Integração Urbana em Shoppings Centers
Integração Urbana em Shoppings Centers
ROMPENDO BARREIRAS
SHOPPING DA ILHA DO GOVERNADOR
Romper a barreira que existe entre To break the barrier that exists bet-
o shopping e o seu entorno permite ween the mall and its surrounding
uma relação mais clara de todos os allows a clearer relation of all pro-
processos que envolvem o shopping cesses that involves the shopping
center, proporcionando uma conexão mall. This breakage would provide a
com os processos urbanos e a urba- connection among the urban proces-
nização das cidades. ses and the cities urbanization.
Vitor Gruen
SU M ÁRIO 4.1 - Região Administrativa 20
1.1 - Contextualização 10
6.4 - TERRAÇO 60 - 79
18
introdução Com uma sociedade cada vez mais focada em inovação e buscan-
do estilos de vida mais sustentáveis, é imprescindível que se
1.2 - Justificativa
Pontos que incentivam propostas de retrofit de shopping cen-
ters mesclando o shopping fechado com o open mall, é a ideia de
viabilize alternativas em que os shoppings centers gerem mais propor espaços amplos de convívio social, seguros para o públi-
vivências e valor quanto as mais diversas modalidades de se co. Como vivemos em uma malha saturada por edifícios que cau-
Quando se pensa em espaço público, deve-se levar em considera-
prestar serviços, sendo necessário rever conceitos e métodos sam impactos ao seu redor, ampliar a conexão entre o shopping
1.1 - Contextualização para evitar que o setor se estagne.
ção também as conotações subjetivas. O espaço deve conectar
e o ambiente externo acarreta em uma mudança nas relações do
lugares e pessoas de todos os tipos em qualquer momento. O es-
tecido urbano.
Os Shopping Centers, assim como as galerias e edifícios comer- paço público, é aquele que facilita a troca mais heterogênea em
Diante disso, manifesta-se a importância de se realizar questio-
ciais, são centros multifuncionais de serviços e entretenimento, tempo, espaço, gênero etc.
namentos que atendam tanto a necessidade do usuário quanto Quando se pensa em shoppings centers percebe-se que são tra-
dos quais são responsáveis por atender as premências de seus
a do empreendedor. Mesclar os conceitos de Open Mall e mo- tados apenas como um espaço de transitoriedade e de generali-
usuários. Essas características do espaço público não são apenas encon-
delos convencionais é uma abordagem que visa oferecer à po- dade, onde o consumo é essencial para a estabilidade. É preciso
tradas nas ruas e praças das cidades, entende-se que empreendi-
pulação um espaço mais atrativo contemplando a interação do repensar esse modelo vigente, e parte do papel dos arquitetos
Porém, os Shopping Centers, geralmente são projetados consi- mento privado também pode assumir esse papel de conexão urba-
ambiente externo com a arquitetura já existente do local. A compreenderem o shopping como um espaço de uso público, que
derando formatos arquitetônicos que buscam atender exclusi- na. O Shopping Center é um desses casos e não deve ser pensado
interação entre esses dois formatos permite uma relação mais gera interação entre pessoas, identificação e lazer. Assim, mor-
vamente a demanda comercial. Em sua maioria, são caracteriza- apenas como um aglomerado de lojas, fast-food e cinemas, pois
clara de todos os processos que envolvem o shopping center, fologicamente ele assumirá essa identidade para o seu entorno,
dos por ambientes fechados e planejados com a finalidade de passaremos a enxergá-lo como um não-lugar, como afirmava Marc
proporcionando uma conexão com os processos urbanos e a ur- transformando os shoppings em lugares de fato.
assegurar determinada alienação ao usuário afim de estimular o Augé, que usava esse termo para lugares transitórios e que não
banização das cidades.
consumo, criando dois universos distintos: o ambiente urbano e possuíam Significados suficientes para serem definidos como lu-
o que podemos chamar de ambiente comercial. gar. “A visão de que espaços públicos e esfera pública (como
“Agora estas ‘grandes superfícies’ nos proporcionam
conceito de Habermas) se sobrepõem não é necessaria-
o comércio dos produtos tradicionais, além da possi-
mente obrigatória, a esfera pública pode se desenvol-
bilidade de ócio, em todos os níveis, inclusive a ilusão
ver em espaços privados (é onde de fato ela surge, em
de pensar que estamos em ‘espaços urbanos’, em sua “As grandes concentrações urbanas atuais, dentro cafés, bares, etc.) e espaços virtuais (a internet com
acepção de espaços públicos privatizados” (CIUDADES, do contexto da economia de mercado, podem ser ti- seus fóruns e redes sociais, assim como no passado em
2007, p. 18) das como Metrópole Fragmentada descrita por Shane jornais, revistas, rádio e televisão). “O mero fato de
(2011), com extensões de solo que não constituem te- algo ser privado mais do que público, comercial mais do
O princípio é entender que os shoppings precisam do seu entor- cido urbano, mas sim, puramente, adensamentos cons- que cívico, suburbano mais do que urbano, não deter-
no e o entorno necessita do shopping. Ao olhar para o shopping truídos, estruturados basicamente pelo sistema viário mina sua qualidade como lugar e não afeta, per se, seu
como um empreendimento privado de uso público, passamos a en- e caracterizadas por baixas densidades, fragmentação potencial papel como um componente do domínio públi-
tender as necessidades de integração com seu entorno. Deve-se do tecido, carência de equipamentos e espaços públi- co.” (CARMONA, 2010, Public Places, Urban Spaces)
garantir que as interferências projetuais em sua edificação le- cos. Nesse contexto, os lugares privados adquirem
vem em consideração uma visão mais ampla do empreendimento e caráter público, pois oferecem urbanidade em configu-
que assim haja uma sinergia entre o que todos desejam. É impor- ração diversa (e dispersa) da que ocorria na vida tra-
dicional, ou, conforme pré Castello & Bortoli (2014)
tante compreender que o shopping necessita do seu entorno mo-
numa “rede de lugares”, que muitas vezes buscam “clo-
vimentado e que ele deve interagir com este para que faça parte
nar” qualidades encontradas nos lugares tradicionais
Fig1 - Shopping Sete Alagoas, somente corredores e lojas; do dia a dia daqueles que o compõem. “(BORTOLI, 2015, p. 01).
1.3- Objetivo TEÓRICO No Oriente Médio, com as tempestades de areia e ventos quen-
tes existentes, toda a vida cotidiana volta-se para o interior
Quando a população aumentou e começou a ultrapas-
sar as muralhas, a Acrópole adquire, então, um cará-
ter mais simbólico, com uma função puramente religio-
dos edifícios públicos e de habitações, através de pátios inter- sa, e o encontro de atividades muda-se para os locais
Desenvolver um projeto que permita romper a barreira existente de mercado, isto é, para a Ágora. (VARGAS, 2001
nos.
entre os Shopping Centers enclausurados e o tecido urbano, 2.1 - Comércio e o Lugar P.116)
permitindo mudanças na relação entre eles. Através de pesqui-
Quando se pensa em espaço público, deve-se levar em considera-
sas referentes a shopping e centros comerciais, observou-se a Esses bazares foram os grandes precursores do supermerca-
gar.
integração entre o público e privado, focando em como esta re- 2.1.1 - História dos espaços comerciais do moderno, mercado de pulgas e os shoppings centers. Estes,
lação afeta seu entorno. eram locais designados não só para o comércio, mas também para
O comércio surgiu na antiguidade através da necessidade da tro- o funcionamento como centros sociais, religiosos e financeiros
O bazar, por sua vez, é o coração da cidade islâmi- das cidades. Assim, se constituindo espaços econômicos, de la-
ca de produtos entre a população local. Esse movimento bilate-
ca, espaço público por excelência. Ainda conforme zer e distração social. (COLEMAN, 2017)
ral da época funcionava da seguinte forma: O dono de uma mer-
descreve Weiss, quando você entra num bazar, seus
cadoria precisava encontrar alguém que possuísse a mercadoria sentidos são assaltados por milhares de odores dos
que necessitava, na qualidade e quantidade desejada e que tam- mais variados condimentos, seus olhos perdem-se num
bém quisesse realizar a troca. Com a necessidade de encontros colorido infinito e sues ouvidos são preenchidos por
entre os dois interessados para a realização da transação, oca- um burburinho que se completa por sons das ofer-
sionou-se a atividade comercial e a busca de lugares propícios tas anunciadas em alto e bom tom. Você pode sentir
para as negociações e concretizações dessa prática. o gosto do pó na ponta da sua língua e até ser toca-
do pelos vendedores ávidos para fazer contato. Mas
Segundo Vargas (2001, p. 20) fica claro que a procura por bens quando mais avançar nesse labirinto, mas deixar-se-á
diversificados, e não só aqueles essenciais, torna-se cada vez levar pelo fluxo. Mais do que o estímulo sensorial,
os recém-chegados são intoxicados por essa atmosfe-
mais dependente de encontros.
ra única do bazar (VARGAS, 2001, p.109)
Fig. 14 - Prédio sem uso do entorno Fig. 15 - Prédio sem uso do entorno Fig. 16 - Lateral da entrada do shopping
Fig. 19 - Vista aérea da praça Fig. 20 - Campo de Futebol e área das crianças
o shopping Quando voltamos os olhos às questões comerciais do shopping,
esbarramos em impeditivos que estão alheios aos olhos dos usuá-
rios, mas que são imprescindíveis para a manutenção de um em-
preendimento desse porte. Um dos principais impeditivos é a sua
5.1 - Shopping da Ilha do Governador verticalidade e o objetivo atual de priorizar o máximo de lojas
possíveis, não sendo possível promover áreas de estar e lazer
como é solicitado.
Localizado na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de
Janeiro, o Ilha Plaza é o único shopping da região, benefician- Muitos desses problemas acontecem pela falta de cuidado com o
do, então, diretamente a população a sua volta. O shopping foi usuário e a percepção que ele possui do local. Tratar o shopping
inaugurado em 28 de abril de 1992 e passou por um retrofit em como apenas corredores que geram consumidores é um erro, vis-
2007, quando foi adquirido por uma das maiores empresas de to que o visitante ao se identificar com o lugar e se sentir bem
shoppings centers do Brasil. Apesar das mudanças de infraes- nele, cria uma fidelidade e assim, pode sentir que trata-se de um
trutura, pesquisas de NPS (método utilizado para que a empre- espaço público onde tenha interação social, lazer e diversidade.
sa conheça e entenda seu consumidor) demonstram que gran- É preciso avaliar os pontos que tornam deste shopping um es-
de parte dos moradores da Ilha continuam não frequentando o tabelecimento obsoleto frente às nuances de modernidade que
shopping, preferindo sair da Ilha do Governador para procurar revestem os grandes shoppings centers. Dito isso, repensar a
outros centros comerciais que atendam às suas necessidades. sua ligação com o seu entorno e romper barreiras para trazer de
Esses centros ficam a, pelo menos, 15 quilômetros a mais de dis- volta os moradores do seu entorno e que cada vez mais o sho-
tância da residência dos insulanos do que o shopping do bairro. pping seja pensado para contribuir com o seu entorno e ser um
Mas como entender o que buscam? Pesquisas realizadas nos úl- agente de transformação no contexto urbano.
timos anos com os frequentadores e trabalhadores do shopping,
indicam diversos pontos que explicam essa situação. Com base
nisso, pode-se observar um sentimento de rejeição quanto ao que
o empreendimento oferece. Entrevistados deixam clara sua insa-
tisfação frente aos espaços e serviços oferecidos e, por conse-
quência, buscam em concorrentes a infraestrutura que idealizam
para o shopping center da região.
Fig. 28 - Planta de demolir e construir com a alteração da Av. Maestro Paulo e Silva
rampa de docas.
Planta Baixa - L2
6.1.4 - INTERVENÇÃO L3
Rua Teodoro Braga
Além disso, o elevador se conecta ao mezanino que permite tam- Rua Teodoro Bra
bém no segundo andar da edificaçao a existência de um corredor
+5,8
ASSAÍ - ATACADISTA
ALAMEDA
LOJA 301 LOJA 302 LOJA 303 LOJA 304 LOJA 305 LOJA 306 LOJA 307
ASSAÍ - ATACADISTA
VISTA - ALAMEDA CORTE - ALAMEDA
TERRAÇO.
G2 – ESTAC.
G1 – ESTAC.
L3 - LOJAS
L2 - LOJAS
L1 - LOJAS
6.2 - A FACHADA
Fig. 46 - Fachada totalmente vedada para a rua. Fig. 47 - Rasgo na fachada desde a alameda.
Fig. 45 - Fachada.
Corte A.A
6.3 - TERRAÇO Linha de corte na Fig. xx
A proposta de transformar uma parte do terraço em uma espécie
de praça suspensa para a população é fundamental para rever
O terraço é um dos principais pontos para quebrar a barreira en- o olhar sobre o shopping e a sua importância e contribuição ur-
tre os ambientes, transformando o shopping para que seja cada bana. É necessário compreender que construir e proporcionar
vez mais voltado a pessoas e não só para o consumo desenfrea- alternativas de lazer e entretenimento faz parte do papel social
do. do shopping para o seu entorno e para a população da Ilha do
Governador.
O terraço atualmente é uma área árida descoberta que só possi- Quando tratamos esses espaços a céu aberto com potenciais pou-
bilita o estacionamento de veículos, porém, o espaço permanece co explorados como parte do shopping, passamos a entender
fechado em 90% dos dias ao longo do ano só sendo utilizado que as barreiras devem ser repensadas. Por que devemos pensar
em datas importantes do comércio (ex: Páscoa, Dia das Mães, em caixas? Porque não podemos romper elas e fazer com que os
Black Friday e Natal). Com a evidente queda de fluxo de carros usuários olhem ao shopping de outra forma, de fora para den-
utilizando este nível de estacionamento, é necessário repensar tro, por exemplo?
o modelo vigente, implantando uma intervenção no espaço subu-
tilizado.
Área Alimentação
Área Infantil
Área Estar/Cir.
Arquibancada
Pet Parque
Circulação
Fig. 51 - Setorização das programa no terraço.
Av. Maestro Paulo e Silva
Planta Baixa - G3
6.3.1 - PET PARQUE
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