Biologia
BIODIVERSIDADE 10º Ano
1.1 Níveis de
A vida organiza-se em diferentes níveis, do mais simples ao mais complexo:
Nível Exemplo Descrição
Célula célula muscular Unidade básica da vida
Tecido tecido nervoso Conjunto de células com função específica
Órgão coração Conjunto de tecidos com uma função
Sistema digestivo Conjunto de órgãos interligados
Organismo ser humano Ser vivo completo
População lobos numa floresta Conjunto de indivíduos da mesma espécie
Comunidade vários seres vivos Todas as populações num local
Ecossistema floresta Comunidade + fatores abióticos
Biosfera planeta Terra Todos os ecossistemas
1.2 Estrutura e Dinâmica dos Ecossistemas
Um ecossistema é um sistema natural onde os seres vivos (fatores bióticos) interagem
entre si e com o meio físico (fatores abióticos), formando um sistema equilibrado.
Fatores bióticos: plantas, animais, microrganismos, etc.
Fatores abióticos: luz, temperatura, humidade, solo, água, etc.
Relações entre seres vivos
Estas relações podem ser:
🔸 Intraespecíficas (mesma espécie):
Competição: por recursos como alimento ou território.
Cooperação: organização social (ex: formigas, abelhas).
Canibalismo: um indivíduo consome outro da mesma espécie.
🔹 Interespecíficas (espécies diferentes):
Competição: espécies diferentes disputam os mesmos recursos.
Predação: um predador captura e consome uma presa.
Parasitismo: um parasita vive à custa do hospedeiro.
Mutualismo: ambas as espécies beneficiam (ex: abelhas e flores).
Comensalismo: uma beneficia e a outra não é afetada.
Organização trófica
Os seres vivos podem ser classificados consoante o seu papel na cadeia alimentar:
1. Produtores – seres autotróficos (fazem a sua própria matéria orgânica, como as
plantas).
2. Consumidores – seres heterotróficos que se alimentam de outros seres vivos.
o Consumidores primários: comem produtores (herbívoros).
o Consumidores secundários ou superiores: comem outros consumidores
(carnívoros/omnívoros).
3. Decompositores – fungos e bactérias que decompõem a matéria orgânica.
Fluxo de energia e matéria
A energia entra no ecossistema através dos produtores (fotossíntese) e flui ao
longo dos níveis tróficos, dissipando-se sob forma de calor.
Tem carácter unidirecional.
A matéria circula em ciclo fechado (carácter cíclico), sendo continuamente
reciclada (ex: ciclo do carbono e do azoto).
Redes alimentares e teias tróficas
Uma cadeia alimentar mostra uma sequência linear de transferência de energia.
Uma rede alimentar (teia trófica) mostra como as várias cadeias se interligam,
refletindo melhor a complexidade real de um ecossistema.
Em média, apenas cerca de 10% da energia de um nível trófico transita para o
seguinte, o que explica o reduzido número de níveis tróficos da generalidade
das cadeias alimentares.
1.3 Biodiversidade
A biodiversidade refere-se à variedade de seres vivos e de formas de vida na Terra.
Pode ser analisada a vários níveis da organização biológica.
Três tipos de biodiversidade:
1. Diversidade taxonómica (ou de espécies)
o Variedade de espécies presentes num ecossistema.
o É a forma mais comum de se referir à biodiversidade.
2. Diversidade genética
o Refere-se à variedade de genes existentes nos organismos de uma
população.
o Garante variabilidade entre indivíduos da mesma espécie.
3. Diversidade ecológica
o Variedade de ecossistemas e comunidades biológicas.
Apesar de o conceito de biodiversidade ser multidimensional, o uso mais comum
refere-se à diversidade de espécies.
🧠 Conceitos importantes (p. 20):
Espécie: conjunto de indivíduos capazes de se cruzar entre si, originando descendência
fértil.
Habitat: local físico onde vive uma espécie.
Nicho ecológico: papel de uma espécie no ecossistema (o “modo de vida” da espécie).
Riqueza específica: número total de espécies diferentes existentes numa determinada
área.
Endemismo: espécies exclusivas de uma determinada região.
Espécies exóticas: espécies introduzidas em locais onde não ocorrem naturalmente.
Espécies invasoras: espécies exóticas que se adaptam ao novo ambiente e causam
desequilíbrios ecológicos.
1.4 Extinção e Conservação de Espécies
A extinção das espécies é o desaparecimento de todas as populações de uma espécie.
Pode acontecer de forma:
Natural – como parte da evolução (ex: dinossauros).
Acelerada pelo ser humano, devido a:
o Destruição e fragmentação de habitats
o Poluição
o Caça e pesca excessiva
o Espécies exóticas invasoras
o Alterações climáticas
Quando uma espécie desaparece, pode provocar desequilíbrios nos ecossistemas,
afetando cadeias alimentares e a estabilidade do ambiente.
Conservação da biodiversidade
O objetivo da conservação é proteger as espécies e os ecossistemas, garantindo o
equilíbrio ecológico e a sobrevivência da vida no planeta.
Tipos de conservação:
1. In situ
o Proteção no habitat natural da espécie.
o Exemplo: áreas protegidas, como parques naturais e reservas.
2. Ex situ
o Conservação fora do habitat natural.
o Exemplo: jardins zoológicos, bancos de sementes, viveiros de espécies
ameaçadas.
Ambas as estratégias são complementares e importantes para travar a perda de
biodiversidade.
BIODIVERSIDADE
2.1 Diversidade Celular
Teoria Celular:
Todos os seres vivos são constituídos por células.
A célula é a unidade estrutural e funcional dos seres vivos.
Todas as células provêm de outras células preexistentes.
Escala de grandeza e observação
Os constituintes celulares apresentam tamanhos muito variados.
Para os observar, são utilizados diferentes tipos de microscópios.
A unidade de medida usada é o micrómetro (μm).
Constituintes comuns a todas as células:
Membrana celular – delimita a célula e regula trocas com o meio.
Citoplasma – contém os constituintes celulares.
Material genético (DNA) – codifica a informação genética.
Ribossomas – estruturas não membranares, presentes no citoplasma, envolvidas na
síntese de proteínas.
Tipos de células
🔸 Procarióticas:
Sem núcleo individualizado.
Material genético disperso no citoplasma no nucleoide
Sem organelos membranares.
Os ribossomas apresentam menor dimensão.
Possui parede celular, por fora da membrana citoplasmática, que lhes confere
proteção e, em alguns casos, uma cápsula que reforça essa função.
Estas células podem apresentar flagelos associados à locomoção
🔹 Eucarióticas:
Núcleo delimitado por membrana e que contém quase a totalidade do DNA da
célula.
Apresentam maiores dimensões que as procarióticas e estrutura mais
complexa.
Com organelos membranares.
2 tipos fundamentais de células eucarióticas:
o A célula eucariótica animal, presente nos animais e em outros
organismos mais simples.
Vacúolos estão geralmente ausentes;
Podem apresentar flagelos que possibilitam o seu movimento;
o A célula eucariótica vegetal, existente nas plantas e nas algas:
Parede celular responsável pela proteção e pela forma da célula;
Cloroplastos, organelos onde ocorre a fotossíntese;
Grande vacúolo hídrico, que pode ocupar a maior parte do
volume celular ou vários vacúolos mais pequenos com função de
armazenamento de água ou de outras substâncias;
Podem apresentar flagelos que possibilitam o seu movimento.
Célula animal vs vegetal (ambas eucarióticas)
Organelos membranares e suas funções
Organelos não membranares:
Ribossomas:
Presentes no citoplasma;
Responsáveis pela síntese de proteínas.
2.2 Constituintes Moleculares
As células são compostas por moléculas orgânicas e inorgânicas essenciais à vida.
Constituintes inorgânicos
1. Água
o Composto mais abundante nos seres vivos – 60 a 80% do volume das
células;
o A molécula da água é polar, com uma região com polaridade negativa e
outra com polaridade positiva:
1. Esta característica permite a formação de ligações de hidrogénio
entre as suas moléculas, garantindo-lhe uma elevada coesão
molecular quando no estado líquido;
2. Excelente solvente, pois, a polaridade da água possibilita o
estabelecimento de ligações químicas com uma grande
variedade de compostos polares
o Participa em reações químicas (como reagente ou produto).
o Regula a temperatura (calor específico elevado).
2. Sais minerais
o Funções estruturais e reguladoras.
o Exemplos: cálcio (ossos), ferro (hemoglobina), iões (transmissão
nervosa, equilíbrio osmótico).
Constituintes orgânicos
São geralmente moléculas de maiores dimensões e com maior massa molecular
do que os inorgânicos.
Utiliza-se o termo Biomoléculas tendo em conta que suportam toda a atividade
biológica.
A dimensão e complexidade das Biomoléculas resulta de Polimerização:
o Formação de cadeias – Polímeros;
o Através da ligação de moléculas mais pequenas – Monómeros.
o Ocorre através de reações de síntese (A) – os monómeros ligam-se com
libertação de uma molécula de água por cada ligação
As moléculas podem também despolimerizar:
o Quebra de ligações entre os monómeros em reações de hidrólise (B)
existindo consumo de moléculas de água.
Apesar da existência de uma grande diversidade de biomoléculas, estas são
normalmente agrupadas em:
1. Glícidos
2. Lípidos
3. Prótidos
4. Ácidos nucleicos.
1. Glícidos (hidratos de carbono)
o Também designados por Hidratos de Carbono;
o Constituídos essencialmente por carbono, hidrogénio e oxigénio.
o Tendo em conta a sua estrutura podem ser agrupados em:
Monossacarídeos:
Glícidos mais simples;
Cadeias de 3 a 6 átomos de carbono, como as pentoses (5
carbonos) ou as hexoses (6 carbonos);
A glicose, ou glucose, é o monossacarideo mais
importante para os seres vivos, constituindo a principal
fonte de energia das células;
Possuem como grupos funcionais característicos o grupo
aldeído e o grupo cetona.
Oligossacarídeos:
Glícidos formados por dois ou mais monossacarídeos,
unidos por ligações glicosídicas, de natureza covalente;
Os mais simples, como a sacarose e a lactose, resultam
da ligação de duas oses, constituindo exemplos de
dissacarídeos;
A sacarose, sintetizada pelas plantas, constitui o principal
glícido em circulação nestes organismos, podendo
acumular-se como produto de reserva.
A lactose é sintetizada nas glândulas mamárias dos
mamíferos, constituindo o principal glícido do leite.
Polissacarídeos:
Longos polímeros, geralmente de moléculas de glicose
unidas por ligações glicosídicas.
Os diferentes polissacarídeos são macromoléculas que se
distinguem pela sua estrutura e pelas funções que
desempenham:
Amido:
Principal substância de reserva das plantas
e das algas verdes;
Monómeros de glicose com estrutura
ramificada.
Glicogénio:
Único glícido de reserva dos animais,
acumula-se nos músculos e no fígado;
Monómeros de glicose que formam uma
estrutura mais ramificada que a do amido;
Celulose:
Função estrutural essencial nas plantas;
Monómeros de glicose ligados em longas
cadeias;
Quitina:
Função estrutural, constituinte das
paredes celulares de alguns fungos e dos
exoesqueletos de alguns animais, como os
insetos;
2. Lípidos
o Compostos ternários constituídos por, entre outros:
Carbono;
Hidrogénio;
Oxigénio
o Grupo heterogéneo que inclui:
Gorduras:
Triglicerídeos;
Constituídas por um álcool - o glicerol;
Encontram-se armazenadas nas células do tecido adiposo
dos animais;
O seu armazenamento é vital para a sobrevivência dos
organismos, uma vez que essa gordura pode ser
mobilizada para a produção de energia ou funcionar
como isolante térmico.
Fosfolípidos:
Resultam da ligação de uma molécula de glicerol a dois
ácidos gordos e a um grupo fosfato;
Um fosfolípido tem duas partes distintas:
Cabeça – contém um grupo fosfato
É hidrofílica (“gosta de água”)
Solúvel em água
Caudas – duas cadeias de ácidos gordos
São hidrofóbicas (“fogem da água”)
Insolúveis em água
Devido à presença de uma região hidrofóbica e
hidrofílica na mesma molécula, os fosfolípidos são
classificados em moléculas anfipáticas (duas partes com
afinidades opostas).
Têm um papel estrutural fundamental nos seres vivos, na
medida em que fazem parte das membranas celulares,
ou plasmáticas.
Esteróides:
Colesterol, um esteroide presente nas membranas
celulares que promove a sua estabilidade;
O colesterol também é composto inicial de várias
moléculas importantes, como a vitamina D3, e algumas
hormonas, como o estrogénio e a testosterona.
3. Prótidos (proteínas)
o Grupo de compostos orgânicos quarternários uma vez que possuem:
Carbono;
Oxigénio;
Hidrogénio;
Nitrogénio.
o Aminoácidos – moléculas mais simples deste grupo.
o Dipéptido – ligação entre 2 aminoácidos: Nesta reação de síntese
estabelece-se uma ligação peptídica entre o grupo carboxilo de um
aminoácido e o grupo amina de outro, com libertação de uma molécula
de água.
o Constituem os prótidos mais complexos.
o São polímeros de aminoácidos, unidos entre si por ligações peptídicas,
numa sequência específica chamada:
Estrutura primária
Sequência linear de aminoácidos.
Define a identidade e função da proteína.
o Estrutura secundária:
Resulta do arranjo da cadeia primária, que se organiza em hélice,
em folha pregueada ou em ambas.
o Estrutura terciária:
Forma-se a partir do dobramento das estruturas secundárias,
devido a ligações químicas que se estabelecem entre vários
locais da proteína, originando, frequentemente, estruturas
globulares, como a que caracteriza a enzima pepsina.
o Algumas proteínas, como a hemoglobina, possuem uma estrutura
quaternária caracterizada pela associação de duas ou mais cadeias
polipeptídicas, que passam a constituir as subunidades dessas proteínas.
o Exemplos de funções desempenhadas pelas proteínas:
o Função + relevante – Enzimática:
Atuam como catalisadores biológicos.
Aumentam muito a velocidade das reações químicas do
metabolismo, que sem elas seriam lentas demais para sustentar
a vida.
Sem enzimas, o metabolismo celular pararia ou seria demasiado
lento, e a célula não sobreviveria.
4. Ácidos nucleicos (DNA e RNA)
o Os ácidos nucleicos são biomoléculas responsáveis pelo
armazenamento e transmissão da informação genética.
o São polímeros de nucleótidos, e cada nucleótido é constituído por:
Grupo fosfato
Pentose (açúcar com 5 carbonos):
Desoxirribose (no DNA)
Ribose (no RNA)
Base nitrogenada
Adenina (A),
Timina (T),
Citosina (C),
Guanina (G),
Uracilo (U – apenas no RNA)
o Os nucleótidos ligam-se por ligações fosfodiéster, formando cadeias
polinucleotídicas.
o DNA (ácido desoxirribonucleico)
Contém desoxirribose e as bases A, T, C e G.
É constituído por duas cadeias de nucleótidos dispostas em
sentidos opostos (orientação antiparalela).
Tem uma estrutura em dupla hélice.
As cadeias são mantidas por ligações de hidrogénio entre bases
complementares:
Adenina (A) liga-se à Timina (T) (2 ligações de
hidrogénio)
Citosina (C) liga-se à Guanina (G) (3 ligações de
hidrogénio)
o O RNA é geralmente constituído por moléculas mais curtas do que o
DNA.
É formado por nucleótidos com:
Ribose (em vez de desoxirribose)
Grupo fosfato
Uma das seguintes bases nitrogenadas:
Adenina (A)
Uracilo (U) → substitui a timina (T)
Citosina (C)
Guanina (G)
A maioria das moléculas de RNA tem cadeia simples.
No entanto, pode ocorrer o dobramento da cadeia por ligações
de hidrogénio entre bases complementares de regiões diferentes
da mesma molécula.
Existem vários tipos de RNA, todos com funções relacionadas
com a síntese de proteínas.