DIARREIA
Diarreia aguda é a eliminação anormal de fezes amolecidas ou líquidas, decorrente da
perda excessiva de água e eletrólitos
-Aguda: com frequência igual ou superior a 3 vezes por dia, com média de 7 dias até
14 dias
-Persistente: quando o quadro diarreico agudo, que é potencialmente autolimitado, se
estende além de 14 dias
-Crônica: A diarreia crônica é definida como a ocorrência de um volume fecal superior a
10 g/kg/dia em lactentes/crianças de colo e maior que 200 g/dia em crianças maiores
que dura por 4 semanas ou mais.
Disenteria é a diarreia com a presença de sangue e/ou leucócitos nas fezes
FISIOPATOLOGIA
Os mecanismos determinantes de diarreia podem ser osmóticos, secretores ou mistos.
O componente secretor caracteriza-se pelo fluxo ativo de eletrólitos e água em direção
ao lúmen intestinal, resultantes da inibição de absorção neutra de NaCl nos vilos dos
enterócitos e de aumento da secreção de cloreto nas células das criptas. A secreção
eletrogênica é estimulada basicamente pelas enterotoxinas produzidas por bactérias
patogênicas, citocinas inflamatórias e substâncias endógenas endócrinas que resultam
em aumento da concentração de AMP cíclico, GMP cíclico e/ou cálcio citosólico.
A diarreia osmótica é causada por nutrientes não absorvidos no lúmen intestinal e
decorrente dos seguintes mecanismos: dano intestinal (infecções entéricas), redução da
superfície absortiva (doença celíaca), redução de enzima digestiva (déficit de lactase),
aumento da velocidade do trânsito intestinal e sobrecarga osmolar.
Os processos inflamatórios decorrem da liberação de citocinas, as quais, por sua vez,
estimulam a secreção e aumentam a permeabilidade do epitélio, com consequente
adsorção de proteínas heterólogas, deflagração de mecanismos imunomediados,
aumento da motilidade e extravasamento de proteínas para a luz intestinal.
Além disso, distúrbios da motilidade podem contribuir para a diarreia.
SINAIS CLÍNICOS
Diarreia viral: Os sintomas da GEA por rotavírus geralmente começam com vômitos,
seguidos por eliminação frequente de fezes aquosas não sanguinolentas, associada a
febre em cerca de metade dos casos. Não há presença de leucócitos fecais nas fezes
diarreicas, mas em 20% dos casos as fezes contêm muco. A recuperação com resolução
completa dos sintomas geralmente ocorre no período de 7 dias. Embora a má absorção
de dissacarídeos seja encontrada em 10 a 20% dos episódios, raramente é clinicamente
significativa. Outros agentes virais provocam sintomas semelhantes e não podem ser
distinguidos dos rotavírus com base nos achados clínicos. Em um cenário de surto, o
padrão de um breve período de incubação (12 a 48 h), curta duração da doença e
agrupamento de casos é compartilhado por calicivírus e toxinas bacterianas pré-
formadas. No entanto, ao contrário das toxinas pré-formadas, os calicivírus causam
infecções secundárias, o que confirma a natureza contagiosa do surto. Doenças
diarreicas causadas por infecções por adenovírus entéricos tendem a ser mais
prolongadas do que os rotavírus (7 a 10 dias), enquanto os astrovírus causam um curso
mais curto (cerca de 5 dias), geralmente sem vômitos significativos.
Diarreia bacteriana: Embora haja considerável sobreposição, febre > 40 °C, sangue
fecal evidente, dor abdominal, sem vômitos antes do início da diarreia e alta frequência
de evacuações (> 10 por dia) são mais comuns com patógenos bacterianos. Embora
febre alta e sangue fecal evidente estejam frequentemente ausentes na enterite
bacteriana, quando presentes há uma alta probabilidade de uma etiologia bacteriana.
Diarreia por protozoários: As doenças causadas por protozoários intestinais tendem a ser
mais prolongadas, às vezes por 2 semanas ou mais, mas geralmente autolimitadas no
hospedeiro saudável. Em geral, a duração e a gravidade da diarreia por Cryptosporidium
são fortemente influenciadas pelo estado imunológico e nutricional do hospedeiro.
Etiologia por protozoário deve ser suspeitada quando há uma doença diarreica
prolongada caracterizada por episódios de diarreia às vezes explosiva com náuseas,
cólicas abdominais e distensão abdominal. As fezes são geralmente aquosas, mas podem
ser gordurosas e com mau cheiro devido à má absorção concomitante de gorduras, que é
mais provável de ocorrer se a carga parasitária for alta. Ocasionalmente, a diarreia pode
alternar com a constipação intestinal.
AGENTES ETIOLÓGICOS
TRATAMENTO
Sem desidratação – plano A
A criança com diarreia aguda sem desidratação pode ser tratada em casa. Orienta-se
aumentar a oferta de líquidos e, após cada evacuação diarreica, oferecer água de arroz,
chá, sucos, sopas ou SRO, de 50 a 100 mL para menores de 1 ano, de 100 a 200 mL
para crianças de 1 a 10 anos e, acima de 10 anos, o quanto aceitar. Deve-se orientar os
familiares sobre os sinais de desidratação e gravidade. Não oferecer refrigerantes nem
adoçar chás e sucos. Além disso, é necessário orientar que o paciente retorne ao
estabelecimento de saúde caso não apresente melhora em 2 dias ou se apresentar sinais
de alerta. São considerados sinais de alerta: (1) não melhora em dois dias; (2) aumento
da frequência ou do volume da diarreia; (3) vômitos repetidos; (4) sangue nas fezes; (5)
diminuição da diurese; (6) sede excessiva; (7) recusa de alimentos