Opções de culturas para
a safrinha brasileira
E ntre as culturas indicadas para a safrinha estão o milho, De acordo com ele, em 2013 o produtor de milho conta
em maior predominância, o sorgo granífero, o sorgo for- também com duas opções de híbridos duplos transgênicos,
rageiro, o sorgo duplo propósito, o girassol, o feijão, a categoria de sementes tradicionalmente associada a menores
canola, o amendoim, o arroz e o milheto, variando de região rendimentos do que os demais híbridos (triplos e Simples).
para região a percentagem de área ocupada por cada uma. No entanto, Décio Karam informa que a safra atual terá
Na safra 20 13/14, os produtores brasileiros de milho têm concentração de híbridos simples transgênicos, que repre-
467 opções de cultivares para plantio, sendo que 253 (54,2%) sentam 81,8%, ante 17,4% de híbridos triplos transgênicos
são transgênicos e os demais 214 (45,8%) são convencio- e 0,8% de híbridos duplos transgênicos, a novidade da safra.
nais. "Pela primeira vez, há mais opções de sementes de mi- Das sementes convencionais, 44,7% referem-se a híbridos
lho transgênicas", afirma o pesquisador da Embrapa Milho e simples; 18,6%, híbridos triplos; 19,5%, híbridos duplos; e
Sorgo, Décio Karam. 17,2%, variedades.
"Aárea plantada com transgênicos vem crescendo em vir-
tude da capitalização do produtor; da redução do custo de
produção, devido ao menor uso de inseticidas e de herbicida
inicial;da economia de combustível e da menor agressividade
ao meio ambiente", justificao pesquisador da Embrapa Milho
e Sorgo, Israel Alexandre Pereira Filho, da área de Fitotecnia.
Conforme o estudioso, os híbridos duplos transgênicos fo-
ram desenvolvidos para produtores de menor poder aquisiti-
..vo, sendo que a utilização vai depender do preço da semente,
d;~ficacia no controle de pragas e da tolerância ao herbicida
glifosato, bem como da adaptabilidade nas principais regiões
produtoras. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA)estima a área total plantada com milho transgê-
nico em 12,9 milhões de hectares na safra atual, uma taxa de
adoção de 81 ,4%, considerando as duas safras.
Semente define o sucesso do plantio
Israel Alexandre Pereira Filho
Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo colha das variedades. Mesmo estando em função do período
de semeadura, os cultivares mais utilizados são os precoces.
B asicamente, não há diferença entre o cultivarde milho para Em alguns estados que cultivam o milho safrinha e que
a safra normal e para a safrinha,ou seja, não há uma carac- estão sujeitos a variações climáticas mais drásticas, como
terística específica que diferencie as plantas do milho safri- geadas, é recomendado o uso de cultivares superprecoces
nha, Entretanto, dependendo da época de plantio dentro do pe- para escapar da ação do frio intenso, como é o caso das lo-
ríodo recomendado para a safrinha, o ciclo é uma característica calidades de Campo Mourão (PR) e Santa Helena (GO).
importante a ser considerada na escolha dos cultivares.
j
Aliadas ao ciclo, as características fundamentais a serem Desempenho I
consideradas são: estabilidade produtiva, resistência às prin-
cipais doenças prevalecentes na região, elevada tolerância O melhor desempenho dos cultivares de milho (trans-
ao acamamento e ao quebramento de plantas, bom empa- gênicos ou convencionais) indicados para safrinha ou culti-
Ihamento, sincronismo entre os florescimentos masculino e vo de verão vai depender da escolha certa para cada região
feminino e baixo índice de grãos ardidos. de cultivo da safrinha, uma vez que cada material tem uma
condição climática ou regional que lhe confere maior con-
Ciclo ideal dição para expressar seu potencial produtivo genético, alia-
do a um bom manejo cultural.
Na verdade, não existe um ciclo ideal do milho a ser cul- Essas variedades, sejam elas semiprecoces, precoces ou
tivado na safrinha. O que vai determinar o ciclo é a época de superprecoces, são recomendadas para as regiões do culti-
semeadura, característica importante a ser considerada na es- vo de milho safrinha no Brasil.
4 '1;19 Cios
Estabilidade produtiva
A maior estabilidade dos cultivares está aliadaà escolha cor-
reta, em função da região e do manejo cultural adequado. Isto
se não ocorrer uma condição climática desfavorável de défi-
cit hídrico ou queda brusca de temperatura no decorrer do ci-
cio da cultura.
Um dos fatores que pode agravar o aparecimento de do-
enças é a semeadura fora das épocas mais indicadas para o
cultivo do milho, seja na safrinha ou no cultivo de verão, em
função de variações climáticas que favorecem o aparecimen-
to dos principais agentes causadores das doenças, como fun-
gos, bactérias e vírus.
O semeio do milho nas épocas mais adequadas é essencial
para que se possa evitar, ao máximo, o aparecimento das doen-
ças. Deve-se, ainda utilizaros cultivares com mais resistência ou
tolerância genética às principais doenças que atacam a cultura.
Dicas para a escolha correta
Na realidade, o milho safrinha não é apenas um plantio iso-
lado, e sim parte de um sistema integrado, que necessita ser
gerenciado de forma correta. Um planejamento técnico que
envolva o sistema de rotação de culturas, tanto de verão quan-
to de invemo, e práticas de manejo integrado que levem em
consideração todas as suas características, são imprescindíveis.
É importante salientar que, à medida que se atrasa a
época do plantio, há um aumento na adversidade climáti-
ca. Normalmente, o agricultor ajusta seu sistema de produ-
ção, reduzindo a quantidade de insumo aplicada e utilizan-
do cultivares de menor custo, sobretudo os híbridos duplos.
Biomatrix lança
híbrido transgênico
para a safrinha
A
sementes Biomatrix lança o híbrido BM 709 PR02
para a safrinha de 2014. "Esse híbrido transgênico
possui elevado teto produtivo e estabilidade ao lon-
go dos anos, proporcionando segurança e rentabilidade
ao produtor", afirma Anderson Rodrigues, coordenador
de marketing da empresa.
Trata-se de um material precoce com tecnologia Bt
(PRO) e RR (Tolerância ao glifosato), com grãos semi-
dentados amarelos e ótimo empalhamento. Ele pode ser
plantado tanto para grãos quanto para silagem de grãos
úmidos.
O híbrido possui ampla adaptação na macrorregião
tropical na safra e safrinha, além de aliar excelente teto
produtivo de grãos com boa tolerância às doenças folia-
res. Ele apresenta ótima resposta ao incremento de tec-
nologia (adubação e fungicida).
"Nossa intenção é sempre inovar e levar o que há de
melhor na seleção de híbridos em genética e adaptação
por ambiente ao produtor. A Biomatrix sempre disponi-
biliza mais biotecnologia para que ele tenha maiores pro-
dutividades", afirma Rodrigues.
Plantio direto é realidade da safrinha
O plantio direto é a realidade do milho safrinha. Isso por- pois da colheita do milho. "A semeadura da braquiária com
que o cultivo consorciado de milho com braquiária pro- a do milho pode acontecer juntos, uma vez que precisamos
porciona cobertura permanente do solo, com raízes economizar e, sempre que possível, racionalizar, o que não
crescendo até a dessecação e a semeadura da soja. Assim, quer dizer racionar. Então, fazer a semeadura da braquiá-
o solo terá menor incidência de plantas daninhas, melhores ria na mesma operação do milho safrinha economizará uma
condições para armazenamento e disponibilização de água e operação do plantio da braquiária, que seria feita depois",
fertilizantes para as culturas, permitindo à semente expressar ensina Gessi Ceccon.
seu potencial produtivo e ao agricultor maior rentabilidade. Ele alerta, ainda, que há o risco de a braquiária não se es-
Gessi Ceccon, pesquisador da Embrapa Agropecuária tabelecer se for plantada depois do milho safrinha, pois ela é
Oeste, explica que no plantio de safrinha não há tempo para sensível ao sombreamento. Já o milho cresce muito mais rá-
preparo de solo, o que levou ao plantio direto. "Quando apa- pido, bastando implantar materiais para altas produtividades.
recem problemas, como nematoides, alguns fitopatologis- Entre as vantagens do plantio de milho consorciado com
tas sugerem o revolvimento da terra como método de con- braquiária está a maior produtividade, sobretudo na soja
trole dessas pragas. Entretanto, o Sistema de Plantio Direto em sucessão.
(SPD) é estável, e cada vez que vamos revolver o solo cau- O milho é a cultura que mais responde à época de plan-
samos um desequilíbrio à vida no solo. Vale ressaltar que na tio, devendo ser planejado de acordo com o zoneamento,
sucessão soja e milho não há tempo para isso, pois assim que e, para o milho safrinha, convém salientar que ele começa
a colheita da soja é realizada, o produtor já entra com o mi- em 10 de janeiro, dependendo do município, do tipo de solo,
lho. Esse é um forte motivo porque não há como fazer mi- do híbrido e do seu ciclo.
lho safrinha sem plantio direto", afirma. Tradicionalmente, a soja era plantada em 10 de novem-
Depois de estabelecido o plantio direto, o pesquisador
explica que o produtor pode trabalhar o solo, colocar cal~á-
rio, corrigir a acidez e romper possíveis camadas compac-
tadas. Isso deve acontecer depois da colheita do milho sa-
frinha e antes da semeadura da próxima soja.
É nesse momento que acontece a oportunidade de se fa-
zer milho consorciado com braquiária exclusivamente para
a produção de palhas e raízes, objetivando descompactar o
solo. Para Gessi Ceccon, o consórcio milho/braquiária inse-
rido no sistema de produção de safrinha é a melhor alter-
nativa de manejo do solo. "O plantio de milho safrinha com
braquiária pode (e deve) ser simultâneo, pois temos um pe-
ríodo com umidade do solo que diminui conforme a evolu-
ção do cultivo do milho safrinha. Quando chega a colheita
do milho, o solo já está bastante seco", detalha.
Recomendações
A semeadura do milho safrinha com braquiária no mes-
mo dia favorece que esta última cultura se estabeleça e pos-
sa formar massa, palha e cobrir o solo, principalmente de-
I- - •• ,
bro, mas já existem cultivares que permitem a semeadura de acordo com o zoneamento", completa o pesquisador.
em 10 de outubro, sendo plausível plantar, em algumas re- A janela de plantio foi aumentada significativamente com
giões, até 15 de setembro, o que só é possível com essas os novos materiais, indo de 15 de setembro a Io de novem-
variedades. "E é possível plantar soja até 30 de dezembro, bro, o que facilita o plantio de toda a área da propriedade.
Exigências nutricionais
e adubação do milho safrinha
Antônio Marcos Coelho te, conforme o acréscimo da produtividade da cultura, e que
Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo
[Link]@[Link] as maiores exigências nutricionais do milho se referem a N e
K, seguindo-se Ca, Mg e P.
O milho safrinha, cultivado sem irrigação no período de Com relação aos micronutrientes, as quantidades reque-
verão/outono (semeadura nos meses de fevereiro a me- ridas pelas plantas de milho são muito pequenas. Para uma
ados de março), em sucessão a outras culturas, prin- produtividade de 9,0 t de grâos/ha, são extraídos 2.100 g de
cipalmente a soja, possui algumas características peculiares. ferro (Fe), 340 g de manganês (Mn), 400 g de zinco (Zn), 170
Nessa época, o potencial de produtividade é menor, e os g de boro (B), 110g de cobre (Cu) e 9 g de molibdênio (Mo).
riscos aumentam em virtude das menores precipitações plu- Entretanto, a deficiência de um desses elementos pode
viais, das baixas temperaturas e da menor radiação solar na ter efeito tanto na desorganização de processos metabólicos
fase final do ciclo da cultura. Em tais condições, os principais e redução na produtividade quanto na deficiência de um ma-
questionamentos levantados pelos agricultores são: cronutriente como o nitrogênio.
- É viável adubar a cultura do milho semeada em sucessão. Em milho, os nutrientes têm diferentes taxas de transloca-
em uma condição com problemas de deficiência hídrica? '. ção entre os tecidos (colmos, folhas e grãos). No que se refe-
- Quais os parâmetros para a tomada de decisão? re à exportação dos nutrientes, o fósforo é quase todo trans-
- Quais as doses recomendadas e como manejar essa adu- locado para os grãos (77 a 86%), seguido por N (70 a 77%),
bação? enxofre (S) (60%), Mg (47 a 69%), K (26 a 43%) e Ca (3 a
Para responder a esses questionamentos, aspectos rela- 7%). Isso implica que a manutenção dos restos culturais do
cionados às exigências nutricionais do milho, de acordo com milho na lavoura devolva ao solo grande parte dos nutrien-
o potencial de produtividade e o nível de fertilidade dos so- tes, principalmente potássio e cálcio, contidos na palhada.
los, devem ser considerados.
Nutrição apurada
Extração de nutrientes
Do ponto de vista da fertilidade dos solos e da nutrição do
Dados médios de experimentos conduzidos na Embra- milho, resultados de pesquisas e a experiência têm demons-
pa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), ilustram a extração trado que altas produtividades são possíveis apenas em solos
de nutrientes pelo milho cultivado para a produção de grãos cuja fertilidade se encontra em níveis médio a alto.
e forragem (Tabela I). Em solos com fertilidade classificada como baixa e muito
Observa-se que a extração dê nitrogênio (N), fósforo (P), baixa, seja devido às condições naturais ou por processos de
potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) aumenta linearmen- degradação, é bastante difícilobter altas produtividades de
milho no primeiro ano de cultivo.
TABELA 1
EXTRAÇÃO MÉDIA OE NUTRIENTES PELA CULTURA DO MILHO DESTINADA À PRODUÇÃO DE GRÃOS E SILAGEM EM DIFERENTES NIVEIS DE PRODUTIVIDADE.
....--
Tipo de Nutrientes extraídos I
-
exploração Produtividade
N P K Ca Mg ~
----- tlha ------ ---------------------------kg/ha -------------------------------
4 77 9 83 10 10
Produção de Grãos 6 100 19 95 17 17
8 167 33 113 27 25
10 217 42 157 32 33
12 115 15 69 35 26
Produção de 16 181 21 213 41 28
forragem
(matéria seca) 17 230 23 271 52 31
19 231 26 259 58 32
1Para converter P em P205; K em K20; Ca em CaO e Mg em MgO. Em equivalência aos corretivos e fertilizantes, multiplicar por 2,29; 1,20; 1,39 e 1,66, respectivamente.
, _. 1.
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