ASSOCIAÇÃO PIRIPIRIENSE DE ENSINO SUPERIOR-APES
CHRISTUS FACULDADE DO PIAUÍ – CHRISFAPI
CURSO: BACHARELADO EM PSICOLOGIA
DISCIPLINA: TEORIAS COGNITIVAS
COMPORTAMENTAIS
PROFESSOR: KÁTYA DE BRITO E SILVA
ARIANE DA SILVA ALVES
AYSSA DE SOUSA CARVALHO
TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO
PIRIPIRI-PI
2025
1 INTRODUÇÃO
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem psicoterapêutica
contemporânea que integra princípios da análise do comportamento contextual e da Teoria
dos Quadros Relacionais (RFT), desenvolvida por Steven C. Hayes na década de 1980, que
propõe que a linguagem e o pensamento humano são fenômenos de relacionamentos entre
estímulos, e que os indivíduos estabelecem relações entre diferentes experiências, objetos e
eventos, a partir de uma base de aprendizagem relacional.
Segundo Hayes (2004), a RFT sugere que a experiência humana é moldada por esses
quadros de relação, como "maior que", "menor que", "similar a", entre outros, que são
aprendidos ao longo do desenvolvimento e têm grande impacto sobre a forma como as
pessoas interpretam e respondem a suas emoções e pensamentos. A teoria também enfatiza
que, ao compreender como as relações entre os estímulos influenciam o comportamento, é
possível promover a flexibilidade psicológica, isto é, a capacidade de se conectar com o
momento presente e agir alinhado aos valores pessoais, mesmo diante de pensamentos e
emoções desconfortáveis (Hayes, Strosahl & Wilson, 1999).
A aceitação, um dos processos centrais da ACT, consiste na disposição para
experienciar sensações, emoções e pensamentos sem tentar controlá-los ou evitá-los,
promovendo uma postura aberta e não julgadora. De acordo com Marques (2024), a aceitação
é uma característica fundamental para a eficácia da terapia, sendo uma mediadora
significativa na melhora de sintomas em diferentes contextos clínicos, como ansiedade,
depressão e dor crônica.
2 TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO
Historicamente, a ACT evoluiu a partir das limitações observadas nas abordagens
cognitivas tradicionais durante os anos 1970 e 1980, quando Hayes começou a explorar o
papel do comportamento verbal e da linguagem na psicopatologia. O desenvolvimento da
RFT na década de 1990 forneceu uma base teórica robusta para a ACT, permitindo
compreender a complexidade da linguagem humana e seu impacto no comportamento
(Hayes, Barnes-Holmes & Roche, 2001). A partir do ano 2000, a ACT consolidou-se como
uma abordagem contextual, ampliando sua aplicação clínica e científica, o que a diferencia
por sua ênfase na função do comportamento em contextos específicos, em vez de
classificações diagnósticas rígidas (Zancan et al., 2023).
A ACT possui seis processos centrais — aceitação, defusão cognitiva, contato com o
momento presente, self como contexto, valores e ação comprometida — que juntos
promovem a flexibilidade psicológica e a mudança comportamental funcional (Hayes et al.,
2021). Essa abordagem destaca-se por sua capacidade de atuar em diversas condições
clínicas, incluindo transtornos de ansiedade, depressão e abuso de substâncias, graças ao seu
foco na análise funcional do comportamento e na promoção de uma relação diferente com
experiências internas difíceis.
Além disso, a ACT rejeita a tentativa de eliminar sintomas negativos, preferindo
ensinar o indivíduo a conviver com eles sem que estes interfiram na sua vida, o que
representa uma mudança paradigmática no campo da psicoterapia (Barbosa & Murta, 2014).
O sofrimento psicológico é compreendido e tratado de maneira completamente diferente,
valorizando a aceitação e o compromisso com uma vida significativa.
Nesse sentido, a importância dessa abordagem é evidenciada em sua capacidade de
auxiliar os indivíduos a lidarem com a dor e o sofrimento, possibilitando que eles sigam suas
vidas de maneira significativa apesar dessas situações. Ademais, seu principal objetivo é que
através dos processos centrais citados o paciente desenvolva a flexibilidade psicológica,
conceito que se relaciona a adaptação do indivíduo à mudanças em seu contexto. Essa
flexibilidade está diretamente relacionada com a redução da evitação experimental que se
refere à diminuição da tendência de uma pessoa em evitar pensamentos, emoções, lembranças
ou sensações corporais desagradáveis, mesmo que essa evitação cause mais sofrimento a
longo prazo. Portanto, a ACT ensina as pessoas a aceitarem essas experiências internas,
reduzindo seu impacto e influência negativa sobre o comportamento, proporcionando o
alcance da autenticidade e do alinhamento aos seus próprios valores, fatores que influenciam
o bem-estar psicológico (Rodrigues; Ferraz, 2023).
No caso analisado é possível compreender quais os métodos e as técnicas utilizadas
pelo terapeuta dentro da ACT, visto que o terapeuta começa incentivando que o paciente
reflita acerca das emoções vivenciadas por ele, podendo abordar e investigar suas origens no
passado, porém o seu foco é no presente. Após conhecer os anseios presentes do paciente, o
terapeuta consegue identificar os pensamentos distorcidos que desencadeiam as emoções e
sentimentos citados pelo cliente, reconhecendo suas crenças centrais e intermediárias. Além
disso, o profissional também deve procurar compreender como esse indivíduo lida com os
pensamentos disfuncionais, no exemplo analisado o paciente parece usar da
hipercompensação para se afastar de suas crenças.
Ademais, durante o caso é evidente a postura do psicólogo dentro do objetivo da
psicoeducação, uma vez que ele explica os conceitos, métodos e técnicas que são utilizados
durante a sessão e o motivo de tentar uma nova abordagem para lidar com esses pensamentos
distorcidos, ainda ressaltando suas implicações futuras. Portanto, ao propor novas técnicas o
terapeuta explica os objetivos da ACT, incentivando que o paciente não lute contra esses
pensamentos e sentimentos automáticos, ensinando-os a deixar o pensamento surgir,
incitando a aceitação e fazendo com que a energia que seria gasta para evitar esses
pensamentos seja redirecionada para algo que realmente faça sentido em sua vida. Outrossim,
outros aspectos da postura do terapeuta podem ser identificados no exemplo analisado, como
o conceito de empirismo colaborativo que está interligado a aliança terapêutica e a
participação ativa do paciente.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em síntese, a ACT e o processo de aceitação são importantes para o desenvolvimento
da flexibilidade psicológica que possibilita o paciente a conviver com os pensamentos e as
emoções disfuncionais, pois conseguem direcionar sua energia para o que realmente é
importante em suas vidas, acarretando a diminuição do sofrimento e contribuindo para que o
indivíduo se comprometa com seus próprios valores, em vez de ficar preso na tentativa de
controlar o que não pode ser controlado.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, L. M.; MURTA, S. G. Terapia de aceitação e compromisso: história,
fundamentos, modelo e evidências. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e
Cognitiva, v. 16, n. 3, p. 34-49, 2014.
HAYES, S. C.; BARNES-HOLMES, D.; ROCHE, B. Relational Frame Theory: A
Post-Skinnerian Account of Human Language and Cognition. Springer, 2001.
HAYES, S C. Acceptance and Commitment Therapy: An Experiential Approach to Behavior
Change. New York: Guilford Press, 2004.
HAYES, S. C.; STROSLAHL, K.; WILSON, K. Terapia de aceitação e compromisso: uma
abordagem experiencial para a mudança de comportamento. 1. ed., 1999.
HAYES, S. C. et al. Terapia de aceitação e compromisso (ACT): fundamentos e evidências.
Artmed, 2021.
MARQUES, D. P. A aceitação no modelo de flexibilidade psicológica da ACT: uma
overview de revisões sistemáticas. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de
Londrina, 2024.
RODRIGUES, B.; FERRAZ, T.. Terapia de aceitação e compromisso: um caminho para a
clínica do luto infantil. Cadernos de Psicologia, v. 4, n. 8, 2023.
ZANCAN, D. et al. Terapia de aceitação e compromisso: fundamentos e evidências. Artmed,
2023.