Jurisprudência sobre Desapropriação e Indenização
Jurisprudência sobre Desapropriação e Indenização
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
A natureza jurídica dos terrenos que margeiam os rios navegáveis é de bem público da
União, não sendo, por isso, suscetíveis de apropriação privada, salvo se demonstrada a existência
de enfiteuse ou concessão administrativa de caráter pessoal, quando haverá a possibilidade de
indenização.
Tal orientação, entretanto, não encontra mais respaldo com a evolução jurisprudencial
consolidada no STJ, que, a partir do julgamento do Recurso Especial 508.377/MS pela Segunda Turma,
sob relatoria do Ministro João Otávio de Noronha, em 23/1/2007, concluiu que o art. 20, III, da
Constituição Federal expressamente extinguira qualquer possibilidade de propriedade privada sobre
cursos d'água, terrenos reservados e terrenos marginais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
Assim, conforme entendimento da Segunda Turma do STJ, a correta interpretação do art. 11,
caput, do Decreto n. 24.643/1934 (Código de Águas) passou a se dar de forma restritiva, reconhecendo-
se que o único título legítimo capaz de relativizar o domínio público seria aquele decorrente de enfiteuse
ou concessão administrativa de caráter pessoal, jamais configurando direito real de propriedade.
Diante de tal perspectiva, portanto, permite-se apenas a indenização por eventuais vantagens
econômicas derivadas da relação contratual estabelecida com o Estado, sem reconhecer propriedade
plena sobre tais áreas.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 479/STF
SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO ADMINISTRATIVO - TERRENO DE MARINHA
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
DESTAQUE
Em sede judicial, o Tribunal a quo concluiu, à luz do suporte fático-probatório, que os fatos
supostamente geradores da exclusão do contribuinte do REFIS não se subsumem ao art. 5º, VII, da Lei n.
9.964/2000, único fundamento do ato coator impugnado.
Na qualidade de custos juris, o Ministério Público alega que pode intervir sempre que houver
interesse público ou social relevante, nos termos do art. 178, I, do Código de Processo Civil (CPC/2015).
Possível extrair do referido julgado que, diversamente do que ocorre na defesa de interesses e
direitos difusos e coletivos stricto sensu, em que a legitimidade do Ministério Público é automática ou
ipso facto -, nos interesses e direitos individuais homogêneos, mesmo que de natureza disponível, a
legitimidade ministerial decorre, pois, da presença da relevância social tendo em vista a natureza do bem
jurídico tutelado (a dignidade da pessoa humana, a qualidade ambiental, a saúde, a educação) - relevância
social objetiva -, ou diante da qualidade especial dos sujeitos de direito ou da repercussão social de
conflitos em massa - relevância social subjetiva.
Na hipótese em análise, o Ministério Público suscita sua legitimidade para interpor recurso sob
a perspectiva de relevância social subjetiva ao argumento de que a demanda tem caráter multitudinário, o
que enseja sua intervenção em defesa do patrimônio público ("[...] envolver questão com feição
multitudinária, vocacionada a repercutir em inúmeras outras relações jurídicas análogas entre
contribuintes/fisco, em evidentes reflexos no erário [...] o que recomenda a intervenção ministerial no
feito na defesa do patrimônio público").
Não obstante a isso, o alegado caráter multitudinário do conflito com grave repercussão social
não está demonstrado, bem como a Fazenda Nacional não se enquadra como sujeito vulnerável na defesa
dos seus interesses, não detendo o Ministério Público Federal legitimidade para interpor recurso, seja para
intervir como custos legis, seja para intervir como custos juris ou custos societatis.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/28
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Acerca do tema, o Tribunal de origem decidiu, em suma, que, tendo em vista a finalidade da
remessa necessária, é perfeitamente possível a análise da remessa necessária mesmo havendo a
interposição de recurso voluntário.
À luz do disposto no art. 475 do CPC/1973, o STJ firmou orientação no sentido de que a
remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação suportadas pela
Fazenda Pública (Súmula 325 do STJ), não se limitando ao princípio do tantum devolutum quantum
appellatum (AgInt no REsp 2.068.436-AL, rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em
11/3/2024, DJe de 14/3/2024; e AgInt no AREsp 285.333-GO, rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira
Turma, julgado em 25/6/2019, DJe de 9/8/2019).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
interposição de apelação, pois não ocorre preclusão da matéria não suscitada naquele recurso.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 325/STJ
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/28
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SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
Isso posto, a controvérsia centra-se em saber se, no bojo de execução fiscal, é dado ao Juízo
condicionar o deferimento de penhora à comprovação, pela Fazenda, de que a constrição judicial
almejada não compromete o soerguimento da empresa executada que se encontra em recuperação
judicial ou mensurar, a esse propósito, a relevância do bem para a manutenção das atividades da
recuperanda.
Com efeito, o advento da Lei n. 14.112/2020 demonstrou não mais haver espaço - diante de
seus termos resolutivos - para a interpretação que confere ao Juízo da recuperação judicial o status de
competente universal para deliberar sobre toda e qualquer constrição judicial efetivada no âmbito das
execuções fiscal e de crédito extraconcursal, a pretexto de sua essencialidade ao desenvolvimento de sua
atividade.
De fato, o § 7-B do art. 6º da Lei n. 11.101/2005 (incluído pela Lei n. 14.112/2020) passou a
delimitar a atuação do Juízo recuperacional, conferindo-lhe a possibilidade, apenas, de determinar a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
substituição do bem constrito por outra garantia, sem prejuízo, naturalmente, da formulação de proposta
alternativa de satisfação do crédito, em procedimento de cooperação recíproca com o Juízo da execução
fiscal e em atenção ao princípio da menor onerosidade.
Desse modo, incumbe ao Juízo da execução fiscal proceder à constrição judicial dos bens da
executada, sem nenhum condicionamento ou mensuração sobre eventual impacto desta no
soerguimento da empresa executada que se encontra em recuperação judicial, na medida em que tal
atribuição não lhe compete.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 14.112/2020.
Lei n. 11.101/2005, art. 6º, § 7º-B.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 22 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.160.516-CE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para acórdão
Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por maioria, julgado em
1º/4/2025.
DESTAQUE
No caso em apreço, a parte buscou atendimento no hospital em quatro dias distintos. Em cada
uma dessas ocasiões, foi atendida por um médico diferente que estava de plantão.
Além de ter sido obrigada a procurar a opinião de um quinto médico, desta vez particular, teve
que arcar com os custos dos exames. Ainda assim, só conseguiu a internação após insistência perante a
direção do hospital.
Nesse contexto, o fato de a exordial trazer o nome dos médicos que atenderam a então
paciente não desnatura a natureza objetiva da responsabilidade civil na relação de consumo.
A minúcia na narração dos fatos serve justamente para demonstrar que, independentemente
do profissional específico que o hospital escolheu para prestar o serviço, houve falha nos protocolos de
atendimento. Portanto, houve falha na prestação do serviço, atraindo a aplicação da teoria do risco da
atividade.
Ademais, a ouvidoria do hospital enviou e-mail à paciente e informou que foram constatados
erros praticados tanto pelo corpo médico quanto pelo corpo de enfermagem, de modo que os
respectivos profissionais, segundo relatado, teriam sido advertidos e punidos.
Logo, se houve apuração administrativa que constatou falhas e se há hierarquia que possibilita
a orientação, advertência e punição, não há como afastar a responsabilidade e, por consequência, como
ser desnecessária a denunciação da lide.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 768
PROCESSO REsp 1.888.521-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 1º/4/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
o recurso não conhecido pode ser condenado a pagar a verba honorária recursal.
O art. 996 do Código de Processo Civil (CPC) determina que o recurso pode ser interposto pela
parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público.
Assim, ainda conforme a doutrina, embora não exista preclusão temporal para o ingresso do
terceiro, a partir do momento em que ele é admitido no processo, suporta todas as preclusões já
operadas. Por conseguinte, admite também os resultados de todos os atos realizados antes de seu
ingresso.
Ao livremente optar por intervir no processo e recorrer, o terceiro interessado está ciente dos
termos e determinações da decisão recorrida. Não pode, portanto, agir contraditoriamente ao assumir a
decisão para pleitear benefícios com a sua reforma, mas negá-la para eximir-se do pagamento de
honorários recursais, mesmo que sua primeira manifestação no processo seja em sede recursal.
Por fim, é pacífico o entendimento do STJ no sentido de que, na forma do art. 85, § 11, do CPC,
a majoração da verba honorária deve ocorrer quando estiverem presentes os seguintes requisitos,
simultaneamente: a) decisão recorrida publicada a partir de 18/3/2016, quando entrou em vigor o novo
Código de Processo Civil; b) recurso do qual não se conheceu integralmente ou a que se negou
provimento, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente; e c) condenação em honorários
advocatícios desde a origem no feito em que interposto o recurso (REsp n. 1.865.553/PR, Corte Especial,
julgado em 9/11/2023, DJe de 21/12/2023; AgInt nos EREsp n. 1.539.725/DF, Segunda Seção, julgado em
9/8/2017, DJe de 19/10/2017).
Nesses termos, para haver honorários recursais, deve haver condenação em honorários
advocatícios desde a origem no feito em que interposto o recurso, não importando em face de quem a
decisão primeva fixou os honorários.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), artigos 85, §11; 119, parágrafo único; e 996.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
Ressalta-se que há entendimento firmado pela Quarta Turma do STJ no REsp 1.998.336-MG
em que se afastou a aplicação do Tema 882/STJ à hipótese de loteamento fechado. Todavia, o caso em
questão não trata de loteamento fechado, mas de condomínio de fato, estabelecido por edifícios de
determinadas ruas de um bairro que impuseram o fechamento e/ou a restrição de acesso a vias públicas.
Cabe ainda destacar que, em caso de condomínio de fato estabelecido por moradores de
bairros residenciais abertos que impõe o fechamento e/ou a restrição de acesso a vias públicas, a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
circunstância de terem sido feitas contribuições voluntárias por um dos edifícios da região, ao longo de
vários anos, não configura adesão formal à associação de moradores, nem autoriza cobrança futura de
mensalidades. Embora contribuições voluntariamente pagas ao longo de vários anos indiquem
concordância e proveito com as atividades da associação, não configuram associação formal.
Ademais, mesmo para aqueles, no passado, associados, não há dever jurídico de permanecer
associado. Assim, não havendo ato formal de associação - mas mero pagamento espontâneo em anos
pretéritos - a circunstância de haver cessado o pagamento, por si só, evidencia a inexistência atual de
associação. Não haveria como exigir ato formal para desfazer ato que formalmente não existiu.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 882/STJ
Tema n. 492/STF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 562
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
DESTAQUE
Não é possível aplicar, por analogia, o prazo de 30 dias previsto no art. 18, § 1º, do
Código de Defesa do Consumidor ao cumprimento da obrigação de fornecimento de peças de
reposição, conforme disposto no art. 32 do mesmo diploma legal.
O art. 18, § 1º, do CDC retrata alternativas ao consumidor na hipótese em que o fornecedor do
produto não soluciona o vício dentro do prazo de 30 dias. Conforme a doutrina, trata-se de prazo
atrelado à responsabilidade do fornecedor na solução de vício de produto, ou seja, de vício adstrito aos
limites do bem de consumo, sem outras repercussões (prejuízos intrínsecos), o que diferencia do fato ou
defeito do produto, cuja consequência lógica está atrelada aos prejuízos extrínsecos sofridos pelo
consumidor, gerando consequências relacionadas à indenização moral, material ou por danos estéticos.
Não pode, assim, um prazo previsto para uma situação específica e de natureza distinta ser
utilizado, em interpretação analógica, como parâmetro para criação de uma obrigação, cuja eficácia terá
efeito erga omnes em decorrência da utilização da ação civil pública no caso concreto.
Dessa forma, não parece razoável a extensão do prazo de 30 dias previsto no art. 18, § 1º, do
CDC às situações concretas abarcadas pelo art. 32 do mesmo diploma legal.
Registre-se que não se está afastando, de forma irrestrita, a possibilidade de fixação de prazo
razoável a depender da situação concreta, o que deve ficar a cargo do juízo competente quando do
cumprimento da obrigação no âmbito de incidência da norma. É dizer, em cada ação individual de
execução a ser proposta a partir da condenação na ação civil pública. Ou, de modo mais abrangente, com
a eventual provocação do órgão legislativo competente.
Daí a impossibilidade de se criar uma regra abstrata e irrestrita para toda e qualquer situação
regulada pelo mencionado art. 32 do CDC, o qual exige a análise concreta a respeito da necessidade
perseguida pelo consumidor.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
No caso analisado, o Tribunal de origem condenou os réus, delegados de polícia, por não
adotarem providências necessárias para a apuração de crimes, não incinerarem entorpecentes e não
destinarem adequadamente armas e munições, além de omissões em boletins de ocorrência.
Dessa forma, nota-se que a narrativa aponta para uma conduta pautada no comodismo e
descompromisso, situações que, embora caracterizem desídia, não evidenciam a satisfação de um
interesse pessoal específico ou um objetivo concreto de vantagem pessoal ou favorecimento indevido.
A ausência de provas objetivas e concretas de que o réu agiu com o propósito de satisfazer
interesse pessoal impede a manutenção da condenação, nos termos da jurisprudência consolidada do
Superior Tribunal de Justiça.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 193
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Não obstante a farta investigação que detectou a propriedade de perfis em redes sociais nos
quais publicava venda de entorpecentes por parte do acusado, fato por ele confessado; da apreensão de
caderno com anotações de tráfico do qual consta o seu nome, além do envio de áudio em um grupo do
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
qual participava no whatsapp, pedindo para que "alguém comprasse suas drogas para deixá-lo forte"; não
houve de fato apreensão de entorpecentes, impondo-se a absolvição do agravado por tal delito.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 21 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
Inicialmente, não se olvida que a pacífica jurisprudência trilhada pelo Superior Tribunal de
Justiça admite que um crime de maior gravidade, assim considerado pela pena abstratamente cominada,
pode ser absorvido, por força do princípio da consunção, por um crime menos grave, quando, repita-se,
utilizado como mero instrumento para consecução de um objetivo final único (AgRg no AREsp n.
100.322/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, julgado em 25/2/2014, DJe de
7/3/2014).
Esta, por certo, constitui a linha de raciocínio (ordinária) sedimentada no enunciado da Súmula
n. 17/STJ, ao advertir ser possível que o crime-meio, quando exaurido no crime-fim, sem mais
potencionalidade lesiva, seja por este absorvido.
Todavia, por tutelarem objetividades jurídicas distintas, não se aplica o princípio da consunção
(como metanorma absolutória, fruto de política criminal) na hipótese em que o crime de "invasão de
domicílio" (destinado a salvaguardar a privacidade, o sossego e a tranquilidade do indivíduo) é seguido ou
até mesmo precedido - de forma "autônoma" - do crime de lesões corporais (ou outro correlato), no
deletério contexto permeado pela violência de gênero (misógina) doméstica ou familiar, com
intransponível topografia normativa albergada pelo microssistema de proteção estatuído nos arts. 5º e 7º,
ambos Lei n. 11.340/2006 e sem qualquer correspondência à situação de progressão criminosa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
secundário do art. 150, § 1º, do Código Penal, determina, de forma cogente e indene de dúvidas, que se o
crime é cometido com o emprego de violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas, ao agente será
cominada a pena de detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
No caso, conforme ressaltado pelo Tribunal de origem, o agente prevalecendo-se das relações
domésticas e de afeto, e com opressão de gênero e violência, adentrou na residência de sua namorada
contra a vontade da ofendida, ao arrombar a porta de entrada com chutes. Na mesma ocasião, motivado
por ciúmes e embriagado, ofendeu a integridade corporal de sua namorada pegando-a pelo pescoço e
causando-lhe as lesões corporais descritas no exame pericial.
Dessa forma, como o crime de violação de domicílio não constituiu meio indispensável de
preparação ou execução da infração penal de lesão corporal, inaplicável o princípio da consunção.
Nesse sentido, já decidiu a Quinta Turma do STJ que "É inviável o reconhecimento da
consunção entre o delito de violação de domicílio e o de lesão corporal no âmbito doméstico quando um
não constitui meio para a execução do outro, mas evidentes infrações penais autônomas, que tutelam
bens jurídicos distintos (AgRg no REsp n. 1.902.294/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma,
julgado em 2/3/2021, DJe de 8/3/2021).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 17/STJ
SAIBA MAIS
Jurisprudência em Teses / DIREITO PENAL - EDIÇÃO N. 114: LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO - II: DOS
CRIMES DE TRÂNSITO
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO RHC 184.507-MT, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
por unanimidade, julgado em 1º/4/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
O acordo de não persecução penal (ANPP), previsto no art. 28-A do Código de Processo Penal
(CPP), consiste em negócio jurídico-processual entre investigado, seu defensor e o Ministério Público.
Dentro desse contexto, a reparação do dano causado à vítima é uma das condições expressamente
previstas no inciso I do referido dispositivo legal, que assim estabelece: reparar o dano ou restituir a coisa
à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo.
No caso, o recorrente foi denunciado pela prática de crime de homicídio culposo na direção
de veículo automotor. Durante a audiência de instrução, o Ministério Público ofereceu proposta de ANPP
ao recorrente, incluindo como condição a reparação mínima de danos morais em favor da família da
vítima falecida, no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), que foi recusado pela defesa, alegando
incapacidade financeira para cumprir a condição de reparação de danos e existência de ação cível em
curso.
Ora, ao não aceitar o ANPP, a defesa técnica poderia ter requerido ao Juízo de primeiro grau a
remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, para
revisão da proposta de acordo, o que não ocorreu.
Conforme salientado no acórdão do Tribunal de origem, houve mera recusa da proposta pela
defesa, sem que tenha sido formulado pedido específico para remessa dos autos ao Procurador-Geral de
Justiça, operando-se, portanto, a preclusão.
Quanto à alegada hipossuficiência financeira do recorrente, esta questão, por si só, não torna
ilegal a proposta formulada pelo Ministério Público. O próprio inciso I do art. 28-A prevê a exceção "na
impossibilidade de fazê-lo", que poderia ser objeto de análise pelo órgão superior ministerial, caso fosse
provocado na forma adequada.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 844
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/28
Informativo de Jurisprudência n. 846 8 de abril de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/28