22/04/2025, 10:48 SENTENÇA.
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Poder Judiciário do Estado da Bahia
1ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS ESPECIAIS DE VITÓRIA DA CONQUISTA
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PROCESSO N.: 0000850-22.2025.8.05.0274
AUTOR(A)(ES): ELENILSON SANTOS COELHO
RÉU(S): GERALDO LIMEIRA
SENTENÇA
Dispensado o relatório, nos termos do art. 38 da Lei nº 9.099/1995.
O autor alega que é credor da parte ré na quantia de R$ 3.713,00, representada por
cheque vencido em 30/10/2022. Sustenta que, apesar das tentativas extrajudiciais de
recebimento, a ré não quitou o débito, permanecendo inadimplente quanto ao valor
principal, aos juros e à correção monetária. Relata, ainda, que promoveu o protesto do
título, arcando com R$ 326,70 de custas cartorárias, e pleiteia a correspondente
indenização. Destaca que todas as tentativas de resolução amigável restaram
infrutíferas.
Diante disso, ajuizou a presente ação, buscando a tutela jurisdicional para: 1) a
condenação da parte ré ao pagamento da quantia de R$ 3.713,00, devidamente
corrigida; 2) a indenização pelas despesas cartorárias no valor de R$ 326,70;.
Em audiência, o acionado sustentou que o débito foi parcialmente quitado, juntando
documento firmado por Luciano Almeida, terceiro a quem o cheque do réu teria sido
emprestado, e alegando que restaria pendente apenas o valor de R$ 556,00.
É o relato do necessário.
DECIDO.
Passo à análise de mérito.
Dispõe o art. 6º da Lei nº 9.099/95 que "o juiz adotará em cada caso a decisão que
reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do
bem comum".
Conforme art. 373 do CPC, compete à parte autora o ônus da prova do fato
constitutivo do seu direito (art. 373, I, CPC), enquanto à parte ré incumbe comprovar
fato desconstitutivo, modificativo ou impeditivo do direito do autor (art. 373, II, do
CPC).
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Outrossim, prevê, o art. 374, do referido diploma processual: “Art. 374. Não
dependem de prova os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados
pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos; IV - em cujo
favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.”
Da análise dos autos, verifica-se que a pretensão da parte autora merece
acolhimento.
Ainda que o réu sustente que o débito foi parcialmente quitado, limitando o saldo
devedor ao valor de R$ 556,00, tal alegação não restou comprovada de forma
suficiente nos autos. O documento apresentado para justificar o alegado pagamento
parcial foi firmado por terceiro, Luciano Almeida, a quem o cheque teria sido
emprestado, e foi expressamente impugnado pelo autor, em audiência. Assim, à
míngua de prova inequívoca de quitação do valor principal, persiste a força executiva
do título emitido pelo próprio réu, no valor original de R$ 3.713,00.
Ademais, restou demonstrado que o autor arcou com R$ 326,70 a título de despesas
cartorárias para protesto do título, medida que se mostrou necessária diante do
inadimplemento da parte ré. É direito do credor ser ressarcido por tais despesas, nos
termos do art. 389 do Código Civil.
Ante o exposto, e considerando tudo que consta nos autos, JULGO PROCEDENTES os
pedidos da parte autora, para:
1) CONDENAR o réu ao pagamento do valor de R$ 3.713,00, acrescidos de correção
monetária, pelo IPCA, a partir de 30/10/2022, e de juros de mora (taxa SELIC menos
IPCA), da citação;
2) CONDENAR o réu ao pagamento do valor de R$ 326,70, acrescidos de correção
monetária, pelo IPCA, a partir de 06/03/2023, e de juros de mora (taxa SELIC menos
IPCA), da citação.
Declaro extinto o processo, COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, e fulcro no artigo 487,
inciso I, do Código de Processo Civil.
Eventual pedido de Justiça Gratuita formulado será apreciado, em caso de recurso.
Em havendo recurso, certificados a tempestividade e o preparo, e intimada a parte
adversa para apresentar contrarrazões, recebo-o, no efeito meramente devolutivo. Em
sendo requerida a concessão de efeito suspensivo, faça-se conclusão, para análise.
Caso contrário, remetam-se os autos à turma recursal, com as devidas cautelas.
Transitada em julgado a sentença, deverão, as Rés, efetuarem o cumprimento,
consoante art. 52, III e IV, da Lei 9099/95, independentemente de nova intimação,
sob pena de multa de 10% (art. 523, CPC).
Decorrido o prazo, sem pagamento, havendo pedido de cumprimento, atualize-se o
débito, prossiga-se, com a tentativa de bloqueio de ativos financeiros da parte
executada, via SISBAJUD, se requerido, ou de penhora de bens do executado, se
indicados, ficando de logo autorizados eventuais pedidos de constrição, via RENAJUD,
ou de pesquisa de bens, via SNIPER. Positivada a indisponibilidade de ativos
financeiros da sucumbente, pelo SISBAJUD, intime-se-a, consoante art. 854 do CPC.
Sem custas e honorários advocatícios, nesta fase procedimental, por não restar
patenteada a litigância de má-fé, nos termos dos artigos 54 e 55, ambos da Lei nº
9.099/1995.
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Publique-se. Intimem-se. Oportunamente, arquivem-se os autos.
Vitória da Conquista, Bahia, 18 de Abril de 2025.
Thaís Melo Ferraz
Juíza Leiga
ARLINDA SOUZA MOREIRA
Juíza de Direito
Documento assinado eletronicamente
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