0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações43 páginas

Integração Urbana em Shoppings Centers

O documento discute a necessidade de romper as barreiras entre os shoppings e seus entornos urbanos, enfatizando a importância da integração entre esses espaços. Propõe-se que os shoppings sejam vistos como empreendimentos de uso público que promovem interação social, identidade e lazer. A pesquisa sugere um novo modelo que mescla shoppings fechados com open malls, visando criar ambientes mais atrativos e conectados à vida urbana.

Enviado por

Jones Fabem
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações43 páginas

Integração Urbana em Shoppings Centers

O documento discute a necessidade de romper as barreiras entre os shoppings e seus entornos urbanos, enfatizando a importância da integração entre esses espaços. Propõe-se que os shoppings sejam vistos como empreendimentos de uso público que promovem interação social, identidade e lazer. A pesquisa sugere um novo modelo que mescla shoppings fechados com open malls, visando criar ambientes mais atrativos e conectados à vida urbana.

Enviado por

Jones Fabem
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ROMPENDO BARREIRAS

SHOPPING DA ILHA DO GOVERNADOR


LUIZA B. M. DUTRA E MELLO

ROMPENDO BARREIRAS
SHOPPING DA ILHA DO GOVERNADOR

Universidade Federal do Rio de Janeiro


Trabalho Final de Graduação
Orientador: Eduardo Horta
RE S U M O ABSTRACT

Os Shoppings necessitam do seu en- Malls depend on their surrounding


torno e o entorno necessita do Sho- and the surrounding depends on the
pping. É imprescindível entender o Mall. It is important to understand
shpping como um empreendimento pri- shopping malls as private enterpri-
vado de uso público, assim passamos ses of public use, so that the need
a entender as necessidades de inte- for integration between the internal
gração entre os ambientes internos e and external environments is clear,
os externos, ampliando essa conexão expanding this connection in order
a fim de gerar uma mudança nas rela- to generate change on the urban net
ções do tecido urbano. relationships.

Romper a barreira que existe entre To break the barrier that exists bet-
o shopping e o seu entorno permite ween the mall and its surrounding
uma relação mais clara de todos os allows a clearer relation of all pro-
processos que envolvem o shopping cesses that involves the shopping
center, proporcionando uma conexão mall. This breakage would provide a
com os processos urbanos e a urba- connection among the urban proces-
nização das cidades. ses and the cities urbanization.

É preciso repensar esse modelo vi- It is necessary to rethink the current


gente, e parte do papel dos arquite- model, and part of the architects
tos compreenderem o shopping como place is to understand the malls as
um espaço de uso público, que gera a space of public use, which genera-
interação entre pessoas, identifica- tes interaction between people, iden-
ção e lazer. tity and leisure.
“O shopping cerca a vida pública, é uma forma de experi-
mentar a [Link] seus caminhos, atenções, consumos
e espaço.”

Vitor Gruen
SU M ÁRIO 4.1 - Região Administrativa 20

4.2 - Ficha Técnica 20 - 21

1.1 - Contextualização 10

1.2 - Justificativa 11 5.1 - O Entorno 22 - 25


1.3 - Objetivo 12 5.2 - O Shopping 26 - 27

2.1 - Comércio e o Lugar 12 - 13 6.1 - Intervenção 28 - 31


2.1.1 - Conceituação e contexto histórico dos Shopping Centers 14 - 15 6.2 - A Alameda 32 - 53
2.1.2 - Contexto Histórico no Brasil 16 - 17 6.3 - Fachada 54 - 59

6.4 - TERRAÇO 60 - 79
18
introdução Com uma sociedade cada vez mais focada em inovação e buscan-
do estilos de vida mais sustentáveis, é imprescindível que se
1.2 - Justificativa
Pontos que incentivam propostas de retrofit de shopping cen-
ters mesclando o shopping fechado com o open mall, é a ideia de
viabilize alternativas em que os shoppings centers gerem mais propor espaços amplos de convívio social, seguros para o públi-
vivências e valor quanto as mais diversas modalidades de se co. Como vivemos em uma malha saturada por edifícios que cau-
Quando se pensa em espaço público, deve-se levar em considera-
prestar serviços, sendo necessário rever conceitos e métodos sam impactos ao seu redor, ampliar a conexão entre o shopping
1.1 - Contextualização para evitar que o setor se estagne.
ção também as conotações subjetivas. O espaço deve conectar
e o ambiente externo acarreta em uma mudança nas relações do
lugares e pessoas de todos os tipos em qualquer momento. O es-
tecido urbano.
Os Shopping Centers, assim como as galerias e edifícios comer- paço público, é aquele que facilita a troca mais heterogênea em
Diante disso, manifesta-se a importância de se realizar questio-
ciais, são centros multifuncionais de serviços e entretenimento, tempo, espaço, gênero etc.
namentos que atendam tanto a necessidade do usuário quanto Quando se pensa em shoppings centers percebe-se que são tra-
dos quais são responsáveis por atender as premências de seus
a do empreendedor. Mesclar os conceitos de Open Mall e mo- tados apenas como um espaço de transitoriedade e de generali-
usuários. Essas características do espaço público não são apenas encon-
delos convencionais é uma abordagem que visa oferecer à po- dade, onde o consumo é essencial para a estabilidade. É preciso
tradas nas ruas e praças das cidades, entende-se que empreendi-
pulação um espaço mais atrativo contemplando a interação do repensar esse modelo vigente, e parte do papel dos arquitetos
Porém, os Shopping Centers, geralmente são projetados consi- mento privado também pode assumir esse papel de conexão urba-
ambiente externo com a arquitetura já existente do local. A compreenderem o shopping como um espaço de uso público, que
derando formatos arquitetônicos que buscam atender exclusi- na. O Shopping Center é um desses casos e não deve ser pensado
interação entre esses dois formatos permite uma relação mais gera interação entre pessoas, identificação e lazer. Assim, mor-
vamente a demanda comercial. Em sua maioria, são caracteriza- apenas como um aglomerado de lojas, fast-food e cinemas, pois
clara de todos os processos que envolvem o shopping center, fologicamente ele assumirá essa identidade para o seu entorno,
dos por ambientes fechados e planejados com a finalidade de passaremos a enxergá-lo como um não-lugar, como afirmava Marc
proporcionando uma conexão com os processos urbanos e a ur- transformando os shoppings em lugares de fato.
assegurar determinada alienação ao usuário afim de estimular o Augé, que usava esse termo para lugares transitórios e que não
banização das cidades.
consumo, criando dois universos distintos: o ambiente urbano e possuíam Significados suficientes para serem definidos como lu-
o que podemos chamar de ambiente comercial. gar. “A visão de que espaços públicos e esfera pública (como
“Agora estas ‘grandes superfícies’ nos proporcionam
conceito de Habermas) se sobrepõem não é necessaria-
o comércio dos produtos tradicionais, além da possi-
mente obrigatória, a esfera pública pode se desenvol-
bilidade de ócio, em todos os níveis, inclusive a ilusão
ver em espaços privados (é onde de fato ela surge, em
de pensar que estamos em ‘espaços urbanos’, em sua “As grandes concentrações urbanas atuais, dentro cafés, bares, etc.) e espaços virtuais (a internet com
acepção de espaços públicos privatizados” (CIUDADES, do contexto da economia de mercado, podem ser ti- seus fóruns e redes sociais, assim como no passado em
2007, p. 18) das como Metrópole Fragmentada descrita por Shane jornais, revistas, rádio e televisão). “O mero fato de
(2011), com extensões de solo que não constituem te- algo ser privado mais do que público, comercial mais do
O princípio é entender que os shoppings precisam do seu entor- cido urbano, mas sim, puramente, adensamentos cons- que cívico, suburbano mais do que urbano, não deter-
no e o entorno necessita do shopping. Ao olhar para o shopping truídos, estruturados basicamente pelo sistema viário mina sua qualidade como lugar e não afeta, per se, seu
como um empreendimento privado de uso público, passamos a en- e caracterizadas por baixas densidades, fragmentação potencial papel como um componente do domínio públi-
tender as necessidades de integração com seu entorno. Deve-se do tecido, carência de equipamentos e espaços públi- co.” (CARMONA, 2010, Public Places, Urban Spaces)
garantir que as interferências projetuais em sua edificação le- cos. Nesse contexto, os lugares privados adquirem
vem em consideração uma visão mais ampla do empreendimento e caráter público, pois oferecem urbanidade em configu-
que assim haja uma sinergia entre o que todos desejam. É impor- ração diversa (e dispersa) da que ocorria na vida tra-
dicional, ou, conforme pré Castello & Bortoli (2014)
tante compreender que o shopping necessita do seu entorno mo-
numa “rede de lugares”, que muitas vezes buscam “clo-
vimentado e que ele deve interagir com este para que faça parte
nar” qualidades encontradas nos lugares tradicionais
Fig1 - Shopping Sete Alagoas, somente corredores e lojas; do dia a dia daqueles que o compõem. “(BORTOLI, 2015, p. 01).
1.3- Objetivo TEÓRICO No Oriente Médio, com as tempestades de areia e ventos quen-
tes existentes, toda a vida cotidiana volta-se para o interior
Quando a população aumentou e começou a ultrapas-
sar as muralhas, a Acrópole adquire, então, um cará-
ter mais simbólico, com uma função puramente religio-
dos edifícios públicos e de habitações, através de pátios inter- sa, e o encontro de atividades muda-se para os locais
Desenvolver um projeto que permita romper a barreira existente de mercado, isto é, para a Ágora. (VARGAS, 2001
nos.
entre os Shopping Centers enclausurados e o tecido urbano, 2.1 - Comércio e o Lugar P.116)
permitindo mudanças na relação entre eles. Através de pesqui-
Quando se pensa em espaço público, deve-se levar em considera-
sas referentes a shopping e centros comerciais, observou-se a Esses bazares foram os grandes precursores do supermerca-
gar.
integração entre o público e privado, focando em como esta re- 2.1.1 - História dos espaços comerciais do moderno, mercado de pulgas e os shoppings centers. Estes,
lação afeta seu entorno. eram locais designados não só para o comércio, mas também para
O comércio surgiu na antiguidade através da necessidade da tro- o funcionamento como centros sociais, religiosos e financeiros
O bazar, por sua vez, é o coração da cidade islâmi- das cidades. Assim, se constituindo espaços econômicos, de la-
ca de produtos entre a população local. Esse movimento bilate-
ca, espaço público por excelência. Ainda conforme zer e distração social. (COLEMAN, 2017)
ral da época funcionava da seguinte forma: O dono de uma mer-
descreve Weiss, quando você entra num bazar, seus
cadoria precisava encontrar alguém que possuísse a mercadoria sentidos são assaltados por milhares de odores dos
que necessitava, na qualidade e quantidade desejada e que tam- mais variados condimentos, seus olhos perdem-se num
bém quisesse realizar a troca. Com a necessidade de encontros colorido infinito e sues ouvidos são preenchidos por
entre os dois interessados para a realização da transação, oca- um burburinho que se completa por sons das ofer-
sionou-se a atividade comercial e a busca de lugares propícios tas anunciadas em alto e bom tom. Você pode sentir
para as negociações e concretizações dessa prática. o gosto do pó na ponta da sua língua e até ser toca-
do pelos vendedores ávidos para fazer contato. Mas
Segundo Vargas (2001, p. 20) fica claro que a procura por bens quando mais avançar nesse labirinto, mas deixar-se-á
diversificados, e não só aqueles essenciais, torna-se cada vez levar pelo fluxo. Mais do que o estímulo sensorial,
os recém-chegados são intoxicados por essa atmosfe-
mais dependente de encontros.
ra única do bazar (VARGAS, 2001, p.109)

[...] nos países da Ásia, especificamente em Istambul


o comércio evoluiu de pontos de encontros para os
conhecidos Bazzars. De acordo com Jean Sauvaget,
citado por Weiss, (estudioso francês do mundo orien- Na Idade Média, com a descoberta de povos e culturas diferen-
tal), depois da conquista islâmica, o povo começou a tes, surgiu os Burgos, graças as feiras comerciais que aconte-
instalar tendas ao acaso ao longo das principais vias
ciam no entorno dos domínios feudais, assim, surge o primeiro
até as calçadas, e com o aparecimento das colunatas
as tendas desapareceram completamente. Esses primei-
centro comercial do mundo, o Grand Bazar (Fig. 3) localizado na
ros sucks (tendas, lojas) não tinham nada em comum Turquia. A princípio era voltado para a venda de tecidos, mas se
com a rede de edifícios complexa de hoje. (VARGAS, tornou uma grande área comercial, com milhares de lojas, mes-
Fig2 - O Shopping e seus caminhos. 2001, P.112) quitas e cafés, que se localizam na encosta do Corno de Ouro.
Fig3 - Grand Bazar - Turquia
Sua ideia principal era oferecer à população um grande espa- Os shoppings criados por Vitor Gruen fizeram sucesso na atra-
2.1.2 Conceituação e contexto histórico ço de compras, com locais para alimentação, ar-condicionado e ção de clientes, e suas ideias arquitetônicas foram utilizadas
locais para pausas, instigando a interação entre pessoas. Além por outros arquitetos como modelo, o chamado efeito Gruen.
dos Shopping Centers
disso, Gruen acreditava que oferecendo uma infinidade de vagas “Os consumidores se movimentam em um circuito-fecha-
Ao longo dos anos, as atividades comerciais tiveram diversas de estacionamento as pessoas se moveriam aos subúrbios para do pelos corredores. No interior do edifício o indiví-
transformações, e os shopping são o resultado disso. São espa- passar o seu tempo. duo perde os referenciais de tempo/espaço - horas, se
é dia ou noite, onde exatamente estacionou seu veícu-
ços planejados para funcionar como um grande centro de com-
Gruen tinha a ideia de que os subúrbios não possuíam o que o so- lo, em que piso se encontra etc. Torna-se presa fácil
pras, administrados em sua maioria como condomínios com um
ciólogo Ray Oldenburg denomina de “terceiro lugar”. O primeiro para o bombardeio ininterrupto de estímulos lumino-
alto grau de controle, desde unidades de arrendamento até va- sos e sonoros. Perdido em corredores sucessivamen-
rejistas individuais, sendo equipamentos urbanos que se sobres- lugar é considerado a residência das pessoas; O segundo, os
te similares, a única referência de localização são as
saem na paisagem urbana, geralmente, devido a sua dimensão es- locais de trabalho; E por último, o terceiro lugar, denomina-se
próprias marcas expostas nas lojas, o que fecha o
pacial. (DAVID LITTLEFIELD, 2011) qualquer ambiente que possibilite a construção de relação com
ciclo-vicioso”. (autor desconhecido)
outras pessoas, a fim de se sentir conectado ao lugar. Gruen
Os Shopping Centers, como conhecemos hoje, surgiram nos Esta- acreditava que os shoppings centers ocupariam o espaço deste
dos Unidos surgiram nos anos 50, a partir de empreendimentos terceiro lugar, além da proposta de levar a densidade urbana
com características próprias de shopping, os chamados shopping para os subúrbios. Ao perceber o que se tornaram os shopping centers, Victor Gruen
Village. Estes edifícios apresentavam como principais caracterís- passa a negar publicamente sua invenção ao dizer que se torna-
“Gruen via os subúrbios como lugares sem alma, em
ticas as localizações próximas aos subúrbios planejados e a busca de um coração. Gruen era muito crítico quanto
ram “máquinas subliminares de venda”. O efeito gruen, deve ser
apresentação de grandes estacionamentos para os consumido- aos subúrbios, desde o primeiro momento, e, claro, pensado como seu idealizador, Victor Gruen, pensara em sua im-
res (SANTOS Jr.,1993 p.62 apud SILVA, 2012) seu remédio oferecido era o shopping.” (Jeff Hard- plementação no início: proporcionar um local onde as pessoas o
wick, biografia de Gruen) reconheçam como o seu terceiro lugar, com ligação afetiva e que
Um dos grandes responsáveis pelas transformações das ativi- se sinta conectado com as atividades. Porém, devemos compreen-
dades comerciais que vemos hoje se devem ao arquiteto austría- der que no cenário atual não há a necessidade de enclausurar
O arquiteto via no shopping a possibilidade de as pessoas deixa-
co Victor Gruen, que foi para os Estados Unidos na década de pessoas dentro de um ambiente que pouco lhe agradam a modo de
rem seus veículos, passearem pelos corredores, passarem o tem-
1940, durante a Segunda Guerra. Com origem judaica, Gruen fu- lazer, deve-se ter uma sinergia entre o shopping e seu entorno e
po com diversas pessoas e gerarem encontros dentro de espaços
gia de seu país devido a perseguição nazista. Inspirado em um pen- não somente aprisionar entre paredes aqueles que fazem sentido
com vegetação, lojas, alimentação e áreas de interação. Gruen
samento socialista e na memória das praças, cafés e comércio de sua composição. Fig. 4 - Forth Worth Plan. Victor Gruen Associates.
via como uma “panaceia arquitetônica”, a visão dele para o sho-
rua europeu, criou os primeiros shoppings centers. Ele acredita- .
pping era mais do que apenas lojas e comércio, mas sim um lugar
va que centros comerciais fechados seriam um meio à alienação e fechado de interações, onde o usuário não sentisse o tempo pas-
solidão do pós-guerra, onde as pessoas estariam dentro de am- sar, que esquecessem suas intenções iniciais e vissem neles uma
bientes fechados sem se atentarem aos acontecimentos externos. grande praça pública europeia fechada.
2.1.3 Contexto Histórico no Brasil
se espalharam pelas capitais do país, e mais tarde, ao interior de O primeiro grande shopping, voltado para as classes mais po-
A partir da Segunda Guerra Mundial, quando o desenvolvimento
São Paulo. A crise não afetou a expansão do setor, já que esses pulares foi construído na zona norte de São Paulo, em 1984,
foi intensificado nos Estados Unidos e Europa, a implementação
empreendimentos na época eram voltados somente para as clas- em um complexo com hipermercado e área de lazer. Esse período
desses empreendimentos começou a entrar em pauta no Brasil.
ses média-alta e alta. (GENEROSO, 2009) se caracteriza pela expansão desses empreendimentos, principal-
(SILVA, 2012)
mente em Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que até hoje
concentram o maior número de shopping no Brasil (SILVA, 2012).
As primeiras lojas varejistas de grandes dimensões juntamente
com as lojas de departamento começaram a surgir no Brasil no
Nos anos 2000, com as indústrias mais consolidadas, começou-
início do século XX. Nessas lojas havia uma grande quantidade
-se as renovações do setor. Levando em conta o conceito de com-
de produtos diversificados, mas não utilizavam técnicas de ven-
prar com lazer, surgem os parques temáticos, os jogos eletrô-
da em massa, como ocorria nas matrizes americanas. (PINTAUDI,
nicos, os cinemas e boliches. Os Shopping passam a não ser só
1996)
centros de compras, passam a ter áreas verdes, academias e até
universidades. (SANTOS, 2009).
Os primeiros shopping centers no Brasil seguindo o modelo Nor-
te Americano só surgiram na década de 60. Neste momento, o
Ao longo dos anos muita coisa mudou no que constituem os sho-
Brasil estava em um momento de desenvolvimento econômico, o
pping centers em termos funcionais e espaciais. As necessidades
que tornou interessante as instalações associadas a modernida-
do usuário se modificaram, seus hábitos, seus costumes, assim
de e ao desenvolvimento. (SANTOS, 2009)
como as apropriações dos espaços. O local somente com lojas
de departamento, áreas técnicas e estacionamento, não repre-
O Iguatemi (Fig. 6), foi o primeiro Shopping Center a ser construí-
sentam seu completo potencial. Os Shopping devem evoluir de
do no Brasil. Teve como principal objetivo atender a elite de São
acordo com as necessidades do seu entorno e dos usuários, com
Paulo, que possuía um grande potencial de consumo, e até por
as novas tecnologias e com a necessidade de cada vez mais se
consequência disso foi construído na Zona Sul paulista. Com a
quebrar barreiras, é imprescindível se pensar em uma forma dife-
inauguração do empreendimento, o Distrito Federal e o Paraná
rente de se ver o shopping.
tiveram shopping centers construídos também.
.
O desenvolvimento dos shoppings está diretamente ligado ao Fig. 6 - Shopping Iguatemi - Atualmente
crescimento populacional e econômico que passou a ser acelera-
Fig. 5 - Shopping Iguatemi - Inauguração
do na década de 60, contando ainda com um crescimento no se-
tor de serviços na década de 70. Já na década de 80, em meio a
uma crise econômica, o Brasil continua em um processo de expan-
são destes empreendimentos, que na primeira metade da década
3. Contexto Urbano e Shoppings ppings, os consumidores dos antigos centros urbanos passam a
atender suas necessidades de consumo em outros estabelecimen-
Os shoppings causam uma repercussão profunda sobre a geo-
tos que consideram mais confortáveis, seguros, com oferta de
grafia da cidade já que são também responsáveis pelo processo
estacionamento e acabam por concentrar suas atividades de con-
de descentralização das cidades. Quando instalados, possuem
sumo, contribuindo para o abandono das antigas áreas centrais,
importantes elementos transformadores do espaço urbano parti-
como é o caso do centro antigo de São Paulo.
cipando dos processos de centralização e descentralização das
cidades. (PINTAUDI, 1989 apud SILVA, 2012)

Antigamente definido como aglomerado de lojas, os shopping


centers hoje conceituam núcleos urbanos, e se tornam espaços
multifuncionais, com lazer entretenimento e convivência (BN-
DES,2007). As áreas centrais das cidades, tradicionalmente,
concentram os comércios da região, contando com um maior flu-
xo de pessoas, de veículos, de equipamentos urbanos e de ser-
viços. Porém, com o crescimento populacional, tornou-se essen-
cial a ocupação de novas áreas, já que o espaço urbano acaba se
tornando saturado, logo, criam-se centralidades. (SILVA, 2012)

De certa forma, os shoppings centers passam a ter um papel


estruturante nas cidades, já que é responsável pelo comércio
longe dos centros urbanos, e pela criação de novas centrali-
dades. Além disso, dinamizam o espaço do seu entorno, atuam
como agente polarizadores, atraindo novas e diferentes formas
de serviços e comércio, assim redirecionando os fluxos e polos
contribuindo para o processo de revitalização (CLEPS, 2005).
Em função de sua implantação, por exemplo, alteram-se os eixos
de circulação da cidade, que são reorientados e a infraestrutu-
ra urbana recebe melhorias.
Fig. 7 - Ligação entre os dois shopping de Campo Grande, criou-se
É importante pontuar, contudo, que todo processo de centrali- um corredor de crescimento urbano.
zação e descentralização colabora com a decadência e deterio-
ração das antigas áreas centrais. Com a implantação dos sho
ILHA DO GOVERNADOR Maior local de prova do DETRAN/RJ. Com
a maior pista de treinamento do Brasil com
capacidade de fazer 200 mil exames por
ano;
4.1 - Região Administrativa crescendo e ocupando um espaço na vida dos moradores da Ilha
do Governador. Há muitos bares e restaurantes de rua cada vez
com mais frequentadores e filas.
Para muitos cariocas a Ilha do Governador é tida como um bairro Estádio com capacidade para 4 mil torce-
do Rio de Janeiro, mas na realidade trata- -se de uma região admi- dores, recebe o campeonato carioca e o
nistrativa localizada na Zona Norte. A Ilha é composta pelos se- futebol feminino do Rio de Janeiro;
guintes bairros: Bancários, Cacuia, Cocotá, Freguesia, Galeão, 4.2 - Ficha Técnica A
Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portu- B
guesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá, Zumbi e Cidade Universi- POPULAÇÃO: 213.000 habitantes (IBGE) C Shopping da Ilha do Governador e recebe
tária. Segundo dados da pesquisa de Censo Demográfico 2010/ D entorno de 300 mil pessoas mensalmente;
IBGE, a região da Ilha do Governador possui 212.574 habitan- DOMICÍLIOS: 73.000 (IBGE)
tes, e conta com 72.561 domicílios.
RENDA FAMILIAR MÉDIA: R$ 6.948 (IBOPE) Mais de 20 mil funcionários diariamente
A Ilha do governador é muito importante para o dinamismo do dentro do aeroporto, 1,4 milhões de pas-
Rio de Janeiro já que conta com a maior faculdade federal do POTENCIAL DE CONSUMO ANO: R$ 5,6 Bilhões (IBGE) sageiros por mês (72% domésticos);
Brasil, que diariamente recebe 60 mil pessoas, e o Aeroporto In-
ternacional do Rio de Janeiro que é o maior da cidade e tem seus BAIRROS: 15 BAIRROS
principais voos. Além disso, o DETRAN-RJ utiliza a região para UFRJ: aproximadamente 60 mil pessoas en-
fazer as provas práticas de autoescola gerando um fluxo ainda POPULAÇÃO FLUTUANTE: UFRJ, SIEMENS, LORÉAL, GALEÃO, tre alunos, professores e funcionários;
maior para a região. O tradicional estádio da portuguesa ainda Parque Tecnológico e Empresas no Com-
recebe diversos jogos durante o campeonato carioca e brasilei- BR e AMBEV plexo: mais de 50 empresas de startups a
E
ro da série C. Todos esses fatores contribuem para que a Ilha do grandes cias, como GE, BR, Siemens, Am-
Governador seja uma região com grande variedade de pessoas. bev, L’Oreal, entre outras.

Essa região administrativa possui um comércio variado, desde as


tradicionais feirinhas do bairro da Cacuia e do Cocotá até as lo-
jas ao longo da Estrada do Galeão. Assim como a concentração
de supermercados pela região do Jardim Guanabara e as lojas
do Shopping Ilha Plaza. Além disso, como é possível ver em al- Fig. 9 - Mapa da Ilha do Governador
guns bairros do Rio de Janeiro, a gastronomia local vem

Fig. 8 - Mapa da Cidade do Rio de Janeiro


5.1 - O Entorno
Lotes vazios e ocupados irregularmente por estacionamentos de-
O entorno do shopping Ilha Plaza é bastante movimentado já que
veriam se tornar praças de modo a atrair pessoas e gerar encon-
existe uma grande variedade de comércio. Seja graças ao Assaí
tros. Além disso, o shopping é um dos grandes responsáveis por
colado ao shopping, que possui uma lotérica, ou pela feira in-
criar essa sensação de ser apenas um lugar de passagem, suas
formal localizada na passagem entre o shopping e o atacadista.
paredes que geram enclausuramento e grandes “muralhas” na
Além disso, Hortifruit, postos de gasolina e bares compõem o
paisagem urbana impedem a troca entre o shopping e o seu entor-
comércio da região.
no. Assim, é fundamental entender que a dinâmica do shopping
com o seu entorno e o entorno com o shopping só tem o objetivo
O transporte é bastante facilitado visto que logo em frente ao
de melhorar a malha urbana e a vida de quem frequente ambos.
shopping existe um ponto de ônibus com as principais linhas que
ligam a Ilha do Governador ao centro da cidade. Além disso, em
frente ao shopping fica o ponto final das vans que circulam por
toda Ilha. Este ponto deve ser tratado com bastante atenção
pois, apesar de facilitar a vida dos moradores, isso acarreta
um trânsito intenso e bloqueio de uma a das vias da avenida, se
transformando em um transtorno para todos.

Apesar de muitos moradores e trabalhadores frequentarem o


seu entorno, pelos serviços oferecidos no shopping e ao seu re-
dor, nota-se que não existem uma preocupação em criar ambientes
e áreas que permita a convivência e ser um local de encontros,
tornando-se apenas um local de passagem.

Ao lado do shopping consta um edifício que há anos não é usado


para nenhum tipo de atividade, funciona apenas um salão de be-
leza. Outros andares do edifício de 4 andares, tem janelas sem
vidros ou esquadrias gerando a sensação de abandono latente.
É imprescindível utilizar do espaço do lote para gerar integra-
ção entre o shopping e o seu entono.

Fig. 10 - Mapa da Ilha do Governador


Fig. 12 - Entorno imediato Fig. 13 - Foto da entrada do shopping Fig. 17 - Entrada do estacionamento Fig. 18 - Praça saída lateral do shopping

Fig. 14 - Prédio sem uso do entorno Fig. 15 - Prédio sem uso do entorno Fig. 16 - Lateral da entrada do shopping

Fig. 19 - Vista aérea da praça Fig. 20 - Campo de Futebol e área das crianças
o shopping Quando voltamos os olhos às questões comerciais do shopping,
esbarramos em impeditivos que estão alheios aos olhos dos usuá-
rios, mas que são imprescindíveis para a manutenção de um em-
preendimento desse porte. Um dos principais impeditivos é a sua
5.1 - Shopping da Ilha do Governador verticalidade e o objetivo atual de priorizar o máximo de lojas
possíveis, não sendo possível promover áreas de estar e lazer
como é solicitado.
Localizado na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de
Janeiro, o Ilha Plaza é o único shopping da região, benefician- Muitos desses problemas acontecem pela falta de cuidado com o
do, então, diretamente a população a sua volta. O shopping foi usuário e a percepção que ele possui do local. Tratar o shopping
inaugurado em 28 de abril de 1992 e passou por um retrofit em como apenas corredores que geram consumidores é um erro, vis-
2007, quando foi adquirido por uma das maiores empresas de to que o visitante ao se identificar com o lugar e se sentir bem
shoppings centers do Brasil. Apesar das mudanças de infraes- nele, cria uma fidelidade e assim, pode sentir que trata-se de um
trutura, pesquisas de NPS (método utilizado para que a empre- espaço público onde tenha interação social, lazer e diversidade.
sa conheça e entenda seu consumidor) demonstram que gran- É preciso avaliar os pontos que tornam deste shopping um es-
de parte dos moradores da Ilha continuam não frequentando o tabelecimento obsoleto frente às nuances de modernidade que
shopping, preferindo sair da Ilha do Governador para procurar revestem os grandes shoppings centers. Dito isso, repensar a
outros centros comerciais que atendam às suas necessidades. sua ligação com o seu entorno e romper barreiras para trazer de
Esses centros ficam a, pelo menos, 15 quilômetros a mais de dis- volta os moradores do seu entorno e que cada vez mais o sho-
tância da residência dos insulanos do que o shopping do bairro. pping seja pensado para contribuir com o seu entorno e ser um
Mas como entender o que buscam? Pesquisas realizadas nos úl- agente de transformação no contexto urbano.
timos anos com os frequentadores e trabalhadores do shopping,
indicam diversos pontos que explicam essa situação. Com base
nisso, pode-se observar um sentimento de rejeição quanto ao que
o empreendimento oferece. Entrevistados deixam clara sua insa-
tisfação frente aos espaços e serviços oferecidos e, por conse-
quência, buscam em concorrentes a infraestrutura que idealizam
para o shopping center da região.

Há uma preocupação acerca dos relatos obtidos na presente


pesquisa: como envolver o consumidor final nas mudanças pro-
postas? Como resgatar nele o sentimento de que este local pos-
sa ser o ambiente de entretenimento e lazer que o fará retornar
mais vezes?

Fig. 21 - O Shopping e seus serviços


QUEBRANDO BARREIRAS
6.1 - Intervenção
O edifício de estudo é um shopping que não se envolve arquite-
tônicamente com seu exterior. Suas paredes voltadas para den-
tro, criam “barreiras” imediatas que se exaltam na proposta do
edifício, causando a percepção de que poderia estar inserido em
qualquer lugar, que sua pespectiva e sentido no espaço seriam
exatamente iguais.

O enclausuramento que outrora fazia sentido em sua estrutura


e processo, hoje passa a ser desconforto no aspecto urbano
de lazer. Um ambiente privado de iluminações naturais e boa cir-
culação do ar, comprovam a antiquada proposta morfológica do
espaço, resultando tais barreiras concretas com o seu entorno.

É necessário perceber que essa barreira deve ser quebrada para


que o edifício se utilize e se beneficie das diversas áreas com
potencial de integração que compõem o espaço. Nota-se nas re-
lações de ambiente, que a entrada principal não possui nenhum
tipo de ligação com as laterais do prédio, logo, a edificação não
se aproveita das curvas de nível que levariam o fluxo de pesso-
as para uma grande área de lazer, integrando o ambiente comer-
cial com a área do entorno.

Ao analisar seu contexto exterior, conclui-se que para romper


as barreiras anteriormente citadas será necessário desmembrar
Fig. 22 - O Shopping e seu entorno Fig. 23 - Destaque do prédio em anexo e parte do shopping Fig. 24 - Demolição das partes em destaque.
parte da edificação lateral do shopping. Assim, nasce um corre-
para intervenção.
dor que conecta a entrada, a lateral do shopping e a parte de
trás do mesmo, como mostram as imagens a seguir.
6.1 - A Alameda

A criação de uma alameda externa integrando os espaços comer-


ciais com o entorno, possibilita termos uma visão mais ampla das
necessidades da malha urbana de ligação entre as áreas públi-
cas. Além de facilitar a movimentação dos usuários, o acesso ao
transporte público da região será beneficiado pela intervenção,
diminuindo a distância de um quarteirão a uma moderna passagem
através do shopping.

Fig. 26 - Alameda criada que permite a integração entre as


duas ruas do entorno.

Essa troca é necessária para que ambos andem lado a lado, o


ambiente urbano e as alterações relizadas no shopping center.
A sinergia entre esses dois fragmentos é fundamental para que a
malha urbana seja aperfeiçoada e melhorada para todos.

Fig. 25 - Entorno pós demolição do prédio em anexo e faixa


do shopping
Planta Baixa - L1
6.1.1 - INTERVENÇÕES INTERNAS 6.1.2 - INTERVENÇÃO L1
Rua Teodoro Braga
A solução que permite que o shopping se torne cada vez mais in- O primeiro impacto gerado pela alameda é na entrada de docas,
terativo em sua relação ao meio urbano e o empreendimento pri- que localizada na quina do shopping ela é removida para que a
vado para que se tornem cada vez mais mesclados, gera impactos área fique livre tanto para lojas quanto para alameda em ques-
internos no Shopping da Ilha do Governador ao remover tanto tão.
do prédio ao lado, quanto parte do shopping.
Como solução, a entrada de docas é alocada para o lado da
Os impactos são perceptíveis quando atingem grandes lojas do alameda, o que aumenta a área de docas no L1 e possibilita au-
ramo do varejo, como por exemplo, Ponto Frio e a livraria Sarai- mentar as lojas do mesmo. Como o shopping atualmente padece
va. Torna-se necessário então, estabelecer cenários de realoca- de áreas locáveis maiores do que 500m², a intervenção resulta
ção e reavaliação da circulação dos corredores internos. uma área que facilita a alocação de lojas no andar que possui
bastante vacância.
Quando se pensa na circulação do shopping deve-se levar em con-
sideração todas as áreas que englobam tal atividade econômica.
Assim, torna-se imprescindível encontrar uma forma de envolver
a alameda para torná-la um corredor como qualquer outro, tor-
nando-o parte do todo. Como forma de encontrar maneiras de
não influenciar no ABL (área bruta locável) total do shopping,
é importante que cada vez mais a circulação natural não seja
canalizada em uma entrada única ao shopping. A entrada, antes
tida como principal, se transforma em lojas direcionadas à parte
externa, dando lugar as novas entradas distribuídas pela ala-
meda de maneira orgânica. Isto posto, surgem perguntas cada
vez mais plausíveis: o que faz parte do shopping? O que é área
pública? Existe essa distinção?

Fig. 28 - Planta de demolir e construir com a alteração da Av. Maestro Paulo e Silva
rampa de docas.
Planta Baixa - L2

Rua Teodoro Braga


6.1.3 - INTERVENÇÃO L2

No L2, o impacto é sentido ao precisar alocar todas as lojas


voltadas para a alameda gerando novos corredores e acessos
aos usuários do shopping. Além disso, com a extinção da entrada
principal, permite que novas lojas estejam voltadas para fora,
criando um novo corredor externo de integração entre todos os
ambientes.

Fig. 30 - Planta das paredes a serem construidas com a in-


tervenção da alameda.

Fig. 30 - Planta das paredes a serem demolidas com a inter-


venção da alameda.

Av. Maestro Paulo e Silva


Planta Baixa - L3

6.1.4 - INTERVENÇÃO L3
Rua Teodoro Braga

A intervenção e solução são similares com o L2. A realocação de


lojas e novos corredores geram outros contatos com o edifício.
Além disso, a mudança do corredor para a fachada é fundamen-
tal para que a proposta de troca entre o externo e interno se
tornem mais evidentes.

Fig. 30 - Planta das paredes a serem construidas com a in-


tervenção da alameda.

Fig. 30 - Planta das paredes a serem demolidas com a inter-


venção da alameda.

Av. Maestro Paulo e Silva


A alameda é o ponto focal do projeto em questão, ela é a res- LOJA 201 LOJA 202 LOJA 203 LOJA 205 LOJA 206 LOJA 207
ponsável por gerar diferentes fluxos (Figx) tanto na malha ur-
bana, como para o shopping. Contidas nela, lojas voltadas para LOJA 208
a rua lembrando as galerias e o comércio de rua, atraem as pes-
soas tanto para seu uso como para adentrarem ao shopping.

A ideia de um shopping com livre acesso, e um local totalmente


aberto para permancer, facilita as trocas heterogênicas em um
espaço comercial mas sempre se remetendo ao uso público, me-

Av. Maestro Paulo e Silva


lhorando a relação de tempo, espaço e gênero.

A alameda é responsavel pela troca com mesas, cadeiras, área


de estar, restaurantes, bicicletário, etc, permitindo que além da +5,8
questão comercial, sua presença espacial seja uma soma para a
região. A troca com a praça da parte de trás do shopping atra-
vés de uma escada é um grande exemplo. +0,6

Além disso, o elevador se conecta ao mezanino que permite tam- Rua Teodoro Bra
bém no segundo andar da edificaçao a existência de um corredor

+5,8

ASSAÍ - ATACADISTA
ALAMEDA
LOJA 301 LOJA 302 LOJA 303 LOJA 304 LOJA 305 LOJA 306 LOJA 307

Av. Maestro Paulo e Silva


+5,8

Rua Teodoro Braga


+5,8

ASSAÍ - ATACADISTA
VISTA - ALAMEDA CORTE - ALAMEDA

TERRAÇO.

G2 – ESTAC.

G1 – ESTAC.

L3 - LOJAS

L2 - LOJAS

L1 - LOJAS
6.2 - A FACHADA

A fachada é a grande interface de conexão entre os cidadãos.


A fachada do shopping da Ilha é um dos grandes responsáveis
pelo distanciamento entre o contexto urbano e do interior do
shopping center. Como mostra o esquema a seguir, a estrutura
da fachada faz com que a perspectiva vista da rua para o inte-
rior do edifício seja mínima. Percebe-se neste contexto, um sen-
timento de distanciamento entre os dois espaços.

Com o objetivo de cada vez mais mesclar e estimular de diversas


formas a interação entre os lados opostos, é imprescindivel
também quebrar essa barreira.

Com as lojas se confundindo com a fachada, e o estacionamen-


to, dando bastante ênfase na luz natural penetrando os espa-
ços voltado para a rua, tanto as pessoas de dentro do esta-
belecimento têm a sensação de conexão com o que acontece do
lado de fora, como as pessoas do lado de fora compreendem a
funcionalidade do espaço desenvolvido através da visibilidade
para o interior.

Fig. 46 - Fachada totalmente vedada para a rua. Fig. 47 - Rasgo na fachada desde a alameda.
Fig. 45 - Fachada.
Corte A.A
6.3 - TERRAÇO Linha de corte na Fig. xx
A proposta de transformar uma parte do terraço em uma espécie
de praça suspensa para a população é fundamental para rever
O terraço é um dos principais pontos para quebrar a barreira en- o olhar sobre o shopping e a sua importância e contribuição ur-
tre os ambientes, transformando o shopping para que seja cada bana. É necessário compreender que construir e proporcionar
vez mais voltado a pessoas e não só para o consumo desenfrea- alternativas de lazer e entretenimento faz parte do papel social
do. do shopping para o seu entorno e para a população da Ilha do
Governador.
O terraço atualmente é uma área árida descoberta que só possi- Quando tratamos esses espaços a céu aberto com potenciais pou-
bilita o estacionamento de veículos, porém, o espaço permanece co explorados como parte do shopping, passamos a entender
fechado em 90% dos dias ao longo do ano só sendo utilizado que as barreiras devem ser repensadas. Por que devemos pensar
em datas importantes do comércio (ex: Páscoa, Dia das Mães, em caixas? Porque não podemos romper elas e fazer com que os
Black Friday e Natal). Com a evidente queda de fluxo de carros usuários olhem ao shopping de outra forma, de fora para den-
utilizando este nível de estacionamento, é necessário repensar tro, por exemplo?
o modelo vigente, implantando uma intervenção no espaço subu-
tilizado.

Fig. 50 - Corte que representa o acesso ao terraço pela


Fig. 48 - Foto do G3 atualmente. Fig. 49 - Planta baixa do G3 com a zona a ser restrutura- circulação vertical já existente
da.
Rua Teodoro Braga

Área Alimentação

Área Infantil
Área Estar/Cir.
Arquibancada
Pet Parque
Circulação
Fig. 51 - Setorização das programa no terraço.
Av. Maestro Paulo e Silva
Planta Baixa - G3
6.3.1 - PET PARQUE

Cada vez mais os shoppings tentam se associar ao termo “pet


friendly” para mostrar que seus animais de estimação são bem-
-vindos para os momentos de lazer dentro do ambiente. Com isso,
é necessário que a proposta não fique apenas no nome, criando
espaços que facilitem a vinda dos animais para diversas áreas do
empreendimento.

Fig. 53 - Planta Baixa - Pet Parque


6.3.2 - ÁREA DE PERMANÊNCIA

A população da Ilha do Governador sente falta de áreas para


relaxar e permanecer. Com quatro eventos anuais denominados
“Ilha Sunset”, o shopping é beneficiado com um dos pôr-dos-sóis
mais bonitos da Ilha do Governador. Logo, a intervenção no ter-
raço em um espaço de contemplação e interação se torna impres-
cindível ser aproveitado.

Fig. 54 - Planta baixa- Área de Permanência.


6.3.5 - ÁREA DE CONVIVÊNCIA

Cada vez mais a gastronomia é a responsável por momentos espe-


ciais entre as pessoas, uma área ao ar livre com mesas, cadeiras
e quiosques para jantares e piqueniques, é indispensável para
tornar esse espaço cada vez mais atrativo.

Fig. 58 - Planta Baixa - Área de Convivência.


6.3.2 - ÁREA INFANTIL

Áreas infantis abertas e com diferentes formas de interação são


necessárias para a atração e encantamento das crianças. O sho-
pping é lazer e entretenimento para elas, seja nas lojas de vídeo
game como em áreas ao ar livre.

Fig. 62 - Planta baixa- Área Infantil


CONCLUSÃO
Percebe-se a importância de rever conceitos na arquitetura com
o passar dos anos, atualmente é possivel perceber que a tipo-
logia dos shopping completamente fechados atravessam uma in-
flexão por conta de diversos fatores, gerando questionamentos
sobre sua configuração. (Ecossistema Urbano, 2017).

A necessidade de novos programas é uma tentativa de se chegar


cada vez mais perto de um espaço público, atraindo diferentes
composições aos usuários. Quando se altera um shopping criam-
-se elementos que levam em consideração seu contexto, sua cul-
tura e seu entorno, tornando cada vez mais real a aproximação
ao seu usuário.

Como é o caso da alameda, que afasta a obsolescência do obje-


to em questão, trazendo uma nova relação do tecido urbano ao
conectar-se com atividades e espaços, inserindo-o a uma sinergia
entre os espaços através de sua reconfiguração.

A criação de terraços, áreas de convivência ao céu aberto, área


infantil e pet parques em locais antes obsoletos gera uma nova
forma de experimentar o shopping.

Assim, mudanças como a fachada, e a própria alameda mudam


as pespectivas, transformando a antiga sensação de monótomo
e cansativo. O paisagismo e os ambientes com contato direto a
meios de natureza, passam a ter mais relevância no projeto, ge-
rando conforto e bem-estar, tornando-o cada vez mais a proprie-
dade privada em um espaço público.
BIBLIOGRAFIA Disponívem em <[Link]

Disponível em <[Link]
ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers. Site institucional. Disponivel em: < [Link]>
Disponível em <[Link]
AGUIAR, Douglas. Permeabilidade Urbana: A urbanização do país. Drops, São Paulo, 2014.
Disponível em <[Link]
Araújo, G. de A. F. Continuidade e Descontinuidade no Contexto de Globalização: Um estudo de feiras em Portugal e no Brasil. UFBA,
Bahia, 2011. Disponívem em <[Link]
BEDDIGNTON, Nadine. Shopping Centers Retail Development, Design and Management. Cambriedge: Butterworth Architecture. Univer- Disponívem em <[Link]
sity Press, 1991
Disponívem em <[Link]
HARDWICK, M. Jeffrey. Mall Maker: Victor Gruen, Architect of an American Dream
GENEROSO. E. Shopping center: espaço de sociabilidade, espaço de contradições. Montevideo, 2019
KOOLHAAS, Rem. Havard Design School Guide to Shopping.
GRUEN, Victor; SMITH, Larry. Shopping Towns USA: The Planning Of Shopping Centers, Nova York, 1967.
Disponível em <[Link]
-villagemall> HIRSCHFELDT, R.V.; Shopping Center: O tempo de Consumo. Rio de JANEIRO: Editora ABRASCE, 1986.
Disponível em <[Link] IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: < [Link]
Disponível em <[Link] LITTLEFIELD. David. Manual do Arquiteto: Planejamento, dimensionamento e projeto. Porto Alegre, 2011.
Disponível em < [Link] NETO, Augusto França; NARDELLI. Eduardo Sampaio. Edfícios Multiuso e Open Malls: Soluções para metrópoles contemporâneas. São
Paulo, 2019.
Disponível em <[Link]
PINTAUDI, S.M.; FRÚGOLI JR. H. Shopping Centers: espaço, cultura e modernidade nas cidades brasileiras.
Disponível em <[Link]
SANTOS. M. A Urbanização Brasileira. USP – SP, 2009.
Disponível em <[Link]
SILVA. R. R. Centros Comerciais e Shopping Centers: Transformações no Espaço Urbano de Uberlândia. UFU – MG, 2012.
Disponívem em <[Link]
VARGAS, Heliana Comin. Espaço terciário: o lugar, a arquitetura e a imagem do comércio. SENAC – SP, 2001
Disponívem em <[Link]

Você também pode gostar