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Manejo Nutricional do Cafeeiro em Rondônia

O manejo nutricional do cafeeiro em Rondônia é crucial para aumentar a produtividade, que atualmente é inferior à média nacional. A prática de calagem e adubação deve ser baseada em análises de solo para garantir a correção da acidez e a reposição de nutrientes essenciais. A utilização de adubos orgânicos e minerais, juntamente com tecnologias modernas, é recomendada para atender às necessidades nutricionais do cafeeiro canéfora.
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Manejo Nutricional do Cafeeiro em Rondônia

O manejo nutricional do cafeeiro em Rondônia é crucial para aumentar a produtividade, que atualmente é inferior à média nacional. A prática de calagem e adubação deve ser baseada em análises de solo para garantir a correção da acidez e a reposição de nutrientes essenciais. A utilização de adubos orgânicos e minerais, juntamente com tecnologias modernas, é recomendada para atender às necessidades nutricionais do cafeeiro canéfora.
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Manejo nutricional do cafeeiro

Introdução

cafeicultura da região Amazônica está concentrada no Estado de Rondônia,

A onde há o predomínio de cultivo de cafeeiros da espécie Coffea canephora.


Rondônia se destaca como o segundo maior produtor de café desta espécie,
com 11,33% da produção, e como quinto maior produtor de café (Coffea
arabica e Coffea canephora) do Brasil, com 3,26% da produção (CONAB,
2015).

Embora o Estado se destaque como importante produtor de café, a produtividade da


cultura é baixa, 17,18 sacas ha-1, quando comparada com a do Espírito Santo, que
também cultiva café canéfora, porém apresenta produtividade de 35,14 sacas ha-1, e com
a média nacional, 29,54 sacas ha-1. Mesmo quando a comparação não leva em
consideração a diferenciação das espécies (Coffea canephora e Coffea arabica), a
produtividade é inferior à média nacional que é de 23,29 sacas ha-1 (CONAB, 2015).

A produtividade dos cafezais em Rondônia sempre foi baixa. Entretanto, atualmente, está
ocorrendo um processo de modernização da cafeicultura no qual estão sendo empregadas
novas tecnologias para o aumento da produtividade. Estas tecnologias incluem o uso de

compatível com o cultivo clonal. Dentre os fatores inerentes ao manejo, que contribuem
para altas produtividades, destaca-se o manejo adequado dos fatores edáficos,
especialmente aqueles relacionados com a nutrição e adubação do cafeeiro (MARCOLAN
et al., 2009).

As adubações de correção e de manutenção da fertilidade de solos utilizando insumos


minerais feitas por produtores em Rondônia ainda são aquém do ideal. Alguns
produtores aplicam os resíduos do beneficiamento do café (cascas, também conhecidas
como palha) nas linhas de cultivo. Ressalta-se que, atualmente, muitas áreas das
regiões produtoras de café do Estado de Rondônia, estão situadas sobre solos de média
fertilidade, geralmente Latossolos, Argissolos Vermelhos e Vermelho-Amarelos
eutróficos e suas associações. Esses solos, até podem suprir as necessidades
nutricionais no início, mas para a manutenção da produtividade dos cafezais, será
necessário repor os nutrientes exportados da lavoura, por meio dos frutos, e aqueles
demandados para atender as necessidades fisiológicas das plantas.

A nutrição do cafeeiro é analisada principalmente sob o ponto de vista da produtividade,


porém a recomendação de adubação não deve se basear apenas na quantidade de
nutrientes exportados pelos grãos. Deve considerar também as necessidades fisiológicas
da planta para sua manutenção e produção de novos ramos, folhas e raízes, as quais
demandam elevadas quantidades de nutrientes, além das perdas do sistema e da
quantidade de nutrientes a ser suprida pelo solo. A utilização de nutrientes pelas plantas
envolve a absorção do nutriente pelas raízes, a translocação para caules, ramos, folhas,
flores e frutos, e a exportação, retirada na colheita dos frutos. Para produzir uma saca de
café beneficiado (60 kg) são exportados 2.952 g de nitrogênio, 3.024 g de potássio, 932 g
de cálcio, 258 g de magnésio, 168 g de enxofre e 156 g de fósforo (BRAGANÇA et al.,
2000).

Neste capítulo serão abordados os aspectos gerais do manejo nutricional de lavouras


de Coffea canephora (cafeeiro canéfora), com ênfase em calagem e adubação de
plantio, formação e produção, e na diagnose visual de deficiências nutricionais.

177
Café na Amazônia

Calagem e adubação no plantio e na formação do cafezal

Para a recomendação de calagem e de adubação é necessária a análise química do solo.


Para tanto, anteriormente é necessário efetuar a amostragem do solo, considerando duas
situações: a formação inicial do cafezal (implantação) e a manutenção do cafezal durante a
fase de produção. Ressalta-se que em ambos os casos, para se obter dados analíticos que
realmente representem os atributos químicos e físicos do solo, a amostragem deve ser
criteriosa e seguir as recomendações necessárias.

Amostragem do solo
A amostragem de solo para a formação do cafezal deve ser feita, preferencialmente, de
três a seis meses antes do preparo do solo para o plantio. Inicialmente, é feita a seleção
de áreas homogêneas quanto ao relevo (espigão ou chapada, encosta e baixada), à
textura do solo (argilosa, média e arenosa), à coloração do solo (avermelhado, amarelado
etc.) e ao histórico da área (tipo e tempo de cultivo) (Figura 1). Posteriormente, procede-
se a coleta de 15 a 20 amostras simples em cada área homogênea que se pretende avaliar
a fertilidade do solo, nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm, retirando-se o mesmo
volume para cada amostra simples e colocando o solo em recipiente limpo, como por
exemplo, um balde de plástico.

Foto: Renata Kelly da Silva

Figura 1. Exemplo de separação de glebas homogêneas para coleta de amostras de solo. Região de Alta
Floresta do Oeste, RO.

As amostras simples devem ser retiradas ao acaso, percorrendo a área em ziguezague.


Evitar locais próximos de estradas, cercas, caminhos, formigueiros e resíduos sólidos. As
amostras simples de 0-20 cm não devem ser misturadas no mesmo recipiente que contiver
as de 20-40 cm. Após coletar e misturar separadamente, as amostras de solo das duas
profundidades (0-20 cm e 20-40 cm), retirar aproximadamente 500 gramas de cada
profundidade, que representa a amostra composta, embalar (saco plástico), identificar
(data, localização e profundidade) e enviar ao laboratório para análise.

Calagem para o plantio

A acidez do solo promove aumento da atividade de íons alumínio (Al 3+) e também sua
disponibilidade no complexo de troca do solo. Além do Al3+ ser absorvido pelas raízes

178
Manejo nutricional do cafeeiro

das plantas, o que provoca toxidez, evita que as bases trocáveis como íons Ca 2+, Mg2+
e K+ ocupem o complexo de troca, provocando lixiviação e perda desses nutrientes por
ocasião de adubações.

Ressalta-se a existência de trabalhos que relatam menor tolerância do cafeeiro canéfora


ao Al3+ quando comparado ao cafeeiro arábica (MAURI et al., 2004; MATTIELLO et al.,
2008; GUARÇONI; PREZOTTI, 2009), principalmente onde ocorrem níveis elevados de
Al3+ nas camadas subsuperficiais do solo, como comumente observado nos solos na
região Amazônica, evitando o aprofundamento do sistema radicular do cafeeiro.

Outro problema em solos com baixo pH é que pode haver aumento na disponibilidade de
manganês (Mn2+), que também é tóxico em doses elevadas, sendo requerido pelos
vegetais apenas em pequenas quantidades. A toxidez que pode ser provocada por
alumínio e manganês influencia negativamente o crescimento, o desenvolvimento e,
consequentemente, a produtividade dos cafezais. Portanto, a elevação do pH de solos
ácidos pela prática da calagem é fundamental para se obter índices de produtividade
satisfatórios. A quantidade de calcário a ser aplicada ao solo é determinada com base nos
resultados da análise do solo.

A necessidade de calcário é calculada pela seguinte fórmula:

NC = CTC x (V2 - V1)


PRNT

Em que:

NC = necessidade de calcário (t ha-1).


CTC = capacidade de troca catiônica do solo (cmolc dm-3).
V2 = saturação por bases desejada (50% a 60%).
V1 = saturação por bases do solo (%), fornecida pelo laudo de análise.
PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário a ser utilizado.

A aplicação de calcário deve ser realizada em área total onde será implantado o cafezal.
O calcário deve ser distribuído uniformemente na superfície do terreno e incorporado na
camada de 0-20 cm do solo, preferencialmente dois meses antes do plantio, conforme
determinado pela necessidade de calcário (NC).

É importante destacar que devido aos solos do Estado, de maneira geral, apresentarem
baixos teores de magnésio, recomenda-se a utilização de calcário dolomítico, pois além de
elevar o pH e fornecer cálcio, também é fonte de magnésio para as plantas.

Quando a necessidade de calcário for superior a 5,0 t ha-1 recomenda-se aplicar a


metade da dose antes da primeira aração ou gradagem e a outra metade antes da
segunda gradagem. Este procedimento é feito para uniformizar a distribuição do calcário
na camada arada do solo (0-20 cm), o que permite um crescimento mais abundante e
melhor distribuído das raízes das plantas. Para quantidades menores que 5,0 t ha-1 pode
ser realizada uma única aplicação, seguida da incorporação com arado ou grade
aradora.

Além da calagem em área total, pode ser realizada também a calagem na cova de
plantio. A quantidade de calcário a ser aplicada na cova deve ser calculada considerando
o volume de solo da cova. Essa aplicação pode ser feita para complementar a calagem
em área total, uma vez que o calcário é distribuído na camada de 0-20 cm e a cova é

179
Café na Amazônia

aberta com 40 cm a 60 cm de profundidade. A calagem na cova de plantio permite maior


crescimento radicular em profundidade. Porém, conforme já mencionado é
complementar e não deve substituir a calagem em área total, pois quando a calagem é
realizada apenas na cova ocorre restrição ao crescimento do sistema radicular.

Adubação de plantio
A adubação de plantio é de fundamental importância para o cafeeiro canéfora, pois a
exigência por nutrientes é alta, em virtude do reduzido sistema radicular da muda, no
estádio inicial de desenvolvimento. As quantidades de fósforo, potássio e
micronutrientes, como zinco e boro, recomendadas para o plantio da cultura do café
variam conforme o resultado da análise de solo (Tabela 1).

Tabela 1. Quantidades de fósforo (P2O5), potássio (K2O), boro (B) e zinco (Zn)
recomendadas na implantação da cultura do café, em função dos teores de nutrientes no
solo.
Nutriente/Método Teor de fósforo no solo (mg dm-3)
< 10 10 20 > 20
P (Mehlich-1) --------------- g de P2O5 por cova ---------------
40 30 20
Teor de potássio no solo (mmolc dm-3)
< 1,5 1,5 3,0 > 3,0
K (Mehlich-1) --------------- g de K2O por cova ---------------
20 10 0
-3
Teor de boro no solo (mg dm )
0 0,2 0,21 0,60 > 0,60
B (Água quente) --------------- g de B por cova ---------------
1 0,5 0
Teor de zinco no solo (mg dm-3)
0 0,5 0,6 -1,2 > 1,2
Zn (Mehlich-1) --------------- g de Zn por cova ---------------
2 1 0
Fonte: Veneziano (2000).

O fósforo é um nutriente que merece destaque na fase de implantação, especialmente


quando se trata de solos amazônicos e de outros solos tropicais, onde esse nutriente é
um dos principais entraves para a produção vegetal (NOVAIS; SMITH, 1999), como
também demonstrado em Veloso et al. (2003) avaliando o estádio nutricional de lavouras
cafeeiras na região da Transamazônica. Além de apresentarem baixos teores de fósforo
na forma disponível, os solos de regiões tropicais, em geral, apresentam alta capacidade
de adsorção de fósforo pelos óxidos e oxihidróxidos de ferro e alumínio. Sendo assim, a
dose de fósforo aplicada ao solo não deve ser o único fator a ser levado em
consideração, deve-se considerar também o volume de solo a ser fertilizado, a
reatividade do fertilizante em função do tempo e a capacidade de adsorção de fósforo
pelo solo (GUARÇONI; PREZOTTI, 2009).

Para o suprimento de micronutrientes tem-se a possibilidade de utilização de fertilizantes


conhecidos como FTE do

são compostos por uma mistura de nutrientes que geralmente incluem nutrientes como
Boro, Cobre, Manganês, Molibdênio e Zinco dentre outros.

180
Manejo nutricional do cafeeiro

No enchimento das covas para o plantio, além da adubação química, pode-se utilizar
adubação orgânica. A quantidade é recomendada considerando-se o teor de matéria
orgânica do solo (Tabela 2).

Tabela 2. Quantidade de adubo orgânico (curtido) recomendado


na implantação da cultura do café em função do teor de matéria
orgânica no solo.
Teor de matéria orgânica no solo (g kg-1)
Adubo orgânico < 20 20 a 30 > 30
---------------------- kg cova-1 ----------------------
Esterco de bovinos 10,0 6,0 2,0
Palha de café 3,0 2,0 1,0
Esterco de galinhas (cama) 3,0 2,0 1,0
Esterco de galinhas (gaiola) 2,5 1,5 0,5
Esterco de suínos 10,0 6,0 2,0
Fonte: Marcolan et al. (2009).

A adubação orgânica é importante em virtude das funções que a matéria orgânica


desempenha no solo, especialmente naqueles que se encontram em algum nível de
degradação. Contudo, é difícil suprir as necessidades nutricionais de um cafezal apenas
com adubos orgânicos, especialmente em áreas maiores por causa da grande
quantidade de adubo necessária, uma vez que estes adubos apresentam baixa
concentração de nutrientes, quando comparada a dos adubos minerais.

A maneira mais fácil de adotar a prática da adubação orgânica é quando se produz o


adubo na propriedade agrícola, ou quando é possível aproveitar os materiais existentes
nas proximidades da lavoura, como esterco de curral (bovino), cama de frango ou
esterco de aves, esterco de suínos e palha de café. A composição de nutrientes varia
conforme o tipo de adubo orgânico a ser utilizado (Tabela 3).

Tabela 3. Composição média de nutrientes presentes em adubos


orgânicos.
Teor de nutrientes (g kg-1)
Fontes
N P 2 O5 K2O
Esterco de bovinos (curtido) 6 3 6
Palha de café 17 1 32
Esterco de galinhas (cama) 15 10 7
Esterco de galinhas (gaiola) 20 20 10
Esterco de suínos 5 3 4
Fonte: adaptado de Matiello (1991) e Malavolta (1993).

Adubação de formação
No primeiro ano, considerando o plantio na época recomendada, outubro a dezembro, após

na aplicação de doses de nitrogênio e potássio ao redor das plantas, na distância de 10 cm


do caule. Recomendam-se dividir as doses (Tabela 4), em quatro aplicações, espaçadas
em 45 dias. Após esse período a adubação pode ser suspensa por coincidir com o período
de estiagem.

No segundo ano, recomenda-se fazer mais quatro aplicações a partir do início do período
chuvoso (outubro), com o intervalo de 45 dias entre cada aplicação (Tabela 4).

181
Café na Amazônia

Tabela 4. Doses de nitrogênio e de potássio recomendadas


no primeiro e segundo anos na formação do cafezal.
Dose de N(1) Dose K2O(1)
Idade -1
------------------- g planta -------------------
1º Ano 32 16
2° Ano 60 60
(1)
Parcelar as doses em quatro aplicações, em intervalos de 45 dias, durante
o período chuvoso.

Calagem e adubação de produção


Considerando o plantio na época recomendada, outubro a dezembro, aproximadamente 18
meses após o plantio das mudas deve-se verificar a necessidade da calagem e, também, da
adubação de produção. Para isso, se faz necessária a amostragem do solo para análise
química e, se possível, a análise foliar para auxiliar na tomada de decisão.

A aplicação de calcário e de adubação são práticas, em geral, necessárias para garantir


níveis adequados de produtividade. A recomendação de calagem em cafeeiros adultos deve
ser realizada com base nos resultados da análise de solo. Já a recomendação de adubação
deve ser baseada na análise de solo e na produtividade esperada.

Amostragem de solo no cafezal adulto


Em áreas já implantadas (cafezal estabelecido), inicia-se o processo de amostragem
com a separação de talhões (cafezal com mesma idade, manejo e variedade) dentro de
uma mesma área homogênea. Segue-se com retirada de 15 a 20 amostras simples por
talhão, em ziguezague, sob a projeção da copa dos cafeeiros, local onde serão aplicados
os adubos (Figura 2), nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm, tomando os mesmos
cuidados descritos anteriormente neste capítulo.

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula

Figura 2. Local de coleta de amostras de solo para análise química.

182
Manejo nutricional do cafeeiro

A amostragem do solo na profundidade de 0-20 cm deve ser realizada anualmente, e na


profundidade de 20-40 cm deve ser realizada a cada dois anos, após a colheita e pelo
menos dois meses após a última adubação.

Amostragem e análise química foliar

A análise química foliar avalia a concentração dos nutrientes nos tecidos foliares. A
interpretação desses resultados (concentrações nutricionais) por diferentes métodos
(faixa de suficiência, nível crítico e DRIS) é utilizada para o diagnóstico do estado
nutricional das plantas.

A adequada avaliação do estado nutricional das plantas depende da correta aplicação das
práticas de coleta e análise dos tecidos que se pretende avaliar, que no caso do café são
as folhas. Para tal, inicialmente deve-se proceder a amostragem de forma representativa,
dividindo a área em talhões uniformes. A divisão pode ser feita pelos atributos do solo,
diferenças de fertilidade previamente conhecidas, e relevo, como também pela idade das
plantas, genótipos, espaçamentos, número de hastes e produtividade esperada.

A amostragem foliar normalmente é feita no início do desenvolvimento dos frutos,


aproximadamente 30 a 60 dias após a florada geral, com a cultura na fase fenológica do

Para maior representatividade as coletas devem ser padronizadas, coletando -se


folhas, completamente expandidas, situadas no terceiro ou quarto par de folhas a partir
do ápice do ramo plagiotrópico (ramo em produção). Devem ser coletadas quatro
folhas por planta amostrada, sendo uma em cada ponto cardeal. Os ramos
plagiotrópicos devem estar situados no terço médio da planta (Figura 3).

Foto: Marcelo Curitiba Espindula e Rafael Alves da Rocha

Figura 3. Local de coleta de amostra foliar na planta.

183
Café na Amazônia

Para cada talhão deverão ser coletadas 25 plantas ao acaso, totalizando 100 folhas
por talhão homogêneo (BRAGANÇA et al., 2001), caminhando-se em ziguezague e
evitando-se aquelas com danos mecânicos causados por atrito, doenças e pragas.

Para a interpretação dos resultados da análise foliar utiliza-se o método da faixa de


suficiência ou nível crítico foliar previamente estabelecido pela literatura. Estes teores

-se rendimentos
próximos à máxima eficiência econômica da cultura e, em geral, esse rendimento situa-
se próximo a 90% do rendimento relativo máximo.

Tabela 5. Teores de nutrientes nas folhas


considerados adequados ao desenvolvimento
de café canéfora.

Nutriente Teor adequado


Nitrogênio 30 g kg-1
Fósforo 1,2 g kg-1
Potássio 21 g kg-1
Cálcio 14 g kg-1
Magnésio 3,2 g kg-1
Enxofre 2,4 g kg-1
Boro 48 mg kg-1
Zinco 12 mg kg-1
Manganês 69 mg kg-1
Cobre 11 mg kg-1
Ferro 131 mg kg-1
Fonte: Costa e Bragança (1996).

De posse dos resultados da análise da composição química foliar e da análise do solo,


é possível estabelecer relação entre a disponibilidade de nutrientes no solo e a absorção
de nutrientes pela planta, o que pode resultar em maior eficiência do manejo nutricional
dos cafeeiros.

Calagem

A aplicação de calcário pode ser realizada de forma manual ou mecanizada (Figura 4),
preferencialmente em área total. A aplicação manual é usual em pequenas propriedades,
onde não se dispõe de mecanização e se utiliza mão de obra familiar para os tratos
culturais. Já, a aplicação mecanizada é utilizada em lavouras maiores onde a aplicação
manual se torna inviável por causa da dificuldade de contratação de mão de obra externa,
demasiadamente onerosa.

Para as áreas em produção, recomenda-se a aplicação superficial de calcário, sem a


incorporação ao solo. Neste caso, considera-se que o calcário reagirá de forma mais
efetiva apenas na camada de 0-10 cm. Recomenda-se aplicar a metade da quantidade
indicada pela NC (NC x 0,5), pois a fórmula considera uma quantidade de calcário para
ser distribuída na camada de 0-20 cm de solo, evitando assim a supercalagem, ou seja, a
elevação excessiva do pH na camada superficial do solo, que prejudica a absorção de
alguns nutrientes, e gastos desnecessários.

184
Manejo nutricional do cafeeiro

Foto: Marcelo Curitiba Espindula


Figura 4. Calagem em lavoura de C. canephora
com três anos de idade.

Adubação
A adubação de produção deve ser efetuada com base na análise do solo (teores de
nutrientes no solo) e na produtividade esperada (Tabela 6). A produtividade esperada deve
considerar o potencial genético da cultura (mudas clonadas ou provenientes de sementes);
o manejo (espaçamento, número de plantas por hectare, poda, controle fitossanitário,
irrigação); solo (textura, profundidade); idade das plantas e o clima da região.

Tabela 6. Quantidades de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) recomendadas para a
cultura do café em função da produtividade esperada e do teor de P e K no solo.
Produtividade N(1) P Melich-1 (mg dm-3) K trocável (mmolc dm-3)
esperada <10 10-20 >20 <1,5 1,5-3,0 >3,0
- sacas ha-1 - N (kg ha-1) ------- P2O5 (kg ha-1) ------- -------- K2O (kg ha-1) -------
20 30 150 40 20 0 120 80 40
30 40 180 50 30 0 150 100 50
40 50 210 60 40 20 180 120 60
50 60 240 70 50 30 210 140 70
60 70 270 80 60 40 240 160 80
70 80 300 90 70 50 270 180 90
80 90 330 100 80 60 300 200 100
90 100 360 110 90 70 330 220 110
100 110 390 120 100 80 360 240 120
110 120 420 130 110 90 390 260 130
120 130 450 140 120 100 420 280 140
130 140 480 150 130 110 450 300 150
140 150 510 160 140 120 480 320 160
(1)
As doses de N e K2O devem ser divididas em quatro aplicações durante o período chuvoso.
Fonte: adaptado de Veneziano (2000).

185
Café na Amazônia

A Tabela 7 apresenta a recomendação de adubação para os micronutrientes boro e


zinco, conforme o resultado da análise do solo.

Tabela 7. Quantidades de boro e zinco recomendadas


para a cultura do café em função dos teores no solo.
Teor no solo Recomendação
Nutrientes
----- mg dm-3 ----- ----- kg ha-1 -----
< 0,20 2
Boro (B) 0,21 0,60 1
> 0,60 0
< 0,5 2
Zinco (Zn) 0,6 - 1,2 1
> 1,5 0
Fonte: adaptado de Veneziano (2000).

A aplicação dos adubos deve ser feita sob a projeção da copa dos cafeeiros, pois é onde
se encontra a maior parte das raízes com maior potencial de absorção dos nutrientes.
Recomenda-se parcelar a quantidade de nitrogênio e potássio em quatro vezes (outubro,
dezembro, janeiro e março/abril), durante o período chuvoso, enquanto que os demais
(fósforo e micronutrientes, boro e zinco) devem ser aplicados em uma só vez, durante o
primeiro parcelamento da adubação nitrogenada e potássica.

Durante o início da estação de crescimento, é comum verificar deficiência visual de boro


e zinco, pois neste período ocorre simultaneamente o crescimento vegetativo e
reprodutivo, atividades altamente dependentes destes nutrientes. Assim, com base nas
análises de solo e folhas deve ser dada atenção especial a estes nutrientes durante o
início da estação chuvosa.

Adubação quando se dispõe de irrigação

A área com café irrigado vem crescendo significativamente em Rondônia. Ainda não
existem dados oficiais, que informem com precisão a área total de café que já utiliza
irrigação, seja por aspersão, microaspersão ou gotejamento. A irrigação localizada é a
mais apropriada para a cultura do café, por ser mais eficiente no uso da água e por
possibilitar fazer fertirrigação. Apesar do alto investimento em equipamentos, o produtor
economizará em mão de obra para realizar as adubações, além da maior produtividade
esperada por causa da maior eficiência nutricional do sistema envolvido, especialmente
quando for utilizado o gotejamento.

É importante ressaltar que existem fertilizantes apropriados para a fertirrigação, os quais


são mais solúveis em água, além de serem livres de impurezas. A quantidade de
nutrientes fornecida às plantas pode ser calculada da mesma maneira como se faz para
as adubações convencionais (baseadas nas análises de solo e de tecido foliar). A
diferença é que a fertirrigação fornece os nutrientes de forma mais parcelada e em
quantidades menores a cada aplicação. Dessa maneira, em menor quantidade e maior
periodicidade, a eficiência no uso de insumos tende a ser maior, principalmente pela
diminuição das perdas, o que se reflete em ganhos de produtividade na lavoura.

O produtor que optar por um sistema de irrigação ou fertirrigação tem maior flexibilidade
para mudar o manejo da lavoura. Com estas tecnologias é possível fazer adubação de
crescimento por um período maior durante o ano, pois, na região Amazônica, não há
restrição de crescimento por baixas temperaturas. A adubação de produção em sistemas
irrigados pode ter o seu início antecipado para o final de agosto ou início de setembro e
poderá ser parcelada até pouco antes da fase de maturação dos frutos (março/abril).

186
Manejo nutricional do cafeeiro

Atenção especial deve ser dada para o ciclo de maturação dos genótipos que estão
sendo cultivados. Genótipos com menor duração do ciclo de maturação dos frutos
apresentam maior velocidade de acúmulo de massa de matéria seca e nutrientes
(PARTELLI et al., 2014) e, por isso, devem receber a adubação de produção dentro
de um período menor que genótipos tardios. Entretanto, os genótipos tardios
(maturação em junho ou julho) podem ter suas adubações parceladas até o final de
maio, dependo do genótipo.

Em sistemas irrigados ou fertirrigados, por não depender de precipitações, é possível


fazer o plantio antecipado do cafezal, o que permite aumentar a produtividade na
primeira safra comercial, sendo para isso necessário aumentar a quantidade de
adubação de crescimento.

A desvantagem da fertirrigação, além do custo inicial elevado, está relacionada ao


manejo inadequado que pode promover a salinização ou a acidificação do solo, a
lixiviação de nutrientes e a eutrofização ou contaminação dos mananciais. Sendo assim,
para implantar um sistema de fertirrigação, deve-se ter o acompanhamento técnico, por
causa do alto risco de danos ambientais e de prejuízos financeiros que podem ocorrer
para produtor.

Diagnose visual do estado nutricional das plantas

Além do procedimento padrão que envolve análise do solo e de tecido foliar, a diagnose
visual é prática que auxilia o manejo nutricional de lavouras cafeeiras. No entanto, a
utilização desta prática como ferramenta para o manejo nutricional é desaconselhável,
pois, a detecção de deficiência visual de nutrientes nas plantas exige conhecimento,
experiência e indica que o manejo não foi adequado e que as plantas já entraram em
estresse nutricional severo.

Quando a planta apresenta o sintoma, seu metabolismo já foi comprometido e a correção


da deficiência nem sempre trará benefícios como incremento de produção ou produtos
de melhor qualidade (MARSCHNER, 1995). Além disso, os sintomas normalmente
ocorrem de forma complexa, onde a deficiência nutricional não é apenas de um elemento
e depende ainda, do efeito do manejo dado à cultura, além da integração desta com o
ambiente de cultivo (fatores bióticos e abióticos).

A prevenção, por meio de adubações embasadas em análises químicas, é a melhor solução


para garantir produtividade adequada e com qualidade. Por isso, as análises de solo e de
tecido foliar representam as mais importantes ferramentas para avaliar a fertilidade do solo
e o estado nutricional da planta, respectivamente. Salienta-se que uma análise não substitui
a outra, sendo complementares. Pode-se ter um solo com elevada fertilidade, porém com
plantas em estado nutricional desequilibrado.

A diagnose visual consiste na comparação visual do aspecto (coloração, tamanho e


forma) da amostra (planta, ramos e folhas) com uma planta ou amostra padrão, cujo
aspecto visual condiz com o equilíbrio nutricional da espécie. A folha é, na maioria das
vezes, o órgão de comparação, pois é o que melhor reflete o estado nutricional da planta,
pois os principais processos metabólicos do vegetal ocorrem nas folhas, que são os
órgãos da planta mais sensíveis às variações nutricionais.

187
Café na Amazônia

Havendo falta ou excesso de nutriente, a planta manifestará sintomas visíveis, os quais


são típicos para cada elemento. Isso se deve ao fato de que um dado nutriente exerce
sempre as mesmas funções em qualquer espécie de planta. Os sintomas foliares podem
ser divididos em cinco classes (BENNETT, 1993): a) clorose, uniforme ou internervural;
b) necrose, nas pontas, margens ou entre as nervuras das folhas; c) perda da
dominância apical, com morte da gema apical e ou, superbrotamento; d) acúmulo de
antocianina e desenvolvimento de coloração avermelhada; e) deformação, com
coloração normal ou amarelecimento.

A ocorrência do sintoma em folhas velhas ou novas depende da mobilidade do elemento


no floema. Elementos móveis, como N, P, K e Mg, manifestam a deficiência
primeiramente em folhas velhas, de onde são translocados para suprir as regiões de
dreno metabólico, enquanto que as folhas novas irão demonstrar sintomas de deficiência
de elementos pouco móveis, como Ca, Mn, Cu, Zn, Fe e B (MALAVOLTA, 2006).

Apesar de parecer complexa e às vezes de difícil diagnóstico, a diagnose visual é uma


opção que pode auxiliar no manejo da adubação para a cultura cafeeira, pois os
sintomas foliares são facilmente visualizados a campo. Sendo assim, é importante
conhecer os sintomas das principais deficiências nutricionais, para que seja possível
diagnosticar com maior precisão esses sintomas.

Nitrogênio (N)

É um nutriente requerido em grande quantidade por todas as culturas. A deficiência de


nitrogênio no cafeeiro causa inicialmente clorose (perda da coloração verde típica) uniforme
nas folhas. Por causa da mobilidade do nitrogênio na planta, o sintoma ocorre inicialmente
nas folhas velhas, podendo atingir as outras folhas, conforme a gravidade da deficiência
(Figura 5A e B). Além da clorose, pela menor quantidade de cloroplastos que tende a mudar
a cor verde para amarela e, se continuar a deficiência, pode chegar à necrose (cor escura
indicando tecido morto) que proporcionará a queda dessas folhas, observa-se a redução do
tamanho das folhas novas e em alguns casos de deficiência aguda pode ocorrer a seca dos
ramos conhecida como die-back.
Fotos: Marcelo Curitiba Espindula

A B
Figura 5. Sintomas de deficiência de nitrogênio em C. canephora. Planta com deficiência generalizada de N
(A). Folha deficiente à esquerda e sadia à direita (B).

188
Manejo nutricional do cafeeiro

O período seco aumenta a severidade da deficiência de nitrogênio, pois a redução da


umidade afeta a mineralização da matéria orgânica que é a principal fonte desse
nutriente, além da baixa umidade no solo reduzir a sua mobilidade.

Fósforo (P)

Assim como ocorre com o nitrogênio, os primeiros sintomas de deficiência de fósforo


ocorrem nas folhas velhas, pois o nutriente apresenta rápida mobilidade na planta.
Nem sempre o primeiro sintoma de deficiência é percebido, pois a perda de brilho das
folhas velhas evolui para manchas amareladas que passam para amarelo-bronzeada
e, em seguida, para a cor pardo-vermelhada. Tornam-se marrom-arroxeadas,
conforme a severidade da deficiência, por causa do acúmulo de antocianinas (Figura
6A e B).

Em casos extremos observam-se ainda manchas necróticas no limbo, distribuídas


irregularmente. Associado a esses sintomas tem-se a morte prematura das folhas mais
velhas. É comum a ocorrência de deficiência de fósforo em plantas de café durante o
período de estiagem, mesmo havendo disponibilidade do nutriente no solo, em virtude
da sua baixa mobilidade no solo.

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula

A B
Figura 6. Sintomas de deficiência de fósforo em C. canephora. Ramo plagiotrópico apresentando deficiência
de P na parte basal (A). Folha sadia à esquerda e deficiente à direita (B)

Potássio (K)

Inicia-se com clorose nas margens das folhas mais velhas que, com severidade da
deficiência, transforma-se em necrose (Figuras 7A e B). A parte central das folhas é
pouco afetada, entretanto essas folhas são facilmente destacadas, podendo provocar
desfolhamento do cafeeiro que contribui para a má formação dos frutos (frutos
menores e chochos) que proporciona perda de qualidade e redução na produtividade.
Em certos casos, observa-se a morte descendente dos ramos.

189
Café na Amazônia

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula


A B
Figura 7. Sintomas de deficiência de potássio em C. canephora. Ramo plagiotrópico apresentando deficiência
de K (A). Clorose e necrose das extremidades da folha causadas por deficiência de K (B).

Cálcio (Ca)

O sintoma de deficiência de cálcio inicia com a clorose nas folhas mais novas, nas margens
e evoluindo para o centro, podendo atingir a folha toda. Pode ainda apresentar pequenas
áreas necróticas. Conforme a severidade da deficiência pode ocorrer a morte da gema
terminal e a deformação de folhas recém-lançadas (Figuras 8A e B).

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula

A B
Figura 8. Sintomas de deficiência de cálcio em C. canephora. Clorose das extremidades (A). Deformação das
folhas jovens (B).

Magnésio (Mg)
Foto: Marcelo Curitiba Espindula

Apresenta clorose amarelo-claro no tecido


internervural (parte que fica entre as
nervuras da folha), passando de amarelo-
claro para amarelo-avermelhado, embora
as nervuras se mantenham verdes (Figura
9). Em caso de deficiência acentuada
observa-se necrose nas pontas das folhas.
Esse sintoma é iniciado nas folhas mais
velhas e com o agravamento da deficiência
pode atingir nas folhas mais novas. Figura 9. Sintomas de deficiência de magnésio em C.
canephora.

190
Manejo nutricional do cafeeiro

Enxofre (S)

Os sintomas iniciais são clorose nas

Foto: Francisco Felner


folhas mais novas, na forma de uma
faixa larga que compreende a nervura
principal e se estende até o meio da
lâmina foliar, sintoma que reflete a falta
de clorofila nos cloroplastos (Figura 10).

Figura 10. Sintomas de deficiência de enxofre em C.


canephora.
Fonte: Bragança et al. (2007)
Ferro (Fe)

Os sintomas iniciais ocorrem nas folhas


mais jovens, pela baixa mobilidade deste
nutriente na planta. As folhas deficientes

Foto: Marcelo Curitiba Espindula


em Fe apresentam clorose internervural
onde somente os vasos permanecem
verdes contrastando com a cor amarelada
do limbo foliar e formando um reticulado
característico (Figura 11). A deficiência
pode aparecer de forma mais acentuada
quando a planta está em rápido
crescimento.
Figura 11. Sintomas de deficiência de ferro em C.
canephora.
Boro (B)

Os sintomas de deficiência são mais


comuns em solos ácidos e pobres em
matéria orgânica. Os sintomas mais Foto: Marcelo Curitiba Espindula
típicos são: paralisação do crescimento
dos ramos; morte de gemas terminais na
ponta dos ramos e excessiva brotação
nos ápices das plantas, formando um
aspecto de leque; folhas deformadas,
pequenas e retorcidas com bordas
irregulares (Figura 12); abortamento de
flores e morte das pontas das raízes.

Figura 12. Sintomas de deficiência de boro em C.


Cobre (Cu) canephora.

O sintoma típico de deficiências de cobre é a deformação das folhas jovens que se


tornam onduladas na parte superior, com nervuras salientes, encurvando-se para baixo
(Figuras 13A e B). Na evolução dos sintomas, a deficiência passa para as folhas mais
velhas, que além de encurvadas para baixo, apresentam a nervura central e a faixa
próxima mais clara, um pouco esbranquiçada.

191
Café na Amazônia

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula


A B
Figura 13. Sintomas de deficiência de cobre em C. canephora. Deformação de folhas jovens (A). Detalhe do
encurvamento da folha (B).

Zinco (Zn)
Os sintomas de deficiência são redução dos internódios (Figura 14A), roseta de folhas
nas pontas dos ramos (Figura 14B), folhas pequenas, estreitas, de aspecto coriáceo e
quebradiças (Figura 14C); frutos menores e redução na produção.

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula


B

A C
Figura 14. Sintomas de deficiência de zinco em C. canephora. Encurtamento dos entrenós (A). Estreitamento
de folhas em brotações (B). Folhas maduras pequenas e estreitas após expansão sob condições de
deficiência de zinco (C).

Manganês (Mn)
As plantas com deficiência de manganês apresentam clorose internervural nas folhas
jovens e velhas (Figura 15A, B e C). Este sintoma é facilmente confundível com os

192
Manejo nutricional do cafeeiro

sintomas de toxidez de manganês e/ou deficiência de ferro. Em estágio avançado as


folhas apresentam clorose generalizada e aspecto amarelo-esbranquiçado (Figura 15A).
Ocorre em solos onde foi aplicada dose excessiva de calcário. Além dos sintomas
citados anteriormente, as folhas mais velhas caem com facilidade como também os
frutos na fase cereja. A adubação de zinco em excesso pode proporcionar deficiência
de manganês, assim como a adubação em excesso de manganês pode provocar
deficiência de ferro.

Fotos: Marcelo Curitiba Espindula


A B C
Figura 15. Ramo plagiotrópico deficiente em manganês apresentando sintomas em folhas novas e folhas
velhas (A). Sintomas iniciais em folhas velhas (B). Detalhe de deficiência severa em folhas novas (C).

Considerações finais

A Amazônia Sul Ocidental, especialmente o Estado de Rondônia, apresenta grande


potencial para a ampliação da cafeicultura. Entretanto, é necessário aplicar no campo os
conhecimentos já obtidos e desenvolver ainda mais os conhecimentos a respeito das
técnicas de cultivo, especialmente aquelas voltadas para a nutrição do cafeeiro. O
parcelamento e as doses de adubações quando se dispõe de irrigação (fertirrigação), refinar
os dados para recomendação de doses de fertilizantes, analisar criteriosamente a viabilidade
ou não do uso de gesso agrícola na região, são desafios atuais a fim de proporcionar ao
cafeicultor a máxima eficiência técnica e econômica da cultura.

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