa real de juros:

(1 + 0,25) = (1 + r). (1 + 0,30)

1,25 = (1 + r).1,30

1 + r = 1,25/1,30 = 0,9615

Portanto, r = 0,9615 – 1 = -,0385 = -3,85% e, portanto, teríamos uma taxa real de juros negativa.

3.2.3. Valor Presente e Valor Futuro


Deve ser acrescentado ao estudo dos juros compostos que o capital é também chamado de valor
presente (PV) e que este não se refere necessariamente ao momento zero. Em verdade, o valor
presente pode ser apurado em qualquer data anterior ao montante também chamado de valor
futuro (FV).

As fórmulas do valor presente (PV) e do valor futuro (FV) são iguais já vistas anteriormente,
basta trocarmos seus correspondentes nas referidas fórmulas, assim temos:

M = C x (1 + i )n ou FV= PV (1 + i )n

𝑴 𝑭𝑽
𝑪= ou 𝑷𝑽 =
(𝟏 + 𝒊)𝒏 (𝟏 + 𝒊)𝒏
30

Onde:

• (1 + i)n é chamado de fator de capitalização do capital, FCC (i,n) a juros compostos;


• 1 / (1 + i)n é chamado de fator de atualização do capital, FAC (i,n) a juros compostos.

A movimentação de um capital ao longo de uma escala de tempo em juros compostos se


processa mediante a aplicação destes fatores, conforme pode ser visualizado na ilustração
abaixo:

Fonte: Cristiano Reinaldo, Matemática Financeira (2005, p.12)

Neste caso, podemos observar que FV no período n é equivalente a PV no período zero, se


levarmos em conta a taxa de juros i. Esta interpretação é muito importante. É conveniente
registrar que existe a seguinte convenção: seta para cima, sinal positivo (dinheiro recebido) e
seta para baixo, sinal negativo (dinheiro pago). Esta convenção é muito importante, inclusive
quando se usa a calculadora HP 12C. Normalmente, ao entrar com o valor presente VP numa
calculadora financeira, o fazemos seguindo esta convenção, mudando o sinal da quantia
considerada como PV para negativo, usando a tecla CHS, que significa uma abreviação de
"change signal", ou seja, "mudar o sinal". É conveniente ressaltar que se entrarmos com o PV
positivo, a calculadora expressará o FV como um valor negativo e vice-versa, já que as
calculadoras financeiras, e aí se inclui a HP 12C, foram projetadas, considerando esta
convenção de sinais. Usaremos sempre a convenção de sinal negativo para VP e em
consequência, sinal positivo para FV.

Exemplo:

Qual o valor de resgate de uma aplicação de 12.000,00 em um títulos pelo prazo de 8 meses à
taxa de juros composta de 3,5% a.m ?
31

Resolução

PV= 12.000,00
n= 8 meses
i=3,5% a. m
FV=?
𝐹𝑉 = 𝑉𝑃(1 + 𝑖)𝑛 = 12.000,00(1 + 0,035)8
= 12.000,00 𝑥 1,316 = 15.801,71
= 12.000,00 𝑥 1,316 = 15.801,71
= 15.801,71

3.2.4. Equivalencia Financeira


Diz-se que dois capitais são equivalentes a uma determinada taxa de juros, se os seus valores
em um determinado período n, calculados com essa mesma taxa, forem iguais.

Exemplo 01:

1º Conjunto 2º Conjunto
Capital (MZN) Vencimento Capital (MZN) Vencimento
1.100,00 1 º a.a 2.200,00 1 º a.a
2.420,00 2 º a.a 1.210,00 2 º a.a
1.996,50 3 º a.a 665,5 3 º a.a
732,05 4 º a.a 2.196,15 4 º a.a

Verificar se os conjuntos de valores nominais, referidos à data zero, são equivalentes à taxa de
juros de 10% a.a
32

Resolução:
Logo os dois conjuntos de capitais são equivalentes, pois P0 de um é igual ao P0 de outro.
3.2.5. Descontos Simples
Existem dois tipos básicos de descontos simples nas operações financeiras:

• O desconto comercial
• O desconto racional.

Considerando-se que no regime de capitalização simples, na prática, usa-se sempre o desconto


comercial, este será o tipo de desconto a ser abordado a seguir.

• Desconto Racional: Nesta modalidade de desconto a “recompensa pela liquidação do


título antes de seu vencimento é calculada sobre o valor a ser liberado (Valor
Atual).Incorpora os conceitos e relações básicas de juros simples.

J = P . i . n => D = VD . d . n

• Desconto Comercial: Nesta modalidade de desconto a “recompensa pela liquidação do


título antes de seu vencimento é calculada sobre o Valor Nominal do títul.
J = P . i . n => D = VN . d . n

4. Imparidade
[Link]ção
De acordo Costa e Alves (2005), imparidade é a perda de valor de um ativo para além da
decorrente da sua utilização normal.

E para Silva et al. (2006), imparidade é o instrumento a utilizar para adequar o ativo a sua real
capacidade de retorno económico.

Em suma, diz-se que há imparidades quando o valor real de um ativo da empresa é menor do
que o valor que está registado na respetiva contabilidade. Em resposta a essa diminuição do
valor real, devem ser registadas, na contabilidade, perdas por imparidade.

[Link] por Imparidade


Quando um ativo perde valor, mas continua registado na contabilidade com o valor que tinha
antes dessa perda, a contabilidade não espelha o verdadeiro valor da empresa. Nessas situações,
é necessário corrigir o valor do ativo na contabilidade, reduzindo-o. As perdas por imparidade
consistem na redução do valor contabilístico de um ativo, de modo a evidenciar uma perda,
potencial ou efetiva, de parte ou da totalidade do seu valor real.
33

Um ativo é escriturado por mais do que a sua quantia recuperável se a sua quantia escriturada
exceder a quantia a ser recuperada através do uso ou da venda do ativo. Se este for o caso, o
ativo é descrito como estando com Imparidade.

As imparidades e as perdas por imparidade, são provocadas por eventos internos ou externos à
empresa, que indiciam que determinado ativo já perdeu ou irá perder o seu valor.

4.2.1. Determinação da Existência da Imparidade


Para determinar a existência ou não da imparidade realizam-se os denominados testes de
imparidade. Nestes testes, classifica-se os ativos em função da previsibilidade da sua vida útil
(definida ou indefinida). Os ativos intangíveis de vida útil indefinida e o goodwill devem passar
pelo teste de impairment anualmente, independentemente da existência ou não de indícios de
imparidade, já para outros ativos, nomeadamente os ativos fixos tangíveis e os intangíveis com
vida útil definida, deve o seu valor recuperável ser estimado somente quando existirem
indicações de que o ativo poderá não ser recuperado.

Para avaliar se existem indícios de que um ativo possa estar em imparidade, uma entidade deve
considerar no seu teste, os indicadores de desvalorização de ativos, que a norma apresenta,
numa exaustiva lista de fontes de informação classificadas em fontes externas e internas,
segundo a tabela a baixo.

Fontes Externas Fontes Internas

Valor de mercado diminuir mais do que


Existência de evidências que comprovem que
esperado, em função do tempo e da sua
um ativo está obsoleto ou danificado;
utilização;

Ocorreram mudanças significativas no


Identificação de mudanças significativas
ambiente tecnológico, de mercado,
quanto ao modo de uso de um ativo,
económico ou legal, de forma a afetar os
incluindo a descontinuidade do bem;
ativos da entidade;

Os juros aumentarem a ponto de afetar a taxa Indicação de queda superior ao esperado do


de desconto utilizada no cálculo do valor do desempenho económico de um ativo,
ativo em uso (fluxo de caixa); destacado em relatório interno.
34

O valor contabilístico líquido dos ativos é


maior do que seu valor de mercado
capitalizado.

4.2.2. Mensuração de Perda por Imparidade


De acordo com Gomes e Pires (2010), podemos distinguir duas formas de mensuração de
perdas por imparidade:

Nos ativos individuais, em que é possível a mensuração da quantia recuperável de ativos


individualizados e a sua comparação com a quantia escriturada; se a quantia escriturada for
maior que a quantia recuperável, a diferença deve ser reconhecida nos resultados (como perdas
por imparidade), ou como uma redução do excedente de revalorização (quando aplicável);

Num conjunto de ativos, ou Unidade Geradora de Caixa (UGC), quando a avaliação


individualizada não é possível; neste caso, o goodwill adquirido numa concentração de
atividades empresariais, deve ser imputado a cada uma das UGC ou grupo de UGC, cujo
objetivo é determinar o teste de imparidade. No caso de imparidade, deve-se primeiro alocá-la
ao goodwill, e a parte excedente aos ativos a ele associados.

Desta forma a tempestividade dos testes de imparidade deve-se adequar à natureza dos ativos e
a modalidade de agregação. Evidenciam-se alguns pontos essenciais no que diz respeito à
tempestividade dos testes de imparidade:

• Para a UGC a que tenha sido imputado o goodwill, o teste é anual, podendo ser efetuado
a qualquer momento durante um período anual, desde que seja efetuado no mesmo
momento todos os anos;
• Para as UGC diferentes podem ser testadas quanto à imparidade em momentos
diferentes;
• No caso dos ativos individuais constantes da UGC à qual tenha sido imputado o
goodwill, devem ser testados quanto à imparidade antes da UGC que contém o goodwill.

Uma entidade deve avaliar em cada data de relato se há qualquer indicação de que um ativo
possa estar com imparidade. Se qualquer indicação existir, a entidade deve estimar a quantia
recuperável do ativo. Mas independentemente de existir ou não qualquer indicação de
imparidade.
35

4.2.3. Quantia Recuperável de um Ativo


Segundo IAS (200, p. 36), define quantia recuperável “como o justo valor mais alto de um ativo
ou de uma UGC menos os custos de vender e o seu valor de uso”.

Quando existam indicações de uma possível imparidade, a norma defende que para determinar
a quantia recuperável se deve confrontar o justo valor menos os custos da venda com o valor
de uso, dos dois o mais alto. Apesar da norma indicar duas medidas de referência – valor de
mercado e valor de uso nem sempre é necessário determinar estas duas quantias. Se qualquer
destas exceder a quantia recuperável, o ativo não está em imparidade.

O conceito de quantia recuperável apresentado na norma, como o mais alto entre o justo valor
menos os custos de vender e o seu valor de uso, tem como pressuposto que a empresa toma as
suas decisões numa base racional, por regra com o objetivo de maximização de resultados.

Assim, esta optará por vender o ativo caso o seu justo valor menos os custos de vender sejam
superiores aos benefícios económicos futuros que o ativo gerará se continuar a ser usado (valor
de uso), ou continuará a usá-lo se esta opção se apresentar mais rentável.

No entanto, pode acontecer que o justo valor deduzido dos custos da venda não seja possível
de determinar, já que pode ser impossível encontrar base para a determinação da quantia a obter
na venda, numa transação entre partes conhecedoras e dispostas ao negócio.

Neste caso, a entidade pode usar o valor de uso do ativo como sua quantia recuperável. Dada a
importância que estes critérios têm com vista à mensuração da imparidade, importa voltar a
debruçar sobre o mesmo, com vista a identificar as bases para o seu cálculo. Que são os
seguintes:

4.2.4. Justo Valor Menos Custos da Venda


Segundo Magalhães et al. (2009) a melhor evidência do valor líquido de venda de um ativo, é
um contrato de venda acordado entre partes independentes, menos as despesas de venda. Na
ausência de um contrato formal, pode-se utilizar o valor de negociação, para ativos semelhantes,
em um mercado ativo.

• Mercado activo – é um mercado ativo é aquele em que os itens negociados são


homogêneos, podem ser encontrados compradores e vendedores dispostos a negociar a
qualquer momento e os preços são disponíveis ao público (Carvalho et al., 2009: 261).

No caso de não houver acordo vinculativo, mas exista mercado ativo, o justo valor menos os
custos de venda são baseados no preço de mercado do ativo menos os custos com essa alienação.
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Por outro lado, pode-se concluir que, pelo espírito da norma, se não houver acordo vinculativo,
nem exista mercado ativo, o justo valor menos os custos de venda são baseados na melhor
informação disponível, nomeadamente em transações análogas de ativos semelhantes, em
publicações de revistas da especialidade, internet, entre outros.

Em 12 de maio de 2011, foi emitida a IFRS 13 - Fair Value Measurament, que apresenta o
conceito de justo valor, estabelece uma estrutura conceptual para mensuração do justo valor e
determina as exigências de divulgação da mensuração do justo valor.

A IFRS explica como mensurar o valor justo quando este é exigido por outras normas.
Anteriormente (excetuando a SFAS 157 do FASB’ – FASB – Financial Accounting Standarts
Board) não havia uma fonte de orientação sobre mensuração do justo valor e as inconsistências
na determinação do justo valor existentes nas normas internacionais acrescentavam
complexidade ao processo de preparação de demonstrações financeiras.

4.2.4. Reversão das Perdas por Imparidade


Pode também existir a situação inversa, denominada de reversão das perdas por imparidade. É
necessário efetuar um teste de reversão de perda por imparidade aos ativos quando, que não o
goodwill, existam à data do balanço indicações de perdas por imparidade a reverter.

Quando ocorrerem mudanças das estimativas usadas para determinar o valor recuperável dos
ativos ou unidades geradoras de caixa, a perda por impairment anteriormente reconhecida
deverá ser revertida. O teste de reversão de perda por imparidade passa por avaliar se existe
qualquer indicador de que uma perda por imparidade reconhecida em períodos anteriores
relativamente a um ativo, que não o goodwill, possa já não existir ou possa ter diminuído, de
reforçar que a imparidade do goodwill nunca pode ser revertida.

Na reversão da perda por impairment o valor escriturado do ativo deverá ser aumentado, sem
exceder o valor contabilístico que existiria caso a perda por impairment nunca tivesse sido
reconhecida.

Segundo Correia (2009), esta norma caracteriza-se por uma complexidade implícita
relativamente à elaboração dos testes de imparidades, pois envolve necessariamente a
elaboração de um conjunto de estimativas indispensáveis para o cálculo da quantia recuperável,
nomeadamente no que se refere ao cálculo do valor de uso. Para o conjunto de ativos, que não
sejam independentes (UGC) e que gerem fluxos de caixa, a norma prevê a elaboração de um só
teste aplicável a esse conjunto.
37

4.2.5. Reversão de uma Perda por Imparidade de um Ativo Individual


Constata-se pela leitura da norma que a quantia escriturada de um ativo individual, devido a
uma reversão de uma perda por imparidade, não deve exceder a quantia escriturada que teria
sido determinada se nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida anteriormente.

A mensuração da quantia recuperável, para efeitos de reversão tem como limitar máximo o
custo do ativo líquido de depreciações acumuladas, sendo o reconhecimento desse valor levado
a resultados. Porém, se a quantia mensurada passar o limitar acima exposto, saímos do conceito
de reversão de imparidade e entramos no conceito de revalorização de um ativo. Uma reversão
de uma perda por imparidade num ativo revalorizado é creditada diretamente ao capital próprio
sob o título excedentes de revalorização.

4.2.6. Reversão de uma Perda por Imparidade de uma UGC


O problema da reversão não se coloca somente para um ativo individual. Também as perdas
por imparidade de uma UCG podem ser revertidas. Estes aumentos nas quantias escrituradas
devem ser tratados como reversão de perdas por imparidade de ativos individuais.

Ora, uma reversão de uma perda por imparidade de uma UGC deve ser imputada aos ativos da
unidade, exceto ao goodwill, numa base pro rata em relação às quantias escrituradas.

O aumento da quantia escriturada de uma UGC deve ser tratado como reversão de perda por
imparidade de um ativo individual, tendo como principal e importante diferença que esta
reversão apenas deve ser limitada aos ativos identificáveis da UGC e não a todos, na exata
medida que uma UGC pode conter goodwill, e este não pode ser revertido.

4.2.7. Divulgação das Perdas por Imparidade


Vem-se assistindo no mundo contabilístico a um processo de harmonização contabilística à
escala europeia e mundial.

O objetivo de incrementar a comparabilidade e a qualidade da informação financeira de


diferentes empresas em diferentes países, faz com que as demonstrações financeiras sejam mais
facilmente comparáveis na informação que prestam aos utilizadores, contribuindo assim para
que estes de forma mais sólida possam comparar e tomar as melhores decisões e também para
uma mais eficiente afetação dos seus recursos económicos.

A divulgação que uma entidade faz é de vital importância para um grande conjunto de
interessados. Os utilizadores da informação financeira, com especial relevância para os
investidores. O relato financeiro das empresas e uma correta divulgação do mesmo, assente em
38

critérios perfeitamente definidos, estão na base de uma informação que se quer o mais fiável
possível, com vista a auxiliar a tomada de decisão.

A International Accounting Standards IAS:36, exige a divulgação de uma grande quantidade


de informação relacionada com as imparidades de ativos, que abaixo passamos a resumir:

[Link].Divulgação por Classe de Ativos:


Perdas por impairment reconhecidas ou revertidas no resultado do período e a linha da
demonstração dos resultados na qual estas foram incluídas;

perdas por impairment de ativos reavaliados reconhecidas ou revertidas durante o período em


outros resultados abrangentes.

[Link].Divulgação por Segmente:


• Perdas por impairment reconhecidas e revertidas.
• Se uma perda ou reversão por impairment individual for material:
• Eventos e circunstâncias que resultaram na perda ou reversão;

4.2.8. Montante da perda ou reversão;


• Para ativo individual: a natureza e o segmento a que se refere;
• Para unidade geradora de caixa: descrição, valor da perda ou reversão por classe de
ativos e por segmento;
• Se o valor recuperável for o valor líquido de venda: divulgar a base para determinar o
valor justo;
• Se o valor recuperável for o valor em uso: divulgar a taxa de desconto.
• Se as perdas por impairment reconhecidas ou revertidas não forem materiais, divulgar:
• As principais classes de ativos afetados;
• Os principais eventos e circunstâncias que resultaram no reconhecimento ou reversão.

Além disso, a entidade deve divulgar informações detalhadas sobre as estimativas usadas para
mensurar os valores recuperáveis de unidades geradoras de caixa contendo goodwill.
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5. Conclusão
Ao longo deste artigo, foi possível entender o que é ativo intangível e a importância
representada por eles atualmente. A necessidade de avaliá-los é óbvia, porém, complexa e
subjetiva. Apesar de ser difícil de mensurar, é importante que os empresários se lembrem que
os ativos intangíveis podem trazer benefícios imensos para a instituição, seja através da criação
de renda ou da redução de gastos, otimizando o caixa da empresa.

Em respeito sobre amortizações, pode-se chegar a idéia de que, para efetuar certas operações
financeiras, precisa-se de técnicas mais práticas e objetivas.

Com o auxilio do método utilizado na elaboração de planilhas para sistemas de mortização com
ou sem carência, encontradas nos livros de Matemática Financeira atuais, pode-se, então, chegar
a dedução das formulas matemáticas para os sistemas de amortização com carência.

Aproveitou-se, também, para que fosse introduzida a capitalização dos juros sobre o valor do
empréstimo, e assim, deduzir, também, as formulas matematicas com essa operação financeira.
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6. Referências Bibliográficas
ARVALHO, Thales Melo de. Matemática Comercial e Financeira. São Paulo: Fename. 1980.

FRANCISCO, Walter de. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas_ 1985.

FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro - Produtos e Serviços. 7. ed. Rio de Janeiro:


Qualitymark, 1995.

GUERRA, Fernando. Matemática Financeiraatravés da HP-12C. 1. ed. Florianópolis: Ed. da


UFSC. 1997.

MATHIAS, Washington Franco; GOMES, Jose Maria. Matemática Financeira. 2. ed. São
Paulo: Atlas. 1993.

MORGADO, Augusto César de Oliveira; WAGNER., Eduardo; ZAN1, Scheila Cristina.


Progressões e Matemática [Link] de Janeiro: Solgraf Publi, 1999.

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