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Periodização do Treinamento Esportivo

O documento aborda a periodização do treinamento desportivo, enfatizando sua importância histórica e metodológica na organização do treinamento físico. Discute conceitos fundamentais, como o que é periodização, por que e quando implementá-la, além de apresentar uma síntese histórica e modelos tradicionais e contemporâneos. É destacado que a periodização deve ser adaptada às necessidades específicas de cada atleta e modalidade esportiva.

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Periodização do Treinamento Esportivo

O documento aborda a periodização do treinamento desportivo, enfatizando sua importância histórica e metodológica na organização do treinamento físico. Discute conceitos fundamentais, como o que é periodização, por que e quando implementá-la, além de apresentar uma síntese histórica e modelos tradicionais e contemporâneos. É destacado que a periodização deve ser adaptada às necessidades específicas de cada atleta e modalidade esportiva.

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Atualizado e revisado por:

ALEXANDRE LOPES EVANGELISTA


Professor autor/conteudista:
ARTUR MONTEIRO
É vedada, terminantemente, a cópia do material didático sob qualquer
forma, o seu fornecimento para fotocópia ou gravação, para alunos
ou terceiros, bem como o seu fornecimento para divulgação em
locais públicos, telessalas ou qualquer outra forma de divulgação
pública, sob pena de responsabilização civil e criminal.


SUMÁRIO
Introdução à organização e sistematização do treinamento: sistemas de
periodização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

O que é periodização? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Por que periodizar o treinamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Quando periodizar o treinamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

Síntese histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Modelo tradicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Modelos contemporâneos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

Diferenças e problemáticas dos diferentes modelos de periodizações . . . . . . . . . . . 10

Organização e estruturação do ciclo anual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12


Duração e constituição do macrociclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Curvas de volume e intensidade no macrociclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Períodos de preparação do atleta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
O período preparatório geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
O período preparatório especial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
O período competitivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
O período transitório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

Organização e estruturação do mesociclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21


Duração e constituição do mesociclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Organização do mesociclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Classificação dos mesociclos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Qual intensidade? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Qual frequência semanal? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

Organização e estruturação do microciclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29


Duração e constituição do microciclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Organização do microciclo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Classificação dos microciclos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

Organização e estruturação da sessão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36


Parte preparatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Parte principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Aplicação das sessões de orientação seletiva e complexa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Parte conclusiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42


INTRODUÇÃO À ORGANIZAÇÃO E SISTEMATIZAÇÃO DO TREINAMENTO:


SISTEMAS DE PERIODIZAÇÃO
A periodização do treinamento desportivo não é uma novidade ou um descobrimento dos novos
tempos, pois está presente desde o Egito Antigo e a Grécia Antiga até os dias de hoje. Um modelo
de periodização, segundo Manso et al (1996) e Bompa (2002), implica um esquema teórico de um
sistema ou realidade complexa sobre o qual se elaboram estratégias para facilitar a compreensão,
o entendimento e a organização do treinamento físico.

Neste aspecto, as teorias se aperfeiçoam, os conhecimentos evoluem e consequentemente


modificam-se as práticas de treinamento desportivo. Assim, os processos de periodização do
treinamento desportivo tiveram uma evolução, sempre se adaptando ao corpo de conhecimentos
já conquistados durante sua história (MANSO et al., 1996).

Antes de planejar uma periodização, devemos ser capazes de responder três perguntas básicas,
as quais deverão nortear a comissão técnica na sua elaboração:

• O que é periodização?
• Por que periodizar o treinamento?
• Quando periodizar o treinamento?
Figura 1 – Desporte

Fonte: Syda Productions/Shutterstock

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O QUE É PERIODIZAÇÃO?
Em uma empresa, é comum estabelecer metas e objetivos em seus setores, e o nome dado a
esse conjunto de estratégias é chamado de planejamento.

No entanto, no treinamento esportivo a periodização é

[...] um processo de estruturação das fases de treinamento que busca atingir níveis
máximos ou ótimos das capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas dos
atletas através de avaliações periódicas. A finalidade é verificar quais são os pontos
que foram bem trabalhados e áreas que devem sofrer alterações na aplicação dos
treinamentos, porém em ambas as áreas de atuação profissional torna-se necessário
planejar. Segundo Stone (1999), periodizar é o método lógico de manipulação das
variáveis de treinamento tendo como fim o aumento do potencial para atingir objetivos
de performance (MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 71).

Por que periodizar o treinamento?


Você já viu alguma vez uma empresa ter sucesso em longo prazo somente contando com a boa
vontade de seus funcionários? As grandes empresas só conseguem se manter no topo do sucesso
graças ao planejamento, a organização e a sua estruturação. Na área do treinamento esportivo, o
mesmo conceito deve ser aplicado. Devemos periodizar para poder conhecer nossos erros e acertos
ou – o que é ainda mais importante – saber quais áreas acertamos ou erramos mais.

Contudo, avaliações deste processo devem ser periódicas, e suas interpretações devem ser
pontuais, concisas e precisas para que possamos tomar as devidas decisões neste momento.

Quando periodizar o treinamento?


A periodização deve ser utilizada em todos os momentos do processo do treinamento esportivo.
O trabalho deverá possuir um começo, meio e fim de acordo com o número de competições e
torneios. No caso das crianças e dos adolescentes, deve-se levar em conta o calendário escolar.

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SÍNTESE HISTÓRICA
A história da planificação ou periodização desportiva pode ser dividida em três períodos:

• 1ª fase: desde os primeiros autores até 1950, onde se inicia o conceito de periodização, ou
também chamado de período dos precursores da periodização desportiva.
• 2ª fase: de 1950 até 1970, momento onde se começam os questionamentos sobre os modelos
clássicos aparecendo novas propostas de modelos, ou também chamado de período dos
modelos tradicionais.
• 3ª fase: de 1970 até os dias de hoje, sendo o momento de grande evolução dos conhecimentos
da área do treinamento desportivo, também chamado de período dos modelos contemporâneos.
(MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 71 apud MANSO et al. 1996).

ACONTECEU

Leia o artigo a seguir que apresenta o treinamento desportivo através da história:

Link: <[Link]

Modelo tradicional
Matveiev acreditava que a preparação geral era primordial para o rendimento esportivo, em que
a forma esportiva só poderia ser mantida por períodos de tempo muito curtos.

Os modelos tradicionais ainda são usados por grande número de treinadores na atualidade,
apesar de serem antigos em sua origem (MANSO et al., 1996) Estes modelos foram criados para
atender uma demanda específica (mostraram sucesso principalmente em modalidades cíclicas
como o atletismo), não podendo ser sempre adaptados a todos os desportos.

Para o caso específico dos países que integraram a extinta União Soviética (URSS), em meados
da década de 1950, muitos foram os autores responsáveis pelo avanço teórico da periodização do
treinamento físico. Entre eles, destaca-se Lev Pavlovic Matveiev, considerado “o papa” da periodização
moderna segundo Manso et al. (1996) e Oliveira (1998). Em sua concepção da planificação do
treinamento, Matveiev classifica os períodos de treinamento em três níveis, também chamados de
ciclos: microciclos, mesociclos e macrociclos.

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Matveiev (década de 1950)

• Cargas distribuídas e uniformes ao longo do ciclo anual.


• Volume moderado e contínuo da aplicação de estímulos.
• Heterogeneidade de estímulos.
• Preparação global do atleta.
• Disposição ondulatória das cargas e períodos de treinamento.
• Aumento gradual dos índices funcionais.
• A formação geral cria e amplia as bases e condições necessárias para a especialização
desportiva.
• O volume de trabalho linear e constante faz com que o atleta construa um nível de rendimento
capaz de manter-se durante toda temporada.
• Desenvolvimento simultâneo de diferentes capacidades em um mesmo período de tempo.
• Aplica-se bem a atletas de nível médio [e na fase de formação de novos atletas].
• A interação entre preparação geral e especial é tão grande que, em alguns momentos, torna-se
difícil estabelecer os limites entre elas, apesar de os meios serem diferentes entre si.
• Apresentação de “picos” reduzidos de forma durante uma temporada.
• Caracteriza-se como uma proposta analítico-sintética (MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 35).

Por conta da necessidade de se produzir novas concepções específicas para determinadas


modalidades desportivas, surgiu a concepção chamada contemporânea. Esta necessidade se deu
principalmente pelas diferenças metabólicas, mobilização de diferentes grupamentos musculares,
gestos mecânicos diferentes e inconstância do calendário de competições de cada modalidade
desportiva (OLIVEIRA, 1998; ROBERT; ROBERGS, 2002; BOMPA, 2002; VERKHOSHANSKY, 1991).

Nesse sentido, Oliveira (1998) destaca como características do sistema contemporâneo a


individualização, a concentração das cargas de treinamento em um curto espaço de tempo, a
tendência a um desenvolvimento consecutivo das capacidades/objetivos e o incremento do trabalho
específico.

Modelos contemporâneos
Um mais conhecidos desta fase é o autor Yuri Verkhoshansky, que não utiliza os termos
planificação ou periodização, mas sim um sistema onde se encaixam os conceitos de programação,
organização e controle. Os conceitos dele e de outros autores estão apresentados logo a seguir:

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Tschiene (1985, apud MONTEIRO; LOPES, 2009)

1. Propõe forma ondulatória de carga com contínuas fases breves causadas por alterações
frequentes de intensidade e volume;
2. Busca de um nível ótimo (não o máximo) das capacidades biomotoras;
3. Aplicação de um modelo de adaptação biológica;
4. Utilização de Cargas Altas de treinamento;
5. Predominância do trabalho específico;
6. Introdução de intervalos de caráter profiláticos devido ao uso de altas cargas;
7. Pouca diferença de carga de trabalho entre o período preparatório e específico;
8. Busca do desenvolvimento e utilização ótima das capacidades determinantes de cada
modalidade;
9. Utilização do controle de carga durante todo o processo de treinamento.

Verkhoshansky (1990, apud MONTEIRO; LOPES, 2009)

1. Utilização de cargas concentradas.


2. Diferenciadas em etapas definidas.
3. Grande volume concentrado de estímulos de preparação especial.
4. Homogeneidade de estímulos.
5. Cargas na direção unilateral (força).
6. Etapas de estímulos específicos segmentados em blocos definidos.
7. Redução persistente dos índices funcionais, seguida de uma supercompensação.
8. A formação geral cria a sustentação para recuperar a capacidade de rendimento, após
cargas de grande volume.
9. O rápido aumento e diminuição do volume de trabalho produz a intensificação das cargas
de treinamento e obtenção máxima de performance.
10. Capacidades de diferente orientação funcional são distribuídas em diferentes estágios de
tempo.

Issurin (1986, apud MONTEIRO; LOPES, 2009)

1. Periodização chamada de ATR.


2. Modelo análogo ao de Verkhoshansky.
3. Foco na concentração de cargas em capacidades específicas.
4. Baseia-se na superposição dos efeitos do treinamento.
5. Microciclos denominados de acumulação, transformação e realização.

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Bondarchuck (1984, apud MONTEIRO; LOPES, 2009)

1. Periodização para as modalidades individuais (em especial lutas).


2. Caracterização da forma desportiva em três fases distintas: desenvolvimento, manutenção
e descanso.
3. Potencialização das fases com o conhecimento das respostas adaptativas de cada atleta.
4. Estabelecimento com exatidão das diferentes etapas competitivas durante o ano.
5. Adaptações conseguidas mediante o trabalho paralelo das cargas de diferentes orientações.
6. Fase de manutenção da forma do atleta deve ser por volta de quatro semanas.

Bompa (1999, apud MONTEIRO; LOPES, 2009)

1. Periodização para as modalidades coletivas.


2. Processo de treinamento como um processo complexo organizado sobre várias fases de
forma sequencial.
3. Proposta adaptada às condições do modelo competitivo de longa duração.
4. Prévia aquisição da condição física geral.

CURIOSIDADES

Leia o artigo a seguir, que faz uma revisão bibliográfica com o objetivo de comparar o modelo
clássico de periodização do treinamento (MP) criado por Matveev na década de 1950 com o modelo
de periodização por blocos de Verkhoshansky.

Link: <[Link]

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DIFERENÇAS E PROBLEMÁTICAS DOS DIFERENTES MODELOS DE


PERIODIZAÇÕES
Figura 2 – Desporte

Fonte: Skydive Erick/Shutterstock

O modelo de Matveiev afirma ser necessária uma reavaliação do conceito de periodização


proposto, considerando que esses conceitos de treinamento da antiga URSS foram formulados de
acordo com as concepções de uma sociedade controlada por diretrizes rígidas, em um momento
em que existiam poucas competições e a participação dos atletas estava vinculada aos interesses
do país.

Forteza de la Rosa (2009, p. 104-105) apresenta a opinião de alguns autores importantes sobre
o método de Matveiev:

Weineck (1989) afirma que a preparação geral tem sentido apenas para elevar o estado
geral de preparação do atleta, que, por si, já está elevado pelos anos de treinamento
realizados. Por essa razão, segundo o autor, não se desencadeiam nos atletas os
processos adaptativos para a capacidade de conseguir mais resultados.

Para Gambetta (1990), o modelo Matveiev é válido somente para as primeiras fases
de treinamento, considerando-se que ao aumentar o nível de rendimento dos atletas
deve-se aumentar também a porcentagem de utilização dos meios de preparação
específica.

Bompa (1983) argumenta que não existe, com os calendários competitivos atuais,
tempo disponível para a utilização de meios de preparação geral que não correspondem
à especificidade concreta do esporte [...].

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Tschiene (1990) [...] frisa a importância de uma preparação individualizada e específica,


com altos índices de intensidade, durante o processo atual de treinamento desportivo,
o que não acontece na periodização tradicional de Matveiev. Tschiene afirma que o
esquema de Matveiev é muito rígido, referindo-se às diversas fases da preparação
desportiva, considerando que para diferentes esportes e atletas elas são iguais
e possuem relativamente a mesma duração. Também chama a atenção para a
importância de novas formas alternativas de estruturação do treinamento desportivo,
surgidas ultimamente [...].

Verkhoshansky (1990) aponta que a periodização de treinamento desportivo, quando


foi desenvolvida, tinha como base resultados competitivos muito mais baixos e de
um nível de exigência muito menor do que as atuais; assim, essa forma de estruturar
o treinamento deve-se conceber unicamente para atletas de nível médio e não para
atletas de elite que trabalham com exigências maiores.

Bonderciuk e Tschiene (1985) [...] afirmam que não há transferência positiva da


preparação especial nos esportes de alto nível.

Com relação às cargas gerais e altos volumes de trabalho nas fases básicas de treinamento,
Matveiev (1996) argumenta que “[...] esse é um fator que não pode ser contestado e muito menos
eliminado. Nesse fenômeno, os conteúdos gerais estão em dependência dos conteúdos específicos
e vice-versa” (apud FORTEZA DE LA ROSA, 2009, p. 105).

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Quadro 1 – Diferentes níveis de estruturas da planificação desportiva

Matveiev Sessão Microciclo Mesociclo Fase Período Macrociclo

Ozolin

Manso

Harre Sessão Microciclo Mesociclo Fase Período Ciclo


Weineck

Bompa Sessão Microciclo Macrociclo Subfase Fase Mesociclo

Platonov Sessão Microciclo Mesociclo Etapa Período Macrociclo

Verkhshanski Sessão Microciclo Bloco - - Ciclo


Fonte: Elaborado pelo autor.

SAIBA MAIS

Leia o artigo a seguir sobre a adequabilidade dos principais modelos de periodização do treinamento
esportivo:

Link: <[Link]

ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DO CICLO ANUAL


A estrutura de preparação anual é determinada pelo objetivo específico da etapa de preparação
em longo prazo na qual o atleta se encontra. Por isso, a preparação anual incluída na primeira etapa
de preparação em longo prazo (que tem como objetivo criar condições técnicas e funcionais para
o desenvolvimento futuro) é bastante diferente da preparação anual da etapa de alto rendimento,
em que ocorre a concretização máxima das capacidades individuais.

A base teórica da preparação anual denominada teoria da periodização foi fundamentada nos
estudos de Matveiev (1965 apud BOMPA, 2002), desenvolvida posteriormente por outros especialistas
(PLATONOV, 2008; HARRE, 1989) e amplamente difundida pelo mundo (BOMPA, 2002). Essa teoria
tem como fundamento a divisão da preparação esportiva em grandes ciclos de treinamento
(macrociclos). Devido à sua grande aceitação, foi introduzida no sistema de preparação olímpica
de atletas de vários países.

O macrociclo é o período de preparação no qual se concretiza um efeito específico ou uma


adaptação do treino de modo a realizar um desempenho competitivo de destaque. Uma das

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concepções mais importantes da teoria da periodização consiste no fato de que o desenvolvimento


da forma esportiva de alto nível, capaz de levar aos melhores resultados esportivos, envolve um
longo processo, que pode incluir ciclos anuais ou de muitos anos.

No entanto, a partir dos anos 1980 e 1990, o calendário esportivo foi ampliado, as competições
importantes passaram a ocupar grande parte do ano e o sistema da preparação de atletas, que
incluía apenas entre um a dois picos de preparação para intervenções importantes, já não atendia
mais as necessidades da prática.

A partir do momento em que a duração e a intensidade da prática competitiva aumentam, passa


a ser necessário o aperfeiçoamento da teoria da periodização da preparação anual, com revisão de
algumas concepções teóricas e busca de soluções baseadas em conhecimentos científicos sólidos.
No entanto, em lugar de seguir este caminho bastante lógico, muitos especialistas optaram pela
tentativa de elaborar uma nova via de construção da preparação anual de alto nível, ignorando a
periodização e valorizando a participação em um grande número de competições por ano, alternada
com curtos períodos de preparação especializada.

Atualmente, depois de praticamente duas décadas de aplicação desse enfoque, ficou claro que,
ao mesmo tempo que se consegue preparo suficiente para participar em várias competições em um
só ano, o atleta experimenta também a acentuada diminuição das chances de alcançar os melhores
resultados nas principais competições e sofre com a deterioração da qualidade da preparação e do
nível dos resultados, além de ver aumentar a ocorrência de lesões (PLATONOV, 2008).

Paralelamente, tem sido buscada uma alternativa para o desenvolvimento da metodologia


de construção da preparação anual, de modo a permitir a superação das contradições entre as
noções básicas da teoria da periodização e o calendário competitivo atual. Nos últimos 10 a 15
anos, os avanços têm apontado não para a negação, mas sim para o desenvolvimento da teoria da
periodização do treinamento e a valorização do trabalho de Matveiev.

O sistema de periodização da preparação anual passou a incluir então as seguintes conclusões


(PLATONOV, 2008):

1. É preciso separar as noções de preparo esportivo elevado e forma esportiva. O elevado


preparo esportivo depende de características bastante estáveis, desenvolvidas em um
processo de formação longo e sem grandes oscilações: capacidades físicas, capacidade
dos sistemas funcionais mais importantes, nível geral de preparo técnico-tático etc.

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2. O estado de prontidão para atingir os melhores resultados, embora se baseie em um elevado


nível de preparo, pressupõe outro tipo de estrutura, caracterizada pela formação bastante
rápida dos componentes relacionados aos vários aspectos da preparação física, técnico-
tática e psicológica organicamente relacionados a uma situação concreta. A análise dessa
situação revela tanto os fatores internos determinantes da eficácia da atividade competitiva
quanto os fatores externos relacionados às condições da competição.
3. A construção racional da preparação pressupõe ou o aumento gradual ou a relativa
estabilização do nível de preparo do atleta, sendo a estabilização própria dos atletas de alto
nível que já se encontraram na etapa de conservação dos melhores resultados. Oscilações
significativas no nível do preparo – como a diminuição acentuada do estado de treinamento
no período de transição – são indesejadas. A preparação elevada pode melhor estabilizar-
se ou oscilar um pouco durante a maior parte do ano (oito a dez meses).
4. Diferentemente da preparação elevada, a prontidão para atingir os melhores resultados está
sujeita a oscilações acentuadas. O caminho para atingi-la é mais específico e individualizado.
O atleta pode alcançar por várias vezes o nível de prontidão, determinante da eficácia da
atividade de competição, as particularidades do preparo e a especificidade da modalidade.

Em resumo, a questão envolve a formação de um modelo de preparação anual em que o


planejamento de alguns macrociclos independentes não prejudique os princípios da maestria
esportiva incluídos em um ou dois ciclos anuais. A desconsideração desses princípios e a utilização
de cargas específicas máximas nos primeiros macrociclos conduzem, inevitavelmente, à diminuição
da eficácia da preparação no que diz respeito à obtenção dos melhores resultados nas competições
mais importantes do ano, e causa a impressão de que o planejamento a longo prazo não foi
desenvolvido adequadamente.

Por outro lado, é importante considerar que a periodização em muitos ciclos exige a observação
de uma série de noções básicas bastante diferentes daquelas que orientam os esquemas tradicionais
de um ou dois ciclos. Entre eles, especialmente em relação à preparação de atletas de alto nível, é
importante citar os seguintes (PLATONOV, 2008):

1. A eliminação do trabalho de caráter preparatório geral no sistema da preparação de atletas


de alto nível e o planejamento, nos elementos estruturais de caráter básico, do trabalho
direto ou intermediário capaz de desenvolver as qualidades e capacidades organicamente
relacionadas à estrutura da atividade competitiva.
2. A linha estratégica de todo o processo da preparação anual – com exceção de alguns
mesociclos de caráter básico em que são criados os fundamentos da preparação especializada

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posterior – consiste na integração entre o processo de aperfeiçoamento dos vários aspectos


da preparação (técnico, tático, físico e psicológico) e dos componentes básicos da atividade
competitiva.
3. O caráter integral da preparação pressupõe a ampla utilização de meios e métodos que
garantem o aperfeiçoamento conjunto dos vários aspectos de preparo e dos vários
componentes da atividade competitiva.
4. A elaboração e a ampla introdução de meios e métodos que permitam não apenas a integração
do aperfeiçoamento dos vários componentes da preparação, mas também atuem como
estímulo suficiente para mobilização dos processos adaptativos em relação ao conjunto
de componentes do treinamento.
5. A concentração de cargas com a mesma orientação como estímulo ao salto adaptativo
subsequente deve estar organicamente relacionada à preparação eficaz de caráter integral.

Na prática atual, podemos destacar três enfoques básicos do planejamento da atividade


competitiva. O primeiro relaciona-se à tentativa de fazer o maior número possível de participações
e buscar elevados resultados competitivos em cada uma delas. O segundo pressupõe uma prática
competitiva da baixa intensidade, para que o atleta possa concentrar sua atenção nas competições
mais importantes da temporada. O terceiro baseia-se em uma atividade competitiva ampla, mas
diferenciada: competições preparatórias de controle e de ligação, utilizadas principalmente como um
meio de preparação – o objetivo da participação nessas competições não é alcançar os melhores
resultados. Todo o sistema de preparação concentra-se na necessidade de obter o resultado máximo
nas competições de seleção e, especialmente, nas competições mais importantes.

Duração e constituição do macrociclo


Matveiev, em sua concepção original, preconiza que a duração do macrociclo deve ser superior a
seis meses. No entanto, com o aumento da quantidade de competições na maioria das modalidades
esportivas, uma duração habitual de 12 a 20 semanas tem sido mais utilizada, ou seja, um a três
macrociclos podem ser aplicados em um ano de treino (alguns modelos de planejamento podem
chegar aos sete macrociclos).

O número de macrociclos que surgem em um ano de treino ou época desportiva dá lugar a uma
classificação do tipo de periodização que se utiliza:

• Periodização simples – um macrociclo por ano.


• Periodização dupla – dois macrociclos por ano.

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• Periodização tripla – três macrociclos por ano.


• Periodização múltipla (com vários picos) – mais de três macrociclos por ano.
Figura 3 – Divisão do macrociclo de treinamento

Performance PERIODIZAÇÃO SIMPLES

PP PC PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório

Fonte: Matveiev (1996).

No entanto, em um ciclo anual, como citado anteriormente, pode haver a necessidade de mais
de um pico de rendimento. Nos últimos anos, encontramos outras variantes de planejamento da
carga de treinamento de quatro a seis ciclos competitivos no ano. Neste caso pode-se ter uma
periodização dupla (dois picos) ou uma periodização tripla (três picos), como demonstram as figuras
4 e 5. No caso em que se repete mais de um macrociclo durante o ano, os períodos preparatório e
competitivo são destacados e o período de transição pode desaparecer em alguns macrociclos.
Isso ocorre principalmente quando o tempo para a próxima competição é curto, promovendo uma
diminuição indesejada do rendimento adquirido no ciclo anterior.

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Figura 4 – Divisão do ciclo anual de treinamento em forma de periodização dupla

PERIODIZAÇÃO DUPLA

Performance

PP 1 PC 1 PT PP2 PC2 PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório

Fonte: Matveiev (1996).

Figura 5 – Divisão do ciclo anual de treinamento em forma de periodização tripla

PERIODIZAÇÃO TRIPLA
Performance

PP 1 PC 1 PP 2 C 2 PT PP3 PC3 PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório

Fonte: Matveiev (1996).

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Curvas de volume e intensidade no macrociclo


As curvas de volume e intensidade variam de acordo com o período e as etapas de treinamento.
Segundo os principais autores, o período preparatório é dividido em etapa geral e especial. Durante a
fase especial do período preparatório e no período competitivo, o volume é reduzido e a intensidade
é aumentada de forma acentuada. Observa-se, no entanto, que a cura da performance aumenta
proporcionalmente ao aumento da intensidade. Durante o período transitório, o volume e a intensidade
de treinamento são reduzidos, determinando assim uma redução também na performance. A figura
6 demonstra as alterações no volume e na intensidade, assim como a alteração da performance
em um macrociclo com apenas uma competição-alvo (MATVEIEV, 1996).

Figura 6 – Periodização simples

PPG PPE PC PT
PPG - Período Preparatório Geral
Volume PPE - Período Preparatório Especial
PC - Período Competitivo
Intensidade PT - Período Transitório
Performance

Fonte: Matveiev (1996).

Para atletas em formação, o volume de treinamento permanece alto durante todo o período
preparatório (geral e especial), sendo reduzido apenas durante o período competitivo e transitório.

Períodos de preparação do atleta


De acordo com Gomes (2002),

O período preparatório deve assegurar o desenvolvimento das capacidades funcionais


do atleta e pressupõe a solução das tarefas de aperfeiçoamento de vários aspectos
específicos do estado de preparação, podendo-se destacar, nesse período, as etapas
de preparação geral e as de preparação especial.

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O período preparatório geral


Os objetivos deste período são a alta ênfase adaptativa nas capacidades predominantes ou
gerais.

Neste período, damos ênfase à preparação física, de forma a desenvolver as capacidades gerais.
Tais capacidades motoras servirão de alicerce para que o atleta consiga suportar altos volumes e
alta intensidade de treinamento durante os períodos mais intensos de carga.

A preparação técnico-tática fica em segundo plano. Isso não significa que ela não será abordada,
porém a ênfase será dada à destreza e às habilidades motoras.

Nos dias de hoje, devido ao pequeno tempo de período de preparação, técnicos e preparadores
físicos podem compor treinos com características físico-técnicas nos quais serão enfatizados, na
mesma sessão, alguns gestos técnicos e capacidades motoras adequados para aquele momento
de preparação. Por exemplo: realizar quatro séries de cinco minutos de jogo com pausa de dois
minutos entre cada série, onde cada atleta terá que dominar e passar a bola imediatamente. Outro
exemplo, no basquetebol: jogar durante um minuto, um contra um, ou seja, um atleta ataca e outro
defende, com pausa de dois minutos entre cada série. Neste tipo de treino, os atletas trabalham
fundamentos de defesa e ataque e ao mesmo tempo a resistência anaeróbia lática e o metabolismo
aeróbio entre as ações. Cabe ressaltar que esta forma de trabalho físico-técnico já no período
preparatório geral cabe para equipes que possuem pouco tempo para trabalhar os fundamentos
técnicos e a parte física de seus atletas.

Neste período de treinamento, a ênfase ao volume é primordial, enquanto a intensidade será


incrementada ao longo dos microciclos de preparação. Os números de sessões, séries e repetições
serão as variáveis que serão mais ajustadas ao longo deste período.

Caso seja utilizado o modelo clássico de Matveiev, serão enfatizados microciclos de choque
e ordinários intercalados com microciclos com características recuperativas ou de manutenção.

O período preparatório especial


O objetivo do período preparatório especial é a ênfase adaptativa nas capacidades determinantes.

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As capacidades físicas são desenvolvidas de acordo com as exigências específicas da modalidade.


Neste momento, devemos ter total conhecimento das capacidades físicas determinantes nas ações
motoras da modalidade escolhida, pois no período preparatório geral as capacidades motoras gerais,
predominantes e secundárias já foram priorizadas.

Por exemplo, na modalidade voleibol, durante o período preparatório especial, devemos enfatizar
o treino da velocidade de reação, potência (força explosiva) e resistência de força. As outras
capacidades motoras também podem ser treinadas, porém com diferentes graus de importância.

Quanto à preparação técnica, seu objetivo é a assimilação mais completa da técnica das ações
competitivas.

Neste momento da preparação, será priorizada a intensidade em relação ao volume, em que


a recuperação entre repetições, séries e sessões de treino deverá receber especial atenção para
garantir alto de nível de concentração, motivação e intensidade por parte dos atletas.

O período competitivo
Durante o período competitivo, é necessário criar condições para o aperfeiçoamento de diversos
fatores da preparação esportiva, a qual deve ser integral e ocorrer em uma sequência lógica de
conteúdos distribuídos na etapa pré-competitiva e competitiva propriamente dita.

Objetivos:

• Manutenção das adaptações ocorridas no período de preparação. Manter a condição física,


técnica e tática obtida durante a fase de preparação.
• A carga de treinamento deve ter o seu volume reduzido, mas com manutenção alta da intensidade.
• Em qualquer tipo de competição, a intensidade do treino parece ser o fator mais importante
para a manutenção do rendimento durante o período competitivo.

De acordo com Zakharov (1992), o período competitivo pressupõe a estrutura direta da forma
esportiva, sua realização em resultados esportivos altos nas competições principais, assim como
a manutenção do nível de preparação atingido.

A preparação física está inserida no trabalho técnico-tático e apresenta-se com caráter de


manutenção do nível de treino geral adquirido.

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A preparação técnico-tática assegura a forma escolhida de atividade motora até o mais alto
grau possível. É importante levar em consideração os períodos de recuperação entre os treinos e
provas competitivas neste período.

Os microciclos deste período apresentam volume reduzido de cargas, principalmente às vésperas


da competição.

O período transitório
O período transitório contribui para a recuperação completa do potencial de adaptação do
organismo e serve como elo entre os macrociclos. Por isso, podemos definir como seu objetivo
principal o de recuperar as capacidades físicas predominantes.

Devemos destacar, neste momento da periodização, a recuperação completa do potencial de


adaptação em nível físico, técnico, tático e psicológico. Os treinos fundamentais adquirem o caráter
de descanso ativo ou passivo. Sugerimos a diminuição de volume e intensidade, porém deve-se
assegurar a recuperação das capacidades gerais que apresentaram quedas.

Torna-se importante avaliar as capacidades físicas para o conhecimento da condição física do


atleta. A partir dos resultados, deve-se traçar um plano de treinamento individualizado em função
das necessidades fisiológicas de cada atleta.

Normalmente são utilizadas entre duas a quatro semanas, em geral, a fim de proporcionar
recuperação das reservas energéticas, mas este período não é fixo, pois a duração do período
transitório depende da estrutura optada no ciclo de anual e do grau de tensão dos períodos
transcorridos do macrociclo (ZAKHAROV, 1992). Existem muitas controvérsias a respeito do tempo
do período transitório. Em nosso ponto de vista, cremos que tal decisão deve ser feita em conjunto
com a comissão técnica e o atleta em questão, levando em conta principalmente, como citado, os
resultados das avaliações médicas e físicas.

ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DO MESOCICLO


O mesociclo é constituído por microciclos e compreende períodos de planejamento do treino
mais curtos que o macrociclo. Cada macrociclo comporta, no maior parte dos casos, de quatro
a dez mesociclos, e cada um deles foca em aspectos diferenciados do treino, promovendo uma
relação diferente entre esforço e recuperação, entre trabalho geral e trabalho especial/específico.

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Duração e constituição do mesociclo


O mesociclo é um período de algumas semanas em que se processa a organização e a sucessão
ótimas de microciclos com características diferenciadas, definindo as etapas próprias de cada
período ou etapa de treino. No entanto, a duração dos mesociclos parece ter uma unanimidade entre
os principais autores. A duração dos mesociclos pode variar entre três a seis semanas (GOMES,
2002). Bompa (2002) propõe uma duração entre quatro a seis semanas.

Uma das suas funções fundamentais é a de “fornecer um caráter contínuo de aplicação de


cargas”, fazendo surgir após duas ou mais semanas de sobrecarga uma semana de recuperação
ou manutenção. Por outro lado, serão agrupados no mesociclo os microciclos de conteúdo idêntico
(por exemplo, uma sequência de 3 ou 4 semanas fortes e uma fraca para o desenvolvimento de
determinada capacidade física) ou que se completam na realização de um determinado objetivo de
preparação (por exemplo, a preparação específica para uma dada prova, reunindo fatores do treino
físico, tático e mental). Podem existir também mesociclos com uma prevalência de intervenção no
treino técnico ou na força, ou, por outro lado, um mesociclo dedicado à recuperação e estabilização
das ênfases adaptativas adquiridas como momento de transição para um novo ciclo de trabalho
exigente.

Segundo Rowbottom (apud GARRET; KIRKENDALL, 2003), os mesociclos são projetados como
ciclos discretos de treinamento, cada um incorporando um período intensivo seguido de um
período reduzido de recuperação e regeneração. As avaliações permitirão controlar as respostas
agudas e crônicas e sua eficácia naquilo que foi proposto e treinado ao longo dos microciclos que
contemplavam o mesociclo.

Recomenda-se que um atleta comece um novo mesociclo recuperado total ou parcialmente


para que possa suportar as novas cargas do próximo mesociclo. Para isso, é importante aplicar
um microciclo de recuperação ou manutenção ao final de um mesociclo do período de preparação
(ROWBOTTOM apud GARRET; KIRKENDALL, 2003).

Organização do mesociclo
O princípio metodológico orientador da estruturação do mesociclo consiste no aumento
progressivo da carga sem prejuízo da forma cíclica já referida, assim como a transição gradual dos
conteúdos do treino para a utilização cada vez mais importante de exercícios de caráter específico,
reduzindo, em proporção, a parcela do volume de treino destinada à preparação geral.

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Quanto mais jovem for o atleta, mais longos e de composição uniforme (com pouca variação
nos parâmetros da carga de microciclo para microciclo) serão os mesociclos. Por outro lado, à
medida que se avança no macrociclo, mais curtos tenderão a ser os mesociclos, propondo uma
alternância de período menor entre cargas fortes e cargas de recuperação.

Entre os índices que permitem classificar os mesociclos, pode-se destacar (ZAKHAROV, 1992):

6. a principal tarefa resolvida pelo mesociclo no sistema de preparação;


7. o lugar do mesociclo dado na estrutura do macrociclo de preparação;
8. a composição dos meios de treino aplicados no mesociclo;
9. os tipos de microciclo que compõem o conteúdo predominante do mesociclo aplicado;
10. a grandeza sumária das cargas e sua dinâmica no mesociclo.

Classificação dos mesociclos


Segundo a predominância das cargas e seu posicionamento no macrociclo, os mesociclos
podem ser divididos em:

Mesociclo de incorporação

Normalmente utilizado no início da temporada, é composto de três a quatro semanas com


cargas moderadas para baixas (volume baixo e intensidade média) e meios de treinamento geral
(ver figura 7).

Figura 7 – Mesociclo de incorporação

60
50 Micro 1
% DA CARGA

40 Micro 2
30
20 Micro 3
10 Micro 4
0
MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

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Mesociclo desenvolvimento

Tem como objetivo elevar os níveis de aptidão através de cargas altas que forçarão o organismo
a uma adaptação fisiológica obrigatória. Segundo a distribuição das cargas, os mesociclos de
desenvolvimento podem ser classificados conforme as figuras 8, 9 e 10.

Figura 8 – Variante de carga crescente


90
80
70 Micro 1
% DA CARGA

60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
10
Micro 4
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Figura 9 – Variante de carga oscilatória


90
80
70 Micro 1
% DA CARGA

60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
10
Micro 4
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Figura 10 – Variante de carga horizontal


90
80
70 Micro 1
% DA CARGA

60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
Micro 4
10
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

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Mesociclo estabilizador

Tem como objetivo, após uma série de cargas crescentes, estabilizá-las, permitindo assim uma
assimilação destas pelo organismo. Esses mesociclos podem ser aplicados durante períodos em
que o cliente dispõe de pouco tempo para treinar e os níveis de aptidão precisam ser mantidos. Nos
períodos de paralisação, como as férias, esses ciclos de treinamento também são indicados e sua
estrutura é semelhante ao mesociclo de incorporação (ver figura 11). O conteúdo nesse mesociclo
é de meios de treinamentos especiais com cargas ótimas de treinamento.

Figura 11 – Mesociclo estabilizador


70
60
Micro 1
% DA CARGA

50
40 Micro 2
30 Micro 3
20
10 Micro 4
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Mesociclo recuperativo

Tem como finalidade favorecer a recuperação do organismo. As cargas são diminuídas, propiciando
assim um estado de recuperação e uma possível capacidade de melhora dos resultados. Como
citado anteriormente, as cargas recuperativas nos ciclos de treinamento são recomendadas apenas
em programas para atletas (ver figura 12).

Figura 12 – Mesociclo recuperativo


35
30
Micro 1
% DA CARGA

25
20 Micro 2
15 Micro 3
10
5
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

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Mesociclo pré-competitivo

É estruturado na base das competições a serem realizadas. As atividades devem ser organizadas
procurando criar o modelo competitivo e respeitando fatores como altitude, horário de competição,
forma de disputa etc. Normalmente, este mesociclo inicia entre quatro a seis semanas antes do
início das competições para estruturas anuais e entre duas a quatro semanas para estruturas
semestrais. A magnitude das cargas de treinamento devem ser predominantemente estabilizadoras
ou regenerativas (ver figura 13).

Figura 13 – Mesociclo pré-competitivo


80
70
60 Micro 1
% DA CARGA

50 Micro 2
40 Micro 3
30 Micro 4
20
Micro 5
10
0

MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

A redução progressiva das cargas de treino durante a fase pré-competitiva da periodização é


uma estratégia de treinamento frequentemente utilizada por técnicos, preparadores físicos e atletas
de diversas modalidades esportivas.

Pesquisadores de ciências do esporte e do exercício estão totalmente cientes do potencial


incremento no desempenho proporcionado por um período regenerativo bem elaborado. Essa
consciência provém tanto de experimentações empíricas adotadas por atletas de alto rendimento
como de experimentos mais bem elaborados e controlados realizados por diversos grupos de
pesquisa no mundo (MUJIKA; PADILLA, 2000).

Tal redução das cargas de treinamento (especificamente do volume de treino e não de sua
intensidade) é chamada na literatura do treinamento esportivo de taper. O termo refere-se a treinamento
reduzido, período regenerativo ou, como é particularmente chamado na natação, polimento (MUJIKA;
PADILLA, 2000).

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Grande quantidade de trabalhos tem sido realizada ao longo dos anos para identificar os efeitos
do taper (polimento) e vários estudos têm relatado os efeitos positivos no desempenho e nas
variáveis fisiológicas.

O período pré-competitivo caracteriza-se pela redução da carga de trabalho, no qual os exercícios


são de alta intensidade e alteram-se com recuperação completa caracterizando uma forma eficaz
de mensurar a recuperação do treinamento. Em geral, o período tem duração de uma a quatro
semanas (MUJIKA; PADILLA, 2000).

Os estudos têm indicado que o volume de treinamento durante o período de taper deve ser
reduzido consideravelmente para ter um efeito benéfico após este período de treinamento. Shepley
et al. (1992), em estudo com corredores de longa distância, observou que a redução do volume
em 62% durante sete dias não melhorou o desempenho dos corredores. Por sua vez, uma redução
de 90% no mesmo período resultou em um aumento de 22% no tempo de exaustão em corrida.
Houmard e Johns (1994) verificaram que uma redução de 60 a 90% do volume de treino semanal
melhorou o desempenho em 2,8% no desempenho da corrida.

Os valores mais encontrados na literatura como redução de volume estão em torno de 30 a 80%
(DENADAI; GRECCO, 2005). Estes volumes de redução parecem ser fundamentais para o processo
de recuperação e supercompensação das capacidades motoras e dos substratos energéticos.

Qual intensidade?
A intensidade é de fundamental importância para manutenção e aprimoramento da condição
física do atleta. Segundo Mujika e Padilla (2000), a intensidade deve ser mantida durante o período de
taper para que não ocorra perda das adaptações das capacidades motoras treinadas anteriormente.

Qual frequência semanal?


A frequência semanal é uma variável do treinamento que não pode ser esquecida pois, se houver
uma redução acentuada, poderá comprometer os ganhos nas capacidades motoras enfatizadas
ao longo do período preparatório. Sugere-se que a alta intensidade alta seja mantida durante o
período de taper.

Mikessell e Dudley (1984 apud GARRETT; KIRKENDALL, 2003) substituíram o programa de


treinamento com predominância aeróbia em atletas de fundo bem treinados por treinamentos

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com volume reduzido e alta intensidade durante seis semanas. Os atletas realizavam corridas
de 40 minutos em intensidade de 90% do VO2máx e sessões de treinamento com intervalos em
dias intercalados. Após cinco semanas de treinamento, houve melhora significativa no tempo dos
10 km. Mikessell e Dudley (1984 apud GARRETT; KIRKENDALL, 2003). Estes dados sugerem que
aumentos na intensidade e diminuição no volume podem trazer benefícios no desempenho em
atletas de fundo bem treinados.

Uma frequência semanal de treinamento pode ser mantida por volta de 80% em relação ao
período anterior ao taper (MUJIKA; PADILLA, 2000, DENADAI; GRECCO, 2005).

Mesociclo competitivo

Representa a base do período competitivo, onde sua estrutura e conteúdos são determinados
pela especificidade da modalidade desportiva, pelo sistema de preparação escolhido, pelo calendário
de competições e pela qualificação do atleta. A figura 14 demonstra a distribuição dos microciclos
no mesociclo competitivo (adaptado de GOMES, 2002). O conteúdo neste mesociclo deve objetivar
a utilização de cargas de treinamento competitivas, com intensidade elevada. Neste mesociloc,
também devem ser utilizados meios de regeneração.

Figura 14 – Mesociclo competitivo


100
90
80
70
% DA CARGA

60
50 Competitivo
40 Recuperativo
Pré-competitivo
30
20
10
0
MICROCICLOS

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

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ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DO MICROCICLO


O microciclo é a estrutura que organiza e assegura a coerência das cargas ao longo de uma
sequência determinada de sessões de treino. Platonov (2008) define microciclo como o período de
alguns dias em que são realizadas tarefas complexas e correspondentes a uma fase específica de
preparação. Em nossa opinião, o microciclo é uma das estruturas mais importantes do processo.

Duração e constituição do microciclo


A duração do microciclo, segundo a literatura especializada, está entre 3 a 14 sessões. Os mais
comuns são os microciclos de sete dias, que, por coincidirem com o calendário semanal, ajustam-
se adequadamente ao regime de vida do atleta. Os microciclos competitivos geralmente seguem
menos ou mais de sete dias.

No microciclo devem aparecer bem identificados os objetivos da etapa de preparação em que


se encontra, os quais constituem a base para a concepção das sessões de treino. Nas semanas de
treino, os objetivos de cada etapas devem estar claros haja vista que, aqui, está a base das sessões
de treinamento. Ainda há de se considerar alterações no sistema tático da equipe ou atleta.

Organização do microciclo
No plano corrente devem surgir os programas detalhados de cada sessão de treino, discriminando
níveis de solicitação da carga e conteúdos. Assim, as informações contidas no plano corrente
descrevem:

• a distribuição das sessões de treino em cada dia da semana;


• a descrição detalhada da sequência dos procedimentos metodológicos e de conteúdo de
cada sessão de treino.

Deve-se estabelecer o grau de importância da cada capacidade física dentro do microciclo, em


que deve constar o nível de ênfase adaptativa da cada capacidade. Existem diferentes graus de
adaptação para cada capacidade de acordo com o momento em que se encontra no planejamento
pré-determinado. Esta ênfase pode ser dividida na seguinte maneira:

1. Alto grau de adaptação: +++


2. Médio grau de adaptação: ++
3. Manutenção ou baixo grau de adaptação: +

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Mas como identificar o grau de importância de uma capacidade? Através do número de vezes
que ela será treinada na semana. Por exemplo, se o treinamento de velocidade é realizado somente
uma vez na semana, isto significa que o grau de importância para a velocidade naquele momento
é baixo. Porém, quando um treinamento de resistência anaeróbia lática é realizado de três a quatro
vezes na semana, significa um alto grau de importância para esta capacidade física.

São estabelecidas exigências de carga associadas a cada sessão, com indicação do volume e
da intensidade pretendidos (a densidade poderá ser de alguma utilidade em algumas modalidades),
assim como uma apreciação – normalmente qualitativa – sobre o nível de carga da sessão. Muitas
vezes é útil ter uma representação esquemática ou gráfica do microciclo, de modo a demonstrar
melhor a dinâmica das cargas, sua alternância e os efeitos de recuperação pretendidos.

Nos microciclos com objetivos de desenvolvimento das capacidades físicas, Matveiev (1996)
recomenda que, após dois a três dias de cargas altas, sejam aplicadas cargas de caráter recuperativo
para promover uma melhor adaptação ao treinamento.

Classificação dos microciclos


Os microciclos, conforme sua característica e posicionamento no macrociclo, são classificados
em microciclos de treinamento, controle, pré-competitivo e competitivo.

Microciclos de treinamento

Os microciclos de treinamento têm como tarefa principal criar um efeito adaptativo sumário,
elevando os níveis de aptidão. São subdivididos segundo o conteúdo predominante das cargas de
treinamento em: choque, ordinário, estabilizador e recuperativo.

Microciclo de choque

Caracterizado por predominância de cargas máximas ou próximas das máximas, apresentando


cargas que variam entre 80-100%. As porcentagens de carga estão definidas nas figuras 15 e 16.
Esse microciclo é mais utilizado na preparação de atletas de alto rendimento. O conteúdo específico
dos microciclos de choque representa de duas a cinco cargas de choque na semana. Vale ressaltar
que o objetivo deste microciclo é treinar em sub-recuperação ou da fadiga em progressão de uma
sessão de treinamento para outra.

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Figura 15 – Microciclo de choque com um pico
100
80

% DE CARGA
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Figura 16 – Microciclo de choque com dois picos


100
80
% DE CARGA

60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Microciclo ordinário

Caracterizado por cargas moderadas, entre 60-80% do máximo apresentado pelo indivíduo. O
conteúdo especifico desses microciclos constitui-se de duas a seis sessões de carga ordinária
(ver figuras 17 e 18).

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Figura 17 – Microciclo ordinário com um pico

80

60
% DE CARGA
40

20

0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Figura 18 – Microciclo ordinário com dois picos


100
80
% DE CARGA

60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Microciclo estabilizador

Aplicado com o objetivo de assegurar a estabilidade da aptidão física adquirida com o treinamento,
utilizando cargas predominantes entre 40-60% do máximo. Pode ser aplicado também no período
inicial de treinamento, em que cargas médias favorecem uma adaptação favorável neste estágio
(ver figura 19).

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Figura 19 – Microciclo estabilizador

60
50

% DE CARGA
40
30
20
10
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Microciclo recuperativo

O objetivo principal deste ciclo é assegurar a restauração completa dos sistemas utilizando
predominantemente cargas de 10 a 40% do máximo (ver figura 20).

Figura 20 – Microciclo recuperativo

60
50
% DE CARGA

40
30
20
10
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Microciclo de controle

O microciclo de controle é composto por testes de controle ou competições de controle como


processo de avaliação. Este é planejado geralmente no final das etapas de treino e visa avaliar
a aptidão geral e traçar novas metas ou avaliar o comportamento em competições. A figura 21
demonstra um microciclo em que os controles são realizados na terça e na quinta-feira.

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Figura 21 – Microciclo de controle

100
80
% DE CARGA
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Microciclo pré-competitivo

O microciclo pré-competitivo é construído na dependência das condições de aproximação das


competições mais importantes, das quais geralmente inclui entre cinco a dez dias. Neste microciclo,
será assegurada a recuperação, as cargas máximas não são mais utilizadas, podendo ser orientado
cargas altas com períodos de recuperação completa. Segundo Platonov (2008), os microciclos
pré-competitivos devem ter uma atenção especial às particularidades da personalidade do atleta.
Esportistas com personalidade extrovertida, propensos ao excesso de estimulação, devem utilizar
microciclos com regime de trabalho leve, volume pequeno de exercícios de velocidade e cargas
relativamente pequenas em cada sessão. Esportistas com personalidade introvertida, propensos
à inércia e ao predomínio de processos inibitórios, podem se beneficiar mais de microciclos com
vários exercícios de caráter de velocidade e sessões realizadas no método competitivo.

Microciclo competitivo

A principal tarefa do microciclo competitivo consiste em assegurar o estado conseguido no


período preparatório no decorrer das competições. A figura 22 apresenta um modelo de microciclo
com competição na quarta-feira e no sábado, e a figura 23 mostra um modelo de microciclo com
competição no sábado.

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Figura 22 – Microciclo competitivo com duas competições

100

% DE CARGA
80
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Figura 23 – Microciclo competitivo com uma competição


100
% DE CARGA

80
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Fonte: Monteiro; Evangelista (2012).

Pág. 35 de 43


ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DA SESSÃO


A sessão é o ponto de partida para organizar e estruturar a preparação do atleta. Como forma
do processo pedagogicamente organizado, representa um sistema de exercícios que visa a solução
das tarefas de um determinado microciclo. A elaboração da sessão, no aspecto metodológico,
baseia-se nos princípios pedagógicos e biológicos do exercício físico, em que devem ser levados em
conta alguns fatores como os objetivos, os meios de treinamento, os métodos de treinamento e a
grandeza da carga. Na classificação conforme o objetivo principal, as sessões podem ser divididas
em sessões de treino e de controle. As sessões de treino visam o aumento do estado de treinamento
e podem resolver problemas diversificados, como o desenvolvimento das capacidades físicas e a
aprendizagem de determinadas habilidades motoras. A sessão de controle pressupõe a avaliação
do processo de treinamento e também serve como parâmetro para ajuste da carga de treino.

A literatura especializada é unânime em dividir a sessão em partes: preparatória, básica ou


principal e conclusiva.

Parte preparatória
Na parte preparatória da sessão, são criadas premissas para a atividade eficiente dos atletas
na parte básica da sessão, e o aquecimento é o procedimento mais apropriado. O aquecimento foi
definido por Weineck (1999) como um conjunto de medidas para preparação de um estado psicofísico
e coordenativo-cinestésico ideal, assim como para a prevenção de lesões. Platonov (2008) define
aquecimento como o conjunto de exercícios e procedimentos especialmente selecionados para a
preparação eficaz do organismo ao trabalho que virá. Sua função seria a de ajuste dos sistemas
funcionais para que o organismo possa começar seu trabalho no alto de sua capacidade.

O aquecimento é um componente obrigatório na organização racional do processo de preparação


e nas competições. Sua ausência ou insuficiência provoca o aumento significativo da probabilidade
de traumas musculares (PLATONOV, 2008).

Segundo a especificidade, o aquecimento é dividido em:

• Geral: aumento das possibilidades funcionais do organismo, utilizando os grandes grupos


musculares.
• Específico: solicitações funcionais e motoras com grande relação com o treinamento ou a
competição.

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Parte principal
Esta parte da sessão é dedicada ao verdadeiro treinamento, desenvolvendo as rotinas de exercício,
habilidades motoras e planos táticos para um dia especial.

De acordo com a orientação dos meios e métodos utilizados, é conveniente classificar as sessões
em sessões de orientação seletiva e de orientação complexa.

Sessões de orientação seletiva

O programa das sessões de orientação seletiva é planejado de forma que o volume básico dos
exercícios garanta a solução de uma determinada tarefa (por exemplo, resistência anaeróbia).

Há algumas variantes de construção das sessões de orientação seletiva: utilização de meios


com uma única orientação, uso de diferentes meios e métodos de treinamento e a utilização, em
cada tarefa, de um amplo conjunto de meios diferentes de orientação única.

A capacidade de treinamento dos atletas é maior quando, no processo da preparação, são


utilizadas sessões com orientação seletiva e programas variados que incluem exercícios em
regimes diferentes (PLATONOV, 2008). As sessões diversificadas agem de forma mais ampla sobre
o organismo, mobilizando funções diferentes que determinam a manifestação das respectivas
capacidades físicas. Durante sessões compostas por programas variados, a capacidade de trabalho
do atleta mostra-se significativamente maior.

São menos eficazes sessões em que se utiliza por muito tempo os mesmos meios, inclusive
quando estes são mais eficazes para o objetivo estabelecido. O que ocorre nestes casos é a
rápida adaptação do organismo aos meios utilizados, a diminuição do crescimento do preparo e,
posteriormente, a interrupção deste crescimento (PLATONOV, 2008).

O mesmo autor afirma que o fato de as sessões que utilizam meios variados de orientação única
serem altamente eficazes não exclui completamente do processo de treinamento as tarefas cujo
programa é repetitivo. Elas podem ser planejadas, por exemplo, quando o objetivo é aperfeiçoar
a capacidade de realizar determinado trabalho de forma econômica ou aumentar o equilíbrio
psicológico durante um trabalho monótono, tenso e de longa duração, o que é muito importante
para a manifestação da resistência especializada durante a superação de distâncias longas.

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Sessões de orientação complexa

A construção de sessões de orientação complexa pressupõe a utilização de meios de treinamento


que possibilitem a solução de mais de uma tarefa. Existem duas variantes de construção: divisão
do programa em duas ou mais partes independentes e desenvolvimento paralelo das capacidades
físicas.

Divisão do programa em duas ou mais partes independentes (solução sequencial de tarefas)

No que diz respeito ao conteúdo das sessões de treinamento, as sequências devem ser baseadas
no estado do SNC e em como isso pode afetar a aprendizagem ou a aquisição de certas capacidades.
A ordem sugerida de eventos é baseada nestes princípios (BOMPA, 2004):

1. Primeiramente, os atletas devem ser expostos a rotinas de exercícios as quais têm


como objetivo a aprendizagem ou aperfeiçoamento dos elementos técnicos e táticos. A
aprendizagem é maior quando o SNC está descansado. Por outro lado, a incorporação da
habilidade de aquisição de rotinas, seguindo outras atividades, irá afetar a aprendizagem
simplesmente porque a memória é impedida pela fadiga.
2. Planejar atividades destinadas a desenvolver velocidade de reação e coordenação, uma vez
que esses tipos de atividades (especialmente a velocidade de reação) são afetados pela
qualidade dos impulsos nervosos enviados pelo sistema nervoso ao músculo trabalhado.
Portanto, é extremamente aconselhável que tais exercícios sejam realizados no início da
parte principal da sessão.
3. Os exercícios que têm como objetivo o desenvolvimento da força e potência devem ser
colocados após movimentos designados para melhorar a técnica ou aumentar a velocidade.
A razão é dobrada: se por um lado exercícios de velocidade de reação representam a ativação
do SNC, o que é favorável ao desenvolvimento da força máxima e força explosiva, por outro,
em curto prazo, empregar cargas intensas pode prejudicar o desenvolvimento da velocidade.
4. Finalmente, o desenvolvimento da resistência deve ser colocado no final da sessão porque
essa atividade é muito exigente, portanto estressante. Obviamente, sob essas condições,
não é apropriado esperar que atletas adquiram habilidades e desenvolvam qualidades que
requerem alta velocidade.

Exemplo 1 – velocidade + resistência anaeróbia + resistência aeróbia

Exemplo 2 – aprendizado de elementos técnicos + preparação física + aperfeiçoamento tático

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Desenvolvimento paralelo das capacidades físicas (solução paralela de tarefas)

Geralmente, nessas sessões, é possível solucionar completamente três tarefas de significado


equivalente:

1. Garantir o aperfeiçoamento das capacidades de velocidade e da resistência durante o


trabalho de caráter anaeróbio.
2. Desenvolver a resistência durante o trabalho de caráter aeróbio e anaeróbio.
3. Aperfeiçoar os componentes técnicos e táticos etc.

Podemos citar como exemplo o seguinte programa de corrida: 10 x 400 m, com velocidade de
85 a 90% da capacidade máxima para essa distância e pausas de 45 segundos. Esse programa
permite o aumento do nível de rendimento aeróbio. Por outro lado, exige muito do sistema glicolítico,
estimulando o aumento da resistência ao trabalho de caráter anaeróbio.

Outro exemplo é o treinamento em circuito composto por exercícios resistidos e intercalando


com a corrida. Nesta tarefa, a força e a resistência muscular são desenvolvidas assim como a
resistência aeróbia.

Aplicação das sessões de orientação seletiva e complexa


Quando os conteúdos das sessões apresentam exercícios com uma única orientação, porém
bem variados, os atletas manifestam maior capacidade de trabalho do que se estivessem diante
de exercícios repetitivos. As sessões diversificadas agem de forma mais ampla sobre o organismo,
mobilizando funções diferentes que determinam a manifestação das respectivas qualidades.
Durante sessões compostas de programas variados, a capacidade de trabalho do atleta mostra-se
significativamente maior.

Nos atletas de pouca qualificação que se encontram em etapas iniciais da preparação em longo
prazo, devem ser planejadas, preferencialmente, sessões de orientação complexa com solução
sequencial das tarefas. Essas tarefas, por sua motivação, exercem influência sobre os aspectos
psicológicos e funcionais do organismo e ao mesmo tempo consistem em estímulos bastante
eficazes para a evolução do atleta. No treinamento de jovens atletas, a ampla utilização de sessões
de orientação seletiva desencadeia uma série de consequências negativas, como excesso de
fadiga e de tensão dos sistemas funcionais e exploração excessiva das capacidades adaptativas
do organismo.

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As sessões complexas podem constituir a parte principal do processo de treinamento na


preparação de jovens atletas de qualquer modalidade. Elas garantem o alcance de vários objetivos
estabelecidos no programa do treinamento e, por outro lado, abrem ao desportista a perspectiva
de intensificação significativa do processo de treinamento no futuro, por conta do aumento da
quantidade de sessões de orientação seletiva.

Na preparação de atletas qualificados e bem treinados, as sessões de orientação complexa


podem ser utilizadas para manutenção do nível de treinamento atingido anteriormente. Esse enfoque
é especialmente útil quando o período competitivo tem longa duração e inclui a participação em um
grande numero de competições. As particularidades da construção de um programa de sessões
desse tipo permite variar o treinamento e utilizar um volume de trabalho significativo com uma
carga total relativamente pequena.

Tarefas complexas com programas variados e motivadores e carga total relativamente pequena
são uma boa forma de descanso ativo e podem ser utilizadas para aceleração dos processos de
recuperação após sessões com cargas ordinárias de caráter seletivo. Além disso, também podem
ocupar posição importante na composição dos microciclos de recuperação.

Parte conclusiva
Durante esta parte, são normalmente utilizados exercícios que auxiliam no retorno progressivo
a uma condição próxima ao repouso. Os mais utilizados são os exercícios aeróbios em baixa
intensidade (corrida, natação, ciclismo etc.), relaxamento e alongamento.

ATIVIDADE REFLEXIVA

Considerando o que foi apresentado, reflita sobre a seguinte questão: como um preparador físico
pode fazer da periodização do treino uma prática rotineira de seu trabalho?

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a análise de todas as variáveis que compõem o planejamento em longo prazo, fica evidente
que o conceito de periodização é multifatorial. Conhecimentos básicos de fisiologia, biologia,
cinesiologia/biomecânica e até mesmo de matemática são fundamentais para elaboração de
modelos de planejamentos que supram a demanda do atleta e sua modalidade.

Além disso, se levarmos em consideração que, no alto rendimento, a diferença entre o primeiro e o
último colocado pode ser de apenas milésimos de segundos, modelos organizados de planejamento
são indispensáveis.

Cabe também ao profissional entender sobre conceitos de carga de treinamento, dominar os


princípios do treinamento (além de saber aplicá-los na prática) e conseguir avaliar o atleta de período
em período para atingir o máximo do platô adaptativo permitido.

GLOSSÁRIO

Aeróbia: que precisa do oxigênio para que se desenvolva ou sobreviva; diz-se do organismo que
necessita de oxigênio em seu metabolismo. Fonte: <[Link]

Anaeróbio: que implica processos metabólicos que não envolvem oxigênio. Fonte: <[Link]
[Link]/dlpo/anaer%C3%B3bia>.

Lático: relativo ao ácido lático, o qual é um produto da desintegração dos carboidratos (glicose e
glicogênio). Fontes: <[Link] <[Link]
br/[Link]?ACIDO+LATICO++COMO+AGE+E+QUAL+SUA+IMPORTANCIA&__idNot=231>.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ZAKHAROV, A. Ciência do treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Palestra Sport, 1992.

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Common questions

Com tecnologia de IA

Os modelos tradicionais de periodização, como o de Matveiev, enfatizam uma preparação geral, com ciclos definidos de microciclos, mesociclos e macrociclos, e foram eficazes em modalidades cíclicas. Por sua vez, os modelos contemporâneos, influenciados por autores como Yuri Verkhoshansky, focam na individualização, concentração das cargas em curto período, desenvolvimento consecutivo das capacidades, e incremento do trabalho específico, adaptando-se melhor às necessidades metabólicas específicas de diferentes esportes e respondendo às inconstâncias do calendário de competições .

Os microciclos pré-competitivos são ajustados levando em consideração as personalidades dos atletas. Atletas extrovertidos podem se beneficiar de regimes de trabalho leves com menos estímulos intensos, prevenindo superestimulação. Já os introvertidos são adequados para intensos exercícios de velocidade e métodos competitivos, aproveitando sua tendência natural para inércia e processos inibitórios, maximizando sua preparação emocional e física pouco antes das competições .

O microciclo recuperativo tem a função principal de restaurar completamente os sistemas do atleta, utilizando cargas leves, predominantemente entre 10-40% do máximo permitido. Ele é aplicado para assegurar a recuperação do atleta entre sessões e para garantir que o atleta possa continuar suportando novas cargas em mesociclos subsequentes, sendo essencial para prevenir sobrecarga e otimizar o desempenho .

Yuri Verkhoshansky revolucionou os modelos contemporâneos de periodização ao introduzir um sistema que enfatizava a programação, organização e controle em vez de uma planificação estática. Sua abordagem incluía uma concentração de cargas em curto espaço de tempo, desenvolvimentos consecutivos de capacidades, e um maior enfoque no trabalho específico, adaptando o treinamento às exigências específicas de cada esporte e respondendo de forma mais eficaz a calendários competitivos irregulares .

O aumento do calendário esportivo impôs a necessidade de revisão do sistema tradicional de preparação de atletas que previa um ou dois picos anuais de forma, já que agora as competições importantes são mais frequentes. Para atender a essa demanda, foi necessário aperfeiçoar a teoria da periodização, buscando concepções mais flexíveis que permitam um maior número de picos de desempenho durante o ano competitivo, sem comprometer a preparação integral do atleta .

O período transitório serve para recuperar completamente o potencial de adaptação do organismo dos atletas após ciclos intensos de treinamento e competição. Caracteriza-se por uma redução significativa no volume e na intensidade dos treinos, promovendo descanso ativo ou passivo. Este período é crucial para assegurar que o atleta esteja fisicamente e mentalmente recuperado e pronto para iniciar novo ciclo de treinamento, com suas capacidades físicas reavaliadas e planejadas .

A abordagem de periodização de Matveiev é caracterizada por cargas distribuídas e uniformes ao longo do ciclo anual, com volume moderado e contínuo de aplicação de estímulos, enfoque na preparação global do atleta, e uma disposição ondulatória das cargas e períodos de treinamento. A formação geral é priorizada para criar e ampliar as bases necessárias para a especialização, sendo especialmente eficaz para atletas de nível médio .

Os mesociclos são estruturados de forma a aumentar progressivamente a carga de treino, facilitando a transição gradual para exercícios mais específicos e intensos. Essa estrutura permite adaptação fisiológica obrigatória, elevação dos níveis de aptidão, e ajuste do treino para níveis de competição, enquanto se assegura períodos recuperativos. Mesociclos curtos e intensos pouco antes de competições ajudam a maximizar o desempenho, sendo indicados para atletas de alto rendimento .

O macrociclo é uma estrutura fundamental na teoria da periodização esportiva, representando um período de treinamento que busca concretizar efeitos específicos ou adaptações para alcançar desempenho competitivo elevado. Ele faz parte de um processo de longo prazo para o desenvolvimento da forma esportiva de alto nível e é essencial para preparar o atleta para competições importantes, sendo tradicionalmente dividido em sessões, microciclos, mesociclos e fases .

O período preparatório especial se concentra na ênfase adaptativa das capacidades determinantes específicas para a modalidade esportiva em questão, diferindo do período de preparação geral que foca nas capacidades motoras gerais e secundárias. No preparatório especial, há mais atenção para habilidades técnicas e capacidades motoras como velocidade de reação e resistência, com prioridade na intensidade do treino sobre o volume, enquanto o período geral trabalha uma amplitude mais ampla de habilidades .

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