Nessa atividade vamos investigar a ideia de igualdade entre figuras.
Veja as
duas figuras abaixo:
Parece razoável dizer que elas são iguais. Elas têm a mesma forma e o
mesmo tamanho. E essas duas?
Parece razoável também que elas sejam iguais, afinal, parece que a gente
só girou uma delas e chegou na outra. E essas?
Aqui já ficamos mais em dúvida. Por um lado, parece que elas têm a
mesma forma, porque se eu virar uma figura eu chego na outra. Mas uma
aponta para a direita e outra pra esquerda... E essas?
Bom, elas ainda são parecidas, mas uma é maior que a outra. Será que elas
são iguais?
Congruência
Em vez de ficar tentando responder essa pergunta, que parece não ter uma
resposta definitiva, vamos apresentar outro conceito. Em geometria,
dizemos que duas figuras são congruentes se elas têm a mesma forma e o
mesmo tamanho. As figuras 1 a 3 acima mostram, cada uma, duas figuras
congruentes. A figura 4 mostra duas figuras não congruentes, pois têm
tamanhos diferentes.
Exercício 1. Faça a seguinte atividade no Geogebra: [Link]/m/gadrnmzm.
Registre sua solução com printscreens e poste-os na plataforma do curso.
Ao fazer o exercício 1 talvez você tenha percebido que, sob algumas
restrições, não é possível formar triângulos não congruentes. Por exemplo,
se dois triângulos têm os lados correspondentes congruentes, não tem
como eles não serem congruentes — ou seja, eles devem ser congruentes.
2
Note que essa afirmação tem a forma premissa-conclusão. Poderíamos
reescrevê-la usando a seguinte notação:
ABC é um triângulo
DEF é um triângulo
Os lados correspondentes de ABC e DEF são congruentes
_______________________________
ABC é congruente a DEF
Agora podemos usar o fato descoberto em outras argumentações.
Por exemplo, considere a afirmação: “Os ângulos da base de um
triângulo isósceles são congruentes”
3
Por enquanto, não sabemos se essa afirmação é verdadeira ou não (apesar
de parecer para um ou outro, só de olhar, que é verdade). Passamos agora
a demonstrá-la. Se a demonstração estiver correta, saberemos que a
afirmação é verdadeira.
Demonstração. Considere os dois triângulos 𝐴𝐵𝐶 e 𝐴𝐶𝐵 (um está “virado”
em relação ao outro). Sabemos que 𝐴𝐵 = 𝐴𝐶, 𝐴𝐶 = 𝐴𝐵 e que 𝐵𝐶 = 𝐵𝐶.
^ ^
Logo, os dois triângulos são congruentes. Logo, os ângulos 𝐴𝐵𝐶 e 𝐴𝐶𝐵 são
congruentes.
Exercício 2. Reescreva a demonstração na forma de uma sequência de
premissas e conclusões, como na figura 6.
Os casos de congruência de triângulos
Podemos considerar que cada triângulo tem seis propriedades ou
informações que o diferenciam dos demais triângulos: três medidas de
lado e três medidas de ângulo. Sabemos que se dois triângulos são
congruentes, então todas essas medidas também serão congruentes.
O que descobrimos, no entanto, é que podemos concluir se dois triângulos
são congruentes ou não a partir de menos informações. Na seção passada
vimos que dois triângulos têm lados correspondentes congruentes, já
então eles são congruentes. É isso que mostra a figura 6. O objetivo aqui é
passar de uma situação em que temos menos informações — de início, só
sabemos que os lados correspondentes são congruentes — para uma
situação em que temos mais informações — ao final, sabemos também que
os ângulos são congruentes.
Vamos chamar esse caso de congruência de LLL (lado-lado-lado), já que
partimos de informações sobre três lados. Existem outros casos além
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desse, ou seja, existem outros conjuntos de informações sobre dois
triângulos que nos permitem decidir pela congruência deles.
Se soubermos que dois triângulos têm dois lados correspondentes
congruentes, e que os ângulos entre esses lados também são congruentes,
então podemos concluir que os dois triângulos são congruentes.
Chamamos esse caso de LAL (lado-ângulo-lado).
Se soubermos que dois triângulos têm dois ângulos correspondentes
congruentes, e os lados entre esses dois ângulos também forem
congruentes, então podemos concluir que os dois triângulos são
congruentes. Chamamos esse caso de ALA (ângulo-lado-ângulo):
Por fim, se soubermos que dois triângulos têm um lado correspondente
congruente, o ângulo oposto a esse lado congruente e ainda outro ângulo
correspondente congruente, então podemos concluir que os dois
triângulos são congruentes. É o caso LAA.
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Exercício 3. Mostre que os seguintes casos não permitem decidir se dois
triângulos são congruentes ou não.
i) AAA
ii) LLA
O método de Tales para achar a distância de um navio até a praia1
Imagine que você está na praia, de frente a um navio. Para achar a
distância de você até ele, faça o seguinte:
1
Essa seção é inspirada no livro “Matemática Atual 8ª série”, Antônio José Lopes Bigode.
São Paulo, Atual, 1994. O método de Tales apresentado aí, por sua vez, foi inspirado no
livro “Perspectivas da matemática”, de Hans Freudenthal.
6
- Considere que o ponto em que o navio se encontra é o A;
- Marque o ponto em que você está como o ponto B;
- Caminhe por alguma distância perpendicularmente à reta que passa
por você mesmo e pelo navio. Marque o ponto C;
- Caminhe essa mesma distância mais uma vez, na mesma direção, e
marque o ponto D, de modo que 𝐵𝐶 = 𝐶𝐷;
- Caminhe se afastando do mar e perpendicularmente a CD até que o
ponto B se alinhe com o navio. Marque o ponto E.
Exercício 4.
a) Faça um desenho representando todos os segmentos de reta e pontos
passo a passo acima. Inclua as seguintes figuras:
- Os pontos A, B, C, D e E;
- Os segmentos de reta AB, AC, BC, CD, CE e DE.
b) Demonstre que 𝐷𝐸 = 𝐴𝐵. Para isso, siga os seguintes passos:
- Mostre que 𝐵𝐶 = 𝐶𝐷;
^ ^
- Mostre que 𝐶𝐷𝐸 = 𝐶𝐵𝐴;
^ ^
- Mostre que 𝐷𝐶𝐸 = 𝐴𝐶𝐵2;
- Mostre que 𝐴𝐵𝐶 é congruente a 𝐶𝐷𝐸;
- Conclua o resultado desejado.
c) Explique brevemente porque esse método permite calcular a distância
de um navio até a praia.
Exercício 5. Demonstre que as duas diagonais de qualquer
retângulo são congruentes. Você pode assumir como
premissa a propriedade dos retângulos de que os lados
opostos do retângulo são congruentes.
Exercício 6. Demonstre a afirmação a seguir. Se dois
segmentos se dividem mutuamente ao meio, então os segmentos que
ligam as extremidades dos segmentos dados são congruentes3.
Exercício 7. Demonstre que todo triângulo equilátero é equiângulo.
Exercício 8. Demonstre que todo triângulo equiângulo é equilátero.
2
Se empacar aqui, releia o quadro azul no fim da seção anterior. Você pode tomar o fato
apresentado lá como premissa.
3
Idem.
7
Exercício 9. Demonstre que se os catetos de um triângulo retângulo são
congruentes aos catetos de outro triângulo retângulo, então os dois
triângulos são congruentes.
Exercício 10. Demonstre que se um triângulo tem dois ângulos internos
congruentes, então ele é isósceles (dica: veja a demonstração referente ao
exercício 2).
Exercício 11. Demonstre o teorema do esquadro, descrito a seguir. Se um
ângulo agudo de um triângulo retângulo mede 30º, então o comprimento
do lado oposto a esse ângulo é metade da hipotenusa. Você pode usar
como premissa qualquer uma das afirmações apresentadas nos exercícios
desta atividade.
Dicas: use a afirmação do exercício 10 como premissa e observe o triângulo
retângulo abaixo (mas lembre-se de incluir na sua demonstração o motivo
por que o ângulo oposto ao de 30º mede 60º)