0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações4 páginas

Desmistificando a Comunicação Surda

O documento discute a percepção equivocada sobre a comunicação dos surdos, enfatizando que a língua de sinais é uma forma legítima de expressão e parte da identidade cultural surda. Além disso, aborda a importância da educação bilíngue, que respeita a língua de sinais como primeira língua e o português como segunda, para garantir inclusão e oportunidades. Por fim, desmistifica a ideia de que todos os surdos utilizam leitura labial, ressaltando a eficácia da Libras como meio de comunicação principal.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações4 páginas

Desmistificando a Comunicação Surda

O documento discute a percepção equivocada sobre a comunicação dos surdos, enfatizando que a língua de sinais é uma forma legítima de expressão e parte da identidade cultural surda. Além disso, aborda a importância da educação bilíngue, que respeita a língua de sinais como primeira língua e o português como segunda, para garantir inclusão e oportunidades. Por fim, desmistifica a ideia de que todos os surdos utilizam leitura labial, ressaltando a eficácia da Libras como meio de comunicação principal.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Alunos: João Vitor de Almeida, Igor Ayub, Luiza Paraizo, José Divaldo Xavier, Bryann Ratti

Libras: Que língua é essa?

O SURDO NÃO FALA PORQUE NÃO OUVE? IGOR​


Duas interpretações podem ser extraídas dessa colocação:​

Primeiro, precisamos repensar o que entendemos por "fala". Fala é a língua (código) em
uso, ou seja, é a concretização de um conjunto de regras. Durante muito tempo, a
sociedade associou a língua à produção vocal-sonora, como se apenas a fala oral fosse
uma forma legítima de comunicação. Essa visão desvalorizou a língua de sinais, que, até a
década de 1960, era vista por muitos como mera mímica, sem status linguístico. No
entanto, a língua de sinais é uma língua completa, com gramática, sintaxe e riqueza
cultural. Os surdos "falam", sim, mas no canal viso-gestual, usando gestos e expressões
visuais.

A segunda perspectiva aborda a relação entre audição e fala oral. É comum pensar que, por
não ouvirem, os surdos não podem falar. Isso é um equívoco. Surdos com aparelho vocal
intacto podem, sim, produzir fala inteligível, desde que recebam treinamento com
fonoaudiólogos. Muitos surdos falam a língua oral majoritária, como o português, quando
querem. Mas aqui entra uma questão histórica e social importante: o oralismo. No passado,
o oralismo impunha a fala oral como única forma válida de comunicação, proibindo a língua
de sinais em escolas e terapias. Crianças surdas eram submetidas a treinos intensos e
repetitivos para aprender a falar. Isso gerou indignação, frustração e um sentimento de
opressão na comunidade surda.

Por causa dessa história, muitos surdos rejeitam a ênfase na fala oral, não por
incapacidade, mas como uma escolha cultural e política. A língua de sinais não é apenas
uma ferramenta de comunicação; é parte da identidade surda, uma expressão de sua
cultura e história. Forçar a fala oral, ignorando a língua de sinais, é desrespeitar essa
riqueza. Então, o surdo não fala porque não ouve? Não. O surdo pode escolher não
priorizar a fala oral porque valoriza sua língua, sua cultura e resiste a práticas opressivas do
passado.

Para concluir, a pergunta do título nos convida a refletir sobre nossos preconceitos. Os
surdos têm voz, seja por meio da língua de sinais ou da fala oral.. O que falta
reconhecermos e valorizarmos a diversidade das formas de comunicação. Vamos aprender
com a comunidade surda e ampliar nossa visão sobre o que significa "falar".
O SURDO TEM DIFICULDADE DE ESCREVER PORQUE NÃO SABE FALAR A LÍNGUA
ORAL? JOSÉ​

Essa é uma crença muito comum, mas profundamente equivocada.

Muitas vezes se diz que o surdo tem mais dificuldade de aprender, inclusive de escrever, do
que um ouvinte. Essa ideia é semelhante a outras crenças preconceituosas, como acreditar
que pobres têm mais dificuldade de aprender do que ricos, ou que pessoas bonitas são
mais inteligentes que feias. São mitos sociais que não se sustentam.

O problema não é de capacidade intelectual. É uma questão de acesso e de oportunidade.

1. A relação entre fala, escuta e escrita


Para quem ouve, a aprendizagem da língua acontece de forma natural: primeiro ouvimos,
depois falamos e, por fim, aprendemos a escrever. A escrita representa sons que já
reconhecemos desde pequenos.

O surdo, no entanto, não tem acesso ao som. Por isso, ao aprender a escrever em
português, ele não tem a referência auditiva que os ouvintes têm. A escrita, para ele, é uma
construção visual e abstrata, que exige uma relação diferente com a língua.

Além disso, a ideia de que o surdo deveria saber falar para escrever corretamente vem de
um ideal de "língua perfeita", que rejeita variações linguísticas de imigrantes, indígenas e
também dos surdos. Tanto a forma como o surdo fala quanto como escreve são
estigmatizadas por não seguirem o modelo imposto pelos ouvintes.

Ainda que o surdo não vocalize a língua oral, ele pode aprender a escrever em português,
assim como estrangeiros escrevem em uma segunda língua que não dominam
perfeitamente na fala.

2. A primeira língua do surdo


A maioria dos surdos tem como primeira língua uma língua de sinais, como a Libras. A
Libras é uma língua completa, com sua própria gramática, muito diferente da estrutura do
português.

Por isso, ao escrever em português, o surdo precisa "traduzir" suas ideias de uma língua
visual e espacial para uma língua oral-escrita. Isso é um desafio natural, como acontece
com qualquer pessoa que aprende uma segunda língua.

Além dos desafios linguísticos, o surdo enfrenta também questões emocionais: muitas
vezes, a experiência escolar foi marcada por exclusão, frustração e insegurança. Esses
sentimentos acabam reforçando a ideia de que o surdo "não é capaz", quando, na verdade,
ele apenas não teve acesso adequado à língua escrita.

3. A importância da educação bilíngue


Garantir ao surdo uma educação bilíngue — com Libras como primeira língua e o português
escrito como segunda língua — é fundamental.
Com acesso pleno à Libras, o surdo desenvolve sua capacidade de comunicação,
pensamento e expressão. A partir dessa base sólida, ele pode aprender o português escrito
de maneira mais eficiente e respeitosa com sua identidade linguística.

Assim, é possível romper com os mitos e preconceitos que ainda existem. O surdo não tem
dificuldade intelectual para escrever. Ele apenas precisa de uma educação que reconheça
suas especificidades e lhe dê as mesmas oportunidades de aprendizagem.

Somente com a educação bilíngue podemos garantir uma inclusão verdadeira e o direito
pleno à comunicação.

O USO DA LÍNGUA DE SINAIS ATRAPALHA A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ORAL?


LUIZA

De forma alguma!

Por muito tempo, acreditou-se que a língua de sinais atrapalhava o surdo a aprender a falar.
Essa ideia vinha de métodos antigos — e até bastante cruéis — que tentavam forçar surdos
a se comunicarem apenas pela fala, proibindo o uso de sinais. No entanto, hoje a ciência já
mostrou que isso não faz sentido.

Pesquisas na área da educação e da linguística deixaram claro que ser bilíngue — usar a
língua de sinais e também a língua oral — é totalmente possível e, mais do que isso, é
extremamente saudável para o desenvolvimento dos surdos.

Na verdade, o que realmente atrapalha o desenvolvimento do surdo não é usar a língua de


sinais, mas sim não ter acesso a ela desde cedo. Se uma criança surda cresce sem uma
língua natural, como a língua de sinais, ela pode enfrentar dificuldades de comunicação,
aprendizado e até na formação da própria identidade.

Por isso, a língua de sinais deve ser a primeira língua da pessoa surda. Com ela, o surdo
se desenvolve melhor nos aspectos emocionais, sociais e intelectuais. Depois, aprender
outras línguas se torna muito mais fácil.


O SURDO PRECISA DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA SOBREVIVER NA SOCIEDADE


MAJORITARIAMENTE OUVINTE? BRYANN


Sim, o surdo precisa da língua portuguesa, pois infelizmente, na sociedade que nos
encontramos, a LIBRAS não é compreendida por aproximadamente 78% da população
brasileira (segundo IBGE 2023), separei 3 tópicos para debatermos de forma rapida e
objetiva:
1)Acesso à Educação e Informação:
O domínio da língua portuguesa é essencial para o surdo acessar materiais escritos,
realizar provas, ler livros e entender conteúdos que não estão disponíveis em Libras.
2) Inclusão no Mercado de Trabalho
Muitas profissões exigem habilidades em português, como leitura, escrita e comunicação
com pessoas ouvintes. A falta de domínio pode limitar oportunidades de emprego.
3)Interação Social e Participação Comunitária:
O conhecimento da língua portuguesa facilita a comunicação com a maioria ouvinte,
permitindo ao surdo participar de eventos, atividades sociais e manter relações
interpessoais fora da comunidade surda.

TODOS OS SURDOS FAZEM LEITURA LABIAL? JOÃO


Nem todos os surdos utilizam a leitura labial. Essa técnica, que exige grande esforço,
envolve interpretar os movimentos dos lábios, língua e expressões faciais para
compreender a fala. Contudo, ela apresenta elevada dificuldade, pois requer atenção a
diversos detalhes e, mesmo quando dominada, tem precisão limitada, de aproximadamente
30% a 40%. A eficácia da leitura labial varia conforme fatores como sotaque, iluminação,
clareza da fala e velocidade do interlocutor. Além disso, é uma prática extremamente
cansativa, demandando alto nível de concentração e esforço visual contínuo para manter
um bom entendimento.

No Brasil, a educação de surdos é regulamentada pela Lei nº 10.436/2002 e pelo Decreto nº


5.626/2005, que estabelecem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio de instrução
principal, juntamente com o português escrito, promovendo um modelo educacional
bilíngue. Essas legislações reconhecem a Libras como língua oficial da comunidade surda,
garantindo seu uso em contextos educacionais e sociais. A comunidade surda brasileira
possui um forte senso de pertencimento e identidade cultural, marcado por grande empatia
e união. Esse contexto fortalece o uso da Libras, reduzindo a dependência da leitura labial,
uma vez que a Língua de Sinais atende plenamente às necessidades comunicativas, sendo
uma ferramenta acessível e culturalmente significativa.

Adicionalmente, a valorização da Libras reflete a resistência histórica da comunidade surda


contra abordagens oralistas, que no passado priorizavam a leitura labial e a fala em
detrimento da Língua de Sinais. Hoje, a educação bilíngue é vista como um direito, e a
leitura labial é considerada uma habilidade complementar, usada principalmente por surdos
que se comunicam com ouvintes em situações específicas, como consultas médicas sem
intérprete. Organizações como a FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração
dos Surdos) reforçam a importância de políticas inclusivas que priorizem a Libras,
promovendo a autonomia e a cidadania dos surdos.

Você também pode gostar