Manejo Nutricional do Cafeeiro em Rondônia
Manejo Nutricional do Cafeeiro em Rondônia
Introdução
A produtividade dos cafezais em Rondônia sempre foi baixa. Entretanto, atualmente, está
ocorrendo um processo de modernização da cafeicultura no qual estão sendo empregadas
novas tecnologias para o aumento da produtividade. Estas tecnologias incluem o uso de
compatível com o cultivo clonal. Dentre os fatores inerentes ao manejo, que contribuem
para altas produtividades, destaca-se o manejo adequado dos fatores edáficos,
especialmente aqueles relacionados com a nutrição e adubação do cafeeiro (MARCOLAN
et al., 2009).
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Amostragem do solo
A amostragem de solo para a formação do cafezal deve ser feita, preferencialmente, de
três a seis meses antes do preparo do solo para o plantio. Inicialmente, é feita a seleção
de áreas homogêneas quanto ao relevo (espigão ou chapada, encosta e baixada), à
textura do solo (argilosa, média e arenosa), à coloração do solo (avermelhado, amarelado
etc.) e ao histórico da área (tipo e tempo de cultivo) (Figura 1). Posteriormente, procede-
se a coleta de 15 a 20 amostras simples em cada área homogênea que se pretende avaliar
a fertilidade do solo, nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm, retirando-se o mesmo
volume para cada amostra simples e colocando o solo em recipiente limpo, como por
exemplo, um balde de plástico.
Figura 1. Exemplo de separação de glebas homogêneas para coleta de amostras de solo. Região de Alta
Floresta do Oeste, RO.
A acidez do solo promove aumento da atividade de íons alumínio (Al 3+) e também sua
disponibilidade no complexo de troca do solo. Além do Al3+ ser absorvido pelas raízes
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das plantas, o que provoca toxidez, evita que as bases trocáveis como íons Ca 2+, Mg2+
e K+ ocupem o complexo de troca, provocando lixiviação e perda desses nutrientes por
ocasião de adubações.
Outro problema em solos com baixo pH é que pode haver aumento na disponibilidade de
manganês (Mn2+), que também é tóxico em doses elevadas, sendo requerido pelos
vegetais apenas em pequenas quantidades. A toxidez que pode ser provocada por
alumínio e manganês influencia negativamente o crescimento, o desenvolvimento e,
consequentemente, a produtividade dos cafezais. Portanto, a elevação do pH de solos
ácidos pela prática da calagem é fundamental para se obter índices de produtividade
satisfatórios. A quantidade de calcário a ser aplicada ao solo é determinada com base nos
resultados da análise do solo.
Em que:
A aplicação de calcário deve ser realizada em área total onde será implantado o cafezal.
O calcário deve ser distribuído uniformemente na superfície do terreno e incorporado na
camada de 0-20 cm do solo, preferencialmente dois meses antes do plantio, conforme
determinado pela necessidade de calcário (NC).
É importante destacar que devido aos solos do Estado, de maneira geral, apresentarem
baixos teores de magnésio, recomenda-se a utilização de calcário dolomítico, pois além de
elevar o pH e fornecer cálcio, também é fonte de magnésio para as plantas.
Além da calagem em área total, pode ser realizada também a calagem na cova de
plantio. A quantidade de calcário a ser aplicada na cova deve ser calculada considerando
o volume de solo da cova. Essa aplicação pode ser feita para complementar a calagem
em área total, uma vez que o calcário é distribuído na camada de 0-20 cm e a cova é
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Adubação de plantio
A adubação de plantio é de fundamental importância para o cafeeiro canéfora, pois a
exigência por nutrientes é alta, em virtude do reduzido sistema radicular da muda, no
estádio inicial de desenvolvimento. As quantidades de fósforo, potássio e
micronutrientes, como zinco e boro, recomendadas para o plantio da cultura do café
variam conforme o resultado da análise de solo (Tabela 1).
Tabela 1. Quantidades de fósforo (P2O5), potássio (K2O), boro (B) e zinco (Zn)
recomendadas na implantação da cultura do café, em função dos teores de nutrientes no
solo.
Nutriente/Método Teor de fósforo no solo (mg dm-3)
< 10 10 20 > 20
P (Mehlich-1) --------------- g de P2O5 por cova ---------------
40 30 20
Teor de potássio no solo (mmolc dm-3)
< 1,5 1,5 3,0 > 3,0
K (Mehlich-1) --------------- g de K2O por cova ---------------
20 10 0
-3
Teor de boro no solo (mg dm )
0 0,2 0,21 0,60 > 0,60
B (Água quente) --------------- g de B por cova ---------------
1 0,5 0
Teor de zinco no solo (mg dm-3)
0 0,5 0,6 -1,2 > 1,2
Zn (Mehlich-1) --------------- g de Zn por cova ---------------
2 1 0
Fonte: Veneziano (2000).
são compostos por uma mistura de nutrientes que geralmente incluem nutrientes como
Boro, Cobre, Manganês, Molibdênio e Zinco dentre outros.
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No enchimento das covas para o plantio, além da adubação química, pode-se utilizar
adubação orgânica. A quantidade é recomendada considerando-se o teor de matéria
orgânica do solo (Tabela 2).
Adubação de formação
No primeiro ano, considerando o plantio na época recomendada, outubro a dezembro, após
No segundo ano, recomenda-se fazer mais quatro aplicações a partir do início do período
chuvoso (outubro), com o intervalo de 45 dias entre cada aplicação (Tabela 4).
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A análise química foliar avalia a concentração dos nutrientes nos tecidos foliares. A
interpretação desses resultados (concentrações nutricionais) por diferentes métodos
(faixa de suficiência, nível crítico e DRIS) é utilizada para o diagnóstico do estado
nutricional das plantas.
A adequada avaliação do estado nutricional das plantas depende da correta aplicação das
práticas de coleta e análise dos tecidos que se pretende avaliar, que no caso do café são
as folhas. Para tal, inicialmente deve-se proceder a amostragem de forma representativa,
dividindo a área em talhões uniformes. A divisão pode ser feita pelos atributos do solo,
diferenças de fertilidade previamente conhecidas, e relevo, como também pela idade das
plantas, genótipos, espaçamentos, número de hastes e produtividade esperada.
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Para cada talhão deverão ser coletadas 25 plantas ao acaso, totalizando 100 folhas
por talhão homogêneo (BRAGANÇA et al., 2001), caminhando-se em ziguezague e
evitando-se aquelas com danos mecânicos causados por atrito, doenças e pragas.
-se rendimentos
próximos à máxima eficiência econômica da cultura e, em geral, esse rendimento situa-
se próximo a 90% do rendimento relativo máximo.
Calagem
A aplicação de calcário pode ser realizada de forma manual ou mecanizada (Figura 4),
preferencialmente em área total. A aplicação manual é usual em pequenas propriedades,
onde não se dispõe de mecanização e se utiliza mão de obra familiar para os tratos
culturais. Já, a aplicação mecanizada é utilizada em lavouras maiores onde a aplicação
manual se torna inviável por causa da dificuldade de contratação de mão de obra externa,
demasiadamente onerosa.
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Adubação
A adubação de produção deve ser efetuada com base na análise do solo (teores de
nutrientes no solo) e na produtividade esperada (Tabela 6). A produtividade esperada deve
considerar o potencial genético da cultura (mudas clonadas ou provenientes de sementes);
o manejo (espaçamento, número de plantas por hectare, poda, controle fitossanitário,
irrigação); solo (textura, profundidade); idade das plantas e o clima da região.
Tabela 6. Quantidades de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) recomendadas para a
cultura do café em função da produtividade esperada e do teor de P e K no solo.
Produtividade N(1) P Melich-1 (mg dm-3) K trocável (mmolc dm-3)
esperada <10 10-20 >20 <1,5 1,5-3,0 >3,0
- sacas ha-1 - N (kg ha-1) ------- P2O5 (kg ha-1) ------- -------- K2O (kg ha-1) -------
20 30 150 40 20 0 120 80 40
30 40 180 50 30 0 150 100 50
40 50 210 60 40 20 180 120 60
50 60 240 70 50 30 210 140 70
60 70 270 80 60 40 240 160 80
70 80 300 90 70 50 270 180 90
80 90 330 100 80 60 300 200 100
90 100 360 110 90 70 330 220 110
100 110 390 120 100 80 360 240 120
110 120 420 130 110 90 390 260 130
120 130 450 140 120 100 420 280 140
130 140 480 150 130 110 450 300 150
140 150 510 160 140 120 480 320 160
(1)
As doses de N e K2O devem ser divididas em quatro aplicações durante o período chuvoso.
Fonte: adaptado de Veneziano (2000).
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A aplicação dos adubos deve ser feita sob a projeção da copa dos cafeeiros, pois é onde
se encontra a maior parte das raízes com maior potencial de absorção dos nutrientes.
Recomenda-se parcelar a quantidade de nitrogênio e potássio em quatro vezes (outubro,
dezembro, janeiro e março/abril), durante o período chuvoso, enquanto que os demais
(fósforo e micronutrientes, boro e zinco) devem ser aplicados em uma só vez, durante o
primeiro parcelamento da adubação nitrogenada e potássica.
A área com café irrigado vem crescendo significativamente em Rondônia. Ainda não
existem dados oficiais, que informem com precisão a área total de café que já utiliza
irrigação, seja por aspersão, microaspersão ou gotejamento. A irrigação localizada é a
mais apropriada para a cultura do café, por ser mais eficiente no uso da água e por
possibilitar fazer fertirrigação. Apesar do alto investimento em equipamentos, o produtor
economizará em mão de obra para realizar as adubações, além da maior produtividade
esperada por causa da maior eficiência nutricional do sistema envolvido, especialmente
quando for utilizado o gotejamento.
O produtor que optar por um sistema de irrigação ou fertirrigação tem maior flexibilidade
para mudar o manejo da lavoura. Com estas tecnologias é possível fazer adubação de
crescimento por um período maior durante o ano, pois, na região Amazônica, não há
restrição de crescimento por baixas temperaturas. A adubação de produção em sistemas
irrigados pode ter o seu início antecipado para o final de agosto ou início de setembro e
poderá ser parcelada até pouco antes da fase de maturação dos frutos (março/abril).
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Atenção especial deve ser dada para o ciclo de maturação dos genótipos que estão
sendo cultivados. Genótipos com menor duração do ciclo de maturação dos frutos
apresentam maior velocidade de acúmulo de massa de matéria seca e nutrientes
(PARTELLI et al., 2014) e, por isso, devem receber a adubação de produção dentro
de um período menor que genótipos tardios. Entretanto, os genótipos tardios
(maturação em junho ou julho) podem ter suas adubações parceladas até o final de
maio, dependo do genótipo.
Além do procedimento padrão que envolve análise do solo e de tecido foliar, a diagnose
visual é prática que auxilia o manejo nutricional de lavouras cafeeiras. No entanto, a
utilização desta prática como ferramenta para o manejo nutricional é desaconselhável,
pois, a detecção de deficiência visual de nutrientes nas plantas exige conhecimento,
experiência e indica que o manejo não foi adequado e que as plantas já entraram em
estresse nutricional severo.
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Nitrogênio (N)
A B
Figura 5. Sintomas de deficiência de nitrogênio em C. canephora. Planta com deficiência generalizada de N
(A). Folha deficiente à esquerda e sadia à direita (B).
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Fósforo (P)
A B
Figura 6. Sintomas de deficiência de fósforo em C. canephora. Ramo plagiotrópico apresentando deficiência
de P na parte basal (A). Folha sadia à esquerda e deficiente à direita (B)
Potássio (K)
Inicia-se com clorose nas margens das folhas mais velhas que, com severidade da
deficiência, transforma-se em necrose (Figuras 7A e B). A parte central das folhas é
pouco afetada, entretanto essas folhas são facilmente destacadas, podendo provocar
desfolhamento do cafeeiro que contribui para a má formação dos frutos (frutos
menores e chochos) que proporciona perda de qualidade e redução na produtividade.
Em certos casos, observa-se a morte descendente dos ramos.
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Cálcio (Ca)
O sintoma de deficiência de cálcio inicia com a clorose nas folhas mais novas, nas margens
e evoluindo para o centro, podendo atingir a folha toda. Pode ainda apresentar pequenas
áreas necróticas. Conforme a severidade da deficiência pode ocorrer a morte da gema
terminal e a deformação de folhas recém-lançadas (Figuras 8A e B).
A B
Figura 8. Sintomas de deficiência de cálcio em C. canephora. Clorose das extremidades (A). Deformação das
folhas jovens (B).
Magnésio (Mg)
Foto: Marcelo Curitiba Espindula
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Enxofre (S)
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Zinco (Zn)
Os sintomas de deficiência são redução dos internódios (Figura 14A), roseta de folhas
nas pontas dos ramos (Figura 14B), folhas pequenas, estreitas, de aspecto coriáceo e
quebradiças (Figura 14C); frutos menores e redução na produção.
A C
Figura 14. Sintomas de deficiência de zinco em C. canephora. Encurtamento dos entrenós (A). Estreitamento
de folhas em brotações (B). Folhas maduras pequenas e estreitas após expansão sob condições de
deficiência de zinco (C).
Manganês (Mn)
As plantas com deficiência de manganês apresentam clorose internervural nas folhas
jovens e velhas (Figura 15A, B e C). Este sintoma é facilmente confundível com os
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Considerações finais
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