SP2 - INCONTROLÁVEL
PALAVRAS DESCONHECIDAS:
-
PONTOS IMPORTANTES:
- Eleonor há mais de dois anos sentia sintomas palpitações, falta de
ar e sensação eminente de morte que fazia ela apresentar
desespero enorme e uma grande vontade de pedir ajuda e ser
levada a um pronto atendimento;
- Realizou inúmeros exames e consultas. avaliações cardiológicas,
respiratórias e neurológicas, todas com resultado negativo. Foi
administrado benzodiazepínicos e com o tempo os sintomas
controlados recebiam alta com a indicação de psiquiatra;
- Eleonor não tinha preconceito com doenças psiquiátricas. Ela só
queria controlar as sensações que atingiam seu corpo de forma
contundente. Mae apresentava crises dissociativas (ou conversivas)
segundo o diagnóstico do psiquiatra;
- Sua tia sofria de distúrbio somatoforme doloroso, que demorou para
ser diagnosticado, e um primo que sofreu um quadro de transtorno
de estresse pós traumático após ser vítima de uma tentativa de
sequestro;
- Ela realizou uma peregrinação indo de psiquiatra em psiquiatra e
trocando de medicações muitas vezes. foram prescritos
antidepressivos e falaram que tinha TAG. Outros prescreveram
ansiolíticos de classes diversas e acupuntura, relaxamento e
psicoterapia. Estava desacreditada que seria curada;
- Procurou a ESF, e foi tranquilizada em relação à integridade física;
- A médica questionou se os sintomas eram desencadeados por
algum fator específico, pois isso poderia sugerir um quadro fóbico.
Questionou se ops sintomas eram sempre súbitos e de curta
duração se ela tinha esse quadro quando estava dormindo e se era
despertada por esse mal estar. Diante das perguntas, ela acha que
se trata de um quadro de síndrome do pânico e propôs o tratamento
adequado.
BRAINSTORM:
- Paciente só chega ao pronto atendimento em último caso, porque
eles sempre acham que vai passar;
- Não acreditam que tem um problema;
- Ansiedade: angústia, sensação de garganta trancada, palpitações,
falta de ar e taquicardia; Sintomas inconclusivos;
- Muitos são encaminhados para o cardiologia e pneumologista; pode
apresentar alteração eletro por conta da taquicardia;
- Não tem a idade da paciente mas se caso tivesse em torno de 46
anos poderia ser menopausa; caso uma disfunção endócrina poderia
se pensar em alterações na adrenal, feocromocitoma, hipoglicemia -
Dx diferenciais;
- Anamnese completa independente se há ansiedade ou não, para
não passar um outra doença despercebida; exclusão de causa
orgânica;
- Utiliza-se clonazepam (ação rápida) e diazepam (meia vida longa);
- Dá para associar um benzodiazepínico como um IRS, porque os
inibidores faz sua ação mais lenta e os BZD uma ação mais rápida;
- Ansiedade pensamentos acelerados, maior problema com o futuro;
- Conforme aumento o número de crises a paciente começa a ter
medo das crises; paciente apresenta um estado de hipervigilância,
já apresenta medo do que vai passar na crise;
- Por isso que é bom entrar com BZD;
- Crise dissociativa sintomas somáticos que aumentam os sintomas
mais que o habitual;
- Paciente ansioso não tem paciência; possui uma respiração bucal
com isso aumenta o HCL que faz com que sinta plenitude pós
prandial cursando com gastrite;
- Distúrbio somatoforme doloroso; Estresse pós traumático;
transtorno do pânico; várias formas de ansiedade;
- A medicação pode ser com várias classes e também com os não
medicamentosos;
- Exames que devem ser solicitados: hemograma completo, cortisol,
TSH, T4 livre, vitamina D, vitamina B12, função renal, creatinina,
função hepática, eletrólitos, hemoglobina glicada;
- Outros exames: eletrocardiograma, raio-X, endoscopia, sorologia
para a HIV, tomografia, BETA-hcg;
- Fatores de melhoras e fatores desencadeantes;
MAPA:
OBJETIVOS:
1. Descreva sobre a ansiedade (fisiopatologia, epidemiologia e
quadro clínico/ critério diagnóstico).
O DSM-5 divide a ansiedade patológica nos seguintes transtornos:
possíveis perigos.
quando persistente, disruptiva ou desproporcional ao perigo real, ela pode ser
debilitante e considerada patológica.
como ficar
vermelho, pálido, tremer, suar, sentir frio e calor repentinos se espalharem por todo o
corpo,
palpitações no coração, síncope,
➔ transtorno de ansiedade de separação (TAS),
➔ mutismo seletivo,
➔ fobia específica,
➔ transtorno de pânico (TP),
➔ agorafobia,
➔ transtorno de ansiedade generalizada (TAG),
➔ transtorno de ansiedade devido a outra condição médica,
➔ outro transtorno de ansiedade não especificado.
Os entre esses diagnósticos. No entanto, em todos os
estímulos precipitantes diferem
casos, as
Epidemiologia:
e
da ansiedade podem , com prejuízos pessoais e
manifestações somáticas, cognitivas e comportamentais
interferir no funcionamento normal
levar ao sofrimento
econômicos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), população mundial)
- A estimativa de prevalência ao longo da vida é variável entre os países. - Globalmente, a
dicando que esses
- A relação homem: é de cerca de 1:1,9.
-
prevalência de 12 meses na infância e na adolescência é semelhante à observada em
adultos.
- A idade de início média
dos pacientes com um transtorno de ansiedade
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
Os pacientes sofrem de acompanhado A ansiedade permeia diversos
1 em cada 4 indivíduos
apresenta ou já apresentou um transtorno de ansiedade.
prevalência em 12 meses é um pouco menor que a prevalência ao longo
da vida (29%), in
transtornos são relativamente persistentes.
mulher
Grande parte dos transtornos de ansiedade se manifesta já na infância
, sendo que sua
(4% da
estimada para os transtornos de ansiedade foi de 21,3 anos.
- Mais da metade
De maneira geral,
situações ambíguas como ou
riscos.
Fisiopatologia:
e na
indivíduos ansiosos.
Demonstram caracterizada por uma tendência a interpretar e a estimar de forma elevada os
ameaça, associada a uma baixa capacidade de lidar com isso.
apresenta múltiplos transtornos de ansiedade comórbidos.
A ansiedade é um estado mental suscitado em antecipação a uma ameaça ou a uma
ameaça potencial, resultando em um estado de maior vigilância. É caracterizada por
experiências subjetivas, como preocupações, tensão e alterações fisiológicas, incluindo
sudorese e tontura, bem como aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Esse
estado emocional pode ser desencadeado por estímulos que não representam perigo
imediato ou pode ser gerado por estímulos internos (p. ex., sensações corporais). A
ansiedade ocasional, ou adaptativa, é parte normal da experiência humana, ajudando na
sobrevivência dos indivíduos ao aumentar sua consciência e permitir respostas rápidas a
possíveis perigos. Embora pessoas saudáveis experimentam episódios esporádicos de
ansiedade, quando persistente, disruptiva ou desproporcional ao perigo real, ela pode ser
debilitante e considerada patológica.
2. Identificar os principais transtornos do espectro ansioso.
TAG
● Fisiopatologia;
Os pacientes sofrem de ansiedade e preocupação excessivas, acompanhados por
sintomas como inquietação, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular,
distúrbios do sono e fadiga.
– A ansiedade permeia diversos aspectos da vida do indivíduo e, em diferentes graus, gera
prejuízo.
De maneira geral, esses pacientes apresentam percepção elevada de perigo ou
ameaça, associada a uma baixa capacidade de lidar com isso. Demonstram preocupação
constante em relação ao futuro, caracterizada por uma tendência a interpretar situações
ambíguas como ameaçadoras ou negativas e a estimar de forma elevada os riscos.
As ações combinadas de circuitos neurais distribuídos que emergem da amígdala,
do núcleo leito da estria terminal, do hipocampo ventral e do córtex pré-frontal medial
resultam na interpretação e na avaliação do valor emocional dos estímulos ambientais. Se
tais estímulos são identificados como ameaçadores, podem resultar em comportamentos
defensivos pelo recrutamento do tronco cerebral e dos núcleos hipotalâmicos, provocando
sintomas ansiosos. Assim, nota-se que a neurocircuitária do medo está alterada em
indivíduos ansiosos.
● Fatos biológicos
● Fatores ambientais
● Relação com neurotransmissores —- MULTIFATORIAL
Do ponto de vista neuropsicológico, os pacientes com TAG podem
apresentar vieses de informação congruentes com o humor, como prestar muita
atenção a estímulos ameaçadores, identificá-los rapidamente e interpretar
informações ambíguas como ameaçadoras.
Sob as neurociências, há modelos que englobam a neurotransmissão
monoaminérgica (serotonina e noradrenalina), GABAérgica, glutamatérgica,
alteração do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, diminuição na funcionalidade da
conexão entre o córtex pré frontal e amígdala cerebral.
Causas e Fatores de risco:
Embora a causa primária do TAG seja desconhecida, sabe-se que indivíduos
ansiosos tendem a interpretar estímulos neutros como ameaçadores. Para avaliar uma
situação como ameaçadora e gerar uma resposta semelhante à ansiedade, um indivíduo
deve detectar estímulos ambientais por meio dos sistemas sensoriais e, em seguida,
identificá-los como aversivos ou potencialmente perigosos.
Epidemiologia
● Afeta cerca de 3% da população a cada ano
● Prevalência de 0,2-4,3%
● Acomete mais mulheres
● Geralmente se inicia na adolescência
Quadro clínico
● Medo e preocupações excessivos
● Concentração dificultada
● Fadiga
● Irritabilidade
● Tensão muscular
● Insônia
● Taquicardia
● Tremores e sudorese
Fatores desencadeantes
Os fatores de risco do TAG são:
● História familiar para transtornos ansiosos e depressivos (fator genético)
● Estresse emocional ou físico atual ou passado
● Sexo feminino
● Outros transtornos de ansiedade
Diagnóstico
TRANSTORNO DO PÂNICO
As primeiras descrições da literatura médica de uma síndrome de medo súbito com excesso
de sintomas físicos sem correlação anatômica foram feitas sobre a síndrome do coração
irritável, na Guerra Civil Americana, em 1860, e por Freud, sobre neurose de ansiedade, em
18953.
Freud descreveu a origem psíquica da ansiedade a partir de 1893. Tratou dela
sistematicamente em artigo de 1895, justificando separar da neurastenia um certo complexo
de sintomas sob o nome de “neurose de angústia”. Isolou da síndrome classicamente
descrita como neurastenia uma afecção centrada no sintoma principal, a ansiedade.
Destacou diversas formas: ansiedade crônica ou espera ansiosa suscetível de se ligar a
qualquer conteúdo que pudesse oferecer um suporte, acesso de ansiedade pura,
acompanhada ou substituída por equivalentes somáticos4.
Entretanto, o transtorno de pânico (TP) só foi assim denominado e caracterizado como uma
entidade nosológica autônoma e formal na terceira edição do Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais (DSM-III), da Associação Americana de Psiquiatria (APA),
nos anos de 19805.
O TP consiste na presença de crises severas de ansiedade (ataques de pânico),
acompanhadas de graus variados de ansiedade antecipatória entre esses episódios,
gerando sofrimento significativo e prejuízos funcionais aos indivíduos que apresentam tal
patologia, comprometendo as diversas áreas de suas vidas. Já a agorafobia, é definida pelo
medo de situações e lugares nos quais possa ser difícil escapar ou a ajuda não possa estar
disponível durante um ataque de pânico.
A seguir, abordaremos de forma detalhada as características destes transtornos.
Ataque de pânico
O ataque de pânico cursa com pico dos sintomas em até 10 minutos e tem curta duração,
comumente até 30 minutos, com resolução espontânea. Caracteriza-se por episódios
abruptos de medo, apreensão ou desconforto intensos, associados a sintomas somáticos
múltiplos envolvendo os sistemas cardíaco, respiratório, gastrintestinal e vestibular66,
podendo se concentrar em um perfil sintomático referente a um órgão ou sistema
específico. Segundo o DSM-5, são necessários pelo menos quatro sintomas de um grupo
de 13 para caracterização de um ataque de pânico, como podemos observar no Quadro 1.
Um ataque de pânico pode ocorrer independente de outra condição psiquiátrica, pode
ocorrer no contexto do transtorno do pânico ou podem ocorrer no contexto de outros
transtornos psiquiátricos, sendo então considerados como especificadores do diagnóstico
do transtorno no contexto que ocorrem (por exemplo, TAG com ataque de pânico).
Os ataques de pânico, ainda, podem ser classificados em: (1) esperados, nos quais existe
um sinal ou desencadeante óbvio, como as situações em que eles geralmente ocorrem (por
exemplo, ataque de pânico desencadeado por fobia específica) ou; (2) inesperados, nos
quais não há gatilho ou desencadeante óbvio no momento da ocorrência, mais típicos do
transtorno de pânico, podendo ocorrer também em situações de relaxamento ou durante o
sono (ataque de pânico noturno).
Agorafobia
A grande maioria dos casos de agorafobia está associada ao transtorno de pânico, porém
existem alguns casos que cursam na ausência deste. Por esse motivo, a partir do DSM-5, o
transtorno de pânico perdeu seu especificador de sem agorafobia ou com agorafobia,
passando a serem considerados diagnósticos independentes que podem ser comórbidos.
A característica essencial da agorafobia é ansiedade ou medo acentuado ou intenso
desencadeado pela exposição real ou prevista a várias situações (Quadro 3), que são
ativamente evitadas. Tais situações são temidas ou evitadas por causa de pensamentos de
que pode ser difícil escapar ou que o auxílio pode não estar disponível no caso de
necessidade. O medo, a ansiedade ou a esquiva, que são persistentes, causam sofrimento
ou prejuízo importantes no funcionamento social, profissional ou em outras áreas67.
A CID-1168 descreve a agorafobia de forma semelhante ao DSM-5, na qual ocorrem medo
excessivo ou ansiedade em resposta a diversas situações em que escapar ou conseguir
ajuda pode ser difícil (p. ex.: cinemas, shoppings, mercados). O indivíduo é
consistentemente ansioso acerca dessas situações, pois teme que ocorram situações
negativas (ataque de pânico ou sintomas físicos incapacitantes). As situações são evitadas
ativamente ou enfrentadas apenas em situações específicas, como na presença de uma
pessoa de confiança, ou enfrentadas com intenso sofrimento. Os sintomas persistem por
alguns meses e são graves o suficiente para gerar prejuízos funcionais69.
Nas suas formas mais graves, a agorafobia pode levar os indivíduos a ficar completamente
restritos à sua casa, incapazes de sair e dependentes de outra pessoa para serviços ou
assistência até mesmo às suas necessidades básicas. A desmoralização e os sintomas
depressivos, bem como o abuso de álcool e medicamentos sedativos como estratégias
inadequadas de automedicação, são comuns.
Cerca de um quarto dos indivíduos com transtorno do pânico desenvolvem agorafobia7. A
probabilidade desta evolução pode ser predita por alguns fatores: gênero feminino, tontura
mais severa durante ataques de pânico, fatores cognitivos, traços de personalidade
dependente e presença de transtorno de ansiedade social.A presença de agorafobia em
conjunção com TP está associada a maior gravidade do quadro.
TOC
● Sabe-se que, como outros transtornos, resulta de uma complexa interação entre
fatores neurobiológicos, psicológicos e ambientais, envolvendo, principalmente, vias
que interconectam áreas do córtex cerebral a estruturas subcorticais, como o corpo
estriado e o tálamo.
● É também importante causa de sofrimento e prejuízo funcional, afetando
principalmente os relacionamentos e o funcionamento social dos indivíduos, além da
capacidade para o estudo e o trabalho.
GENÉTICA
1. É um transtorno familiar, em especial quando de início precoce.
2. Fatores genéticos e ambientais compartilhados entre membros de uma mesma
família.
Quadro clínico
O diagnóstico do TOC é baseado na apresentação clínica e fundamentado na
presença dos sintomas centrais desse transtorno, pensamentos obsessivos e
comportamentos repetitivos
● Obsessões
► São pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são
experimentados como intrusivos e indesejados e que, na maioria dos indivíduos, causam
acentuada ansiedade, desconforto e/ou sofrimento. Podem se manifestar como:
○ Impulsos obsessivos: sensação de pressão ou urgência para se realizar
determinada ação.
○ Imagens obsessivas: imaginações vívidas, intensas e angustiantes.
○ Característica intrusiva: as obsessões são experimentadas como sujeitas a
pouco ou nenhum controle voluntário. Contudo, são experimentadas como
pensamentos próprios, ainda que desagradáveis (egodistônicos), e não como
algo provindo de influências ou entidades externas.
○ Inquietude, repugnância e nojo, causando ansiedade que pode ser intensa, a
ponto de precipitar ataques de pânico.
Compulsões
► São comportamentos observáveis ou atos mentais repetitivos que o indivíduo se sente
compelido a executar em resposta a uma obsessão, ou de acordo com regras que devem
ser rigidamente aplicadas, ou para obter uma sensação de completude.
● Os comportamentos repetitivos ou atos mentais visam prevenir ou reduzir a
ansiedade, desconforto ou sofrimento, contudo, eles não têm uma conexão realista
com o que objetivam neutralizar ou evitar, ou são claramente excessivos.
● Embora haja indícios de que as compulsões podem preceder as obsessões,
especialmente em crianças, a maioria dos pacientes relata que suas compulsões
são realizadas em resposta aos pensamentos obsessivos.
● Outra característica clínica importante do TOC são os fenômenos sensoriais (FS).
Pessoas com TOC descrevem, com frequência, sensações subjetivas desconfortá-
veis de “não estar em ordem”, ou um sentimento de incompletude, ou de apenas “ter
que” realizar algum comportamento repetitivo. A sensação de incompletude leva o
paciente a repetir um comportamento até atingir “o ponto certo”, ou de que fez “o
suficiente”.
● Para que se feche o diagnóstico, os sintomas devem ocupar tempo significativo (p.
ex., mais de 1h/dia) ou resultar em sofrimento subjetivo considerável ou prejuízo
notável no funcionamento social, pessoal, convívio familiar, na vida acadêmica e
profissional ou em outras áreas.
Diagnóstico
A 5ª edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5)1, da
Associação Americana de Psiquiatria, e a 11ª edição da Classificação Internacional de
Doenças, da Organização Mundial da Saúde, estabelecem os critérios operacionais mais
atuais para o diagnóstico do TOC. Nos dois manuais, foi criado um capítulo específico para
o TOC e os transtornos relacionados. No DSM-5, TOC, o transtorno dismórfico corporal, a
tricotilomania, o transtorno de escoriação e o transtorno de acumulação foram incluídos no
capítulo. Já na CID-11, além dos transtornos já citados, foram também incluídas a
hipocondria, a síndrome de Tourette e a síndrome de referência olfatória.
Fobia Social
A ansiedade social é uma característica adaptativa favorável que foi selecionada pela
evolução das espécies. Os seres que conseguiam socializar mais obtinham mais suporte de
grupo para defesa contra predadores, bem como assistência na obtenção de alimentos e
cuidados em situações de vulnerabilidade. Além disso, no momento em que a vida evoluiu
da reprodução assexuada para sexuada, condicionou a continuação da vida da espécie a
relacionar-se a outro ser para se reproduzir, investindo, assim, inestimável importância ao
relacionamento interpessoal. Deste modo, os indivíduos que tinham maior propensão ou,
podemos dizer até, pressão natural para relações interpessoais tinham maior chance de
sobrevivência e reprodução e, então, aqui estamos como produtos desta seleção.
A vida moderna apresenta contingências muito diferentes das que acabamos de citar,
porém as relações sociais permanecem fundamentais no nosso dia a dia, em que quase
toda atividade que façamos irá envolver relação com outras pessoas e, assim, a
necessidade de ser aceito na relação, ser respeitado, sentir-se integrante de um grupo,
sentir-se compreendido ou correspondido. Ou seja, podem emergir diversos sentimentos e
expectativas das relações interpessoais. Se, neste contexto, nossos sistemas de controle
da ansiedade social que é, inicialmente, benéfica e adaptada falharem, podemos passar a
ter a ativação desta ansiedade em intensidade desproporcional, momentos inoportunos ou
com duração não compatível com a situação social em questão. Desse modo, passamos a
ter ansiedade não funcional que acaba por gerar prejuízos funcionais e sofrimento. Neste
momento, então, passamos a falar de transtorno de ansiedade social.
Epidemiologia
O transtorno de ansiedade social (TAS), também conhecido por fobia social, é um
diagnóstico psiquiátrico associado com significativo sofrimento psicológico e prejuízos de
vida, com comprometimentos em variadas relações sociais, problemas no estabelecimento
de vínculo com pares, no desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional. Foi descrito
pela primeira vez na psiquiatria moderna por Marks e Gelder como o medo de “comer,
beber, tremer, enrubescer, falar, escrever ou vomitar na frente de outras pessoas”.
Em estudos epidemiológicos, a prevalência desse diagnóstico ao longo da vida costuma
estar entre as mais frequentes, tanto dentre os transtornos de ansiedade4 quanto dentre
todos os diagnósticos psiquiátricos avaliados. Entre 10 e 13% de toda população
preencherá critérios diagnósticos ao longo da vida, com prevalência de 8% em 1 ano5. A
prevalência do TAS é maior em mulheres, adolescentes ou adultos jovens (período de
socialização mais intensa). É mais frequente nas sociedades orientais, que apresenta uma
variabilidade fenomenológica caracterizada por medo de envergonhar outras pessoas em
vez de se envergonhar, síndrome conhecida pelo epônimo Taijin Kyofusho6,7.
O aparecimento dos sintomas costuma ocorrer na infância ou início da adolescência8, e o
curso é crônico.
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Classicamente, o TAS tem duas apresentações clínicas típicas: a primeira, envolvendo a
maior parte das relações interpessoais, conhecida como transtorno de ansiedade social tipo
generalizado, e a segunda, cuja ansiedade está mais circunscrita à exposição a situações
mais explícitas de avaliação de habilidades (como apresentações, competições etc.),
conhecida como TAS em situações de desempenho.
A primeira apresentação é caracterizada por ansiedade e medo de receber avaliação
negativa ou ser ridicularizado em situações sociais com pessoas não próximas. Este
apresenta maior história de comportamento inibitório durante a infância, maior agrupamento
familiar do transtorno, além de incidência de até 20% de transtorno de personalidade
esquiva em familiares.
A segunda apresentação, hoje, é apenas um especificador de diagnóstico no DSM-5, sendo
caracterizada por medo em situações específicas, como falar em público, dar uma aula ou
realizar apresentação musical. Esta última apresentação fenomenológica apresenta menor
herdabilidade, início mais tardio, menor impacto funcional e boa resposta ao tratamento com
betabloqueadores5.
Apesar desta diferenciação contemplada pelo especificador no DSM-5, uma análise fatorial
conduzida em amostras comunitárias norte-americanas e canadenses59 resultou em um
modelo de três fatores dimensionais para o TAS: (1) medo de interação social; (2) medo de
observação; e (3) medo de falar em público. Ou seja, parece possível aprofundar ainda
mais algumas características fenomenológicas do transtorno.
Fobia Específica
Transtornos Fóbico- ansiosos
Caracterizam-se por medo excessivo ou inexplicável evocado por determinadas situações
ou objetos (externos ao indivíduo) bem definidos que geralmente não são perigosos.
Situações que apresentam estímulos fóbicos costumam ser evitadas ou enfrentadas com
grande ansiedade. Medos excessivos podem causar comprometimentos funcionais ou
prejudicar o estilo de vida.
Epidemiologia
● São os transtornos de ansiedade mais comuns
● As maiores fobias são de: animais, altura e tempestades
● Afetam cerca de 13% das mulheres e 4% dos homens
● Idade de pico para início das fobias - 20 anos
Causas e fatores de risco:
A causa para os transtornos fóbico-ansiosos permanece desconhecida. Os fatores de risco
para as fobias são:
● Familiar de 1º grau com qualquer tipo de fobia
● Temperamento inibido, traços de neuroticismo
● Experimentar um evento traumático assustador
Manifestações clínicas:
● Sensação de ansiedade incontrolável quando a pessoa é exposta à fonte do medo
● Sentimento de que a fonte desse medo deve ser evitada a todo custo
● Não ser capaz de funcionar adequadamente quando a pessoa é exposta ao gatilho
● Reconhecimento de que o medo é irracional e exagerado, combinado com a incapacidade
de controlar os sentimentos
● Os efeitos físicos da sensação de ansiedade quando a pessoa é exposta ao objeto fóbico
podem incluir: sudorese excessiva, dispneia, taquicardia, tremores, arrepios, sensação de
asfixia, precordialgia, “borboletas no estômago”, boca seca, confusão e desorientação,
náuseas, tontura, cefaleia
● Sentimento de ansiedade que pode ser desencadeado simplesmente por pensar no
objeto da fobia
Diagnóstico diferencial:
● Transtorno do pânico
● Transtorno do estresse pós-traumático
● Transtorno de ansiedade de separação
Diagnóstico:
● Clínico!
● Transtorno (fóbico social, específico ou agorafobia): Quadro clínico normalmente persiste
por pelo menos 6 meses.
3. Discorra sobre os diagnósticos diferenciais dos quadros
ansiosos.
O diagnóstico diferencial dos transtornos de ansiedade envolve a distinção entre transtornos
de ansiedade, outras condições psiquiátricas e outras condições médicas gerais.
A determinação do diagnóstico de um transtorno de ansiedade específico e sua distinção de
outros transtornos psiquiátricos são obtidas por meio de entrevistas com o paciente,
baseando-se nos critérios diagnósticos do DSM-55 ou da CID-10.16 Esse processo inclui
indagações sobre cada uma das características dos sintomas de ansiedade do paciente e
as diferentes situações em que eles ocorrem: se são episódicos ou crônicos, se ocorrem
inesperadamente ou em situações específicas.
Determinar se os sintomas de ansiedade, como ataques de pânico, estão ocorrendo como
manifestações de outros transtornos mentais, como depressão maior ou transtorno bipolar,
também é essencial.5 No entanto, a presença de mais de um transtorno psiquiátrico em um
indivíduo, como a ocorrência simultânea de depressão maior e transtornos de ansiedade, é
muito comum. Portanto, muitas vezes pode ser menos uma questão de obter um
diagnóstico diferencial do que de atribuir uma multiplicidade de diagnósticos e priorizar o
seu tratamento e seguimento para o paciente.
Diferenciar a ansiedade de outras condições médicas gerais ou mentais é fundamental. A
intoxicação por medicamentos (p. ex., o uso de estimulantes) e a abstinência de
substâncias (p. ex., álcool) podem causar sintomas de ansiedade proeminentes. Para
transtornos de ansiedade induzidos por substâncias ou por medicamentos, ataques de
pânico ou ansiedade são proeminentes e se desenvolvem rapidamente após intoxicação ou
retirada da substância. Além disso, a substância ou medicamento podem produzir sintomas
que não são mais bem explicados por outro transtorno de ansiedade e que não ocorrem
somente durante um quadro de delirium.
4. Descreva sobre o tratamento farmacológico dos transtornos
ansiosos.
Os antidepressivos e os benzodiazepínicos são considerados medicamentos
farmacológicos de primeira linha para o tratamento da maioria dos transtornos de
ansiedade, com exceção da fobia específica. Esse fato é baseado em evidências de
eficácia de numerosos ECRs com essas classes de fármacos.
Os antidepressivos mais utilizados para o tratamento dos transtornos de ansiedade são os
inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e os inibidores da recaptação de
serotonina e noradrenalina (IRSNs).47-49 Os ISRSs e os IRSNs demonstraram eficácia
para todos os transtornos de ansiedade, exceto para a fobia específica.
Preditores de respostas individuais que permitiriam uma abordagem mais personalizada
para a farmacoterapia ainda não estão disponíveis.50 Dessa forma, a seleção de uma
terapia farmacológica específica deve basear-se na resposta prévia a determinado
medicamento (no caso do paciente que já havia sido tratado com sucesso), na preferência
do paciente, no perfil de efeitos adversos, na tolerabilidade e na familiaridade do médico
com a droga.
O tratamento com ISRSs ou IRSNs é comumente associado com efeitos adversos,
principalmente nos primeiros 14 dias de tratamento, incluindo aumento do desconforto
gastrintestinal, diarreia, piora da ansiedade no início, alterações sexuais, insônia, dor de
cabeça, entre outros. 48,49
Os benzodiazepínicos são bastante eficazes no tratamento de transtornos de ansiedade.
Sua grande vantagem é que combatem a ansiedade imediatamente, eliminando os
sintomas de forma rápida. No entanto, preocupações com possíveis abusos e dependência
podem limitar o seu uso. Devem ser usados com cautela ou não utilizados em indivíduos
com histórico de abuso de álcool ou outras substâ[Link] adversos associados ao
tratamento com benzodiazepínicos incluem sonolência, tontura e, particularmente em
idosos, aumento do risco de queda.
Outros antidepressivos, como tricíclicos e inibidores da monoaminoxidase, foram
amplamente utilizados no passado para o tratamento de transtornos de ansiedade, mas
seus efeitos adversos e perfis de segurança os tornaram menos populares nos dias atuais.
Entretanto, esses dois grupos são eficazes e têm sua utilidade no arsenal terapêutico
desses transtornos, sobretudo no TP e no TAG. Os inibidores da monoaminoxidase são
particularmente eficazes na fobia social, apesar da cuidadosa restrição dietética de
alimentos que contenham tiramina (queijos, vinhos, embutidos, entre outros) que deve ser
implementada.
Medicamentos anticonvulsivantes que modulam a sinalização do GABA, como gabapentina
e pregabalina, podem ser empregados como terapêuticas para transtornos de ansiedade.
Outros tipos de medicamentos usados no tratamento desses transtornos incluem buspirona
(um ansiolítico não benzodiazepínico) e bloqueadores β-adrenérgicos.
A buspirona é um tratamento eficaz somente para TAG.
Bloqueadores β-adrenérgicos (como propranolol ou atenolol) são eficazes para alguns
indivíduos com TAS do tipo de desempenho (que apresentam ansiedade ao falar ou se
apresentar em público), mas não há evidências apoiando sua eficácia para a ansiedade em
geral.
Os transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes podem ser tratados com ISRSs
ou IRSNs, que geralmente são administrados quando abordagens psicológicas não estão
disponíveis ou não estão funcionando. Mas é necessário cuidado, já que algumas
evidências indicaram aumento das taxas de suicídio com ISRSs nessa população.55
Entretanto, os benefícios do tratamento com ISRSs com monitoramento cuidadoso são
considerados superiores a esse risco.
Mulheres com transtornos de ansiedade durante o período perinatal, inclusive durante a
gravidez e a amamentação, provavelmente devam optar pela TCC. Alguns ISRSs, como a
sertralina, podem ser considerados para uso nessas pacientes quando a TCC não estiver
disponível, mostrar falta de eficácia ou quando a paciente preferir a farmacoterapia,56 ainda
que o impacto da medicação sobre a formação do bebê e os efeitos adversos no recém-
nato durante a amamentação mereçam ser considerados com cuidado durante o
tratamento.
TRATAMENTOS COMBINADOS
Dados de metanálises indicam um benefício da combinação de psicoterapia (sobretudo
TCC) e farmacoterapia em comparação com o uso de farmacoterapia ou psicoterapia
isoladamente em adultos. Algumas evidências, embora limitadas, apoiam a superioridade
do tratamento combinado, por exemplo, o uso de TCC e ISRS para o tratamento de
transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes, embora, para a maioria dos
pacientes, a abordagem seja iniciar um deles e adicionar outro apenas se necessário, seja
por não resposta ou por resposta parcial.57
RESPOSTAS AO TRATAMENTO
A resposta ao tratamento para transtornos de ansiedade é geralmente medida por meio do
autorrelato do paciente e pode ser avaliada por meio de questionários específicos para cada
transtorno.
No caso de as respostas ao tratamento estarem abaixo do ideal e os sintomas persistirem,
apesar de um número adequado de sessões, horário ou dosagem do medicamento,
mudanças de estratégias terapêuticas devem ser consideradas.58 Até o momento, não
existem biomarcadores preditivos para respostas a tratamentos medicamentosos ou
psicoterápicos.
5. Descreva sobre o tratamento NÃO farmacológico dos
transtornos ansiosos.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o principal tratamento psicológico baseado em
evidências para a abordagem de transtornos de ansiedade na infância, na adolescência e
na idade adulta. A TCC é o tratamento psicológico de primeira linha para transtornos de
ansiedade.
A TCC reduz vieses relacionadas à ansiedade para interpretar estímulos ambíguos como
ameaçadores, substitui a prevenção e a segurança de comportamentos por
comportamentos de abordagem e enfrentamento, e reduz os níveis excessivos de excitação
autonômica.
Essa psicoterapia inclui uma ampla variedade de estratégias – como a psicoeducação (ou
seja, o aprendizado e o automonitoramento de pensamentos, sensações físicas e
comportamentos), a reestruturação cognitiva (identificação de erros de pensamento,
substituindo-os) e a exposição sistemática repetida a estímulos temidos (p. ex., dirigir para
lugares desconhecidos ou por meio de exercícios interoceptivos (que abordam o medo de
sintomas corporais de ansiedade) –, além de fornecer diferentes técnicas respiratórias e de
relaxamento.
Psicoterapia
A psicoterapia ou “terapia da conversa” pode ajudar as pessoas com transtornos de
ansiedade. Para ser eficaz, a psicoterapia deve ser direcionada às ansiedades específicas e
adaptada às necessidades.
Terapia de Aceitação e Compromisso
Outra opção de tratamento para alguns transtornos de ansiedade é a terapia de aceitação e
compromisso (ACT). A ACT tem uma abordagem diferente da TCC para pensamentos
negativos. Ele usa estratégias como mindfulness e estabelecimento de metas para reduzir o
desconforto e a ansiedade. Comparado à TCC, o ACT é uma forma mais nova de
tratamento psicoterápico, portanto, menos dados estão disponíveis sobre sua eficácia.
6. Identificar e compreender os principais transtornos reativos,
somatoformes e dissociativos.
7. Discorra sobre o fluxo de atendimento psiquiátrico.
A Política Nacional de Saúde Mental tem como objetivo principal criar um modelo de
atenção à saúde mental que seja aberto, acessível e comunitário. A reforma
psiquiátrica foi um passo importante nesse processo, buscando a desospitalização e
a reintegração social das pessoas com transtornos mentais. A Portaria 3088/2011
estabeleceu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que define diretrizes para o
atendimento de pessoas com transtornos mentais ou dependência química no
Sistema Único de Saúde (SUS). Essas diretrizes incluem estratégias de
desinstitucionalização, com o objetivo de garantir a circulação livre das pessoas
pelos serviços de saúde, comunidade e território.
A rede é composta por serviços e equipamentos variados como: os Centros de
Atenção Psicossocial (CAPS) em suas diversas tipologias e portes; os Serviços
Residenciais Terapêuticos (SRT); os ambulatórios multiprofissionais, os Centros de
Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento (UAs), os leitos de saúde
mental nos hospitais gerais, leitos de psiquiatria nos hospitais especializados e nos
hospitais-dia atenção integral.
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são serviços de referência no
tratamento em saúde mental, que oferecem assistência ampliada a pessoas em
sofrimento psíquico intenso. Eles fornecem cuidado clínico diário e individualizado
por meio de diferentes ações com o apoio de uma equipe multidisciplinar. Buscam
reinserção social, acesso a trabalho, lazer, moradia e direitos civis. Financiados por
recursos do Ministério da Saúde, consideram singularidade e cultura de cada
indivíduo, com o objetivo de garantir cuidado em liberdade, cidadania, autonomia e
inclusão social.
Caps I: Atendimento a todas as faixas etárias, para transtornos mentais graves e
persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou
regiões com pelo menos 15 mil habitantes.
Caps II: Atendimento a todas as faixas etárias, para transtornos mentais graves e
persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou
regiões com pelo menos 70 mil habitantes.
Caps i: Atendimento a crianças e adolescentes, para transtornos mentais graves e
persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou
regiões com pelo menos 70 mil habitantes.
Caps AD: Álcool e Drogas: Atendimento a todas faixas etárias, especializado em
transtornos pelo uso de álcool e outras drogas, atende cidades e ou regiões com
pelo menos 70 mil habitantes.
- Caps AD III: Álcool e Drogas: Atendimento com de 8 a 12 vagas de acolhimento
noturno e observação; funcionamento 24h; todas faixas etárias; transtornos pelo uso
de álcool e outras drogas; atende cidades e ou regiões com pelo menos 150 mil
habitantes.
- Caps AD IV: Atendimento a pessoas com quadros graves e intenso sofrimento
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Sua implantação deve ser
planejada junto a cenas de uso em municípios com mais de 500.000 habitantes e
capitais de estado, de forma a maximizar a assistência a essa parcela da população.
Tem como objetivos atender pessoas de todas as faixas etárias; proporcionar
serviços de atenção contínua, com funcionamento 24h, incluindo feriados e fins de
semana; e ofertar assistência a urgências e emergências, contando com leitos de
observação.
Caps III: Atendimento com até 5 vagas de acolhimento noturno e observação; todas
faixas etárias; transtornos mentais graves e persistentes inclusive pelo uso de
substâncias psicoativas; atende cidades e ou regiões com pelo menos 150 mil
habitantes.
Serviço Residencial Terapêutico (SRT)
Essas, também chamadas de residências terapêuticas, são casas custeadas pelo
poder público para cuidar de egressos de hospitais psiquiátricos, que não possuem
suporte social e laços familiares. Visa o resgate da autonomia, inserção social,
aumento do poder de contratualidade e retomada de direitos. Em todo o território
nacional existem mais de 700 residências terapêuticas.
Centros de Convivência e Cultura (CECO)
São unidades públicas, onde são oferecidos à população em geral espaços de
sociabilidade, produção e intervenção na cultura e na cidade.
Programa de volta para casa
Regulamenta auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes de longas
internações psiquiátricas. São meios de reinserção das pessoas que ficaram anos
internadas no manicômios e foram reintegradas à sociedade ou às suas famílias.
CAPS I
● Atende todas as faixas etárias
● Horário comercial
● Prioritariamente
● Sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes
● Inclusive relacionada ao uso de psicoativos
● Indicação
● População acima de 15 mil
● Equipe mínima
o 1 médico com formação em saúde mental
o 1 enfermeiro
o 3 profissionais de nível universitário
o 4 de nível médio
CAPS II
● Atende mesmo público do CAPS I
● Horário comercial
● Indicação
● Acima de 70 mil habitantes
● Equipe mínima
o 1 médico com formação em saúde mental
o 1 enfermeiro com formação em saúde mental
o 4 profissionais de nível universitário
o 6 de nível médio
CAPS III
● Atende mesmo público do CAPS I
● Serviços de atenção contínua
● Funcionamento 24h
● Inclusive feriados e finais de semana
● Acolhimento noturno
● Indicação
● Acima de 150 mil
● Equipe mínimo
o 2 psiquiatras
o 1 enfermeiro com formação em saúde mental
o 5 profissionais de nível universitário
o 8 de nível médio
o Profissionais de nível universitário entre as seguintes categorias: psicólogo,
assistente social, terapeuta ocupacional, pedagogo, educador físico ou outro
profissional necessário ao projeto terapêutico Profissionais de nível médio
entre as seguintes categorias: técnico e/ou auxiliar de Enfermagem, técnico
administrativo, técnico educacional e artesão
CAPS – ad (álcool e drogas)
● Atende pacientes com sofrimento psíquico decorrente do uso de crack, álcool e
outras drogas.
● Indicação.
● Acima de 70 mil.
● Equipe mínima.
o 1 psiquiatra.
o 1 enfermeiro com formação em saúde mental.
o 4 profissionais de nível universitário.
o 6 de nível médio.
o Atendimento 24h todos os dias
CAPS- ad III
● Atende adultos, crianças e adolescentes, considerando as normativas do Estatuto da
Criança e do Adolescente, com sofrimento psíquico intenso e necessidades de
cuidados clínicos contínuo.
● Funcionamento 24h, incluindo feriados e fim de semana.
● Máximo de 12 leitos.
● Indicação.
● Acima de 150 mil.
● Equipe mínima.
o 60 horas de profissional médico (psiquiatra, clínico ou com experiência em
saúde mental).
o 1 enfermeiro com formação em saúde mental.
o 5 profissionais de nível universitário.
o 4 técnicos em enfermagem.
o 5 de nível médio
CAPS – i (infantil)
● Atende crianças e adolescentes que apresentam prioritariamente sofrimento
psíquico por transtornos mentais graves e persistentes, incluindo os relacionados
com psicoativos.
● Horário comercial.
● Indicativo.
● Acima de 70 mil.
● Equipe mínima
o 1 psiquiatra, neurologista ou pediatra com formação em saúde mental.
o 1 enfermeiro.
o 4 profissionais de nível universitário.
o 5 de nível médio
8. MINTI.
Exames de Imagem em Psiquiatria 2 – transtornos do espectro ansioso
Usualmente, os diagnósticos em psiquiatria não dependem de exames diagnósticos
por imagem, mas da satisfação de critérios clínicos listados do DSM.
A utilização de recursos de imagem ganha importância especial quando a história
clínica relaciona o aparecimento de sintomas com traumas, alterações clínicas sistêmicas
ou sinais clínicos ou neurológicos que levem à necessidade de exclusão de doença
orgânica como etiologia para os quadros ou manifestações comportamentais.
Estudos estruturais – por exemplo, imagens de tomografia computadorizada (TC) e
de ressonância magnética (RM) – mostram ocasionalmente aumento no tamanho dos
ventrículos cerebrais. Em um estudo, o aumento foi correlacionado à duração do tempo
em que os pacientes estiveram usando benzodiazepínicos. Em um estudo com RM, foi
observado um defeito específico no lobo temporal direito em pacientes com transtorno de
pânico.
Vários outros estudos de imagens cerebrais relataram achados anormais no
hemisfério direito, mas não no esquerdo; isso sugere que alguns tipos de assimetrias
cerebrais podem ser importantes para o desenvolvimento de sintomas de transtorno de
ansiedade em pacientes específicos.
Estudos de imagens cerebrais funcionais (IRMf) – por exemplo, tomografia por
emissão de pósitrons (PET), tomografia por emissão de fóton único (SPECT) e
eletrencefalografia (EEG) – de pacientes com transtornos de ansiedade relataram, de forma
variável, anormalidades no córtex frontal, em áreas occipitais e temporais e, em um
estudo sobre transtorno de pânico, no giro para-hipocampal. Vários estudos de
neuroimagens funcionais implicaram o núcleo caudado na fisiopatologia do TOC.
No transtorno de estresse pós-traumático, estudos de IRMf encontraram atividade
aumentada na amígdala, uma região cerebral associada com medo.
Sadock, Benjamin J. Compêndio de psiquiatria : ciência do comportamento e psiquiatria
clínica [recurso eletrônico] / Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock, Pedro Ruiz ; tradução:
Marcelo de Abreu Almeida ... [et al.]; revisão técnica: Gustavo Schestatsky... [et al.] – 11.
ed. – Porto Alegre : Artmed, 2017
ANOTAÇÕES:
● Ansiedade → caracterizado por sentimentos de preocupação e medo
excessivos que causam um prejuízo sócio-econômico relevante;
● Fatores de risco: sexo feminino; baixa escolaridade; história familiar de
depressão; raça branca; abuso sexual na infância; número de experiências
traumáticas até os 21 anos; ambiente familiar conturbado e baixa autoestima,
fatores sócio-econômicos, vulnerabilidade social;
● Epidemiologia: 1:4, predomina no sexo feminino e é mais comum na
adolescencia e jovens adultos;
● Fisiopatologia: tem como princípio a ativação da resposta ao sistema de “luta
ou fuga”, com ativação do sistema simpático e também autonômicas,
neuroendócrinas, cognitivas e motoras;
● O núcleo central da tonsila capta a entrada glutamatérgica excitatória de várias
áreas corticais e do tálamo e em resposta a tonsila projeta para muitas regiões
do cérebro dos sistemas monoaminérgicos que desencadeiam manifestações
clínicas comuns de ansiedade através da produção de cortisol, norepinefrina e
epinefrina pelas supra renais;
● Os neurotransmissores que participam da modulação e regulação do sistema
defensivo são a noradrenalina, epinefrina, dopamina, serotonina, ácido gama-
aminobutírico (GABA) e peptídeos que atuam como fator de liberação de
corticotropina;
● O GABA exerce função inibitória sobre os neurônios serotoninérgicos cuja
função é controlar o sistema nervoso central garantindo seu funcionamento
moderado;
● Quadro clínico: apresentam um ou mais sintomas somáticos da ansiedade
presentes por conta da atuação dos neurotransmissores nos diversos órgãos
do organismo;
● Cardiorrespiratório: palpitações, dispnéia, dores no peito, taquicardia,
sensação de sufocamento, desconforto respiratório, hipertensão, bradicardia;
● Gastrointestinais: dispepsia, náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dores
abdominais, inchaço;
● Geniturinária: oligúria, urgência miccional;
● Neurológicas/autonômicas: sudorese, ondas de calor ou de frio, tonturas, pré
síncope, síncope, parestesias, tremores, dores de cabeça, hipervigilância;
● Diagnóstico: inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele,
fatigabilidade, dificuldade de concentrar-se ou sensações de “branco” na
mente, irritabilidade, tensão muscular ou perturbação do sono, três ou mais
destes na maioria dos dias nos últimos 6 meses;
● Tais perturbações não devem ser explicadas por efeitos fisiológicos de uma
substância ou por outro transtorno mental;
● Diagnósticos diferenciais: crise tireotóxica, outras tireoidopatias, problemas
cardiorrespiratórios, sífilis (neurosífilis), HIV, problemas gastrointestinais,
hipovitaminoses, hipoglicemia, ;
● *Importante descartar causas orgânicas!;
● Espectros dos transtornos de ansiedade: Transtorno de ansiedade de
separação, Mutismo seletivo, Fobias específica, Fobia Social, Transtorno do
pânico, Transtorno de ansiedade generalizada;
Espectro Característica Epidemiologia Quadro clínico Diagnóstico
ansioso principal
Ansiedade e
preocupação
Medo, preocupação, excessivas na
Ansiedade e insônia, taquicardia, maioria dos dias
TAG preocupação Mulheres, início palpitações, sudorese, por pelo menos
excessivas acerca de da adolescência. desconforto abdominal, 6 meses em
tudo. irritabilidade, dispnéia. diversos eventos
ou atividades
associado a três
ou mais dos
sintomas físicos.
Ataques de pânico:
períodos súbitos de
medo intenso, Pelo menos um
desconforto ou dos ataques foi
Ataques de pânico sensação de perda de seguido de um
Síndrome do recorrentes e Mulheres. controle acompanhado mês com os
pânico inesperados de outros sintomas sintomas e medo
físicos, mesmo quando ou apreensão de
não há perigo ou novos ataques.
gatilhos claros
(duração de no
máximo 30min com
pico de 10min).
*Nem todo ataque de
pânico desencadeia
síndrome do pânico
Medo ou ansiedade Medo de 2 ou
marcantes acerca de mais das
duas ou mais de: uso Medo ou ansiedade situações
de transporte marcantes quando descritas
públicos, permanecer Mulheres, exposto às situações (transporte
Agorafobia em espaços abertos adultos. de gatilho, públicos,
ou fechados, sair de principalmente permanecer em
casa sozinho ou relacionados à espaços abertos
permanecer em fila sensação de não ou fechados, sair
ou multidões. receber ajuda. de casa sozinho
ou permanecer
em fila ou
multidões).
Presença de Ambos os sexos, Pensamentos Obsessões e/ou
pensamentos início da vida obsessivos e compulsões
TOC obsessivos e/ou adulta (raro após comportamentos consomem pelo
comportamentos os 50), genética, compulsivos menos uma hora
compulsivos. histórico familiar. compensatórios. por dia, tiques,
insight.
Medo ou ansiedade Medo e
acentuada acerca de Sintomas de ansiedade por
uma ou mais Mulheres, ansiedade que derivam uma interação
Fobia social situações sociais em indivíduos de 5 a do medo de uma social em
que o indivíduo é 35 anos. avaliação negativa dos potencial,
exposto a possível outros. evitação há pelo
avaliação por outras menos 6 meses.
pessoas.
Anamnese →
Medo ou ansiedade Medo, ansiedade ou medo por
Fobia acentuada acerca de Mulheres, maior evitação relacionado a objeto ou
específica um objeto ou situação início da infância. objetos ou situações situação
específicos. específicas. específica
persistente por
mais de 6
meses.
*Em todos os casos, deve-se excluir causas orgânicas, medicamentosas ou uso de
drogas ilícitas.
● Tratamento dos transtornos de ansiedade → o tratamento dos
transtornos de ansiedade são múltiplos e podem ser classificados
em farmacológicos ou não farmacológicos;
● As classes mais comuns de medicamentos usados para combater
transtornos de ansiedade são antidepressivos, medicamentos anti-ansiedade
(como benzodiazepínicos), anticonvulsivantes e betabloqueadores;
Classe medicamentosa Indicação Representantes Reações adversas
Escitalopram, Aumento do desconforto
Inibidores seletivos de Primeira escolha para fluvoxamina, gastrintestinal, diarreia,
recaptação de maioria dos espectros sertralina, piora da ansiedade no
serotonina (ISRS) ansiosos. paroxetina. início, alterações sexuais,
insônia, dor de cabeça.
Inibidores de Também uma das Venlafaxina,
recaptação de primeiras escolhas para duloxetina, Assemelham-se aos ISRS.
serotonina e espectros ansiosos, com levomionaciprana,
noradrenalina (IRSN) menas reações desduloxetina.
adversas.
Mais utilizados em Clonazepam, Sonolência, tontura e,
Benzodiazepínicos crises, associados com bromazepam, particularmente em idosos,
(BZD) antidepressivos. alprazolam. aumento do risco de
queda, dependência.
Mãos e pés frios, fadiga,
Aliviar sintomas físicos Propranolol, ganho de peso, depressão,
Betabloqueadores desencadeados pela atenolol. falta de ar e distúrbios do
ansiedade. sono (dificuldade para
dormir ou insônia),
bradicardia.
Sonolência, tontura, ganho
de peso e dor de cabeça,
Modulam a sinalização Gabapentina, náuseas, vômito,
do GABA, suavizando os pregabalina. constipação, dor de
Anticonvulsivantes sintomas ansiosos e cabeça, tontura, insônia,
sintomas de dor fadiga, visão dupla, tremor,
(tensões musculares). alterações do ciclo
menstrual e alterações na
pele.
● Tratamento não farmacológico → psicoterapia, terapia
comportamental, terapia de aceitação e compromisso, terapia de
choque (eletroconvulsoterapia);
● Transtornos dissociativos → descontinuidade da integração da
consciência, memória, identidade, emoção, percepção,
representação corporal, controle motor ou comportamento;
● Está presente em situações de anormalidades porém é considerada
patológica quando acarreta sofrimento significativo e perda da funcionalidade
nos campos pessoal, familiar ou profissional;
● Experiências traumáticas costumam preceder os sintomas, mas não são
absolutamente necessárias para que ocorram dissociações;
● Há três transtornos principais: transtorno dissociativo de identidade, amnésia
dissociativa e transtorno de despersonalização/desrealização;
● Transtorno dissociativo de identidade: ruptura da identidade
caracterizada pela presença de dois ou mais estados de
personalidade distintos (em algumas culturas → possessão);
● A ruptura na identidade envolve descontinuidade acentuado no senso de si
mesmo e de domínio das próprias ações, acompanhada por alterações
relacionadas no afeto, no comportamento, na consciência, na memória, na
percepção, na cognição e/ou no funcionamento sensório-motor;
● Amnésia dissociativa: incapacidade de recordar informações autobiográficas
importantes, geralmente de natureza traumática ou estressante, incompatível
com o esquecimento normal;
● Transtorno de despersonalização/desrealização: Presença de experiências
persistentes ou recorrentes de despersonalização, desrealização ou ambas;
● Despersonalização: experiências de irrealidade, distanciamento ou de ser um
observador externo dos próprios pensamentos, sentimentos, sensações,
corpo ou ações (p. ex., alterações da percepção, sendo distorcido do tempo,
sensação de irrealidade ou senso de si mesmo irreal ou ausente, anestesia
emocional e/ou física);
● Desrealização: experiências de irrealidade ou distanciamento em relação ao
ambiente ao redor (p. ex., indivíduos ou objetos são vivenciados como irreais,
oníricos, nebulosos, inertes ou visualmente distorcidos);
●
● *MINTI: