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Inovação na Agricultura Digital em Angola

O documento discute a convergência entre nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva, destacando a agricultura digital como uma ferramenta para melhorar a eficiência e a sustentabilidade do setor agrícola. Identifica desafios como infraestrutura de conectividade, resistência dos agricultores em aprender novas tecnologias, custos de implementação e falhas na distribuição de energia elétrica. O objetivo é aplicar tecnologias digitais para otimizar processos agrícolas em Angola, abordando a capacitação e conectividade rural.

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Inovação na Agricultura Digital em Angola

O documento discute a convergência entre nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva, destacando a agricultura digital como uma ferramenta para melhorar a eficiência e a sustentabilidade do setor agrícola. Identifica desafios como infraestrutura de conectividade, resistência dos agricultores em aprender novas tecnologias, custos de implementação e falhas na distribuição de energia elétrica. O objetivo é aplicar tecnologias digitais para otimizar processos agrícolas em Angola, abordando a capacitação e conectividade rural.

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1 INTRODUÇÃO

Os avanços no processamento da informação e nas áreas de nanotecnologia,


biotecnologia e ciência cognitiva estão promovendo uma convergência entre ciências
chamada Nano-bio-info-cogno. O relatório Converging Technologies for Improving
Human Performance: Nanotechnology, Biotechnology, Information Technology and
Cognitive Science (Roco, 2003), encomendado da National Science Foundation dos
Estados Unidos, foi elaborado por mais de 100 cientistas, que apontaram a sinergia entre
nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva como o
segmento com maior potencial de avanço na inovação. Esse relatório destaca que as
abordagens sistêmicas com o uso da matemática e da computação permitirão, pela
primeira vez, entender o funcionamento de sistemas complexos exis- tentes no mundo
natural, tais como a mente humana, as explosões estelares, as interações sociais e os órgãos
do corpo humano e os fenômenos naturais envolvidos com a agricultura.

“A agricultura digital é uma ferramenta tecnológica que tem contribuído para a


evolução deste setor para uma indústria digitalizada. Portanto o objectivo deste estudo foi
analisar a inovação na agricultura digital” ( Carrillo et al, 2021, p.1654).

1.1JUSTIFICATIVA

A escolha do nosso tema deve-se a vários aspectos, tendo em conta as


necessidades e dificuldades que a agricultara do nosso país enfrenta. Logo, a utilização
das tecnologias digitais e de informação pode melhorar a eficiência, a sustentabilidade e
a produtividade da agricultura. Ela envolve a coleta e análise de dados, a automação e a
integração de sistemas para apoiar decisões informadas no gerenciamento agrícola
A tecnologia na agricultura possibilita a integração de diferentes sistemas e
equipamentos, promovendo uma maior conectividade entre as máquinas, sensores e
dispositivos. O uso de softwares sofisticados na agricultura ajuda a reduzir o consumo de
insumos, fertilizantes e pesticida. Além disso, a tecnologia ajuda a economizar em várias
etapas do processo de produção no campo, o que significa que haverá menos dióxido de
carbono emitido na atmosfera. Logo, o uso de equipamentos desenvolvidos a partir de
tecnologia de ponta facilita a execução de tarefas, desde as mais simples até as mais

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complexas.

1.2 PROBLEMAS

Problemas são as dificuldades específicas com a qual nos defrontamos e que pretendemos
resolver por intermédio da pesquisa. Sendo assim, no presente trabalho foram encontrados alguns
problemas, a saber:

 Infraestrutura de conectividade: Em geral, e num ponto de vista aplicável, as


ferramentas de agricultura digital precisam de conexão com a internet, o que pode
ser um recurso escasso em algumas zonas rurais, dificultando a implementação de
tecnologias que dependem de internet estável.

 Disposição para aprenderem a operar as ferramentas: Um dos desafios para a


implementação das novas tecnologias é a disposição dos agricultores em aprender a
operar as ferramentas, muitos agricultores têm uma certa resistência de usufruir dos
benefícios da agricultura digital por pensar que executar um determinado sistema é
difícil.

 Custo de implementação: Equipamentos, softwares e treinamento inicial podem


ser caros, especialmente para pequenos agricultores Angolanos, uma vez que
esses materiais e equipamentos na sua maioria são muito caros, logo, haverá uma
dificuldade imensa em adquirir os mesmos, dificultando assim a implementação,
o desempenho e a evolução da tecnologia do trabalho no campo.

 Falha na distribuição da energia eléctrica: A energia eléctrica é um dos


principais problemas do nosso país que tem impedido o desenvolvimento e
crescimento econômico e social, Cortes de energia, bem como estragos dos
equipamentos de distribuição de eletricidade como: PT’s, postes, etc, poderão influenciar
negativamente o desempenho do trabalho no campo.

1.3 Hipóteses

Hipóteses são suposições que fazemos na tentativa de explicar o problema; como


resposta e explicação provisória relaciona duas ou mais variáveis do problema apresentado.

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Sendo assim, temos algumas hipóteses para os problemas a cima citados:

 Infraestrutura de conectividade: Uma das hipóteses de resolução da mesma, é


conectar as máquinas por meio de um sinal de rádio emitido a partir de um escritório
central na fazenda. Dessa forma, o local recebe a conexão com a internet e a transmite
via rádio para locais mais distantes da propriedade.

 Disposição para aprenderem a operar as ferramentas: Para este caso, se os


agricultores tiverem acesso a programas de capacitação acessíveis e adaptados à sua
realidade, sua disposição para aprender a operar as ferramentas de agricultura digital
aumentará de maneira mais eficiente .

 Custo de implementação: Se houver incentivos financeiros, linhas de crédito acessíveis


e subsídios governamentais, o custo de implementação da agricultura digital deixará de
ser um obstáculo para pequenos e médios agricultores angolanos. Outra opção seria,
optar por modelos de negócios alternativos, como aluguel de equipamentos ou serviços
de pagamentos por parcelas, forem oferecidos, o custo de implementação poderá ser
reduzido, tornando a tecnologia mais acessível.

 Falha na distribuição da energia eléctrica: Uma das formas de resolução do mesmo,


será a implementação de painéis solares e energia eólica que podem ser usados para
fornecer eletricidade para sistemas de irrigação, iluminação e operação de máquinas,
reduzindo a dependência de fontes de energias convencionais.

1.4 OBJECTIVO GERAL

 Nosso trabalho tem como objectivo geral aplicar a tecnologia para a evolução do
trabalho no campo em Angola, utilizando tecnologias para auxiliar os agricultores rurais
nas tarefas passíveis de automatização, com isso, reduzindo custos, otimizando
processos e contribuindo para o aumento da produtividade.

1.4.1 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

 Identificar os desafios da tecnologia no que diz respeito a área da agricultura em Angola.


 Usar métodos específicos, avançados e adequados para a capacitação de

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agricultores para o uso das novas tecnologias em Angola.
 Analisar as áreas rurais que têm conectividade ilimitada cá em Angola, para o uso
e implementação das novas tecnologias.
 Analisar a Internet em zonas rurais para uma maior conectividade estável.
1.5 DELIMITAÇÃO

Delimitação é a parte do trabalho acadêmico que estabelece os limites das pesquisas, ou


seja, define até onde o estudo irá e quais aspectos específicos serão abordados

A presente pesquisa tem como foco a adoção da agricultura digital por pequenos e
médios agricultores rurais em Angola, com ênfase nos desafios relacionados à capacitação
técnica, custo de implementação e conectividade no campo. O estudo abordará como a
digitalização pode impactar a produtividade, a sustentabilidade e a competitividade do setor
agrícola, além de analisar as políticas públicas e iniciativas privadas que buscam viabilizar essa
transformação tecnológica.

1.6 ESTRUTURA DO RELATÓRIO

O trabalho está constituído por 3 capítulos. Na qual foi feito uma breve introdução
sobre o tema em questão (Agricultura Digital), fez-se uma abordagem dos problemas a
serem investigados, em seguida deu-se as hipóteses para a solução desses mesmos
problemas, os objectivos gerais e específicos, e fez-se a devida delimitação do tema. No
capítulo 2 fez-se a fundamentação teórica, onde abordou-se sobre as revoluções na
agricultura, em seguida deu-se uma definição aproximada de agricultura digital, após isso
abordou-se sobre as tecnologias utilizadas na agricultura digital, conceitos e suas
definições, espectativas, realidades e desafios a serem superados para o avanço na
agricultura digital, e em seguida abordou-se sobre conectivida, factores sociais e as
aplicações da agricultura digital. E no capitulo 3 abordou-se sobre os metódos ulilizados
para alcançar os objectivos (Metodologia Científica).

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

“A Agricultura Digital é o conjunto de recursos tecnológicos utilizados para


digitalizar as atividades no campo e aumentar a eficiência da produção agrícola. Usando
esses recursos, como sensores, GPS, sensores e plataformas de agricultura digital, o
agricultor consegue aumentar a produção, melhorar a produtividade e garantir a qualidade
das safras” ( Equipe FieldView, 2022).

Seu principal objetivo é melhorar todo o ciclo de produção agrícola por meio da
coleta, análise e aplicação de dados e informações precisas. Ao integrar tecnologias como
Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, drones, sensores remotos, entre outros,
ela consegue revolucionar e aprimorar as práticas agrícolas, tornando-as mais eficientes,
sustentáveis e lucrativas.

2.1 AS REVOLUÇÕES NA AGRICULTURA

Historicamente, a agricultura tem passado por uma série de revoluções em direção


à maior eficiência dos seus processos. A primeira onda de revolução na agricultura, a
Agricultura 1.0, iniciou-se com o uso da tração animal, e é caracterizada por baixas
produtividades e pelo intenso. emprego de mão de obra. A segunda onda de revolução, a
Agricultura 2.0, amplamente conhecida como Revolução Verde, teve início nos anos 50,
com o amplo uso de máquinas com motores a combustão, defensivos agricolas, cultivares.
mais adequadas e uso de fertilizantes minerais, resultando em grande aumento de
produtividade. Mais recentemente, já nos anos 90 e início dos anos 2000, deu-se início à
Agricultura 3.0, com a introdução de técnicas de Agricultura de Precisão, marcadas pelo
uso de sistema de posicionamento global (GPS-Global Positioning System),
possibilitando a aplicação da telemetria, pilotos automáticos, sensoriamento remoto e
aplicações de insumos em taxa variada.

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Grandes avanços foram proporcionados pela Agricultura de Precisão,
principalmente para obter maior eficiência no uso de insumos por meio da aplicação do
conceito 4C aplicação da fonte certa, na dose certa, na época certa e no lugar certo
(REETZ, 2016). A Agricultura 3.0 também foi marcada pelo início da comercialização
de sementes de plantas transgênicas, revolucionando o manejo de pragas e de plantas
daninhas. Já no principio da década de 2010 deu-se início à era da Agricultura 4.0, com
aplicações da Agricultura Digital, impulsionada pela transferência de informações no
formato digital entre produtores, fornecedores e prestadores de serviço, permitindo não
só a transmissão de dados, mas também o processamento e a análise destes de forma
rápida e automática (SPONCHIONI et al., 2019).

Os termos 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0 que tem sido aplicado para identificar as fases da
evolução da agricultura seguem o padrão de nomenclatura de programas de computadores
em suas respectivas versões, refletindo a influência digital que a agricultura tem recebido.
De fato, a Agricultura 4.0 pode ser considerada como uma nova versão da Agricultura de
Precisão, caracterizada por promover reduções nos custos de sensores, evolução da
capacidade de coleta e análise de dados, que resultam em tomadas de decisão mais
assertivas, e introdução de novas tecnologias digitais na cadeia de produção de alimentos
(SHEPHERD et al., 2018; SUNG, 2018). Algumas plataformas digitais podem ser
consideradas como a face mais digital da Agricultura de Precisão, atuando principalmente
sobre a avaliação da variabilidade espacial, gestão de máquinas e gestão operacional e
financeira das propriedades agrícolas (MOLIN, 2019).

A revolução 4.0 não ocorre só na agricultura, mas também na indústria. Porém,


enquanto as discussões e as aplicações dessa revolução digital têm sido largamente
realizadas na Indústria 4.0, a digitalização na agricultura ainda está em fase inicial
(ZAMBON et al., 2019). Ainda assim, uma nova revolução já é aguardada para os
próximos anos com a Agricultura 5.0, fundamentada na robótica e na inteligência
artificial, da qual espera-se a aplicação de sistemas com capacidade de auto aprendizado
para atingir um novo patamar de automação e otimização dos processos de produção
(SUNG, 2018; ZAMBON et al., 2019).

2.2. APROXIMANDO-SE DE UMA DEFINIÇÃO DA AGRICULTURA


DIGITAL
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O termo Agricultura Digital é relativamente novo e tem ganhado grande espaço
no agronegócio. Porém, uma definição holística de Agricultura Digital, que também é
conhecida como agricultura inteligente (smart farming), ainda não foi amplamente
aplicada. Diversos autores definiram Agricultura Digital de formas diferentes, devido às
várias perspectivas nas quais ela pode ser inserida, considerando, por exemplo, as
perspectivas da evolução da Agricultura de Precisão (CEMA, 2017), as tecnologias
digitais (CHO, 2018; RUDER, 2019), as interações entre consumidores e agricultores
(SHEPHERD et al., 2018) e a evolução da indústria (ZAMBON et al., 2019).

De acordo com Sponchioni et al. (2019), a definição mais adequada deve


considerar uma abordagem sob múltiplas perspectivas. Sendo assim, pode-se considerar
que a Agricultura Digital é uma evolução da Agricultura de Precisão, realizada por meio
da coleta, integração e análise automática de dados provenientes do campo e de sensores
proporcionados pelo uso de um conjunto de tecnologias digitais da Indústria 4.0-,
tornando possível a geração de conhecimento para suportar as tomadas de decisão do
produtor dentro do seu processo de produção e também no relacionamento com diferentes
atores na cadeia de produção fora da porteira.

2.3. TECNOLOGIAS UTILIZADAS NA AGRICULTURA DIGITAL:


CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Pode-se dizer que o conjunto de tecnologias aplicadas na Agricultura Digital é


composto por drones, veículos autônomos, sensoriamento remoto, internet das coisas
(loT-Internet of Things), inteligência artificial, computação em nuvens e big data, dentre
outras. Algumas destas tecnologias são oriundas da Agricultura 3.0, mas tiveram uma
coevolução com outras tecnologias mais modernas e ás vezes consideradas disruptivas.

O termo disruptivo é um chavão que tem sido frequentemente utilizado ao se tratar


das tecnologias adotadas na Agricultura Digital. De acordo com Bower e Christensen
(1995), as tecnologias disruptivas são aquelas que introduzem um pacote de atributos
muito diferentes do que os oferecidos atualmente, os quais são desejados apenas por
certos nichos de mercado, ou introduzem novos valores que ainda não são desejados pelo
mercado atual. Se a nova tecnologia resultar em ganhos de desempenho de forma muito

19
rápida, poderá ultrapassar a antiga tecnologia e, em alguns casos, torná-la obsoleta,
provocando um processo de ruptura. Já as tecnologias sustentáveis são aquelas que
mantém uma melhoria sobre os atributos que já são reconhecidos e desejados pelo
mercado. Percebe-se, então, que, apesar da rápida expansão de certas tecnologias
aplicadas na Agricultura Digital, nem todas elas obedecem aos critérios de tecnologias
disruptivas, e muitas se encaixam nos critérios de tecnologias sustentáveis (SMALL,
2017). No entanto, a Agricultura Digital, como um todo, pode ser considerada disruptiva
se for capaz de resultar em grandes mudanças, como a forma de trabalhar dos produtores
rurais, o tipo de educação e treinamento necessários para operar no ambiente digital, a
forma como as informações são obtidas, a necessidade de mão de obra especializada, e a
forma de se comunicar entre consumidores e produtores. Talvez, o grande impacto que a
Agricultura Digital irá causar na história seja a ruptura de um sistema de agricultura
provocado pela coevolução, convergência e integração de diferentes tecnologias, e
miniaturização e redução de custos de sensores (SMALL, 2017).

Entre as principais tecnologias adotadas na Agricultura Digital, aquelas voltadas


para a coleta de dados merecem destaque, como o uso de sensoriamento remoto por meio
de satélites e sensores embarcados em pulverizadores e distribuidores de fertilizantes,
escâneres a laser aerotransportados (LIDAR-light detection and ranging), IoT e veículos
aéreos não tripulados (VANTS) (BALAFOUTIS et al., 2017).

Os VANTs de asas fixas e de asas rotativas, também conhecidos como drones,


têm sido uma das primeiras tecnologias que nos vem à mente quando se fala em
Agricultura Digital. A capacidade de sobrevoar distâncias relativamente longas e com
grande qualidade e automação, além da capacidade de transportar sensores, como câmaras
de alta resolução e com várias bandas espectrais, tem resultado na popularização dos
drones (KRISHNA, 2017).

A loT também tem sido uma forma de coletar e trocar dados, pois pode conectar
qualquer dispositivo, como smartphones, sensores e máquinas que estiverem na rede de
comunicação. A Agricultura Digital é fundamentada na informação que é trocada entre
diferentes dispositivos, podendo se tornar bastante complexa (TZOUNIS et al., 2017). A
loT acaba sendo o meio pelo qual os dados são enviados por sensores conectados em uma
rede. Portanto, a IoT resulta na comunicação em massa e em tempo real entre dispositivos.
Todos os sensores, máquinas e dispositivos passam a fornecer uma grande quantidade de
20
dados (OLIVEIRA et al., 2018), estabelecendo um grande desafio para a Agricultura
Digital: como transformar esses dados em informações úteis? As tecnologias de análise e
armazenamento de dados, como a computação em nuvens e o big data, são temas
importantes para responder esta questão.

A computação em nuvens permite o acesso à distância e sob demanda a um


conjunto de recursos computacionais (rede, servidores, armazenamento, aplicativos e
serviços) que podem ser rapidamente fornecidos com esforços relativamente baixos e sem
a necessidade de grandes investimentos. pelos usuários (MELL; GRANCE, 2011). O big
data representa um conjunto sem precedentes de dados disponíveis, que estão muito além
da capacidade de processamento de computadores comuns, sendo necessário o poder de
processamento oferecido por sistemas de computação de grande capacidade (SHASTRY,
SANJAY, 2020). Portanto, a aptidão de utilizar essa grande quantidade de informações
para construir sistemas fundamentados em dados, transformando-os em informações
úteis, é o que tem sido uma das promessas da Agricultura Digital.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) vem se renovando e se


consolidando a cada ano. No passado, a TV e o rádio eram as principais tecnologias da
informação em uso, mas têm sido cada vez mais substituídas pela telefonia e
principalmente pela internet, favorecendo o gerenciamento e a troca de informações
(FAO, 2018b; OLIVEIRA et al., 2018). Dispositivos móveis, como smartphones e tablets,
têm sido os principais meios de interação dos usuários com as informações de seus
processos de produção. Diversos aplicativos, os famosos apps, são desenvolvidos
principalmente para smartphones devido à praticidade de acesso.

Embora o conceito de inteligência artificial tenha sido introduzido em 1956 por


John McCarthy (RAJARAMAN, 2014), uma grande evolução foi observada nos últimos
anos, impulsionada pelo aumento no poder de processamento e na maior disponibilidade
de dados (MACEDO et al., 2018). A inteligência artificial pode ser definida como a
capacidade de um computador de realizar tarefas que geralmente requerem inteligência
humana. O aprendizado de máquinas (machine learning) é uma subárea da inteligência
artificial, na qual algoritmos são treinados para reconhecer padrões e fazer predições
(OLIVEIRA, 2016). Com esta técnica, quanto mais dados são processados, maior é o
aprendizado e melhor será a acurácia das máquinas, sendo crucial para o sucesso de
algumas aplicações na Agricultura Digital. A visão computacional é uma subárea do
21
processamento de imagens que permite extrair um conjunto de atributos que descrevem
com precisão uma imagem.

Novos protocolos de segurança, como a tecnologia blockchain, estão


revolucionando as transações financeiras devido ao grau de segurança promovido por
eles, nos quais cada registro é confiável e imutável, além da descentralização das
operações que geralmente são centralizadas em empresas bancárias. Em resumo, o
blockchain consiste em uma corrente que armazena informações em unidades chamadas
blocos, de forma que cada vez que uma nova informação é inserida, um novo bloco é
adicionado na corrente, fazendo com que seja possível encontrar diferentes informações
ao longo da corrente (SYLVESTER, 2019).

2.4. EXPECTATIVAS

Existem diversas expectativas a respeito da Agricultura Digital, que se resumem


em solucionar os desafios para alcançar a sustentabilidade da produção mundial de
alimentos. Diversos autores têm apontado que a digitalização da agricultura irá mudar a
cadeia de produção de alimentos (SHEPHERD et al., 2018), e previsões otimísticas têm
sido feitas com base nos potenciais de novas tecnologias digitais. O gerenciamento de
recursos poderá ser altamente otimizado e preditivo, em tempo real e de uma forma
hiperconectada, apoiando as tomadas de decisão (SUNG, 2018). As cadeias de
suprimentos serão rastreáveis e coordenadas sob um nível altamente detalhado dentro de
cada campo (SYLVESTER, 2019). Culturas e animais serão precisamente gerenciados,
recebendo suas recomendações individuais (TRENDOV; VARAS; ZENF, 2019).

A Agricultura Digital irá criar sistemas altamente produtivos e adaptáveis às


mudanças, até mesmo às climáticas, resultando em grande segurança alimentar, MAIA,
2019). Ainda, no contexto dos objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela
ONU (Organização das Nações Unidas), a Agricultura Digital tem o potencial de entregar
benefícios económicos por meio do aumento de produtividade e redução de custos,
benefícios sociais e culturais por meio das melhorias de comunicação e inclusão, além de
benefícios ambientais pela otimização de recursos e pela adaptação às mudanças
climáticas.
2.5. REALIDADE DA AGRICULTURA DIGITAL

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É difícil não se impressionar com o potencial da Agricultura Digital, ainda mais
quando diversas outras tecnologias, já bem conhecidas, não foram plenamente adotadas,
e até mesmo questões mais básicas e primordiais na cadeia de produção de alimentos não
foram resolvidas. Em um levantamento realizado por Bernardi e Inamasu (2014), em
2012, observou-se que apenas 53% dos participantes de uma série de seminários sobre
Agricultura de Precisão realizados em vários estados brasileiros adotavam a Agricultura
de Precisão. A adoção de piloto automático em máquinas e de colhedoras com capacidade
de gerar mapa de colheita é de apenas 36,9% e 19,4%, respectivamente, entre aqueles que
adotam a Agricultura de Precisão. Porém, dependendo da região, o uso de mapas de
colheita pode chegar a 50%, como observado entre os produtores da região do oeste
baiano.

Não só no contexto brasileiro, mas também no mundial, existe uma grande


disparidade no domínio das tecnologias entre os diferentes setores e até mesmo dentro
dos mesmos setores do agro. Estas grandes diferenças resultam em desafios para o
desenvolvimento da Agricultura Digital, e a disseminação das tecnologias deverá ocorrer
aos poucos, como já observado ao longo das outras ondas de evolução (SHEPHERD et
al., 2018; LEMEILLEUR et al., 2019). Diversas questões básicas na cadeia de produção
de alimentos precisam ser resolvidas, como a distribuição de alimentos e a
sustentabilidade econômica de pequenos produtores. A despeito dos esforços para acabar
com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável até 2030,
o número de pessoas subnutridas no mundo está aumentando desde 2015, e encontra-se
nos mesmos níveis vistos em 2010-2011 (FAO, 2019). De acordo com a FAO (2018a), a
agricultura familiar é responsável por cerca de 80% da produção mundial de alimentos,
em uma área que representa 75% da área agricultável mundial, contudo, estes agricultores
geralmente possuem uma renda baixa e estão sujeitos a grandes desafios para se manterem
no mercado.

2.5.1 DESAFIOS A SEREM SUPERADOS PARA O AVANÇO DA


AGRICULTURA DIGITAL

Apesar das expectativas de aumento da sustentabilidade econômica, social e


ambiental pelo emprego da Agricultura Digital, existem diversos desafios a serem
23
superados para promover o acesso às tecnologias (PIVOTO et al., 2018). Muitas vezes, o
avanço de novas tecnologias digitais não ocorre de forma rápida devido a vários fatores,
tais como: má divulgação de novas ferramentas, conservadorismo presente na atividade
agrícola, alto custo repassado ao produtor e limitações das tecnologias que suprem apenas
a necessidades de nichos específicos.

Vaz e Sordi (2019) fizeram um levantamento em várias bases de dados científicos


(Scopus, Web of Science, Science Direct, Scielo, Spell e Google Académico) e
observaram que os principais desafios para o desenvolvimento da Agricultura Digital são:
necessidade de intensificação sustentável; limitações de processamento de dados;
necessidade de tomada de decisão sustentável; integração e comunicação entre diferentes
fabricantes de máquinas; relutância dos agricultores em compartilhar dados; rejeição de
tecnologias pelos consumidores; falta de distribuição de riscos e benefícios; limitações de
infraestrutura digital e educação e conhecimento precários no setor agrícola.

De acordo com Trendov et al. (2019), algumas condições devem ser respeitadas
para se alcançar a transformação digital na agricultura, podendo ser divididas em
condições básicas e condições facilitadoras. As condições básicas são: disponibilidade e
acessibilidade das tecnologias, conectividade com a internet e políticas para educação e
suporte das tecnologias da informação. Já as condições facilitadoras são: uso de internet
no dia a dia, acesso às mídias sociais, habilidade digital e suporte para empreendedorismo
e inovação (programas de desenvolvimento de talentos, programas de aceleração e
incubadoras de empresas).

Percebe-se que os desafios não são restritos aos fatores técnicos básicos, como a
conectividade, mas também se estendem ao fator humano, sendo necessário quitar a
divida digital com várias gerações de produtores e trabalhadores (CHO, 2018). Portanto,
a transformação realizada pela introdução da Agricultura Digital deve ser feita com
cuidado para evitar o aumento da discrepância entre economias e setores que diferem
entre si na habilidade de adotar novas tecnologias.

2.5.2 CONECTIVIDADE

A conectividade é a condição mais básica para o avanço da Agricultura Digital no


campo e um dos principais desafios. Em muitos casos, o investimento das empresas de

24
comunicação não é compatível com a demanda na área rural devido às dificuldades em
abranger áreas remotas e à baixa densidade demográfica dessas áreas. O último
levantamento do censo agropecuário realizado em 2017 revelou um enorme salto na
conectividade da área rural, de 75 mil propriedades conectadas em 2006 para 1,4 milhão
em 2017. Porém, apesar das melhorias, menos de 29% das quase 5 milhões de
propriedades rurais possuem acesso à internet, e apenas 13% dessas possuem internet de
banda larga (IBGE, 2019).

Quando se trata de acesso à internet, a comunicação é o tema mais discutido,


porém, a falta de conectividade pode afetar várias atividades de uma propriedade rural,
principalmente se avanços na Agricultura Digital forem esperados. Além disso, outras
atividades de gestão também são dependentes da conectividade, como a emissão de notas
fiscais eletrônicas e registros de campos. Enquanto isso, algumas empresas têm oferecido
serviços de conexão via satélite e via rádio. A comunicação via rádio pode ser utilizada
em uma rede de malha (mesh network ou rede mesh) na qual cada máquina pode ser um
repetidor de sinal, e as informações são emitidas pelos equipamentos e enviadas para uma
central onde tenha internet (PINHO et al., 2015). Uma vez que esses dados são recebidos
nessa central, eles são enviados para as nuvens, processados e/ou armazenados. Grandes
propriedades têm recorrido à criação de sua própria rede de internet. Uma rede com sinal
4G pode cobrir um raio de até 30 km com uma única torre, por meio da tecnologia de
transmissão LTE (long term evolution). Essa tecnologia tem sido criada pelo Centro de
Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) de Campinas, SP
(ZAMPAROLLI, 2020).
2.5.3 FACTOR SOCIAL

O uso de tecnologias digitais requer um nível básico de instrução e habilidade


(OLIVEIRA et al., 2018). Pessoas sem tais habilidades podem acabar sendo excluídas em
uma sociedade cada vez mais digital. A falta de estrutura e os recursos limitados nas áreas
rurais limitam a qualidade da educação. Quando se trata de alfabetização digital, o acesso
a este tipo de conhecimento é ainda menor na área rural. Em um levantamento realizado
pela União Internacional de Telecomunicação (ITU-International Telecommunication
Union), observou-se que tarefas simples como copiar e mover arquivos, enviar e-mails
com arquivos em anexo, baixar e instalar programas e criar tabelas ainda são habilidades

25
menos desenvolvidas na população rural, comparada à população urbana (ITU, 2018).

O acesso à internet, como já foi discutido, é um fator limitante, mas quando a


internet está disponível, a escolaridade e o nível de renda são fatores determinantes do
modo como as pessoas usam a internet. Usuários com baixos níveis de renda e baixo grau
de escolaridade tendem a usar a internet para comunicação e entretenimento, enquanto
poderiam usar para serviços mais avançados, como comércio eletrônico, serviços
financeiros e acesso à informação. Desta forma, a digitalização do agronegócio envolve
o risco de que seus benefícios sejam distribuídos desigualmente entre as diferentes
economias e setores, bem como entre as classes urbanas e rurais, gênero, classe social e
idade (TRENDOV et al., 2019; ZAMPAROLLI, 2020).

O empreendedorismo jovem tem um papel-chave na superação de parte dos


desafios sociais. Os jovens são os atores que fazem a integração da experiência de seus
pais e avós com as novas tecnologias, podendo encontrar oportunidades de
desenvolvimento. As startups originadas nas comunidades rurais com pequenos
produtores geralmente são uma fonte de inspiração, e podem alavancar estas
comunidades. Além disso, a introdução da tecnologia cria oportunidades para integrar
pequenos produtores em uma sociedade cada vez mais digital.

2.5.4 APLICAÇÕES DAS TECNOLOGIAS NA AGRICULTURA DIGITAL

Apesar dos desafios que a Agricultura Digital tem pela frente, e do desalinhamento
com as grandes expectativas, ela já é uma realidade em alguns setores. Porém, a
diversidade e a complexidade das tecnologias envolvidas na Agricultura Digital, a
inconsistência dos chavões adotados ao tratar das tecnologias, a discrepâncias nos
conceitos e a onipresença das tecnologias no dia a dia dificultam a mensuração da sua
adoção. Até mesmo a percepção pelo produtor da própria adoção da Agricultura Digital
é um desafio (OLIVEIRA et al., 2018; RUDER, 2019). Além disso, as tecnologias,
geralmente, não são adotadas de forma individualizada. Um pulverizador ou um
smartphone, por exemplo, apresentam diversas tecnologias embutidas.

Os smartphones são exemplos de tecnologias essenciais para a aplicação da


Agricultura Digital e que, ao mesmo tempo, fazem parte do cotidiano dos produtores;

26
deste modo, são utilizados para resolver tanto as questões pessoais quanto as de trabalho.
O uso da internet cresceu rapidamente a partir dos anos 2000, assim como o acesso à
telefonia móvel e aos smartphones, e o que um dia foi novidade, hoje é algo popular em
vários locais. Basicamente, os smartphones têm sido a interface entre produtor, sistema
de produção e fontes de informação.

Uma grande quantidade de aplicativos para smartphones tem sido ofertada, como,
por exemplo, os aplicativos de gerenciamento de produção, análise econômica, previsão
do tempo, gerenciamento de irrigação, informações de mercado, cotação de preços,
comércio online, rastreabilidade, serviços de aluguel de máquinas e implementos
agrícolas, levantamento de pragas e doenças, predição de ataque de pragas e doenças,
posicionamento de culturas de acordo com as janelas de semeadura, gerenciamento de
estágios produtivos e reprodutivos de rebanhos de gado, dentre outros. Não só os
aplicativos de caráter técnico, mas também os aplicativos de comunicação têm recebido
destaque nas atividades do produtor rural. O compartilhamento de imagens e vídeos já é
uma prática comum, facilitando a troca de informação dentro da propriedade, e
possibilitando a assistência técnica remota. Além disso, o avanço das tecnologias da
informação tem promovido o compartilhamento de informações de forma rápida entre
grupos de pessoas por meio de mensagens de áudio, videos com treinamentos, midias
sociais e websites. A inclusão social também tem sido promovida pela inovação digital
na agricultura, por meio de aplicativos com conteúdo informativo e com recomendações
para pequenos produtores (LEMEILLEUR et al., 2019).

3 METODOLOGIA CIENTÍFICA
27
A metodologia cientifica é o conjunto de processos ou operações mentais que
devemos impregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de
pesquisa.

Tipos de pesquisas:
 Do ponto de vista da natureza: Aplicada
 Do ponto de vista dos objetivos: Explicativa
 Do ponto de vista dos procedimentos técnicos: Pesquisa Bibliográfica, Estudo
de Caso e Pesquisa-Accão
 Do ponto de vista da forma de abordagem do problema: Quantitativa

Métodos de pesquisas aplicados


 Métodos de abordagem:
 Métodos de procedimentos:

Técnicas de colecta de dados


Técnicas de análise de dados

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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