0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações16 páginas

Fundamentos da Física Estatística EaD 2023

O documento aborda a Física Estatística, que utiliza métodos probabilísticos para descrever sistemas físicos compostos por grandes populações de partículas, relacionando suas propriedades macroscópicas com a estrutura microscópica. Discute conceitos como equilíbrio estatístico, estatísticas de Fermi-Dirac e Bose-Einstein, e a relação entre mecânica quântica e física estatística, destacando a importância dessas teorias em diversas áreas da ciência. Além disso, apresenta a aplicação da estatística Maxwell-Boltzmann em sistemas térmicos e a teoria quântica de Debye para a capacidade térmica de sólidos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações16 páginas

Fundamentos da Física Estatística EaD 2023

O documento aborda a Física Estatística, que utiliza métodos probabilísticos para descrever sistemas físicos compostos por grandes populações de partículas, relacionando suas propriedades macroscópicas com a estrutura microscópica. Discute conceitos como equilíbrio estatístico, estatísticas de Fermi-Dirac e Bose-Einstein, e a relação entre mecânica quântica e física estatística, destacando a importância dessas teorias em diversas áreas da ciência. Além disso, apresenta a aplicação da estatística Maxwell-Boltzmann em sistemas térmicos e a teoria quântica de Debye para a capacidade térmica de sólidos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Texto de Apoio da Cadeira de Física Estatística – EaD – 2023.

1. Introdução.

A Física Estatística - é o ramo da física que usa métodos da teoria das probabilidades e estatística e,
particularmente, as ferramentas matemáticas para lidar com grandes populações e aproximações, na
solução de problemas físicos. Pode descrever uma grande variedade de campos com uma natureza
inerentemente estocástica.

Suas aplicações incluem muitos problemas nos campos da física, biologia, química, neurologia e até
mesmo em algumas ciências sociais, como a sociologia. Seu principal objetivo é esclarecer as
propriedades da matéria sob conjuntos, em termos de leis físicas que regem o movimento atômico. Em
particular, a mecânica estatística desenvolve os resultados fenomenológicos da termodinâmica a partir
de uma análise probabilística dos sistemas de base microscópica. Historicamente, um dos primeiros
tópicos da física onde foram aplicados métodos estatísticos foi o campo da mecânica, que se preocupa
com o movimento de partículas ou objetos quando submetidos a uma força.

A Termodinâmica fornece a metodologia geral para a descrição das trocas de energia entre um sistema
de partículas e as suas vizinhanças, sem considerar explicitamente as propriedades específicas das
partículas que compõem o sistema. Como tal, várias grandezas físicas de natureza macroscópica (
como o calor, entropia, capacidade calorífica, etc), que podem ser medidas em laboratórios, são
introduzidas sem se relacionarem diretamente com a estrutura interna do sistema. No entanto, as
propriedades de um sistema dependem criticamente das propriedades dos seus constituintes. É muito
importante relacionar o comportamento macroscópico de um sistema com sua estrutura microscópica.
A mecânica estatística estabelece a ponte entre a ciência empírica da termodinâmica e a estrutura
atômica da matéria, e por outro lado realça os métodos para obter as propriedades coletivas ou
macroscópicas de um sistema de partículas, como a pressão e a temperatura, sem atender ao
movimento específico de cada partícula, analisando apenas o seu comportamento médio.

Neste capítulo, usa-se o termo “partícula” num sentido lato, relativo não só a uma partícula
fundamental como o electrão, mas também a um agrupamento estável de partículas fundamentais,
como o átomo ou molécula. Deste modo, uma partícula é cada uma das unidades bem definidas e
estáveis que compõem um determinado sistema físico.

2. Equilíbrio Estatístico

Considere um sistema isolado composto por um grande número N de partículas. Admita que cada
partícula pode ser encontrada num dos vários estados de energia E1,E2,E3,....os estados de energia
podem quantificar-se ( como os estados de rotação ou de vibração de uma molécula), ou podem, em
vez disso, formar um espectro praticamente contínuo (como acontece com a energia cinética de
translação das moléculas de um gás).

Num determinado instante, as partículas podem estar distribuída de uma determinada maneira entre os
diferentes estados, de modo que n1 partículas têm energia E1, n2 partículas têm energia E2. O número
total de partículas é:

N= n1+n2+n3+......

Por ora, admitimos que N permanece constante em todos os processos que ocorrem no sistema. A
energia total do sistema é:
U = n1.E1+n2.E2+n3.E3+.....

A sequência de números (n1,n2,n3,...) constitui uma partição. Esta define um micro - estado do
sistema consistente com o macro – estado ou condição geral do sistema, que é determinado pelo
número de partículas, a energia total, a estrutura de cada partícula e alguns parâmetros externos. A
equação da energia total do sistema, pressupõe implicitamente que as partículas não interagem entre si
( ou que apenas interagem ligeiramente, como num gás), por isso podemos atribuir a cada partícula
uma energia bem definida.

Se considerarmos as interações, devemos acrescentar à equação da energia total do sistema os termos


correspondentes à energia potencial de interação entre pares de partículas. Neste caso, não podemos
falar da energia de cada partícula, mas apenas a energia do sistema. É o que acontece com os sólidos e
os líquidos.

À primeira vista, pode parecer que a nossa analise não é realista, uma vez que todas as partículas que
constituem um sistema interagem. Contudo, em condições especiais, podemos considerar que cada
partícula está sujeita a interação média das outras, tendo assim uma energia média. Dadas as condições
físicas de um sistema isolado de partículas, existe uma partição que tem a maior probabilidade de ser
compatível com essas condições. Quando se atinge essa partição, diz-se que o sistema está em
equilíbrio estatístico.

Um sistema em equilíbrio estatístico não se afastará da partição mais provável ( exceto em pequenas
flutuações estatísticas), a não ser que seja perturbado por um agente externo. Queremos com isto
significar que os números n1,n2,n3,.... da partição podem flutuar em torno dos valores correspondentes
à partição mais provável, sem que possam ser notados ou observados efeitos macroscópicos.

Estatística de Fermi - Dirac


1. Escreva as equações complexas partindo de deduções, sobre Estatística de Fermi- Dirac.

1.1. Estatística de Fermi – Dirac


A estatística quântica de Fermi – Dirac aplica-se às partículas com spin semi – inteiro que se descreve
pela função de onda anti – simétrica. Na estatística de Fermi – Dirac, a partícula típica é o electrão e
descreve-se pelo princípio de estabilidade das partículas e da existência de estados quânticos discretos.
Além disso, para esta estatística, é válido o princípio de exclusão de Pauli.
Aqui, o estado de um sistema é determinado se for conhecido o número de partículas num
determinado estado quântico, não havendo restrição no número de partículas em qualquer estado.
Consideremos um gás quântico com N partículas com Ei e gi ≥ 0, isto é, nem todos os lugares
possíveis (de um dado nível energético) podem ser ocupados.
O número de arranjos possíveis de duas partículas idênticas ocuparem 4 degenerações possíveis pode
ser determinado pelo número de combinações sem repetição de gi por ni. Este número é dado por:

Para o nosso exemplo, teremos:

Ou seja, existem 6 possibilidades diferentes de duas partículas ocuparem 4 degenerações de Ei, como
é ilustrado na figura abaixo:

O número total de distribuição de todas as partículas é calculado pelo produto das probabilidades:
O valor máximo desta grandeza encontra-se aplicando a regra de Sterling, ou seja

Considerando as condições:

Então, usando as condições acima, teremos:

A expressão acima é a expressão para a estatística de Fermi–Dirac. Esta expressão define a


probabilidade de encontrar ni partículas no nível energético Ei com degenerescência gi.
Distribuição de Maxwell
1. Faça uma descrição, sobre a lei de distribuição de Maxwell e as respectivas equações que
relacionam a lei de distribuição de Maxwell.

Estatística de Maxwell – Boltzmann


A estatística Maxwell – Boltzmann descreve a distribuição estatística de partículas materiais em vários
estados de energia em equilíbrio térmico, quando a temperatura é alta o suficiente e a densidade é
baixa suficiente para tornar os efeitos quânticos negligenciáveis. A estatística Maxwell–Boltzmann é
consequentemente aplicável a quase qualquer fenómeno terrestre para os quais a temperatura está
acima de poucas dezenas de kelvins.

Número de distribuições de partículas pelo nível energético ni; número total de

distribuições de partículas pelo nível energético ni; constante de normalização, A; indica a


grandeza inversa a energia E; , probabilidade de encontrar a partícula num elemento de volume dv;

KT, temperatura em unidades energéticas; função de partição.

Consideremos um sistema de N partículas cuja energia do mesmo é E. Admitamos que as partículas


são individualizadas, ou seja, que as mesmas podem ser distinguíveis por diferentes níveis energéticos.
Em geral, a distribuição destas partículas pode ser apresentada de modo a obedecer a seguinte
condição:

Que é um sistema isolado ou sistema microcanónico.


Vamos, em primeiro lugar, determinar o número de partições possíveis de partículas N. Nós podemos
escolher ni partículas para um dado nível energético Ei. Este número determina-se pelo número de
combinações possíveis de N partículas por ni. Este número é dado pela expressão:

A expressão acima permite calcular as distribuições de partículas pelo nível energético ni. Mas, para
receber o número total, deveremos multiplicar esta relação por todos os níveis energéticos, da seguinte
forma:
No estado de equilíbrio, W é máximo. Assim, é válida a expressão:

Vamos determinar o logaritmo natural desta distribuição:

Das expressões acima nota-se que ni e N estão ligados entre si. Esta ligação é expressa na seguinte
relação:

Substituindo

Vamos supor que

em que é bastante grande.

Assim, podemos escrever:


Ou seja,

Uma vez que e e tendo em conta que gi é o número de


possibilidades de escolha arbitrária de colocar a partícula na 1ª posição, ou seja, a degenerescência do
estado energético, a última expressão pode ser reescrita de seguinte modo:

As duas equações acima exprimem a fracção entre o número e o número total de partículas que
ficam no nível energético correspondente (de todas as partículas do sistema). Porém, como foi atrás
mencionado, a ocupação dos níveis energéticos realiza-se independentemente. Assim, a fracção indica
a relação entre todos os casos favoráveis e os casos possíveis. Por outras palavras, é a probabilidade
para que qualquer partícula fique no nível energético ni. As mesmas traduzem a expressão para a
distribuição de Boltzmann e Maxwell, também chamada por distribuição microcanónica.
Relação entre Mecânica Quântica e Física Estatística
1. Faça um resumo, descrevendo a relação existente entre a Física Estatística e a mecânica
quântica olhando para as diferentes teorias, como por exemplo a teoria de De Bye.

Resumo:

Antes de trazer à tona a relação existente entre Mecânica Quântica e Física estatística, acho importante
primeiro conceituar a Mecânica Quântica e Física Estatística:

A Mecânica Quântica estuda os sistemas da escala atómica ou subatómica, como os átomos, as


moléculas, os protões, os electrões, dentre outras partículas subatómicas. Os estudos da mecânica
quântica possibilitaram o entendimento de muitos fenómenos antes não explicados pela física, como a
radiação de corpo negro e as órbitas estáveis do electrão.

A Física Estatística é o ramo da Física que usa métodos da teoria das probabilidades e estatística e,
particularmente, as ferramentas matemáticas para lidar com grandes populações e aproximações, na
solução de problemas físicos. Seu principal objectivo é esclarecer as propriedades da matéria sob
conjuntos, em termos de leis físicas que regem o movimento atómico.

Sua relação

Uma das relações da Mecânica Quântica com a Física estatística explica-se pela distribuição de Fermi-
Dirac. Na mecânica quântica, o princípio da incerteza Heisenberg estabelece que é impossível
determinar simultaneamente posição e momento de uma partícula, provocando o desconhecimento da
trajectória de maneira determinística. Isto implica que as partículas quânticas devem ser
indistinguíveis. Uma das consequências da indistinguibilidade é que a função de onda de duas
partículas idênticas deve ser simétrica ou anti-simétrica com relação à permutação das partículas.
Partículas com função de onda simétrica são bósons e as com função de onda antissimétrica são
férmions. A antisimetria da função de onda dos férmions dá suporte ao princípio de exclusão de Pauli
(PEP), o qual estabelece que dois ou mais férmions não podem ter o mesmo estado quântico.

Contudo, a estatística quântica de Fermi – Dirac aplica-se às partículas com spin semi – inteiro que se
descreve pela função de onda anti – simétrica. Na estatística de Fermi – Dirac, a partícula típica é o
electrão e descreve-se pelo princípio de estabilidade das partículas e da existência de estados quânticos
discretos. Além disso, para esta estatística, é válido o princípio de exclusão de Pauli, como se
descreveu anteriormente.
Aqui, o estado de um sistema é determinado se for conhecido o número de partículas num
determinado estado quântico, não havendo restrição no número de partículas em qualquer estado.
Nota-se também que a expressão para a estatística de Fermi–Dirac define a probabilidade de encontrar
ni partículas no nível energético Ei com degenerescência gi.

Olhando para teoria Quântica de Debye, entende-se que este cientista procura contornar as
dificuldades encontradas por Einstein no cálculo experimental da capacidade térmica (Mecânica
Quântica). Debye, servindo-se da mecânica quântica, considerou o oscilador quântico (corpo sólido)
como um meio elástico finito onde qualquer excitação do mesmo provoca o aparecimento dum
conjunto de ondas estacionárias dentro deste corpo. Porém, excitação significa transferência de
energia, implicando com isso que maior excitação corresponde maior capacidade térmica. Usando esta
lógica, ele primeiro calculou o número de ondas estacionárias que contém este corpo sólido tendo em
conta que cada onda estacionária pode ser atribuída uma determinada energia que pode ser calculada
pela fórmula de Planck, considerando a frequência correspondente.

Estatística de Bose - Einstein


1. Deduza e e faça a demonstração das equações complexas de Estatística de Bose - Einstein.

Estatística de Bose – Einstein


Em um sistema quântico constituído de muitas partículas idênticas com spin inteiro, a estatística de
Bose-Einstein, ou estatística BE, é utilizada para descrever o sistema e calcular os valores médios das
grandezas físicas.

A estatística de Bose–Einstein aplica-se às partículas quânticas com spin inteiro que se descrevem
pelas funções de ondas simétricas. Isto é, partículas que se chamam bosões. Para tais partículas, não é
válido o princípio de exclusão de Pauli, isto é, num estado quântico pode ficar qualquer número de
partículas.

Notas: gi, degenerescência; Ci, número de células; Número de distribuições de partículas pelo

nível energético ni; número total de distribuições de partículas pelo nível energético ni.
Consideremos um gás quântico com N partículas. Vamos supor que num nível energético arbitrário Ei,
tenha degenerescência da ordem gi e vamos supor ainda que neste nível ficam ni partículas.
Determinemos o número de arranjos distintos que satisfazem esta distribuição. Seja C1, C2, …, Cg o
número de células que ficam num dado nível energético correspondente e que em tais níveis ficam ni
partículas. Indiquemos estas partículas por a1, a2, …, an. Então, podemos esquematicamente, como
foi proposto por Marx Born, distribuir estas partículas de maneira arbitrária por estas células, de
seguinte modo:

Quer dizer, pode acontecer que na 1ª célula possamos ter duas partículas; na 2ª célula, uma partícula;
na 3ª e 4ª e 5ª célula, nenhuma partícula e na 6ª célula, três partículas e por aí em diante.
Vamos determinar por quais modos, nós podemos agrupar estas distribuições possíveis por células,
tendo em conta os valores possíveis de energia.
A primeira letra desta série é C. Significa que deveremos determinar de quantas maneiras distintas nós
podemos escolher a letra C na 1ª posição, tendo em conta que temos gi possibilidades de escolha
arbitrária de colocar a tal letra C na 1ª posição. E podemos distribuir estas células em gi – 1
possibilidades, ou seja,

Vamos usar o princípio de indiscernibilidade de partículas, ou seja, que todas as partículas no sistema
quântico consideram-se indistinguíveis entre si. Assim, nós podemos trocar o lugar das células entre si
sem mudar o microestado do sistema.
Deste modo, para calcular o número de arranjos possíveis que correspondem a um dado estado
energético Ei, teremos:
A expressão acima indica o número de degenerescência de ni partículas por gi lugares que
corresponde ao nível energético Ei.
Para todo o sistema, temos que calcular o número de arranjos possíveis tal que:
E1 corresponda a 1 partícula
E2 corresponda a 2 partículas
……………………..….
E1 corresponda a i partículas

Tendo em conta o número arbitrário de microestados, tal número será o produto de todos os números
de arranjos possíveis por todos os estados energéticos possíveis e será calculado de seguinte forma:

Que indica a probabilidade total (comum) para o sistema encontrar a partícula,

n1 no estado energético E1
n2 no estado energético E2
……………………..….
ni no estado energético En

Para o cálculo dos extremos desta distribuição, que corresponde ao estado de entropia relativa ao
estado mais provável, vamos usar a função de distribuição a partir da qual podemos achar tal entropia.
Tal cálculo será feito de seguinte modo:

Assim, podemos escrever:

E, tendo em conta que devemos considerar a energia do todo o sistema invariável ou variável, então
será válida a relação:

que indica a probabilidade máxima de ocupação dos níveis energéticos, segundo a regra de
correspondência de probabilidade termodinâmica que corresponde ao estado de equilíbrio térmico ou o
estado mais provável do sistema. Assim, juntando as condições:
multiplicando a equação de baixo por e somando-a à primeira, recebemos:

Realizando transformações consequentes, recebemos:

Mecânica Estatística.
Descrição Estatística de um Sistema Físico

Para se descrever um sistema físico em equilíbrio a partir de uma análise mecânico-estatístico é


preciso se determinar as seguintes etapas:

1. Identificar as grandezas físicas macroscópicas (grandezas termodinâmicas) que caracterizam o


sistema físico;
2. Especificar os estados microscópicos do sistema físico. O conjunto completo desses estados é
chamado de ensemble estatístico. (ensemble significa conjunto - em francês);
3. Estabelecer um postulado estatístico básico que permita utilizar a teoria das probabilidades.
Por exemplo, para um sistema físico que tem a energia total fixa, utiliza-se a hipótese que
maximiza a incerteza, e assume-se que todos os estados microscópicos são igualmente
prováveis. Esse é o que define o ensemble microcanónico;
4. Por fim, estabelecer a conexão com a termodinâmica, isto é, relacionar os estados
microscópicos com as variáveis macroscópicas ou termodinâmicas que caracterizam o sistema
físico macroscópico.

Um sistema físico de partículas é caracterizado essencialmente pelas leis da mecânica (clássica ou


quântica) que determinam sua dinâmica e pelas forças actuando nas partículas, internas ou externas.
Com esse conhecimento, pode-se determinar os seus estados microscópicos.
Com certeza, o conhecimento desses estados é essencial para se compreender o comportamento do
sistema e determinar sua evolução, pois procura-se entender como caracterizar do ponto de vista da
estatística os sistemas. Uma vez conhecendo algumas características do sistema físico, pode-se
encontrar as diferentes configurações microscópicas do sistema, ou seja, determinar o ensemble
estatístico do sistema físico.

O sistema físico com N partículas é descrito por uma função de N partículas:

𝜓 = 𝜓(𝑞1 , … 𝑞𝑁 )

Onde 𝑞𝑖 refere-se a todas as coordenadas da i-ésima partícula (por exemplo, posição, spin, etc…).

Na quantização de energia de um sistema, duas características fundamentais dos sistemas quânticos


têm que ser consideradas. A primeira delas, refere-se a indistinguibilidade das partículas, que é uma
característica fundamental pelo facto da impossibilidade de distinguir duas partículas idênticas. Em
termos da função de onda de N partículas que descreve o sistema, deve ser escrita de tal forma que as
partículas não possam ser distinguidas. A origem dessa indistinguibilidade está no princípio de
Heisemberg △𝑥 △𝑝 ≥ ℎ ,que impede que possamos seguir uma partícula ao longo da sua órbita. Nós
podemos determinar a probabilidade de encontrar uma partícula em uma certa região do espaço de fase
mas não podemos determinar qual a partícula que se encontra na região.

O segundo aspecto, que tem sua origem da mecânica quântica relativista, e resulta na classificação das
partículas em dois tipos distintos, as partículas com spin inteiro e as partículas com spin semi-inteiro.
O spin das partículas determina uma das características de simetria das partículas. Partículas com spin
inteiro tem a função de onda simétrica em relação a troca de qualquer par de partículas e são
designadas como bosons enquanto partículas de spin semi-inteiro têm a função de onda anti-simétrica
para a troca de qualquer duas partículas e são designadas de fermions. Essa característica aplica-se
para partículas compostas (excepto se alguma interacção que envolve as partículas ponha em
evidência seu caráter composto). Por exemplo, o átomo ³He tem um número ímpar de partículas: dois
prótons, um neutron e dois electrões (todas partículas com spin semi-inteiro) e portanto é um fermion.
Já o átomo 4He possui um neutrão a mais e portanto um spin inteiro, sendo um boson. Podemos
sintetizar essa característica exigindo que a função de onda tenha a forma:

𝜓(𝑞1 , … 𝑞𝑖 , … , 𝑞𝑗 , … , 𝑞𝑁 ) = ±𝜓(𝑞1 , … , 𝑞𝑖 , … , 𝑞𝑗 , … , 𝑞𝑁 )

onde o sinal superior refere-se aos bosons e o inferior aos fermions.

A (anti-) simetrização da função de onda de muitas partículas desempenha um papel fundamental na


natureza quântica dos sistemas físicos. O spin das partículas tem uma relação directa com a estatística
das mesmas. Esse resultado pode ser expressado em termos do número de ocupação dos estados
quânticos. Temos então,

𝑛𝑗 = 0 𝑜𝑢 1 (fermions)

Essa restrição é uma expressão do princípio de exclusão de Pauli para partículas não interagentes, ou
seja, duas partículas idênticas não podem ocupar o mesmo estado simultaneamente. Para os bosons,
temos,

𝑛𝑗 = 0,1,2, … (bosons).

permitindo que cada estado tenha uma ocupação por um número indefinido de partículas.
É importante salientar que partículas fundamentais da natureza possuem um estado de spin bem
definido (inteiro ou semi-inteiro). Enquanto elas não interagirem entre si, serão necessariamente
tratadas por meio desse estado quântico. Na medida que a interacção entre as partículas existe e torna-
se relevante, estados compostos podem surgir. Esses estados poderão ser caracterizados por um spin
total, o qual definirá a estatística do estado composto. Portanto, para analisarmos um sistema físico,
uma avaliação das forças de interacção entre as partículas é necessária para uma escolha adequada da
estatística do problema. Obviamente, poderíamos considerar as partículas todas a partir dos seus
elementos constituintes fundamentais, sem nos preocuparmos com os estados compostos, mas isso
tornaria o sistema físico intratável sob qualquer ponto de vista prático (excepto sistemas formados por
pouquíssimas partículas).

Teoria Quântica de De Bye


1. Usando a teoria Quântica de De Bye. De deduza as equações correspondentes a essa teoria

Teoria quântica de Debye


Para contornar as dificuldades encontradas por Einstein no cálculo experimental da capacidade
térmica, Debye considerou o oscilador quântico (corpo sólido) como um meio elástico finito onde
qualquer excitação do mesmo provoca o aparecimento dum conjunto de ondas estacionárias dentro
deste corpo. Porém, excitação significa transferência de energia, implicando com isso que maior
excitação corresponde maior capacidade térmica. Usando esta lógica, ele primeiro calculou o número
de ondas estacionárias que contém este corpo sólido tendo em conta que cada onda estacionária pode
ser atribuída uma determinada energia que pode ser calculada pela fórmula de Planck, considerando a
frequência correspondente.

Notas a considerar: Número de microestados, dW; temperatura de Debye, .

A Teoria Quântica de Debye consiste em, primeiro, calcular o número de ondas estacionárias num
intervalo elementar das frequências ou, o que é a mesma coisa, calcular o
número de microestados num elemento de volume de espaço de fase no intervalo:

Então, este número de microestados será dado por:


Expressão em que indica a célula ou volume elementar que corresponde à fase e g indica
a degeneração possível de qualquer microestado energético. Para o mesmo valor energético, podemos
receber 3 microestados. Por isso, o número de microestados que corresponde a um dado estado deve
ser multiplicado por 3. dxdydz indica o volume elementar espacial.
Realizando a integração pelas coordenadas espaciais, recebemos:

Que indica o número de microestados no espaço das projecções de impulsos. Fazendo esta integração,
tomando em consideração os valores absolutos dos impulsos, recebemos:

Passando de sistemas de coordenadas cartesianas para esféricas, recebemos:

Uma vez que,

Vamos supor que a velocidade de distribuição da onda transversal e longitudinal é a mesma (nos
cristais isótropos), ou seja, que

Então, para g = 3, temos:

A energia interna do cristal será calculada de seguinte modo:

Embora o cristal seja elástico e com forma ondulatória, na realidade ele apresenta-se com distâncias
bem regulares na rede cristalina.

Para comprimento de onda , com . Por isso, podemos calcular a


energia interna. Para tal, deveremos fazer a integração tendo em conta que o maior valor de frequência

é . Para realizar estes cálculos, é cómodo introduzir novos valores como sejam:
Tendo em conta que a frequência só pode tomar valores máximos, teremos:

A temperatura de Debye terá a seguinte forma:

Então:

Deste modo, a energia interna toma a seguinte forma:

Mas,

Vamos analisar para quando o que corresponde a Então, a partir de:

Este resultado permite-nos afirmar que o comportamento da capacidade térmica dos corpos sólidos

quando corresponde aos dados experimentais, ou seja, que a teoria de Debye melhorou
significativamente a teoria de Einstein.
Sobre a teoria de Debye, é preciso acrescentar que, quando nós consideramos a distribuição de
velocidades de ondas nos corpos sólidos, não falámos da distribuição de ondas elásticas, mas esta

corresponde à distribuição de velocidades de som . E as ondas consideradas são praticamente


sonoras, mas não no sentido de se ouvirem mas sim no sentido de frequências e distribuição de
velocidades.
Por analogia com o fotão, foi proposta a introdução de uma partícula física, o fonão, para permitir a
descrição dos corpos. Estes fonões obedecem da mesma maneira que os fotões a estatística quântica de
Bose – Einstein. Quer dizer que fonões e fotões devem possuir as mesmas propriedades. Assim, para o
fotão temos:

que corresponde para o fonão: e para impulso,

teremos: (fonão) e (fotão) e toda a teoria relativa a fotões é


válida para os fonões.

Você também pode gostar