Programa
Eleitoral 2025
PARTE I
MAIS QUE PROMESSAS:
RESULTADOS
PARTE II
PROGRAMA SOCIAL
E DE GOVERNAÇÃO
DA AD - COLIGAÇÃO PSD/CDS
PARTE III
PROGRAMA ECONÓMICO
DA AD - COLIGAÇÃO PSD/CDS
PARTE I
MAIS QUE
PROMESSAS:
RESULTADOS
Índice
SUMÁRIO EXECUTIVO 8
PARTE I: MAIS QUE PROMESSAS: RESULTADOS 22
PARTE II: PROGRAMA SOCIAL E DE GOVERNAÇÃO 71
COM AMBIÇÃO 72
QUALIFICAÇÃO 72
Educação e Formação 72
1. Porque é preciso continuar 72
2. Metas 73
3. Medidas 74
Ciência, Ensino Superior e Inovação 77
1. Porque é preciso continuar 77
2. Metas 79
3. Medidas 80
Cultura 85
1. Porque é preciso continuar 85
2. Metas 85
3. Medidas 86
SUSTENTABILIDADE 89
Ambiente, Água, Ação Climática e Proteção Animal
e dos Ecossistemas 89
1. Porque é preciso continuar 89
2. Metas 91
3. Medidas 92
4
Agricultura, Florestas e Alimentação 98
1. Porque é preciso continuar 98
2. Metas 99
3. Medidas 101
Mar e Pescas 106
1. Porque é preciso continuar 106
2. Metas 107
3. Medidas 108
Cidades, Comunidades e Coesão Territorial 110
1. Porque é preciso continuar 110
2. Metas 111
3. Medidas 112
COM SENSIBILIDADE SOCIAL 114
Saúde 114
1. Porque é preciso continuar 114
2. Metas 119
3. Medidas 121
Habitação 126
1. Porque é preciso continuar 126
2. Metas 130
Trabalho 132
1. Porque é preciso continuar 132
2. Metas 134
3. Medidas 134
Migrações 136
1. Porque é preciso continuar 136
2. Metas 140
3. Medidas 140
5
Políticas Sociais, Segurança Social, Natalidade,
Longevidade e Bem-estar 143
1. Porque é preciso continuar 143
2. Metas 145
3. Medidas 146
Diversidade, Inclusão e Igualdade entre Mulheres e Homens 151
1. Porque é preciso continuar 151
2. Metas 152
3. Medidas 153
Desporto e Atividade Física 157
1. Porque é preciso continuar 157
2. Metas 157
3. Medidas 158
COM SENTIDO DE ESTADO 160
Transparência e Combate à Corrupção 160
1. Porque é preciso continuar 160
2. Metas 160
3. Medidas 161
Sistema Político e Eleitoral 163
1. Porque é preciso continuar 163
2. Metas 164
3. Medidas 164
Comunicação Social e Combate à Desinformação 165
1. Porque é preciso continuar 165
2. Metas 166
3. Medidas 166
Defesa do Consumidor 167
1. Porque é preciso continuar 167
2. Metas 168
3. Medidas 168
6
Justiça 168
1. Porque é preciso continuar 168
2. Metas 170
3. Medidas 170
Segurança e Proteção Civil 177
1. Porque é preciso continuar 177
2. Metas 179
3. Medidas 179
Defesa Nacional 184
1. Porque é preciso continuar 184
2. Metas 186
3. Medidas 186
Política Externa, Comunidades e Assuntos Europeus 189
1. Porque é preciso continuar 189
2. Metas 190
3. Medidas 191
CENÁRIO ORÇAMENTAL 198
PARTE III: PROGRAMA ECONÓMICO 199
7
Sumário
Executivo
Num contexto exigente, marcado por desafios acumulados e por um ambiente inter-
nacional instável, a AD – Coligação PSD/CDP-PP (AD) assumiu a governação, em abril
de 2024, com sentido de missão e de que era possível fazer mais, melhor e realmente
diferente.
Ao longo deste ano, e enquanto lá fora as tensões e a instabilidade se agravavam, em
Portugal, o Governo decidiu e executou, resolveu problemas concretos da vida das pes-
soas e imprimiu um novo rumo de transformações no País, que lhe assegurou prosperi-
dade e estabilidade económica, financeira e política.
É importante continuar a ação reformista e os bons resultados deste primeiro ano de
governação, e prosseguir as transformações e estabilidade política temporariamente
interrompidas.
Apesar do contexto internacional difícil e dos constrangimentos parlamentares internos,
o Governo da AD não desperdiçou tempo para governar com determinação. Em menos
de doze meses, provámos que era possível romper, governar com mais competência e
que os portugueses poderiam ganhar com isso.
Cumprimos. Cumprimos com os rendimentos, com a segurança, com o Estado Social.
Fizemos o que era urgente e lançámos os alicerces do que é essencial.
Aumentámos os rendimentos. Aumentámos o salário mínimo de 820€ para 870€. O sa-
lário médio cresceu a um ritmo acelerado: mais de 6% só em 2024, ultrapassando os
1.600€ mensais. Subimos as pensões, suplementadas com um pagamento extraordi-
nário para as pensões até cerca de 1.500€, e pelo reforço do complemento solidário
para idosos de 550€ para 630€. Baixámos os impostos sobre o rendimento. Por
isso, no último ano o rendimento real disponível dos portugueses cresceu cerca
de 8% - o dobro do ano anterior. Os portugueses ganharam poder de compra.
Lançámo-nos na recuperação do Estado e dos serviços públicos. Começan-
do pelos seus trabalhadores, valorizámos 19 carreiras, reconhecendo o mé-
rito e a dedicação dos seus profissionais.
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Governámos com sentido de urgência e com foco nos problemas reais. Na imigração,
impusemos regras e ordem onde antes havia desorganização, promovendo sempre a
integração e os valores humanistas. E na segurança, sem hesitações, devolvemos tran-
quilidade ao país.
Mostrámos que a mudança é possível e que pode ser acelerada, com um rumo claro e
trabalho sério e determinado. Os resultados falam por si: a economia cresceu 1,9% em
2024, superando não só a meta do nosso programa eleitoral (1,6%), como também as
previsões do Partido Socialista (1,5%) e as estimativas médias da União Europeia.
Ao mesmo tempo, alcançámos um excedente orçamental de 0,7%, em linha com o com-
promisso assumido perante os portugueses e acima das previsões do Orçamento do
Estado para 2024 (0,2%) e do programa eleitoral do PS (0,4%).
Fizemo-lo sem aumentar qualquer imposto – algo inédito em 50 anos de democracia –
com contas certas ao serviço das pessoas, de modo equilibrado e virtuoso.
Provámos que contas certas podem ser contas boas: alcançadas enquanto os impos-
tos baixaram, se valorizaram pensões e trabalhadores públicos, e o investimento público
acelerou.
Conciliámos responsabilidade orçamental com a recuperação do Estado Social. A saúde
é disso um exemplo: o ponto de partida era dramático e extraordinariamente exigente,
mas a melhoria significativa dos resultados está a acontecer. Regista-se um progresso
expressivo nos indicadores críticos, com a diminuição das listas de espera para doentes
oncológicos e não oncológicos, dos tempos de espera nas urgências, e da mortalidade
neste último inverno. E com o aumento do número de portugueses com médico de fa-
mília. Tal foi possível, valorizando os profissionais de saúde, reforçando e investimento e
melhorando a gestão do SNS. Mas, também, reforçando a cooperação com os setores
privado e social, com a única prioridade de servir melhor os cidadãos.
A saúde é um exemplo paradigmático: partindo de uma herança pesada encontrada
há um ano, com um setor em crise gravíssima, foi possível começar a dar a volta e
a apresentar resultados. Nunca abdicando do SNS como pilar central do sistema,
mas também sem dispensar a mobilização de todos os setores e profissionais, a
transformação está em curso. E se tamanhos problemas encontrados não se
resolveriam num ano, a melhoria significativa está já acontecer. É preciso con-
tinuar, e evitar voltar a piorar.
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O mesmo desafio da reabilitação estendia-se, infelizmente, a muitos outros setores e
serviços essenciais. Da educação à habitação, da imigração à justiça, da segurança aos
transportes. A herança era pesada e as dificuldades não se conseguiriam resolver de um
dia para o outro. Mas, em todos eles, as políticas mudaram neste primeiro ano. A fixação
ideológica e burocrática caiu, decisões corajosas foram tomadas, a gestão está a me-
lhorar, e a receita envolve sempre o diálogo social e a mobilização conjunta de ofertas
pública, privada e social. Por isso, em todos eles, os resultados começaram a aparecer.
Na educação e na habitação, como na saúde, não aceitámos, nem aceitamos, que só
haja acesso e oportunidades para os mais ricos – os que, em cima da elevada carga
fiscal que suportam, ainda conseguem pagar seguros de saúde, colégios privados e ex-
plicações para os filhos, e casas a preços ou rendas tão caras para as suas famílias.
Também aí o Governo tem transformado, motivando os professores e resolvendo o dra-
ma de tantos alunos sem aulas, aumentando a construção de casas públicas e estimu-
lando a oferta privada. A resposta socialista - da planificação que não sai do papel, da
burocracia que bloqueia, da rejeição ou até castigo à capacidade privada e social – não
funcionou antes, e não funcionaria agora.
Na imigração, o erro das escolhas e a incapacidade na execução, levou Portugal para a
mais alteração demográfica da sua história democrática, totalmente impreparado para
lidar com ela. A porta escancarada pelas mudanças na lei da imigração, pela extinção
incapaz do SEF, pela abolição do controlo e das verificações de segurança dos fluxos mi-
gratórios, e pelo desmantelamento das políticas de integração, criou um problema para
todos: portugueses e estrangeiros que nos procuraram. A imigração aumentou muito, o
Estado e os serviços públicos não se prepararam, e a desumanidade para com os imi-
grantes, e a intranquilidade de todos cresceram.
O Governo recusou ceder aos discursos fáceis dos extremos populistas, uns pelas portas
escancaradas, e outros pelas portas todas fechadas. Uns, negando os desafios coloca-
dos por tão significativa mudança demográfica. Outros, insistindo em falsidades, como
a culpabilização por um aumento generalizado da criminalidade que não aconteceu,
ou uma exploração massiva de prestações sociais, que é desmentida pelo saldo lar-
gamente positivo que os imigrantes, pelo menos neste curto prazo, geram para a
segurança social. Em alternativa, o Governo mudou a política de imigração, e com
coragem, tomou medidas que impuseram regras e controlo nas fronteiras e no
território nacional, e uma integração humanista de quem recebemos, feita de
direitos e deveres. A política de imigração mudou, é agora firme, mas modera-
da, regulada e humanista, e já está a ter resultados. Porém, também aqui, há
ainda muito para continuar a fazer.
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Como sempre, a AD soube e sabe que a prosperidade e justiça social se fazem de com-
binação de crescimento e redistribuição, de trabalhadores e empresas, da complemen-
taridade virtuosa entre público, privado e social.
Recuperámos, por isso, a aposta nas empresas e na livre iniciativa privada e social, vi-
rando a página aos tempos de desconfiança (e até embaraço) que governos anteriores
lhes devotaram.
Apoiámos as empresas, reduzindo burocracias, custos de contexto e obstáculos à inter-
nacionalização. Promovemos o empreendedorismo, incentivámos a escala e facilitámos
o acesso ao financiamento. Porque só com um tecido económico dinâmico é possível
gerar mais e melhores empregos e, assim, mais e melhor redistribuição.
Pensámos na resolução dos problemas concretos das pessoas no curto prazo, mas tam-
bém nas transformações estruturais necessárias à prosperidade no longo prazo. Tomá-
mos decisões e pusemos em marcha projetos de infraestruturas e equipamentos que
aguardavam, paralisadas, há décadas. Acelerámos investimentos públicos e PRR, en-
quanto conseguimos atrair grandes investimentos estrangeiros geradores de muitos mi-
lhares de empregos e valor acrescentado, por décadas.
Um exemplo demonstrativo de transformação estrutural é a água. Os recursos hídricos
são fundamentais à vida humana, às atividades económicas, especialmente agrícola e
turística, e à sustentabilidade ambiental. Há muito são conhecidos os riscos de escassez
e deficiente distribuição no território nacional, agravados pelas alterações climáticas,
está a água. Finalmente, porém, um Governo agiu. A água tornou-se um dos grandes
desígnios, trabalhos e projetos estruturantes lançados por este Governo. O projeto Água
que Une, que dotará o País com as infraestruturas de armazenamento, captação, trans-
porte e uso de água que são indispensáveis a um tempo de escassez e volatilidade hí-
drica.
Se em apenas um quinto da legislatura cumprimos - e superámos - mais de um terço
das promessas (36% do programa e planos de governo), com um mandato completo
poderemos conseguir uma transformação social e económica que coloque Portugal
ao nível dos seus parceiros europeus.
Num contexto internacional de mudanças profundas, diante de um mundo dife-
rente – mais incerto e inseguro – a nossa democracia precisa por um governo
firme e determinado, que garanta estabilidade e previsibilidade ao país, aos
cidadãos, às famílias e às empresas. Numa época tão desafiante, o país não
pode voltar a receitas do passado, nem arriscar voltar-se para populismos
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que assentam em promessas falsas de futuro. Em tempos de fragmentação, do que o
país precisa mesmo é de uma liderança corajosa e moderada, firme e prudente, que ga-
ranta que se continua a prosseguir no rumo transformador de resolução dos problemas
concretos das pessoas.
No plano interno e nas relações internacionais mostrámos responsabilidade e prudência.
A nossa gestão das finanças públicas, tanto no último ano, como no compromisso firme
de excedentes orçamentais futuros, são testemunho vivo dessa prudência e responsa-
bilidade. Os portugueses sabem o esforço que fizeram para que Portugal seja hoje uma
referência europeia de estabilidade económica e financeira e crescimento económico. E,
por isso, não perdoariam a quem tivesse como projeto e princípio político o regresso aos
défices orçamentais.
A nossa atuação na política externa, relativamente aos conflitos militares - da Ucrânia
ao Médio Oriente - e às elevadas tensões geopolíticas e comerciais, mostram prudência
proativa e responsabilidade defensora dos interesses nacionais. Os portugueses sabem
que os tempos não estão para impulsividade, nem para imaturidade na defesa e re-
presentação externa dos interesses nacionais. Os tempos estão para quem, como este
Governo, sabe ser simultaneamente um construtor de pontes num mundo conflituoso,
e um firme defensor dos portugueses, protegendo-os adequadamente das ameaças e
agressões externas, qualquer que seja a sua natureza.
Propomos continuar a oferecer aos portugueses um projeto ambicioso, responsável. re-
formista e moderado, que:
1. Tenha muita Ambição para Portugal, com os desígnios de alcançar níveis elevados
de crescimento que coloquem o país entre os melhores da Europa e acima daqueles
com que atualmente nos comparamos, prosseguindo as politicas concretizadas em
2024 que permitiram que Portugal crescesse mais do dobro da média da zona euro;
em que a geração dos jovens portugueses possa viver melhor que a dos seus pais
e avós e deixe de ter de emigrar em busca de oportunidades; em que as pessoas
possam concretizar os seus projetos pessoais de realização e mobilidade social e
subir na vida pelo seu esforço e mérito, numa sociedade mais justa;
2. Continue a demonstrar coragem reformista orientada para o reforço dos ren-
dimentos de todos os portugueses ao nível dos salários e das pensões, desde
logo com o crescimento do salário mínimo e do salário médio, mas sobretu-
do com o crescimento da economia sustentados no aumento da competi-
tividade das empresas e do investimento, na qualificação dos portugue-
ses e criação de emprego qualificado, na inovação e geração de valor
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acrescentado, no reforço do Portugal empreendedor e exportador, na valorização
do mundo rural e do investimento na agricultura, e tendo em atenção os efeitos das
alterações climáticas, os fenómenos de seca extrema e a importância da transição
energética;
3. Continue a recuperar o Estado Social do definhamento herdado de 8 anos de go-
vernação socialista, e que assegure a todos os portugueses a saúde, educação e
habitação acessíveis e com qualidade, incluindo exigência na educação e serviços de
saúde e de proteção social adequados a uma população cada vez mais envelhecida
e com mais longa esperança média de vida;
4. Seja moderado, colocando a dignidade da pessoa humana no centro e como priori-
dade da ação política, adotando uma cultura democrática, e repudiando extremis-
mos ou populismos de qualquer ponto do espectro ideológico ou partidário;
5. Assuma uma forte consciência social, para erradicar a pobreza, reativar a mobilida-
de social, garantir que ninguém fica para trás, valorizar a família como célula funda-
mental da vida económica, social, cultural, educativa e cívica da sociedade, e que
aposte nas políticas de natalidade e reforce a confiança nas instituições sociais do
terceiro setor;
6. Seja defensor da liberdade, da igualdade de oportunidades e da solidariedade, da
segurança dos cidadãos e da defesa do país, respeitador da propriedade privada e
da livre iniciativa económica, e empenhado num desenvolvimento sustentável;
7. Governe com elevada exigência ética, integridade, responsabilidade política, respei-
to pela separação de poderes e pelas instituições, e empenho efetivo no combate à
corrupção e tráfico de influências;
8. Seja europeísta, lusófona e atlantista, apostando na participação ativa no processo
de integração europeia, na valorização da cultura, valores, língua e das comuni-
dades portuguesas, e no compromisso firme com a pertença à União Europeia,
ao Euro, à CPLP e à NATO, demonstrado pela ação e programa políticos e pela
estratégia de alianças partidárias domésticas e internacionais;
9. Defenda a abertura de Portugal ao exterior, relativamente às pessoas, ao
comércio internacional, ao investimento e à cultura, com uma imigração re-
gulada e um rigor que preservem o interesse nacional e os valores cons-
titucionais do País, a confiança no Estado português, a segurança e o
bem-estar de todos, o humanismo na integração, e o desenvolvimento
económico, social e ambiental sustentável;
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10. Assuma o compromisso de continuar com a gestão sustentável das finanças públi-
cas, em que o equilíbrio orçamental e redução da divida pública sejam condições e
meios indispensáveis que devem ser prosseguidos de modo saudável, reforçando a
baixa de impostos sobre os rendimentos das famílias e das empresas, e recuperando
o investimento público para resgatar o Estado Social do definhamento herdado dos
oito anos da governação socialista;
11. Promova estabilidade política construída em diálogo aberto, construtivo e participa-
do com os diferentes atores e instituições da sociedade, e reforçando a centralidade
do diálogo social com os parceiros sociais, de modo a unir os portugueses.
Eixos orientadores da nossa ação
Acreditamos que governar é gerir o presente e preparar o futuro com visão, coragem, es-
tabilidade e responsabilidade. Ao longo do último ano, provámos que é possível transfor-
mar Portugal com seriedade, competência e sentido de missão. Este programa assenta
em princípios claros, firmes e mobilizadores, que orientam cada medida, cada escolha e
cada compromisso que assumimos com os portugueses.
PRINCÍPIOS DO PROGRAMA SOCIAL
I. As pessoas primeiro - A nossa prioridade é a vida concreta de cada pessoa — em
todas as fases da vida e em todas as regiões do país. Queremos uma sociedade mais
justa, com políticas direcionadas aos idosos, aos jovens, às mulheres e às famílias.
Valorizamos os mais idosos com pensões dignas, Complemento Solidário reforçado e
medicamentos gratuitos. Para os mais novos, promovemos habitação acessível, IRS
Jovem reduzido e isenção de impostos na compra da primeira casa. Asseguramos
igualdade de oportunidades com apoio ao estudo gratuito para alunos carenciados,
e defendemos o bem-estar infantil com creches e pré-escolar para todos, e com a
regulação do uso de telemóveis nas escolas.
II. Melhorar os serviços públicos e combater a burocracia - O Estado deve estar
ao serviço do cidadão, com qualidade, rapidez e justiça. Queremos serviços pú-
blicos eficazes e modernos, com decisões administrativas e fiscais dentro dos
prazos legais, e pagamentos atempados por parte do Estado. Vamos conti-
nuar a modernizar a Administração Pública, eliminar estruturas redundan-
tes, agilizar licenciamentos e criar identificadores únicos para empresas
e imóveis. Valorizamos os trabalhadores do Estado, com revisão de car-
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reiras, prémios de desempenho e reconhecimento do mérito. A justiça rápida, espe-
cialmente em crimes graves e flagrante delito, será também reforçada.
III. Apoiar os mais vulneráveis - Combater as desigualdades exige ação firme e dirigida.
Por isso, combatemos as quatro chagas sociais com mais força: violência domésti-
ca, consumo de drogas, sinistralidade rodoviária e situação de sem-abrigo. Nenhum
pensionista terá rendimentos abaixo de 870€, e o envelhecimento ativo será incen-
tivado. Na educação, garantimos apoio ao estudo e pré-escolar para todos. A saúde
será mais próxima, com mais médicos de família, cuidados domiciliários, gestor do
doente crónico, e um reforço de parcerias que ampliam a capacidade de resposta.
O apoio social deve chegar onde é mais necessário — com dignidade, eficácia e sem
burocracias redundantes.
IV. Ordem e humanismo - A segurança e o humanismo coexistem simbioticamente na
nossa visão de uma sociedade democrática, livre e segura. Reforçamos a presença
policial, investimos em videovigilância em áreas sensíveis e tornamos a justiça mais
célere. Na imigração, garantimos ordem sem abdicar da humanidade: queremos criar
uma Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP, continuar a regular os fluxos de
entrada com base na capacidade de integração do país, e a acelerar os processos
de regularização e afastamento de imigrantes em situação ilegal. A integração deve
ser reforçada, e a nacionalidade deve ser atribuída com critérios justos e exigentes.
Portugal será um país de acolhimento e integração dignos, mas com regras claras.
V. Complementaridade e Concertação de Setores e Iniciativas – Não acreditamos
nas visões providencialistas do intervencionismo estatal, da planificação pública e
da burocracia dominante. Desconfiamos de quem desconfia da propriedade e inicia-
tivas privada e social. Confiamos no papel de Estado e do serviço público adequa-
damente justificado e dimensionado e equilibradamente participante. Acreditamos,
por isso, que a resposta aos desafios de oferta, de acessibilidade e de qualidade dos
serviços essenciais, como a saúde, a educação, ou a habitação, exige a mobilização
complementar dos setores público, privado e social. Todos, todos, todos. Tal como
acreditamos na concertação social como modo fundamental de decisão e orga-
nização coletiva.
PRINCÍPIOS DO PROGRAMA ECONÓMICO
I. Coragem para decidir, responsabilidade e capacidade para fazer - De-
cidimos com firmeza e executamos com competência. Continuaremos a
assegurar saldos orçamentais positivos e a reduzir o peso da dívida pú-
blica de forma equilibrada. Fizemos o que nunca tinha sido feito: bai-
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xar impostos e, simultaneamente, valorizar salários e investir nos serviços públicos.
Assumimos o compromisso com contas certas, mas não as usamos como pretexto
para cortar apoios ou adiar soluções. Este equilíbrio saudável é a base da nossa es-
tabilidade económica.
II. Liberdade e responsabilidade - Acreditamos na economia de mercado com respon-
sabilidade social. Apostamos nas empresas como motor do crescimento e na inicia-
tiva privada como aliada do interesse público. Queremos continuar a reduzir o IRC,
queremos continuar a simplificar as regras fiscais, e acelerar a justiça tributária e
incentivar as exportações. Queremos facilitar o financiamento e proteger as empre-
sas das instabilidades externas. O Estado deve criar condições e definir regras, mas
confiar nos cidadãos e nos empresários para liderarem a criação de valor.
III. Aumentar os rendimentos - Trabalhar tem de compensar. Vamos continuar a aumen-
tar o salário mínimo — com a meta de 1.100€ — e o salário médio para 2.000€. Ga-
rantimos continuar a valorizar as pensões e, aos mais carenciados, que nenhum pen-
sionista ficará com rendimento abaixo dos 870€. É fundamental continuar a reduzir o
IRS, especialmente para a classe média, e incentivar a poupança. Valorizamos quem
trabalha no público e no privado, reconhecendo o esforço, o mérito e a dedicação.
IV. Atrair o investimento - O investimento é motor do crescimento e gera a multiplica-
ção dos salários. Queremos um país mais competitivo, moderno e atrativo. Por isso,
apostamos na construção de mais habitação, flexibilizando regras e incentivando
a reabilitação urbana, com mais casas públicas e financiamento municipal. Investi-
mos em infraestruturas estratégicas, como o grande programa de gestão de água,
essencial para o consumo, agricultura e indústria. Apostamos também na Defesa
nacional, com investimento de pelo menos 2% do PIB, gerando emprego e desenvol-
vimento tecnológico.
V. Aposta na inovação, capacitação e valor acrescentado – Uma economia de salá-
rios mais elevados precisa de aumentar a produtividade e o seu valor acrescentado,
assentando na inovação, modernização das suas organizações e infraestruturas e
na capacitação das suas pessoas. Tem que aproveitar as suas vantagens com-
parativas, incluindo posição geoestratégica, recursos naturais (das fontes de
energia renovável ao mar e às reservas minerais), capacidade de formação de
talento em várias tecnologias e serviços, base industrial e de serviços exis-
tente, potencial para liderar transições nas economias verde, azul e digital.
A educação, o sistema científico e tecnológico, o ecossistema inovador, e
o setor exportador têm que ser “locais” de exigência, mérito, abertura ao
risco e atitude de cooperação interna e internacional.
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20 Medidas emblemáticas
O Programa eleitoral da AD para a legislatura 2025-2029 combina continuidade e no-
vidade, o aprofundamento deste exercício de um ano de governação, a resposta a pro-
blemas preexistentes mas que tinham sido omitidos ou subestimados e a adequação ao
agravamento das tensões, conflitos e estabilidade internacional.
O programa divide-se em três partes, a primeira de balanço, a segunda com programa
social e a terceira com o programa económico. Destes, destacam-se as seguintes medi-
das emblemáticas:
1. MENOS IMPOSTOS SOBRE O TRABALHO, ESPECIALMENTE
PARA A CLASSE MÉDIA
Reduzir IRS em 2.000 milhões €, dos quais 500 milhões já em 2025, baixando a carga
fiscal sobre os rendimentos, em especial para a classe média. Estimular também a pou-
pança.
2. MAIS RENDIMENTOS
Salário Mínimo de 1.100€ e salário médio 2.000€, e nenhum pensionista com rendimento
abaixo de 870€
3. MELHORAR A VIDA DOS MAIS VELHOS
Continuar a valorizar as pensões. Aumentar o Complemento Solidário para Idosos para
garantir que nenhum pensionista tem rendimento abaixo de 870€, e que há isenção total
na compra de medicamentos. Programa de Envelhecimento Ativo.
4. UM PAÍS PARA JOVENS
Garantir a continuidade das novas medidas para fixação dos jovens: IRS Jovem reduzi-
do, Isenção de IMT e de Imposto de Selo e garantia pública na compra da primeira casa;
5. GARANTIMOS BOAS CONTAS PÚBLICAS
Continuar a assegurar saldos orçamentais ligeiramente positivos e redução do peso
da divida pública, de forma saudável e equilibrada, baixando impostos e valorizan-
do os trabalhadores e investimento públicos
6. MAIS ACESSO À SAÚDE, NO SNS & COM PARCERIAS
Garantir médicos de família para todos, mais cuidados domiciliários, criar o
Gestor do Doente Crónico. Aposta nas PPPs, nos centros saúde contratua-
lizados (USFs B e C) e nas convenções para aumentar o acesso de quali-
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dade aos cuidados de saúde, aos cuidados paliativos e aos cuidados continuados. De-
senvolver um plano de Saúde Oral para os portugueses mais carenciados e cuidados de
nutrição e reabilitação.
7. CONSTRUIR MAIS CASAS
Aumentar a construção, reabilitação e arrendamento de casas, flexibilizando regras e
licenciamento da construção e reduzindo a tributação para aumentar a oferta. Execu-
tar as 59 mil casas públicas a preços acessíveis e disponibilizar financiamento para mais
projetos municipais
8. GARANTIR CRECHES E PRÉ-ESCOLAR PARA TODAS AS CRIANÇAS
Contratualizar até 12 mil vagas no Pré-Escolar para os territórios com necessidades
identificadas
9. IGUALDADE DE OPORTUNIDADES NA EDUCAÇÃO
Criar um serviço gratuito de apoio ao estudo para alunos carenciados ou em risco. Re-
forçar a atração de professores para regiões com mais alunos sem aulas. No ensino su-
perior, aumento da bolsa mínima de ação social.
10. LIMITAR TELEMÓVEIS NAS ESCOLAS
Proibir Telemóvel nas escolas até ao 6º ano e regular o consumo de redes sociais pelas
crianças (até aos 12 anos)
11. PORTUGAL SEGURO e JUSTIÇA RÁPIDA
Mais polícias nas ruas e videovigilância nas áreas sensíveis. Julgamentos rápidos para
crimes violentos ou graves, desde logo com deteção em flagrante delito
12. IMIGRAÇÃO REGULADA E HUMANISTA
Criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP. Regulação dos fluxos de en-
trada considerando capacidade de integração do País. Rever requisitos para obten-
ção de nacionalidade. Reforçar as medidas de integração. Regime rápido e eficaz de
afastamento de estrangeiros em situação ilegal
13. AÇÃO ANTI-CORRUPÇÃO
Prevenir e combater a corrupção, com a regulamentação do lobbying, perda
alargada dos bens, e reforço dos meios
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14. INVESTIR NA DEFESA
Alcançar despesa de, pelo menos, 2% do PIB, antecipando a meta de 2029, e desenvol-
vendo a capacidade industrial nacional para criar emprego e gerar valor acrescentado,
e nunca pondo em causa o Estado social
15. APOSTAR NAS EMPRESAS PARA ACELERAR
O CRESCIMENTO ECÓNOMICO
Redução transversal de IRC sobre as Empresas, com diminuição gradual até 17% (e 15%
para PMEs). Simplificação fiscal e aceleração da justiça tributária. Estímulo às exporta-
ções, reforçando os apoios às empresas no contexto das tensões internacionais. Valori-
zar a atividade e investimento nos territórios do Interior.
16. CORTE DA BUROCRACIA, MODERNIZAÇÃO E SIMPLIFIÇÃO: PLANO
DE AÇÃO PRIORITÁRIA PARA UM ESTADO AO SERVIÇO DAS PESSOAS
Modernizar a máquina do Estado, para um serviço mais ágil, centrado nas pessoas e
empresas. Simplificar e acelerar os licenciamentos, contratação pública, taxas adminis-
trativas e a justiça administrativa e fiscal. Criar os Identificadores Únicos da Empresa e
do Imóvel.
Garantir que o Estado paga os seus compromissos num prazo de 30 dias, e que os ser-
viços públicos decidam os processos dos cidadãos e empresas dentro dos prazos legais
17. VALORIZAR OS TRABALHADORES PÚBLICOS
Concluir revisão de carreiras até 2027, reconhecer o mérito e qualificação, e apostar em
prémios de desempenho
18. TRABALHAR COMPENSA
Garantir que os regimes de apoios sociais e tributação são benéficos para quem traba-
lha
19. COMBATE ÀS 4 CHAGAS SOCIAIS
Combater prioritariamente a Violência Doméstica, Consumo de Drogas, Sinistrali-
dade Rodoviária e Sem Abrigo
20. ÁGUA QUE UNE
Grande programa de investimento em infraestruturas eficientes de armaze-
namento, segurança, transporte e abastecimento de água para consumo
humano, agrícola e empresarial
19
Medidas emblemáticas concretizadas
• Descemos acentuadamente os impostos no IRS, IRS Jovem e IRC
• Recuperámos o controlo das fronteiras, regulamentámos a imigração
• Decidimos o novo aeroporto de Lisboa: Aeroporto “Luís de Camões”
• Decidimos a 3ª Travessia sobre o Tejo e a Linha de Alta Velocidade (TGV)
• Reforçámos as prestações sociais: Aumento do CSI para idosos mais desfavorecidos
(550€ para 630€), medicamentos gratuitos para beneficiários do CSI e antigos com-
batentes e aumento das prestações sociais para IPSS
• Atribuímos um Suplemento Extraordinário aos Pensionistas de 200€ para pensões
até 509,26€; 150€ para pensões entre 509,26€ e 1018,52€ e 100€ para pensões entre
1018,52€ e 1527,78€
• Valorizámos 19 carreiras da função pública
• Criámos mais lugares para o pré-escolar, alargando ao setor particular e cooperati-
vo
• Atraímos mais investimento privado (no elétrico para a Auto Europa; CALB Fábrica
de baterias para veículos elétricos de Sines; Lufthansa Tecknik, entre outros)
• Aumentámos a abrangência do Porta 65 e reforçámos a oferta pública de habita-
ção, com o início da construção de 59 000 novas casas
• Duplicámos a consignação de IRS para as entidades do setor social
• Isentámos os jovens de IMT e de Imposto de Selo e Garantia Pública na compra da
primeira casa
• Concedemos acesso gratuito a palácios, museus e monumentos
• Criámos a Linha SNS Grávida
• Relançámos as Parcerias Público-Privadas na saúde
20
• Criámos o passe ferroviário verde e alargámos o passe gratuito
• Promovemos a saúde mental com disponibilização de cheques-psicólogo (mais de
100 mil consultas)
• Extinguimos o arrendamento coercivo e fim da suspensão de licença no alojamento
local
• Reduzimos substancialmente os alunos sem aulas
• Reduzimos significativamente os atrasos nas cirurgias oncológicas
• Simplificámos o acesso aos serviços públicos, restabelecendo o atendimento presen-
cial sem marcação
21
PARTE I
MAIS QUE PROMESSAS:
RESULTADOS
Portugal não pode parar. Há um ano, os eleitores escolheram a AD para, juntamente com
os portugueses, construirmos um futuro melhor. Enquanto o parlamento suportou o Go-
verno, a AD não desperdiçou um único dia, uma única hora, para transformar Portugal.
Temos uma visão para Portugal, e o país está a corresponder. Pretendemos continuar
nesta rota de crescimento, estabilidade e esperança.
Num só ano de governação, demos passos firmes e concretos na valorização dos rendi-
mentos dos portugueses. O salário mínimo nacional aumentou de 820€ para 870€, fruto
de um acordo social construído com diálogo e responsabilidade. Mas não foi apenas o
salário mínimo que aumentou, o aumento salarial foi robusto e generalizado: o salário
médio aumentou mais de 6% só em 2024, ultrapassando os 1.600€ por mês, represen-
tando um crescimento real de 3,8%, representando um significativo ganho de poder de
compra para os portugueses.
Na Administração Pública, valorizámos 19 carreiras, reconhecendo o esforço de milha-
res de profissionais ao serviço do país e promovendo, assim, a qualidade dos serviços
públicos. No reforço do Estado Social, protegemos os mais vulneráveis: aumentámos ex-
pressivamente o Complemento Solidário para Idosos de 550€ para 630€, e garantimos
medicamentos gratuitos a todos os seus beneficiários. Reforçámos ainda as pensões
com uma valorização legal justa e com um Suplemento Extraordinário que beneficiou mi-
lhares de pensionistas, com apoios que variaram entre os 100€ e os 200€, beneficiando
mais as pensões mais baixas.
O resultado desta Governação é claro: em 2024, o rendimento real disponível das fa-
mílias portuguesas cresceu 8% — o dobro do registado no ano anterior. Num contex-
to exigente, com desafios económicos a nível internacional, conseguimos melhorar
a vida concreta dos portugueses com responsabilidade, compromisso e ambição.
Sanámos, num curto espaço de tempo, conflitos sociais que estavam a pena-
lizar a sociedade portuguesa. Resolvemos cenários de injustiça que não pa-
ravam de aumentar. Pusemos cobro a problemas que outros nos legaram.
Descrispámos o ambiente político e social. Encetámos negociações com
os parceiros sociais, num quadro de respeito e de lealdade institucional.
22
Numa frase: procurámos atender, com sensatez e espírito de diálogo, aos problemas
reais que afetam as vidas dos portugueses.
Na imigração, instituímos o direito e a ordem, onde antes existia o caos e a desordem.
Privilegiámos sempre a integração e o humanismo, sobre a segregação e o ódio. Com a
certeza de que um país seguro é um país livre, assumimos a liderança, sem refúgios ou
pruridos, e a segurança é agora um valor consensual em Portugal.
Evolução do fluxo de entradas em Portugal após o fim
da Manifestação de Interesse
156.951
-59%
64.848
1º Semestre 2º Semestre
Fonte: [Link]
-[Link]
Ao aprovarmos o primeiro Orçamento do Estado da nossa democracia que não aumen-
ta qualquer imposto, devolvemos rendimento às famílias e incentivámos o investimento
por parte das empresas. E iniciámos um conjunto de reformas desburocratizadoras e
incentivadoras dos ganhos de escala, fundamentais para tornar a nossa economia mais
competitiva e gerar maior crescimento económico.
Enveredámos por um caminho de valorização de carreiras na Administração Pública
que há muito se encontravam estagnadas. Proporcionámos aos mais vulneráveis a
gratuitidade dos medicamentos. E focámo-nos na retenção dos jovens, ao termos
instituído o mais vantajoso regime de IRS de sempre para esta faixa etária, além
de uma isenção de IMT e Imposto de Selo que já beneficiou dezenas de milhar
de jovens na compra da 1ª casa.
23
Nestes primeiros meses de governação, centrámos a ação governativa em problemas
urgentes, mas temos consciência de que é preciso mais. Aquilo que durante anos defi-
nhou não fica resolvido de rompante. Voltamos hoje, tal como antes, a assumir a missão
de continuarmos a trabalhar por uma sociedade mais justa, mais solidária e com melho-
res condições de vida para todos.
Queremos continuar a demonstrar que é possível conciliar progresso e inovação com
tradição, história, cultura e valores da Nação. Não temos uma visão ideológica da edu-
cação, queremos antes continuar a diminuir os alunos sem aulas e sem professores. Que
importa mais? Reduzir o número de portugueses sem médico de família ou estar obce-
cado sobre se os prestadores de saúde são públicos ou privados.
Depois de um ano em que mobilizámos os sectores público, privado e social para alargar
a gratuitidade das creches ao pré-escolar, pretendemos continuar a apostar na família
como a célula base da sociedade e em políticas de apoio à família, de valorização da
maternidade e da paternidade, enfrentando a grave crise da natalidade e incentivando
as famílias a crescer. Além de que permaneceremos irredutíveis na luta contra as quatro
chagas concretas que têm impactado muito negativamente a vida concreta das famí-
lias portuguesas: a violência doméstica, o aumento da toxicodependência, a multiplica-
ção dos sem-abrigo e enorme dimensão da sinistralidade rodoviária.
Não eram descabidas nem vãs as aspirações que traçámos para Portugal, há cerca de
um ano, no anterior programa eleitoral. A AD não se diferenciou somente pela maior
ambição nos resultados a que se propôs eleitoralmente perante os portugueses. De-
monstrámos, num curto espaço de tempo à frente do nosso país, que essa mudança
segura de rumo para o nosso país era possível. Mais – provámos que, ao leme da Nação,
a AD tem a capacidade de executar a sua visão com competência, superando mesmo
as expectativas. A transformação não só é possível, como pode mesmo ser acelerada,
se executada com rasgo e laboriosidade. São os próprios dados que atestam esta cons-
tatação.
O Partido Socialista (PS), nas anteriores eleições legislativas, prometia uma continui-
dade das políticas da última década, que levariam a um crescimento real do PIB de
1,5% em 2024 (valor do anterior programa eleitoral do PS). Já a AD, no seu progra-
ma eleitoral, propôs-se a elevar a fasquia, tendo ambicionado um crescimento
real do PIB de 1,6% logo para 2024. E, mesmo assim, superámos essa bitola.
A AD, enquanto Governo, conseguiu guindar o crescimento real anual do PIB
para os 1,9% logo nos primeiros meses de governação, significativamente aci-
ma das estimativas de crescimento médio dos países da União Europeia, no
mesmo período.
24
Crescimento real PIB (%)
2.0%
1.9%
1.8%
1.7%
1.6%
1.5%
1.4%
1.3%
1.2%
Programa PS 2024 Programa AD 2024 AD 2024
Programa PS 2024 Programa AD 2024 AD 2024
Porque é que estes dados sobre o crescimento são importantes? Porque, durante a
última década, a sociedade portuguesa viveu agarrada meramente ao consenso das
contas públicas equilibradas. É verdade que, também nessa matéria, o Governo da AD
conseguiu alcançar um excedente orçamental em linha com aquele com que se tinha
comprometido eleitoralmente para 2024 (0,7% vs. 0,8%, respetivamente), mas acima do
previsto no OE24 (0.2%) e no programa eleitoral do PS (0.4%).
Mas não ficamos satisfeitos apenas com um saldo orçamental positivo. O equilíbrio das
contas públicas, para a AD, não é um fim para vanglória própria ou para propaganda.
Muito menos poderemos voltar ao tempo em que as contas equilibradas serviam de pe-
neira para aumentos de impostos e degradação de serviços públicos. Tal como inovámos
com um Orçamento do Estado que, pela primeira vez em democracia, não aumentou ne-
nhum imposto, a AD inovou e quer continuar a inovar na conciliação de contas equilibra-
das com aumentos de salários, pensões e investimento público. Bem como com o reer-
guer do Estado Social, através da melhoria de serviços públicos essenciais, tarefa para
a qual, livres de antolhos ideológicos, continuaremos a contar com a oferta privada
e social. Exemplo disso é o progresso significativo já realizado na área da saúde, ao
longo do último ano, como nos casos da diminuição das listas de espera, quer de
doentes oncológicos, quer de doentes não oncológicos – houve uma indiscutível
melhoria face aos valores de 2023.
25
Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC)
Oncológica, Fora do TMRG e por agendar
1.5 K
1.0 K
0.5 K
0K
Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
LIC em 2023 LIC em 2024 LIC em 2025
Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC)
Não Oncológica, Fora do TMRG e por agendar
30 K
25 K
20 K
Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
LIC em 2023 LIC em 2024 LIC em 2025
Fonte: Plano de Emergência e Transformação na Saúde Eixo 1 – SNS
As finanças públicas equilibradas – conciliadas com a redução acentuada da dívida
pública (que passou de 97,7% do PIB em 2023 para 94,9% do PIB em 2024) – são,
assim, mais um meio para, juntamente com uma economia pujante, conseguir-
mos construir uma sociedade mais próspera e mais justa. Uma sociedade, não
só com melhores serviços públicos, como com maiores garantias quanto ao
emprego, à criação de oportunidades e à subida dos salários.
26
% do PIB Evolução da dívida pública em % do PIB
140
120
100
80
60
40
20
2010 2015 2020 2025
E no que concerne à pujança da economia, bastaram uns meses de governação da AD
para que se começassem a notar sinais de esperança no futuro e no potencial do nosso
país. Sinais esses que se refletem na economia real: na vida concreta das famílias e das
empresas.
Quanto às famílias, a taxa de poupança alcançada em 2024 (12,2% do Rendimento Dis-
ponível) só encontra paralelo na última década durante o período dos confinamentos
pandémicos (em que as pessoas se viram forçadas a adiar o consumo). Além disso, o
emprego está em máximos históricos e o desemprego em torno de 6.4%, próximo da taxa
natural de desemprego, o que tem levado a um forte aumento dos salários que, em mé-
dia, cresceram próximo dos 7% em 2024. Estes são indicadores que nos dão esperança
para continuarmos a trilhar um caminho de maior prosperidade e liberdade económica
para os portugueses.
27
Taxa de Poupança das Famílias (% Rendimento Disponível)
13
12
11
10
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024
Já quanto às empresas, termos alcançado o valor máximo de capacidade líquida de
financiamento da economia portuguesa em 50 anos de democracia (2,9% do PIB), bem
como o mais positivo saldo externo da nossa história democrática (em que Portugal
exportou mais 5.185 M€ do que importou) deve constituir apenas um ponto de partida
animador para os feitos que ainda ambicionamos realizar. Queremos que estes êxitos
perdurem e se intensifiquem nos próximos anos. Para isso, pretendemos continuando
a ajudar as empresas portuguesas, trabalhando no sentido de diminuir as barreiras à
internacionalização, reduzir burocracias e minimizar os custos de contexto, bem como
incentivar a escala, promover o empreendedorismo e facilitar o acesso a financiamento.
28
Capacidade de Financiamento Líquida da Economia Portuguesa
10
2,9
1,7
5
2,2 4,7
-5
-10
2020
2024
2023
2022
2018
2016
2019
2015
2021
2017
Famílias e ISFLSF Administrações Públicas Sociedades financeiras
Sociedades não-financeiras Capacidade/necessidade líquida de financiamento
Saldo externo da economia portuguesa: balança corrente
milhões € + balança capital
10.000
5.000
-5.000
-10.000
-15.000
-20.000
2000 2005 2010 2015 2020 2025
29
O Governo da AD não só demonstrou, em poucos meses, que é capaz de romper com o
rumo de estagnação a que a sociedade portuguesa foi exposta na última década, como
provou que, através de um trabalho competente, sério e ambicioso, é capaz de superar
as promessas eleitorais com que se compromete perante os portugueses.
Num contexto internacional de mudanças profundas, diante de um mundo muito dife-
rente– mais incerto e inseguro – a nossa democracia clama por um governo firme e de-
terminado, que garanta estabilidade e previsibilidade ao país, aos cidadãos, às famílias e
às empresas. Numa época tão desafiante, o país não pode voltar a receitas do passado,
nem arriscar voltar-se para populismos que assentam em fantasias do futuro.
Em tempos de fragmentação, do que o país precisa mesmo é de uma liderança corajosa
e moderada, firme e prudente, que garanta que se continua a prosseguir no rumo trans-
formador de resolução dos reais problemas das pessoas.
Se num quinto do mandato, a AD cumpriu mais de um terço das promessas eleitorais –
superando muitas delas – imagine-se o que, juntos enquanto País, seremos capazes de
fazer numa legislatura inteira. E depois disso, que cada português sinta orgulho no seu
país, confiança nas suas instituições, e liberdade para pensar. Sabendo que o futuro que
construirmos hoje será o legado de uma Nação verdadeiramente democrática, transpa-
rente, vibrante e plural.
30
MEDIDAS EXECUTADAS
DURANTE O 1º ANO DE GOVERNO
POLÍTICAS SOCIAIS: TRABALHO
E SEGURANÇA SOCIAL
Impostos
• Aprovámos a isenção de contribuições e impostos sobre prémios de produtividade
por desempenho no valor de até 6% da remuneração base anual
• Diminuímos a carga fiscal sobre as empresas
• Permitimos que qualquer empregador possa aceder a um benefício fiscal em sede de
IRC, em 50% dos encargos resultantes dos aumentos salariais, independentemente
desse empregador aumentar o leque salarial
Outros
• Aprovámos, em concertação social, o aumento do salário mínimo nacional para 1.020
euros em 2028
• Aprovámos Financiamento Complementar às Creches do setor privado do mesmo
valor pago ao setor social e solidário sempre que a creche tenha de funcionar para
além das 11horas
• Instituímos a gratuitidade dos medicamentos para os beneficiários do Complemento
Solidário para Idosos (CSI)
• Atribuímos um suplemento extraordinário para os pensionistas, entre 100 e 200 eu-
ros
• Aprovámos, em concertação social, as condições para sustentar o aumento do sa-
lário médio de 1.507 euros para 1.750 euros, em 2030, através de ganhos de produ-
tividade e diálogo social
• Retomámos um diálogo leal e construtivo com a concertação social, assinando
o com os parceiros sociais o Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e
Crescimento Económico 2025-2028 em outubro de 2024
• Potenciámos as relações laborais estáveis, o investimento das partes na
relação laboral, e a efetiva integração dos trabalhadores
31
• Criámos uma comissão técnica independente sobre o “Salário Digno” que propõe po-
líticas a médio prazo, tendo em vista a redução da pobreza e a dignidade no emprego
dos trabalhadores com baixos salários
• Criámos um novo impulso para a concertação social, procurando a convergência
entre empresários e trabalhadores com o objetivo de aumentar a produtividade
• Aprovámos 500 milhões de euros do fundo de coesão da CE para apoio às famílias,
empresas, agricultores e autarquias vítimas dos incêndios
• Entregámos apoios aos agricultores afetados pelos incêndios em Penalva do Caste-
lo e Albergaria-a-Velha
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
Professores
• Iniciámos a recuperação integral do tempo de serviço congelado dos professores, a
ser implementada, à razão de 25% ao ano
• Desburocratizámos o trabalho dos professores, dando-lhes autonomia, autoridade e
melhores condições e tempo para educar e apoiar os alunos
• Garantimos apoio extraordinário e temporário à deslocação para docentes
• Garantimos um concurso externo extraordinário de seleção e de recrutamento do
pessoal docente, a realizar no ano letivo de 2024-2025
• Promovemos as horas extra dos professores, de forma temporária e facultativa
• Revimos o modelo de financiamento dos apoios técnicos especializados em meio es-
colar
• Promovemos uma campanha nacional de sensibilização para a importância dos pro-
fessores, para incentivar mais jovens a escolher esta profissão
Reter e atrair docentes
• Recrutámos docentes aposentados, pagando a devida compensação
• Incentivámos o prolongamento da vida ativa dos professores. Através de
uma remuneração adicional, até 750€ mensais brutos, para quem atingir a
idade de reforma e queira continuar a dar aulas.
• Recrutámos bolseiros de doutoramento: possibilitando a acumulação
de até 10 horas de aulas a bolseiros de doutoramento
32
Melhorar a aprendizagem
• Recomendámos às Escolas sobre a limitação do uso de smartphones e procedere-
mos, ao longo do ano letivo 2024/2025, à monitorização da regulamentação da utili-
zação de smartphones nas escolas
• Implementámos o A+A, “Aprender Mais Agora”, um plano de recuperação da apren-
dizagem que permite aos alunos construir um caminho de sucesso escolar
• Atuámos antes do insucesso acontecer: garantimos tutorias psicopedagógicas de
carácter preventivo e remediativo, que incluem alunos retidos e alunos com dificul-
dades de aprendizagem
Gerir Melhor
• Adequámos a formação contínua às necessidades de professores e escolas, valori-
zando a autonomia das escolas na elaboração dos seus planos de formação
• Reduzimos os horários incompletos e temporários, permitindo a agregação de horá-
rios no mesmo ou em agrupamento distinto daquele onde o docente está colocado
(horários incompletos)
• Desenvolvemos e lançámos o Plano + Aulas + Sucesso para reduzir o número de alu-
nos sem aulas
• Acelerámos o processo de contratação de docentes durante o ano letivo
• Flexibilizámos a gestão da componente letiva: desenhando horários que evitassem
sobreposição de disciplinas críticas, para permitir compensar a ausência de profes-
sores
• Flexibilizámos as horas extraordinárias e a acumulação de funções dos docentes
Avaliação
• Começámos um novo modelo de avaliação no 4º e 6º anos – as provas ModA Mo-
nitorização de Aprendizagem / Alterações 1º e 2º ciclo Ensino Básico
• Publicámos os resultados das provas de aferição em tempo útil, a nível nacional
e de agrupamento, para fins de identificação de fragilidades no sistema edu-
cativo, prestação de contas e valorização das provas
• Alterámos a avaliação do 3º ciclo do Ensino Básico - garantindo provas de
avaliação de final de ciclo no 9º ano
33
Outros
• Reforçámos os meios para o ensino do «Português Língua Não Materna», conside-
rando o aumento do número de estudantes cuja língua materna não é o português
• Concretizámos a ambição de construir um Pólo de Saúde da Universidade de Évora –
potenciando, assim, a criação de novas formações na área da saúde, como um curso
de Medicina
CIÊNCIA E ENSINO SUPERIOR
• Garantimos o complemento de alojamento a 50% aos estudantes deslocados com
rendimentos entre 23 e 28 IAS
• Quanto ao Estatuto de trabalhador-estudante: garantimos a atribuição de bolsas
de estudo com isenção até 14 salários mínimos
• Fomentámos a criação de cátedras de índole empresarial que promoverão uma forte
ligação entre a Instituição de Ensino Superior e de Investigação e as empresas, tanto
no ensino como na investigação científica
• Promovemos a internacionalização da Investigação e do Ensino Superior através de
políticas que incentivem a participação em redes globais, atraiam estudantes inter-
nacionais, reforcem acordos com Países da CPLP, América Latina, América do Norte
e Ásia, e eliminem barreiras regulamentares à participação
• Revimos os critérios e fórmulas de financiamento com contratualização plurianual e
incentivo à captação de financiamentos externos
• Garantimos cheque-psicólogo nas Instituições de Ensino Superior
• Garantimos cheque-nutricionista nas Instituições de Ensino Superior
SAÚDE
• Propusemos o Plano de Emergência do SNS e o seu modelo de implementação,
garantindo tempos máximos de resposta para consultas de especialidade, e
cirurgias e meios complementares de diagnóstico e terapêutica. Iniciámos o
caminho com vista a garantir a resposta de urgência em saúde materno-
-infantil e criar as condições necessárias para vir a atribuir um médico de
família a todos os portugueses
• Definimos um Plano Plurianual de Investimentos para o SNS, para mo-
dernizar tecnologicamente as suas unidades, qualificar as suas infraes-
34
truturas, reforçar a capacidade de resposta do SNS e contribuir para a motivação
dos profissionais e humanização dos cuidados de saúde
Plano de emergência
• Criámos a especialidade médica de Urgência
• Reforçámos a resposta pública em parceria com o setor privado (Parceria Público-
-Privada com Hospital de Cascais)
• Regularizámos a lista de espera para cirurgia oncológica: OncoStop2024
• Aproximámos o Serviço Nacional de Saúde ao cidadão através da Linha SNS24 - li-
gação direta aos pacientes para agendamento cirurgia
• Programa cirúrgico para doentes não oncológicos, com vista a reduzir lista de inscri-
tos em cirurgia e criar o Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia
• Criámos o canal de atendimento direto para a grávida, apoiado na linha SNS 24
• Atribuímos incentivos financeiros para reforçar realização de partos
• Afetámos Médicos de Família aos utentes em espera
• Implementámos a consulta de doença aguda nos cuidados de saúde primários
• Criámos o regime de Atendimento Referenciado de Ginecologia de Urgência
• Atualizámos os rácios de pessoal e da composição das equipas nos locais de parto
em função de critérios técnico-científicos atendíveis
• Revimos a tabela de preços convencionados para Meios Complementares de Diag-
nóstico e Terapêutica (ecografias pré-natais)
• Criámos Centros de Atendimento Clínico para situações agudas de menor comple-
xidade e urgência clínica
• Realizámos teleconsultas médicas em situações agudas de menor complexidade
e urgência clínica
• Reforçámos os programas de vacinação sazonal
• Desenvolvemos o algoritmo do SNS24 para pré-triagem, encaminhamento,
referenciação e agendamento de consultas do dia seguinte
• Realizámos campanhas de informação, através da rede de farmácias
• Criámos o Departamento de Urgência e Emergência Médica na DE-
-SNS
35
• Transporte inter-hospitalar integrado do doente crítico
• Reforçámos a resposta pública dos Cuidados de Saúde Primários em parceria com o
setor social
• Criámos a linha de atendimento para utentes que necessitem de acesso a médico no
dia
• Contratámos psicólogos para os Cuidados de Saúde Primários
• Criámos um programa estruturado de Saúde Mental para as forças de segurança
(PSP e GNR)
• Garantimos capacidade de internamento para situações agudas nos Serviços Lo-
cais de Saúde Mental
• Generalizámos os Centros de Responsabilidade Integrados em todos os Serviços Lo-
cais de Saúde Mental
• Apoio médico a doentes em lares (ERPI)
Reforço de equipas e meios
• Reforçámos as Equipas de Apoio Domiciliário
• Reforçámos os meios e incentivos ao maior desenvolvimento das equipas de hos-
pitalização domiciliária bem como o reforço da assistência de saúde no domicílio a
doentes que deles necessitam
Estabelecimentos
• Lançámos a obra do novo Hospital de Todos os Santos em Lisboa
• Apoiámos a reconstrução do Hospital de Ponta Delgada, após incêndio
• Lançámos o futuro Centro Nacional de Protonterapia no IPO Porto
Outros
• Apresentámos o projeto-piloto de reorganização dos serviços de obstetrícia, gi-
necologia e pediatria na região de Lisboa e Vale do Tejo, península de Setúbal
e no eixo Santarém-Leiria-Caldas da Rainha
36
MIGRAÇÕES
• Extinguimos o designado procedimento das Manifestações de Interesse (artigos 88º
e 89º, nos respetivos números 2 e outros, da Lei nº 23/2007, de 04 de julho)
• Criámos a Estrutura de Missão para resolver os +400 mil processos pendentes e ve-
rificar registos criminais
• Revimos o regime das autorizações de residência para que se baseiem em contratos
de trabalho previamente celebrados ou através de um visto de procura de trabalho
• Intervimos de forma urgente nas infraestruturas, sistemas informáticos e bases de
dados do controlo de fronteiras existentes
• Recuperámos o atraso na implementação dos novos sistemas de controlo de frontei-
ras (EES, ETIAS)
• Garantimos a eficiência e eficácia do sistema de retorno, unificando estas compe-
tências nas forças policiais
• Criámos uma equipa multi-forças de fiscalização para combater abusos (tráfico se-
res humanos, imigração ilegal, exploração laboral e violação de direitos humanos)
• Adotámos o princípio de “que somos um País de portas abertas à imigração, mas não
de portas escancaradas”, materializado em objetivos quantitativos para a imigra-
ção, ponderando a dimensão da segurança, priorizando em termos de qualificações
e evitando a exploração por redes ilegais e criminosas
• Reforçámos a capacidade de resposta e processamento nos Postos Consulares
• Adotámos medidas urgentes para mitigar os elevados níveis de congestionamento e
atrasos que se verificam nos postos de fronteiras dos aeroportos de Lisboa e Faro
• Reforçámos o enquadramento operacional do Acordo de Mobilidade CPLP (garan-
tindo verdadeiro humanismo e celeridade administrativa)
• Confirmámos e executámos os compromissos de reinstalação e recolocação de
beneficiários e requerentes de proteção internacional
• Desenvolvemos e executámos o Plano Nacional para a Implementação do
Pacto para as Migrações e Asilo da União Europeia
• Auditámos os procedimentos de formação e avaliação linguística para a
obtenção de nacionalidade portuguesa
• Promovemos a integração profissional de imigrantes, no sentido de mi-
norar as dificuldades (linguísticas e outras) na procura ativa de empre-
37
go e desenvolvemos competências sociais facilitadoras da entrada no mercado de
trabalho, designadamente através das redes GIP e GIP imigrantes, do IEFP
• Criámos Centros de Acolhimento Municipal/Intermunicipal de Emergência para imi-
grantes, em cooperação com os Municípios
• Reforçámos a oferta, cobertura e frequência do ensino do Português Língua Não
Materna (PLNM)
• Disponibilizámos materiais e orientações multilíngues, incluindo em português fun-
cional, melhorámos a eficiência no acesso à regularização e aos serviços públicos
através da rede CLAIM
• Reestruturámos AIMA: retirando competências de instrução e decisão dos proces-
sos de retorno, autonomizando o Conselho para as Migrações e Asilo, clarificando
competências de atração de imigração qualificada, sedimentando o Observatório
para as Migrações, e redefinindo a localização de lojas AIMA
• Alargámos o serviço presencial disponível para o cidadão imigrante pedir os seus
identificadores setoriais (NIF, NISS, NNU)
• Restituímos o Observatório das Migrações enquanto organismo do Estado para in-
formar política pública
• Criámos um regime transitório para os pedidos já apresentados previamente a esta
alteração, mas que estão pendentes de decisão da AIMA
• Desenvolvemos e lançámos um Plano de Ação para as Migrações, com base numa
auscultação profunda a várias entidades do setor, no caos instalado e nas ambições
deste governo
• Reforçámos o apoio financeiro às associações de imigrantes e da sociedade civil que
operam no setor: aumento da dotação financeira do PAAI, aumento do custo elegí-
vel por projeto e reprogramação do FAMI
• Redefinimos e autonomizámos o Conselho para as Migrações e Asilo, enquanto
órgão consultivo do Governo
• Programa de integração e formação de migrantes e refugiados no setor do
turismo
• Aumentámos a capacidade dos Espaços Equiparados a Centros de Insta-
lação Temporários (EECITs)
• Abrimos novos Centros de Instalação Temporária (CIT), assegurando o
apoio jurídico e da sociedade civil
38
FINANÇAS PÚBLICAS
• Garantimos o equilíbrio orçamental e a redução da dívida pública
• Contribuímos para a redução do IRS para os contribuintes até ao 8º escalão, através
da diminuição de taxas marginais entre 0,5 e 3 pontos percentuais face a 2023, com
enfoque na classe média
• Alargámos o IRS Jovem para todos os jovens até aos 35 anos, independentemente
da escolaridade, com um total de 10 anos de isenção de rendimentos sujeitos a IRS,
que varia entre 100% e 25% de isenção, até ao limite de 55 vezes o IAS
• Tornámos obrigatória a atualização dos escalões e tabelas de retenção em linha
com a inflação e o crescimento da produtividade
• Isentámos de contribuição e impostos os prémios de desempenho até ao limite equi-
valente de um vencimento mensal
• Duplicamos a consignação em sede de IRS para 1% para aumentar o orçamento das
instituições do setor social
• Reduzimos as taxas de IRC, enquadrada na transposição para a ordem jurídica na-
cional dos trabalhos em curso, ao nível da OCDE e da UE, relativas à garantia de um
nível mínimo mundial de tributação para os grupos de empresas multinacionais e
grandes grupos nacionais na União, que se destina a assegurar a tributação efetiva
dos lucros a uma taxa de 15%
• Aprovámos a dedução fiscal para mais-valias e dividendos obtidos por pessoas sin-
gulares na capitalização de empresas
• Reduzimos as tributações autónomas sobre viaturas das empresas em sede de IRC
• Eliminámos o IMT e Imposto de Selo para compra de habitação própria e permanen-
te por jovens até aos 35 anos
• Agenda de simplificação Fiscal:
• Simplificação da IES
• Entrega automática da Declaração Periódica de IVA para pessoas singula-
res sem operações tributáveis
• Dispensa da reunião de regularização em sede de inspeção tributária
• Harmonização dos prazos de validade das certidões de não dívida da
AT e da SS
• Fixámos em 10€ o montante mínimo para o reembolso do Imposto
do Selo
39
• Simplificação do Imposto do Selo no âmbito das transmissões gratuitas
• Alteração do prazo para pedido de pagamento em prestações do IVA
• Desmaterialização dos Registos de IVA
• Isenção da Declaração Aduaneira de Exportação
• Harmonização dos prazos para cumprimento de obrigações declarativas
• Dispensa de retenção na fonte para valores inferiores a 25€
• Eliminação do processo individual dos contribuintes
• Reformámos as Finanças Públicas: reestruturação orgânica do Ministério das Finan-
ças; valorização carreiras; modernização tecnológica, diplomas do spending review e
da orçamentação por programas
• Regulámos produtos financeiros, em particular o Produto Europeu de Poupança, fa-
zendo alguns ajustamentos à diretiva europeia para a aproximar do Plano de Pou-
pança-Reforma nacional
REFORMA DO ESTADO E MODERNIZAÇÃO
• Iniciámos uma abrangente e estrutural Reforma da Administração Pública
• Elaborámos um novo programa matricial de desburocratização e modernização da
Administração Pública e de infraestruturas públicas, que para promover eficiência
interna, bem como eliminar redundâncias e passos inúteis na relação da Administra-
ção Pública com o Cidadão e com a Empresa
• Criámos uma task force de eliminação de burocracias desnecessárias em diálogo
com cidadãos e empresas
• Começámos a trabalhar para a universalidade do atendimento presencial nos ser-
viços públicos, com e sem necessidade de marcação prévia e com disponibilização,
em tempo real, de informação sobre a capacidade e tempo de espera nos serviços
públicos
• Desenvolvemos centros de competências de excelência de apoio ao Governo
que agregam/coordenam os vários recursos e gabinetes de estudos e pros-
peção, de avaliação de políticas públicas, e serviços especializados como os
jurídicos e de compras públicas, com vocação de substituir a abundante e
onerosa contratação de serviços técnicos externos
• Garantimos o acesso com qualidade dos serviços públicos essenciais às
populações de todo o território nacional, estabelecendo os Critérios de
40
Proximidade Garantida para os vários Serviços Essenciais, ponderando localização
territorial, acessibilidade e complementaridade de oferta
• Assegurámos a interoperabilidade dos vários serviços da administração pública
• Fortalecemos os serviços jurídicos especializados do Estado (CEJURE)
• Implementámos uma cultura e prática de sistemática Avaliação de Políticas Públi-
cas, fortalecendo o papel do PLANAPP
• Começámos a desenvolver e a melhorar a coordenação política e do “Centro do Go-
verno”, para isso contribuindo a agregação de serviços dispersos
• Dentro do processo de digitalização do Sistema de Segurança Social, reduzimos as
filas de espera no atendimento presencial por via da melhoria e do aumento de ins-
trumentos digitais
• Simplificámos o processo de concessão de equivalências no ensino básico, com atri-
buição daquela competência às direções dos Agrupamentos de Escolas
• Reforçámos a capacidade de planeamento de políticas públicas, através do órgão
coordenador de planeamento e avaliador de políticas públicas
• Promovemos a coordenação e trabalho em rede na Administração Pública e Criação
do Fórum da Administração Pública, para coordenação, diálogo e trabalho em rede
entre os organismos
• Disponibilizámos novos documentos de identificação e títulos habilitantes na aplica-
ção [Link]
• Integrámos alunos migrantes, simplificando equivalências no ensino básico: acelerá-
mos a integração dos alunos migrantes, desburocratizando o processo administrati-
vo de posicionamento dos alunos no ensino básico, sem necessidade de intervenção
dos serviços centrais do Ministério da Educação, aprofundando autonomia das es-
colas
• Melhorámos e digitalizámos o Sistema de Segurança Social (melhorámos o aces-
so online a documentos, o sistema de pagamentos e a App Segurança Social
Mobile)
41
CARREIRAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
• Celebrámos acordos de valorização com 19 carreiras da administração pública:
Ano do
Carreiras Tipo de acordo Descrição do acordo
Acordo
Recuperação do tempo
1. Professores 2024 25% de 2024 a 2027
de serviço
(2 acordos)
2025 Mobilidade por doença
2. Agentes da PSP 2024 Subsídio de função e risco Incremento de 300 € até 2026
3. Guardas da GNR 2024 Subsídio de função e risco Incremento de 300 € até 2026
2024 Subsídio de condição militar Incremento de 300 € até 2026
Nivelamento do início da
Início no nível remuneratório (NR) 8 (ao
2024 tabela remuneratória com a
invés do 5)
GNR
Suplemento de residência
Suplemento de missão
Suplemento de Embarque
Alteração ao Regulamento do Serviço
4. Militares de Mergulhadores da Armada
Suplemento do serviço
Melhoria e criação de aerotransportado
2024
suplementos diversos
Suplemento de Serviço Aéreo
Suplemento de operador de câmara
hiperbárica (novo)
Suplemento de apoio (novo)
Suplemento de escala (novo)
Suplemento de prontidão (novo)
2024 Subsídio de função e risco Incremento de 300 € até 2026
5. Guardas
Prisionais Indexado ao regime em vigor para a
2024 Avaliação de desempenho
PSP
42
Passagem de 10% da remuneração
Revisão do suplemento de
2024 base, pago em 11 meses para 13,5%
recuperação processual
pago em 12 meses
Nível de complexidade funcional de
grau 3 (licenciatura)
Duas categorias profissionais:
• Escrivão (NR 35 a 58)
6. Oficiais • Técnico de Justiça (NR 18 a 42,
de Justiça em 2027)
(2 acordos) Revisão da carreira não
2025 Integração do suplemento de
revista recuperação processual
Criação do Suplemento de
disponibilidade no valor fixo de 180€
em 2027
Um cargo de chefia em regime
de comissão de serviço com nível
remuneratório 46
Aumento equivalente a 6 NR para as 3
categorias até 2027:
7. Enfermeiros 2024 Valorização da carreira • Enfermeiro Gestor
• Enfermeiro Especialista
• Enfermeiro
43
Reconfiguração das duas categorias
de Técnicos de Emergência Pré-
Hospitalar de conteúdo funcional mais
exigente.
Reposicionamento de uma posição
remuneratória a todos os profissionais
que integram atualmente o mapa de
pessoal do INEM.
Valorização da carreira
correspondente a três NR em janeiro
de 2025.
Valorização de trabalhadores com
2024 Valorização da carreira
antiguidade de, no mínimo, 16 anos
no desempenho da função de Técnico
de Emergência Pré-Hospitalar,
8. Técnicos de
por progressão para a categoria
Emergência Pré-
imediatamente superior através de um
hospitalar
procedimento concursal, privilegiando
a formação profissional realizada.
As seguintes matérias constantes do
protocolo negocial – adaptação do
SIADAP e a organização do tempo de
trabalho em sede de acordo coletivo
de trabalho – serão negociadas
posteriormente.
Este acordo promove e valoriza ainda
Capacitação dos a formação profissional adequada
2024
trabalhadores dos Técnicos de Emergência Pré-
Hospitalar.
O período experimental passa a ser de
2024 Período experimental
um ano.
Embaixador, em 2027, NR 82 até 91
Ministro plenipotenciário, em 2027, NR
64 até 75
2024 Valorização da carreira Conselheiro de embaixada, em 2027,
NR 47 até 59
9. Diplomatas
Secretário, em 2027, NR 34 até 44
Adido, em 2027, NR 30
Estatuto profissional do Atualização de algumas prerrogativas
2024
diplomata do regime
44
Valorização equivalente a 6 NR
até 2027 para todas as tabelas
remuneratórias
Foi acordado definir-se o
procedimento que permita aos
médicos vinculados por contrato
individual de trabalho (CIT) anterior
a 2012, colocados em PR intermédias
2024 Valorização da carreira ou virtuais, poderem integrar uma PR
na tabela remuneratória da carreira
médica, durante o ano de 2025, por
adesão voluntária.
Revisão da legislação de forma que
após a homologação da nota final do
internato médico, os internos passem
a auferir remuneração correspondente
à 1.ª PR da categoria de assistente.
De 2025 a 2028, a abertura de
procedimentos concursais para 350
10. Médicos 2024 Promoção intercategorial
vagas, por ano, para a categoria de
(2 acordos) assistente graduado sénior.
2025 foi atribuído mais um NR a todos
os médicos internos em todos os níveis
de formação geral e especializada.
Em 2025, foi acordada a legislação
Valorização dos médicos em vigor que permita o pagamento
2024 de 80% do valor/hora da 1.ª PR da
internos
categoria de Assistente aos médicos
internos que frequentam os 4.º, 5.º e
6.º anos da formação especializada,
quando realizam trabalho suplementar
nos serviços de urgência.
Celebração do Acordo Coletivo de
Trabalho para a carreira especial
médica, nos termos do anexo II ao
2024 ACT Médicos presente acordo e replicar os mesmos
regimes aos trabalhadores médicos
com contrato de trabalho celebrado
com entidades EPE do setor da saúde
45
• Clarificação da aplicação aos
trabalhadores médicos civis do
HFAR e nos estabelecimentos
prisionais da DGRSP
• Alargar o âmbito de aplicação à
10. Médicos área de emergência pré-hospitalar
2025 Regime de dedicação plena
(2 acordos) (INEM)
• Alargar a adesão aos médicos
da especialidade de MGF que
prestem atividade assistencial
em entidades orgânicas do SNS –
ICAD e cuidados paliativos
Entre 2025 e 2027, foi acordada a
valorização salarial equivalente a 6
2025 Valorização de carreiras
NR das categorias de Assessor Sénior,
Assessor e Assistente.
Valorização até 2027 de 6 NR,
Valorização dos residentes diferenciando-se a formação
11. Farmacêuticos 2025
Farmacêuticos especializada do 1.º e 2.º anos do 3.º e
4.º anos.
Abertura de 50 vagas para concursos
de Assessores Seniores e de 150
2025 Promoção intercategorial
Assessores, respetivamente, em 2025
e em 2027.
• Manutenção das 7 categorias.
• Tabela remuneratória com NR
inicial 13 em 2026, com dois NR
entre posições remuneratórias
12. Bombeiros Revisão e Valorização da • Criação do suplemento “Bombeiro
2025 Sapador”, que cobre risco,
Sapadores carreira não revista
penosidade, insalubridade e
prontidão de comparência,
que é uma percentagem da
remuneração base, sendo, em
2028, 300€ no mínimo.
Em 2025:
Criação do Suplemento • 100€ + 10,0 % sobre a
por risco, penosidade e remuneração base
13. Inspetores
2025 insalubridade inerente à
das Pescas Em 2026:
carreira especial de Inspeção
das Pescas • 125€ + 12,5 % sobre a remuneração
base
14. Inspetores da
2025 Novo SIADAP Adaptado Aplicável desde 2025
ASAE
46
2025 Novo SIADAP Adaptado Aplicável desde 2025
• Equivalente a 2 NR, em abril 2025,
15. Carreiras com a possibilidade de mais 2 NR
Valorização das carreiras
especiais da 2025 e posteriormente + 2 NR.
especiais
Autoridade • Aumento do final da carreira até
Tributária e ao NR 63.
Aduaneira
Salvaguarda de situações Desbloqueio da situação que se
2025 pendentes das carreiras arrastava desde 2019 e que envolve
subsistentes cerca de 2 000 trabalhadores.
16. Técnicos Superior 2025 Novo SIADAP Adaptado Aplicável desde 2025
de Diagnóstico e Circular de atribuição de
Terapêutica 2025 Publicada em 2025
pontos
17. Técnicos 2025 Valorização da carreira Desde NR 19 ao 63
Superiores
especialistas Criação de um suplemento,
de Orçamento e Máximo 25% da remuneração com
2025 em IHT, dependente de
Finanças Públicas recebimento mínimo de 10%
desempenho da entidade
do MF
2025 Valorização da carreira Desde NR 19 ao 63
18. Técnicos
Superiores Criação de um suplemento,
especialistas de Máximo 25% da remuneração com
2025 em IHT, dependente de
Estatística do INE recebimento mínimo de 10%
desempenho da entidade
19. Técnicos 2025 Valorização da carreira Desde NR 19 ao 63
Superiores
especialistas
de coordenação Criação de um suplemento,
Máximo 25% da remuneração com
transversal da 2025 em IHT, dependente de
recebimento mínimo de 10%
Administração e desempenho da entidade
Políticas Públicas
• E celebrámos o Acordo Plurianual de Valorização dos trabalhadores da Administra-
ção Pública 2025-2028:
Aumento anual equivalente a um nível remuneratório da Tabela
Remuneratória Única (TRU),
Aumentos anuais • 2025 e 2026: 56,58€ ou um mínimo de 2,15%
• 2027 e 2028: 60,52€ ou um mínimo de 2,30%
• Para Legislatura significa um aumento mínimo de 234,20€
Aumento das ajudas de custo Aumento dos valores em 5,0%, a partir de janeiro de 2025
47
Carreiras gerais da Reavaliar, restruturar e valorizar as carreiras gerais, em processo a
Administração Pública iniciar a partir de 2027
2024:
• Administração Hospitalar (em curso);
• Bombeiros Sapadores (feito);
• Oficial de Justiça (feito).
2025:
• Técnico Superior de Saúde;
• Técnicos Reinserção Social;
Revisão e Valorização de
• Técnico Superior de Reeducação;
Carreiras Não Revistas
2026:
• Vigilante da Natureza;
• Fiscalização (continuação);
• Polícia Municipal (continuação)
2027:
• Inspeção;
• Administração Prisional
Reuniões de acompanhamento e
Janeiro e julho de cada ano.
monitorização
• Anualmente, aquando da apresentação parlamentar da
Acompanhamento e Proposta de OE, em sede de negociação coletiva geral;
monitorização do Acordo AP • Sempre que se verifique uma alteração substancial às
condições relativas à definição de matérias.
Possibilidade de análise e avaliação das carreiras da AP, durante o
Análise da necessidade de
ano de 2026, em sede do processo negocial, com vista a analisar e
concretização de conteúdos
ponderar conteúdos funcionais com especificidades que justifiquem
funcionais com especificidades
densificação e/ou especialização.
Acelerador de Carreiras e
Recuperação do Tempo de Avaliação do impacto e respetivos resultados obtidos
Serviço
• Melhorámos os benefícios da ADSE:
1. CIRURGIAS: impacto de cerca de 13 milhões de euros anuais
• Limite máximo de 500 € no copagamento de qualquer cirurgia;
2. CONSULTAS EM REGIME LIVRE: impacto na ordem dos 4,3 milhões de
euros
• Consultas presenciais: O reembolso das consultas presenciais
aumenta de 20,45 € para 25 €
48
• Psicologia clínica: O reembolso das consultas de psicologia clínica aumenta
para 16 €
• Consultas de nutrição (Novo): passam a estar disponíveis consultas de nutri-
ção com um reembolso de 16 €
• Teleconsultas (Novo): passam a estar disponíveis teleconsultas, com um valor
de reembolso de 20 €
3. CONSULTAS EM REGIME CONVENCIONADO: impacto estima-se em 16,5 mi-
lhões de euros
• Consultas de clínica geral: o preço pago pela ADSE I.P. aos prestadores au-
menta de 20 € para 25 €. O copagamento aumenta de 4 € para 5 €
• Consultas de especialidade: aumento do valor da maioria destas consultas
para assegurar os melhores profissionais, o copagamento aumenta de 5 €
para 7 €
As especialidades de Dermato-venereologia, Ginecologia, Obstetrícia, Pedia-
tria, Psiquiatria e Psiquiatria da Infância e Adolescência, Reumatologia e Of-
talmologia, já praticam preços mais elevados
• Teleconsultas: o copagamento passa para 4€
• Consulta multidisciplinar de oncologia: a ADSE passa a suportar integral-
mente a comparticipação do beneficiário
• Consultas de psicologia clínica e nutrição: O copagamento fixa-se em 4 €
4. INCLUSÃO DA REDE CONVENCIONADA DE TÉCNICAS INOVADORAS: impacto
de cerca de 7,5 milhões de euros
• Revisão de preços em 74 códigos cirúrgicos do Regime Convencionado, com
inclusão de técnicas inovadoras
• Abertura de 52 novos códigos cirúrgicos no Regime Convencionado
MOBILIDADE, INFRAESTRUTURAS E COMUNICAÇÕES
Transferência modal para o transporte público
• Criámos o Passe Ferroviário Verde
• Alargámos o passe gratuito jovem a não estudantes
• Reforçámos o Fundo para o Serviço Público de Transportes
49
• Acelerámos o desenvolvimento de Planos de Mobilidade Urbana Sustentável
• Criámos o [Link]
Passageiros
• Apoiámos a aquisição de veículos de zero emissões
• Implementámos a Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa
Mercadorias
• Apoiámos a aquisição de veículos de mercadorias de emissões nulas
• Apoiámos a ferrovia de mercadorias pelos custos externos evitados
• Apoiámos a instalação dos novos tacógrafos digitais de 2.ª geração no transporte
rodoviário de mercadorias
• Apoiámos a capacitação das autoridades locais em logística urbana
• Apoiámos pilotos de logística urbana
Descarbonização dos transportes
• Apoiámos a aquisição de veículos de zero emissões
• Implementámos a Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa
Outras concretizações
• Decidimos a localização do novo aeroporto em Alcochete
• Iniciámos a realização de estudos para a terceira travessia do Tejo (consumada na
decisão da ponte ser construída entre Chelas e Barreiro)
• Adjudicação da Concessão da Linha de Alta Velocidade (Porto-Oiã)
• Reabertura da Linha de Leixões ao transporte de passageiros
• Aumentámos a oferta de transporte público com reforço da frota
• Aprofundámos a tendência de gratuitidade do Transporte Público de Passa-
geiros para residentes, e acompanhámo-la de indicadores de eficiência
• Criámos um novo portal com dados sobre TVDE para aumentar confiança
no setor – informação sobre cartas de condução, certificados de moto-
rista TVDE, licenças de operador TVDE e características dos veículos
50
• Implementámos soluções inovadoras e digitais, que permitem melhorar o controlo
de entradas e saídas de passageiros e carga, por via aérea, potenciando a utilização
das infraestruturas à procura variada existente
• Promovemos a transferência modal das mercadorias para a ferrovia corrigindo os
desequilíbrios na taxação da infraestrutura e aumentando a produtividade e eficiên-
cia do transporte
• Avaliámos a criação de incentivos à conversão energética para veículos de transpor-
te de passageiros
• Promovemos uma nova relação entre o transporte ferroviário e os passageiros
HABITAÇÃO
• Aprovámos a garantia pública para viabilizar o financiamento bancário da totalidade
do preço da aquisição da primeira casa por jovens
• Aprovámos a isenção de emolumentos na compra da 1ª habitação de jovens até 35
anos
• Aprovámos a isenção de IMT e IS aos jovens até aos 35 anos, nos imóveis até ao 4º
escalão (até 316 mil euros)
• Aumentámos a abrangência do Porta 65, alterando os limites de aplicação
• Revogámos o arrendamento forçado
• Flexibilizámos as limitações de ocupação dos solos, densidades urbanísticas (incluin-
do construção em altura) e exigências e requisitos construtivos, bem como a possi-
bilidade de aumento dos perímetros urbanos, garantindo uma utilização do território
de forma sustentável e socialmente coesa e harmoniosa para garantir acesso à ha-
bitação
• Reforço da oferta de camas usando a capacidade instalada das Pousadas de Ju-
ventude e INATEL
• Disponibilizámos apoios públicos e estímulos transitórios para fazer face às si-
tuações mais prementes de carência e falta de acessibilidade habitacional
• Revogámos a medida do Mais Habitação de garantia e substituição do Es-
tado como arrendatário
• Quanto ao Alojamento Local, revogámos a contribuição extraordinária
sobre o alojamento local (CEAL), da caducidade da licença e transmis-
sibilidade
51
• Agilizámos os programas de subsídio de renda, eliminando restrições
• Implementámos a Estratégia para a Habitação e o Plano Construir Portugal
• Alterámos a Lei dos Solos, para permitir o uso de solos rústicos e, assim, aumentar a
oferta de soluções sustentáveis de Habitação
• Criámos o Bónus Construtivo
• Criámos Novas Centralidades Urbanas na envolvente das zonas de pressão urbanís-
tica, com planos urbanísticos sustentáveis
• Desbloqueámos 26.000 casas do PRR com adoção de termo de responsabilidade
das Câmaras Municipais
• Reforçámos o financiamento para viabilizar o desenvolvimento de milhares de outros
fogos candidatos, mas não financiados no PRR
• Criámos o Portal do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) para acom-
panhamento dos processos de candidaturas
• Robustecemos a capacidade de promoção do IHRU através da Construção Pública
EPE (Programa de Arrendamento Acessível)
INOVAÇÃO, EMPREENDEDORISMO E DIGITALIZAÇÃO
• Criámos uma Estratégia Digital Nacional, com uma visão, objetivos, indicadores e
prazos claros, e um orçamento e uma estrutura de governação específicos
• Promovemos e investimos no desenvolvimento da infraestrutura computacional de
alto desempenho em Portugal, que permitiu a investigação, inovação, desenvolvi-
mento e comercialização de soluções de inteligência artificial
• Promovemos o investimento na formação e requalificação de trabalhadores em se-
tores que carecem de capital humano e exigem alta especialização
• Criámos um Fundo de Inovação Digital para apoiar o desenvolvimento, a adoção
de tecnologias emergentes e a investigação pelas empresas portuguesas
• Promovemos o desenvolvimento de testes de tecnologias digitais avançadas
no que respeita a novos produtos
• Reformulámos os critérios de elegibilidade para estágios profissionais
apoiados (ligação à empregabilidade direta dos jovens e níveis das bol-
sas) e melhorámos a regulação dos estágios não apoiados, de modo a
prevenir abusos
52
• Aprovámos a nova estratégia de atendimento que coloca os cidadãos e as empresas
no centro e está assente na nova marca integradora – [Link]
• Desenvolvemos e lançámos o programa “Tens Futuro em Portugal”, com cinco eixos:
redução de impostos, habitação, saúde, alojamento estudantil e bolsas de trabalha-
dores-estudantes
• Lançámos o novo Cartão de Cidadão
ECONOMIA
• Incentivámos as empresas já instaladas no nosso País a aumentarem a sua dimen-
são e desenvolverem parcerias com empresas de raiz portuguesa com potencial de
expansão
• Visámos novas atividades e novos grupos empresariais ainda sem presença no nosso
País em setores de futuro
• Reforçámos e reorganizámos organizações públicas, reintegrando a AICEP no Minis-
tério da Economia, e avaliámos o papel do Banco Português de Fomento no ecossis-
tema institucional responsável pela política económica nacional
• Apoiámos de forma efetiva a organização e participação em feiras e exposições in-
ternacionais para ligar empresas a potenciais parceiros no exterior
• Comunicação dos instrumentos de financiamento através de ações de formação e
sessões de esclarecimento do tecido empresarial português
• Estimulámos a capacitação tecnológica própria nas empresas de base industrial,
quer individual quer num trabalho em rede através dos CTI
• Iniciámos o processo de criação de uma nova agenda para o turismo, que assegura a
sua sustentabilidade económica, social e cultural
• Apoiámos o reforço da cooperação com entidades europeias internacionais no âm-
bito do controlo e fiscalização dos mercados
• Lançámos a Campanha Internacional de Turismo
• Linha de partilha de risco para PME, garantida pelo Estado Português e pela
UE (InvestEU), para facilitar o acesso das empresas a financiamento
• Vouchers de apoio para candidaturas de startups a programas interna-
cionais de aceleração
• Fundo de ignição para projetos de startup em crescimento
53
• Aumentámos a elegibilidade do regime de IVA de caixa
• Reforçámos os incentivos financeiros para “Small MidCaps”
• Lançámos o programa “Rede de Fornecedores Inovadores”
• Reforçámos e alargámos a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta
• Procedemos à revisão e reforçámos o Portugal Events
• Reforçámos as linhas de apoio ao Turismo
• Implementámos modelos de custos simplificados com custos unitários padronizados
para projetos de I&D
• Facilitámos a categorização de startups
• Programa de Parcerias Estratégicas para as Escolas de Hotelaria e Turismo no Con-
texto CPLP
• Contribuímos para um referencial de verificação de relatórios ESG
NATALIDADE, FAMÍLIA, LONGEVIDADE E BEM-ESTAR
• Reforçámos gradualmente o valor do Complemento Solidário para Idosos de 550
euros para 630 euros, e alargamos a sua abrangência
• Alargámos o programa de creches gratuitas à rede pré-escolar e garantimos o aces-
so universal e gratuito, mobilizando os setores público, social e privado
• Revisão do Regime Jurídico do Estatuto do Cuidador Informal, com enfoque na sim-
plificação do processo de reconhecimento, bem como no reforço das condições de
apoio, descanso e acompanhamento do cuidador
• Adotámos um Estatuto para o Idoso
• Criámos modelos que visem a sustentabilidade financeira das instituições do setor
social e solidário
DIVERSIDADE, INCLUSÃO E IGUALDADE
ENTRE HOMENS E MULHERES
• Revisão da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situa-
ção de Sem-Abrigo
• Subsídio do cuidador informal
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• Reforço da verba atribuída ao Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio
• Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035 (EUDCJ), que inte-
gra os eixos do combate à pobreza, da garantia para a infância e dos direitos das
crianças
• Permitimos às instituições de acolhimento flexibilizar o modelo de organização das
casas de acolhimento, para permitir a permanência conjunta de irmãos e atender a
critérios de proximidade geográfica
TRANSPARÊNCIA E COMBATE À CORRUPÇÃO
• Desenvolvemos e lançámos a Agenda Anticorrupção com 32 medidas, incluindo re-
gulamentação do lobbying
• Contratámos mais 570 oficiais de justiça para os tribunais
• Abrimos o 10.º concurso de provas públicas para atribuição do título de notário
• Lançámos o portal de denúncias para agricultura, mar e ambiente - a iFAMA
COMUNICAÇÃO SOCIAL
E COMBATE À DESINFORMAÇÃO
• Criámos um Plano de Ação para os média, envolvendo o setor dos média tradicionais
e digitais, a academia e a sociedade civil, para dar resposta aos problemas decorren-
tes das profundas mudanças tecnológicas, da configuração da nova oferta de con-
teúdos, da crise nas cadeias de produção e da violação de direitos de consumidores
e empresas
• Clarificámos a situação da agência Lusa e resolvemos o impasse na sua estrutura
acionista de forma equilibrada, imparcial e com todos os agentes do setor
• Mantivemos a posição maioritária do Estado na Agência Lusa, contribuindo para
um serviço público de informação de rigor, seriedade e qualidade
• Salvaguardámos o papel e a missão do serviço público de rádio, televisão e mul-
timédia, garantindo a sua independência e transparência
• Encorajámos os meios de comunicação regional e local
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JUSTIÇA
• Melhorámos os procedimentos para citação e notificação de partes e intervenientes
acidentais
• Iniciámos um processo de revisão e valorização das carreiras profissionais dos Guar-
das Prisionais
• Iniciámos um processo de revisão e valorização das carreiras profissionais dos Ofi-
ciais de Justiça
• Começámos um processo de dignificação das carreiras e de valorização profissional
e remuneratória dos homens e mulheres que servem nas forças de segurança
• Restruturação do Mecanismo Nacional Anticorrupção, aperfeiçoando o seu funcio-
namento e reforçando os seus meios
• Aprovação do Plano de Prevenção de Riscos do Governo, aumentando a transparên-
cia e a prevenção de conflitos de interesses
• Reforço da prevenção da corrupção nas autarquias, com a aprovação de um plano
de recrutamento de 50 novos inspetores entre 2025 e 2027
• Aprovação da tramitação eletrónica dos processos judiciais, reforçando a eficiência
e celeridade dos Tribunais
• Reforço do papel do CEJURE – Centro Jurídico do Estado: expansão das suas ca-
pacidades e ganhos de eficiência; diminuição da contratação de assessoria jurídica
externa; poupança na despesa pública.
• Oficiais de justiça:
• Contratação de 570 novos oficiais de justiça;
• Acordo de revisão do Estatuto dos Oficiais de Justiça com os dois sindicatos dos
funcionários judiciais, finalmente pacificando protestos laborais iniciados em
1999.
• Corpo da Guarda Prisional:
• Acordo com todos os sindicatos para aumento faseado da remuneração.
• Lançamento de procedimento de recrutamento de 225 novos guardas.
• Trabalhadores do IRN:
• Conclusão de procedimentos para o recrutamento de 50 conserva-
dores e de 240 oficiais de registo, para reforçar e renovar os serviços
de todo o país, após 20 anos sem recrutamento externo.
56
• Autorização para recrutamento, em 2025, de um total de 120 conservadores de
registos e de 620 oficiais de registos.
• Acordo com sindicatos para início de negociação da revisão do estatuto remune-
ratório de conservador e oficial de registos.
• Auditorias de Segurança e Vigilância aos 49 Estabelecimentos Prisionais.
• Investimento de 24M€ no Estabelecimento Prisional Lisboa.
• Instalação de dois novos Gabinetes de Apoio à Vítima.
• Atualização do valor dos honorários dos advogados oficiosos.
• Generalização de interfaces digitais na jurisdição Administrativa e Fiscal
• Investimento de 80M€ nas infraestruturas tecnológicas do MJ até 2027
ADMINISTRAÇÃO INTERNA, SEGURANÇA
E PROTEÇÃO CIVIL
• Foi assinado, com as estruturas sindicais e sócio profissionais mais representativas
da PSP e da GNR o acordo relativo ao suplemento de risco das forcas de segurança.
Com este acordo, essencial para a pacificação deste setor, a componente fixa do
suplemento de risco aumentou de 100 para 357 euros neste ano, atingindo os 400
euros em 2026. No final de 2026, corresponderá a quase 4300€ por ano, equivalen-
te a mais 4,37 salários/ ano para as primeiras posições. Sendo o maior aumento de
sempre para polícias e guardas.
• Foi reforçada a autoridade das forças de segurança e foi alterado o quadro sancio-
natório penal para os crimes praticados contra os agentes das forças de segurança.
Por exemplo, o crime de resistência e coação passou a incluir as forças de segurança
e o seu limite máximo foi agravado passando de 5 para 8 anos.
• Na PSP, foi aprovado o acelerador de carreiras e estavam em curso as negociações
com as estruturas representativas da PSP e da GNR – interrompidas com o der-
rube do Governo – relativas à revisão dos estatutos profissionais e dos regimes
remuneratório e de avaliação.
• No âmbito das infraestruturas e equipamentos das forças de segurança, foi
criado um conjunto de mecanismos tendo em vista assegurar uma melhor e
mais célere execução dos investimentos previstos. Nas infraestruturas, du-
plicou-se a execução (2.º a 4.º Trimestres de 2024). Já na medida veícu-
los, verificou-se uma execução de 96,35% (2.º a 4.º Trimestres de 2024).
57
• Fizemos avançar a videovigilância, tendo sido analisados, alargados, inaugurados ou
autorizados 15 sistemas de videovigilância. No total, foram aprovadas 293 novas câ-
maras, ou seja, quase mais 30% de novas câmaras face às já existentes, e renovadas
as autorizações de 335 equipamentos já existentes.
• No combate à violência doméstica foi, em conjunto com o Ministério da Juventude e
Modernização, constituído o Grupo das 72h para revisão da ficha de avaliação de ris-
co (RVD) e reativado o Grupo de Trabalho da Base de Dados da Violência Contra as
Mulheres e Violência Doméstica. Cerca de 1.600 elementos das Forças de Segurança
receberam formação específica nesta área, incluindo formação para a utilização da
nova RVD.
• Maior aumento de sempre do montante diário a abonar pela afetação de pessoal ao
Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais.
• Conclusão do processo para aquisição de meios aéreos de combate a incêndios pró-
prios do Estado, no valor de 100M€.
• Na área da saúde mental, foi criado o programa estruturado de saúde mental e de
prevenção do suicídio para as forças e serviços de segurança, tendo o objetivo de
garantir e tornar efetiva a implementação de uma Via Verde de saúde mental.
• Foram desenvolvidas as bases para preparação e elaboração uma estratégia pe-
dagógica a adotar pelas forças de segurança, orientada para o reforço do respeito
e proteção dos direitos fundamentais, partindo da divulgação e compreensão dos
valores constitucionais.
• Após anos inação, foram lançados os projetos para a construção de dois Centros de
Instalação Temporária, no valor de 30 milhões de euros, com capacidade total para
300 pessoas, permitindo, assim, executar com rigor e humanismo, a política de imi-
gração regulada, nas suas dimensões de retorno e asilo.
DEFESA NACIONAL
• Em tempos de incerteza no plano geopolítico, antecipámos o cumprimento de
compromissos assumidos com a NATO e os nossos Aliados, antecipando em 1
ano o crescimento dos investimentos na Defesa Nacional até 2% do PIB até
2029
• Atualizámos os salários dos Militares dos três Ramos das Forças Armadas,
na base de um princípio da equiparação com as forças de segurança,
acabando com uma discriminação de décadas
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• Aumentámos e criámos suplementos para resposta a problemas graves identificados
nas Forças Armadas: os suplementos da condição militar, de residência, de serviço
aéreo, de embarque e criamos os suplementos de deteção e inativação e engenhos
explosivos e de operador de câmara hiperbárica
• Criámos o primeiro mecanismo de apoio em caso de incapacidade ou morte de mili-
tares, que incompreensivelmente, ponderada a natureza da função, nem sequer exis-
tia
• Fizemos justiça com apoios aos antigos combatentes, dignificando e respeitando a
sua condição, comparticipando medicamentos faseadamente a 100%, e asseguran-
do o acesso ao Hospital das Forças Armadas dos inscritos na Liga dos Combatentes
• Acelerámos a apreciação de processos administrativos de qualificação de deficien-
tes das Forças Armadas, de 6 anos em média, para 60 dias através de um protocolo
celebrado com a Ordem dos Advogados
• Investimos na Saúde militar, lançando a construção do polo de Cirurgia do Hospital
das Forças Armadas aguardado desde 2014 e garantimos o pagamento da dedica-
ção exclusiva dos médicos civil ao serviço deste hospital
• Reforçámos a presença e a participação dos Militares dos 3 Ramos em missões in-
ternacionais ao serviço da NATO, ONU, EU, FRONTEX e Coligações
• Assegurámos um investimento de 32 milhões de Euros de PRR para reabilitação de
15 edifícios devolutos ou degradados do Exército em diversos concelhos, que serão
vocacionados para a Habitação a baixos custos, beneficiando 600 famílias e moder-
nizando ainda o Colégio Militar e os Pupilos do Exército
• Avançámos para a modernização de bens e equipamentos militares, envolvendo a
base tecnológica e industrial de Defesa nacional. Acreditamos que as indústrias de
defesa podem ter um papel estratégico na modernização das Forças Armadas e no
fortalecimento da economia do país
• Fomos firmes no apoio à Ucrânia, no âmbito da NATO e do lado dos nossos alia-
dos, através de doações de equipamento, participação em iniciativas, formando
militares do Exército, Marinha e Força Aérea, envolvendo também as empresas
portuguesas em áreas diversas
• Iniciámos uma aliança estratégica entre a Defesa Nacional e a Economia,
para simplificação da contratação pública, com reforço de mecanismos
de transparência e controlo, com vista à criação de um ecossistema de
defesa que promova a autonomia estratégica de Portugal e potencie a
economia nacional, gerando emprego e incentivando a inovação e o
desenvolvimento tecnológico
59
• Demos passos reforçados na cooperação internacional com vista ao desenvolvimen-
to empresarial e tecnológico
• Aumentámos a eficácia e a capacidade de prontidão das Forças Armadas e a ca-
pacidade de atrair e reter talento, garantindo um corpo militar mais motivado e pre-
parado para enfrentar os todos os desafios. Depois de 8 anos com os números de
recrutamento e retenção persistentemente em queda, fomos capazes de inverter
este ciclo, aumentando significativamente o número de recrutas e assegurando mais
militares a ficar do que a sair
• Assegurámos a prontidão e eficácia das Forças Armadas em missões determinadas
no território nacional, com exemplo em ações de busca e salvamento, operações de
prevenção e rescaldo de incêndios, ações de emergência médica, cooperação no
combate a criminalidade complexa e organizada, repatriamento de cidadãos e for-
necimento de equipamentos diversos de campanha em situações de catástrofe
• Reforçámos as capacidades inerentes a um conflito convencional e não convencio-
nal (operações especiais)
• Edificámos a capacidade de meios de asa rotativa no ramo do Exército
• Celebrámos um acordo com a Cruz Vermelha para reforçar as emergências pré-hos-
pitalares
CULTURA
Apoios
• Apoiámos e criámos programas de estímulo ao acesso de crianças e jovens em idade
escolar a Monumentos, Museus, Teatros e outros equipamentos culturais, bem como
promovemos a ida de artistas à escola, aproximando a comunidade artística da co-
munidade educativa
Programas
• Preparámos e consensualizámos, com a devida antecedência, os programas de
celebração de datas com elevado significado histórico nacional, em particular,
entre outros, a celebração dos 500 Anos de Luís Vaz de Camões, os 100 Anos
de Carlos Paredes e, ainda durante a legislatura, os 900 Anos da batalha de
São Mamede (1128), referência fundadora da nacionalidade
60
• Garantimos que no Programa “Bolsas anuais de criação literária” – distribuído equi-
tativamente pelas capitais de distrito, com extensão à CPLP – os bolseiros não têm
obrigação de contrato de trabalho, nem de exclusividade
Promoções
• Promovemos a tradução e a internacionalização da produção literária nacional, es-
tabelecendo protocolos específicos com o Brasil e os países lusófonos
Gratuidade ou desconto no acesso
• Assegurámos a gratuitidade do acesso a museus e monumentos nacionais, bem
como centros de ciência, para jovens até aos 25 anos
• Garantimos o acesso gratuito a espetáculos e visitas nos Teatros Nacionais no âm-
bito da visita escolar (docentes e alunos)
• Garantimos o acesso ao teatro com 50% de desconto para jovens até aos 25 anos,
nos Teatros Nacionais (TNDMII/TNSJ e TNSC e CNB/Teatro Camões)
• Garantimos o acesso gratuito a museus, monumentos e palácios para portugueses e
residentes em Portugal, 52 dias por ano, em qualquer dia da semana
• Garantimos o acesso gratuito a museus, monumentos e palácios para profissionais
da área da cultura residentes em Portugal (exigência de credenciação - EPAC /Esta-
tuto dos Profissionais da Cultura)
Outros
• Assegurámos o bom funcionamento das instituições patrimoniais em todo o territó-
rio, especialmente dos Museus, Monumentos e Palácios
• Criámos o Centro de Estudos e Planeamento “Património/alterações climáticas e
planos de mitigação”, sediado no Palácio Nacional da Ajuda
DESPORTO E ATIVIDADE FÍSICA
• Alargámos a representação no Conselho Nacional do Desporto ao Conselho
Nacional de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto e à
Sociedade Portuguesa de Educação Física
• Reforçámos em 55 milhões de euros o apoio ao programa de preparação
Olímpica e Paralímpica no ciclo dos jogos de “Los Angeles 2028”
• Lançámos o calendário de elaboração do Plano Integrado de Desporto
61
AMBIENTE
Requalificámos No ambiente, o Governo aprovou um conjunto de medidas essenciais à
proteção ambiental, de norte a sul do país, na intervenção e requalificação de leitos e
margens de rios com vista a, por exemplo, renaturalizar e minimizar os efeitos das alte-
rações climáticas, com ou sem a participação dos municípios através da celebração de
protocolos de cooperação com a Agência Portuguesa do Ambiente. Além de medidas
no domínio hídrico, também se garantiu a operacionalização do mercado voluntário de
carbono, incentivando projetos de redução de emissões de gases com efeito de estufa
e também projetos de sequestro de carbono. E, no âmbito energético, foi promovido
o autoconsumo de energia renováveis para pequenos consumidores (v.g., condomínios,
universidades, pequenas empresas, comunidades).
No planeamento ambiental, as medidas executadas passaram pela aprovação do Ro-
teiro Nacional para a Descarbonização da Aviação (RONDA) – 2025/2026 e do Plano
Nacional para o Lixo Marinho 2024, a revisão da Estratégia Nacional de Conservação
da Natureza e Biodiversidade 2030, ou, ainda, a aceleração da implementação dos Pla-
nos Regionais de Eficiência Hídrica e do Plano Estratégico de Abastecimento de Água e
Saneamento de Águas Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030).
Para assegurar a execução destas e outras medidas, o Governo criou ainda, no plano
orgânico, a Agência para o Clima com uma atuação transversal na execução e coorde-
nação de políticas públicas de ação climática, reestruturou o modelo de funcionamento
da Comissão de Acompanhamento da Gestão de Resíduos (CAGER) para desempenhar
eficazmente a sua missão (em prol de uma economia circular) e reformou o Fundo Am-
biental.
Energia
• No quadro da revisão e do reforço do Mercado Elétrico Europeu, assegurámos:
• a proteção e o empoderamento dos consumidores
• a atração de investimentos que reforcem o mercado elétrico europeu
• a aplicação do regulamento com vista a melhorar a proteção da União contra
a manipulação do mercado grossista da energia (REMIT)
• Planeámos a capacidade de receção das redes de distribuição e de transpor-
te de modo a acomodar o aumento de produção de fonte renovável, face
aos estrangulamentos existentes, diligenciando também no sentido da
concretização dos compromissos assumidos entre Portugal, Espanha e
França ao nível das interligações energéticas para aumentar a conecti-
vidade europeia
62
• Reforçámos as capacidades armazenamento energético, seja ao nível da eletricida-
de ou dos gases renováveis
• Estimulámos a inovação tecnológica e a digitalização de processos, redes e sistemas
de energia, assegurando a sua flexibilidade e resiliência
• Transpusemos para o quadro nacional o “Critical raw materials act” europeu que irá
permitir o fornecimento seguro e responsável de matérias-primas e assegurar a tran-
sição energética
• Concretizámos os compromissos internacionais de Portugal em transição energéti-
ca e descarbonização efetiva e competitiva da economia nacional, incluindo quanto
ao aumento da proporção de Energia Renovável no consumo final bruto de Energia,
de acordo com os princípios de sustentabilidade ambiental, racionalidade e eficiên-
cia económica, competitividade para a economia nacional, neutralidade tecnológi-
ca, sustentabilidade financeira, e segurança e independência energética do País
• Apostámos fortemente em eficiência energética reforçando os programas de apoio
dirigidos à habitação
• Estimulámos o conceito de consumidor-produtor, desburocratizando e acelerando
o licenciamento das formas de produção descentralizada, incluindo UPAC, UPP, Co-
munidades de Energia Renovável e Unidades de Autoconsumo coletivo, bem como
de partilha de energia, de forma a garantir, a médio e longo prazo, custos de energia
mais baixos
• Adotámos políticas públicas que reconduzam Portugal a uma tendência de descida
no défice tarifário
AGRICULTURA, FLORESTAS E ALIMENTAÇÃO
Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC)
• Reprogramámos o Plano Estratégico da PAC (PEPAC), para melhorar o rendimento
dos produtores e simplificar os procedimentos para os beneficiários
• Garantimos a publicidade dos avisos de abertura do PEPAC para temas como:
• Prémio instalação jovens agricultores
• Apoio à apicultura para a Biodiversidade
• Gestão, Acompanhamento, e avaliação da estratégia e sua animação
• Criação de agrupamentos e organização de produtores
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• Investimento agrícola para melhoria do desempenho ambiental – Construção de
charcas e reservatórios
• Investimento Produtivo Jovens Agricultores
• Investimento produtivo agrícola – Modernização
• Investimento na Bioeconomia para Melhoria do Desempenho Ambiental
Rede de rega
• Lançámos o concurso de empreitada do bloco de rega de Moura e de Reguengos
• Lançámos a empreitada da rede de rega do aproveitamento Hidroagrícola do Xévora
Apoios
• Garantimos apoios na sequência de um conjunto de incêndios rurais ocorridos no
verão de 2024 para:
• a reconstituição ou reposição do potencial produtivo danificado
• a estabilização de emergência pós-incêndio
• apoio extraordinário às entidades gestoras de zonas de caça que foram direta-
mente afetadas
• apoio extraordinário a produtores pecuários e a apicultores que foram afetados
Isenções
• Garantimos isenção de IVA sobre as doações de rações, no âmbito dos incêndios
ocorridos no verão de 2024
• Garantimos isenção das entidades gestoras de zonas de caça, cujos territórios ci-
negéticos foram afetados pelos incêndios, do pagamento das taxas anuais relativas
aos anos 2024 e 2025
Proibições
• Proibimos a entrada de produtos vínicos (uvas e mostos) na Região Demarcada
do Douro
• Proibimos a atividade cinegética por um período de um ano em todas as
áreas ardidas com área contígua superior a 1000 hectares
64
Implementações garantidas
• De um novo sistema de informação para o PEPAC, que permita o carregamento das
informações do Pedido Único (PU), com o intuito de facilitar a submissão da candi-
datura
• Do Regulamento (UE) 2024/1143 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de abril
de 2024, sobre vinhos com indicação geográfica (IG)
• Da Portaria nº 214|2024, de 14 de dezembro 2024, sobre alterações às regras de ro-
tulagem
• A autorização da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a realizar a
despesa com a aquisição de serviços de recolha, transporte, tratamento e elimina-
ção de animais mortos em exploração, no âmbito do sistema de recolha de cadá-
veres de animais mortos em exploração, pelo período máximo de 24 meses, para os
anos de 2025 e 2026
Legislação aprovada
• Portaria n.º 162/2024/1, publicada a 11/06/2024, que repôs a legalidade do sistema
Nutri-Score - sistema de rotulagem nutricional simplificado
• Portaria n.º 306/2024, de 27 de novembro, aborda a Portaria n.º 334/94, de 31 de
maio, que estabelece limites para os parâmetros analíticos dos vinhos, incluindo o
teor de cinzas
• Portaria n.º 179-A/2024/1, de 5 de agosto – veio prever a destilação de vinho com de-
nominação de origem protegida (DOP) e indicação geográfica protegida (IGP) para
produção de álcool industrial, como forma de responder aos desafios do excesso de
vinho, queda no consumo e exportações, resultando em preços baixos e perdas para
os agricultores
• Decreto-Lei n.º 70/2024, de 11 de outubro, revogou as normas que exigiam o registo
em cada ato de venda, seguindo uma política de simplificação administrativa, de-
sonerando os operadores económicos das obrigações administrativas, reduzindo
os custos associados à sua atividade
• Alteração ao Decreto-Lei n.º 202/2004, de 18 de agosto, por forma a permitir
maior latitude e eficácia na gestão das populações de javalis por parte das
entidades gestoras de zonas de caça, alargando os períodos e processos
de caça a esta espécie e ajustando os condicionamentos venatórios
65
Outros
• Revimos o Protocolo com as Entidades Gestoras das Equipas de Sapadores Flores-
tais
• Criámos uma linha de crédito de 100 milhões de euros, com juros bonificados, para
apoiar produtores e fornecedores da uva adquirida ou a adquirir
• Operacionalizámos novos e mais eficientes modelos de fiscalização, protocolados
com ASAE, AT e GNR, por forma a controlar os fluxos e transportes de vinho em Por-
tugal
• Majorámos os pontos dos associados das OP e Cooperativas no acesso ao investi-
mento
• Aumentámos o prémio à instalação dos jovens agricultores
• Monitorizámos e apoiámos a operacionalização das OIGP
• Prolongámos o mecanismo de compensação de sinistralidade até 31.12.2028
• Auxiliámos o Estado no valor de 60M€ para compensação dos eco-regimes do PU24
e iniciar pagamento em dezembro de 2024
• Alocámos 27M€ do Fundo Ambiental para a obra do adutor Funcho-Arade
• Simplificámos na PAC em colaboração com os nossos parceiros europeus a(s):
• Flexibilização do cumprimento das medidas da condicionalidade - cobertura mí-
nima dos solos, rotação das culturas através da diversificação e o fim de obriga-
ção de dedicar uma parte da área agrícola a superfícies não produtivas, como as
terras em pousio
• Explorações com uma dimensão até 10 hectares de superfície agrícola declara-
da, ficam isentas de controlo e sanções administrativas a título da condicionali-
dade
• Possibilidade de derrogação temporária por condições meteorológicas
• Não cativámos as verbas provenientes das taxas cobradas pelo IVDP aos produ-
tores de vinho para aplicabilidade de promoção do setor
• Pagámos em outubro de 2024 o primeiro adiantamento dos apoios FEAGA
• Aplicámos pagamentos contra fatura no âmbito dos investimentos ao
abrigo do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum
• Lançámos o Novo Boletim Agroclimático
66
• Aprovámos apoio de 300 milhões para aumento do rendimento dos agricultores até
2029
• Prolongámos a Linha Agri Portugal
• Permitimos a exportação de limão para o Brasil
• Aprovámos a introdução de regimes de custos simplificados
• Aumentámos o rendimento disponível e potenciámos a utilização dos fundos da Po-
lítica Agrícola Comum e do MAR2030, e de programas europeus, como o Horizonte
Europa e o InvestEU
MAR E PESCAS
• Reduzimos a burocracia e reforçámos a certeza jurídica: tornámos a legislação e os
processos ligados à economia do mar mais claros, menos discricionários, e com pra-
zos de decisão razoáveis para que as empresas que pretendam investir na economia
do mar o possam fazer de forma esclarecida, planeada e segura
• Acelerámos a componente 10 do PRR, em particular a rede de infraestruturas para a
economia azul (Hub Azul)
• Compatibilizámos a exploração racional dos recursos e usos do Espaço Marítimo
Nacional com as atividades tradicionais existentes (pesca, turismo e outras), respei-
tando a proteção do meio ambiente sob impacto e criando condições sustentáveis
para a produção eólica offshore
• Reformulámos e capacitámos o Fundo Azul como instrumento essencial de apoio às
áreas emergentes como a biotecnologia marinha, a digitalização e a robótica suba-
quática
• Promovemos cursos de formação de curta duração, com o objetivo de garantir os
requisitos mínimos de segurança a bordo em conjunto com os conhecimentos es-
senciais da língua portuguesa, garantindo o cumprimento das convenções inter-
nacionais aplicáveis no mar
• Concluímos o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional
• Garantimos a adesão de Portugal à Ocean Acidification Alliance – Aliança
Internacional de Combate à Acidificação dos Oceanos (AO Alliance).
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CIDADES, COMUNIDADES E COESÃO TERRITORIAL
• Atribuímos apoios imediatos às populações e empresas afetadas pelos incêndios
ocorridos entre 15 e 19 de setembro de 2024
• Reabilitámos 26 escolas no Norte e Algarve através do PRR
• Assinámos contratos para construção de 124 novos centros de saúde e requalificá-
mos 347 unidades já existentes, com investimentos de 272,8M€ e de 274,9M€, respe-
tivamente
• Reforçámos a descentralização da resposta à integração e regularização de imi-
grantes, através da abertura de novos Centros Locais de Apoio à Integração de Mi-
grantes (CLAIM)
• Avaliámos e revimos a Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, de Ordena-
mento do Território e Urbanismo e o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão
Territorial
POLÍTICA EXTERNA, COMUNIDADES
E ASSUNTOS EUROPEUS
• Diante do novo quadro geopolítico e geoeconómico, formulámos e adoptámos uma
nova doutrina de orientação da política externa: o “multilateralismo bilateralizado”;
• Aprofundámos e diversificámos as nossas relações bilaterais, no âmbito diplomático,
económico, comercial, da cooperação e cultural nas várias visitas oficiais realizadas
aos países da CPLP, aos Estados-Membros da EU (com destaque, entre muitos ou-
tros, para a França, Alemanha e Itália), ao Reino Unido, à Ucrânia, ao Médio Oriente,
ao México, à Índia e à China, assim como nas Cimeiras Luso-Cabo Verdiana, Luso-
-Espanhola, Luso-Brasileira, na participação efectiva em todos os grupos do G20,
como membro convidado pela presidência brasileira;
• Integrámos a Aliança Global contra a Fome e Pobreza criada na Cimeira do G20 no
Rio de Janeiro;
• Assinámos o Tratado de Amizade com a França, que eleva as consultas regula-
res ao mais alto nível político;
• Assinámos a Declaração Política luso-espanhola sobre a proteção e o apro-
veitamento sustentável das águas das bacias hidrográficas (Convenção
de Albufeira), decisiva em matéria de gestão da água;
• Garantimos, como membro convidado pela presidência sul-africana, a
participação em 5 grupos do G20;
68
• Obtivemos a aprovação de um novo passaporte que será válido por 10 anos – o Pas-
saporte Electrónico Português –, aumentando a comodidade e segurança dos cida-
dãos nacionais que pretendam viajar;
• Procedemos à primeira revisão global do Estatuto da Carreira Diplomática 27 anos
após a sua criação, adaptando-o às exigências e desafios dos nossos dias e valori-
zando a carreira dos diplomatas;
• Criámos a figura do embaixador itinerante, que potenciará a capacidade de repre-
sentação diplomática do Estado português;
• Criámos a Direção-Geral de Direito Europeu e Internacional, que prestará apoio ju-
rídico transversal a todo o Governo e Administração Pública central, no quadro das
questões jurídicas europeias e internacionais;
• Dinamizámos a Estratégia Nacional para as Carreiras Europeias, através do aumen-
to do número de bolsas atribuídas no âmbito do Programa de Bolsas Mário Soares
para cursos de pós-graduação no Colégio da Europa, contrariando a sub-represen-
tação de portugueses nas instituições e organismos da UE;
• Reforçámos o financiamento para os peritos nacionais destacados;
• Contratámos e formámos 50 novos analistas de vistos, reforçando substancialmen-
te a capacidade de resposta dos postos consulares;
• Celebrámos o Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada, com
vista a acelerar os procedimentos de emissão de vistos para cidadãos estrangeiros
com contrato de trabalho em Portugal;
• Iniciámos o processo de extinção dos Vice-Consulados, nomeadamente através da
criação de novos Postos Consulares e escritórios;
• Elevámos o Vice-Consulado de Vigo e o Consulado Honorário de Andorra a Consula-
dos Gerais e preparámos a abertura da Embaixada de Portugal em Hanói;
• Retomámos o Programa de Estágios Profissionais da Administração Central -
MNE (PEPAC – MNE) 2025-2026, que se encontrava suspenso desde 2020;
• Simplificámos os mecanismos de apoio às associações portuguesas no estran-
geiro e aos órgãos de comunicação social. No último ano, o associativismo
português teve o maior pacote de apoios de sempre;
• Reativámos o Conselho das Comunidades Portuguesas;
• Aumentámos o número de alunos da Rede de Ensino de Português no
Estrangeiro;
69
• Lançámos, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., progra-
mas como: Português no Mundo, Centro Virtual Camões, Programas Transversais
do Departamento de Língua e Cultura, Português Língua Herança e Ação Cultura
Externa;
• Criámos uma linha de cofinanciamento de apoio à cooperação para o desenvolvi-
mento municipal;
• Assinámos a 2.ª Adenda ao Memorando de Entendimento sobre a comparticipação
nacional no Fundo Climático Ambiental de Cabo Verde – um instrumento de con-
versão de dívida em investimento verde, focado em infraestruturas que promovem a
transição energética e a resiliência às alterações climáticas –, ampliando o horizonte
de conversão da dívida bilateral de 2025 para 2030 e aumentando os montantes de
12 MEUR para 42,5 MEUR;
• No âmbito da execução dos fundos europeus, adoptámos várias medidas que nos
permitiram recuperar atrasos e antecipar prazos:
• Aumentámos a transparência das decisões de atribuição de fundos europeus,
ampliando os instrumentos de divulgação, bem como reforçando os mecanismos
de fiscalização e controlo da correcta aplicação dos mesmos, alargando os ca-
nais de denúncia;
• Aumentámos a previsibilidade da abertura de concursos para cofinanciamento
de investimentos com fundos europeus;
• Estabelecemos os prazos de 60 dias para a análise de candidaturas e de 30 dias
para os pedidos de pagamento, à excepção dos apoios no âmbito do PEPAC;
• Promovemos a colaboração com as Instituições de Ensino Superior e recorremos
a soluções de Inteligência Artificial para acelerar a análise de candidaturas e
pedidos de pagamento, quer no PRR, quer no Portugal 2030;
• Aumentámos a transparência na gestão dos fundos do Portugal 2030, estabele-
cendo-se a publicitação das operações aprovadas em jornais locais, regionais e
nacionais, com excepção das medidas de assistência técnica.
Ao fim de um ano de governo da AD, os sinais de mudança são já muito evidentes. É
fundamental que se mantenha o mesmo ritmo de trabalho na execução do grande
programa estratégico cujas linhas fundamentais anunciámos há um ano, e que
reafirmamos no presente programa para os próximos anos.
70
PARTE II
PROGRAMA
SOCIAL E DE
GOVERNAÇÃO
DA AD - COLIGAÇÃO PSD/CDS
O CAMINHO
Políticas de Futuro
PARTE II
PROGRAMA SOCIAL
E DE GOVERNAÇÃO
DA AD - COLIGAÇÃO PSD/CDS
COM AMBIÇÃO
QUALIFICAÇÃO
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
1. Porque é preciso continuar
Depois de 8 anos de incapacidade dos governos socialistas em dar resposta às neces-
sidades educativas dos alunos (que pioraram nas avaliações internacionais) e às jus-
tas reivindicações dos professores, iniciámos uma mudança profunda na escola pública.
Promovemos estabilidade e soluções reformistas, devolvemos a paz à Escola Pública,
colocámos o foco nos alunos e valorizámos os professores, por exemplo, com a reposição
integral do tempo de serviço congelado e com o programa “+aulas, + sucesso”.
Num contexto de tão rápidas mudanças sociais, tecnológicas e culturais, a Educação
precisa de um rumo firme, orientado pelas evidências científicas, que, perante um futuro
tão imprevisível, se concentre nos pilares do desenvolvimento humano: o conhecimento,
a cultura e os valores de cidadania. É preciso continuar a mudança. E a mudança que
iniciámos passa por devolver à educação e à Escola Pública o rigor, a serenidade, o
diálogo e o foco no futuro de que necessitam.
No último ano, valorizámos salarialmente a carreira docente, apoiámos os profes-
sores deslocados, e tomámos medidas decisivas para reforçar o número efetivo
de docentes na Escola Pública, diversificando o seu perfil, reduzindo a sua carga
administrativa, e focando mais a sua ação no ensino. Com isso, diminuímos o
número de alunos sem aulas, e reforçámos a estabilidade e dignidade da Es-
cola Pública.
72
Implementámos um programa ambicioso de recuperação de aprendizagens e de reforço
da capacidade de atuação preventiva face ao insucesso escolar. Emitimos orientações
às escolas sobre o uso de smartphones, recomendando a sua proibição nos 1º e 2º ciclos,
num processo cuidadosamente acompanhado que permitirá conhecer os benefícios das
diferentes opções assumidas pelas escolas. Aumentámos expressivamente apoio à inte-
gração de alunos estrangeiros, em face do aumento muito significativo destes alunos no
sistema educativo português nos últimos anos, através da contratação de mediadores
linguísticos e culturais, e da revisão da disciplina de Português Língua Não Materna.
Revimos o sistema de avaliação externa tanto no ensino secundário, como no ensino
básico. Através da implementação das provas ModA, nos finais dos 1.º e 2.º ciclos do
ensino básico, teremos resultados comparáveis e disponibilizados em tempo útil, a nível
nacional, regional, concelhio e de escola. Desta forma, reforçámos os instrumentos para
melhorar as aprendizagens, contribuindo para o sucesso escolar e a exigência da escola
pública.
2. Metas
• Recolocar os alunos portugueses com níveis de desempenho acima da média da
OCDE nas avaliações do PISA 2029;
• Universalizar o acesso ao pré-escolar a partir dos 3 anos de idade;
• Garantir uma integração efetiva dos alunos estrangeiros na escola pública;
• Atrair e formar novos professores e melhorar o seu processo de colocação nas esco-
las para, até 2029, eliminar as situações de alunos sem aulas;
• Elevar a exigência sem deixar alunos para trás: aplicar as provas ModA no 4.º e no 6.º
ano de escolaridade, monitorizar a aprendizagem e disponibilizar resultados agrega-
dos e desagregados, apoiando os alunos em risco de insucesso escolar;
• Adotar medidas eficazes de proibição de smartphones nos 1º e 2º ciclos do Ensino
Básico.
73
3. Medidas
MODERNIZAR O SISTEMA EDUCATIVO E CONFIAR NAS ESCOLAS PÚBLICAS: MAIS
AUTONOMIA PARA ENSINAR
• Redefinir o papel do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, reforçando as res-
ponsabilidades de regulador sobre o funcionamento das escolas públicas;
• Construir, em diálogo com os diretores e professores, um novo modelo de autonomia
e gestão das escolas, que robusteça a autonomia financeira, pedagógica e de ges-
tão de recursos humanos das escolas;
• Melhorar o sistema de transferência de competências para as Autarquias, articula-
damente com as escolas, e atribuir às CCDRs responsabilidades de planeamento na
definição da rede escolar e dos investimentos em infraestruturas;
• Reformar a organização do processo educativo fora da sala de aula, valorizando o
pessoal não docente com funções educativas, definindo um perfil funcional diversifi-
cado e dinamizando atividades socioeducativas;
• Criar uma plataforma integrada de sistemas de informação de todos os serviços do
Ministério da Educação, Ciência e Inovação, melhorando os níveis de eficiência dos
seus serviços e a qualidade de serviços às famílias, alunos e docentes.
RECONHECER A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES
• Rever a partir de 2027, quando terminada a recuperação do tempo de serviço, o Es-
tatuto da Carreira Docente, tornando a carreira mais atrativa, transparente e equi-
tativa, acabando com as quotas no acesso aos 5.º e 7.º escalões, e atualizando em
alta os primeiros escalões remuneratórios;
• Desburocratizar o trabalho dos professores, dando-lhes autonomia, autoridade e
melhores condições para ensinar e apoiar os alunos;
• Adequar a formação contínua às necessidades de professores e escolas, valori-
zando a autonomia das escolas na elaboração dos seus planos de formação;
• Construir um referencial para a Avaliação do Desempenho Docente, no âmbito
da negociação do Estatuto da Carreira Docente;
• Melhorar o sistema de colocação de docentes, de modo a combater situa-
ções de alunos sem aulas por falta de professor, garantindo equidade,
adaptabilidade, eficiência e eficácia;
74
• Criar um Estatuto do Diretor, indexando a sua remuneração ao escalão mais eleva-
do da carreira docente e implementando um modelo de avaliação dos Diretores das
Escolas.
COMEÇAR CEDO: A EDUCAÇÃO DOS 0 AOS 6 ANOS DE IDADE
• Integrar a faixa etária dos 0 aos 3 anos no sistema educativo tutelado pelo Ministério
da Educação, Ciência e Inovação
• Assegurar o acesso universal e gratuito à Educação Pré-escolar a partir dos 3 anos,
no ano letivo 2025/2026, alargando a oferta pública, seja aumentando a capacidade
da oferta existente no Estado, seja contratualizando com o sector social, particular
e cooperativo;
• Produzir orientações para o período 0-6 anos e proporcionar às instituições o aces-
so a materiais educativos adequados ao desenvolvimento nas áreas das linguagens
(oral, escrita, artísticas e digitais), da matemática, das ciências e da motricidade;
• Reforçar a formação inicial e contínua de Educadores que trabalhem com crianças
de 0-3 anos, assim como a formação de Auxiliares de Ação Educativa.
MELHORAR A APRENDIZAGEM: UM CURRÍCULO EXIGENTE E FLEXÍVEL PARA DESA-
FIOS IMPREVISÍVEIS
• Desenvolver um currículo centrado no conhecimento científico e cultural, revendo
as “Aprendizagens Essenciais” e os documentos orientadores do ensino, elevando as
expectativas em relação à aprendizagem dos alunos;
• Rever a matriz curricular, incluindo o Inglês a partir do 1.º ano de escolaridade e flexi-
bilizando as cargas letivas obrigatórias nos vários níveis de escolaridade;
• Potenciar as oportunidades da digitalização para garantir o desenvolvimento de
competências e a igualdade de oportunidades através de mais investimento na di-
gitalização do ensino, na criação de recursos educativos digitais inovadores e no
potencial da Inteligência Artificial para o apoio personalizado à aprendizagem dos
alunos;
• Conclusão da avaliação das aprendizagens essenciais de todas as disciplinas
do Ensino Básico e Secundário, incluindo a disciplina de cidadania e desen-
volvimento;
• Rever as recomendações e regras de utilização de smartphones nas es-
colas para, com base na avaliação sobre a experiência deste ano letivo,
adotar medidas eficazes de:
75
• Proibição de smartphones nos 1º e 2º ciclos do Ensino Básico (12 anos);
• Promover uma cultura de uso limitado, responsável e adaptado para o 3º ciclo;
• Promover uma cultura de uso responsável e adaptado para o ensino secundário;
• Reestruturar os ciclos do ensino básico, integrando os 1.º e 2.º ciclos, de forma a ali-
nhar com a tendência internacional e garantir uma maior continuidade nas aborda-
gens e um desenvolvimento integral dos alunos;
• Atualizar o financiamento e rever a regulamentação das Atividades de Enriqueci-
mento Curricular (AEC);
• Reforçar o ensino experimental das Ciências e o ensino de literacias, nomeadamente
financeira e digital;
• Redefinir os percursos científico-humanísticos do ensino secundário, no sentido de
alargar as disciplinas que os alunos podem livremente escolher frequentar
• Monitorizar as aprendizagens e informar as comunidades educativas sobre a evolu-
ção dos alunos, através do novo modelo de avaliação externa, com provas digitais e
resultados comparáveis no ensino básico, e com um processo de classificação mais
equitativo no ensino secundário.
UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E PARA TODOS
• Avaliar e atualizar o Regime Jurídico da Educação Inclusiva;
• Melhorar a inclusão de pais e encarregados de educação dos alunos com necessi-
dades educativas especiais nos processos de decisão e escolha do percurso escolar
dos seus educandos;
• Apoiar a integração social, cultural e educativa de alunos estrangeiros no sistema
educativo português, através de mediadores linguísticos e culturais;
• Continuar o reforço de meios para o ensino do «Português Língua Não Materna»,
considerando o aumento do número de estudantes estrangeiros em Portugal;
• Reformular o modelo de educação para a população adulta, focando-o no de-
senvolvimento de competências-chave.
COMBATER AS DESIGUALDADES SOCIAIS
• Reforçar a dotação para a Ação Social Escolar (ASE);
76
• Criar um serviço em linha de apoio ao estudo, de qualidade e personalizado, para
resolver as dúvidas dos alunos em risco, de suporte às medidas implementadas pelas
escolas, priorizando os alunos ASE do ensino secundário;
• Reformular o modelo de acompanhamento e financiamento das escolas TEIP, para
fomentar projetos de maior integração e igualdade de oportunidades;
• Combater a segregação social entre escolas, avaliando as regras de prioridade nas
matrículas, impondo transparência no processo de alocação dos alunos e publicando
as áreas de influência geográfica das escolas da rede pública;
• Melhorar o sistema de apoio às famílias carenciadas que frequentam o ensino parti-
cular e cooperativo.
DIVERSIDADE E LIBERDADE PARA APRENDER
• Promover práticas de orientação vocacional desde os primeiros anos de escolarida-
de, permitindo aos alunos fazer escolhas informadas sobre o seu percurso educativo
e profissional;
• Fortalecer a rede de escolas de ensino artístico especializado de música, dança e
teatro;
• Implementar um programa de sensibilização para o valor do ensino profissional;
• No âmbito das parcerias com o Ensino Particular e Cooperativo, revisitar e atualizar
os modelos dos contratos de associação; contratos de patrocínio; contratos de coo-
peração e dos contratos simples e de desenvolvimento de apoio à família;
• Otimizar a rede de oferta de ensino profissional, alinhando-a com as estratégias de
desenvolvimento das regiões e com as necessidades do tecido empresarial, conso-
lidando a implementação do novo Catálogo Nacional de Qualificações e o investi-
mento nos Centros Tecnológicos Especializados (CTE), e melhorar o seu modelo de
financiamento.
CIÊNCIA, ENSINO SUPERIOR E INOVAÇÃO
1. É preciso continuar para ter mais impacto
O conhecimento, as competências e a capacidade de inovar são o que hoje
distingue as sociedades mais prósperas e evoluídas. A Ciência e a Educação
Superior são dois eixos fundamentais para a transformação da nossa eco-
nomia e para garantir mais bem-estar à nossa sociedade. É, por isso, es-
sencial prosseguir trajetória que iniciámos de reforço da autonomia das
77
Instituições de Ensino Superior, de valorização das carreiras docente e de investigação
e de investimento na ciência e nas infraestruturas científicas e tecnológicas.
Aos desafios das alterações climáticas, da digitalização ou da demografia, a União Eu-
ropeia adicionou nos últimos anos os desafios da autonomia estratégica e tecnológica
e os desafios na área da defesa. As geração e atração de talento, a Ciência e Inovação
são essenciais para que a UE vença estes desafios. As Instituições de Ensino Superior e
o Sistema Científico e Tecnológico têm de ser parte da solução para os desafios da UE.
Para isso, as IES têm de ser agentes ativos da construção do espaço europeu de ensino
superior, de investigação e de inovação.
As IES têm também um papel central na igualdade de oportunidades no acesso ao ensi-
no superior em todo o território nacional e na promoção do desenvolvimento e da coesão
regional.
A igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior é uma condição de justiça,
mas também uma condição para potenciar o talento de todos os portugueses. O siste-
ma de ação social, nas suas dimensões de bolsas e de acesso ao alojamento, não pode
deixar ninguém de fora do acesso ao ensino superior por razões económicas.
A ação social deve ser revista numa perspetiva integrada que visa o sucesso e o bem-
-estar dos estudantes. As estratégias para o sucesso e para o bem-estar devem estar
associadas às estratégias de inovação pedagógica, tal como preconizado pelo recente-
mente criado Conselho de Inovação Pedagógica para o Ensino Superior.
As residências de estudantes são instrumentos essenciais para a integração, sucesso
e bem-estar dos estudantes deslocados, devendo ser planeadas tendo em conta esses
objetivos.
A autonomia das IES na definição e implementação de estratégias de médio e longo
prazo, bem como na gestão de recursos orçamentais, patrimoniais e humanos é crucial
para reforçar o impacto das universidades e politécnicos na UE, no nosso país e em
todas as regiões. O novo Regime Jurídico das IES irá reforçar a autonomia das IES
em todas aquelas dimensões.
O alinhamento das estratégias das IES com as estratégias europeias, nacionais
e regionais potencia a valorização do talento e do conhecimento gerados nas
IES. Mais flexibilidade da oferta formativa na resposta às mudanças tecno-
lógicas e às necessidades da sociedade e das empresas aumenta a empre-
gabilidade e favorece o crescimento da produtividade. A necessidade de
78
requalificação ao longo da vida para a adaptação às mudanças tecnológicas requer a
oferta de novas formações e em modelos flexíveis compatíveis com a atividade laboral.
Mais proximidade entre os centros de investigação, nomeadamente através de centros
de interface, e as empresas favorece a valorização do conhecimento e o encontro de
soluções para os desafios económicos e sociais. O desenvolvimento de projetos de I&I
em parceria potencia a inovação e a criação de valor.
Para que Portugal esteja na linha da frente da procura de soluções para os grandes
desafios europeus e globais a ciência portuguesa tem de estar na fronteira, através da
participação ativa em grandes centros de investigação europeus e em parcerias inter-
nacionais com instituições de referência.
Neste ecossistema de talento, conhecimento e inovação são atores as universidades, os
institutos politécnicos e os centros de investigação, os centros de interface e os labora-
tórios colaborativos, mas também as empresas, desde pequenas empresas inovadoras
até às diferentes fileiras industriais e associações sectoriais. No seu conjunto, geram
conhecimento, inovação e contribuem para a formação e captação de profissionais al-
tamente qualificados.
2. Metas
• Aumentar a percentagem de adultos entre os 25-34 anos com diploma de ensino
superior, que deverá ser superior a 50% até 2030;
• A percentagem de estudantes e recém-diplomados a beneficiar da exposição à
aprendizagem em contexto laboral deverá atingir os 65% até 2030;
• Consolidar e robustecer a rede de ensino superior;
• Ajustar o valor da bolsa aos custos de frequência do ensino superior;
• Aumentar a bolsa mínima para os estudantes do ensino superior;
• No prazo da legislatura, em articulação com o sector privado, a duplicação da
oferta de camas de residências estudantis.
• Aproximar, até 2030, o valor de 3% do PIB de investimento (público e privado)
em Ciência e Inovação;
79
3. Medidas
ACESSO E QUALIDADE NO ENSINO SUPERIOR
• Generalizar o acesso às formações superiores diversificando a base de captação de
candidatos e a abrangência social do ensino superior.
• Promover a qualidade e adaptação aos novos desafios:
• Continuar a desenvolver instrumentos que incentivem as Instituições do Ensino
Superior a desenvolverem uma cultura de mérito em todas as suas atividades de
educação, investigação e inovação;
• Continuar a apoiar o Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino
Superior para que este promova a inovação pedagógica numa perspetiva inte-
grada do sucesso e do bem-estar dos estudantes;
• Criar condições, desde o ensino pré-escolar, para que os estudantes que bene-
ficiam da ação social escolar (ASE) acedem ao ensino superior em igualdade de
oportunidades;
• Avaliar o alargamento da quota para estudantes ASE para o acesso ao ensino
superior;
• Estimular a atratividade dos curricula e das práticas pedagógicas nas áreas
STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática);
• Promover um Programa Nacional das Raparigas nas STEM, promovendo a igual-
dade nas profissões do futuro, através de uma abordagem que acompanha o
percurso das jovens desde a educação básica, passando pelo ensino superior e o
mercado de trabalho.
• Flexibilizar a Oferta Formativa e Promover a Competitividade e a Coesão Social e
Territorial:
• Preservar e aprofundar uma sólida oferta de Ensino Superior de cobertura nacio-
nal, distribuída por instituições públicas, instituições particulares e cooperati-
vas, bem como entre os subsistemas universitário e politécnico;
• Flexibilizar a oferta formativa para permitir respostas mais rápidas e um me-
lhor ajustamento às mudanças tecnológicas e às necessidades da socieda-
de e da economia;
• Definir um modelo de financiamento para os Cursos Técnicos Superiores
Profissionais (CTeSP), com regras claras, um sistema de avaliação e
garantindo o alinhamento da oferta com as estratégias de desenvol-
vimento regional e as necessidades das empresas;
80
• Flexibilizar as vagas em regime pós-laboral para o prosseguimento de estudos
pelos diplomados dos CTeSP;
• Alargar a oferta para adultos de forma a permitir a sua requalificação e adapta-
ção às novas condições do mercado de trabalho;
• Promover a oferta de microcredenciais criando uma plataforma única para as
IES que facilite o seu ajustamento às necessidades do mercado de trabalho;
• Facilitar a articulação dos subsistemas universitário e politécnico de acordo com
princípios de complementaridade e não de concorrência para que estes possam
desenvolver estratégias alinhadas com as regiões;
• Continuar a estimular a inscrição de estudantes nas instituições situadas em
regiões com menor densidade populacional, através da majoração do financia-
mento unitário;
• Recuperar e reforçar o programa ERASMUS+ INTERIOR, com o objetivo de fo-
mentar a mobilidade de estudantes do litoral para o interior
• Reforçar a internacionalização do Ensino Superior:
• Participar ativamente na criação do Espaço Europeu de Ensino Superior, através
da oferta de Graus Europeus;
• Incentivar e financiar a participação das IES em Alianças Europeias;
• Continuar a promoção da internacionalização do Ensino Superior através de po-
líticas que incentivem a participação em redes globais, atraiam estudantes in-
ternacionais, reforcem acordos com países da CPLP, América Latina, América do
Norte e Ásia, e eliminem barreiras regulamentares à circulação de estudantes,
docentes e investigadores;
ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO, RECURSOS HUMANOS, FINANCIAMENTO
E DESBUROCRATIZAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR E NA CIÊNCIA
• Concluir a revisão dos instrumentos legislativos fundamentais do Ensino Supe-
rior: Lei de Bases do Sistema Educativo; Regime Jurídico das IES; Estatutos da
Carreira Docente Universitária e Politécnica (ECDU e ECDESP);
• Reforçar a autonomia das Instituições de Ensino Superior para a definição
das suas estratégias de médio e longo prazo e na gestão dos seus recur-
sos, através da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Su-
perior (RJIES) já proposta pelo Governo da AD;
• Proposta de RJIES do Governo permite maior diversidade da oferta e
maior flexibilidade na colaboração entre instituições através da for-
mação de consórcios;
81
• Proposta de RJIES do Governo permite mais democraticidade na eleição do Rei-
tor ou Presidente e maior abertura e independência do Conselho Geral;
• Apresentar proposta de Estatuto da Carreira Única para as IES, incluindo perfis
diferenciados para a carreira universitária, politécnica e de investigação;
• Continuar a desenvolver estímulos à contratação transparente e sustentável de
docentes e investigadores por parte das instituições públicas, garantindo maior
estabilidade e previsibilidade;
• Desburocratizar as relações institucionais entre o Ministério da tutela, a DGES, a
FCT, a A3ES, demais organismos da Administração Pública e as Instituições de Ensi-
no Superior;
• Reforçar a transparência e os mecanismos de prestação de contas da A3ES, defi-
nindo claramente o seu mandato e robustecendo a sua independência para que os
objetivos definidos pelo poder político sejam cumpridos
ESTUDANTES: AÇÃO SOCIAL, ALOJAMENTO, SUCESSO E BEM-ESTAR
• Articular com as IES planos de investimento públicos e em parcerias público-priva-
das em residências para que estas funcionem como instrumentos para a integração,
sucesso e bem-estar dos estudantes deslocados;
• Continuar o investimento público direto na criação e requalificação de alojamento
para os estudantes do Ensino Superior, através da construção de novas residências
(utilizando o Plano de Recuperação e Resiliência e o PT 2030), bem como realocando
e recuperando para esta função edifícios devolutos do Estado;
• Contratualizar com autarquias locais, instituições sociais e investidores privados a
construção de residências estudantis, com custos acessíveis para os Estudantes;
• Manutenção do Programa de emergência Alojamento Estudantil Já que mobiliza ca-
mas da Fundação INATEL e da Movijovem e financia as IES na contratualização de
camas de alojamento estudantil junto do setor público, privado ou social, enquanto
a necessidade for premente;
• Estimular e alargar as redes de apoio a idosos que recebem estudantes deslo-
cados nas suas casas, mediante avaliações prévias feitas pelas IES.
• Adequar e reforçar os programas de bolsas de estudo e apoios financeiros à
real situação socioeconómica dos estudantes, incluindo o aumento do va-
lor da bolsa mínima para que nenhum estudante seja excluído por razões
económicas.
82
• Prosseguir a política do governo de reforço da capacidade de resposta, em todas as
instituições de Ensino Superior, de serviços de apoio psicológico e de saúde mental;
• Criar, melhorar e protocolar com privados, centros de saúde e creches integrados
nas instituições de ensino superior;
• Reforço das políticas de inclusão, em particular dos alunos com necessidades espe-
cíficas, e de respeito pela diversidade;
• Na sequência do relatório elaborado por Grupo de Trabalho sobre assédio moral e
sexual nas IES implementar as recomendações desse relatório, em articulação com
as IES.
A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO
• Assegurar a sustentabilidade e qualidade do sistema científico e tecnológico:
• Rever a Lei da Ciência para clarificar o papel das diferentes entidades que com-
põem o sistema científico e tecnológico e o seu financiamento;
• Prosseguir no reforço da sinergia entre o Ensino Superior, a Investigação e a Ino-
vação, garantindo um sistema mais coeso;
• Revisitar a missão dos Laboratórios de Estado, dos Laboratórios Associados e
Colaborativos visando clarificar a sua missão;
• Prosseguir o reforço do investimento em investigação nas escolas politécnicas,
reforçando os programas de doutoramento em ambiente politécnico como instru-
mento de aproximação das instituições do ensino superior ao tecido empresarial;
• Reorganizar as agências de financiamento como organismos independentes do
Governo, visando a autonomia da Ciência e Inovação;
• Prosseguir o processo de melhoria da eficiência e transparência de processos da
FCT;
• Continuar a apostar na manutenção e modernização das infraestruturas de
Ciência e Inovação.
• Alargar a participação em parcerias internacionais como a recente ‘AI Fac-
tory’ ou o Centro de Investigação Ibérico em Armazenamento de Energia,
ambos com Espanha, permitindo assim o acesso aos investigadores e em-
presas a infraestruturas de topo;
• Retirar mais impacto da nova fase das parcerias com as universidades
americanas – MIT, CMU, UT Austin e Berkeley – através do novo mode-
lo de governação já aprovado pelo Governo e de um melhor alinha-
mento com os desafios do nosso sistema científico e tecnológico e
das nossas empresas.
83
• Fortalecer o contributo do sistema científico e tecnológico para o desenvolvimento
nacional:
• Incentivar a cooperação e parcerias entre o Sistema Científico e tecnológico, as
empresas, instituições sociais e autarquias;
• Continuar a investir nas agendas europeias com mais relevância para Portugal,
da agenda do Espaço, à agenda para os Semicondutores ou aos projetos na área
das energias renováveis, promovendo uma cooperação estreita entre o sistema
científico e tecnológico, entidades públicas e as empresas;
• Instituir modelos organizacionais inspirados nas “KICs - Knowledge and Innova-
tion Communities”, do EIT - European Institute of Innovation and Technology, da
UE;
• Aprofundar as medidas já estabelecidas de reforço da cultura de empreendedo-
rismo a partir da academia;
• Avaliar o reforço dos incentivos fiscais para empresas que investem em progra-
mas de I&D em parceria com instituições de Ensino Superior;
• Potenciar o regime de mecenato científico;
• Dinamizar um programa de apoio ao registo de patentes e de outra propriedade
intelectual das empresas portuguesas a nível internacional – Europa, EUA, Ásia;
• Fomentar a criação de cátedras de índole empresarial que promovam uma forte
ligação entre a Instituição de Ensino Superior e as empresas, tanto no ensino
como na investigação científica.
• Promover internacionalização do sistema científico e tecnológico:
• Continuar a promover a política de “Ciência Aberta”, apostando na cultura cien-
tífica e na disseminação do método científico;
• Continuar a fomentar as políticas de internacionalização, pela participação em
redes internacionais de ensino, investigação e inovação, com especial atenção às
redes europeias.
• Reforçar as condições para maior impacto de todos os investigadores:
• Reforçar o estímulo à inserção de doutorados no tecido social, em particular
nas empresas;
• Criar, cada vez mais, condições para a circulação de investigadores entre
o sector académico e empresarial, e para a sua mobilidade geográfica;
84
• Criar melhores condições para o regresso de investigadores nacionais radicados
no estrangeiro e para a atração de investigadores estrangeiros, nomeadamente
através da promoção de cátedras em condições competitivas internacionalmen-
te.
CULTURA
1. Porque é preciso continuar
A identidade de Portugal caracteriza-se pela sua história e pela cultura que sempre sou-
bemos construir e preservar. A cultura forma e define o cidadão e a sociedade. Dá-lhes
identidade, valoriza-os e completa-os. A cultura é também um ativo económico com im-
pacto muito relevante em diversas áreas, e contribuí decisivamente para uma economia
baseada na inovação, na criatividade e no conhecimento.
O setor cultural em Portugal defronta-se, apesar do reforço orçamental significativo em
2025, com problemas de um subfinanciamento enraizado, de uma visão centralista e de
baixas taxas de participação cultural. É necessário agir sobre estes fatores, capacitar
o setor e democratizar o acesso à cultura, bem como potenciar o recurso à inovação e
promover a internacionalização da cultura portuguesa.
Iniciámos uma mudança no paradigma da Criação Artística, numa ação mobilizadora,
independente e dotada dos recursos técnicos e financeiros necessários para mitigar os
défices crónicos do setor e que promova a efetiva descentralização das artes, valorize
a relevância dos criadores e dos diferentes atores culturais, apoie a dignificação das
estruturas de programação e dos artistas independentes e defenda o princípio da livre
criação artística.
Realizámos uma efetiva ação de promoção da língua portuguesa, reforçando a nossa
identidade coletiva e a singular presença de Portugal à escala global.
2. Metas
• Atingir em 2028 um valor atribuído à cultura no Orçamento do Estado superior
em 50% face a 2024 (processo já iniciado com o forte aumento da dotação
orçamental no OE25);
• Alargar a oferta do ensino da dança, teatro, música, cinema e artes plás-
ticas aos primeiros anos do ensino, de forma a aumentar a acessibilida-
de os públicos da cultura, em particular os mais jovens;
85
• Reformular o regime legal do Mecenato Cultural, criando um regime atrativo, mobili-
zador, e baseado na liberdade da iniciativa cultural que permita melhorar o apoio ao
setor da cultura.
• Promover a salvaguarda, a conservação e a reabilitação do património cultural.
3. Medidas
REFORÇAR O INVESTIMENTO NA CULTURA
• Reforçar em todos os Orçamentos de Estado da legislatura as dotações orçamen-
tais da Cultura, em linha com a meta traçada;
• Concluir a revisão da atual legislação, criando um regime jurídico atrativo para o me-
cenato cultural, garantindo o princípio da liberdade da iniciativa cultural;
• Avaliar o reforço do financiamento e o apoio às instituições culturais que desenvol-
vem projetos de criação de públicos, mediação cultural e serviços educativos;
• Rever o regime de apoio às orquestras regionais.
ACESSO À CULTURA
• Prosseguir o estímulo iniciado pelo governo de acesso à cultura e a Monumentos,
Museus e Teatros por parte das crianças e dos jovens em idade escolar;
• Reforçar as medidas já adotadas de fomento da ida de artistas à escola, aproximan-
do a comunidade artística e a comunidade escolar;
• Proporcionar o contacto da comunidade escolar com escritores nacionais, incenti-
vando nos jovens um maior gosto pela leitura e pela escrita.
• Prosseguir o trabalho já desenvolvido na promoção da diversificação e a inclusão dos
públicos, garantindo que as atividades culturais chegam a todos os segmentos da
população, especialmente aos mais vulneráveis e desfavorecidos, e que respeitam
a pluralidade de expressões e valores culturais;
PROMOÇÃO DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA NO RESPEITO PELA SUA DIVERSIDADE
• Implementar uma estratégia nacional para a criação artística nas artes per-
formativas e visuais, na música, nas artes de rua e nos cruzamentos disci-
plinares e na sua relação com as indústrias criativas;
• Estudar a equiparação dos direitos autorais sobre as partituras musi-
cais aos direitos autorais dos livros.
86
• Apoiar a implementação das estratégias culturais de desenvolvimento a nível local e
sub-regional, promotoras de coesão social e territorial;
• Criar um programa nacional de apoio a estruturas de programação, residência, incu-
bação e de criação artística independentes;
• Criação de uma linha de financiamento à revitalização económica do artesanato, a
par do ensino das técnicas artesanais.
• Implementar o Plano Estratégico do Cinema e do Audiovisual já apresentado, com
o objetivo de apoiar o desenvolvimento e a internacionalização de produções audio-
visuais e cinematográficas em Portugal, contribuindo para a promoção da cultura,
para o fomento da indústria nacional do audiovisual e do cinema e para o reforço do
posicionamento do país enquanto destino turístico.
PROTEÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL
• Continuar a reforçar as medidas de salvaguarda do património, como a inventaria-
ção, a classificação, a monitorização, a reabilitação, o restauro e a prevenção de
danos ou destruição, envolvendo os museus, as comunidades locais, as organizações
da sociedade civil, as empresas e as instituições internacionais;
• Elaborar um plano específico de inventariação e reabilitação dos edifícios com maior
valor cultural;
• Concluir o processo iniciado pelo governo para a digitalização do património cultu-
ral;
• Continuar os esforços realizado para reforçar o papel da língua portuguesa como
um património de valor identitário e global, no contexto de uma estratégia nacional
e internacional para a sua promoção;
• Ajustar os direitos autorais às novas realidades digitais, nomeadamente, no que diz
respeito à inteligência artificial;Continuar o trabalho relativo aos programas de ce-
lebração de datas com elevado significado histórico nacional;
• Reforçar os mecanismos de proteção do património nacional e o combate à cri-
minalidade e ao vandalismo contra monumentos históricos;
• Criar o Comissariado Nacional para as celebrações relevantes dos 900 anos
da Batalha de São Mamede (1128), uma das datas fundadoras da naciona-
lidade.
87
INVESTIR NA FORMAÇÃO CULTURAL
• Reforçar o alargamento realizado das opções de enriquecimento curricular na área
artística, aos jovens a partir do segundo ciclo, nas áreas da música, teatro, artes
plásticas e dança;
• Estimular a formação contínua e a qualificação dos profissionais que trabalham no
setor cultural, valorizando as suas competências;
88
SUSTENTABILIDADE
AMBIENTE, ÁGUA, AÇÃO CLIMÁTICA
E PROTEÇÃO ANIMAL E DOS ECOSSISTEMAS
1. Porque é preciso continuar
Estamos empenhados na preparação de nova geração de políticas de ambiente e de
energia para conseguir proteger e valorizar os recursos naturais, assegurando melhor
qualidade de vida às populações, promovendo ao mesmo tempo a criação de riqueza,
a competitividade económica e o equilíbrio com os mais diversos setores de atividade,
segundo uma perspetiva de sustentabilidade.
Portugal tem de aproveitar as possibilidades criadas pelo Pacto Ecológico Europeu e por
uma nova ambição europeia de transição para uma economia mais sustentável, moder-
na, competitiva e mais eficiente na utilização de recursos, tendo como objetivo atingir
a neutralidade carbónica em 2050. Esta transformação estrutural da economia portu-
guesa tem de assentar no princípio de uma transição justa e próspera que garanta que
ninguém fica para trás.
Durante o último ano demos passos importantes nestas áreas impulsionando uma di-
nâmica positiva nos domínios da transição energética, ação climática, água, resíduos,
litoral e conservação da natureza. Abrimos novos horizontes de planeamento, mas tam-
bém acelerámos os investimentos e a execução de projetos que são fundamentais para
o país.
Destacamos a revisão do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030) onde assumi-
mos uma maior ambição na produção de energia renovável. Criámos a Agência para o
Clima e reformámos a gestão do Fundo Ambiental.
No sector dos resíduos em Portugal é necessário continuar a dinâmica de reversão
do ciclo de maus desempenhos, de inércia, e de incumprimento generalizado de
metas, fruto da inação e incompetência de oito anos de governo PS. O atual
Governo está a trabalhar no sentido de assegurar os investimentos necessá-
rios para evitar o esgotamento de infraestruturas quer para Resíduos Sólidos
Urbanos, quer para Resíduos Industriais, que nos foi legado. Para fazer face
a esta realidade, lançámos o Plano de Ação TERRA - Transformação Efi-
89
ciente de Resíduos em Recursos Ambientais – cuja execução permite enfrentar o risco
de esgotamento dos aterros.
Iniciámos a elaboração do Plano Nacional de Restauro da Natureza envolvendo a socie-
dade no processo. Em paralelo concretizámos projetos de reabilitação de rios e ribeiras
lançando o PRO~RIOS beneficiando os ecossistemas e as comunidades locais. Aprová-
mos investimentos na proteção do litoral face aos riscos de erosão costeira.
Reforçámos a cogestão das áreas protegidas incentivando um novo ciclo de projetos. As
áreas marinhas protegidas também tiveram um forte alargamento. No quadro da Rede
Natura 2000 avançámos na designação de Zonas Especiais de Conservação (ZEC) re-
solvendo um problema histórico.
Lançámos novas iniciativas para combater a pobreza energética. Apoiámos projetos no
domínio da descarbonização, do armazenamento de energia ou da produção de gases
renováveis. Simplificámos procedimentos, incentivámos o auto-consumo e as comuni-
dades de energia, avançámos na aprovação do estatuto do consumidor eletrointensivo.
Demos passos no sentido de instalarmos energia eólica offshore. Aprovámos um plano
de ação para as matérias-primas críticas com medidas para potenciarmos os recursos
geológicos.
É fundamental enfrentar as dificuldades hídricas do País, designadamente relativamen-
te aos efeitos das alterações climáticas, à distribuição muito assimétrica dos recursos
hídricos no território nacional, às necessidades dos sistemas de abastecimento e trata-
mento de águas para consumo humano, para aproveitamento agrícola e para atividades
como o turismo.
No último ano definimos e está em implementação a estratégia nacional “A água que
une”, que baseada no melhor conhecimento e de forma consensualizada e sustentável
prescreve uma gestão da água, que promove a coesão territorial, a segurança dos abas-
tecimentos e reduz a vulnerabilidade de escassez hídrica. Esta estratégia integrada
e pioneira assenta em 3 eixos fundamentais de atuação: a otimização da redução
de perdas de água nas estruturas e equipamentos existentes; o investimento em
infraestruturas de reforço do armazenamento e interligação de sistemas de abas-
tecimento em todo o País; e a modernização tecnológica e institucional dos pro-
cessos de gestão de água.
A “economia circular” não se limita à temática dos resíduos, mas alarga o seu
espectro à inovação, à sociedade de partilha, a plataformas colaborativas,
a modelos de negócio e produção, à arquitetura, urbanismo e reabilitação
sustentáveis.
90
Neste contexto, é necessário remunerar os serviços dos ecossistemas através de um
sistema transparente de créditos de biodiversidade e alargar as contas públicas ao ca-
pital natural, premiando os municípios que mais contribuem para a biodiversidade e pre-
servação de sumidouros de carbono no seu território (solo, florestas e mar). É, também,
importante neste domínio a concretização efetiva do Mercado Voluntário de Carbono,
considerando metodologias adaptadas ao combate à desertificação do território.
A proteção animal é uma preocupação a que continuaremos a corresponder com medi-
das concretas que penalizem os maus-tratos e o abandono de animais de companhia,
assegurando respostas efetivas para os atuais problemas. Temos assumido posições
equilibradas e progressistas, não entendendo a causa animal como arma de arremesso
político ou de confrontação entre grupos sociais, sendo de evitar os extremismos e os
populismos em seu redor. Independentemente das responsabilidades e das lacunas da
administração central, importa colocar um maior foco nas políticas de proximidade no
apoio ao bem-estar animal, assegurando condições para que a administração local e
outras entidades possam ter uma ação mais eficaz, dispondo dos recursos adequados.
2. Metas
• Concretizar uma estratégia de aplicação do Pacto Ecológico Europeu que crie opor-
tunidades e emprego no sector do ambiente, estimulando as mudanças de produção
exigidas pela União Europeia, mas protegendo os sectores que geram por cá empre-
go e sustentabilidade;
• Assegurar o acesso, com eficiência económica e hídrica e coesão territorial, ao
abastecimento de água para consumo humano e aproveitamento agrícola e eliminar
substancialmente as perdas reais de água nos sistemas públicos de abastecimento
até 2030;
• Aumentar a capacidade instalada de energias renováveis com vista a alcançar a
meta de 51% de renováveis no consumo final bruto de energia até 2030;
• Cumprir as metas de Portugal relativamente aos resíduos, designadamente com
a redução significativa das taxas de deposição em aterro e desenvolvimento das
soluções infraestruturais alternativas;
• Combater a desertificação do território procurando através de adaptações
no sector agrícola e da efetiva remuneração dos serviços da biodiversidade,
com suporte na estruturação de um mercado voluntario de carbono.
91
3. Medidas
ÁGUA
• Implementar a estratégia “Água que une”, que assegura uma gestão integrada e in-
teligente da água capaz de garantir a segurança do abastecimento e mitigar a vul-
nerabilidade de escassez hídrica através de:
• Otimização das estruturas existentes com o foco na poupança de água, na redu-
ção de perdas nas redes de abastecimento e de rega, na reabilitação dos reser-
vatórios e no aproveitamento de águas residuais tratadas;
• Implementação de novas soluções e infraestruturas que reforcem a capacidade
de armazenamento através da criação de reservas em zonas rurais, aliados à
gestão integrada das águas superficiais e subterrâneas, contribuindo para a re-
dução da percentagem dos caudais fluviais que desaguam no mar nos rios onde
esses valores são muito elevados.
• Execução de um plano integral de redimensionamento e desassoreamento de
albufeiras e barragens a nível nacional.
• Execução de investimentos que potenciem a interligação entre sistemas (salva-
guardados os devidos impactos sociais, económicos e ambientais), bem como, a
remoção de barreiras obsoletas nos rios e o restauro dos ecossistemas fluviais;
• Transformação tecnológica e modernização institucional que implemente uma
gestão mais integrada e digitalizada dos recursos hídricos e do ciclo da água
(tecnologia de medição, transmissão e tratamento da informação);
• Incremento da percentagem de água para reutilização;
• Estudar a racionalidade económica, incluindo com análise custo-benefício, de
eventuais soluções inovadoras para ampliar o acesso e disponibilidade efetiva de
recursos hídricos para consumo humano e agrícola em todo o território nacional,
incluindo a promoção de soluções de dessalinização.
• Elaborar o Plano Nacional da Água para o período 2025/2035.
• Rever a Lei da Água com vista a atualizar o quadro legal.
• Desenvolver um Programa de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da
Água prevendo medidas e investimentos para modernizar a gestão dos re-
cursos hídricos.
• Planear o Empreendimento de Fins Múltiplos do Tejo, revendo concessões
existentes na bacia do Tejo e prevendo a construção da barragem do
Ocreza / Alvito para reforço da resiliência hídrica.
92
• Implementar o Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de
Águas Residuais e Pluviais (PENSAARP 2030).
• Executar investimentos previstos na região do Algarve para garantir a segurança de
abastecimento à população e aos setores de atividade prevenindo crises.
• Rever o regime jurídico referente a Água para Reutilização (ApR) visando o seu incre-
mento a nível nacional.
• Assegurar a modernização das redes de monitorização de recursos hídricos.
• Implementar o Plano de Ação para a Reabilitação e o Restauro de Rios e Ribeiras
(PRO~RIOS), incluindo remoção de barreiras obsoletas.
ENERGIA
• Reforçar a aposta nas energias renováveis e na resiliência do sistema eletroprodutor,
através de:
• Aprovar o programa setorial das Áreas de Aceleração de Energias Renováveis.
• Elaborar a Estratégia Nacional para o Armazenamento de Energia.
• Rever o modelo de aprovação dos Planos de Investimento nas Redes Energéticas.
• Reforçar as interligações energéticas no quadro ibérico e da União Europeia.
• Estabelecer um mercado de capacidade no sistema elétrico nacional para ga-
rantir segurança de abastecimento e promover o investimento em novas tecno-
logias.
• Acelerar o autoconsumo e a instalação de Comunidades de Energia.
• Combater a pobreza energética e melhorar a eficiência energética, através de:
• Rever o modelo da Tarifa Social da Energia com vista ao reforço da equidade.
• Manter apoios à aquisição de botijas de gás engarrafado para famílias vulnerá-
veis.
• Assegurar a adoção do Plano de Ação para uma Energia Acessível apresenta-
do pela Comissão Europeia face à realidade nacional.
• Apoiar a competitividade das empresas e promover a reindustrialização verde,
através de:
• Aplicar Estatuto do Consumidor Eletrointensivo para baixar a fatura da
eletricidade das empresas por via da redução de Custos de Interesse
Económico Geral (CIEG).
93
• Apoiar as empresas com custos indiretos de eletricidade, via Fundo Ambiental,
compensando os custos com a aquisição de licenças de emissão de CO2.
• Aprovar a Estratégia Industrial Verde em alinhamento com Pacto da Indústria
Limpa apresentado pela Comissão Europeia.
• Lançar a iniciativa “Portugal offshore winds” prevendo a concretização dos pro-
jetos de eólico offshore, considerando a sua relevância industrial.
• Desenvolver o mercado de gases renováveis e de combustíveis sustentáveis, através
de:
• Desenvolver um regime legal e um sistema de apoios ao biometano, hidrogénio
verde e Combustíveis de Aviação Sustentáveis (SAF) que simplifique procedi-
mentos, crie previsibilidade e incentive um forte incremento à produção.
• Acelerar a execução do Plano de Ação para o Biometano e assegurar uma produ-
ção nacional que permita substituir 10 % do consumo de gás natural até 2030.
• Rever a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2).
• Atualizar o Plano Nacional para a Promoção de Biorrefinarias valorizando a bio-
massa numa lógica industrial contribuindo para reduzir riscos de incêndio.
RESÍDUOS E A PROMOÇÃO DA CIRCULARIDADE DA ECONOMIA
• Continuar o esforço desenvolvido com vista ao cumprimento das metas ambientais
assumidas junto da CE através da implementação efetiva dos planos sectoriais para
o horizonte 2025-2030 (PNGR, PERSU, PERNU e PAEC) e, simultaneamente, proce-
der a uma reestruturação com reforço de competências e recursos da CAGER;
• Reforçar a aposta na economia circular e na gestão sustentável e eficiente dos resí-
duos e dos solos;
• Operacionalizar o Plano de Ação TERRA - Transformação Eficiente de Resíduos em
Recursos Ambientais que permitirá:
• Ampliar a capacidade das infraestruturas existentes, incluindo aterros, para
evitar situação de rutura ou de esgotamento;
• Concretizar a criação de soluções para os resíduos sólidos urbanos e indus-
triais que sejam alternativas à deposição em aterro, procurando maximizar
o aproveitamento económico, material e eficientes dos recursos, incluin-
do através de reciclagem e compostagem.
• Implemente um plano de gestão do fim de vida dos aterros com vista
a monitorizar a capacidade de deposição em aterro de resíduos não
perigosos;
94
• Promova a dinamização de processo de desclassificação de resíduos para multi-
plicar os seus usos seguros e desonerar as operações de tratamento;
• Lançar campanha nacional de sensibilização para reduzir a produção de resíduos.
• Atualizar a Estratégia para os Biorresíduos e criar condições para que a recolha se-
letiva e sua valorização seja operacionalizada em todo o território nacional.
• Incentivar produção de biometano a partir de resíduos urbanos.
• Implementar o funcionamento de novos fluxos específicos de resíduos em sistemas
de responsabilidade alargada do produtor.
• Rever e atualizar o UNILEX / Regime Geral da Gestão de Resíduos.
• Aprovar o regime jurídico de partilha de infraestruturas.
PROTECÇÃO DO LITORAL
• Conclusão da elaboração do Programa de restauro e revitalização de zonas estuari-
nas, através do PRR e do PT20-30, destinado a intervenções integradas de adapta-
ção às alterações climáticas, regeneração urbana, mobilidade sustentável e valori-
zação territorial (Programa FOZ);
• Atualizar, investir e monitorizar os instrumentos e mecanismos de proteção do Lito-
ral, com o objetivo de rever e atualizar a Estratégia Nacional para a Gestão Integra-
da da Zona Costeira, concluir os Programas da Orla Costeira (POC).
• Apresentar o Programa de Ação para Resiliência do Litoral 2025-2040 prevendo in-
tervenções estruturais e investimentos face ao problema da erosão costeira.
• Reforçar os instrumentos de monitorização da zona costeira (Programa COSMO).
• Rever o modelo de gestão e ordenamento das ilhas-barreira na Ria Formosa com
vista a acautelar preocupações ambientais e sociais.
BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
• Apostar na valorização dos serviços dos ecossistemas como incentivo ao cum-
primento das metas ambientais e medida de justiça e coesão territorial;
• Implementar o Plano Nacional de Restauro da Natureza, acautelando as es-
pecificidades nacionais, a redução de riscos induzidos e a necessidade de
investimentos que remunerem os proprietários pelos serviços prestados
pelos ecossistemas;
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• Elaborar a Estratégia Nacional dos Recursos Geológicos para definir a ambição e as
linhas de ação a seguir em Portugal face aos recursos endógenos, à situação geopo-
lítica e à crescente procura de matérias-primas críticas;
• Fomentar o aumento de espaços verdes nos centros urbanos e implementar medidas
de Eficiência Energética em territórios urbanos com maiores vulnerabilidades sociais
e riscos de pobreza energética.
• Colocar no terreno equipas multidisciplinares para gestão de áreas protegidas.
• Rever e atualizar a marca [Link] valorizando as áreas protegidas.
• Criar Programa Bio+ Créditos de Biodiversidade.
• Concluir os processos de designação das 61 Zonas Especiais de Conservação (ZEC)
resolvendo o contencioso comunitário.
• Implementar nova fase do modelo de cogestão de áreas protegidas (2025-2028).
• Elaborar os Programas Especiais de Áreas Protegidas e assegurar a sua aplicação.
• Criar programa de recuperação e valorização de áreas classificadas como Monu-
mento Natural, bem como dos geossitios e rede de geoparques.
• Aprovar o Cadastro Nacional dos Valores Naturais Classificados.
RECURSOS GEOLÓGICOS E MATÉRIAS-PRIMAS CRÍTICAS
• Elaborar Estratégia Nacional dos Recursos Geológicos.
• Operacionalizar as medidas previstas no Plano de Ação para as Matérias-Primas
Críticas resultante do Grupo de Trabalho que foi constituído em 2024.
• Lançar procedimentos concursais para prospeção e pesquisa de recursos minerais
em áreas de elevado potencial.
• Atualizar o regime jurídico dos recursos hidrogeológicos e geotérmicos.
• Atualizar o regime jurídico das massas minerais (Lei das Pedreiras).
• Desenvolver o programa Portugal Termal para valorizar os recursos hidroter-
mais considerando as dimensões de saúde, bem-estar, turismo e promoção
territorial.
• Criar iniciativa de âmbito nacional para proteção do património geológi-
co, incluindo valorização de geosítios e rede de geoparques.
96
GOVERNAÇÃO AMBIENTAL
• Simplificar os licenciamentos ambientais e reforço da necessária transparência e fis-
calização, permitindo decisões mais eficientes e rigorosas tecnicamente, potencian-
do a incorporação tecnológica na tomada de decisões;
• Implementar Planos Municipais de Descarbonização e Premiar os Municípios que
mais contribuírem para o cumprimento dos objetivos ambientais de Portugal;
• Criar um Portal Único do Licenciamento com vista a assegurar a total transparên-
cia e integridade dos processos de licenciamento, com a digitalização integral do
processo de licenciamento e que disponibilize, de um modo claro e acessível, o en-
quadramento legal, indicadores de desempenho e fundamentação das decisões de
todos os responsáveis/órgãos competentes envolvidos na cadeia de decisão dos
procedimentos;
• Criar o Programa de Melhoria da Avaliação de Impacte Ambiental – AIA 2.0, enquan-
to instrumento de apoio aos procedimentos de Avaliação de Impacte Ambiental
(Programa AIA 2.0), com recurso a tecnologias de inteligência artificial para maior
transparência e celeridade das decisões;
• Continuar a promover as Compras Públicas Circulares e Ecológica, que seja conju-
gado com critérios económicos e, e vincular toda a administração pública, central e
local, à inclusão de critérios ambientais equivalentes aos estabelecidos no quadro do
Pacto Ecológico Europeu e do Regulamento da Taxonomia nos seus procedimentos
de aquisição.
• Reforçar os meios afetos à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do
Ordenamento do Território (IGAMAOT) melhorando a capacidade de ação.
• Aprovar a Estratégia Nacional Ruido Ambiente 2030.
• Implementar planos de ação para melhoria da qualidade do ar
• Elaborar estratégia para redução da poluição luminosa.
• Promover novas iniciativas e projetos no âmbito da educação ambiental, fomen-
tando a cidadania ativa e comportamentos mais sustentáveis.
PROTEÇÃO ANIMAL
• Rever, clarificar e reforçar a legislação que penaliza o abandono e os maus-
-tratos a animais de companhia;
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• Desenvolver uma campanha nacional de sensibilização contra o abandono de ani-
mais que seja mais eficaz na indução de comportamentos responsáveis;
• Reforçar as condições dos Centros de Recolha Oficiais (CRO) e dos programas que
desenvolvem;
• Desenvolver uma nova geração de políticas de proximidade no reforço da proteção
animal.
AGRICULTURA, FLORESTAS E ALIMENTAÇÃO
1. Porque é preciso continuar
Os terrenos agrícolas e florestais representam cerca de 78% do território nacional, a que
correspondem mais de 7 milhões de hectares, o que, por si só, justifica a sua importância;
se a essa área acrescentarmos as áreas de matos e incultos (16%) podemos falar de um
setor com relevância em 95% do território.
São atividades económicas centrais para o mundo rural contribuindo para a desejada
coesão territorial, gerando dinâmicas que permitem dinamizar atividades de comércio,
de turismo e de indústria. Para além da sua importância territorial, a agricultura e a flo-
resta desempenham um papel fundamental na valorização do mundo rural e na coesão
territorial, na preservação da paisagem, da conservação da biodiversidade, no combate
às alterações climáticas e na descarbonização da economia. E, no caso da agricultura,
têm a função de produção de alimentos, que se pretendem seguros, sustentáveis e de
qualidade.
São inúmeros os desafios que estes setores enfrentam. No caso de Portugal, estando
integrado na União Europeia (UE), o setor está fortemente dependente da Política Agrí-
cola Comum (PAC).
O atual governo simplificou o acesso dos agricultores ao Plano Estratégico da Polí-
tica Agrícola Comum (PEPAC) com um novo sistema de informação que permite o
carregamento do Pedido Único, assegurando uma melhoria na política de paga-
mentos atempados e uma maior agilização na abertura dos avisos inerentes. O
próprio plano foi reprogramado assegurando um aumento do rendimento base
do agricultor por hectare em mais de 50% (de 82€ para 126€), e foi progra-
mado o investimento de 300M€ até 2029 via orçamento de Estado para o
reforço do rendimento agrícola.
98
Na resposta a calamidades, nomeadamente face aos incêndios rurais de setembro de
2024, foi agilizada de forma célere a concessão de um plano de apoios extraordinários à
reposição do potencial produtivo, ao restabelecimento dos ecossistemas, à substituição
e reparação de máquinas e equipamentos, às entidades gestoras de zonas de caça e
aos produtores pecuários e apicultores.
A renovação do pacto social da agricultura com a sociedade passará também, neces-
sariamente, pela ligação à alimentação, à saúde e à sustentabilidade. Para potenciar
essa ligação devem ser tomadas algumas medidas simples, mas impactantes para a
mudança da visão urbana sobre a atividade agrícola. O investimento na transformação
tecnológica, na promoção da qualidade do produto agrícola e do seu reconhecimento
pelo consumidor, e na capacidade de atração do setor de capital humano, em particular
jovens, está no centro das nossas prioridades, como forma de garantir a sustentabilida-
de do setor.
De igual modo, a Floresta não tem estado nas prioridades. Trata-se de setor estrutural
para a coesão territorial e social, para a paisagem e para o clima do nosso País. Um setor
com fileiras em que somos líderes mundiais, representando cerca de 11% das exporta-
ções nacionais. Este governo definiu o Plano “Floresta 2050 – Futuro +Verde” que con-
siste no plano de intervenção do País no horizonte 2025-2050 com o objetivo de tornar
a floresta nacional mais sustentável, menos vulnerável a ameaças e riscos, e capaz de
aumentar a sua capacidade produtiva, promovendo o seu valor acrescentado.
2. Metas
• Reforçar a soberania, segurança e qualidade alimentar, reduzindo o respetivo défice
da balança comercial;
• Assegurar investimento e a previsibilidade na transformação e capacitação do setor
agrícola, pecuário e florestal, através:
• Garantir a aplicação integral e atempada de todos os fundos europeus;
• Reforço da adoção de procedimentos capazes de acelerar significativamente
a operacionalização e execução do PEPAC, assegurando maior previsibili-
dade nas medidas de investimento e garantindo o cumprimento das suas
metas;
• Prosseguir a implementação processos de desburocratização, de sim-
plificação e de melhoria da política de pagamentos atempados e cer-
tos;
99
• Estimular o reforço do capital humano e da atração de jovens no setor agricola, pe-
cuário e florestal através:
• Aumento o peso de jovens na agricultura valorizando os projetos de jovens que
integrem empresas agrícolas já existentes;
• Aumento da percentagem de agricultores com formação agrícola, incrementan-
do o conhecimento técnico nas empresas com vista a uma agricultura mais resi-
liente, sustentável e digital;
• Aumento da percentagem de técnicos com formação STEM no setor agrícola,
com a finalidade de criar emprego tecnológico nas empresas agrícolas;
• Dotar o território rural com infraestruturas tecnológicas, nomeadamente cobertu-
ra de rede internet, capazes de sustentar a transformação tecnológica dos setores
agrícola pecuário e florestal;
• Garantir o acesso à terra e promover o território e mundo rural, aumentando as áreas
arborizadas espécies autóctones, que se traduzam numa mudança da ocupação do
solo, que promovam a biodiversidade e reduzam a vulnerabilidade da floresta a in-
cêndios;
• Reforço das cadeias de valor da produção nacional, através:
• Aumentar o valor de produção comercializado por Organização de Produtores;
• Reforçar a comercialização de produtos locais e valorizar a produção nacional,
através da criação de um selo CCA;
• Aumentar o número de produtos IGP, DOP e ETG.
• Implementação da estratégia “Água que une” por forma a garantir a eficiência, segu-
rança e resiliência do abastecimento de água à agricultura, e a atingir os seguintes
objetivos específicos:
• Aumento significativo da área de regadio;
• Utilização de 25% do volume total de águas residuais tratadas na produção pri-
mária;
• Adoção de práticas de agricultura de precisão em 50% das áreas regadas;
• Implementar o Plano de Intervenção “Floresta 2050 – Futuro Mais Verde” que
tem por objetivos:
• Potenciar o valor económico, ambiental e social da floresta através da
maximização do rendimento dos proprietários através do incentivo à
gestão florestal sustentável e ao aumento da eficiência produtiva;
• Promover uma gestão administrativa eficiente e acessível;
100
• Garantir a sustentabilidade e a segurança dos territórios, reforçando a preven-
ção e mitigação de riscos, nomeadamente de incêndio rural, de pragas, doenças
florestais e espécies invasoras;
• Resolver os desafios associados à fragmentação da propriedade rústica
3. Medidas
ACESSO À TERRA
• Reforço das linhas de crédito de longo prazo criadas pelo governo para a aquisição
de terrenos agrícolas nos quais se pretenda desenvolver um projeto de investimento
agrícola;
• Reforçar as medidas ao emparcelamento, promovendo explorações agrícolas mais
competitivas e melhor gestão do território, reduzindo áreas não produtivas ou em
abandono;
• Avaliar a elegibilidade de terrenos agrícolas nos projetos de Jovens Agricultores em
Primeira Instalação.
FLORESTA
• Valorização:
• Implementação de Apoios e incentivos à gestão florestal e estímulo ao aumento
da produtividade e da rentabilidade da floresta;
• Incentivar as bioindústrias enquanto cluster de inovação e criação de valor no
setor florestal;
• Recuperação de áreas ardidas e/ou degradadas;
• Otimização dos instrumentos de planeamento e gestão florestal (como o PGF,
RJAAR e o EUDR), e de financiamento de políticas florestais;
• Aposta na formação de profissionais e capacitação das empresas do setor;
• Valorização dos Serviços do Ecossistema, nomeadamente em termos do pa-
pel de sumidouro de carbono da floresta nacional;
• Valorização dos produtos não lenhosos da floresta;
• Valorização da atividade cinegética, aquícola e piscícola nas águas inte-
riores;
101
• Resiliência:
• Aumento da resiliência aos incêndios através do reforço de ações de prevenção
estrutural, com foco na redução de carga combustível, na intervenção em áreas
prioritárias, na gestão integrada do território, na manutenção dos espaços agro-
-florestais e no incentivo da atividade agrícola;
• Melhorar e regulamentar o uso de fogo para a gestão agro-florestal;
• Colocar em ação um programa de beneficiação de infraestruturas florestais
compatíveis com a gestão florestal e proteção contra os incêndios rurais;
• Monitorização, controlo e contenção/irradicação de espécies invasoras;
• Monitorização e controlo do estado fitossanitário da Floresta;
• Melhoria do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Florestais;
• Proteção, manutenção e promoção do arvoredo nativo e/ou de elevado valor;
• Melhoria do Programa de Sapadores Florestais;
• Propriedade:
• Incentivo à melhoria da estrutura fundiária com vista a reduzir a fragmentação e
a atomização da propriedade rústica;
• Acelerar e otimizar o processo BUPI, maximizando o registo e a identificação das
propriedades rústicas e mistas
• Governança:
• Simplificar processos e criar uma via verde para os licenciamentos e investimen-
tos na floresta: plantação e reconversão de parcelas florestais;
• Otimização dos instrumentos de gestão conjunta e de gestão do território
• Estimular a gestão agregada e em escala de áreas florestais, através de contra-
tos-programa com Organizações de Produtores Florestais e a criação de condo-
mínios florestais, facilitando o emparcelamento e a gestão ativa com relevante
dimensão;
CAPTAÇÃO DE INVESTIMENTO
• Promover a internacionalização do setor agroalimentar como forma de atrair
investimento que promova sustentabilidade e inovação ao setor;
• Agilizar processos de investimento, em particular no cumprimento dos tem-
pos de licenciamento e redução de procedimentos administrativos;
• Apoiar a instalação de indústrias intermédias (biorrefinarias) que apos-
tem na inovação e que valorizem os subprodutos agroalimentares.
102
PROMOÇÃO DO TERRITÓRIO E DO MUNDO RURAL:
• Promover e apoiar as zonas rurais insulares e remotas, ultraperiféricas e de monta-
nha, onde a agricultura tende a ser o principal motor do desenvolvimento económico;
• Valorizar o território e os seus produtos locais, através da sua identidade com a re-
gião, as suas gentes e tradições e a sua Gastronomia;
• Incentivar a criação de “Rota do Turismo Rural” em cada região, associando oferta
de dormidas, de experiências e de outras atividades em mundo rural;
• Criar um plano de incentivo para a recuperação do património edificado rural;
• Rever os conteúdos didáticos sobre os temas da agricultura, florestas e mundo rural
desde o 1.º ciclo de ensino.
AUMENTO DA ÁREA IRRIGADA:
• Construir novos aproveitamentos hidroagrícolas, através do PRR e do PT20-30, no-
meadamente cumprindo o Plano Nacional de Regadios;
• Reabilitar perímetros de rega degradados ou subutilizados, potenciando fundos eu-
ropeus;
• Avaliar o aumento da capacidade de armazenamento de água nas bacias hidrográ-
ficas, bem como avaliar a exequibilidade e o custo-benefício de um plano de trans-
vases de águas superficiais entre bacias que permita fazer uma gestão “inteligente”
das águas superficiais;
• Aumentar a capacidade de retenção das disponibilidades hídricas anuais, analisan-
do a possibilidade de flexibilizar as regras de licenciamento de pequenas infraestru-
turas de captação de águas superficiais nas explorações agrícolas e criando, sempre
que possível, uma estrutura de capilaridade entre pequenas barragens.
PROMOÇÃO DE PARCERIAS E APOSTA NO CONHECIMENTO:
• Estabelecer contratos-programa com as autarquias e OPF para a gestão e ma-
nutenção de infraestruturas florestais e rurais e de uso agrário;
• Criar uma rede de inovação agrícola, numa perspetiva multissetorial, que per-
mita conhecer, testar e validar práticas e tecnologias inovadoras;
• Desenvolver projeto de gestão florestal (protocolos diretos), sobretudo
com um modelo de Áreas Agrupadas dinamizadas pelas autarquias lo-
cais ou OPF;
103
• Implementar a reabilitação das estruturas do Ministério da Agricultura, incluindo I&D
agrícola, com vista a melhorar o acesso à inovação e ao conhecimento, promovendo
um serviço profissional de extensão agrícola e agroalimentar;
• Promover centros de incubação de empresas ligadas ao setor.
MELHORIA DA INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA:
• Garantir internet no território rural;
• Promover plataformas de partilha de informação e de dados entre os agricultores.
FINANCIAMENTO, PREVISIBILIDADE, SUSTENTABILIDADE
E CAPACITAÇÃO DO SETOR
• Simplificação e redução da burocracia do processo de acesso aos financiamentos;
• Avaliar a não sujeição a tributação das subvenções europeias relativas às medidas
agroalimentares (primeiro pilar), como acontece em alguns Estados-Membros da
União Europeia;
• Valorização de projetos com resultados e diferenciar positivamente o financiamento
de uso de tecnologia de agricultura de precisão ou associada à eficiência no uso de
fatores;
• Fomento da sustentabilidade no setor:
• Promover práticas agro-silvo-pastoris que melhorem a saúde do solo, nomeada-
mente o aumento de matéria orgânica;
• Promover programas de apoio à agricultura e à floresta, que prestem serviço hi-
drológico à sociedade, através da retenção de água no solo, protegendo mar-
gens e mitigando a erosão;
• Promover a valorização do património natural dos territórios rurais;
• Criar instrumentos económicos para a conservação da biodiversidade e remu-
neração dos serviços dos ecossistemas;
• Reforçar os recursos dos serviços públicos competentes e especializados,
capazes de assegurar políticas higiossanitárias que garantam eficácia nas
funções de inspeção sanitária e de garantia do bem-estar animal;
• Reforçar os planos de sanidade animal e vegetal, com vista a combater
eventuais pragas ou doenças que ameacem o desenvolvimento agro-
pecuário, a rentabilidade das explorações e a saúde pública.
104
• Apoio aos jovens empresários do setor:
• Fomentar a renovação geracional das explorações agrícolas, valorizando os pro-
jetos de jovens que integrem empresas agrícolas já existentes;
• Criação de mecanismo de financiamento, com garantias mutualizadas, para a
componente não apoiada e para o necessário capital circulante;
• Possibilitar a integração nos investimentos elegíveis de formação avançada em
universidades nacionais e estrangeiras, sobretudo em áreas de gestão.
• Aposta na qualificação dos colaboradores e agricultores:
• Promover a criação de uma rede de “estágios profissionais” entre diferentes em-
presas agrícolas, para facilitar a partilha de boas práticas e de conhecimento;
• Promover um programa de qualificação em soft skills dirigido para empresários
agrícolas, incluindo competências de comunicação.
• Captação de talento para o setor:
• Criar um programa de estágios para áreas críticas nas explorações agrícolas;
• Promover o estabelecimento de projetos de I&D ou de transferência de conheci-
mento entre o Ensino Superior e empresas tecnológicas, com empresas do setor
agrícola, agroalimentar e/ou florestal.
• Promoção da organização da produção:
• Promover o robustecimento de todas os parceiros locais envolvidos no setor agro-
-silvo-pastoril (Federações/OPF);
• Avaliar a criação de apoios específicos ou majorações de apoio muito diferencia-
das para investimentos realizados por agroindústrias que comprovem a incorpo-
ração de produção proveniente de OP reconhecidas;
• (Re)Introduzir majorações aos apoios ao investimento para os produtores de OP,
prevendo a abertura de concursos específicos;
• Desenvolver uma política de apoio à criação de organizações interprofissionais,
valorizando estas estruturas em programas de promoção nacional e interna-
cional.
• Valorização de práticas agrícolas sustentáveis:
• Definir um enquadramento que incorpore informação sobre as melhores
práticas agrícolas em produtos finais;
• Promover o aumento do número de produtos IGP, DOP e ETG.
• Reforço da imagem “Portugal” no setor e estreitar a marca “Portugal”
associada a uma produção agrícola de qualidade superior;
105
• Reforço das cadeias curtas de comercialização:
• Promover a comercialização de produtos locais e valorizar a produção nacional,
através da criação de um selo CCA (Circuitos Curtos Agroalimentares).
• Exploração das características distintivas da produção nacional:
• Financiar, através de fundos europeus, programas de investigação relacionados
com a pesquisa sobre características, nutricionais ou genéticas, distintivas da
produção portuguesa face aos concorrentes;
• Criar uma plataforma portuguesa de registo dos géneros alimentícios ECOLA-
BEL;
• Valorizar os sistemas de produção extensiva, considerando a qualidade dos pro-
dutos;
• Promover programas específicos de agroturismo em territórios de baixa densida-
de.
• Valorização das práticas de produção alimentar sustentáveis:
• Valorizar a produção de produtos alimentares isentos de resíduos;
• Reforçar a soberania, segurança e qualidade alimentar, reduzindo o respetivo dé-
fice da balança comercial, um dos défices estruturais importantes da economia
portuguesa.
• Aprofundamento da literacia alimentar nas escolas:
• Desenvolver ações de literacia alimentar desde o 1.º ciclo de ensino, através de
cooperação entre os agentes do setor;
• Criar campanhas de educação alimentar.
MAR E PESCAS
1. Porque é preciso continuar
O Mar é o maior ativo natural português. Constitui um ativo real de valor económi-
co, ambiental, político e geoestratégico; um ativo potencial de equilíbrio, progres-
so, afirmação e prestígio internacional do País, um fator de Identidade Nacional
e de Individualidade do País. A especial fragilidade dos oceanos e da sua bio-
diversidade obriga a uma exploração dos recursos e usos marinhos de modo
sustentado e sustentável, através de uma abordagem holística e global dos
assuntos do mar, tendo em conta o(s) ecossistema(s) marinho(s).
106
A acrescer aos constrangimentos resultantes da falta de informação atualizada, é gri-
tante o escasso investimento que tem foi feito, nos governos Socialistas, no conheci-
mento e na investigação científica do Mar sob soberania ou jurisdição portuguesa, que
compromete a salvaguarda e proteção de um recurso tão valioso.
Há ainda um longo caminho a percorrer no sentido de assegurar uma efetiva gestão
integrada do Mar, garantindo a harmonização das políticas públicas marítimas e a pro-
teção do meio ambiente marinho, assim como a exploração racional dos seus recursos
No que se refere à plataforma continental, é importante não desistir do processo de
reconhecimento da mesma em toda a sua extensão. É imperioso um empenhamento
maior no que respeita à obtenção do reconhecimento dos limites exteriores da nossa
plataforma continental, em toda a sua extensão, para os podermos tornar definitivos e
obrigatórios. Esta visão não é compatível com a falta de meios para garantir a vigilância
de toda a área marítima nacional causada por anos de atraso na entrada ao serviço dos
repetidamente adiados Navios Patrulha Oceânicos.
A área das pescas tem uma importância económica, ambiental e social indelével, deven-
do procurar-se o equilíbrio entre a exploração dos recursos e a preservação dos ecos-
sistemas marinhos, potenciando as fileiras das pescas na economia do mar. É essencial
retomar-se o ordenamento e a gestão efetiva do planeamento espacial do espaço ma-
rítimo e das zonas costeiras, assegurando a adequada articulação entre as diferentes
atividades humanas que concorrem pelo espaço e recursos marítimos e minimizando a
incompatibilidade e conflitualidade na utilização destes recursos.
2. Metas
• Expandir a rede de áreas marinhas protegidas de modo a proteger e preservar a bio-
diversidade, principalmente os ecossistemas raros ou frágeis, bem como o habitat
de espécies e outras formas de vida marinha em vias de extinção, ameaçadas ou em
perigo;
• Estimular o aumento de valor acrescentado associado à economia do mar;
• Proteger a soberania sobre o mar e promover a segurança no mar.
107
3. Medidas
CONSTRUIR CONSCIÊNCIA MARÍTIMA
• Conhecer para proteger: criar condições para conhecermos o Mar sob soberania ou
jurisdição portuguesa, incluindo os fundos marinhos e as zonas costeira, através dum
investimento significativo no conhecimento e na investigação científica do Mar;
• Reforçar programas existentes e criar novos apoios a iniciativas privadas ou em par-
ceria público-privada, visando a investigação científica, em centros de investigação
ou laboratórios e em cruzeiros científicos, incluindo pela Marinha e IPMA;
• Criar um Programa de Levantamento Sistemático dos Recursos Naturais, do Estado
Ambiental e do Património Arqueológico dos Espaços Marítimos Nacionais, através
do PRR e do PT20-30, incluindo a produção de um Atlas de Referência do Mar Portu-
guês, e integrando-o com o Plano de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo;
• Apostar na literacia para todas as idades, níveis de formação e atividades;
• Criar um roteiro para a implementação da Estratégia Nacional do Mar, contemplan-
do a monitorização e avaliação.
ECONOMIA DO MAR COM VISÃO SUSTENTÁVEL
E INTEGRADA DE CLUSTER E FILEIRA
• Reforçar a simplificação dos programas de investimento europeu no âmbito das can-
didaturas do Mar 2030, tornando a sua execução mais rápida, dando competitivida-
de ao setor, de forma sustentável;
• Aprovar modelo de gestão para as Áreas Marinhas Protegidas Oceânicas.
• Classificar áreas marinhas protegidas com vista atingir a meta de 30% até 2028.
• Prosseguir no esforço de menos burocracia e mais certeza jurídica: tornar a legisla-
ção e os processos ligados à economia do mar mais claros, menos discricionários,
e com prazos de decisão razoáveis para que as empresas que pretendam investir
na economia do mar o possam fazer de forma esclarecida, planeada e segura;
• Compatibilizar a exploração racional dos recursos e usos do Espaço Marítimo
Nacional com as atividades tradicionais existentes (pesca, turismo e outras)
e respeitando a proteção do meio ambiente sob impacto e criando condi-
ções sustentáveis para a produção eólica offshore;
• Defender mais investimento público e privado nos portos de pesca;
108
• Apoiar a descarbonização da frota pesqueira e a transição energética do setor pes-
queiro e aquicultura, através da rápida operacionalização do plano de Reestrutura-
ção da Frota Pesqueira Nacional;
• Procurar, através sobretudo do PT20-30, aumentar o investimento nas infraestrutu-
ras base necessárias à facilitação e estímulo de acesso ao Mar e nas regiões ribeiri-
nhas das embarcações de pequeno porte e artes de pesca;
• Criar um quadro regulatório e legal que potencie o investimento privado no setor da
Aquicultura, suportada pelo Plano de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo,
preservando o equilíbrio e a renovação das espécies marinhas, em mar;
• Criar circuitos curtos de comercialização de pescado, de proximidade;
• Apostar na Investigação & Desenvolvimento através dos institutos públicos e/ou
outras entidades credenciadas, no sentido de melhorar a sustentabilidade aliada à
competitividade das empresas que operam no sector da pesca e aquicultura;
• Promover a indústria transformadora do pescado, como um importante segmento
dentro do setor, garantindo a segurança alimentar, com níveis rigorosos de rastrea-
bilidade;
• Utilizar, de forma generalizada, a biotecnologia na transformação dos recursos vivos
marinhos e valorização de subprodutos na produção de nutrientes, fármacos e cos-
méticos;
• Avaliar a atribuição de novas concessões nas áreas de expansão previstas no Plano
de Situação do Ordenamento do Espaço Marinho Nacional e nas áreas de expansão
previstas no Plano de Aquicultura em Águas de Transição;
• Enquadrar a pesca artesanal e a pesca lúdica, recreativa e/ou desportiva enquadra-
da nas comunidades locais, assegurando o cumprimento das normas de sustentabi-
lidade das espécies.
SOBERANIA E SEGURANÇA
• Continuar o esforço com vista ao reconhecimento dos direitos soberanos, exclu-
sivos e inerentes de Portugal sobre a totalidade da sua plataforma continental
além das 200 milhas, garantindo os meios necessários e apoiando cientifica-
mente, com novas informações junto da Comissão de Limites da Plataforma
Continental, que suportem a pretensão portuguesa;
• Concretizar os processos de construção dos novos navios patrulha
oceânicos e colocá-los ao serviço do país e da vigilância de toda a área
marítima sob gestão nacional;
109
• Reforçar as garantias que as atividades marítimas se podem desenrolar em seguran-
ça nas áreas sob soberania, jurisdição ou responsabilidade nacional, cumprindo as
obrigações internacionais e Europeias, implementando uma Estratégia de Seguran-
ça Marítima, combatendo atividades ilegais e promovendo a cooperação internacio-
nal.
CIDADES, COMUNIDADES E COESÃO TERRITORIAL
1. Porque é preciso continuar
O Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) salienta a exis-
tência de uma realidade regional e nacional que ultrapassa as clássicas grelhas de leitu-
ra norte/sul, interior/litoral e urbano/rural.
Acresce a esta realidade a existência de estrangulamentos estruturais, como uma insu-
ficiente cobertura territorial de infraestruturas de suporte à competitividade, entre as
quais se incluem as da conetividade digital, de incubação e de aceleração de empresas
de base tecnológica, alinhadas com as Estratégias de Especialização Inteligente, as de
acolhimento empresarial, como elementos de atração de investimento, e as redes físicas
de suporte à economia digital, tal como identificado no Acordo de Parceria Portugal
2030.
A crescente litoralização do País, associada a uma história de fraca acessibilidade física
e digital do interior, reforçada pela estratégia adotada pelos governos do Partido So-
cialista de concentração do investimento estrutural nos grandes centros urbanos e na
administração pública central ao abrigo do PRR e do PT2030, impõe a necessidade de
promover uma nova visão para o desenvolvimento, assente num racional de sustentabi-
lidade e coesão da integridade do território nacional alicerçado no reforço da capacida-
de de intervenção das autoridades locais, em particular municípios e entidades intermu-
nicipais, numa efetiva aposta na descentralização com a necessária transferência de
responsabilidades devidamente acompanhada pelos meios necessários à sua concre-
tização, em paralelo com uma aposta na escala NUTIII e entidades intermunicipais
como alavanca do processo de descentralização e de desenvolvimento territorial.
Após um sólido e ambicioso início do processo de descentralização em 2014-
15, o Governo do PS introduziu mudanças de orientação a partir de 2016 que
têm gerado instabilidade e insegurança, falta de transparência e recursos,
insuficiente autonomia para gestão efetiva dos serviços descentralizados e
ausência de mecanismos de avaliação objetiva e transparente.
110
Este governo tem adotado uma abordagem holística de aprofundamento do processo
de descentralização nas diferentes áreas de atuação com destaque para a Saúde, Ha-
bitação, Educação, Políticas Sociais e na própria execução de investimentos estruturan-
tes via fundos europeus e PRR. Em paralelo, o Governo estava a preparar as alterações
de instrumentos necessárias para dar um novo impulso ao processo, assegurando os
recursos necessários, a autonomia e a avaliação transparente dos resultados. Este é um
processo que terá continuidade.
A fraca capacidade de planeamento territorial de longo prazo, torna as políticas seto-
riais frágeis e incapazes de criar uma estratégia de desenvolvimento social e económi-
co eficaz para o país. As estratégias setoriais de âmbito nacional e regional têm fraca
coordenação e transversalidade, tornando-as, muitas vezes, conflituantes entre si ou
incapazes de prosseguir com a sua orientação estratégica. Tem de ser promovida a ca-
pacitação do planeamento, através do reforço de dados territoriais para a tomada de
decisão.
No que diz respeito às Autonomias Regionais, sempre lutámos pela defesa da Autono-
mia Política das Regiões Autónomas e pelo respeito integral e inegociável pela digni-
dade e competências dos órgãos de governo próprio das mesmas. Assim como sempre
respeitámos e acolhemos as legítimas aspirações das nossas Regiões Autónomas de
incrementarem o seu contributo ativo para a coesão territorial e social do nosso País.
Sempre no estrito respeito pelos respetivos Estatutos político-administrativos.
2. Metas
• Garantir que o território tem cobertura de comunicações eletrónicas e dados em
2030;
• Aprofundar o processo de descentralização municipal e intermunicipal, dotando os
municípios e as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais e Comunida-
des Intermunicipais de competências relevantes capazes de assumir efetivamente
a condução e gestão dos serviços públicos descentralizados, bem como do res-
petivo envelope de recursos humanos, materiais e financeiros adequados e dos
mecanismos de responsabilização e avaliação transparente.
111
3. Medidas
PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO
• Continuar a aposta na transferência de competências para os municípios e entida-
des intermunicipais, reforçar as competências atribuídas às áreas metropolitanas e
comunidades intermunicipais em estreita articulação com os municípios, como ala-
vanca de descentralização e desenvolvimento regional, num quadro de transparên-
cia e efetiva transferência de recursos para o seu cumprimento, garantindo assim
complementaridades em função da escala territorial e da área setorial;
• Adequar a Lei das Finanças Locais e demais instrumentos normativos ao processo
de descentralização;
ENTIDADES INTERMUNICIPAIS
• Prosseguir o reforço do papel e meios das Entidades Intermunicipais, especialmente
no domínio do desenvolvimento económico e social sub-regional e do ganho de esca-
la na provisão ou gestão de serviços públicos;
• Estimular a integração e partilha de serviços entre municípios, quer ao nível das en-
tidades intermunicipais, quer de iniciativas entre municípios;
• Redefinir os critérios de seleção de operações nos programas cofinanciados para
ganhar escala e eficiência (garantir sinergias e escalabilidade);
• Estimular a partilha de boas práticas entre municípios e a transparência comparati-
va dos desempenhos da gestão e desempenho dos vários municípios;
• Continuar a melhorar a governança e a coordenação territorial, definindo priorida-
des de desenvolvimento territorial, consolidando os centros urbanos regionais e re-
forçando o papel das pequenas e médias cidades no combate à desertificação e
perda demográfica;
• Promover a visão da cidade e território como plataforma, reformulando os proces-
sos de elaboração e disponibilização dos instrumentos de gestão territorial;
COESÃO TERRITORIAL
• Redesenhar o Programa de Valorização do Interior, incentivar a recuperação
das casas das aldeias;
• Capacitar as universidades e politécnicos dos territórios de baixa densi-
dade, através do PRR e do PT20-30, criando polos de inovação e fixa-
ção de populações;
112
• Avaliar a criação de benefícios fiscais atrativos para famílias e empresas que dese-
jem mudar-se para os territórios de baixa densidade;
GESTÃO TERRITORIAL
• Tornar os processos de planeamento urbanístico mais eficazes, aumentando a trans-
parência e acesso, e reduzindo custos de contexto e prazos;
• Adotar um novo modelo de governação do licenciamento das atividades económicas
capaz de garantir a captação de investimento no território, através de uma metodo-
logia célere, transparente e promotora de um processo transparente de concorrên-
cia;
• Melhorar a informação territorial, o ecossistema nacional de dados e sistemas de
gestão territorial que permita uma gestão mais integrada e inteligente do território,
promovendo a tomada de decisões mais informadas, com a colaboração da Adminis-
tração Pública Central, Regional e Local.
AUTONOMIAS REGIONAIS
• Garantir o Princípio da Continuidade Territorial, assumindo a República as suas res-
ponsabilidades ao nível do transporte marítimo e aéreo de pessoas e mercadorias,
nas comunicações, na cultura e no desporto;
• Rever a Lei de Finanças das Regiões Autónomas e analisar a possibilidade de criação
de Sistemas Fiscais Regionais.
113
COM SENSIBILIDADE
SOCIAL
SAÚDE
1. Porque é preciso continuar
O sistema de saúde português tem feito progressos significativos na melhoria dos cui-
dados de saúde, valorização do mérito, talento e dedicação dos profissionais de saúde e
na modernização das infraestruturas.
Apesar destes progressos, este é um processo de contínuo de reforço do sistema, que se
depara com desafios crescentes, inerentes ao crescimento da procura de cuidados de
saúde que a nossa demografia impõe, ao reforço da sofisticação dos cuidados de saúde
que os portugueses desejam, e à aplicação dos desenvolvimentos de inovação na saúde,
fundamentais para elevar a qualidade dos cuidados que os portugueses merecem.
Estes desafios podem ser superados sem amarras ideológicas, com gestão mais eficien-
te e investimento, tendo como único foco garantir uma resposta próxima, humanizada
e de qualidade aos portugueses. Esse tem sido o foco do último ano, e será o foco da
próxima legislatura.
Aquando da tomada de posse, o governo da AD encontrou o pilar fundamental do nosso
sistema de saúde – o Serviço Nacional de Saúde (SNS) –a braços com a generalização
das Unidade Locais de Saúde (ULS), realizada sem debate público, sem evidência das
vantagens e sem o envolvimento dos profissionais do setor. Esta reforma foi implemen-
tada num contexto de extinção das Administrações Regionais de Saúde (ARS) e sem
estarem assegurados os necessários reequilíbrios entre a Direção Executiva do SNS
(DE-SNS) e a Autoridade Central dos Serviços de Saúde (ACSS), no que se refere a
competências e atribuições. Fundamentalmente, um plano pouco ponderado e mal
executado.
Além disso, o investimento fundamental nos profissionais do SNS estava por
fazer. Com as suas carreiras estagnadas há vários anos, encontrámos um pa-
radigma em que a capacidade de atração e retenção de profissionais no
114
SNS estava depauperada, e os profissionais que se mantinham, muitas vezes sem a va-
lorização e as condições de trabalho necessárias, estavam desmotivados.
Até na emergência médica, a situação de debilidade era grave, com falta de profissio-
nais, falta de meios operacionais, falhas graves na formação e descapitalização ano
após ano no INEM.
Em consequência, quando este governo tomou posse, as fragilidades do SNS agrava-
vam-se ao ponto de rutura, apenas impedida pelo esforço abnegado dos seus profissio-
nais. Porém, os sinais eram evidentes:
• Os tempos de espera em consultas e cirurgias eram elevados;
• Um elevado número de utentes continuavam a esperar demasiado tempo para terem
um médicos de família, o mais elevado dos 8 anos de Governação socialista;
• Várias temáticas, com elevado impacto na vida dos portugueses estavam por resol-
ver, de que é exemplo a campanha de imunização do vírus sincicial respiratório (VSR)
para as nossas crianças e a revisão dos programas de rastreio oncológico, como é
exemplo o alargamento do rastreio do cancro da mama;
• A desorganização na rede de cuidados de saúde e o descontentamento de insti-
tuições públicas do ministério da saúde que se viram esquecidas e desprovidas de
capacidade de ação e incentivos nos últimos anos era evidente;
• A fragilidade na resposta à emergência médica era notória.
Face à iminente rutura que herdámos, de oito anos de estratégias erráticas, mudanças
apressadas e mal operacionalizadas, definimos a intervenção em dois momentos: um de
emergência, para fazer face às prioridades imediatas, e outro de implementação de um
novo ciclo do SNS, fundado numa estratégia ponderada, com base em evidência e com
o envolvimento dos profissionais. Uma estratégia não apenas focada em investimento,
mas também numa reorganização inteligente, centrada no cidadão e orientada para
resultados em saúde, com o princípio de reforçar o modelo público e universal, sem ab-
dicar do SNS como o pilar central e fundamental do Sistema de Saúde em Portugal.
Assim, nos primeiros sessenta dias de governação, o Governo da AD, apresentou o
PETS - Plano de Emergência e Transformação da Saúde, que com a duração de
2 anos de implementação, para dar resposta às questões mais emergentes do
SNS. O seu objetivo era evitar a rutura imediata de serviços críticos que es-
tavam ameaçados. Ao dia de hoje, apenas um ano após a tomada de posse,
cerca de 60% das medidas estão concretizadas.
115
Simultaneamente, porque não podemos, como foi prática nos 8 anos de governo so-
cialista, continuar a desinvestir nos profissionais do SNS, e com isso a exaurir o talento
e a dedicação de quem presta os cuidados de saúde, o governo realizou acordos com
diferentes grupos profissionais de saúde: Enfermeiros, Médicos, Técnicos de Emergên-
cia pré-Hospitalar, Farmacêuticos Hospitalares e Técnicos Superiores de Diagnóstico
e Terapêutica ( TSDT). Iniciou negociações com outros grupos profissionais, de que são
exemplo os administradores hospitalares.
Ao fim de apenas um ano, em que a intervenção se focou nas emergências do sistema e
na preparação do seu novo ciclo, os resultados são de assinalar:
• A nível de acesso, garantiram-se mais consultas hospitalares, com um aumento de
700.000 consultas, quando comparando 2023 com 2024;
• Realizaram-se também mais cirurgias, com um incremento de 5% no mesmo período;
• Tal como era esperado, com a implementação do PETS, o impacto mais significativo
foi observado na cirurgia oncológica, com tempos médios de espera para uma cirur-
gia oncológica a reduzirem-se de 51,83 dias em junho de 2024, (início do Programa
OncoStop), para 32 dias em Fevereiro de 2025;
• Nos cuidados de saúde primários, temos ao dia de hoje uma taxa de cobertura de
85,4% de médicos de família atribuídos (Dezembro de 2024), contrariando a ten-
dência de diminuição dos últimos 4 anos (Entidade Reguladora da Saúde, Relatório
Abril 2025). Devido à alteração demográfica nos últimos 7 anos, a população estran-
geira residente quase quadruplicou, tendo-se inscrito e utilizado o SNS (pelo menos
uma vez no ano) 405.385 em 2017 para 944.143 em 2024. O número de consultas em
Cuidados de Saúde Primários (de utentes com ou sem inscrição no SNS) passou de
326.439 em 2017 para 1.408.683 em 2024. Por isso ainda temos muito a fazer nos
cuidados de saúde primários, para que sejam efetivamente a porta de entrada no
SNS, sobretudo para conseguir acompanhar um dos maiores choques demográficos
de sempre na população portuguesa;
• Conseguimos assegurar um dos invernos mais tranquilos dos últimos anos, sem fi-
las de ambulâncias às portas dos hospitais, com diminuição do número de uten-
tes nos serviços de urgência e uma diminuição de 15% nos tempos médios de
espera, com reduções mais significativas nos doentes triados como amarelos
(redução de 19%) e nos doentes triados como laranjas (redução de 36%). Ain-
da assim, temos de continuar o processo de requalificação dos serviços de
urgência sobretudo na Região de Lisboa e Vale do Tejo onde as equipas,
sobretudo na área da Obstetrícia e na área da Pediatria, precisam de
reforço significativo;
116
• A campanha de imunização do vírus sincicial respiratório (VSR), traduziu-se numa
diminuição de cerca de 25% de internamentos pediátricos provocados por VSR. Em
suma, o Plano de Inverno demonstrou que o SNS consegue responder quando os
picos de procura sazonais acontecem, desde que haja um planeamento e um inves-
timento reforçado nestas épocas. Um dos indicadores que melhor demonstra esta
capacidade de fazer melhor, foi o impacto no excesso de mortalidade: menos 2099
óbitos face ao mesmo período do ano anterior;
• Nos rastreios oncológicos, ajustamos dos 25 para os 30 anos (impacto da vacinação
do HPV) o início de rastreio do cancro colo do útero e alargamos dos 60 para os 69
anos (devido ao aumento de incidência nestas idades). Procedemos ainda ao alar-
gamento para os 45 anos e para os 74 anos (anteriormente entre os 50 e 69 anos) o
rastreio do cancro da mama;
• Até dezembro de 2024 executámos 20% do PRR Saúde, quando em abril de 2024,
quando tomamos posse, esta execução era de apenas 2%. Com a Saúde Mental já
atingímos os 35%;
• Estão em curso ou já em fase de lançamento 471 intervenções nas Unidades de Saú-
de do SNS (700 milhões de euros PRR), em articulação com os municípios;
• Reestruturámos as respostas do SNS à doença aguda, criando uma rede de obser-
vação fora dos serviços de urgência hospitalar, através:
• Alargamento do “Ligue antes, salve vidas”, quer através do alargamento do horá-
rio dos cuidados de saúde primários;
• Criação de Centros de Atendimento Clínico (CAC’s);
• Novos modelos de referenciação para outros níveis de cuidados (Serviço de Aten-
dimento Complementar nos Centros de Saúde e criação de consultas abertas
nos hospitais). Exemplo destas medidas são os novos modelos de urgência na
obstetrícia e ginecologia e na pediatria, com pré-triagem.
• Atingimos a comparticipação a 100% dos medicamentos para os beneficiários do
Complemento Solidário para os Idosos (CSI) e demos resposta ao aumento de
comparticipação gradual de medicamentos para os antigos combatentes, com
particular destaque para a medicação associada ao trauma de guerra.
• Assinámos o acordo com o sector social e solidário através da União das Mi-
sericórdias, permitindo ampliar a colaboração entre o SNS e o sector social;
• Reiniciámos, o processo de devolução dos hospitais às misericórdias, ini-
ciado em 2015 e interrompido pelo Governo do Partido Socialista. Os
Hospitais e Unidades de Saúde do Sector Social e Solidário têm hoje
117
uma ampla carteira de serviços, tecnologia muito diferenciada e recursos humanos
motivados;
• Iniciámos a refundação da Emergência Médica em Portugal. A Comissão Técnica
Independente que nomeámos, iniciou o seu trabalho de apoio a esta refundação. O
INEM desenvolveu um plano de recuperação, que inclui entre outras medidas muito
relevantes, um acordo com as Escolas Médicas no âmbito da Formação dos Técnicos
de Emergência Pré-hospitalar, a adjudicação em concurso internacional das aero-
naves de emergência médica, e o desenvolvimento de soluções digitais de apoio ao
CODU (Centro de atendimento de doentes urgentes). Contratámos 200 técnicos e
estava prevista a contratação de mais 200 técnicos de emergência pré-hospitalar
totalizando 400 técnicos. Não é suficiente, mas foi mais, muito mais do que aconte-
ceu nos últimos 8 anos de Governos Socialistas;
• Celebrámos novos acordos com a Liga de Bombeiros Portugueses e com a Cruz Ver-
melha Portuguesa.
• Aperfeiçoámos e incentivámos os mecanismos de apoio à Investigação Clínica, esti-
mulámos a aprovação de novos fármacos com elevado impacto na vida dos doentes,
e iniciámos a concretização da dispensa de medicamentos hospitalares em proximi-
dade.
Em apenas um ano conseguimos dar início à verdadeira transformação da SNS no nosso
país, com ganhos demonstrados, com mais e melhor acesso para os nossos concida-
dãos. Iniciámos este percurso com responsabilidade, compromisso e um profundo sen-
tido de dever público. Reconhecemos que ainda há muito a ser feito, muitos desafios a
enfrentar e melhorias a conquistar, tal como sempre dissemos ao focar a nossa primeira
resposta na emergência. Mas temos a plena consciência do caminho que precisamos de
trilhar. Sabemos onde queremos chegar e quais são os passos necessários para cons-
truir a realidade que o nosso SNS merece.
A valorização da Medicina Geral e Familiar é uma das dimensões mais importantes da
resiliência dos sistemas de saúde. Reforçar a saúde em proximidade, é um objetivo es-
tratégico da maior importância, e entre várias dimensões, concretiza-se através da
desburocratização do modelo de gestão, da flexibilidade da organização de traba-
lho dos profissionais, e do reconhecimento institucional do seu elevado contributo
para os ganhos em saúde.
Continuaremos a investir de forma inequívoca nas USF Modelo B, adaptando-
-as a territórios de baixa densidade, mas acreditamos também, que com a
implementação das USF modelo C e com o regime de convenções na área
118
da Medicina Geral e Familiar, conseguiremos diminuir ainda mais o número de portugue-
ses sem médico de família.
A par desta prioridade fundamental, as demais medidas propostas não pretendem subs-
tituir o modelo público e universal, mas sim reforçá-lo com foco, eficiência e moderni-
dade. É tempo de fazer do SNS uma rede ágil, integrada e próxima das pessoas, capaz
de responder aos desafios demográficos, tecnológicos e sociais do século XXI. E, acima
de tudo, mantemos o nosso compromisso de servir as pessoas, garantindo um acesso à
saúde em tempo útil e com qualidade. Este é o nosso desígnio.
Transformar e reformar para cuidar dos portugueses. Do cada um de nós. Os mais velhos
e os mais jovens. Para nós, não desistir do SNS é transformá-lo. Enquanto é tempo. Por-
que o SNS é o pilar fundamental do Sistema de Saúde em Portugal.
2. Metas
• Colocar o sistema de saúde português entre os dez melhores do mundo, em 2040, de
acordo com os seguintes indicadores internacionais:
• mortalidade por cancro e doença cardiovascular;
• tempo de vida sem doença;
• mortalidade infantil
• mortalidade materna
• incidência de patologias oncológicas como cancro colo-rectal e colo do útero
• tempos de resposta a consulta e cirurgia;
• esperança média de vida à nascença;
• despesa per capita de saúde out-of-pocket.
• Concluir a implementação do Plano de Emergência e Transformação da Saúde, com
particular destaque para o Plano de Motivação dos Profissionais de Saúde;
• Reforço sustentado da rede de cuidados continuados e paliativos, incluindo atra-
vés de novas Parcerias Público-Sociais para unidades de Cuidados Paliativos e
Unidades de Cuidados Continuados de 2ª Geração;
• Garantir o cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos
(TMRG) em todos os Hospitais portugueses, para os doentes oncológicos
até final da legislatura;
• Alargar e consolidar o programa de rastreios oncológicos. Particular
destaque para os rastreios dos cancros da mama, útero, colorretal,
pulmão e próstata;
119
• Garantir a Consulta no Médico de Família em tempo útil;
• Adaptar e melhorar as respostas do sistema de saúde ao desafio do envelhecimen-
to demográfico da população, concretizando a Estratégia Europeia de Cuidados de
Longa Duração e o Plano de Ação para a Longevidade;
• Garantir Consultas de Especialidade dentro do tempo máximo de resposta garanti-
do, com recurso à referenciação dentro e fora do SNS (Sectores Privado e Social);
• Desenvolver o necessário enquadramento legal de gestão às unidades de saúde do
SNS, garantindo-lhes práticas de gestão mais flexíveis, num quadro de autonomia e
planeamento plurianual e promovendo uma adaptação mais ágil aos desafios que
enfrenta o sector da saúde;
• Lançar novas parcerias Público-Privadas para as Unidades de Saúde que reúnam
critérios para garantir uma melhor resposta assistencial num modelo de gestão pri-
vada de serviços públicos no SNS;
• Criar um Modelo de Governance de Dados em Saúde;
• Concretizar a construção dos Novos Hospitais respetivamente, Hospital de Todos os
Santos, Hospital Central do Algarve, Hospital do Oeste, Hospital Barcelos-Esposen-
de, Hospital do Seixal, e garantir o terminus e a abertura do novo Hospital de Évora e
de Sintra;
• Melhorar a rede de referenciação Hospitalar e criar um Sistema de Qualidade que
integre os resultados em saúde. Reforçar os Centros de Referência;
• Reforçar programas transversais de promoção da Saúde e prevenção da doença em
sede interministerial e com o franco envolvimento das Autarquias Locais;
• Fortalecer a rede pública de apoio à Fertilidade e Procriação Medicamente Assisti-
da;
• Estabelecer um novo Programa Nacional de Saúde Oral com recurso a unidades
sociais e privadas de Medicina Dentária;
• Criar a Agência Digital da Saúde e o Registo Eletrónico de Saúde Único (RES_U);
• Transformação do financiamento em saúde com base no modelo de Value-
-Based Healthcare ( Saúde Baseada em Valor).
• Reestruturar a gestão do SNS através da sua reorganização assente em
Sistemas Locais de Saúde com a participação de entidades públicas, pri-
vadas e sociais.
120
3. Medidas
COMBATER A DESIGUALDADE DE ACESSO À SAÚDE
• Concluir a implementação do Plano de Emergência e Transformação da Saúde 2024-
2029, baseado nos seguintes vetores:
Ao nível dos Cuidados Primários:
• Promover um incremento sustentado das USF tipo B, com desenho de indicadores
ajustáveis aos territórios de baixa densidade;
• Realizar convenções com Médicos de Família aposentados ou privados;
• Assegurar consultas digitais com Equipa de Família das USF e Centros de Saúde;
• Reforçar as Equipas de Apoio Domiciliário;
• Alargar as USF tipo C a todas as áreas geográficas com baixa cobertura de médico
de família;
• Promoção do desenvolvimento de Unidades Cuidados da Comunidade (UCCs);
• Alargar consultas de Psicologia Clínica, Terapia de Reabilitação e Nutrição nos Cen-
tros de Saúde.
• Desenvolver um plano de Saúde Oral para os portugueses mais carenciados.
• Garantir maior acesso à Medicina Física e de Reabilitação assumindo como priorida-
de esta área de intervenção multidisciplinar na comunidade para melhorar a quali-
dade de vida contribuindo para uma longevidade com maior autonomia.
Ao nível das das Consultas Hospitalares:
• Garantir a referenciação para a Consulta de Especialidade, com liberdade de esco-
lha do prestador pelo utente quando é ultrapassado o Tempo Máximo de Resposta
Garantido (TMRG);
• Criação de programas específicos para especialidades médicas com TMRG crí-
ticos em modelo próprio.
Ao nível das Urgências:
• Redefinir a Rede de Urgências e referenciação hospitalares;
• Criar o Gestor do Doente Crónico;
121
• Criar um modelo de equipas dedicadas com auditoria externa;
• Implementar incentivos para profissionais que realizem serviço de urgência.
Ao nível das Cirurgias:
• Desenvolver novos Modelos de Centros de Responsabilidade Integrada (CRIs) que
permitem mais eficiência, melhores resultados para os doentes e motivação para os
profissionais.
• Promover a auditoria regional e nacional aos TMRG na rede hospitalar;
• Incentivo sustentado da cirurgia de ambulatório nas várias especialidades, no âmbi-
to da contratualização de cuidados;
Ao nível da Procriação Medicamente Assistida:
• Organizar uma resposta pública no SNS com vista ao aumento da natalidade e maior
acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA), com práticas sus-
tentadas numa sólida moldura ética:
• Reforçar o Investimento nos centros públicos de PMA em recursos humanos,
equipamentos e espaços físicos;
• Diferenciar e reforçar a especialização dos centros de PMA do SNS;
• Garantir a autonomização funcional e financeira do Banco Público de Gâmetas
e reforço da sua estrutura orgânica especializada com aumento da capacidade
de resposta;
• Reforçar o apoio para técnicas médicas de fertilidade humana com as melhores
tecnologias disponíveis no SNS e acordos de colaboração com parceiros priva-
dos;
• Assegurar a referenciação mais precoce dos Médicos de Família para centros de
PMA;
• Aprofundar e melhorar os protocolos clínicos e boas práticas assistenciais para
obtenção da menor mortalidade infantil da UE.
• Ao nível dos profissionais de saúde, através do Plano de Motivação dos Profis-
sionais, valorizar e recompensar os recursos humanos do SNS, garantindo a
sua atração e retenção, através de:
• Promover uma abordagem específica com as Ordens Profissionais e
as associações representativas no que respeita à retenção de jovens
quadros médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde no sis-
tema de saúde português;
122
• Definir, nas zonas mais carenciadas do País, um novo conjunto de incentivos para
atração e fixação de profissionais de saúde, em articulação com as autarquias
locais;
• Construir, progressivamente, equipas multidisciplinares mais alargadas no SNS,
nomeadamente, ao nível dos cuidados de saúde primários;
• Revisão da Carreira Médica, adaptando-a aos desafios e à complexidade do sé-
culo XXI, garantindo através do ato médico o reforço de uma medicina de quali-
dade, multidisciplinar e orientada para os ganhos em saúde;
• Construir novos modelos de organização do trabalho, adaptados aos desafios
deste século e aos anseios dos jovens profissionais de saúde, compatibilizando o
trabalho com a vida pessoal e familiar (propostas do barómetro da Plataforma
dos Jovens Profissionais de Saúde);
• Aprovar a regulamentação do trabalho em regime de prestação de serviços nas
Unidades de Saúde do SNS;
• Implementação do Regime Jurídico do Internato da Especialidade em Enferma-
gem, tendo em vista a valorização da prática da enfermagem avançada e a atra-
ção e retenção de enfermeiros no SNS.
PROMOVER A SAÚDE E A PREVENÇÃO DA DOENÇA
• Desenvolvimento de uma linha de financiamento dedicada aos programas de promo-
ção da saúde e prevenção da doença;
• Criação de um programa nacional de vacinação para o adulto;
• Criação de programas de rastreio não oncológico;
• Concretizar, na plenitude, o Programa de Saúde Oral, com compromissos para qua-
tro anos, alargado a toda a população, aonde se inclua o alargamento do âmbito e
cobertura do programa Cheque-Dentista, com criação de cheque protésico para os
beneficiários do CSI;
• Reforçar os Gabinetes de Saúde Oral nos Cuidados Primários com mais profissio-
nais, em especial Médicos Dentistas, de acordos com os compromissos do PRR,
garantindo o seu reconhecimento e valorização profissional;
• Priorizar as respostas assistenciais no âmbito das adições, com promoção
de campanhas de Prevenção Primária e Secundária de Toxicodependên-
cias em ambiente escolar e universitário;
123
• Aproveitar e potenciar a vasta rede capilar em todo o território nacional das Miseri-
córdias e IPSS nas ações de promoção da saúde e prevenção da doença;
• Desenvolver programas de promoção da saúde, literacia na área terapêutica, pre-
venção da doença e acompanhamento terapêutico do doente crónico na rede de
farmácias comunitárias, garantindo a segurança e adesão à terapêutica na utiliza-
ção de medicamentos.
ALARGAR CUIDADOS DE PROXIMIDADE
• Desenvolver Sistemas Locais de Saúde e reforçar equipas clínicas de proximidade,
reavaliando o processo das ULS quanto à escala, âmbito e funcionalidade. Na área
social:
• Na área social promover a certificação e auditoria regulares dos lares em colabo-
ração com o MTSSS;
• Introduzir, de forma progressiva e com apoios, a exigência de equipas médicas e
multidisciplinares permanentes nas unidades de cuidados continuados, em arti-
culação estreita com as unidades públicas de saúde, através de contratos-pro-
grama plurianuais entre o SNS e as Misericórdias, IPSS e sector social;
• Reforçar e ampliar a formação, certificação e expansão da oferta de cuidadores
informais, tendo especial atenção os mais idosos;
• Fortalecer a rede de cuidados paliativos pediátricos e de adultos, através da in-
tegração em protocolos dinâmicos de apoio domiciliário e cuidados ambulato-
riais;
• Promover a articulação clínica na gestão dos doentes da rede de cuidados con-
tinuados ou paliativos com os centros de saúde e USF;
• Desenvolver Redes de Cuidados continuados, paliativos e de centros ambulató-
rios de Proximidade;
• Avaliar, com a Ordem dos Médicos, a criação da especialidade de Medicina Pa-
liativa.
• Reforçar as Redes de Cuidados Continuados e Paliativos e desenvolver Cen-
tros Ambulatórios de Proximidade;
• Reforçar o apoio e confiança na Hospitalização Domiciliária.
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA SAÚDE
• Criar um Ecossistema Nacional de Dados em Saúde, implementar;
• Implementar o Registo Eletrónico de Saúde Único (RES_U) e transfor-
mar);
124
• Transformar a SPMS na Agência Nacional Digital na Saúde.;
• Reforçar a rede do Balcão SNS a nível nacional;
• Promover a monitorização do doente no domicílio através de equipamentos que per-
mitem o controlo remoto de doenças crónicas (Asma, Diabetes, Insuficiência Cardía-
ca);
• Estimular as unidades de saúde e os cidadãos a realizar teleconsulta nas situações
clinicamente adequadas, podendo utilizar a aplicação SNS24;
INVESTIMENTOS NO SNS
• Na senda da dinâmica implementada pelo Governo da AD, conseguindo uma execu-
ção do PRR superior a 20%, quando em Abril de 2024 era de somente 2%, os próximos
anos serão marcados por mais e melhores investimentos em saúde através de:
• Construção e requalificação generalizada das Unidades de Saúde, em especial os
Centros de Saúde, por todo o país, com apoio do PRR (700 milhões de euros);
• Forte investimento em Equipamentos de Saúde, distribuídos por todas as ULS e IPO’s
– mais de 270 milhões de euros PRR – com destaque para robôs cirúrgicos, resso-
nâncias magnéticas, TAC´s, angiógrafos, câmaras gama, aceleradores lineares, Rx e
PET´s;
• A obra do grande Hospital Todos os Santos, cresce todos os dias, num investimento
superior a 1.000 milhões de euros. Uma aposta ganha pelo Governo da AD, que terá
continuidade com o lançamento do Hospital Central do Algarve (peças processuais
para concurso em preparação); Hospital de Barcelos; Hospital do Seixal; Hospital do
Oeste; Ampliação do Hospital de Beja e do Hospital de Portalegre.
INOVAÇÃO NA SAÚDE
• Fazer evoluir o Estatuto dos Hospitais Universitários para Centros Clínicos Univer-
sitários, a partir dos atuais Hospitais/ULS Universitárias, com novo modelo de go-
vernação e financiamento, concretizando o enquadramento legal à conciliação
entre as carreiras clínicas e universitárias, um desafio para a próxima legislatu-
ra;
• Continuar a aposta nos mecanismos de apoio à Investigação Clínica, de es-
timulo à aprovação de novos fármacos com elevado impacto na vida dos
doentes;
• Continuar o processo de concretização da dispensa de medicamentos
hospitalares em proximidade.
125
HABITAÇÃO
1. Porque é preciso continuar
A crise de acessibilidade à habitação em Portugal tornou-se evidente em 2017. Por essa
altura, os preços e rendas de habitações subiam a um nível já superior ao crescimento
dos rendimentos, colocando crescentes entraves às pessoas que não detinham habita-
ção própria. Em particular, os jovens rapidamente viram as suas possibilidades de aces-
so a uma habitação e à autonomia, liberdade e capacidade de acesso a um projeto con-
digno em Portugal bloqueados, não lhes deixando muitas vezes alternativas à extrema
precariedade habitacional, ou à emigração.
Face a isto, o governo do PS criou o programa de habitação pública o 1º direito, impul-
sionou a criação de estratégias locais de habitação para definição das necessidades
potenciais e inscreveu 26000 casas como objetivo de serem construídas e reabilitadas
ao abrigo do PRR. Em 2023 criou o programa “Mais Habitação” como bala de prata para
a resolução dos problemas de acessibilidade.
As políticas de Habitação dos últimos anos, onde o Programa “Mais Habitação” é exem-
plo claro, falharam no objetivo de aumentar o acesso à habitação, e aumentaram a
dificuldade das populações. A aposta ideológica em medidas restritivas que limitam e
colidem com o direito de propriedade, que colocam uns contra outros, que limitam a
iniciativa económica privada, que reduzem o investimento privado e cooperativo, e que
apostam em exclusivo em promessas falhadas de Habitação Pública, deixaram o Esta-
do sozinho e incapaz de garantir um impulso ao mercado de habitação que garanta o
acesso para todos.
Mesmo na habitação pública que era o grande motor da solução socialista os governos
do partido socialista falharam na sua capacidade de execução, e sabiam que iam falhar.
Quando o atual governo tomou posse, as 26000 casas prometidas, que iam dar casa a
todos os portugueses pela altura do 50º aniversário do 25 de abril estavam por fazer,
e apenas 14000 casas tinham contratos assinados para a sua execução. E pior que
isso, tinham apenas uma dotação financeira de 1200M€, quando o seu custo efeti-
vo já estava estimado em 1990M€. Aliás, os municípios já tinham candidatado ao
PRR 59000 casas que consideravam necessárias para responder a prioridades
habitacionais.
A outra popular resposta socialista imediata à grave crise de acessibilida-
de habitacional, desde há décadas e de novo nesta última governação, foi
a do controlo administrativo de preços, por congelamento de rendas ou
126
pela sua limitação dentro de bandas muito estritas, ignorando as regras vigentes, para
todos. Ora, as experiências de travões de rendas muito estritos resultaram mal em Por-
tugal e no mundo fora, e falharam de tal forma, com aumentos substanciais das rendas
dos novos contratos.
De facto, estas medidas não apoiam quem mais precisa. Os atuais arrendatários po-
derão sentir um benefício no curto prazo, mas no médio e longo prazo são prejudicados
pela quebra do investimento e da renovação e manutenção dos imóveis. Os proprietá-
rios são prejudicados por lhes ser imposta uma tarefa de redistribuição que compete
ao Estado e à política orçamental e fiscal. Os maiores prejudicados são os que procu-
ram casa agora, ou num futuro breve, quando os seus contratos terminam, porque são
confrontados com um mercado mais pequeno, resultado da fuga dos proprietários que
vendem os imóveis e procuram outras formas de investimento. A medida é também so-
cialmente injusta, tantas vezes protegendo arrendatários com rendimentos superiores
aos proprietários, e que vêm congelada a remuneração das suas poupanças.
A destabilização e insegurança no Arrendamento Habitacional, cujas opções políticas
do PS trouxeram, conduziu a subidas de 30% de rendas nos novos contratos, à afetação
de imóveis para o alojamento local, ou para contratos de curta duração, que podem ser
mais facilmente mudados, ou à venda dos imóveis.
Este foi o cenário que foi legado ao atual Governo. Desde o primeiro dia, era evidente
que a crise mal endereçada durante anos não ia ter uma solução imediata. De facto,
com a queda das taxas de juro e o crescimento da população em Portugal via a receção
de imigrantes, que hoje sabemos quadriplicou desde 2017, representavam dinâmicas de
curto prazo fortes que eram difíceis reverter.
Porém, a prioridade deste governo sempre foi lançar as políticas públicas certas para
que seja possível estruturalmente inverter a tendência de crescimento muito mais ace-
lerado dos preços e rendas face ao rendimento dos portugueses. Por isso, o seu primeiro
plano apresentado logo em maio de 2024 “Construir Portugal” apresentou os eixos
fundamentais dessa intervenção:
• Aumentar significativamente a oferta habitacional, quer seja via habitação pú-
blica, quer seja também privada ou cooperativa, com foco na capacidade de
produção a preços comportáveis para a classe média;
• Criar novas centralidades urbanas que permitam em conjugação com uma
política ambiciosa de mobilidade aumentar os espaços onde de forma
harmoniosa e sustentável as pessoas possam viver;
127
• Promover habitação pública para reforçar o stock habitacional para dar resposta
aos casos mais prementes de indignidade habitacional, e resolver as incapacidades
que foram herdadas;
• Devolver a confiança no arrendamento, depois de soluções erradas de controlo de
rendas ou de arrendamento forçado do governo anterior, que apenas contribuíram
para aumentar rendas e diminuir o número de casas no mercado;
• Apostar em programas de built-to-rent capazes de mobilizar parceiros, quer públi-
cos (municípios) quer privados para com o Estado, quer seja em terrenos públicos,
quer seja recorrendo a financiamento preferencial e garantias públicas contruírem
habitações para arrendamento acessível enquanto mantêm um modelo de financia-
mento sustentável, e com isso podendo ganhar escala e oferecer um stock de casas
significativo;
• Simplificação da burocracia relacionada com os licenciamentos e a construção, res-
ponsabilizando e fiscalizando quem constrói pelo respeito das regras, invés de atuar
numa lógica burocrática que impõe custos e deixa casas no projeto ou papel.
• Apoiando transitoriamente quem fica arredado do acesso a habitação, quer sejam
os jovens com a isenção de IMT e de Imposto de Selo na sua primeira aquisição, ou
com a reformulação do Porta 65 no arrendamento, quer sejam os arrendatários em
situações mais difíceis.
Estas políticas preconizam o projeto da AD. A AD defende a mobilização de toda a socie-
dade para um efetivo estímulo à oferta de habitação nos mercados de arrendamento e
de aquisição. Enquanto esta oferta estimulada em todas as direções não produz todos
os seus efeitos, entende-se que medidas restritivas que visam diminuir a procura deve-
rão ser limitadas na estrita medida do necessário para fazer face a situações de emer-
gência social. Entendemos também que este desafio não se ganha sem a recuperação
da confiança do mercado de arrendamento, sendo imperioso criar um clima de confian-
ça e de segurança para que os alojamentos aptos para habitação sejam colocados no
mercado de arrendamento. E entendemos que são precisos apoios públicos e estímu-
los transitórios para fazer face às situações mais prementes de carência e falta de
acessibilidade habitacional.
Durante este ano, muito se fez, embora ainda haja muito para ser feito. Lança-
ram-se as bases de uma política ambiciosa capaz de mobilizar o esforço da
administração pública e das autarquias na construção de habitação pública,
criaram-se instrumentos efetivos capazes de gerar parcerias entre o Estado
e o setor privado, cooperativo e social no desenvolvimento de habitações,
planeou-se a médio e longo prazo soluções integradas habitacionais e de
128
mobilidade capazes de criar novas centralidades na área metropolitana de Lisboa, e
apoiou-se os jovens que procuravam a sua primeira habitação, evitando o seu êxodo.
No âmbito da habitação pública, além do reforço em 790M€ necessários para garantir
as 26000 casas previstas no PRR, o governo comprometeu mais 2011M€ para assegurar
que em parceria com os municípios as 33 mil casas que tinham sido candidatadas ao
PRR e não foram incluídas no programa tinham financiamento, totalizando 59 mil casas.
Além disso, estavam em preparação linhas de financiamento com o Banco Europeu de
Investimento (BEI) com garantia pública do Banco Português do Fomento para que os
municípios pudessem executar habitações que têm previstas nas suas estratégias locais
de habitação.
Em paralelo, o Estado encontra-se a ultimar os procedimentos técnicos para disponibili-
zar em imóveis públicos projetos de criação de cerca de 5980 habitações destinadas ao
arrendamento acessível, que serão construídas por privados com financiamento asse-
gurado e previsibilidade construtiva.
Mas sabemos que este parque habitacional não chega, e, portanto, o governo estava a
ultimar novas linhas de financiamento junto do BEI para promoção de built-to-rent nos
quais parceiros privados, comprometendo-se a disponibilizar casas em arrendamento,
tinham acesso a condições preferenciais de financiamento.
A ambição passa por melhorar o acesso à habitação com vista à criação de cidades que
sejam verdadeiramente sustentáveis (e que não excluam ninguém) ou seja, cidades que
(i) promovam o bem-estar de todos os seus habitantes e permitam a revitalização e não
gentrificação dos bairros e comunidades, (ii) apostem na educação, na inovação e em
soluções que consigam proporcionar habitação a preços comportáveis(designadamente
aos jovens), (iii) permitam acolher novos residentes, (iv) promovam uma maior interação,
integração social e facilidade na prestação de serviços de assistência e de cuidados
continuados à população sénior, e (v) estimulem a criação de uma rede de transportes
mais sustentável que desbloqueie novas áreas do território.
A aposta no aumento da oferta de habitação privada e pública demora tempo a
impactar decisivamente nos preços de mercado. Enquanto tal não se verifica, há
muitos atuais e prospetivos arrendatários a passar grandes dificuldades pelo que
se justifica uma política pública que os acuda neste período de desequilíbrio do
mercado. Contudo, a intervenção pública com vocação de estabilização deve
ser através da subsidiação dos arrendatários que precisam, e não do castigo
generalizado dos proprietários, que seria paga por todos no longo prazo.
129
Esta subsidiação deve ter formas de cálculo simples e baseadas na localização e rendi-
mento dos arrendatários, evitando o caos burocrático que programas de arrendamento
que ainda persistem preconizam, e que conduzem ao atraso nos pagamentos, ou a um
desfasamento significativo entre a realidade dos arrendatários e o histórico que é usado
para os apoiar.
2. Metas
• Reforçar o acesso da população a habitação digna e acessível;
• Inverter a tendência de crescimento acelerado de preços e rendas da habitação aci-
ma da evolução do rendimento dos portugueses, através de um choque de oferta de
habitações;
• Apoiar os arrendatários em situações de vulnerabilidade.
CHOQUE DE OFERTA DE HABITAÇÃO PÚBLICA, PRIVADA E COOPERATIVA
• Assegurar o aumento da oferta habitacional, seja ela privada, estimulada com a ado-
ção de diversas medidas de incentivo, designadamente fiscais, seja ela pública para
apoio a famílias e indivíduos em situação mais vulnerável, mediante a mobilização do
stock habitacional existente ou nova construção, seja ela cooperativa, através de:
• Dinamização de zonas prioritárias de expansão urbana, geridas por sociedades
de reabilitação urbana e promoção habitacional pelo Estado, em articulação
com as câmaras municipais, em terrenos públicos e privados, seguindo o modelo
da Parque Expo, com planeamento e licenciamento descentralizado e execução
expedita de infraestruturas e equipamentos sociais, no espírito do anunciado
Parque Cidades do Tejo, assegurando a expansão e desenvolvimento harmonio-
so das malhas urbanas das grandes cidades. Aplicação de regime de isenção de
taxas urbanísticas. Aproveitamento de linhas de financiamento do BEI;
• Flexibilização das limitações de ocupação dos solos, densidades urbanísticas (in-
cluindo construção em altura) e exigências e requisitos construtivos, bem como
a possibilidade de aumento dos perímetros urbanos, garantindo uma utiliza-
ção do território de forma sustentável e socialmente coesa e harmoniosa
como forma de garantir acesso à habitação;
• Injeção no mercado, quase-automática, dos imóveis e solos públicos de-
volutos ou subutilizados;
• Criação de um regime excecional e temporário de eliminação ou Redu-
ção dos Custos Tributários em obras de construção ou reabilitação
em imóveis destinados a habitação permanente independentemen-
te da localização em ARU, com compensação das autarquias por
130
perdas de receita (a realizar através do Orçamento do Estado com devida garan-
tia no Regime Financeiro das Autarquias Locais):
» Redução substancial ou eliminação de taxas de urbanização, edificação, uti-
lização e ocupação;
» Aplicação de IVA à taxa mínima de 6% nas obras e serviços de construção e
reabilitação, com limite de incidência no valor final dos imóveis, e alargamento
da dedutibilidade;
• Estímulo e facilitação de novos conceitos de alojamento no mercado português,
incluindo com regulatory sand box (build to rent, mixed housing com bónus de
densidade urbanística para habitação a custos moderados, co-living, habitação
modular, cooperativas de habitação, utilização flexível dual das residências de
estudantes);
• Criação de um programa de Parcerias Público-Privadas para a construção e rea-
bilitação em larga escala, de habitação acessível e para alojamento para estu-
dantes, com aproveitamento de linhas de financiamento do BEI;
• Criação de um programa de financiamento para reabilitação de fogos devolutos
para arrendamento acessível;
• Análise e revisão profunda de todo o enquadramento legislativo do licenciamen-
to e controlo urbanístico, reforçando decisivamente o caminho da simplificação,
previsibilidade e transparência do workflow e redução de obstáculos ao licencia-
mento e à arbitrariedade decisória, com transição de modelo de gestão descen-
tralizada em competição positiva para soluções flexíveis e adaptadas localmen-
tecontrolo urbanístico prévio para fiscalização
• Planeamento e implementação de políticas de mobilidade que sustentem a pos-
sibilidade de aumento dos perímetros urbanos e o encurtamento das distâncias
físicas e temporais entre os existentes, garantindo uma utilização do território
de forma sustentável e socialmente coesa e harmoniosa como forma de garantir
acesso à habitação;
• Atualização o conceito de custos controlados e dinamização da construção
por cooperativas habitacionais, com acompanhamento próximo pelo Gover-
no e pelas câmaras municipais, assegurando a rápida execução de infraes-
truturas e equipamentos sociais e potenciando a exploração de benefícios
fiscais (isenção de IVA), a redução de taxas e as possibilidades de reclas-
sificação para solo urbano previstas na Lei dos Solos.
131
ESTABILIDADE E CONFIANÇA NO MERCADO DE ARRENDAMENTO
• Reforçar a Estabilidade e Segurança no Arrendamento Habitacional, através de:
• Avaliação das contra-reformas introduzidas em 8 anos de governação socialista
ao nível do arrendamento e obras, em particular as relativas à duração e renova-
ções (especialmente as de 2019) – avaliação e revisão legislativa subsequente;
• Introdução de contratos de arrendamento seguros no longo-prazo, com garan-
tias de estabilidade das condições contratuais originais e das fórmulas de atua-
lização de rendas, acessíveis a investidores e a proprietários particulares;
• Revisão e aceleração dos mecanismos de rápida resolução de litígios em caso
de incumprimento dos contratos de arrendamento (designadamente através do
reforço e qualificação do Balcão Nacional de Arrendamento; recurso a meios ex-
trajudiciais e julgados de paz; mecanismos de tutela urgente para situações ex-
cecionais e urgentes);
• Avaliação do insucesso prático do mecanismo de seguro de renda previsto na
lei desde 2013 e implementado deficientemente só em 2019. Eventual revisão do
enquadramento e criação de incentivos à adoção, incluindo dedutibilidade do
prémio de seguro ao rendimento tributável do arrendamento. Ponderar a sua ar-
ticulação por substituição dos mecanismos de fiadores e rendas antecipadas.
APOIOS À PROCURA DOS ARRENDATÁRIOS VULNERÁVEIS
• Redesenhar os programas de subsidiação aos arrendatários em situações de vul-
nerabilidade/necessidade efetiva, resolvendo os problemas técnicos de articulação
entre os organismos do Estado nos programas de apoio a rendas herdados pelo atual
governo, focando-os em subsídios em função da localização e nível de rendimento.
TRABALHO
1. Porque é preciso continuar
Portugal não pode desenvolver-se com base num modelo de crescimento assente
em salários baixos, gerador de segmentação do mercado de trabalho e de uma
generalizada falta de oportunidades e atratividade para a fixação dos jovens
portugueses, especialmente os relativamente qualificados.
Neste ano de governo iniciámos um conjunto de reformas estruturais para
aumentar a produtividade e a competitividade da economia portuguesa,
por forma a ser possível aumentar globalmente o nível dos salários e es-
capar a este modelo de empobrecimento que os governos socialistas nos
132
legaram. Neste sentido, o Acordo Tripartido de Valorização Salarial e Crescimento Eco-
nómico, firmado com os parceiros sociais a 1 de Outubro de 2024, não só estabeleceu
um aumento do salário mínimo nacional 30 euros acima do previsto para 2025 (estabe-
lecendo um objetivo de 1020€ para 2028), como instituiu uma trajetória sustentada de
aumento dos salários mínimo e médio para os próximos anos, e um conjunto de medidas
de apoio às empresas que promovem diretamente a produtividade e a competitividade.
Impõe-se, pois, continuar esta trajetória de promoção da criação da riqueza, que impe-
ça o nivelamento do país por baixo, como sucedeu nos anos de governação socialista.
Este é o único caminho para sustentar o aumento de todos salários, evitando a contí-
nua aproximação entre o salário mínimo e o salário médio, e o aumento do número de
trabalhadores a receber o salário mínimo. O governo não decreta salários, mas cria as
condições para ter objetivos realistas e ambiciosos para a evolução dos salários em Por-
tugal, resultado de toda uma política de desenvolvimento e fortalecimento da economia
nacional.
Um trabalhador não pode ser pobre! E, por princípio, não deve ter rendimento inferior
ao apoio público de uma pessoa que não trabalha, naturalmente excluindo o efeito de
direitos adquiridos por períodos de trabalho anteriores, como por exemplo o subsídio de
desemprego.
Há em Portugal uma armadilha da situação de pobreza e de trabalhadores persisten-
temente pobres. O impacto de alguns elementos do regime de segurança social e dos
apoios sociais que podem, em determinadas circunstâncias, desincentivar a participa-
ção no mercado de trabalho e na valorização profissional tem de ser corrigido com vista
a incentivar o trabalho e a justiça social. Esta situação constitui um obstáculo a que as
pessoas procurem aumentar os seus rendimentos do trabalho ou valorizar-se profissio-
nalmente.
Atualmente, em certos limiares, quem tenha rendimentos baixos vê-lhe retirados diver-
sos apoios sociais de forma repentina, sem exceções nem contemplações, caso ultra-
passe em um euro determinados níveis de rendimento. Tal sucede porque os valores
de inúmeros apoios sociais são indexados a escalões de rendimentos.
Na transição entre escalões, tal origina uma substancial perda de apoios, ou até
mesmo a sua retirada total, o que resulta numa barreira efetiva a que estes tra-
balhadores procurem aumentar os seus rendimentos do trabalho ou se valori-
zem profissionalmente. São retirados sem contemplações abonos de família,
a ação social escolar, a isenção de taxas moderadoras na saúde, a tarifa
social de eletricidade, a tarifa social de gás, a isenção de pagamento (ou
133
a passagem para outro escalão) em escolas em regime de IPSS (pré-escolar). Torna-se
desta forma pouco atrativo ser promovido ou procurar um emprego melhor. Estamos
focados em premiar o mérito, o esforço e a dedicação de cada um.
De igual modo, as novas dinâmicas sociais, decorrentes de mudanças aceleradas pelo
impacto da massiva adoção digital e da denominada transição verde, podem afetar os
equilíbrios socio-laborais vigentes durante largas décadas e exigem capacidade de an-
tecipação do Estado, através de novas políticas de formação profissional e de promo-
ção ativa de emprego.
2. Metas
• Aumentar o salário mínimo nacional para cerca de 1.100 euros, em 2029;
• Criar as condições económicas para aumentar o salário médio para 2000 euros, em
2029, com base na soma da inflação, nos ganhos de produtividade e no diálogo so-
cial;
• Reduzir a taxa de pobreza entre os trabalhadores e na população em geral;
• Reduzir a taxa de desemprego jovem (menores de 25 anos), de modo, a aproximar-se
da média da União Europeia;
• Aumentar a percentagem de população em idade ativa a participar em atividades
de educação e formação, como instrumento fundamental para aumentar a produti-
vidade na economia portuguesa;
• Reduzir a população com contratos a termo;
3. Medidas
TRABALHO E EMPREGO
• Valorizar o trabalho e o emprego e combater a pobreza dos trabalhadores, atra-
vés, designadamente, das seguintes medidas:
• Substituir um conjunto alargado de apoios sociais, sem perdas para nin-
guém, por um Suplemento Remunerativo Solidário - sistema de subsídio
ao trabalho, com a possibilidade de acumulação de rendimentos do tra-
balho com RSI, pensão social, ou outros apoios sociais dirigidos a situa-
ções sociais limite, que atenue o empobrecimento dos trabalhadores
empregados e incentive a sua participação ativa no mercado de tra-
balho que tenha em conta a dimensão e composição do agregado
familiar;
134
• Continuar o processo de convergência dos direitos à proteção social dos traba-
lhadores independentes, cuidadores informais e ainda novas formas de emprego
(trabalhadores nas plataformas digitais e em trabalho remoto para empresas ex-
ternas) com regime dos trabalhadores por conta de outrem, no que diz respeito à
proteção no desemprego, doença, parentalidade ou reforma.
CONCERTAÇÃO SOCIAL
• Valorizar a concertação social e o diálogo social como forma a privilegiada de evolu-
ção no mercado de trabalho:
• Aumentar do salário mínimo para cerca de 1.100€ até 2029;
• Criar condições para que o salário médio na economia portuguesa atinja pelo
menos 2.000€ até 2029, com uma evolução baseada na soma da inflação à to-
talidade dos ganhos de produtividade;
• Prosseguir com o novo impulso que foi dado à concertação social, procurando a
convergência entre empresários e trabalhadores em torno do objetivo de aumen-
tar a produtividade;
• Alargar e reforçar o regime da segurança e saúde no trabalho, o regime da igual-
dade e o regime da parentalidade e da conciliação trabalho/família.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL
• Continuar a reestruturação o sistema de formação profissional e prosseguir com a
reforma do serviço público de emprego:
• Articular formação profissional com apoios à contratação de jovens, de modo a
premiar o esforço dos jovens que se qualifiquem por via de dupla certificação;
• Reformar o modelo atual de formação profissional de natureza pública;
• Reforçar os mecanismos de controlo de qualidade da formação profissional;
• Lançar um Programa Nacional de Formação Profissional Pós-secundária no-
meadamente, reformular os CET (Cursos de Especialização Tecnológica) e os
CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais);
• Reforçar os apoios do Programa +Talento para os jovens Doutorados, de
modo a premiar o seu esforço de qualificação de nível superior e promover
a transmissão de novos conhecimentos e técnicas às empresas;
• Desenvolver, programas de formação, qualificação e certificação de
quadros técnicos intermédios, preenchendo, adequadamente, a fileira
de conhecimento das empresas portuguesas mais dinâmicas;
135
• Apostar na qualificação dos portugueses em competências tecnológicas e digi-
tais e preparando a força de trabalho para a revolução da inteligência artificial.
• Tendo por base a experiência do atual Programa INTEGRAR dirigido exclusiva-
mente a desempregados imigrantes, criar um programa dirigido a um leque mais
vasto de públicos particularmente desfavorecidos face ao mercado de trabalho;
• Reforçar o papel da formação e qualificação profissional, incluindo a componen-
te de formação em contexto de trabalho, em combinação com medidas ativas de
emprego dirigidas a pessoas com deficiência ou incapacidade;
• Formular programas específicos de emprego e de requalificação profissional
para os trabalhadores de atividades económicas cujos modelos de produção e
de negócio tenham mais dificuldade de se adaptar a uma economia circular e
descarbonizada, através dos quais se promove também o desenvolvimento de
competências verdes junto desses trabalhadores;
• Desenhar programas de upskilling e reskilling (hard and soft skills) específicos
para trabalhadores desempregados com mais de 50 anos consoante as necessi-
dades de mercado identificadas, incluindo a possibilidade de mudança de carrei-
ra.
MIGRAÇÕES
1. Porque é preciso continuar
Portugal sofreu, nos últimos 7 anos, dos maiores choques demográficos da sua história.
O número de estrangeiros residentes em Portugal aumentou em mais de 1 milhão e cem
mil pessoas, passando de 421 mil em 2017, para perto de um milhão e seiscentos mil em
2024.
Isto significa que a proporção de população estrangeira aumentou de 4% em 2017 para
cerca de 15% em 2024. Esta evolução significou que, num curto período, Portugal pas-
sou de um dos países da União Europeia (UE) que tinha menor peso relativo de popu-
lação imigrante, para um daqueles com maior proporção.
A conclusão de que o número de estrangeiros residentes em Portugal quadrupli-
cou em 7 anos é também refletida nas várias dimensões do Estado Assim entre
2017 e 2024:
• O número de estrangeiros a realizar descontos para a segurança social
passou de 244.773, para 1.036.290, quatro vezes mais;
136
• O número de alunos estrangeiros nas escolas públicas da rede do ministério da edu-
cação (pré-escolar até ao ensino secundário) passou de 42.129 alunos estrangeiros,
para 172.279 alunos no corrente ano letivo. Ou seja, o número de alunos estrangeiros
mais do que quadruplicou.
• O número de utentes estrangeiros com inscrição nos cuidados de saúde primários
em Portugal Continental (em pelo menos um mês do ano) passou de 405.385, para
944.143.
• O número de consultas de utentes estrangeiros nos cuidados de saúde primários
(independentemente de terem ou não inscrição nos CSP) passou de 326.439 para
1.408.683. Ou seja, também o número de consultas de estrangeiros quadruplicou.
Este enorme aumento quantitativo foi acompanhado por uma alteração nos países de
origem. Após décadas de imigração essencialmente de países lusófonos e Europa de
Leste, pela primeira vez houve uma parte significativa vinda de outras regiões (subconti-
nente indiano e norte de África), com diferentes culturas, costumes e religiões.
Esta enorme vaga de imigração para o nosso País, sem controlo, deveu-se a políticas
erradas dos governos anteriores e fez de Portugal a porta de entrada na Europa para a
imigração ilegal. Durante esse tempo, extinguiu-se o Serviço de Estrangeiros e Frontei-
ras e o Alto Comissariado para as Migrações e não se preparou a sociedade ou os servi-
ços do Estado para lidarem com este fluxo sem precedentes. A face mais visível foram as
pendências que se acumularam na recém-criada Agência para a Integração Migrações
e Asilo, AIMA e no Instituto de Registos e Notariado, IRN. Centenas de milhares de pro-
cessos de concessão e renovação de autorização de residência originados pela figura da
manifestação de interesse criada em 2017, sem resposta por parte do Estado português.
Essa indignidade de tratamento dos imigrantes foi também um assunto de segurança
nacional: o Estado não sabia quem estava em Portugal, onde estava, em que condições
e com que antecedentes criminais.
A 3 de Junho de 2024, o Governo da AD colocou um ponto final na política de irres-
ponsabilidade na gestão dos fluxos migratórios para o nosso País e iniciou uma drás-
tica mudança da política migratória, com o novo Plano de Ação para as Migrações.
Este Plano reconheceu, desde logo, a importância da imigração para a sociedade
e economia portuguesas, definindo, contudo, que a firmeza na regulação, de
uma forma moderada, é essencial para a boa integração de quem chega e
também para a confiança no sistema por parte da população nacional.
137
Em menos de um ano, mais de metade das medidas do Plano de Ações está executado,
ou em avançada execução. De entre as medidas tomadas, importa destacar:
• O fim da “Manifestação de Interesse” (a porta escancarada), através de um decreto-
-lei do Governo do próprio dia 3 de junho de 2024;
• Criação de uma Estrutura de Missão para resolver os 440 mil processos (de mani-
festações de interesse) pendentes na AIMA em abril de 2024. Com esta estrutura
de missão, que iniciou funções em setembro de 2024 e opera em parceria com a so-
ciedade civil, o Estado multiplicou por 7 a sua capacidade de atendimento, passan-
do de 800 diários, para cerca de 6 mil atendimentos diários. Este processo reforça,
também, a segurança no País. Permite saber quem são, o que fazem e onde estão os
requerentes dos pedidos. E no curso deste processo foram detetados vários casos de
foro criminal em imigrantes profissionais qualificados;que se encontravam em Portu-
gal (com várias detenções e notificações para abandono do País);
• A reorientação do fluxo de entrada de imigrantes para o canal regular do visto de
trabalho e, em especial, para a imigração laboral regulada:
• Foram contratados, e estão ao serviço, 50 peritos em vistos, para robustecer a
capacidade da Rede Consular;
• Foi celebrado um Acordo para a Migração Laboral Regulada com as Confedera-
ções Empresariais, que assegura que a prioridade de entrada está condicionada
ao cumprimento de condições de integração, com co-responsabilização das em-
presas empregadoras pelo processo e condições de integração dos imigrantes;
• Foi alterada e regulado o funcionamento das entradas ao abrigo do acordo de mo-
bilidade da CPLP, pelo qual se encontram em Portugal pelo menos 220 mil cidadãos
oriundos de países da CPLP. Para os títulos existentes, exigiu-se a renovação e subs-
tituição com recolha de dados biométricos, verificação do registo criminal no país de
origem (120 mil não tinham sido verificados), e emissão de um novo título de residên-
cia em modelo europeu, com requisitos de segurança, mas também possibilidade de
circulação no Espaço Schengen;
• Reforço significativo da Fiscalização em Território Nacional, incluindo formação
de equipas multi-forças (SSI, PSP, GNR, PJ, ASAE, ACT, AIMA e AT) para ações
de controlo no terreno, incluindo aos crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfi-
co humano, exploração laboral, e verificação da legalidade da permanência
em território nacional. Foi também neste quadro que se realizou a operação
Portugal Sempre Seguro no Outono de 2024;
138
• Investimento de 25 milhões de euro num novo sistema de controlo das fronteiras ex-
ternas (de cidadãos fora Espaço Schengen), com aquisição de equipamentos e siste-
mas informáticos para o novo Entry Exit System da União Europeia;
• Ações para reforço da capacidade de integração dos cidadãos estrangeiros em Por-
tugal:
• A resolução das pendências e o acordo com as confederações empresariais para
uma imigração laboral, regular e sujeita a compromissos de integração pelos em-
pregadores;
• A contratação de 278 mediadores linguísticos e culturais para as escolas públi-
cas, para apoiar na integração dos milhares de alunos estrangeiros;
• A garantia de igualdade de oportunidades educativas para os alunos estrangei-
ros, permitindo flexibilidade às escolas no posicionamento por equivalência e na
avaliação dentro do ciclo;
• Criação, nos Espaços do Cidadão, de um processo e ponto único para pedido de
identificadores (NIF, NISS e NUSNS) por cidadãos imigrantes, libertando burocra-
cia e trabalho de atendimento ao público;
• Reforço da Formação profissional e da aprendizagem de língua portuguesa;
• Reforço de apoio a projetos de integração desenvolvidos por associações da so-
ciedade civil. Foi duplicada a verba total, e o apoio por projeto quintuplicou (de
10mil para 50 mil euros por projeto);
• Foi criado o Conselho Nacional de Migrações e Asilo e refundado o Observatório
para as Migrações, para acompanhamento e debate participado das migrações
em Portugal.
Operacionalmente, os resultados são já significativos: o fim da manifestação de interes-
ses reduziu em cerca de 60% o fluxo de entradas de imigrantes; foram tratados mais de
500 mil processos; há um novo sistema de controlo de fronteiras externas; e a fiscaliza-
ção efetiva e as medidas de integração estão a aumentar no terreno.
Ainda assim, nem todas as medidas puderam ser implementadas porque o Parla-
mento (com voto de PS e Chega) chumbou a criação de uma unidade de polícia de
fronteiras na PSP (UNEF) e um novo regime eficaz e acelerado de afastamento de
imigrantes ilegais. Estas medidas são essenciais para que o sistema migratório
funcione em Portugal, garantindo a fiscalização e o cumprimento das regras
estabelecidas.
Apesar do que já está feito durante este ano, e que permitiu conter a gravi-
dade da situação que o governo encontrou, queremos fazer mais!
139
2. Metas
• Prosseguir o reforço do controlo efetivo das fronteiras portuguesas e da fronteira
externa da União Europeia por forma a implementar uma imigração regulada;
• Aprofundar os canais regulados e seguros de imigração, com visto consular prévio,
garantindo o cumprimento da legislação;
• Continuar o combate à imigração ilegal e às redes de criminalidade que exploram e
instrumentalizam imigrantes, garantindo, ainda, que quem se encontra em situação
ilegal é afastado do território nacional;
• Reforçar o apoio ao acolhimento e integração de imigrantes, por forma a garantir
uma imigração humanista;
• Garantir procedimentos de asilo e proteção internacional justos, céleres e conver-
gentes com os procedimentos dos Estados Membros da União Europeia.
3. Medidas
ALARGAR CUIDADOS DE PROXIMIDADE
• Criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) no seio da Polí-
cia de Segurança Pública para garantir que Portugal tem uma unidade de polícia
especializada no controlo de fronteiras, fiscalização de permanência em território
nacional e retorno, assegurando o controlo rigoroso das nossas fronteiras externas e
o afastamento efetivo de estrangeiros em situação ilegal;
• Implementação do novo Sistema Eurodac (European Asylum Dactyloscopy Databa-
se) e continuação da implementação dos novos sistemas de controlo de fronteiras e
-o Sistema de Entradas e Saídas (EES) e o Sistema Europeu de Informação e Autori-
zação de Viagem (ETIAS) com vista a reforçar a cooperação europeia na gestão de
fluxos migratórios e o reforço da segurança nacional;
• Regular e ajustar a abertura dos canais de entrada (já previstos na lei) para cida-
dãos CPLP e do reagrupamento familiar, tendo em conta a capacidade finita de
integração do País e de resposta dos serviços públicos;
• Combater a imigração ilegal e o tráfico humano, prevenindo e protegendo
as vítimas destas práticas, apoiando devidamentereforçando as forças e
serviços de segurança envolvidos neste combate; e promovendo uma arti-
culação estreita com a AIMA, I.P.;
140
• Rever a lei de estrangeiros, a lei de asilo e a regulamentação dos centros de instala-
ção temporária, e espaços equiparados, para implementar o novo processo de tria-
gem dos migrantes nas fronteiras externas da União Europeia;
• Construção de novos Centros de Instalação Temporária e Espaços Equiparados
(centros de detenção), aumentando a capacidade média de alojamento, com alas
autónomas de forma a garantir os procedimentos de asilo e retorno;
• Promover a eficácia e celeridade dos procedimentos referentes aos vários mecanis-
mos de retorno, nomeadamente ao nível de prazos de decisão e recurso bem como
criação de um mecanismo de incentivo ao retorno voluntário;
• Assegurar a interconexão entre os procedimentos de asilo na fronteira e retorno, de
forma a viabilizar a emissão concomitante da decisão negativa do pedido de prote-
ção internacional e da decisão de retorno;
• Reforçar internamente a articulação entre as autoridades nacionais competentes
em matéria de retorno;
• Alavancar as funcionalidades asseguradas pelos Centros de Cooperação Policial e
Aduaneira, dotando-os de um papel mais relevante na regulação dos fluxos de mi-
grantes ao longo da fronteira com Espanha;
• Implementar os procedimentos necessários a garantir as novas salvaguardas a nível
europeu de proteção internacional para pessoas vulneráveis, incluindo de menores
não acompanhados;
• Implementar um Plano Nacional de Contingência face a situações de crise migra-
tória, envolvendo a AIMA, I.P., o SSI, as FSS, as Forças Armadas, a Cruz Vermelha, a
ANEPC, os Municípios e entidades da sociedade civil;
• Rever o processo de Emissão de Atestados de Residência pelas juntas de freguesia,
criando um sistema que centralize os registos e introduza limites aos números de
testemunhos e limites por imóvel.
ACOLHIMENTO E INTEGRAÇÃO HUMANISTA
• Reforçar a capacidade dos serviços públicos para darem resposta ao número
de imigrantes que o país acolhe e à sua diversidade;
• Aumentar a capacidade dos centros de acolhimento e de alojamento ur-
gente e temporário para requerentes e beneficiários de proteção interna-
cional;
141
• Aumentar a capacidade das Unidades Residenciais especializadas para acolhimen-
to de emergência de menores estrangeiros não acompanhados;
• Criar centros de acolhimento Municipal/Intermunicipal em parceria com os municí-
pios;
• Implementação do Sistema Único de Acolhimento, enquanto sistema integrado de
gestão de casos;
• Criar bolsas de intérpretes e tradutores com carácter permanente;
• Rever a lei de estrangeiros, a lei de asilo e a regulamentação dos centros de instala-
ção temporária, e espaços equiparados, para implementar procedimentos de asilo
justos, eficazes e convergentes;
• Lutar contra a xenofobia e a exclusão social, implementando estratégias de comba-
te a qualquer discriminação e promovendo a inclusão social dos imigrantes;
• Gerir de forma eficiente a imigração legal, apoiando e gerindo de forma eficaz a imi-
gração legal, incluindo medidas de proteção internacional e medidas de integração;
• Fomentar a aprendizagem da língua portuguesa e o conhecimento da cultura por-
tuguesa por parte dos imigrantes, tendo em vista a sua melhor integração social,
profissional e cívica;
• Continuar a promover programas de formação profissional para a capacitação de
imigrantes em setores chave do mercado de trabalho;
• Valorizar a Economia Social dedicada à proteção e integração dos imigrantes;
ATRAÇÂO DE TALENTO E REGRESSO DE EMIGRANTES
• Apoiar o regresso digno e a reintegração dos emigrantes portugueses;
• Criar um programa de atração, acolhimento e integração, promovendo, sempre que
possível, a imigração regulada dos núcleos familiares;
• Atrair imigração qualificada, incentivando a imigração de indivíduos qualificados
para responder às necessidades demográficas e de mão de obra em Portugal;
• Desenvolver uma política específica de atração de jovens estudantes para as
Universidades e Institutos Politécnicos portugueses, acompanhada de um
plano consistente para a sua retenção em Portugal;
• Aprofundar a proximidade e articulação entre as necessidades do mer-
cado de trabalho, empresas, instituições de ensino superior e as redes
de jovens qualificados emigrados;
142
• Reorganizar e implementar a rede de oficiais de ligação de imigração em países con-
siderados estratégicos para a política migratória.
CRITÉRIOS DE ATRIBUIÇÃO DA NACIONALIDADE
• Rever os requisitos de atribuição de nacionalidade portuguesa, designadamente no
que diz respeito a cidadãos estrangeiros, alargando o tempo mínimo de residência e
presença efetiva em território nacional, eliminando a possibilidade de a permanência
ilegal ser considerada para efeitos de contagem deste requisito temporal.
CAPACITAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DO ESTADO
• Continuar a reforçar os recursos humanos e tecnológicos da AIMA,I.P.;
• Prosseguir o trabalho, já em curso, de digitalização e modernização dos serviços
prestados pela AIMA,I.P.
• Concluir a reorganização institucional e orgânica da AIMA, I.P. após o fim da Estrutu-
ra de Missão para Recuperação de Processos Pendentes;
• Transferir de forma definitiva a competência de renovação de autorizações de resi-
dência do IRN, I.P. para a AIMA, I.P
POLÍTICAS SOCIAIS, SEGURANÇA SOCIAL, NATALIDADE,
LONGEVIDADE E BEM-ESTAR
1. Porque é preciso continuar
Em Portugal, cerca de 40% dos portugueses estão em risco de pobreza antes de recebe-
rem transferências sociais e, após esses apoios, há 2,09 milhões de portugueses em risco
de pobreza ou exclusão social.
Por outro lado, Portugal enfrenta enormes desafios em matéria de natalidade e de en-
velhecimento. Estes desafios tornam essenciais as políticas tendentes ao aumento
da natalidade e à proteção das jovens famílias, mas também as políticas de cui-
dado e proteção dos mais idosos e dos dependentes, em particular daqueles que
têm rendimentos mais baixos.
Neste ano, o governo já atuou de forma decidida no combate à pobreza,
através de um conjunto de medidas destinadas a reforçar as pensões mais
baixas, como o suplemento extraordinário das pensões, dois aumentos do
complemento solidário para idosos (passando de 550€ para 630€) e o di-
143
reito a medicamentos gratuitos para os beneficiários do CSI, bem como estabelecendo
o direito à atualização das novas pensões no ano imediatamente subsequente à sua
atribuição. Impõe-se, por isso, reforçar este objetivo.
Reforçamos também as políticas de garantia dos direitos, de promoção das condições
de vida e de garantia do cuidado às pessoas idosas, como, entre outros, a aprovação do
Estatuto da Pessoa Idosa, a valorização do estatuto do cuidador informal e o reforço
dos apoios públicos às instituições do setor social e solidário, que asseguram em grande
parte as tarefas de cuidado e assistência aos idosos e dependentes.
Na área da natalidade e da família, enquanto célula fundamental da sociedade, têm sido
tomadas medidas muito importantes para a proteção das jovens famílias, como, entre
outros, o alargamento do programa Creche Feliz e a progressiva extensão da gratuida-
de ao pré-escolar, ou o aumento do abono de família. A par, reforçamos os rendimentos
dos jovens trabalhadores através da extensão do IRS jovem, para que reforcem as suas
perspetivas de estabelecerem o seu projeto de vida em Portugal.
Além disso, em face à crise de acessibilidade habitacional que o país enfrenta, e que nos
foi legada pelos 8 anos de inação do partido socialista, apostámos decisivamente num
pacote de promoção do acesso à habitação pelas jovens famílias, porque o seu futuro
não pode esperar. Desta forma, isentámos os jovens do pagamento de IMT e Imposto
de Selo na aquisição da primeira habitação, concedemos uma garantia pública para os
seus empréstimos à habitação e demos maior previsibilidade a programas de apoio à
renda como o Porta 65, cujo número de jovens abrangidos aumentou.
É, pois, imperativo continuar este percurso de reforço e aposta nas políticas de apoio à
família e à natalidade, de promoção do aumento dos seus rendimentos e de acesso à ha-
bitação, à creche, ao pré-escolar e à saúde. Esta abordagem multissetorial é o caminho
mais robusto para dar futuro aos jovens, assegurando a fixação dos jovens portugueses
em Portugal, e com isso a inversão da queda da natalidade que o País tem assistido.
A implementação das políticas públicas deve ainda nortear-se para uma sociedade
inclusiva, em que ninguém fica para trás. Assim, nesta área importa continuar os
programas deste ano do governo, relativamente às pessoas com deficiência e às
pessoas em situação de sem abrigo.
Em Portugal, as instituições do setor social e solidário têm um papel impres-
cindível na chamada Economia do cuidado, i.e., a atividade de assistência e
cuidado a crianças e jovens, idosos, doentes, pessoas com deficiência e pes-
soas em situação de sem abrigo ou noutras situações de risco de exclusão
144
social. Por isso, ainda em 2024, o governo reforçou o apoio financeiro às respostas sociais
mais deficitárias asseguradas por estas instituições e, em Março deste ano, celebrou um
novo Compromisso de Cooperação com o setor, para o biénio 2025-2026, já baseado
em novos parâmetros de financiamento, que permitem assegurar a previsibilidade e a
sustentabilidade destas instituições.
Continuar esta colaboração, nos moldes gizados e evoluir para a elaboração de uma lei
de financiamento do setor social e solidário, é pois essencial para assegurar que as tare-
fas de cuidado e assistência aos mais vulneráveis sejam prestadas com elevados níveis
de qualidade, eficiência e humanismo.
Por outro lado, na sequência da duplicação para 1% da consignação em sede de IRS
para instituições do setor social já aprovada pelo governo da AD em 2024, assumimos o
compromisso de aumentar esta consignação para 1,5% até ao final da legislatura, como
forma de reforçar a capacidade financeira das IPSS e ao mesmo tempo aumentar a li-
berdade dos cidadãos de apoiarem as instituições da sua escolha.
A Segurança Social continua a manter uma relação complexa, excessivamente burocrá-
tica e nem sempre transparente com os portugueses.
Neste ano de governo, foram implementadas várias medidas para inverter este quadro,
em concretização de um ambicioso programa de transformação digital do sistema de
segurança social, que promove a simplificação e a eficiência da relação entre os bene-
ficiários, os contribuintes individuais e empresarias e os serviços da Segurança Social,
tornando também o sistema mais justo.
É, pois, necessário completar este trabalho.
2. Metas
• Aumentar o valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI) para
um valor de 870 euros em 2029, tendo como objetivo a equiparação ao valor do
salário mínimo nacional, na legislatura seguinte;
• Aumentar a consignação em sede de IRS para as instituições do setor social
para 1,5% até ao final da legislatura;
• Aprofundar a relação com o setor social e solidário e definir um modelo de
financiamento deste setor que assegure a sua sustentabilidade, de modo
a poderem cuidar melhor dos mais vulneráveis;
145
• Contribuir com medidas para aumentar a expetativa de vida saudável aos 65 anos
de idade, permitindo passar dos atuais 8 anos para 12 anos;
• Colocar Portugal no top 10 do ranking de felicidade medido pelo World Happiness
Report, do Active Ageing Index e Age Watch Index;
• Reforçar as condições dos jovens para querendo possam sair de casa dos seus pais
mais cedo iniciando o seu projeto de vida autónomo;
• Aprovar um plano favorável à natalidade de modo reforçar o valor do Índice Sintético
de Fecundidade em Portugal;
• Completar o programa de transformação digital do sistema de segurança social
• Elevar o nível de literacia financeira da população, nomeadamente nas matérias re-
lativas à segurança social, poupança e preparação para a reforma.
3. Medidas
FAMÍLIA E NATALIDADE
• Dar continuidade às políticas de proteção das famílias e em especial da parentalida-
de e das crianças, designadamente através das seguintes medidas:
• Continuar a desenvolver o programa Creche Feliz e assegurar a universalização
do pré-escolar;
• Alargar e aprofundar o regime de apoio à parentalidade e à conciliação entre a
vida profissional e familiar, de modo equilibrado entre mães e pais;
• Prosseguir a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jo-
vens 2025 - 2035, com enfoque na redução da pobreza e na garantia para a in-
fância.
• Rever os regimes do acolhimento residencial e familiar.
• Equacionar a criação de benefícios fiscais, no âmbito da revisão do respetivo re-
gime, para empresas que criem programas de apoio à parentalidade, como cre-
ches no local de trabalho para filhos de colaboradores, que contratem grávidas,
mães/pais com filhos até aos 3 anos, horários flexíveis e outros benefícios que
facilitem a vida familiar dos funcionários, contribuindo para mudar a cultura
de “penalização” de progenitores pelos empregadores;
• Concretizar gradualmente o objetivo dos sistemas fiscal e de segurança
social ponderarem o número de filhos por família, incluindo vantagens
fiscais para as famílias numerosas;
146
• Promover a flexibilidade no local de trabalho (horários, teletrabalho, licenças paren-
tais), permitindo que os pais ajustem os horários para melhor conciliar as responsa-
bilidades familiares e profissionais;
• Melhorar o acesso a tratamentos de infertilidade e reprodução medicamente assis-
tida com práticas sustentadas numa sólida moldura ética;
• Garantir o acesso gratuito a cursos de preparação para o parto e parentalidade nas
USF;
• Comparticipar em 100% suplementos prescritos na gravidez (ácido fólico e iodeto de
potássio), contribuindo para o bom desenvolvimento das gerações futuras;
• Facilitar e agilizar os processos de adoção, reduzindo a burocracia e oferecendo
apoio para as famílias que optam por adotar.
PENSÕES DE VELHICE
• Tal como feito pelo presente governo, é assumido o compromisso de estabilidade do
sistema de pensões de velhice e reforma, em respeito pelas regras atualização atual-
mente em vigor.
• Por forma a evitar situações de pobreza e indignidade, é crítico que os rendimentos
dos pensionistas e reformados com pensões mais baixas, sem património ou poupan-
ças relevantes, seja atualizado. Assim assume-se o compromisso de:
• Aumentar o valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI) para
um valor de 870 euros em 2029, tendo como objetivo a equiparação ao valor do
salário mínimo nacional, na legislatura seguinte.
• Na medida em que a execução orçamental do ano permita, assume-se o compro-
misso de atribuir um suplemento extraordinário às pensões e reformas, em moldes
semelhantes ao realizado em outubro de 2024.
LONGEVIDADE SAUDÁVEL
• Promover um envelhecimento ativo, respeitado e valorizado por toda a socieda-
de, designadamente através das seguintes medidas:
• Promover a aprovação do Estatuto para a Pessoa Idosa na Assembleia da
República
• Prosseguir a articulação das áreas governativas da saúde e segurança
social, no âmbito do serviço de apoio domiciliário, da rede nacional de
cuidados continuados, saúde mental e demências;
147
• Aprovar uma estratégia nacional para a Longevidade, que tenha em conta todos os
ciclos de vida das pessoas, baseada nas políticas da família, com especial enfoque
na proteção das crianças e de outros dependentes e políticas do envelhecimento
digno e saudável.
• Valorizar e apoiar o cuidador informal, dando continuidade ao trabalho já desenvol-
vido de ampliar e incentivar o acesso ao Estatuto do Cuidador Informal e reforçar as
condições apoio, descanso e acompanhamento aos cuidadores:
• Criar a Bolsa de Cuidadores e fortalecer a rede de apoio dos cuidadores infor-
mais;
• Reforçar a formação para Cuidadores Informais.
• Flexibilizar a transição entre emprego e reforma, como forma de dar escolhas aos
trabalhadores no planeamento da transição para a sua reforma, promovendo o en-
velhecimento ativo.
SETOR SOCIAL E SOLIDÁRIO
• Continuar a dignificar e a apoiar o setor social e solidário, como parceiro estratégico
do Estado em matéria de ação social e na resposta aos problemas dos mais vulnerá-
veis, reforçando também a sua sustentabilidade financeira, designadamente através
das seguintes medidas:
• Revisitar o regime jurídico das instituições do setor social e solidário com foco na
dignificação do setor social e na inovação das respostas sociais;
• Aprovar uma Lei do financiamento do setor social, dando seguimento ao traba-
lho já efetuado de avaliação do custo das respostas sociais, que permite ter em
conta o impacto do SMN e da Inflação no custo de cada uma das respostas, para
efeitos da determinação da comparticipação financeira do Estado
• Consagrar o direito a uma carreira profissional aos trabalhadores das Institui-
ções Sociais e promover a formação profissional na área da Economia do cuida-
do
• Capacitar as instituições do setor social para respostas inovadoras que privi-
legiem a autonomia, o apoio domiciliário e o papel dos cuidadores informais,
em detrimento da institucionalização dos utentes;
• Apoiar o setor social e solidário para fazer face aos desafios trazidos pela
descentralização das competências sociais do Estado para as autar-
quias;
148
• Garantir novos modelos e respostas sociais, que:
• Apoiem a permanência de idosos nas suas casas, nas comunidades, pelo maior
tempo possível, ou em residências autónomas e independentes, com níveis de
assistência em função das necessidades, retardando ou evitando a instituciona-
lização;
• Continuar a impulsionar serviços de apoio ao domicílio de qualidade, diversifica-
dos e personalizados e interdisciplinares, com prestação de cuidados médicos e
de enfermagem, psicologia, fisioterapia, estimulação cognitiva, sensorial e mo-
tora, bem como o apoio à atividade quotidiana, como o acompanhamento ao
supermercado, farmácia e transporte;
• Priorizar o combate à solidão e isolamento social;
• Criar o Programa de Saúde Prioritário para as Demências e efetivar a Estratégia
da Saúde na Área das Demências, aprovada em 2018;
• Prosseguir o alargamento da cobertura territorial de serviços de teleassistência,
dirigido a pessoas idosas, para serviços de emergência e apoio em serviços do-
mésticos e pequenas reparações, com linha de combate à solidão, reforçando a
perceção de segurança e conforto no domicílio;
• Apoiar e cofinanciar iniciativas como as Universidades Séniores, enquanto res-
postas sociais;
• Estimular e reconhecer o Voluntariado Sénior, como forma de participação e in-
clusão social;
• Reforço de capacidade das respostas sociais, através de:
• Continuar o alargamento do número de vagas comparticipadas nas respostas
sociais dirigidas a idosos e estender ao setor privado essa comparticipação
quando a rede pública/social não dá resposta;
• Possibilitar novos acordos que permitam a prescrição de Meios Complementa-
res de Diagnóstico e Terapêutica por instituições deste setor, habilitadas para o
efeito;
• Apesar do muito que foi feito pelo governo, é necessário continuar a valorizar e
apoiar o Cuidador Informal, através de:
• Ampliar e incentivar o acesso ao Estatuto do Cuidador Informal, reduzir
a burocracia no processo, reforçar as condições de apoio, descanso e
acompanhamento aos cuidadores;
• Desenvolver e divulgar o Plano Nacional de Formação para Cuidado-
res Informais.
149
• Promover as Cidades Amigas do Envelhecimento:
• Ligar as estruturas de saúde aos idosos que estão a ser acompanhados em res-
postas sociais;
• Garantir que a resposta de saúde e social são integradas com as novas possi-
bilidades que a tecnologia, os dados e a inovação em saúde hoje têm para nos
oferecer;
• Promover uma cidade amiga do envelhecimento em que os edifícios e espaços
exteriores, os transportes e a mobilidade, a habitação e a participação social são
desenhadas e pensadas numa lógica de promoção da intergeracionalidade.
• Aumentar a consignação em sede de IRS para as instituições do setor social para
1,5% até ao final da legislatura.
SEGURANÇA SOCIAL
• Promover um sistema de proteção social mais justo e universal, designadamente
através das seguintes medidas:
• Simplificar o regime das prestações sociais não contributivas, agregando com-
plementos a diferentes prestações e/ou agregando proteções de natureza simi-
lar e/ou complementar, com o objetivo de tornar mais claras as condições de
acesso, melhorar a cobertura e contribuir para o combate à exclusão;
• Garantir maior justiça na distribuição dos apoios sociais com reforço da transparên-
cia e clareza da informação:
• Reformular a atual Conta-Corrente do Contribuinte-Beneficiário, permitindo
criar um instrumento que dê aos cidadãos uma visão 360º com informação fi-
dedigna sobre o historial das suas contribuições para esquemas públicos de Se-
gurança Social, assim como todas as interações que tenham com a Segurança
Social;
• Introduzir um novo paradigma de interoperabilidade que permita o cruzamento
de dados e o aperfeiçoamento de instrumentos já existentes, nomeadamente
ao nível da interligação direta entre o sistema de informação dos agentes
económicos, das áreas governamentais da Administrações Públicas (dando
prioridade às áreas das Finanças, Justiça e Saúde) e o sistema de informa-
ção da Segurança Social;
• Implementar maior fluidez no sistema da Segurança Social para que
ninguém fique desprotegido por ineficiência operacional do mesmo.
• Reforço da capacidade de interação da Segurança Social com o setor
social e solidário e o setor privado no âmbito das respostas sociais,
num contexto de aumento da sua procura e complexidade.
150
• Continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social,
através de:
• Manutenção da estratégia de reforço financeiro do Fundo de Estabilização Fi-
nanceira da Segurança Social e promovendo o estudo de outros mecanismos de
reforço do sistema;
• Reforço da capacidade da Segurança Social na gestão de ativos.
• Reformar a máquina administrativa da segurança social, através de uma profunda
modernização focada no serviço público às pessoas:
• Completar a transformação digital do sistema de segurança social, continuando
a implementar o Programa Primeiro Pessoas;
• Reforçar a aproximação entre a segurança social e a autoridade tributária, com
vista a uma interconexão técnica e operacional maior, aproveitamento sinergias
entre os sistemas e promovendo uma resposta integrada ao cidadão.
DIVERSIDADE, INCLUSÃO E IGUALDADE
ENTRE MULHERES E HOMENS
1. Porque é preciso continuar
A temática da Diversidade, Inclusão e Igualdade entre Mulheres e Homens consistem em
Direitos Humanos universalmente protegidos, dos quais não abdicamos.
Apesar da tendência positiva alicerçada nas últimas décadas, continuamos a viver numa
sociedade com uma inaceitável desigualdade entre mulheres e homens, em prejuízo das
mulheres. A sociedade não encontrou ainda as respostas necessárias para valorizar e
proteger as mulheres que, em tantas circunstâncias, assumem funções adicionais na
nossa sociedade, conjugando responsabilidades familiares, profissionais e sociais.
Acresce, que, ao assumirem o papel de cuidadoras, são muitas vezes prejudicadas nas
suas expetativas ou carreiras profissionais, dedicando-se à educação dos filhos bem
como, muitas vezes, cuidando da família direta mais idosa, como os pais.
Ainda que alguns progressos tenham sido já atingidos, Portugal ocupa a 15.ª po-
sição no índice europeu da igualdade entre homens e mulheres em 2024, abaixo
da média europeia, persistindo as desigualdades entre homens e mulheres,
incluindo no mercado de trabalho e na área da saúde.
151
A disparidade salarial também muda consoante a idade e por indústria, tendo as mulhe-
res genericamente empregos com baixos salários e sendo a sua presença reduzida em
setores e funções com melhores salários.
O fenómeno da violência doméstica é um flagelo social com impacto transversal que não
podemos contemplar, nem contemporizar. É uma atrocidade contra o direito à vida e à
integridade física e mental. O combate à sua prevalência apela a princípios fundamen-
tais como a proibição de tratamentos desumanos ou degradantes, o respeito pela vida
privada e familiar, os direitos das crianças e dos idosos, a não discriminação, a igualdade
entre homens e mulheres, a proteção da saúde, entre outros. Durante o último ano, o go-
verno não deu tréguas a este combate, e continuará a intensificar a resposta dedicada
e qualificada para que exista uma redução efetiva da prevalência desta chaga social.
No que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência, a realidade é clara: apesar
das estratégias e legislação existentes, dos elevados fluxos de capitais e do dinamismo
do setor da economia social, ainda não foram alcançados avanços significativos na vida
das pessoas com deficiência e das suas famílias, não se tendo ainda alcançado uma
educação verdadeiramente inclusiva, a inclusão social, comunitária e laboral, e o direito
à autodeterminação e representatividade institucional.
Defendemos uma sociedade inclusiva baseada nos princípios da não segregação e não
exclusão das pessoas com deficiência, trabalhando no sentido de eliminar os precon-
ceitos sociais enfrentados, seja na sociedade em geral, seja no seu contexto familiar,
criando as condições para uma vida com oportunidades de desenvolvimento das capa-
cidades e do potencial das pessoas com deficiência.
Adicionalmente, a inclusão social não é atingida enquanto a sociedade portuguesa
conviver com um número crescente de pessoas em situação de sem-abrigo. A crise de
acessibilidade à habitação tem agravado o fenómeno, mas a prevalência de pessoas
em situação de sem-abrigo frequentemente transvasa essa realidade e coexiste com
realidades de saúde, de adições e sociais complexas para as quais se exige uma res-
posta multidisplinar mais presente. A resposta mais efetiva a esta realidade exige um
reforço de meios e uma abordagem de proximidade e parceria entre os poderes e
serviços públicos, que propomos estimular.
2. Metas
• Igualdade salarial entre homens e mulheres para trabalho igual;
• Redução da prevalência de violência doméstica e de violência no namo-
ro;
152
• Redução do número de pessoas em condição de sem-abrigo;
• Apresentação de uma lei de bases para a deficiência e inclusão.
3. Medidas
IGUALDADE ENTRE MULHERES E HOMENS
• Ponderar a existência de uma licença parental partilhada com cuidador alternativo
aos progenitores, em particular nos casos em que apenas um dos progenitores assu-
me o cuidado da criança, como sucede em algumas situações de famílias monopa-
rentais ou situações de ausência prolongada;
• Reforçar a monitorização sobre a obrigatoriedade de equiparação de salários para
trabalho igual, recorrendo a novas capacidades tecnológicas, e assegurando a efeti-
va punição de comportamentos discriminatórios;
• Transpor e implementar a diretiva europeia no contexto da transparência salarial;
• Reforçar a legislação sobre quotas para liderança feminina e presença em comissões
executivas.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
• Promover a capacidade das forças de segurança de apoiar desde o primeiro momen-
to as vítimas de violência doméstica através de uma resposta mais diferenciada e
qualificada:
• Implementação da nova ficha de risco de violência doméstica, devidamente
aprovada pela Comissão Nacional de Proteção de Dados, que permitirá identifi-
car o risco efetivo de cada caso, permitindo um melhor ajustamento da resposta
ao caso concreto;
• Incrementar o funcionamento do sistema de teleassistência, enquanto ferra-
menta de apoio a vítimas de violência doméstica;
• Continuar a instalação de salas de apoio à vítima, com as condições neces-
sárias, em todas as esquadras da Polícia de Segurança Pública e postos da
Guarda Nacional Republicana, destinadas ao acompanhamento inicial de
casos de maus-tratos a crianças e vítimas de violência doméstica;
• Reforçar a formação das forças de segurança, promovendo a existên-
cia de mais operacionais especializados no fenómeno da violência do-
méstica;
153
• Promover os direitos das vítimas de violência doméstica através de um acompanha-
mento efetivo das estruturas do Estado:
• Continuar o processo de alargamento da rede de gabinetes de apoio às vítimas;
• Prosseguir o trabalho de melhoria e robustecimento do sistema de apoio judiciá-
rio, com disponibilização de advogados que acompanhem as vítimas do crime de
violência doméstica;
• Rever o funcionamento da Comissão de Proteção às Vítimas de Crime, capaci-
tando-a para melhor e mais célere resposta às vítimas, em particular às vítimas
de violência doméstica;
• Continuar a expansão da Rede Nacional de Apoio à Vítima por forma a abranger
todo o território nacional;
• Reforço da oferta habitacional para vítimas de violência doméstica, atendendo
à especificidade das suas necessidades, por exemplo de deslocação territorial, e
reforçando o apoio à sua efetiva autonomização;
• Aprofundar o conhecimento sobre o fenómeno da violência doméstica, através de:
• Adotar um plano integrado entre as diversas áreas e intervenientes, com fluxo de
informação célere entre todas as autoridades policiais, judiciais e que prestam
apoio na área, incluindo ações de informação conjunta dos vários intervenientes;
• Reformular o procedimento de análise retrospetiva das situações de homicídio
ocorrido em contexto de violência doméstica em articulação com a Equipa de
Análise Retrospetiva do Homicídio em Violência Doméstica (EARHVD) e com as
áreas governativas da Administração Interna e da Juventude e da Moderniza-
ção;
• Concluir a revisão do Regulamento da base de dados de violência contra as mu-
lheres e violência doméstica (BDVMVD);
• Reforçar a intervenção ao nível dos agressores, por forma a reduzir os índices de rein-
cidência que hoje o país regista, através de:
• Alargar os programas de reabilitação para agressores de violência doméstica;
• Atualização e aperfeiçoamento dos programas da Direção-Geral de Rein-
serção e Serviços Prisionais dirigidos a agressores, em meio prisional e em
meio comunitário, designadamente do Programa para Agressores de Vio-
lência Doméstica, do Programa Contigo, dirigido a agressões conjugais,
e do Programa Vida, para agressores de violência doméstica em con-
texto prisional;
154
• Prevenir e combater a violência no namoro, em contexto escolar, com reforço da for-
mação especializada e a intervenção de equipas multidisciplinares;
• Prevenir e combater a violência doméstica contra pessoas idosas;
• Avaliar o enquadramento jurídico atualmente existente e a sua eventual revisão na
resposta ao assédio sexual, à “ciberperseguição”, ao “ciberassédio”, ao incitamento à
violência e ao ódio online;
PESSOAS EM SITUAÇÃO DE SEM-ABRIGO
• Continuar a apostar na prevenção e no combate ao fenómeno das pessoas em situa-
ção de sem-abrigo em articulação direta com os municípios e privilegiando modelos
de intervenção social diferenciados em função das necessidades dos territórios:
• Prosseguir na construção do “projeto vida”, projeto de intervenção em três níveis:
emergência, acompanhamento e avaliação, e preparação para a autonomia das
pessoas em situação de sem-abrigo;
• Desenvolver projetos-piloto experimentais e inovadores capazes de dar resposta
às necessidades destas pessoas, nomeadamente respostas para pessoas com
dependências.
• Combater a discriminação, a violência e os crimes de ódio contra todas as minorias,
através de legislação específica e mecanismos de monitorização e intervenção;
INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
• Dar continuidade às políticas de apoio às pessoas com deficiência, tornando os
apoios mais eficazes, designadamente através das seguintes medidas:
• Alterar o sistema de atribuição de produtos de apoio e desenvolver uma rede de
bancos de produtos de apoio;
• Rever a atribuição do subsídio de educação especial, para garantir que este
apoio chega atempadamente a quem precisa;
• Revisitar a Lei de Bases para a Deficiência;
• Aprovar a revisão do regime jurídico das acessibilidades e reforçar a fiscali-
zação no cumprimento das normas de acessibilidades.
• Fomentar a educação inclusiva desde idade precoce, nomeadamente atra-
vés do reforço dos meios e recursos afetos às ELI (Equipas Locais de Inter-
venção), com os seguintes princípios:
• Todos os alunos têm acesso ao currículo e a materiais adaptados e
progridem nas aprendizagens, sempre que possível em contexto de
turma;
155
• A formação de professores contempla a deficiência e a diferenciação pedagógi-
ca;
• A inclusão de todos os alunos na ETI, independentemente da sua situação pes-
soal e social;
• Assegurar que as escolas públicas têm professores de ensino especial em núme-
ro suficiente para as incapacidades dos alunos que lhes foram alocados e que
as escolas privadas devem ter qualquer apoio dependente da demonstração da
existência de alunos com necessidades educativas especiais (NEE) devidamente
apoiados por professores especializados.
• Criar um Plano individual de transição que permita a entrada no mercado de traba-
lho:
• Introduzir um programa de treino de competências em contexto laboral no Plano
Individual de Transição, que vise a aprendizagem de funções básicas laborais num
local de trabalho (formação on the job) e monitorização do impacto das ações;
• Criar um plano nacional de apoio a todos os jovens com deficiência na transição
da escola para o mercado de trabalho, que passe pela sua profissionalização e
pela garantia de apoios para o jovem e a sua família nessa fase.
• Promover o acesso a empregos sustentáveis e de qualidade:
• Incrementar vantagens fiscais às empresas que contratem pessoas com defi-
ciência acima da quota legal;
• Criar contratos de emprego-formação para pessoas com deficiência;
• Criar uma lei de bases para a deficiência e inclusão que sistematize a principal
regulamentação existente.
INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM DOENÇAS DEGENERATIVAS
• Adotar um programa estratégico de inclusão para pessoas com doenças degenera-
tivas, incluindo apoio psicológico e de saúde mental;
• Utilizar tecnologias digitais na assistência, acompanhamento e cuidado dos
doentes;
• Apoiar a criação de redes de transportes específicos e dedicado;
• Incentivar o emprego, voluntariado e valorização do cuidador informal.
156
DESPORTO E ATIVIDADE FÍSICA
1. Porque é preciso continuar
Todos os indicadores apontam para fracos níveis de prática de atividade física e despor-
tiva da população portuguesa, a que acrescem problemas de literacia motora e despor-
tiva. É fundamental melhorar significativamente a prática desportiva em idade escolar
até ao Ensino Superior. Torna-se necessário, hoje mais do que nunca, assumir e impulsio-
nar o desporto como uma ferramenta de inclusão social. As desigualdades territoriais no
desenvolvimento das políticas públicas desportivas têm de ser combatidas e a adoção
de medidas robustas que promovam a igualdade na prática desportiva entre mulheres
e homens têm de ser assumidas como uma prioridade. A baixa participação de pessoas
com deficiência no desporto deve merecer a nossa preocupação e mobilizar-nos.
O verdadeiro potencial de qualidade de vida dos portugueses só será alcançado com o
desenvolvimento desportivo do País que exige um programa de investimento robusto,
com envolvimento de todos os agentes, promovendo a participação, a excelência e a
inclusão no desporto, para que todos os cidadãos possam alcançar os seus objetivos ao
nível do bem-estar físico, mental e social, construindo uma nação mais saudável e ativa.
Esta política também deverá ser focada no alto rendimento, cujo exemplo é um catali-
sador para a prática desportiva de muitos jovens, com ganhos objetivos em termos de
saúde pública. Aos cidadãos cujo talento e vocação permitam o desenvolvimento de
carreiras no setor do desporto a política pública deve permitir que o façam sem terem
de se limitar no desenvolvimento das suas competências e qualificações, fundamentais
especialmente nos desportos com carreiras de desportista de mais curta duração.
2. Metas
• Diminuir o nível de obesidade infantil e excesso de peso;
• Reduzir a percentagem da população sedentária;
• Aumentar a prática de atividade física e desportiva da população;
• Promover o desporto e a atividade física em todo o território nacional;
• Diminuir a diferença na prática de atividade física e desportiva entre ho-
mens e mulheres;
• Reforçar o apoio ao desporto de alto rendimento como catalisador para
a prática desportiva entre os jovens.
157
3. Medidas
DESPORTO PARA TODOS
• Implementar o Plano Estratégico para a atividade física e desporto, com um novo
modelo de coordenação de políticas de bem-estar/saúde, com os objetivos de pro-
moção e aumento dos índices de prática desportiva e os seus benefícios sociais:
• Segmentar a promoção da prática desportiva: desporto master (sénior), despor-
to feminino, desporto inclusivo, desporto em idade escolar, desporto para pes-
soas com deficiência, desporto em família, desporto nas empresas;
• Identificar novas tendências desportivas para o desenvolvimento de novos pro-
gramas de participação;
• Fomentar a colaboração entre os agentes desportivos, a comunidade educativa
e outros intervenientes, de forma a desenhar estratégias para o desenvolvimento
integrado do desporto.
• Desenvolver com as Federações Desportivas um programa de desporto para to-
dos por modalidade. Este programa visa promover a participação desportiva, a
inclusão social e o bem-estar da população, independentemente da idade, géne-
ro ou condição física, fortalecendo a coesão social e territorial.
GESTÃO DA POLÍTICA DE DESPORTO
• Gerar um alinhamento coerente, estratégico e funcional entre todos os agentes de
desenvolvimento desportivo:
• Apresentar novo modelo de coordenação de políticas de bem-estar/saúde e qua-
lidade de vida associados ao desporto;
• Atualizar a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e rever legislação es-
truturante;
• Incentivar a criação Conselhos Municipais de Desporto, enquanto instância de
consulta, que tem por objetivo a nível municipal promover o fenómeno despor-
tivo e o envolvimento dos cidadãos;
• Ativar a Comissão Intersectorial para a Promoção da Atividade Física, com
o objetivo de elaborar, operacionalizar e monitorizar um Plano de Ação Na-
cional para a Atividade Física;
• Clarificar competências e potenciar sinergias entre a educação física,
o desporto na escola (todos os níveis de ensino), o desporto no clube,
as atividades de recreio desportivo de cariz comunitário e o desporto
para segmentos populacionais específicos;
158
• Desenvolver programas para apoiar projetos de inclusão social através do des-
porto com envolvência das comunidades desfavorecidas;
• Promover novas tecnologias, inovação e digitalização nos serviços desportivos;
• Rever a estrutura organizativa/administrativa dos serviços centrais/regionais do
desporto;
• Apoiar a qualificação, certificação e intervenção do movimento associativo nos
diferentes níveis de atividade, nomeadamente no sentido de, através de fundos
Europeus, garantir o acesso às instalações desportivas de pessoas com deficiên-
cia, bem como a reabilitação das instalações desportivas;
• Aproximar o investimento direto no Desporto e os indicadores de atividade física
e desportiva da população portuguesa da média dos países da União Europeia.
• Alterar o regime jurídico dos jogos e apostas online. Alterar a legislação que regula a
distribuição das receitas geradas pelas apostas desportivas.
DESPORTO DE ALTO RENDIMENTO
• Reforço dos apoios aos atletas-estudantes e aos atletas de alto rendimento, numa
ótica de desenvolvimento de uma carreira dual, ou da sua capacitação para o fim da
sua carreira de atleta de alto rendimento.
ECONOMIA DO DESPORTO
• Promoção de investimentos e requalificação de centros de alto rendimento despor-
tivo e de infraestruturas desportivas;
• Investimento em ecossistemas de desporto que permitam simultaneamente desen-
volver desportistas de alto rendimento, turismo desportivo, empreendedorismo e de-
senvolvimento tecnológico na área do desporto.
159
COM SENTIDO
DE ESTADO
TRANSPARÊNCIA E COMBATE À CORRUPÇÃO
1. Porque é preciso continuar
A Agenda Anticorrupção”, aprovada em junho de 2024, elegeu as 32 medidas mais efica-
zes nas áreas da “Prevenção”, “Educação” e “Repressão”, para combater a corrupção.
Entre 2024 e 2025, mais de metade das medidas foram executadas ou estão em vias de
execução. É, por isso, crucial, assegurar a concretização das medidas pendentes e mo-
nitorizar a aplicação das medidas já em vigor.
Sem prejuízo do investimento essencial na prevenção e na educação, a atuação repres-
siva e punitiva por parte do Estado continua a ser indispensável. A repressão eficaz das
condutas corruptivas é, ela própria, um meio de dissuasão deste fenómeno.
A corrupção corrói os alicerces da democracia e do Estado de Direito: afeta a igualdade
de oportunidades, prejudica a economia, impede a inovação e diminui a coesão social.
O combate à corrupção é um dos 10 Princípios do Pacto Global das Nações Unidas.
2. Metas
• Prosseguir na concretização de medidas da Agenda Anticorrupção com foco na pre-
venção, reforçando os mecanismos de transparência e de combate ao fenómeno
corruptivo e de comportamentos conexos.
• Tornar mais transparentes as relações com os decisores públicos.
• Reforçar o acompanhamento e a fiscalização da atuação das autarquias lo-
cais, nas áreas onde se sentem menos capacitadas para prevenir e detetar a
corrupção.
• Apostar na educação das gerações mais novas para uma cultura de inte-
gridade
• Adotar medidas que promovam a eficácia da investigação criminal e
que induzam a eficácia e celeridade do processo penal
160
3. Medidas
PREVENÇÃO
• Dar o exemplo - o Governo pretende ser uma referência no exercício da ação pública,
perante os demais órgãos, em particular, os da esfera pública. Ao adotar práticas de
boa governança e ao criar condições para o exercício de uma cidadania ativa, infor-
mada e participativa, habilitada a acompanhar e a escrutinar as políticas públicas e
a despesa pública, o Governo eleva o padrão de exigência de toda a sociedade.
• Regulamentar o registo de interesses legítimos (“lóbi”) - definir os conceitos, os prin-
cípios, os procedimentos, e as sanções aplicáveis à atividade de influência junto dos
decisores públicos, criando um registo obrigatório e público de lobistas e de entida-
des representadas.
• Incrementar as potencialidades do Portal BASE - visa assegurar aos cidadãos infor-
mação correta, objetiva e atempada no âmbito da contratação pública, aumentan-
do a transparência e a concorrência.
• Criar uma “lista negra” dos fornecedores do Estado - o objetivo é dar mais efetivida-
de ao regime de impedimentos constante do artigo 55.º do Código dos Contratos
Públicos.
• Registar a “pegada” legislativa do Governo - traduz-se no registo das interações com
entidades externas e das consultas realizadas ao longo do processo legislativo, bem
como a acessibilidade dessa informação
• Reforçar a consulta pública em processos legislativo e regulamentar do Governo -
trata-se de assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos
• Aumentar o recurso à assessoria jurídica do Estado - os gabinetes jurídicos do Esta-
do e o Centro de Competências Jurídicas do Estado (JurisAPP) devem ser um recur-
so prioritário na assessoria jurídica ao Estado.
• Aprofundar a transparência e a celeridade na nomeação de dirigentes da Ad-
ministração Pública - assegurar que as nomeações em regime de substituição
(quando ocorram) são acompanhadas da abertura do respetivo procedimento
concursal, dando à CReSAP as condições e os meios necessários para que os
prazos de decisão permitam o recurso residual à compatíveis com nomeação
em regime de substituição
• Dar sequência à reforma institucional das entidades públicas especiali-
zadas na transparência e prevenção de corrupção - concretizar a refor-
ma, já aprovada, do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) e
161
reestruturar a Entidade da Transparência e a Entidade das Contas e Financiamento
Político, com base na avaliação do seu desenho e desempenho institucional.
• Continuar a reforçar a atuação dos órgãos de auditoria e inspeção do Estado - pre-
tende-se aumentar a articulação com entre entidades com funções preventivas e
repressivas, incluindo o recebimento de denúncias e respetivo tratamento.
• Apoiar as Autarquias - concretizar o reforço da capacidade de intervenção atuação
coordenada da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) e da Inspeção-Geral da Agricul-
tura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) no controlo e
fiscalização sobre as autarquias locais, entidades equiparadas e demais formas de
organização territorial autárquica e sobre o ordenamento do território, dando cum-
primento ao plano plurianual de recrutamento aprovado e ao protocolo de coopera-
ção firmado entre a IGF e a IGAMAOT.
EDUCAÇÃO
• Promover uma cultura de integridade através da educação e da formação - rever as
aprendizagens essenciais de todas as disciplinas, em particular, na área disciplinar/
disciplina de cidadania e desenvolvimento e no âmbito do desporto escolar.
• Incentivar o desenvolvimento de projetos de investigação científica em matéria de
corrupção
REPRESSÃO
• Rever a legislação penal e processual penal em matéria de perda das vantagens de
atividade criminosa - prevê-se a criação de um novo mecanismo de perda alargada
de bens, em linha com a recente Diretiva da União Europeia e com a Constituição
da República Portuguesa, e da regulação processual adequada dos mecanismos já
existentes, suprindo as lacunas legislativas que subsistem.
• Dinamizar os Gabinetes de Recuperação de Ativos e de Administração de Bens -
projeta-se a criação de uma Plataforma de Recuperação e Gestão de Ativos da
Justiça.
• Promover a eficiência da investigação criminal - aprofundar os instrumentos
existentes, otimizando os recursos e assegurando a harmonização entre as
diferentes normas que compõem o sistema, sempre garantindo o respeito
pelos direitos individuais das pessoas afetadas.
162
• Perseguir o objetivo de eficiência e a celeridade do processo penal - reequacionar
e clarificar a amplitude e função da fase processual da instrução; reforçar os pode-
res de gestão processual do juiz; ponderar alterações no Código de Processo Penal
(CPP), nomeadamente em matéria de recursos
SISTEMA POLÍTICO E ELEITORAL
1. Porque é preciso continuar
A sociedade deve refletir sobre a revisão da nossa lei maior, a Constituição da República
Portuguesa, preparando as bases do texto fundamental para os desafios do século XXI,
colocando a pessoa e a dignidade humana no centro das políticas públicas, valorizando
as autonomias e promovendo a coesão territorial e geracional e eliminando conteúdo
ideológico ultrapassado pelo tempo. Este é um processo que deve ser ponderado, não
pode ser precipitado e gerar o consenso necessário à evolução tranquila que expresse
os valores e princípios da sociedade portuguesa.
O Parlamento deve ver reforçadas as suas competências, desde logo no acompanha-
mento da participação na União Europeia, bem como o aprofundamento das reservas
de competência legislativa parlamentar. E, no que respeita às suas regras de funciona-
mento, prever que o Regimento da Assembleia da República só possa ser alterado com
uma maioria de dois terços, garantindo-se maior estabilidade das regras de escrutínio
do executivo, que não devem caminhar ao sabor da maioria do momento.
No domínio das autarquias locais verifica-se a necessidade de revistar o modelo de go-
vernação, em especial dos Municípios, reavaliando o equilíbrio de competências da Câ-
mara Municipal e da Assembleia Municipal, o modelo de constituição do governo muni-
cipal e da fiscalização da Assembleia Municipal, garantindo o respeito pela participação
democrática e dos cidadãos na gestão dos assuntos de interesse local.
Ainda, também neste domínio do poder local, constata-se a existência de legislação
dispersa, o que dificulta a sua compreensão e aplicação. Deste modo, revela-se útil
a codificação numa única lei da legislação respeitante ao poder local, que torne
compreensível ao cidadão as regras em vigor, assim como aos seus aplicadores.
De modo a aumentar a participação dos cidadãos e aprofundar a sua ligação
ao sistema democrático, consideramos relevante abrir um debate sobre a re-
dução da idade legal para o exercício do direito de voto para os 16 anos de
idade e a previsão de que a definição dos círculos eleitorais para a Assem-
163
bleia da República deve, em conjugação com a proporcionalidade populacional, aten-
der também à dimensão territorial. Aliás, este último aspeto é de extrema importância,
atento o facto de os territórios do interior terem vindo a perder representação no Par-
lamento.
Só a uniformização dos métodos de votação nos círculos das comunidades portuguesas,
garantindo-se a prevalência dos princípios de direito eleitoral, como a transparência,
a fiabilidade, o voto secreto e pessoal poderá ajudar a combater a abstenção desses
eleitores. E o voto por correspondência já provou ser um fator relevante no aumento da
participação eleitoral. Ao que acresce a necessidade de testar o voto eletrónico não
presencial nesses círculos, ainda que numa primeira fase sem caráter vinculativo, de
modo a avaliar a exequibilidade e segurança desse método de votação. Não existem
portugueses de primeira ou de segunda e, atendendo às suas circunstâncias, devem ser
introduzidos os mecanismos que estimulem a participação eleitoral.
Uma vez que cada vez mais os eleitores têm necessidade de se movimentar dentro ou
fora do território pelas mais variadas razões, pessoais ou profissionais, sempre que seja
exequível, para combater a abstenção, deve promover-se o voto em mobilidade, em es-
pecial nas eleições onde tal seja exequível, como sucede nas eleições Presidenciais ou
Europeias, onde apenas existe um boletim de voto.
2. Metas
• Garantir melhores condições para uma maior participação cívica e eleitoral;
• Reforçar a proximidade entre os cidadãos e os titulares de cargos políticos.
3. Medidas
ELEIÇÕES
• Promover o debate público sobre a proposta de redução da idade legal para o
exercício do direito de voto para os 16 anos;
• Introduzir o voto por correspondência nas eleições Presidenciais e Europeias
para os eleitores das comunidades portuguesas, à semelhança do que sucede
nas eleições legislativas;
• Testar o voto eletrónico não presencial para os eleitores das comunidades
portugueses, avaliando a exequibilidade e segurança da sua introdução
como método de votação;
164
• Promover o voto em mobilidade em todas as eleições em que tal seja exequível;
• Criação de um Código Eleitoral, com respeito pelas autonomias das Regiões Autóno-
mas;
AUTARQUIAS LOCAIS
• Rever o modelo de governação dos Municípios no respeito pela participação demo-
crática e dos cidadãos na gestão dos assuntos de interesse local;
• Criação de um Código do Poder Local, agregando legislação dispersa;
REPRESENTATIVIDADE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
• Promover o debate público sobre a possibilidade de os círculos eleitorais para a As-
sembleia da República atenderem, também, à dimensão territorial em conjugação
com a proporcionalidade populacional;
• Reforçar as competências da Assembleia da República e propor que qualquer alte-
ração ao seu Regimento careça da aprovação por uma maioria de dois terços;
AUTONOMIAS REGIONAIS
• Reforçar as autonomias regionais, logo que possível, em sede de revisão constitucio-
nal.
COMUNICAÇÃO SOCIAL E COMBATE À DESINFORMAÇÃO
1. Porque é preciso continuar
O setor dos média vive uma das suas mais graves crises de sempre, em resultado de
mudanças profundas na organização do espaço público e informativo que, para além
de afetarem a sustentabilidade das empresas de comunicação social e a estabilidade
dos respetivos trabalhadores, colocam em risco o pluralismo e liberdade de informar
e a liberdade de expressão que são pilares fundamentais estruturantes da demo-
cracia.
O Estado não pode alhear-se dos problemas de uma área tão sensível e crítica
para a saúde da nossa democracia e sociedade, como aconteceu durante os
governos do Partido Socialista.
165
Impõe-se a adoção de soluções criativas para os problemas do setor e que, ao mesmo
tempo, reforcem o seu papel, informativo, social, cultural e económico tanto em Portu-
gal, como no espaço lusófono e no mundo. Em simultâneo, a desinformação e as fake
news são um dos maiores desafios do nosso tempo. Elas afetam a credibilidade das ins-
tituições, a confiança dos cidadãos, a participação cívica, a coesão social e a segurança
nacional. São uma ameaça à democracia e aos valores que a sustentam.
Não podemos ficar indiferente a este problema. Pelo contrário, devemos assumir um
papel ativo e propositivo na defesa da verdade, da transparência, da pluralidade e da
responsabilidade no espaço público. Todos temos de combater a desinformação e as
fake news, proteger os direitos e deveres dos cidadãos e dos meios de comunicação, e
promover a educação e a literacia mediática.
Ao longo do último ano, o Governo definiu um plano de ação para os Media, focado em
respostas concretas aos desafios do setor, procurou apoiar a diversidade dos órgãos de
comunicação social, com particular destaque para a imprensa local e regional, e definiu
políticas concretas de estímulo ao consumo de informação por parte da população mais
jovem, por forma a criar e valorizar hábitos de consumo.
No plano dos órgãos de comunicação social públicos, reforçamos a posição maioritária
da agência Lusa, enquanto contribuidor relevante para o serviço público de informação
com rigor, seriedade e qualidade, e foi definido o novo contrato de concessão de Serviço
Público de Televisão e Rádio, ajustando-o aos desafios atuais e futuros do setor.
2. Metas
• Garantir a pluralidade, independência e sustentabilidade de uma comunicação so-
cial livre, em benefício de uma cidadania informada e plena;
• Aumentar o nível de confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, nos
meios de comunicação e nos agentes políticos, reduzindo a abstenção e o descrédi-
to.
3. Medidas
• Concluir a implementação do Plano de Ação para os média, de forma a dar
resposta aos graves problemas estruturais e conjunturais decorrentes das
profundas mudanças tecnológicas, da configuração da nova oferta de
conteúdos, da crise nas cadeias de produção e da violação de direitos de
consumidores e empresas;
166
• Estudar a adoção de novos modelos jurídicos e fiscais empresariais e de investimen-
to de impacto na área dos media, à semelhança do que já ocorre noutros Estados
europeus;
• Rever a Lei de Imprensa, ouvindo as empresas do setor, de forma a corrigir rapida-
mente o seu anacronismo (face às profundas transformações da sociedade e do im-
pacto das plataformas digitais);
• Avaliar o regime fiscal aplicável às plataformas digitais e incentivar essa discussão a
nível Europeu, com as receitas a serem alocadas ao incentivo à procura de conteú-
dos dos media;
• Salvaguardar o papel e a missão do serviço público de rádio, televisão e multimédia,
garantindo a sua independência e transparência;
• Reforçar a valorização já feita relativamente aos meios de comunicação regional e
local;
• Criar um código de conduta para os agentes políticos, os partidos e as campanhas
eleitorais, que estabeleça princípios e regras éticas para a comunicação política, e
que preveja mecanismos de monitorização e de denúncia de casos de desinforma-
ção e de fake news, designadamente, através da utilização da inteligência artificial
generativa;
• Criar um Código da Comunicação Social, unificando e atualizando o regime para
promover uma visão integrada, holística e de uso simplificado da legislação nacional
e internacional referente ao setor da comunicação social;
• Combater a precariedade da profissão de jornalista, implementando um programa
de incentivos à contratação destes profissionais, que lhes garanta as condições la-
borais necessárias para o pleno, livre e digno exercício da sua profissão;
• Implementar o Plano Nacional de Literacia Mediática 2025 – 2029, com o objetivo de
combater a desinformação, fomentar o pensamento crítico e fortalecer uma cida-
dania informada, participativa e digital;
DEFESA DO CONSUMIDOR
1. Porque é preciso continuar
As políticas de defesa do consumidor devem proteger os interesses e os di-
reitos dos cidadãos que adquirem bens e serviços no mercado. Uma defesa
do consumidor eficaz contribui para a qualidade de vida, a segurança, a
167
saúde e a educação dos consumidores, bem como para o desenvolvimento económico e
social do país. E devem ser baseadas nos princípios da transparência, da informação, da
participação, da prevenção e da reparação.
2. Metas
• Reforçar a educação e a literacia digital dos consumidores;
• Melhorar a fiscalização e a resolução alternativa de litígios de consumo.
3. Medidas
DEFESA DO CONSUMIDOR
• Simplificar os mecanismos de reclamação e de resolução de conflitos;
• Criar um sistema de mediação e arbitragem de consumo, que permita resolver de
forma rápida, eficaz e gratuita os conflitos entre consumidores e fornecedores de
bens e serviços;
• Reforçar a fiscalização e a aplicação de sanções aos infratores das normas de de-
fesa do consumidor, especialmente nos setores mais sensíveis, como a energia, as
telecomunicações, os transportes e a saúde;
• Promover a educação e a literacia financeira dos consumidores, para que possam
tomar decisões informadas e responsáveis sobre os seus créditos, poupanças e in-
vestimentos.
JUSTIÇA
1. Porque é preciso continuar
A Justiça precisa de uma reforma sólida, prosseguida passo a passo, e com um hori-
zonte que vá para além de uma legislatura.
Para ser concreta, a reforma da Justiça tem de ser executada, medida a medida,
embora prosseguindo objetivos de longo prazo. Reformar da Justiça é:
• Dar condições a quem nela trabalha, revitalizando e aumentando a atra-
tividade das carreiras e investindo na formação e na melhoria das condi-
ções de trabalho
168
• Pensar no cidadão-utilizador de serviços da Justiça, providenciando instalações
condignas e acessíveis, e otimizar o recurso à tecnologia.
• Transformar a forma como o cidadão interage com a justiça, reduzindo burocracias
e poupando tempo
• Dar mais segurança e melhores condições, a reclusos e aos profissionais que traba-
lham no sistema prisional.
• Eliminar expedientes inúteis, legislar de forma clara, coerente e ponderada, gerando
um consenso alargado, político e social, para que a reforma da Justiça seja implan-
tada com solidez e tenha resultados adequados.
• Promover julgamentos rápidos, através de um incremento da celeridade processual
quando esteja em causa a prática de crimes violentos ou de especial gravidade, em
particular em casos de detenção em flagrante delito. Prever, para esses casos, e
designadamente, a sujeição imediata a julgamento e acusação do Ministério Público
(sem instrução), e a restrição da produção de prova aos fatos que não foram sujeitos
a contraditório na fase de inquérito.
Em paralelo, devemos reconhecer que a justiça económica é fundamental para a com-
petitividade do país, para o desenvolvimento sustentável e para a coesão social. Uma
justiça económica que funcione de forma célere, eficaz e transparente é essencial para
garantir a confiança dos cidadãos, dos investidores e dos agentes económicos, bem
como para prevenir e combater a corrupção, a fraude e a evasão fiscal. Neste domínio,
Portugal ainda enfrenta vários desafios e problemas, como a morosidade e a complexi-
dade dos processos, a falta de recursos, a insuficiência de meios alternativos de reso-
lução de litígios, a desigualdade no acesso à justiça, a falta de transparência e de pres-
tação de contas, e a insuficiente articulação entre os vários intervenientes do sistema.
No âmbito do combate à morosidade da justiça e do tratamento da litigância complexa,
a solução passa por uma estratégia que combine a intervenção legislativa, a adoção de
novas técnicas de gestão processual, maior digitalização, para além de uma cultura
de eficiência nos tribunais.
O montante elevado das custas judiciais é, muitas vezes, um obstáculo no acesso
dos cidadãos à justiça. As custas de um processo devem ser claras, transparen-
tes, determináveis e previsíveis. Devem ser ajustadas ao serviço efetivamente
prestado e pagas em função da situação, circunstâncias e da posição das
partes.
169
2. Metas
• Atingir, de forma significativa, uma redução substancial da duração efetiva dos pro-
cessos judiciais;
• Expandir o acesso à Justiça, especialmente para as populações mais vulneráveis;
• Fortalecer as medidas de combate à corrupção, com resultados efetivos;
• Implementar sistemas de tecnologia da informação mais eficientes para agilizar os
processos judiciais e melhorar a transparência;
• Estabelecer programas de formação contínua para magistrados e demais agentes,
nomeadamente, focados em questões emergentes como o direito digital e ambien-
tal, e em matérias como a de violência doméstica e o combate à corrupção;
• Promover uma Justiça económica célere e amiga da competitividade e do desenvol-
vimento;
• Aumentar o recurso a meios alternativos de resolução de litígios.
3. Medidas
VALORIZAÇÃO DAS CARREIRAS NA JUSTIÇA
• Prosseguir o processo de revisão e valorização das carreiras e dos seus profissionais
em cumprimento do Acordo Plurianual, designadamente das carreiras dos técnicos
de reinserção social e reeducação, de administrador prisional e da medicina legal;
• Concluir o processo de revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça;
• Garantir a regulamentação devida de atos legislativos Estatutários, assegurando a
plena aplicação do regime jurídico previsto para as carreiras que dessa regulamen-
tação careçam;
• Avançar com o processo de transição dos médicos da carreira médica de medicina
legal para a carreira especial médica;
• Avançar com a transição dos trabalhadores integrados na carreira geral de
assistente operacional pertencentes ao mapa de pessoal da Direção-Geral
de Reinserção e Serviços Prisionais, que exerçam funções na área da pres-
tação de cuidados de saúde, para a carreira especial de técnico auxiliar de
saúde;
• Aprovar um plano plurianual de recrutamento e promoções para as car-
reiras do Corpo da Guarda Prisional, suscetível de garantir o seu au-
170
mento e rejuvenescimento, bem como a manutenção de elevados graus de prontidão
e a sua eficácia operacional;
• Aprovar um plano plurianual de recrutamento e promoções para as carreiras do Ins-
tituto de Registos e Notariado, para promover o reforço de recursos humanos e a
diminuição da respetiva idade média;
• Rever o estatuto dos Conservadores e Oficiais de Registo;
• Estudar e rever o modelo orgânico do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos
de Justiça, promovendo o reforço dos respetivos recursos humanos e uma melhor
definição das atribuições do organismo;
• Rever a estrutura orgânica da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, di-
mensionando-a e adequando-a à sua missão e aos desafios crescentes, quer ao nível
da eficácia da sua intervenção junto das pessoas em cumprimento de penas, quer ao
nível da segurança, quer ainda ao nível das vinculações normativas emergentes de
instrumentos internacionais;
• Continuar o plano estabelecido de recrutamento de pessoal para as carreiras de
investigação criminal, especialista de polícia científica e segurança da Polícia Judi-
ciária.
GESTÃO RACIONAL DO PATRIMÓNIO DA JUSTIÇA
• Elaborar uma Estratégia para o Património da Justiça com visão, objetivos, eixos
estratégicos e prazos, e que promova uma gestão racional de todo o edificado afeto
à área governativa da Justiça, tendo em vista, designadamente:
• O adequado aproveitamento do património disponível;
• A alienação de património considerado não necessário, ou quando possível, a sua
utilização para outros fins dentro das políticas públicas do Estado, por exemplo
no âmbito da habitação acessível;
• A diminuição do volume de património arrendado;
• A definição de uma política de recuperação e reabilitação do edificado, do-
tando-o de melhores condições de trabalho e de funcionamento, de melho-
res acessibilidades e de maior eficiência energética e ambiental;
• A criação de programas de conservação e manutenção eficaz e periódi-
ca dos equipamentos da Justiça, assim evitando a sua deterioração e
reduzindo os custos com as requalificações e reabilitações dos edifí-
cios.
171
GESTÃO EFICIENTE E RIGOROSA DOS RECURSOS FINANCEIROS DA JUSTIÇA
• Desenvolver mecanismos de planeamento e controlo orçamental e produzir um qua-
dro de indicadores que permitam uma gestão mais eficiente dos recursos financeiros
e humanos da área governativa da Justiça;
• Acompanhar a execução do CEIS – Comité de Eficiência, Inovação e Sustentabilida-
de;
• Capitalizar oportunidades de financiamento regular e oportuno junto de fontes eu-
ropeias e outros instrumentos de financiamento nacional, europeu e internacional;
• Desenvolver um sistema de ERP para a gestão de RH na área governativa da Justiça
que permita promover a produtividade, a assiduidade e a adequação das diversas
carreiras;
• Assegurar a gestão eficiente e juridicamente adequada do Gabinete de Administra-
ção de Bens e do Gabinete de Recuperação de Ativos, garantindo a prossecução dos
seus objetivos;
• Introduzir mecanismos de validação e controlo dos encargos com os honorários dos
advogados no âmbito do apoio judiciário que permitam um pagamento mais célere e
rigoroso.
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DA JUSTIÇA
• Elaborar uma Estratégia Digital para a Justiça, dotando-a de um novo modelo de
governo para as tecnologias de informação e comunicação que promova a interope-
rabilidade e segurança dos sistemas, e que permita responder melhor aos desafios
tecnológicos da Justiça;
• Criar um código de conduta no âmbito da Inteligência Artificial para as entidades da
área governativa da Justiça;
• Promover a publicitação de toda a jurisprudência, incluindo sentenças judiciais de
primeira instância e decisões dos meios alternativos de resolução de litígios e ar-
bitragem, recorrendo à utilização de anonimização com Inteligência Artificial;
• Introduzir um sistema de atendimento omnicanal, assente numa estratégia di-
gital por princípio, que permita que os cidadãos possam aceder aos serviços
de Registo no canal preferido (eletrónico, por voz, presencial, por videocon-
ferência);
• Promover a eliminação de papel e arquivos em papel nas Conservató-
rias de Registo;
172
• Prosseguir com o desenvolvimento de sistemas de interoperabilidade entre várias
entidades e os tribunais, promovendo a celeridade processual e a poupança de re-
cursos.
CELERIDADE PROCESSUAL
• Concretizar a reforma da legislação processual penal com adoção de medidas, que
levem à promoção da eficácia e celeridade do processo penal, entre as quais se des-
tacam:
• Assegurar uma maior filtragem das denúncias;
• Reequacionar a fase processual da instrução;
• Reforçar os poderes de gestão processual do juiz;
• Outras alterações no Código de Processo Penal, nomeadamente em matéria de
recursos;
• Constituir um grupo de trabalho composto por especialistas (Universidade, Magis-
trados e Advogados), para elaboração de anteprojeto para impulsionar a celeridade
processual, incluindo a avaliação:
• Viabilidade de uma maior especialização dos tribunais;
• Aprofundamento da especialização dos magistrados;
• Necessidade do alargamento da aplicação de mecanismos “premiais”;
• Criação de meios de mitigação dos megaprocessos;
• Proceder à revisão dos prazos processuais, de forma a garantir a sua efetiva aplica-
ção e adequação e contribuir para processos mais expeditos;
• Avançar com a reforma da Jurisdição Administrativa e Fiscal e, nesse contexto:
• Migrar os processos do SITAF para o CITIUS;
• Implementar de forma prioritária medidas específicas de resposta ao congestio-
namento conjuntural da segunda instância na jurisdição administrativa e fiscal;
• Preparar alterações legislativas tendentes à simplificação e agilização da
tramitação processual na primeira instância;
• Promover a definição, monitorização, avaliação e comunicação de objeti-
vos estratégicos e de objetivos processuais e uniformização de práticas
de gestão processual;
• Disponibilizar de ferramentas informáticas para obtenção de informa-
ção estatística, tendo em vista a melhor gestão dos tribunais admi-
nistrativos e fiscais.
173
• Criar um mecanismo permanente de avaliação das pendências e celeridade proces-
sual, através da publicação de um relatório anual;
• Rever o regime geral de contraordenações, harmonizando os regimes setoriais;
• Estimular a adoção de novas técnicas de gestão processual e que contribuam para
a edificação de uma cultura de eficiência nos tribunais, nomeadamente através de:
• Cumprimento efetivo pelas secretarias dos tribunais e pelos magistrados dos
prazos já previstos na lei para execução dos atos processuais;
• Diminuição da extensão das peças processuais, incluindo decisões dos tribunais;
• Melhoria dos procedimentos para citação e notificação de partes e intervenien-
tes acidentais;
• Agendamento das diligências judiciais com prévia (e não subsequente) articula-
ção de agendas entre os intervenientes;
• Aumento do número de salas de audiência disponíveis, por forma a evitar retar-
damento nos agendamentos;
• Concluir o quadro normativo das assessorias nos tribunais, reconhecendo o papel
que podem desempenhar na celeridade do processo, através do reforço de assesso-
res de ciências jurídicas e outras áreas técnico-científicas.
PROMOÇÃO DOS DIREITOS DAS VÍTIMAS DE CRIME
• Participação ativa na intervenção integrada do Estado no combate à violência do-
méstica (ver seção sobre violência doméstica);
• Desenvolver soluções inovadoras e boas práticas em matéria de apoio às vítimas de
crime, designadamente através de projetos nacionais ou internacionais, com colabo-
ração de entidades nacionais e europeias de apoio às vítimas de crime;
• Criação de centros de crise para vítimas de violência sexual, com o objetivo de ga-
rantir uma resposta imediata, especializada, multidisciplinar e confidencial a pes-
soas, jovens e crianças em situação de agressão sexual.
ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA
• Revisitar os procedimentos da distribuição de processos com vista à maior
transparência e celeridade dos procedimentos, através da eliminação do
atual mecanismo presencial de controlo das operações, do aprofundamen-
to da automatização e aleatoriedade daquelas, da recuperação da figura
do juiz de turno, com o papel relevante de clarificar dúvidas e de garantir
o controlo dos atos manuais por praticados e, ainda, o controlo das
operações através da fiscalização obrigatória.
174
• Concluir o processo de revisão da Lei da Organização do Sistema Judiciário e dos
Estatutos dos Magistrados que visa:
• Alterar as regras de acesso ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Esta alteração
visa o rejuvenescimento do corpo de juízes conselheiros, de forma a dirimir o risco
iminente de carência de juízes no STJ;
• Atualizar os requisitos de ingresso nas magistraturas em função dos novos re-
quisitos previstos para o ingresso na formação do CEJ (aprovados pela Lei n.º
7-A/2025 de 30.01);
• Promover a aproximação da jurisdição administrativa e fiscal à jurisdição comum;
• Promover a harmonização destes regimes com outros já vigentes no nosso orde-
namento jurídico, bem como a sua adaptação à realidade hoje existente.
SISTEMA PRISIONAL E DE REINSERÇÃO SOCIAL
• Melhorar o sistema prisional e de reinserção social nas suas diversas vertentes, no-
meadamente através da criação de uma escola de Estudos/Formação/Investigação
de Reinserção e Serviços Prisionais, de Formação inicial e contínua para todos os
grupos profissionais da DGRSP, fundamental para a valorização dos profissionais,
recrutamento e formação de lideranças;
• Reformular o Parque Prisional Português, considerando que a população prisional
tem vindo a aumentar nos últimos anos, o que tem contribuído para agravar o estado
de deterioração dos Estabelecimentos Prisionais;
• Apurar a especialização dos Estabelecimentos Prisionais de modo a otimizar os re-
cursos existentes e a aplicação de programas mais adequados à população em cau-
sa;
• Reorganizar a população feminina nos Estabelecimentos Prisionais por forma a ga-
rantir melhores condições;
• Reforçar o nível de segurança dos Estabelecimentos Prisionais, nomeadamente
através de:
• Instalação de inibidores de sinal nos Estabelecimentos Prisionais
• Reforço e instalação de equipamentos e dispositivos de segurança nos EP
• Melhorias das condições físicas dos EP
• Incremento da formação profissional dos agentes que intervêm no sis-
tema prisional
• Rever a Lei Tutelar Educativa e o Regulamento Geral e Disciplinar dos
Centros Educativos, tendo em conta, designadamente, a experiência
175
da concreta aplicação do regime legal em vigor, a evolução dos contextos sociofami-
liares e do perfil dos menores e jovens em conflito com a lei, os relatórios e recomen-
dações da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos,
e da Comissão de Análise Integrada da Delinquência Juvenil e da Criminalidade Vio-
lenta
• Continuar a articulação com a área governativa da saúde visando a melhoria con-
tínua e a gradual integração dos cuidados de saúde à população reclusa no Serviço
Nacional de Saúde
• Requalificar as unidades de saúde mental integradas nos serviços prisionais, desti-
nadas ao internamento de cidadãos inimputáveis
• Aprovar a regulamentação jurídica da relação especial de trabalho prestado por re-
clusos e tomar medidas que potenciem o trabalho durante o cumprimento da pena
• Rever o regime de acesso ao direito e a assistência jurídica aos cidadãos reclusos.
REVER O CÓDIGO DA EXECUÇÃO DAS PENAS E MEDIDAS PRIVATIVAS DA LIBERDADE
• Atualizar e conformar o Código da Execução das Penas e Medidas Privativas da Li-
berdade face à evolução da jurisprudência do Tribunal Constitucional e do Tribunal
Europeu dos Direitos Humanos, em especial no que respeita à intervenção dos tribu-
nais na fase da execução da pena;
• Aperfeiçoar o regime das penas e medidas não privativas da liberdade, reforçando a
sua eficácia;
• Rever o regime da liberdade condicional e da execução sucessiva de penas, bem
como os mecanismos de flexibilização das penas.
SEGURANÇA NA ÁREA DA JUSTIÇA
• Aprofundar, no quadro da Estratégia da Cooperação Portuguesa e em articulação
com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, todos os vetores da cooperação po-
licial, judiciária e em outros domínios da justiça, no âmbito europeu e no plano
internacional, bilateral, triangular e multilateral, incluindo o da formação, da in-
formação e operacional;
• Continuar o investimento nos meios tecnológicos e reforço dos meios infor-
macionais destinados à prevenção, deteção e investigação criminal, em
particular do crime grave, complexo e transnacional, cibercrime, e à pre-
venção e repressão do discurso de ódio, designadamente online e nas
redes sociais;
176
• Atualizar o enquadramento normativo do sistema de informação criminal, do comba-
te à criminalidade e ao terrorismo
• Desenvolver o quadro normativo associado à organização e ao funcionamento da
Polícia Judiciária;
• Valorizar a formação no domínio da investigação criminal e das ciências forenses.
SEGURANÇA E PROTEÇÃO CIVIL
1. Porque é preciso continuar
Portugal é reconhecido como um país estável e um destino seguro. Tal constitui uma
vantagem estratégica indiscutível, nomeadamente, em tempos em que se acentuam
fatores de instabilidade em tantos países das mais diferentes latitudes. Impõe-se, em
primeira instância, reconhecer que esta vantagem advém do mérito, da qualidade, da
dedicação e do brio do trabalho das Forças e Serviços de Segurança, que dia-a-dia con-
tribuem para este resultado. Sem segurança, fica diminuída a plena expressão dos direi-
tos, liberdades e garantias dos cidadãos.
A Segurança Interna é um dos pilares fundamentais da ação do Estado, comprometido
em assegurar que a ordem e a segurança pública permeiem todas as esferas da socie-
dade. O respeito pela lei e pelo Estado de Direito democrático é indispensável, garantin-
do que os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos sejam protegidos, reforçados e
promovidos.
Neste contexto, o policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário são críti-
cos para transmitir tranquilidade pública fundamentais para que os cidadãos exerçam
os seus direitos e liberdades, em particular aqueles que detenham maior vulnerabilidade.
Esta perceção de segurança é um ativo que o País não pode abdicar.
A par da capacidade preventiva e atuação rápida e reativa das forças e serviços de
segurança é fundamental corresponder às novas ameaças no contexto da crimina-
lidade violenta e grave e da criminalidade organizada.
Por outro lado, as forças e serviços de segurança têm implementado um proces-
so gradual de sofisticação, especialização e qualificação na área da prevenção
criminal num número crescente de fenómenos, por exemplo ao nível da delin-
quência juvenil, da violência doméstica, da violência no fenómeno despor-
tivo, na segurança rodoviária, na criminalidade informática e no contexto
das redes sociais.
177
No último ano o Governo sempre foi claro na sua política de segurança interna. A segu-
rança pública não pode ser tomada como um dado adquirido, e exige um acompanha-
mento constante, com uma crescente incorporação tecnológica. Este trabalho envolve
dotar as forças e serviços de segurança dos meios necessários, e da respetiva valori-
zação social e profissional, para que da sua ação, se obtenha o dividendo social que a
segurança pública a todos confere.
Entre as várias medidas de reforço das condições de trabalho das forças de segurança
chegámos a um acordo para um aumento do suplemento por serviço e risco para os po-
lícias da PSP e os militares da GNR.
O atual contexto internacional impõe pressões adicionais, aumentando a importância
das entidades responsáveis pela segurança interna, que enfrentam uma complexa teia
de desafios. A livre circulação no espaço europeu de Schengen faz ressaltar a necessi-
dade imperiosa de uma cooperação internacional robusta. Essa colaboração, pautada
pelo respeito pela soberania dos Estados, torna-se essencial para a troca eficiente de
informações entre os Estados.
Se é indiscutível que Portugal se deve manter como um país acolhedor, aberto a receber
quem aqui pretende estudar, trabalhar e viver, é também verdade que devemos assegu-
rar mecanismos de controlo e acompanhamento de quem transpõe as nossas fronteiras,
além de regras claras e bem definidas sobre quem está autorizado a residir e permane-
cer no nosso país.
No âmbito das ameaças globais à Segurança Interna, assume relevância crítica a es-
tratégia de prevenção e combate ao terrorismo, em que se deve integrar a crescente
preocupação com o “terrorismo cibernético”.
De igual modo, compete ao Estado garantir serviços de Proteção Civil eficazes e que
contribuam para o bem-estar das comunidades. No contexto das alterações climáticas
que temos assistido e que causam fenómenos naturais extremos com maior frequência
é fundamental reforçar as capacidades de prevenção e reação dos serviços de pro-
teção civil. Assim, urge trabalhar na qualificação da sua resposta, com uma maior
incorporação tecnológica, na valorização dos seus meios e recursos humanos, e na
maior interoperabilidade entre os serviços de Proteção Civil e os demais meios e
serviços relevantes do Estado e das autarquias locais.
178
2. Metas
• Redução da taxa de criminalidade, em particular a criminalidade violenta e grave e
aumentar os níveis de perceção de segurança;
• Reforço das capacidades de combate ao tráfico de droga;
• Aumento da capacidade de vigilância das forças de segurança;
• Redução da delinquência juvenil e grupal;
• Melhorar significativamente as infraestruturas e as condições de trabalho dos ele-
mentos das forças de segurança;
• Valorizar profissionalmente, no plano estatutário e das carreiras, os elementos da
PSP e da GNR;
• Redução da sinistralidade rodoviária;
• Implementação efetiva e eficaz da Diretiva de segurança no ciberespaço (NIS2);
• Reforçar a valorização dos Corpos de Bombeiros Voluntários;
• Plano de Regularização das dívidas aos Corpos de Bombeiros: garantir que todas as
entidades efetuam os pagamentos devidos no prazo de 30 dias.
3. Medidas
PROXIMIDADE E SEGURANÇA
• Reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário como forma
de reforçar a tranquilidade pública;
• Implementar a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da Polícia de
Segurança Pública como garante da eficácia e humanismo da política de retorno e
asilo;
• Investimento em novos meios tecnológicos capazes de aumentar a capacidade
de vigilância das forças de segurança:
• Aumentar a prevalência de sistemas de videovigilância, em parceria com
as autarquias locais, e em respeito dos normativos da Comissão Nacio-
nal de Proteção de Dados;
• Adoção da Plataforma Unificada de Segurança dos Sistemas de Vi-
deovigilância e Bodycams, como forma de registo centralizado, que
179
permite reforçar o cumprimento da legislação em vigor para estes sistemas, e o
seu uso pelas forças de segurança quando necessário;
• Elaboração de cartografia de risco, através de um sistema integrado que combi-
na policiamento de proximidade e visibilidade e a utilização de meios tecnológi-
cos preditivos e de inteligência artificial;
• Promoção de ações multidisciplinares, e em parceria com as autarquias locais,
dirigidas a locais identificados como de risco, e às causas dos riscos identifica-
dos;
• Distribuição de bodycams às forças de segurança;
• Reforço da presença no espaço rural por forma a mitigar o risco de crimes na
atividade rural ou de crimes associados a incêndio florestal;
• Densificar as competências do enquadramento legal das polícias municipais, e revi-
sitar o seu quadro legal e o seu modelo formativo;
• Avaliar os novos modelos de controlo dos fluxos fronteiriços, colaborando ativamente
nos organismos europeus e internacionais, destacando a relevância da cooperação
internacional nesta dimensão.
REFORÇO DA CAPACIDADE OPERACIONAL
• Promover a capacidade operacional das forças e serviços de segurança através:
• Promover uma maior cooperação e articulação entre as forças e serviços de se-
gurança, garantindo uma maior operacionalidade e resposta conjunta;
• Melhorar a ação integrada das forças de segurança pública articulando com a
Justiça e a Defesa, de forma a afirmar a autoridade do Estado e a reforçar o
sentimento de segurança em todos os seus fatores;
• Reorganizar a distribuição dos polícias da PSP e militares da GNR para as tarefas
mais adequadas, garantindo policiamento de proximidade e rápido tratamento
de processos de investigação, encontrando um novo modelo no domínio admi-
nistrativo para libertar um maior número operacionais, retirando-lhes tarefas
redundantes;
• Reforçar o combate às diversas tipologias de violência e ao consumo e trá-
fico de estupefacientes;
• Executar o quadro plurianual de investimentos nas forças de segurança,
nomeadamente, em equipamentos, formação, especialização;
180
• Promover condições e maior eficácia nos postos e esquadras:
• Rever o modelo de investimento em novas instalações e na reabilitação de insta-
lações existentes, concretizando os investimentos necessários;
• Aprofundar e estender acordos com autarquias locais, em matéria de instala-
ções, que permitam que as intervenções necessárias, e até construções de pos-
tos e esquadras (em conformidade com projetos tipo), possam ser concretizadas
com recurso a contratos com as autarquias;
• Investir na valorização dos recursos humanos:
• Conclusão da negociação das carreiras das forças de segurança com as asso-
ciações sindicais, no sentido de garantir a sua modernização e revisão;
• Criação de cursos profissionais nas áreas de segurança interna e proteção civil
como forma de captar novos recursos humanos qualificados e capacitados para
estas áreas operacionais.
CRIMINALIDADE JUVENIL
• Revisão da Estratégia de prevenção da criminalidade juvenil, grupal e no âmbito do
desporto;
• Reforço do programa Escola Segura através de:
• Maior envolvimento de interlocutores locais e em parceria com as autarquias lo-
cais;
• Maior especialização das forças de segurança dedicadas ao programa no âmbito
da delinquência e criminalidade juvenil e grupal, do consumo de estupefacientes
em idade juvenil, da criminalidade associada às redes sociais e ao ciberespaço,
da violência no namoro, do bullying e face ao fenómeno do abuso e assédio se-
xual, entre outras valências;
• Reforçar o combate a todas as formas de violência e ao tráfico e consumo de
estupefacientes em meio escolar;
• Dinamização da Comissão de análise integrada da delinquência juvenil e da cri-
minalidade violenta;
• Adoção de uma Estratégia Nacional para o combate à disseminação de con-
teúdos violentos no espaço digital;
• Promover o programa de voluntariado cívico “Jovens pela Segurança”
acompanhado pelas forças de segurança por forma a prevenir a delin-
quência juvenil.
181
TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
• Implementar o Plano Estratégico de combate ao tráfico e consumo de estupefacien-
tes e aos fenómenos criminais associados.
• Revisão do plano legislativo e operacional associado ao tráfico de estupefacientes
assegurando a adequação:
• Do enquadramento legislativo ao aparecimento de novas substâncias;
• Dos recursos humanos, meios físicos e tecnológicos e equipamentos à evolução
da atividade criminal nesta área;
• Da ação operacional à evolução das estratégias criminosas neste âmbito, pro-
movendo a troca regular de informações com Estados parceiros;
SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA
• Inverter, em matéria de segurança rodoviária, uma trajetória de abrandamento da
convergência com a média europeia em termos de sinistralidade;
• Reforçar os meios de prevenção e fiscalização no âmbito da sinistralidade rodoviária;
• Reorganizar a Unidade de Trânsito da Guarda Nacional Republicana no sentido de
aumentar a sua capacidade operacional.
• Implementar o Plano Estratégico Nacional de Combate à Sinistralidade Rodoviária –
Rota +Segura;
• Aproximar a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária dos cidadãos e das for-
ças de segurança através de:
• Simplificação do pagamento e a burocracia processual das contraordenações
rodoviárias;
• Aumentar a interoperabilidade das bases de dados das forças de segurança e da
Autoridade Nacional.
CIBERSEGURANÇA
• Implementar o novo Regime de Cibersegurança que adota adequadamente a
Diretiva europeia nesta área (NIS2), com o objetivo de promover uma Nação
digital resiliente;
• Dotar o Centro Nacional de Cibersegurança de recursos adequados às
necessidades presentes e futuras, em linha com o novo Regime de Ciber-
segurança;
182
• Maximizar a resiliência cibernética da administração pública e local, implementando
sistemas de gestão de segurança da informação, transversalmente e em cada Minis-
tério, e desenvolvendo a cooperação com as autarquias;
• Garantir a proteção dos dados pessoais e a privacidade dos utilizadores da internet,
reforçando os mecanismos de fiscalização, de denúncia e de sanção das violações, e
promovendo a adoção de padrões de segurança e de encriptação;
• Combater o cibercrime e as ameaças híbridas, como a desinformação, a propagan-
da e a interferência eleitoral, através de uma legislação adequada, de uma ação
judicial eficaz e de uma resposta conjunta, em cooperação com os nossos aliados;
• Assegurar a inclusão e a acessibilidade digital de todos os cidadãos, especialmente
dos mais vulneráveis, como os idosos, os deficientes e os carenciados, garantindo-
-lhes o acesso a equipamentos, serviços e apoios de cibersegurança.
RESPOSTAS A NOVAS AMEAÇAS
• Assegurar a revisão regular do conceito estratégico de segurança interna, atuali-
zando-o e adaptando-o às novas dinâmicas sociodemográficas e a novas ameaças
internas, através de uma ampla e alargada reflexão;
• Implementar a diretiva europeia face à resiliência das Entidades Crítica;
• Reforço da capacidade de prevenção e reação rápida face a novas ameaças inter-
nas e transfronteiriças, fundada no reforço da troca de informações entre Estados;
• Revisitar o enquadramento legal dos serviços de informações, no sentido de reforço
das suas competências e recursos, em linha com o verificado na generalidade dos
nossos parceiros europeus.
PROTEÇÃO CIVIL
• Promover alterações estruturais na realidade dos corpos de bombeiros nacionais:
• Conclusão da elaboração do Estatuto dos Corpos de Bombeiros assegurando
a integração dos bombeiros voluntários nos quadros de pessoal das Associa-
ções Humanitárias de Bombeiros, com reforço dos seus direitos e benefí-
cios.
• Proceder a uma reorganização estrutural do Sector Operacional dos
Bombeiros;
• Implementar, de forma progressiva, em todos os Corpos de Bombei-
ros, a profissionalização da primeira intervenção, garantindo o so-
corro e emergência 24h/365 dias;
183
• Adotar um modelo de contratualização plurianual com as entidades detentoras
de Corpos de Bombeiros, através de contratos-programa;
• Implementar um Plano de Regularização das dívidas aos Corpos de Bombeiros:
garantir que todas as entidades efetuam os pagamentos devidos no prazo de 30
dias
• Implementar um Plano Plurianual de Investimento para reequipamento dos Cor-
pos de Bombeiros.
• Investir no Sistema de proteção civil reforçando as suas capacidades operacionais,
tendo em consideração a maior prevalência de fenómenos climáticos extremos. Este
investimento traduz-se:
• Reestruturar a organização territorial das entidades de proteção civil;
• Reforço da interoperabilidade tecnológica entre a proteção civil e as forças de
segurança;
• A SIRESP, SA será integrada num instituto público, por forma a assegurar que
as competências tecnológicas críticas estão internalizadas no Estado e devida-
mente financiadas;
• Implementar o Sistema de Apoio à decisão operacional da Autoridade Nacional
de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
DEFESA NACIONAL
1. Porque é preciso continuar
A Defesa Nacional é uma área de Soberania fundamental, que o governo trouxe de novo
para a primeira linha das preocupações políticas, garantindo o cumprimento dos com-
promissos assumidos com os nossos Aliados e a participação de Portugal em Missões ao
serviço da NATO, ONU, EU, Frontex e Coligações.
Portugal é um País credível e consciente do papel que lhe compete no plano interna-
cional, em matéria de política externa, de segurança e de defesa.
O actual contexto geopolítico está carregado de incertezas, condicionado pela
guerra de conquista que a Rússia desencadeou na Ucrânia, violando fronteiras
estabelecidas e o direito internacional, vitimando inocentes e destruindo alvos
civis, o agravamento da situação política e militar no Médio Oriente, a ascen-
184
são da China como potência global, a deslocação estratégica norte-americana para
o Indo-Pacífico e o recente posicionamento da administração Trump. No ano de 2025
persistem por isso desafios internacionais sem precedentes, com repercussões diretas
na Defesa Nacional.
É por isso fundamental defender e promover o papel de Portugal no mundo, no âmbito
das organizações multilaterais que integra e valorizando a CPLP como ativo estratégi-
co para os nossos interesses e valores, em matéria de política externa, de segurança e
defesa.
A credibilidade é um ativo fundamental que devemos preservar junto dos nossos Aliados.
Exatamente por isso, assegurar um aumento dos investimentos da Defesa Nacional, em
linha com as exigências dessas organizações multilaterais, é uma obrigação que Portu-
gal assume, mas de forma responsável, sem colocar em causa os equilíbrios orçamen-
tais, o bom desempenho da Economia e as obrigações cometidas ao Estado Social. Está
em causa a partilha de esforço essencial para a defesa coletiva do Espaço Europeu do
que fazemos parte, dos nossos valores, do nosso modo de vida, do nosso desenvolvimen-
to económico e social.
O reforço do Pilar Europeu de Defesa da NATO é uma obrigação de que Portugal deve
ser parte fundamental. É preciso produzir mais na Europa e comprar mais na Europa.
Para tanto temos de continuar a avançar de forma determinada para a modernização
de equipamentos militares, envolvendo também, sempre que possível, a base tecnológi-
ca e industrial de Defesa nacional, continuando a dotar Portugal, em linha com o esforço
empreendido em 2024, de Forças Armadas capacitadas e de elevada prontidão, com
plataformas no Exército, Marinha e Força Aérea capazes de assegurar o elenco de mis-
sões para as quais estão acometidas, nas fronteiras nacionais e internacionais, em terra,
mar, ar, ciberespaço e espaço.
As indústrias de defesa podem e devem ter um papel estratégico na modernização
das Forças Armadas e no fortalecimento da economia do país, competindo ao go-
verno continuar a promover um ambiente de captação de investimento e a abrir as
portas aos nossos empresários, em múltiplas áreas, com o objetivo da criação de
um ecossistema de defesa, que promova a autonomia estratégica de Portugal e
potencie a economia nacional, gerando emprego e incentivando a inovação e o
desenvolvimento tecnológico.
185
O trabalho do Governo materializado na execução orçamental prudente e na escolha
criteriosa de política pública que promove a economia e a geração de riqueza e reforça
a capacidade do Estado Social, permite cumprir estes compromissos internacionais não
coloquem nem as contas públicas em descontrolo, nem o Estado Social sob ameaça.
Assegurado ficará também o investimento firme nos recursos humanos das Forças Ar-
madas, que em 2024 permitiu a inversão do ritmo de 8 anos de queda nos números de
recrutamento e de retenção. São hoje muitos mais os jovens que pretendem abraçar
uma carreira nas Forças Armadas.
2. Metas
• Garantir as capacidades, os meios e a prontidão das Forças Armadas para o cumpri-
mento das suas missões;
• No novo contexto geopolítico, fortalecer o investimento na segurança e defesa, em
linha com a UE e a NATO, antecipando a meta de 2029, mediante duas condições. O
investimento não porá em causa o Estado Social e deve ter um efeito multiplicador
do crescimento, ampliando a nossa indústria de segurança e defesa.
• Acentuar a cooperação e colaboração no aprofundamento da defesa com a CPL;
• Reverter a curva descendente do nível de recrutamento;
• Impulsionar e valorizar os quadros permanentes de praças;
• Garantir e consolidar uma capacidade de ciberdefesa resiliente e fiável.
3. Medidas
INVESTIMENTO EM DEFESA
• Alcançar de pelo menos 2% do PIB, antecipando a meta de 2029 e desenvolvendo a
capacidade industrial nacional gerando emprego e valor acrescentado, com 20%
em bens, infraestruturas e equipamentos, em linha com os compromissos NATO;
• Assegurar, quando necessário, os mecanismos complementares de financia-
mento que garantam as aquisições tempestivas e necessárias à edificação
das capacidades previstas na LPM, em linha também com os compromissos
do Estado português no âmbito da NATO;
186
• Corrigir as comprovadas incapacidades de aproveitamento de património edificado,
nomeadamente para efeitos de rentabilização, nos termos da Lei de Infraestruturas
Militares (LIM);
• Responder ao défice de alojamento em meio militar, no âmbito do efetivo no ativo e
da capacidade recuperação e disponibilização do Património do Instituto Ação So-
cial das Forças Armadas (IASFA) aos respetivos beneficiários;
• Incrementar as contrapartidas ao IASFA decorrentes dos apoios aos deficientes das
Forças Armadas e à inclusão dos militares em regime de contrato como beneficiários
da Ação Social Complementar.
• Garantir a simplificação e aceleração dos processos de licenciamento e a revisão
das regras de contratação pública, por forma a assegurar a aquisição ágil de equi-
pamento militar;
• Identificar no quadro do processo de planeamento estratégico militar (CEM, MIFA,
SFN e Dispositivo) e refletir em termos de prioridades na LPM a aquisição dos meios
essenciais ao cumprimento das missões;
• Assegurar a recuperação do Arsenal do Alfeite essencial à operacionalidade da Ar-
mada e à possibilidade do cumprimento das suas múltiplas missões, pela implemen-
tação de um novo plano infraestrutural, tecnológico e ambiental;
• Inclusão do Património das Forças Armadas (militar, museológico, histórico, religioso
e cultural) numa Rede Nacional integrada de Turismo Militar aberta ao público, para
rentabilização, recuperação e preservação desse património no perímetro da Defesa
Nacional.
GARANTIR FORÇAS ARMADAS CAPACITADAS
• Manter e desenvolver as capacidades inerentes a um conflito convencional;
• Manter a capacidade não convencional (operações especiais), determinante em
conflitos de subversão e assimétricos;
• Coordenar e sincronizar os ciclos de planeamento de efetivos, de investimento,
de orçamentos, de treino e aprontamento de forças, em linha com o planea-
mento do seu emprego;
• Estudar outras formas de recrutamento voluntário.
• Promover atividades de produção e de prestação de serviços, formação
e conhecimento associados ao Espaço, em parceira com países aliados
com experiência neste domínio como os Estados Unidos, o Reino Unido
ou outros países europeus;
187
• Reforçar a participação em missões internacionais com Forças Nacionais Destaca-
das (FND) e Elementos Nacionais Destacados, no âmbito das organizações interna-
cionais NATO, ONU, UE, FRONTEX e Coligações;
• Ampliar a Formação e Educação Estratégica para a Segurança e Defesa Nacional.
• Modernizar a Defesa Antiaérea;
• Estudar programas para fazer face à falta de acessibilidade habitacional, reconhe-
cendo e valorizando a singularidade da condição militar.
CIBERDEFESA
• Reforçar capacidades de ciberdefesa, em matéria de formação e treino, resiliência,
combate a ameaças e gestão de vulnerabilidades:
• Garantir a presença operacional em todo o território nacional e internacional
onde as nossas forças nacionais destacadas estão presentes;
• Perspetivar uma estratégia integrada de gestão de crises e ameaças híbridas,
interministerial e intersectorial;
• Assegurar a proteção e sustentação do MDN através da definição e implemen-
tação de medidas técnicas e organizativas de cibersegurança em 100% das es-
truturas centrais de apoio da Defesa;
• Introduzir mecanismos de valorização e retenção da força de trabalho para a
Ciberdefesa;
• Apoiar a definição da doutrina operacional e tática das FFAA no respeitante a
ameaças híbridas;
• Apoiar a atualização de todos os planos de exercícios militares para integrar ele-
mentos relativos à ciberdefesa;
• Apoiar a condução de exercícios anuais de gestão de crises de ciberdefesa.
INDÚSTRIAS DE DEFESA
• Apoiar a promoção do cluster de indústrias de defesa, como forma de atrair in-
vestimento relacionado com o reforço do investimento em defesa ao nível na-
cional e europeu. Em particular promover:
• O desenvolvimento de software e hardware para simulação (Capacita-
ção das Forças Armadas).
• A participação de empresas portuguesas em consórcios de investiga-
ção, desenvolvimento e produção nas áreas da defesa, potenciando
as encomendas de equipamentos e de material realizadas pelas
FFAA.
188
• A capacidade de exportação da indústria militar de defesa e de tecnologias de
duplo uso, nomeadamente pela integração nas cadeias de fornecimento dos
grandes fabricantes.
• A criação de parcerias público-privadas, “modelo OGMA”, em áreas estratégicas
para a Defesa Nacional;
ANTIGOS COMBATENTES E HISTÓRIA MILITAR
• Dignificar e respeitar os antigos combatentes e a sua memória, continuando a ava-
liar o aumento dos apoios que lhes são concedidos;
• Dignificar e respeitar os Deficientes das Forças Armadas e a sua memória, aceleran-
do processos administrativos, atualizando legislação que lhes respeite e avaliando
decisões no seu âmbito;
• Aperfeiçoar os mecanismos de reinserção dos militares na vida civil, bem como a
ponderação do alargamento do apoio social complementar aos militares em regime
de voluntariado, contrato e contrato especial;
• Inclusão do Património das Forças armadas (militar, museológico, histórico, religioso
e cultural) numa Rede Nacional integrada de Turismo Militar aberta ao público, para
rentabilização, recuperação e preservação desse património no perímetro da Defesa
Nacional.
POLÍTICA EXTERNA, COMUNIDADES
E ASSUNTOS EUROPEUS
1. Porque é preciso continuar
O novo quadro geopolítico representa a mudança mais significativa dos últimos 80
anos. A política externa portuguesa sofreu os choques da “guerra colonial” e depois do
PREC, mas ambos resultaram essencialmente de dinâmicas internas. E a queda do
muro de Berlim, apesar de ser uma alteração externa, em nada mudou as constan-
tes da nossa política exterior. A presente situação, altamente instável e suscetível
de múltiplos desenvolvimentos de difícil previsão, consubstancia uma verdadeira
mudança do contexto e da circunstância nacional.
Formulámos, pois, uma doutrina que possa refletir o sentido e o conteúdo da
política externa portuguesa, sempre muito firmada na defesa do multilate-
ralismo. Sem abandonar essa matriz, importa revalorizar, num mundo que
passa da dimensão transnacional para a dimensão transacional, a diplo-
189
macia bilateral. Nos eixos europeu, lusófono, atlântico, ibero-americano e das comunida-
des, precisamos de reforçar as dinâmicas bilaterais para melhor realizar os princípios do
multilateralismo. E no quadro mundial, designadamente asiático, precisamos de reforçar
substancialmente a rede de relações bilaterais para melhor afirmar a nossa fidelidade à
ONU, aos seus valores e ao primado do direito internacional.
Toda esta dinâmica tem de ser acompanhada de um reforço das ligações e conexões à
nossa diáspora, seja tradicional, seja de nova geração, que, para lá dos óbvios imperati-
vos de cidadania, possa ser encarada como um ativo diplomático cultural e económico.
Ao fim de um ano de governo da AD, os sinais de mudança são já muito evidentes. É fun-
damental que se mantenha o mesmo ritmo de trabalho na execução do grande progra-
ma estratégico cujas linhas fundamentais anunciámos há um ano, e que reafirmamos no
presente programa para os próximos anos.
2. Metas
• Garantir um aprofundamento da integração europeia, designadamente nas áreas
da segurança e defesa, da união económica e monetária, do mercado interno, da
simplificação e das políticas de comércio livre.
• Apoiar ativamente o alargamento da União Europeia, nomeadamente à Ucrânia,
Moldávia e países dos Balcãs Ocidentais.
• Cumprir os objetivos da política climática, transição energética e da transição digital
da EU.
• Garantir uma modernização da NATO, assegurando a constituição futura de um pilar
europeu.
• Promover a candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Se-
gurança da ONU para o biénio 2027-2028, alcançando a eleição em Junho de 2026.
• Prosseguir a promoção da candidatura da língua portuguesa como Língua Oficial
da ONU, no horizonte até 2030.
• Reforçar a CPLP como instância de afirmação multilateral e como ator interna-
cional.
• Aumentar o número de estudantes lusófonos em programas de intercâmbio
académico entre os países da CPLP.
• Reforçar a presença de Portugal em geografias estratégicas, nomeada-
mente na África e na Ásia.
190
• Apoiar a celebração de acordos de comércio livre da UE com várias regiões do mun-
do e blocos económicos, com prioridade para a entrada em vigor do acordo UE-Mer-
cosul
• Reforçar o papel da diplomacia económica.
• Reforçar o ensino e a divulgação da língua e culturas portuguesas.
3. Medidas
PORTUGAL NO MUNDO
• Continuar e reforçar a promoção da candidatura de Portugal para o Conselho de
Segurança da ONU no biénio 2027-2028;
• Intensificar as relações bilaterais económicas, comerciais e culturais com a África
não lusófona, com especial enfoque na região do Magrebe, no golfo da Guiné e na
África do Sul e Namíbia;
• Desenvolver as relações bilaterais com os países do Médio Oriente e da região do
Golfo;
• Aprofundar as relações bilaterais económicas, comerciais e culturais com os princi-
pais países e mercados asiáticos;
• Apoiar todos os esforços de paz, designadamente, mas não exclusivamente os pro-
movidos pela ONU;
• Promover e apoiar a candidatura e o trabalho de portugueses nas Organizações In-
ternacionais;
• Continuar a assumir um papel ativo na promoção do diálogo e na construção de
pontes no quadro dos conflitos que marcam a cena internacional;
• Manter a defesa do cessar-fogo e promover a solução de dois Estados, enquanto
desfecho político indispensável à construção de uma paz justa e duradoura no
contexto do conflito israelo-palestiniano;
• Reforçar a presença portuguesa em regiões emergentes ou não tradicionais,
através da expansão da rede consular, com vista à diversificação de parce-
rias e ao aprofundamento de relações bilaterais;
• Repensar e reformar o concurso de acesso à carreira diplomática.
191
PORTUGAL NA EUROPA
• Aprofundar a Política Externa e de Segurança Comum, em parceria com a NATO e
participar construtivamente com parceiros internacionais no reforço das capacida-
des de defesa;
• Executar o Plano ReArm Europe/Readiness 2030, recorrendo aos instrumentos fi-
nanceiros proporcionados pela Comissão Europeia para fomentar o investimento
nas nossas capacidades de defesa;
• Continuar a apoiar a defesa dadar apoio político, militar, financeiro e humanitário à
Ucrânia, na linha das diretrizes Europeias;
• Acompanharem especial participando ativamente nos planos para a sua reconstru-
ção e apoiando decididamente o processo de adesão à UE;
• Assumir um papel ativo no processo de alargamento da União Europeia; e preparar o
país para as oportunidades que este oferece (Balcãs Ocidentais, Ucrânia, Moldávia,
eventualmente Islândia e Geórgia);
• Contribuir para o processo de reforma institucional da União Europeia, imprescindí-
vel para uma futura União Europeia alargada;
• Defender um Quadro Financeiro Plurianual a partir de 2028 que tenha os meios su-
ficientes para fazer face aos desafios e ambições da União Europeia, incluindo um
aumento significativo do orçamento e o estabelecimento de recursos próprios;
• Defender a diversificação das parcerias comerciais da União Europeia como estra-
tégia para reforçar a sua autonomia, concluindo o Acordo Mercosul e promovendo
novos acordos de livre-comércio, designadamente com a Índia e os países do ASEAN;
• Completar e concluir os pilares da União Económica e Monetária, em especial a
União Bancária, e contribuir ativamente para a construção tempestiva da União de
Poupanças e Investimentos;
• Contribuir para a política de simplificação e desburocratização da legislação e da
administração europeias, aí incluída a matéria dos procedimentos concursais;
• Apoiar uma política europeia de migração eficaz, humanitária e segura, no âm-
bito do pacto para migração e asilo Pacto em matéria de Migração e Asilo e
da reforma do Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA);
• Aplicar a estratégia digital da UE, designadamente no domínio da Inteli-
gência Artificial;
192
• Continuar a dinamizar a Estratégia Nacional para as Carreiras Europeias., em par-
ticular através da mobilização das instituições do ensino superior para a formação
específica para estas carreiras;
• Garantir a execução das conexões energéticas entre a Península Ibérica e a França.
• Reforçar as relações com os países do Mediterrâneo, tanto no quadro MED9 como
no âmbito da Política Europeia de Vizinhança
• Defender as especifidades territoriais das diversas regiões europeias, em particu-
lar as das Áreas Rurais ou de baixa densidade e das Regiões Ultraperiféricas (RUP),
como os Açores e a Madeira
• Considerar o potencial estratégico e multidisciplinar do Ártico no contexto das trans-
formações mundiais
PORTUGAL NO ATLÂNTICO
• Continuar a defender e a promover a valorização da NATO, no sentido de aproximar
os cidadãos da Aliança Atlântica e fomentar uma compreensão mais ampla das ac-
ções desenvolvidas no âmbito da mesma;
• Apostar no relançamento da comunidade ibero-americana como um bloco com voz
ativa no plano mundial, preparando a cimeira de Madrid de 2026;
• Aplicar medidas efectivas de vigilância e cooperação internacional: assegurar a se-
gurança e a sustentabilidade do espaço atlântico;
• Reforçar o investimento no sector da Defesa para assegurar a autonomia, seguran-
ça e estabilidade da Europa, em estreita articulação com os parceiros da NATO e em
linha com o que vier a ser definido na Cimeira de Haia;
• Assegurar que a NATO dá sequência à estratégia para o flanco sul, olhando ao Norte
de África e ao Sahel;
• Privilegiar a preservação da relação com os Estados Unidos da América como pilar
transatlântico fundamental, sem deixar de também valorizar como prioritárias as
relações com o Canadá e o México;
• Reforçar a relação histórica entre Portugal e o Reino Unido, favorecendo tam-
bém o aprofundamento do relacionamento entre a União Europeia e o Reino
Unido, em todas as áreas;
• Assumir-se como uma plataforma de criação e de consolidação de pon-
tes no triângulo estratégico Europa, África e América Latina, em que
193
Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe desempe-
nham um papel insubstituível;
• Promover a língua portuguesa como uma grande língua do espaço atlântico;
• Potenciar o papel das comunidades portuguesas nos diversos países atlânticos no
fortalecimento de redes de desenvolvimento da cooperação económica;
• Continuar a promover a ação liderante de Portugal na proteção dos oceanos e no
desenvolvimento da Economia Azul, incluindo as novas dinâmicas resultantes do re-
cém-aprovado “Tratado do Alto-Mar” (BBNJ);
• Garantir a segurança e a proteção dos cabos submarinos.
LUSOFONIA
• Rever o Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro e, em especial, mitigar
as dificuldades no recrutamento de docentes;
• Elaborar uma Estratégia da Língua Portuguesa para Timor-Leste;
• Contribuir para o reforço do papel da CPLP nas diferentes dimensões: política, diplo-
mática, científica, social e económica, através da consolidação da identidade Lusó-
fona;
• Contribuir para o reforço do papel da CPLP nas diferentes relações: política, diplo-
mática, social e económica, através da consolidação da identidade Lusófona;
• Promover um alinhamento global e apoio recíproco em candidaturas internacionais;
• Promover o reconhecimento internacional da língua portuguesa: apoiar ativamente
a elaboração e implementação de uma estratégia concertada junto da CPLP para
que o Português seja reconhecido como língua oficial da ONU até 2030, promovendo
a língua como um veículo eficaz de comunicação global;
• Alinhar esforços para promover o desenvolvimento sustentável nos países lusó-
fonos, compartilhando experiências e recursos para abordar desafios comuns,
como a pobreza, a educação e as questões ambientais, no âmbito da Estratégia
da Cooperação Portuguesa 2030 e dos diversos Programas Estratégicos de
Cooperação bilaterais;
• Fomentar parcerias económicas e comerciais entre os países lusófonos, fa-
cilitando o comércio, investimentos e iniciativas conjuntas que aproveitem
as potencialidades económicas da lusofonia, dando especial atenção à
cooperação no setor energético;
194
• Implementar programas robustos de diplomacia cultural, facilitando intercâmbios
artísticos, literários e educacionais entre os países lusófonos;
• Estimular a promoção e o ensino da língua portuguesa nos sistemas educacionais
dos países lusófonos, incentivando intercâmbios académicos e a criação de progra-
mas conjuntos que fortaleçam a língua como ferramenta de comunicação e expres-
são;
• Estabelecer redes de cooperação entre instituições académicas, culturais e empre-
sariais nos países lusófonos, facilitando a troca de conhecimento, tecnologia e boas
práticas em diversas áreas.
• Valorizar a dimensão digital no ensino da Língua Portuguesa no Mundo;
• Concretizar a aposta do Português enquanto língua de Ciência;
• Maximizar o potencial existente na promoção da língua portuguesa e na criação de
ligações a Portugal através da rede de escolas portuguesas no estrangeiro
• Contribuir para a afirmação da CPLP enquanto organização com voz global.
COOPERAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO
• Aplicar a estratégia Reforma da Cooperação Portuguesa 3.0:
• Nova Lei Orgânica do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.;
• Novos Estatutos do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.;
• Revisão do Regulamento da Comissão Interministerial para a Cooperação;
• Revisão do estatuto dos agentes e dos adidos de cooperação.
• Continuar a promover o papel das ONGDs e das Autarquias Locais, bem como do
sector privado, na Cooperação para o Desenvolvimento;
• Prosseguir o trabalho e a estratégia nacional de participação na iniciativa Global
Gateway e em projetos de Cooperação Delegada da União Europeia;
• Prosseguir o trabalho no âmbito da Diplomacia Democrática, designadamente
no âmbito de protocolos de cooperação para a imigração regulada;
• Aplicar uma estratégia nacional para a Diplomacia Científica, designada-
mente reforçando a cooperação no âmbito da Ciência e do Ensino Supe-
rior;
195
• Aplicar uma estratégia de articulação entre a Cooperação no âmbito da Ajuda Pú-
blica ao Desenvolvimento e a Cooperação no Domínio da Defesa;
• Continuar a capacitar a cooperação para o desenvolvimento de instrumentos de
financiamento, através do reforço de linhas de crédito bilaterais, da criação de fun-
dos de ação climática, da ação do Banco de Fomento e do reforço na participação
nos bancos multilaterais de apoio ao desenvolvimento, designadamente no espaço
lusófono.
COMUNIDADES PORTUGUESAS
• Continuar a promover a ligação à diáspora portuguesa no mundo, reconhecendo-a
como um dos mais importantes activos estratégicos da política externa portuguesa;
• Adaptar a rede do Ensino de Português no Estrangeiro e de Escolas Portuguesas à
nova realidade sociológica das nossas Comunidadesàs novas exigências dos portu-
gueses que vivem no exterior, criando cursos nos novos destinos da nossa emigra-
ção e continuando a apostar no crescimento da rede de escolas no exterior. Neste
contexto, a aposta na qualidade do ensino e na certificação das aprendizagens, o
reajustamento dos horários, a valorização das carreiras dos professores, a colabora-
ção com as escolas locais e a integração do ensino do Português nos programas dos
sistemas educativos dos países de acolhimento serão objectivos a ter em considera-
ção;
• Contribuir para uma maior credibilização do Conselho das Comunidades Portugue-
sas e para o fomento dos níveis de participação política dos portugueses nos países
de acolhimento;
• Estudar a reorganização do atual modelo de agendamento de atos consulares, ao
mesmo tempo que se procurará aproveitar as potencialidades do Consulado Virtual,
da Chave Móvel Digital e das Permanências Consulares;
• Dar continuidade à diversificação do sistema de agendamento dos actos consula-
res, reforçar os meios técnicos e humanos dos postos ainda carenciados, substi-
tuir os equipamentos de leitura dos dados biométricos, continuar a aumentar o
número e a qualidade das permanências consulares e valorizar as carreiras dos
colaboradores da rede;
• Dar continuidade ao programa de formação e de incentivo a novos dirigen-
tes associativos, desburocratizar ainda mais o processo de candidatura a
apoios, mobilizar de forma mais significativa os jovens lusodescendentes
196
e as mulheres e desenvolver uma rede de associações solidárias para apoiarem os
casos sociais mais delicados;
• Dar sequência às políticas de incentivo à criação de redes de luso-eleitos, desenvol-
ver experiências que permitam a adoção do voto eletrónico;
• Continuar a desenvolver a rede de Gabinetes de Apoio ao Emigrante (Gabinetes de
Apoio ao Emigrante 2.0) e fomentar a criação dos Conselhos da Diáspora junto dos
municípios e uma maior articulação com os serviços dependentes dos Governos Re-
gionais dos Açores e da Madeira. Ainda neste domínio, é nossa intenção dar continui-
dade e melhorar o Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, e o Plano Nacional
de Apoio ao Investidor da Diáspora e, incentivando a rede de câmaras de comércio
e de empresários no exterior de forma a apoiar a divulgação e a simplificação do
investimento em Portugal e, bem assim, o Programa Regressar., aumentando os me-
canismos de apoio ao regresso, nomeadamente no plano fiscal.
197
CENÁRIO
ORÇAMENTAL
Tabela 1: Cenário Orçamental AD 2024-2029 (% PIB)
Taxa de variação (%) 2024 2025 2026 2027 2028 2029
Receita Total 43,6 43,9 44,5 43,1 42,7 42,5
Receita corrente 42,6 42,5 42,8 42,4 42,1 41,9
Receita fiscal 24,8 24,4 24,5 24,1 23,8 23,6
Impostos sobre produção e
14,5 14,7 14,7 14,9 15,0 15,0
importação
Impostos sobre rendimento e
10,3 9,7 9,8 9,3 8,8 8,6
património
Contribuições para fundos da
12,6 12,7 12,8 12,7 12,8 12,8
Segurança Social
Vendas e outras receitas
5,2 5,4 5,5 5,5 5,5 5,5
correntes
Receitas de capital 1,0 1,4 1,7 0,7 0,6 0,6
Despesa Total 42,9 43,6 44,5 42,8 42,5 42,3
Despesa Primária 40,8 41,4 42,3 40,6 40,1 39,9
Despesa Corrente Primária 37,3 37,2 37,3 37,0 36,7 36,5
Consumo intermédio 5,3 5,2 5,1 5,1 5,0 4,9
Despesas com pessoal 10,6 10,7 10,7 10,7 10,6 10,6
Prestações sociais 17,9 18,0 17,6 17,4 17,4 17,4
Subsídios e outra despesa
3,4 3,3 3,8 3,8 3,7 3,6
corrente
Despesas de capital 3,5 4,1 5,0 3,6 3,4 3,4
Saldo primário 2,8 2,5 2,3 2,5 2,6 2,7
Juros 2,1 2,2 2,2 2,3 2,3 2,4
Saldo global 0,7 0,3 0,1 0,3 0,2 0,3
Dívida Pública 94,9 91,0 87,2 83,4 79,5 75,1
198
PARTE III
PROGRAMA
ECONÓMICO
DA AD - COLIGAÇÃO PSD/CDS
Reformar a Economia
para pôr Portugal
no Pelotão da Frente
199
Índice
SUMÁRIO EXECUTIVO 202
1.1. A Nossa Ambição: Portugal no pelotão da frente 202
1.2. As Nossas Metas 203
2.1. Erros e Diferenças do PS 203
3. As Nossas Reformas 204
I. A NOSSA AMBIÇÃO: PORTUGAL NO PELOTÃO DA FRENTE 207
II. POR QUE FOI PRECISO MUDAR? O PAÍS ESTAVA
ESTAGNADO E NO CAMINHO ERRADO 209
1. Diagnóstico crítico de um país estagnado 209
2. O que mudou em 11 meses 210
3. Caminho errado, escolhas e atitudes que nos diferenciam 212
III. PROGRAMA DE REFORMAS ECONÓMICAS DA AD 216
1. MENOS IMPOSTOS SOBRE AS FAMÍLIAS E SOBRE O
INVESTIMENTO 219
1.1. Reforma para baixar a carga fiscal em IRS e IRC e dar
previsibilidade e estabilidade fiscal 219
1.2. Reforma dos Apoios Sociais e da gestão da Segurança Social 223
2. APOSTAR NA INICIATIVA PRIVADA E NA PRODUTIVIDADE 227
2.1. Mais concorrência, menos burocracia, menores custos de 227
contexto
2.2. Financiamento e crescimento empresarial 231
2.2.1. Reformas do financiamento empresarial e reestruturação
empresarial 231
2.2.2. Reformas para Internacionalização das empresas
e atração de Investimento Estrangeiro 233
200
2.2.3. Reforma do sistema dos Fundos Europeus 237
2.2.4. Inovação, Empreendedorismo e Digitalização 238
2.2.5. Uma Indústria orientada para o exterior 240
2.2.6. Turismo, Comércio e Serviços 241
2.3. Transformar custos em oportunidades 243
2.3.1. Modernização da justiça económica 243
2.3.2. Modernização das infraestruturas 244
2.3.3. Transição energética e descarbonização competitiva
da economia 250
3. MELHOR ESTADO, COMBATER A CORRUPÇÃO 255
3.1. Melhor governo público, Estado mais capaz 257
3.1.1. Reforma das finanças públicas e da gestão financeira
do Estado 257
3.1.2. Reforma da governação, organização e da prestação
do Setor Público Administrativo 258
3.1.3. Medidas para o Setor Empresarial do Estado 261
3.2. Reforma da política de recursos humanos
do Setor Público Administrativo 263
4. UMA ECONOMIA DE FUTURO 265
4.1. Mais qualificações, melhor emprego 265
4.1.1. Reformas do mercado de trabalho: mais produtividade,
mais rendimentos 265
4.1.2. Reforma da formação profissional e das qualificações 268
4.2. População com futuro: vencer a crise demográfica e expandir
a oferta habitacional 271
4.2.1. Vencer a crise demográfica 271
4.2.2. Habitação, reformas para resolver a crise da habitação 273
5. CENÁRIO MACROECONÓMICO DA AD - 2024-2028 275
201
PARTE III: PROGRAMA ECONÓMICO
Sumário
Executivo
1.1. A NOSSA AMBIÇÃO
O nosso destino está nas nossas mãos. Nestes 11 meses de governação iniciámos um
Programa Económico de Reformas Estruturais geradoras de uma Mudança Ambiciosa
e Realista da Economia Portuguesa com os seguintes objetivos:
• Economia competitiva a crescer como as melhores da Europa;
• Salários e rendimentos mais elevados para todos, e não apenas no salário mínimo;
• Redução de impostos sobre trabalho e investimento;
• Responsabilidade e equilíbrio orçamental;
• Aposta na iniciativa privada, confiança nas empresas, mais liberdade económica;
• Reforço das qualificações, da inovação e produtividade;
• Fixação do talento, valorização do mérito e igualdade de oportunidades;
• Redução urgente da pobreza, especialmente dos trabalhadores e pensionistas;
• Regenerar o Contrato Social, com serviços de Educação, Saúde, Habitação e Segu-
rança de qualidade para todos;
• Uma população qualificada, saudável, solidária, tolerante, com emprego de qualida-
de e que se regenera;
• Uma governação íntegra e confiável, instituições credíveis e uma sociedade civil
mais livre;
• Um país sustentável ambiental, social, económica e financeiramente.
202
1.2. AS NOSSAS METAS
Esta Ambição da AD materializa-se nas seguintes Metas Estratégicas:
1. Mais crescimento e produtividade: com crescimento do PIB próximo de 3,5% no final
desta legislatura;
2. Crescimento dos salários: aumento do salário mínimo para 1.100€ até 2028; evolução
do salário médio para 2.000€ nesta década, baseada na soma da inflação à totali-
dade dos ganhos de produtividade;
3. Mais emprego: desemprego estrutural próximo de 5% em 2028;
4. Maior redução da carga fiscal em período de crescimento, em cerca de 1 p.p. face a
2024;
5. Equilíbrio orçamental, com saldos positivos durante a legislatura, assumindo a con-
tenção da despesa pública (peso da despesa corrente primária no PIB desce de %,
para um valor em torno dos %, e o peso da despesa total de % para um valor próximo
de % no final da década);
6. Redução da dívida pública que ficará em torno de 75% do PIB em 2029.
2.1. ERROS E DIFERENÇAS DO PS
A AD diferencia-se e rejeita, designadamente, as seguintes visões e atitudes do atual
Partido Socialista:
• Resignação com a carga fiscal máxima e recusa em baixar impostos;
• Estratégia paternalista de “seleção” pelo Governo dos setores económicos e empre-
sas que devem ser privilegiados com financiamento e recursos públicos;
• A fixação ideológica na propriedade e gestão estatal, menorizando o papel das
ofertas privada e social em prejuízo dos cidadãos;
• Desprezo pela cultura do mérito, da exigência e do trabalho;
• Cultura de informalidade na governação e enfraquecimento da independên-
cia dos reguladores;
• A captura para o Estado da maior parte dos Fundos Europeus;
• Instrumentalização do Estado e recursos públicos no interesse partidá-
rio;
203
• O desrespeito pela proteção da confiança dos investidores.
3. AS NOSSAS REFORMAS
O Programa Económico de Reformas Estruturais da AD divide-se em 4 pilares, com as
seguintes principais medidas e projetos:
I. REDUZIR IMPOSTOS SOBRE O TRABALHO
E O INVESTIMENTO
Reforma Fiscal:
1. Redução do IRS para todos, com redução das taxas, especialmente para a classe
média. No IRS baixar 2 mil milhões de euros até 2029, com uma redução de 500 mi-
lhões já em 2025 (adicional ao OE 2025);
2. Redução gradual do IRC até aos 17% no final da legislatura, com uma redução até
aos 15% no caso das PME nos primeiros 50 mil euros de lucro tributável;
3. Continuar o processo de simplificação e estabilidade fiscal;
4. Aceleração da justiça tributária.
Reforma dos apoios sociais com:
5. Criação de Novo Suplemento Remunerativo Solidário;
6. Aumento do referencial do CSI para 870€ em 2029;
7. Modernizar a gestão da Segurança Social.
II. APOSTAR NA INICIATIVA PRIVADA
E NA PRODUTIVIDADE
8. Ampliar a concorrência, reduzir a burocracia e barreiras à entrada;
9. Reforçar a independência dos reguladores;
10. Acesso às profissões;
11. Estado pagar a horas;
12. Reforço da capitalização das empresas e do capital de risco;
204
13. Remover os desincentivos ao ganho de escala das empresas;
14. Dinamizar a rede externa para a internacionalização das empresas;
15. Orientar os Fundos Europeus para as empresas e para a geração de valor acrescen-
tado e sua conexão com os resultados avaliados;
16. Aceleração da justiça económica e agilização das insolvências;
17. Programação, decisão e execução de infraestruturas críticas baseadas no valor
acrescentado nos domínios dos transportes, comunicações, águas, resíduos e ener-
gia;
18. Expansão das interligações europeias para resolução das Ilhas Ferroviária e Energé-
tica;
19. Transição energética competitiva para cumprir os compromissos internacionais, em
condições de sustentabilidade ambiental e financeira, racionalidade e competitivi-
dade económica e neutralidade tecnológica;
20. Aproveitamento sustentável dos recursos naturais nacionais.
III. MELHOR ESTADO, COMBATER A CORRUPÇÃO
21. Reforma das finanças públicas e da gestão financeira do Estado;
22. Promoção da coordenação e capacitação do centro do Governo;
23. Aprofundamento da descentralização;
24. Digitalização e reorganização dos serviços de atendimento da administração públi-
ca;
25. Reformas da governação do setor empresarial do Estado;
26. Pacote de medidas para a integridade, transparência da gestão pública e para
combater a corrupção;
27. Continuar a reforma da nova política de recursos humanos do Estado.
IV. UMA ECONOMIA DE FUTURO
28. Modernização da regulação do mercado de trabalho para confrontar a sua
segmentação, ajustar às transformações no mundo do trabalho e flexibi-
lizar transições entre emprego, requalificações e reforma;
205
29. Reforçar o impulso à concertação social;
30. Reforço do Ensino Profissional e Vocacional;
31. Oferta de formação focada nas competências gerais e específicas necessárias;
32. Incentivar colaboração do sistema científico e tecnológico com as empresas;
33. Educação para o empreendedorismo;
34. Remoção dos obstáculos à natalidade desejada;
35. Continuar a política de imigração regulada: aposta nas famílias e jovens e acolhi-
mento humanista;
36. Resolver a crise na habitação por aumento da oferta, através da redução de impos-
tos e burocracia, injeção dos imóveis públicos no mercado;
37. Aposta num programa de PPP para a construção e reabilitação em larga escala;
38. Proteção de arrendatários vulneráveis, através de apoio público em vez de congela-
mentos ou limitações administrativas das rendas.
206
I. A NOSSA AMBIÇÃO:
PORTUGAL NO PELOTÃO
DA FRENTE
O nosso destino coletivo está nas nossas mãos, e os portugueses não têm menos ambi-
ção, talento e capacidade que os demais países europeus. A sua capacidade de traba-
lho está demonstrada internacionalmente.
Portugal pode mudar, passar de uma economia relativamente pobre e resignada a cair
para a cauda da Europa para um país que acelera para o pelotão da frente.
Essa evolução depende de querermos, e sabermos, fazer as reformas estruturais que
introduzam uma mudança profunda na economia portuguesa que sustente a Ambição
de ter:
i. Uma economia competitiva a crescer como as melhores da Europa;
ii. Rendimentos mais elevados para todos, e não apenas o salário mínimo;
iii. Um Estado eficiente que cobra impostos mais baixos e presta melhores serviços
públicos em acessibilidade e qualidade;
iv. Justiça social, com redução urgente da pobreza, especialmente dos trabalhadores
e pensionistas;
v. Uma população qualificada, saudável, solidária, tolerante, com emprego de quali-
dade e que se regenera;
vi. Mais liberdade, igualdade de oportunidades e mobilidade social;
vii. Uma governação íntegra e confiável, instituições credíveis e uma sociedade civil
forte;
viii. Um país sustentável ambiental, social, económica e financeiramente.
Esta Ambição materializa-se nos seguintes principais Objetivos Estratégicos
do programa económico da AD:
1. MAIOR PRODUTIVIDADE E CRESCIMENTO: Crescimento do PIB acima
de 3% em 2029 (alicerçado no crescimento da produtividade);
207
2. MAIS EMPREGO: Desemprego estrutural próximo de 5% em 2029;
3. AUMENTO DOS SALÁRIOS: Aumento dos salários médios e do salário mínimo, so-
mando à inflação os ganhos de produtividade (salário mínimo de cerca de 1.100 euros
em 2029, e evolução do salário médio para 2.200 euros);
4. REDUÇÃO GRADUAL DA CARGA FISCAL (em 1 ponto percentual, de 37,4% do PIB
em 2024 para cerca de 36,4% em 2029), com manutenção do EQUILÍBRIO ORÇA-
MENTAL, assumindo assim a CONTENÇÃO DA DESPESA PÚBLICA (peso da despe-
sa corrente primária no PIB desce de 37,3%, para um valor em torno dos 36,5%, e o
peso da despesa total de 42,9% para um valor próximo de 42% no final da década), e
a REDUÇÃO CORRESPONDENTE DA DÍVIDA PÚBLICA que ficará em torno de 75%
do PIB em 2029.
208
II. POR QUE FOI PRECISO MUDAR?
O PAÍS ESTAVA ESTAGNADO
E NO CAMINHO ERRADO
1. DIAGNÓSTICO CRÍTICO DE UM PAÍS
ESTAGNADO
Em 2024, quando chegámos ao governo, após 8 anos de governação do Partido Socialis-
ta, que totalizou 22 dos últimos 29 anos, a realidade portuguesa era dura e preocupante:
• Economia estagnada, com baixíssimo crescimento económico nas duas décadas
passadas (média anual de 0,8% desde 2000), e na próxima década e meia, segundo
projeções credíveis para os próximos anos;
• Tinha crescido muito o número de trabalhadores que auferem o salário mínimo na-
cional, para cerca de 840 mil, e diminuiu o diferencial para os ganhos médio e me-
diano, que não acompanharam a evolução do valor mínimo legalmente fixado. Cerca
de dois terços dos jovens têm um rendimento mensal inferior a mil euros;
• A pobreza atingia níveis inadmissíveis, tendo a taxa de risco de pobreza aumentado
em 2022, com uma taxa antes de prestações sociais superior a 41% da população,
maior do que a registada no início do século;
• Tinha-se agravado os vários indicadores de desigualdade do rendimento nos últi-
mos cinco anos;
• A emigração jovem qualificada atingia níveis brutais, estimando-se que cerca de
30% dos jovens nascidos em Portugal vivam fora do país; esta é a taxa de emigra-
ção mais elevada da Europa e uma das maiores do mundo. Os que não emigram
enfrentam um desemprego jovem que ultrapassou os 20% no final de 2023 e são,
em média, os que na Europa mais tarde saem de casa dos seus pais;
• A carga fiscal atingia o valor máximo de sempre, tendo batido recordes ano
após ano, nos últimos oito anos (de cerca de 37% do PIB em 2015 para 38,5%
em 2022). O esforço fiscal dos portugueses (que mede a carga fiscal de
cada país ajustada pelo nível de vida dos seus cidadãos) é o 4.º mais ele-
vado da Europa;
209
• A essa carga fiscal recorde tinha como contrapartida um Estado em séria falência
operacional, com gravíssimos problemas nos serviços públicos mais críticos, da saú-
de à educação, da justiça à segurança, da habitação aos serviços de atendimento
ao público;
• Na Saúde, o número de utentes sem médico de família tinha passado de cerca de 1
milhão para 1,7 milhões de pessoas, aumentaram as listas de espera para consultas
e cirurgias e os tempos de espera tornaram-se ainda mais indignos; as urgências
e serviços de maternidade funcionavam em intermitência. Em sinal de desistência
(possível para quem tem recursos) já cerca de 5 milhões de portugueses tinham uma
segunda cobertura (seguro de saúde privada, ADSE ou outros sistemas), paga em
acréscimo aos impostos que suportam para financiar o SNS;
• Na Educação, o desempenho dos alunos portugueses tinha caído dramaticamente
desde 2018, em todas as avaliações internacionais, em todas as dimensões (portu-
guês, matemática e ciências). Nas escolas acumulavam-se os alunos sem aulas, e
os professores estavam esgotados e em conflito com o Governo. Em sinal de desis-
tência (possível para quem tem recursos) já cerca de 25% dos estudantes do ensino
secundário frequentavam escolas privadas;
• Os preços das casas aumentaram muito mais do que os rendimentos das famílias.
Desde 2016 até ao final de 2022, os preços da habitação subiram 89% ao passo que
o rendimento nominal per capita aumentou 33,8%;
• A produtividade estava praticamente estagnada, tendo crescido a uma taxa média
anual de 0,7% entre 2000 e 2022;
• Persistiam baixos níveis de investimento e poupança. A formação bruta de capital
fixo em percentagem do PIB era em 2023 muito inferior aos valores do início do sé-
culo (20% vs 27%) e a taxa de poupança das famílias atingia os níveis mais baixos de
que há memória.
2. O QUE MUDOU EM 11 MESES
Perante o diagnóstico da baixa produtividade e competitividade da economia Por-
tuguesa, o programa da AD de 2024 desenhou um ambicioso programa económi-
co de reformas estruturais. Foi com base nesse programa que governámos estes
11 meses, iniciando um processo de mudança.
Iniciámos a redução da carga fiscal sobre as famílias (com uma redução do
IRS em torno de 1.800 milhões euros) e sobre as empresas (com uma re-
dução do IRC de 21% para 20%, que gostaríamos que tivesse sido mais
210
ambiciosa, mas que as circunstâncias políticas não permitiram). Também lançamos uma
forte Agenda para a Simplificação Fiscal, reduzindo o custo burocrático do cumprimen-
to das obrigações fiscais. Preparamos uma reforma significativa para a simplificação e
racionalização das taxas na Administração Central, bem como de medidas de melhoria
e simplificação da Justiça Tributária.
Lançámos o Programa “Acelerar a Economia”, com 60 medidas para a Economia Por-
tuguesa, nas vertentes de Escala, Consolidação e Capitalização; Financiamento; Em-
preendedorismo, Inovação e Talento; Sustentabilidade; Clusterização.
Entre as principais medidas fiscais salientamos, além da redução do IRC (acompanhada
da implementação do “Pilar 2” – tributação mínima de 15% dos grupos económicos), me-
didas fiscais como: Criação do regime de Grupos de IVA; Alargamento do regime de IVA
de caixa; Alargamento da isenção de imposto de selo nas operações de gestão centrali-
zada de tesouraria; Aumento da dedutibilidade dos gastos de financiamento incorridos
em operações de concentração; Dedução fiscal para mais -valias e dividendos obtidos
por pessoas singulares na capitalização de empresas, entre outras.
Adicionalmente, o Programa “Acelerar a Economia”, entre outras, aprovou: Reforço dos
incentivos financeiros para “Small MidCaps (e revisão do conceito); Reforço da contra-
tação de doutorados e medidas de apoio ao I&D e Inovação; Revisão e reforço de linhas
de apoio ao Turismo.
Reestruturámos e reforçámos o Banco Português de Fomento, aumentando a sua capa-
cidade de financiamento e capitalização, apoiando cada vez mais empresas, nomeada-
mente com garantias e linhas de financiamento em condições mais vantajosas. Também
operacionalizamos a linha de partilha de risco para as PME, através do InvestEU.
Fruto da capacidade reformista, do reforço do papel da AICEP e da pro-atividade do
governo, Portugal conseguiu, neste último ano, atrair alguns grandes projetos de IDE,
como a Lufhtansa Theknic, a fábrica de baterias para veículos elétricos CALB e o novo
veículo elétrico da AutoEuropa. A AICEP contratualizou em 2024 cerca de 420 mi-
lhões de IDE, o que compara com valores muito baixos nos anos anteriores (cerca de
12 milhões de euros em 2022 e 41 milhões de euros em 2023). Os projetos industriais
de grande escala são fundamentais para alavancar a economia Portuguesa, criar
massa crítica em diversos setores económicos, subindo na cadeia de valor e di-
versificando a economia nacional, com o desenvolvimento de novos clusters.
No âmbito dos rendimentos, celebrámos um novo acordo na Concertação
Social, com o aumento do salário mínimo de 1.020€ em 2028, objetivo para
o salário médio, bem como mudanças nos regimes legais, fiscais e labo-
rais.
211
Na Administração Pública iniciamos a reforma do “Centro de Governo”, com sinergias e
melhoria da eficiência no setor público, bem como a Reforma das Finanças Públicas e
da Gestão Financeira do Estado, fundamentais para melhorar a eficiência da despesa
pública, criando margem para maiores reduções de impostos.
Nestes 11 meses de governação iniciámos um Programa Económico de Reformas Estru-
turais geradoras de uma Mudança Ambiciosa e Realista da Economia Portuguesa.
3. CAMINHO ERRADO, ESCOLHAS
E ATITUDES QUE NOS DIFERENCIAM
A AD diferencia-se do Partido Socialista pela sua Ambição para Portugal, pelo seu pro-
grama de reformas económicas, mas também pela sua capacidade de dar resposta
efetiva aos anseios dos portugueses através do foco em executar políticas públicas de
qualidade e com base em evidência.
A AD já rejeitava há um ano e continua a rejeitar várias visões e atitudes do atual Parti-
do Socialista designadamente:
i. A escolha de uma carga fiscal em máximos históricos e a recusa em baixar os impos-
tos, designadamente sobre o trabalho e investimento, como proposto pela AD;
ii. A estratégia económica centralista, estatista e planificadora, assente na seleção
pelo Governo dos setores económicos e empresas que devem ser privilegiados em
termos de financiamento, de recursos públicos, e de tratamento pelo Estado. Esta vi-
são despreza a liberdade económica e a iniciativa privada e acredita que uma mirífica
sobrecapacidade do governante planificador é muito superior à riqueza informativa,
aos incentivos à inovação, e à melhoria gerados pela atuação livre e descentralizada
de milhões de agentes económicos, produtores e consumidores. O reconhecimento
da existência de recursos escassos não implica que o papel de determinar a sua
alocação seja transferido das empresas e da interação livre e descentralizada dos
agentes económicos para o político ou burocrata centralista do momento. Não
está em causa questionar o importante e desejável papel do Estado na correção
de falhas de mercado, na provisão de bens públicos, ou nas necessárias fun-
ções de redistribuição ou estabilização macroeconómica. Está em causa um
otimismo ilimitado, como o do líder do Partido Socialista, que se traduz na
presunção de que é a mais capaz e apto a escolher como os produtores e
consumidores alocam os seus recursos, inovam ou investem;
212
iii. A fixação ideológica na propriedade e gestão estatal, em vez de colocar o foco no
nível de provisão e acessibilidade geral dos bens, serviços e recursos financeiros. Esta
fixação coarta a liberdade de iniciativa privada e social e, sobretudo, prejudica as
pessoas. Em áreas tão críticas como a saúde, educação e habitação, a recente go-
vernação e as palavras do atual líder socialista mostram como o que conta é a ges-
tão ser pública, e não se a oferta existe e é acessível a tempo e com qualidade. A AD
acredita numa economia social de mercado, com coexistência e complementaridade
entre as ofertas pública, privada e social. A AD afirma o SNS e a escola pública como
pilares centrais e insubstituíveis do Sistema Nacional de Saúde e do Sistema de Edu-
cação em Portugal, e a habitação pública como uma prioridade. Porém, considera
que o fundamental é garantir a provisão do serviço: a saúde para doentes e saudá-
veis, a educação para os alunos, e a casa para quem quer cá residir. Para colocarmos
as pessoas no centro das políticas públicas é necessário mobilizar a produção dos
três setores, numa complementaridade que maximiza o serviço às pessoas, em vez
da cegueira ideológica que restringe a oferta acessível por todos, especialmente os
mais pobres;
iv. A intenção de redistribuir não acompanhada de igual preocupação com a criação
significativa da riqueza que a possa suportar. A diferente visão para os salários é
exemplificativa. O Partido Socialista foca-se apenas no salário mínimo, aceitando a
compressão do diferencial para o salário médio e a pobreza entre os trabalhadores, e
enuncia como objetivo e métrica maior de longo prazo aumentar o peso relativo dos
salários no PIB (qualquer que ele seja). O foco da AD é em aumentar os rendimentos
de todos, incluindo os mais baixos do trabalho e os dos pensionistas, mas igual, e
paralelamente, os da classe média. A AD quer que a fatia dos salários cresça, não ne-
cessariamente por redução da fatia do rendimento de capital, mas por aumento do
tamanho total do bolo em que ambos participam. Esta é a única forma sustentável
de garantir mais rendimento para todos;
v. O desprezo pela cultura do mérito, da exigência, do esforço e do trabalho. Da edu-
cação à fiscalidade, do trabalho aos Fundos Europeus, multiplicam-se os exemplos
dos desincentivos à exigência, ao reconhecimento e valorização do mérito, e à
cultura de avaliação. Multiplicam-se também os sinais de quem prefere nivelar
por baixo: a tributação do rendimento do trabalho, que castiga quem transfor-
ma qualificações em mais produção, e a que incide sobre as empresas, que
penaliza os ganhos de escala e de resultados; a abolição de avaliações na
educação; a eliminação das modalidades de oferta pública de saúde que,
comprovadamente, atingiram melhores resultados em termos financeiros
e de prestação de serviço. Justiça social implica garantir igualdade de
oportunidades, mas também reconhecer o esforço, o trabalho, o risco e
a inovação;
213
vi. A cultura de informalidade e o enfraquecimento das instituições e regras que ga-
rantem a transparência e racionalidade das decisões e a igualdade perante a lei. Seja
por perpetuação no poder, seja por características próprias, a experiência do líder do
Partido Socialista está marcada por exemplos dessa cultura de informalidade, desig-
nadamente em despachos sobre investimentos estruturantes logo desautorizados,
ou em autorizações de indemnizações e contratos de gestores públicos à margem da
lei, fora dos canais formais e sem a avaliação técnica adequada. Na mesma linha de
informalidade e falta de transparência, os vários governos do Partido Socialista re-
petiram intervenções ocultadas e interferências pouco consentâneas com a impar-
cialidade no âmbito de relações entre acionistas privados, fazendo, designadamente
(ou ameaçando fazer) leis à medida de certos investidores ou tomando posições so-
cietárias em violação das exigências legais de procedimento e transparência;
vii. A captura para o Estado da maior parte dos Fundos Europeus, designadamente o
PRR, desviando-os das empresas que são mais capazes de gerar valor acrescentado.
Os governos socialistas têm usado os Fundos Europeus para disfarçar os cortes no
investimento público e para financiar despesa corrente do Estado;
viii. O enfraquecimento da independência dos reguladores económicos e outras insti-
tuições críticas, promovendo a substituição de dirigentes efetivamente autónomos,
a ocupação de cargos diretivos por membros ou aliados partidários, e condiciona-
mento financeiro ou por via operacional, usando cativações, limitações financeiras
e na gestão de recursos humanos. As nomeações para Banco de Portugal e ERSE, a
não recondução do Presidente do Tribunal de Contas e da Procuradora-Geral da Re-
pública, e as cativações generalizadas que debilitaram reguladores, como a CMVM,
são exemplos notórios;
ix. A instrumentalização dos recursos públicos ao serviço do poder partidário, que se
verificam desde as utilizações de meios públicos até aos negócios e nacionalizações
ruinosas em nome de um certo projeto ideológico ou de negociações interpartidá-
rias, como se verificou nas nacionalizações da TAP e da EFACEC, das aquisições
clandestinas de capital dos CTT, ou da extinção de PPP na saúde;
x. O paternalismo económico dos governantes, que apostam em benefícios e nor-
mas fiscais, incluindo em IRC, ou regulatórias, para tentar microgerir as em-
presas e a sua atividade, convictos de serem os mais capazes para definir
como realizar maior valor social em cada setor económico, e aparentemente
desconhecedores de que a realidade, inovação e dinâmica económica vai
sempre tentar ultrapassar barreiras ineficientes, mas de modos menos
transparentes e justos;
214
xi. O desrespeito pela proteção da confiança dos investidores, especialmente dos es-
trangeiros, que observam governos e dirigentes socialistas que, depois de ameaça-
rem explicitamente não pagar dívidas assumidas pelo Estado, agora multiplicam ini-
ciativas legislativas e anúncios que rompem unilateral e até retroativamente com
compromissos e regimes do Estado português, como se verificou com as licenças
de alojamento local, autorizações de residência para investimento, regras tributá-
rias como as para residentes não habituais. E do mesmo modo com o lançamento
de tributações “extraordinárias” e ameaças de retaliação individualizada pelo poder
público (por exemplo, quando um Secretário de Estado foi encarregue de filtrar po-
liticamente pagamentos de faturas emitidas por serviços comerciais prestados ao
setor público por certa empresa que anunciou a sua política de preços);
xii. A desistência de estancar e reverter a queda do stock de capital público que foi cau-
sada pela escolha de utilizar o investimento público como variável central do ajus-
tamento orçamental, materializada em anos de cativações, cortes e sub-execução
das promessas orçamentais. Estas escolhas deixaram os serviços, equipamentos e o
património do Estado em degradação, o que compromete a missão dos seus profis-
sionais e o serviço aos cidadãos.
215
III. PROGRAMA DE REFORMAS
ECONÓMICAS DA AD
Há um ano propusemos uma agenda transformadora da economia, que pretendemos
continuar e reforçar. A política económica da AD foi substancialmente diferente da se-
guida nestes 25 anos.
Portugal tem potencial e vantagens competitivas: de localização geoestratégica, se-
gurança, relativa coesão social, língua, integração europeia, posição nas relações inter-
nacionais (incluindo laços lusófonos e transatlânticos), estabilidade e credibilidade na
gestão financeira pública recuperada a partir de 2011, capacidade empresarial insta-
lada em muitos setores, capacidade formativa e de inovação de grande qualidade em
algumas áreas, alguns recursos naturais e culturais com elevado potencial, recursos hu-
manos muito competitivos em contexto adequado, e dimensão e centralidade territorial
marítima.
Infelizmente, a história deste século e, em particular, destes últimos 8 anos de gover-
nação socialista, é de uma oportunidade perdida. Desde logo, por um lamentável des-
perdício daquele potencial e vantagens competitivas. Depois, por uma incapacidade
de, além da propaganda, aproveitar as oportunidades trazidas por fenómenos globais
de relocalização das cadeias de produção (nearshoring), transição energética e digital,
bem como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e os restantes Fundos Europeus.
Portugal pode e deve adotar as medidas reformistas necessárias para atingir outros
patamares de crescimento e prosperidade e, por outro lado, para ficar muito mais bem
preparado do que em crises anteriores para suportar choques económicos externos, de
modo a proteger todos e, sobretudo, os mais vulneráveis, reforçando a resiliência da
economia e do sistema de proteção social.
Não podemos regredir, quando há um ano iniciámos a adoção de um programa
económico que promove mudanças profundas e adota políticas públicas refor-
mistas e realistas.
A Visão da AD coloca o foco na criação de riqueza de forma sustentável,
que seja geradora de melhores empregos e salários, com menor carga fis-
cal, menor peso do Estado, e com melhores prestações sociais e serviços
públicos, diminuindo desigualdades e fomentando a mobilidade social.
216
Esta Visão é sustentada nas seguintes 10 ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS:
1. Ampliar as condições de efetiva liberdade económica, para alcançar uma econo-
mia mais flexível, mais concorrencial, com menos impostos e menores distorções. As
restrições à liberdade económica e incentivos específicos são aceitáveis desde que
adequadamente justificadas com base na análise de externalidades e outras fontes
geradoras de falhas de mercado;
2. Aumento da produtividade assente na melhoria contínua do capital humano, como
condição da melhoria da competitividade da economia portuguesa e do seu cresci-
mento sustentável;
3. Assegurar níveis de proteção social robustos, principalmente para os mais desfavo-
recidos, e com incentivos adequados;
4. Garantir os mecanismos de mobilidade social, assegurando a igualdade de oportu-
nidades assente na efetiva igualdade no acesso a Educação de qualidade;
5. Criação de condições para atração de investimento privado (nacional e estrangeiro
em setores reprodutivos) e para o aumento das exportações de maior valor acres-
centado;
6. Garantir a prioridade da sustentabilidade ambiental, social, económica e financei-
ra de uma economia que participa nas transições ambiental, energética e digital;
7. Assegurar que a economia portuguesa caminha para a fronteira da inovação e da
criação de riqueza;
8. Perspetivar uma economia social de mercado, que aceita a complementaridade en-
tre ofertas pública, privada e social, sem promover substituições forçadas, e acau-
telando falhas, quer de mercado, quer de intervenção pública, de modo a maximizar
os retornos em termos de bem-estar social, incluindo pelo efetivo acesso à saúde,
incluindo saúde mental;
9. Gestão de recursos pelo Estado de forma eficiente e olhando a incentivos, des-
burocratizado, descentralizado e com responsabilização dos seus agentes, co-
locando o foco nas pessoas que são servidas e na acessibilidade e qualidade
dos serviços que lhes são prestados, e não no aparelho que as serve ou no
modo concreto de provisão;
10. Responsabilidade e sustentabilidade orçamental, assente numa consoli-
dação orçamental estrutural (ao contrário do que foi feito entre 2015 e
2019 e entre 2022 e 2024, que foi meramente conjuntural) que permita
melhores serviços públicos financiados por menos impostos e uma ges-
tão prudente da dívida pública.
217
A Ambição, a Visão e as Orientações Estratégicas da AD materializam-se num Progra-
ma Económico de reformas estruturais da AD que se divide em 4 dimensões:
1. Reduzir impostos sobre o trabalho e o investimento;
2. Apostar na iniciativa privada e na produtividade;
3. Melhor Estado e combate à corrupção;
4. Uma economia de futuro.
218
1. MENOS IMPOSTOS
SOBRE AS FAMÍLIAS
E SOBRE O INVESTIMENTO
1.1. REFORMA PARA BAIXAR A CARGA FISCAL
EM IRS E IRC E DAR PREVISIBILIDADE
E ESTABILIDADE FISCAL
A anterior governação do PS agravou-se nos últimos anos uma política de forte tri-
butação dos rendimentos do trabalho, consagrando um nível de progressividade muito
significativo por esta via, a que corresponde uma desconsideração pelo esforço indi-
vidual e pelo investimento em educação realizado, num contexto em que os níveis de
rendimento sujeitos a brutais taxas de imposto são irrisórios quando comparados com
os dos países europeus mais desenvolvidos, que concorrem pela atração dos nossos tra-
balhadores mais qualificados. O investimento (e a poupança) são também fortemente
penalizados fiscalmente, afastando o sistema fiscal português de princípios elementa-
res de tributação.
Apesar da agenda para a simplificação fiscal, lançada em janeiro deste ano, o sistema
fiscal português apresenta uma complexidade e instabilidade extrema, fruto de um
processo de acumulação, ao longo dos anos, de camadas de ajustamentos, alterações
e exceções. Por outro lado, ainda existe uma teia de obrigações declarativas, cujo cum-
primento requer um grande consumo de recursos materiais e humanos e que, em muitos
casos, não serve sequer o propósito de estimular o cumprimento voluntário e de auxiliar
a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), no cruzamento de informação e na sua ação
inspetiva.
O Sistema Fiscal português, apesar dos avanços neste último ano, promove, as-
sim, um enorme desperdício de recursos produtivos, pela exacerbação dos custos
de cumprimento, pelas oportunidades de erosão da base fiscal que proporcio-
na, e por via dos enormes custos administrativos e de controlo que requer. Em
conjunto com a desconsideração de princípios elementares de tributação, tal
resulta em significativas distorções na afetação de recursos na economia,
resultantes de alterações ineficientes nas decisões de trabalhar, de poupar,
de investir e de expandir a atividade.
219
Fruto deste desempenho, o sistema fiscal português é, hoje, considerado o quarto pior
em termos de competitividade entre os estados-membros da OCDE no 2023 Interna-
tional Tax Competitiveness Index elaborado pela Tax Foundation. Entre os 38 países da
OCDE, Portugal ocupa a 35ª posição na ordenação global, a 37ª e penúltima posição no
ranking da tributação das empresas e a 26ª posição na tributação dos indivíduos.
A Reforma Fiscal proposta pela AD pretende alterar este status quo e, em consonância
com o objetivo de gestão mais eficiente da despesa pública, tem como objetivos cen-
trais: (a) a redução gradual e sustentável da carga fiscal, centrada no IRS e no IRC (b)
simplificação e redução dos custos de cumprimento das obrigações fiscais, (c) dimi-
nuição e racionalização da despesa fiscal (benefícios fiscais), (d) reforço da estabilida-
de e previsibilidade tributária (e) agilização da justiça tributária, (f) aperfeiçoamento
da administração tributária na sua organização e equilíbrio na relação com os contri-
buintes.
a. A redução da carga fiscal é uma prioridade assumida, devendo ser implementada
de modo gradual e sustentável. O esforço de redução de impostos será concen-
trado no IRS, especialmente sobre o trabalho, pensões e poupança e no IRC, espe-
cialmente sobre o investimento. Além do efeito da redução fiscal na aceleração do
crescimento económico (que, por um princípio de prudência, não deve ser sobrevalo-
rizado), a sustentabilidade orçamental desta redução de impostos é reforçada pela
racionalização dos benefícios fiscais dispersos, numa ótica de ampliação das bases
tributárias. Assim, incluem-se nesta orientação as seguintes medidas:
• Redução do IRS até ao 8.º escalão, de 2 mil milhões de euros até 2029, com uma
redução de 500 milhões já em 2025 (adicional ao OE 2025);
• Aperfeiçoar, com realismo e justiça social, a progressividade e coerência do IRS,
designadamente através de:
• Revisão dos limiares dos escalões de IRS de forma a garantir que os mesmos se
encontram adaptados à realidade da economia portuguesa;
• Introdução de uma noção sintética e abrangente de rendimento sujeito a IRS,
que corrija as injustiças e sub-tributações resultantes da atual definição limi-
tativa de rendimentos sujeitos a IRS, que permita um maior desagravamen-
to das taxas marginais;
• Criação de um imposto negativo para beneficiar as famílias de menores
rendimentos, consagrado num designado Suplemento Remunerativo
Solidário (ver Reforma dos Apoios Sociais), em plena articulação com
o mínimo de existência do IRS, e financiado pela consolidação nesta
prestação da miríade de apoios sociais dispersos.
220
• Criação de contas-poupança isenta de impostos, adotando um regime em que
certo nível de contribuições dos trabalhadores e das suas entidades empregado-
ras sejam livres de IRS, salvo se e quando forem distribuídas, pagas ou, de qualquer
forma, apropriadas pelos respetivos titulares. Tal passa pela introdução de contas
poupança com possibilidade de acesso a grande diversidade de instrumentos, com
eventuais limites à entrada, inspirada no modelo de ISA accounts no Reino Unido ou
nas contas 401K nos Estados Unidos. As contribuições e reinvestimentos destes pro-
veitos não são tributados, incluindo se forem utilizados para amortização de crédito
à habitação que onere a casa de morada de família. Poderá ponderar-se tratamento
semelhante aos rendimentos prediais e de capitais (aplicando-se, assim, o princípio
de que, se reinvestidos, continuam a não ser tributados);
• Redução das taxas de IRC, de forma gradual até aos 17% no final da legislatura, com
uma redução até aos 15% no caso das PME nos primeiros 50 mil euros de lucro tribu-
tável.
Por outro lado, verifica-se que a imposição de estruturas progressivas de taxas está
associada a fenómenos de fragmentação do lucro por estruturas multi-societárias,
com impactos na escala dos negócios e na dimensão das empresas. A derrama mu-
nicipal e a sua distribuição por município têm escassa eficácia e produzem efeitos
perniciosos na eficiência e transparência. Deve, assim, caminhar-se no sentido de
eliminar, de forma gradual, a progressividade da derrama estadual, e de eliminar a
derrama municipal em sede de IRC;
• Concluir a revisão do regime geral das taxas que possa disciplinar e reduzir a cria-
ção de taxas pelas várias entidades das administrações públicas (segundo alguns
cálculos serão cerca de 4.300 as taxas atualmente existentes);
• Fixar as diretrizes para uma política fiscal internacional ajustada às opções de polí-
tica fiscal de Portugal, em especial no que diz respeito à renegociação dos tratados
para eliminar a dupla tributação mais relevantes e à celebração de novos convénios
para eliminar a dupla tributação com parceiros-chave (por exemplo, Austrália, Sin-
gapura, Nova Zelândia).
b. Prosseguir a Agenda para a simplificação e redução dos custos de cumprimen-
to das obrigações declarativas, passando pela simplificação e racionalização
das plataformas informáticas ao serviço da AT, em especial, as interfaces
existentes no “Portal das Finanças”, a racionalização e redução da atitu-
de litigante da AT, a promoção do cumprimento voluntário das obrigações
fiscais e a implementação de estratégias dirigidas a estimular a colabo-
ração entre a AT e os contribuintes, sejam estes pessoas individuais ou
coletivas;
221
c. Forte Simplificação fiscal, eliminando exceções, regimes especiais e incentivos fis-
cais dispersos (em particular os que dependem de condições não observáveis ou
inverificáveis) em todos os códigos tributários, reduzindo assim a ineficiência e com-
plexidade, diminuindo também os custos de cumprimento das obrigações fiscais pe-
los agentes económicos, e melhorando a justiça redistributiva;
d. Reforço da Estabilidade tributária (para impedir uma mini reforma fiscal a cada or-
çamento) e garantir a previsibilidade no pagamento de impostos;
e. Reformular a justiça tributária, com o intuito de reduzir drasticamente a litigância e
as pendências judiciais em matéria tributária. Em acréscimo às medidas já apresen-
tadas no Programa Social e de Governação, com o intuito de reforçar em recursos
humanos e meios a eficiência dos tribunais administrativos e fiscais, propõe-se estu-
dar e considerar em particular:
• Aumentar a eficiência dos tribunais tributários, em termos humanos e materiais, de
forma a reduzir as pendências judiciais em matéria tributária;
• A instalação de duas grandes câmaras tributárias para a decisão de processos de
valor igual ou superior a 1 milhão de euros, dotando estes tribunais dos meios huma-
nos e materiais necessários a uma boa e atempada decisão destas causas;
• Numa primeira fase, aumentar o limiar de vinculação da arbitragem tributária, bem
como um levantamento dos entraves processuais ao recurso à arbitragem fiscal;
• Ponderar a criação de formas de processo simplificadas para a resolução de casos
de menor valor;
• Reforçar a celeridade e a eficácia dos pedidos de informação vinculativa, em parti-
cular os urgentes, eliminando a necessidade de justificar o caráter de urgência, bem
como a possibilidade de escusa absoluta da AT em que estes pedidos tramitem sob
a forma urgente.
f. Reforma da AT, para reforçar equilíbrio da relação com os contribuintes, a ade-
quação dos sistemas de incentivos atuais (que poderão contribuir para a litigân-
cia), a articulação com a administração da segurança social, e o estímulo ao
cumprimento voluntário:
• Reforçar o combate à fraude e evasão fiscais, assegurando, ao mesmo tem-
po, maiores níveis de equidade fiscal e garantindo sempre os direitos dos
contribuintes. Funcionalizar a utilização das tecnologias mais avançadas
na gestão, em particular inteligência artificial, de um programa de com-
bate à fraude e evasão fiscais, sem comprometer as garantias constitu-
cionais dos contribuintes;
222
• Implementação de um sistema de controlo do cumprimento tempestivo das decisões
judiciais por parte da AT e de devolução célere dos impostos pagos que tenham sido
anulados por decisões administrativas ou judiciais, e divulgação/ publicação de for-
ma autonomizada dos valores pagos anualmente em juros de mora agravados.
1.2. REFORMA DOS APOIOS SOCIAIS
E DA GESTÃO DA SEGURANÇA SOCIAL
É objetivo da AD caminharmos para um sistema de Segurança Social que seja uma for-
te rede de segurança, caracterizada por clareza, previsibilidade e sustentabilidade em
relação às contribuições e aos benefícios, que não perpetue a pobreza, nem represente
um desincentivo ao trabalho e à valorização profissional, nem impeça ou limite o enve-
lhecimento ativo, com estabilidade e em segurança.
Relativamente ao sistema de pensões, cuja sustentabilidade tem sido questionada, im-
porta evitar a recorrência de debates públicos baseados em mistificações e promover
uma discussão esclarecida e serena, num contexto de estabilidade e previsibilidade
das regras, contribuições e benefícios, durante a atual legislatura.
A AD assume que as alterações estruturais demográficas na população portuguesa (en-
velhecimento, prolongamento da esperança de vida, baixa natalidade, alongamento do
ensino obrigatório e aumento da frequência do ensino superior) e na economia e ativida-
de produtiva colocam sérios desafios ao sistema de pensões, que o país deve enfrentar.
É necessária, porém, a existência de condições de debate e discussão racional, pelo que
há um ano a AD assumiu que a legislatura iniciada em 2024 seria dedicada ao Estudo,
com Análise e Discussão dos Desafios e Respostas para a Segurança Social, o qual deve
ser o mais amplo possível, participado pela sociedade e por personalidades e institui-
ções independentes, sereno, baseado em factos, e dirigido à construção de soluções
que funcionem, preservem a sustentabilidade num quadro de equidade-intergeracio-
nal. O Estudo, com análise e eventual proposta de caminhos e soluções, deve permitir
a sua adoção e implementação na legislatura seguinte.
Durante a presente legislativa, a AD considera crítico, por não poder esperar, que
a Segurança social dê uma resposta mais efetiva às situações economicamen-
te mais frágeis, contribuindo decisivamente para retirar os portugueses com
menores rendimentos da pobreza, tanto reformados como trabalhadores. Por
isso, a AD propõe continuar o reforço do Complemento Solidário para Idosos
iniciado em 2024 e a criação do Suplemento Remunerativo Solidário.
223
O NOVO SUPLEMENTO REMUNERATIVO SOLIDÁRIO
PARA COMBATER A POBREZA ENTRE TRABALHADORES
O sistema de Proteção Social deve estar focado em proporcionar uma efetiva pro-
teção a quem está mais vulnerável, promovendo o seu emprego e a sua valorização
profissional. Existe em Portugal uma armadilha de pobreza. A multiplicidade de compo-
nentes do regime de segurança social e dos Apoios sociais, e a complexidade das suas
regras, dificulta o seu acesso ao cidadão mais vulnerável, e a previsibilidade do apoio
público quando esta é mais necessária.
As regras de retirada dos apoios sociais ignoram os riscos inerentes à entrada no mer-
cado de trabalho, colocando o trabalhador no dilema de participar no mercado e per-
der apoios sociais, ou manter-se na inatividade. Este impacto pernicioso na participa-
ção no mercado e na valorização profissional tem de ser corrigido com vista a incentivar
o trabalho e a assegurar a justiça social. Por princípio, quem participa no mercado de
trabalho não deve ter rendimentos inferiores ao apoio público que teria se tivesse ficado
inativo.
Hoje, quem tenha rendimentos baixos vê-lhe retirados diversos apoios sociais de forma
repentina, caso ultrapasse em um euro determinados níveis de rendimento. Tal sucede
porque os valores de inúmeros apoios sociais são indexados a escalões de rendimentos,
por vezes definidos de forma ligeiramente diferente.
Na transição entre escalões ocorre uma substancial perda de apoios, ou até mesmo a
sua retirada total, o que resulta numa barreira efetiva a que estes trabalhadores pro-
curem aumentar os seus rendimentos do trabalho ou se valorizem profissionalmente.
São retirados sem exceções nem contemplações abonos de família, a ação social es-
colar, a isenção de taxas moderadoras na saúde, a tarifa social de eletricidade, a tarifa
social de gás, a isenção de pagamento (ou a passagem para outro escalão) em escolas
em regime de IPSS (pré-escolar). Torna-se desta forma indesejável ser promovido ou
procurar um emprego melhor.
Dado este problema estrutural que importa resolver, em complemento às medidas
apresentadas no Programa Social e de Governação, a AD continuará a trabalhar
para a criação de um Suplemento Remunerativo Solidário com as seguintes ca-
racterísticas:
• Simplificação do atual sistema pulverizado de apoios sociais através da
sua agregação económica, permitindo que haja um conhecimento efeti-
vo dos apoios sociais atribuídos;
224
• Atribuição a cada agregado familiar:
• o valor das prestações sociais atualmente recebidas pelo agregado familiar;
• sempre que haja um aumento do rendimento do trabalho, um suplemento que
garante que esse aumento do rendimento do trabalho não conduz a uma perda
de rendimento disponível.
Elimina-se desta forma o absurdo sistema de escalões e descontinuidades, resultando
num sistema de subsídio ao trabalho até determinado nível de rendimento, e taxas
marginais de imposto relativamente baixas na fase de eliminação (gradual) do apoio,
que garante um impulso nos rendimentos, que deverá ser crescente com o número de
dependentes, para os trabalhadores que auferem baixos rendimentos, promovendo a
sua integração e permanência no mercado de trabalho e mitigando o risco associado
aos seus rendimentos no contexto do mercado de trabalho.
O REFORÇO DO COMPLEMENTO SOLIDÁRIO PARA IDOSOS
PARA COMBATER A POBREZA EM IDADES MAIS AVANÇADAS
Em 2025, cerca de 1,5 milhões de pensões têm um valor inferior ao salário mínimo, com
uma pensão mínima mensal de cerca de 331,79€. A AD considera não ser possível, sem
mais rendimentos ou património, evitar a pobreza, que neste caso, de idosos com parcas
ou nenhumas possibilidades de encontrar fontes alternativas de rendimento, é particu-
larmente grave e inaceitável. De facto, esta é uma reforma estrutural primordial por re-
conhecer um mínimo de existência a quem não tem alternativa possível de rendimentos.
Assim, a AD compromete-se, tal como apresentado no Programa Social e de Governa-
ção, a reforçar o Complemento Solidário para idosos, numa trajetória que garanta que
os reformados em situações mais vulneráveis recebem um apoio efetivo da Segurança
Social para viverem com dignidade. O reforço do Complemento Solidário para Idosos
tem as seguintes características:
• Define-se uma trajetória de reforço do valor de referência do CSI para que em
2029 todos os reformados reformados em situações de maior fragilidade tenham
um valor de referência garantido de 870€;
• Ajusta-se a condição de recursos de acesso do CSI em linha com a atualiza-
ção do valor de referência.
225
REFORMA DA GESTÃO DA SEGURANÇA SOCIAL
Em paralelo com a evolução de modernização incremental da gestão da segurança so-
cial, preconizada no Programa Social e de Governação, a AD preconiza 4 vetores de
transformações estruturais na gestão da Segurança Social que importa serem desen-
volvidas e implementadas. Nomeadamente:
• Reforma da máquina administrativa da Segurança Social, que necessita de uma
profunda modernização e transformação, de modo a gerir eficientemente todo o
sistema de benefícios sociais, permitindo, por exemplo, a adequada contabilização
de todos os apoios dispersos (incluindo em espécie) e a criação de contas indivi-
duais, que registem todos os movimentos e direitos relativos às medidas relaciona-
das com o mercado de trabalho e aos direitos constituídos em termos de pensão de
reforma. É fundamental um salto tecnológico, nomeadamente nas tarefas de reco-
lha, agregação e tratamento de informação e dados pela Segurança Social;
• No plano organizacional, deve ser ponderada a aproximação ao modelo, sistema de
incentivos e capacidade técnica operacional da Autoridade Tributária, com maior
interconexão entre ambas ou até a sua fusão; neste caso, com segregação interna;
• É necessário melhorar a relação com as Instituições Sociais (IPSS, Misericórdias, Mu-
tualidades, entre outras) e privados com equipamentos sociais, que deve seguir um
modelo contratualizado (em linha com os princípios preconizados nas Reformas do
Estado), com fiscalização eficaz e garantia de provisão dos serviços em condições
dignas e humanizantes;
• Importa melhorar o papel da gestão de ativos, seja preparando a Segurança Social
pública para gerir fundos de capitalização de adesão voluntária, em competição com
o setor privado e mutualista.
226
2. APOSTAR NA INICIATIVA
PRIVADA E NA PRODUTIVIDADE
2.1. MAIS CONCORRÊNCIA, MENOS BUROCRACIA,
MENORES CUSTOS DE CONTEXTO:
Um mercado de bens e serviços mais concorrencial e dinâmico é fundamental para
proporcionar a consumidores e empresas maior qualidade a preços mais baixos. A AD
continuará a pugnar por esta visão, num contexto em que há evidência abundante de
limitações à concorrência e à livre entrada em diversos setores (incluindo profissões),
rendas excessivas e incapacidade dos Reguladores. A complexidade regulatória é vasta,
persistindo uma enorme incerteza na aplicação da regulação e na aprovação de proje-
tos industriais, comerciais, agrícolas ou urbanísticos.
Nos últimos anos, com a governação PS, o ambiente de negócios em Portugal degradou-
-se. Portugal passou de 24ª economia mundial com melhor ambiente de negócios para
as empresas em 2015 para 39ª em 2023 (Doing Business, Banco Mundial). Para inverter
esta degradação é importante que haja uma avaliação regular dos efeitos da legislação
sobre a atividade das empresas, a simplificação da burocracia e o reforço da concorrên-
cia no mercado nacional.
Neste último ano lançámos as bases para as reformas estruturais que alavancam o au-
mento da produtividade e da competitividade, nomeadamente com o programa “Acele-
rar a Economia”. Porém, o trabalho inerente a eliminar barreiras à atividade económica
é um processo permanente ao longo da legislatura, tendo em conta o ponto de partida
francamente complexo no qual a Economia Portuguesa se encontra.
Para este este caminho de redução dos custos de contexto se materializar, são fun-
damentais três eixos de ação: (i) eliminação de barreiras económicas e constrangi-
mentos à atividade económica; (ii) reforço da regulação económica independente;
(iii) libertação de recursos financeiros das empresas que são retidos pelo Estado;
e (iv) promoção da concorrência no setor bancário.
227
MEDIDAS TENDENTES A ELIMINAR BARREIRAS
E CONSTRANGIMENTOS À ATIVIDADE ECONÓMICA
• Proceder ao levantamento e subsequente eliminação ou redução significativa das
barreiras e constrangimentos à atividade económica com o apoio das associações
setoriais. Priorizar setores já identificados como colocando maiores barreiras à en-
trada e à concorrência como sejam os Transportes (incluindo ferrovia), Energia e Co-
municações;
• Continuar a promover a simplificação geral dos processos administrativos e licen-
ciamentos nas diferentes áreas para os cidadãos e empresas. Fazer avaliações re-
gulares da execução dos mecanismos de simplificação de licenciamento existentes
(por exemplo licenciamento urbanístico) e futuros;
• Imposição de “sunset clauses” às regras de licenciamento, ou seja, as regras/exigên-
cias burocráticas expiram no final de determinado prazo ou na ausência de uma cla-
rificação relativa a um processo (necessidade de mapeamento público e claro do
workflow dos processos administrativos e digitalização integral dos processos);
• Aplicação de princípios de “only once”, proibindo entidades públicas de solicitarem
documentos e informações que estão na posse de outras entidades públicas;
• Reforçar a orientação geral de substituição do controlo prévio por fiscalização a
posteriori. Nos regimes de controlo prévio, impor o deferimento tácito como regra
geral, sustentado em termos de responsabilidade dos autores dos projetos, mas sem
prescindir da responsabilização pública pelo silêncio ou omissão de análise;
• Ampliar os incentivos ao “aconselhamento para a aprovação” (em vez da atitude de
“rejeição à partida” por receios de responsabilização por ilegalidade);
• Consagrar o Ponto único de entrada para licenciamentos complexos (em vez de
submissão a múltiplas entidades).
REFORÇO DA REGULAÇÃO ECONÓMICA INDEPENDENTE
(DA CONCORRÊNCIA E SETORIAL):
• Robustecimento da independência das Entidades Reguladoras por:
• Alteração das regras de designação para os órgãos de administração das
entidades reguladoras envolvendo:
• Procedimento concursal internacional, potencialmente prevendo a
nomeação de pelo menos um membro que seja cidadão estran-
geiro não residente em Portugal (à imagem do que já sucede no
CFP);
228
• Designação final pelo Presidente da República, sob proposta do Governo, com
audição prévia na Assembleia da República;
• Requisitos robustos de conflitos de interesse, incluído período de nojo prévio
à nomeação no qual os nomeados não podem ter desempenhado cargos de
eleição ou nomeação política, incluindo em Governo (membros ou gabinetes
de apoio), Parlamento e órgãos de direção dos partidos políticos.
• Garantia da efetiva independência orgânica, funcional, técnica e financeira das
entidades reguladoras, designadamente excluindo condicionamentos políticos
como cativações orçamentais ou interferências nas políticas de recursos huma-
nos;
• Reforço do regime de receitas próprias dos Reguladores e da sua autonomia fi-
nanceira e administrativa;
• Obrigatoriedade de formação dos membros da administração das entidades re-
guladoras em áreas como, por exemplo, a gestão de projetos e comunicação.
• Reforço da prestação de contas (accountability) e da avaliação e monitorização da
atividade das Entidades Reguladoras e análise de Impacto regulatório (AIR), incluin-
do exigência de desenvolvimento de um barómetro de avaliação das entidades re-
guladoras, com indicadores agregados de medidas de independência, transparência,
desempenho e governança; e obrigatoriedade de publicação, na página da internet
de cada entidade reguladora, do plano de atividades, com nível e detalhe e objetivos
que permitam a sua avaliação e do relatório de regulação;
• Garantia de uniformidade e especialização no controlo jurisdicional das entidades
reguladoras, designadamente com:
• Criação de um Regime Único de Contraordenações das Autoridades Regulado-
ras;
• Atribuição de efetivos poderes de intervenção processual a todas as Autoridades
Reguladoras;
• Fortalecimento do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, com
criação de quadros de assessores judiciais e assessores económicos, alarga-
mento da jurisdição, ajustamento das regras de seleção dos respetivos ma-
gistrados judiciais para garantir efetiva especialização e exercício efetivo
de funções, e implementação da base de dados das respetivas sentenças
e decisões.
• Reforço e melhoria do envolvimento das partes interessadas nos procedi-
mentos regulatórios, incluindo sistematização de mecanismos de parti-
cipação e consulta, dever de fundamentação e resposta especificada
229
às participações dos interessados, equalização da representação dos diferentes in-
teresses, e transparência e prevenção da captura regulatória;
• Ampliação de competências e do âmbito de atuação dos reguladores às recentes
exigências da regulação digital, inteligência artificial, cripto-ativos e ESG.
• Evoluir ainda mais (não obstante as medidas recentes aprovadas por pressão euro-
peia) na liberalização do acesso a profissões, impondo o princípio de inexistência de
conflito de interesses nas entidades que regulam o acesso às profissões.
Libertar recursos financeiros das empresas que são retidos pelo Estado:
• Aplicação efetiva, aceleração e automatização da compensação de créditos tribu-
tários;
• Implementar, até ao final da legislatura, no âmbito de toda a Administração Pública,
a Conta-Corrente de empresas com o Estado;
• Continuar a redução (procurando eliminar) os pagamentos em Atraso do Estado às
Empresas Fornecedoras de bens e serviços, implementando modelos de pagamento
compulsório de faturas em certo prazo; ;
• Garantir, até ao final da legislatura, nas entidades públicas pagamento a 30 dias.
Promoção da concorrência no setor bancário:
• Apostar na promoção da Concorrência no Setor bancário, que passa pelo estudo
criterioso e implementação de:
• restrições ao bundling de produtos;
• promoção de acesso a fundos do mercado monetário e a dívida pública de forma
simples, permitindo um acesso mais generalizado a instrumentos muito líquidos e
concorrentes dos depósitos bancários.
230
2.2. FINANCIAMENTO E CRESCIMENTO
EMPRESARIAL
2.2.1. REFORMAS DO FINANCIAMENTO EMPRESARIAL
E REESTRUTURAÇÃO EMPRESARIAL
A participação no euro propiciou condições de financiamento nunca antes verificadas
na economia portuguesa e resultou num significativo aumento do endividamento ban-
cário das empresas. A concentração do financiamento empresarial sob a forma de cré-
dito bancário encerra riscos e não é característica de economias na fronteira da ino-
vação, caracterizadas por empresas com projetos disruptivos, com risco, e em que os
investidores exigem direitos de controlo.
Este paradigma contribui também para a dificuldade de as empresas crescerem, de se
capitalizarem, de atingirem escala, dimensão, de se internacionalizarem, e de exporta-
rem. Em contextos de aumentos de taxas de juro, contribui ainda para maior dificuldade
no acesso a financiamento em todos os estágios de maturidade das empresas. O capital
público não é suficiente para fazer face aos desafios que a economia atravessa, sen-
do necessário mobilizar investidores nacionais e estrangeiros de modo que apostem na
economia portuguesa.
Em primeiro lugar, e em linha com o Reforço dos mecanismos fiscais de capitalização
das empresas, e de algumas medidas já adotados no programa “Acelerar a Economia”, é
preciso continuar a avançar com:
• Maior flexibilidade na aplicação e utilização dos diferentes instrumentos de apoio
à capitalização e à recapitalização. Eliminar/minimizar custos relativos a comissões
taxas, emolumentos, escrituras, etc;
• Aprofundar, no âmbito do trabalho desenvolvido de reestruturação e reforço do
Banco Português do Fomento, o investimento em capital de risco, estudando a
possibilidade de introduzir instrumentos como:
• Linha de coinvestimento para start-ups e capital de risco: Criação de um
fundo para investimento híbridos de capital (títulos convertíveis) disponí-
veis para fundos de capital de risco, aceleradoras, “business angels” e
“corporate ventures” que pretendam reforçar o capital e assegurar uma
almofada financeira para empresas em carteira, muitas vezes impossi-
bilitadas de aceder ao crédito bancário em condições acessíveis;
231
• e/ou a criação de um fundo de fundos, a ser implementado até ao final da le-
gislatura, financiado com fundos do PT 2030, que possa adquirir unidades de
participação em fundos de venture capital, sejam já existentes, sejam novos fun-
dos, desde que demonstrem a capacidade de encontrar financiamento privado.
O Fundo poderá ter por objetivo adquirir Unidades de Participação em fundos
orientados para empresas em fase de scale-up.
• Reforço dos fundos de capitalização das empresas: Reforço/criação de fundos imo-
biliários em conjunto com os bancos e proprietários, de modo que as empresas pos-
sam financiar a sua atividade através da entrega e arrendamento dos seus imóveis,
com um prazo de recompra;
• Negociar com Comissão Europeia a eliminação da restrição das empresas detidas
por capital de risco em serem consideradas como PME. A lógica de grupo, nas em-
presas detidas por capital de risco, deve cingir-se à matéria fiscal das normas anti-
-abuso;
• Eliminação das restrições/obstáculos injustificados ao acesso das empresas ao mer-
cado de capitais, incluindo entrada em bolsa;
• Eliminação das restrições/obstáculos injustificados a formas alternativas e inova-
doras de financiamento (fintech, fundos de reestruturação, modelos de entrada de
capital, quasi-capital etc.) preservando a segurança dos pequenos investidores.
Dada a importância do financiamento bancário nas empresas portuguesas, justifica-se
continuar a reforçar as medidas nesta área:
• Linha de partilha de risco para PME's, garantida pelo Estado Português e pela UE,
através do reforço do programa InvestEU. Esta medida deverá facilitar o acesso das
empresas a financiamento, num montante total de €10,000 milhões em empréstimos
(em linha com o definido no Programa Reforçar recentemente apresentado pelo Go-
verno);
• Garantias de Portefólio para PME’s: Criar uma linha de garantias de portefólio
(em parceria com o BEI) para PME’s sem restrições de elegibilidade quanto à
natureza dos empréstimos. Contrariamente à atual linha, que é intermediada
pela SPGM gerando atrasos nos processos de decisão, o processo de decisão
desta garantia de portefólio seria delegado nos bancos, com elevados gan-
hos de eficiência;
• Cooperação com o Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI), permi-
tindo a renovação e criação de novas parcerias para que as empresas
Portuguesas e o próprio Estado beneficiem de uma maior fatia de re-
232
cursos europeus geridos pelo BEI com condições de financiamento mais favoráveis e
de mais longo prazo.
Continuar a reforçar o papel do Banco Português de Fomento (BPF) como instrumento
fundamental na aplicação de Fundos Europeus e do BEI em Portugal:
• O seu balanço poderá ser reforçado (atendendo a uma análise custo-benefício) para
acorrer a projetos estruturantes e com custos elevados e maturidades longas, onde
o número de investidores interessados e com capacidade de financiamento é mais
limitada;
• O BPF foi por este governo dotado de um modelo de governação sólido, que equi-
librou a necessidade de acomodar prioridades políticas na orientação estratégica,
com total autonomia e independência na implementação dessas prioridades e ca-
pacitação técnica e financeira; é crucial assumir politicamente a necessidade de
um investimento forte nos recursos do BPF; recursos humanos com elevada credi-
bilidade, competência e experiência relevante, e recursos financeiros que garantam
independência e capacidade operacional;
• Ponderar a abertura da estrutura acionista a bancos privados e bancos promocio-
nais europeus, tais como o Grupo BEI, o KfW (Alemanha), o BPI (França), a CDP (Itá-
lia), ou o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa; esta medida aumentará
os recursos disponíveis, induzirá uma dinâmica de escrutínio mais abrangente, trará
maior independência na seleção do conselho de administração do BPF e permitirá
capturar as melhores práticas das experiências internacionais de sucesso.
É evidente a falta de escala das empresas nacionais, para a qual concorrem inúmeras
distorções regulamentares e fiscais. Assim, propõe-se, entre outras, continuar a imple-
mentar e acelerar, as medidas relativas à internacionalização e à atração de IDE (que
por si pode trazer escala à economia nacional):
• Em linha com os princípios de neutralidade fiscal relativos à concentração e fusão
de empresas, eliminação de disposições regulamentares, de acesso a apoios, etc.
que incentivem as empresas a permanecerem pequenas.
2.2.2. REFORMAS PARA INTERNACIONALIZAÇÃO DAS
EMPRESAS E ATRAÇÃO DE INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
Há, em Portugal, cerca de 50 mil empresas exportadoras (num total de 350
mil sociedades), mas pouco mais de 20 mil o fazem regularmente e com um
volume significativo. Para as empresas dos sectores transacionáveis como
a indústria, agricultura ou turismo, é fundamental ganharem dimensão e
233
aumentarem a sua presença em novos mercados e conseguirem integrar-se em cadeias
de valor global, contribuindo para a internacionalização da economia e para o cresci-
mento da produtividade.
A aceleração da internacionalização da economia portuguesa e o crescimento da orien-
tação das exportações das empresas para países com elevado crescimento, diversifi-
cando os mercados e os produtos e serviços transacionados, é chave na aceleração do
crescimento económico. Para que o nível de vida dos portugueses alcance o dos res-
tantes países desenvolvidos é necessário que as exportações atinjam a prazo um nível
similar ao das nações desenvolvidas com uma dimensão similar à nossa.
A maior abertura da nossa economia ao exterior (quer no reforço da sua internaciona-
lização, quer no aumento do peso das exportações no PIB, quer na maior atração de
investimento externo estruturante, quer ainda no debelar dos custos de contexto que
bloqueiam um crescimento sustentável) passa pela densificação de cadeias de valor
nacionais e pela atração de parceiros e fornecedores especializados para integrar em
propostas de valor robustas.
Em resposta ao ambiente de incerteza e aos potenciais efeitos de um agravamento das
tensões protecionistas, com impacto no comércio mundial, o governo aprovou o progra-
ma Reforçar:
• através do Banco de Fomento, com a reprogramação e reforço de linhas de crédito
para apoio de fundo maneio e investimento (5185 milhões de euros), bem como a
criação de uma nova linha de financiamento para empresas exportadoras com fina-
lidade de investimento e fundo maneio (num total 3500 milhões de euros);
• através da Agência de Crédito à Exportação, com reforço 1200 milhões de euros, dos
Seguros de Crédito à exportação com disponibilidade de novos plafonds para diver-
sificação para outros mercados;
• através da AICEP, IAPMEI e COMPETE foi preparado um novo programa de incen-
tivos do Portugal 2030 para apoio à exportação e internacionalização para novos
mercados (200 milhões de euros), juntamente com o lançamento do programa de
medidas para apoiar a competitividade e exportações das empresas nacionais;
A atração de IDE é fundamental, devido ao elevado nível de endividamento
das empresas e das famílias. O IDE, além do efeito direto no investimento,
emprego e criação de valor, tem, por regra, dois efeitos adicionais: primeiro,
permite à economia portuguesa entrar em novas cadeias de valor, de-
senvolvendo empresas a montante/jusante do projeto; segundo, permite
criar escala, valor e competências nesses setores.
234
O IDE pode ser levado a cabo, na prática, por duas vias distintas, mas complementares:
atuando de uma forma sobre a oferta do conjunto dos investidores potenciais, ou sobre
a procura. O programa ativo de atração de IDE deve:
• incentivar as empresas já instaladas no nosso país a aumentarem a sua dimensão;
terem um peso crescente na estrutura da cadeia de valor das empresas-mãe no qua-
dro das suas opções de crescimento regional e global; e desenvolverem parcerias
com empresas de raiz portuguesa com potencial de expansão;
• visar novas atividades e novos grupos empresariais ainda sem presença no nosso
país em sectores de futuro. Adicionalmente, Portugal deve posicionar-se como uma
“plataforma” de “expansão internacional” para investidores.
É preciso continuar a robustecer o papel da AICEP, dando-lhe uma abrangência territo-
rial e setorial mais profunda, nomeadamente reforçando a rede de Lojas de exportação
(atualmente existem 10), e promovendo a sua estreita colaboração com as Comunida-
des Intermunicipais. Noutro plano, é preciso reforçar os laços entre o AICEP e as Embai-
xadas portuguesas, e aproveitar a rede das câmaras de comercio e indústria portugue-
sas no mundo e o Conselho da Diáspora para apoiar a estratégia de internacionalização
e de atração de investimento estrangeiro.
Ainda relativo à AICEP, é necessário concluir a revisão dos estatutos e a definição de um
novo modelo de financiamento para dar sustentabilidade, estabilidade e previsibilidade
à gestão da Agência bem como assegurar os recursos necessários à reorganização e
reforço da sua Rede Externa e do Regime Contratual de Investimento sempre no sentido
de a posicionar como um dos vetores centrais da política de dinamização da economia.
Relativamente ao papel da AICEP, a AD defende manter e aumentar a aposta profunda
e estruturada na diplomacia económica, nomeadamente através dos seguintes vetores:
• Reforçar determinantemente a Rede Externa da AICEP, possibilitando a cobertura
de novos mercados, o reforço da espessura das suas equipas e orçamentos de pro-
moção nos mercados prioritários e o aumento de analistas com especialização
setorial na captação de investimento externo;
• Criar na AICEP ainda mais Unidades Especializadas de captação de investi-
mento direto estrangeiro, com a missão de identificar a nível internacional
empresas com planos de investimento passíveis de serem feitos em Portu-
gal. Estas Unidades serão compostas por profissionais altamente qualifi-
235
cados, com competências específicas, em função do tipo de empresa a contactar, e
autonomia para negociar as condições de entrada, dentro de um quadro pré-apro-
vado pelo Governo (modelo semelhante ao que permitiu a captação da Autoeuropa,
entre outros investimentos relevantes para Portugal);
• Continuar o reforço da articulação entre AICEP e IAPMEI, bem como outras insti-
tuições com impacto no desenvolvimento económico das empresas, para alinhar os
vetores estratégicos. Em termos de estrutura orgânica, reforçar a tutela do Ministé-
rio da Economia, de modo a agilizar decisões e facilitar a convergência nos processos
e prazos com impacto nas empresas. Reforçar a articulação próxima com o Turismo
de Portugal, nomeadamente no que toca a missões e ações externas;
• Rever as técnicas de “screening” de mercados e de empresas com potencial para
investir;
• Criar equipas de negociação dedicada a cada projeto, com experiência e conheci-
mento dos requisitos sectoriais e com valências úteis (sectoriais, financeiras, fiscais,
logística);
• Definir objetivos diferenciados para as ações de captação de novo investimento das
que visam aumentar a capitalização das empresas estrangeiras que já estão insta-
ladas em Portugal.
Em matéria de internacionalização das empresas, a AD defende que devem ser mais de-
senvolvidos e reforçados um Programas de apoio à internacionalização das empresas
Portuguesas, um Programa de apoio à concentração e fusão de empresas exportado-
ras, e os programas “Portugal sou Eu” e “Marca Portugal”.
Em matéria de atração de IDE, a AD propõe:
• Continuar a estratégia para a captação de grandes projetos industriais e aprovei-
tamento do movimento global de reorganização das cadeias de valor e nearsho-
ring;
• Criação de um regime de “Validação prévia de Investimento”: Neste programa,
que visa atrair investimento privado, sobretudo IDE, deve ser criado um regime
fiscal e de incentivos a vigorar por 10 anos. Este regime deve ser baseado em
“templates” previamente preparados e uniformes de pedido e de decisão, as-
sinados com cada empresa investidora. Deve inspirar-se nos conceitos de
Acordos Prévios de Preços de Transferência e de Pedido de Informação
Prévia Vinculativa (APA e PIV) e deve permitir alargar o campo de aplica-
ção destes instrumentos no futuro, graças à experiência ganha com a
sua aplicação prática.
236
2.2.3. REFORMA DO SISTEMA DOS FUNDOS EUROPEUS
Na Reforma do Sistema de Fundos Europeu que o Governo iniciou, o Estado assume-se
como parceiro das empresas na potenciação do investimento privado. Os Fundos Eu-
ropeus terão, cada vez mais, o seu foco em projetos que permitam à economia dar um
salto na criação de riqueza, que potenciem as vantagens competitivas nacionais e que
elevem o Valor Acrescentado da Economia e das suas exportações, com critérios mais
claros e uma aplicação transparente. Apesar das melhorias, a aplicação dos fundos
continua demasiado lenta e as decisões de investimento são adiadas em função desse
atraso. Uma parte significativa dos fundos (por exemplo, do PRR) é usada para financiar
despesa corrente do Estado. Esta Reforma inclui as seguintes medidas:
• Continuar a reforçar os meios humanos e tecnológicos para poder acelerar ainda
mais o PT2030;
• Aprofundar o esforço de normalizar, racionalizar e estratificar a informação a prestar
pelas empresas, solicitando cada estrato de informação em função da necessidade
e depositando toda a informação numa plataforma única e acessível a todas as en-
tidades públicas, em articulação com a reforma do Estado;
• Neste quadro, criar o “gestor de cliente”, que pode ser digital, que permite a oportu-
nidade de conexão rápida e ágil com plataformas de captação de investimento, via
Banco Português de Fomento, private equity e financiamento pela banca comercial.
Neste modelo, o “gestor de cliente” da empresa pode propor os fundos e quadros
comunitários adequados ao crescimento da empresa;
• Aprofundar a otimização da execução dos fundos comunitários, com enfoque no
valor acrescentado, com máxima exigência na aprovação e total alinhamento com
transformação de longo prazo da economia;
• Promover soluções de cedência gratuita de liquidez, que poderão envolver a banca
comercial ou o BPF, para eliminação dos atrasos acumulados na disponibilização de
fundos já aprovados;
• Dar prioridade à capacitação dos gestores, com programas formativos sugeri-
dos, em parceria com as escolas de negócios nacionais, por forma a aumentar
a capacidade dos gestores nacionais. Os programas formativos devem ser
desenhados à medida, com um pendor prático forte, com partilhas de casos
e modelos de gestão. Esta medida seria de cariz facultativo, mas poderia
resultar na majoração dos incentivos relacionados com os fundos.
237
2.2.4. INOVAÇÃO, EMPREENDEDORISMO
E DIGITALIZAÇÃO
Atravessamos uma revolução digital, à escala global, que afeta a forma como vivemos,
como trabalhamos e como nos relacionamos. E que condiciona, de forma determinante,
como as sociedades se organizam e prosperam. Este momento deveria estar a ser po-
tenciado como uma grande oportunidade para Portugal transformar a sua economia,
incrementando os níveis de produtividade e competitividade e eliminando os tradicio-
nais bloqueios que condicionam a escala e a capacidade de abertura a novos mercados
das nossas empresas.
A IA pode contribuir para o desenvolvimento sustentável, para a competitividade da
economia, para a inclusão social e para a qualidade de vida dos cidadãos. No entanto,
a IA também apresenta desafios e riscos, que exigem uma abordagem ética, legal e so-
cialmente responsável. Reconhecemos a sua importância estratégica, enquanto opor-
tunidade económica, e assumimos a necessidade de uma regulação inteligente e eficaz.
Assim, pretendemos:
• Afirmar o País no top 10 dos Países digitalmente mais avançados da União Europeia
até 2030;
• Aumentar significativamente o nível e o número de patentes por empresa em Portu-
gal;
• Posicionar Portugal como um centro global de talento digital, empreendedorismo e
impacto social, atraindo e retendo as melhores mentes e ideias e promovendo uma
cultura de colaboração, criatividade e sustentabilidade;
• Incrementar as competências e a literacia digitais da população portuguesa, espe-
cialmente entre os jovens, os idosos e os grupos desfavorecidos, investindo na edu-
cação, na formação e em campanhas de sensibilização;
• Adotar o ensino de programação na totalidade do ensino básico até ao final da
legislatura;
• Assegurar a inclusão digital e a capacitação de todos os cidadãos.
Para atingir estes objetivos, propomos:
• Implementar a já aprovada a Estratégia Digital Nacional, com uma visão,
objetivos, indicadores e prazos claros, e um orçamento e uma estrutura
de governação específicos, envolvendo todas as partes interessadas
238
relevantes dos sectores público, privado e da sociedade civil;
• Lançar um Pacto de Competências Digitais, com o objetivo de aumentar as compe-
tências digitais de todos os cidadãos portugueses;
• Introduzir os conteúdos curriculares de programação no ensino básico;
• Investir na formação e na qualificação dos recursos humanos em IA;
• Incentivar investimentos em tecnologias digitais que promovam a criação de empre-
go em sectores que carecem de elevado nível de formação e competências especia-
lizadas, garantindo a formação e requalificação de trabalhadores e a adaptação da
organização do trabalho às novas tecnologias;
• Reforçar a participação em projetos de investigação de redes europeias;
• Alargar o apoio, para além do esforço já realizado este ano, da Fundação para a
Ciência e Tecnologia (FCT) à mobilidade de professores a outras Universidades de
Investigação;
• Estimular a cultura de spin-off de empresas a partir da academia;
• Criar um Fundo de Inovação Digital, com o objetivo de apoiar a investigação, o de-
senvolvimento e a adoção de tecnologias emergentes pelas empresas portuguesas,
através da prestação de assistência financeira e técnica e da facilitação do acesso
a mercados e redes;
• Promover a integração digital na criação de novos produtos e serviços e na imple-
mentação de novas práticas, processos e modelos de produção e de negócio, incluin-
do canais de distribuição;
• Continuar a fortalecer a infraestrutura digital e cibernética do país para garantir in-
dependência e soberania tecnológica, e investir em tecnologias emergentes, assegu-
rando a cibersegurança da informação, a proteção das infraestruturas, a proteção
de dados e a privacidade online;
• Assegurar o fornecimento de boas infraestruturas digitais, a preços acessíveis,
e incentivar a redução de barreiras ao comércio digital, a facilitação de paga-
mentos e o uso de assinaturas eletrónicas, e o acesso a ferramentas de ci-
bersegurança, facilitando a concorrência e a mobilidade entre operadores,
e a transparência na venda de serviços e reduzindo a burocracia exigida às
empresas;
• Prosseguir a modernização e digitalização da administração pública e
Implementar um Plano de Serviços Públicos Digitais, com o objetivo de
239
disponibilizar todos os serviços públicos online e garantir a sua qualidade, eficiência
e facilidade de utilização, aplicando os princípios da conceção centrada no utiliza-
dor, dos dados abertos e da interoperabilidade;
• Reforçar as qualificações da Administração Pública na área da digitalização e de-
senvolver um programa especial de contratação de especialistas em tecnologias de
informação:
• Fase 1: “One-stop-shop” – Acelerar a agregação dos diversos serviços públicos
numa só plataforma para cidadãos e empresas: Portal das Finanças, segurança
social direta, Siga, IRN, [Link], Portal do SNS, Portal das Matrículas, Portal da
empresa, etc;
• Fase 2: “No-stop-shop” – Prestação de serviços públicos de forma automática
– aqui inverte-se o modus operandi, sendo o cidadão apenas responsável por ga-
rantir a informação atualizada para que o Estado possa espoletar o serviço au-
tomaticamente;
• Fase 3: “Proactive-stop-shop” – Interação com o cidadão e recomendação me-
diante necessidades, com base em algoritmos e em inteligência artificial.
• Apoiar a investigação, a inovação e o empreendedorismo em IA e estimular a adoção
e a utilização da IA nos setores público e privado;
• Promover e investir no desenvolvimento da infraestrutura computacional de alto de-
sempenho em Portugal, que permita a investigação, inovação, desenvolvimento e
comercialização de soluções de inteligência artificial em Portugal;
• Desenvolver e implementar soluções de IA para a administração pública que permi-
tam obter ganhos de eficiência, transparência e proximidade;
• Salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais de todos os cidadãos na esfera
digital.
2.2.5. UMA INDÚSTRIA ORIENTADA PARA O EXTERIOR
A Economia Portuguesa deve complementar os restantes sectores com a atividade
industrial e os serviços que lhe dão diretamente apoio, que são essenciais para o
crescimento da produtividade, a criação de emprego qualificado e sustentável,
mais tecnologia proprietária, a internacionalização e as exportações com maior
valor acrescentado e, por consequência, contribuem para o aumento das re-
ceitas do Estado e o equilíbrio da Balança externa.
240
Portugal tem algumas das empresas industriais mais produtivas do mundo e pode criar
condições para ter muitas mais se apostar em robustecer os fatores de competitividade
– inovação, energia, financiamento, recursos humanos, capacidade organizacional, tec-
nologia - fundamentais para o desenvolvimento estrutural de uma economia com maior
valor acrescentado e que não tiveram suficiente atenção dos governos socialistas.
A aceleração do crescimento económico em Portugal beneficia com a revitalização da
Indústria e dos serviços de suporte, reforçando o investimento, eliminando os obstáculos
ao aumento da produtividade, promovendo uma rede de colaboração e interdependên-
cia para as exportações, procurando novos mercados de rápido crescimento, aceden-
do a novas oportunidades para o ganho de dimensão do tecido empresarial, reduzindo
os custos unitários de produção e fomentando uma maior capacidade competitiva em
mercado aberto.
2.2.6. TURISMO, COMÉRCIO E SERVIÇOS
Os setores do Turismo e Serviços em Portugal são fundamentais para a economia nacio-
nal. Em 2023, o peso do setor do Turismo na Economia atingiu 33,8 mil milhões de euros,
12,7% do PIB, um valor que representa um recorde em termos relativos e que conheceu
novos aumentos. O impacto do setor na economia estende-se igualmente à sua impor-
tância no território e no emprego, para além do seu impacto em setores como a Cultura,
Saúde ou a Educação. Contudo, este reforço do peso do setor na economia terá de ser
suportado numa estrutura de remuneração que não seja assente numa competitividade
de baixos salários ou salários mínimos.
No contexto de um conjunto de tendências no Turismo, Comércio e Serviços, as solu-
ções de políticas públicas no Espaço Europeu, que Portugal deve acompanhar para ser
competitivo, têm procurado acautelar modelos de crescimento de oferta turística que
criem valor acrescentado, mas também integração com as economias locais. No que
concerne concretamente aos Serviços, a crescente localização de recursos e estrutu-
ras de multinacionais (nearshore), no País, impõe políticas de habitação, de acesso a
cuidados de saúde, e de educação e formação compatíveis. Tem-se verificado igual-
mente uma tendência para a requalificação de profissionais aproveitando todas as
capacidades disponíveis, bem como atração, desenvolvimento e qualificação de
imigrantes, ao mesmo tempo que os regimes de trabalho devem ser compatibili-
zados com a prestação de alguns serviços à escala internacional, prestados a
partir de geografias locais.
241
Desta forma, temos como objetivos neste setor:
• Incrementar o valor das exportações associadas ao Turismo, Comércio e Serviços;
• Incrementar o salário médio do setor Serviços, Comércio e Turismo, pelo aumento de
produtividade e maior valor acrescentado;
• Reduzir a precariedade e a economia informal.
Para alcançar estes objetivos, o governo tem desenvolvido, e continuará a aprofundar,
um conjunto articulado de políticas entre as quais:
TURISMO
• Qualificar a oferta turística e aumentar a procura concentrando em mercados que
garantam um crescimento em valor e combatendo a sazonalidade;
• Promover uma imigração qualificada;
• Atrair Transporte Aéreo regular e diversificado nos aeroportos nacionais;
• Clarificar as regras de investimento imobiliário e atração de investimento (residentes
e não residentes);
• Valorizar o ensino e formação contínua em Turismo e criar/consolidar uma rede na-
cional integrada de formação (hubs), com escala e qualidade, suportando conteúdos
programáticos complementares que potenciam a oferta de qualidade;
• Consolidar Portugal como destino turístico de excelência em tudo o que está ligado
à economia azul, ao mar e às atividades náuticas, eixo fundamental para a nossa
oferta.
COMÉRCIO E SERVIÇOS
• Ativar políticas de promoção de imigração qualificada e orientada;
• Valorizar o ensino e formação contínua;
• Apoiar a internacionalização dos sectores do Comércio e Serviços através das
redes de delegações da AICEP em conjunto com a Rede das Câmaras de Co-
mércio e os elementos do Conselho da Diáspora;
• Promover o investimento na criação e promoção das marcas portuguesas
como fator de criação de maior mais-valia nos produtos e serviços nacio-
nais;
242
• Potenciar o próximo ciclo de fundos comunitários ao dispor do País para que, no se-
tor do comércio e dos serviços, sejam criados sistemas de incentivo que concorram
para os objetivos de modernização das empresas do sector, melhorando a sua efi-
ciência e, aumentando a sua produtividade.
2.3. TRANSFORMAR CUSTOS EM OPORTUNIDADES
2.3.1. MODERNIZAÇÃO DA JUSTIÇA ECONÓMICA
Em linha com a reforma da Justiça, deve alcançar-se uma Justiça económica que seja
célere e eficiente, quer para os particulares, quer para as empresas, e em que o combate
à corrupção seja uma prioridade.
Algumas medidas prioritárias incluem:
• Criação de uma unidade para recuperação dos atrasos nos processos, a começar
pelos mais antigos;
• Apoiar e fomentar a especialização dos juízes, e não apenas dos tribunais, especial-
mente nas áreas de contencioso económico em transformação acelerada;
• Promover a reforma do Regulamento das custas processuais;
• Aprovar uma Estratégia Nacional de Resolução Alternativa de Litígios que permi-
ta reforçar e simplificar os procedimentos de resolução alternativa de conflitos no
âmbito de causas de pequeno valor e de grandes litigantes, libertando os tribunais
cíveis, e garantindo uma justiça mais rápida e eficiente, integrando os meios RAL no
paradigma da administração da justiça;
• Simplificar e reforçar os direitos dos cidadãos no âmbito do direito administrativo [e
fiscal, ver Reforma Fiscal], garantindo aos cidadãos um processo mais célere e equi-
librado;
• Agilizar os processos de heranças, em particular quando envolvam bens imóveis
e participações sociais em empresas, facilitando o despoletar da sua alienação
e/ou divisão (convertendo-se em liquidez essa parte dos ativos da herança),
favorecendo em simultâneo a sua resolução fora dos tribunais e evitando
pendências de décadas;
243
• Simplificar os processos de registo de propriedade, combinando o registo de âm-
bito notarial e fiscal, e diminuindo os custos de transação em particular de proprie-
dades rústicas de pequena dimensão, contribuindo para uma menor pulverização da
propriedade e uma mais rentável gestão do território;
• Promover a modernização do Registo Central do Beneficiário Efetivo (RCBE);
• Rever os regimes de insolvência e recuperação de empresas, com o objetivo de ace-
lerar os processos e atenuar os entraves à recuperação dos créditos, melhorando
assim, as condições da atividade económica e o ambiente de negócios empresarial.
Entre outras medidas, poder-se-á equacionar:
• O alargamento de mecanismos extrajudiciais de reestruturação, que potenciem
uma intervenção mais precoce e com maior probabilidade de sucesso na corre-
ção dos desequilíbrios das empresas (reestruturação proativa por credores);
• Soluções de venda ou investimento em empresas em situação económica difícil
ou insolvência iminente, que permitam evitar a mera liquidação forçada dos seus
ativos;
• A criação de um mecanismo célere de extinção/liquidação das empresas irrecu-
peráveis e descapitalizadas, que não tenham condições de solvabilidade, nem
atratividade para aportação de novos investimentos que lhes permitam manter-
-se em atividade;
• Adotar práticas europeias no que respeita ao cram-down de credores para faci-
litação de acordos de reestruturação e no que concerne à facilitação de conver-
são de dívida em capital; mais responsabilidade (poder de negociação) atribuída
aos credores; facilitação de financiamento floating charge (credores assumem
responsabilidades de gestão em determinadas circunstâncias);
• Rever o regime dos avales pessoais exigidos pelas instituições financeiras e que na
prática destroem a responsabilidade limitada das empresas (e/ou a sua capacidade
de financiamento e tomada de risco), como sucede em outros países europeus;
2.3.2. MOBILIDADE, INFRAESTRUTURAS
E COMUNICAÇÕES
Em Portugal, cerca de metade da população vive nos grandes centros urbanos,
concentrada em cerca de 5% do território. Isto significa que as cidades, todos
os dias, enfrentam o congestionamento e poluição atmosférica e sonora, com
o elevado número de automóveis em movimentos pendulares, com conse-
quências negativas, também, em termos de segurança rodoviária. O cres-
cimento urbano e de concentração populacional, pressionando a procura
244
por transportes públicos de passageiros, que não foi, contudo, acompanhada por um
aumento da oferta e atratividade de modos de transporte de alta capacidade, demons-
tra a necessidade de modernização de infraestruturas, apoiada por uma abordagem
multimodal e pela digitalização.
Portugal caracteriza-se, genericamente, por um baixo nível de utilização do transporte
público, falta de capacidade de oferta, ausência de estratégia integrada, o que leva a
medidas desarticuladas e incoerentes, a uma gritante insustentabilidade dos modelos
de financiamento do transporte público e a um atraso crónico na renovação das frotas,
independentemente dos modos.
O papel do transporte ferroviário é indelével no ecossistema do serviço público de
transporte de passageiros e de mercadorias. E representa um fator estruturante do
território, ao mesmo tempo que constitui um sistema central da política de mobilidade
urbana e interurbana, necessitando assim de maior concorrência e novos operadores.
Em Portugal, o transporte ferroviário de passageiros e de mercadorias, perdeu, ao longo
das últimas décadas, esta função estruturante. O setor ferroviário é fundamental para
os objetivos de descarbonização.
Já no que refere ao sistema portuário e o transporte marítimo nacionais, estes foram
votados, na última década, a um atraso significativo. Assistimos a falta de gestão com
cultura empresarial nas administrações portuárias, que têm atuado sem instrumentos
de coordenação e planeamento integrado setorial, a um défice de investimento público
e privado e ao desfasamento das regras legais e regulatórias relativamente às neces-
sidades infraestruturais e tecnológicas do setor. Por outro lado, os Portos, tal como a
indústria marítima em geral e a logística como conceito envolvente, estão em período de
mudança de paradigma com enfoque na digitalização e na sustentabilidade.
Os setores da aviação e aeroportuário têm sido dominados na última década por deci-
sões e indecisões paralisantes: a falta de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado
e o adiamento da escolha da melhor opção de expansão, bem como o atribulado pro-
cesso de nacionalização da TAP, que deixa a companhia numa encruzilhada quanto
ao futuro.
É essencial garantir a acessibilidade a infraestruturas de serviços digitais em
todo o território em condições de elevada qualidade e segurança, promovendo
a inovação e sustentabilidade destes serviços.
245
No que se refere aos serviços postais, estes continuam a ser essenciais para a popu-
lação e um importante fator de coesão social e territorial. A evolução na procura por
serviços postais, no serviço universal ou no correio expresso, representa um desafio, pelo
que o papel do Estado, enquanto regulador, continua a ser fundamental para garantir a
sua prestação eficiente e sustentável. É, portanto, essencial, defender o caráter público
e universal do serviço postal moderno, garantindo a sua qualidade, eficiência e susten-
tabilidade, com um acompanhamento rigoroso do contrato de concessão do Serviço
Postal Universal.
Neste ano de governo apostamos significativamente nos transportes numa prespetiva
de médio e longo prazo. Se é verdade que os grandes investimentos não se concretizam
de imediato, o protelar da decisão impede que o país a prazo beneficie dos proveitos
económicos que as infraestruturas conferem.
Assim, em apenas um ano decidimos a localização do novo aeroporto de Lisboa, reforça-
mos a ferrovia, e os transportes urbanos, criámos o passe ferroviário verde, entre outras
medidas enunciadas na parte I deste programa.
Se é certo que o trabalho não está acabado, e o AD mantém o foco em planear os inves-
timentos infraestruturais e de mobilidade com vista a assegurar o futuro sustentável de
Portugal, fá-lo-á tendo em conta as seguintes metas:
• Aumento da utilização do transporte público;
• Redução da sinistralidade rodoviária;
• Redução das emissões do transporte de mercadorias;
• Aumento da quota do transporte ferroviário de passageiros;
• Aumento da quota do transporte ferroviário de mercadorias;
• Recuperação do atraso em cobertura de 5G, como fator de inovação e competitivi-
dade, incentivando a participação de operadores nacionais, e garantindo a segu-
rança e a resiliência das infraestruturas e dos equipamentos;
• Cobertura de internet no território nacional, incluindo as zonas rurais e de baixa
densidade, com velocidades adequadas às necessidades dos utilizadores;
• Aumento da concorrência e da diversidade de oferta nos serviços de comu-
nicações eletrónicas, garantindo a neutralidade da rede, a transparência
dos preços e a defesa dos direitos dos consumidores e a sua confiança no
mercado;
246
• Garantia de prestação do serviço postal de qualidade em todo o território nacional.
Para atingir essas metas, propomos as seguintes medidas:
INFRAESTRUTURAS
• Prosseguir a estratégia de médio e longo prazo, com foco em assegurar a perenidade
das escolhas efetuadas;
• Concretizar os projetos previstos e aprovados pelo Plano Nacional de Investimentos
2030;
• Continuar a atuar nos eixos crónicos de ineficiência de tráfego rodoviário, com retor-
no económico global, incluindo custos de imobilidade e socioeconómicos, e combater
os pontos negros de sinistralidade e de mobilidade urbana que persistem;
• Reforçar a promoção, através dos fundos Europeus, da expansão de infraestruturas
de carregamento para veículos elétricos e a hidrogénio nas cidades e criar rede de
abastecimento a hidrogénio que permita uma ampla utilização nos transportes de
longo curso de passageiros e mercadorias;
MOBILIDADE
• Acelerar a imposição de Planos de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) locais;
• Continuar a aumentar a oferta de transporte público com reforço da frota, nomea-
damente verde, e frequências;
• Aprofundar a tendência de gratuitidade do Transporte Público de Passageiros para
residentes, e acompanhá-la de indicadores de eficiência e eficácia;
• Definir padrões de informação e bilhética harmonizadas e interoperáveis entre terri-
tórios, modos de transporte e empresas de mobilidade e implementar sistemas tari-
fários que permitam uma maior flexibilidade, simplificação e universalidade na utili-
zação do transporte público;
• Prosseguir a implementação mecanismos efetivos que garantam a proteção dos
direitos dos passageiros na utilização de serviços de transportes e através de
plataformas digitais;
• Avaliar a criação de incentivos à conversão energética para veículos de
transporte de passageiros;
247
• Promover a eficácia da logística do transporte urbano de mercadorias e das “entre-
gas último quilómetro” com emissões nulas;
• Apostar em Sistemas de Transporte Inteligentes.
TRANSPORTE FERROVIÁRIO
• Criar um novo modelo de exploração no transporte ferroviário de passageiros, des-
centralizando a gestão dos serviços de transporte de natureza eminentemente local,
bem como reduzindo substancialmente as barreiras a entrada de novos concorren-
tes:
• Impulsionar o transporte ferroviário de mercadorias:
• Rever a aplicação da Taxa de Uso da Infraestrutura para comboios de mercado-
rias, eliminando a distorção existente relativamente ao transporte rodoviário;
• Adotar mecanismos de incentivo à modernização e interoperabilidade do trans-
porte de mercadorias;
• Eliminar custos de contexto, nomeadamente, limitações na formação de pessoal
e das condições de operação.
• Promover uma nova relação entre o transporte ferroviário e os passageiros:
• Aprovar um regime legal de defesa dos direitos dos clientes/passageiros, efetivo
e transversal a todo o transporte público (rodoviário, ferroviário e marítimo/flu-
vial);
• Renovar a imagem do transporte público junto dos passageiros, recuperando a
confiança perdida.
PORTOS
• Continuar a implementar a transformação digital dos Portos, com recurso a Fundos
Europeus e em parceira com os privados;
• Concretizar os investimentos, com recurso a Fundos Europeus e em parceira com
os privados, que se afigurem necessários para maximizar a utilização do poten-
cial dos Portos, pelo aumento de capacidade das infraestruturas, em especial
no segmento dos contentores, e pelo aumento das ligações terrestres rodo-
ferroviárias;
• Atualizar e adequar o quadro legislativo do sistema marítimo portuário;
• Apoiar a Transição Energética dos Portos;
248
• Assegurar a integração dos cinco principais portos do continente nas redes transeu-
ropeias de transportes;
• Ajustar o modelo de governação das administrações portuárias;
• Assegurar um regime do transporte marítimo de passageiros e mercadorias na ca-
botagem nacional, e em particular no que reporta a obrigações de serviço público
(OSP), importando a análise da sua adequação ao momento presente e, ou, eventual
necessidade de revisão de forma articulada entre os Governos da República e das
Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
TRANSPORTE AÉREO
• Aumentar a capacidade e eficiência de todo o setor da aviação e aeroportuário,
tanto no lado dos passageiros, como no lado da carga (infraestruturas, serviços de
navegação aérea, carga e conectividade);
• Lançar o processo de privatização do capital social da TAP;
• Melhorar as condições de processamento de carga e passageiros nos aeroportos
nacionais;
• Implementar soluções inovadoras e digitais, que permitam melhorar o controlo de
entradas e saídas de passageiros e carga, por via aérea, potenciando a utilização
das infraestruturas à procura variada existente.
COMUNICAÇÕES
• Facilitar a construção de redes, em particular, simplificando procedimentos e acele-
rando o processamento de pedidos de construção de infraestruturas aptas (condu-
ta, postes, etc.) junto de todas as entidades competentes, tais como as autarquias
locais, portos ou concessionárias de autoestradas;
• Criar condições para a construção e reparação de infraestruturas, designadamente
através da desburocratização dos trabalhos na via pública em infraestruturas já
existentes, simplificando processos junto das autarquias locais e forças de segu-
rança;
• Garantir a continuação da prestação do serviço público em todo o territó-
rio nacional através do contrato de concessão do serviço postal universal e
aprofundamento de uma regulação independente;
249
2.3.3. UMA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA COMPETITIVA
Nos últimos anos, a União Europeia (UE) tem liderado várias iniciativas políticas para
promover uma transição energética que acompanhe a tendência global de redução das
emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE), assumindo com os seus Estados-mem-
bros, e muitos outros países compromissos internacionais e objetivos muito ambiciosos
de transição energética e descarbonização para as próximas décadas.
Contudo, o cumprimento desses compromissos de sustentabilidade envolve vários de-
safios de implementação, mas também de conjugação e compatibilização com outros
interesses coletivos. Existem desafios tecnológicos e exigências de racionalidade em
apostar em opções de oferta maduras, economicamente eficientes e assentes em co-
nhecimento técnico, ao passo que a crescente procura energética a nível mundial, as
ameaças decorrentes das alterações climáticas e a lentidão dos processos de melhoria
da eficiência energética colocam pressões sobre a procura.
Existem desafios financeiros, desde logo quanto à disponibilidade e custo dos enormes
volumes de financiamento aos investimentos necessários à transição energética e des-
carbonização, especialmente num período em que as economias se defrontam com juros
altos, volumes de dívida pública e privada muito elevados e a concorrência das exigên-
cias de financiar outras necessidades coletivas também fundamentais, como a seguran-
ça e defesa (designadamente com o esforço de guerra na Europa) e as prestações do
Estado Social agravadas pelo envelhecimento populacional.
Existem desafios de segurança de abastecimento e de soberania económica e energéti-
ca da Europa, de insuficiências infraestruturais nas redes de transporte (de energia mas
também de mobilidade sustentável), assim como de pobreza energética entre as nossas
populações e de impacto sério na competitividade das empresas Europeias e nacionais
e no poder de compra das famílias que se viram afetadas quer por escaladas de preços
da energia, quer por certas medidas públicas inequitativas ou menos racionais designa-
damente quanto a preços e rendas garantidas para alguns.
No plano nacional há desafios particulares, como o reforço das interligações elétri-
cas entre Península Ibérica e resto da Europa, às decisões tecnológicas parciais e
equivocadas dos governos PS (incluindo quanto à curva de maturidade e à acu-
mulação de défices e dívida tarifária) ou à visão anti-concorrencial com pulsões
intervencionistas que, no conjunto, levou durante 8 anos a que os preços su-
portados por famílias e empresas sejam muito altos no contexto da UE, e ao
falhanço de praticamente todos os objetivos a que Portugal se propôs na
área da energia.
250
São demonstrativos os fracassos da execução dos leilões alegadamente “históricos” do
solar fotovoltaico (que mesmo com revisões arbitrárias e não transparentes das contra-
partidas, apresentam à data apenas 50% da produção adjudicada em 2019 em opera-
ção e 0% em operação do leilão de 2020), das comunidades de energia, das unidades de
autoconsumo e de produção descentralizada, das medidas para a eficiência energética
e dos concursos para a concessão da distribuição de energia Elétrica em Baixa Tensão
(cujos prazos mais do que expiraram).
No que respeita à pobreza energética, Portugal apresenta resultados absolutamente
inaceitáveis para um país desenvolvido e inserido na união europeia: a falta de concre-
tização e o insucesso no desenho dos programas lançados condena quase dois milhões
de pessoas (19%) a viver em condições de pobreza energética, das quais 700.000 estão
em situação de pobreza energética extrema.
A transição energética e a descarbonização são necessidades civilizacionais e oportu-
nidades económicas muito importantes para Portugal, mas não podem ser implementa-
das “a qualquer custo”. Pelo contrário, devem assentar num equilíbrio virtuoso entre, por
um lado, ambição nos objetivos de transição energética, e, por outro, escolhas políticas,
planeamento e implementação assentes no realismo, imparcialidade, transparência, in-
tegridade e competência decisória, racionalidade económica, sustentabilidade finan-
ceira, neutralidade tecnológica e competitividade para as empresas e famílias portu-
guesas. Para isso, também na energia é necessário que Portugal mantenha esta nova
política e governação.
Assim, assumimos como principais metas estruturais:
• Concretizar os compromissos internacionais de Portugal em transição energética e
descarbonização efetiva e competitiva da economia nacional, incluindo quanto ao
aumento da proporção de Energia Renovável no consumo final bruto de Energia, de
acordo com os princípios de sustentabilidade ambiental, racionalidade e eficiência
económica, competitividade para a economia nacional, neutralidade tecnológica,
sustentabilidade financeira, e segurança e independência energética do País;
• Reduzir os custos com a energia dos consumidores e da indústria, promovendo
maior concorrência de mercado, tendo como meta alcançar preços inferiores
aos da média da UE para a indústria e consumidores em geral;
• Continuar a reduzir substancialmente a pobreza energética e o número de
edifícios com baixas classificações energéticas e promover a eficiência
energética;
251
• Manter como prioridade da política europeia de Portugal, o reforço das interligações
europeias de energia e a concretização da integração (física, económico-financei-
ra e jurídica) do mercado europeu da energia, desfazendo a “ilha energética” que é
atualmente a Península Ibérica;
• Eliminação da dívida tarifária.
Para atingir estas metas propomos as seguintes medidas estruturais em complemento
às medidas apresentadas no Programa Social e de Governação:
• Promover a análise e planeamento, transparentes e participados, das necessidades
adicionais de geração, transporte e distribuição elétrica do Sistema Elétrico Nacio-
nal e do desenvolvimento de energias renováveis, que devem ponderar os compro-
missos de descarbonização do Estado Português, as intenções de consumo, a arti-
culação das variabilidades na produção e no consumo, a maturidade tecnológica, as
possibilidades de produção descentralizada junto do consumidor, as capacidades de
interligação e de armazenamento e as exportações e importações;
• Promover a transição para energias renováveis, quer de produção de energia elé-
trica em terra e no mar (offshore), quer de gases renováveis, com vista a cumprir os
compromissos internacionais de Portugal e aproveitar os recursos naturais do País,
e respeitando os princípios de sustentabilidade ambiental, racionalidade e eficiência
económica, competitividade para a economia nacional, neutralidade tecnológica,
sustentabilidade financeira, transparência, liberdade e igualdade concorrencial (in-
cluindo no acesso às possibilidades de produção), proteção dos consumidores relati-
vamente aos custos, e segurança e independência energética do País;
• Promover o uso de matérias renováveis provenientes da agricultura, pecuária e flo-
resta como substitutos de matérias de origem fóssil, através da incorporação de
produtos agrícolas e florestais na economia circular e na construção sustentável.
Promover a instalação de centros de recolha e transporte de biomassa residual para
facilitar o aproveitamento desses recursos de forma mais eficiente;
• Reformar as instituições públicas de regulação e administração no setor da ener-
gia, de modo a desburocratizar e acelerar os processos de licenciamento e auto-
rização e reforçar a fiscalização. É indispensável respeitar e fortalecer a inde-
pendência da ERSE. É necessário também capacitar técnica e humanamente
a DGEG e as outras instituições e agências públicas nacionais de energia,
ponderando a sua fusão;
252
• Lutar pela concretização efetiva do reforço significativo das interligações elétricas
entre Península Ibérica e França, garantindo um aumento de capacidade equivalen-
te, pelo menos, ao constante dos compromissos subscritos por Portugal, Espanha,
França e Comissão Europeia em 2014-15;
• Promover o investimento economicamente racional e a execução efetiva das redes
e infraestruturas de transporte e distribuição de eletricidade e gás necessários às
evoluções de oferta e procura, considerando os desafios e implicações da transição
energética, nomeadamente a variabilidade da tecnologia renovável e a descentrali-
zação da produção;
• Promover maior concorrência em toda a cadeia de valor do setor, da produção à
comercialização e distribuição, de forma a baixar os preços para as famílias e em-
presas. É fundamental remover barreiras à entrada ou transição dos consumidores
entre fornecedores, incentivar o aparecimento de novos agentes, garantir processos
concorrenciais transparentes, regras claras de horizonte temporal alargado, menos
burocracia e mais eficiência nos procedimentos;
• Apostar na dinamização e estabilização das regras dos mercados de longo prazo
da eletricidade e do gás e alinhar o âmbito do mercado regulado com as melhores
práticas europeias. O mercado regulado pode ter um papel relevante de “backup”
para situações de inacessibilidade e para garantia de estabilidade económica, em
benefício dos consumidores;
• Rejeitar novas medidas e avaliar as atuais que agravem o défice tarifário do Sistema
Elétrico Nacional e respeitar as condições de independência regulatória;
• Concretizar o processo de atribuição das concessões da distribuição de eletricidade
em Baixa Tensão, respeitando a autonomia local e procurando estimular a coesão e
equidade territorial e os ganhos de escala em benefício dos consumidores.
• Continuar a combater a pobreza energética, combinando ferramentas públicas e
privadas, aumentando a literacia energética dos portugueses, permitindo-lhes me-
lhorar a eficiência energética das suas casas e das suas empresas.
• Estimular o conceito de consumidor-produtor, desburocratizando e aceleran-
do o licenciamento das formas de produção descentralizada, incluindo UPAC,
UPP, Comunidades de Energia Renovável e Unidades de Autoconsumo coleti-
vo, de forma a garantir, a médio e longo prazo, custos de energia baixos para
famílias com menores rendimentos.
253
• Continuar a promover a eficiência energética dos edifícios públicos e privados, com
programas de apoio à remodelação infraestrutural e energética, e adotando políti-
cas públicas conducentes à construção sustentável.
• Apostar na dinamização de projetos de cidades inteligentes, melhorando a respetiva
gestão da energia;
• Acompanhar o alargamento das redes de pontos de carregamento para veículos elé-
tricos, a sua interoperacionalidade e as possibilidades de sistemas de carregamento
bidirecional;
• Adotar uma abordagem equilibrada, com abertura de princípio mas firme exigên-
cia nas condições, quanto ao aproveitamento de recursos naturais no solo e no mar
português, cuja exploração deve depender do cumprimento de elevadas exigências
ambientais (incluindo quanto ao uso da água, prevenção do ruído, qualidade do ar e
obrigações de restauração dos solos e paisagem), dos devidos diálogos e compensa-
ção económica e financeira dos territórios e populações afetados, e do indispensável
pagamento de contrapartidas financeiras para o País.
254
3. MELHOR ESTADO,
COMBATER A CORRUPÇÃO
A necessidade de reformas no Estado é evidente há várias décadas. Uma reforma do
Estado que seja mais do que simplificação e desburocratização, elementos consensuais,
apesar de continuarem a ser necessários. Menos consensual é a necessidade de uma
análise profunda e crítica de todas as estruturas da Administração pública, incluindo
institutos, observatórios e fundações. Mais fundamentalmente, é urgente continuar a
reforma estrutural para uma nova estrutura da administração pública, ao serviço dos
cidadãos. A Reforma do Estado deverá resultar numa organização coerente, eficiente
e eficaz, fundada nos objetivos e funções fundamentais da intervenção do Estado, e
flexível para permitir diferentes escolhas políticas em relação aos meios de alcançar
esses fins. Deverá ser promovida a descentralização e a autonomia das estruturas da
Administração pública, com responsabilização correspondente. Em paralelo, deve im-
plementar-se um sistema transparente de monitorização dos recursos do Estado. Como
elemento transversal de qualquer reforma, deve afirmar-se que o Estado está ao serviço
das pessoas, e não o contrário.
O contexto de partida há um ano era o da descapitalização humana e material, e a fa-
lência operacional do Estado, após anos de escolhas erradas, de desvalorização dos fun-
cionários públicos mais qualificados, de desincentivo ao esforço, mérito e produtividade
no setor público, e ineficiência na afetação de recursos, via cativações, cortes transver-
sais e esmagamento do investimento público reprodutivo, resultando na diminuição do
stock de capital público.
As reformas do Estado devem ser orientadas pelos princípios gerais de Descentraliza-
ção, Autonomia, Responsabilização, Capacitação, e Comparação Internacional. A con-
cretização de uma reforma profunda deve ser caracterizada por medidas incremen-
tais e por um pacto de médio-longo prazo.
De forma alinhada com estes princípios, será desejável adotar um modelo de
procedimento orçamental contratual (por oposição a um modelo de delegação
centralizado no Ministério das Finanças), que se inicia com a definição clara
dos recursos afetos a cada área governativa, de preferência numa perspeti-
va plurianual, tornando o ministro sectorial o responsável máximo pela sua
execução e permitindo uma gestão descentralizada dos recursos que lhe
estão atribuídos. Mas não só; transita-se para um paradigma em que, por
255
exemplo, escolas públicas e hospitais públicos têm a mesma autonomia de gestão e or-
çamental que têm os hospitais em regime de PPP ou as escolas em regime de contrato
de associação. Neste sentido, cria-se a indistinção entre a provisão pública ou privada,
dando capacidade às entidades públicas de competir de forma equilibrada com o setor
privado. Só com autonomia, flexibilidade para contratar, para realizar despesas, para
melhorar processos parece ser possível as entidades públicas aproximarem-se da efi-
ciência que se aponta ao setor privado.
Como elemento prévio deste procedimento orçamental contratual, é necessário imple-
mentar um sistema transparente de monitorização da restrição de recursos do Estado,
com uma visão global e consolidada sobre a sua receita, despesa, tesouraria central e
situação patrimonial. No processo de tomada de decisão, o Governo tem de ter uma
visão completa dos custos e benefícios das suas escolhas, de forma a minimizar a pos-
sibilidade de estas colocarem em risco a sustentabilidade das finanças públicas. Atual-
mente, esta visão global é dificultada pelo elevado nível de fragmentação orçamental,
que consente uma tomada de decisão a níveis inferiores sem uma correta internalização
dos custos dessas escolhas.
Em complemento a esta abordagem é indispensável promover a adoção de medidas
especificas para promoção da integridade, transparência, e responsabilidade política na
governação, bem como de firme e efetivo combate à corrupção. A situação portuguesa
e as últimas experiências de governação socialista tornam indispensável uma resposta
robusta em políticas públicas. A fragilidade ética, a cultura de informalidade e promis-
cuidade entre poderes públicos e certos agentes económicos, a ausência de respon-
sabilização política e a atuação política e pública facilitadora da corrupção e tráfico
de influências minam a qualidade e confiança na democracia, mas também corroem o
ambiente económico e de investimento e criam desigualdades concorrenciais e inefi-
ciências de alocação de recursos que diminuem o crescimento potencial da economia e
o bem-estar social.
Nesse sentido, o Programa Eleitoral da AD inclui um “Pacote de Medidas para a Inte-
gridade e Transparência e Combate à Corrupção” com respostas robustas e diferen-
ciadoras que nele são explanadas, desde a regulamentação do lobbying, redução
de conflitos de interesse, de criminalização do enriquecimento ilícito, reforma dos
mecanismos institucionais e processuais de prevenção da corrupção.
256
3.1. MELHOR GOVERNO PÚBLICO,
ESTADO MAIS CAPAZ
3.1.1. REFORMA DAS FINANÇAS PÚBLICAS
E DA GESTÃO FINANCEIRA DO ESTADO
O governo iniciou a Reforma das Finanças Públicas e da Gestão Financeira do Estado
de forma a dotar o Setor Público de instrumentos de gestão (financeira, contabilística,
de custeio, de património, asset management, recursos humanos e tecnologia) moder-
nos e de ponta, e não a atual situação, em que parte substancial desta gestão é feita
com instrumentos dos anos 80 e tecnologia obsoleta. Só a conclusão desta reforma
profunda pode permitir uma melhor gestão pública, com melhores serviços, e poupanças
efetivas na despesa pública.
Os portugueses exigem um “Estado mais Qualificado” e eficiente, capaz de produzir ní-
veis de proteção e de desenvolvimento social elevados com um nível rigoroso de utiliza-
ção de recursos, que não comprometa a competitividade da economia e a produção de
riqueza. Deste modo, os portugueses poderão usufruir de serviços públicos de qualidade
com carga fiscal e custos de contexto mais baixos.
Alcançar um “Estado mais Qualificado” pressupõe uma reforma profunda do Estado, em
que uma das partes críticas é a reforma das Finanças Públicas, que melhore a gestão
financeira e patrimonial do Estado, aumente a transparência da gestão pública, reduza
os desperdícios e aumente a autonomia e a responsabilização da gestão no Setor Públi-
co Administrativo. A RAFE XXI – Reforma da Administração Financeira do Estado para o
Século XXI terá como principais vetores:
• Prosseguir a reorganização de funções, e extinção de observatórios inúteis, estrutu-
ras duplicadas e revisão de despesa associada, transversal a toda a Administração
Pública. Elaboração de um plano para realizar revisões da despesa nos principais
ministérios e nas grandes áreas de despesa, baseados em auditorias externas,
avaliações independentes, com o apoio do Tribunal de Contas, da IGF e da OCDE;
• Reforçar o aumento da flexibilidade gestionária dos organismos e entidades
operativas, assegurando, assim, uma maior responsabilização dessas entida-
des e dos ministérios setoriais, dando-lhes uma maior autonomia financeira
e reduzindo o grau de rigidez da despesa corrente;
257
• Continuar a reforma já iniciada do processo orçamental, melhorando a sua transpa-
rência, e reforçar o papel do Conselho de Finanças Públicas. Uma abordagem top-
-down, que permita uma definição clara das dotações orçamentais atribuídas a cada
Ministério e serviço. Reforço da autorização de despesa como elemento central do
processo orçamental. Atribuição de capacidade e responsabilidade pela gestão das
dotações orçamentais aos respetivos ministérios e organismos, com a manutenção
de mecanismos de controlo de emergência atribuídos ao Ministério das Finanças;
• Concluir a implementação de uma efetiva orçamentação por programas (OP), defi-
nindo para cada ministério objetivos, indicadores e metas. Trata-se de uma alteração
da tradicional orçamentação centrada nos recursos disponíveis (“inputs”), para uma
lógica assente em objetivos e metas para a produção do setor público (“outputs”) e
para os impactos das políticas (“outcomes”);
• Terminar a Implementação do SNC-AP e, consequentemente, ter uma contabilidade
analítica em cada serviço, apurando o custo de cada bem/serviço produzido e de
cada departamento interno;
• Criar um Portal da transparência orçamental que permita aos portugueses conhe-
cer, de uma forma acessível, onde são aplicados os recursos que cedem ao Estado
sob a forma de impostos e outras transferências;
• Concluir a identificar e mapeamento do património urbano e rural na posse do
Estado, e planear e implementar medidas com vista à sua manutenção e valori-
zação de modo a potenciar a sua utilização e o seu aproveitamento;
• Distinguir entre despesas em serviços prestados diretamente à sociedade, que
fortalecem o papel do Estado e orientam os recursos para servir famílias e em-
presas, e despesas internas que servem de suporte a outros organismos da AP; e
entre despesas produtivas, que contribuem para o desenvolvimento ou reduzem
a necessidade de procura futura de serviços do Estado, e despesas paliativas
para resolver problemas imediatos;
3.1.2. REFORMA DA GOVERNAÇÃO, ORGANIZAÇÃO
E DA PRESTAÇÃO DO SETOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO
• Concluir a reforma do “CENTRO DO GOVERNO” por transformação da Presi-
dência do Conselho de Ministros e agregação de serviços dispersos em uni-
dades, serviços, direções gerais e inspeções, relativamente às tarefas de
coordenação de políticas públicas;
258
• Prosseguir o desenvolvimento de Centros de competências de excelência de apoio
ao Governo que agreguem os vários recursos e gabinetes de estudos e prospeção,
de avaliação de políticas públicas, e serviços especializados como os jurídicos, com
vocação de substituir a abundante e onerosa contratação de serviços técnicos ex-
ternos;
• Continuar o processo de descentralização e de modernização da gestão autárquica:
• Descentralização de competências do Estado central para os municípios e enti-
dades intermunicipais, assegurando meios financeiros, incentivos, garantias de
qualidade, coesão territorial e igualdade de oportunidades no país, e avaliação
dos resultados obtidos, seguindo os princípios de autonomia com responsabili-
zação. A descentralização deve prosseguir nas áreas preferenciais identificadas
desde 2013 (ex. cuidados de saúde primários, educação até ao nível secundário,
ação social), continuando a opção de descentralizar a efetiva responsabilidade
pela gestão e prestação do serviço público, em vez da mera transferência de
tarefas de suporte e infraestruturais que não permitem à gestão local assumir
escolhas e responsabilidade;
• Promoção da partilha e integração de serviços entre municípios, multilaterais e
ao nível das entidades intermunicipais, com vista a racionalizar e otimizar a esca-
la da organização, de contratação e de prestação dos mesmos;
• Retomar mecanismos de comparabilidade entre os desempenhos da gestão dos
diferentes municípios como ferramentas de transparência e de estímulo às me-
lhores práticas;
• Avaliar e Rever a Lei de Finanças Locais após a sua primeira década de vigência,
tendo em conta a evolução no papel das autarquias, das suas competências e
recursos disponíveis.
• Reforçar a subsidiariedade na organização vertical da Administração Central do Es-
tado:
• Estimular a desconcentração com autonomia e responsabilidade para a gestão
de proximidade;
• Impulsionando a deslocalização pelo território nacional dos serviços centrais
e administrativos de entidades públicas da administração direta e indireta;
• Garantir o acesso com qualidade dos serviços públicos essenciais às
populações de todo o território nacional, estabelecendo os Critérios
de Proximidade Garantida para os vários Serviços Essenciais, ponde-
rando localização territorial, condições de acessibilidade efetivas, e
complementaridade de oferta.
259
• Aprofundar a reforma da articulação front-office - back-office dos serviços públicos
de atendimento administrativo, com recurso às tecnologias e a uma reengenharia de
processos, expandindo as experiências das Lojas, Espaços e Carrinhas do Cidadão,
os serviços públicos que podem ser tramitados integralmente por via digital, com
reforço das capacidades técnicas e de apoio dos serviços da administração pública;
• Garantir um modelo de tempo de resposta máximo dos serviços públicos ao cida-
dão e empresa que possa ser avaliado e comparado;
• Assegurar a interoperabilidade dos vários serviços das administrações públicas;
• Progredir na digitalização, desmaterialização de processos, desenvolvimento
tecnológico, reforço da cibersegurança, e integração de ferramentas de inteli-
gência artificial na Administração Pública;
• Avançar na disseminação da interação por via digital e remota com os serviços
administrativos do Estado, mas sempre garantindo a assistência pessoal (incluin-
do através dos Espaços do Cidadão e apoio telefónico) aos que têm dificuldades
técnicas, económicas ou de info-exclusão;
• Simplificar, concentrar e responsabilizar a interface da relação entre a empresa
e a Administração Pública, através de uma Rede Pública de Gestores dos Clien-
tes Empresariais, que seja também um Balcão ou Ponto Único, com interface
também digital (e-balcão), baseado no conceito de one-stop-shop, onde os in-
vestidores e empresários podem tratar de todos os temas relacionados com a
empresa: laborais, licenças, fiscalidade, segurança social, entre outros.
• Aprofundamento da digitalização dos processos internos e externos da administra-
ção pública e introdução gradual de inteligência artificial, sempre desenhada e con-
trolada por pessoas nos processos administrativos decisórios;
• Implementar uma cultura e prática de sistemática Avaliação de Políticas Públicas,
incluindo por entidades privadas ou públicas independentes; Portugal tem uma das
piores classificações da UE (3.4. em 10) na área da definição de políticas com base
em factos e de avaliação do seu impacto à posteriori;
• Reforçar a utilização de métricas que permitam avaliar a qualidade nos servi-
ços prestados, através da monitorização dos resultados e com implementa-
ção de planos de melhoria;
• Criar um barómetro de resultados dos serviços prestados pela Adminis-
tração Pública, tendo em conta o resultado da avaliação da satisfação
dos cidadãos e das empresas, publicando trimestralmente os resulta-
dos e a sua evolução.
260
3.1.3. MEDIDAS PARA O SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO
O universo das empresas públicas é composto pelo setor empresarial do Estado, o setor
empresarial regional e o setor empresarial local. As atividades, a forma de atuação, a
origem das receitas e a natureza das despesas, bem como o objetivo de serviço público é
muito diferenciado, o que pode dificultar a análise do seu desempenho. Não obstante, o
Estado deve identificar e sinalizar os objetivos específicos para cada setor de atividade,
sem prejuízo da salvaguarda da autonomia dos conselhos de administração.
Em 2013, o Governo do PSD/CDS-PP alterou a legislação de forma a aplicar à gestão
do setor público empresarial as melhores práticas internacionais. O controlo é realizado
através de 3 instrumentos: Relatório e Contas, Relatório do Governo Societário e Planos
de Atividade e Orçamento. Segundo o Conselho das Finanças Públicas, em novembro de
2024, 97% das empresas tinha apresentado o Relatório e Contas relativo a 2023, 65% o
Relatório de Governo Societário e 84% tinham Planos de Atividade e Orçamento anali-
sados pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Em-
presarial. Em novembro de 2024, a DGTF tinha aprovado 52% dos Relatórios e Contas
submetidos ao Tribunal de Contas, 57% dos relatórios de Governo Societário analisados
pela UTAM e 90% dos planos de Atividade e Orçamento analisados pela UTAM. Não
obstante se ter registado em 2024 uma evolução positiva face aos anos anteriores, em
particular no que concerne aos Planos de Atividade e Orçamento analisados e aprova-
dos, urge prosseguir o esforço com vista a melhorar os níveis de governança corporativa
através da publicação e aprovação destes instrumentos de gestão.
Medidas de reporte:
• Prosseguir a implementação da legislação introduzida em 2013, em particular no que
diz respeito à publicação e aprovação dos instrumentos de gestão, permitindo um
reforço de accountability do setor público.
• Continuar a assegurar que em todas as empresas relevantes, o reporte inclui as
obrigações de serviço público e as compensações que a empresa recebe do Esta-
do para o cumprir, bem como informação de natureza não-financeira (e.g. am-
biental, social e governança), em cumprimento com os princípios e requisitos da
Diretiva de Reporte Corporativo de Sustentabilidade e na linha dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
261
Medidas para o Conselho da Administração. Em vários países da OCDE, as empre-
sas do setor empresarial do estado têm membros independentes, que não representam
os acionistas, mas que servem para defender os interesses de outros stakeholders, por
exemplo trabalhadores e utilizadores dos serviços da empresa pública;
• Incentivar uma maior diversidade no Conselho de Administração, designadamente
no que diz respeito à paridade entre homens e mulheres;
• Introduzir critérios objetivos de avaliação da Administração, incluindo o desempenho
na obrigação de prestação do serviço público;
• Rever a governação e os instrumentos de gestão, reforçando a accountability do
setor público, com clara separação das competências de propriedade, gestão e re-
gulação;
• Tornar os conselhos de administração mais independentes e promover a transparên-
cia e o controlo da gestão;
• Garantir a não interferência política na atividade das empresas e zelar pela transpa-
rência do processo de designação dos membros dos conselhos de administração;
• Introduzir a obrigação de definição e comunicação periódica, junto das respetivas
Tutelas, de um modelo de gestão do risco da atividade, bem como as respetivas pro-
postas de medidas de mitigação dos riscos considerados como estratégicos.
As empresas do SEE devem desempenhar, por princípio, um papel relevante na imple-
mentação das políticas públicas, assegurar a presença do Estado em setores conside-
rados estratégicos, designadamente aqueles que respeitam ao desempenho de funções
de soberania, bem como a produção e venda de bens e serviços considerados essenciais
para a população, ou onde as falhas de mercado exijam a intervenção pública.
Com vista a proceder a uma reavaliação dos ganhos de eficiência e de qualidade resul-
tantes da manutenção e exploração das atividades abrangidas pelo SEE em moldes
empresariais públicos ou de uma participação estatal, na perspetiva da reconfigura-
ção da dimensão do Estado e do princípio da eficiência, foi criado, em 2024, um gru-
po de trabalho para proceder ao levantamento das empresas do SEE consideradas
estratégicas (com exclusão da Caixa Geral de Depósitos, do grupo Águas de Por-
tugal, da RTP e da Companhia das Lezírias). Neste contexto, serão promovidas
as operações que visam concretizar a saída do Estado das empresas conside-
radas pelo Governo como não estratégicas.
262
Num processo que se arrastava desde 2002, e após a aprovação do decreto-lei que per-
mite dar continuidade à atividade da Silopor e encerrar o processo de liquidação desta
sociedade com a manutenção de todos os contratos de trabalho e direitos laborais com
a nova concessão, será concretizado o processo de privatização que garantirá a con-
tinuidade do armazenamento e abastecimento de cereais através do porto de Lisboa.
3.2. REFORMA DA POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS
DO SETOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO
Iniciamos uma reforma profunda na política de recursos humanos, visando dotar os ser-
viços públicos e os seus trabalhadores de competências críticas, de estratégias e polí-
ticas ajustadas de recursos humanos, e de autonomia e flexibilidade para realizarem as
suas missões, e deve valorizar uma cultura de iniciativa e recompensa nos profissionais
do Estado. Com vista à recuperação da valorização, qualificação, propósito e incentivo
ao emprego público. Vamos prosseguir com:
• A prioridade estratégica e orçamental de resolver as carências mais dramáticas de
um conjunto de profissões essenciais dentro do Estado, assumindo-se a necessidade
de esforços especiais para compensar o desincentivo e desvalorização (material e
profissional);
• Reforçar a definição da política de recursos humanos de médio prazo de cada ser-
viço num contexto de autonomia de política remuneratória e de definição dos seus
objetivos estratégicos. Este instrumento permitirá prever a evolução das competên-
cias humanas críticas, a integração do desenvolvimento tecnológico e o seu reflexo
nos quadros de pessoal do serviço, as necessidades de renovação intergeracional, e
desenvolver modelos de tutoria e passagem de conhecimento intergeracional;
• Permitir a capacitação da gestão dos serviços/entidades através do desenvolvimen-
to de sistemas de partilha de boas práticas de gestão e da aposta em programas
de formação avançada dos quadros dirigentes, aprofundando as parcerias com as
escolas de gestão do ensino superior português;
• Implementar planos individuais de desenvolvimento de carreira dos trabalhado-
res, numa cultura de flexibilidade e conciliação entre vida familiar e trabalho,
facilitando a mobilidade intra e inter-Administrações Públicas e carreiras, e
apostando na permanente qualificação e formação profissional dos traba-
lhadores;
• A garantia que o mérito profissional tenha um reflexo imediato nas con-
dições remuneratórias dos trabalhadores. O mérito deve ponderar o de-
sempenho efetivo individual dos trabalhadores e coletivo do respetivo
263
serviço/entidade, e ser aferido através de avaliações 360 graus desburocratizadas e
focadas num processo de melhoria contínua, onde a autonomia e consequente res-
ponsabilização dos dirigentes e gestores públicos se assumam como pilares funda-
mentais;
• Prosseguir a modernização dos sistemas de avaliação e progressões das carreiras
gerais (SIADAP e similares) criando-se o suplemento remuneratório de desempenho
que a cada ano aumenta de valor com base no desempenho do trabalhador e do seu
serviço/ entidade no ano anterior. Tal permite reconhecer o mérito e desempenho
contínuo dos trabalhadores. Supletivamente, comtempla-se a possibilidade de tra-
balhadores com desempenho meritório elevado receberem bónus variáveis no final
de cada ano;
• Assegurar o alinhamento e competitividade do emprego público com as condições
das posições comparáveis no setor privado, preservando as proteções de emprego
público. Em particular, pretende-se permitir bonificações nos salários de entrada e
dos salários dos profissionais de determinada carreira sempre que o recrutamento e
retenção de trabalhadores com competências essenciais se torne dificultado;
• Reforçar a aplicação de critérios transparentes e reforçar a imparcialidade nos pro-
cessos de recrutamento para cargos públicos, de forma a atestar que a escolha dos
candidatos é objetiva e de acordo com as suas qualificações, e de forma a promover
um sistema baseado no mérito como forma de captar e reter bons profissionais e
melhorar funcionamento das entidades públicas.
264
4. UMA ECONOMIA
DE FUTURO
4.1. MAIS QUALIFICAÇÕES, MELHOR EMPREGO
4.1.1. REFORMAS DO MERCADO DE TRABALHO:
MAIS PRODUTIVIDADE, MAIS RENDIMENTOS
Após 8 anos de governos do PS, o mercado de trabalho em Portugal evidencia sérias
debilidades. Os rendimentos do trabalho líquidos são cerca de 60% da média europeia,
e o salário mínimo está cada vez mais próximo do salário médio. Embora os níveis de
desemprego sejam moderados, os níveis de rendimentos baixos perpetuam uma muito
elevada pobreza na população empregada (9,2%).
Ao mesmo tempo, vários setores de atividade encontram dificuldades em contratar no-
vos trabalhadores, em virtude dos desajustamentos entre as suas competências e aque-
las que são procuradas pelas empresas, num contexto onde a formação profissional ao
longo da vida é frequentemente desajustada face às necessidades, e de limitada quali-
dade.
A regulamentação perpetua uma segmentação elevada no mercado de trabalho e na
proteção social, entre trabalhadores com contratos sem termo e aqueles com contratos
a termo ou a tempo parcial, os cuidadores informais, todos os que trabalham através de
agências de trabalho temporário e ainda em novas formas de emprego (trabalhadores
nas plataformas digitais e em trabalho remoto para empresas externas).
Portugal precisa de superar este paradigma e recuperar o atraso ainda existente nas
qualificações da população ativa e preparar e requalificar a força de trabalho na-
cional (formada localmente e imigrantes) para as transformações tecnológicas em
perspetiva. Este programa de reformas pretende estimular um mercado de traba-
lho dinâmico que melhore a eficiência na afetação de recursos humanos, comba-
ta a pobreza e a precariedade através da promoção do investimento em Capital
Humano gerador de aumentos de produtividade, que dignifique o emprego, e
seja aberto à diversidade de equilíbrios concertados entre trabalhadores e
empregadores.
265
Assim, existem desafios que exigem uma resposta estrutural adicional às medidas cons-
tantes no Programa Social e de Governação. Respeitando a centralidade da concer-
tação social procurar-se-á debater os seguintes tópicos e medidas com os parceiros
sociais, procurando a convergência em torno do desígnio de aumentar a produtividade
do País:
Dignificar o trabalho e o emprego, combater a pobreza e a precariedade
• Modernizar as regras para confrontar a segmentação do mercado e ajustar às
transformações no mundo do trabalho;
• Potenciar as relações laborais estáveis, o investimento das partes na relação labo-
ral, e a efetiva integração dos trabalhadores;
• Maior adaptabilidade dos tempos e modos de trabalho de forma a dar resposta aos
desafios que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional colocam aos trabalhado-
res e empresas:
• Reforço da possibilidade de transição, mesmo que temporária, entre regimes
de horário de trabalho e possibilidade de trabalho remoto por acordo entre as
partes;
• Enquadramento flexível de transição entre durações do período normal de
trabalho semanal, mesmo que temporária, com possível ajuste percentual da
remuneração, permitindo um contacto mais ligeiro com o mercado trabalho
quando tal é desejado e por iniciativa exclusiva do trabalhador; por exemplo,
como complemento à formação académica dos mais jovens, como uma via de
transição suave para a reforma, como forma de reforçar o equilíbrio entre traba-
lho e vida familiar, ou no propósito de desenvolvimento de projetos pessoais do
trabalhador;
• Salvaguarda que desacordos negociais entre trabalhador e empregador, em par-
ticular face aos pontos anteriores, não podem ser causa de despedimento;
• Maior flexibilidade no gozo de férias por iniciativa do trabalhador, com a pos-
sibilidade de aquisição de dias de férias, com um limite a definir contratual-
mente entre as partes;
• Fim da obrigatoriedade de cessação de contrato do trabalhador quando
este transita para o estado de reformado. Por acordo entre as partes,
o contrato, eventualmente ajustado nos períodos normais de trabalho
e horário de trabalho pode manter-se;
266
• Enquadramento reforçado face a questões de discriminação, exploração laboral,
assédio laboral e sexual em contexto laboral, com um enquadramento de pena-
lizações cíveis associadas, sem prejuízo e em reforço do enquadramento penal
existente;
• Reforço do papel da Autoridade das Condições de Trabalho, através da criação do
balcão da relação laboral que arbitra diferendos entre as partes, produzindo deci-
sões arbitrais céleres;
• Introdução de mecanismos de reforma a tempo parcial que permitam prolongar a
vida ativa, continuar a trabalhar e a acumular rendimentos do trabalho e de pen-
sões, atingindo uma maior flexibilidade da idade de acesso à pensão completa por
velhice;
• Simplificação do código do trabalho através da racionalização do articulado, fo-
cada em reduzir custos de contexto, assim garantindo a maior implementação e
compreensão das regras pelas partes;
• Reforçar a convergência de direitos à proteção social dos trabalhadores indepen-
dentes, eventualmente os cuidadores informais e ainda em novas formas de em-
prego (trabalhadores nas plataformas digitais e em trabalho remoto para empresas
externas) com o regime dos trabalhadores por conta de outrem, no que diz respeito
à proteção no desemprego, doença, parentalidade ou reforma, no âmbito de uma
revisão profunda do Código Contributivo, no sentido de garantir simplificação, har-
monização e equidade;
• Substituição de um conjunto alargado de apoios sociais por um Suplemento Remu-
nerativo Solidário (ver Reforma dos apoios sociais).
• Deve ser negociada a definição de critérios de representação empresarial e sindi-
cal mínimos para publicação de portarias de extensão das convenções coletivas
de trabalho de forma a desincentivar a fragmentação sindical e reforçar o diálogo
social nas empresas;
• Revisitar o enquadramento legal e privilegiar a concertação social na definição
das regras da relação laboral, ajustadas à realidade de cada setor, ao invés do
código do trabalho e demais enquadramentos genéricos legislativos associa-
dos.
267
Reestruturar o sistema de formação profissional e reformar o serviço público
de emprego
• IEFP deve assumir um papel de regulador / certificador das entidades intervenien-
tes no mercado da formação de alta qualidade, sendo a oferta do IEFP supletiva, e
dirigida a públicos vulneráveis, face à oferta existente no mercado;
• Promoção de “cheques-formação” dirigidos a empresas e trabalhadores que atra-
vés do mercado de formação adquirem competências geradoras de produtividade,
tanto no contexto da atual relação laboral como das seguintes que o trabalhador
eventualmente venha a ter;
• Publicação de um “Código da Formação Profissional” que colija toda a legislação
que regula esta atividade, por exemplo em termos de serviços, apoios e obrigações
legais das empresas;
• Reestruturação do serviço público de emprego, da responsabilidade do IEFP, e im-
plementação de Sistemas de Emprego e Formação Regionais, integrando entidades
públicas de tutela (IEFP, municípios, ANQEP e Ministério da Educação), operadores
de formação e educação, parceiros sociais, e entidades do ensino superior, para o
planeamento oferta de formação de nível não-superior e gestão de medidas ativas
de emprego;
• Promover a formação profissional na área digital, de trabalhadores, de desempre-
gados e de pessoas à procura do primeiro emprego, de molde a permitir que todos
acompanhem a transição digital; adequar a oferta formativa às necessidades do
tecido empresarial e empregadores, e à especificidades locais e regionais, aprofun-
dando a autonomia e a avaliação da formação e educação, tornando mais claro o
seu financiamento, e promovendo a formação de gestores e colaboradores.
4.1.2. REFORMA DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL
E DAS QUALIFICAÇÕES
É fundamental que o sistema de educação e formação profissional também dê res-
posta às necessidades e potencialidades da economia portuguesa e do seu tecido
empresarial, dessa forma criando um ambiente de ligação entre as Universidades
e as empresas, e preparando a força de trabalho nacional para as transforma-
ções tecnológicas em curso e as mudanças fundamentais no futuro do traba-
lho, designadamente por via da digitalização e das transformações geradas
pela disseminação da inteligência artificial.
268
Este é um processo gradual e incremental que é preciso prosseguir, com intervenções
ao nível do ensino profissional secundário e do ensino superior para articular as qualifi-
cações com as ferramentas de futuro e a capacidade de reaprender e se requalificar.
Assim importa estruturalmente definir como prioridades:
Ensino Profissional
• Continuar a reforçar e qualificar o ensino profissional, de nível secundário, no sen-
tido um equilíbrio entre conhecimento, competências e aptidões técnicas; reforço a
componente de aprendizagem em contexto de trabalho; e maior envolvimento das
empresas na definição dos conteúdos curriculares;
• um equilíbrio entre conhecimento, competências e aptidões técnicas;
• reforço da componente de aprendizagem em contexto de trabalho;
• maior envolvimento das empresas na definição dos conteúdos curriculares.
• Criar um Programa nacional de sensibilização para a importância do ensino profis-
sional e promover a progressão para o ensino superior para os alunos que o dese-
jem, promovendo as ações necessárias para que pelo menos 50% dos alunos que
concluem um curso do Ensino Profissional prossigam os seus estudos através da
frequência de uma licenciatura (de preferência alinhada com a área de Educação e
Formação do curso de Ensino Profissional concluído);
• Um Sistema Nacional de Orientação Vocacional que articule todas as ofertas de
Educação e Formação e que permita alinhar os interesses individuais dos jovens com
as necessidades de qualificação do país. Este sistema deve apoiar os jovens na iden-
tificação da melhor escolha em função do seu perfil e do contexto que os envolve. O
sistema deve envolver todas as modalidades de educação e formação para jovens
independentemente do Operador de Educação e Formação;
• Envolvimento das empresas numa participação mais profunda e ativa no Ensino
Profissional, quer no desenvolvimento curricular dos cursos, quer nos processos de
ensino-aprendizagem dos alunos, evoluindo a componente de Formação em Con-
texto de Trabalho para Aprendizagem em Ambiente Profissional;
• Reforçar o adequado financiamento das escolas de ensino profissional, com
atualização do valor do financiamento por aluno e com majoração pelo con-
texto social e territórios de baixa densidade;
• Reforçar o envolvimento das famílias no processo educativo e formativo
dos jovens, com vista a potenciar o seu sucesso e a redução das taxas de
abandono.
269
Ensino Superior
• Qualificar a formação profissional de nível superior, ajustar as ofertas orientadas
para as competências que serão mais valorizadas no âmbito da (r)evolução tecnoló-
gica em curso, designadamente:
• Alargando a diversidade dos CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais);
• Aumentar a transparência sobre a empregabilidade dos diversas vias e graus de
ensino;
• Aumentar a autonomia curricular das instituições de ensino superior (para pro-
por, adaptar, inovar) que cumpram e registem elevados níveis de empregabilida-
de.
• Recuperar o programa JTI – Jovens Técnicos para a Indústria, desenvolvendo com
o apoio dos Centros Tecnológicos Sectoriais, programas de incentivo à integração
dos nossos jovens licenciados, nas áreas científicas, tecnológicas e de gestão, nas
empresas portuguesas;
• Criar um programa JDI – Jovens Doutorados para a Indústria, desenvolvendo, com
o apoio das Associações Empresariais Nacionais, programas de incentivo à integra-
ção dos nossos jovens doutorados, nas áreas científicas, tecnológicas e de gestão,
nas empresas portuguesas, substituindo, com vantagens para a economia portu-
guesa, o atual sistema de bolsas de investigação;
• Desenvolver, com o apoio dos Centros Tecnológicos Sectoriais, programas de for-
mação, qualificação e certificação de quadros técnicos intermédios, preenchendo,
adequadamente, a fileira de conhecimento das empresas portuguesas mais dinâmi-
cas. Por último, é necessário reforçar os mecanismos da concertação social enquan-
to local preferencial de construção de compromissos, de forma a criar incentivos e
alinhar os interesses dos vários parceiros, tendo em vista contribuir para o aumento
da produtividade nacional e a geração de emprego;
• Promover a formação e qualificação dos gestores e melhorar as práticas de ges-
tão de forma a melhorar as condições de trabalho e estimular um melhor desem-
penho dos trabalhadores e uma maior produtividade das empresas;
• Manter a aposta decisiva na qualificação dos portugueses em competências
tecnológicas e digitais e preparando a força de trabalho para a revolução
da inteligência artificial, incluindo por:
• Formação ao longo de todo o processo educativo, incluindo reforço
dos currículos académicos em programação e análise de dados;
• Desenhar uma estratégia público-privada de requalificação para
as funções mais afetadas.
270
4.2. POPULAÇÃO COM FUTURO: VENCER A
CRISE DEMOGRÁFICA E EXPANDIR A OFERTA
HABITACIONAL
4.2.1. VENCER A CRISE DEMOGRÁFICA
Natalidade e regresso de emigrantes
Portugal enfrenta um dos maiores invernos demográficos da União Europeia, tendo o
5.º mais baixo índice sintético de fecundidade (1.35 filhos por mulher em 2021), e sendo
o 5.º país onde as mulheres têm filhos mais tarde (idade média aquando nascimento de
31,8 anos). A realidade é o resultado de um país onde a autonomização e concretização
dos projetos de vida dos jovens é cada vez mais difícil e, portanto, tardia, e a porta da
emigração cada vez mais a alternativa presente.
Portugal enfrenta mais do que nunca um desafio existencial. A governação dos últimos
8 anos falhou em reconhecer as dificuldades, falhou em identificar os problemas, e fa-
lhou em desenhar as soluções. Hoje, para demasiados jovens o caminho socialista para
Portugal não lhes dá futuro, e não conta com eles. O país deixou de ter um sistema de
educação de qualidade para os seus filhos, deixou de ter um serviço nacional de saúde
que seja capaz de dar resposta aos seus anseios mínimos, continuou a perpetuar muito
para além da emergência financeira uma carga fiscal que lhes asfixia os seus sonhos,
deixou de promover um contexto onde uma habitação seja acessível, e tornou-se cada
vez mais bloqueado, constrangido e incapaz de se desenvolver com ambição.
A AD reconheceu a gravidade do momento, e sempre considerou que apenas uma políti-
ca integrada, que reflita a realidade dos jovens, os seus anseios e a suas preocupações
lhes dá a possibilidade de responderem ao apelo de fazer Portugal. Assim, existe uma
abordagem de largo espectro procurando auxiliar os jovens a poderem estar e ser em
Portugal, que em parte foi sendo concretizada ao longo do ano, tanto do ponto de
vista habitacional como fiscal, mas que uma parte relevante ainda tem de ser ma-
terializada, nomeadamente:
• Com um mercado de trabalho onde os contratos de trabalho permitam ma-
leabilidade para diferentes estilos de vida, prioridades, conciliação trabalho
lazer e contínuo investimento pessoal;
• Com o Estado Social mantendo-se focado nos cidadãos, utilizando
toda a capacidade instalada para garantir uma resposta efetiva nos
271
diversos planos das políticas públicas aos jovens, aos agregados familiares que vão
criar, e às gerações anteriores. Além da Saúde e da Educação, será garantido o aces-
so universal e gratuito às creches, mobilizando os setores público, social e privado;
• Uma Economia a crescer mais e a distribuir melhor, através de apoios sociais que
não se constituam uma armadilha de pobreza, e assim promovendo coesão e harmo-
nia social que potencie a riqueza intrínseca do país, e o ofereça como um sítio onde
os jovens desejam viver.
Valorização da diáspora
No atual contexto de crise demográfica em Portugal, importa manter uma relação de
forte proximidade com a diáspora, como forma de garantir um vínculo fundamental en-
tre o país e os seus cidadãos a viver fora, que são fundamentais no apoio às gerações de
pais e avós que têm ficado em Portugal.
A experiência internacional da diáspora dá origem a aprendizagens que podem ser muito
úteis ao país. Ideias novas, formas de trabalhar e implementar processos que os portu-
gueses residentes no estrangeiro trazem de volta no regresso ao país podem ser formas
muito eficazes de aumentar a produtividade e os salários nacionais. Do mesmo modo,
ainda que continuem na diáspora, estes cidadãos nacionais a residir fora de Portugal
podem contribuir muito para o desenvolvimento do país através de projetos inovadores,
investimentos e laços comerciais internacionais.
O regresso de portugueses qualificados tenderá a promover, ainda com mais facilidade
do que no caso de outras nacionalidades, o empreendedorismo, inovação e a potenciar
sinergias produtivas com os nacionais residentes.
Assim a AD considera crítico que Portugal esteja perto e presente na vida dos seus emi-
grantes, e tenha uma porta aberta e uma política de muito maior proximidade para com
a diáspora. A AD propõe continuar:
• Reforço de recursos da rede consular e câmaras de comércio, dando resposta
ao crescimento da diáspora e reforçando a ligação efetiva entre a diáspora e o
tecido económico e empresarial português;
• Adaptação, agilização e desburocratização dos processos notariais e de
registos formalizados na rede consular;
• Ligação com associações de emigrantes e incentivo especial à criação
de networks internacionais;
272
• Recolha de informação sobre os destinos, qualificações e expectativas profissio-
nais dos emigrantes que deixam Portugal - temporários e permanentes, por forma a
garantir o permanente ajuste da ligação de Portugal à Diáspora.
Imigração regulada com integração humanista
Tal como referido no Programa Social e de Governação, Portugal assistiu nos últimos 7
anos a um dos maiores choques demográficos da sua história, passando de 4% de es-
trangeiros na sua população residente em 2017, para cerca de 15% em 2024.
Esta realidade impõe que o país prossiga uma política de imigração regulada, por for-
ma a conter a irresponsabilidade que foi legada ao governo em funções, e que permita
reverter a degradação acentuada da integração dos migrantes que os números, a velo-
cidade de evolução e as debilidades que nos foram legadas ao nível das principais políti-
cas públicas entre elas Saúde, Educação e Habitação tornam evidentes.
Se a existência de um acréscimo significativo de mão-de-obra em Portugal encerra em
si oportunidades de expansão da atividade económica, também apresenta desafios sig-
nificativos referentes à efetiva e humanizada integração dos migrantes e à capacidade
do país de reforçar o seu capital humano e as suas qualificações, como única forma de
assegurar que o País se continua a desenvolver em todos os seus domínios. Este é um
desafio de largo espectro que não pode ser reduzido a contabilidades imediatas de sal-
dos da segurança social, e exige uma abordagem holística.
A estratégia da AD neste domínio está plasmada no seu Programa Social e de Governa-
ção.
4.2.2. HABITAÇÃO, REFORMAS PARA RESOLVER
A CRISE DA HABITAÇÃO
A crise da habitação não constitui apenas o defraudar de um direito social funda-
mental, mas tem impactos económicos e no Estado social que são assinaláveis. De
facto, a falta de habitação é uma restrição à capacidade de expandir a atividade
económica e de garantir um mercado de trabalho menos fricional e por isso capaz
de dar resposta às necessidades das empresas, dos trabalhadores e do próprio
Estado.
As reformas necessárias para dar resposta efetiva a esta crise estão de-
finidas no programa social da AD, sendo certo que o produto da sua im-
plementação será gradualmente sentido ao longo da legislatura. O alívio
273
desta crise, que a implementação destas reformas a médio prazo trará, desbloqueará
entraves à atividade económica, e à atração de investimento que em zonas mais pres-
sionadas em termos de acessibilidade à habitação hoje persistem.
Da mesma forma, as dificuldades de recrutamento e retenção de funcionários públicos
em muitos serviços das áreas mais afetadas, que tornam difícil a garantia de um serviço
estável e a capacidade de atração e retenção de profissionais será atenuada. Por cobro
à presente crise é, pois, um imperativo social e económico.
274
5. CENÁRIO MACROECONÓMICO
DA AD - 2025-2029
Este cenário é marcado por uma forte incerteza em vários domínios: a evolução da eco-
nomia europeia, americana e chinesa; as novas regras orçamentais europeias e os seus
impactos; a possibilidade de novo conflitos internacionais ou o agravamento de conflitos
existentes; a possibilidade de medidas protecionistas, com impacto no comércio inter-
nacional, na inflação e na atividade económica.
Em termos de crescimento económico, as medidas da AD resultam num aumento sus-
tentado do crescimento da produtividade do trabalho, atingindo 1,8% em 2029 (o que
reflete principalmente alterações de nível do produto em resultados das reformas imple-
mentadas, embora se registe um aumento do crescimento da produtividade potencial).
A população ativa cresce cerca de 1% ao longo do horizonte, e a taxa de desemprego
cai para 5,3%. O crescimento do PIB passa, assim, de 2,5% em 2025 para 3,2% em 2029.
O consumo privado cresce ligeiramente abaixo do crescimento do PIB e o investimento
cresce acima, e de forma mais pronunciada em 2025 e 2026. As exportações mantêm o
crescimento robusto dos últimos anos (4,5% e 4,4% em 2027 e 2028) e as importações
crescem ligeiramente menos. O consumo público cresce de forma mais contida, 1,6% em
2026, 1,4% em 2027, 2% em 2028 e 2029, em resultado de alguma contenção da despe-
sa. Não se admitem alterações na parte nominal: os deflatores do PIB e o IPHC são os
constantes do Cenário CFP (valores de 2029 iguais aos de 2028).
275
Tabela: Cenário Macroeconómico da AD 2025-2029
Taxa de variação (%) 2024 2025 2026 2027 2028 2029
PIB 1,9 2,4 2,6 2,9 3,2 3,2
Consumo privado 3,2 2,4 2,5 2,7 3,0 3,0
Consumo público 1,1 2,0 1,6 1,4 2,0 2,0
Investimento (FBCF) 1,7 4,4 6,0 3,7 3,4 4,0
Exportações de Bens e Serviços 3,4 2,2 3,0 4,5 4,4 4,4
Importações de Bens e Serviços 4,8 2,8 3,8 3,9 3,7 3,8
Contributos para a variação real do
1,9 2,4 2,6 2,9 3,2 3,2
PIB (p.p.)
Procura interna 2,5 2,6 2,9 2,6 2,9 3,0
Procura Externa líquida -0,6 -0,3 -0,3 0,3 0,3 0,2
Preços
Deflator do PIB 4,7 2,7 2,5 2,0 2,0 2,0
PIB (variação nominal) 6,6 5,1 5,1 4,9 5,2 5,2
IHPC 2,7 2,4 2,1 2,0 2,0 2,0
Mercado de trabalho
Taxa de desemprego (% pop. ativa) 6,4 6,4 6,4 6,1 5,8 5,5
Emprego 1,2 0,6 1,1 1,3 1,3 1,2
Produtividade aparente do trabalho 1,0 1,8 1,4 1,5 1,8 2,0
PIB potencial 2,3 2,6 2,7 3,1 3,2 3,4
Hiato do Produto 0,7 0,5 0,3 0,0 0,0 -0,2
276