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Métodos Qualitativos em Ciências Sociais

O documento aborda a investigação em ciências sociais, focando no conceito de ciência e conhecimento, suas definições e evolução ao longo do tempo. Destaca a importância da objetividade e da metodologia na pesquisa científica, bem como a distinção entre conhecimento empírico, científico, filosófico e teológico. A ciência é apresentada como uma atividade humana que busca compreender e explicar fenômenos da realidade social.

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Métodos Qualitativos em Ciências Sociais

O documento aborda a investigação em ciências sociais, focando no conceito de ciência e conhecimento, suas definições e evolução ao longo do tempo. Destaca a importância da objetividade e da metodologia na pesquisa científica, bem como a distinção entre conhecimento empírico, científico, filosófico e teológico. A ciência é apresentada como uma atividade humana que busca compreender e explicar fenômenos da realidade social.

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Licenciatura em Turismo

Métodos
Módulo 1 – Investigação em Ciências Sociais
Qualitativos
Paula Reis©2020
Sumário

1. Investigação em Ciências Sociais


1.1. Conceito de ciência e conhecimento
1.2. A investigação em ciências sociais
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

2
1. Investigação em Ciências Sociais
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❖ Conceito de Ciência
▪ Não é fácil definir ciência, sobretudo quando se pretende fazê-lo
com objetividade e ou de forma única e precisa;
▪ Quando tal sucede, confrontamo-nos com uma tarefa quase
“impossível”;
▪ A palavra ciência deriva do latim scientia (do verbo scire saber)
oferecendo o mesmo conteúdo etimológico que conhecimento, do
latim cognosci, que significa “conhecer”.

▪ Ou seja: é um conhecimento racional, sistemático e verificável.

3
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ Evolução do conceito de ciência


▪ No decurso do último século, o conceito de ciência foi sujeito a um
processo de transformação profunda;
▪ Foi-se afirmando de que a ciência não tem nada de divino, nem é a
expressão, matematicamente demonstrável do “supremo arquiteto
newtoniano”;
▪ A ciência é apenas uma atividade humana e é, portanto, essencialmente
problemática;
➢ CIÊNCIA CLÁSSICA – deu-se um salto de verdade com a passagem da
opinião ao conhecimento exato;

A ciência clássica julgava, assim, poder dar uma imagem global do mundo e resumir
todo o desenvolvimento do mundo-natureza através de algumas fórmulas
matemáticas.
4
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

➢ Ciência Moderna – constituiu-se a partir da revolução científica do séc.


XVI e considerava-se capaz de conseguir atingir a racionalidade absoluta e
perfeita e atribuía a um estado provisório de ignorância ou de dúvida as
dificuldades e contradições que encontrava; verifica-se uma modificação
geral nas atividades intelectuais e industriais.

➢ Ciência Contemporânea – considera que é possível alcançar esse estádio


de racionalidade (baseada em factos), e que esta consiste essencialmente
num processo de fatigante, incerta e problemática aproximação da
verdade.

Limita-se a garantir a possibilidade de proceder constantemente a novas


observações, a novas experiências e interpretações dos dados empíricos e dos
resultados da investigação.

5
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ Definição: ciência
▪ O termo ciência é usado em várias aceções;
▪ Para alguns é utilizado quando:
1) Queremos dar prestígio e credibilidade a certos conhecimentos;
2) Na aceção de um corpo de conhecimentos (biologia, química, astronomia, etc.);
3) Com uma análise objetiva de fenómenos.

▪ A palavra é definida pelos dicionários de vários modos:


a) Originariamente como um estado ou facto do saber, conhecimento muitas
vezes oposto a intuição, crença…;
b) Como um conhecimento sistematizado derivado da observação, do estudo e da
experimentação levados a cabo no sentido de determinar a natureza ou os
princípios do assunto estudado;
6
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

c) Um ramo do conhecimento ou do estudo, especialmente orientado em


estabelecer e sistematizar factos, princípios e métodos, pela experimentação e
hipótese (ex. a música como ciência);
d) 1- o conhecimento sistematizado da natureza e do mundo físico; 2 – qualquer
ramo do anterior;
e) A capacidade, técnica ou habilidade baseada no treino, disciplina e
experiência: humoristicamente, o pugilismo.

O significado do adjetivo “científico” também não nos ajuda muito na definição da


essência do que procuramos.
A palavra científico deriva do latim “scientia” mais o termo “facere” que significa fazer:
literalmente “fazer ciência”.
Ambos os termos são a tradução do grego “episthemonikos” (fazer conhecimento) »»
derivou do termo moderno epistemologia que significa o estudo ou a teoria da
origem, essência, métodos e limites do conhecimento.

7
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

▪ Com efeito, as definições avançadas pelos diferentes autores, ao longo dos


tempos, incluem e envolvem referências metodológicas, ideológicas,
filosóficas e as técnicas mais variadas.

▪ Vejamos alguns dos conceitos sobre ciência, porventura, os mais citados,


nos quais sobressai transversalmente a essência do pensamento científico
(Freixo, 2012:36):

-“Acumulação de conhecimentos sistemáticos.”

- “Atividade que se propõe demonstrar a verdade dos factos experimentais e as


suas aplicações práticas”;

- “Caracteriza-se pelo conhecimento racional, sistemático, exato, verificável e, por


conseguinte, falível.”

- “Conhecimento sistemático dos fenómenos da natureza e das leis que o regem,


obtido pela investigação, pelo raciocínio e pela experimentação intensiva.”

8
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

(Continuação – síntese de conceitos e formulações gerais )

- “Conhecimento certo do real pelas suas causas.”

- “Conjunto de enunciados lógicos e dedutivamente justificados por outros


enunciados.”

- “Conjunto orgânico de conclusões certas e gerais, metodicamente


demonstradas e relacionadas com objeto determinado.”

- “Corpo de conhecimentos consistindo em perceções, experiências, factos certos


e seguros.”

- “Estudo de problemas solúveis, mediante o método científico.”

- “Forma sistematicamente organizada de pensamento objetivo.”

- “É uma representação, intelectualmente construída, da realidade”.

9
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ Outras conceções mais sistemáticas e precisas de ciência:


• Ciência – é uma representação intelectualmente construída da realidade,
provisória mas testável e reformulável, baseada em abstrações e convenções
explicitáveis;
• Ciência - propõe a aquisição sistemática de conhecimentos sobre a natureza
com a finalidade de melhoria da qualidade de vida intelectual ou material.
• Toda a matéria, em qualquer forma e composição molecular pode ser objeto
de estudo;
• Busca do saber, uma forma de compreender-se os fenómenos relacionados
com a existência humana (identificação de problemas).
• A ciência enquanto fruto do desejo ou necessidade de conhecer, apresenta-
se como um dos elementos mais determinante da condição humana.
10
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

Ciência…
“Constitui um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis,
obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a
objetos de uma mesma natureza” (Ander-Egg, 1978:15).

➢ Este conceito pode ser operacionalizado da seguinte maneira:


a) Conhecimento racional – conhecimento que tem exigências de método e
está constituído por uma série de elementos básicos, tais como um sistema
conceptual, hipóteses e definições;
b) Certo ou provável – uma vez não ser possível atribuir à ciência a certeza
indiscutível de todo o saber que a compõe, uma vez que ao lado dos
conhecimentos certos, é elevada a quantidade dos prováveis;

11
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

c) Obtidos metodicamente – os conhecimentos não são adquiridos ao acaso ou


na vida quotidiana, mas mediante regras lógicas e procedimentos técnicos
adequados;
d) Sistematizadores – não estamos a falar de conhecimentos dispersos e
desconexos, mas de uma saber logicamente ordenado, constituindo um
sistema de ideias (teoria);
e) Verificáveis – os conhecimentos têm que passar obrigatoriamente pelo exame
da verificação ou experimentação de afirmações (comprovadas pela
observação);
f) Relativos a objetos de uma mesma natureza – o conhecimento científico
integra necessariamente objetos que fazem parte de determinada realidade e
que têm em comum certas características de homogeneidade ou
uniformidade.

12
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ Propriedades das ciências


• Objetivo ou finalidade: preocupação em distinguir a característica comum ou
as leis gerais que regem determinados eventos;

• Função: aperfeiçoamento, através do crescente acervo de conhecimentos, da


relação do homem com o mundo (substituição de conceitos anteriores por
novos);

• Objeto: subdividido em: a) material, aquilo que se pretende estudar, analisar,


interpretar ou verificar, de modo geral; b) formal, o enfoque especial, em face
das diversas ciências que possuem o mesmo objeto material CIÊNCIA é
também procurar soluções para problemas.

Ela própria elabora e testa os meios necessários: conceitos e relações entre conceitos
– as teorias, uma linguagem conceptual adequada, instrumentos técnicos na recolha
e tratamento da informação e métodos de investigação.
13
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ O Objetivo da Ciência
• O objetivo da ciência é adquirir conhecimentos válidos sobre a realidade
(conhecimento sistemático sobre um determinado assunto);
• É uma das atividades que o homem realiza através de ações dirigidas à
obtenção de conhecimentos sobre factos que o rodeiam, procurando uma
melhor compreensão da estrutura e das funções e da ciência.
• A ciência objetiva a aquisição contínua e incessante de explicações e
soluções para os problemas propostos, perseguindo o objetivo ilusório de
tornar finais ou mesmo prováveis suas respostas.
• A ciência busca sempre descobrir problemas novos, mais profundos e
mais gerais – sujeitando suas respostas, sempre provisórias, a testes
renovados e mais rigorosos.
14
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ O Objetivo da Ciência
• O acesso à ciência é subjetivo;
• A ciência está à disposição de qualquer interessado ou curioso;
• No entanto, a objetividade em ciência tem por fim eliminar o carácter
tendencioso ou subjetivo das abordagens (proporcionando resultados mais
exatos dos trabalhos científicos);

• A evidência em ciência é factual e não conjetural »» a verdade atinge-


se pela demonstração da prova;
• A ciência adquire autoridade quando não é consequência de uma
mera opinião pessoal, duma fé ou dum preconceito, mas sim quando
denota um ponto de vista imparcial que evita juízos de valor (bom,
mau);
15
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ O Objetivo da Ciência
• Se a objetividade absoluta é possível de atingir pelos seres humanos é
uma questão deixada aos filósofos; no entanto, o cientista deve tentar
constantemente a objetividade.
• Caracterizar a ciência como objetiva é dizer que também é descritiva
e analítica;
• A objetividade é uma das atitudes indispensáveis à investigação;
• A regra da objetividade será indispensável para se ultrapassar o
problema, a pesquisa em ciências sociais (por exemplo) provou serem
falsas muitas noções do senso comum;
• A prática da atividade científica pressupõe a aplicação de métodos
objetivos (devem estar presentes em todos os trabalhos).
16
1.1. Conceito de ciência e conhecimento
❑ Objetividade na ciência: alguns conceitos
Facto – é tudo que se sabe ou que se supõe pertencer à realidade. Existe uma
variedade de factos, que também se podem considerar como acontecimentos,
processos e sistemas:
- Acontecimentos – são factos que têm lugar no espaço e no tempo;
- Processo – uma sequência temporalmente ordenada de vários acontecimentos,
sendo que a maioria é constituída por processos;
- Sistema – constitui um facto constituído por partes identificáveis e estruturadas de
modo a formar um todo unitário.

Fenómeno – é um facto observável e percebido pelo investigador


(apreendidos através dos sentidos e percebidos como um fenómeno).

Dado – constitui uma informação concebida ou codificada pelo investigador,


sendo que informação é o conhecimento que é extraído a partir dos
fenómenos.
17
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

✓A grande dificuldade de definir ciência advém principalmente da tendência


em confundir-se conteúdo da ciência com o método.

✓Grande parte do conteúdo da ciência está em permanente mudança: o que


hoje é considerado como científico e aceite como verdade, pode torna-se não
científico, por não verdadeiro, amanhã.

✓ Por outro lado, a demarcação entre ciência e não ciência não se traduz
numa fronteira rígida - área sujeita a controvérsia;

18
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

• A palavra conhecimento anda associada à palavra ciência, embora nos


fique a ideia de que esta se apresenta com características mais objetivas e
que o conhecimento constitui um elemento mais subjetivo;

• Segundo Karl Popper (1975:7) “o fenómeno do conhecimento é, sem


dúvida, o maior milagre do nosso universo”;

• O autor distingue dois tipos de conhecimentos:


- conhecimento adquirido (resultante de um estado de consciência que apenas
leva a reagir);
- conhecimento mais objetivo (constituído de problemas, teorias e argumentos).

É importante frisar que o conhecimento e/ou o ato de conhecer, existe como forma
de solução de problemas próprios e comuns à vida.

19
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

• O conhecimento científico é um produto resultante da investigação


científica;

➢ Surge não apenas da necessidade de encontrar soluções para problemas


de ordem prática da vida diária, mas do desejo de fornecer explicações
que possam ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da
discussão;
• O conhecimento é sempre aproximado, falível e, por isso mesmo,
suscetível de contínuas correções;
• Uma justificação pode parecer teoricamente boa num certo momento – e
constituir conhecimento – até aparecer um conhecimento melhor.

É isto mesmo que dá substância à historicidade da ciência.

20
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

• O homem não age diretamente sobre as coisas »» Há sempre um


intermediário, um instrumento entre ele e seus atos (Cervo e Bervian,1980).

• Ora, não é possível fazer um trabalho científico, sem conhecer os


instrumentos.
• O que é conhecer? É uma relação que se estabelece entre o SUJEITO
e o OBJETO conhecido.
• O PROCESSO DE CONHECIMENTO implica uma dualidade de realidades: o
sujeito cognoscente apropria-se, de certo modo, do objeto conhecido;
• O objeto do conhecido pode, às vezes, fazer parte do sujeito que conhece;

• Pelo conhecimento o homem penetra as diversas áreas da realidade para


dela “tomar posse”.

A realidade apresenta níveis e estruturas em sua própria constituição

21
1.1. Conceito de ciência e conhecimento

❑ Sujeito vs objeto

• Todo o conhecimento apresenta uma mesma exigência:


i) existência de um sujeito (de um conhecedor/investigador);
ii) e de um objeto (de um conhecido) – pertença ao mundo interior e ideal do
sujeito ou ao mundo exterior e real.

• Nesse sentido, o próprio conhecimento revela-se passível de ser mais ou


menos rigoroso em função do sujeito e do objeto (natureza).
• Subjetivo: é quase sempre definido como sendo a intromissão dos pré-
conceitos do investigador na recolha e na interpretação dos dados.
• O sujeito e o objeto podem ser vistos como independentes o “enlace”
sujeito-objeto »» PRODUÇÃO DA CIÊNCIA.

22
1.2. O conhecimento e seus níveis
• A complexidade do real, objeto de conhecimento, ditará diferentes
apropriações do sujeito cognoscente.
• Estas novas formas são origem a diversos níveis de conhecimento segundo o
grau de penetração do conhecimento e consequente posse (mais ou menos)
eficaz da realidade.

❑ O conhecimento e seus níveis:

sujeito conhecimento objeto

- empírico
- científico
- filosófico
- teológico

23
1.2. A investigação em ciências sociais

• As ciências sociais têm por objeto o estudo dos fenómenos ligados à vida
dos homens em sociedade ou em grupo conhecer a realidade;
• Ocupam-se das relações que os homens formam entre si e das que
estabelecem com as coisas;
• Procuram o entendimento das ações dos homens e das representações que
estes formam de si próprios e do mundo em que vivem;
• No seu critério devem considerar-se como factos sociais os modos de agir e
as representações exteriores;
• Nesse sentido, podemos encontrar diversas ciências sociais e humanas: a
antropologia, economia, psicologia, geografia, sociologia, história, ciência política,
filosofia,…

24
1.2. A investigação em ciências sociais

INVESTIGAÇÃO <> Intervenção


• Investigar não é simplesmente armazenar e analisar informação de
forma indiscriminada, mas deve ser aplicada à resolução de
problemas concretos utilizando uma Metodologia adequada.

▪ Intervenção = procura de soluções para a Mudança.

▪ A investigação científica é um processo sistemático que tem por


objetivo fornecer informação para a resolução de um problema »»
dar resposta a uma questão de investigação.

25
1.2. A investigação em ciências sociais

• A investigação social é complexa porque, entre outros motivos, a


própria realidade social é complexa, particularizada pela
omnipresença da subjetividade e do sentido e pelo consequente
desafio da compreensão e da interpretação.

• As ciências sociais caracterizam-se por uma forte componente


hermenêutica.

26
1.2. A investigação em ciências sociais

❑A teoria na investigação:
• Os nossos conhecimentos constroem-se com o apoio de quadros
teóricos e metodológicos explícitos;
• A teoria está sempre presente na investigação »» orienta as suas
inúmeras operações e decisões;
• De modo consciente, explícito e controlado, ou não »» ruptura com
o senso comum »»» PROCESSO DE CONHECIMENTO »»»
CONSTRUÇÃO DO OBJETO.

• Configuração da problemática e do modelo de análise »» a teoria


impõe-se como matriz e guia da investigação.

Um dos maiores obstáculos com que se depara a investigação social reside no hiato
observado entre teoria e pesquisa empírica.
27
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

❑ O turismo
Objeto de estudo caracterizado pela sua complexidade e abrangência

▪ COMPLEXIDADE:
Não existe uma definição de aceitação universal, mas um conjunto de
várias tentativas para responder à questão: o que é o turismo?

▪ ABRANGÊNCIA:
Esta atividade desenvolve-se no campo de várias ciências sociais,
tornando-se alvo de uma multiplicidade de abordagens.

28
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

No estudo do turismo pode-se referir duas abordagens diferentes:


i) perspetiva profissional, operacional e técnica: estuda e concebe o
turismo como uma atividade económica, geradora de produtos e
serviços, assente no desenvolvimento de um conjunto de profissões
turísticas, onde a formação é condição sine qua non ao desenvolvimento
da indústria;

ii) Perspetiva científica: estuda e concebe o turismo como fenómeno


complexo. Visa descrever, analisar e compreender o fenómeno do
turismo, por forma a construir um quadro teórico sobre o mesmo. De uma
abordagem mais técnica e operacional do turismo é proposta uma
abordagem mais académica e científica.

29
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

• O turismo é um fenómeno compósito devendo ser estudado segundo uma


abordagem holística.

• Estudar “holisticamente” o fenómeno do turismo é procura integrar as


diferentes perspetivas existentes sobre o turismo.

• Ou seja: abordar o turismo a partir do ponto de vista sociológico,


económico, psicológico ou geográfico, contribuindo para o produto
científico de cada uma dessas ciências.

30
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar
• O que é fazer ciência?
Silva e Pinto (1999:11) “a ciência é uma representação, intelectualmente construída,
da realidade (…) cada disciplina só acede ao estatuto de ciência quando constrói o
seu objeto próprio”.

➢ É possível assim inferir que a ideia de produto científico está intimamente


relacionada com a construção de um objeto de estudo. Este objeto provêm
do estudo da realidade a partir de diferentes perspetivas.

➢ Neste contexto, a economia, a psicologia, a sociologia, a história, a


geografia, entre outras ciências sociais, foram construindo o seu próprio
objeto científico da realidade social estudada.

Ou seja: cada uma estuda a realidade consoante a sua perspetiva, conferindo


uma abordagem pluridimensional sobre a mesma.

31
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

• É neste âmbito que o turismo surge como objeto de estudo de várias


ciências sociais e humanas;

• A economia, psicologia, sociologia, geografia tem apenas providenciado


um estudo parcial do turismo, mais do que propriamente uma abordagem
integrada e holística sobre o mesmo;

• Defende-se que o turismo pode tomar-se como objeto de uma


interdisciplinaridade, onde cada ciência aborda este fenómeno segundo o
seu próprio quadro de leitura;

• No entanto, cada uma contribui para um entendimento global do mesmo;

32
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

• Nesta ótica o turismo resulta, cada vez mais, da necessidade premente de


estudar este fenómeno sob várias perspetivas;

• Nenhuma disciplina, isoladamente, poderá ajustar, estudar e compreender


o turismo (Jafari e Graburn, 1991).

• É todo o conjunto das ciências sociais, as suas características e a


especialidade de cada uma que nos permite entender a complexidade da
área do turismo e todos os conceitos que lhe são atribuídos;

33
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

▪ Pelas suas características, o turismo é um fenómeno que estabelece


relações não só com todas as atividades humanas como também com o
ambiente físico;

▪ O turismo estabelece inter-relações e interdependências profundas com


todos os restantes setores:

Porque se relaciona com a Porque depende de quase todas elas e


generalidade das atividades muitas das existentes dependem do
humanas turismo com cada vez maior intensidade

O turismo não é um setor isolado

34
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar
❖ Contributo das diferentes ciências sociais no turismo
▪ Em torno de turismo existe uma multiplicidade e variabilidade enorme de
conceitos em seu torno;

▪ O turismo é uma atividade complexa e mutável, multifacetada e


multidimensional que não deve ser reduzida exclusivamente a negócio,
atividade industrial, marketing ou gestão de produtos.

▪ Isto leva a que alguns autores (Tribe, 1997) definam o turismo como uma
“indisciplina”.

▪ Para entendermos e percebermos todo(s) o(s) fenómeno(s) em torno do


turismo são necessárias diversas ciências sociais para estudarmos esta
área e entendermos todos os factos a si associados;

35
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

▪ A cada ciência cabe ao investigador um conjunto de fenómenos reais


perfeitamente separados de quaisquer outros;

▪ O turismo é um fenómeno sociocultural que pode ser abordado de


distintos pontos de vista (Carvajal, 1992) e com diferentes perspetivas
disciplinares:

➢ Sociologia, economia, geografia, psicologia, antropologia, direito,


ecologia, algumas das muitas ciências sociais ligadas em torno do
conceito e da área do turismo;

36
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

❑ Inter-relações do turismo: principais áreas de interdependência:


1. Economia 2. Social 3. Ambiente/ecológico
- Desenvolvimento económico; -Comportamentos coletivos; -Condições naturais;
- Produção de riqueza; - Estruturar familiar; - Meio urbano;
- Dinamização de outras -Propensão à viagem; -Recursos naturais;
atividades; -Intercâmbio de valores; -Poluição.
- Emprego. -Informação e comunicação

4. Política 5. Jurídico/institucional 6. Cultural


-Liberdade de deslocação; -Facilidades à viagem; -Tradições;
-Objetivos do Estado; -Duração das férias; -Património cultural;
-Tensões políticas; - Despesa do consumidor; - Aculturação.
-Conflitos laborais. - Regulamentação turística.

[Link]árias 8. Educação e Ciência 9. Tecnologia


-Epidemias; -Investigação; -Transportes;
-Tratamentos e recuperação; -Sistema educativo do turismo; -Materiais de construção;
-Sistema político de saúde; -Difusão dos conhecimentos; -Telecomunicações;
-Rede de instalações sanitárias. - Formação profissional. - Informática;
-Meios de transporte.

37
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar

• Apesar do aprofundamento dos estudos relativos ao turismo nos últimos


anos enquanto fenómeno de múltiplas implicações não há consenso
quanto a considerá-lo ou não como disciplina.

• Para alguns autores (Goeldner, Leiper), não há dúvida de que os estudos


turísticos constituem uma disciplina, para outros constituem uma ciência
(Gunn, Hoerner), mas para outros um domínio de conhecimentos
multidisciplinares (Tribe).

• De acordo com Tibre (1997), epistemologicamente, o turismo não é uma


disciplina mas antes um domínio de conhecimento que se socorre de um
certo número de disciplinas.

38
1.3. Abordagens da investigação em turismo: interdisciplinar,
multidisciplinar e transdisciplinar
• Jafari (1981) construiu um modelo de estudos do turismo que ilustra a
natureza multidisciplinar do turismo

Fonte: Jafari, 1981


39
Bibliografia

• Almeida, J. & Pinto, J. (1989). A investigação nas ciências sociais.


Lisboa: Editorial Presença.
• Cervo, A. & Bervian, P. (1980). Metodologia científica. São Paulo:
Editora McGRAW-HILL.
• Haro, F., Serafim, J., Cobra, J., Roque, L., Ramos, M. & Costa,
R.(2016). Investigação em ciências sociais. Guia prático do
estudante. Lisboa: PACTOR.

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