1.
Fale dos problemas ambientais e a sua respetiva evolução
Problemas ambientais
Os problemas ambientais são alterações negativas no ambiente provocadas direta ou indiretamente
pelas atividades humanas, que afetam o equilíbrio ecológico e comprometem a qualidade de vida dos
seres vivos. Entre os principais problemas ambientais destacam-se:
Poluição do ar, da água e dos solos, causada pela emissão de substâncias tóxicas e resíduos industriais;
Degradação dos ecossistemas e perda de biodiversidade;
Desmatamento e desertificação de áreas florestais;
Alterações climáticas, resultantes do aumento dos gases de efeito estufa;
Gestão insustentável dos recursos naturais, como a água, os solos e os combustíveis fósseis (Ombe et al.,
s.d.).
Além disso, há problemas como a ocupação desordenada do solo, a produção excessiva de resíduos e os
riscos associados a desastres naturais, cuja frequência e intensidade aumentaram devido às ações
antrópicas.
evolução
A evolução dos problemas ambientais acompanha a forma como o ser humano tem explorado e
interagido com a natureza. Nas sociedades primitivas, essa relação era de equilíbrio, baseada no uso
moderado dos recursos naturais. Contudo, com a Revolução Industrial, iniciada nos séculos XVIII e XIX,
intensificou-se o consumo de recursos naturais, especialmente os não renováveis, como os minérios e os
combustíveis fósseis. Este período marcou o início de uma série de impactos ambientais em larga escala,
com destaque para a poluição, a degradação do solo e o esgotamento de recursos hídricos (Ombe et al.,
s.d.).
A partir da segunda metade do século XX, particularmente após a Segunda Guerra Mundial, assistiu-se
ao agravamento dos impactos ambientais devido à industrialização acelerada e ao crescimento urbano
desordenado. Um marco importante foi o “smog” de Londres em 1952, considerado um dos primeiros
grandes desastres ambientais modernos. A publicação do relatório “Os Limites do Crescimento”, em
1972, por um grupo de investigadores do MIT para o Clube de Roma, alertou para a insustentabilidade
do modelo económico vigente, ao prever o colapso dos sistemas naturais se mantido o ritmo de
crescimento populacional e industrial (Ombe et al., s.d.).
2. Caracteriza os respetivos estudos ambientais
Os estudos ambientais são caracterizados por uma abordagem interdisciplinar, integrando ciências
naturais (biologia, geologia, física, química) e sociais (sociologia, política, economia, ética). Têm como
objetivo compreender o funcionamento do sistema Terra, avaliar os impactos das atividades humanas
sobre o ambiente e propor estratégias de intervenção sustentáveis (Barbieri, 2023).
Estes estudos envolvem conceitos como ecossistema, biodiversidade, sustentabilidade, e utilizam
instrumentos como a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que
permitem analisar, de forma científica, os efeitos de atividades humanas sobre o meio (Ombe et al., s.d.).
Adicionalmente, valorizam-se também os conhecimentos tradicionais locais e as perceções sociais sobre
o ambiente, como demonstrado no estudo de Amaral (2018), realizado em Machanga, Moçambique.
3. Estabeleça a relação dos estudos ambientais com outras ciências
As Ciências Ambientais surgem como resposta aos grandes problemas ambientais globais, especialmente
a partir da década de 1960, quando se acentuaram os impactos negativos do modelo de
desenvolvimento pós-Revolução Industrial. Questões como a poluição do ar, da água e do solo, o
crescimento urbano desordenado e os desafios relacionados à qualidade de vida exigiram uma
abordagem científica abrangente e integrada.
Dada a complexidade dos fenómenos ambientais, estas ciências têm natureza interdisciplinar, integrando
conhecimentos de várias áreas. A interdisciplinaridade torna-se, assim, uma atitude metodológica
essencial na construção de soluções para os problemas ambientais.
A relação com outras ciências ocorre da seguinte forma:
Biologia: contribui para compreender a interação entre organismos vivos e o meio; o biólogo e o
ambientalista colaboram para analisar como o ambiente influencia a evolução das espécies.
Antropologia: ajuda a perceber como os hábitos culturais e crenças humanas impactam o ambiente; o
ambientalista consulta o antropólogo para compreender práticas locais que afetam a natureza.
História: oferece uma visão da transformação ambiental ao longo do tempo; revoluções como a
industrial e a tecnológica estão ligadas à degradação ambiental.
Economia: destaca a necessidade de conciliar crescimento económico com preservação ambiental,
alertando para os riscos de esgotamento de recursos naturais.
Climatologia: fornece dados sobre o clima e ajuda a explicar fenómenos como o aquecimento global e as
mudanças climáticas.
Química: estuda os efeitos de substâncias químicas no ar, na água e no solo, sendo essencial para
entender a poluição e as suas consequências.
Ética, para refletir sobre os valores e responsabilidades humanas em relação à natureza (Barbieri, 2023;
Ombe et al., s.d.).
Amaral (2018) reforça essa interdisciplinaridade ao empregar a fenomenologia de Alfred Schütz na
análise das perceções sociais do risco ambiental, demonstrando a importância da subjetividade e do
saber local na construção de estratégias de adaptação às mudanças ambientais.
Referências (norma APA 6.ª edição)
Amaral, G. A. do. (2018). Mudanças ambientais, percepções de risco e estratégia de adaptação aos
eventos extremos em Moçambique: Estudo de caso em Machanga (Tese de Doutoramento).
Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
Barbieri, J. C. (2023). Gestão ambiental empresarial: Conceitos, modelos e instrumentos (5.ª ed.). São
Paulo: SaraivaUni.
Ombe, et al. (s.d.). Texto de apoio 1: Conceitos ambientais e tipologia da evolução dos estudos
ambientais. Universidade Pedagógica.