Módulo 2
Métodos e Técnicas de
Metodologias de investigação aplicadas ao turismo Investigação em
Turismo
José Alberto Rodrigues – 1º Semestre, 2020/2021
Sumário
2. Metodologias de investigação aplicadas ao turismo
2.1. O conceito de metodologia e método científico
2.2. Os métodos de investigação
2.2.1. A investigação qualitativa
2.2.2. A investigação quantitativa
2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
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2. Metodologias de investigação aplicadas ao turismo
2.1. O conceito de metodologia e método científico
❑ METODOLOGIA
• É o estudo do ou dos métodos científicos.
• O objetivo da Metodologia é o estudo dos métodos, mas não se trata
de quaisquer métodos, mas sim de métodos científicos;
• A Metodologia procura descrever e analisar os métodos, conhecer as
suas vantagens, as suas potencialidade e os seus limites; ajuda a
compreender os processos de investigação.
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2.1. O conceito de metodologia e método científico
❑ Investigação
▪ A investigação é uma pesquisa sistemática, empírica e crítica dos
fenómenos guiada por teorias e hipóteses acerca de presumidas relações
entre esses fenómenos;
▪ É um processo sistemático e intencionalmente orientado e ajustado tendo
em vista inovar ou aumentar o conhecimento num dado domínio;
▪ É uma tentativa sistemática de obter conhecimentos guiada por teoria e
hipóteses acerca das presumíveis relações entre os fenómenos;
▪ A investigação visa estabelecer relações entre fenómenos. Para tal, o
investigador observa todas as hipóteses e só aceita uma;
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2.1. O conceito de metodologia e método científico
❑ MÉTODO CIENTÍFICO
• Segundo a epistemologia, “método” significa caminho para chegar
a um fim = via para chegar ao conhecimento.
• Método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado;
• É a coordenação de um conjunto de operações – utilização de várias
técnicas;
• É uma forma de selecionar técnicas, forma de avaliar alternativas
para ação científica;
• É a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários
para atingir um dado fim;
• É o conjunto coerente de procedimentos racionais ou prático-
racionais;
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2.1. O conceito de metodologia e método científico
❑ MÉTODO CIENTÍFICO
• O Método Científico é um conjunto de abordagens usadas para a
recolha de dados, para a predição e para a explicação;
• Consiste em estudar um fenómeno da maneira mais racional possível,
procurando sempre evidências e provas para ideias, conclusões e
afirmações;
• Conjunto de abordagens, técnicas e processos para formular e
resolver problemas na aquisição objetiva de conhecimento;
• Utilizado em ciência na produção de conhecimentos, como
procedimento e forma de atuar.
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2.1. O conceito de metodologia e método científico
• Modelo do método científico
A Observação Teoria
Teoria Observação
B
Retroação
▪ A característica fundamental do Método Científico é a sua replicabilidade
podendo esta conseguir-se através de diferentes estratégias.
O método científico define-se como uma sequência de operações que dão
resultados válidos, fiéis e reprodutíveis.
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2.2. Os métodos de investigação
❑ Os dois métodos de investigação que concorrem para a procura
de resposta das investigações são:
➢ Método qualitativo
➢ Método quantitativo
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2.2.1. Método qualitativo
• As metodologias qualitativas engloba na expressão investigação
qualitativa, procedimentos metodológicos diversos: observação
participante; etnografia; estudo de caso; etc.
• O objetivo desta abordagem de investigação é descrever ou interpretar,
mais do que avaliar;
• O investigador observa, descreve, interpreta e aprecia o meio e o fenómeno
tal como se apresentam, sem procurar controlá-los;
▪ Os acontecimentos devem estudar-se em situações naturais – terreno;
▪ Os acontecimentos podem compreender-se se compreendermos a
perceção e a interpretação feitas pelas pessoas que nela participam.
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2.2.1. Método qualitativo
➢ A investigação qualitativa apresenta as seguintes cinco principais
características:
1) A situação natural constitui a fonte dos dados, sendo o investigador o
instrumento-chave da recolha de dados;
2) A sua primeira preocupação é descrever e só secundariamente
analisar os dados;
3) A questão é fundamental é todo o processo, ou seja, o que
aconteceu, bem como o seu resultado final;
4) Os dados são analisados indutivamente, como se reunissem, em
conjunto, todas as partes de um puzzle;
5) Diz respeito ao significado das coisas, ou seja, ao “porquê” e ao “o
quê”.
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2.2.1. Método qualitativo
• A investigação qualitativa preocupa-se basicamente mais com o
processo (procedimentos) mais do que com os resultados;
• A investigação qualitativa interessa-se pelo significado (ex. jogaram
melhor, ganho 3 a 2);
• O “investigador qualitativo” é o 1º instrumento para recolha e
análise dos dados;
• A investigação qualitativa implica trabalho de campo (observação
participante);
• A investigação qualitativa é essencialmente ou começa por ser
descritiva/nem sempre é analítica;
• O processo de pesquisa qualitativa é indutivo.
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2.2. Os métodos de investigação
2.2.2. Método quantitativo
▪ Nos métodos quantitativos, a matemática surge como elemento essencial
para se poderem medir os resultados (testar as hipóteses);
▪ O número permite uma maior precisão, objetividade, comparação e
reprodução, generalização semelhantes e inferência (avaliação e testes de
hipóteses);
▪ O método de investigação quantitativo é um processo sistemático de
colheita de dados observáveis e quantificáveis;
▪ É baseado na observação de fatos objetivos, de acontecimentos e
fenómenos que existem independentemente do investigador;
▪ Tem por finalidade contribuir para o desenvolvimento e validação dos
conhecimentos;
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2.2.2. Método quantitativo
• O objetivo é a generalização dos resultados a uma determinada
população em estudo a partir da amostra, o estabelecimento de
relações causa-efeito;
• Os objetivos da investigação quantitativa consistem essencialmente
em encontrar relações entre variáveis, fazer descrições com base no
tratamento estatístico, testar teorias;
• A amostra deverá ser representativa da população em estudo, para
que os resultados possam ser generalizados a essa mesma
população, o que exige a seleção aleatória dos sujeitos da
investigação;
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2.2. Os métodos de investigação
Tabela comparativa dos métodos de investigação quantitativos e qualitativos
Quantitativo Qualitativo
Objetivo Subjetivo
Uma realidade (particularista) Múltiplas realidades (holístico)
Orientado para a confirmação, redução, Orientado para a descoberta, descrição,
controlo, predição compreensão
Mensurável Interpretativa
Mecanista Organística
O todo é a soma das partes O todo é mais do que a soma das partes
Relatório de análise estatística Relatório de narrativa
Separação do investigador relativamente ao O investigador faz parte do processo
processo
Sujeitos Participantes
Livre de contexto Dependente do contexto
Fonte: Freixo, 2012
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2.2. Os métodos de investigação
❑ Vantagens e desvantagens da investigação qualitativa e
quantitativa:
✓ Paradigma qualitativo – postula uma conceção global positivista,
hipotético-dedutiva, particularista, orientada para os resultados.
✓ Paradigma quantitativo - postula uma conceção global
fenomenológica, indutiva, estruturalista, subjetiva e orientada para
o processo.
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2.2. Os métodos de investigação
Pesquisa
Pesquisa qualitativa
quantitativa
MEDE COMPREENDE
• Quantos • Como
• Quantas vezes • De que forma
• Em que proporção • Em que sentido
• Com que contributo • Com que repercussões
• Dimensões Explícitas • Dimensões Explícitas e
TAMBÉM implícitas / Não conscientes
• Validação centrada no uso de
procedimentos e técnicas • Validação por coerência interna e
estatísticas aplicabilidade
• Estatisticamente • Subjetivamente representativos
REPRESENTATIVOS +
Socialmente EXEMPLARES
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2.2. Os métodos de investigação
❑ Combinação de métodos quantitativos e qualitativos:
• O investigador para melhor resolver um problema de pesquisa não tem
que aderir rigidamente (exclusivamente) a um dos dois métodos
(paradigmas);
• O investigador poderá mesmo combinar o emprego dos dois tipos de
métodos (depende da realidade em estudo e da natureza dos dados
recolhidos);
• Patton (1990) afirma que a uma forma de tornar um plano de investigação
“sólido” é através da triangulação – combinação de metodologias no
estudo.
• Triangulação de metodológica – uso de diferentes métodos para estudar
um dado problema ou programa.
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ Os diferentes tipos de investigação
Existem vários critérios que permitem diferenciar os tipos de investigação de
modo bastante fundamental:
➢ O referencial existente à partida – um referencial muito estrito e bem
definido, um referencial suscetível de ser adaptado durante o percurso, um
referencial implícito que se tratará de explicitar;
➢ O produto procurado à partida – uma lei científica, uma decisão
generalizável, uma decisão contextualizada, uma ação-formação, uma
hipótese, características descritivas,…;
➢ O valor prioritário – ao qual a investigação se refere: a verdade, a eficácia, a
emancipação dos atores, a criatividade, a objetividade, a compreensão
prospetiva,…
➢ O grau de generalizabilidade procurado;
➢ Etc.
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ A investigação exploratória (científica ou tecnológica)
• O investigador deve ser muito mais explorador e detetive do que um
homem de lei;
• No entanto, é sobre estas últimas qualidades que, muitas vezes, a vida
académica julga um investigador;
• Nas investigações exploratórias, a finalidade principal não é ver o que se
passa, o que é verdadeiro, provar alguma coisa, mas ver o que poderia
passar-se, o que poderia ser verdadeiro (Patry, 1981);
• Estas investigações permitem ao investigador familiarizá-lo com o assunto
a estudar e com as situações em que o fenómeno se produz;
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ A investigação exploratória (científica ou tecnológica)
• A pesquisa exploratória estabelece critérios, métodos e técnicas para a
elaboração de uma investigação;
• O objetivo é encontrar informações sobre o objeto de forma a orientar
para a formulação de hipóteses;
• Permite-lhe fazer o inventário das variáveis suscetíveis de entrar em jogo,
logo, compreender bem a problemática do objeto de estudo e é uma
classificação quanto aos objetivos;
• Por isso, envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com sujeitos que
tiveram experiências práticas com o problema;
• Assume, de forma geral, o formato de pesquisas bibliográficas e estudos
de caso;
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
• Uma boa investigação exploratória combina criatividade e rigor;
• No entanto, pode haver investigações exploratórias muito livres;
• Outras, pelo contrário, apoiam-se em planos experimentais muito
rigorosos;
• A investigação exploratória está ao serviço da investigação experimental,
quer seja a investigação científica ou investigação tecnológica;
• Qualquer investigação pode igualmente ter uma função exploratória, isto
é, pode fazer emergir outras hipóteses que será necessário verificar em
seguida;
• A investigação exploratória é um processo indutivo que comporta muitas
vezes processos de dedução e verificação.
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ A investigação descritiva
• Quando o investigador inicia o estudo ou uma nova área ou
domínio do saber é provável que recorra aos princípios da
investigação descritiva »» identificar principais fatores ou variáveis
de uma dada situação;
• Quando um sistema é de uma complexidade tal que é necessário
começar por descrevê-lo o mais rigorosamente possível;
• Implica estudar, compreender e explicar a situação atual do objeto
de investigação sem interferência do investigador;
• O objetivo da investigação descritiva é observar, registar e analisar
os fenómenos ou acontecimentos;
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
• A principal finalidade é fornecer uma caracterização precisa das
variáveis envolvidas num fenómeno ou acontecimento (ex.
descrever as características de uma população);
• Ela intervém sobretudo como suporte dos processos de avaliação e
de investigação;
• No entanto, algumas investigações descritivas constituem à partida
uma finalidade em si mesmas. Só num segundo tempo conduzem a
outras investigações;
• Neste sentido, estabelece relações entre variáveis, o que envolve
técnicas de recolha de dados padronizados (ex. inq. questionário e
técnicas de observação) – assume a forma de LEVANTAMENTO;
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ A investigação explicativa
• A investigação explicativa centra-se no registo, análise e
interpretação dos factos, bem como identifica as suas causas;
• Esta prática permite realizar generalizações, definir leis mais
amplas, estruturar e definir modelos teóricos, relacionar hipóteses
com base numa visão unitária do universo ou do sistema produtivo;
• A investigação explica implica maior teorização e reflexão a partir
do objeto em estudo;
• No entanto, permite identificar os fatores que contribuem para a
ocorrência dos fenómenos/acontecimentos ou variáveis que afetam
o processo.
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
❑ A investigação-ação
• A investigação-ação examina uma situação a partir do ponto de vista dos
participantes, esta descreverá e explicará o que acontece na situação
(linguagem dos participantes e não linguagem técnica);
• Examina um problema a partir do ponto de vista daqueles que estão
implicados nela, só pode ser validada no quadro de uma diálogo não
obrigatório entre os diferentes participantes (que são os investigadores);
• Baseia-se nas representações dos diversos atores (investigadores);
• Na explicação do que acontece na situação prática, a investigação-ação
não adota enunciados “formais” (leis causais ou correlações estatísticas);
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2.3. Tipos de investigação: exploratória, descritiva e explicativa
• A finalidade da investigação-ação é obter respostas aplicáveis na
prática diária dos atores e de outros interessados em torno de um
determinado problema;
• A investigação-ação consiste na recolha de informações
sistemáticas com o objetivo de promover mudanças;
• Assume um duplo compromisso em estudar e introduzir mudanças
em torno de algo desejado;
• Implica o envolvimento do investigador ou investigadores numa
aprendizagem conjunta;
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Bibliografia
Almeida, J. & Pinto, J. (1989). A investigação nas ciências sociais. Lisboa: Editorial
Presença.
Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação – Guia para auto-
aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.
Cervo, A. & Bervian, P. (1980). Metodologia científica. São Paulo: Editora
McGRAW-HILL.
De Ketele, J. & Roegiers, X. (1999).Metodologia da recolha de dados.
Fundamentos dos métodos de observações, de questionários, de entrevistas e
de estudo de documentos. Lisboa: Instituto Piaget.
Freixo, M. (2012). Metodologia científica. Fundamentos, Métodos e Técnicas.
Lisboa: Instituto Piaget.
Haro, F., Serafim, J., Cobra, J., Roque, L., Ramos, M. & Costa, R.(2016).
Investigação em ciências sociais. Guia prático do estudante. Lisboa: PACTOR.
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