Acceptance and Commitment Therapy (ACT)
Terapia de Aceitação e Compromisso
Dra. Kátya de Brito e Silva Freire
CONTEXTUALIZAÇÃO
• Final dos anos 1980
• 1º manual: 1999 (2012 - reeditado)
Steven C. Hayes
CONTEXTUALISMO FUNCIONAL
• Visão de mundo
• Fenômenos como um todo e pertencentes a um contexto
• Qual a situação em que o comportamento ocorre?
• Ambiente + história de aprendizado
• Verdade é aquilo que funciona
• Seus conceitos explanatórios são os da AC
CONTEXTUALISMO FUNCIONAL
“olharemos os comportamentos buscando seus significados e funções
no contexto em que eles ocorrem e em sua história de aprendizagem.
Quando algo acontece, acontece em uma determinada situação dentro
de uma história.” (p. 180)
MODELO DE PSICOPATOLOGIA
• Inflexibilidade psicológica
• Restrição de repertório
MODELO DE PSICOPATOLOGIA
Quais os seus “pudins”? Você tem deixado de “comer” muitas coisas? Quais?
MODELO DE PSICOPATOLOGIA
Controle de estímulo
Precisão Como saber se iremos nos frustrar de novo? Como saber quando devemos nos aventurar ou quando estamos
insistindo no erro?
Cada evento é singular e único
Discriminação
Nossas ações são afetadas por suas consequências
Tempo
Quanto mais rápida for a consequência, mais ela controlará a ação
CONTEXTOS QUE PROPICIAM
RESTRIÇÃO NO REPERTÓRIO
• 1. Fusão cognitiva ou literalidade
• 2. Evitar
• 3. Dar razão
• 4. Avaliar
1. Fusão cognitiva ou literalidade
Habilidade verbal: considerar uma palavra como o objeto a que se refere
Considerar palavras, pensamentos, sentimentos, sensações corporais e
memórias como se fossem fatos
Treino exacerbado
• Considerar as palavras como realidade de forma excessiva
• Reações emocionais como se o acontecimento doloroso estivesse ocorrendo
• Lembrar e sofrer
• Ouvir falar de algo e se angustiar
1. Fusão cognitiva ou literalidade
• O indivíduo altera todo o seu repertório, como se esses pensamentos
e sentimentos fossem um fato, e não produtos de uma situação
específica que, eventualmente, passa
• Exemplo
• Um mal-estar ao ver uma cena trágica que dure menos de 5 minutos pode
alterar a vida de uma pessoa (TEPT)
• Reações emocionais serão da mesma qualidade
• É como se estivesse vivendo novamente o trauma
• Inúmeras possibilidades de ações se limitarão caso isso permaneça
2. Evitar
• É fundamental fazer algo para se livrar do que é ruim, mas...
• Restrição no repertório, limitação de ações, o que empobrece a vida
• Ocorre quando nos deparamos com um estímulo aversivo
• Classe de eventos que se transformam em aversivos
• Os que se parecem fisicamente com ele (generalização)
• Os que pertencem a relações de igualdade (estímulos verbais e equivalentes)
• Outros estímulos relacionados
2. Evitar
• Evitamos não só os estímulos, mas também
sensações e sentimentos
• Esquiva experiencial: é a causa dos problemas O que você faz no momento
psicológicos em que tem uma sensação, um
sentimento ou um pensamento
• Distração, negação, alienação, medicação, drogas,
desagradável?
alimentos ou consumo em geral, comer, mexer
no celular, ligar a TV, pensar em outras coisa...
• Alívio temporário
2. Evitar
Quando nos esquivamos do que sentimos ou pensamos
Não estamos evitando a situação aversiva original, mas apenas o efeito dela
E o efeito de uma situação aversiva é de extrema importância para solucionarmos
essa condição
3. Dar razão
• Colocar os sentimentos como as causas dos comportamentos
• Propicia a esquiva experiencial
• Justificativas: “não saí, pois estava triste”, “briguei porque estava com
raiva”, “deixei de estudar porque estava cansado”
3. Dar razão
• Para enfrentar as situações problemáticas, o indivíduo terá que
permanecer com sensações, sentimentos e pensamentos
desagradáveis, e as consequências prazerosas de suas ações serão em
médio e longo prazo
4. Avaliar
• Relacionar eventos comparando-os por uma característica específica
• Não percebe outras características dos eventos
• Transforma a função de estímulos em aversivos por comparar como
melhor ou pior, bom ou ruim, legal ou chato, etc.
INTERVENÇÃO DA ACT
Para diminuir as respostas de esquiva experiencial e aumentar as ações
reforçadoras positivamente, ou ações rumo a valores
AVERSIVO
Está
chovendo, não
Estou passando
vou sair mal
SOFRIMENTO
Limpo Sujo
que viraram aversivos
Estímulos e respostas
AVERSIVO
EVENTO
• De 1ª ordem • De 2ª ordem
• Direto • Indireto
• Fatalmente irá ocorrer na • Pode-se fazer algo a
vida respeito
Doença, morte, perdas, decepções
Ficar no momento presente
• Não ficar sob controle das funções adquiridas em contingências
passadas
• Ver cada experiência como única e singular, e não relacionada
• É o maior desafio do ser humano
• Olhar para o mundo sem a nuvem das experiências anteriores
• Ver as coisas como pela primeira vez
• É a maior amplitude de repertório, de possibilidades de ação e
adaptabilidade
Aceitar
• Aceitar as reações emocionais (sensações, sentimentos, pensamentos
e memórias) frente ao doce
• Implicações
• Não precisarmos fugir
• Não limitar nossa experiência com o mundo
• Libertar-se da reação automática de esquiva momentânea
Valores
• Definir o que é importante para nós e ir atrás
• Escolher e treinar o que queremos fazer, quais doces provar, como
degustar
• Mesmo que as consequências demorem
“É ilusório que fugir do que sentimos e pensamos irá fazer com que o
problema que nos abalou suma. O enfrentamento exige que passemos
pelo desconforto para que façamos algo novo que mude de fato nossa
condição” (pp. 192-193)
TERAPIA
1) Desesperança
Duas Criativa
etapas 2) Controle é o
iniciais problema e não a
solução
1) Desesperança Criativa
• Observação das esquivas experienciais
• Observação de pensamentos, sentimentos, sensações e memórias
• Círculo vicioso
• Foge/evita mas não resolve o problema original
• Fase do tratamento aversiva e necessária
1) Desesperança Criativa
Observação das Sua
Ressurgência de A necessidade
contingências com as consequência
estímulos de esquivar
respostas de esquiva imediata de
aversivos novamente
experiencial alívio
2) Controle é o problema e não a solução
• Esquiva experiencial como controle
• Esclarecer a função e os seu danos da esquiva
• Esclarecer seu funcionamento momentâneo
• Identificar o padrão de esquiva
Não conseguimos fugir de algo que está dentro de nós
OBJETIVOS TERAPÊUTICOS
ACEITAÇÃO
• Observação das sensações e sentimentos
• Oposto da esquiva experiencial
• Treinar permanecer com as sensações desagradáveis
• Não significa comodismo, tolerar, aguentar, passividade
O treino é a experiência de perceber a sensação, deixá-la
chegar ao seu pico sem se esquivar e observar ela passar. Toda
sensação passa.
DEFUSÃO Condição
aversiva
• Observar o pensamento sem acreditar nele
Mistura
• A palavra pode corresponder à realidade (descrição)
• A palavra por ser uma simples opinião (julgamento)
Acredita no
• Ex.: treino do ônibus (p. 205) pensamento
Esquiva
PRESENTE
• Ficar sob controle do momento
presente, do mundo como ele se
apresenta
• Treinar observar pensamentos,
sentimentos, sensações e
memórias
• Exercícios de mindfulness
SELF COMO CONTEXTO
1. Adjetivos 2. Ação 3. Observação
• Self Conceitual • Self como processo • Self como contexto
• “Sou tímida” • “Fico muito quieto” • “Eu tenho sensações de
• Padrão de comportamento • Restrito a padrões de ação ansiedade”
rígido • Aumenta possibilidade de agir
diferente
Self como contexto é não se identificar nem com seus
pensamentos, sensações ou sentimentos, nem com suas
ações, é ser livre para ser, simplesmente.
VALORES
Valor
• O que é importante para você
• A forma como você quer ser - Como o indivíduo quer ser
- Ser amoroso
• Isso definirá seus objetivos
Objetivo
• Fortalecer as ações nessa direção
- Alguma situação específica em que o indivíduo é da
forma que quer ser
- Ser amado
AÇÕES COM COMPROMISSO
• Plano de ações em direção aos valores
• Identificar os valores, eleger objetivos e as ações compatíveis
• Devem ser propostos pelo próprio cliente
Valores Objetivos Ações Barreiras
AÇÕES COM COMPROMISSO
• A terapia termina quando o indivíduo
está espontaneamente fazendo seus
planos e agindo em sua vida de acordo
com os seus valores
• Essa mudança não precisa ser total, pois
se trata de um trabalho de uma vida
PRÁTICA DO TERAPEUTA ACT
• O terapeuta deve ter passado pelos processos que seu cliente passará
Terapeuta também é gente. As mudanças que a Aceitação e o
Compromisso com os Valores promovem em nossas vidas
são preciosas. Poder trabalhar com isso e ser íntegro em
nossa atuação é uma verdadeira benção (p. 214)
“Quando o indivíduo de fato age de acordo com os seus valores, com o
que é verdadeiramente importante para ele, significa que ele se depara
com situações semelhantes às que lhe geraram sofrimento, observa e
sente suas emoções, ouve em sua cabeça uma série de pensamentos
pessimistas e relutantes e age, não para fugir do que existe dentro dele,
mas porque agir é importante para ele, agir lhe dá satisfação pela graça
de agir e por construir algo diferente” (Saban, 2015, p. 213)
“Construir uma vida de acordo com a forma como queremos ser e
com o que é importante para nós. Nossos sentimentos, aqueles que
consideramos os piores, são preciosos alertas que precisamos para
saber exatamente o momento de agir de forma íntegra com a maneira
como valorizamos ser, no lugar de nossos velhos padrões de esquiva”
(Saban, 2015, p. 215-216).