Periodização do Treinamento Esportivo
Periodização do Treinamento Esportivo
SUMÁRIO
Introdução à organização e sistematização do treinamento: sistemas de
periodização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
O que é periodização? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Por que periodizar o treinamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Quando periodizar o treinamento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Síntese histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Modelo tradicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Modelos contemporâneos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Antes de planejar uma periodização, devemos ser capazes de responder três perguntas básicas,
as quais deverão nortear a comissão técnica na sua elaboração:
• O que é periodização?
• Por que periodizar o treinamento?
• Quando periodizar o treinamento?
Figura 1 – Desporte
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O QUE É PERIODIZAÇÃO?
Em uma empresa, é comum estabelecer metas e objetivos em seus setores, e o nome dado a
esse conjunto de estratégias é chamado de planejamento.
[...] um processo de estruturação das fases de treinamento que busca atingir níveis
máximos ou ótimos das capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas dos
atletas através de avaliações periódicas. A finalidade é verificar quais são os pontos
que foram bem trabalhados e áreas que devem sofrer alterações na aplicação dos
treinamentos, porém em ambas as áreas de atuação profissional torna-se necessário
planejar. Segundo Stone (1999), periodizar é o método lógico de manipulação das
variáveis de treinamento tendo como fim o aumento do potencial para atingir objetivos
de performance (MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 71).
Contudo, avaliações deste processo devem ser periódicas, e suas interpretações devem ser
pontuais, concisas e precisas para que possamos tomar as devidas decisões neste momento.
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SÍNTESE HISTÓRICA
A história da planificação ou periodização desportiva pode ser dividida em três períodos:
• 1ª fase: desde os primeiros autores até 1950, onde se inicia o conceito de periodização, ou
também chamado de período dos precursores da periodização desportiva.
• 2ª fase: de 1950 até 1970, momento onde se começam os questionamentos sobre os modelos
clássicos aparecendo novas propostas de modelos, ou também chamado de período dos
modelos tradicionais.
• 3ª fase: de 1970 até os dias de hoje, sendo o momento de grande evolução dos conhecimentos
da área do treinamento desportivo, também chamado de período dos modelos contemporâneos.
(MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 71 apud MANSO et al. 1996).
ACONTECEU
Link: <[Link]
Modelo tradicional
Matveiev acreditava que a preparação geral era primordial para o rendimento esportivo, em que
a forma esportiva só poderia ser mantida por períodos de tempo muito curtos.
Os modelos tradicionais ainda são usados por grande número de treinadores na atualidade,
apesar de serem antigos em sua origem (MANSO et al., 1996) Estes modelos foram criados para
atender uma demanda específica (mostraram sucesso principalmente em modalidades cíclicas
como o atletismo), não podendo ser sempre adaptados a todos os desportos.
Para o caso específico dos países que integraram a extinta União Soviética (URSS), em meados
da década de 1950, muitos foram os autores responsáveis pelo avanço teórico da periodização do
treinamento físico. Entre eles, destaca-se Lev Pavlovic Matveiev, considerado “o papa” da periodização
moderna segundo Manso et al. (1996) e Oliveira (1998). Em sua concepção da planificação do
treinamento, Matveiev classifica os períodos de treinamento em três níveis, também chamados de
ciclos: microciclos, mesociclos e macrociclos.
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Modelos contemporâneos
Um mais conhecidos desta fase é o autor Yuri Verkhoshansky, que não utiliza os termos
planificação ou periodização, mas sim um sistema onde se encaixam os conceitos de programação,
organização e controle. Os conceitos dele e de outros autores estão apresentados logo a seguir:
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1. Propõe forma ondulatória de carga com contínuas fases breves causadas por alterações
frequentes de intensidade e volume;
2. Busca de um nível ótimo (não o máximo) das capacidades biomotoras;
3. Aplicação de um modelo de adaptação biológica;
4. Utilização de Cargas Altas de treinamento;
5. Predominância do trabalho específico;
6. Introdução de intervalos de caráter profiláticos devido ao uso de altas cargas;
7. Pouca diferença de carga de trabalho entre o período preparatório e específico;
8. Busca do desenvolvimento e utilização ótima das capacidades determinantes de cada
modalidade;
9. Utilização do controle de carga durante todo o processo de treinamento.
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CURIOSIDADES
Leia o artigo a seguir, que faz uma revisão bibliográfica com o objetivo de comparar o modelo
clássico de periodização do treinamento (MP) criado por Matveev na década de 1950 com o modelo
de periodização por blocos de Verkhoshansky.
Link: <[Link]
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Forteza de la Rosa (2009, p. 104-105) apresenta a opinião de alguns autores importantes sobre
o método de Matveiev:
Weineck (1989) afirma que a preparação geral tem sentido apenas para elevar o estado
geral de preparação do atleta, que, por si, já está elevado pelos anos de treinamento
realizados. Por essa razão, segundo o autor, não se desencadeiam nos atletas os
processos adaptativos para a capacidade de conseguir mais resultados.
Para Gambetta (1990), o modelo Matveiev é válido somente para as primeiras fases
de treinamento, considerando-se que ao aumentar o nível de rendimento dos atletas
deve-se aumentar também a porcentagem de utilização dos meios de preparação
específica.
Bompa (1983) argumenta que não existe, com os calendários competitivos atuais,
tempo disponível para a utilização de meios de preparação geral que não correspondem
à especificidade concreta do esporte [...].
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Com relação às cargas gerais e altos volumes de trabalho nas fases básicas de treinamento,
Matveiev (1996) argumenta que “[...] esse é um fator que não pode ser contestado e muito menos
eliminado. Nesse fenômeno, os conteúdos gerais estão em dependência dos conteúdos específicos
e vice-versa” (apud FORTEZA DE LA ROSA, 2009, p. 105).
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Ozolin
Manso
SAIBA MAIS
Leia o artigo a seguir sobre a adequabilidade dos principais modelos de periodização do treinamento
esportivo:
Link: <[Link]
A base teórica da preparação anual denominada teoria da periodização foi fundamentada nos
estudos de Matveiev (1965 apud BOMPA, 2002), desenvolvida posteriormente por outros especialistas
(PLATONOV, 2008; HARRE, 1989) e amplamente difundida pelo mundo (BOMPA, 2002). Essa teoria
tem como fundamento a divisão da preparação esportiva em grandes ciclos de treinamento
(macrociclos). Devido à sua grande aceitação, foi introduzida no sistema de preparação olímpica
de atletas de vários países.
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No entanto, a partir dos anos 1980 e 1990, o calendário esportivo foi ampliado, as competições
importantes passaram a ocupar grande parte do ano e o sistema da preparação de atletas, que
incluía apenas entre um a dois picos de preparação para intervenções importantes, já não atendia
mais as necessidades da prática.
Atualmente, depois de praticamente duas décadas de aplicação desse enfoque, ficou claro que,
ao mesmo tempo que se consegue preparo suficiente para participar em várias competições em um
só ano, o atleta experimenta também a acentuada diminuição das chances de alcançar os melhores
resultados nas principais competições e sofre com a deterioração da qualidade da preparação e do
nível dos resultados, além de ver aumentar a ocorrência de lesões (PLATONOV, 2008).
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Por outro lado, é importante considerar que a periodização em muitos ciclos exige a observação
de uma série de noções básicas bastante diferentes daquelas que orientam os esquemas tradicionais
de um ou dois ciclos. Entre eles, especialmente em relação à preparação de atletas de alto nível, é
importante citar os seguintes (PLATONOV, 2008):
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O número de macrociclos que surgem em um ano de treino ou época desportiva dá lugar a uma
classificação do tipo de periodização que se utiliza:
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PP PC PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório
No entanto, em um ciclo anual, como citado anteriormente, pode haver a necessidade de mais
de um pico de rendimento. Nos últimos anos, encontramos outras variantes de planejamento da
carga de treinamento de quatro a seis ciclos competitivos no ano. Neste caso pode-se ter uma
periodização dupla (dois picos) ou uma periodização tripla (três picos), como demonstram as figuras
4 e 5. No caso em que se repete mais de um macrociclo durante o ano, os períodos preparatório e
competitivo são destacados e o período de transição pode desaparecer em alguns macrociclos.
Isso ocorre principalmente quando o tempo para a próxima competição é curto, promovendo uma
diminuição indesejada do rendimento adquirido no ciclo anterior.
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PERIODIZAÇÃO DUPLA
Performance
PP 1 PC 1 PT PP2 PC2 PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório
PERIODIZAÇÃO TRIPLA
Performance
PP 1 PC 1 PP 2 C 2 PT PP3 PC3 PT
PP - Periodo Preparatório
PC - Periodo Competitivo
PT - Periodo Transitório
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PPG PPE PC PT
PPG - Período Preparatório Geral
Volume PPE - Período Preparatório Especial
PC - Período Competitivo
Intensidade PT - Período Transitório
Performance
Para atletas em formação, o volume de treinamento permanece alto durante todo o período
preparatório (geral e especial), sendo reduzido apenas durante o período competitivo e transitório.
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Neste período, damos ênfase à preparação física, de forma a desenvolver as capacidades gerais.
Tais capacidades motoras servirão de alicerce para que o atleta consiga suportar altos volumes e
alta intensidade de treinamento durante os períodos mais intensos de carga.
A preparação técnico-tática fica em segundo plano. Isso não significa que ela não será abordada,
porém a ênfase será dada à destreza e às habilidades motoras.
Nos dias de hoje, devido ao pequeno tempo de período de preparação, técnicos e preparadores
físicos podem compor treinos com características físico-técnicas nos quais serão enfatizados, na
mesma sessão, alguns gestos técnicos e capacidades motoras adequados para aquele momento
de preparação. Por exemplo: realizar quatro séries de cinco minutos de jogo com pausa de dois
minutos entre cada série, onde cada atleta terá que dominar e passar a bola imediatamente. Outro
exemplo, no basquetebol: jogar durante um minuto, um contra um, ou seja, um atleta ataca e outro
defende, com pausa de dois minutos entre cada série. Neste tipo de treino, os atletas trabalham
fundamentos de defesa e ataque e ao mesmo tempo a resistência anaeróbia lática e o metabolismo
aeróbio entre as ações. Cabe ressaltar que esta forma de trabalho físico-técnico já no período
preparatório geral cabe para equipes que possuem pouco tempo para trabalhar os fundamentos
técnicos e a parte física de seus atletas.
Caso seja utilizado o modelo clássico de Matveiev, serão enfatizados microciclos de choque
e ordinários intercalados com microciclos com características recuperativas ou de manutenção.
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Por exemplo, na modalidade voleibol, durante o período preparatório especial, devemos enfatizar
o treino da velocidade de reação, potência (força explosiva) e resistência de força. As outras
capacidades motoras também podem ser treinadas, porém com diferentes graus de importância.
Quanto à preparação técnica, seu objetivo é a assimilação mais completa da técnica das ações
competitivas.
O período competitivo
Durante o período competitivo, é necessário criar condições para o aperfeiçoamento de diversos
fatores da preparação esportiva, a qual deve ser integral e ocorrer em uma sequência lógica de
conteúdos distribuídos na etapa pré-competitiva e competitiva propriamente dita.
Objetivos:
De acordo com Zakharov (1992), o período competitivo pressupõe a estrutura direta da forma
esportiva, sua realização em resultados esportivos altos nas competições principais, assim como
a manutenção do nível de preparação atingido.
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A preparação técnico-tática assegura a forma escolhida de atividade motora até o mais alto
grau possível. É importante levar em consideração os períodos de recuperação entre os treinos e
provas competitivas neste período.
O período transitório
O período transitório contribui para a recuperação completa do potencial de adaptação do
organismo e serve como elo entre os macrociclos. Por isso, podemos definir como seu objetivo
principal o de recuperar as capacidades físicas predominantes.
Normalmente são utilizadas entre duas a quatro semanas, em geral, a fim de proporcionar
recuperação das reservas energéticas, mas este período não é fixo, pois a duração do período
transitório depende da estrutura optada no ciclo de anual e do grau de tensão dos períodos
transcorridos do macrociclo (ZAKHAROV, 1992). Existem muitas controvérsias a respeito do tempo
do período transitório. Em nosso ponto de vista, cremos que tal decisão deve ser feita em conjunto
com a comissão técnica e o atleta em questão, levando em conta principalmente, como citado, os
resultados das avaliações médicas e físicas.
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Segundo Rowbottom (apud GARRET; KIRKENDALL, 2003), os mesociclos são projetados como
ciclos discretos de treinamento, cada um incorporando um período intensivo seguido de um
período reduzido de recuperação e regeneração. As avaliações permitirão controlar as respostas
agudas e crônicas e sua eficácia naquilo que foi proposto e treinado ao longo dos microciclos que
contemplavam o mesociclo.
Organização do mesociclo
O princípio metodológico orientador da estruturação do mesociclo consiste no aumento
progressivo da carga sem prejuízo da forma cíclica já referida, assim como a transição gradual dos
conteúdos do treino para a utilização cada vez mais importante de exercícios de caráter específico,
reduzindo, em proporção, a parcela do volume de treino destinada à preparação geral.
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Quanto mais jovem for o atleta, mais longos e de composição uniforme (com pouca variação
nos parâmetros da carga de microciclo para microciclo) serão os mesociclos. Por outro lado, à
medida que se avança no macrociclo, mais curtos tenderão a ser os mesociclos, propondo uma
alternância de período menor entre cargas fortes e cargas de recuperação.
Entre os índices que permitem classificar os mesociclos, pode-se destacar (ZAKHAROV, 1992):
Mesociclo de incorporação
60
50 Micro 1
% DA CARGA
40 Micro 2
30
20 Micro 3
10 Micro 4
0
MICROCICLOS
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Mesociclo desenvolvimento
Tem como objetivo elevar os níveis de aptidão através de cargas altas que forçarão o organismo
a uma adaptação fisiológica obrigatória. Segundo a distribuição das cargas, os mesociclos de
desenvolvimento podem ser classificados conforme as figuras 8, 9 e 10.
60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
10
Micro 4
0
MICROCICLOS
60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
10
Micro 4
0
MICROCICLOS
60
50 Micro 2
40
30 Micro 3
20
Micro 4
10
0
MICROCICLOS
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Mesociclo estabilizador
Tem como objetivo, após uma série de cargas crescentes, estabilizá-las, permitindo assim uma
assimilação destas pelo organismo. Esses mesociclos podem ser aplicados durante períodos em
que o cliente dispõe de pouco tempo para treinar e os níveis de aptidão precisam ser mantidos. Nos
períodos de paralisação, como as férias, esses ciclos de treinamento também são indicados e sua
estrutura é semelhante ao mesociclo de incorporação (ver figura 11). O conteúdo nesse mesociclo
é de meios de treinamentos especiais com cargas ótimas de treinamento.
50
40 Micro 2
30 Micro 3
20
10 Micro 4
0
MICROCICLOS
Mesociclo recuperativo
Tem como finalidade favorecer a recuperação do organismo. As cargas são diminuídas, propiciando
assim um estado de recuperação e uma possível capacidade de melhora dos resultados. Como
citado anteriormente, as cargas recuperativas nos ciclos de treinamento são recomendadas apenas
em programas para atletas (ver figura 12).
25
20 Micro 2
15 Micro 3
10
5
0
MICROCICLOS
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Mesociclo pré-competitivo
É estruturado na base das competições a serem realizadas. As atividades devem ser organizadas
procurando criar o modelo competitivo e respeitando fatores como altitude, horário de competição,
forma de disputa etc. Normalmente, este mesociclo inicia entre quatro a seis semanas antes do
início das competições para estruturas anuais e entre duas a quatro semanas para estruturas
semestrais. A magnitude das cargas de treinamento devem ser predominantemente estabilizadoras
ou regenerativas (ver figura 13).
50 Micro 2
40 Micro 3
30 Micro 4
20
Micro 5
10
0
MICROCICLOS
Tal redução das cargas de treinamento (especificamente do volume de treino e não de sua
intensidade) é chamada na literatura do treinamento esportivo de taper. O termo refere-se a treinamento
reduzido, período regenerativo ou, como é particularmente chamado na natação, polimento (MUJIKA;
PADILLA, 2000).
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Grande quantidade de trabalhos tem sido realizada ao longo dos anos para identificar os efeitos
do taper (polimento) e vários estudos têm relatado os efeitos positivos no desempenho e nas
variáveis fisiológicas.
Os estudos têm indicado que o volume de treinamento durante o período de taper deve ser
reduzido consideravelmente para ter um efeito benéfico após este período de treinamento. Shepley
et al. (1992), em estudo com corredores de longa distância, observou que a redução do volume
em 62% durante sete dias não melhorou o desempenho dos corredores. Por sua vez, uma redução
de 90% no mesmo período resultou em um aumento de 22% no tempo de exaustão em corrida.
Houmard e Johns (1994) verificaram que uma redução de 60 a 90% do volume de treino semanal
melhorou o desempenho em 2,8% no desempenho da corrida.
Os valores mais encontrados na literatura como redução de volume estão em torno de 30 a 80%
(DENADAI; GRECCO, 2005). Estes volumes de redução parecem ser fundamentais para o processo
de recuperação e supercompensação das capacidades motoras e dos substratos energéticos.
Qual intensidade?
A intensidade é de fundamental importância para manutenção e aprimoramento da condição
física do atleta. Segundo Mujika e Padilla (2000), a intensidade deve ser mantida durante o período de
taper para que não ocorra perda das adaptações das capacidades motoras treinadas anteriormente.
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com volume reduzido e alta intensidade durante seis semanas. Os atletas realizavam corridas
de 40 minutos em intensidade de 90% do VO2máx e sessões de treinamento com intervalos em
dias intercalados. Após cinco semanas de treinamento, houve melhora significativa no tempo dos
10 km. Mikessell e Dudley (1984 apud GARRETT; KIRKENDALL, 2003). Estes dados sugerem que
aumentos na intensidade e diminuição no volume podem trazer benefícios no desempenho em
atletas de fundo bem treinados.
Uma frequência semanal de treinamento pode ser mantida por volta de 80% em relação ao
período anterior ao taper (MUJIKA; PADILLA, 2000, DENADAI; GRECCO, 2005).
Mesociclo competitivo
Representa a base do período competitivo, onde sua estrutura e conteúdos são determinados
pela especificidade da modalidade desportiva, pelo sistema de preparação escolhido, pelo calendário
de competições e pela qualificação do atleta. A figura 14 demonstra a distribuição dos microciclos
no mesociclo competitivo (adaptado de GOMES, 2002). O conteúdo neste mesociclo deve objetivar
a utilização de cargas de treinamento competitivas, com intensidade elevada. Neste mesociloc,
também devem ser utilizados meios de regeneração.
60
50 Competitivo
40 Recuperativo
Pré-competitivo
30
20
10
0
MICROCICLOS
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Organização do microciclo
No plano corrente devem surgir os programas detalhados de cada sessão de treino, discriminando
níveis de solicitação da carga e conteúdos. Assim, as informações contidas no plano corrente
descrevem:
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Mas como identificar o grau de importância de uma capacidade? Através do número de vezes
que ela será treinada na semana. Por exemplo, se o treinamento de velocidade é realizado somente
uma vez na semana, isto significa que o grau de importância para a velocidade naquele momento
é baixo. Porém, quando um treinamento de resistência anaeróbia lática é realizado de três a quatro
vezes na semana, significa um alto grau de importância para esta capacidade física.
São estabelecidas exigências de carga associadas a cada sessão, com indicação do volume e
da intensidade pretendidos (a densidade poderá ser de alguma utilidade em algumas modalidades),
assim como uma apreciação – normalmente qualitativa – sobre o nível de carga da sessão. Muitas
vezes é útil ter uma representação esquemática ou gráfica do microciclo, de modo a demonstrar
melhor a dinâmica das cargas, sua alternância e os efeitos de recuperação pretendidos.
Nos microciclos com objetivos de desenvolvimento das capacidades físicas, Matveiev (1996)
recomenda que, após dois a três dias de cargas altas, sejam aplicadas cargas de caráter recuperativo
para promover uma melhor adaptação ao treinamento.
Microciclos de treinamento
Os microciclos de treinamento têm como tarefa principal criar um efeito adaptativo sumário,
elevando os níveis de aptidão. São subdivididos segundo o conteúdo predominante das cargas de
treinamento em: choque, ordinário, estabilizador e recuperativo.
Microciclo de choque
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Figura 15 – Microciclo de choque com um pico
100
80
% DE CARGA
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
Microciclo ordinário
Caracterizado por cargas moderadas, entre 60-80% do máximo apresentado pelo indivíduo. O
conteúdo especifico desses microciclos constitui-se de duas a seis sessões de carga ordinária
(ver figuras 17 e 18).
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Figura 17 – Microciclo ordinário com um pico
80
60
% DE CARGA
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
Microciclo estabilizador
Aplicado com o objetivo de assegurar a estabilidade da aptidão física adquirida com o treinamento,
utilizando cargas predominantes entre 40-60% do máximo. Pode ser aplicado também no período
inicial de treinamento, em que cargas médias favorecem uma adaptação favorável neste estágio
(ver figura 19).
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Figura 19 – Microciclo estabilizador
60
50
% DE CARGA
40
30
20
10
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
Microciclo recuperativo
O objetivo principal deste ciclo é assegurar a restauração completa dos sistemas utilizando
predominantemente cargas de 10 a 40% do máximo (ver figura 20).
60
50
% DE CARGA
40
30
20
10
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
Microciclo de controle
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Figura 21 – Microciclo de controle
100
80
% DE CARGA
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
Microciclo pré-competitivo
Microciclo competitivo
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Figura 22 – Microciclo competitivo com duas competições
100
% DE CARGA
80
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
80
60
40
20
0
SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM
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Parte preparatória
Na parte preparatória da sessão, são criadas premissas para a atividade eficiente dos atletas
na parte básica da sessão, e o aquecimento é o procedimento mais apropriado. O aquecimento foi
definido por Weineck (1999) como um conjunto de medidas para preparação de um estado psicofísico
e coordenativo-cinestésico ideal, assim como para a prevenção de lesões. Platonov (2008) define
aquecimento como o conjunto de exercícios e procedimentos especialmente selecionados para a
preparação eficaz do organismo ao trabalho que virá. Sua função seria a de ajuste dos sistemas
funcionais para que o organismo possa começar seu trabalho no alto de sua capacidade.
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Parte principal
Esta parte da sessão é dedicada ao verdadeiro treinamento, desenvolvendo as rotinas de exercício,
habilidades motoras e planos táticos para um dia especial.
De acordo com a orientação dos meios e métodos utilizados, é conveniente classificar as sessões
em sessões de orientação seletiva e de orientação complexa.
O programa das sessões de orientação seletiva é planejado de forma que o volume básico dos
exercícios garanta a solução de uma determinada tarefa (por exemplo, resistência anaeróbia).
São menos eficazes sessões em que se utiliza por muito tempo os mesmos meios, inclusive
quando estes são mais eficazes para o objetivo estabelecido. O que ocorre nestes casos é a
rápida adaptação do organismo aos meios utilizados, a diminuição do crescimento do preparo e,
posteriormente, a interrupção deste crescimento (PLATONOV, 2008).
O mesmo autor afirma que o fato de as sessões que utilizam meios variados de orientação única
serem altamente eficazes não exclui completamente do processo de treinamento as tarefas cujo
programa é repetitivo. Elas podem ser planejadas, por exemplo, quando o objetivo é aperfeiçoar
a capacidade de realizar determinado trabalho de forma econômica ou aumentar o equilíbrio
psicológico durante um trabalho monótono, tenso e de longa duração, o que é muito importante
para a manifestação da resistência especializada durante a superação de distâncias longas.
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No que diz respeito ao conteúdo das sessões de treinamento, as sequências devem ser baseadas
no estado do SNC e em como isso pode afetar a aprendizagem ou a aquisição de certas capacidades.
A ordem sugerida de eventos é baseada nestes princípios (BOMPA, 2004):
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Podemos citar como exemplo o seguinte programa de corrida: 10 x 400 m, com velocidade de
85 a 90% da capacidade máxima para essa distância e pausas de 45 segundos. Esse programa
permite o aumento do nível de rendimento aeróbio. Por outro lado, exige muito do sistema glicolítico,
estimulando o aumento da resistência ao trabalho de caráter anaeróbio.
Nos atletas de pouca qualificação que se encontram em etapas iniciais da preparação em longo
prazo, devem ser planejadas, preferencialmente, sessões de orientação complexa com solução
sequencial das tarefas. Essas tarefas, por sua motivação, exercem influência sobre os aspectos
psicológicos e funcionais do organismo e ao mesmo tempo consistem em estímulos bastante
eficazes para a evolução do atleta. No treinamento de jovens atletas, a ampla utilização de sessões
de orientação seletiva desencadeia uma série de consequências negativas, como excesso de
fadiga e de tensão dos sistemas funcionais e exploração excessiva das capacidades adaptativas
do organismo.
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Tarefas complexas com programas variados e motivadores e carga total relativamente pequena
são uma boa forma de descanso ativo e podem ser utilizadas para aceleração dos processos de
recuperação após sessões com cargas ordinárias de caráter seletivo. Além disso, também podem
ocupar posição importante na composição dos microciclos de recuperação.
Parte conclusiva
Durante esta parte, são normalmente utilizados exercícios que auxiliam no retorno progressivo
a uma condição próxima ao repouso. Os mais utilizados são os exercícios aeróbios em baixa
intensidade (corrida, natação, ciclismo etc.), relaxamento e alongamento.
ATIVIDADE REFLEXIVA
Considerando o que foi apresentado, reflita sobre a seguinte questão: como um preparador físico
pode fazer da periodização do treino uma prática rotineira de seu trabalho?
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a análise de todas as variáveis que compõem o planejamento em longo prazo, fica evidente
que o conceito de periodização é multifatorial. Conhecimentos básicos de fisiologia, biologia,
cinesiologia/biomecânica e até mesmo de matemática são fundamentais para elaboração de
modelos de planejamentos que supram a demanda do atleta e sua modalidade.
Além disso, se levarmos em consideração que, no alto rendimento, a diferença entre o primeiro e o
último colocado pode ser de apenas milésimos de segundos, modelos organizados de planejamento
são indispensáveis.
GLOSSÁRIO
Aeróbia: que precisa do oxigênio para que se desenvolva ou sobreviva; diz-se do organismo que
necessita de oxigênio em seu metabolismo. Fonte: <[Link]
Anaeróbio: que implica processos metabólicos que não envolvem oxigênio. Fonte: <[Link]
[Link]/dlpo/anaer%C3%B3bia>.
Lático: relativo ao ácido lático, o qual é um produto da desintegração dos carboidratos (glicose e
glicogênio). Fontes: <[Link] <[Link]
br/[Link]?ACIDO+LATICO++COMO+AGE+E+QUAL+SUA+IMPORTANCIA&__idNot=231>.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Os modelos tradicionais de periodização, como o de Matveiev, enfatizam uma preparação geral, com ciclos definidos de microciclos, mesociclos e macrociclos, e foram eficazes em modalidades cíclicas. Por sua vez, os modelos contemporâneos, influenciados por autores como Yuri Verkhoshansky, focam na individualização, concentração das cargas em curto período, desenvolvimento consecutivo das capacidades, e incremento do trabalho específico, adaptando-se melhor às necessidades metabólicas específicas de diferentes esportes e respondendo às inconstâncias do calendário de competições .
Os microciclos pré-competitivos são ajustados levando em consideração as personalidades dos atletas. Atletas extrovertidos podem se beneficiar de regimes de trabalho leves com menos estímulos intensos, prevenindo superestimulação. Já os introvertidos são adequados para intensos exercícios de velocidade e métodos competitivos, aproveitando sua tendência natural para inércia e processos inibitórios, maximizando sua preparação emocional e física pouco antes das competições .
O microciclo recuperativo tem a função principal de restaurar completamente os sistemas do atleta, utilizando cargas leves, predominantemente entre 10-40% do máximo permitido. Ele é aplicado para assegurar a recuperação do atleta entre sessões e para garantir que o atleta possa continuar suportando novas cargas em mesociclos subsequentes, sendo essencial para prevenir sobrecarga e otimizar o desempenho .
Yuri Verkhoshansky revolucionou os modelos contemporâneos de periodização ao introduzir um sistema que enfatizava a programação, organização e controle em vez de uma planificação estática. Sua abordagem incluía uma concentração de cargas em curto espaço de tempo, desenvolvimentos consecutivos de capacidades, e um maior enfoque no trabalho específico, adaptando o treinamento às exigências específicas de cada esporte e respondendo de forma mais eficaz a calendários competitivos irregulares .
O aumento do calendário esportivo impôs a necessidade de revisão do sistema tradicional de preparação de atletas que previa um ou dois picos anuais de forma, já que agora as competições importantes são mais frequentes. Para atender a essa demanda, foi necessário aperfeiçoar a teoria da periodização, buscando concepções mais flexíveis que permitam um maior número de picos de desempenho durante o ano competitivo, sem comprometer a preparação integral do atleta .
O período transitório serve para recuperar completamente o potencial de adaptação do organismo dos atletas após ciclos intensos de treinamento e competição. Caracteriza-se por uma redução significativa no volume e na intensidade dos treinos, promovendo descanso ativo ou passivo. Este período é crucial para assegurar que o atleta esteja fisicamente e mentalmente recuperado e pronto para iniciar novo ciclo de treinamento, com suas capacidades físicas reavaliadas e planejadas .
A abordagem de periodização de Matveiev é caracterizada por cargas distribuídas e uniformes ao longo do ciclo anual, com volume moderado e contínuo de aplicação de estímulos, enfoque na preparação global do atleta, e uma disposição ondulatória das cargas e períodos de treinamento. A formação geral é priorizada para criar e ampliar as bases necessárias para a especialização, sendo especialmente eficaz para atletas de nível médio .
Os mesociclos são estruturados de forma a aumentar progressivamente a carga de treino, facilitando a transição gradual para exercícios mais específicos e intensos. Essa estrutura permite adaptação fisiológica obrigatória, elevação dos níveis de aptidão, e ajuste do treino para níveis de competição, enquanto se assegura períodos recuperativos. Mesociclos curtos e intensos pouco antes de competições ajudam a maximizar o desempenho, sendo indicados para atletas de alto rendimento .
O macrociclo é uma estrutura fundamental na teoria da periodização esportiva, representando um período de treinamento que busca concretizar efeitos específicos ou adaptações para alcançar desempenho competitivo elevado. Ele faz parte de um processo de longo prazo para o desenvolvimento da forma esportiva de alto nível e é essencial para preparar o atleta para competições importantes, sendo tradicionalmente dividido em sessões, microciclos, mesociclos e fases .
O período preparatório especial se concentra na ênfase adaptativa das capacidades determinantes específicas para a modalidade esportiva em questão, diferindo do período de preparação geral que foca nas capacidades motoras gerais e secundárias. No preparatório especial, há mais atenção para habilidades técnicas e capacidades motoras como velocidade de reação e resistência, com prioridade na intensidade do treino sobre o volume, enquanto o período geral trabalha uma amplitude mais ampla de habilidades .