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Burnout em Médicos Residentes: Estudo 2023

O estudo analisou o perfil sociodemográfico, condições de trabalho e fatores associados à Síndrome de Burnout em 141 médicos residentes do Hospital Universitário da UFMA, revelando uma prevalência de 75,7% de Burnout em pelo menos uma das dimensões avaliadas. Os resultados indicam a necessidade de suporte emocional e psicológico para esses profissionais, visando melhorar sua qualidade de vida e a relação com os pacientes. A pesquisa destaca a pressão enfrentada pelos médicos residentes devido às exigências acadêmicas e profissionais, contribuindo para a exaustão emocional.

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Burnout em Médicos Residentes: Estudo 2023

O estudo analisou o perfil sociodemográfico, condições de trabalho e fatores associados à Síndrome de Burnout em 141 médicos residentes do Hospital Universitário da UFMA, revelando uma prevalência de 75,7% de Burnout em pelo menos uma das dimensões avaliadas. Os resultados indicam a necessidade de suporte emocional e psicológico para esses profissionais, visando melhorar sua qualidade de vida e a relação com os pacientes. A pesquisa destaca a pressão enfrentada pelos médicos residentes devido às exigências acadêmicas e profissionais, contribuindo para a exaustão emocional.

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PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, CONDIÇÕES DE TRABALHO E FATORES ASSOCIADOS À


SÍNDROME DE BURNOUT EM MÉDICOS RESIDENTES

Sociodemographic profile, working conditions and factors associated with Burnout syndrome in
resident medical doctors

Cícero Ricardo Machado de Matos1, Cícera Fabiane Ferreira de Matos Mendonça2, Sâmia
Jamile Damous Duailibe de Aguiar Carneiro Coelho3
1,3
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento
de Medicina I, São Luís – MA. 2Instituto de Educação Médica (IDOMED), Juazeiro do Norte – CE.

Resumo
Introdução: Síndrome de Burnout é um termo utilizado para explicar o sofrimento do indivíduo no
ambiente de trabalho. Está associada à diminuição ou perda da motivação e alto grau de insatisfação
decorrentes da exaustão física e psicológica. Acomete principalmente profissionais que mantêm uma
estreita relação de ajuda a outras pessoas, como é o caso dos profissionais das áreas biomédicas.
Médicos residentes estão suscetíveis ao burnout, uma vez que vivenciam uma dualidade de papéis
enfrentando cobranças de seus preceptores, dos pacientes, da sociedade e de si mesmos. Objetivo:
Analisar o perfil sociodemográfico, as condições de trabalho e os fatores associados à Síndrome de
Burnout em Médicos Residentes do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, São
Luís, em 2015. Método: Estudo transversal, descritivo e observacional. Foram utilizados dois
questionários autoaplicáveis: o primeiro contendo informações sociodemográficas, o segundo, o
Maslasch Burnout Inventory, que identifica os fatores associados à Síndrome de Burnout. As análises
estatísticas foram realizadas utilizando-se o software IBM SPSS Statistics 20.0. A pesquisa foi aprovada
pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da UFMA. Resultados: A pesquisa envolveu
141 médicos residentes, sendo 51,8% do sexo feminino, solteiras, com idade entre 26-30 anos,
formadas há 3 anos ou menos, no primeiro ano de residência, sendo a Pediatria a principal
especialidade. A prevalência de Burnout com escore alto em uma das três dimensões foi de 75,7%.
Conclusão: Sugere-se suportes emocional e psicológico para o médico residente no Hospital
Universitário. Essa prática, além de reduzir os elevados índices de Síndrome de Burnout encontrados,
poderá contribuir para melhoria da qualidade de vida, dos processos de humanização e da relação
médico-paciente.
Palavras-chave: Síndrome de Burnout. Saúde do Trabalhador. Residência Médica.

Abstract
Background: Burnout Syndrome is a term used to explain a person’s suffering in the workplace. It’s
associated to the reduction or the lack of motivation, as well as a high level of dissatisfaction due to
physical and psychological exhaustion. It mostly attacks professionals who keep a narrow helping
relationship with other people, like professionals in the biomedical field. Resident doctors are likely
to suffer occupational burnout since they play a dual role, facing pressure from their preceptors,
patients, society and from themselves. Objective: To analyze the sociodemograhic profile, the work
conditions and factors associated to burnout syndrome in resident doctors at the University Hospital
of the Federal University of Maranhão (HU-UFMA), São Luís, in 2015. Methods: Transversal, descriptive
and observational study. Two self-applicable questionnaires were used: the first contained
sociodemographic information; and the second, Maslasch Burnout Inventory, identifies the factors
associated to occupational burnout. Statistical analyses were carried using the software IBM SPSS
Statistics 20.0. The research was approved by the Research Ethical Committee of the HU-UFMA.
Results: The research involved 141 resident doctors, of who 51,8% were 26-30 years old single women,
graduated in the last three years, in the first year of residence. Pediatrics was the main specialty
among the respondents. The prevalence of Burnout with high score in one of the three dimensions
was 75,7%; with high score in the three dimensions was 12,1%. High levels in the dimensions which
were distinctly analyzed was 60,3% in the Emotional Exhaustion, 31,2% in the Depersonalization and
36,7% in the Reduction of Professional Accomplishment. There was a significant association between

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Emotional Exhaustion and specialty, as well as residence year. Conclusion: We suggest emotional and
psychological support to the resident doctor in the HU-UFMA. This practice can not only reduce the
high index of burnout syndrome among the professionals, but also contribute to an improvement of
life quality, humanization processes and the relationship between doctors and patients.
Keywords: Burnout syndrome; Worker health; Medical residency.

Introdução
O trabalho é uma atividade específica do homem que funciona como fonte de construção,
satisfação, riqueza, bens materiais e serviços úteis à sociedade humana 1. É o resultado de esforço,
de dispêndio de energia física e mental, produz bens e serviços, além de satisfazer as necessidades
individuais e o bem-estar pessoal, contribuindo para manutenção e desenvolvimento da sociedade
como um todo2. Dejours (1992) afirmava que o trabalho nem sempre possibilita realização
profissional. Pode, ao contrário, causar problemas desde insatisfação até exaustão 3.
O processo saúde-doença também é construído no trabalho, pois é aí que o sujeito reafirma
sua autoestima, desenvolve suas habilidades, expressa suas emoções e personalidade, sendo também
um espaço de construção da história e identidade do indivíduo. O ambiente laboral pode produzir
doenças ocupacionais, comprometendo a saúde física e mental do trabalhador 4.
Considerando que o ser humano é uma dualidade funcionando numa unidade, o corpo produz
mudanças na mente e esta age sobre o corpo. Atualmente, a vida repleta de estresse, agitação e
preocupações é fonte constante de perturbações e doenças psicossomáticas 5.
Dentre as inúmeras consequências psíquicas ocasionadas por problemas ocupacionais surgiu a
Síndrome de Burnout ou Síndrome da Estafa Profissional, um termo utilizado para explicar o
sofrimento do homem no ambiente de trabalho, associado à diminuição ou perda da motivação e alto
grau de insatisfação, decorrentes da exaustão física e psicológica.
Burnout é uma palavra inglesa que pode ser traduzida como “queima após desgaste”. Refere-
se a algo que deixou de funcionar por exaustão. O dicionário define to burn out como “se tornar
exausto após excessiva demanda de energia ou força”. O termo passou a ser usado como metáfora,
para explicar o sofrimento do homem em seu ambiente de trabalho, associado a uma perda de
motivação e alto grau de insatisfação decorrentes dessa exaustão6. A Síndrome de Burnout foi
descrita pela primeira vez pelo médico Herbert Freudenberger, no ano de 1974, em um artigo
intitulado Staff Burnout para a Revista de Psicologia, que o descreveu como um “incêndio interno”
resultante da tensão produzida pela vida moderna, afetando negativamente a relação subjetiva com
o trabalho7.
Esta síndrome constitui um quadro bem definido, agrupado em três dimensões: Exaustão
Emocional; Despersonalização ou Cinismo, e Redução da Realização Profissional, todos ligados
intrinsecamente ao contexto laboral. A Exaustão Emocional é considerada o conjunto de sintomas
mais proeminente da síndrome8 e caracteriza-se por fadiga e esgotamento profissional 9,10,11 e
negativismo12 fazendo com que o indivíduo sinta que está sendo muito exigido e debilitado nos seus
recursos emocionais; frieza, dureza no contato com seus clientes/pacientes e colegas são os sintomas
característicos da dimensão Despersonalização9,10,11; já sentimentos de incompetência e percepção
de um desempenho insatisfatório que pode, em seu estágio final, levar o trabalhador ao abandono do
trabalho, são característicos da dimensão de Reduzida Realização Profissional 9,11,13.
A instalação da síndrome de burnout ocorre de maneira lenta e gradual acometendo o
indivíduo progressivamente. Distinguem-se três momentos para a manifestação da síndrome.
Inicialmente, as demandas de trabalho são maiores que os recursos materiais e humanos, o que gera
um estresse laboral no indivíduo. Neste momento, o que é característico é a percepção de uma
sobrecarga de trabalho, tanto qualitativa quanto quantitativa. No segundo momento, ocorre o
enfrentamento defensivo, ou seja, o sujeito produz mudanças de conduta com a finalidade de
defender-se das tensões experimentadas ocasionado comportamentos de distanciamento emocional,
absenteísmo, cinismo e rigidez. E, finalmente, evidencia-se um esforço do indivíduo em adaptar-se e
produzir uma resposta emocional ao desajuste percebido. Aparecem então, sinais de fadiga, tensão,
irritabilidade e até mesmo, ansiedade. Essa etapa exige uma adaptação psicológica do sujeito, a qual
reflete em seu trabalho, reduzindo o seu interesse e a responsabilidade pela sua função14.
As causas do burnout não são conhecidas, mas há pelo menos três hipóteses para seu
desencadeamento: 1) resulta do estresse crônico no ambiente de trabalho e da falta de recursos
(psicológicos) para lidar com a situação – enfatiza-se, nesta hipótese, a pressão e a sociedade; 2)
resulta da inadequação do indivíduo ao ambiente organizacional, geralmente indivíduos mais
idealistas e altamente motivados; quando percebem que seus esforços não são suficientes para
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alcançar seus objetivos desistem do que fazem e/ou sofrem com esta situação – enfatizam-se, neste
caso, questões individuais, pessoais; e, 3) resulta da inadequação do indivíduo (pessoa) com o
ambiente de trabalho – enfatiza-se aqui, as interações do indivíduo e seu meio social15.
Os grupos profissionais de maior risco são os trabalhadores que mantêm uma estreita relação
de ajuda a outras pessoas16 como é o caso, além de outros exemplos, dos profissionais das áreas
biomédicas. Segundo Pines, somente indivíduos que atribuem grande significado a seu trabalho são
suscetíveis ao burnout, pois estão envolvidos de forma intensa com o que realizam, podendo sofrer
uma ruptura da adaptação no confronto com os estressores; já os profissionais com menor grau de
envolvimento com suas atividades laborais, sem grandes expectativas em relação a elas, sofreriam de
estresse ocupacional6.
Com relação ao ambiente de trabalho do médico em particular, destacam-se alguns agentes
estressores que elevariam a possibilidade da ocorrência do burnout: demandas excessivas que
diminuem a qualidade do atendimento, grandes jornadas de trabalho, numerosos plantões, baixa
remuneração, necessidade de lidar com sofrimento e morte, e exposição constante ao risco, entre
outros. Sabe-se ainda que os médicos englobam um grupo de profissionais da saúde que buscam o
perfeccionismo, sendo, muitas vezes, irredutíveis em suas atitudes e compulsivos na tentativa de
garantir a excelência das suas ações. Além disso, deve-se considerar a grande cobrança da sociedade,
que espera do médico um profissional infalível, gerando uma pressão por vezes insustentável no
profissional17.
Médicos residentes poderiam estar ainda mais suscetíveis ao burnout, uma vez que vivenciam
uma dualidade de papéis e enfrentam uma série de cobranças por parte de seus preceptores, da
sociedade e de si mesmos. Por um lado, são cobrados como alunos em aprendizado, devendo cumprir
jornadas extenuantes e tarefas obrigatórias; por outro, devem agir como profissionais completos, de
quem se exigem responsabilidade, competência e eficiência 18.
Apesar da grande quantidade de estudos nessa temática, a síndrome de burnout ainda é
desconhecida de grande parte dos profissionais de saúde. São necessárias divulgações mais enérgicas,
pois, se esses profissionais desconhecem as manifestações e as causas, não podem buscar formas
efetivas de tratamento, bem como prevenção e intervenção precoces.

Objetivo
Analisar o perfil sócio demográfico, as condições de trabalho e os fatores associados à
Síndrome de Burnout em Médicos Residentes do Hospital Universitário da Universidade Federal do
Maranhão (HUUFMA), São Luís - MA, em 2015.

Método
Tipo de estudo
Trata-se de um estudo transversal, descritivo e observacional, no qual foi analisado o perfil
sócio demográfico, as condições de trabalho e os fatores associados à Síndrome de Burnout em
médicos residentes do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA).

Local de estudo e amostra


O local de estudo foi o HUUFMA nas Unidades Presidente Dutra e Materno Infantil, localizado
na cidade de São Luís – MA. A amostra foi composta de 141 médicos residentes matriculados em
fevereiro de 2016 no Programa de Residência Médica do HUUFMA. Apenas para a análise relacionada
à Síndrome de Burnout foram considerados válidos um total de 140 residentes pois um deles foi
excluído por ter respondido em duplicidade as alternativas presentes nesta parte do questionário.

Critérios de inclusão e exclusão


Na escolha dos informantes da pesquisa, foram incluídos: Todos os médicos residentes
matriculados no mês de Fevereiro de 2016 no Programa de Residência Médica do HUUFMA que
aceitaram, voluntariamente, participar da Pesquisa, mediante assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE), em anexo. Para critério de exclusão, selecionou-se: os residentes que não
foram localizados (devido a férias, licença maternidade ou estarem no mês de estágio eletivo em
outra Unidade de Saúde), aqueles que não aceitaram participar voluntariamente da pesquisa, aqueles
que responderam incorretamente aos questionários e aqueles não assinaram o TCLE.

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Coleta de dados
Após a aprovação do Projeto pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do HUUFMA, deu-se início
a coleta de dados. Esta foi realizada durante o mês de fevereiro de 2016, nas Unidades Presidente
Dutra e Materno Infantil. A abordagem dos médicos residentes foi feita aleatoriamente antes ou após
a visita destes às Enfermarias e Ambulatórios de Especialidades Médicas ou após as Sessões de Casos
Clínicos e Reuniões Mensais dos residentes junto à Comissão de Residência Médica (COREME). A
aplicação foi individual ou coletiva e, antes da distribuição do instrumento, foram prestados
esclarecimentos sobre os objetivos da pesquisa, o anonimato das respostas, a participação facultativa
e os benefícios esperados. Foram prestadas orientações sobre o preenchimento do questionário, que
era autoaplicável. O questionário juntamente com o TCLE encontra-se em anexo.

Instrumentos e processo
Para a coleta de dados foi aplicado um questionário padronizado, que foi respondido pelo
próprio médico, após concordar em participar da pesquisa e assinar o TCLE. O instrumento apresentou
dois blocos de questões:
1 - Identificação geral e Perfil socioeconômico: Destinado a caracterizar os indivíduos quanto
às características sociodemográficas. As variáveis de estudo foram: gênero, idade, estado civil, tempo
de formado, especialidade médica à qual o médico residente está vinculado, ano da Residência Médica
que está cursando no momento, outras atividades remuneradas que o médico residente possa exercer,
frequência de plantões dados por semana fora da Residência Médica, responsabilidade financeira
eventual do médico residente. 2 - Avaliação do nível de Burnout por meio de perguntas baseadas no
Maslach Burnout Inventory (MBI), de Christina Maslach e Susan Jackson (elaborado em 1978) em sua
versão brasileira, traduzido e validado por Carlotto e Câmara, em 2004.
O Questionário MBI é composto por 22 afirmações sobre sentimentos e atitudes que englobam
as três dimensões fundamentais da síndrome de Burnout. São divididos em três escalas de sete pontos,
que variam de 0 a 6, onde 0 corresponde a Nunca e 6 a Todos os dias. O MBI é composto por três sub-
escalas que avaliam: EE (Exaustão Emocional), DE (Despersonalização) e RP (baixa Realização
Profissional). A exaustão profissional será avaliada por 9 itens (1, 2, 3, 6, 8, 13, 14, 16 e 20), a
despersonalização por 5 itens (5, 10, 11, 15 e 22) e a realização profissional por 8 itens (4, 7, 9, 12,
17, 18, 19 e 21). Para a exaustão emocional, uma pontuação maior ou igual a 27 indica alto nível; de
17 a 26, nível moderado; e menos que 16, nível baixo. Para despersonalização, pontuações iguais ou
maiores que 13 indicam alto nível, de 7 a 12 moderado e menores de 6, nível baixo. A pontuação
relacionada à redução da realização profissional vai em direção oposta às demais, uma vez que
pontuações de zero a 31 indicam alto nível, de 32 a 38, nível moderado e maior ou igual a 39, baixo.
Descreveremos os resultados interpretados pelo questionário de Maslach segundo os critérios de
Ramirez et al. (1996) 19 e os critérios de Grunfeld et al. (2000) 20, sendo que o primeiro define Burnout
pela presença das três dimensões em níveis altos, enquanto que o segundo aceita apenas uma
dimensão, independente de qual seja, para fazer o diagnóstico da síndrome.
Os questionários de Identificação Geral/Perfil socioeconômico e Fatores estressantes
associados ao trabalho foram elaborados pelo pesquisador de acordo com levantamento e
conhecimento prévios dos principais elementos responsáveis pelo esgotamento físico e mental dos
médicos residentes no local de trabalho.

Análise estatística
Os dados foram avaliados utilizando-se o software IBM SPSS Statistics 20.0 (2011).
Inicialmente, foi feita a análise descritiva dos dados através dos gráficos e tabelas de frequência das
variáveis analisadas. Das variáveis numéricas, foi feita a estatística descritiva, tais como, as
estimativas do mínimo, máximo, média e desvio-padrão. Posteriormente, para se avaliar a associação
das variáveis sociodemográficas e dos fatores estressantes com as classificações para Síndrome de
Burnout de acordo com os critérios de Ramirez et al. (1996) ou de Grunfeld et al. (2000), foi feita
pelo teste não paramétrico de qui-quadrado de independência (2). O nível de significância em todos
os testes foi 5%, ou seja, será considerado significativo quando p < 0,05.

Aspectos éticos da pesquisa


A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da
Universidade Federal do Maranhão, no dia 28 de Dezembro de 2015, com o Número do Parecer
1.381.954, seguindo as exigências estabelecidas pela Resolução 466 de 2012 e Norma Operacional 001

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de 2013 do Conselho Nacional de Saúde e suas complementares, que trata da pesquisa com seres
humanos.

Resultados
Do total de médicos residentes inseridos no Programa de Residência Médica do HUUFMA
regularmente matriculados durante o período da pesquisa, conseguiu-se uma amostra de 141,
correspondendo a 86% do total. Destes, 73 (51,8%) eram do sexo feminino, e 68 (48,2%) do sexo
masculino. A média de idade entre os residentes foi de 29,1 anos, sendo que grande parte deles
(58,9%) possui entre 26 e 30 anos. Foi excluído desta análise um questionário devido ao residente ter
respondido de forma ilegível a pergunta referente à idade. Quanto à modalidade de ingresso na
residência médica cursada pelos médicos entrevistados, 106 (75,2%) possuíam acesso direto e as
principais especialidades listadas foram Pediatria (14,9%), Clínica Médica (14,2%), Ginecologia e
Obstetrícia (12,8%) e Cirurgia Geral (10,6%).

TABELA 1a
SOCIODEMOGRÁFICO N % SOCIODEMOGRÁFICO N %
SEXO (GÊNERO) ÁREA DE ATUAÇÃO
Feminino 73 51,8 Aparelho Digestivo 2 1,4
Masculino 68 48,2 Anestesiologia 9 6,4
Cirurgia Geral 15 10,6
IDADE Clínica Médica 20 14,2
< 26 16 11,3 Cardiologia 3 2,1
26-30 83 58,9 Coloproctologia 2 1,4
31-35 34 24,1 Endocrinologia 7 5
> 35 7 5 Endoscopia Digestiva 1 0,7
Ignorado 1 0,7 Gastroenterologia 4 2,8
Ginecologia e Obstetrícia 18 12,8
ESTADO CIVIL Intensiva Pediátrica 1 0,7
Solteiro 78 55,3 Nefrologia 2 1,4
Casado 57 40,4 Neonatologia 8 5,7
Divorciado 4 2,8 Oftalmologia 6 4,3
Outros 2 1,4 Ortopedia 7 5
Patologia 2 1,4
MODALIDADE DE INGRESSO Pediatria 21 14,9
Acesso direto 106 75,2 Radiologia 5 3,5
Com pré-requisito 35 24,8 Urologia 6 4,3
Cirurgia Vascular 2 1,4

Em relação ao tempo de formado, 40 residentes (28,4%) possuíam entre dois e 2,9 anos de
formado e apenas nove residentes (6,4%) encontravam-se há mais de sete anos do término da
graduação em Medicina. Quarenta e seis médicos, ou seja, 32,6% do total encontravam-se no primeiro
ano da residência médica (R1), seguido de 29,1% no segundo ano (R2) e de 24,8% no terceiro ano (R3).
Quando indagados se realizavam alguma atividade remunerada além da residência médica, a maioria
dos residentes (87,9%) respondeu que sim, sendo que 59,6% realizavam de um a dois plantões de 12
horas semanais. A maior parte dos residentes (54,6%) respondeu que não possui responsabilidade
financeira por terceiros e, dentre os que detêm, 54,7% auxilia financeiramente a outros familiares.

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TABELA 1b
SOCIODEMOGRÁFICO N % SOCIODEMOGRÁFICO N %
QUANTIDADE DE PLANTÕES
TEMPO DE FORMADO
EXTRAS POR SEMANA
1 - 1,9 16 11,3 0 17 12,0
2 - 2,9 40 28,4 1-2 84 59,6
3 - 3,9 31 22 3-4 30 21,3
4 - 4,9 21 14,9 >4 8 5,7
5 - 5,9 18 12,8 Ignorado 2 1,4
6 - 6,9 6 4,3
RESPONSABILIDADE FINANCEIRA
≥7 9 6,4
SOBRE TERCEIROS
Não 77 54,6
ANO DA RESIDÊNCIA Sim 64 45,4
R1 46 32,6
R2 41 29,1 QUEM (n=64)*
R3 35 24,8 Filho (a) 24 37,5
R4 16 11,3 Parceiro (a) 21 32,8
R5 3 2,1 Outros Familiares 35 54,7

TRABALHO FORA DA RESIDÊNCIA


Não 17 12,1
Sim 124 87,9
*múltiplas respostas

Em relação à Síndrome de Burnout, a prevalência de escore alto em uma das três dimensões
do MBI segundo os critérios de Grunfeld et al. (2000) foi de 75,7%; a prevalência de escore alto nas
três dimensões de acordo com os critérios de Ramirez et al.(1996) foi de 12,1%; e a prevalência de
escore alto em cada uma das três dimensões analisadas separadamente foi de 60,3% para Exaustão
Emocional, 31,2% para Despersonalização e 37,6% para Redução da Realização Profissional. Foram
considerados, para a análise do MBI, 140 dos 141 médicos residentes que concordaram em participar
porque um questionário foi respondido de forma incorreta e, por isso, foi necessária a sua exclusão.

TABELA 2
MASLACH BURNOUT INVENTORY (MBI) N %
EXAUSTÃO EMOCIONAL
Baixo 16 11,3
Moderado 39 27,7
Alto 85 60,3
Ignorado 1 0,7

DESPERSONALIZAÇÃO
Baixo 55 39,0
Moderado 41 29,1
Alto 44 31,2
Ignorado 1 0,7

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REDUÇÃO DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL


Baixo 43 30,5
Moderado 44 31,2
Alto 53 37,6
Ignorado 1 0,7

CLASSIFICAÇÃO DE RAMIREZ (n= 140)


Normal 123 87,9
S. Burnout 17 12,1

CLASSIFICAÇÃO DE GRUNFELD (n=140)


Normal 34 24,3
S. Burnout 106 75,7

Os médicos residentes apresentaram como os principais fatores estressantes encontrados no


âmbito do Hospital Universitário a Remuneração da Residência Médica (96,5%) e a Falta de Recursos
Materiais (96,5%), seguido da Jornada de Trabalho (85,8%) e o Ritmo Acelerado das Atividades
Profissionais (77,3%). Os fatores que foram menos citados como estressantes foram a Relação com os
demais Residentes (14,9%), a Relação com a Equipe Multidisciplinar (17%) e a Pressão por parte dos
pacientes e seus familiares para a Alta Hospitalar (30%).

TABELA 3
FATORES ESTRESSANTES N % FATORES ESTRESSANTES N %
LIDAR COM O SOFRIMENTO DAS
JORNADA DE TRABALHO
PESSOAS E A MORTE
Não 20 14,2 Não 45 31,9
Sim 121 85,8 Sim 96 68,1
REMUNERAÇÃO DA RESIDÊNCIA LIDAR COM A COMUNICAÇÃO DE
MÉDICA NOTÍCIAS DIFÍCEIS
Não 5 3,5 Não 57 40,4
Sim 136 96,5 Sim 84 59,6
POSSIBILIDADE DE
FALTA DE RECURSOS MATERIAIS COMPLICAÇÕES NO
ATENDIMENTO
Não 5 3,5 Não 47 33,3
Sim 136 96,5 Sim 94 66,7
QUANTIDADE DE PACIENTES POR CUIDADO COM O PACIENTE
MÉDICO TERMINAL
Não 55 39 Não 64 45,4
Sim 86 61 Sim 77 54,6
PRESSÃO PARA DAR ALTA
HOSPITALAR
PRESSÃO PSICOLÓGICA POR
PARTE DO STAFF RESPONSÁVEL Não 98 69,5
POR VOCÊ
Não 71 50,4 Sim 43 30,5

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RELAÇÃO COM A EQUIPE


Sim 70 49,6
MULTIDISCIPLINAR
Não 117 83
LIDAR COM HIERARQUIA
PROFISSIONAL DENTRO DO HU E Sim 24 17
DA RESIDÊNCIA MÉDICA
RELAÇÃO COM OS DEMAIS
Não 79 56
RESIDENTES
Sim 62 44 Não 120 85,1
Sim 21 14,9
LIDAR COM DIVERSAS QUESTÕES RITMO ACELERADO DAS
SIMULTANEAMENTE ATIVIDADES PROFISSIONAIS
Não 45 31,9 Não 32 22,7
Sim 96 68,1 Sim 109 77,3

Quanto ao Número de Fatores Estressantes assinalados pelos residentes na Parte III do


Questionário, 13,5% (19 do total) marcaram nove fatores e apenas 2,1% (três residentes) apresentaram
três como importantes elementos de estresse no dia a dia. Nenhum residente assinalou um ou dois
fatores como determinantes para o estresse.

TABELA 4
NÚMERO DE FATORES ESTRESSANTES N %
3 3 2,1
4 5 3,5

5 12 8,5
6 16 11,3
7 10 7,1
8 17 12,1
9 19 13,5
10 18 12,8
11 15 10,6
12 7 5
13 7 5
14 7 5
15 5 3,5

A média de idade da população analisada foi de 29,1 anos (DP±3,3) e a média do tempo de
formado girou em torno de 3,4 anos (DP±1,8). Em relação às dimensões que compõem a Síndrome de
Burnout, as médias foram de 28,6 (DP±9,4), 8,9 (DP±6,0) e 33,3 (DP±8,0) para Exaustão Emocional,
Despersonalização e Redução da Realização Profissional respectivamente. Considerando o número de
condições estressantes identificados pelos médicos no Hospital Universitário durante a sua
permanência na Residência Médica, a média encontrada foi de 8,9 (DP±3,0) fatores.

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TABELA 5
VARIÁVEL N MÍNIMO MÁXIMO MÉDIA DP
Idade 140 24 41 29,1 3,3
Tempo de Formado 141 1,0 10,0 3,4 1,8
Exaustão Emocional 140 4 52 28,6 9,4
Despersonalização 140 0 27 8,9 6,0
Redução da Realização Profissional 140 5 47 33,3 8,0
Número de Fatores de Estresse 141 3 15 8,9 3,0

Discussão
A amostra avaliada neste estudo foi significante, pois correspondeu a aproximadamente 86%
dos médicos residentes do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão regularmente
matriculados no Programa de Residência Médica do HUUFMA Unidades Presidente Dutra e Materno-
Infantil até o mês de Janeiro de 2016 nas diversas especialidades oferecidas. Foi excluído da análise
estatística um questionário devido ao médico residente ter respondido de forma incorreta às
alternativas que analisavam as variáveis sobre a Síndrome de Burnout (Parte II do instrumento).
O perfil dos médicos residentes do HUUFMA em São Luís – MA é de uma população jovem,
predominantemente feminina, solteira, com menos de três anos de formada, que cursam a residência
através de uma especialidade com acesso direto para ingresso, tendo como principais Especialidades
a Pediatria, seguida pela Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia e Cirurgia Geral, cursando o
primeiro ano da residência. A maioria dessa população possui outra atividade remunerada na forma
de plantões semanais de 12 horas e destina o salário mensal recebido apenas para o seu sustento.
Quanto às características sócio demográficas e condições associadas à atividade laboral, os
resultados apontam um perfil que se assemelha ao encontrado na população médica nacional 23, 24
exceto pela predominância do sexo feminino, possivelmente, explicada pela maior procura das
especialidades pediátricas por mulheres, dados confirmados ao comparar nossos resultados com o
estudo de Lacerda, Barbosa e Cunha 25.
Cabe ressaltar que fatores estressantes no âmbito hospitalar costumam estar envolvidos
também com a síndrome de Burnout, como Baixa Remuneração da Residência Médica, podendo
ocasionar grande desestímulo ao residente, a Falta de Recursos Materiais, sendo responsáveis por
sentimentos de ansiedade, medo e impotência diante das diversas situações do dia a dia, e o Ritmo
Acelerado das Atividades, podendo provocar insegurança e, inevitavelmente, levar o residente a erros
26, 27, 28, 29
. Novos estudos são necessários para verificar se tais fatores estariam presentes em nossa
amostra.
A residência médica é um processo contínuo de desenvolvimento no qual o médico residente
deve avaliar entre o desejo de cuidar e o desejo de curar, lidar com sentimentos de desamparo em
relação ao complexo sistema assistencial e estabelecer os limites entre sua identidade pessoal e
profissional 30. Um desequilíbrio entre esses fatores pode predispor o profissional à Síndrome de
Burnout.
A prevalência da Síndrome de Burnout encontrada foi alta (75,7%, segundo os critérios de
Grunfeld et al. e 12,1% se utilizarmos os critérios de Ramirez et al.). No entanto, na literatura, esta
prevalência varia muito entre os estudos dependendo da população estudada e dos valores conceituais
utilizados como referência.
Utilizando critérios equivalentes para a análise dos dados, Barros et al. identificou que a
prevalência de Burnout era de 63,3% considerando apenas um escore do MBI em valores altos e de
7,4% considerando escore alto nas três dimensões, enquanto Tucunduva et al. identificou em seu
estudo uma prevalência de 52,3% segundo os critérios de Grunfeld et al. e de 3% segundo os critérios
de Ramirez et al. Esses dados correlacionam-se, embora sejam inferiores, aos encontrados em nosso
estudo 31,32 .
Exaustão emocional costuma estar associada aos casos de Burnout 22, 33, 34, assim como
sintomas de despersonalização, e baixo nível de realização pessoal 35, 36, 37. Essa característica é
definida como uma resposta ao estresse ocupacional crônico, caracterizadas por sentimentos de
desgaste físico e emocional. O indivíduo sente que está sendo exigido em demasia e encara uma
redução progressiva na sua capacidade emocional de lidar com os pacientes e com a sua rotina diária
no trabalho 38, 39.

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A partir da diversidade de sintomas físicos e psicológicos que atingem o profissional, este


desenvolve a despersonalização. Isso não significa que o indivíduo deixou de ter sua personalidade,
mas que esta sofreu ou vem sofrendo alterações, levando-o a um contato frio e impessoal com os
usuários de seus serviços (alunos, pacientes, clientes etc.), passando a denotar atitudes de cinismo e
ironia em relação às pessoas e indiferença ao que pode vir a acontecer aos demais 9. Uma vez que o
profissional se sente ineficiente, com diminuição da autoconfiança e sensação de fracasso, há uma
redução na realização pessoal no trabalho 8, dita, por muitos autores, como a última reação ao
estresse gerado pelas exigências ocupacionais 40.
Um trabalho realizado em Israel por Tzischinsky, com 78 residentes de várias áreas de
atuação, mostrou que os escores de Burnout foram maiores durante o primeiro ano de residência
médica e diminuíram após dois anos 41. De maneira semelhante, no nosso estudo, o estresse foi maior
no primeiro ano e foi decrescendo nos anos subsequentes.
Em nosso estudo não houve diferença estatística significante entre as populações feminina e
masculina. O mesmo foi demonstrado no estudo realizado com ginecologistas e obstetras por Gabbe
et al. No entanto, os resultados da recente pesquisa Taking the Stress out of Work, realizada pela
International Stress Management Association (ISMA-BR), apresentam significância estatística para o
sexo feminino e concluem que as mulheres vivem mais e melhor por quatro razões: elas têm mais
facilidade para verbalizar suas emoções; têm maior conscientização de suas condições físicas e
emocionais, buscando ajuda nos primeiros sinais dos sintomas; têm mais disciplina na prática regular
de relaxamento; e cultivam uma crença religiosa, demonstrando mais fé 42.
Sabe-se que as causas do esgotamento profissional e, em maiores proporções, da Síndrome de
Burnout, são multifatoriais 9, mas ainda não há consenso na literatura científica sobre os fatores que
contribuem para o quadro 43. Discute-se uma convergência entre fatores pessoais e estressores
ocupacionais que favorecem o seu desenvolvimento.
Apesar de haver pelo Ministério da Educação uma legislação que regulamenta a carga horária
semanal de trabalho e a remuneração dos Programas de Residência Médica brasileiros 44, grande parte
dos participantes do nosso estudo (85,8% e 96,5% respectivamente) relata Jornada de Trabalho e
Remuneração da Residência Médica como Fatores Estressantes no âmbito do Hospital Universitário.
São descritos na literatura fatores como longas jornadas de trabalho, pouco tempo para descanso e
lazer como possíveis preditores do esgotamento profissional 18, 45.
A maior parte (87,9%) dos participantes realiza atividades remuneradas extras na forma de
plantões semanais de 12h, apesar da proibição pela legislação 44. Fatores que podem levar o médico
residente a procurar outra atividade remunerada fora do Hospital Universitário podem ser o baixo
valor da bolsa associada às despesas excessivas com moradia e alimentação. Trabalhar em horas que
deveriam ser de descanso ou lazer pode comprometer ainda mais a condição de saúde dos médicos
residentes. Não foi objetivo do nosso estudo conhecer as atividades de lazer realizadas por médicos
residentes nos momentos de descanso.
O relato de Ritmo Acelerado das Atividades Profissionais, apontado por 77,3% dos residentes,
pode estar relacionado à grande quantidade de pacientes a serem atendidos e reduzida equipe para
suprir a demanda. O excesso de trabalho pode estar relacionado à gradativa exaustão emocional,
física e/ou mental, pilares importantes da Síndrome de Burnout. Desta forma, pode haver uma
diminuição de eficácia, repercussão sobre a saúde e sensação de bem-estar, além de afetar a
satisfação no trabalho. Portanto, quando o trabalho é considerado como estressante, os sintomas de
esgotamento profissional são consequências esperadas 17, 46.
A relação com os demais residentes e com a equipe multiprofissional é importante para
manter a qualidade de vida no trabalho do profissional de saúde 18, 27. Neste estudo, os participantes
apresentaram baixas taxas de insatisfação nesses quesitos (14,9% e 17% respectivamente).
Uma limitação do estudo que provavelmente possa ter causado um viés de aferição foi a época
em que ocorreu a coleta dos dados. Os médicos residentes estavam em constantes entraves com o
Ministério da Saúde para reivindicar a remuneração, jornada de trabalho e outros aspectos da
legislação do Programa de Residência Médica. Logo depois deflagraram greve a nível nacional que
durou pouco mais de um mês. Isso pode ter contribuído para os elevados valores encontrados nas
variáveis que definem a Síndrome de Burnout e os Fatores Estressantes no âmbito do Hospital
Universitário.

Conclusões
A Síndrome de Burnout é considerada por muitos autores como uma reação à tensão emocional
prolongada gerada a partir do contato excessivo com pessoas e fatores estressores no seu ambiente
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de trabalho e apresenta três dimensões clássicas: exaustão emocional, despersonalização e redução


da realização pessoal. O meio científico e o setor organizacional do trabalho estão alertas quanto aos
efeitos negativos da síndrome tanto à nível individual quanto profissional.
Essa síndrome acomete indivíduos que trabalham diretamente no atendimento ou assistência
de pessoas que estejam em situações de risco, estresse ou que em profissões que demandem grande
responsabilidade, como é o caso das organizações de saúde. Nesse contexto, o médico residente
poderia estar ainda mais susceptível ao Burnout por vivenciar uma dualidade de papéis, enfrentando
cobranças por parte dos seus preceptores, dos pacientes, da sociedade em geral e de si mesmo. Por
um lado, são cobrados como alunos em aprendizado, devendo cumprir jornadas extenuantes e tarefas
obrigatórias; por outro, devem agir como profissionais completos, de quem se exige responsabilidade,
competência e eficiência.
O perfil dos médicos residentes estudados é de uma população jovem, predominantemente
feminina, solteira, com menos de três anos de formada, no seu primeiro ano de residência, através
de uma especialidade com acesso direto para ingresso, sendo a principal especialidade a Pediatria. A
maioria dessa população possui outra atividade remunerada na forma de plantões semanais de 12
horas e destina o salário mensal recebido apenas para o seu sustento.
Dentre os principais fatores estressantes no âmbito do Hospital Universitário apontados pelos
residentes estão a remuneração da residência médica, os recursos materiais disponíveis e a jornada
de trabalho excessiva. Esses elementos, possivelmente, contribuíram para a elevada incidência da
Síndrome de Burnout identificada no presente estudo.
O desgaste profissional evidenciado entre os médicos residentes do Hospital Universitário da
Universidade Federal do Maranhão suscita a preocupação e necessidade de enérgicas intervenções
curativas e preventivas. Devem ser tomadas medidas individuais ou coletivas para garantir a redução
do estresse ocupacional e manutenção da qualidade de vida, dentre elas a adoção de hábitos de vida
mais saudáveis, a prática de atividades lúdicas e prazerosas, o apoio psicológico e a melhoria
constante das condições de trabalho.
Uma alternativa válida para auxiliar na redução dessa problemática seria a formação de
grupos de apoio entre os médicos residentes e a equipe de psicologia do Hospital Universitário para
discutir questões da residência médica e do estado mental de cada um deles. Esta prática, além de
poder contribuir para melhoria da qualidade de vida dos médicos, fortaleceria ainda mais os processos
de humanização e a relação médico paciente.
A continuidade das pesquisas sobre esta temática, através de estudos longitudinais, poderá
elucidar outros fatores de risco importantes para o desenvolvimento do desgaste profissional e
contribuir para a elaboração de estratégias que visem à melhoria da qualidade de vida e motivação
dos médicos residentes.

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