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Entenda a LGPD: Proteção de Dados no Brasil

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), aprovada em 2018, estabelece regras para o uso e proteção de dados pessoais, garantindo direitos aos usuários e impondo obrigações às empresas. A lei visa aumentar a segurança e a transparência no tratamento de informações, exigindo consentimento expresso para o uso de dados e criando a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para fiscalizar sua aplicação. Com a LGPD, os consumidores ganham direitos sobre seus dados, incluindo acesso, correção e exclusão, enquanto as empresas devem se adaptar às novas exigências para evitar penalidades.

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Entenda a LGPD: Proteção de Dados no Brasil

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), aprovada em 2018, estabelece regras para o uso e proteção de dados pessoais, garantindo direitos aos usuários e impondo obrigações às empresas. A lei visa aumentar a segurança e a transparência no tratamento de informações, exigindo consentimento expresso para o uso de dados e criando a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para fiscalizar sua aplicação. Com a LGPD, os consumidores ganham direitos sobre seus dados, incluindo acesso, correção e exclusão, enquanto as empresas devem se adaptar às novas exigências para evitar penalidades.

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Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

(LGPD)

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é uma norma


federal aprovada em 2018. Ela estabelece regras para o
uso, coleta, armazenamento e compartilhamento de dados
dos usuários por empresas públicas e privadas. O principal
objetivo é garantir mais segurança, privacidade e
transparência no uso de informações pessoais. Com a
nova legislação, o usuário terá o direito de consultar
gratuitamente quais dos seus dados as empresas têm,
como armazenam e até pedir a retirada deles do sistema.
• Esses dados podem ser números de documentos como
RG, CPF, PIS, endereço, ou aqueles considerados pela
LGPD como mais “sensíveis” — por exemplo: origem
racial ou étnica, filiação à organizações políticas ou
religiosas, informações genéticas e de biometria ou de
orientação sexual. Vale lembrar que essas características
são coletadas de diversas maneiras hoje em dia.
• É o caso dos apps de celulares que pedem acesso às
informações de usuários e os formulários preenchidos em
sites de empresas para receber newsletters ou ofertas.
Isso também acontece ao participar de promoções em
redes sociais, e até ao preencher cupons de promoção
no supermercado.
Porque a LGPD foi criada?

• O aumento dos casos de vazamento de dados nos


últimos anos fez com que governos, empresas e
sociedade se preocupassem em criar mecanismos para
evitar a invasão de privacidade. Outro fator relevante é a
perda financeira causada por ataques cibernéticos. No
Brasil, a perda foi de R$ 80 bilhões de reais, em 2019,
como informa o levantamento mais recente da União
Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em
inglês), órgão da Organização das Nações Unidas
(ONU).
• A LGPD foi inspirada no Regulamento Geral de Proteção
de Dados da União Europeia (GDPR, na sigla em inglês),
criado em 2018, que trata da segurança de informação
dos cidadãos europeus. No Brasil, até o momento, não
havia legislação específica sobre o assunto, apenas
disposições gerais no Código Civil, Código de Defesa do
Consumidor, na Lei de Acesso à informação e no Marco
Civil da Internet. Por isso, a expectativa é que a nova lei
resolva os impasses sobre o uso e a proteção de dados
dos cidadãos e consumidores brasileiros.
O que muda para as empresas?
• Todas as empresas, sejam PMEs (Pequenas e Médias
Empresas) ou de grande porte, terão que atender às
exigências da LGPD. Um das mudanças mais
importantes é que a nova lei prevê o consentimento
expresso dos clientes para o uso das informações. Isso
significa que as companhias precisarão deixar claro para
quê as informações serão usadas. Normalmente, os
formulários nas páginas de Internet e avisos eletrônicos
de empresas públicas e privadas perguntam sobre o
consentimento dos usuários. A diferença neste quesito é
que agora os termos deverão ser mais transparentes.
• Por exemplo, se um indivíduo contrata um serviço de
qualquer natureza e precisa fornecer informações
pessoais para obtê-lo, será obrigatório justificar a
necessidade disso. Fica vetado o uso dos dados para
outras finalidades que não sejam as que foram acordadas
e o armazenamento de informações das quais as
empresas não possa comprovar a necessidade. A LGPD
garante aos clientes o direito de responsabilizar as
empresas caso seus dados sejam roubados por terceiros.
Quem descumprir a lei pode ser multado em R$ 50
milhões por infração ou em até 2% do faturamento.
• Vale ressaltar que as novas medidas englobam
documentos em formato digital e também no papel. A
fiscalização das normas será feira pela Autoridade
Nacional de Proteção de Dados (ANPD), um órgão
federal criado em 2019. É importante destacar também
que a LGPD não se aplica em alguns casos, como, por
exemplo, empresas jornalísticas e artísticas, de
segurança pública, do Estado e de investigação e
repressão de infrações penais.
• Esse poder dado ao consumidor vai exigir uma série de
adaptações para as empresas. Isso porque elas
precisarão atender as demandas desses consumidores.
Com isso, deverão adaptar seus sites, criando áreas
dedicadas ao cumprimento de solicitações dos titulares
dos dados, e mudar seus processos internos de coleta e
tratamento, além de reforçar a segurança contra ataques
cibernéticos que podem resultar no vazamento de
informações.
• Hoje, muitas empresas se utilizam do big data – a análise
e interpretação de grande volumes de dados – para
moldar seus produtos e serviços. É o que fazem os
varejistas que atuam na internet, por exemplo. Eles
coletam dados sobre o consumo dos clientes e
navegação dos clientes nos e-commerces para
determinar o que colocar em destaque e quais itens
devem ter descontos, por exemplo. E os algoritmos são
os responsáveis por essas interpretações.
O que as empresas devem fazer para se
adaptar?
• A nova LGPD estava prevista para entrar em vigor no
mês de agosto deste ano. Contudo, foi adiada para maio
de 2021, após o Governo editar a Medida Provisória (MP)
nº 959 que trata da operacionalização do pagamento do
Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da
Renda, e adiamento da Lei nº 13.709, que estipula a
LGPD. Dessa forma, as instituições terão até o ano que
vem para se adaptar. Uma pesquisa realizada pela
consultoria de riscos ICTS Protiviti, no final de 2019,
apontou que 84% das empresas não estão preparadas
para a implementação das novas regras.
• Para se adequar à LGPD, será necessário mudar a
cultura no que diz respeito à gestão dos arquivos,
contratação de especialistas e investimento em
segurança da informação. Entre as exigências da LGPD
está a criação do cargo de DPO (sigla em inglês para
Data Protection Officer), um profissional que deve ficar
inteiramente responsável pela segurança dos dados (de
funcionários, indivíduos de fora da organização ou
ambos).
• A lei não especifica a formação, porém deve ser alguém
com conhecimentos em leis e na área de TI. Uma das
atribuições desse profissional será prestar contas à
ANPD com o envio de relatórios sobre os impactos da
proteção dos dados.
• É recomendável que a empresa faça um mapeamento e
documentação dos dados que já possui e classifique
essas informações. É importante, por exemplo, verificar
se estão armazenados de maneira segura, se foram
coletadas mediante consentimento e para qual finalidade.
Além disso, aos funcionários que lidam com dados de
pessoas e clientes devem assegurar o sigilo das
informações seguindo boas práticas de segurança da
informação.
A LGPD aumenta demanda por profissionais
de TI?

• Os profissionais de TI representam uma peça-chave no


processo de adequação das empresas à LGPD porque
são eles que, geralmente, já cuidam dos dados
armazenados na nuvem ou em servidores das empresas.
Também são os responsáveis por monitorar riscos de
ataques virtuais e por tornar eficiente todas as operações
de tecnologia. De acordo com a LGPD, obrigatoriamente,
todos os dados terão de ser criptografados para que, em
caso de vazamento, não possam ser lidos por terceiros.
Direitos do titular: donos dos dados
• Um dos objetivos do projeto aprovado pelo Senado é
fazer com que os consumidores se sintam “donos” de
seus dados – ou seja: aumentar o empoderamento do
consumidor em relação aos seus próprios dados e o que
as empresas farão com eles.

• Com essa medida, o consumidor passa a ganhar alguns


direitos, como perguntar às empresas quais dados elas
armazenam, acessar esses dados ou até exigir que
informações sejam apagadas se obtidas em
desconformidade com a LGPD.
• Os donos dos dados ainda podem pedir a portabilidade
de suas informações para outro fornecedor. Este
movimento é similar ao que pode ser feito entre
empresas de telefonia e permite ao titular não só
requisitar uma cópia de todos os seus dados, mas
também que eles sejam fornecidos em um formato
interoperável, que facilite a transferência para outros
serviços, mesmo que para concorrentes.
• Com a implantação da lei, a tendência é que haja maior
investimento em soluções como VPN e dispositivos de
firewall — ou outras opções de conexão e
armazenamento seguro —, que já são utilizados por
muitas empresas e que são administrados pela equipe de
TI. Outra atribuição dessa área que será essencial para
os gestores é o conhecimento em boas práticas de
segurança e de processamento de dados confidenciais.
• Uma dica para quem está nesse mercado é buscar
cursos de atualização e certificações.
Quem vai fiscalizar?

• A fiscalização e a regulação da LGPD ficarão a cargo da


Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais
(ANPD). Este é o órgão que vai definir punições em caso
de descumprimento da lei.

• A ANPD também terá uma função educativa, para


orientar a sociedade sobre as novas normas e mediar
conflitos entre empresas e clientes.

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