Ciclo de Investimento em Ativos Intangíveis
Ciclo de Investimento em Ativos Intangíveis
O Ciclo de Investimento
Universidade Rovuma
Extensão Niassa
2022
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O Ciclo de Investimento
(Licenciatura em Contabilidade e Auditoria 1º Ano)
Universidade Rovuma
Extensão Niassa
2022
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Índice
1. Introdução ........................................................................................................................ 5
2. Ativo ................................................................................................................................ 6
3. Amortização................................................................................................................... 22
4. Imparidade ..................................................................................................................... 32
5. Conclusão ...................................................................................................................... 39
1. Introdução
Este trabalho, aborda a respeito de activos inviáveis. Referência a sua definição, mensuração,
reconhecimento e divulgação. Além disso, fala a respeito de amortização e imparidade. No
desenvolvimento deste trabalho, estes temas, serão abordados com mais detalhes e precisão.
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
O objectivo do presente é o conhecimento e a investigação sobre ciclo de investimento,
especificamente referenciar a respeito de activos intangíveis e amortização
[Link]
Para a realização do presente trabalho foi o método de pesquisa de análise e revisão
bibliográfica.
6
2. Ativo
[Link]
Começaremos a definir os Activos segundo a perspectiva e ideologia de alguns autores.
Segundo Silva (2010) no início tinha na sua génese conceções jurídico patrimonialistas definido
como um conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa, ou seja, suportadas pela
segurança jurídica da posse da propriedade dos bens. O mesmo autor refere ainda que,
atualmente consideram-se desadequadas aquelas conceções no processo de produção e relato
financeiro útil à tomada de decisões de todos os utentes da informação e que hoje em dia
privilegia-se o ponto de vista económico, ao invés do direito de propriedade.
Canning,1929 citado por Lopes (2008:127) designa “Activo” como um serviço futuro
expresso em unidades monetárias ou convertível em meios monetários cujos benefícios
económicos venham a estar à disposição de uma entidade.
Borges, et al (2010) referem ainda que o conceito de activo se estende não só aos bens que têm
existência física, mas também aos que não têm como é o caso por exemplo das marcas, patentes
ou software. Bem como aos que não sendo propriedade da empresa podem ser obtidos através
de contratos de “leasing” ou de aluguer de longa duração.
Enquanto Lopes (2008) refere ainda que na mesma linha, Daum (2003:16), designa “activos”
como tudo aquilo que é detido pela empresa, que possui um valor monetário e que pode surgir
sobre quatro formas:
Em suma, pode ser considerado um ativo, todo e qualquer elemento com ou sem natureza física,
que seja controlado pela empresa e que a ela proporcione a possibilidade de obtenção de fluxos
de caixa, ou que pode gerar lucros para a empresa ou instituição.
Visto que o foco deste trabalho é falar sobre activos intangíveis, mas nos era necessário dar
uma breve conceituação de activos, para termos uma noção dela e ate que nos levasse a este
ponto.
[Link] intangíveis
2.2.1. Conceito
Segundo Lopes (2008), a procura de uma definição universalmente aceite que possa traduzir a
essência daquilo que a literatura em geral e a contabilística em particular tem consagrado como
“Activos Intangíveis”, tem sido seguida pelos mais diversos autores. Para o mesmo autor no
contexto da literatura de gestão ou mesmo na literatura jurídica, as designações Intangíveis,
Ativos do Conhecimento ou Capital Intelectual têm sido utilizados de forma indiferenciada. O
autor refere ainda que: “quando os direitos a ele associados ficam legalmente protegidos, a
designação mais comum tem sido a de “Propriedade Industrial”.
(Lopes, 2013:220). Concluindo que na verdade o valor destes ativos está intrinsecamente
associado aos direitos que a sua posse possa conferir aos seus detentores. A intangibilidade de
um ativo deriva da sua falta de materialidade, de acordo com
Segundo Daum (2003:16), um Ativo Intangível é tudo aquilo que não possui existência física
ou é investimento, mas possui valor para a organização. Os ativos intangíveis são, pois, a base
para a capacidade de inovação de uma organização e por isso a fonte primordial dos benefícios
económicos futuros (Lopes, 2013: 220).
Gonçalves et al. (2015) faz uma análise à definição, referindo que, uma vez que se trata de um
activo tem que cumprir os requisitos gerais de ativos como:
A análise apresentada acima vai de encontro com a NCRF – Norma Contabilística de Relato
Financeiro 6. Para que um ativo seja classificado como ativo intangível, devem verificar-se as
seguintes condições:
• Identificabilidade;
• Controlo;
• Benefícios económicos futuros;
• Mensurabilidade.
Segundo Lopes (2008:145), o reconhecimento contabilístico dos intangíveis não é tarefa fácil
ou mesmo transparente. O mesmo autor refere que “o seu reconhecimento como custos em
determinado período não coincide temporalmente com o possível retorno desse esforço de
captação e fluidez de benefícios económicos. O autor considera que isto significa um
desajustamento total do método das partidas dobradas num contexto em que surgem fortes
indícios de que os intangíveis são uma poderosa fonte de valor.
Hendriksen e Van Breda (1999, p.388) referem que: “os ativos intangíveis formam uma das
áreas mais complexas da teoria da contabilidade, em parte em virtude das dificuldades de
definição, mas principalmente por causa das incertezas a respeito da mensuração de seus valores
e da estimação de suas vidas úteis”.
Ainda com relação à dificuldade do reconhecimento dos ativos intangíveis nas demonstrações
financeiras das entidades, em situações especiais, “parte desses ativos sejam reconhecidos
debaixo da expressão genérica de goodwill, particularmente nas situações em que esses
intangíveis foram adquiridos no contexto de alguns tipos de concentrações especiais”
(Rodrigues, 2003:169).
Segundo Hendriksen e Breda (1992) para o reconhecimento de qualquer ativo existem três
condições: os benefícios económicos futuros prováveis, os obtidos ou controlados pela empresa
e como resultado de factos económicos passados.
• For provável que os benefícios económicos futuros esperados que sejam atribuíveis ao
ativo fluam para a entidade; e
• O custo do activo possa ser fiavelmente mensurado.
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O ponto 9 da NCRF 6 apresenta alguns exemplos comuns de itens que se enquadram nos ativos
intangíveis tais como: software de computadores, patentes, copyrights, filmes, listas de clientes,
direitos de hipotecas, licenças de pesca, quotas de importação, franchises, relacionamentos com
clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, quota de mercado e direitos de comercialização.
2.2.3. Classificação dos Activos Intangíveis
Os activos intangíveis tem muitas classificaoes por motivo destes serem de difícil identificação.
Neste caso, apresentarei um resumo de certas classifições segundo alguns aoutores que tentara
dar uma breve consideração sobre este assunto.
Tendo como base os diversos normativos contabilísticos vários autores têm apresentado
categorias de ativos intangíveis. Lopes (2013:138) apresenta uma série de categorias
identificadas por vários autores, como é o caso de Reilly e Schweihs (199:19-20) que
categorizam os activos intangíveis numa base fundamentalmente econômica e generalista e
cujas fronteiras são de difícil previsão. Segundo estes autores, dam a seguinte classificação:
• Propriedade intelectual;
• Marcas;
• Tecnologias de informação;
• Clientes;
• Empregados; e
• Conhecimento.
Sacui e Szatmary (2015), apresentam no seu trabalho categorias de activos intangíveis com base
nas normas IFRS – International Financial Reporting Standards 3 e SFAS – Statement of
Financial Accounting Standards 141, referindo que “as normas diferenciam entre ativos
intangíveis identificáveis e ativos intangíveis não identificáveis ou goodwill”.
Enquanto Sacui e Szatmary, (2015: 387), referem ainda que estas categorias atendem aos
critérios de reconhecimento como ativos intangíveis além do goodwill: ativos intangíveis com
12
Tabela: Categorias de ativos intangíveis identificáveis de acordo com a IFRS – International Financial Reporting
Standards 3 e SFAS – Statement of Financial Accounting Standards 141.
Segundo Lopes (2013:142), para Cohen (2005) a caracterização de ativos intangíveis é feita de
forma redutora – os mesmos são separados segundo a sua identificabilidade, ou seja, apenas
duas categorias:
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Também Mas e Serasa Pérez (2006: 27), apresentam a divisão dos ativos intangíveis feita por
Nevado (2002), que figuram nos balanços das empresas, bem como os e os que não garantem
os critérios de reconhecimento e como tal, não figuram nas demonstrações financeiras. A
divisão obedece às seguintes categorias:
Ativos intangíveis não identificáveis ou não separáveis e não controláveis – podem ser: Por
aquisição de outra empresa (Fundo de comércio –goodwill; Gerados internamente (Capital
intelectual – capital humano, capital estrutural e capital relacional).
De acordo com a divisão acima os ativos intangíveis apresentados são considerados visíveis
com exceção dos não identificáveis gerados internamente que são considerados invisíveis.
Da consulta bibliográfica feita conclui-se que, embora o tema sobre ativos intangíveis se aborde
desde há muitos anos, os ativos intangíveis, têm-se tornado cada vez mais importantes para as
entidades, assumindo-se cada vez mais como a sua “ nova fonte de riqueza” em detrimento dos
ativos tangíveis, sendo uma das principais fontes de criação de valor, mas ainda assim são pouco
considerados nas demonstrações financeiras e o seu reconhecimento contabilístico tem vindo a
gerar alguma controvérsia dadas as características particulares associadas aos intangíveis como:
a ificuldade de identificá-los devido a sua natureza não física e a sua difícil mensuração
Durante a pesquisa referente a este trabalho, foi notório que os activos intangíveis podem ser
tratados e classificados de várias formas. Mas a norma escolhida neste trabalho, foi a NIC –
Normas Internacionais de Contabilidade, como diz o nome, norma internacional de
contabilidade, é nela que nos basearemos a nossa classificação.
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A temática dos ativos intangíveis nas normas internacionais de contabilidade é regida pela NIC
38 – Ativos Intangíveis, que foi emitida em 1998, e revista em março de 2004. Visa a
harmonização no tratamento dos intangíveis de modo a tornar claro e uniforme o entendimento
sobre estes ativos. Para o caso especifico de ativos intangíveis em concentrações de atividades
empresariais o normativo é a IFRS – International Financial Reporting Standards 3 - Business
Combination - (Concentrações de atividades Empresariais).
Quanto ao seu âmbito (ponto 2) a norma aplica-se à contabilização de ativos intangíveis, exceto:
Uma vez que se assiste a uma convergência dos dois normativos, com exceção da
contabilização dos ativos intangíveis com vidas úteis indefinidas, vai-se apenas destacar
algumas questões relativas aos pontos revistos na NCRF 6 e, para se evitar redundâncias, os
desenvolvimentos feitos na revisão da NCRF 6 (no normativo Português) em cada um dos
pontos, servem para o caso da NIC 38.
Nas NIC, o ativo intangível é definido como: “um ativo não monetário identificável sem
substância física” (pontos 8 da NIC 38).
A simples existência de qualquer activo não é razão suficiente para que ele seja reconhecido
contabilmente. Ele deve ser reconhecido, obedecendo às mesmas regras válidas para os demais
activos, ou seja, quando tiver definição apropriada, ser mensurável e preciso.
Para Perez e Famá (2006, p. 14) o Activo Intangível só deve ser reconhecido como ativo, se ele
preencher todos os requisitos de ativo, tais como:
c) Ser relevante e
d) Ser preciso (a informação é verificável e neutra).
Para Hendriksen e Van Breda (1999. p 388), para que um item possa ser reconhecido como
ativo, ele deve preencher todos os requisitos de reconhecimento de qualquer ativo, ou seja,
apenas deverá ser reconhecido como ativo quando:
Um item do ativo intangível adquirido deve ser reconhecido quando satisfizer a definição de
ativo intangível, quando os benefícios econômicos futuros forem prováveis e se o custo puder
ser mensurado. Para tanto, uma empresa deve ser capaz de demonstrar todos os seguintes
critérios:
• Viabilidade técnica;
• Capacidade de usar ou vender o ativo intangível;
• Disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros para completar o
desenvolvimento;
• Capacidade de medir confiavelmente o gasto com o desenvolvimento.
Caso não haja condições de reconhecer um ativo intangível este deve ser registrado como
despesa.
Então, com base nessas informações, muitos itens do ativo intangível poderiam ser inseridos
no balanço patrimonial ao invés de serem classificadas como despesas, como, por exemplo,
custos com pesquisas e desenvolvimentos.
Para conseguir apurar o valor de um ativo intangível, é preciso considerar todo o seu custo.
Nesse ponto, consideramos os valores que foram gastos para que ele fosse criado ou o valor
pago para sua contratação. Além disso, existem outros fatores que devem ser considerados. Os
quais são eles:
I. Mão de Obra
Considerando que o ativo intangível seja um software, por exemplo, é preciso considerar todo
o tempo gasto em mão de obra para sua criação e bom funcionamento. Por exemplo:
As ferramentas contratadas que não poderão ser vendidas junto com o seu software, como
gestão de horas e servidor na nuvem para hospedagem, por exemplo, não devem ser
consideradas no custo do ativo intangível.
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Para facilitar a organização, é interessante dividir o processo de construção em fases, para ter
uma visão muito mais clara do que é “construção” e de quando ele realmente se torna um ativo,
de fato.
Para mensurar o custo dos ativos intangíveis, determina-se a maneira como o ativo foi
adquirido: separadamente ou através de uma combinação de negócios.
• Custo por aquisição separada: o preço pago pela entidade ao adquirir separadamente
um ativo intangível reflete sua expectativa sobre os possíveis benefícios econômicos
esperados, incorporados ao ativo.
Além disso, o custo dos ativos intangíveis adquiridos desta maneira inclui:
II. No último, a vida útil é determinada com base na análise de todos os fatores relevantes
e, mesmo assim, não há um limite previsível durante o qual o ativo irá gerar fluxos de
caixa líquidos positivos.
Muitos fatores devem ser considerados na determinação da vida útil de um ativo intangível, a
saber:
Existem duas formas para a definição da vida útil dos ativos intangíveis:
• Vida útil definida: que é o período determinado em que se espera que o ativo gere
entradas líquidas de caixa; e
• Vida útil indefinida: quando não for possível determinar este período. A amortização
no caso da vida útil definida deve ocorrer de acordo com o período determinado da sua
vida útil, pelo método linear.
Já para a vida útil indefinida os ativos intangíveis não são amortizáveis, ou seja, não devem
sofrer amortização. No entanto devem ser submetidos a teste de impairment anualmente ou
sempre que houver qualquer indicação de que o ativo possa ter perdido valor.
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Um ativo intangível gerado internamente consiste em soluções, por exemplo, criadas pela
empresa:
• Websites;
• Ferramentas e softwares;
• Títulos e periódicos;
• Dire itos de comercialização;
• Protótipos, modelos e projetos;
• Fórmulas;
• Receitas;
• Patentes; etc.
2.3.8. Divulgação
Também a instituiçãoou empresa deve fazer a distinção entre os ativos produzidos internamente
e os adquiridos de outras empresas e divulgar informações como:
• Os prazos de vida útil ou as taxas de amortização utilizadas (caso a vida útil seja
definida);
• Os métodos de amortização utilizados para ativos intangíveis com vida útil definida;
• valor contabilístico bruto e eventual amortização acumulada (mais as perdas
acumuladas no valor recuperável) no início e no final do período;
• A rubrica da demonstração do resultado em que qualquer amortização de ativo
intangível for incluída;
• A conciliação do valor contábil no início e no final do período.
A divulgação das informações referentes aos ativos intangíveis não se restringe aos
apresentados neste artigo. Quaisquer particularidades devem constar na divulgação dos dados,
conforme análise interna de cada entidade.
Infelizmente ainda é comum encontrarmos empresários que não se atentam à importância dos
ativos intangíveis. Por não serem ativos “físicos” e não serem tão fáceis de mensurar, acabam
passando despercebidas e sendo pouco valorizadas, mesmo com seu ótimo potencial de retorno
financeiro.
É importante se lembrar que o valor dos ativos intangíveis vai além do que pensamos: pessoas,
conhecimento, propriedade intelectual e ferramentas podem sempre serem aprimoradas e
oferecerem ainda mais resultados para o negócio, ao contrário dos ativos tangíveis que tendem
a depreciar com o tempo.
22
A principal diferença entre o ativo tangível e o ativo intangível é a existência física. Enquanto
o primeiro consiste em algo palpável, o segundo muitas vezes não é tão fácil de identificar.
Além disso, o ativo tangível possui como característica a facilidade de liquidar e vender no
mercado, uma vez que é mais fácil de ser mensurável.
O ativo intangível, no entanto, por ser algo com mensuração mais difícil, costuma ser mais
difícil de vender. É importante pontuar também que, por definição, os ativos tangíveis são
depreciados, enquanto os ativos intangíveis, por outro lado, são amortizados. A depreciação de
ativos tangíveis consiste na redução do valor desses bens devido ao desgaste ou redução de sua
utilidade com o tempo.
A amortização dos ativos intangíveis, por fim, consiste na redução de valor aplicado na
aquisição desses bens, com duração limitada ou com prazo legal de uso também limitado.
O ativo intangível do goodwill é determinado pela diferença entre o valor justo de uma empresa
e o preço pago por ela, por exemplo. Esse valor é justificado pelo agrupamento dos ativos
intangíveis da empresa que, apesar de serem identificáveis, são indivisíveis.
3. Amortização
[Link]ção
O termo amortização é muito comum no mercado financeiro e muito utilizado quando o assunto
é, principalmente, financiamento ou empréstimo. Mesmo assim ainda existem muitas dúvidas
sobre o que é amortização.
3.1.1. Capital
3.1.2. Juros
Deve ser entendido como Juros, a remuneração de um capital (P), aplicado a uma certa taxa (i),
durante um determinado período (n), ou seja, é o dinheiro pago pelo uso de dinheiro
emprestado. Portanto, Juros (J) = preço do crédito. A existência de Juros decorre de vários
fatores, entre os quais destacam-se:
Sempre se tem especificado as taxas de juros anuais, trimestrais, semestrais, mensais, entre
outros, motivo pelo qual deve-se especificar sempre o período de tempo considerado.
Quando a taxa de juros incide no decorrer do tempo, sempre sobre o capital inicial, dizemos
que temos um sistema de capitalização simples (Juros simples). Quando a taxa de juros incide
sobre o capital atualizado com os juros do período (montante), dizemos que temos um sistema
de capitalização composta (Juros compostos).
Na prática, o mercado financeiro utiliza apenas os juros compostos, de crescimento mais rápido
(veremos adiante, que enquanto os juros simples crescem segundo uma função do 1º grau –
crescimento linear, os juros compostos crescem muito mais rapidamente – segundo uma função
exponencial).
O regime de juros simples é aquele no qual os juros incidem sempre sobre o capital inicial. Este
sistema não é utilizado na prática nas operações comerciais, mas, a análise desse tema é de uma
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certa forma, importante. Considere o capital inicial P aplicado a juros simples de taxa i por
período, durante n períodos.
Lembrando que os juros simples incidem sempre sobre o capital inicial, podemos
escrever a seguinte fórmula, facilmente demonstrável:
𝑱 = 𝑷. 𝒊. 𝒏 = 𝑷𝒊𝒏
J = juros produzidos depois de n períodos, do capital P aplicado a uma taxa de juros por período
igual a i.
No final de n períodos, é claro que o capital será igual ao capital inicial adicionado aos juros
produzidos no período. O capital inicial adicionado aos juros do período é denominado
Montante (M). Logo, teríamos:
𝑱 = 𝑷. 𝒊. 𝒏 = 𝑷𝒊𝒏 𝑴 = 𝑷(𝟏 + 𝒊. 𝒏)
Exemplo:
A quantia de 3.000,00 é aplicada a juros simples de 5% ao mês, durante cinco anos. Calcule o
montante ao final dos cinco anos.
Resolução:
Temos: P = 3.000,00
i = 5% = 5/100 = 0,05 e
n = 5 anos = 5 x 12 = 60 meses.
A fórmula J = Pin.
Onde:
P e i são conhecidos, nos leva a concluir pela linearidade da função juros simples, senão
vejamos: P.i = k.
Ora, J = k.n é uma função linear, cujo gráfico é uma semi-reta passando pela origem. Portanto,
J/n = k, o que significa que os juros simples J e o número de períodos n são grandezas
diretamente proporcionais. Daí infere-se que o crescimento dos juros simples obedece a uma
função linear, cujo crescimento depende do produto P.i = k, que é o coeficiente angular da semi-
reta J = kn.
O capital inicial (principal) pode crescer, como já sabemos, devido aos juros, segundo duas
modalidades, a saber:
O regime de juros compostos considera que os juros formados em cada período são acrescidos
ao capital formando um montante, capital mais juros, do período. Este montante, por sua vez,
passará a render juros no período seguinte formando um novo montante e assim
sucessivamente. Pode-se dizer então, que cada montante formado é constituído do capital
inicial, juros acumulados e dos juros sobre juros formados em períodos anteriores.
Este processo de formação de juros compostos é diferente daquele descrito para os juros
simples, onde somente o capital rende juros, não ocorrendo remuneração sobre os juros
formados em períodos anteriores.
Vamos ilustrar a diferença entre os crescimentos de um capital através juros simples e juros
compostos, com um exemplo:
Suponha que 1.000,00 são empregados a uma taxa de 20% a.a., por um período de 4 anos a
juros simples e compostos Teremos:
2.074,00
4 1.000,00 x 0,2 = 200 1.800,00 1.728,00 x 0,2 = 34
O gráfico a seguir permite uma comparação visual entre os montantes no regime de juros
simples e de juros compostos. Verificamos que a formação do montante em juros simples é
linear e em juros compostos é exponencial:
Exemplo:
A loja São João financia a venda de uma mercadoria no valor de 16.000,00, sem entrada,
pelo prazo de 8 meses a uma taxa de 1,422. Qual o valor do montante pago pelo cliente.
Resolução: 𝑀 = 𝐶 𝑥 (1 + 𝑖)𝑛
𝑀 = 16.000,00 𝑥 (1 + 1,422)8
𝑀 = 22.753,61
Na prática, as empresas, órgãos governamentais e investidores particulares costumam reinvestir
as quantias geradas pelas aplicações financeiras, o que justifica o emprego mais comum de juros
compostos na Economia. Na verdade, o uso de juros simples não se justifica em estudos
econômicos.
3.1.5. Fórmula para o Cálculo de Juros Compostos
Considere o capital inicial (P) 1.000,00 aplicado a uma taxa mensal de juros compostos (i) de
10% (i = 10% a.m.). Vamos calcular os montantes (principal + juros), mês a mês:
Dando continuidade ao raciocínio dos juros compostos, a evolução dos juros que incide a um
capital para cada um dos meses subsequentes após o nº (enésimo) mês o montante acumulado
ao final do período atingiria:
𝑺 = 𝟏𝟎𝟎𝟎 (𝟏 + 𝟎, 𝟏)𝒏
De uma forma genérica, teremos para um principal P, aplicado a uma taxa de juros compostos
i durante o período n:
Onde:
• S / M = montante;
• P / C = principal ou capital inicial;
• i = taxa de juros;
• n = número de períodos que o principal P (capital inicial) foi aplicado.
Observação:
Na fórmula acima, as unidades de tempo referentes à taxa de juros (i) e do período (n), tem de
ser necessariamente iguais. Este é um detalhe importantíssimo, que não pode ser esquecido.
Assim, por exemplo, se a taxa for 2% ao mês e o período 3 anos, deveremos considerar 2% ao
mês durante 3 x 12=36 meses.
Assim, por exemplo, se um empréstimo de 100.000,00, deve ser quitado ao final de um ano,
pelo valor monetário de 150.000,00, a taxa de juros nominal será dada por:
Um aspecto interessante sobre as taxas reais de juros é que, elas podem ser inclusive negativas.
Vamos encontrar uma relação entre as taxas de juros nominal e real. Para isto, vamos supor que
um determinado capital P é aplicado por um período de tempo unitário, a uma certa taxa
nominal in.
O montante S1 ao final do período será dado por S1 = P(1 + in). Consideremos agora que durante
o mesmo período, a taxa de inflação (desvalorização da moeda) foi igual a j. O capital corrigido
por esta taxa acarretaria um montante S2 = P (1 + j).
A taxa real de juros, indicada por r, será aquela que aplicada ao montante S2, produzirá o
montante S1. Poderemos então escrever:
S1= S2 (1 + r)
Onde:
Exemplo:
Numa operação financeira com taxas pré-fixadas, um banco empresta 120.000,00 para ser pago
em um ano com 150.000,00. Sendo a inflação durante o período do empréstimo igual a 10%,
pede-se calcular as taxas nominal e real deste empréstimo.
anterior, vem:
= (1 + in) = (1+r). (1 + j)
=1,25 = (1 + r).1,10
=1 + r = 1,25/1,10 = 1,1364
Se a taxa de inflação no período fosse igual a 30%, teríamos para a taxa real de juros:
1,25 = (1 + r).1,30
1 + r = 1,25/1,30 = 0,9615
Portanto, r = 0,9615 – 1 = -,0385 = -3,85% e, portanto, teríamos uma taxa real de juros negativa.
As fórmulas do valor presente (PV) e do valor futuro (FV) são iguais já vistas anteriormente,
basta trocarmos seus correspondentes nas referidas fórmulas, assim temos:
M = C x (1 + i )n ou FV= PV (1 + i )n
𝑴 𝑭𝑽
𝑪= ou 𝑷𝑽 =
(𝟏 + 𝒊)𝒏 (𝟏 + 𝒊)𝒏
30
Onde:
Exemplo:
Qual o valor de resgate de uma aplicação de 12.000,00 em um títulos pelo prazo de 8 meses à
taxa de juros composta de 3,5% a.m ?
31
Resolução
PV= 12.000,00
n= 8 meses
i=3,5% a. m
FV=?
𝐹𝑉 = 𝑉𝑃(1 + 𝑖)𝑛 = 12.000,00(1 + 0,035)8
= 12.000,00 𝑥 1,316 = 15.801,71
= 12.000,00 𝑥 1,316 = 15.801,71
= 15.801,71
Exemplo 01:
1º Conjunto 2º Conjunto
Capital (MZN) Vencimento Capital (MZN) Vencimento
1.100,00 1 º a.a 2.200,00 1 º a.a
2.420,00 2 º a.a 1.210,00 2 º a.a
1.996,50 3 º a.a 665,5 3 º a.a
732,05 4 º a.a 2.196,15 4 º a.a
Verificar se os conjuntos de valores nominais, referidos à data zero, são equivalentes à taxa de
juros de 10% a.a
32
Resolução:
Logo os dois conjuntos de capitais são equivalentes, pois P0 de um é igual ao P0 de outro.
3.2.5. Descontos Simples
Existem dois tipos básicos de descontos simples nas operações financeiras:
• O desconto comercial
• O desconto racional.
J = P . i . n => D = VD . d . n
4. Imparidade
[Link]ção
De acordo Costa e Alves (2005), imparidade é a perda de valor de um ativo para além da
decorrente da sua utilização normal.
E para Silva et al. (2006), imparidade é o instrumento a utilizar para adequar o ativo a sua real
capacidade de retorno económico.
Em suma, diz-se que há imparidades quando o valor real de um ativo da empresa é menor do
que o valor que está registado na respetiva contabilidade. Em resposta a essa diminuição do
valor real, devem ser registadas, na contabilidade, perdas por imparidade.
Um ativo é escriturado por mais do que a sua quantia recuperável se a sua quantia escriturada
exceder a quantia a ser recuperada através do uso ou da venda do ativo. Se este for o caso, o
ativo é descrito como estando com Imparidade.
As imparidades e as perdas por imparidade, são provocadas por eventos internos ou externos à
empresa, que indiciam que determinado ativo já perdeu ou irá perder o seu valor.
Para avaliar se existem indícios de que um ativo possa estar em imparidade, uma entidade deve
considerar no seu teste, os indicadores de desvalorização de ativos, que a norma apresenta,
numa exaustiva lista de fontes de informação classificadas em fontes externas e internas,
segundo a tabela a baixo.
Desta forma a tempestividade dos testes de imparidade deve-se adequar à natureza dos ativos e
a modalidade de agregação. Evidenciam-se alguns pontos essenciais no que diz respeito à
tempestividade dos testes de imparidade:
• Para a UGC a que tenha sido imputado o goodwill, o teste é anual, podendo ser efetuado
a qualquer momento durante um período anual, desde que seja efetuado no mesmo
momento todos os anos;
• Para as UGC diferentes podem ser testadas quanto à imparidade em momentos
diferentes;
• No caso dos ativos individuais constantes da UGC à qual tenha sido imputado o
goodwill, devem ser testados quanto à imparidade antes da UGC que contém o goodwill.
Uma entidade deve avaliar em cada data de relato se há qualquer indicação de que um ativo
possa estar com imparidade. Se qualquer indicação existir, a entidade deve estimar a quantia
recuperável do ativo. Mas independentemente de existir ou não qualquer indicação de
imparidade.
35
Quando existam indicações de uma possível imparidade, a norma defende que para determinar
a quantia recuperável se deve confrontar o justo valor menos os custos da venda com o valor
de uso, dos dois o mais alto. Apesar da norma indicar duas medidas de referência – valor de
mercado e valor de uso nem sempre é necessário determinar estas duas quantias. Se qualquer
destas exceder a quantia recuperável, o ativo não está em imparidade.
O conceito de quantia recuperável apresentado na norma, como o mais alto entre o justo valor
menos os custos de vender e o seu valor de uso, tem como pressuposto que a empresa toma as
suas decisões numa base racional, por regra com o objetivo de maximização de resultados.
Assim, esta optará por vender o ativo caso o seu justo valor menos os custos de vender sejam
superiores aos benefícios económicos futuros que o ativo gerará se continuar a ser usado (valor
de uso), ou continuará a usá-lo se esta opção se apresentar mais rentável.
No entanto, pode acontecer que o justo valor deduzido dos custos da venda não seja possível
de determinar, já que pode ser impossível encontrar base para a determinação da quantia a obter
na venda, numa transação entre partes conhecedoras e dispostas ao negócio.
Neste caso, a entidade pode usar o valor de uso do ativo como sua quantia recuperável. Dada a
importância que estes critérios têm com vista à mensuração da imparidade, importa voltar a
debruçar sobre o mesmo, com vista a identificar as bases para o seu cálculo. Que são os
seguintes:
No caso de não houver acordo vinculativo, mas exista mercado ativo, o justo valor menos os
custos de venda são baseados no preço de mercado do ativo menos os custos com essa alienação.
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Por outro lado, pode-se concluir que, pelo espírito da norma, se não houver acordo vinculativo,
nem exista mercado ativo, o justo valor menos os custos de venda são baseados na melhor
informação disponível, nomeadamente em transações análogas de ativos semelhantes, em
publicações de revistas da especialidade, internet, entre outros.
Em 12 de maio de 2011, foi emitida a IFRS 13 - Fair Value Measurament, que apresenta o
conceito de justo valor, estabelece uma estrutura conceptual para mensuração do justo valor e
determina as exigências de divulgação da mensuração do justo valor.
A IFRS explica como mensurar o valor justo quando este é exigido por outras normas.
Anteriormente (excetuando a SFAS 157 do FASB’ – FASB – Financial Accounting Standarts
Board) não havia uma fonte de orientação sobre mensuração do justo valor e as inconsistências
na determinação do justo valor existentes nas normas internacionais acrescentavam
complexidade ao processo de preparação de demonstrações financeiras.
Quando ocorrerem mudanças das estimativas usadas para determinar o valor recuperável dos
ativos ou unidades geradoras de caixa, a perda por impairment anteriormente reconhecida
deverá ser revertida. O teste de reversão de perda por imparidade passa por avaliar se existe
qualquer indicador de que uma perda por imparidade reconhecida em períodos anteriores
relativamente a um ativo, que não o goodwill, possa já não existir ou possa ter diminuído, de
reforçar que a imparidade do goodwill nunca pode ser revertida.
Na reversão da perda por impairment o valor escriturado do ativo deverá ser aumentado, sem
exceder o valor contabilístico que existiria caso a perda por impairment nunca tivesse sido
reconhecida.
Segundo Correia (2009), esta norma caracteriza-se por uma complexidade implícita
relativamente à elaboração dos testes de imparidades, pois envolve necessariamente a
elaboração de um conjunto de estimativas indispensáveis para o cálculo da quantia recuperável,
nomeadamente no que se refere ao cálculo do valor de uso. Para o conjunto de ativos, que não
sejam independentes (UGC) e que gerem fluxos de caixa, a norma prevê a elaboração de um só
teste aplicável a esse conjunto.
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A mensuração da quantia recuperável, para efeitos de reversão tem como limitar máximo o
custo do ativo líquido de depreciações acumuladas, sendo o reconhecimento desse valor levado
a resultados. Porém, se a quantia mensurada passar o limitar acima exposto, saímos do conceito
de reversão de imparidade e entramos no conceito de revalorização de um ativo. Uma reversão
de uma perda por imparidade num ativo revalorizado é creditada diretamente ao capital próprio
sob o título excedentes de revalorização.
Ora, uma reversão de uma perda por imparidade de uma UGC deve ser imputada aos ativos da
unidade, exceto ao goodwill, numa base pro rata em relação às quantias escrituradas.
O aumento da quantia escriturada de uma UGC deve ser tratado como reversão de perda por
imparidade de um ativo individual, tendo como principal e importante diferença que esta
reversão apenas deve ser limitada aos ativos identificáveis da UGC e não a todos, na exata
medida que uma UGC pode conter goodwill, e este não pode ser revertido.
A divulgação que uma entidade faz é de vital importância para um grande conjunto de
interessados. Os utilizadores da informação financeira, com especial relevância para os
investidores. O relato financeiro das empresas e uma correta divulgação do mesmo, assente em
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critérios perfeitamente definidos, estão na base de uma informação que se quer o mais fiável
possível, com vista a auxiliar a tomada de decisão.
Além disso, a entidade deve divulgar informações detalhadas sobre as estimativas usadas para
mensurar os valores recuperáveis de unidades geradoras de caixa contendo goodwill.
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5. Conclusão
Ao longo deste artigo, foi possível entender o que é ativo intangível e a importância
representada por eles atualmente. A necessidade de avaliá-los é óbvia, porém, complexa e
subjetiva. Apesar de ser difícil de mensurar, é importante que os empresários se lembrem que
os ativos intangíveis podem trazer benefícios imensos para a instituição, seja através da criação
de renda ou da redução de gastos, otimizando o caixa da empresa.
Em respeito sobre amortizações, pode-se chegar a idéia de que, para efetuar certas operações
financeiras, precisa-se de técnicas mais práticas e objetivas.
Com o auxilio do método utilizado na elaboração de planilhas para sistemas de mortização com
ou sem carência, encontradas nos livros de Matemática Financeira atuais, pode-se, então, chegar
a dedução das formulas matemáticas para os sistemas de amortização com carência.
Aproveitou-se, também, para que fosse introduzida a capitalização dos juros sobre o valor do
empréstimo, e assim, deduzir, também, as formulas matematicas com essa operação financeira.
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6. Referências Bibliográficas
ARVALHO, Thales Melo de. Matemática Comercial e Financeira. São Paulo: Fename. 1980.
MATHIAS, Washington Franco; GOMES, Jose Maria. Matemática Financeira. 2. ed. São
Paulo: Atlas. 1993.