CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFG
CURSO DE PSICOLOGIA
GABRIELA GUIMARÃES VIEIRA
HELENA LIMA MEDRADO E SILVA
JOYCE DONATO FRAGA
RAFAELA RODRIGUES DOS SANTOS
LUTOS E PERDAS: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA - UM
ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA
Guanambi, BA
2024
GABRIELA GUIMARÃES VIEIRA
HELENA LIMA MEDRADO E SILVA
JOYCE DONATO FRAGA
RAFAELA RODRIGUES DOS SANTOS
LUTOS E PERDAS: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA - UM
ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA
Artigo Científico Apresentando Ao Curso De
Psicologia Do Centro Universitário UniFG Como
Requisito De Avaliação Da Disciplina De Trabalho
De Conclusão De Curso II.
Orientadora: Profª Tiara Santos Melo
Coorientador: Profº Miriã Lima Malheiros
Guanambi, BA
2024
Sumário
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 5
2. REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 6
2.1. LUTO E PERDAS .................................................................................................. 6
2.2. TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA ....................................................................... 7
2.3. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA E
SUA APLICAÇÃO NO LUTO ............................................................................................. 8
2.4. A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES FAMILIARES NO PROCESSO DO
LUTO ........................................................................................................... 9
2.5. A IMPORTÂNCIA DA TERAPIA NO DESENVOLVIMENTO DOS
CONCEITOS DE LUTO E PERDAS ............................................................................... 10
3. METODOLOGIA ............................................................................................................. 11
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................ 17
4.1. COMPREENSÃO SOBRE O LUTO ................................................................. 18
4.2. A TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA ................................................................. 21
4.3. O LUTO NA PERSPECTIVA DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA .......... 23
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 25
REFERÊNCIAS ................................................................................................................27
LUTOS E PERDAS: CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA - UM
ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA
GABRIELA GUIMARÃES VIEIRA 1
HELENA LIMA MEDRADO E SILVA 2
JOYCE DONATO FRAGA3
RAFAELA RODRIGUES DOS SANTOS4
TIARA SANTOS MELO5
MIRIÃ LIMA MALHEIROS6
RESUMO: O presente estudo buscou problematizar: Como a terapia familiar sistêmica
contribui no processo de luto e perdas? No sentido de melhor direcionar a pesquisa e
responder a pergunta norteadora, elegeu-se como objetivo geral: Analisar a
contribuição da Terapia Familiar Sistêmica acerca do luto e perdas através de um
levantamento bibliográfico. E como objetivos específicos: Identificar os benefícios na
abordagem sistêmica em relação a perdas e luto; Caracterizar a psicoterapia sistêmica
no enquadramento de luto e perdas; Compreender quais mudanças nas dinâmicas
familiares e sociais podem desencadear através da perda. Para tanto foi utilizado
como metodologia qualitativa a revisão de literatura através de uma pesquisa
integrativa, levando ao seguinte resultado: os profissionais da psicologia utilizam
abordagem sistemática na sua prática com pessoas em processo de perda e luto.
Palavras-chave: Luto, Terapia Familiar, Perda.
ABSTRACT: The present study sought to problematize: How does systemic family
therapy contribute to the process of grief and loss? In order to better direct the research
and answer the guiding question, the general objective was chosen: Analyze the
contribution of Systemic Family Therapy to grief and losses through a bibliographical
survey. And as specific objectives: Identify the benefits of a systemic approach to loss
and grief; Characterize systemic psychotherapy in the context of grief and loss;
Understand what changes in family and social dynamics can trigger through loss. To
this end, a literature review was used as a qualitative methodology through integrative
research, which made it possible to conclude that the systemic approach contributes
to the grieving process within the family system.
1 Graduando em Psicologia pela Unifg. E-mail: [Link]@[Link]
2 Graduando em Psicologia pela Unifg: E-mail:lenamedrado009@[Link]
3 Graduando em Psicologia pela Unifg: E-mail:joyce2000fraga@[Link]
4 Graduando em Psicologia pela Unifg: E-mail:rafaellarodrigues23@[Link]
5 Orientadora e Me. Programa de Estudos Interdisciplinares pela Ufba. E-mail: tiaramelo@[Link]
6 Coorientadora e Me. Saúde Coletiva pela E-mail :[Link]@animaeducaçã[Link]
5
1. INTRODUÇÃO
O processo do luto permanece como um grande desafio, impactando o bem-
estar emocional das pessoas. Quando se perde algo significativo, é inevitável sentir
tristeza e sofrimento, resultando na experiência do processo de luto. Enquanto
algumas pessoas conseguem passar pelo luto de forma considerada saudável, outras
encontram dificuldades significativas em enxergar novas oportunidades para seguir
em frente após uma perda.
Pires (2010) caracteriza o processo de luto como uma atividade mental na qual,
diante da perda, a pessoa começa a buscar um sentido, trazendo à tona memórias
relacionadas ao falecido para se adaptar ao presente. Além disso, Franqueira et al.
(2015) e Parkes (1998) afirmam que o luto é uma experiência única, que não segui
um padrão fixo, manifestando-se de maneiras diversas em termos de intensidade e
duração. Essas variações são influenciadas por fatores como as circunstâncias da
morte e as características individuais do enlutado (Franqueira et al. 2015).
Surgiu no século XX a teoria sistêmica, que propõe a ideia de que não é viável
entender um sistema por meio da análise de suas partes individuais, assim como não
é possível compreender uma parte de forma independente (Alves; Carvalho 2008).
De acordo com Bowen (2020) com o autor, as questões emocionais que afetam
cada pessoa estão profundamente conectadas aos relacionamentos familiares e aos
outros sistemas dos quais faz parte; o sistema emocional é moldado pelas interações.
O senso de pertencimento impulsiona o desejo do indivíduo de manter uma ligação,
mas é a individuação que possibilita que ele funcione de forma independente do grupo
(Bowen, 1988).
Segundo Walsh e McGoldrick (1998), o contexto cultural vai instigar a forma
como o luto é influenciado. Os autores destacam que a família experimenta e reage à
perda como um sistema de relações, oferecendo uma compreensão abrangente do
luto no contexto familiar. Portanto, considerando que o luto tem uma conexão direta
com as dinâmicas familiares, o propósito deste estudo foi fornecer informações que
ampliem e atualizem o entendimento de aspectos pouco explorados, com o objetivo
de destacar como a terapia familiar sistêmica pode contribuir com o processo de luto
e perdas.
6
Diante desse contexto, a pesquisa buscou problematizar: Como a terapia
familiar sistêmica contribui no processo de luto e perdas. Para melhor direcionar essa
problemática elencou-se como objetivo geral: A análise da contribuição da Terapia
Familiar Sistêmica acerca do luto e perdas através de um levantamento bibliográfico.
Para alcançar tal intento, buscou-se 1- Identificar os benefícios na abordagem
sistêmica em relação a perdas e luto; 2- Caracterizar a psicoterapia sistêmica no
enquadramento de luto e perdas; 3- Compreender quais mudanças nas dinâmicas
familiares e sociais podem desencadear através da perda.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. LUTO E PERDAS
O processo de luto surge diante da privação de algo significativo, podendo ser
o falecimento de um ente querido ou a perda de algo significativo. Engloba dimensões
individuais, familiares e sociais (Firth, Apud Bowlby, 1998).
Segundo Kovács (2008), a perda é um dos eventos mais perturbadores na vida
humana, não apenas de indivíduos, mas também de qualquer situação que envolva
uma mudança significativa, que ela chama de “pequenas mortes”. Essas mudanças
implicam na perda de uma condição antiga e familiar, e na transição obrigatória para
uma condição nova e desconhecida. É considerado saudável elaborar essas perdas,
reconhecendo e lidando com os aspectos psicológicos de dor, tristeza e sofrimento
que podem surgir.
Ainda de acordo com a autora, uma perda se torna significativa quando há a
quebra de um vínculo previamente estabelecido. O luto, então, é visto como o
processo psicológico de lidar com essa perda, no qual o indivíduo reorganiza sua vida.
Esse processo envolve uma jornada gradual de aceitação da perda e reinterpretação
de relações, atividades e papéis, buscando uma nova forma de viver (Kovács, 2008).
Parkes (1998) afirma que o luto pode gerar desconforto, alterações nas funções
normais e um aumento significativo da ansiedade, especialmente para aqueles que
estavam presentes no momento da morte do ente querido. De acordo com Luna
(2020), uma fase de luto se inicia quando um indivíduo, família ou comunidade
enfrenta a morte ou a separação de um ente querido. As experiências de luto podem
7
ser definidas a partir da subjetividade, sendo uma resposta emocional, física e
comportamental de cada indivíduo dentro de sua própria singularidade no estado de
luto. E o processo de luto seria a expressão ativa, incorporando as diversas culturas
e as normas da sociedade (Franco, 2002, 2010 apud Luna, 2020).
2.2. TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA
Alves e Carvalho (2018) destacam que, as terapias sistêmicas, baseadas em
Cibernética de Primeira Ordem, tornaram-se componentes essenciais no pensamento
contemporâneo. Por outro lado, os princípios pós-modernos se tornaram
proeminentes na terapia familiar sistêmica com a introdução da Cibernética de
Segunda Ordem, impactando as abordagens construtivistas e construcionistas sociais
da epistemologia (Paula-Ravagnani, 2015).
Para César e Costa (2018) a abordagem sistêmica encontra seu lugar na era
pós-moderna, marcada pela transição da simplicidade para a complexidade, da
estabilidade para a instabilidade e da objetividade para a intersubjetividade
(Vasconcelos, 2011). Assim, começou-se a evitar o emprego do verbo ser em favor
do verbo estar. Isso levou a uma concentração dos pensamentos nos contextos, nas
relações e nos significados relevantes localmente (Costa, 2000).
Neste contexto, surgiu a ideia pensamento sistêmico ressaltando a importância
da natureza e dos componentes das conexões. Isso contrasta com a abordagem
analítica, que passou a ser questionada, especialmente em debates e análises nas
ciências sociais, devido à sua limitação frente à subjetividade e complexidade
envolvidas (Araujo; Gouveia, 2016).
O conceito de pensamento sistêmico, considerado como uma nova maneira de
visualizar o mundo, estava embasado em sistemas. Esse novo foco representava a
forma como as conexões e os elementos que as compunham eram organizados. Essa
perspectiva podia ser observada no contexto da saúde, influenciando as práticas
institucionais e profissionais (Araujo; Gouveia, 2016).
De acordo com Walsh e McGoldrick (1998), argumenta-se que a experiência
de luto de uma família é influenciada por suas interações e relacionamentos familiares
únicos. Várias dinâmicas familiares, como papéis, padrões de comunicação e
estruturas, afetam a forma como os membros lidam com a perda. Estas relações
familiares podem provocar mudanças nessas dinâmicas. Porém, é crucial que os
8
membros familiares tenham suporte profissional e social para auxiliá-los neste
processo. Dentro desse contexto, um membro da família pode se sentir desamparado
e enfrentar obstáculos para acessar serviços de saúde mental e receber assistência
para lidar com seus dilemas e incertezas (Carvalho et al,2021).
2.3. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA E SUA
APLICAÇÃO NO LUTO
Ao explorar o conceito de sistema, surgiu a importância do contexto familiar
como um dos principais exemplos baseados em redes de interações e diálogos,
caracterizados por suas particularidades únicas. Diferentes padrões de
comportamento e situações surgiram, juntamente com influências emocionais e
contextuais. Adotando a abordagem sistêmica da família, notou uma evolução
contínua do conceito, que se adapta a novos costumes culturais e valores (Araujo;
Gouveia, 2016).
Segundo Nichols e Schwartz (2007), essa perspectiva significa uma mudança
notável na visão dos profissionais sobre o papel da família na terapia, pois enfatiza a
reorganização da família como meio de resolução de problemas. Além disso, esta
abordagem terapêutica é regular quando as intervenções visam a transformação de
um único membro da família, todo o sistema familiar é necessariamente impactado e
sofre alterações correspondentes no contexto. Dessa forma, comunicar-se com o
outro desempenhou um papel significativo durante esse processo de luto, pois
poderia evocar lembranças e recordações relevantes para o momento, aliviando e
reduzindo a dor e a saudade. De acordo com Satir (1988), perceber a comunicação
como um sentimento que precisa ser expresso, que deve refletir sobre si mesmo e
reconhecer- se como parte integrante de uma família, permitiria uma mudança no
cenário familiar. Conforme apontado por Silva (2009), era extremamente importante
começar o trabalho com uma avaliação sistemática dos indivíduos e da família.
Nesse contexto, foi considerado relevante abordar a instrução e o aconselhamento
relacionados ao luto, bem como a subsequente implementação de medidas
preventivas. Essas medidas tinham como objetivo minimizar os impactos negativos
na saúde do sistema.
Podiam ser aplicadas em diferentes fases do processo de perda de um membro
familiar, sendo crucial focar no padrão de realidade das pessoas envolvidas.
9
Compreender uma perspectiva renovada sobre o luto por meio da abordagem
sistêmica implica reconhecer e oferecer ao enlutado e ao seu sistema uma nova forma
de interação e compreensão de cada componente envolvido. Isso possibilita que a
lembrança da perda significativa seja recordada com memórias positivas, resultando
ativamente em uma nova visão da vida daqui para frente, em um contexto renovado
que será construído ou restaurado. Assim, essa abordagem teve um papel
fundamental ao incluir o terapeuta como parte essencial do sistema, que antes era
formado apenas pela família (Melo & Ribeiro, 2016).
2.4. A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES FAMILIARES NO PROCESSO DO LUTO
Segundo Carvalho et al (2021) quando a família está inserida em um contexto
de adoecimento psíquico, torna-se um alvo significativo de atenção, considerando a
necessidade de acolher e conviver com o ente “adoecido”, simultaneamente, o sujeito
precisa construir recursos adaptativos para manutenção da própria estrutura,
enquanto um sistema instável e complexo. Quando alguém querido é perdido, isso
desencadeia um processo intrínseco e previsível de luto, pois afeta todo o sistema
familiar. A família é um sistema interconectado, quando ocorre uma alteração exige
uma adaptação dos membros (Kramer et al.).
As duas atribuições populares compartilhadas pelas famílias, destaca-se a
função interna, que visa à proteção psicossocial de seus membros, e a função externa
ligada à adaptação a uma determinada cultura e na transmissão dos valores. Sendo
a primeira voltada à promoção de saúde dos membros, enquanto a segunda se
consolida por meio de normas morais, regras sociais e outros elementos que afetam
o comportamento familiar. (Grizafis; Baumkarten, 2018).
As características únicas de cada sujeito vivencia o luto, mas dentro dessas
particularidades entre o contexto família no qual está inserido, influencia a maneira de
cada membro passar por esse processo (Delalibera et al., 2014). O luto não afeta
apenas a pessoa que vive a perda, mas também aqueles ao seu redor, com cada
indivíduo lidando de maneira única, influenciado por suas características e crenças. A
morte tem um impacto importante na sociedade, gerando amplas repercussões. (Firth,
1961 apud Bowlby, 1998).
A família deposita uma carga afetiva de expectativas desenvolvida durante a
vida nos membros, Minuchin (1988). Segundo Grizafis e Baumakarten (2020) quando
10
a ausência de um membro, isso significa renúncia de aspirações e esperanças
destinadas a este. A família enfrenta uma variedade de emoções diante de uma
elaboração do luto, a duração varia entre as estruturas familiares (Grizafis;
Baumkarten, 2018).
2.5. A IMPORTÂNCIA DA TERAPIA NO DESENVOLVIMENTO DOS
CONCEITOS DE LUTO E PERDAS
Com base nos achados, percebe-se como a terapia familiar sistêmica influencia
o processo de luto e perdas. Os estudos indicam que compreender o luto sob essa
perspectiva envolve reconhecer uma nova dinâmica de interação e compreensão para
os enlutados e seu sistema familiar. Nesse contexto, a terapia familiar desempenha
um papel crucial ao integrar o terapeuta como elemento essencial do sistema, que
anteriormente era exclusivamente composto pela família (Melo & Ribeiro, 2016).
De acordo com as pesquisas de Araújo e Gouveia, 2016 quando é abordado o
conceito de sistema, o contexto familiar emerge como um dos principais exemplos
baseados em redes de interações e diálogos, caracterizados por suas peculiaridades
específicas. Apresentam-se distintos arranjos comportamentais e situacionais, além
de influências contextuais e emocionais. Ao incorporar a família na visão sistêmica,
nota-se um desenvolvimento constante de seu conceito, que se amplia
progressivamente, ajustando-se a novos padrões culturais, valores, tradições, fatores
sociais e ideias em permanente redefinição.
O estudo de Delalibera et al., (2015) enfatiza que a perda pode afetar o
funcionamento e a dinâmica da família de diversas maneiras. No entanto, a
experiência do luto pode ser intensificada ou prejudicada pela disposição para a
comunicação entre os membros familiares. Assim, manter uma comunicação eficiente
dentro da família durante o período de luto torna-se crucial para o bem-estar
psicológico de seus integrantes, impactando diretamente na forma como o luto é
encarado e assimilado pelo grupo familiar.
Conforme os estudos da mesma, algumas pesquisas que relacionam a
interação familiar ao processo de luto sugerem que famílias caracterizadas como
disfuncionais apresentam níveis significativamente mais elevados de sintomas
depressivos e morbidade psicológica. Além disso, esses grupos demonstram
11
desajuste social no ambiente de trabalho, em atividades sociais e de lazer, e têm
pouco ou nenhum suporte social (Delalibera et al, 2015).
3. METODOLOGIA
A metodologia desse estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura,
um método de pesquisa que possibilita a síntese de conhecimentos sobre um tema
específico ao combinar resultados de diferentes tipos de estudo (Soares, et al., 2014).
Como pesquisa integrativa busca responder a pergunta norteadora, esse estudo
direcionou-se através desse método, respondeu à pergunta direcionada pelos
objetivos elencados e concluiu as etapas necessárias para responder e chegar à
conclusão que a terapia familiar sistêmica contribui no processo de luto dentro do
sistema familiar, proporcionando uma nova perspectiva que permitiu lidar diretamente
com as questões pessoais e interpessoais.
A abordagem deste estudo é de natureza qualitativa e consistiu em realizar uma
revisão integrativa da literatura. Essa técnica escolhida para a análise desse estudo é
um método de revisão bibliográfica que permite a síntese de conhecimento sobre um
tema específico, combinando resultados de diferentes tipos de estudos. Ela envolve a
busca, análise e interpretação de estudos quantitativos e qualitativos, com o objetivo
de ampliar a compreensão do tema em questão. (Soares et al., 2014).
Foram adotados os seguintes termos-chave: "Luto" e "perdas"; "Psicoterapia"
e "luto"; "Terapia familiar" e "perdas"; "Terapia familiar" e "luto". A pesquisa foi
conduzida nos bancos de dados da SciELO (Scientific Electronic Library Online), Bvs
(Biblioteca Virtual em Saúde), Pepsic (Periódicos eletrônicos em psicologia), o livro
Terapia Familiar Sistêmica de Cláudia Cacau e Juarez Soares Costa (2018), assim
como a tese que foi buscada na Revista Estação Científica. Forneceu como resultado
a localização de 472 artigos, os quais foram excluídos 461 deles que apresentavam
abordagem diferente do objetivo desse estudo ou que não atenderam aos critérios de
inclusão, sendo selecionados 13 para análise e discussão pois estavam adequados
às nossas finalidades de pesquisa e assim responder a pergunta norteadora.
Os critérios de inclusão definidos foram: Artigos completos que abordam os
objetivos do estudo; Publicações no idioma português, livros e teses com temáticas
pertinentes ao tema. Os critérios de exclusão foram incluídos tópicos que não estão
12
alinhados com os objetivos do estudo, artigos indisponíveis na íntegra e artigos em
idiomas diferentes. Foi realizada uma análise descritiva dos dados, além de uma
síntese dos artigos, teses e livros relacionados ao tema de estudo proposto pelo
grupo, avaliando os pontos relevantes para esse estudo.
A análise dos dados foi dividida em duas etapas, a primeira teve como base a
leitura do título e do resumo de todas as publicações, sendo excluídos aqueles que
não abordavam assuntos acerca do tema; a segunda etapa foi constituída pela leitura
da pesquisa na íntegra, excluindo os que não contemplavam a problemática. A técnica
escolhida para a análise desse estudo foi a revisão integrativa, que é um método de
revisão bibliográfica que permite a síntese de conhecimento sobre um tema
específico, combinando resultados de diferentes tipos de estudos. Ela envolve a
busca, análise e interpretação de estudos quantitativos e qualitativos, com o objetivo
de ampliar a compreensão do tema em questão. (Soares, et al., 2014).
Para coletar os dados dos estudos escolhidos, foi essencial empregar um
instrumento elaborado previamente, como a tabela Ursi, pois este instrumento pode
garantir a extração de todos os dados pertinentes, reduzindo assim a possibilidade de
erros na transcrição da pesquisa e assegurando a precisão na verificação das
informações. Esta tabela também serve como um registro e orientação para o estudo,
sendo destacada na tabela a seguir:
Tabela 1. Análise dos estudos relevantes para discussão dessa revisão
integrativa.
AUTOR/ANO TÍTULO OBJETIVOS RESULTADOS BASE
1 Cláudia de Do cuidar ao Examinar um Com base nas Scielo
Oliveira Alves, cuidar-se: um processo terapêutico reflexões feitas sobre
Analice de relato de psicológico usando o
Sousa intervenção em a procedimento, é
Arruda Vinhal de terapia abordagem teórica da possível afirmar
Carvalho, familiar Terapia Familiar que a terapia
2018 sistêmica Sistêmica, com promoveu alterações
foco na visão pós- significativas no
moderna. sistema familiar.
2 Andréa Cristina Uma revisão O presente artigo A Teoria Geral de Revist a
Marques de sobre os objetiva uma Sistemas auxilia na Científic
princípios da discussão sobre compreensão a
13
(continuação)
Araújo, Luís teoria geral essa nova da interconexão
Borges Gouveia, dos sistemas concepção e suas entre os vários
2016 consequências para a sistemas presentes
análise dos atualmente, e a
sistemas atuais. intricada natureza
das relações,
incluindo o
sistema humano,
agroindustrial e
natural.
3 Grizafis, Andrei Luto em Santa Analisar como a Esta pesquisa de Pepsic
Nunes e Maria: estudo AVTSM auxiliou os campo teve como
Baumkarten, da tragédia sob familiares das vítimas propósito analisar
Silvana um olhar na como a AVTSM
Terezinha, 2018 sistêmico Tragédia da auxiliaria os pais na
Boate Kiss, superação da perda
ocorrida em 27 de dos filhos.
janeiro de 2013, à
elaboração do luto.
4 Ivânia Jann Construindo Descrever os Destacaram a Scielo
Luna, 2020 histórias e sentidos das histórias construção de
sentidos sobre de perda familiar na histórias e
uma perspectiva de doze sentidos em torno do
perda familiar pessoas enlutadas que foi perdido, do
na devido à morte do que causou a perda
vida adulta cônjuge, filho, pai, do familiar e do tipo
mãe ou irmão. de sofrimento e
legados do luto.
5 Mayara Dinâmica Conduzir uma Demonstram indícios Scielo
Delalibera, família no análise sistemática de que
Joana Presa, processo luto: da famílias com
Alexandra revisão literatura sobre a disfunções
Coelho, Antônio sistemática da dinâmica da apresentam maior
Barbosa, Maria literatura família durante o sintomatologia
Helena Pereira período de luto. psicopatológica,
Franco, 2014 morbidade
psicossocial,
funcionamento social
comprometido,
desafios para
acessar recursos
comunitários, menor
eficácia no
14
(continuação)
trabalho e um
processo de luto mais
desafiador.
6 Luís Henrique Psicoterapia e Investigar a Chegamos à Scielo
Fuck Michel, luto: A experiência das mães conclusão de que a
2021 vivência de nesse processo. interação entre a mãe
mães em luto e o terapeuta
enlutadas proporciona a
reinterpretação das
conexões
com os entes
queridos falecidos,
bem como
com a
morte e a própria
existência, quando
há
suporte, empatia e
segurança.
7 Maria Carolina A vivência Consideramos Dentro dessa Pepsic
Rissoni AnderyI; do luto de salutar o situação, vemos
Sara Cianelli psicólogos engajamento dos como benéfico o
dos dentro das profissionais, do envolvimento dos
Anjos instituições órgão especialistas, da
BittencourtII; regulamentador da entidade que regula a
Claudia Marques profissão e das profissão e das
ComaruIII; instituições na organizações na
Regina Maria construção dos elaboração de
Paschoalucci processos de métodos de
LiberatoIV; Thais trabalho orientados trabalho direcionados
de na para promover a
Cássia Peixoto direção da saúde das saúde de
Maldonado; partes todos os
Wedney envolvidas. envolvidos.
MoreiraVI; Maria
Helena Pereira
FrancoVII, 2020
15
(continuação)
8 Mariana Terapia Examinar os Demonstrou a Scielo
Albernaz comunitária e comportamentos percepção dos
Pinheiro de sofrimento adotados por membros familiares
Carvalho, Maria psíquico no membros familiares sobre o sofrimento
Djair sistema que emocional, o qual
Dias, Sandra familiar: um cuidam de pode ser alterado à
Aparecida de enfoque parentes que medida que
Almeida, Rosa baseado no enfrentam atribuíam novos
Lúcia novo dificuldades sentidos e
Rocha Ribeiro, paradigma da emocionais, dentro realizavam ações
Priscilla Maria de ciência das essenciais para
Castro dinâmicas relacionais promover relações
Silva, Maria de familiares, após familiares
Oliveira Ferreira participarem de equilibradas.
Filha, 2021 sessões de
terapia em grupo na
comunidade.
9 NASCIMENT Apego e Este artigo busca a Baseiou-se na Pepsic
O, Cecilia perda compreensão abordagem sistêmica
Cassiano; ambígua: ampliada do processo da
COELHO, apontament os de luto e perda, a família, como um
Maria Renata para uma partir da Teoria do sistema com
Machado; discussão Apego proposta por limites definidos e
JESUS, Marla John Bowlby, nos compreendido por
Rejane Pereira idos dos anos 50. meio da interação
de e entre seus
MARTINS, membros. O
Waleska divórcio é
Vassilieff, analisado como
2006 uma perda
ambígua, semelhante
ao
desaparecimento de
entes queridos ou à
deterioração das
habilidades
mentais, ressaltando
a
importância de
pesquisas
aprofundadas.
10 PARKES, Luto: Estudo O livro de Parkes nos Representa uma Scielo
Colin Murray, sobre perda na ajuda a valiosa contribuição
1999 vida adulta identificar e para a
entender as raízes do compreensão
pesar, os danos das circunstâncias
16
(continuação)
causados pelo luto e relacionadas ao
as maneiras de luto, comunicando de
ajudar os enlutados a forma explícita e
emergir desse empática o
sofrimento. processo emocional
inevitável.
11 Vladimir de Epistemolog ia Apresenta as Uma reflexão da Pepsic
Araújo sistêmicas e características postura do
Albuquerque suas fundamentais de terapeuta e sua
Melo1, I, II ; repercussõe s cada teoria, assim interação com a
Maria Alexina para a como as família, através
Ribeiro2, I, II, III, clínica da contribuições de um extenso
2016 terapia familiar conceituais de debate
cada modelo, e as epistemológico,
ramificações dessas discutimos as
para a transformações
prática clínica significativasna
com famílias. abordagem sistêmica
e
examinamosas
tendências
emergentes na
Terapia Familiar.
12 Otto, Ana Contribuiçõe s Relata um ensaio A pesquisa Pepsic
Flávia de Murray teórico sobre as experimental e os
Nascimento; Bowen à contribuiçõesde estudos de
RIBEIRO, terapia familiar Murray Bowen intervenção com
Maria Alexina, sistêmica para a Terapia famílias levaram
2020 Familiar Sistêmica. Bowen a formular
seus conceitos e sua
abordagem
terapêutica com base
em
evidências
científicas.
13 SOUZA, Revisão Apresenta as A descrição das seis Sciello
Marcela. integrativa: o etapas de uma fases do processo
SILVA, que é e revisão integrativa, de
Michelly. como fazer destacando sua elaboração da
CARVALHO, importância na revisão integrativa e
Rachel. 2010 prática da saúde, a
ressaltando a conclusão sobre a
capacidade de importância dessa
sintetizar metodologia para
17
(continuação)
conhecimento Uma prática
científico e assistencial com base
embasar a prática em
clínica. evidências
científicas.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A presente pesquisa obteve resultados e discussões acerca da terapia familiar
sistêmica que emerge como uma abordagem significativa no processo de perda e luto,
oferecendo contribuições para indivíduos e famílias enfrentando o luto. A revisão
bibliográfica revelou uma escassez de artigos que tratam da abordagem sistemática
em casos de luto na terapia familiar, indicando uma lacuna significativa na pesquisa
sobre esse tema. É possível verificar a distribuição das fontes de publicação dos
estudos, sendo a SciELO e Pepsic os principais bancos com publicações de estudos
referente ao tema abordado, essas bases de dados despontam em relação a sua
contribuição na quantidade de estudos.
Dos 13 (treze) estudos selecionados, 2 (dois) apresentaram a compreensão do
luto na perspectiva da terapia familiar sistêmica, 6 (seis) abordam conteúdos sobre o
processo do luto na abordagem sistemática, 4 (quatro) discutiram a terapia familiar
sistêmica. Os estudos de autores como Luna (2020), Michel (2021), Rissoni (2020),
Bastos (2019), Nascimento (2006) e Parkes (1998) abordaram sobre a compreensão
do luto na abordagem sistemática, enquanto Alves (2018), Otto (2020), Gouveia
(2018) e Melo (2016) se dedicaram à discussão da terapia familiar sistêmica. Por outro
lado, os autores Nunes (2018) e Delalibera (2014) abordaram o luto na perspectiva da
terapia familiar sistêmica.
Em relação ao ano de publicação dos trabalhos selecionados, observa-se que
a grande maioria se concentram entre 2009 a 2021, nessa pesquisa foi delimitado o
ano de 2015 a 2024, apenas com um trabalho produzido no ano de 2006 e o mais
antigo em 1996. Em relação ao idioma, os trabalhos foram selecionados apenas no
idioma português.
Os dados coletados para pesquisa, incluem textos que adotam procedimentos
de revisão bibliográfica similar e apontam Bastos (2019); Delalibera (2014) como
18
dinâmicas familiares e relacionais podem impactar o processo de luto, incluindo
padrões de comunicação, papéis familiares e sistemas de crenças. Dessa forma, as
pesquisas selecionadas de Carvalho (2021); Araújo (2016); Luna (2020) discutem a
importância de facilitar a expressão emocional e a construção de significado em torno
da perda, promovendo a aceitação e a adaptação saudável diante do luto. Ao
reconhecer e trabalhar com a complexidade das relações familiares e sociais, o
trabalho emerge em torno da terapia no luto que Worden (1998) oferece em seu texto
como um espaço para a exploração e suporte durante o entendimento da realidade.
Nos tópicos a seguir, será apresentada uma análise detalhada dos trabalhos
selecionados, abordando os principais aspectos e os resultados obtidos em cada um
deles. Esta análise visa proporcionar uma compreensão aprofundada e crítica das
contribuições e das limitações de cada estudo, destacando suas relevâncias e
impactos na área de estudo em questão.
4.1 O LUTO NA PERSPECTIVA DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA
A terapia familiar sistêmica reconhece o luto como um processo compartilhado,
focando na dinâmica familiar para explorar como cada membro enfrenta a perda e seu
impacto no sistema como um todo. Delalibera et al. (2014) enfatizam que essa
abordagem permite a expressão de emoções, fortalecendo os laços familiares em
momentos de vulnerabilidade. Isso se alinha com a ideia de que o apoio mútuo entre
os membros é crucial para a adaptação à perda, com a comunicação aberta, coesão
familiar e resolução construtiva de conflitos sendo fundamentais para enfrentar o
estresse e promover um ambiente mais resiliente e unido.
É fundamental manter um olhar crítico para adaptar a terapia sistêmica às
necessidades de cada família, reconhecendo suas circunstâncias únicas e desafios
particulares. Ignorar essas considerações pode comprometer a eficácia da
intervenção terapêutica e o bem-estar dos envolvidos no processo de luto.
Delibera et al. (2015) destacam a importância da comunicação eficiente dentro
da família durante o período de luto, afirmando que um diálogo objetivo é essencial
para resolver conflitos e facilitar a compreensão da perda de maneira construtiva.
Bowen (1993) também enfatiza a necessidade de uma comunicação aberta e honesta
19
entre os membros da família, facilitando a expressão de preocupações, medos e
necessidades relacionadas à perda.
Outra contribuição da terapia familiar sistêmica no contexto da perda e luto é a
ênfase na ressignificação e reconstrução do significado. Bowen (1993) destaca que
os terapeutas familiares auxiliam as famílias na busca de novas narrativas e na
reconstrução de uma identidade familiar adaptativa após a perda. Isso envolve
explorar como a perda pode levar a mudanças nas relações familiares, papéis e
expectativas, e como a família pode integrar essa experiência em sua história de vida
de uma maneira que promova o crescimento e a aceitação.
Silva (2009) foca na avaliação sistêmica dos indivíduos e da família, oferecendo
orientação e aconselhamento sobre o luto, com intervenções preventivas para
minimizar os efeitos negativos à saúde do sistema familiar. Ela destaca a necessidade
de não evitar palavras dolorosas, facilitando um enfrentamento mais eficaz pelos
familiares. Complementando essa perspectiva, Bowen (1988) aborda a necessidade
de compreender as mudanças nas dinâmicas familiares e sociais desencadeadas pela
perda. As mediações mencionadas por Silva (2009) não apenas facilitam o diálogo e
a adaptação, mas também ajudam os indivíduos a entender e integrar as mudanças
em suas dinâmicas familiares e sociais.
Walsh e McGoldrick (1998) enfatizam a importância da reorganização familiar
e construção de novos projetos de vida, um processo que demanda tempo e
persistência. Eles salientam que o relacionamento com o ente falecido influencia como
cada membro da família lida com a perda, com o processo de elaboração do luto se
diferenciando entre famílias devido às singularidades presentes no contexto familiar.
A discussão sobre a terapia sistêmica enfatiza a importância de abordar o luto
dentro dessa perspectiva, apesar das variações nos métodos. Aspectos como
comunicação aberta, apoio mútuo e ressignificação da perda são cruciais, embora
haja diferenças de ênfase, como entre intervenções práticas e reconstrução de
narrativas. No entanto, ambas as abordagens contribuem para uma compreensão
mais completa e eficaz do luto. Essa integração de pontos de vista destaca a
complexidade e a riqueza da terapia familiar sistêmica, oferecendo diversas
ferramentas e perspectivas para auxiliar famílias enlutadas.
A importância de adotar uma perspectiva sistêmica ao abordar o luto é
ressaltada no discurso em torno da terapia sistêmica, embora existam diferenças nos
métodos empregados. A promoção do diálogo aberto e a reinterpretação do
20
significado da perda, recebem destaque, apesar das variações existentes nas
abordagens, como a divergência entre intervenções práticas e a reconstrução de
narrativas pessoais. Embora ambas as abordagens ofereçam informações valiosas
para a compreensão do luto de uma forma abrangente, confiar apenas numa
abordagem pode não abordar adequadamente as diversas necessidades das famílias
que sofrem luto. Esta complexidade inerente à terapia familiar sistêmica enfatiza a
necessidade contínua de investigação destinada a melhorar a eficácia dos resultados
terapêuticos.
Os estudos de Lunna (2020) oferecem uma visão multidimensional do luto,
explorando diversas perspectivas teóricas que enriquecem nossa compreensão desse
complexo processo de adaptação à perda.
John Bowlby (1961), em sua teoria do luto, destaca a importância dos vínculos
de apego nessa experiência. Para ele, a perda de um ente querido desencadeia um
processo comportamental que abrange estágios como choque, anseio e protesto pela
recuperação do vínculo, seguido de depressão e desorganização antes da
reorganização. Essa abordagem sublinha a natureza essencial dos laços emocionais
na vivência do luto e como esse processo é uma resposta adaptativa à separação.
A visão multidimensional proposta por Lunna (2020) e a teoria de Bowlby
(1961), que enfatiza os vínculos de apego. Luna fornece uma visão mais complexa e
atualizada do processo de luto, enquanto Bowlby descreve estágios comportamentais
específicos, como choque e depressão.
No entanto, ao referir-se ao estudo de Lunna (2020), deve-se considerar que
embora apresente uma abordagem sistemática recente e potencialmente mais nova,
pode não captar toda a extensão da experiência de luto de um indivíduo. A análise
crítica aponta para a necessidade de considerar a diversidade das experiências de
luto e a evolução das teorias ao longo do tempo, além de considerar que nenhuma
teoria isolada pode abranger plenamente a complexidade do fenômeno do luto. É,
portanto, necessário avaliar como estas teorias se complementam e de que forma
podem falhar na abordagem de aspectos específicos da experiência humana.
Parkes (2009), por sua vez, oferece contribuições para a teoria da transição
psicossocial, que também se fundamenta nas relações objetais e no vínculo afetivo.
Parkes descreve o luto como um processo que envolve a reorganização das estruturas
psicológicas e sociais após a perda, destacando a importância do apoio social e dos
papéis sociais na adaptação ao luto. Por outro lado, existem pontos de
21
vista distintos apresentados por Parkes (2009) e Stroebe e Schut (1999) em relação
à compreensão do luto, cada um oferecendo contribuições teóricas únicas.
Parkes (2009) adota uma abordagem psicossocial, priorizando a reorganização
dos aspectos psicológicos e sociais após uma perda, com ênfase na importância do
apoio social. Por outro lado, Stroebe e Schut (1999) adotam um ponto de vista
cognitivista, centrando-se na forma como os indivíduos que sofreram perdas lidam
com emoções, memórias e mudanças no seu sentido de identidade.
Além disso, a partir dos estudos analisados de Michel (2021), a perspectiva
fenomenológica propõe uma abordagem que se concentra nas experiências humanas
no mundo, especialmente no que é denominado como o "mundo-da-vida". Essa
abordagem se distancia das teorias tradicionais do luto ao enfatizar a singularidade e
a radicalidade da experiência individual de perda, oferecendo uma compreensão mais
profunda e personalizada do luto.
Integrando a perspectiva fenomenológica com as teorias convencionais do luto,
observam-se áreas de concordância e divergência. As teorias de Bowlby (1961),
Parkes (2009) e Stroebe e Schut (1999) enfatizam conexões de apego, ajustes
comportamentais e cognitivos, e o papel do ambiente. Em contraste, a abordagem
fenomenológica destaca a experiência subjetiva e existencial da perda, incluindo a
perda de significado e propósito no mundo do enlutado.
As teorias tradicionais tendem a simplificar e generalizar o processo de luto,
desconsiderando a natureza pessoal e distintiva de cada perda. A abordagem
fenomenológica, embora destaque os aspectos subjetivos do luto, pode falhar em
abordar os fatores sociais e culturais mais amplos. A sociabilidade inerente ao ser
humano e as conexões estabelecidas ao longo da vida são fundamentais para
compreender e enfrentar o luto. A individualidade influencia todos os aspectos da
existência, com os laços familiares servindo como base essencial. Isso enfatiza a
importância de uma abordagem holística que reconheça as dimensões pessoais e
ambientais do luto.
Pires (2010) amplia essa compreensão ao introduzir o luto como um processo
cognitivo, destacando a busca por significado como crucial para a adaptação à perda.
A cognição não só lida com a perda, mas também integra essa experiência na
trajetória de vida do enlutado, oferecendo uma visão mais abrangente do luto.
Ao combinar essas perspectivas variadas, obtemos uma compreensão mais
profunda e abrangente do luto, reconhecendo a complexidade das emoções humanas
22
e a necessidade de abordagens inclusivas que incorporem elementos subjetivos,
sociais e cognitivos. Essa perspectiva cognitiva do luto está em consonância com a
proposta de Stroebe e Schut (1999), os quais delineiam o processo de luto como uma
alternância entre lidar com emoções ligadas à perda e enfrentar estressores
decorrentes das mudanças na identidade. Ambas as perspectivas reconhecem a
importância das cognições e das estratégias de enfrentamento na adaptação à perda.
Os autores destacam a importância de reconhecer as emoções como parte
fundamental do processo de enfrentamento do luto, evidenciando a individualidade na
maneira como cada membro da família lida com a perda. Essa abordagem enfatiza a
complexidade das respostas emocionais e a necessidade de considerar as variáveis
individuais. Atribuir significado ao luto é crucial para facilitar a adaptação, permitindo
que o enlutado não apenas vivencie suas emoções, mas também integre a perda em
sua vida. No entanto, essa ênfase pode simplificar demais as dinâmicas familiares e
culturais que influenciam o luto, destacando a importância de uma abordagem mais
holística e inclusiva.
No entanto, a compreensão do luto como um processo único e variável,
conforme enfatizado por Franqueira et al. (2015) e Parkes (1998), adiciona uma
dimensão importante. Esses autores ressaltam que não há um padrão predefinido
para o luto, e que sua intensidade e duração podem variar amplamente de acordo com
fatores como a circunstância da morte e as características individuais do enlutado. Ao
comparar essa visão com as teorias tradicionais do luto, percebemos uma diferença
fundamental. Enquanto as teorias de Bowlby (1961), Parkes (1998) e outros destacam
estágios e processos universais do luto, a abordagem de Pires (2010), Franqueira et
al. (2015) e Parkes (1998) ressalta a individualidade e a singularidade da experiência
de luto. Isso sugere que, embora existam padrões gerais que possam ser observados,
a experiência do luto é profundamente influenciada por fatores pessoais e contextuais
específicos.
O ambiente em que o indivíduo está inserido desempenha um papel crucial na
sua experiência de luto. Encarar o luto como fases padronizadas ignora a
singularidade de cada pessoa, o contexto ambiental e a percepção individual do luto,
conforme destacado por Franqueira et al. (2015) e Parkes (1998). Tal abordagem
reducionista desconsidera as complexas interações entre fatores pessoais e sociais,
subestimando a diversidade das respostas emocionais e a influência do meio
sociocultural. Essa visão limitada pode resultar em uma compreensão inadequada do
23
luto, enfatizando a necessidade de abordagens mais integrativas e sensíveis às
variações individuais e contextuais.
Observou-se no estudo de Bowlby (1998) que o luto vai além de uma
experiência individual, afetando todos os membros da família e o grupo social mais
próximo. Ele destaca que o enlutado é inserido em um contexto familiar e social que
demanda a reconfiguração de papéis. Seus entendimentos sobre os Modelos de
Apego expandem ainda mais a compreensão do processo de luto ao associar diversos
tipos de apego a padrões específicos de luto.
A maneira como um indivíduo forma laços emocionais ao longo da vida
desempenha um papel fundamental em sua capacidade de lidar com o luto. A vivência
do luto é altamente individualizada, variando conforme a profundidade e qualidade do
relacionamento com o falecido. Desconsiderar essas nuances pode resultar em uma
compreensão superficial do processo de luto, deixando de reconhecer a complexidade
das relações interpessoais e o aspecto emocional profundo envolvido. A integração
dessas perspectivas oferece uma visão mais abrangente do luto, abarcando tanto
seus elementos universais quanto as particularidades individuais, essenciais nesse
processo complexo de adaptação à perda. Enquanto as teorias tradicionais oferecem
um arcabouço conceitual amplo, os estudos contemporâneos adicionam nuances
significativas, destacando a diversidade e singularidade das experiências de luto.
4.2 A TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA
A Teoria Sistêmica surgiu no final da primeira metade do século XX,
destacando a ideia de que o todo não pode ser compreendido apenas pela análise de
suas partes isoladas, nem as partes podem ser entendidas fora do contexto do todo.
Esta visão holística influenciou significativamente o desenvolvimento da Terapia
Familiar Sistêmica nas décadas de 1950 e 1960 nos Estados Unidos (Diniz, Alves,
2014). Essa abordagem proporcionou estratégias de intervenção que resultaram nas
abordagens clássicas da terapia familiar sistêmica.
A Teoria Geral dos Sistemas (TGS), desenvolvida por Ludwig von Bertalanffy,
é uma base importante para a Terapia Familiar Sistêmica, destacando a inter-relação
e a complexidade dos sistemas. Bertalanffy argumenta que os sistemas vivos são
caracterizados por processos interativos dinâmicos que permitem reorganizações
internas, em contraste com a visão mecanicista da Cibernética de Norbert Wiener, que
24
vê os sistemas humanos de maneira similar a mecanismos fixos de uma máquina
(Nichols & Schwartz, 1998). Gregory Bateson, influenciado pela Cibernética, também
criticou a visão mecanicista e defendeu a integração do indivíduo com seu meio
ambiente, promovendo a ideia de “ecologia da mente” (Bateson, 2000).
A Terapia Familiar Sistêmica se beneficiou das contribuições de Bertalanffy e
Bateson, movendo-se de uma abordagem intervencionista e objetivista para uma
perspectiva mais construtivista e integrativa. Essa evolução permitiu que os terapeutas
passassem a se ver como parte do sistema, construindo realidades e contribuindo
para o processo terapêutico de forma mais dinâmica e participativa (Keeney, 1997;
Minuchin, Nichols & Lee, 2009).
As novas tendências na Terapia Familiar, como o construcionismo social,
enfatizam a construção das narrativas familiares e a irreverência do terapeuta em
relação às próprias convicções, criando um contexto relacional de possibilidades
terapêuticas (Cecchin, 1996). A integração dessas perspectivas e críticas fortaleceu a
Terapia Familiar Sistêmica, tornando-a uma abordagem mais inclusiva e sensível às
complexidades sociais, políticas e culturais.
A visão sistêmica permite uma compreensão mais holística e interconectada
dos fenômenos humanos, essencial para lidar com as dinâmicas familiares
contemporâneas em um mundo cada vez mais globalizado e complexo. Por fim, é
crucial que os terapeutas continuem a adaptar essas teorias às novas realidades
sociais, garantindo que a terapia familiar sistêmica permaneça relevante e eficaz
(Cecchin, 1996).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos argumentos apresentados, pode-se afirmar que a pesquisa buscou
responder os objetivos elencados, ao passo que foi possível desvelar que a
abordagem sistêmica contribuiu no processo de luto dentro do sistema familiar, além
de auxiliar no desenvolvimento de estudos acerca dessa temática e para a prática de
profissionais da psicologia. Esse estudo com os resultados alcançados verifica-se que
é possível esses profissionais desenvolver em sua metodologia de trabalho com a
25
abordagem sistemática na terapia familiar para indivíduos que estão em processo de
perda e luto.
Conforme apontado por Bowen (2020), a Terapia Familiar Sistêmica se destaca
como uma metodologia eficaz e compassiva para enfrentar esse processo, levando
em conta as repercussões em todo o núcleo familiar. Ela proporciona suporte prático
e emocional para ajudar os integrantes da família a superarem e crescerem
individualmente diante dessa experiência complexa.
Quando o indivíduo não consegui lidar adequadamente com o processo de luto
e negava seus próprios sentimentos, isso poderia dificultar sua capacidade de seguir
em frente e se reintegrar às suas relações de forma tranquila. Essa dificuldade poderia
desencadear uma crise dentro do sistema familiar, compreendendo desafios como
renunciar a certos desempenhos e personagens familiares, além de incluir e excluir
novos elementos na dinâmica familiar.
Conforme observado por Walsh e McGoldrick (1998), a gravidade da crise
surgia da discrepância entre a quantidade de adaptação e os recursos exigidos para
enfrentá-la. Assim, ao enfrentar o desafio da crise e superá-lo, a capacidade de
resiliência familiar era fortalecida, preparando-a para enfrentar o que estava por vir em
situações futuras. Lidar com o luto implicava em curar uma dor que se evidenciava,
redirecionando papéis sociais após uma perda significativa. Isso permitia que tanto o
enlutado quanto o sistema familiar elaborassem uma nova dinâmica em relação aos
outros e ao ambiente, restaurando o equilíbrio de forma construtiva. Eles emergiram
dessa experiência mais fortes, prontos para enfrentar novos desafios.
A estrutura familiar oferecia suporte, estabilidade e cuidado para todos os
envolvidos naquele momento. Nesse sentido, a abordagem sistêmica atuava como
uma nova ferramenta nesse processo, direcionando para aliviar o sofrimento e dar
novo significado à vida. Outro resultado alcançado foi uma descrição completa das
características e princípios da psicoterapia sistêmica e seu contexto específico no
tratamento de pessoas e famílias que enfrentam luto e perda. Isso permitiu ao leitor
uma compreensão clara de como a terapia sistêmica se encaixa no contexto
terapêutico dessas situações.
Dessa forma, as preocupações se expandiram, gerando uma nova agenda
familiar centrada na vivência da perda significativa. Isso alimentou a reflexão sobre
como pensar e agir diante das mudanças que afetaram os envolvidos. Essa
abordagem possibilitou uma postura mais aberta em relação a si mesmo e aos novos
26
desafios, promovendo uma escuta renovada entre os membros da família. Esse
processo teve início quando a família adotou uma perspectiva sistêmica, o que
permitiu reinterpretar o contexto e se abrir para uma nova forma de interação para
lidar com a situação.
Por fim, a terapia com abordagem sistemática não só apoia os enlutados
durante o período imediato de perda, mas também os acompanha ao longo do
processo de reconstrução de suas vidas. Ao longo do tempo, a terapia pode ajudar os
indivíduos a encontrar um novo significado e propósito após a perda, integrando a
experiência de luto em sua jornada pessoal de crescimento e transformação. Essa
jornada de cura é facilitada pela presença contínua de um terapeuta compassivo e
capacitado, que oferece suporte necessário e orientação profissional ao longo do
caminho.
27
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