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(Para)Textos, Português, 8.º ano Materiais vídeo
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(Manual, p. 99)
Eclipses
(texto complementar)
Os eclipses solares e lunares têm fascinado o homem desde os primórdios da História. A
passagem da Lua em frente do Sol provoca os eclipses solares, enquanto um eclipse lunar ocorre
quando a Lua passa pela sombra da Terra. Os eclipses do Sol só podem registar-se por ocasião da
Lua nova. Em contrapartida, os eclipses da Lua registam-se por ocasião da Lua cheia.
Os eclipses solares podem ser totais, quando a Lua encobre por completo o Sol, parciais
quando apenas parte do Sol é encoberto pela Lua e anulares quando o diâmetro aparente da Lua é
menor que o Sol e a Lua não encobre por completo o astro-rei.
Os eclipses lunares podem ser totais, quando o nosso satélite penetra completamente no cone
de sombra projetado pela Terra, parciais quando apenas parte da Lua passa pela sombra da Terra
e penumbrais quando a Lua não passa pelo cone de sombra e é apenas obscurecida pela penumbra
da Terra. Ao contrário dos eclipses solares, que podem ser totais num determinado local e parciais
noutro, os eclipses lunares podem ser observados em todo o hemisfério não iluminado do nosso
planeta.
A fase de totalidade de um eclipse solar não pode ultrapassar 7,5 minutos. Em contrapartida,
a fase de totalidade dos eclipses lunares pode durar mais de uma hora e meia.
Os eclipses solares são mais frequentes que os eclipses lunares. Os primeiros são visíveis
somente numa área reduzida da Terra, enquanto que os segundos podem ser observados em grande
parte do nosso planeta. A faixa em que um eclipse do Sol pode ser observado como total não pode
ultrapassar os 269 km. Isto significa que em média um eclipse total do Sol pode ser visto de um
mesmo local cada 375 anos.
Os diâmetros aparentes do Sol e da Lua são idênticos quando observados a partir da Terra. A
Lua tem um diâmetro cerca de 400 vezes inferior ao do Sol, no entanto como se encontra 400 vezes
mais perto da Terra, surge-nos com uma dimensão aparente idêntica à da nossa estrela. A distância
da Terra ao Sol não é sempre a mesma. Do mesmo modo a distância da Terra à Lua varia de um
modo significativo. Os diâmetros aparentes dos dois astros alternam-se ciclicamente, sendo este
fenómeno mais evidente no caso da Lua. Por este motivo, os eclipses solares nunca são iguais e a
fase de totalidade pode ter uma duração distinta. Quando o disco lunar não cobre por completo o
disco solar, ocorre um eclipse anular. Durante um eclipse lunar, o nosso satélite é obscurecido
quando passa através da sombra projetada pela Terra. Durante um eclipse total, a Lua adquire uma
coloração avermelhada ou alaranjada. Esta coloração é conferida pelos raios solares refratados
pelas camadas inferiores da atmosfera terrestre. Na sua fase de totalidade os eclipses podem ser
mais escuros ou mais brilhantes, consoante a quantidade de matéria presente na atmosfera.
Os eclipses totais do Sol são sem dúvida um dos fenómenos naturais mais interessantes de
observar e de fotografar. A totalidade pode durar apenas alguns minutos que devem ser devidamente
apreciados. Algum planeamento prévio permitir-nos-á obter imagens do fenómeno e, ao mesmo
tempo, observar o eclipse visualmente em boas condições e em segurança.
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À medida que a fase de totalidade se aproxima, o céu adquire uma tonalidade própria muito
difícil de descrever. O obscurecimento é evidente no horizonte oeste, sendo por vezes possível
observar com nitidez a aproximação do cone de sombra projetado no nosso planeta.
Com o desaparecimento progressivo do crescente solar é por vezes possível observar durante
alguns segundos alguns pontos intensos de luz espalhados irregularmente. São as “contas de Baily”,
cujo nome deriva do astrónomo inglês que as descreveu pela primeira vez. As “contas de Baily” não
são mais do que os últimos raios de luz solar que brilham através das irregularidades do bordo do
disco lunar. Estas podem ser observadas cerca de 10 segundos antes da fase de totalidade que tem
início após o segundo contacto. Quando são visíveis forma-se um efeito muito interessante que por
vezes também é designado de “anel de diamante”. O efeito de “anel de diamante” corresponde à
observação de uma única “conta de Baily”. Estes breves momentos anunciam o início da fase de
totalidade.
Por esta altura, o céu fica momentaneamente escuro. Dependendo da altura do Sol na fase de
totalidade, o horizonte pode apresentar um aspeto distinto, adquirindo uma coloração alaranjada e
alguns efeitos de sombra interessantes de observar e fotografar. Apesar de o céu escurecer
dramaticamente, nunca fica idêntico ao céu noturno. Além da observação destes fenómenos, visíveis
unicamente durante um eclipse total do Sol, algumas estrelas e planetas tornam-se aparentes e por
vezes também cometas.
A coroa solar torna-se visível em toda a sua glória. Esta é somente aparente durante a fase de
totalidade uma vez que a sua luminosidade intrínseca é muito inferior à da superfície solar. As
dimensões da coroa solar são variáveis e dependentes do nível de atividade da nossa estrela. Podem
atingir vários diâmetros do disco solar. A sua estrutura interna é muito rica. Com o auxílio de
alguma ajuda ótica (binóculos ou telescópios) tornam-se evidentes alguns jatos e plumas.
Ainda durante a fase de totalidade é possível observar dois outros fenómenos dignos de nota.
A luz da atmosfera solar ou cromosfera é visível como um disco de cor avermelhada durante os
instantes correspondentes ao início e ao final da totalidade. Por esta altura também se tornam
visíveis as protuberâncias solares, grandes quantidades de matéria que é ejetada da cromosfera que
percorrem vários milhões de quilómetros desde a libertação até à sua queda seguindo as linhas de
força do campo magnético solar. As protuberâncias apresentam uma coloração nítida, geralmente
vermelho-vivo.
Como fenómeno associado a um eclipse total do Sol assiste-se geralmente a uma quebra
acentuada da temperatura do ar, que provoca por vezes um aumento da velocidade do vento. Este
vento é por vezes designado “vento de eclipse”. O comportamento animal é também afetado
durante a fase de totalidade. Muitos organismos de hábitos noturnos tornam-se momentaneamente
ativos (e vice-versa para os de hábitos diurnos).
Pedro Ré (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa),
in [Link] (consult. em 06-01-2014)
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