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Povos Indígenas do Brasil: História e Cultura

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Povos indígenas do Brasil

Os povos indígenas são o grupo que habitava o Brasil antes da chegada dos europeus.
Atualmente, existem cerca de 1,6 milhão de indígenas habitando o território do Brasil.

Os povos indígenas do Brasil são os habitantes originários do território brasileiro e


estavam presentes aqui antes da chegada dos europeus no final do século XV. Existe
uma grande diversidade de povos indígenas no Brasil, e a população de indígenas,
segundo critérios do Censo de 2022, é de aproximadamente 1,6 milhão.

Atualmente, ainda existem uma série de obstáculos na vida dos povos indígenas do
Brasil, como a demora na demarcação das terras indígenas e o desrespeito a essas
demarcações por garimpeiros e madeireiros, que invadem ilegalmente essas terras.

Resumo sobre os povos indígenas do Brasil


• Os indígenas são o grupo de pessoas reconhecidas como descendentes dos povos
que habitavam o Brasil antes da chegada dos europeus.

• Na época da chegada dos europeus, havia de cinco a sete milhões de indígenas no


Brasil.

• Atualmente, a população de indígenas é de 1,6 milhão, segundo dados do Censo


2022.

• Há uma grande diversidade de povos indígenas no Brasil, mas entre os maiores


grupos estão os ianomâmis, os guajajara e os guaranis.

O que são os povos indígenas?


Quando estamos falando dos povos indígenas, estamos falando de um grupo de pessoas
reconhecidas como os primeiros habitantes do Brasil. Os indígenas são os seres
humanos que se estabeleceram no território nacional há milênios e estavam aqui
presentes quando os portugueses chegaram, em 1500.

Não se sabe com precisão a população de indígenas no Brasil quando os portugueses


aqui chegaram, mas as estimativas mais aceitas trabalham com a possibilidade de que
havia de cinco a sete milhões de indígenas no território brasileiro. Infelizmente, o número
de indígenas atualmente em nosso país é sensivelmente menor.

Segundo o Censo de 2022, o total de pessoas que se autodeclararam indígenas foi


de 1.693.353. A autodeclaração, como percebemos, é o método utilizado no Censo para
identificar os indígenas em nosso país e essa quantia representa cerca de 0,83% da
população brasileira. O trabalho de censo da população indígena também é realizado com
um monitoramento feito pelo IBGE e pela Funai.

A autodeclaração, por sua vez, não é utilizada pela Organização das Nações
Unidas como forma de identificar quem são os povos indígenas. O entendimento dessa
organização segue uma definição estabelecida em 1986. Segundo entendimento da ONU:

As comunidades, os povos e as nações indígenas são


aqueles que, contando com uma continuidade histórica
das sociedades anteriores à invasão e à colonização
que foi desenvolvida em seus territórios, consideram a
si mesmos distintos de outros setores da sociedade, e
estão decididos a conservar, a desenvolver e a
transmitir às gerações futuras seus territórios ancestrais
e sua identidade étnica, como base de sua existência
continuada como povos, em conformidade com seus
próprios padrões culturais, as instituições sociais e os
sistemas jurídicos.|1|

Além disso, outros fatores podem ser utilizados para identificar os indígenas de
acordo com esse método. Alguns desses fatores são:

• continuidade histórica: isto é, descendência direta de povos que habitavam aqui


antes da chegada dos europeus;

• cultura: leva-se em consideração também as características culturais, como


práticas, tradições, idiomas e crenças;

• autoidentificação: a pessoa tem de se autoidentificar como diferente daquela


sociedade em que está inserida.

Outros fatores são:

• vinculação histórica com o território;

• existência de sistemas sociais distintos da sociedade nacional,


• vinculação com outros indígenas.|1|

Um ponto muito importante quando falamos dos indígenas no Brasil é a


grande diversidade cultural e étnica desses povos. Estima-se que existam mais de 300
etnias atualmente no território brasileiro e mais de 250 línguas são faladas. Infelizmente,
uma parte considerável desses povos e desses idiomas está sob risco de desaparecer
permanentemente.

Confira no nosso podcast: Precisamos falar sobre os povos indígenas

Os indígenas são obrigados a viver isolados?


Não. O fato de uma pessoa se identificar como indígena ou ser identificada como tal não
a obriga a nada. Sendo assim, é um direito de cada indivíduo indígena viver da forma
como quiser, ou seja, isolado ou próximo da sociedade brasileira. Assim, um indígena tem
direito de escolher se ele viverá com sua comunidade em uma aldeia, ou se ele viverá
integrado na sociedade.

O fato de ele viver isolado ou integrado também não altera em nada o direito dos
indígenas de lutarem pela preservação de sua cultura e pela preservação de suas terras.
Outro ponto importante é que o fato de uma pessoa ser identificada como indígena não
lhe tira o direito de fazer uso da tecnologia presente em nossa sociedade.

Portanto, um indígena tem total direito de usar qualquer tecnologia e falar o idioma
português, o que não afeta em absolutamente nada a sua identidade enquanto indígena.
Assim, lembre-se de que um indígena tem direito de viver como quiser, defender seu povo
e fazer uso de qualquer tecnologia. Qualquer pensamento que seja diferente disso é fruto
de preconceito e desconhecimento.

De onde vieram os povos indígenas?


A chegada do ser humano ao Brasil se explica pela chegada do ser humano ao continente
americano e, uma vez que isso aconteceu, as migrações foram trazendo levas de grupos
humanos para o território de nosso país.

Atualmente, a teoria que ainda é a mais aceita fala que os humanos chegaram ao
continente americano por meio de migrações terrestres. Essas migrações terrestres
aconteceram por meio do Estreito de Bering, que separa o Alasca da Rússia. Isso foi
possível porque essas migrações teriam ocorrido no período da glaciação, havendo,
portanto, uma passagem que ligava as duas regiões.

No contexto do território brasileiro, as evidências mais precisas apontam que a presença


humana remonta há 12 mil anos antes do presente. Essa penetração, segundo o
geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber, aconteceu na Amazônia, pois a região possuía vastos
corredores de clima semiárido, o que facilitava a locomoção.
No entanto, uma descoberta desafia os pesquisadores. Existem vestígios arqueológicos
que apontam da possibilidade de presença humana na região do atual Piauí há cerca de
43 mil anos antes do presente. Porém, os pesquisadores não possuem outra evidência
que sustente esse fato.

Povos indígenas atualmente

Como mencionado, o Censo de 2022 apontou para o fato de que cerca de


1,6 indígenas vivem no Brasil, sendo eles originários de mais de 300 etnias. Os
povos indígenas do Brasil são catalogadas dentro de quatro grandes troncos étnicos:
aruak, karib, macro-jê e tupi. É importante mencionar que nem todos os povos indígenas
do Brasil podem ser classificados dessa forma

A diversidade dos povos indígenas significa que cada povo desse pode ter um idioma
diferente, assim como formas distintas de organizar-se social, política e economicamente,
além de ter tradições e crenças religiosas diferentes. O contrário também pode acontecer
e podem existir pontos em comum entre diferentes povos indígenas.

Em sua grande parcela, os indígenas vivem em tribos e sobrevivem por meio do cultivo de
alimentos, bem como da caça e pesca. Alguns povos vivem totalmente isolados da
sociedade nacional, enquanto outros são mais receptivos. Entre os maiores povos
indígenas presentes no Brasil, podem ser citados:

• guajajara,

• terena,

• guarani,

• kaiowá,
• ianomâmi, entre outros.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, os indígenas têm direito à demarcação


de suas terras, e a obrigação dessa demarcação é do Estado brasileiro, tendo de ser
realizada em diálogo com os indígenas. Entretanto, muitos povos indígenas ainda não
tiveram seus direitos respeitados pelo Estado brasileiro e não tiveram suas terras
demarcadas.

Mesmo os povos indígenas que tiveram suas terras demarcadas, como os ianomâmis,
sofrem bastante. Isso porque é bastante comum que as terras ianomâmis sejam
invadidas por garimpeiros e madeireiros, grupos que procuram explorar irregularmente
os recursos daquelas terras.

A invasão de terras demarcadas tem trazido morte aos indígenas, que são
constantemente ameaçados pelos invasores. A ameaça à vida dos povos indígenas no
território brasileiro tem sido tão grande nos últimos anos que o Brasil foi mencionado na
ONU como um caso de possível genocídio se os crimes contra essas populações não
forem controlados.

O caso dos ianomâmis, novamente, é simbólico. Isso porque em 2023 foi identificada
uma grande tragédia humanitária em curso nas terras habitadas pelos ianomâmis.
Entre 2019 e 2022, cerca de 570 crianças morreram de fome ou por doenças que
poderiam ter sido tratadas. Houve denúncias de que pedidos de socorro para a situação
ianomâmi tenham sido realizados ao governo Bolsonaro, mas foram ignorados. Essa
situação foi causada pela invasão das terras ianomâmis pelo garimpo ilegal.

Confira no quadro a seguir como acontece a distribuição dos povos indígenas por região
do Brasil.

População Parcela da população indígena total do


Região
indígena Brasil
Norte 753.357 44,48%
Nordeste 528.800 31,22%
Centro-Oeste 199.912 11,80%
Sudeste 123.369 7,28%
Sul 88.097 5,20%

Resumo sobre a cultura indígena


•A cultura indígena está no modo de ser e de fazer típicos dos povos indígenas que se
reconhecem (e são reconhecidos) como tais.

•As culturas indígenas se expressam em pinturas corporais, entalhes em madeira e


cerâmica, danças, rituais, festivais etc.
•As influências da cultura indígena se refletem na culinária, medicina tradicional, e
práticas agrícolas sustentáveis.

•Podemos aprender sobre a cultura indígena visitando os povos indígenas ou lendo


estudos acadêmicos e obras literárias.

•A preservação e o respeito por essas tradições contribuem para uma sociedade mais
inclusiva e consciente.

As diversas populações indígenas possuem costumes variados. Mas, na alimentação,


muitas se destacam pela produção de mandioca, da qual produzem o beiju, e também a
produção do milho, com o qual fazem pamonha.

Constroem habitações de madeira e palha chamadas “ocas”, onde podem viver uma ou
mais famílias. Geralmente, o líder guerreiro é o cacique, enquanto o chefe espiritual é o
pajé.

Por outro lado, a arte plumária possui funções mais decorativas (cocares e braceletes) e,
via de regra, é restrita aos homens.
O povo Tuxá vive principalmente na cidade de Rodelas, em uma aldeia urbana de mais de
60 casas. Além da aldeia na cidade, os Tuxá ocupavam diversas ilhas e em especial a
Ilha da Viúva, no Rio São Francisco, que constituia seu exíguo território agrícola. A Ilha da
Viúva foi submersa pela construção da hidrelétrica de Itaparica.
Com suas terras tradicionais inundadas, os Tuxá foram transferidos para três áreas, um
grupo vivendo nos limites dos municípios de Ibotirama (Área Indígena Tuxá de Ibotirama),
outro no município de Rodelas (Áreas Indígenas Tuxá de Rodelas e Nova Rodelas),
ambos no estado da Bahia, e outro à margem direita do rio Moxotó, junto aos limites do
município pernambucano de Inajá, onde se situa a Terra Indígena Tuxá da Fazenda Funil.
“É desconhecida a filiação lingüística dos Tuxá, supondo-se que a sua língua original
fosse uma língua isolada.” (Anaí, 1981)
“Identificando-se como “tribo Tuxá, nação Proká, caboclos arco e flecha e maracá”, os
atuais Tuxá parecem constituir uma das últimas das diversas etnias reunidas a partir do
século XVII nas várias missões que se estabeleceram ao longo do curso do Baixo-médio
São Francisco. A memória Tuxá registra particularmente episódios ligados à ocupação
holandesa, destacando a figura de Francisco Rodelas, considerado o seu primeiro
cacique, e que teria lutado ao lado de Felípe Camarão.” (Anaí, 1981)
“O ‘Toré’ e o ‘particular’ são as formas rituais encontradas entre os Tuxá e que se
constituem em mecanismos diferenciadores frente à sociedade nacional. A primeira é uma
manifestação pública e coletiva, aberta à participação de todos os índios, sem distinção
de idade e sexo.. Durante a sua realização, os cânticos e a dança são acompanhados da
ingestão de jurema e do uso de cachimbos rituais, de madeira ou barro, e de um apito
especial de madeira para atrair as forças protetoras da ‘aldeia’. O ‘Particular’ constitui uma
cerimônia mais fechada, realizada fora dos limites da cidade, vedado a qualquer
participação de pessoas não envolvidas com o ritual, restrito aos adultos Tuxá casados,
homens e mulheres. A utilização de jurema e fumo é bem mais intensa nestas ocasiões,
que ocorrem regularmente a cada duas semanas. (Anaí, 1981)
Em nível de participação nos eventos de caráter regional, os Tuxâ promovem a ‘primeira
noite’ de novenas, por ocasião da festa de São João Batista, padroeiro de Rodelas.”
(Anaí, 1981)

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