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Filosofia da Arte: Uma Introdução

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FILOSOFIA DA ARTE

Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo


REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Caroline da Silva Marques
Eduardo Alves de Oliveira
Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
Jéssica Eugênio Azevedo
Louise Ribeiro
Marcelino Fernando Rodrigues Santos
Vinicius Rovedo Bratfisch
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
Carlos Firmino de Oliveira
Hugo Batalhoti Morangueira
Giovane Jasper
Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz
DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos
Pedro Vinícius de Lima Machado
Thassiane da Silva Jacinto

FICHA CATALOGRÁFICA

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

F475f Figueiredo, Jorge Alberto de


Filosofia da arte / Jorge Alberto de Figueiredo.
Paranavaí: EduFatecie, 2022.
93 p.: il. Color.

1. Arte - Filosofia. 2. Estética – Filosofia. I. Centro


Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a
Distância. III. Título.

CDD: 23 ed. 701


Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577

As imagens utilizadas neste material didático


são oriundas do banco de imagens
Shutterstock .

2024 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2024. Os autores. Copyright C Edição 2024 Editora Edufatecie.
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dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
AUTOR

Professor Mestre
Jorge Alberto de
Figueiredo

● Graduado em História pela Universidade Paranaense-UNIPAR (2001).


● Graduado em Estudos Sociais pela Faculdade Estadual de Educação Ciências
e Letras de Paranavaí (1992) atualmente UNESPAR (Universidade Estadual do
Paraná).
● Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá -UEM- (2006).
● Atuou como Docente na UNESPAR - Campus Paranavaí (2010-2012).
● Atuou como Docente no Curso de Urbanismo e Arquitetura na UNIPAR-
Universidade Paranaense, Campus de Paranavaí.
● Atuou como Supervisor do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (PIBID-CAPES) UNESPAR - Campus-Paranavaí.
● Docente na Secretaria de Educação do Estado do Paraná nas Séries Finais do
Ensino Fundamental.
● Produtor de Materiais Didáticos e vídeos Aulas (UNIPAR, VG Consultoria e
● Palestrante sobre: Educação e Cidadania, Ética, Política, Sociedade e
Democracia, Educação, Liberdade e Igualdade.
● Psicanalista.
● Sexólogo e Terapeuta Sexual.

Ampla experiência na área educacional com atuação docente no Ensino Fundamental


Anos Finais, Ensino Médio, Ensino Superior e Pós-Graduação. Palestrante.
Informações e contato:

Currículo Plataforma Lattes: [Link]

3
APRESENTAÇÃO
É uma imensa satisfação poder contar com sua participação em nossos
estudos, o conhecimento é significativo para nossos crescimentos não apenas
profissional, mas intelectualmente somos envolvidos a melhorar a cada instante de
nossas vivências, quebrando barreiras, vencendo obstáculos e inovando em nossas
atitudes. Apenas nos sentimos capazes de evoluir quando temos embasamento
teórico para dar os primeiros passos. Esse é o nosso intuito de forma muito didática
entender a disciplina filosofia da arte e poder vislumbrar em nosso cotidiano.
Na unidade I vamos aprender a definir o que é arte, para assim adentrar a sua
historicidade, aprendendo sobre a Semana da Arte Moderna, pois, foi um grande marco
para a arte contemporânea. A arte caminhou a passos construídos com muita influência
europeia, mas em alguns momentos a brasilidade despontou, isso visivelmente descrito
nos movimentos vanguardistas e contemporâneos.
Na unidade II você irá ampliar seus conhecimentos sobre filosofia. Entender
o que é filosofia e como se aplica em nossas vidas, pois, a colocamos em prática
diariamente, e nem nos damos conta. As correntes filosóficas existentes são de
grande monta, iremos refletir sobre algumas que dão suporte ao que iremos estudar.
Na sequência, na unidade III falaremos a respeito da filosofia da arte e
a importância dos cinco sentidos, as inovações nas artes pós-modernas, traz
conceitos inovadores que permitem o envolvimento das pessoas com as obras
de forma mais interativa. Aprofundar sobre as teorias e seus filósofos, também
são cruciais para entendermos a evolução da arte, da filosofia e filosofia da arte.
Em nossa unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina evidenciando
as obras de arte, não apenas na forma tradicional que refletimos quando pensamos em
expressões artísticas. Arte é tudo que está a nossa volta, a filosofia está presente em nosso
diálogo diário, nesta unidade entenderemos a filosofia da arte, como ela está interligada a
moda, ao cinema, a música, a arte cênica, a arquitetura, cerâmica, a fotografia e esculturas.

4
SUMÁRIO

UNIDADE 1
Arte

UNIDADE 2
Filosofia

UNIDADE 3
O Nascimento da Estética

UNIDADE 4
Estética Contemporânea

5
1
UNIDADE

ARTE

Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo


PLANO DE ESTUDO
Plano de Estudos
• A Arte;
• Arte Moderna Brasileira e seus artistas;
• Movimentos Vanguardistas;
• Movimentos Artísticos Contemporâneos.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar Arte e seu contexto histórico;
• Compreender os movimentos da Arte e sua influência social e cultural:
Entender a filosofia da arte nas características de cada movimento artístico.

UNIDADE 1 ARTE 7
INTRODUÇÃO
A arte nos acompanha desde nossa tenra idade, tanto referindo ao contexto
histórico quanto a nossa vida diária. Mas qual a utilidade dela em nosso cotidiano?
Todos somos dotados de habilidades artísticas? A arte tem influência no setor
econômico? Você em algum momento refletiu sobre essas questões. Não precisamos
ser artistas para apreciar a arte. Mas a sensibilidade para analisá-la é crucial.
Compreender cada qual de acordo com cada momento dentro de sua historicidade.
A Arte moderna brasileira teve grande influência europeia, mas trilhou seu
caminho, com traços e expressões singulares, destacando as obras de muitos
artistas que até os dias atuais exercem grande influência. Iremos aprender o que são
movimentos vanguardistas e como esses movimentos influenciaram as obras e quais
as temáticas eram utilizadas para as devidas produções. Cada um dos movimentos
tinham suas formas e expressões, mas as temáticas sempre tinham o cunho de protesto.
Você verá que tudo está muito interligado a I Guerra Mundial e a Revolução Industrial,
impactando também no meio artístico, o movimento vanguardista, deu espaço para os
movimentos artísticos contemporâneos ou pós-moderno, momento em que a criatividade
artística possibilita suas demonstrações, em lugares públicos ou reservados, expondo
sentimentos de leveza com traços geométricos ou com valorização do corpo humano,
algumas que atraem pela beleza e outras nos atraem mas nos conduz a um choque de
realidade. Mas para principiar nossos estudos, vamos entender o que é arte?

UNIDADE 1 ARTE 8
1
TÓPICO

A ARTE

Quando pensamos em arte, temos muitas ideias referindo-se à imagem acima. Arte
e pintura, até porque em tempos escolares, quando se falava em arte, o que fazíamos era
“pintar”. Conforme Fischer (1987, p. 45):

Nos alvores da humanidade a arte pouco tinha a ver com “beleza” e nada
tinha a ver com a contemplação estética: era um instrumento mágico, uma
arma da coletividade humana em sua luta pela sobrevivência.

Segundo Coli (1990, p. 07):

Arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais


nosso sentimento é admirativo, isto é, nossa cultura possui uma noção que
domina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia. Portanto,
podemos ficar tranqüilos: se não conseguimos saber o que a arte é, pelo
menos sabemos quais coisas corresponde a essa ideia e como devemos nos
comportar diante dela.

Talvez essa seja uma das grandes verdades que faz com que a arte seja
tão pouco apreciada ou entendida, por faltar o contexto histórico, a análise de
movimentos artísticos e as mais variadas expressões de arte. Você deve ter ouvido
que “viver é uma arte”, isso porque ela se define de acordo com o dicionário “Oxford
Language” como uma habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma
finalidade prática ou teoria, realizada de forma consciente, controlada e racional.

UNIDADE 1 ARTE 9
Nossa vida é prática constante e precisamos agir sempre de forma racionalizada
para vivenciá-la. Assim esta expressão condiz com o que vivenciamos. Temos que nos
expressar de várias formas para mantermos nossa sobrevivência, a arte é isso, uma maneira
do indivíduo expressar, seus sentimos, opiniões. O homem, desde a época da caverna,
apresenta sua arte por meio das pinturas rupestres, segundo Fischer (1987, p.20), “A arte é
quase tão antiga quanto o homem.” Hoje a arte é apresentada pelas danças, moda, teatro,
música, pinturas, arquitetura, cerâmica, escultura, fotografia entre outros. Tudo se adapta
conforme a evolução da humanidade, assim, como as historinhas em quadrinhos, jogos
eletrônicos e arte digital, fazem parte da arte. De acordo com Buoro:

Portanto, entendendo arte como produto do embate homem/mundo,


consideramos que ela é vida. Por meio dela o homem interpreta sua própria
natureza, construindo formas ao mesmo tempo em que se descobre, inventa,
figura e conhece (2000, p. 25).

A arte representa todas as formas de interações humanas, assim podemos considerar


que não é uma expressão de argumentos individuais, mas simboliza um sentimento coletivo,
suscitando uma função social, que favorece padrões econômicos. Não existe nenhuma
civilização que não tenha expressado sua arte, Buoro (2000, p. 29) descreve que “[...]
no percurso da história não há civilização que não tenha produzido arte”, isso, desde a
antiguidade, a peculiaridade é que cada uma retrata conforme sua evolução intelectual.
Afunção social da arte é favorecer para que fatores necessários para seu desenvolvimento
sejam ampliados, tais como: a percepção, sensibilidade, cognição, expressão e criatividade.
Na ótica de Fischer (1987, p. 20), “A arte é necessária para que o homem se torne capaz
de conhecer e mudar o mundo. Mas a arte também é necessária em virtude da magia
que lhe é inerente.” Essas considerações são capazes de abranger pessoas muitas vezes
marginalizadas, como retrata o filme brasileiro, Nise: O coração da Loucura, um drama,
acometido em 1950, a psiquiatra era contrária aos tratamentos tortuosos para esquizofrenia,
ela assume o setor de terapia ocupacional e a pintura é sua forma de lidar com os pacientes.
Você considera que a arte é uma forma de crítica social? Assim podemos pensar que
a arte, seja ela qual for, pode sim, de forma coesa e coerente fazer críticas aos sistemas, até
porque percebemos na atualidade que a dificuldade de expor pontos de vistas diferentes,
está ficando cada vez mais árduo. Pois, cada um quer que sua opinião, suas verdades,
sejam prioritárias. Toda forma de arte demonstra suas inquietações em algum momento,
pensamos na música, o quanto ela esboça, muitas vezes o sentimento da coletividade. A
citação abaixo, capta a essência:

UNIDADE 1 ARTE 10
Perceber é captar o estímulo, introjetá-lo, associando-o como as vivências
e experiências, elaborando o percebido e projetando a sua interpretação
por meio da expressão (p. 29). [...] Um ato perceptivo envolve a associação
e projeção de lembranças, isto é, sempre se identifica um fenômeno como
relacionado a outro já vivido (RIBEIRO, 2000, p. 29-33) .

A concepção se aproxima de nossa convicção quando Barbosa afirma que


“Acredita-se que a arte não é apenas uma consequência de modificações culturais, porém
o instrumento provocador de tais modificações” (BARBOSA, 1990, p. 11). O que conceitua
a arte pode “provocar” pensamentos mais críticos por parte de quem observa e de quem
produz, surgindo indagações que até então eram imperceptíveis. Segundo o autor:
A arte é a própria realidade social, é a representação do momento, e ao menos
que ela queira ser infiel à sua função social, precisa mostrar o mundo como passível de ser
mudado, e fazer a sua função para a ajudar a mudá-lo. A sociedade precisa do artista e ele
deve ser fiel e consciente de sua função (FISCHER, 1987, p. 80).

A arte oferece experiências novas, aguçando os órgãos dos sentidos.


Se existem várias formas de arte, existem em paralelo, várias formas
de compreendê-la. A visão é uma delas, mas a audição, paladar e olfato,
também são quesitos para a compreensão artística, contemplando de forma
específica. A ampliação das formas de se comunicar, supera as expectativas
entrelaçando pessoas, por afinidades e potencializando as mais nobres
expressões de sentimento e opiniões.

UNIDADE 1 ARTE 11
2
TÓPICO
ARTE MODERNA
BRASILEIRA E SEUS
ARTISTAS

Compreendemos o que podemos definir como arte. E quando falamos em arte


moderna qual sua peculiaridade? A arte moderna enfatiza temas atuais e o uso das tecnologias
são diferentes das artes clássicas. Um exemplo são as produções arquitetônicas, que são
modernas, seguindo os padrões das evoluções tecnológicas e científicas. Podemos nos
referenciar que no Brasil a partir da Semana de Arte Moderna (1922), em São Paulo se
fortaleceu, porém, declinou-se ao término da Segunda Guerra Mundial, surgindo outras
padronizações como a arte pós-moderna. A arte tinha o cunho de evidenciar por meio de
sua expressividade as indignações, contestando todas as mazelas da época, bem como
destacar todas as produtividades oportunizadas pelo avanço tecnológico que favoreceu
para o surgimento da fotografia e do cinema, contribuindo para a liberdade de expressão.
Vários artistas contribuíram para esse momento, entretanto falaremos de alguns. Ricamente
visível:

O acesso dos modernistas às frentes de vanguardas europeias por força de


sua proximidade social junto aos círculos intelectualizados da oligarquia foi,
paradoxalmente, a condição que lhes permitiu assumir o papel de inovadores
culturais e estéticos no campo literário local, tomando a dianteira (MICELI,

1979, p. 15).

Tarsila do Amaral, artista plástica do movimento brasileiro modernista, é considerada


uma das maiores pintoras desta época. Participou da Semana da Arte Moderna, em 1922.
Ela juntamente com Oswald de Andrade e Raul Bopp inaugurou um movimento com a

UNIDADE 1 ARTE 12
denominação de Antropofagia, visto como um dos movimentos mais radicais do momento,
o objetivo era ter temas com peculiaridade brasileira, afastando a temática europeia. A
metáfora utilizada cercava a ideia de “comer”, “deglutinar”, que remete ao ato de engolir a
cultura européia e regurgitar a ascensão da cultura brasileira. Um quadro que simboliza as
pinturas com características da antrofagia de Tarsila do Amaral, sendo ela uma das mais
conhecidas é o “Abaporu” (1928).

Sinto-me cada vez mais brasileira: quero ser a pintora da minha terra.
Como agradeço poder ter passado na fazenda minha infância toda. As
reminiscências desse tempo vão se tornando preciosas para mim. Quero, na
arte, ser a caipirinha [da fazenda] de São Bernardo, brincando com bonecas
de mato, como no último quadro que estou pintado – carta de Tarsila do
Amaral a família, quando da sua estada em Paris, em 1924 (AMARAL, 1984,
p. 84).

Suas obras de arte cerca de duzentos e setenta foram divididas de acordo com cada
momento histórico a pintora vivenciava, a fase Pau Brasil que tinha como detalhe o uso de
paleta de cores fortes e com temáticas brasileira e tropicais, surgindo os “bichos nacionais”,
que são mencionados nos poemas de Carlos Drummond de Andrade, denotando a beleza
da fauna e flora brasileiras, as máquinas, trilhos, símbolos da urbanidade. Toda a trajetória
estética de Tarsila do Amaral refletia sua busca pela brasilidade: “(...) Não pensem que essa
tendência brasileira na arte é mal vista aqui [Europa]. Pelo contrário. O que se quer aqui
é que cada um traga contribuição de seu próprio país (...)” (SEVCENKO, 1992, p. 283).
A fase antropofágica que tinha como base destacar as características do Brasil,
que bela idealização do Abaporu (homem que come carne humana), esta imagem era
derivada de suas histórias de infância tão guardada em seu inconsciente, que estes
monstros comiam gente negras, desta forma fez uso desta narrativa para elaboração de
sua obra conceituando no momento como devorador de estrangeirismo, assim absorve
suas potencialidades e as transforma, essa seria a simbologia desta fase. Por último a
fase da pintura social que tinha vínculo com os temas atuais que a sociedade presenciava
cotidianamente. Os quadros que retratam esta fase são “Os Operários” e “Segunda Classe”.
Mário de Andrade buscou estimular o nascimento ao que corresponde ao sentimento
de identidade nacional, com seus textos ricos de elementos brasileiros, vários livros ficaram
conhecidos como o Macunaíma, Paulicéia Desvairada, Amar verbo Intransitivo, há uma
gota de sangue em cada poema, O turista Aprendiz, A Escrava que não é Isaura entre
outros e seus poemas Na rua Aurora eu nasci, Inspiração, o Trovador, ode ao Burguês entre
tantos outros. Este autor é conhecido como um dos maiores escritores que o Brasil já teve,

UNIDADE 1 ARTE 13
era também poeta, romancista, estudioso da música e do folclore brasileito. Suas escritas
eram compostas em duas linhas de pensamento: a urbana e depois de cunho folclórico.

[...] Eu estava aparentemente calmo, como um indestinado. Não sei o que


me deu. Fui até a escrivaninha, abri um caderno, escrevi o título em que
jamais pensara, Paulicéia desvairada. O estouro chegará à final, depois de
quase ano de angústias interrogativas. Entre desgostos, trabalhos urgentes,
dívidas, brigas, em pouco mais de uma semana estava jogado no papel um
canto bárbaro, duas vezes maior talvez do que isso que o trabalho de arte
deu num livro (ANDRADE, 2003, p. 233-234).

Oswald de Andrade compunha o grupo modernista que tinha como premissa


defender os sentimentos relativos à nacionalidade. valorização de nosso passado como
construção histórico-cultural, sempre com críticas construtivas, mas fazendo uso de ironia
a colonização, trouxe em suas escritas inovação, ele entendia que não era necessário
desfazer dos conhecimentos adquiridos da Europa, mas compreendê-la para inovar a cultura
brasileira, adequando com as características do seu povo composto por tantas diversidades.
Suas obras literárias traziam riquezas específicas como contextos sociopolíticos, linguagem
coloquial, conhecimento regionalistas, liberdade formal em suas expressões, crítica ao
tradicionalismo e muita criatividade esteticamente. Assim:

É a partir de Oswald que se deve analisar criticamente o legado do Modernismo


paulista, pois foi ele quem assimilou com conaturalidade os traços conflitantes
de uma inteligência burguesa em crise nos anos que precederam e seguiram
de perto os abalos de 1929/30. Havia nele todos os fatores sociais e
psicológicos que concorreram para a construção da literatura cosmopolita,
daquele ‘homo ludens’ que se diverte com íntima contradição ética ‘alienado-
revoltado’ diante de uma sociedade em mudança (NEJAR, 2007, p. 87).

Candido Portinari tinha como objetividade destacar em suas obras a realidade que
os brasileiros vivenciavam, não apenas as questões econômicas, mas as festas populares,
trabalho na zona rural, infância entre outras. Suas pinturas tinham influência surrealistas
e do cubismo, sua técnica mais utilizada era a tinta a óleo sobre a tela. Um de suas obras
mais significativa foi Retirantes (1944), mas produziu O Mestiço (1934), O Lavrador de Café
(1934), Criança Morta (1944), Meninos Soltando Pipa (1947), Menina Sentada (1943). Suas
obras tiveram grande potência artísticas internacionalmente principalmente com o painel
Guerra e Paz na sede da ONU (Organizações das Nações Unidas.

UNIDADE 1 ARTE 14
3
TÓPICO

MOVIMENTOS
VANGUARDISTAS

Os movimentos vanguardistas tinham o intuito de abrir novos espaços para


novas qualidades artísticas, propondo maneiras diferentes de criar, seu maior objetivo era
oferecer inovações para a arte e que fosse crucial a exposição libertária de ideias, fazendo
experimentações com diversos tipos de materiais e técnicas, conduzindo a arte moderna.
Esse movimento teve uma proporção significativa ao final do século XIX e se solidificaram
no início do século XX. Neste contexto, as artes tinham sua dimensão relativa à pintura ou
escultura, entretanto a literatura também sofreu influência dos conceitos vanguardistas.

A Revolução Industrial no século XIX e a Primeira Guerra Mundial no começo do século


XX, fez com que a sociedade transitasse por grandes mudanças, intermediadas pelos avanços
tecnológicos que propiciaram grandes melhorias no setor industrial, descobertas científicas
que favoreceram muitos setores. Como tudo estava sendo inovado, o advento artístico
também sentiu a necessidade desta nova proposta, tendo como foco novas formas estéticas.
Os movimentos artísticos tinham o princípio de se contrapor às ideias da guerra,
fazendo uso estratégias para chamar atenção do público, despertando formas de
fazer com que as pessoas refletissem melhor sobre o contexto vivido. Mas alguns
movimentos enaltecem os avanços e os progressos, desencadeados na época. Claro
que as consequências da I Guerra Mundial, trazendo muitos ranços como um grande
aumento das desigualdades sociais, êxodo rural, entre outras situações. Fazendo com
que muitos artistas europeus questionassem sobre a arte, objetivando o rompimento de
padrões para que a expressão artística fosse mais próxima da realidade. As principais

UNIDADE 1 ARTE 15
correntes vanguardistas eram: futurismo, cubismo, dadaísmo, expressionismo e
surrealismo, explicaremos sequencialmente as peculiaridades de cada uma delas.
Este concepção principiou no início do século XX, a partir da publicação
do Manifesto Futurista, escrito por Filippo Tommaso Marinetti, que tinha como
singularidade o prazer em cultuar a violência e a guerra, um momento de grande
tensão política entre as grandes potências mundiais, derivada pela primeira guerra
mundial sua característica está envolta sobre o antitradicionalismo e o culto à
guerra e a velocidade principalmente, que era inserida na produção artística.
Esta proposta era de extrema radicalidade pois propunha a destruição do passado,
pois entendia que para construir o futuro era necessário apagar todo o passado. Neste
contexto, houve uma evolução grandiosa no campo da tecnologia, oferecendo amplitude
nos setores da comunicação, industrialização e transporte, encurtando distâncias. Assim
podemos dizer que a tecnologia e a velocidade foram características básicas e cruciais no
movimento futurista, considerado radical ultrapassando os limites estéticos da agressividade.
Não é difícil identificar obras futuristas, pois, explicitam a velocidade, publicidade, faz
ligações com o fascimo, usa onomatopeias e as pinturas têm cores vivas. De certo modo:

foi o movimento mais radical, rejeitando ruidosamente todas as tradições


e os valores e instituições consagradas pelo tempo. Propagou suas ideias
muito rapidamente por toda a Europa, de Londres a Moscou, e foi efêmero
– um episódio meteórico, cuja importância duradoura tem sido geralmente
subestimada. Escolheu o seu próprio nome [...] e empenhou-se em fornecer
seu próprio fundamento lógico de forma literária: a tradição moderna de
manifestos artísticos tem sua origem básica no futurismo (LYNTON, 1991,
p. 71).

O Cubismo foi o primeiro movimento das vanguardas europeias, surgindo


também das mesmas premissas que o futurismo. Entretanto suas características
são bem distintas, pois, representa as pessoas sempre em formato geométrico,
rompe com todos os padrões estereotipados de harmonia, proporção, beleza
e perspectivas, distorção da realidade, tem a concepção contrária que a arte
imita natureza, evidencia pontos diferentes de como um objeto pode ser visto.
É fundamental ressaltar que dois grandes nomes, Albert Einstein e Sigmund Freud,
contribuíram para consolidar a importância da ciência, enfatizando que tudo pode ser
questionado, que não existe uma verdade absoluta, favorecendo para que a sociedade
começasse a entender a mente, o espaço e o tempo de outra forma. Pautado nestes
questionamentos surge o Cubismo, que propõe uma forma diferenciada de ver e construir
o contexto artístico. Esse movimento foi influência para artistas brasileiros e suas obras,

UNIDADE 1 ARTE 16
dentre eles Tarsila do Amaral (1886-1973), Candido Portinari (1903-1934) e Anita Malfatti
(1889-1964). No cenário brasileiro:

O Cubismo tem início a partir de 1922 imbricando com a Semana de Arte


Moderna. Esse evento culminou com o início de novas rupturas na pintura
brasileira. Dentre os precursores da arte moderna no Brasil que apresentam
algumas obras com tendências e características cubistas está Anita Malfatti
com ideias inovadoras e influenciando outros pintores brasileiros, mudando
a fisionomia da pintura brasileira a partir da exposição que provocou grande
polêmica com os adeptos da arte acadêmica (SANTOS, 2004, p. 228).

Dadaísmo traz uma descontinuidade dos demais movimentos, pois, suas propostas
são mais descontraídas, leves, espontâneas sempre alicerçada por intermédio da ironia,
liberdade, absurdo, na irracionalidade, a proposta era chocar a burguesia e dimensionar
críticas a arte que mantinha seus padrões tradicionais e ao sistema. Seu objetivo era protestar,
que tinha como lema “a destruição também é criação”, porque buscava nas expressões
artísticas, enfatizar as consequências e ocorrências nefastas da Primeira Guerra Mundial.
As manifestações artísticas do dadaísmo tinha um viés de improviso e
irreverência, rodeava o caos e a desordem, seu teor não tinha lógica ou racionalidade,
pois propunha o radicalismo, a destruição, a agressividade e pessimismo, demonstrando
claramente sua discordância a guerra e aos comportamentos burgueses, rejeitando
também o nacionalismo e ao materialismo e de forma contínua crítica sobre o
consumismo e ao capitalismo. Nesta premissa foi considerada como um movimento
antiartístico, por ser questionadora da arte e enfatiza o caos e a imperfeição.
O Expressionismo teve suas características voltadas ao uso de cores fortes e
contrastantes, apresentação das figuras deformadas, grossas camadas de tintas, temas muito
sombrios, o que deixa claro o nome dado ao movimento devido as “expressões” das imagens,
demonstrando suas formas peculiares de conceber o mundo. A forma como as obras artísticas
são criadas, transbordam a sensação de emoção ao extremo que transpassa para quem vê.
No Brasil, em específico na literatura, nas escritas de Raul Pompéia, na obra “O
Ateneu”, deixa configurar as características desse movimento expressivo. Surgido na
Alemanha, esta tendência imbuia da necessidade de retratar a realidade humana, de forma
subjetiva, importando muito com o sentimento qual o mundo estava envolto, tanto é, que as
temáticas mais comuns, condizia com a realidade vivenciada, miséria, solidão e loucura.
E finalizando o Surrealismo, tem a objetividade valorizar a loucura e a fantasia,
suas ações artísticas são realizadas por impulso sem se preocupar com ideias, regras e
normas. Ou seja, representar o sonho era a principal característica. Todos os artistas que

UNIDADE 1 ARTE 17
tinham essa concepção eram influenciados por Freud, em suas afirmativas sobre o sonho,
como mediador de realidades ocultas no inconsciente.

O Surrealismo repousa sobre a convicção de que no espírito humano há


tesouros escondidos. Esta convicção levou-o a proclamar que existem, no
legado cultural do passado, personalidades e obras a descobrir que deveriam
ser preferidas aos nomes e títulos venerados pelo ensino oficial. Houve na sua
ação uma vontade constante de remodelar a história da arte, de demonstrar
ao público que os artistas que ele estava habituado a admirar, de Rembrandt,
a Rubens, eram de interesse menor, enquanto outros, esquecidos ou malditos
durante muito tempo, mereciam ser citados como exemplo (ALEXANDRIAN,
1976, p. 13).

Essa conexão entre a realidade e o sonho, para os artistas surrealistas, era uma
realidade alternativa. Suas peculiaridades são singulares como a ausência da lógica, o
resgate das emoções, a exaltação da liberdade de criação, do impulso humano, a adoção
de uma realidade maior. Tudo evolui e se adapta conforme as mudanças históricas, os
movimentos artísticos não são diferentes, vamos compreender como são as propostas
artísticas na contemporaneidade.

UNIDADE 1 ARTE 18
4
TÓPICO

MOVIMENTOS ARTÍSTICOS
CONTEMPORÂNEOS

Tudo se aprimora! Isso porque nosso desenvolvimento intelectual também se


processa dessa forma, a atualização constante de nosso estilo de vida, ocasionado pelas
mudanças sociais, econômicas, religiosas, culturais entre outras, traduz em mudanças
conceituais. Você lembra dos desenhos animados, das novelas, filmes, músicas da
época de sua infância ou adolescência? São totalmente diferentes das atuais, mas para
a época em que você vivenciou era a mais modernidade vigente possível. Assim como as
expressões artísticas, que evoluíram com o intuito de superar as artes modernas. Cabe
aqui mencionar que não existe uma classificação que possamos afirmar qual movimento,
ou em qual época a arte é melhor, pois, cada movimento apresenta suas características,
singulares ao contexto histórico, essa premissa deve ser muito bem clara. Desta forma:

O principal sentido da obra de arte é, pois, a sua capacidade de intervir no


processo histórico da sociedade e da própria arte e, ao mesmo tempo, ser por
ele determinado, explicitando, assim, a dialética de sua relação com o mundo
(FUSARI e FERRAZ, 1993, p. 105).

A arte da contemporaneidade busca inovar frente as artes produzidas anteriormente,


por essa razão, também podem ser denominadas como arte pós-moderna, e tem como
proposta diluir as mazelas do cotidiano por meio da arte e unificar as mais diversas
linguagens existentes. Já vimos que a partir da revolução Industrial, os quesitos interligados
a tecnologia se expandiram significativamente, haja visto que na arte esta potencialidade é
explícita. Estando inserida em meio a vastas informações em meio a inovações tecnológicas
e midiáticas. Se analisarmos:

UNIDADE 1 ARTE 19
Na cultura contemporânea sobrepõem-se linguagens, paradigmas e
projetos. Uma trama plural com múltiplos eixos e muitas questões. Neste
cenário, considerado como o do fim da modernidade, a forma original da
sobrevivência, da vida na Terra se coloca de maneira diferente, mais atual e
original. Em termos ambientais, no sentido da necessidade da manutenção e
implemento do equilíbrio de toda a vida; em termos éticos, face às grandes e
imponderáveis desigualdades entre diversos grupos humanos; e existenciais,
considerando-se a felicidade e o conhecimento, e a busca de novos termos
para a sua frutificação, fora do âmbito restrito do consumo e da sobrevivência
material (MATOSO, 2012).

Esta proposta se distancia do tradicionalismo, se aproxima da realidade cotidiana, ou


seja, uma integração entre a arte e a vida. Isso fazendo com as temáticas sejam condizentes
com as necessidades vigentes, um novo olhar, continua sendo formas de protesto. Alguns
assuntos permanecem os mesmos, como desigualdade social, questão racial, entretanto
assuntos novos surgem como questões ligadas à sexualidade e gênero. O que agrega
muito a esta expressividade artística é o envolvimento da arte com o público e vice-versa.
Nesta perspectiva existem vários tipos de arte como: Pop Art, Arte Conceitual, Arte
Digital, Arte Urbana, Body Art,, Land Art, Hiper realismo entre outras. Você já ouviu falar
sobre algumas destas formas de expressão? Então vamos descrever as características
de algumas delas. O movimento da “Pop Art” que significa “Arte Popular”, tem como
características, imitar a esteticidade industrial, com reprodutividade em sequência
de uma mesma temática, ter as imagens de famosos agregadas a suas expressões
e inspirando-se nas histórias em quadrinhos, fazendo uma crítica da sociedade
extremamente consumista que se iniciava, buscava expor a realidade tendo como base
a realidade cultural da cidade que estava sendo enviada pela tecnologia industrial.
Arte Conceitual traz um conceito mais voltado à essência da obra, pois entende
que as manifestações devem causar reflexões, provocações e questionamentos a
quem contempla. Suas características são importantes para o desenvolvimento da arte
ambiental, o uso de grafite, contextualidade figurativa, valorização da forma humana,
bem como elementos da natureza e objetos decorrentes da criação humana, rompendo
assim com o formalismo existente. No Brasil, a arte conceitual é direcionada a críticas
à sociedade. “É certo que as vanguardas históricas, em especial o surrealismo, o
futurismo e, sobretudo, o dadaísmo, já anunciavam essas mudanças, apontando, cada
qual de uma maneira, uma certa pré-história da Arte Conceitual” (FREIRE, 2006, p. 09).
Arte digital dentre esta expressão existem várias categorias: pintura digital, modelagem
digital, fotografia digital, animação digital, vídeo digital entre outros. Definindo arte digital são

UNIDADE 1 ARTE 20
todas manifestações de cunho artístico que são produzidas por intermédio do computador,
sendo utilizados softwares e demanda processualidade digitais. É um movimento acessível
e com grandes diversidades, tendo como características a interatividade, virtualidade,
funcionalidade, o enlace entre a arte e a tecnologia, ferramentas diversificadas, acesso
visual para uma vasta gama de pessoas, produções tridimensionais e o uso de diversas
formas de linguagens visuais. Portanto:

Os artistas oferecem situações sensíveis com a tecnologia, pois percebem


que as relações do homem com o mundo não são mais as mesmas depois
que a revolução da informática e das comunicações nos coloca diante do
numérico, da inteligência artificial, da realidade virtual, e da robótica e dos
outros inventos que vêm irrompendo no cenário das últimas décadas do
século XX (DOMINGUES, 1997, p. 17).

Arte Urbana ou Street Art, tem a diferenciação por ser movimentos artísticos
que ocorrem nas ruas independentemente de quais sejam: pinturas, grafites, esculturas,
estátuas vivas e sempre de forma objetiva e pacífica. O público são os que habitualmente
transitam no local e os que são chamados pela curiosidade. As criações são peculiares,
pois estão sempre relacionadas com o espaço que estão sendo utilizadas. Esta forma de
produção contribuiu para que a cidade esteja sempre com aspecto atrativo, o que não
distancia as artes contemporâneas são os enredos que são oriundos em críticas em todos
seus aspectos. Eles veem nesses espaços os suportes necessários para suas criações. Um
espaço móvel, fluido, sempre em constante transformação, que traz em si várias relações,
como aponta Pallamin:

As situações urbanas, tomadas enquanto campos de significação são


qualificadas por um conjunto de relações históricas, políticas, econômicas,
culturais, sociais e estéticas, cujos sentidos perpassam sua materialidade e
os processos nos quais se constituem concomitantemente. Por um lado, são
essencialmente diacríticas, caracterizando-se pelas diferenças contextuais
que se estabelecem entre si no decorrer do tempo. Por outro, mostram-se a
partir de seus perfis, o que nos impede de ousar estabelecer-lhes um sentido
último e definitivo. Este está sempre sendo feito, em movimento de maturação
constante (PALLAMIN, 2000, p. 15).

Aprender sobre as formas de expressões artísticas pós-modernas é sobretudo,


verificar como as tecnologias influenciaram grandemente para as construções características
de cada movimento e quantas possibilidades de evolução ainda há por vir.

UNIDADE 1 ARTE 21
SAIBA
MAIS
A arte body art utiliza o próprio corpo como ferramenta de composição para a obra de arte, dando
vivacidade à expressão artística. Atrai o espectador por suas performances e a forma com que destaca seus
temas, sejam eles por meio de maquiagem, mutilações, queimaduras, ferimentos entre outros que possam
causar impacto visual. Objetivando conduzir o espectador a refletir sobre a temática exibida.

Fonte: BODY Art. TODA MATÉRIA. Disponível em: [Link] Acesso


em: 06 jul. 2022.

REFLITA
“Considero o sobre surrealismo a consequência lógica de arte dum país que nem a França. No
Brasil acho que no momento atual, pros que estão de deveras acomodados dentro da nossa realidade, ele
não adianta nada. Não adianta porque não ajuda. Todas as questões que são de vida ou de morte para
organização definitiva da realidade brasileira(...) nos levam para uma arte de caráter interessado que como
todas as artes de fixação nacional só pode ser essencialmente religiosa (no sentido mais largo da palavra: fé
para a união nacional, psicológica familiar social religiosa sexual)”

Fonte: VIRAVA, Thiago Gil de Oliveira. Surrealismo e Modernismo: experiências surrealistas na arte
brasileira 1920-1940. VI EHA - Encontro de História da Arte - UNICAMP, p. 8. 2010.

UNIDADE 1 ARTE 22
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento sobre arte, filosofia que temos em nossa aprendizagem acadêmica
muitas vezes são muito vagas e quando aprimoramos entendemos o quanto estão ligados a
fatores históricos e a cada desenvolvimento ambos acompanham. A base dessa construção
teve seu principiar com a Revolução Industrial e I Guerra Mundial dois grandes fatores
que trouxeram temáticas quais as pessoas foram obrigadas a refletir para uma melhor
existência, as evoluções tecnológicas foram cada vez potencializando a teoria do sistema
capitalista e fortalecendo as desigualdades sociais até o presente momento.
A arte passou a ser uma forma de expressar sentimentos de contradição ao sistema,
o que não podia ser dito, poderia sim ser retratado. A arte e a filosofia estão interligadas
porque ambas necessitam de argumentação e tentam chamar atenção dos olhos que
observam atentamente.
Aguçando todos os sentidos que o ser humano é capaz de sentir, embora os utilize
muito pouco em paralelo do que se pode alcançar. Aprendemos que toda teoria construída
é fundamental para o crescimento histórico-cultural, não se despreza os conhecimentos
para adquirir algo novo, mas sim, é preciso aprender a transformar o que sabemos,
nossas experiências anteriores com o intuito de aprimorar para enxergamos as novas
vivências com um propósito mais significativo. Independente da arte, todas são formas de
manifestações e todas as manifestações são inquietações populares as quais a sociedade
precisa compreender e a filosofia oferece esta grande possibilidade.

UNIDADE 1 ARTE 23
LEITURA COMPLEMENTAR
RESUMO: O presente artigo nos leva a viajar pelo incrível mundo da arte
contemporânea, e assim a um imenso mergulho na mente humana, buscando inúmeros
questionamentos sobre a vida e a maneira que vivemos. A arte contemporânea permite
que o artista se expresse através das mais variadas formas; com o uso de materiais do
cotidiano a arte passou então a interagir com as pessoas, saindo de museus e indo ao
encontro da população, com o objetivo de fazer pensar e fazer com que as pessoas reflitam
sobre a arte e consequentemente sobre a vida.

Fonte: SEIDEL, Marisa Frohlich. Arte Contemporânea: Arte e Vida. Revista Científica

Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, Ano 01, Vol. 07, p. 52-62. Agosto de 2016. ISSN:2448-0959.

Disponível em: [Link] Acesso em:

23 jun. 2022.

UNIDADE 1 ARTE 24
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Vanguarda Europeia & Modernismo Brasileiro
• Autor: Gilberto Mendonça Teles.
• Editora: José Olympio.
•Sinopse: Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás/GO,
1931) é professor emérito de Literatura Brasileira e Teoria da Lite-
ratura na PUC-Rio. Teve diversas passagens, como poeta e críti-
co literário, por instituições nos Estados Unidos e na Europa. Em
1989, recebeu da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de
sua obra, o Prêmio Machado de Assis, a mais importante distinção
literária do Brasil.

FILME/VÍDEO
● Título: Soundtrack
● Ano: 2017
● Sinopse: Um filme brasileiro que retrata a relação entre a ciência
e a arte, a explicativa sobre ambas é sistêmica, mostrando pontos
de vista por intermédio de diálogos reflexivos e construtivos.

UNIDADE 1 ARTE 25
2
UNIDADE

FILOSOFIA

Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo


PLANO DE ESTUDO
Plano de Estudos
• Filosofia;
• Correntes Filosóficas I;
• Correntes Filosóficas II;
• Correntes Filosóficas III.

Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar Filosofia;
• Compreender o que é filosofia e a necessidade de aplicá-la em dias atuais;
• Estabelecer o surgimento de novas dialéticas oriundas das mudanças sociais.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 27
INTRODUÇÃO
Todos os dias enfrentamos obstáculos e consequentemente os superamos, uma luta
diária e buscamos sempre as razões para cada entrave proporcionado pela vida. Não somos
únicos, essa luta é de todos, cada qual com sua singularidade. Mas sempre pensamos a
razão para cada momento vivenciado. Pensar! Isso é importante antes e depois, analisar. De
uma maneira simplista para sintetizar, será que estamos filosofando? Então o que é filosofia?
Aprender sobre algumas correntes filosóficas e identificar suas didáticas são
importantes para a compressão do pensamento dos estudiosos bem como o contexto
em que toda a produção literária estava envolvida. A cada mudança social efetiva,
refletida por todos outros setores religioso, cultural, econômico, se estabelece outras
teorias. E as anteriores são descartadas? Como ocorre este processo de novas teorias,
que visivelmente parte das experiências e tem-se como base as teorias antigas.
Muitos pensadores, muitas reflexões a proposta da filosofia da arte é justamente
uma análise de forma a entender o que as obras retratam e permitir ao telespectador a
ampliação de seus conceitos, embora qual um traz suas peculiaridades, assim aprende
e assimila diferentemente um do outro. Os sentidos dão uma amplitude para interagir
com as obras e subentender significativamente as mensagens implícitas e explícitas.
A arte não tem suas limitações apenas em quadros, se faz ainda muito mais
contextualizada, dinâmica e globalizada, apresentando por meio da moda, das danças,
música, cerâmica, arquitetura, cerâmica, fotografia e escultura, qual a proposta da filosofia
da arte sobre elas é o que propomos a aprender.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 28
1
TÓPICO

FILOSOFIA

Quantas perguntas, quantas dúvidas, nos deparamos no decorrer de nossa


existência. As inquietações existem, porque tudo se renova, tudo se transforma, as mudanças
não são apenas em objetos palpáveis, mas na subjetividade de nossos comportamentos
e sentimentos. Mas enfim, em qualquer que seja ela, existem vários percursos a serem
trilhados e ao final de cada um deles uma resposta. Mas a enigmática, não está no final da
trajetória, mas em qual caminho seguir. A filosofia é inerente ao ser humano, consciente de
sua própria ignorância, isso é, a busca pelo conhecimento. Essa intermitente busca destaca
o objeto e o objetivo da filosofia, como apontado por Giles (1979):

O eu, o mundo e o outro – é isto o que vemos, mas que, no entanto,


precisamos aprender a ver. É este eu, este outro que a Filosofia procura levar
à compreensão e à expressão. É com essa finalidade que o filósofo interroga
o mundo, e a visão de mundo seguro que podemos ver as próprias coisas,
desde que abramos os olhos (GILES, 1995, p. 13)

A Filosofia tem como primazia de dar sentido às coisas, tendo como foco de estudo
a humanidade, haja vista que estudar a humanidade é sobretudo um grande desafio,
pois, exige neutralidade para evidenciar as visões diversas sobre a realidade, dentro de
cada perspectiva almejada. mas o ato de filosofar é necessário com o intuito de alcançar
respostas para viver de forma melhor.
Surgiu na Grécia em meados do século VI a.C, como uma forma racional de
pensamento, tudo porque era preciso explicar as precisões do mundo, porque até o momento
tudo era visto como mito, pois, não havia explicações científicas que as comprovem. Mitos

UNIDADE 2 FILOSOFIA 29
eram histórias fantasiosas e místicas, eram muito frequentes a volúpias menções de deuses
e semideuses.
Mas ao passar do tempo as explicações míticas, não faziam mais sentido, a
racionalidade era necessária, a filosofia, claro, em paralelo com outras ciências foram
explicando os acontecimentos de forma filosófica. Tudo surge conforme as necessidades
da formação das cidades estados na Grécia, sua estruturação demandou a necessidade
dos estudos como se daria esse processo de agrupamentos.
Tales de Mileto foi o primeiro filósofo, no século VI a.C, mas também possui outras
habilidades: matemático, engenheiro, astrônomo entre outros. Inclusive na matemática
deixou seu legado “Teorema de Tales de Mileto”. Dentre suas ideias, enfatizava que tudo
que temos conhecimento é produzido de água, tudo ao nosso redor estão contempladas
por vida e que as alterações são intermediadas pelo processo de condensação e rarefação.
Ou seja, todo que está envolvido pelo calor, necessita de umidade para ter vida.
Há filosofia tem formas de pensar que são delineadas em linhas de pensamento
e correntes filosóficas, tais como: idealismo, materialismo, escolástica, racionalismo,
fenomenológica, empirismo, pragmatismo, existencialismo, pós-modernismo, psicologismo,
neocriticismo, justamente por não conceber o conhecimento como algo que não pode ser
mudado, as diversas correntes dão esta dinâmica de construção do conhecimento cada
qual em seu contexto analítico.

Entretanto na modernidade as epistemologias mais utilizadas são o racionalismo e


o empirismo. O racionalismo como a própria denominação destaca tem como viés a razão,
sendo essa a única forma do indivíduo alcançar o conhecimento, René Descartes foi um
dos que mais difundiu esta concepção epistemológica, pois enfatizava que toda ideia é pura
e simples. Entretanto, a racionalidade estimula a produção do aprender “sempre pautada
na razão”, pois o segura e incontestável. Para o filósofo razão, pautada no bom senso é:

[...] naturalmente igual em todos os homens; e, destarte, a diversidade de


nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que
outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas
e não considerarmos as mesmas coisas (DESCARTES, 1973, p. 56).

Assim, é sabido que colocar o bom senso em prática é uma forma filosófica é
imprescindível na atualidade pois:

UNIDADE 2 FILOSOFIA 30
[...] regras fáceis e corretas graças às quais todos os que as observam com
exatidão nunca suportam verdade o que é falso, e chegarão, sem se cansar
com esforços inúteis, mas aumentando progressivamente sua ciência, ao
conhecimento verdadeiro de tudo o que pode alcançar (DESCARTES, 1973,
p. 67).

E o empirismo é fundamentado em todo o conhecimento que obtemos por meio


de nossas experiências, alicerçadas pelos nossos sentidos, O contato com o outro nos
oportuniza o crescimento seja ele intelectual, profissional, emocional entre outros. A
competência que adquirimos de apreciar a natureza, o que podemos sintetizar o gosto
pela arte. Cada qual pela sua sensibilidade, faz escolhas, uns gostam do cinema, outros
da dança. Uns observam uma obra de arte e dão um significado diferente, mas todas com
base em seus conhecimentos, em suas experiências.
As linhas de pensamento denotam como o ato de conhecer é complexo e ao
mesmo tempo simplista se conduzirmos pela epistemologia correta. Contemplando a
lógica, a metafísica (ontologia), epistemologia (teoria do conhecimento), ética e filosofia
da arte (estética). Todas são essencialmente importantes, entretanto a filosofia da arte,
nosso foco de estudo tem o conceito de aprender intermediado pelos sentidos, perceber
o que está ao nosso redor e para isso os órgãos dos sentidos entram em ação. Assim, é
crucial entendermos um pouco mais sobre correntes filosóficas, embora sejam muitas, mas
daremos destaque para as quais no contexto se faz mais relevante.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 31
2
TÓPICO

CORRENTES
FILOSÓFICAS I

Você sabe o que são correntes filosóficas e quais suas utilidades? Correntes
filosóficas são grupos de filósofos que se reuniram com o intuito de definir peculiaridades
acerca da filosofia, formalizando características para cada uma delas. A objetividade é propor
discussão entre eles, para de certa forma buscar a verdade, assim compartilhar ideias e
conceitos sempre relacionamos a humanidade e toda a complexidade que a envolve.
É importante lembrar que cada corrente filosófica está expondo a necessidade
vigente, entretanto, muitos conhecimentos são muito atuais, porque mesmo a sociedade
tendo evoluído, há algumas temáticas que ainda precisam ser transformadas em suas
praticidades e não apenas na teorização. Cortella (2002) retoma Albert Camus (1913-1960)
dizendo que “o homem é a única criatura que se recusa a ser o que ela é”. Isso explica,
porque o homem está sempre buscando e inventando, construindo e desenvolvendo
projetos, desejoso de transformar e transformar-se.
Materialismo histórico, uma corrente filosófica que teve como fundamentação
compreender as relações sobre trabalho e a produção de bens materiais no decorrer
da evolução do homem. Pois, entende-se que o homem vive socialmente, da forma que
ele pode economicamente, não tendo autonomia em suas escolhas. Para Hegel, filósofo
alemão do século XIX, explica o materialismo dialético, afirmando que o processo dialético
impulsiona o desenvolvimento da ideia absoluta pela sucessão de momentos de afirmação
(tese) de negação (antítese) e de negação da negação (síntese).
Ou seja, é a aplicação da teoria de Karl Marx ao estudo da evolução histórica das
sociedades humanas, pelas quais o modo de produção dos bens materiais condiciona a vida

UNIDADE 2 FILOSOFIA 32
social, política e intelectual que, por sua vez, interage com a base material. Marx e Engels
afirmam que a história de todas as sociedades do passado é a história da luta de classes.
Nesse sentido, no decorrer do processo histórico, as relações econômicas evoluíram
segundo uma contínua luta dialética entre os proprietários dos meios de produção e os
trabalhadores espoliados e explorados. Mas o que é o materialismo histórico?

O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo que estuda as leis


sociológicas que caracterizam a vida da sociedade, de sua evolução histórica
e da prática social dos homens, no desenvolvimento da humanidade. O
materialismo histórico significou uma mudança fundamental na interpretação
dos fenômenos sociais que, até o nascimento do marxismo, se apoiava em
concepções idealistas da sociedade humana. (TRIVIÑOS, 1987, p. 51).

É notório que a temática, sobre a luta de classes é constante nas teorias, pois, são
os conflitos que fazem a movimentação conceitual do povo, que por sua vez, ainda não
compreendeu a devida importância que tem para lutar pela garantia de seus direitos. A
filosofia escolástica trouxe no contexto muitas produções, pois, vertiam em muitas leituras,
uma ampliação dos conhecimentos científicos, sua peculiaridade era a junção do saber da fé
consolidada na bíblia e da razão com base romana. Até na contemporaneidade, vemos como
a igreja se apresenta de forma contundente na defesa de alguns valores, porém, a sociedade
se transforma e alguns preceitos religiosos permanecem na antiguidade, causando de certa
forma muitos pré-conceitos estabelecidos, o rompimento deste paradigma é moroso, mas
possível. São Tomás de Aquino, filósofo e teólogo, foi o precursor desta corrente que para
muitos é um método de pensamento. Mas a fé sempre deveria ser superior à razão, até
porque o interesse era que os textos sagrados da doutrina cristã notoriamente estudados e
apreciado escreve Aquino, na Suma teológica:

chamamos sabedoria o conhecimento das realidades divinas e ciência o


conhecimento das realidades humanas e criadas. O conhecimento de Deus a
partir das criaturas pertence, por sua forma, à ordem da ciência; esta pertence
à ordem da sabedoria por ser somente seu objeto. Quando julgamos as
realidades criadas em função das realidades divinas, trata-se então mais de
sabedoria que de ciência (SANTOS, 2000, p. 34).

Os erros e desvios serão atribuídos aos vícios, pois o mal, que segundo Aquino
não é inerente ao homem, é um acidente, um desvio, é a ausência de bem que pode ser
reposta, ou ensinada, ou verificada pelo projeto. Podemos compreender que para Tomás
de Aquino, o homem nasce bom, mas ao decorrer de sua construção intelectual perde ou
ganha atributos morais. “O homem tem de bondade tanto quanto tem de Ser, e faltando-

UNIDADE 2 FILOSOFIA 33
lhe plenitude de seu Ser, falta-lhe bondade, o que é chamado de mal”, escreve Aquino,
demonstrando que a razão sempre encaminha para o bem.
É interessante refletir que as correntes se diferenciam, mas entre si possuem
semelhanças que impulsionam as novas teorias até os dias atuais. O racionalismo foi um
pensamento que teve como o principal influente René Descartes, a base de sua concepção
é a razão. Sob essa perspectiva, a obra de Descartes, ao contrário do que sempre se
pensou, estabelece as necessidades e os limites da própria razão; estabelece aquilo de
que para nós é impossível duvidar. Para citar um exemplo: se recorrermos, nas Meditações,
à demonstração da veracidade divina, que refuta a hipótese do Deus enganador, que se
trata tão-somente de uma demonstração racional, isto é, coerente com os princípios inatos
à razão humana, não possuindo qualquer estatuto superior de verdade absoluta. Explica
Frankfurt:

A prova de que Deus não é enganador, enquanto demonstração racional,


estabelece apenas que sua conclusão é requerida pelos princípios da razão
humana, demonstra que um Deus enganador é logicamente incoerente
(1977, p. 52).

O racionalismo é incongruente com o empirismo, pois, o primeiro se estrutura na


razão que se formaliza na produção de verdades e que não tampouco os sentidos contribuem
para o aprimoramento do saber, estas concepções surgiram pareadas com as teorias de
Platão que distinguia o mundo inteligível do mundo sensível. Esse pensamento foi fonte para
os pensamentos iluministas. O racionalismo dependendo do campo de pesquisa, pode ter
uma conotação diversificada, por exemplo na ética esse pensamento tem o entendimento
que a razão é mais que sentimento, pois impõe o costume, a autoridade é a forma de
entender o bem e o mal, o certo e o errado.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 34
3
TÓPICO

CORRENTES
FILOSÓFICAS II

Podemos afirmar que o auge da revolucionário intelectual na relevância filosófica


foi notória com o “Iluminismo”, também denominado “Século das Luzes”, o intuito era em
meios a tantas revoluções ocorridas tais como: Revolução Industrial, Francesa e Intelectual,
prudentemente, as luzes eram necessárias para iluminar os pensamentos sombrios que
pairavam na sociedade. Esta corrente filosófica contribui para o aparecimento do sistema
capitalista e da sociedade contemporânea.
Uma revolução científica contribuiu para o progresso na filosofia e nas ciências,
podemos citar René Descartes e John Locke como precursores dessa corrente filosófica.
Estes estudiosos acreditam estar iluminando as mentes das pessoas, os objetivos eram a
defesa da constitucionalidade, igualdade jurídica e do liberalismo. Combatiam fortemente
o absolutismo monárquico, pois para eles era injusto, o mercantilismo que impedia a livre
iniciativa, ou seja, o desenvolvimento do capitalismo e o poder da igreja. O historiador
Francisco José Falcon (2009) também defende que não existe um consenso entre os
especialistas sobre o significado do nome do Iluminismo:

O problema do vocabulário das “Luzes” é ainda uma questão em aberto.


Não basta estudar cada palavra em si mesma; é preciso situá-la filológica e
historicamente, nacionalmente e internacionalmente. A rede de significações
que constituem o seu campo semântico não é mera reprodução ou reflexo
de uma realidade histórica, mas é uma reação a essa realidade. Entre uma
coisa e outra há um espaço mental, maior ou menor, tendente à contestação
da própria realidade. Tal é o caso francês, por isso mesmo considerado
“clássico”: distância e reação convertem-se aí em crítica violenta ao existente.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 35
Quer na filosofia, com o platonismo e o neoplatonismo, quer na esfera religiosa,
com o judaísmo e o cristianismo, a luz é sempre imagem ou símbolo que
significa verdade ou conhecimento verdadeiro. A iluminação mística cristão,
baseada na revelação divina, foi relida e secularizada pelo pensamento das
“Luzes”.

Tal apropriação da metáfora das “Luzes” pelos iluministas, opondo as


“Luzes” às “Trevas” das superstições, dos erros e da ignorância dos séculos
precedentes, possuía também seus riscos. Pretendendo veicular novos
sentidos através da antiga metáfora, os “filósofos” não podiam impedir que,
entretanto, para muitos, o sentido tradicional se mantivesse vivo.

Sabemos agora que o Iluminismo tanto pode significar a doutrina dos que
acreditam na “iluminação interior” ou mística, a qual para outros constituía uma
espécie de manifestação “irracionalista”, quanto, justo o oposto, Iluminismo
é sinônimo de “filosofia das luzes”, isto é, da chamada “iluminação racional”.
(FALCON, 2009, p.15-17)

Denominações à parte, os iluministas queriam a liberdade econômica, religiosa


e política de todas as pessoas perante a lei, criticavam o controle da igreja, mas, não
eram contra o culto a Deus, tinham como proposta um sistema econômico diferenciado
do mercantilismo que centralizava apenas o privilégio para a nobreza e o clero, as classes
menos favorecidas não tinham nenhum tipo de benefício ou apoio. Suas propostas
eram, liberdade religiosa, de pensamento e de expressão, algo que buscamos em nossa
atualidade. liberdade econômica se observarmos ainda não conquistamos de forma total
essa liberdade, pois, somos consumidos por impostos. Substituição da monarquia pela
república, e a ruptura do colonialismo e do absolutismo.
Nesta corrente de pensamento os iluministas defendiam a razão sobre a fé, com
o intuito de entender a sociedade, resolvendo os problemas vigentes, assim, partia de três
grandes bases: a razão, a liberdade e a evolução da humanidade frente a racionalidade e ao
conhecimento científico. Portanto, acreditam que a razão impulsionaria os seres humanos
ao progresso, fazendo desaparecer a ignorância. Immanuel Kant (2001), ele próprio um
expoente da filosofia desta época, definiu o Iluminismo assim:

O Iluminismo é a saída do ser humano do estado de não-emancipação em que


ele próprio se colocou. Não-emancipação é a incapacidade de fazer uso de
sua razão sem recorrer a outros. Tem-se culpa própria na não-emancipação
quando ela não advém de falta da razão, mas da falta de decisão e coragem
de usar a razão sem as instruções de outrem. Sapere aude! (ouse saber!)
(KANT, 2001, p. 56)

UNIDADE 2 FILOSOFIA 36
Augusto Comte, desenvolveu a corrente metodológica positivista, bem como foi
fundador da sociologia, no século XIX. Teve como referências para sua produção dialéticas,
Bacon, Hobbes e Hume. Triviños (2009) considera acerca do fato de que a origem do
positivismo foi pertinente aos autores:

O positivismo, sem dúvida, não nasceu espontaneamente, no século XIX,


com Augusto Comte. Suas raízes podem ser encontradas no empiricismo,
já na antigüidade. Mas as bases concretas e sistematizadas dele estão,
seguramente, nos séculos XVI, XVII e XVIII, com Bacon, Hobbes e Hume,
especialmente (TRIVIÑOS, 2009, p. 33).

Toda prática pedagógica que é contrária à metafísica, sintetiza que o conhecimento


está além das observações diárias. Os positivistas defendiam a ideia de que o conhecimento
se resumia a verificação, demonstração e a experiência. Correspondendo ao nome
positivismo considera a evolução, tendo o conhecimento algo modificável, em um processo
construtivo e social. Oferecendo uma realidade pedagógica realista como se constatar que:

O sujeito que possui por profissão ser professor é um sujeito transmissor


de informações, assim como todos os sujeitos-alunos são receptores,
apresentam comportamentos e ações, buscando repetir e reproduzir,
transmitir os conteúdos e conhecimentos aos estudantes, que atuam como
ouvintes. O professor ensina, de forma técnica e didática, e o aluno aprende,
incorpora as informações, os conteúdos repassados [...] (KLIEMANN;
SGARIONI; STRIEDER; GERRA, 2016, p.3)

O positivismo parte do princípio de que o conhecimento científico seria a única


maneira de encontrarmos a verdade absoluta, o conhecimento verdadeiro, dando base para
as explicativas por exemplo sobre a física, a ética e tudo que entrelaça a sociedade. Seu
lema está exposto em nossa bandeira “Ordem e Progresso”. A sociologia principiou com o
surgimento do positivismo, era necessário pela visão positivista a teorização da política, da
moral e da filosofia, estava pautada na ciência e na ordem da sociedade, portanto estimulou
a Proclamação da República Brasileira. É mister relembramos que:

Antes de dar prosseguimento ao texto, torna-se válido explicitar aqui o


conceito de positivismo: Uma filosofia das ciências, uma política é uma
religião: a primeira é conhecida por querer substituir a explicação ‘teológica’
por uma causalidade transcendente ou a explicação ‘metafísica’ por um
simples conceito (a papoula faz dormir porque tem uma ‘virtude dormitiva’)
uma explicação positiva visa a instaurar uma ordem social adaptada à
‘idade industrial’, onde o poder espiritual distingue-se do político, onde a
classe especulativa (sábios, artistas, filósofos) acha-se oposta à classe ativa
(comerciantes, industriais, agricultores); finalmente, a religião positiva não
tem por objeto um Deus transcendente e inacessível, mas é a religião da
Humanidade (JULIA, 1964, p. 258).

UNIDADE 2 FILOSOFIA 37
No Brasil, o positivismo consolidou um enorme desenvolvimento ideológico, político
e social, esta visão adentrou em nosso território ainda no século XIX, muitas características
desse movimento se encontram evidente em nossos dias, devendo claro aprimorar e aplicar
em sua totalidade para de fato gerar a “ordem e o progresso”.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 38
4
TÓPICO

CORRENTES
FILOSÓFICAS III

Tudo tem uma razão para existir. Não há acaso, sociologicamente falando. Hoje
temos muitas facilidades e conforto, sempre foi assim? Sabemos que toda a evolução,
foram pautadas em transformações, veja, há em média quatro milhões de anos, o
Homo Habilis alcançou a postura vertical. Essa alteração, possibilitou que os membros
anteriores, ocasionando consequências boas e ruins para os hominídeos. Mas vamos
destacar a posição corporal das fêmeas, pois os filhotes começaram a nascer de forma
prematura e assim houve uma necessidade maior de cuidado por parte das mães.
Entretanto essa fragilidade passou a ser predominante para atentar-se a
necessidade de formação de grupos coesos, permanecendo mais tempos juntos,
tornando um aprendizado enriquecido pelas experiências da coletividade, sendo
necessário manter a organização do grupo, foram então se instituindo regras, normas e
padrões. Partindo deste princípio, você irá observar como o ser humano foi adquirindo a
capacidade de transformar a si mesma e todos ao seu redor, por meio das necessidades.
Você já observou que mudamos apenas quando algo nos tira da zona de conforto?
Você já deve ter lido ou obtido alguma informação sobre o poder após o descobrimento
do fogo para a vida em sociedade. Mas de fato, analisou como esse elemento realmente foi
crucial para a espécie humana? Os alimentos antes que só eram comidos cru, passaram
a ser cozidos, melhorando não apenas o sabor, mas facilitando o processo digestivo.
Nas cavernas úmidas e frias, a iluminação e o aquecimento foram proeminentes, o que
propiciava melhoria do sono, mantendo uma qualidade nestes momentos e afugentando os
animais ferozes e peçonhentos. A elaboração dos instrumentos de caça e pesca, tornando-

UNIDADE 2 FILOSOFIA 39
os resistentes e mais eficientes. O fogo fez de forma significativa alterar as questões
demográficas e sociais na vida de nossos ancestrais. De acordo com o autor:

Ressalta que a ingestão de alimentos cozidos e com maior variedade


proporcionou maior resistência a doenças e, consequentemente, contribuiu
para o aumento populacional. Além disso, o convívio e volta das fogueiras teria
fortalecido o sentimento de união entre os elementos do grupo, contribuindo
para o desenvolvimento da própria linguagem (PINTO, 2012, p. 24).

A evolução do homem é evidente e as tecnologias contribuíram significativamente


para este contexto. Entretanto, não apenas o ser humano evoluiu, mas tudo à sua volta.
Esse processo de transformação tem a objetividade de que o indivíduo consiga se adaptar
ao meio qual está inserido, quando falamos em evolução temos que ter em mente que não
acontece repentinamente, até porque em muitas situações o homem reluta para que não
haja mudanças. Talvez pelo medo do novo.
Entre inúmeras correntes filosóficas que existem, destacamos algumas e nelas
é perceptível perceber a evolução do pensamento da sociedade, que contribui para a
construção do conhecimento científico, longe da verdade absoluta resultante de suposições.
Em uma teoria de inovação, vamos falar sobre o pós-modernismo, conforme afirma
Bezerra, (2009, p. 4) “teriam decretado o fim daquele projeto de modernidade anteriormente
traçado”, que surgiu em meados do século XX, que afasta do modernismo, mas é preciso
entender sobre o modernismo surgiu no começo século XX, mas muito atrelado a situações
políticas conflitantes impulsionando a 1ª e 2ª Guerra Mundial e buscava o rompimento com
o passado, podendo assim exceder em sua criatividade de maneira liberal. Assim:

Narra-se um Brasil imaginário, cheio de paisagens coloridas, como um país de


utopia. “A terra é de tal maneira graciosa”. Trenzinhos subindo o Corcovado.
Lá em cima, os paredões de rocha viva, com esculturas monolíticas. E a
cidade imensa se estendendo, em sínteses geométricas, pela beira do mar.
Sambas por toda parte. Essas digressões iam se repetindo, com acréscimos
individuais. Espalharam-se por outros grupos. Os próprios brasileiros, que
faziam as suas férias em Paris, começaram a gostar desse “Brasil” cordial,
narrado na sua frescura primitiva. (BOPP, 1966, p. 15).

As inovações no pós-modernismo modificam qualitativamente a arte e a arquitetura,


a base destas inovações foram objetivadas pelas mudanças científico tecnológicas, advindas
da Terceira Revolução Industrial (1950), uniu-se a conhecimento científico e industrial. Mão
de obra foram sendo substituídas por máquinas, os meios de produção tomaram escalas
jamais vistas, trazendo melhoria para a economia mundial. Muitas invenções que perpetuam

UNIDADE 2 FILOSOFIA 40
até os dias atuais, mas com as inovações necessárias, como o primeiro computador (1947),
o primeiro aparelho celular (1973) e a engenharia espacial ( 1926). Como descreve o autor:

[…] A palavra pós-modernismo refere-se em geral a uma forma de cultura


contemporânea, enquanto o termo pós-modernidade alude a um período
histórico específico. Pós-modernidade é uma linha de pensamento que
questiona as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade,
a ideia de progresso ou emancipação universal, os sistemas únicos, as
grandes narrativas ou os fundamentos definitivos de explicação. Contrariando
essas normas do iluminismo, vê o mundo como contingente, gratuito, diverso,
instável, imprevisível, um conjunto de culturas ou interpretações desunificadas
gerando um certo grau de ceticismo em relação à objetividade da verdade,
da história e das normas, em relação às idiossincrasias e a coerência de
identidades. Essa maneira de ver, como sustentam alguns, baseia-se em
circunstâncias concretas: ela emerge da mudança histórica ocorrida no
Ocidente para uma nova forma de capitalismo – para o mundo efêmero e
descentralizado da tecnologia, do consumismo e da indústria cultural, na
qual a indústria de serviços, finanças e informação triunfam sobre a produção
tradicional, e a política de classes cede terreno a uma série difusa de “políticas
de identidade”. (EAGLETON, 1998, p. 7).

O movimento pós-moderno trouxe também peculiaridades negativas como o


individualismo, uma inexistência de valores, regras e moralidade, imprecisão, mas por
outro lado nos beneficiou com pluralidade, espontaneidade e “liberdade de expressão”.
Evidenciou em aspas a última característica, porque muitas vezes quando a nossa opinião
for contrária, ao sistema arbitrário, pode ser que não seja mantida. Também oportuniza
nas artes uma diversidade de estilos, singularizando como o homem pós-moderno é
constantemente bombardeado por informações. Essa corrente explora o lúdico, o humor,
a metalinguagem, a pluralidade de gêneros, a ironia, as fragmentações e desconstruções
de princípios e valores, o intuito é tornar tudo um grande espetáculo prezando sempre pela
participação e interação com o público, como nas expressões artísticas referenciadas no
parágrafo seguinte. Kumar acrescenta ainda que:

[...] a pós-modernidade é tão surpreendente e eclética em suas origens como


é sintética e sincrética em suas manifestações. Um claro reflexo disso está
no fato de contradições e circularidade serem aspectos valorizados em suas
versões mais polêmicas. (KUMAR, 1997, p.48).

As expressões artísticas derivadas da pós-modernidade, são Pop art, arte digital,


body arte que iremos estudar em nossa última unidade. Quando falamos de arte, precisamos
ter uma visão bem ampla. Você poderia me dizer um filme que se encaixe nas características
da pós-modernidade? Talvez você já tenha assistido e não tenha se identificado. Por
exemplo, Pantera Negra (2018), Star Wars: Os últimos Jedi (2017), No Intenso Agora

UNIDADE 2 FILOSOFIA 41
(2017), Demônio de Néon (2016), O Olmo e a Gaivota (2014), Interestelar (2014). Na música
temos essas singularidades também, você deve ter percebido como as músicas gospel
mudaram, porque as características dos grupos religiosos também modificaram, estilos pós
modernistas. Observe ao seu redor e verás o quanto de pós-moderno te envolve em seu
contexto diário. É satisfatório saber que ainda há muitas correntes filosóficas para existir.

SAIBA
MAIS
A fenomenologia se baseia na intencionalidade, isto é, não existe objeto sem a presença do
sujeito, pois o objeto depende da intencionalidade e da consciência do mesmo, portanto ela é o “estudo
das ciências e todos os problemas, segundo ela, se tornam a definir essências: a essência da percepção, a
essência da consciência, por exemplo.”

Fonte: TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à Pesquisa em Ciências


Sociais: a Pesquisa Qualitativa em Educação – O Positivismo, A Fenomenologia, O Marxismo. São Paulo:
Atlas, 2009. 175p

REFLITA
O professor é entendido como o ser que conhece e, a partir disso, deve valorizar e analisar,
juntamente com o estudante, o seu contexto a fim de questionar as contradições e buscar transformações
da sociedade em que estão inseridos, transformando sua práxis em um objeto cognoscível teoricamente,
relacionando assim, teoria e prática tornando o processo educacional dialógico e conscientizador.

Fonte: KLIEMANN, Claudia Regina Machado, SGARIONI, Priscila Daga Moreira, STRIEDER, Dulce
Maria. GUERRA, Rodrigo. Comparando as correntes metodológicas: positivismo, fenomenologia e materialismo
histórico dialético. In: V SIMPÓSIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E XXVI SEMANA DE PEDAGOGIA,
2016, Cascavel. Unioeste. p. 1 - 10. Disponível em:
[Link]
[Link].
Acesso em: 03 jul. 2022.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 42
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quanto mais aprendemos, mais significativo fica a elaboração de nossos conceitos,
pois, compreendemos que todas nossas convicções, todas as nossas verdades em algum
momento se depara com novas teorias que lapidam nosso pensar, nosso agir. Nem sempre
conseguimos expor nossos sentimentos, nossas idealizações e de alguma forma nos
transformamos em arte reflexiva. Generalizo porque embora talvez nem todos tenhamos o
dom da arte em si, mas sabemos que viver é uma arte.
Mas aqueles que podem esboçar seus ideais, seus repúdios utilizam a arte para tal
fim, sempre de forma pacífica, mas que destaque na sociedade as convicções, essa conduta
é abrangente e sistêmica, abrange variados público, nas modas estilando as roupas, as
produções cinematográficas, a musicalidade, as alterações das paisagens urbanas por
meios de projetos arquitetônicos, a cerâmica que molda os pensamentos do escultor, a
fotografia que retrata mais que o momento, mas o sentimento a lembrança assim como as
esculturas.
Todos os processos de criação fazem parte do contexto histórico-cultural, porque
trazem história que serão estudadas num futuro próximo, conseguimos entender esse fato,
quando estudamos as correntes filosóficas os pensadores e desde a antiguidade vem se
consolidando com seus pensamentos que ao aprimorarem estruturou pensamento científico,
para assim entendermos que não existe verdade absoluta.
Isso vale muito para nós sempre nos avaliarmos e nunca nos sentirmos superior
a ninguém, porque não há verdades, ou seja, ninguém tem total conhecimento de tudo.
Somos conduzidos por nossas experiências de vida a enfrentarmos nossas hipóteses,
testá-las e recomeçar se for preciso. Agindo tal a proposta da filosofia da arte nos oferece,
aprimorar nossos sentidos e estar disposto a aprender, sem julgamentos estereotipados.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 43
LEITURA COMPLEMENTAR
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Instituto de Filosofia,
Arte e Cultura. Departamento de Filosofia. Programa de Pós-Graduação em Estética e
Filosofia da Arte.

O papel da estética na teoria: estatuto da estética filosófica após o fim da arte O


trabalho aborda a questão do estatuto da estética no contexto da arte contemporânea.
Esta questão, direcionada ao pensamento de Arthur Danto, importante filósofo da arte
contemporânea, pretende esclarecer as razões sistemáticas e teóricas da suspensão das
pretensões normativas e definitivas da estética filosófica. Tal questionamento nasce da
posição incômoda a que fica relegada a estética clássica tanto no que diz respeito ao
declarado fim da arte quanto, consequentemente, ao desincentivo da estética. Assumindo
programaticamente a hipótese do fim da arte e a definição de obras de arte em condições
necessárias e suficientes, esclarecemos a centralidade da ontologia na filosofia da arte
de Danto e como, a partir de um projeto definicional focado na distinção entre termos
observacionais e teóricos, experiência, atitude ou qualquer outra categoria estética
tradicional, estão conceitual e sistematicamente interditadas. Conforme proposto, o cerne
da disputa concentra-se na concepção de arte e de filosofia e na relação entre ambas.
Apresentamos o debate a partir de uma perspectiva metafilosófica na qual é possível traçar
um panorama sistêmico da filosofia danteana, bem como relacioná-lo com a perspectiva
wittgensteiniana e revelar os pressupostos tacitamente operantes na rejeição danteana
da estética. A partir desta perspectiva ampla é que apontamos, ao fim, a possibilidade de
desenvolvimento de uma estética do significado.

Fonte: LEONEL, Wesley Faria de. O Papel de Estética na Teoria - Estatuto da estética filosófica após

o fim da arte. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Filosofia) - Universidade Federal de Ouro Preto

Instituto de Filosofia, Artes e Cultura. Ouro Preto - SP, p. 239. 2017. Disponível em: [Link]

[Link]/bitstream/123456789/9642/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O_PapelEst%C3%[Link].

Acesso em: 03 jul. 2022.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 44
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Filósofos e Correntes Filosóficas em gráficos e diagramas
• Autor: Milton Hunnex.
• Editora: Vida.
• Sinopse: O livro retrata a historicidade, dialética de alguns filó-
sofos demostrando suas contribuições até dias atuais, explicando
alguns conceitos filosóficos de forma didática e enriquecedora.

FILME/VÍDEO
• Título: Cartesio
• Ano: 1974.
• Sinopse: No filme contém trechos inteiros de algumas das obras
fundamentais do pensador, que visa a autonomia do pensamento
racional diante da fé. Descartes precisa provar que a razão é sus-
tentável por si só.

UNIDADE 2 FILOSOFIA 45
3
UNIDADE

O NASCIMENTO
DA ESTÉTICA
Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo
PLANO DE ESTUDO
Plano de Estudos
• Filosofia da Arte e os Cinco Sentidos;
• Sócrates, Platão e Aristóteles;
• Descarte, Locke e Kant;
• Hegel e Karl Marx.

Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a filosofia da arte bem como os sentidos que
complementam a aprendizagem sobre nosso meio;
• Compreender as concepções dos filósofos clássicos;
• Estabelecer a singularidade entre alguns pensadores sobre a construção do
saber, arte e filosofia.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 47


INTRODUÇÃO
A compreensão de termos como filosofia e arte são cruciais para que consigamos
conceber a proposta da filosofia da arte. Algo que devemos ter muita flexibilidade ao perceber
que atualmente a filosofia em si, em se tratando do ato de refletir, analisar, dialogar não está
sendo tão bem aplicada, causando uma intolerância entre pessoas por assuntos muitas
vezes banais e outros que necessitam sim de uma reflexão crítica e construtiva.
Muitos conseguem transmitir o que pensam, por intermédio de sua arte, pois a
comunicabilidade, as formas de expressão verbais, hoje, são razões para muitos conflitos.
Tanto a arte como a própria filosofia, ocupam-se de várias formas de nos inteirar, de
perceber, é preciso apenas o interesse em aprender pelas imagens fotográficas, esculturas,
arquitetura, moda, expressividade cinematográfica ou qualquer proposta artística. nelas
encontram-se um teor filosófico contundente com o momento histórico, sintetizando uma
riqueza histórico-cultural.
Mas como os nossos cinco sentidos fazem parte desta grande representatividade
na filosofia da arte? Isso aprenderemos ao decorrer desta unidade, assim como grandes
filósofos desde clássicos como contemporâneos, propõem sobre as temáticas, arte
que ampliam em seus conceitos sobre o belo e o feio, a estética e o homem. Obter os
conhecimentos sobre eles é ampliar a possibilidade de analisar o desenvolvimento da
filosofia da arte e como faz parte de nosso cotidiano

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 48


1
TÓPICO

FILOSOFIA DA ARTE E OS
CINCO SENTIDOS

Impossível falarmos sobre os cinco sentidos sem falar daquele que comanda
todos eles, o “cérebro”, mas precisamente o sistema nervoso. Você já ouviu falar sobre
ele funciona? Bem, o sistema nervoso é a parte do organismo que integra, através da
transmissão/recepção de sinais, suas diferentes estruturas-funções, coordenando as ações
voluntárias e involuntárias do organismo. Sendo ele constituído em 2 grandes sistemas: O
Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP).
O Sistema Nervoso Central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal. O
encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico possuindo em torno de 35
bilhões de neurônios. O cérebro é responsável por comandar as ações motoras, estímulos
sensoriais e atividades neurológicas, assim a memória, aprendizagem, pensamento e a
fala e no hemisfério direito suas funções estão relacionadas a interpretação de imagem,
habilidades manuais não verbais, intuições, espaços em três dimensões, percepções em
músicas. O hemisfério esquerdo está focado na linguagem, processamento de cálculos,
memórias, resolução de problemas e fala. Segundo Damásio (1996, p.116), o funcionamento
do cérebro pode ser assim resumido:

[...] a função global do cérebro é estar bem informado sobre o que se passa
no resto do corpo (o corpo propriamente dito), sobre o que se passa em si
próprio, e sobre o meio ambiente que rodeia o organismo, de modo que se
obtenha acomodações de sobrevivência adequada entre organismo e meio.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 49


Contudo os sentidos, não temos o intuito de explicar o que cada um tem como
função, pois, aprendemos esse conceito desde os tempos escolares. Mas o intuito é
que você compreenda que todos estão relacionados com o meio externo e externo, que
nos proporciona sensações diversas, perceptivas graças ao sistema nervoso. A arte
contemporaneamente, principalmente os artistas têm utilizado os cinco sentidos para
provocar o espectador, dando a oportunidade de ver tocar, cheirar, há obras que emitem
som outras que podem até ser degustadas. Uma forma de aproximar o espectador das
obras. Podemos constatar que “Sentir não está fundamentado apenas na consciência que
se tem do elemento percebido, mas se fundamenta nos fenômenos encontrados no mundo
da experiência”. (RIBEIRO, 2000, p. 35).
A filosofia da arte ou também denominada estética são pertencentes ao campo
filosófico que estuda o belo e o feio, aguçado pelos sentidos. A estética refere-se a tudo
que pode ser compreendido pelos sentidos e consequentemente apreciado pelo contexto
filosófico, canalizado pela reflexão. A filosofia da arte conceitua da mesma forma que a
estética, diferenciando apenas que a realidade são criadas e até mesmo reproduzidas de
forma artística pelo ser humano. A objetividade da filosofia da arte é especular se há padrão
definido, como conceituar o que é belo, isto é, investigar a essência da beleza.
Esta investigação tem a necessidade de compreender e questionar a natureza da
arte em suas variadas ramificações, suas formas de atuação e de influência, seus objetivos,
seus meios de expressividade, suas produtividade, intencionalidade e o conceito do prazer
estético. Porém, a filosofia da arte também se delega a compreender o que é feio. Essa
separação entre o que é belo e o feio, não é fácil, até porque cada um de nós possuímos
gosto diferentes. Pois a beleza e a feio sempre foram questões presentes na sociedade.
Se analisarmos filosoficamente a estética estuda de forma racional o que é belo e todo o
sentimento que o envolve e desperta no homem, por isso de forma tão definida passa a ser
sinônimo de beleza.
De uma forma singular e contemporânea, a arte tem envolvido cada vez mais artistas
que utilizam dos cinco sentidos para trazer o espectador mais próximo de suas obras, assim
tem a possibilidade de se sentir pertencente a ela, por intermédio do aguçar da visão, tato, e
pasmem até mesmo do paladar. Claro que tudo isso faz parte de uma realidade atual e que
foram preciso muitas mudanças e transformações para que alcançasse o ápice de hoje.
Muitos nomes contribuíram para que esses movimentos tivessem esses conceitos como
de grupos como o Gutai no Japão e os situacionistas na França, além de artistas como

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 50


Yves Klein e John Cage. Podemos dizer que a arte participativa são todas que propõe ao
telespectador o envolvimento da obra, por meio dos sentidos

Sem a participação, a obra é somente objeto, uma vez que, não se mostra
na contemplação mas na relação com o participante. A cor e a forma estão
no espaço e seus tempos são percebidos na interação com o tempo interior
daquele que vê, se movimenta, toca e percebe com todos os sentidos (SILVA,
2006, p. 42)

Assim a forma de compreensão das obras são mais percebidas e entendidas, pois
o telespectador faz parte dela e cada um tem a possibilidade de significá-la conforme seu
entendimento intelectual, tudo é bem pensado pelo autor da obra desde cores, formatos e
todos os demais artifícios que a tecnologia pode oferecer. Para que compreendamos melhor
podemos entender que a estética é uma campo de estudo da filosofia que se desdobra em
estudar e investigar a essência da beleza. De forma singular busca conceituar sempre tendo
a razão como base para compreender o que é belo e consequentemente o sentimento que
potencializa nas pessoas.
Desta forma a estética em filosofia enfatiza um olhar reflexivo e construtivo sobre
o que é beleza por intermédio das sensações proporcionadas pelos sentidos, denotando a
sensibilidade que cada ser humano possui. É importante considerar que entender a estética
enquanto filosofia é também compreender o processo construtivo da arte, valorizando a
ideia e não se distanciando da relação social que a arte promove entre ética e política.
Estamos habituados e condicionados a realizar nossas considerações esteticamente
falando, em tudo em que está ao nosso redor, sejam evidenciadas nos vestuários, viagens,
alimentação e sempre temos as preferências pautadas com base de nossa vivência,
ou seja, a filosofia em pauta, pois, evidencia tudo o que sabemos, o que foi construído
dinamicamente e nos direciona para novas verdades, que nos propicia enxergar a vida
sempre diferente.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 51


2
TÓPICO

SÓCRATES, PLATÃO E
ARISTÓTELES

Sócrates foi um filósofo (470-399 a.C) pertencente a Grécia Antiga, considerado o


pai da filosofia, tinha como pensamento o método socrático que tinha como premissa afastar
a opinião do conhecimento, para ele depois que a falsidade fosse distanciada a verdade
surgiria, a sua maneira de investigar tinha dois momentos a ironia e a maiêutica. Essa
dialética objetivava refletir, questionar as crenças comuns fazendo com o que o indivíduo
sinta a necessidade de ampliar seus conhecimentos. Ou seja, sai do senso comum e almeja
o conhecimento científico. Sócrates relata a importância de persuadir os homens a cuidar
da virtude:

Podeis reconhecer que sou um homem bom, um homem dado pelo deus à
cidade por esta reflexão: não é conforme à natureza do homem que eu tenho
negligenciado todos os meus interesses, sofrendo a anos, as consequências
desse abandono do que é meu, para me ocupar do que diz respeito a vós,
dirigindo-me sem cessar a cada um em particular, como um pai ou um irmão
mais velho, para persuadir a cuidar da virtude (XENOFONTE, 1972, p. 56).

O objetivo do filósofo de cuidar da alma humana tinha uma relação com o seu
compromisso assumido com o deus de Delfos. “Mas, repito, faço por uma determinação
divina, vinda não só através do oráculo, mas também de sonhos e de todas as vias pelas
quais o homem recebe ordens dos deuses”.
A ironia, do grego: eironeia: dissimulação, socrática era evidenciada pelo não saber.
Seu intuito é fazer com que o homem reflita sobre sua fragilidade frente ao que pensa
que sabe. Por isso, Sócrates interrogava todos os seus interlocutores com a intenção de

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 52


mostrar-lhes o que eles pensavam saber, mas na verdade não sabiam o que pensavam
saber.
Para Sócrates, a primeira virtude do sábio, seria adquirir consciência da sua
ignorância. Por isso mesmo, ele dizia: “só sei que nada sei”. Pois quanto mais questionava
o indivíduo, mais ficava explícito que faltava conhecimento para se posicionar, vistos nas
contradições expressas, assim, Sócrates, mediada para que fosse entendido a necessidade
de buscar novos conhecimentos e aprimorar os que possuíam.
A maiêutica é justamente a reconstrução das ideias, aprimoradas pelas experiências
e principalmente pelo entendimento que não somos detentores de conhecimento, pois,
ele é infinito. Por ter desenvolvido o método maiêutica e não ter isentado ninguém de
suas interrogações, Sócrates adquiriu muitos inimigos. A procedência dessas inimizades
era a soberba dos homens, que ao serem interrogados pelo filósofo, não admitiam sua
ignorância e o acusavam de confundir-lhes as ideias, deixando-os fora de seu juízo normal.
Nada diferente da conduta em dias atuais, ao invés de aliar-se a quem sabe muito para
aprendermos, ignoramos pois o achamos soberbo.
Platão tem várias teorias sobre a metafísica, retórica, ética, lógica, política, corpo
e alma ( dialética e dualidade), mas entendia a filosofia com três distinções: a dialética que
seria a verdade, a metafísica, que compreendia o ser e a Física que seria a junção das
ciências naturais e psicológicas e ética que define como as regras sobre comportamento
moral. Para compreender melhor saiba que Platão foi discípulo de Sócrates, suas temáticas
estavam associadas a amor, amizade, política, justiça e imortalidade da alma.
Seu pensamento voltado para a política tinha cunho das correções injustas, ou seja,
tornar justo o que é injusto, uma concepção idealista, porque acredita em uma sociedade
saudável em todos seus aspectos possíveis. Para Platão (2000) e Aristóteles (2001) a ética
e a política são as ciências por excelência. Todas as demais ciências estão subordinadas a
elas e delas se servem. A ética é a doutrina moral do indivíduo e a política é a doutrina moral
da sociedade. Para Platão (2000), a justiça nada mais é do que a harmonia que deve existir
entre as quatro virtudes: a moderação, a coragem, a sabedoria e a própria justiça. Portanto:

todos os homens se julgam capacitados para exercer a política. Mas isso é


um grande equívoco, pois, a arte da política é para poucos. Somente os mais
capacitados intelectualmente (filósofos) estão preparados para bem exercer
a administração da cidade em benefício de todos (PLATÃO, 2000, p.39).

Para Platão, o achar nem sempre é o que de fato significa, porque estamos sempre
em busca de novas oportunidades de conhecimento. E então para ele existem duas formas

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 53


de conhecimento sensível: aquele que advém da opinião, da crença, dos costumes e o
conhecimento intelectualizado que deriva do raciocínio e da intuição, entretanto apenas o
último consegue atingir a verdade, a essência do que queremos conhecer.
Quando falamos sobre Aristóteles finalizamos o aprendizado sobre esse trio
de filósofos tão conhecidos. Embora haja outros. Sua defesa filosófica é centrada no
empirismo, pois acreditava que todo conhecimento advinha da experiência, um filósofo que
dá grande praticidade ao mundo exterior, e para os sentidos que para ele seria a únicas
fontes de conhecimento, assim, por intermédio da audição, olfato, paladar, visão e tato
os conhecimentos iriam aprimorando o intelecto. Desta forma as sensações, percepções,
imaginação, memória, raciocínio e intuição ficariam sempre enriquecidas. Este pensador
também primava pela justiça:

O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de


todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa
quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas
pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente
oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais
impiedoso e selvagem dos animais (ARISTÓTELES, 2001).

Muito que aprender com Aristóteles, quando afirma que a justiça é uma virtude, uma
prática moral, complementa sua teoria dando ênfase em dois tipos de justiça: a universal
e particular. Bem como a justiça subjetiva aquela eu trago com meus princípios e a justiça
objetiva que afeta nossa moralidade. Enfim, a palavra justiça e injustiça são necessárias
deste a antiguidade, mas o mais importante que a mesma deve estar presente em nós, para
cobrarmos dos outros ao nosso redor.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 54


3
TÓPICO

DESCARTE,
LOCKE E KANT

Muda-de os espaços, transforma-se as formas de leituras, as condutas tecnológicas


se aprimoram, mas o que não se descarta é a necessidade de aprimorar nossos
conhecimentos, seja como for, toda aprendizagem histórico cultural advém das leituras
quais buscamos obter as informações necessárias para nossos crescimento intelectual.
Você sabe qual a importância de mesmo estando na Contemporaneidade a leitura dos
clássicos? Quando você lê algum livro que menciona um filósofo clássico, ele transporta
para seu conhecimento da forma que ele entendeu quando fez a leitura. E com isso as
vezes não remete a informação real.

Um exemplo simples e acontece cotidianamente, são as notícias, capítulos


de novelas, quem assiste ou lê, tenta passar a informação, porém, da forma
que ela compreendeu e não necessariamente como foi transmitido. Portanto,
quando quisermos obter informações reais é preciso ir “direto à fonte”. Vamos
apreciar as principais ideias de alguns filósofos de grande importância para
filosofia e a arte, pois ao compreenderem a sociedade vigente em seu
processo evolutivo.

René Descartes (1596 - 1650), sua concepção filosófica, fazendo uso de seu
pensamento cartesiano, originou-se a filosofia moderna, escreveu uma obra muito importante
“O Discurso sobre o Método”, (1637) ideias sobre o racionalismo que para ele seria a única
fonte de conhecimento. Uma frase utilizada por ele muito conhecida é “ Penso, logo existo”.
Sempre muito estudioso além de filósofo era matemático, nunca se deu por satisfeito
com os conhecimentos adquiridos no decorrer de sua escolaridade, decepcionado, busco
aprimorar no que era preciso. Ainda jovem formulou a geometria analítica.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 55


Também se envolveu com as Ciências, área que lhe atraia os olhos, acreditando
que a mesma deveria ser prática e não apenas teoria especulativa. Na matemática, sua
paixão evidente relacionou a álgebra com a geometria, surgindo a geometría analítica e o
sistema de coordenada “Plano Cartesiano”. Sua ideia era que a filosofia, apenas deveria
ser centrada na verdade, com objetividade e clareza.

A filosofia, que foi “cultivada pelos mais excelentes espíritos” e tem por
essência a discussão em busca de uma verdade cada vez mais sólida, traz
desconfiança ao filósofo no que diz respeito a solidez de suas teorias; a ciência,
por ser fundamentada pela filosofia, trouxe certa incerteza ao filósofo francês
justamente por ter esses princípios fundamentados em bases pouco firmes
onde não há nada que não possa ser colocado em dúvida (DESCARTES,
2001, p. 8-13).

Para ele não existia uma verdade absoluta, tudo deveria ser contestável, criando
o método da dúvida. A princípio tem suas inquietações sobre os sentidos, pois acredita
que os mesmo poderiam oferecer dados contraditórios nas construções teóricas. Para
Descarte a estética não há enquanto sistema, pois, o cartesianismo não explica porquê
de determinadas sensações diante da obra. Na seção intitulada “A gênese da autonomia
estética”, do livro “O que é estética?”, Jimenez discorre sobre a influência do cartesianismo
para a formação da estética enquanto estudo sobre o belo. Segundo o autor:

Um dos sistemas mais ambiciosos dos tempos modernos não pode explicar
o comportamento do homem diante da arte. Não existe, neste sentido, uma
estética cartesiana. Porém, se insistirmos sobre o lugar do sistema cartesiano
numa discussão consagrada à estética, não o fazemos para concluir por
uma negação. Pelo contrário. De fato, a filosofia de Descartes não cessa
de desempenhar um papel maior nas numerosas controvérsias artísticas do
século clássico, sobretudo quando se trata das noções de sentimento, de
gosto ou de gênio (JIMENEZ, 1999, p. 54).

A arte muda conforme o contexto, assim como tudo ao nosso redor. Falamos então
sobre John Locke (1632 - 1704), sua corrente filosófica era o empirismo, portanto, defendia
a ideia que todo conhecimento era proveniente das experiências, independentes de quais
fossem, de origem interna que seriam as reflexões ou externa permitidas pelas sensações.
Segundo ele, nossa mente é uma folha em branco, mas não é passiva, pois, busca a todo
tempo aprender e com o passar do tempo, vamos dando cor, vida e voz a ela, conforme
vamos adquirindo mais conhecimentos, resultam em reflexões e consequentemente nossa
personalidade também se consolida.
No contexto político defende sempre a ideia de liberdade intelectual e tolerância,muito
difundida no iluminismo, assim a soberania deveria residir no povo e não no Estado. Sua

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 56


teoria trazia a concepção que o conhecimento não inato, mas denomina a forma como
elaboramos as informações que obtemos em meio a nossas experiências. Você entende
que aprendemos com nossos erros? Seria isso o que Locke tentou nos explicar, quanto
mais vivemos mais temos maturidade para viver. As experiências nos fazem crescer
intelectualmente e moralmente. Para ele não existe o poder inato de um monarca e o
determinismo de que o povo deve aceitar a submissão a esse poder.

Do que ficou dito é evidente que a monarquia absoluta, que alguns consideram
o único governo no mundo, é, de fato, incompatível com a sociedade civil, não
podendo por isso ser uma forma qualquer de governo civil, porque o objetivo
da sociedade civil consiste em evitar e remediar os inconvenientes do estado
de natureza que resultam necessariamente de poder cada homem ser juiz
em seu próprio caso, estabelecendo-se uma autoridade conhecida para a
qual todos os membros dessa sociedade podem apelar por qualquer dano
que lhe causem ou controvérsia que possa surgir, e à qual todos os membros
dessa sociedade terão de obedecer (LOCKE, 1983, p. 68).

Immanuel Kant (1724-1804), um filósofo moderno, uma das suas principais obras
de cunho filosófico foram “Modernidades”, fundou uma teoria de conhecimento denominada
idealismo transcendental e de acordo com sua proposta fundou o criticismo que tinha como
premissa dar limites ao conhecimento humano. Outra obra que teve grande notoriedade
foi “Teoria do Conhecimento e Ética e Filosofia Moral”. Kant era muito metódico, assim
promoveu a revolução copernicana da filosofia, que contribui para resolver os impasses de
filósofos e correntes filosóficas surgidas anteriormente às quais ele não concordava em sua
totalidade ou em alguns [Link] palavras de Höffe:

A revolução copernicana de Kant significa que os objetos do conhecimento


não aparecem por si mesmos, eles devem ser trazidos à luz pelo sujeito
(transcendental). Por isso eles não podem mais ser considerados como coisas
que existem em si, mas como fenômenos. Com a mudança do fundamento
da objetividade, a teoria do sujeito, de modo que não pode mais haver uma
ontologia autônoma. O mesmo vale para a teoria do conhecimento (2005, p.
45).

A revolução Copernicana propiciou o conhecimento de que o planeta Terra e os


demais planetas se moviam em torno do Sol, dando um avanço no pensamento científico
sobre esse assunto, fazendo com que as pessoas começam a ver o que estava acima
de nós, estrelas, planetas, sol, etc, de outra forma. Mas tudo isso não aconteceu de um
dia para outro, foi um processo de construção de conhecimentos descartando o sistema
geocêntrico (Terra como centro do Sistema Solar) para o heliocêntrico.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 57


A derivação do nome “Copernicana” é devida a analogia feita de Kant para Copérnico
que defendia o geocentrismo. Kant, na Crítica da Razão Pura, mais especificamente na
seção §1 da Estética Transcendental, afirma que “A capacidade de receber representações
(receptividade), graças à maneira como somos afetados pelos objetos, denomina-se
sensibilidade. Por intermédio, pois, da sensibilidade são-nos dados objetos e só ela nos
fornece intuições.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 58


4
TÓPICO

HEGEL E KARL
MARX

O homem tem a capacidade de se adaptar a cada situação, construir e reconstruir


de acordo com suas necessidades. Nossa inteligência vai além, das necessidades básicas,
muitos pensadores, filósofos, cientistas, estudiosos, tem a incubencia de visualizar além do
que muito de nós somos capazes, sempre objetivando melhorias de contextos que possam
trazer benefícios de forma coletiva. As teorias produzidas não são uma verdade absoluta,
porque sempre são renovadas, estruturadas. A partir de cada rompimento de paradigma
sobre as teorias já existentes, surgem outras, sempre em prol da busca da verdade, a qual
sabemos nunca ser absoluta.
Quanto mais teorias mais estudos, e paralelo a sociedade não para ela contínua
as mudanças em todos seu contexto: social, econômico, religioso, cultural, educacional,
tornando o processo de construção de conhecimento muito mais dinâmico e sistêmico.
Um aspecto importante de uma sociedade é que esta representa uma realidade que não
se confunde com nossa percepção individual do mundo, isto é uma sociedade é uma coisa
que existe independentemente de nossa mente. Portanto:

As coisas incluem todos os objetos do conhecimento que não podem ser


concebidos exclusivamente pela atividade mental e que necessitam para a sua
concepção de dados provenientes de fora da mente, através de observações
e experimentos, conceitos que são construídos a partir de características
externas e mais facilmente acessíveis, até os aspectos menos visíveis e
mais profundos. Tratar os fatos de uma certa categoria como coisas não é,
portanto, equivalente a colocá-los numa categoria especial da realidade, mas
corresponde a adotar uma certa atitude mental com relação aos mesmos,
partindo do princípio de que quando iniciamos seu estudo somos totalmente
ignorantes de sua natureza e de suas propriedades características, como
as causas de que dependem não podem ser descobertas nem pela mais
profunda introspecção (LEE e HOWARD, 1995).

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 59


Para Georg Wilhelm Friedrick Hegel (1770-1831), um grande idealista, seus estudos
trouxeram considerações importantes nas áreas de História, Direito e Arte, por intermédio
de sua teoria sobre lógica dialética, muitos outros estudiosos foram influenciados por ele
como Karl Marx ( 1818-1833) entre outros. Toda filosofia de Hegel é explicitada na obra
“Fenomenologia do Espírito” (1807), nesta fundamentação ele classifica o sistema lógico
em três formas sendo elas a lógica. Filosofia da Natureza e a Filosofia do Espírito, o objetivo
era aproximar o indivíduo sempre da verdade mais absoluta, levando o homem a se auto
questionar para ir em busca do conhecimento perfeito. Para ele não existe limitação para
o conhecimento, quanto mais racionaliza o conhecimento, mais aprimoramos. Sobre a arte
enfatiza que:

Pensar a bela arte na perspectiva de uma filosofia da arte em Hegel supõe


algumas singularidades: abordar a arte sob o caráter fundamental do pensar
filosófico implica, segundo a filosofia de Hegel, necessariamente pensá-la
mediante um “esforço conceitual”, abarcando-a não abstratamente como
mero objeto vivo presente no mundo da existência, de acordo com os
esquemas unilaterais e fixos de um pensamento conceitual, mas pensá la na
dinâmica de sua necessidade interior, na intimidade do seu desdobramento
conceitual; só assim, do ponto de vista do idealismo hegeliano, é possível
pensar verdadeiramente o real (FERREIRA, 2000, p. 57).

Quando Hegel discute sobre dialética, expõe seu conceito filosófico pois entende
que toda teoria (tesis) pode ser contestada a partir de outra teoria (antítese) está discussão
entre ambas consolida a dialética. Logo ambas aprimoraram uma nova teoria, por meio de
um processo de pesquisa. Em suas obras “Propedêutica Filosófica” e “Ciências da Lógica”
esta teoria é evidenciada. Para Hegel, tudo é possível ser estudo, pensado ou criado, pois,
para ela o real é racional e o racional é real, não tem como separar um mundo qual o sujeito
se encontra do objeto e do conhecimento.
A concepção hegeliana conduz que a filosofia tem como objetividade a mesma coisa
que a religião, encontrar o absoluto em Deus. Diferenciando apenas que na religião todo
conhecimento se dá pelos sentimentos, pela representatividade das imagens, e a filosofia
aprendemos teorizando seus conceitos. Assim a filosofia tem um papel fundamental para
o homem, sobre tudo o que a vida lhe impõe como conflito diário. O filósofo em questão
também faz considerações sobre questões educacionais pois, comunga com as diversas
tendências pedagógicas o fato de que todas afirmam o homem, mas ele se dissocia daquelas
que situam o homem demasiadamente no âmbito da natureza:

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 60


O homem aparece depois da criação da natureza e constitui o oposto
ao mundo natural. É o ser que se eleva ao segundo mundo. Temos em
nossa consciência universal dois reinos: o da natureza e o do espírito. O
reino do espírito é o criado pelo homem. Podemos forjar-nos todo tipo de
representação sobre o que será o reino de Deus, mas ele sempre há de ser
um reino do espírito que deve ser realizado no homem e estabelecido na
existência. (HEGEL, 1989a, p. 59).

Muito estudado Karl Marx (1818-1833), por ser revolucionário, suas bases são
de constituições da doutrina comunistas que tinha como críticas severas ao sistema
capitalista, seu conhecimento filosófico adentrou em várias áreas como sociologia, política,
direito e economia. Talvez sua motivação em suas teorias estava implicita por seu pai ser
descendete de judeu e ter sifo perseguido pelo governo absolutista da época. Marx escreve
o, “Manifesto Comunista” nesta escrita faz um violento protesto com críticas ao sistema
capitalista, deixando claro todas as questões que envolviam o movimento operário. Neste
manifesto ela ao final afirma necessidade da união dos operários do mundo inteiro para que
lutasse para a garantia de seus direitos. Portanto configura que:

o proletariado tornou-se demasiado fraco, pois faltava-lhe organização,


experiência e conhecimento. O capitalismo desenvolveu-se para tornar
necessária a abolição das antigas relações feudais, mas não o bastante para
colocar a classe operária em primeiro plano, como força política decisiva
(TROTSKY, 2010, p. 45).

Outra obra de Karl Marx “O Capital”, nesta obra destacam-se três grandes elementos
de suas discussões, mercadoria, trabalho e valor, assim remete ao valor de uso e valor de
troca. Um exemplo é o valor (salário) dado ao trabalho e quanto a classe burguesa ganha
sobre a mão de obra barata. Assim as denúncias são contra as desigualdades sociais às
quais ele fazia duras críticas, para ele os homens de maneira geral têm direitos de justiça
e liberdade e deveriam ter acesso a riqueza que a burguesia tinha. Para Marx, tudo é
inconstante, as mudanças são contínuas e as mesmas são originárias das lutas de classes,
sendo o conflito necessário para estas transformações. O Capital, começa por analisar a o
conceito de mercadoria alegando que:

À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa trivial, evidente. Analisando-a,


vê-se que ela é uma coisa muito complicada, cheia de subtileza metafísica
e manhas teológicas. Como valor de uso, não há nada misterioso nela, quer
eu a observe sob o ponto de vista de que satisfaz necessidades humanas
pelas suas propriedades, ou que ela apenas recebe essas propriedades
como produto do trabalho humano. É evidente que o homem por meio de sua
actividade modifica as formas das matérias naturais de um modo que lhe é
útil.(MARX, 1980, p.67)

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 61


É muito interessante continuar a busca pelo conhecimento, entendendo como cada
filósofo concebe as mudanças sociais e como se prontificaram por meio da dialética, a
oferecer caminhos para se repensar em saber e expandi-lo em todas as áreas.

SAIBA
MAIS
Sobre o belo e o sublime: gosto é a “faculdade de julgar o belo”. É um julgamento. Para estudá-
lo, Kant, com um grande espírito de sistema, segue a tabela de julgamentos que organizou na analítica
transcendental dos conceitos da Crítica da razão pura, embora os julgamentos estéticos sejam precisamente
irredutíveis aos julgamentos lógicos. Os quatro aspectos do julgamento que ele retoma (a qualidade, a
quantidade, a relação, a modalidade) vão, entretanto, levar a quatro definições complementares do belo.
Fonte: LACOSTE, Jean. A Filosofia da Arte. Trad., Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Ed., 1986.

REFLITA
Acredita-se que é simular um paradoxo supor, por um só instante, o que poderiam ser o mundo,
o pensamento e a verdade se o homem não existisse. É que estamos tão ofuscados pela recente evidência
do homem que sequer guardamos em nossa lembrança o tempo, todavia pouco distante, em que existia o
mundo, sua ordem, os seres humanos, mas não o homem. Compreende-se o poder de abalo que pôde ter e
que conserva ainda o pensamento de Nietzsche, quando anunciou, sob a forma do acontecimento iminente,
da Promessa-Ameaça, que, bem logo, o homem não seria mais - mas, sim, o super-homem; o que, numa
filosofia do Retorno, queria dizer que o homem, já desde muito tempo, havia desaparecido e não cessava de
desaparecer, e que nosso pensamento moderno do homem, nossa solicitude para com ele, nosso humanismo
dormiam serenamente sobre sua retumbante inexistência. A nós, que nós acreditamos ligados a uma finitude
que só a nós pertence e que nos abre, pelo conhecer, a verdade do mundo, não deveria ser lembrado que
estamos presos ao dorso de um tigre?“ — Michel Foucault, livro As palavras e as coisas
Fonte: [Link]
paradoxo-supor-por-u/ Acesso em: 04 jun. 2022.

UNIDADE 4 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 62


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Temos, usamos mas nem sempre damos o devido valor aos nossos sentidos.
Até quem diga que temos o sexto sentido. Mas aprendemos cotidianamente e todas as
assimilações são potencializadas pelos sentidos, assim interagimos muito mais com
o assunto qual nos propomos aprender. Na arte, quando as obras dão a possibilidade
do telespectador participar, interagir, torna-se tudo mais prazeroso e o mesmo sente-se
pertencente para aquela construção.
Assim como os sentidos aprimoram o conhecimento, também nos alertam sobre
nossas condutas, sobre os perigos, ou seja, são enraizados de sentimentos que nos
causam desde extrema alegria a extenuante tristeza. Cada indivíduo reage da forma
como sua particularidade permite. Portanto, a cada obra, cada indivíduo a concebe de
maneira peculiar, as mensagens implícitas ou explícitas das organizações artísticas, são
interpretadas de acordo com o grau de intelectualidade proveniente do indivíduo.
Aprendemos com as teorias dos filósofos clássicos, sobre o belo e o feio e
confirmamos nossa contextualização que gosto é algo muito particular. Assim cabe a
premissa de não julgarmos o gosto do outro. Você já ouviu a pergunta: “ O que seria do
amarelo, se todos gostassem do vermelho?” Exato, a diversidade cultural colabora para
isso, o que enriquece todas as propostas de mudança, que avaliam o crescimento intelectual
do ser humano, sendo necessário a transformação.
Todo processo de evolução parte de verdades constituídas, mas entendemos que
não existe uma verdade absoluta, tudo é questionável, sendo sempre necessário manter
a dúvida para nos conduzir a pesquisar e melhorar nossa dialética. Todas as hipóteses
testadas, teorias constituídas, podem ser refutadas quando surge uma nova teoria,
adaptando-às, aprimorando surge uma nova teoria. Não descartamos as teorias antigas,
pois são bases para consolidar uma dialética promissora.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 63


MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: A Filosofia da Arte
• Autor: Jean Lacoste ( Tradução: Álvaro Cabral)
• Editora: Jorge Zahar
• Sinopse: De uma forma didática o autor reconstrói a história da
filosofia da arte, discorre de Kant a Merleau-Ponty, destaca o valor
da arte tanto em cunho histórico e cultural como seus valores.

FILME/VÍDEO
• Título: Soundtrack
• Ano: 2017.
• Sinopse: Cris um fotógrafo, apaixonado pela sua arte, viaja para
um pesquisa em um estação polar, com intuito de fotografar para
uma exposição, onde a música será a inspiração vigente. Junta-
mente com seus companheiros de trabalho Cao e Mark, desco-
brem outras formas de olhar a vida e consequentemente a arte.

UNIDADE 3 O NASCIMENTO DA ESTÉTICA 64


4
UNIDADE
ESTÉTICA
CONTEMPORÂNEA

Professor Mestre Jorge Alberto de Figueiredo


PLANO DE ESTUDO
Plano de Estudos
• Moda e Cinema;
• Música e Arte Cênica;
• Arquitetura e Cerâmica;
• Fotografia e Escultura.

Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar a filosofia da arte nas diversas expressões artísticas;
• Compreender a influência da arte em nosso cotidiano;
• Estabelecer a importância da filosofia para entender a proposta da arte.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 66


INTRODUÇÃO
Em um contexto mundial com tantos conflitos, que mesmo distante nos aflige, sentimos
incomodados a muitos momentos e buscamos de certa forma espairecer nossas mentes com
atividades que nos enchem os olhos, na busca pelo belo, que de espaço para apreciarmos,
as coisas boas que a vida nos proporciona. Pelo contexto sociológico proporcionado pelas
mudanças sistemáticas de acordo com a historicidade de cada momento. Nada mais é
como antes, entretanto, nesses aspectos, não se configuram apenas na lembrança.
Tudo potencializado globalmente os avanços das tecnologias da informação,
fizeram aprimorar as mais diversas expressões artísticas, sendo abrangente nos
gostos para todas as idades. Mas o que possibilitou as mudanças? Por que as
adaptações inovadoras foram necessárias? Nossa evolução intelectual, contribuiu
e muito para que todas as formas de expressões fossem sendo inovadoras,
a fim de traduzir as insatisfações, os protestos que marcaram uma época.
Desta forma, as expectativas para mais acréscimo de criatividade e objetividade é
fato. Um mercado capitalista mais voltado para o consumismo, pesquisas mundiais que
potencializam o desejo do consumidor e que consequentemente faz com que a qualificação
da arte seja precisa. A contemporaneidade exige uma busca constante de peculiaridades
em todos os setores como moda, cinema, música, arte cênica, arquitetura, cerâmica,
fotografia e escultura entre tantas outras existentes. Vamos compreender sobre a estética
atual, mas sem deixar de argumentar sobre seu processo evolucionista, enfatizando como
estas expressões fazem parte de nosso cotidiano e como é parte de nosso patrimônio
cultural e intelectual.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 67


1
TÓPICO

MODA E CINEMA

Você tem o hábito de rever fotos da família? Acredito que sim, é uma forma saudável
de formalizar lembranças entre familiares, destacando os melhores e piores momentos, os
entes que amamos e os que desejamos bem (mas se possível longe) e assim por diante. Mas
o que nos induz a questionar é para conduzi-lo a experiências às quais não vivenciamos, “a
moda”. Rimos de gargalhar quando vemos as vestimentas dos novos avós e pais, mas você
já observou que muitas modas vão e voltam? E existem outras que nunca saem de moda?
Para ficar bem mais simples de compreender sem perder a essência, vamos definir
o que é moda. Moda é a forma como as pessoas se vestem e cada grupo, em momentos
da historicidade se vestem. Sua característica é que geralmente é algo comum e muitas
pessoas apreciam, temos como exemplo a calça jeans. Entretanto, é muito importante dizer
que a moda, não é para todos, não apenas em seu aspecto econômico, para você estar na
moda, precisa ter condições para isso e muitas roupas da moda, são para padrões estéticos
constituídos. O que muitas vezes vemos na roupa, gera uma expectativa e quando usamos
percebemos que a realidade é totalmente frustrante. Outras pessoas se vestem como
tendência modista, apenas com o intuito de obter status.
A moda tem seus estilos e todas elas retratam por meio visual, o que muitos querem
expressar verbalmente e muitas vezes não conseguem, umas retratam formas de protesto,
outras apenas retratam o perfil de quem as usa. A moda surgiu em meados do século XV
com o início do renascimento Europeu. O artesão que abriu seu primeiro ateliê de alta
costura e ficou eternizado como “pai da alta costura” foi Charles Frederick Worth, em Paris
em 1558.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 68


Filosoficamente, podemos considerar que a moda é um canal além de expressão
da arte, mas propiciar a instrumentalização para os movimentos sociais, atingindo a todos,
sem deixar de lado a minoria, como por exemplo plus size (manequins acima de 44). O
Brasil é riquíssimo pela sua diversidade de etnias o que foi consolidando várias identidades
e cada qual com suas peculiaridades. Não existe o belo e o feio, mas existem olhares
singulares que se conectam com aquilo que se sente confortável. Assim afirmamos que:

Para distinguir se algo é belo ou não, referimos a representação não pelo


entendimento ao objeto em vista do conhecimento, mas pela faculdade da
imaginação do sujeito ligada ao seu sentimento de prazer e desprazer. O
juízo de gosto não é, pois, nenhum juízo de conhecimento, por conseguinte
não é lógico e sim e, estético, pelo qual se entende aquilo cujo fundamento de
determinação não pode ser senão subjetivo. (KANT, 1995, p. 47).

A arte inspira a moda, isso, desde o processo de criação como produção. E a moda
entrelaça a arte, cores, formas. A moda deve ser vista com grande parcimônia por parte do
consumidor, porque ela se renova com grande dinamismo, se o impulso tomar conta vira
um acumulador. O cinema também é um grande suporte para alavancar o modismo. Quem
nunca observou, se apaixonou ou comprou objetos por ter visto nas telas cinematográficas?
Um exemplo são os filmes do 007, quais os produtos usados por ele são formas de marketing
para as vendas.
O cinema também traduz sentimentos, por meio da arte em movimento, ou retrata
situações de épocas passadas com intuito de mostrar a real história, expor sentimentos,
de certa mostra uma realidade que todos nós sabemos que existe e nem sempre nos
chocamos, nos lembramos e o cinema tem a arte de nos fazer chorar, relembrar, nos
motivar de alguma forma. Claro que com o impulso das mídias, dos meios de comunicação,
o cinema também tem o cuidado de enfatizar questões que permeiam a minoria, dando
recados para as necessidades de mudança. Concluímos que:

A racionalidade logopática do cinema muda a estrutura habitualmente aceita


do saber, enquanto definido apenas lógica ou intelectualmente. Saber algo,
do ponto de vista logopático, não consiste somente em ter “informações”,
mas também em estar aberto a certo tipo de experiência e em aceitar deixar-
se afetar por uma coisa de dentro dela mesma, em uma experiência vivida
(CABRERA, 2006, p. 21).

Assistir filmes é não apenas uma forma de lazer, mas de aprimorar nossos
conhecimentos, pois, trazem informações significativas para os temas que pretendem
atingir, gerando expectativas de muitos em esperar o lançamento dos filmes, das trilogias

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 69


como Senhor dos Anéis, Os Hobbits, Os Vingadores, O Coringa e assim tantos outros. Os
filmes marcam épocas e seus contextos, assim como o “O vento levou”. O cinema retrata a
arte veiculada com a técnica da cinematografia. Desta forma:

O papel que toda obra de arte impõe, a necessidade da exposição coerente


e orgânica do tema, do material, da trama, da ação, do movimento interno,
da sequência cinematográfica e de sua dramaturgia como um todo. Sem falar
no aspecto emocional da história, ou mesmo de sua lógica e continuidade,
o simples ato de narrar uma história coesa foi frequentemente omitido nas
obras de alguns proeminentes mestres do cinema, que realizaram vários
gêneros de filme. O que precisamos, claro, é não tanto da crítica individual
desses mestres, mas basicamente de um esforço organizado para recuperar
o exercício da montagem, que tantos abandonaram. Isto é ainda mais
necessário a partir do momento em que nossos filmes enfrentam a missão de
apresentar não apenas uma narrativa logicamente coesa, mas uma narrativa
que contenha o máximo de emoção e de vigor estimulante (EISENSTEIN,
2002, p. 13-14).

O cinema, assim como a filosofia, tem como premissa fazer com que as pessoas se
emocionem e principalmente reflitam sobre a mensagem a ser transmitida e que a incorpore
em seu dia a dia, na grande maioria os temas são de relevância para a sociedade. No século
XX, o cinema passou a ser considerado arte por intermédio do crítico Ricciotto Canudo,
quando teorizou um artigo denominado “Manifesto das Sete Artes”, sendo assim o cinema
considerado a 7ª arte.
De forma filosófica o cinema contribui na produção de conceitos, ideias concebidas
pela filosofia e transmitida de forma escrita e o cinema que dá movimento e ação às
ideias existentes. Filosoficamente, as verdades pré-concebidas estão construídas, já
cinematograficamente temos a oportunidade de nos sentirmos inseridos no contexto, ter
cada qual sua experiência e construir seus pré-conceitos.
O cinema brasileiro nas últimas décadas tem evoluído de forma incontestável,
retratando temas aos quais a sociedade precisa se inteirar, envolver e lutar pelos direitos
existentes, mas não garantidos, tais como: Cidade de Deus (2002), Central do Brasil (1998),
O Auto da Compadecida (2000), Tropa de Elite (2007), Macunaíma (1969), Que horas ela
volta? (2015), Nise (2016) entre outras. Bem como arte cinematográfica fazendo resgates
históricos como: Hans Staden (1999), Anchieta, José Brasil (1977), Desmundo (2003),
Ganga Zumba (1963), Quilombo (1984), Xica da Silva (1976), os Inconfidentes (1972),
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995) entre outros.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 70


2
TÓPICO

MÚSICA E ARTE
CÊNICA

A ilustração escolhida foi proposital! Para falarmos sobre a música, precisamos


trilhar o caminho da evolução, seja dos aparelhos, das letras das músicas, das formas de
dançar, abrilhantada pelas mudanças em todos os momentos, para nos fazer lembrar que
há muitas coisas guardadas em nossos baús, não apenas em nossas memórias. Falamos
acima sobre a evolução da moda, do cinema e da mesma forma vemos essa evolução na
música em nós, com nuances, evoluímos e acompanhamos hits novos.
O processo de evolução do ponto de vista filosófico, não se processa apenas, no
olhar musical, mas na evolução intelectual da sociedade, e em sua grande diversidade se
consolida no gosto por diversos tipos de gêneros musicais. A música tem como premissa
articular sons, a música é uma arte, um grande legado, um patrimônio pautado em melodias
intrínseco na relação cultural e humana de um povo, tem como elemento básico sua melodia,
harmonia e ritmo. A música é capaz de desenvolver a mente humana, traz equilíbrio e
consequentemente bem-estar, contribui para a concentração. Salientamos de acordo com
Juslin e Laukka (2004, p. 218):

A música é um estímulo acústico indutor de grande variedade de respostas


emocionais nos ouvintes , que pode, portanto, ser utilizada como um
estímulo adequado para que estudos sobre a influência das emoções sobre
a percepção temporal sejam realizados.

A música é tão motivadora de emoções que alguns estudos apontam que ela
auxilia em ambientes comerciais por exemplo, que as pessoas consumam mais, pois, o

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 71


prazer de estar no ambiente faz com que permaneça mais tempo. Quando ouvimos uma
música, nosso cérebro fornece endorfina que alivia a dor e dopamina, nos dá a sensação
de esperança, alegria, por isso que é considerada um fator que aumenta a imunidade, pois,
diminui o estresse. Você em algum momento de tristeza já recorreu à música para sentir-
se revigorado? Imagino que sim. Se você nesses momentos ouvir músicas que trazem
lembranças tristes ou músicas que não lhe transmitem alegria ou paz, o efeito é contrário.

A capacidade de a música influenciar o estado emocional do indivíduo se deve


ao fato dela produzir reações fisiológicas cuja magnitude parece depender do
conteúdo emocional. Portanto, a percepção musical envolve muitas variáveis,
muitas áreas encefálicas e é capaz de influenciar o corpo todo através das
reações emocionais e fisiológicas (CARTER, 2009, p. 23).

A música tem grande influência na sociedade e por intermédio dela, identificamos


grupos com afinidades singulares, que se identificam não apenas pela música, mas até
mesmo pelas vestimentas, suas narrativas, seus estilos de vida e principalmente como se
evidenciam para a sociedade e como deixa transbordar seus sentimentos. Não existe na
arte da música o belo e o feio, existem gostos diferentes. De forma cultural, até mesmo
pela expansão tecnológica a música liga culturas, pois permite que ouçamos outros estilos,
outras letras e entendamos sua real mensagem, que muitas vezes ecoa como um ressoar
da minoria.
A importância da música em determinados momentos é expressiva, podemos
exemplificar na atividade esportiva de ginástica artística, em que as atletas precisam estar
no ritmo da música e a música precisa estar totalmente entrelaçada entre a atleta, porque
está associada a arte cênica. Arte cênica são ações realizadas de performance no palco,
seja ela qual espaço físico for (praça, ruas, etc) e para o público. O artista que precisa passar
para o público toda a mensagem que quer transmitir pela sua presença de palco. Embora
em muitas vezes o artista se apresenta sozinho (monólogo) ou em poucas pessoas, por
detrás dos bastidores encontram os demais. A história retrata que:

Na mitologia grega, Dionísio significa “aquele que nasce duas vezes”. Zeus
teria arrancado Dionísio do ventre de sua mãe e o colocado na sua perna,
até o seu nascimento. Essa história é bastante emblemática, pois o teatro é
sempre uma arte que fala de dualidades e contradições. No festival dedicado
à adoração de Dionísio havia um coro de homens que cantava e dançava em
torno de um altar, como um canto coral lírico que contava a vida de um Deus.
(DORIA, 2012, p. 25).

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 72


A arte cênica envolve teatro, dança, circo, ópera e tem seus estilos podendo
ser trágico, dramático, cômico, musical e dança essas suas derivações foram sendo
constituídas ao longo do tempo. Entretanto, desde a Grécia Antiga o teatro já se fazia
presente, os palcos eram as grandes Arenas. No Brasil, as artes cênicas passaram a existir
enquanto ainda era colônia, o objetivo não é pouca era a catequização dos índios por meio
das escritas feitas pelos jesuítas, os artistas eram os nativos. A música e a arte cênica
são ferramentas de veiculação de informações, que ao analisarmos cada contexto, temos
apropriação do conhecimento que é transmitido de geração a geração, a cada entendimento
compreendemos que arte e filosofia, sobrepõem ao senso comum.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 73


3
TÓPICO

ARQUITETURA E
CERÂMICA

Não temos a exata noção das grandiosidades arquitetônicas, apenas o que nos é
oferecido através das gravuras, ou pelas mídias, mas quando nos deparamos a algumas
estruturas pensamos na grandiosidade do conhecimento humano em adaptar-se, inventar-se
mediante a cada necessidade. É prazeroso pensar como homens a milhares de anos, já tinham
noções para construir tão grandes projetos e sim as modernidades que temos na atualidade.
Para Francisco Marshall (2000), a cidade, na Antiguidade, deve ser descrita não
apenas por seus princípios e eventos, mas também como “manifestação de códigos
culturais muito densos, característicos do mundo antigo e transmitidos desde então, através
dos tempos e à atualidade” (p.113). A questão do poder, também é muito explícito, quanto
mais rico, mais interesse em se fixar em residências luxuosas, como forma de reafirmar.
Podemos, então, afirmar que:

O ambiente construído, por incorporar elementos dos sistemas sociais,


político, econômico, ideológico, e de se constituir em um 3 instrumento da
comunicação humana, é um registro da história das sociedades, é um artefato
histórico (FLORENZANO; HIRATA, 2009, p. 9).

Arquitetura é uma construção, porém, esta edificação é consolidada por


detalhes que fazem toda diferença para organização do espaço destinado, conduzido
por profissionais a arquitetura exige um trabalho complexo de projetar, coordenar e
organizar, sendo considerado crucial a estética, conforto, mas não menos importante a
funcionalidade de cada ambiente. Na atualidade, o que é muito considerado nos projetos

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 74


são os impactos ambientais, pois a preservação do meio ambiente é necessária. Sendo
uma ciência, pois prioriza segurança, então todo o procedimento é feito com técnicas e com
utilização de produtos testados. A busca por mudanças para o modo de vida e costumes
de nível social e estéticos, bem como pela liberdade estética e tecnológica e a criação
de uma personalidade genuinamente brasileira contribuiu para o surgimento de um grupo
de artistas - escritores, pintores, escultores e músicos - que buscavam a valorização
da cultura brasileira. Proença (2005) recorda que a Semana de Arte moderna de 1922
causou agitação nos meios artísticos, representando o início do modernismo no Brasil.
Quando falamos de arquitetura brasileira, não podemos deixar de mencionar Oscar
Niemeyer, denominado como pai da arquitetura moderna brasileira, assim, suas obras são
consideradas verdadeiras obras de arte, pela estética, inovação, e a identidade em suas
obras “as curvas e linhas” precisas, e suas construções no mundo também são grandiosas,
podemos exemplificar: Conjunto da Pampulha, Sede da ONU (Organização das Nações
Unidas), Parque Ibirapuera, Edifício Copan, Brasília, Sambódromo da Marquês da Sapucaí,
Memorial da América Latina, Museu da Arte Contemporânea de Niterói e Museu Oscar
Niemeyer. Cavalcanti (2001 p. 12) reconhece que os arquitetos brasileiros interpretaram
tão profundamente os princípios modernistas que transformaram o estilo em uma nova
linguagem, singularmente brasileira, conforme cita:

O estilo chegou entre nós graças à migração, visita de europeus, retorno de


brasileiros que estudaram na Europa, e principalmente, entusiasmo pelo novo
estilo por parte de gerações mais jovens de arquitetos. algumas enormes
diferenças assinalam, contudo, o nosso modernismo: a boa condição
econômica do Brasil, o desejo de buscar uma nova face para a capital federal
e uma brilhante geração de intelectuais e arquitetos, com penetração nas
brechas do aparelho cultural do estado, que transformaram o estilo em uma
nova linguagem, inconfundivelmente brasileira e universal.

A arquitetura e a filosofia são muito singulares se analisarmos que ambas temos


um certo conhecimento, por menor que seja, entretanto, não sabemos definir, explicar
com clareza, sendo necessário estudos, pesquisas. Para uma sociedade ideal, todos os
projetos arquitetônicos deveriam ter um caráter político, para que se adequasse a realidade
da sociedade e das derivações políticas (espaços físicos condizentes “sem construções
em áreas de riscos, por exemplo”), que fossem planejadas com gastos menores,
mas com conforto e segurança, proporcionado uma qualidade de vida para a nossa
sociedade “doente”, cansada, para fazer essa conversão para o real é necessário poder.
Muitas vezes a arquitetura pelo contexto da arte mostra suas mentiras, belas
edificações sem a segurança é que faz parte dos direitos básicos do cidadão. A arquitetura

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 75


precisa ser sólida, consolidada, duradoura e a arte de corrigir as imperfeições do mundo.
A beleza é uma qualidade que o sujeito vê e não apenas imagina. Chiti (1991), afirma que
uma obra de arte existe quando há sentimento, quando há pensamento, assim é produção
de obras que envolvem a cerâmica, cada processo de criação acontece por etapas, com
possibilidades de transformação na busca da perfeição, do belo. Como Ostrower (1985)
descreve que é possível utilizarmos nossa própria experiência de vida como fonte de
inspiração, uma arte sendo consolidada por intermédio do sentimento, do artista. A arte é
feita com a intenção de estimular os sentidos, bem como transmitir emoções e ideias, por
este motivo é muito importante para o desenvolvimento psíquico e das relações humanas.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 76


4
TÓPICO

FOTOGRAFIA E
ESCULTURA

Você já observou como é quase impossível, ler o tema, olhar a ilustração e não
pensarmos em progresso. E quando pensamos em evoluir, progredir, remetemos a
historicidade dos fatos isso se procede muito bem quando revivemos como era o ato de
fotografar nos primórdios dessa arte e como é na atualidade. Sintetizamos que não apenas
os equipamentos evoluíram, mas a exigência das pessoas querendo melhor qualidade
visual. Mais uma vez a tecnologia proporciona o desenvolvimento tão necessário que hoje
estamos habituados a fazer uso. Assim, já podemos imaginar o quanto ainda há de evoluir.
O que é preciso entre técnica e liberdade:

É necessário, pois, encontrar um novo equilíbrio entre adaptação e


criatividade, e isto só será possível no contexto de uma práxis globalmente
entendida e servida por uma compreensão da ciência que, por privilegiar as
consequências, obrigue o homem a reflectir sobre os custos e os benefícios
entre o que pode fazer e o que lhe pode ser feito. Uma prática assim entendida
saberá dar à técnica o que é da técnica e à liberdade o que é da liberdade.
(SANTOS, 1989, p. 49).

Com a facilidade dos celulares estamos constantemente fotografando, fazendo


registros para a posterioridade, mas esta técnica exige o dom artístico. Pois, ela tem o
intuito de expressar a emoção do momento e as ideias do fotógrafo em como registrar são
fundamentais, ou seja, nem sempre ela retrata a realidade, mas pode de forma subjetiva
retratar o que compreende como se fosse. Tem o caráter também documental. Barthes
(1984), sobretudo, reconhece a subjetividade e representatividade de uma fotografia e

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 77


admite a evidência de seus aspectos referenciais e objetivos. A fotografia desde 1888,
passou a ser vista de forma artística devido à empresa multinacional Kodak. Andrew Keen
(2012, p. 181) ao nos dizer: “Em vez de apagar nossa vida virtual, precisamos administrá-
la”. Merece igual atenção as últimas palavras de seu livro:

[...] para o bem ou para o mal, o mundo da Web 3.0 [...] das informações
pessoais disseminadas, essa internet de pessoas, está se tornando um lar
para todos nós. E é esse exatamente o “conhecimento essencial” que eu
gostaria que vocês aprendessem nesse retrato da vertigem digital em nossa
era de grande exibicionismo. (KEEN, 2012, p. 201).

O ato de fotografar facilitou formas de produzir e reproduzir próximas da realidade.


Fotografar também traz uma função social, pois registra emoções que perpetuam por muito
tempo, retratando datas especiais, eventos que marcam um momento ruim ou não, mas
são registros. E como podemos relacionar esta arte com a filosofia? Você já observou fotos,
gravuras de como eram as casas, roupas, ambientes, de antigamente são contribuições
para a construção histórica, as memórias são fatos históricos. E filosoficamente pautadas
no conhecimento podemos analisar criticamente de forma construtiva toda essa evolução,
almejando qualidade e melhoria na historicidade presente e futura. De acordo com Barthes:

O uso da fotografia como escrita de um pensamento filosófico ajudaria no


seu intento solitário de descobrir uma “ciência nova”? Esperamos ao menos
provocar uma possível filosofia da fotografia e superar o senso comum de
que fotografia seja um ato puramente referencial, como se não houvesse
intencionalidade objetiva e positiva e não partisse de uma reflexão prévia e
filosófica. (1984, p. 19).

A arte de esculpir, uma técnica de representação de objetos e seres por intermédio


de reproduzir formas, os materiais utilizados são vastos, podendo ser gesso, pedra,
madeira, resins, aço, ferro e tantas mais, assim como os recursos as técnicas são amplas
como cinzelação, fundição, moldagem e assim adiante. Essa técnica é uma das mais
antigas e resistentes, tem uma peculiaridade retratando de forma tridimensional suas obras.
Historicamente estudado a arte da escultura vem desde a idade Paleolítica
(Pedra Lascada), mas se continuarmos a pesquisar veremos em vários períodos, a
época do Renascimento veremos como as esculturas eram utilizadas para decoração
de interiores, na pré-história as esculturas tinham o intuito de simbolizar a fertilidade da
mulher destacando sempre nádegas e seios volumosos. Quando se fala de escultura
e filosofia muitos devem se lembrar da escultura “O Pensador”, criada pelo francês
Auguste Rodin, uma escultura de bronze que retrata um homem em conduta reflexiva.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 78


No modernismo surgiram outros estilos de escultura, a escultura monolítica, em
que a representação figurativa e a autonomia em relação ao espaço são características
fundamentais, manteve-se viva e atravessou todo o séc. XX. O historiador Herbert Read
destaca a difusão de escolas que marcaram a escultura a partir da segunda grande guerra,
mas ele se refere especificamente às diferenças de estilo provocadas pelo movimento
moderno que o escultor está vinculado, pois sabemos que todo o modernismo foi marcado
por seus diversos movimentos, como o cubismo, o surrealismo etc. (READ, 2003, p. 230).
Se levarmos em conta as questões estéticas exploradas pelos artistas apresentados
na primeira parte do estudo, é possível especular que o elemento espaço ganhou relevância
e importância na composição e formação da escultura ao longo do séc. XX. E que as
investigações surgidas pelas experimentações dos escultores modernistas e pós-modernos
evoluíram para o campo das artes digitais, onde algumas obras subvertem as noções
tradicionais de percepção de espaço e a interação entre o homem e o ambiente digital.
Conforme o exposto, a escultura monolítica, derivada do entalhe e da modelagem,
formou uma forte tradição que se manteve como técnica fundamental da escultura até princípios
do século XX. O movimento moderno propõe uma ruptura com essa tradição e inaugura uma
tendência dentro do campo da escultura onde percebe-se a preocupação em explorar as
relações espaciais proporcionadas pela tridimensionalidade característica dessa linguagem.
Tal procedimento levou alguns artistas pós-modernos a contestarem a noção de
autonomia da obra de arte, uma das grandes características do Modernismo, e criar, de
maneira consciente, obras que dialogam diretamente com o ambiente expositivo. A obra
destes artistas incorpora o elemento espaço como parte constituinte da mesma, apagando
as fronteiras entre o objeto e o espaço, fazendo com que o objeto se confunda com o
espaço expositivo ou que não possa existir sem o mesmo. Enfim, fotografar e esculpir artes
que se entrelaçam para contextualizar uma história que proporciona reflexões acerca de
cada conteúdo explícito ou implícito.

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SAIBA
MAIS
De acordo com uma pesquisa feita por médicos finlandeses, a música ajuda na recuperação
de pessoas com Acidente Vascular Cerebral (AVC), atuando como uma abordagem complementar aos
tratamentos convencionais. A equipe trabalhou com mais de 60 pacientes da Universidade de Helsinque,
que tiveram a doença e estavam ainda em tratamento de reabilitação habitual. Depois de três meses de
tratamento, o grupo de indivíduos que ouviam música apresentaram melhoras de aproximadamente 60% da
memória verbal e quase 20% de aumento da atenção e capacidade de resolver pequenas situações. Pessoas
que ouviram histórias também progrediram, mas apenas 18%. Além disso, a música agiu positivamente para
aqueles que sofriam de depressão, melhorando o seu estado psíquico.

Fonte: AVC - Ouvir música ajuda na recuperação?. CLÍNICA CAUCHIOLI. Disponível em: https://
[Link]/noticias/ouvir-musica-ajuda-na-recuperacao-do-avc/#:~:text=De%20acordo%20com%20
uma%20pesquisa,abordagem%20complementar%20aos%20tratamentos%20convencionais. Acesso em: 14 jul. 2022.

REFLITA
“Há uma fração criativa de segundo quando você está tirando uma foto. Seu olho deve ver uma
composição ou uma expressão da vida que se oferece para você, e você deve saber com intuição quando
clicar com a câmera. Esse é o momento em que o fotógrafo é criativo. Oop! O Momento! Uma vez que você
o perde, ele se foi para sempre”

Henri Cartier-Bresson (1954).

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 80


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ler é entrelaçar o conhecimento, estudar é adquirir cada vez mais vantagens
sobre nós mesmos, pois obtemos novas possibilidades para compreender a vida e todos
seus contextos. Não somos donos do conhecimento, até porque ele é sistêmico, sempre
há novas experiências a serem vividas e consequentemente a aplicabilidade em nosso
contexto diário. Somos alertados de como observar cada assunto, de abordá-lo de acordo
com as nossas necessidades. Entendemos que a arte e a filosofia estão ligadas de forma
dinâmica, pois a primeira nos faz refletir e conceituar, a segunda tem o mesmo intuito, com
estratégias diferenciadas.
O ser humano busca de forma constante adaptar e evoluir, isso faz parte de nossa
existência, basta olhar como era as moradias, as músicas, as modas, as formas de registrar
momentos, o cinema e como é na atualidade. E o mais significativo que há muito que
expandir, ainda, o futuro diante de tanta tecnologia do viés da globalização, muitas coisas
hão de surgir. Mas o que foi construído no passado, sempre será base de construção de
ideias futuras. Não se desfaz o que está feito, muito ao contrário, o consolida.
Todas as formas de artes além de proporcionar a intenção de projetar o ideal do
belo, tem como premissa, expor ideias contrárias ou não de temas importantes, que de
certa forma estão inseridas nos acontecimentos sejam no presente, passado ou até mesmo
no futuro. São as minorias que utilizam a arte para se expressar filosoficamente por meio
das músicas, das roupas, dos enredos cinematográficos, da dança, das edificações, entre
outros. Não deixando de ser uma forma de movimento e participação social.
Em alguns momentos a arte nos choca, causa indignação, mas a sociedade em
seu dia a dia, já nos causa estas reflexões, a diferença se encontra na forma como os
envolvidos com a arte, encontram para expor suas ideias, suas revoltas, seus conceitos.
Estas formas de manifestações sempre existiram na sociedade e irão continuar a existir,
faz parte da diversidade de ideias e do ritmo desigual que os sistemas capitalistas nos
impulsiona, causando tantas desigualdades não apenas econômicas.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 81


LEITURA COMPLEMENTAR
COELHO. Alessandra, ODEBRECHT. Silvia. Arquitetura moderna:
reconhecimento e análise de edifícios representativos em Blumenau, SC.
Resumo: Esta pesquisa objetivou identificar edifícios representativos da Arquitetura
Moderna no município de Blumenau, SC. Para possibilitar esta identificação fez-se necessário,
primeiramente, aprofundar os conhecimentos sobre a arquitetura moderna no mundo e
no Brasil, com um estudo sobre suas características e elementos arquitetônicos criados
por autores que produziram grande influência em toda uma geração de arquitetos. Depois
foram avaliadas residências edificadas em Blumenau, entre 1950 e 1970, através da análise
quanti-qualitativa, inserida num contexto técnico-científico de caráter histórico, sociocultural
e ambiental. Por conseguinte, foi realizado o resgate de dados sobre as edificações, a
ilustração por meio de fotos e plantas baixas, a elaboração de um diagnóstico técnico sobre
aspectos referentes à arquitetura moderna, a análise através de desenhos e esquemas, a
descrição textual de suas principais características, além de um diagnóstico técnico sobre
a tipologia projetual e a temática de uso, com suas transformações e adaptações para
as condições atuais. Assim, verificou-se a relevância da Arquitetura Moderna no processo
evolutivo da produção arquitetônica e de compreensão da arquitetura contemporânea, tanto
em termos mundiais, nacionais e regionais, o que tornou seu estudo da maior importância.
Neste sentido, identificar, conhecer e interpretar os exemplares existentes possibilitam uma
melhor forma de intervenção na produção atual, levando em consideração sua qualidade
edificada, resultante de um embasamento conceitual com valor sociocultural.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 82


MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Estética Moderna e Contemporânea
• Autor: Bruno Guimarães, Imaculada Kangussu, Rachel Costa
• Editora: Relicário
• Sinopse: A diversidade do pensamento filosófico sobre as
transformações modernas e contemporâneas abordando gêneros:
cinema, poesia, escultura, pintura e fotografia. Bem como os
principais problemas filosóficos da história da estética no âmbito
modernos e contemporâneos, a educação do gosto, o conceito
de beleza, o princípio da imitação da natureza e a relação entre
aparência e verdade são atualizados com acuidade, a autonomia
da arte, o papel da arte na invenção de um povo, a liberdade e a
experiência estética, a perda da materialidade das obras de arte e
a função da crítica de arte.

FILME/VÍDEO
• Título: Íris. Uma Vida de Estilo
• Ano: 2014
• Sinopse: O documentário conta a história de Iris Apfel, uma
mulher além do seu tempo que ama a moda e a arte, e encontra
em ambas motivações para criar mesmo em uma época difícil.

UNIDADE 4 ESTÉTICA CONTEMPORÂNEA 83


CONCLUSÃO GERAL
Prezado(a) aluno(a),

Aprendemos que arte é expressão de sentimentos que se encaixam de acordo com


cada momento histórico, cada um com suas peculiaridades, mas aos poucos os movimentos
da vanguarda e contemporâneos, futurismo, cubismo, dadaísmo, expressionismo,
surrealismo, pop art, arte conceitual, arte digital, arte urbana entre tantas outras trouxeram
características únicas e conceituais, a cada transformação surgia um novo movimento,
sabemos que é um ciclo que não se encerra.
Filosoficamente as pessoas mudam, então todo conceito em seu entorno também
adere às mudanças. A filosofia é a arte de melhorar o próprio conhecimento, por meio da
dúvida, da reflexão, buscando entender a essência humana e tudo que dá aparato para sua
existência. Assim contribui para compreender nossa história, sendo ele um conhecimento
científico. A construção desses conhecimentos se aprimorou com as correntes filosóficas,
entretanto estudamos algumas que estavam interligadas com os filósofos estudados.
Muitos acontecimentos ao nosso redor e muitas vezes, visualizamos sem refletir quais
as mensagens explícitas ou implícitas que nos oferecem, precisamos olhar além das cores
e formas, observar a estética das coisas, deixar a percepção nos envolver e aproximar do
conhecimento por meio da nossa sensibilidade promovida pelos cinco sentidos. Entender a
beleza das coisas, respeitando suas peculiaridades.
Nossa visão diante se ações talvez mecânicas precisam ser evoluídas, não
seremos os mesmos ao nos deparar com as tendências da moda, com filmes, novelas,
documentários, músicas dos diversos gêneros, a urbanização remodelada por projeto
arquitetônicos, as fotografias, esculturas e cerâmicas, sempre buscaremos nos questionar
qual a proposta deste artista, qual a ideia, que nos presentou a entender? refletir, nos faz
evoluir.
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!

84
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As correntes filosóficas influenciam a arte ao oferecer diversas perspectivas e entendimentos sobre a realidade e a experiência humana. Materialismo histórico, por exemplo, analisa a arte sob o prisma das condições materiais e sociais . Enquanto a filosofia da arte questiona a essência e o propósito do belo, as correntes filosóficas mais amplas oferecem um quadro teórico para interpretar a intenção e o contexto das obras . Artistas, inspirados por essas ideias, podem desafiar e redefinir a estética convencional, refletindo as preocupações e experiências humanas contemporâneas .

A estética se relaciona com a investigação filosófica do gosto pessoal ao analisar como as percepções sensoriais e os julgamentos estéticos são formados e influenciados por contextos culturais e experiências individuais . O gosto pessoal é um reflexo da estética individual, frequentemente influenciado por fatores como formação cultural, experiências passadas e contextos sociais . Filósofos tentam entender como o gosto se desenvolve e se manifesta, indagando a natureza subjetiva da beleza e como ela se alinharia ou estaria em conflito com ideais estéticos mais amplos .

Artistas contemporâneos têm utilizado tecnologias como realidade virtual, instalações interativas, e multissensoriais para criar experiências estéticas mais imersivas. Esses recursos permitem que os espectadores interajam ativamente com as obras, promovendo uma conexão pessoal e emocional mais intensa . As tecnologias ampliam as possibilidades artísticas, permitindo que elementos como movimento, som, e até participação física dos espectadores sejam incorporados ao conceito e significado da obra .

Um dos principais desafios na definição do que é considerado belo na filosofia da arte é a subjetividade envolvida na percepção estética. Cada indivíduo, baseado na sua sensibilidade e experiências prévias, pode interpretar a beleza de forma diferente . Além disso, as características do que é belo podem mudar com o tempo e o contexto cultural, tornando difícil estabelecer um padrão universal . A filosofia da arte tenta abordar essa complexidade ao analisar não apenas o belo, mas também o que é considerado feio, e entender como essas classificações podem ser influenciadas por fatores sociais, culturais e filosóficos .

A filosofia da arte influencia a percepção social entre ética e política ao promover uma reflexão crítica sobre a realidade e ao questionar normas culturais e sociais através de expressões estéticas . A arte pode servir como um meio para explorar e desafiar conceitos éticos e políticos, oferecendo novos entendimentos e perspectivas sobre esses temas. Artistas frequentemente usam suas obras para refletir sobre questões sociais, estimulando o público a considerar as implicações mais amplas dessas questões em suas próprias vidas e na sociedade .

A dialética de Hegel, que envolve a sucessão de tese, antítese e síntese, oferece um método para compreender as transformações na arte como um reflexo do processo histórico contínuo . A arte, ao ser criada e interpretada, evolui através de confrontos e integrações de ideias opostas, transformando e renovando suas expressões e significados . Esta perspectiva permite entender a arte não como estática, mas como um diálogo contínuo entre conceitos estéticos e realidades sociais, resultando em novas formas e entendimentos .

A arte contemporânea utiliza os cinco sentidos para aumentar o engajamento do espectador com a obra, permitindo uma experiência multissensorial. Artistas introduzem elementos como som, tato, e até paladar, para que o espectador perceba e interaja com a arte de forma mais imersiva e pessoal . Isso desloca a arte de uma mera observação passiva para uma experiência participativa, onde o espectador se torna parte integrante da obra .

A filosofia da arte, ou estética, se propõe a investigar a essência da beleza e questionar se há padrões definidos do que é considerado belo . A estética envolve uma compreensão racional do que é belo, enfatizando um olhar reflexivo sobre as sensações proporcionadas pelos sentidos . Através dessas sensações, desenvolve-se uma sensibilidade que permite a apreciação do belo, destacando a interação entre sujeito e objeto artístico .

As correntes filosóficas desempenham um papel crucial na busca pela verdade ao propor discussões e diferentes perspectivas filosóficas, que tentam formalizar e definir aspectos do conhecimento humano . Elas estimulam a evolução das ideias ao desafiar conceitos existentes e ao introduzir novas visões de mundo, que por sua vez influenciam transformações sociais e culturais . Essa dinâmica está presente na forma como as ideias filosóficas influenciam ideais sociais, como o materialismo histórico, que relaciona a verdade e a realidade material às condições sociais e econômicas .

O materialismo dialético, desenvolvido por Karl Marx, pode ser aplicado na análise histórica das sociedades ao entender o desenvolvimento das ideias e a evolução social através da interação de teses, antíteses e sínteses. Esta perspectiva analisa como as condições materiais e as relações de produção influenciam a estrutura social e a evolução das sociedades humanas . Ele fornece uma visão dinâmica da história, onde os conflitos entre forças opostas (teses e antíteses) se resolvem em sínteses, promovendo a mudança e desenvolvimento social .

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