ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
MODELOS TEÓRICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – BUROCRACIA
Os modelos de administração pública surgem em resposta às mudanças da relação do
Estado com a sociedade. A evolução dos contextos políticos, por exemplo, ocasiona novos
arranjos para o Estado, o que traz a necessidade de modelos de administração pública que
supram as demandas mais atuais do Estado.
Obs.: A abordagem sobre a necessidade de novos modelos de administração pública pode
ser questão de prova.
MODELOS TEÓRICOS
Patrimonialista
• Absolutista
Marcado pela impossibilidade de separar o patrimônio público do privado, pois os monar-
cas detinham tanto as propriedades públicas quanto as privadas.
Burocrático
• Liberal;
• Democrático.
Surge em resposta ao modelo patrimonialista, na segunda metade do século XIX, e
também em resposta à evolução do Estado, que deixa de ser absolutista para se tornar liberal.
Gerencial (NGP)
• Democrático social.
Novos direitos sociais que acarretam novas obrigações ao Estado, que ganha complexidade.
5m
Em suma, no modelo patrimonialista não existem cidadãos. No Burocrático, há direitos
civis e políticos; no Gerencial surgem os direitos sociais.
ANOTAÇÕES
[Link] 1
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
BUROCRACIA
• Surge na segunda metade do século XIX, na época do Estado liberal, como forma de
combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista.
Além disso, também havia a ideia de combater a ineficiência. O Patrimonialismo absorvia
os recursos da sociedade sem devolver benefícios em bens e serviços.
• Parte-se de uma desconfiança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos.
A ideia é que são necessárias regras para o controle e sistemas administrativos para
garantir que essas regras sejam cumpridas.
• Os controles administrativos visando evitar a corrupção e o nepotismo são sempre a
priori. São sempre necessários controles rígidos dos processos (exemplo: admissão
de pessoal, compras).
– Isso faz sentido porque o modelo Burocrático surge justamente para combater os
abusos Patrimonialistas, razão que justifica a grande desconfiança.
• O controle transforma-se na própria razão de ser do funcionário. O Estado volta-se
para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica, que é servir à sociedade.
Com isso surge o grande defeito da Burocracia.
10m
A qualidade fundamental da administração pública burocrática é a efetividade no controle
dos abusos.
• Defeitos: ineficiência, auto-referência, incapacidade de voltar-se para o serviço
aos cidadãos.
Estes defeitos não foram determinantes na época do surgimento da administração
pública burocrática porque os serviços do Estado eram muito reduzidos. O Estado limitava-
-se a manter a ordem e administrar a justiça, a garantir os contratos e a propriedade. (Bres-
ser-Pereira)
ANOTAÇÕES
[Link] 2
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
Características
• 1. Caráter legal (normas);
• 2. Caráter racional;
– Diz respeito a uma racionalidade instrumental. Se são necessários, por exemplo, 10
indivíduos com determinada qualificação para realizar o serviço X, assim será feito,
pois esse é o meio para alcançar o resultado. A contratação de 20 pessoas sem a deter-
minada qualificação está desprendida do resultado que é almejado, logo, considera-se
desperdício. Modelo racional legal.
• 3. Comunicação formal;
– Quase sempre por escrito.
• 4. Impessoalidade;
– Mesmos direitos para todos.
• 5. Valorização da hierarquia;
• 6. Autoridade formal;
– O indivíduo, em qualquer posição, possui autoridade em razão de seu cargo, e não
por características pessoais do sujeito. Ao deixar o cargo, perde a sua autoridade.
15m
• 7. Separação entre Política e Administração;
– Assim, a política é feita pelos governantes e a administração pela Burocracia, logo,
não cabe a ela tomar decisões, apenas seguir os ordenamentos da política. Pre-
valece a ética da obediência, na qual o burocrata somente cumpre ordens; caso
algo dê errado, a culpa não será dele. É uma forma paternalista, na qual o servidor
público não possui autonomia.
• 8. Padronização de procedimentos;
• 9. Meritocracia;
– Ou seja, irá ascender na carreira pelo mérito de bom desempenho, por exemplo.
• 10. Valorização da qualificação técnica;
– Significava, na época, ser especializado em determinado assunto.
ANOTAÇÕES
[Link] 3
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
• 11. Especialização;
• 12. Profissionalização dos indivíduos;
– A administração pública deve ser a única ou a principal fonte de renda do indivíduo.
• 13. Previsibilidade dos comportamentos.
– Nessa perspectiva, o fato de se seguir as normas, padronização de procedimentos
e hierarquia, levaria a uma padronização dos comportamentos dos sujeitos, logo, há
previsibilidade dos comportamentos.
Vantagens
Atualmente, tende-se a pensar na Burocracia pelos seus defeitos. O termo se tornou até
20m
mesmo sinônimo de ineficiência e excesso de “papelada”. Por esse prisma, pensar em van-
tagens deve partir de dois entendimentos: primeiro, são teóricas, e segundo, são vantagens
quando o modelo Burocrático é comparado com o Patrimonialista.
• 1. Redução de custos e erros;
– Pessoas qualificadas, padronização de procedimentos e comunicação formal.
• 2. Comunicação eficiente;
– Menos riscos de ruídos atrapalhando.
• 3. Decisões rápidas;
– Serão seguidas as leis, as normas e os regulamentos.
• 4. Minimização de atritos;
– Devido à comunicação formal e aos papéis bem definidos.
• 5. Estabilidade e confiabilidade;
– Em tese, para os servidores públicos e a sociedade.
• 6. Benefícios para os trabalhadores;
• 7. Eficiência da organização no alcance de seus objetivos.
ANOTAÇÕES
[Link] 4
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
Disfunções
• 1. Internalização das regras;
– Ocorre a situação de seguir as regras mesmo quando elas não fazem mais sentido,
além de uma despreocupação em aprimorá-las.
• 2. Excesso de formalismo e de conformidade às normas;
– Gera uma série de custos excessivos para o funcionamento do Estado.
• 3. Resistência a mudanças;
• 4. Despersonalização dos relacionamentos;
– Seja dentro da organização ou na própria sociedade, sendo que o cidadão passa a
ser somente um número associado a um processo.
• 5. Valorização excessiva da autoridade;
• 6. Despreocupação com os resultados;
– O funcionamento acaba sendo guiado como se a Burocracia fosse um fim
em si mesma.
• 7. Perda da capacidade de inovação.
DIRETO DO CONCURSO
25m
1. (CESPE/CEBRASPE/MDS/ATIVIDADE TÉCNICA COMPLEXIDADE INTELEC-
TUAL/2008) A organização burocrática é embasada no modelo racional-legal de admi-
nistração, exclusiva da área pública, sendo caracterizada pela racionalidade decorrente
da objetividade das normas de julgamento; pela impessoalidade, que se revela nos
métodos objetivos de selecionar e promover funcionários; e pelo grau de previsibilidade
que proporciona aos dirigentes públicos.
COMENTÁRIO
Também se teve organizações privadas se estruturando dentro da lógica Burocrata.
ANOTAÇÕES
[Link] 5
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
BUROCRACIA
A Burocracia existe, historicamente, como modelo de organização, muito antes do capi-
talismo. Contudo, é com o capitalismo, na visão de Weber, que ela se torna absolutamente
necessária.
O modelo de administração pública burocrática é comumente citado como modelo buro-
crático weberiano, pois foi Max Weber o primeiro a descrever uma estrutura burocrática em
sua forma típica ideal. (Bresser-Pereira)
DIRETO DO CONCURSO
2. (CESPE/2011/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/AUDITORIA
GOVERNAMENTAL/ESPECÍFICOS) O modelo burocrático de administração separa o
político e o administrativo.
COMENTÁRIO
7. Separação entre Política e Administração
Assim, política é feita pelos governantes e administração pela Burocracia, logo, não cabe
a ela tomar decisões, apenas seguir os ordenamentos da política. Prevalece a ética da
obediência, na qual o burocrata somente cumpre ordens; caso algo dê errado, a culpa não
30m
será dele. É uma forma paternalista, na qual o servidor público não possui autonomia.
Declínio
• Desafios mundiais a partir de 1970;
• Crise do Estado: crise fiscal e enfraquecimento do poder estatal frente à globalização;
• Transformações tecnológicas e produtivas que exigem um Estado mais ágil e eficiente;
– Ou seja, sociedade observa essas transformações tecnológicas na iniciativa privada
e passa a solicitá-las na esfera pública também.
• Mudanças sociais e culturais aumentaram as demandas por direitos e novas políti-
cas estatais;
– A demanda por direitos sociais.
ANOTAÇÕES
[Link] 6
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Modelos Teóricos da Administração Pública – Burocracia
Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@[Link]
• Democratização e ampliação da esfera pública, aumentando o número de atores
sociais relevantes (ABRUCIO);
– Exige uma administração pública menos centralizada e fechada, ou seja, mais aberta
e participativa.
GABARITO
1. E
2. C
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Online, de acordo com a aula prepa-
rada e ministrada pelo professor Leonardo Albernaz.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
ANOTAÇÕES
[Link] 7