Os primeiros normativos relacionados à questão ambiental são oriundos das
Ordenações Manuelinas (Rei Manuel – 1514) e Filipinas (1603).
No período do Brasil Colônia, os minerais e produtos florestais eram retirados sem
nenhum critério. Numa primeira fase, do descobrimento do Brasil em 1500 até meados do
século XX, muito pouca atenção foi dada à proteção ambiental, fazendo constar algumas
normas isoladas que visavam, de forma emergencial, assegurar a perpetuação de alguns
recursos naturais com sinais de esgotamento, com destaque à madeira do pau-brasil.
No Brasil República as normas de ordenamento ambiental visavam o direito de
propriedade dos recursos naturais, e assim foi no Código Civil de 1916, que faz menção à caça
como propriedade.
No período da Nova República (1946-1963), as normas objetivavam a proteção da
saúde do gênero humano, onde o que importava era alargar as fronteiras produtivas, seja da
agricultura, pecuária ou das atividades de mineração.
Os conflitos ambientais desta época eram tratados no âmbito do direito de vizinhança.
Isso reflete as décadas de 30 e 40, quando houve grande incentivo à industrialização,
contudo, se iniciam ações governamentais em regulamentação da exploração dos recursos
naturais por meio do Código das Águas (1934), Código Florestal e da Pesca, e de proteção ao
patrimônio histórico, artístico, paisagístico nacional (1937).
Os normativos eram voltados aos setores de exploração (por exemplo: Código de
Mineração) dos recursos naturais com fins econômicos, sem preocupação com a recuperação
e a sustentabilidade dos mesmos.
A Constituição Federal de 1946 tratou da criação de parques, reservas e florestas
nacionais e o Código Penal apontava como crime poluir a água potável. A década de 50 foi
marcada pela gestão “JK” (Juscelino Kubitschek) - “os 50 anos em 5”- quando a ampliação
das indústria de base e os efeitos dos impactos negativos da urbanização ocorreram de forma
acelerada, com políticas de incentivos à interiorização do desenvolvimento no Brasil. Novos
Parques foram criados caracterizando uma década de intensa exploração dos recursos
naturais com a preservação de núcleos territoriais como forma de proteção ambiental. O
Código Nacional de Saúde também foi sancionado nesse período.
Em meados da década de 60, nossos legisladores tecem uma malha fragmentada de
normas jurídicas dirigidas a diversas categorias de recursos naturais, mas o meio ambiente
como um todo ainda era desconsiderado. Exemplos desta fase são o novo Código Florestal
de 1965, o Código de Caça, o Código de Pesca, o Código de Mineração, todos de 1967, um
período marcado pelo “Milagre Brasileiro”, de grande intensificação da industrialização e
abertura para as indústrias estrangeiras se instalarem no país, num processo de
metropolização e formulação de políticas de desenvolvimento urbano. As cidades de São
Paulo e do Rio de Janeiro aportaram muitos recursos devido à intensa emigração que
acontecia, com impactos negativos, pois não havia infraestrutura para tal.
A Constituição Federal de 1969 estabelece a competência federal para legislar sobre
florestas, caça, pesca, fauna, minerais, águas e demais componentes ambientais. Na década
de 70, há uma desaceleração do ‘milagre econômico” brasileiro e a crise mundial de
combustíveis gera efeitos negativos na economia local.
Em Estocolmo, na Conferência Mundial do Meio Ambiente, quando os países
desenvolvidos buscam alternativas para as ameaças ao esgotamento dos recursos naturais,
o posicionamento do Brasil, como um país em desenvolvimento, foi o seguinte: “poluição é
a pobreza”, mas os reflexos das percepções mundiais sobre os riscos advindos da poluição
geram reflexos na Política Ambiental no Brasil.
Foi nesse período que o Governo Federal cria a Secretaria Especial do Meio Ambiente
- SEMA, subordinada ao Ministério do Interior, pelo Decreto Federal no 73.030 de 30 de
outubro de 1973.
A legislação ambiental, voltada ao controle da poluição industrial, resultou em políticas de
zoneamento industrial e de definição de áreas críticas de poluição. A Lei de Responsabilidade
por Danos Nucleares é de 1977, e se inicia uma avaliação crítica da política de controle da
poluição vigente até então.
Entre a década de 60 a 80 a geopolítica nacional se baseava no binômio
“desenvolvimento e segurança nacional”, centrada na implantação industrial acelerada e a
ampliação da infraestrutura energética e de transporte, importação de tecnologias e intenso
endividamento externo.
Assim, a política ambiental brasileira marcada, num primeiro momento, por normas
fragmentadas, setorizadas, sem diretrizes concorrentes, num segundo momento inova com
a formulação da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), inaugura uma fase
holística, na qual o meio ambiente passa a ser tratado de maneira integral, com autonomia
valorativa (bem jurídico) e com garantias de implementação (acesso ao judiciário) ao propor
novos instrumentos técnicos e institucionais de controle ambiental (EIA/RIMA) e estabelece
o processo de licenciamento ambiental.
A Constituição Federal de 1988 é um divisor de águas do direito ambiental do Brasil,
dedicando um capítulo ao meio ambiente e diversos dispositivos constitucionais de
referência ao tema, promulga a competência concorrente da União, Estados e do Distrito
Federal para legislar sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do
solo, dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição.
A década de 90 tem como fato marcante para o direito ambiental brasileiro a
realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro,
conhecida como a “Rio 92”. Foi um período de intensificação da crise e recessão econômica,
de reformas administrativas no governo federal, novas configurações dos órgãos ambientais
e de reformulação da política ambiental, com a estruturação e ampliação da participação da
sociedade na tomada de decisão, oriunda das petições dos movimentos ambientalistas.
São estabelecidos os regimes de responsabilidade civil objetiva para o dano ambiental e há
a legitimação do Ministério Público para agir em matéria ambiental.
Atualmente, a tendência da política ambiental brasileira se direciona à
descentralização do processo de tomada de decisões, ao estabelecimento de políticas
urbano-ambientais e à gestão ambiental integrada com vistas ao desenvolvimento
sustentável e à inclusão social.
Vinte anos após a “Rio 92”, acontece a Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, a “Rio +20”, cujos resultados certamente
embasarão novas políticas e normativas ambientais.
Como visto, a economia e seus efeitos na sociedade brasileira refletem os momentos
do Direito Ambiental no Brasil. O desenvolvimento econômico do país ocorreu de forma
degradadora e poluidora, num modelo de exportação de produtos primários, sem
preocupação com a sustentabilidade dos recursos naturais, apesar dos vínculos jurídicos
concretos e existentes entre a preservação ambiental e as atividades poluidoras ou
potencialmente poluidoras.
Os mercados mundiais, dos países ricos, possuem forte inclinação em aceitar indústrias
limpas, mas continuam a migrar indústrias poluidoras para os países do terceiro mundo.
Ainda há controvérsias quanto à proteção ambiental e o desenvolvimento econômico
evidenciado em situações como, por exemplo, as discussões no Brasil sobre a reforma do
Código Florestal e do licenciamento ambiental da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, no
Pará.
Sem dúvida, é um grande desafio a formulação e a aplicação dos regramentos que
induzem à compatibilização do desenvolvimento econômico com a preservação do meio
ambiente e inclusão social.
A legislação ambiental do Brasil é considerada boa e avançada. Contudo, é uma
colocação que faz ressurgir uma velha retórica, que afirma que as leis são boas, mas sua
aplicação é ineficaz. Ressaltamos que não é possível entender o direito ambiental como um
composto de leis isoladas, que podem ser tratadas isoladamente. Se uma lei é boa, mas não
funciona, ou seja, não é aplicada, significa que ela não é boa ou as leis que a explicam
(regulamentam) e regulam sua aplicação, não funcionam.
Há algo no procedimento da aplicação que encrencou. Lei que é boa é a lei que funciona.
FONTE: [Link]
ambiental-marco-historico/42321.