Intervenção no Mutismo Seletivo em Crianças
Intervenção no Mutismo Seletivo em Crianças
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Projeto Tagarela
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Sara Isabel Cabral Melo
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Mestre em Psicologia
2016
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Agradecimentos
Ao professor Csongor Juhos pela sua criatividade e empenho neste projeto. Foi com muito
gosto que trabalhei a seu lado e adquiri os conhecimentos que hoje apresento. Obrigada,
pela compreensão e confiança mesmo quando achava que não iria ser possível.
À equipa da escola EB Vasco Moniz de Vila Franca de Xira pelo seu incrível interesse
neste caso e pela forma dinâmica e empenhada que participaram ao longo desta
intervenção.
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anos.
À tia Bé, e manas Ana e Rita por serem sempre o pilar principal em Lisboa.
Aos meus pais por todo o apoio ao longo destes 6 anos e deste ano, particularmente. Nada
disto seria possível sem vocês, obrigada!
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Resumo
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pode evoluir para outras (e.g. fobia social) trazendo mais sofrimento à criança. O presente
estudo apresenta uma intervenção pioneira em Portugal, feita com uma abordagem
sistematizada entre a escola, pais e o terapeuta de uma menina com 6 anos diagnosticada
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com MS e a sua aplicação. Para a recolha de informação recorreu-se a um plano da
intervenção base, entrevista semi-estruturada e ao preenchimento de fichas. Os resultados
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Abstract
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between school, parents and a little girl's therapist with 6 years old diagnosed with SM
and its application. To collect information a baseline intervention plan was used, a semi-
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structured interview and filling forms. The results show that with a systematized approach
in articulation with main social contexts in which the child is involved, the SM can be
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overpast.
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Índice
Resumo ............................................................................................................................ iv
Abstract ............................................................................................................................. v
Introdução ......................................................................................................................... 1
História.......................................................................................................................... 5
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Etiologia ........................................................................................................................ 6
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Mutismo Seletivo e Fobia Social .................................................................................. 8
Método ............................................................................................................................ 12
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Delineamento .............................................................................................................. 12
Participantes ................................................................................................................ 12
Instrumentos................................................................................................................ 16
Procedimento .............................................................................................................. 16
Reflexão ...................................................................................................................... 26
Resultados....................................................................................................................... 29
Discussão ........................................................................................................................ 37
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ANEXOS ........................................................................................................................ 45
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Anexo E: Avaliação de Situações de Fala .................................................................. 70
Ficha 1 ..................................................................................................................... 77
Ficha 2 ..................................................................................................................... 78
Ficha 3 ..................................................................................................................... 79
vii
Ficha 3 - Novembro................................................................................................. 82
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Ficha 1: Professor da Turma 1.º Período................................................................. 90
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Anexo K – Plano de visitas ....................................................................................... 104
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Ficha 3 – Maio 2016.............................................................................................. 111
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Lista de Figuras
Figura 2. Níveis de desconforto em casa durante o 1.º Período escolar 2015/2016 relatados
pelos pais ........................................................................................................................ 29
Figura 3. Níveis de desconforto em casa durante o 2.º Período escolar 2015/2016 relatados
pelos pais ........................................................................................................................ 30
Figura 4. Níveis de desconforto em casa durante o 3.º Período escolar 2015/2016 relatados
pelos pais…………………………...................................……………………………..31
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Figura 7. Nível de desconforto na escola pela professora de Educação Especial I ........ 34
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Figura 8. Nível de desconforto na escola pela professora de Educação Especial II....... 34
Figura 10. Nível de desconforto na escola pela professora das AEC’S II...................... 36
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Introdução
O presente estudo incide sobre uma menina com mutismo seletivo (MS) que,
segundo Muris e Ollendick (2015) é considerado uma fobia caracterizada por um medo
excessivo e limitado à presença ou à antecipação de uma situação ou acontecimento
particular, onde a criança tem medo de ser vista ou ouvida a falar em determinadas
situações. Como consequência, a criança isola-se do mundo social o que lhe traz menores
competências verbais sociais, menor responsabilidade social e menor capacidade verbal
e não-verbal (Keeton, 2013).
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especificado que o MS tem que estar presente pelo menos mais de um mês, e consiste
numa persistente falha em comunicar com contextos sociais onde é esperado comunicar
trazendo consequências para a sua educação e interações sociais. A falha em comunicar
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não é explicada através das perturbações de comunicação, tais como a gaguez, e não
ocorrem durante o autismo, esquizofrenia ou outra perturbação psicótica. Esta
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Personalidade ansiosa;
Histórico familiar de ansiedade;
Dificuldades de linguagem ou de fala;
Integração numa nova cultura;
Trauma precoce;
Problemas familiares.
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com ela encorajando-a a ultrapassar cada uma delas;
A intervenção base é feita nos Estados Unidos e com bastante sucesso. O estudo
aqui apresentado é uma réplica desse e não existe nenhuma abordagem sistematizada em
Portugal para estes meninos. Quando esta intervenção não é feita, a perturbação pode
evoluir para outras como por exemplo a fobia social. De notar que este programa foi
adaptado às necessidades da criança e conforme a sua progressão houveram estratégias
que foram criadas para melhor inserção da criança nos contextos e atividades.
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Enquadramento Teórico
Mutismo Seletivo
Para ser feito um diagnóstico, a ausência da fala deverá ocorrer durante mais de
um mês, excluindo-se o primeiro mês de entrada na escola, onde a criança está a adaptar
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a um conjunto de novos contextos – professores, auxiliares, ambiente e comportamentos
(Keeton, 2013). O MS não ocorre quando a ausência de comunicação advém da falta de
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conhecimento, do desconforto com a língua exigida em situações sociais (e.g.,
imigrantes), ou quando a perturbação tem como origem numa perturbação da fala (e.g.,
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características principais poderão incluir medo excessivo de serem ouvidas e/ou vistas a
comunicar em público e em determinadas situações, isolamento social, medo da
humilhação social, traços compulsivos, negativismo, temperamento e comportamento
obsessivo ou controlado (Dow, Sonies, Scheib, Moss & Leonard, 1995 citado por
Krysanski, 2003). As crianças com MS, na generalidade, são como qualquer outra no seu
ambiente natural – falam fluentemente com os seus pais e familiares e fazem as suas
brincadeiras. Em contextos sociais específicos, tais como na escola ou no centro
comercial, a criança passa da comunicação livre para um bloqueio ou para uma redução
substancial do que diz, demonstrando sinais de ansiedade e desconforto (Ford, Sladeczek,
Carlson & Kratochwill, 1998 citado por Keeton, 2013). Este tipo de comportamento leva
a que, muitas vezes, decorram meses até que os pais se apercebam das diferentes
alterações comportamentais da criança, em ambientes diferentes (Steinhausen & Juzi,
1996 citado por Keeton, 2013). O MS afeta negativamente a criança porque, lhe retira a
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oportunidade de haver interação social, atrasa o desenvolvimento de determinadas
capacidades linguísticas e restringe o envolvimento nas atividades diárias na escola e
consequente interação com os colegas (Giddan et al., 1997 citado por Krysanski, 2003).
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História
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Nos finais do século XIX (1877), o médico alemão Adolph Kussmaul caracterizou
os primeiros sintomas do MS quando presenciou uma condição em que os indivíduos não
comunicavam em determinadas situações, independentemente das capacidades de o
fazerem, referindo-se a essa condição como uma afhasia voluntaria, intensificando a
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ideia de que era uma decisão voluntária por parte do indivíduo, não falar (Standart & La
Couteur, 2003 citado por Sharp, Sherman & Gross, 2007). Em 1934, Moritz Tramer,
psiquiatra suíço, investigou os mesmos sintomas designando-os como elective mutism,
defendendo que as crianças escolhiam não comunicar em determinadas situações (Dow
et al., 1995 citado por Krysanski, 2003). Com a publicação do DSM-IV (APA, 1994), o
termo MS substituiu o elective mutism de forma a realçar a ideia de que a recusa em
comunicar depende de a criança ver ou não o ambiente como um fator de ameaça
(Standart & Le Counteur, 2003 citado por Sharp et al., 2007; Krysanksi, 2003), o que lhe
despertará níveis de ansiedade, levando à ausência do discurso (Krysanksi, 2003; Sharp
et al., 2007).
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Etiologia
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demonstram que crianças com este comportamento têm dificuldades em responder a
novas situações e as mudanças. São descritas como tendo um historial de timidez ou um
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temperamento mais lento (Ford, Sladeczek, Carlson & Kratochwill, 1998, citado por
Keeton, 2013) envolvendo a fobia social. Este comportamento pode manifestar-se de
diversas formas nas diferentes etapas do desenvolvimento da criança, e normalmente
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sempre com extrema proteção. Este sistema adotado pela família e a falha nas suas
relações poderá ser um dos fatores ligados ao MS (Anstending, 1998 citado por
Krysanski, 2003) dado que essas famílias são caracterizadas principalmente pela sua
extrema proteção, dominação restrição, medo e desconfiança, dificuldades de linguagem
ou quebra na prática da aprendizagem num pai ou nos dois (Meyers, 1984 citado por
Krysanski, 2003).
As famílias das crianças com ansiedade e com MS têm sido vistas com pouco
envolvimento social comparado com famílias de crianças sem diagnóstico (Vecchio &
Kearney, 2005 citado por Keeton, 2013). Apesar de não haver diferenças no estilo
parental de famílias de crianças com e sem diagnóstico (Buzzela, Ehrenreich & Pincus,
2011 citado por Keeton, 2013), as interações dos pais com os filhos com MS foram
significativamente mais controladas do que as interações familiares com os filhos
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ansiosos ou sem diagnóstico (Edison, Evans, McHolm, Cunningham, Nowakowski,
Noyle, et al., 2011 citado por Keeton, 2013). Uma grande tendência que contribui para o
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MS são os comportamentos de habituação (Reuther, Davis, Moree & Matson, 2011 citado
por Keeton, 2013). Estes comportamentos caracterizam-se na tentativa dos pais
adivinharem as respostas da criança, em vez de ficarem à espera de uma resposta verbal,
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assumindo que a criança nunca irá responder sozinha o que lhe retira possíveis práticas
de desenvolvimento das suas capacidades de comunicação em ambientes sociais. O
comportamento de outros indivíduos no ambiente de conforto da criança poderá
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investigadores dinâmicos, o mutismo é uma forma de lidar com a raiva/ansiedade ou com
o objetivo de punir os pais (Krysanski, 2003).
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Algumas crianças ansiosas tendem a não interagir com outras o que acaba por ter
influência nas suas aptidões sociais quando confrontadas com determinadas situações
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(Vasey, 1995 citado por Anstendig, 1995). Sendo as crianças com MS tímidas, evitam
confrontos sociais quando se sentem desconfortáveis verbalmente. Sem o uso da
comunicação, as relações interpessoais são limitadas levando a que a criança esteja
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Sendo a fobia social caracterizada como “um medo de uma evolução negativa e uma
preocupação em fazer ou dizer algo que resulte num desconforto ou humilhação” (citado
por Wells, 2002, p. 141), as crianças com esta fobia evitam situações em que possam
sentir-se expostas a este medo. Black e Uhde (1995, citado por Park, H., Steele, M. &
Brisebois, S., 2007) no seu estudo concluíram que os sintomas da ansiedade social são
comuns em crianças com MS sendo este visto como uma variante da fobia social em vez
de um distúrbio psiquiátrico. Devido a esse medo extremo, os autores defendem que a
incapacidade da criança comunicar em situações sociais representa a mais negra variante
da ansiedade social e da inibição do discurso.
Abordagens terapêuticas
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Os tratamentos para o MS sempre foram considerados difíceis devido à grande
resistência demostrada pelas crianças e isto poderá ser devido ao facto de haver
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desistência de algumas perguntas que as forçam a falar (Kolvin & Fundudis, 1981 citado
por Krysanski, 2003). As intervenções mais utilizadas para abordar o MS são as
comportamentais, psicodinâmicas, tratamentos através de farmacologia e as multi-
abordagens (Hung, Spencer & Dronamraju, 2012).
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recentemente, em crianças (Kendall, et al., 2000 citado por McHolm, Cunningham e
Vanier,2006). Esta abordagem integra estratégias que têm maior ênfase nos pensamentos
ansiogénicos do indivíduo e ajudam-no a treinar a resolver os seus próprios pensamentos
irrealistas através de resoluções já previamente treinas ou colocar o individuo a falar
sozinho (McHolm, et al., 2006).
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permite que sejam criadas novas estratégias para lidar com o medo sem ser através do
evitamento. Esta estratégia deve ser feita gradualmente e sempre controlada pelo
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terapeuta, de modo a que se inicie em pequenas situações em que o medo não ocorra, pois
ao sentir-se confortável nessa situação, vai progressivamente transferir esse
comportamento para outros contextos (McHolm, et al., 2006).
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Outras estratégias que a TCC poderá incluir para o tratamento do MS são (Hung,
Spencer & Dronamraju, 2012):
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Dessensibilização Sistemática: a criança durante um estado de
relaxamento físico irá imaginar uma hierarquia de situações que lhe
provocam ansiedade, com o objetivo de se familiarizar com elas e, ao
mesmo tempo, diminuir as respostas ansiosas;
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multidisciplinar (Krysanski, 2003). IE
Terapia individual e intervenção na escola
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Não sendo detetado a tempo, o MS pode ter consequências graves para a criança
levando a novas ansiedades, como por exemplo a fobia social e tendo o mutismo como
característica principal o não comunicar em público, isto trás consequências individuais
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modo, este projeto foi feito com o objetivo de melhorar a de vida qualidade da Ana e
tentar perceber a forma como o mutismo pode ser dissolvido.
Método
Delineamento
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devem usar-se quando se está perante condições contextuais, acreditando que essas
condições podem ser importantes na investigação (Yin, 2001).
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Para este autor, o estudo de caso é “uma investigação empírica que investiga um
fenómeno contemporâneo dentro do seu contexto de vida real, especialmente quando os
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Participantes
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Quem é a Ana?
A Ana (nome fictício) tem 6 anos e vive com os pais numa cidade perto de Lisboa.
A mãe que tem 43 anos é técnica de contabilidade e o pai tem 44 anos e é funcionário
público. É filha única e frequenta o 1.º de escolaridade na mesma cidade onde vive e
entrou para a pré-primária aos 3 anos. Ana é uma menina esguia e alegre, sempre pronta
a dar um sorriso tímido a quem está à sua volta. Interage com os pares, principalmente
crianças, apesar de começar sempre com alguma timidez. Apresenta alguma hesitação e
resistência ao conhecer novos adultos, por “representarem figuras de autoridade e ter
medo que a vejam e oiçam falar” (sic).
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Os pais foram diagnosticados como casal infértil, daí ter sido uma surpresa a
gravidez após 34 meses de tratamento. Ambos relatam que foi uma gravidez muito
desejada e sempre seguida pela médica da mãe.
Na sua breve história pessoal, relatada pelos pais, a menina sempre foi uma bebé
muito afável e tranquila e esteve com os avós maternos até aos 3 anos, ano em que entrou
para a pré-primária. Frequentou a casa dos avós diariamente em que era a única menina
do prédio juntamente com um menino vizinho um pouco mais velho.
Dormiu com os pais até aos quatro anos. A mãe relata que foi um processo
demorado pois como a menina chorava muito durante a noite com o cansaço acabavam
por a levar para a sua cama. Começou a dormir sozinha quando os pais a habituaram a
adormecê-la e caso acordasse e um deles não tivesse lá, voltava para a cama dos pais por
não conseguir adormecer novamente sozinha. Uma das alturas em que há uma maior
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recorrência à cama dos pais é quando tem pesadelos. Atualmente, o quarto da Ana tem
luz de presença e quem a deita fica até adormecer lendo uma história, aproveitando para
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estar com ela ou conversar sobre o dia. É altura ideal para “puxar coisas sobre a escola”
(sic). São nestas pequenas conversas de quarto que a menina consegue expressar o que
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sente ao estar na escola e não conseguir comunicar com os outros meninos ou mesmo
com o professor e as auxiliares.
A família é bastante chegada mas não tem meninos da idade da Ana. Por isso,
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sempre que podiam, os pais levavam-na todos os fins-de-semana ao parque infantil para
que pudesse interagir e a criar ligação com os pares da sua idade. Segundo os pais, a
menina ficava sempre muito contente em brincar e a falar com os outros meninos e nunca
disse que não queria ir, e chorava quase sempre um bocadinho ao sair do parque.
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adaptação dado que tanto em casa e nos parques infantis a que iam ela comunicava com
os pares. Segundo os pais, esse “bloqueio” poderia ser devido à surpresa dos colegas ao
ouvirem-na sussurrar alguma coisa e por comentarem deixavam-na envergonhada ou
tímida. No final desse ano letivo a única frase que a menina verbalizou à professora foi
”quero água” (sic) o que deixou os pais bastante surpresos. Um outro fator que poderá ter
contribuído para o aparecimento do MS, foi a mudança de professora em que esta já tinha
outra presença e relação com os alunos. Com os familiares, a menina comunica com os
mais próximos, cerca de quinze pessoas e mesmo em festas de anos, não é capaz de
comunicar com quem não se sente confortável. A mãe relata um episódio: ”estávamos na
minha festa de aniversários com tios, avós, tudo pessoas com quem ela fala e a partir do
momento em que chegou o tio - que não interage muito connosco porque nós antes de a
termos íamos todos os dias tomar um cafezinho com ele, mas depois quando nasceu
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passamos a ficar mais em casa - ela deixou de falar. A partir do momento em que
começaram a chegar pessoas com quem ela não conhecia, deixou de falar. Uma prima
que estava trabalhar e queria dar-me os parabéns ligou, eu agarrei nela e fechei me na
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casa de banho e assim que me fechei com ela desatou a falar, saímos da casa de banho
fechou. Até dentro de casa basta ouvir uma voz que não conhece, fecha-se
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completamente” (sic). A prima com quem mais interage e comunica é a prima Sofia.
Preocupados com o enorme esforço que a menina faz para não comunicar e com
receio da falta de socialização que ela poderia ter na sua idade, os pais levaram-na à
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consulta de pediatra. Foi-lhes dito que poderia ser apenas adaptação e sem resultados e
sem mais opções, optaram por procurar ajuda na consulta de psicologia.
A mãe relata que em relação aos parceiros atuais, caso estejam numa loja a menina
consegue vestir, gritar com os pais, abstrair-se mas “basta que a senhora venha e diga “ai
essa camisa fica muito bonita” fecha completamente e fixa. Vê onde ela está e consoante
o sítio onde ela está ou não fala ou fala baixinho. Num centro comercial ela grita e brinca,
mas basta haver uma pessoa que comunique com ela de forma direta que ela fica logo
retraída” (sic). Comunica em todos os sítios desde que esteja com pessoas com quem
interage - por exemplo se estiver na escola sozinha com a mãe, no recreio já fala mas em
segredo mas se estiver na outra aula da professora das AEC’S, já não se sente a vontade.
Para a mãe a grande dificuldade é mesmo passar de pessoa para pessoa. “Desde os três
anos que ela fala com as mesmas pessoas. Desde que lhe deu aquele clique… já passaram
três anos…” (sic).
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