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Contos Mágicos: Verdades e Amores

O documento apresenta quatro histórias curtas com temas variados. A primeira fala sobre uma biblioteca que se abre com lágrimas, a segunda sobre um homem que ama uma mulher feita de vento, a terceira aborda pombos que empalham estátuas humanas, e a quarta explora uma cidade onde as pessoas têm verdades invisíveis. Cada narrativa traz reflexões sobre amor, identidade e a condição humana.

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Contos Mágicos: Verdades e Amores

O documento apresenta quatro histórias curtas com temas variados. A primeira fala sobre uma biblioteca que se abre com lágrimas, a segunda sobre um homem que ama uma mulher feita de vento, a terceira aborda pombos que empalham estátuas humanas, e a quarta explora uma cidade onde as pessoas têm verdades invisíveis. Cada narrativa traz reflexões sobre amor, identidade e a condição humana.

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1.

Esperançosa – "A biblioteca que só abria quando alguém chorava"


Na colina mais alta de uma cidade esquecida, havia uma biblioteca sem porta. Só se abria quando
alguém chorava perto dela.
Ninguém sabia quem a construiu, mas os mais velhos diziam que os livros lá dentro só podiam ser
lidos com os olhos molhados.
Um dia, uma criança perdida, de nome Joana, sentou-se aos pés da biblioteca e chorou. Não por
tristeza — mas de frustração por não entender o mundo. As pedras se moveram, a brisa sussurrou, e
a entrada apareceu.
Lá dentro, ela não encontrou respostas — mas perguntas melhores.
Desde então, volta sempre que chora. E volta chorando cada vez menos.

2. Romântica – "O homem que amava uma mulher feita de vento"


Ela passava sempre às 18h04, assobiando entre as árvores, levantando saias e segredos. Ele a
esperava com um guarda-chuva invertido e um coração aberto.
Não podia tocá-la. Nem vê-la, de verdade. Mas sentia. Sabia quando ela estava triste — o vento
vinha morno. Sabia quando estava rindo — tudo dançava, até o chão.
As pessoas diziam que ele era louco. Mas ele só sorria:
“Alguns amam com os olhos. Eu amo com a pele.”
E assim envelheceu, com folhas nos cabelos e amor no peito.
No dia de sua morte, a cidade toda ficou em silêncio.
Mas o vento… o vento chorou.

3. Absurda – "A revolta dos pombos taxidermistas"


Tudo começou quando um pombo chamado Alfredo aprendeu a costurar. No começo, eram só penas
soltas. Depois, corpos. Logo, um grupo inteiro de pombos desenvolveu um talento peculiar:
empalhar estátuas humanas com precisão absurda.
Eles começaram pequeno — um político aqui, um turista distraído ali. Sempre deixando o mesmo
bilhete nos bolsos:
“Agora vocês sabem como é ser decorativo.”
O governo tentou negociar. Os pombos pediram:
• Mais milho orgânico
• Direito de voto nas eleições locais
• A substituição da estátua de Dom Pedro II por um busto de Alfredo
Ninguém cedeu.
Hoje, em certas praças silenciosas, há olhos de vidro que piscam com pena.
Literalmente.

4. Filosófica – "A cidade onde todo mundo tinha uma verdade invisível
pendurada no pescoço"
Nessa cidade, as pessoas nasciam com um pequeno cristal invisível no pescoço. Cada um carregava
a sua verdade mais profunda, que só se revelava se alguém olhasse para você por tempo suficiente.
A maioria evitava contato visual.
Um homem andava de olhos abertos, encarando todos com gentileza. Ele queria ver — queria
entender. Um dia, viu uma mulher cuja verdade dizia:
“Amo demais. Sempre escondo.”
E ela viu a dele:
“Quero ser amado sem ter que pedir.”
Não disseram nada. Só sorriram. E seguiram andando… lado a lado, sem precisar desviar o olhar.

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