Tutorial 7 – The Classical School: Thomas Malthus and David Ricardo
- A partir de Adam Smith, temos o que chamamos de período clássico – que acaba com John
Stuart Mill
- Diferentes pensadores com diferentes backgrounds foram reconhecidos como clássicos:
pessoas do setor privado, do poder público, com ou sem foco na academia etc. Uma das
razões para definirmos como clássicos é a relação entre seus trabalhos – Ricardo se baseou
em Smith e Mill em Ricardo, sendo difícil dissociar um trabalho de outro
- Malthus e Ricardo são nomes principais da escola clássica
Malthus
- A primeira parte do texto aborda Malthus, que como vimos na última aula foi um grande
pensador da época e que é considerado o primeiro professor de política econômica e
economia da Inglaterra. Sua teoria mais famosa é do crescimento populacional: o
crescimento populacional não é seguido pela produção na agricultura e isso levaria e
restrições no progresso da humanidade <ele se baseou estudando o desenvolvimento dos
EUA, que duplicou a população a cada 25 anos>
- Ele afirma que mecanismos são necessários para manter a taxa de crescimento da
população baixa; fome era o exemplo mais claro para isso, além do controle de fecundidade
- O economista pensava que quanto maior nível de renda familiar, mais filhos teria, o que
levaria a um crescimento populacional e na força de trabalho > aumentando a oferta de
trabalho, os salários cairiam e que ficaria novamente no nível de subsistência
- Uma controvérsia em suas ideias era em relação ao modo de diminuir pobreza: uma forma
de diminuir pobreza que levasse ao aumento da riqueza de famílias levaria a um crescimento
no numero de filhos, o que ao longo do tempo levaria ao crescimento populacional e que
abaixaria o nível de salários > o resultado seria o mesmo padrão de vida, mas mais pessoas
vivendo na pobreza. Para ele, uma medida política e econômica que levasse a um numero
menor de filhos seria a maneira mais efetiva de diminuir a pobreza
- Outro ponto eram suas ideias de livre comércio: os problemas começaram a ser debatidos
com as Corn Laws (proibição de importação de trigo quando o preço caísse a um certo nível
> proteção da agricultura britânica), o que levou a um preço mínimo para o trigo que
assegurou um lucro para a produção de trigo. Malthus era contra o abolimento das Corn
Laws, que de acordo com outros economistas como Ricardo era contra o livre comércio, mas
que exceções precisam existir e nesse caso era necessário dado uma questão de segurança
nacional (UK precisava ser autossuficiente no caso de guerra)
- O contato entre Malthus e Ricardo começou em 1811 através de uma correspondência vinda
de Malthus questionando as causas da inflação
David Ricardo
• Ricardo era judeu e vinha de família rica. Ele parou com seus estudos quando tinha 14 anos
e começou a trabalhar na firma do pai. Alguns conflitos com a família surgiram no começo
da vida adulta e aumentaram quando ele casou com uma mulher não judia.
• Ele saiu dos negócios da família e se estabeleceu como stockbroker, tendo bastante sucesso
e conseguindo juntar uma fortuna que fez com que ele conseguisse se aposentar com 40
anos e começar estudos no campo de política e economia
• A carreira como escritor de economia começou com o livro “The High Price of Bullion, a Proof
of the Depreciation of Bank Notes”: o argumento era que o alto preço do ouro era causado
pelo aumento da circulação de bank notes (relação com a teoria quantitativa da moeda) >
foi um sucesso e ele foi incentivado a continuar desenvolvendo suas ideias
• Ricardo escreveu “The Principals of Political Economy and Taxation” em menos de dois anos
e foi publicado em 1817
• A sua maior contribuição foi seu estilo de pesquisa e documentação: ele era simplista,
preciso nas suas explicações econômicas e do modelo; ele não faz formulações
matemáticas, mas descreve de forma que seja possível colocar a forma matemática
• A primeira parte dos seus estudos descreve os fundamentos da teoria de preços e
distribuição de renda, a segunda parte se baseia em taxação e a terceira parte é uma
coleção de capítulos em tópicos selecionados
Capítulo 1
• Assim como Smith, Ricardo pensava em trabalho, capital e terra como 3 fatores de
produção básicos
• Para Ricardo, a teoria proposta por Smith não explicava por que existem 3 fatores básicos e
mesmo assim 1 deles é capaz de explicar preços relativos por si só. No seu trabalho ele
tentou abordar esses temas, além de ser focar mais na teoria do trabalho
• Uma das suas principais ideias era sobre a teoria de que o valor da commodity dependia
da quantidade de trabalho: o trabalho empregado para extração da commodity já inclui
indiretamente os outros inputs necessários para se ter a commodity
• Outra ideia é que o mesmo processo de produção precisa de tempo diferente
dependendo do que está produzindo: vinho demora vários anos, milho um ano, pão uma
semana...portanto o capital (que ele entendia como salário) deveria ser proporcional ao
tempo que demora e o custo deveria ser refletido no preço
• No seu exemplo de beaver e deer, ambos os salários para caça (mesma taxa de salário por
hora trabalhada), mas quando consideramos o preço relativo, dado que a taxa de salário é a
mesma para as duas atividades, vai ser igual ao ratio das respectivas necessidades de
trabalho. Porém, quando uma commodity demora mais para ser produzida deve ser
vendida por um preço maior > a conclusão de que o nível de salário é irrelevante para o
preço relativo não é mais aceita: um aumento na taxa de salário vai ter pouco efeito na
commodity que possui um período de produção maior
o Os desvios nos preços relativos variavam de 6-7%
• Ricardo defende que essa teoria de preço é uma teoria relativa de preço e discute se uma
teoria absoluta de capital pode ser defendida, dado que seria necessário a existência de uma
commodity que o trabalho empregado é constante, mas essa commodity não existe (mesmo
no caso do ouro, melhorias tecnologias surgem que influencia no custo de produção >
porém, mesmo sabendo disso, ele assume que ouro seria essa commodity)
Teoria relacionada a terra
• Portanto, vimos que Ricardo defendia que capital e trabalho poderiam ser incorporados em
uma teoria do valor-trabalho, mas o papel da terra ainda precisava ser explicado
• A teoria é mais fácil de entender se supormos que a pessoa que possui a terra é diferente
da pessoa que a cultiva. Um fazendeiro que aluga a sua fazenda de um proprietário deve
pagar parcelas para o uso da terra (aluguel)
• A terra varia dependendo da qualidade e produtividade > quando a população e consumo
de alimento aumenta, fazendeiros vão usar a terra em qualidade decrescente, em que o
fazendeiro que produz em uma terra de baixa qualidade, o custo de produção será igual a
receita de venda e o aluguel será zero. No caso em que a terra é boa, o proprietário irá cobrar
o maior pagamento sem dar incentivos para o fazendeiro procurar uma fazenda com
qualidade menor
• Para Ricardo, um maior aluguel não significaria um maior preço do bem: os fazendeiros
que ocupam uma terra com alta produtividade reduzem o custo de produção (trabalho) > o
que faz o aluguel aumentar, ao passo que o preço é dado com o custo de produção é pela
margem de cultivação (onde o aluguel é zero) > portanto, aluguel não compõe o preço e sim
o preço compõe do aluguel
Crescimento de longo prazo e estado estacionário
• Quando a população aumenta, a demanda por alimento (“corn”) aumenta. Para a demanda
ser satisfeita, terras menos produtivas precisam ser mais utilizadas, o que leva a um
aumento do aluguel. Com um nível constante de salário real, a taxa de lucro vai cair o
que levaria a um desincentivo de investir e o crescimento real da economia acaba
(estado estacionário)
• O movimento para o estado estacionário pode ser evitado, como progressos técnicos que
pode encurtar o processo (melhoria das maquinas e descobertas na agricultura), mas para
Ricardo isso só poderia levar a um delay no processo e não mudança estrutural . Outro fator
que pode causar um delay é tirar as restrições de importação e adoção de regimes de livre
comércio, o que faz parte da sua explicação das Corn Laws (importar alimento ia diminuir a
pressão nas terras britânicas e prevenir a taxa de lucro de decrescer – pelo menos no curto
prazo)
Comércio Internacional
• Uma de suas maiores contribuições foi no campo de comércio internacional
• Comércio internacional possui contribuição indireta, encorajando especialização e
divisão internacional do trabalho o que leva ao uso eficiente de recursos > é esse
princípio que defende que vinho deve ser produzido na França e Portugal, milho na América
e Polonia e hardware na Inglaterra
• De acordo com Ricardo, se a taxa de retorno do capital é maior em Portugal do que na
Inglaterra, o capital iria fluir da Inglaterra para Portugal
• Os fatores de produção são assumidos como imóveis entre países e bens são perfeitamente
móveis: isso ajuda a demonstrar os benefícios da especialização internacional: quando um
país adota especialização e faz exportação (financiando assim suas importações) –
todos os países conseguem aproveitar as vantagens produtivas na troca de
commodities
• Essas vantagens podem ser exploradas no exemplo de comércio entre a Inglaterra e
Portugal, que produz e troca duas commodities – vinho e tecido. Vamos supor os seguintes
números:
Claramente Portugal é o país mais eficiente em ambos os produtos, mas tem vantagens ao
importar tecido da Inglaterra ao invés de produzir: apesar de conseguir produzir tecido com
o trabalho de 90 homens, seria melhor alocar seu capital em vinho e importar da Inglaterra.
Ou seja, é a produtividade relativa que determinará a localização de produção
• Nas suas teorias, existe uma tensão entre teoria do valor-trabalho e teoria das vantagens
comparativas. Para os produtores na Inglaterra e Portugal terem incentivos para
especializar a produção de tecido e vinho, o preço relativo do tecido deve desviar do
trabalho empregado em cada país. Ricardo aceita isso, mas defende que os princípios
que determinam os preços relativos em um país não é o mesmo que no comércio
internacional
Teoria da taxação
• O seu maior interesse era entender a incidência das taxas: no final, quem tinha que lidar
com os impostos? Seu interesse nessa questão reflete suas convicções de que a
distribuição de renda entre diferentes classes era problema central da teoria econômica
• Ricardo argumenta que existem diferenças entre a incidência de impostos em bens
necessários e bens de luxo > impostos sob bens de luxo são pagos por quem usa, mas
bens básicos não necessariamente, porque o salário real dos trabalhadores no
longo prazo vai tender ao nível de subsistência, então o crescimento dos preços dos
bens básicos devem ser compensados por aumentos no salário nominal > portanto,
os trabalhadores não pagam esses impostos e sim os empregadores que precisam
pagar salários mais altos para os trabalhadores
• É natural pensar em alguns casos que os custos de produção são os mesmos, mas como
o próprio Ricardo colocou, dependendo da indústria esses custos podem variar: os que
tem alto custo iriam parar de comercializar
• Sobre qual seria a melhor forma de taxar, ele era menos claro, mas defendia que o
deveria se taxar o mínimo possível (o que Smith também defendia), e no geral tinha uma
visão bem negativa dos impostos cobrados
• Ricardo explica uma relação entre dívida pública e impostos: dado que a taxação impõe
custos na economia, não seria melhor financiar guerras com dívida?
o A tributação deveria ser preferida à dívida pública para financiar as despesas de
guerra devido ao impacto negativo que esta última tinha na poupança e,
consequentemente, nos investimentos privados > imposto é uma forma de
mostrar o verdadeiro custo da guerra
Maquinário
• Ricardo também aborda se a revolução industrial e a introdução de tecnologias modernas
beneficiavam todas as classes da sociedade. Primeiramente ele argumenta que as
máquinas foram positivas ao passo que aumentavam a produtividade e oferta de bens para
todas as classes. Depois, ele conclui que não é só isso, dado que a demanda por trabalho
diminui dado que a máquina faz o trabalho de mais homens, sendo desfavorável para a
classe trabalhadora
• Nesse caso, só poderia ser benéfico para a classe trabalhadora no caso em que o aumento
da renda dos proprietários fosse tão grande que eles aumentariam a demanda por bens,
criando uma maior necessidade de emprego; outro fator poderia ser no caso em que o
progresso tecnológico fosse feito lentamente, em que a sociedade fosse se ajustando aos
poucos