Mari cai no subsolo após despencar do Monte Ebott.
Ferida e confusa, ela acorda nas
Ruínas, um lugar silencioso, frio e abandonado. Suas roupas estão rasgadas, o
joelho sangrando, e ela sente um peso no peito que vai além do físico.
Enquanto caminha mancando pelas pedras cobertas de musgo e colunas quebradas, ouve
passos. Ela se esconde. É então que vê Castiel, um garoto-monstro de aparência
esquisita, com olhos grandes e curiosos, andando pelas Ruínas sozinho. Ele a vê,
mas ela foge assustada.
Castiel e a Torta de Caramelo
Castiel corre até sua casa, empolgado, contando à mãe — Liz — que viu uma “pessoa
nova” nas Ruínas. Liz, surpresa e cautelosa, diz que aquilo é impossível, pois
ninguém cai ali há anos. Ainda assim, ela entrega um pedaço da torta de caramelo
que havia feito, e resolve seguir Castiel discretamente, desconfiada.
Quando Castiel encontra Mari novamente, ela se assusta, mas ele estende a torta
como sinal de paz. Ela reluta, mas após muito insistência (e o cheiro delicioso),
acaba comendo. Gosta, mas não diz nada.
Então Castiel começa a fazer perguntas:
— Quem é você?
— De onde você veio?
— Quantos anos você tem?
— Por que está aqui?
Mari responde de forma seca. Diz que tinha 15 anos, que o mundo de fora era uma
droga, que estava cansada de tudo. Castiel, com apenas 11 e sem entender muito
sobre sentimentos tão pesados, pergunta se ela está bem. Ela responde que não. Ele
pergunta se pode ajudar. Ela diz que não sabe.
Sem saber o que fazer, Castiel a convida para ficar em sua casa, pelo menos até ela
melhorar dos ferimentos da queda. Mari aceita, sem muita opção.
O Choque de Liz
Quando os dois chegam à casa, Liz já os espera na entrada. Ao ver Mari de perto,
seus olhos se arregalam. Ela congela por um instante, depois rosna:
— Ela não pode ficar aqui. Ela tem que sair. Agora.
Mari recua, assustada. Castiel, confuso, tenta argumentar. Liz diz que não é
seguro. Que se alguém descobrir que estão abrigando uma humana, todos morreriam.
Ela ainda não diz tudo, mas o medo está claro no olhar.
(Motivo sugerido pra Liz querer Mari fora: não só pelo perigo de morte, mas também
por culpa e trauma. Liz pode ter perdido alguém importante na guerra ou ter sido
traída por um humano no passado.)
Mesmo relutante, Liz aceita abrigar Mari por uma noite. Ela dorme no quarto de
Castiel, e os dois trocam histórias. Castiel começa a perceber o quanto Mari
carrega uma tristeza que ele não entende direito — mas sente que é real.
A Verdade de Liz
No meio da noite, os dois acordam e vão até a cozinha, onde Liz está acordada. Mari
pergunta:
— Por que você me odeia tanto?
— Eu nem te conheço.
Liz suspira e conta a história da guerra. Do ódio mútuo entre humanos e monstros.
De como muitos monstros foram mortos. E de como qualquer um que abrigasse um humano
hoje, mesmo que fosse uma criança, seria julgado como traidor e executado.
Ela revela que já teve uma irmã, que foi morta por ajudar um humano, anos atrás.
Mari pergunta como sair das Ruínas. Liz diz que há um portão, mas que além dele só
há caos, caçadores e monstros que arrancariam a cabeça dela sem hesitar. Mas existe
uma chance — uma magia de disfarce. Não é permanente, mas com manutenção constante,
poderia funcionar. Ela se oferece para aplicar a magia em Mari, se ela quiser ir.
Castiel diz que quer ir junto. Liz se nega:
— Não vou perder mais ninguém.
— Você é tudo que eu tenho.
Ela manda os dois dormirem. Mas Castiel, teimoso, acorda Mari de madrugada e sugere
fugirem. Mari reluta, mas Castiel insiste.
— Se for por ela, a gente nunca vai sair daqui.
A Última Porta
Eles caminham pelas Ruínas em silêncio. Mas ao chegar ao portão... Liz já os
espera.
Ela sabia. Sempre soube.
— Eu sabia que vocês tentariam isso. Então me escutem bem: se querem sair, vão ter
que passar por mim.
Mas não era uma ameaça. Era uma lição. Liz luta com os dois, mas sem intenção real
de machucá-los. Ela quer ver se têm coragem — e se estão preparados.
Após a pequena batalha, Liz cede. Com lágrimas nos olhos, ela aplica a magia em
Mari, transformando sua aparência humana num monstro franzino e inofensivo. Mas
avisa:
— Isso não vai durar pra sempre. A cada hora, a magia vai enfraquecer. Se quiser
continuar viva, vai ter que reaplicá-la.
Ela se despede dos dois, com o coração apertado.
Mari e Castiel seguem pela porta. Para o desconhecido. Mas juntos.