Recursos Repetitivos no Direito Civil
Recursos Repetitivos no Direito Civil
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
PROCESSO REsp 2.072.867-MA, Rel. Ministro Raul Araújo, Rel. para acórdão
Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, por maioria, julgado em
19/3/2025, DJEN 8/4/2025. (Tema 1267).
REsp 2.072.868-MA, Rel. Ministro Raul Araújo, Rel. para acórdão
Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, por maioria, julgado em
19/3/2025, DJEN 8/4/2025 (Tema 1267).
REsp 2.072.870-MA, Rel. Ministro Raul Araújo, Rel. para acórdão
Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, por maioria, julgado em
19/3/2025, DJEN 8/4/2025 (Tema 1267).
DESTAQUE
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Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Quanto à primeira questão processual, é de sabença que, sob a égide do CPC de 1973, o
magistrado de primeiro grau detinha competência para exercer juízo de admissibilidade da apelação, nos
termos do artigo 518.
Assim, após respeitados os prazos para apresentação de contrarrazões, o juiz da causa deverá
remeter os autos da apelação ao Tribunal, que distribuirá o recurso imediatamente, cabendo ao relator
(com amparo no artigo 1.011): (i) decidi-lo monocraticamente nas hipóteses dos incisos III a V do artigo
932 (não conhecendo do recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado
especificamente os fundamentos da decisão recorrida; negando provimento ao recurso contrário à
súmula ou a precedente qualificado; ou dando provimento ao recurso dirigido contra decisão que
contraria súmula ou precedente qualificado); ou (ii) elaborar voto para julgamento do recurso pelo órgão
colegiado se não for o caso de decisão monocrática.
Diante desse quadro normativo, é certo que a competência tanto para a análise dos requisitos
de admissibilidade da apelação quanto para o julgamento do mérito recursal é exclusiva do Tribunal de
segundo grau.
Doutrina abalizada pontua, contudo, que, "nas situações em que a própria lei confere
competência para o juízo de primeiro grau se retratar de sua sentença diante da interposição de
apelação" (artigos 331, caput , 332, § 3º, e 485, § 7º, do CPC de 2015; e 198, inciso VII, do ECA), pode-se
sim falar em uma "competência implícita para o exercício de juízo de admissibilidade", mas adstrita a um
juízo positivo que autorize a retratação.
Nesse sentido, é certo que o não recebimento da apelação configura ofensa ao § 3º do artigo
1.010 do CPC, caracterizando usurpação da competência do Tribunal, o que atrai o cabimento de
reclamação, consoante previsto no inciso I do artigo 988 do diploma processual.
Por outro lado, não se mostra cabível o agravo de instrumento previsto no artigo 1.015 do CPC,
em qualquer fase processual e tipo de processo, contra a decisão do magistrado de primeiro grau que
indefere o processamento da apelação, mesmo diante da tese jurídica firmada pela Corte Especial por
ocasião do julgamento do Tema Repetitivo n. 988/STJ, qual seja, "O rol do art. 1.015 do CPC é de
taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo de instrumento quando verificada a
urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação" (REsps n.
1.704.520/MT e 1.696.396/MT, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 5/12/2018, DJe de
19/12/2018).
No que diz respeito à fase de conhecimento, o sistema do CPC de 2015 preconiza que
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Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
somente as decisões interlocutórias que versem sobre as questões enumeradas no rol do artigo 1.015 são
recorríveis de imediato via interposição de agravo de instrumento. As demais questões resolvidas na fase
cognitiva - que não retratem as hipóteses do artigo 1.015 - devem ser suscitadas posteriormente, em
preliminar de apelação (eventualmente interposta contra a decisão final) ou nas respectivas contrarrazões
(artigo 1.009 do CPC).
De outro lado, à luz do disposto no parágrafo único do artigo 1.015 do CPC, é agravável toda e
qualquer decisão interlocutória proferida: (i) na fase de liquidação ou de cumprimento de sentença; (ii) no
processo de execução; e (iii) no processo de inventário.
Desse modo, o agravo de instrumento do artigo 1.015 do CPC não figura como um dos meios
impugnativos cabíveis contra a decisão do juiz de primeira instância que, na fase de conhecimento, obsta
o processamento da apelação, ao arrepio do § 3º do artigo 1.010. Isso por se tratar de evidente usurpação
da competência do Tribunal, contra a qual cabe o imediato manejo de reclamação, não se podendo falar,
portanto, em "julgamento diferido" capaz de gerar a inutilidade da prestação jurisdicional.
Ademais, não cabe mandado de segurança contra a decisão do juiz de primeira instância que
inadmite a apelação. No caso, revela-se cabível a reclamação para preservação da competência do
Tribunal, nos termos do inciso I do artigo 988 do CPC. Destarte, é inadequado cogitar a impetração de
mandado de segurança com a mesma finalidade.
Por fim, reconhece-se que, até o julgamento dos presentes repetitivos, havia dúvida razoável
no sistema legal vigente sobre a medida impugnativa apropriada para destrancar a apelação inadmitida
pelo juiz de primeiro grau, motivo pelo qual não há falar em erro grosseiro daquele que apresentou
correição parcial ou agravo de instrumento antes do deslinde da questão jurídica em debate.
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Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 988/STJ.
SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - APELAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
DESTAQUE
A previsão do art. 27, § 1º, do DL n. 3.365/1941 veio para estabelecer normas especiais para os
honorários advocatícios em ações expropriatórias seja quanto à base de cálculo de tal verba, seja quanto
aos percentuais que devem incidir sobre a base arbitrada. Embora amalgamadas em um único preceito
(texto), subsiste relativa independência entre as normas jurídicas contidas no dispositivo legal, de modo
que alterações circunstanciais na base de cálculo não devem afastar, obrigatoriamente, a incidência da
lex specialis relativa aos percentuais estabelecidos para o arbitramento dos honorários advocatícios.
Nesse cenário ocasional, embora não haja condenação, o princípio da causalidade impõe que
o ente (não mais) expropriante seja declarado sucumbente de modo que os honorários correrão a sua
conta, porque deu causa ao ajuizamento da demanda e dela desistiu (art. 90 do Código de Processo Civil).
À falta de condenação ou de proveito econômico efetivo, já foi dito que não há suporte
jurídico para o estabelecimento da base de cálculo dos honorários nos moldes do art. 27, § 1º, do DL
3.365/1941, de modo que essa base será fixada de acordo com norma jurídica supletiva prevista no art. 85,
§ 2º, do CPC, tomando-se em conta, então, o valor atribuído à causa.
O socorro à norma supletiva do CPC faz-se porque não existe suporte jurídico para a aplicação
da norma especial do DL 3.365/1941 apenas no que toca à base de cálculo dos honorários sucumbenciais.
Ora, a desistência da ação não implica desaparecimento do suporte jurídico de aplicação dessa lex
specialis, de modo que não há razão jurídica para se recorrer, quanto aos percentuais, a outras normas
jurídicas que pudessem ser aplicadas de forma supletiva ou subsidiária.
Ressalte-se, contudo, que haverá casos em que o valor da causa, mesmo que atualizado,
corresponderá a valor ínfimo a implicar honorários irrisórios caso aquele valor seja mantido como base
para a incidência das alíquotas do art. 27, § 1º, do DL n. 3.365/1941.
Nessa excepcional hipótese, portanto, afasta-se completamente a aplicação do art. 27, § 1º, do
DL n. 3.365/1941 para a fixação dos honorários sucumbenciais - seja quanto à base de cálculo
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Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
estabelecida no preceito, seja quanto aos percentuais ali estabelecidos -, uma vez que a verba honorária
será arbitrada pelo juiz por apreciação equitativa, com fundamento no art. 85, § 8º, do CPC, a fim de
impedir que a verba honorária seja fixada em patamar incompatível com a dignidade do trabalho
advocatício.
Dessa forma, deve ser fixada a seguinte tese jurídica de eficácia vinculante: Aplicam-se os
percentuais do art. 27, § 1º, do DL 3.365/41 no arbitramento de honorários sucumbenciais devidos pelo
autor em caso de desistência de ação de desapropriação por utilidade pública ou desconstituição de
servidão administrativa, os quais terão como base de cálculo o valor atualizado da causa. Esses
percentuais não se aplicam somente se o valor da causa for muito baixo, caso em que os honorários serão
arbitrados por apreciação equitativa do juiz, na forma do art. 85, § 8º, do CPC.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 783
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
DESTAQUE
De fato, o uso do EPI eficaz descaracteriza o tempo especial, de acordo com a jurisprudência.
O Supremo Tribunal Federal entende que o "direito à aposentadoria especial pressupõe a efetiva
exposição do trabalhador a agente nocivo à sua saúde, de modo que, se o EPI for realmente capaz de
neutralizar a nocividade não haverá respaldo constitucional à aposentadoria especial" (Tema 555 da
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Repercussão Geral, ARE 664.335, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 4/12/2014).
Por tudo isso, ainda que, individualmente, o reconhecimento do tempo especial beneficie o
trabalhador, o efeito sistêmico é perverso.
De qualquer forma, o que se tem é uma documentação da relação de trabalho, a qual se tem,
em princípio, por legítima. O PPP é uma exigência legal e está sujeito a controle por parte dos
trabalhadores e da administração pública (art. 58, §§ 1º a 4º. da Lei n. 8.213/1991). Assim, desconsiderar,
de forma geral e irrestrita, as anotações desfavoráveis ao trabalhador, é contra a legislação e causa efeitos
deletérios à coletividade de trabalhadores.
Dessa forma, a anotação no PPP, em princípio, descaracteriza o tempo especial, de modo que,
se o segurado discordar, deve desafiar a anotação, fazendo-o de forma clara e específica.
Além disso, não estão presentes as hipóteses de redistribuição do ônus da prova, na forma do
art. 373, § 1º, do CPC. Assim, o que autoriza a revisão da regra geral prevista no caput do mencionado
artigo é a assimetria de dados e informações, mas não a hipossuficiência econômica.
Nesse contexto, o aparato estatal tem a competência para fiscalizar, mas não tem
protagonismo na documentação da relação de trabalho (art. 58, § 3º, da Lei n. 8.213/1991; art. 68, §§ 7º e
8º do Decreto 3.048/1999), sendo que a prova é mais fácil para o segurado do que para o INSS, uma vez
que foi o segurado quem manteve relação com a empregadora, conhece o trabalho e tem condições de
complementar ou contestar informações constantes do PPP.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Por tudo isso, o ônus da prova é do segurado. No entanto, o standard probatório é rebaixado,
de forma que a dúvida favorece o trabalhador.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 555/STF
SAIBA MAIS
Critério NUGEP / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - DAS PROVAS
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/39
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DESTAQUE
Acerca da possibilidade de creditamento, tem-se que tal hipótese não decorre de suposta
extensão do benefício contido no art. 11 da Lei n. 9.779/1999 para hipótese ali não prevista, mas, ao
contrário, da compreensão fundamentada de que tal situação (produto não tributado, imune) está contida
na norma em exame, sobretudo ao utilizar o termo "inclusive".
Com efeito, o adequado exame a respeito do alcance do benefício contido no art. 11 da Lei n.
9.779/1999 não autoriza, para fins interpretativos, a supressão de expressão contida na norma - afinal,
não há palavras inúteis contidas na lei -, tampouco o seu deslocamento, a fim de correlacioná-la a outra
expressão ali contida, a redundar em sua completa descaracterização. A supressão do termo "inclusive"
altera substancialmente o conteúdo da norma, reduzindo indevidamente seu alcance, a redundar em seu
completo desvirtuamento.
Portanto, as regras propugnadas, com adstrição aos termos contidos no art. 11 da Lei n.
9.779/1999 somente podem ter o seguinte teor: i) o saldo credor do IPI acumulado poderá ser objeto de
compensação ou ressarcimento; e ii) "os créditos decorrentes da entrada de insumos destinados à
industrialização, INCLUSIVE de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, poderão compor o saldo
credor".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/39
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sujeito à alíquota zero, mas, sim, também o assegura nesses casos, de modo a não excluir outras
hipóteses de saída desonerada (como se dá na hipótese remanescente de produto imune).
Diante do critério legal adotado para a viabilizar o direito ao crédito de IPI, mostra-se
necessário distinguir os produtos contidos na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos
Industrializados), especificamente aqueles sob a rubrica "NT" - Não Tributado. Nesses (sob a rubrica "NT"),
incluem-se produtos que, por sua natureza, encontram-se fora do campo de incidência do IPI, já que não
são resultantes de nenhum processo de industrialização; e outros que, ainda que derivados do processo
de industrialização, por determinação constitucional, são imunes ao tributo em comento.
Assim, de acordo com o critério adotado pela norma, se o produto - resultado do processo de
industrialização de insumos tributados na entrada - é imune, o industrial faz jus ao creditamento. Se, ao
contrário, o produto não é resultado do processo de industrialização de insumos tributados, sua saída,
ainda que desonerada, não enseja direito ao creditamento de IPI. Veja-se que, nesse caso, o direito ao
creditamento não se aperfeiçoa porque não houve submissão ao processo de industrialização, e não
simplesmente porque o produto encontra-se sob a rubrica "NT" na TIPI.
A tese a ser conformada pela Primeira Seção, portanto, deve considerar que: i) o direito ao
creditamento de IPI estabelecido no art. 11 da Lei n. 9.779/1999 abrange a saída de produtos imunes
(afastando-se qualquer termo que conduza à ideia de aplicação extensiva do benefício fiscal à hipótese
supostamente não constante da norma, do que não se cuida); e ii) a necessidade de utilizar o termo
"produtos imunes" (e não, genericamente, "produtos não tributados", pois, nos termos da fundamentação
supra, o benefício fiscal em exame abrange a saída de produtos industrializados isentos, sujeitos à
alíquota zero e imunes (e não todos aqueles constantes da TIPI - Tabela de Incidência do Imposto sobre
Produtos Industrializados - sob a rubrica "NT" - Não Tributado).
Diante da compreensão ora externada, deve ser fixada seguinte tese jurídica: O creditamento
de IPI, estabelecido no art. 11 da Lei n. 9.799/1999, decorrente da aquisição tributada de matéria-prima,
produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, abrange a saída de
produtos isentos, sujeitos à alíquota zero e imunes.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Jurisprudência em Teses / DIREITO TRIBUTÁRIO - EDIÇÃO N. 118: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS
INDUSTRIALIZADOS - I
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
A execução fiscal consiste na execução judicial para a cobrança da dívida ativa da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias, disciplinada pela Lei n. 6.830/1980
(Lei de Execução Fiscal - LEF), a ser necessariamente instruída com a Certidão de Dívida Ativa - CDA.
Segundo a intelecção que se extrai do art. 2º, § 2º, da LEF, através de interpretação gramatical,
a dívida ativa não tributária possui acepção ampla, podendo englobar créditos variados da Fazenda
Pública provenientes da lei, do contrato ou de decisão judicial - que não se amoldem no conceito de
dívida ativa tributária -, pelo explícito uso da expressão "demais créditos da Fazenda Pública", seguido da
locução "tais como", enumerando, exemplificativamente, as hipóteses de dívida ativa não tributária, nas
quais se inserem, com destaque: "multas de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias",
"indenizações" e "alcances dos responsáveis definitivamente julgados".
Assim, verifica-se que a cobrança judicial dos créditos da Fazenda Pública, tributários ou não
tributários, através da execução fiscal, possui grande abrangência.
Por outro lado, a satisfação das obrigações de pagar quantia reconhecidas em sentença se
submete à fase de cumprimento de sentença - e não a um processo autônomo de execução -, em razão
do sincretismo processual vigente no ordenamento jurídico pátrio desde o advento da Lei n. 11.232/2005.
Além disso, dispõe o CPC/2015, em seu art. 515, I, que a execução dos títulos executivos
judiciais - entre os quais se inserem as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa - dar-se-á
segundo a sua Parte Especial, Livro I, Título II.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
ADI n. 7.042
ADI n. 7.043
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.174.212-PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. para
acórdão Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria,
julgado em 1º/4/2025, DJEN 7/4/2025.
DESTAQUE
Em atenção à vedação ao non liquet, verificado o hiato legislativo à época dos fatos, deve-se
decidir o processo de acordo com "a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito", nos termos
do art. 4º da Lei Geral de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.
Dessa forma, por analogia, pode-se utilizar o art. 768 do Código Civil (CC), o qual estabelece
que "o segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato". A
interpretação teleológica do dispositivo, permite que a referida norma alcance não apenas o segurado,
mas também o beneficiário.
Como consequência, nos contratos de seguro também prévios à Lei n. 15.040/2024, perderá o
direito à garantia o beneficiário que agravar consciente e intencionalmente o risco objeto do contrato
segurado.
Por sua vez, o elemento da voluntariedade opera de modo diverso no âmbito cível e no
criminal. Enquanto na seara penal, a inimputabilidade está no terceiro substrato do conceito analítico de
crime (fato típico, ilícito e praticado por agente culpável); para o Direito Civil, a inimputabilidade é
pressuposto da livre manifestação de vontade. Isto é, trata-se de elemento prévio à averiguação da
intenção (dolo ou culpa) do agente.
Nesse contexto, o sujeito inimputável ou incapaz, quando realiza ato contrário ao direito, não
pratica ato jurídico ilícito propriamente dito, pois, conforme ensina a doutrina, os atos jurídicos (lícitos ou
ilícitos) exigem a capacidade de exteriorizar a vontade. Ao contrário, o inimputável pratica um ato-fato
jurídico, o qual será passível de indenização, o qual será passível de indenização, tendo em vista que a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
ausência de vontade não o exime, nem o seu representante legal, de reparar os danos causados a
terceiros (art. 928 do CC).
Logo, não há vontade civilmente relevante em sua conduta e, como tal, não há intenção
dolosa apta a afastar o direito à indenização.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO REsp 1.692.931-MG, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 24/3/2025, DJEN 27/3/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Nesse caso, não faz sentido discutir, com base no art. 683 do CPC/1973, sobre a ocorrência ou
não de preclusão, por se tratar de um fenômeno endoprocessual, isto é, que ocorre dentro de uma
mesma relação processual. Não faz sentido, em suma, afirmar que, o pedido de nova avaliação com base
no art. 683 do CPC/73 pode ser formulado a qualquer tempo e até mesmo de ofício porque avesso à
preclusão.
Dessa forma, quando referido pedido for formulado extemporaneamente, mas dentro da
mesma relação processual, não poderá ser conhecido em razão da preclusão. E, quando formulado em
posterior ação anulatória, não poderá ser conhecido em razão da boa-fé e da segurança jurídica.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO REsp 2.181.080-RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 8/4/2025.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
DESTAQUE
Dessa forma, a discussão consiste em definir se é aplicável a atual redação do art. 61 da Lei n.
11.101/2005, que dispõe expressamente que o prazo de dois anos para a supervisão judicial independe do
período de carência previsto no plano de recuperação judicial, aos processos de recuperação nos quais o
plano e sua homologação são anteriores à alteração legislativa trazida pela Lei n. 14.112/2020.
Na época, havia discussões, basicamente, de duas ordens: (i) acerca da possibilidade de o juízo
da recuperação judicial encerrar o processo antes do decurso do biênio de supervisão judicial e (ii) na
hipótese de o plano prever carência para início de seu cumprimento, qual seria o termo inicial para
contagem do prazo de supervisão judicial.
A nova redação do art. 61 da Lei n. 11.101/2005 sanou tanto a discussão acerca da possibilidade
de encerramento da recuperação judicial antes do decurso do biênio de supervisão quanto do termo
inicial da supervisão judicial nos casos em que o plano trouxer previsão de carência para início de seu
cumprimento.
O legislador tornou claro que a ratio do dispositivo é que cabe aos credores decidir acerca do
período de fiscalização, podendo até mesmo renunciar a ele, o que ocorrerá no momento em que
aprovarem o prazo de carência, o que sinaliza que se trata de norma dispositiva.
Sendo assim, tanto o plano de recuperação como a decisão que o homologou constituem atos
processuais já praticados ao tempo em que a nova redação legislativa entrou em vigor, constituindo
situação jurídica consolidada sob a vigência da norma revogada, conforme a chamada teoria do
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Por outro lado, o termo inicial do prazo de supervisão judicial ou o prazo máximo de carência
previsto no plano são matérias que devem ser deliberadas em assembleia, não cabendo ao Poder
Judiciário se imiscuir na vontade dos credores nesse aspecto.
Assim, ainda que não se possa aplicar a nova redação do art. 61 da Lei n. 11.101/2005 ao caso,
observado o disposto no art. 14 do Código de Processo Civil e a teoria do isolamento dos atos
processuais, a hipótese é de manutenção da vontade dos credores ao aprovarem os termos do plano de
recuperação judicial, com a previsão de carência de 48 (quarenta e oito) meses para início dos
pagamentos, sem nenhuma ressalva quanto à prorrogação do termo inicial do prazo de supervisão
judicial, na linha da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 672
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
Nas relações entre herdeiros, havendo fixação de indenização pelo uso exclusivo do
imóvel, não é possível o desconto adicional dos valores de IPTU do quinhão do ocupante, sem
prévio acordo, sob pena de dupla compensação pelo mesmo fato e enriquecimento sem causa.
Conforme dispõem os artigos 1.784 e 1.791 do Código Civil, a herança é transmitida como um
todo unitário aos herdeiros, sendo que, até a partilha, os direitos de propriedade e posse permanecem
indivisíveis, na forma de espólio. Isso significa que o espólio é quem deve arcar com as responsabilidades
que decorrem da herança.
O art. 1.997 do mesmo Código reforça essa ideia ao dispor que o espólio é responsável por
todas as dívidas deixadas pelo de cujus, dentro dos limites da herança, até a realização da partilha.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
No caso, conforme registrado no acórdão recorrido, já foi estabelecida indenização pelo uso
exclusivo do imóvel. Ademais, não houve prévia estipulação entre as partes, seja quanto ao ressarcimento
do IPTU ao espólio pelo herdeiro ocupante (art. 22, VIII, da Lei n. 8.245/1991), seja quanto a qualquer
outra obrigação decorrente da ocupação do imóvel.
Dessa forma, uma vez que a utilização exclusiva do bem foi objeto de compensação mediante
o pagamento de indenização, não se justifica o desconto adicional dos valores de IPTU pagos pelo espólio
do quinhão da herdeira ocupante a título de nova indenização. Tal desconto configuraria dupla
indenização pelo mesmo fato (uso exclusivo do imóvel) e resultaria enriquecimento sem causa da outra
herdeira, que receberia duas compensações pelo mesmo evento.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Não deve ser aplicado, por analogia, o entendimento firmado na Súmula n. 308 do STJ
aos casos envolvendo garantia real por alienação fiduciária.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Nesse sentido, a hipoteca é um direito real de garantia que incide sobre um imóvel para
assegurar o pagamento de uma dívida. Nesse caso, o devedor, proprietário do imóvel, concede ao credor
o direito de preferência no recebimento do crédito em caso de inadimplência, mediante a constituição de
uma garantia sobre o imóvel.
Por outro lado, a alienação fiduciária é um instituto previsto na Lei n. 9.514/1997, que permite a
transferência da propriedade do bem - no caso, o imóvel - ao credor fiduciário, geralmente instituição
financeira, como garantia do contrato de financiamento ou empréstimo (art. 22). Nesse caso, o devedor
fiduciante transfere a propriedade do imóvel ao credor até que a dívida seja quitada. Após o pagamento
integral, a propriedade é transferida de volta ao devedor.
Desse modo, para o credor fiduciário, a propriedade fiduciária representa direito real sobre
bem próprio, sujeita a condição resolutiva, enquanto a hipoteca constitui direito real sobre bem alheio.
Do ponto de vista do devedor, na alienação fiduciária, ele possui o direito de adquirir o imóvel,
enquanto, na hipoteca, ele se mantém na propriedade do bem.
As implicações principais dessas diferenças são a titularidade do bem oferecido como garantia
e o desdobramento da posse. Assim, no caso da hipoteca, o devedor é tanto o proprietário quanto o
possuidor direto do imóvel, enquanto o credor detém apenas direito real de garantia.
Por outro lado, na propriedade fiduciária, há uma separação da posse, permitindo que o
devedor possua o bem diretamente, além de ter o direito real de aquisição, enquanto o credor possui a
propriedade sujeita a condição resolutiva e é o possuidor indireto.
Infere-se daí que, quando o devedor hipotecário firma um contrato de promessa de compra e
venda de imóvel com terceiro de boa-fé, ele está negociando bem do qual é proprietário. No entanto,
essa situação distingue-se significativamente daquela do devedor fiduciante, uma vez que, ao negociar
bem garantido fiduciariamente, venderá imóvel que pertence ao credor fiduciário.
Logo, não há como justificar a aplicação da Súmula n. 308/STJ à alienação fiduciária diante do
tratamento normativo distinto conferido aos devedores de ambas as garantias reais. Enquanto o devedor
hipotecário detém a propriedade, o devedor fiduciante possui apenas a posse direta do imóvel, sendo,
portanto, o negócio jurídico celebrado com terceiro de boa-fé ineficaz em face do proprietário do bem, o
credor fiduciário.
Esse é o entendimento pacífico desta Corte Superior, segundo a qual, na venda a non domino,
o negócio jurídico realizado por quem não é dono não produz efeito algum em relação ao proprietário,
havendo nulidade absoluta, impossível de ser convalidada pelo transcurso do tempo, sendo irrelevante a
boa-fé do adquirente.
Diante desse contexto, se o devedor fiduciante, por contrato de promessa de compra e venda
ou de cessão de direito, negocia com terceiro de boa-fé bem imóvel de propriedade do credor fiduciário,
tal transação não afeta a alienação fiduciária devidamente registrada por escritura pública.
Consequentemente, torna-se inviável aplicar o entendimento sumular.
A aplicação da Súmula n. 308/STJ aos contratos de alienação fiduciária pode gerar efeitos
prejudiciais aos próprios consumidores, tendo em vista o aumento do risco percebido pelos agentes
financeiros ao concederem financiamentos para aquisição de imóveis, com a consequente elevação do
custo de crédito.
Ainda há outro fator a ser considerado: a ratio decidendi dos precedentes que deram ensejo à
Súmula n. 308/STJ está intrinsecamente ligada ao fato de o imóvel, dado como garantia hipotecária, ter
sido adquirido no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, o qual estabelece normas mais protetivas
para as partes vulneráveis. Portanto, o entendimento sintetizado nessa nota sumular não se aplica aos
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
casos em que a transação imobiliária foi realizada pelo Sistema Financeiro Imobiliário.
Por fim, não é possível estender uma hipótese de exceção normativa para restringir a aplicação
de regra jurídica válida. A Súmula n. 308/STJ criou uma exceção à regra geral do direito imobiliário sobre
a prioridade registral, ao afirmar que a hipoteca celebrada entre a incorporadora e a instituição financeira
não teria eficácia perante os adquirentes que conseguiram crédito por intermédio do Sistema Financeiro
da Habitação.
Por sua vez, há regra jurídica válida acerca da hipótese de negócio jurídico realizado pelo
devedor fiduciante e seus efeitos sobre o adquirente da obrigação. A Lei n. 9.514/1997 é clara e literal ao
exigir a anuência expressa do credor fiduciário para que o devedor fiduciante possa transmitir os direitos
sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 308/STJ
SAIBA MAIS
Súmula Anotada n. 308
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
DESTAQUE
No caso, o Tribunal de origem admitiu que os irmãos recorrentes fossem atingidos pela
desconsideração tão somente pelo fato de que seus pais, sócios nas empresas do grupo econômico e
também atingidos pela desconsideração clássica da personalidade jurídica, realizaram doações de imóveis
e em dinheiro aos referidos filhos. Limitou a responsabilidade dos recorrentes aos bens recebidos em
doação ou adquiridos com dinheiro doado por seus pais em data posterior ao "saque do título
exequendo".
Por outro lado, o reconhecimento da fraude contra credores pressupõe o ajuizamento de ação
pauliana (CC/2002, art. 161), afigurando-se descabido declará-la em caráter incidental, no bojo de feito
executivo e com amparo em normas jurídicas que disciplinam instituto diverso, somente concebido para
afastar, de modo excepcional e em circunstâncias específicas, a proteção legal e a separação patrimonial
entre a pessoa jurídica e seus sócios. Os requisitos e o procedimento para avaliar o cabimento da
desconsideração da personalidade jurídica não se confundem com as questões que são objeto da
demanda na qual se decide sobre a fraude contra credores.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
falencial ou à ação pauliana, seja em suas causas justificadoras, seja em suas consequências. A primeira
(revocatória) visa ao reconhecimento de ineficácia de determinado negócio jurídico tido como suspeito, e
a segunda (pauliana) à invalidação de ato praticado em fraude a credores, servindo ambos os
instrumentos como espécies de interditos restitutórios, no desiderato de devolver à massa, falida ou
insolvente, os bens necessários ao adimplemento dos credores, agora em igualdade de condições (arts.
129 e 130 da Lei n. 11.101/05 e art. 165 do Código Civil de 2002)". "A desconsideração da personalidade
jurídica, a sua vez, é técnica consistente não na ineficácia ou invalidade de negócios jurídicos celebrados
pela empresa, mas na ineficácia relativa da própria pessoa jurídica - 'rectius', ineficácia do contrato ou
estatuto social da empresa -, frente a credores cujos direitos não são satisfeitos, mercê da autonomia
patrimonial criada pelos atos constitutivos da sociedade" (REsp n. 1.180.191/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe
Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/4/2011, DJe de 9/6/2011).
Ademais, no âmbito da ação pauliana, ajuizada com suporte em causa de pedir específica e
pedido expresso para se reconhecer a ineficácia da alienação, o credor deve demonstrar o
preenchimento dos requisitos legais para configurar a fraude, quais sejam o eventus damni, o consilium
fraudis (ou scientia fraudis), e, além disso, a anterioridade da dívida, na medida em que o art. 158, § 2º, do
CC/2002 dispõe que "[s]ó os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação
deles".
No caso, os recorrentes - que não eram sócios das empresas devedoras e tampouco das outras
sociedades que com aquelas formavam grupo econômico - receberam bens de seus pais em data anterior
ao ajuizamento da demanda e, parte deles, antes mesmo do momento em que constituída a obrigação.
Tanto por isso que o Tribunal de origem, no julgamento da apelação, afastou sua responsabilidade pelo
débito propriamente dito e, além disso, determinou fossem levantadas as constrições incidentes sobre
bens adquiridos por doação ou com dinheiro doado pelos pais em data anterior ao saque do título
executivo. Ressalta-se ainda que a Corte local não afirmou confusão patrimonial entre as empresas
devedoras e os recorrentes, senão apenas entre aquelas.
A responsabilidade dos recorrentes deu-se em caráter puramente patrimonial, eis que somente
foi declarada a ineficácia das alienações posteriores ao momento em que constituída a dívida. É dizer:
embora tenha afirmado que estava desconsiderando a personalidade jurídica das empresas envolvidas, no
que se refere aos recorrentes, o Tribunal local em verdade reconheceu a ocorrência de fraude contra
credores, todavia sem que observado o procedimento previsto em lei.
Nesse contexto, viola o devido processo legal declarar a ineficácia da alienação de bens,
incidentalmente, a partir de um simples requerimento do credor, que afirma a prática de atos
supostamente fraudulentos, todos eles ocorridos em data anterior ao ajuizamento da ação. Não pode
fazê-lo o Judiciário, por sua vez, invocando instituto jurídico impertinente, que não serve ao
reconhecimento da fraude contra credores.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO AgInt no REsp 1.438.257-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 24/3/2025, DJEN 31/3/2025.
DESTAQUE
De início, é válido ressaltar que o Tema 948/STJ não se aplica ao caso, pois é restrito à
possibilidade de liquidação e execução pelo próprio beneficiado pela procedência do pedido, enquanto o
caso em análise trata de execução individual coletivizada, proposta pela associação.
Os Temas n. 82/STF e 499/STF também não são úteis, pois tratam de execução de Sentença
Coletiva em Ação Coletiva Representativa, nas quais também é exigida a apresentação de procurações
dos beneficiários das Sentenças Coletivas Representativas em execução. Ademais, tais temas dedicam-se
a analisar caso de execução de Sentença Coletiva produzida no julgamento de Ação Coletiva
Representativa-ACR, hipótese diversa do caso aqui versado: execução de Sentença Coletiva exarada no
julgamento de Ação Coletiva Substitutiva-ACS.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
homogêneos, conforme a remissão feita pelos artigos 97 e 98 ao art. 82 e a deste ao art. 81, todos do
Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Com efeito, destaca-se que as associações civis, no âmbito do processo coletivo, podem atuar
de três maneiras, cada qual com características próprias.
A primeira forma de atuação das associações civis é como parte autora de ação civil pública ou
de ação coletiva de consumo, de natureza substitutiva, quando, preenchidos os requisitos temporal e de
pertinência temática, possuem ampla legitimidade ativa, por substituição, prescindindo da juntada de
autorização e de procuração de seus associados ou de beneficiados. Agem, nesse caso, em nome próprio
em defesa de direitos alheios.
Como essa forma de atuação cuida de execução em prol de Fundo Público, não cabe, por
óbvio a juntada de procurações.
Desse modo, essa é a forma de atuação que rege o caso em questão. A associação quando
promove a fase de conhecimento da Ação Coletiva Substitutiva tem ampla legitimidade, prescindindo da
apresentação de instrumento de representação de associados, porquanto os efeitos positivos da Sentença
Coletiva se estendem a todas as vítimas e seus sucessores (art. 97 do CDC) independentemente de filiação
à associação autora da ação.
Por outro lado, quando executa a sentença coletiva de forma coletivizada, sua atuação perde a
natureza substitutiva, adquirindo feição representativa, daí a necessidade de instrução da inicial com os
instrumentos de representação (procuração) de todos aqueles beneficiários listado na inicial.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 948/STJ
Tema n. 82/STF
Tema n. 499/STF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 23 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
A ausência de mandado físico, ainda que com autorização judicial prévia, compromete
a legalidade da busca e apreensão, tornando ilícitas as provas obtidas.
Na dicção do art. 241 do CPP, quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar
pessoalmente, a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de mandado. Em outras palavras, o
mandado não é algo dispensável, mas essencial ao adequado cumprimento da diligência judicialmente
determinada.
Dessa forma, falece legitimidade a quem deu cumprimento à determinação judicial não
materializada no mandado de busca e apreensão, já que a despeito das prévias investigações que deram
ensejo à decisão que determinou a busca, a formalidade de expedição do mandado não foi cumprida, de
modo que são inválidos todos os elementos de prova colhidos neste ato.
Portanto, a ausência de mandado físico, ainda que com autorização judicial prévia,
compromete a legalidade da busca e apreensão, tornando ilícitas as provas obtidas.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO AgRg no RHC 200.123-MG, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Rel. para
acórdão Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por maioria,
julgado em 26/2/2025, DJEN 12/3/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
Destaca-se, ainda, que os relatos dos agentes públicos envolvidos, revestidos de presunção de
veracidade, foram coerentes e compatíveis com as demais provas dos autos, inexistindo indícios de abuso
ou desvio de finalidade por parte da atuação policial.
Ademais, o tráfico de drogas, por sua natureza permanente, justifica a continuidade do estado
de flagrância e as medidas necessárias para sua repressão, inclusive a busca domiciliar sem mandado
judicial.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 280/STF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 778
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
A prática de roubo no período noturno, por si só, não justifica a exasperação da pena-
base, pois tal circunstância não é reveladora da maior gravidade do modus operandi.
Ocorre que a mera alegação de que o delito foi praticado no período noturno, por volta de 22
horas, não é circunstância reveladora da maior gravidade do modus operandi.
Nesse sentido, já decidiu a Quinta Turma do STJ que "Não pode o fato de o delito ter sido
praticado à noite, por si só, ser levado em consideração como circunstância negativa, pois referido
raciocínio levaria ao aumento também quando o delito fosse cometido à luz do dia, havendo, portanto,
sempre uma exasperação da pena" (HC n. 181.381/MS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma,
julgado em 4/9/2012, DJe 11/9/2012).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Nessa direção, "...o acréscimo de fundamentos na via do habeas corpus, pelo Tribunal local,
não se presta a suprir a ausente motivação do Juízo natural, sob pena de, em ação concebida para a
tutela da liberdade humana, legitimar-se o vício do ato constritivo ao direito de locomoção do paciente."
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
(AgRg no HC 903.795/RO, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 4/9/2024).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO HC 898.278-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 8/4/2025.
DESTAQUE
Na sentença, o Juízo decidiu pela condenação pois, entre a versão alterada do réu e a versão
constante dos policiais, conferiu o magistrado credibilidade aos segundos. Na ocasião, o acusado muda a
sua versão para dizer que a arma, em realidade, seria do pai, e não dele. O próprio genitor inclusive volta a
dizer que a arma era do filho.
Em que pese a defesa tenha razão ao apontar para a imprestabilidade probatória da confissão
extrajudicial, disso não se deve concluir que o réu mereça ser absolvido. Isso porque, ao contrário do
afirmado pela defesa, há provas suficientes das quais pode-se concluir pela culpabilidade do acusado: os
testemunhos dos policiais somados à declaração oferecida pelo pai, todas prestadas em juízo, vão no
mesmo sentido.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
É importante esclarecer que no processo penal não há que se defender extremos; nem de
automática credibilidade, nem de automática rejeição à palavra do policial. O testemunho policial pode,
sim, servir de prova em um processo criminal, devendo, para tanto, ter seu conteúdo racionalmente
valorado.
No presente processo, a versão dos fatos apresentada pelos policiais, segundo a qual a arma e
os projéteis pertenceriam ao paciente, foi corroborada pelo pai do acusado. Por sua vez, a afirmação feita
pelo genitor do réu de fato merece credibilidade: a arma não seria dele, funcionário público de reputação
ilibada, e sim de seu filho, quem já ostenta outros crimes, conforme se verifica por sua folha de
antecedentes, e quem teria motivos para, por meio de uma negativa falsa oferecida em juízo, tentar se
evadir de sua responsabilidade penal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 844
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/39
Informativo de Jurisprudência n. 847 15 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/39