THE ROSE
TRADUÇÕES
Disponibilização e Tradução: Juuh Alves
Revisão: Bia e Alessandra
Leitura Final e Formatação: Regina
Verificação : Juuh Allves
1
Ruby
—
Não podemos vender isso!— Olho para os cookies em forma de
pequenos paus, e tento me convencer que estou vendo coisas.
São 5:30 da manhã, e não tomei café ainda, então talvez meu
cérebro esteja desligado. Examino a bandeja de novo, esperando
estar errada. Não. Definitivamente pequenos paus.
— Por que não? —, Gwen pega um dos biscoitos em forma de
pênis e morde a cabeça, fazendo-me estremecer. Não tenho um
pênis, mas parece doloroso. — Têm um gosto delicioso. Adicionei
um toque de especiaria de abóbora. As pessoas amam especiaria
da abóbora—. Ela balança a cabeça como se fosse um fato que
pessoas amam especiaria da abóbora. Ela termina o biscoito,
gemendo de apreciação. Dá um novo significado para 'engolir'
aqui no Goodie Basket Red.
— Pessoas mordem cabeças de paus também?
Gwen franziu o nariz e olhou para os bolinhos na mesa.
— Não se parecem com paus. São vassouras—. Mas, mesmo
quando se defende, inclina a cabeça para estudá-los.
— Tem pêlos púbicos—. Aponto para o que supostamente
seriam as cerdas de uma vassoura, em seguida, deslizo o dedo
através do que estou supondo que deveria ser a vassoura real. —
Um pau.
Ela morde o lábio, e posso dizer que está tentando encontrar
uma maneira de provar que estou errada.
— Gwen. Se é um maldito cabo de vassoura, porque está
gozando—? O fim do cookie tem uma crosta de gelo branca e
claramente parece sêmen.
— Essa é a magia saindo! É uma vassoura de bruxa! —, ela diz
tão sinceramente que não tenho certeza de quem está tentando
convencer aqui, eu ou ela mesma.
— Sim, algo está saindo isso é certo.
De repente, nós duas começamos a rir. Deveria estar
frustrada, mas rir é bom. É algo que fiz em algum tempo, e deixo
ir apreciando o disparate da situação.
Quando finalmente paro, um olhar preocupado cruza seu
rosto.
— Está tudo bem—. Tento tranquilizá-la. Abri a padaria a
pouco mais de uma semana, e tenho certeza que ela pensa que
vou demiti-la. O que ela não sabe é que é a única pessoa que
solicitou o trabalho. Por alguma razão tenho dificuldade em fazer
a transição para a pequena e tranquila cidade de Gray Ridge,
Colorado.
Se não fossem os turistas, não teria qualquer negócio. Sorte
minha que há um parque nacional próximo e isso mantém minha
pequena loja ocupada. Só não tenho certeza de quanto tempo vai
durar uma vez que a neve começar a dominar as montanhas e os
turistas sumirem. Disseram que algumas estradas fecham por
aqui após a neve. Talvez até lá os moradores me tratem melhor.
Caso contrário, serão meses apertados, e vou ter que gastar mais
da minha poupança. Como as férias estão se aproximando
rapidamente, estou esperançosa que todo mundo vai precisar de
sobremesas.
Está chegando perto do fim de outubro, e pensei que algumas
surpresas festivas para Dia das Bruxas seria uma boa ideia.
Quando mencionei isso para Gwen, ela pulou, querendo fazê-los
sozinha. Ela parece querer ficar aqui tanto quanto pode. Eu tinha
uma pilha de papéis para fazer ontem à noite, então dei-lhe
liberdade nos cookies. Subi para o meu pequeno
apartamento/escritório sobre a padaria e a deixei. Esta manhã
vejo o erro nas minhas ações.
Quando a contratei, sabia que ela não tinha nenhuma
experiência, mas parecia ansiosa para aprender. Sempre que fiz
coisas, ela observava cada movimento, absorvendo todas as
informações que podia. Tinha ido para a escola de culinária e eu
estava mais do que feliz em ensinar os meus truques. Tem sido
bom ter alguém para conversar que compartilha meus interesses,
mas ela ainda tem um longo caminho a percorrer quando se trata
de artesanato culinário.
— Ok, não temos que vender estes. O que mais você fez?
Gwen caminhou até o resfriador, puxando mais cookies. Ela
voltou para mim, colocando para baixo uma enorme bandeja de
biscoitos de abóbora laranja com “Me Coma” escrito de preto.
— Por que “me coma”? —, pergunto, olhando as abóboras
perfeitas. Perfeitas à exceção da mensagem, é claro.
— São mensagens subliminares para os clientes—. Ela balança
a cabeça como se tivesse trabalhado em publicidade e soubesse
que este é o segredo da venda. — As pessoas vão ter que
comprar os biscoitos e comê-los porque o cookie diz isso.
— Mais alguma coisa—? Cruzo meus dedos atrás das costas,
orando para ter algo para vender. Agora não tenho tanta certeza
se quero que estejamos ocupados hoje. Preciso preparar alguns
biscoitos utilizáveis e guloseimas de Halloween como as coisas
normais que vendo. Isso me manteria na parte traseira todo o dia
com Gwen cuidando sozinha do balcão.
— Fiz esses também—. Ela salta de volta para o resfriador,
sua excitação clara. Dois segundos depois, vem carregando uma
bandeja de cupcakes congelados em verde, preto, branco e
laranja. O único problema é que parece haver mais pênis em
cima deles.
— O que é isso—? Aponto para o que claramente parece um
pau em cima de um cupcake. Não que já tive experiência com um
real, mas tenho uma conta no Tumblr.
— São dedos. Não parecem assustadores—? Posso dizer que
ela está animada com isso. Penso que ela ficou até tarde da noite
passada para fazê-los. Seu rosto tem um sorriso gigante e não
consigo estourar sua bolha.
— Eles são ótimos, Gwen—. Pego uma das bandejas, indo para
um dos balcões. Penso onde posso colocá-los, talvez escondê-los
atrás de uma pilha gigante de doce Rice Krispies1, bolos ou algo
assim. Poderia colocá-los na linha de baixo, mas então as
Rice Krispies Treats são um doce feito usualmente combinando Rice Krispies da Kellogg's com
1
manteiga ou margarina e marshmallows derretidos ou creme de marshmallow.
crianças os veriam. Acho que vou ter que colocá-los no topo, e
tremo por dentro.
Isso não vai me dar favores com os moradores que já me
evitam. Eles não parecem felizes que eu tenha tomado à padaria
da cidade. É a única razão que tenho, para eles irem para o outro
lado da calçada quando me veem. Não estive tempo suficiente
nesta cidade para deixar qualquer um louco. Você pensaria que
vim e roubei a padaria ou algo assim pela maneira que agem. Vi-
a para venda on-line e fiz uma oferta, e se eles não gostam de
novas pessoas, talvez não devessem ter colocado um anúncio on-
line para o mundo ver!
O site ainda mostrava a papelada de quão bem-sucedido o
proprietário anterior foi e explicou que a única razão pela qual
estava à venda era porque o dono faleceu, e a família não
poderia executá-la. Mas, o negócio não parece bom agora que
estou aqui.
Quando vi este lugar soube que seria perfeito para mim; um
novo começo num lugar novo, e pude deixar as lembranças
tristes para trás. Depois que minha avó morreu, fiquei sozinha.
Ela me criou depois que meus pais morreram num acidente de
carro quando eu tinha cinco anos. Após o colegial fui para a
faculdade, consegui um diploma em administração, mas não fiz
nada com ele. As únicas vezes que me sentia feliz era na casa da
minha avó e quando cozinhava com ela. Foi quando soube que
tive que fazer da cozinha parte da minha vida, se quisesse ser
feliz.
Minha avó me empurrou para a escola de culinária, e,
infelizmente, não foi muito tempo depois que me formei que a
perdi. Depois que fechei sua propriedade, sabia que queria abrir
minha própria padaria e procurava o lugar certo. Quando me
deparei com esta cidade, com a pequena padaria perfeita, algo
sobre isso me atraiu quando entrei pela primeira vez, e sabia que
era o lugar. Senti como se encaixasse. Era quase como se a
padaria estivesse esperando por mim, como se fosse o meu
destino estar aqui.
Empurrando através da porta da cozinha para frente, coloquei
a bandeja sobre o balcão e comecei a fazer café enquanto
tentava arrumar a vitrine. Talvez esteja sendo muito dura; não
estive aqui por tanto tempo.
Gwen segue atrás de mim, e a vejo ir para as bandejas na
janela da loja e começar a colocar guloseimas em exposição lá
também. Merda.
Talvez quando abrirmos possa enviá-la numa tarefa e jogar
tudo fora, quando ela sair. Poderia dizer-lhe que um louco
comprou tudo, mas então ela faria mais. Merda.
Finalizando nossa manhã, ando até a vitrine e mudo as coisas
um pouco. Depois que tudo está definido, inverto o sinal de
'fechado' para 'aberto’ e destranco a porta. Vou para trás do
balcão e vejo as pessoas passarem pela padaria, fazendo seu
caminho para suas próprias lojas. Algumas pessoas que não
reconheço entram para um café, olhando os biscoitos do Dia das
Bruxas. Fui em frente e coloquei as 'vassouras' também. Poderia
se estou vendendo os outros. Se não venderem, sempre posso
levá-los para casa de repouso na estrada, como sempre faço com
os restos. Talvez não notassem que parecem pequenos paus.
— Acho que vou correr até a loja de ferragens mais tarde e ter
decorações de Halloween. Trazer um pouco da festa para o local.
Sei que algumas crianças vão vir com doces ou travessuras no
Dia das Bruxas. Talvez arrastem seus pais também—. Tento
parecer animada, mas Gwen apenas bufa, fazendo o cabelo loiro
voar. Você pensaria que estou fazendo uma matança no balcão
da frente, considerando quão quente é. Ela come mais da
mercadoria do que eu, mas não tenho certeza de para onde vai.
Os doces que como vão direto para meus quadris e bunda.
— Gwen, você nasceu e cresceu aqui, certo? —, pergunto, já
sabendo a resposta. A ouvi falar sobre seu irmão. Ela vive com
ele, e constantemente se queixa de que ele não a deixa fazer
nada. Na verdade, acho que este trabalho foi um ato de rebeldia.
Depois de ver todos os deleites sujos do Dia das Bruxas que fez,
estou começando a pensar que está sexualmente reprimida. Não
que eu possa apontar o dedo. Sou uma virgem de vinte e quatro
anos e Gwen é apenas três anos mais nova que eu. Mas não sou
eu quem faz mini pênis.
— Sim, nascida e criada—, Diz ela, virando-se e inclinando o
quadril contra o balcão ao lado da registradora.
— A maioria nasceu e cresceu aqui—? A cidade parecia tão
unida, como um clube que não consigo entrar. É como se não
tivesse feito o rito de passagem secreto ou algo assim. Todos os
dias continuo esperando que algo vai dar certo. Talvez eles não
saibam que a padaria está aberta, mas estou começando a
pensar que numa cidade como essa, todo mundo sabe tudo sobre
todos.
Ela dá de ombros, e posso vê-la escolhendo as palavras com
cuidado.
— A maioria é daqui, mas Alp... Quer dizer, meu irmão, dá as
boas vindas de vez em quando.
— Eles não parecem gostar de mim—, murmuro, não
querendo insultar seu irmão. Por que seria seu trabalho dar as
boas-vindas? Ainda não tinha encontrado o homem, e se ele é
algum tipo de comitê de boas vindas da cidade, então está muito
ocupado. Estou aqui por três semanas, e não tenho ideia de
quem ele é.
— Bem, só vai levar tempo—. Ela se inclina um pouco mais
perto de mim, e a ouço cheirar.
— Você acabou de me cheirar—? Agarrando minha camisa,
cheiro procurando fedor ou algo assim, mas tudo que sinto é
açúcar. Não importa quantos banhos tome. Acho que é por fazer
doces o tempo todo.
— Não—, ela diz, dando um passo para trás como se eu
fizesse uma pergunta louca, quando ela é a única a me cheirar.
— Você gosta de trabalhar aqui, Gwen?
— Amo isso! Não vai me demitir porque te cheirei, não é?
Pode decorar a loja, se quiser. O dia das Bruxas é em poucos
dias, e vou fazê-lo hoje. Ou os deleites? Você odiou? Posso fazê-
los de novo. Apenas me mostre como gosta deles. Por favor, não
pode me demitir. Ninguém mais vai me contratar. Meu irmão não
vai deixá-los e... E...
— Gwen. Acalme-se —, digo, cortando-a de seu medo
desmedido. — Não vou demiti-la. Eu... É só... Quando um
segundo atrás, fiz a sugestão sobre a decoração, você bufou tipo:
‘ninguém está vindo aqui’, e, bem, se ninguém vem aqui,
nenhuma de nós terá trabalho.
— Oh—! Ela suspira como se não fosse grande coisa, e só a
olho, sem entender. — Eles vão vir depois.
— Depois—? Aceno minha mão tentando incentivá-la a
terminar a frase.
Ela hesita e olha em volta da sala.
— Depois que o xerife Wolfe parar de assustar as pessoas—.
Ela diz as palavras como se eu as conseguisse usando tortura.
Ao ouvir seu nome, meus olhos vão para a janela da frente
para ver se ele está rondando minha loja novamente. Pensei que
policiais dirigiam ao redor nos carros de polícia, comendo
rosquinhas, mas o daqui anda para cima e para baixo durante
todo o dia, comendo meus biscoitos e bebendo meu café. Ele
para na frente da minha padaria mais do que em qualquer outro
lugar e parece que fiz algo para ofendê-lo.
Era sua família que possuía a padaria antes de mim, mas
disseram que ele queria vendê-la. Os advogados explicaram que
ele não tem tempo para ela, o que eu poderia entender se é o
xerife. E de nenhuma maneira eu poderia vê-lo numa padaria. Ele
a comeria toda.
O homem era um idiota. Um sexy e gigante idiota que era
meu maior cliente, mas ainda um imbecil e mal conseguia formar
uma frase no melhor dia. No começo pensei que talvez ele só
pudesse grunhir e rosnar. Mas então vi que não tem um
problema em falar com outras pessoas. O ouvi falar com Gwen
algumas vezes e todos os outros, mas comigo era como se eu
fosse um incômodo ou algo assim. Se não gostava de mim, por
que estava perto o tempo todo? Por que me vendeu a loja? Não é
como se eu tivesse torcido seu grande, peludo, e musculoso
braço, ou algo assim. Na verdade, foi o oposto. Lembro-me do
dia como se fosse ontem.
Quando vim ver o lugar, estava tão animada. Sabia antes
mesmo de chegar aqui que iria fazer uma oferta. As imagens on-
line eram tudo o que eu queria. O lugar era decorado com minha
cor favorita, vermelho. Tudo o que teria que fazer era conseguir
um novo banner.
Estava tão animada por finalmente vê-lo pessoalmente, mas a
primeira vez que entrei o que vi foi ele. Pensei que estava
sentado na mini mesa na padaria, mas não demorou muito tempo
para perceber que a mesa não era mini. Não, ele só a fez parecer
assim, porque ele era muito grande.
Fiquei hipnotizada, todo o meu corpo ganhou vida. Foi uma
sensação que nunca experimentei, o calor me dominando. Os
grandes olhos de prata cresceram mais com minha visão. Mas
então, ele se levantou e saiu da padaria. Pouco antes de bater a
porta, disse por cima do ombro:
— É dela—. Ele deixou claro que não queria ter nada comigo e
a padaria. Ou assim eu pensava.
Por alguma razão, tirou o ar dos meus pulmões quando ele me
dispensou tão facilmente. Não deveria ter estado surpresa. Eu
não era notada pelos homens. Sou baixa, gordinha, e com um
cabelo vermelho encaracolado que não posso controlar. É por isso
que meus pais me chamaram de Ruby. Então, sabendo tudo isso,
ele me ignorar não deveria ter doído, mas machucou.
Então descobri que ele é o xerife. Senti como se ele viesse
aqui para me assustar e agora descubro que está mantendo as
pessoas longe da loja também. O que é isso? Algum esquema
que ele faz ou algo assim? Vende a padaria, estraga o negócio e a
compra de volta barato, em seguida, repete tudo com alguém
novo? Não posso sequer denunciá-lo porque ele é o xerife
imbecil.
Talvez seja isso. Naquele dia, ele me viu, sabia que eu era um
alvo fácil. Bem, a próxima vez que eu o ver, vou esclarecer as
coisas. Dessa vez quem vai rosnar e grunhir sou eu.
2
Dominic
Dando alguns passos, paro em frente à Goodie Basket Red. Faço
uma careta para o sinal que ela instalou há poucos dias. Não
poderia ser nada mais sugestivo. Estou nas sombras da manhã e
vejo Ruby organizar biscoitos na frente da janela, seu cabelo
vermelho selvagem em torno dela. Tive um sonho ontem à noite
que ela me montava. Seus longos cachos ruivos nos rodeavam,
enquanto eu respirava seu aroma adocicado e a guiava para cima
e para baixo no meu pau.
— É que... — Eu paro, vendo os biscoitos em forma de pênis
exibido para todos verem. — De que tipo de lugar ela vem?—
Ótimo, estou falando sozinho. Apenas quando penso que não
posso perdê-lo mais do que já tenho. A vejo andar para trás do
balcão e falar com Gwen.
Felizmente, minha visão é cem vezes melhor do que a dela,
então quando ela olha através do vidro, com seus olhos verdes
escuros, não pode me ver, mas ainda posso ver minha
companheira perfeitamente. Sinto meus dentes alongarem,
fazendo minha mandíbula doer. Quero afundá-los em sua pele de
porcelana. Quero fazê-lo enquanto ela grita meu nome com seus
lábios rechonchudos. Talvez ela vá me dar o pequeno gemido que
ouço quando ela morde uma de suas sobremesas.
A necessidade por ela está ficando mais forte, algo que não
achei possível. Não sei quanto tempo mais posso aguentar.
Pensei em esperar até meu lobo ficar sob controle, mas isso não
parece estar funcionando, e estou correndo contra o tempo. Olho
para o céu e vejo o sol começar a espreitar por detrás das
nuvens, mas posso sentir a lua cheia vindo. Está quase na hora.
Lembro-me da primeira vez que vi Ruby no dia que ela entrou
na padaria querendo comprá-la. Foi da minha tia-avó Claire por
mais de vinte anos, mas vendê-la era a decisão certa. Quando
Ruby abriu a porta, uma brisa quente a seguiu, trazendo seu
perfume para mim. Foi então que soube que encontrei minha
companheira.
Gray Ridge, Colorado é uma cidade pequena, mas antiga.
Estamos perto de um parque nacional, que recebe um monte de
turistas durante todo o ano, mas normalmente pessoas de fora
não vivem aqui. Nunca lhes damos a oportunidade de possuir
propriedades, só vendemos a outros shifters. Minha família,
juntamente com alguns outras estão aqui há gerações. Conheço
todos que vivem aqui, e se não conheço, faço meu negócio para
descobrir quem são. A maioria das pessoas acha que somos
apenas uma comunidade muito unida, mas na realidade somos
uma comunidade de shifters que vivem como uma matilha.
O dia que cheirei Ruby, soube que ela era minha. É assim que
funciona com nossa espécie. A Mãe Natureza traz seu
companheiro, a pessoa que será sua para sempre. Meu pai me
disse que saberia quando a cheirasse. Ela seria minha no
segundo em que a visse; uma parte de mim, que não sabia que
estava faltando, encontraria seu lugar e ele estava certo. Meu
lobo soube imediatamente que Ruby era a única. Sentei-me à
mesa na padaria com três advogados do bando quando ela
apareceu com seu cabelo vermelho e curvas. A tinha visto sair do
carro, e isso fez meu lobo sentar-se e observar. Estava
interessado antes mesmo de saber que ela era a única, mas uma
vez que a porta abriu, meu lobo foi à loucura, arranhando para
sair. Foi algo que nunca tinha acontecido antes. Claro, quando
era jovem meu lobo, às vezes, se esforçava para sair para uma
luta, mas nunca como isso. Pela primeira vez na vida, não me
senti no controle dele, provavelmente porque eu não estava.
Sabia que tinha que sair de lá o mais rápido possível. Meu lobo
queria sair, e cada segundo que estava perto era um segundo
mais perto do lobo se libertar. Não seria lua cheia até três
semanas, e se eu a encontrar e não puder acasalar, a dor seria
insuportável. Só um breve encontro me deixou com dores de
estômago e a dor no pau era incapacitante. Senti como se tivesse
levado um soco por todo o corpo de uma vez, mas ao mesmo
tempo estava com um tesão da porra.
Não é incomum para o meu tipo acasalar com um humano,
mas com certeza poderia tornar as coisas mais difícil. Minha tia-
avó Claire era humana, mas por alguma razão nunca pensei que
minha companheira seria. Outra shifter iria entender a atração e
o que estava acontecendo. Um ser humano não conseguiria
entender algumas das reações do seu corpo a alguém que nem
sequer conhece. Disseram-me que os seres humanos ainda
sentem um puxão, mas não tão forte como um shifter. Eles vão
se você levá-los, mas até o acasalamento, não é tão intenso.
Liberar sêmen dentro de uma fêmea humana vai fazê-la entrar no
cio e ansiar pelo acasalamento, algo que não pode ser feito até
que tenhamos uma lua cheia.
O que realmente não esperava era me sentir tão protetor e
possessivo com um ser humano que nunca disse mais de dez
palavras. Ruby é mais fraca do que nossa espécie, e não seria
capaz de proteger a si mesma como uma loba poderia. Pelo
menos não até depois do acasalamento e ela ter alguns dos meus
traços shifter. Ela nunca mudaria totalmente, mas não seria
completamente humana. Não, ela seria parte de mim, e só o
pensamento me deixou duro.
Não posso suportar a ideia de outro homem a olhando, então
espalhei a palavra para todos os moradores se manterem longe
até a lua de acasalamento. Digo que espalhei a palavra, mas na
verdade fui de porta em porta, ameaçando de morte quem
olhasse para minha companheira. Talvez tenha exagerado porque
não só todos os homens, mas todas as mulheres têm evitado a
padaria.
Logo, digo a mim mesmo, em breve.
Saio das sombras e atravesso a rua. Entro na padaria, ouço o
sino acima da porta. Vejo Gwen sorrir brilhantemente para mim
com o canto do olho, mas meus olhos estão sobre Ruby. A lua
está quase cheia, e a necessidade dolorosa para acasalar com ela
está correndo por meu corpo. Mas como dizer a alguém que não
é um shifter e que não tem conhecimento do nosso mundo o que
vai acontecer?
Ela fecha a cara para mim, e o lobo sobe no meu peito,
amando o desafio. Eu quero dominá-la, levá-la para o chão e
segurá-la com os dentes até que ela implore. Meus impulsos
bestiais estão pressionando para frente, mas tenho de controlá-
los. Não posso fazer isso agora.
— Café—. Consigo falar, observando Ruby vindo até o balcão.
O pequeno avental vermelho que tem não encobre suas curvas.
Ela está com um vestido de malha que molda sua forma, e isso
me faz lamber os lábios. Gostaria de saber se ela está usando
roupas íntimas por baixo do vestido.
— Xerife Wolfe—, ela diz meu nome como se estivesse com
raiva de mim, e talvez esteja, mas seu corpo não está. Posso
dizer pela forma como se inclina, tentando reduzir a distância
entre nós. Ela provavelmente nem sequer percebe que está
fazendo isso, mas seu corpo sabe que pertence ao meu lobo e a
mim. O desejo subconsciente provavelmente a irrita também. Ela
me quer, mas não entende o porquê.
Ela se vira para pegar uma xícara de café e enchê-la. Quando
passa por mim do outro lado do balcão, tenho cuidado para não
tocá-la. Se a tocar, não tenho certeza do que vai acontecer. Não
seria capaz de transar com ela, pois poderia desencadear seu
calor, mas meu lobo gostaria de mordê-la e marcá-la. Agora.
Talvez apenas um gosto não fizesse mal. Poderia lamber sua
vagina. Meu lobo rosna para a ideia de, finalmente, descobrir que
gosto ela tem. Aposto que é tão doce quanto o cheiro.
Os machos shifter tem o pior. Seu pau não fica duro até
encontrar sua companheira, por isso até então seu corpo tem
todos esses impulsos e desejos, mas não pode fazer uma coisa
maldita sobre isso. É por isso que shifters do sexo masculino
estão sempre à procura. Quando a encontra, seu pau finalmente
tem uma ereção pela primeira vez. Mas, então, é ainda pior,
porque não pode gozar. Não importa quantas vezes acaricie meu
pau não sai nada.
Até que tome sua companheira, pela primeira vez e encontre a
liberação dentro dela, pode acariciá-lo até gastar a mão e nada
acontece. Quando encontrar sua companheira, pode reivindicá-la
imediatamente, o calor tomando tanto de você depois de dar-lhe
seu sêmen. Uma vez que isso acontece, o calor de acasalamento
fica até a próxima lua cheia. Depois disso, finalmente passa.
Após a lua de acasalamento passar e você a reclamar, pode
transar com ela, tanto quanto quer. Mas até lá, é banho frio. As
mulheres podem foder sempre que quiserem, mas pelo que ouvi
não podem gozar, talvez por isso seja tão ruim. Mas eu duvido.
— Se importaria de me dizer por que está assustando os meus
clientes?
As palavras de Ruby trazem minha atenção de volta para ela,
mas não tenho resposta. Quero dizer que é porque ela é minha,
mas não posso. Tento pensar em algo para dizer, mas meu lobo
está muito próximo à superfície de novo, e tudo o que posso
pensar é colocá-la no cio. Não consigo raciocinar.
— Não mexi com os turistas—. É uma meia-verdade, não mexi
com todos eles, e é a única coisa que posso pensar para dizer.
Ela olha para mim, e juro por Deus, meu pau fica mais duro. A
porra não foi para baixo desde que ela entrou na padaria há três
semanas. Sua atitude me excita muito. Normalmente sou um
cara muito descontraído, mas algo sobre ela faz meu animal vir à
superfície.
— Gwen me disse que em algum momento você vai parar. Se
importaria de me dizer quando?— Ela coloca a mão no quadril,
acentuando a cintura e coxas grossas. Minha boca saliva, e sinto
meus dentes doendo novamente. Quero mordê-la no interior das
coxas. Ninguém jamais verá as marcas, mas eu sim. Sei que
estarão lá cada vez que a olhar.
Ruby limpa a garganta, e mudo meu foco de seu corpo para o
rosto. Ela levanta uma sobrancelha quando me pega, mas não
dou à mínima. Ela é minha, ela só não sabe disso ainda. É então
que percebo que ainda está à espera de uma resposta.
— Domingo—, eu rosno, sabendo que a lua de acasalamento
será na noite de sábado.
Ela olha para mim como se eu fosse louco.
— Então, no domingo, vai magicamente parar de afastar os
moradores da minha padaria e todo mundo vai vir?
— Sim—. Ela faz parecer que sou louco, mas é, literalmente,
como funciona. Uma vez que ela for marcada, não vai querer ficar
longe de mim. Não vai gostar do toque de outros machos, e todos
os shifters vão saber que ela pertence a mim depois de sentir seu
cheiro.
Quando a lua cheia vem, todos os shifters solteiros costumam
deixar a cidade por alguns dias, não sendo capaz de suportar o
barulho dos shifters acasalados transando como animais
enlouquecidos. Eu odiava porque, sendo o xerife, não é como se
pudesse sair da cidade a hora que quisesse. Nunca mais vou ter
esse sentimento. Não, terei minha companheira na próxima lua
cheia.
— Claro. O que disser, Xerife Wolfe. Vou acreditar quando
ver—. Ela se vira indo para a parte de trás, dispensando-me
como se fosse nada mais do que um cliente chato, mas tento
impedi-la antes que ela saia.
— Dominic—. Ela se vira e encontra meus olhos. — Por favor,
me chame de Dominic.
Vejo um flash de algo em seus olhos, e ela assente. Meu lobo
quer aconchegá-la, mas tenho que manter a rédea curta sobre
ele. A dor de acasalamento está tomando conta, e não posso
estar perto dela mais.
No meu caminho, olho para Gwen, e ela tem um sorriso
enorme no rosto.
— Gwen, pode fazer melhor do que colocar paus a venda—.
Sei que isto é obra dela. Ela age satisfeita, mas está longe disso,
e não estou tão certo de que suas criações infelizes não foram
feitas de propósito.
Ela ri e pisca para mim quando saio.
— Tenha um bom dia, Dominic.
3
Ruby
—
Vou trancar a porta da frente no caminho. Tem certeza de
que não posso ajudá-la com outra coisa esta noite? —, pergunta
Gwen.
Eu termino de limpar as vitrines, limpando as impressões
digitais no vidro de clientes. Lanço a toalha de papel no lixo, em
seguida, coloco a chave na registradora, fechando a gaveta.
— Não, acho que é isso por hoje—. Deixo cair à chave na
minha bolsa e sorrio para ela.
— Talvez pudéssemos ir pegar uma bebida? —, Gwen
pergunta esperançosa, um grande sorriso no rosto.
Ela quer sair, mas estou acabada, depois de passar a tarde
fazendo não-sexuais doces de Halloween para vender amanhã.
— Não essa noite.
Seu rosto cai com minha resposta e me faz sentir culpada. Sou
nova na cidade, e ela é a única pessoa que parece ter me
recebido de braços abertos. Não posso imaginar alguém tão
borbulhante como ela não tendo outros amigos para sair, ou um
enxame de homens querendo sua atenção. Mas posso dizer que,
apesar da personalidade extrovertida, ela é um pouco solitária.
Algo que posso entender, e se não estivesse tão cansada iria com
ela.
— Mas sexta-feira noite eu vou—. Dou um sorriso, esperando
receber outro. Deveria fazer um esforço melhor se quero caber
nesta cidade. Talvez uma noite fora com Gwen vá me dar uma
chance de realmente conhecer os locais, num ambiente mais
descontraído. Tenho certeza de que Gwen conhece todo mundo e
pode me apresentar ao redor. Duvido que haja uma pessoa que
não conheça. Também estou supondo que uma noite com ela
seria cheia de diversão. Ela tem um sorriso contagiante.
— Parece perfeito!— Gwen se inclina, envolvendo os braços
em mim e me dando um abraço muito necessário, apertando-me
com força. É difícil fazer amigos numa nova cidade, mas ela tem
sido de ouro. Envolvo meus braços em torno dela e a aperto de
volta.
— Obrigado, menina—. A solto, e pego minha bolsa no balcão.
— Vejo você amanhã—. Gwen diz por cima do ombro enquanto
sai pela porta da frente, trancando-a atrás dela.
Foi um dia longo, mas bom. A coisa boa sobre trabalhar numa
padaria tão cedo é que cinco horas da tarde está acabado. Um
grande número de turistas chegou hoje, apesar do xerife de
guarda na frente o tempo todo. É estranho, mas parte de mim
gosta do fato dele estar perto. É um sentimento estranho, mas é
como se me sentisse um pouco mais seguro sabendo que ele está
próximo.
— Ele é o xerife imbecil. Deveria te deixar segura—, murmuro
para mim mesma, sabendo que é mais do que isso. Quero gritar
com ele para sair da frente da minha loja, mas sempre que o vejo
entrar, meu coração perde uma batida. Digo a mim mesma que é
a raiva, mas sei que estou mentindo.
Sem moradores hoje, e é além de frustrante. Mas por alguma
razão, Dominic diz que todos vão mudar no domingo. Afinal, o
que isso quer dizer? O que faz as coisas magicamente mudarem
no domingo?
Dominic.
Só pensar em seu nome me tem formigando. Nunca me senti
assim sobre alguém antes. Ele me dá nos nervos da maneira
como paira sobre mim, mas não posso parar meu corpo de
querer esfregar-se contra ele. É uma loucura, porque não me
lembro de nunca ter estado tão excitada. Quando ele está perto
sinto este calor irradiar através de mim, e tudo que quero fazer é
subir nele.
Jesus, Ruby, se controle. Mentalmente me livro da névoa de
sexo e embrulho o resto dos produtos de hoje.
Surpreendentemente, muitos dos deleites do Dia das Bruxas
venderam, os turistas tirando fotos e publicando no Instagram.
Talvez Goodie Basket Red se torne famosa na internet. Sou capaz
de ler as manchetes: 'Goodie Basket Red tem a mais doce
abóbora pau!'. Posso ver as pessoas vindo comer um cookie de
pau e tomar café.
Tenho uma bandeja de guloseimas extras, e penso em levá-la
para a casa de repouso e depois voltar, abrir uma garrafa de
vinho, e mergulhar na banheira antes de dormir. Ainda tenho
uma tonelada para decorar e preciso deixar a loja mais festiva
para o Dia das Bruxas, então sei que vou estar de pé amanhã.
Meus dedos dos pés precisam de uma boa imersão quente, e
talvez se eu beber vinho suficiente, não vou ter sonhos sobre o
gigante Dominic.
Meu apartamento em cima da padaria é pequeno, com plano
aberto e um banheiro completo. É funcional e cheira as
guloseimas que faço a cada dia. Esta conveniente acima de onde
trabalho, e é tudo que preciso, uma vez que sou só eu, mas
espero um dia ser capaz de ter uma casa com alguma terra.
Sempre quis espaço suficiente para uma varanda e não precisar
me preocupar com olhos curiosos. Bem, talvez haja um conjunto
de olhos que não me importaria. Paro, tentando limpar esse
pensamento. Não deveria estar pensando em Dominic assim.
Nem o conheço, mas parece que minha mente faz o que quer nos
dias de hoje, mesmo no meu sono. Devia querer bater na cabeça
dele por ser um pé no saco.
Abrindo a cesta, coloco as bandejas de guloseimas dentro.
Saio pela porta dos fundos com minha cesta de guloseimas em
uma mão e as chaves e bolsa na outra. Uma vez fora, viro e
tranco. Quando viro a chave, e o bloqueio encaixa no lugar, ouço
folhas esmagarem atrás de mim. Olho ao redor, segurando firme
minha cesta, mas não vejo nada. Isso me assusta, mas devo ter
imaginado. Talvez fosse apenas um animal cruzando as árvores
atrás do edifício. Caminhando até meu carro, ouço o farfalhar de
novo, e fico ali, olhando para a floresta por um segundo,
tentando ver se eu posso pegar o que quer que seja. Estando no
Colorado poderia ser um monte de coisas.
Goodie Basket Red fica na rua principal, mas as costas dão
para a floresta. Há uma tonelada de terra protegida aqui uma vez
que estamos tão perto do parque nacional, e atrás da padaria há
centenas de árvores e animais selvagens. Pensando que talvez
seja um guaxinim, olho em volta buscando algo para assustá-lo.
Examino o chão. Talvez possa jogar uma pedra na floresta, e ele
irá correr. Não preciso de um animal rasgando meu lixo.
Quando olho para cima, vejo um homem que eu não
reconheço de pé apenas um par de pés longe de mim, como se
viesse do nada. Jesus, ele deve mover-se rapidamente. É muito
alto, e não estou pensando isso só porque sou superbaixa. Esse
cara tem que estar perto de dois metros. Suas roupas estão sujas
e rasgadas, e parece que não se banhou em meses. Inferno,
talvez anos. Seu cabelo é muito além dos ombros e emaranhado,
e a longa barba parece o mesmo. Seu rosto está coberto, então
não posso realmente ver quaisquer características além da boca e
dos olhos assustadores. Ele tem lábios cheios, mas os dentes são
longos e pontudos. Acabei de encontrar o pé grande? As pessoas
do Instagram vão ficar chateadas que perderam isso.
— Oi. Posso ajudá-lo? — Ouço o tremor na minha voz, e tento
não entrar em pânico. Ser uma mulher e estar sozinha numa
situação como esta é assustador como o inferno. Não sei o que
esse cara é capaz de fazer, mas não quero fazer nenhum
movimento brusco. Tenho a nítida sensação de que ele me
atacaria.
Quando ele não me responde, começo a repetir a pergunta,
mas de repente ele se move. Dá um passo lento para frente e,
em seguida, inclina a cabeça, inalando profundamente. Alguns de
seus cabelos se afastam no rosto, e não posso impedir o nó na
garganta que escapa da minha boca. Suas características são
irregulares e ásperas, com um queixo quadrado e maçãs do rosto
salientes. Sua aparência e dentes me lembram mais um animal
do que homem.
Lentamente, tentando não assustá-lo, faço um movimento
para entrar no carro. Estou desesperada para entrar e trancá-lo,
mas ele está imediatamente na minha frente. Puta merda, ele se
move rapidamente para alguém tão grande. Poderia esticar o
braço e tocá-lo, se quisesse, mas acredite em mim, eu não quero.
— Minha! —, ele rosna, inalando profundamente novamente
como se estivesse tentando me inspirar. É uma coisa do Colorado
as pessoas cheirarem as outras o tempo todo?
Deixando minha voz tão suave quanto possível, digo:
— Senhor, sinto muito, mas...
Minhas palavras são cortadas por um som profundo,
ressoando à minha esquerda, o que me faz virar a cabeça. Vejo
Dominic ali de pé, os ombros curvados para frente, os braços
esticados, o queixo dobrado. Sua postura é forte e ele parece
prestes a atacar. Seus olhos de prata parecem brilhar, mas deve
ser um truque da luz. Isto é absolutamente o mais assustador
que já o vi, e me inclino para trás contra o meu carro para ter o
máximo de distância dos dois.
Vejo o peito de Dominic se expandir como se estivesse
respirando fortemente. O estranho gira, e de repente está na
minha frente, de pé entre mim e Dominic, como se estivesse me
bloqueando dele. Algo dentro de mim começa a entrar em pânico
com a separação, e mais medo do que antes. A vontade de
chegar a Dominic me agarra.
— Minha! — O estranho diz por entre os dentes cerrados.
— Ela já está tomada, Xavier. Afaste-se—. Dominic dá um
passo em direção a nós, e o estranho, que eu acho que chama
Xavier dá um passo para trás, ficando mais perto de mim.
Viro meu corpo um pouco para que possa ver Dominic, e vê-lo
afasta um pouco do meu medo. Dominic não parece com medo.
Não, só está irritado. Se tivesse que adivinhar, Dominic ganharia.
Mesmo que Xavier seja mais alto e assustador, ele não parece
saudável. Talvez se estivesse em plena forma, Dominic teria uma
razão para se preocupar.
— Senti o cheiro, ela é minha—, Xavier diz, dando um passo
em direção a Dominic, bloqueando minha visão novamente.
— Não—. A palavra vem do peito de Dominic, e espreito em
torno do corpo de Xavier para ver o que está acontecendo.
—Afaste-se dela ou vou arrancar sua garganta. É meu direito,
e vou levá-lo.
Jesus, como isso afundou tão rápido? Num segundo estou
levando cookies para pessoas de idade, e depois, de repente,
estou no meio de uma briga com pessoas falando em rasgar
gargantas.
Posso ver Xavier hesitar, e então ele inala profundamente
novamente. O que está acontecendo? Isso é loucura!
— Cheire-a novamente, Xavier. Ela é minha.
Me cheirar outra vez? Ele está fodido? Não vou deixá-lo me
cheirar! Ele poderia me quebrar em dois!
— Espere um segundo—, digo, inclinando-se em torno de
criatura da floresta Xavier para que possa responder a Dominic.
Dominic trava seus olhos brilhantes com os meus, e sinto um
arrepio de desejo na espinha, de alguma forma, afastando meu
medo.
— Não agora, linda—, diz ele, seu tom mudando
completamente quando me aborda.
— Mas eu cheiro o que é meu—, Xavier rosna, virando as
costas para Dominic, os olhos me percorrendo com confusão
clara. É um erro que se virou, porque Dominic salta e o joga no
chão.
Ambos fazem sons guturais e rangem os dentes quando lutam.
Não sei o que fazer, então fico ali como uma idiota, segurando
uma cesta de biscoitos de pau assistindo dois caras se batendo.
Deveria chamar a polícia, mas Dominic é a polícia. Não penso
mesmo que esta pequena cidade tem um suplente. Depois de
alguns momentos, Dominic tem Xavier num estrangulamento
pelas costas, com as pernas enrolada na cintura, prendendo o
cara.
— Este é o seu aviso, Xavier. A próxima vez que a cheirar
assim, vou terminá-lo. Não importa que acordo temos. Você me
entendeu?
Xavier olha para mim e, em seguida, para o lado. Por um
segundo pensei ver tristeza em seus olhos, mas foi embora antes
que possa ter certeza. Ele provavelmente não está feliz em sua
situação agora, então não penso nisso.
Ele acena com a cabeça e relaxa o corpo, abrindo os braços e
virando a cabeça para o lado, expondo o pescoço. É a posição
que um animal assumiria no chão. É quase como se fosse uma
pose submissa, e isso me parece estranho. Dominic, em seguida,
o solta e se levanta.
Olho para a cara e vejo que suas roupas estão mais ou menos
no mesmo estado que quando ele saiu do bosque: rasgado e
sujo. Ele me olha também. Não como se ele estivesse às portas
da morte, mas magro e parecendo faminto.
— Gostaria de alguns biscoitos? — É cômico que eu ofereça
comida para alguém que apenas tentou me atacar, mas pelo que
Dominic disse, ele ia levá-lo se ele me cheirasse novamente. E a
partir da parte que entendi, eles se conheciam. Esta noite está
ficando mais e mais estranha.
— Você deve ir—. Olho para Dominic, e não sei se ele está
falando para mim ou para Xavier. Ele olha para mim, e é então
que percebo que está me dizendo para ir. Que diabos? Esta é
minha casa.
Dou um passo em direção Xavier, e ouço Dominic rosnar. Não
sei que diabos está acontecendo, mas esse cara estranho precisa
de algo além de metanfetamina no jantar.
— Aqui—, digo, estendendo a cesta. Xavier hesita por apenas
um segundo antes de tomar a cesta e acenar em agradecimento.
— Desculpe, todos parecem paus. Mas têm um gosto
maravilhoso.
Ele olha para cima a partir do solo, e então vejo seus olhos
brilhando também. O pôr do sol deixa as coisas loucas. Pergunto-
me se os meus estão brilhando também. Xavier sorri,
brevemente, em seguida, olha para longe novamente.
— Não é ela, mas posso sentir o cheiro do que é meu—, Xavier
disse, não fazendo nenhum sentido, mas nada disso faz.
— Não é ela, portanto, fique longe—. A voz de Dominic parece
que ele comeu cascalho. Alguém pode falar normalmente aqui?
Por que todo mundo rosna?
— Ela não está acoplada—, Xavier responde, mas não soa
como um desafio; é mais uma pergunta.
— Domingo—. Isso deve ser o que Dominic rosna, porque por
alguma razão domingo é a resposta para tudo aqui.
Não sei o que está acontecendo, mas estou irritada com
Dominic. Virando para ele, coloquei minhas mãos nos quadris e
dou minha melhor postura atrevida, mas ele não fala. Bem. Que
seja.
— Estou entrando. Apreciaria se mantivéssemos as lutas ao
mínimo, ou pelo menos em outro lugar—. Ando em direção a
porta dos fundos da padaria e retiro minhas chaves, mas volto a
tempo de pegar Xavier antes que caminhe de volta para o
bosque. — Ei, quando precisar de algo para comer, é só deixar
uma pedra na mesa de piquenique. Vou deixar uma cesta para
você—. Aceno para a mesa que coloquei quando uma funcionária
precisar ir para fora para uma pausa, ou as tardes que posso
desfrutar de um livro na luz do sol.
Dominic apenas olha para mim, não parecendo gostar da
oferta, mas Xavier inclina sua cabeça em reconhecimento. Hah!
Agora tenho um cliente local! Ele não pode pagar, mas estou
contando. Depois de um segundo, entro, fechando a porta atrás
de mim e subo as escadas para o meu quarto. Uma vez que estou
lá, gentilmente afasto as cortinas e vejo que ambos sumiram.
Dou um passo para trás e sendo na cama.
— Que diabos foi isso? —, sussurro para a sala vazia.
4
Dominic
Vejo Ruby marchar sua bunda sexy no interior, enquanto tento
me controlar. A porta de metal grosso bate atrás dela,
escondendo sua bunda perfeita de mim. Ver que ela está segura
em sua casa acalma meus nervos, mas não meu lobo. Ele ainda
está na borda, querendo sair e, pelo menos, marcar sua
companheira.
Meu lobo quer deixar seu cheiro sobre ela para os outros
saberem que ela está tomada, mas esta é a razão exata que eu
não o faço. Meu aperto nele não está firme o suficiente. Se eu
pudesse ter deixado minha marca nela desde o início, isso não
teria acontecido. Xavier teria me cheirado nela, porque ninguém
marca uma mulher, a menos que ela vá ser dele na próxima lua
cheia. Tenho certeza de que Ruby viu a mudança nos meus olhos.
Ela provavelmente disse a si mesma que realmente não viu ou
que era um truque da luz.
Sabia que meu lobo começou a aparecer no segundo que
sentiu seu medo a duas quadras. Levou tudo em mim, manter
minha pele e não mudar no centro da cidade. A visão do xerife
local se transformando num lobo teria feito alguns turistas
correrem e gritarem.
Respirando fundo algumas vezes, tentei me acalmar. Não
quero nada mais do que usar a chave que tenho no bolso.
Mantive uma cópia quando fechei a venda; sem chance da minha
companheira viver num lugar onde não posso facilmente ter
acesso. Precisava protegê-la, algo que tenho feito todas as noites
desde que ela mudou, em silêncio entrando na padaria e
dormindo na parte inferior das escadas que levam até seu quarto.
Acalma meu lobo e a mim pelo menos estar perto de seu
perfume. Tenho certeza de que Gwen tem meu cheiro na casa
toda, mas não me importo; tenho que estar perto dela.
Estou correndo contra o tempo, e não tenho ideia do caralho
do que fazer. Preciso chegar perto dela e entrar em suas boas
graças, porque sábado à noite quando a lua ficar alta do céu,
meu lobo vai assumir.
Mas nesse exato segundo tenho um problema mais premente.
Olhando para a floresta, espero que Xavier não tenha ido longe.
Deixei meu lobo para fora um pouco, pegando o cheiro dele, e
então parto na sua trilha. Não corro meio quilometro quando
finalmente pego ele, sentado ao lado de um córrego, a cabeça
enterrada nas mãos. Ele não age como se me ouvisse, mas sei
que o faz quando lentamente me sento ao lado dele.
— Eu pensei... —, ele permite que as palavras pairem no ar,
porque são difíceis de terminar. Sei quão difícil é.
— Você pensou que a encontrou, eu sei.
Ele vira a cabeça e me olha, seu lobo sempre presente nos
olhos. Isso é o que acontece quando fica em estado selvagem
muito tempo. Se torna mais besta que homem. Estou surpreso
que o lobo não o tomou plenamente, nunca deixando o homem
vir novamente à superfície.
— Você tem a sua e nem sequer a marcou—, ele rosna para
mim, apertando a mandíbula com força. Ele está claramente
agitado que não tenha reivindicado minha companheira. Que par
somos.
— Sabe que não posso acasalar totalmente até a lua cheia—,
respondo com calma, não querendo provocá-lo. Não é justo bater
um homem quebrado, mesmo com toda a agressão correndo meu
corpo. Meu lobo nem sequer gosta dele.
— Nem sequer tem seu perfume nela. E se um humano a levar
de você?
— Eles não vão. Eu fico perto, e ela será minha—, digo as
palavras por entre os dentes, pensando em algum humano a
levando. Outro lobo não o faria. Lobos só podem acasalar com
companheiros; são os únicos que querem.
Seus olhos estreitam um pouco para mim.
— Se ela fosse minha, teria tomado sua casa, a cheirado e
marcado, e ela não estaria correndo por aí dando biscoitos para
todo mundo—. Sei que ele acredita que é verdade, que poderia
apenas tomar sua companheira. Talvez ele pudesse se fosse um
lobo como ele. Isso tornaria as coisas mais fáceis. Mas e se sua
companheira for humana? Mesmo que não fosse, lobos não
gostam de ser pegos e levados. As fêmeas possuem grande
energia quando se trata de acasalamento.
Isso é tudo que preciso. Xavier farejando sua companheira e a
carregando da cidade para roubá-la. Com a forma que estava
agindo hoje, acho que o cheiro de Ruby se confundiu com o de
sua companheira bem de perto para tê-lo tirado da floresta.
Xavier nunca deixa a floresta, não, desde que perdeu a irmã e
mãe para os caçadores anos atrás.
Sei que se eu disser a Xavier para não perseguir sua
companheira, como um cachorro no cio, ele estaria perdido. Vai
fazer o que quiser. Embora seja mais forte que Xavier agora, não
poderia levá-lo se realmente estivesse entre ele e sua
companheira. Shifters perdem toda a razão quando se trata de
companheiros.
Antes de Xavier perder a irmã e mãe, ele provavelmente
poderia levar nosso Alfa num bom dia, se quisesse, mas Xavier
não era um alfa nem queria ser. Tinha que ter desejo de liderar,
e muitas vezes ignorar seus desejos e fazer o que é bom para o
grupo. Isso não era com Xavier.
Agora parece que ele mal come. Como se ouvisse meus
pensamentos, se abaixa e agarra um dos cookies, o mastigando.
Vou pegar um, mas ele rosna para mim e mostra os dentes.
— Meu.
Levantando as mãos no ar para mostrar que não vou comer
um, penso em minhas próximas palavras, mas ele diz.
— Minha companheira. Gosto de meus biscoitos, mas não é da
mulher que os deu para mim—. Ele pega outro biscoito, olhando-
o, claramente confuso. Estou tão confuso. Como ele pode provar
sua companheira?
Em seguida, me atinge como a porra de uma tonelada de
tijolos. É algo que não quero pensar, algo que vai fazer o Alfa
enlouquecer.
Ele mal deixa Xavier permanecer na área como está. A única
razão para deixá-lo ficar foi porque Xavier jurou ficar longe dos
humanos, algo que claramente não fez hoje à noite com Ruby.
Também permitiu porque ele garantia que não houvesse animais
selvagens muito perto da cidade, e também é ótimo em
rastreamento. Pode ter um dos melhores narizes no bando
porque está em contato com seu lobo mais do que qualquer um
de nós. Isso é provavelmente o porquê de ter cheirado sua
companheira de tão longe na floresta.
— Você quer sua companheira, Xavier? —, pergunto, já
sabendo a resposta. Cada shifter macho quer sua companheira
desde o dia em que nasce. Alguns começam a enlouquecer à
medida que envelhecem, alguns nunca encontram.
— Não me irrite com perguntas estúpidas— ele resmunga,
pegando outro biscoito de pau. Não parece se importar que esteja
comendo doces em forma de pênis.
— O que faria com sua companheira?
— Matá-la. Se tudo que quer fazer são perguntas estúpidas,
pode sair agora. Vou ficar longe de sua companheira, mas se
fosse você, ia mordê-la forte para que todos saibam.
Meu pau treme de prazer com a ideia. Ficar duro não é algo
que estou acostumado, e não sinto que vou me acostumar.
— Está me dizendo que vai agarrar sua companheira e
arrastá-la aqui, para a floresta, e fazê-la viver como você?
Durante o inverno sem abrigo? Uma mulher que, provavelmente,
tem uma família? — O que sei de fato que ela tem. — Iria afastá-
la disso e trazê-la para o quê? Tem uma caverna aqui, Xavier?
Deixaria o companheiro de sua irmã fazer isso?
Ele congela com minhas palavras, e vejo que consegui.
— Não está sequer cuidando de si mesmo, e acha que está
pronto para uma companheira e filhotes? —
O ouço respirar fundo, e gostaria de saber se fui longe demais.
Chutar um homem enquanto está no chão não é o meu estilo,
mas é a verdade, e ser franco com Xavier é sempre o melhor
caminho.
— Vou fazer o que for preciso para fazer minha companheira
feliz—. Ele se levanta, e sigo o exemplo. Posso dizer que ele
ainda está um pouco perdido com a ideia; esteve aqui sozinho
por mais de cinco anos.
— Xavier, a casa de sua família ainda está lá, e estive pagando
suas taxas a guarda florestal. Se resolva e pegue sua
companheira.
— Vou provar a mim mesmo para ser o companheiro perfeito.
— Tenho certeza que vai.
Com isso, ele sai, andando mais profundamente na floresta.
Olhando para meu relógio, vejo que é quase sete. O Alfa deve
estar de volta na cidade agora, e parece que precisamos ter uma
conversinha.
— Eu sabia que isso ia acontecer, porra! — Ouço Stone, o alfa,
de onde estou na calçada em frente à sua casa.
— Posso fazer o que eu quiser. Tenho vinte e um anos! — O
estridente grito de Gwen faz meu lobo enterrar a cabeça, sua voz
ferindo nossos ouvidos.
Eles continuam a gritar enquanto caminho até as escadas e
para a varanda. Bato na porta, mesmo que tenho certeza que
sabem que estou aqui.
Ele queria que me relatasse quando voltou, e já estou uns
quinze minutos atrasado depois de ter que lidar com Xavier.
Agora depois de ouvir Gwen e Stone brigando, não tenho certeza
se quero dizer a este irmão super protetor que sua irmã tem um
companheiro, e é ninguém menos que Xavier. Ele vai surtar. É
realmente um milagre que levou tanto tempo para qualquer um
deles pegar o cheiro um do outro, mas com a rédea curta sobre
Gwen, talvez não seja tão chocante.
Claro, X e Gwen podem ter se cruzado uma vez ou duas,
tendo crescido na mesma cidade. Mas o vínculo de acasalamento
não funciona até ambos os companheiros terem mais de dezoito
anos. Xavier estava na floresta quando Gwen atingiu a idade.
Quando a porta abre, vejo Gwen ali de pé com a mão no
quadril. Ela está muito parecida com minha Ruby com essa mão
no quadril, embora meus olhos não vão para os quadris de Gwen
como fazem com minha Ruby. Toda vez que Ruby segura os
quadris, tudo o que posso pensar é em agarrá-los. Vejo as curvas
lá, e me pergunto como se sentem. Quando ela está usando um
de seus pequenos vestidos, abraçando todo o seu quadril, penso
em finalmente sentir sua pele quente sob meus dedos. Estarei
segurando seus quadris em breve...
— Só vai ficar aí ou pensa em entrar? —, Gwen pergunta com
um olhar entediado. Não culpo Stone por ser tão protetor. Ela
pode ter vinte e um anos, mas mal parece ter dezoito.
As sardas que tinha como adolescente ainda estão em seu
nariz, fazendo-a parecer muito mais jovem do que é. Não tenho
uma irmã, mas se tivesse com certeza seria da mesma maneira.
— Como foi seu dia na padaria? —, pergunto ao entrar.
— Seria muito melhor se parasse de assustar todo mundo.
Nunca pensei que iria magoar sua companheira, Dom.
As palavras dela fazem meu coração apertar e meu lobo
sentar-se.
— Eu não a machuco—. Protesto, horrorizado com a ideia de
fazer algo assim.
Ela bufa, e é um som pouco feminino. Ela revira os olhos e
vira-se para as escadas para ficar longe de seu irmão e eu.
Estendo a mão para impedi-la, querendo saber o que ela entende
por “magoar minha companheira”, mas rapidamente puxo meu
braço para trás. A ideia de tocar outra mulher, mesmo alguém
que é quase uma irmã para mim, causa cãibras no estômago.
— Gwen, como estou machucando-a? Estou tentando tudo que
posso para não fazer isso—. Minhas palavras a fazem parar e ela
se vira para olhar para mim.
— Ela é nova aqui e pensa que toda a cidade maldita a odeia,
Dom. Quero dizer, vamos lá. Ela está sozinha aqui, acaba de
perder o único parente vivo que tinha, e agora você não deixa
ninguém perto dela. Sim, você está sendo um idiota e a
machucando—. Com isso, ela se vira, o cabelo loiro saltando
enquanto sobe as escadas.
— Porra.
— Fico feliz em ver que não sou o único que ela xinga—, Stone
diz atrás de mim, fazendo-me virar para ele.
— Você se parece com o inferno—. Vejo a camisa enrugada, a
barba grande, e as olheiras sob os olhos.
— Sim. Três semanas na estrada de bando em bando faz isso
com você—, diz ele, soltando o grande corpo no sofá e colocando
os pés na mesa de café. Ele toma um gole de cerveja e, suspira.
— Quer uma?
Eu adoraria, mas levaria vinte para ficar bêbado, e de
qualquer forma vou acabar nas escadas de Ruby. Pelo menos se
estiver sóbrio não vou derrubar sua porta tentando entrar e
assustá-la até a morte. Após o golpe verbal de Gwen, realmente
estou desejando poder mudar algumas coisas.
— Não, estou bem—. Sento na cadeira em frente a ele,
esperando que seja um bate-papo rápido. Não aconteceu muito
por aqui. Bem, não muito que eu gostaria de compartilhar no
momento.
— Como estão as coisas? Além de você deixar minha irmã
trabalhar na cidade. Ah, e o fato de que encontrou sua
companheira, duas coisas que deveria ter falado em nossos chats
semanais—. Posso ouvir a ligeira irritação em sua voz, mas sem
raiva real. Ou ele está tão cansado como parece, ou não está tão
incomodado com isso como deixa transparecer.
— Tive que deixar minha companheira comprar a padaria. Não
tinha escolha. Ela teria ido embora, e eu teria de segui-la. Não
podia deixá-la ir... A menos que quisesse um novo beta.
— Eu sei, eu sei—, diz ele, terminando a cerveja e pegando
outra. A mensagem é clara. Onde minha companheira vai, eu
vou. Se isso significa deixar meu bando, então teria ido embora
sem um segundo pensamento.
— Mas tinha que deixá-la contratar minha irmã?
— Não posso controlar sua irmã mais do que você, Stone—.
Vejo o estresse em seu rosto. Ele se preocupa com ela mais do
que deveria, mas com ambos os pais mortos posso ver o porquê.
Os perderam em idade jovem, e estou certo de que Gwen
dificilmente se lembra deles. Stone é mais seu pai do que irmão.
Perder os pais é difícil para shifters, porque eles geralmente
seguem um ao outro para o túmulo. Quando um se vai, o outro
irá logo em seguida. Eu costumava pensar que era terrível que o
destino fizesse isso com as pessoas, mas tendo encontrado Ruby
nesse curto tempo, não acho que gostaria de viver sem ela. Ela já
está enraizada em mim. Mas parece que tudo o que fiz foi
machucá-la, e lá estava eu, nem mesmo horas atrás,
repreendendo Xavier por não ser um bom companheiro.
Stone não responde, mas realmente não há muito a dizer. Ele
está prestes a começar uma nova verificação da realidade,
quando Xavier bater em sua porta. Não, nada disso, tenho a
sensação que Xavier não vai bater em uma porta para chegar a
sua companheira. Ele provavelmente vai arrancar a porra das
dobradiças.
— Ela vai encontrar um companheiro em breve. Vai ter que
deixá-la ir—, digo levemente, tentando aliviar esta conversa.
Seu rosto, na verdade, parece um pouco feliz e me deixa um
pouco mais confortável. Até que ele abre a boca.
— Fiz boas alianças, enquanto chegava os outros alfas.
Conheci um monte de bons shifters também. Alguns estão à
procura de uma mudança de cenário, e planejei convidar alguns
que penso serem bons para Gwen. Estou realmente esperando
que um seja seu companheiro. Acho que estaria à vontade com
ela ficando com um deles.
Isso é ótimo. Tudo o que precisamos é de Stone trazendo
shifters para acasalar com Gwen.
— Falando de companheiros, realmente preciso voltar para a
minha—, digo, me levantando. — Como disse, não aconteceu
muita coisa enquanto estava fora, e não faça Gwen parar de
trabalhar na padaria. Confie em mim, estive no lugar. Nada vai
acontecer com ela—. Tento tranquilizá-lo porque ele precisa
descansar um pouco. Talvez precise deixar seu lobo dar uma boa
corrida antes de entrar na coisa de Xavier e Gwen.
— O que Gwen disse é verdade? Você impediu a matilha de
ver sua companheira? —, Stone pergunta, levantando uma
sobrancelha para meu comportamento estranho.
— Não deixei meu cheiro nela ou a marquei ainda. Ela não
sabe o que somos.
— Por que diabos não? Se eu encontrasse minha
companheira...
— Eu sei. A tomaria rapidamente. Tenho ouvido isso de todo
mundo—. A derrota é clara em minha voz. Estou fodido aqui. —
Só estou preocupado. Meu lobo já fica louco quando a vejo. Ela é
humana, e mal estou me segurando. Sinto que se tocá-la vou
transar, e sabe o que vai acontecer em seguida. Ela vai entrar no
cio, e ouvi que pode ser doloroso. Quando eu a conheci faltavam
quase três semanas até a próxima lua cheia, e não podia fazer
isso com ela; não vou causar três semanas de dor. Então, pensei
que era melhor sofrer sozinho—. Meu pau não pode encontrar a
liberação, não até que entre nela pela primeira vez. Não importa
quantas vezes tente, o orgasmo nunca chega.
Se a tivesse tomado no primeiro dia, ela teria três malditas
semanas de calor. Tentei ficar longe e permitir que a lua cheia se
aproxime, mas não posso mais. Meu lobo não quer ninguém
perto dela se não posso tê-la, de modo que mantemos nossos
traseiros perto da padaria dia e noite. Agora estou vendo que ela
tem interpretado meu comportamento como sendo um imbecil.
Isso tudo é tão fodido.
Passo a mão no rosto, tentando diminuir a tensão que sinto.
— Parece que nós dois tivemos ásperas semanas.
Aceno com a cabeça em concordância.
— As semanas mais difíceis e as três melhores da minha
vida—. Eu poderia estar miserável no momento, mas vai valer a
pena. Em breve vou ter minha companheira, e ela vai ser toda
minha, para o resto de nossas vidas. Mas esta noite, parece que
vou dormir nas escadas. Mais uma vez.
5
Ruby
Viro a fechadura da porta e coloco o sinal de “fechado”. É sexta à
noite, e tivemos um grande dia. Havia um monte de pessoas na
padaria no caminho para fora da cidade. Algo deve estar no ar,
porque parece que todo mundo está saindo. Dia das Bruxas é
amanhã à noite então talvez as pessoas tenham planos. Não há
muitos lugares para ir perto do parque nacional, quem visita de
dia teria que sair no início da noite, a fim de chegar a próxima
cidade num horário decente.
Gwen e eu fizemos um monte de guloseimas de manhã, e
vendeu quase tudo. Queria lembrar Gwen de sua oferta para uma
bebida esta noite, e estou ainda mais animada porque foi um dia
para celebrar. Ainda não tive quaisquer moradores, mas estou
tentando não pensar sobre isso ou deixá-lo me derrubar. Gwen
continua me dizendo para ser paciente.
Dou uma última olhada para fora da janela antes de ir fechar à
persiana. Vejo Dominic falando com alguém do outro lado da rua.
Quase como se sentisse meu olhar, ele se vira, encontrando
meus olhos. Desta distância, mal posso fazê-lo, mas de repente
vejo seus olhos acenderem. É quase como se estivessem
brilhando. Estão fazendo essa coisa estranha que fizeram na noite
passada. Juro, o pôr do sol neste lugar deixa os olhos das
pessoas engraçados.
Quanto mais olho para ele, mais forte a atração é. Não
entendo o que está errado com meu corpo. Durante todo o dia
parece que minha pele está carregada com eletricidade. Estou
sensível e formigando. Fiquei esfregando os braços, sentindo os
pelos se levantarem como estivesse frio, mas não sentia nada.
Estou tendo o mesmo agora. Algo dentro de mim quer abrir a
porta e pular nos braços de Dominic.
Afasto a ideia e puxo as persianas, protegendo-me da vista.
Viro-me e sorrio para Gwen atrás do balcão. Talvez ela saiba o
que está acontecendo.
— Também tem a sensação que todo mundo está saindo da
cidade?
Ela faz um som não comprometedor e volta a limpar os
balcões.
— É sério. Parece que alguma coisa está no ar. Não notou
como todos os turistas apenas sumiram? É quase como se algo
estivesse os empurrando para fora.
Ela olha para cima do balcão e dá de ombros.
— Acho que as pessoas estão apenas tentando sair antes do
fim de semana. Estou pensando em sair de manhã.
— Sério? Por quê? Não disse nada mais cedo.
— Oh, não é por uma grande razão. Apenas indo visitar um
amigo em Bryson Peak. E aquela época do mês—, ela resmunga a
última parte em voz baixa e vira a cabeça para trás.
Deus, seus períodos devem ser ruins se ela tem que ir ficar
com um amigo. Oh bem, não é meu negócio.
Ando para a parte de trás com ela e ajudo a limpar a cozinha.
Assim que terminamos, vamos fechar o caixa, trancar a parte de
trás, e subo as escadas para o meu apartamento.
— Deus, adoraria ter um lugar como este—, Gwen diz quando
entra.
— Na verdade, estou esperando que possa ter um lugar novo
em breve. Isso não é tão isolado como eu queria. Ei, talvez se
funcionar, você pode alugá-lo. Vive com seu irmão, certo?
— Oh meu Deus, isso seria incrível! Adoraria ter um lugar
próprio. A maneira como ele paira sobre mim é ridículo.
— Bem, vou manter isso em mente, se decidir me mudar—.
Vou para o meu armário e começo a ver as roupas. Olho e vejo
Gwen se despindo, claramente sem timidez sobre seu corpo.
Seria semelhante se fosse como ela. Peitos grandes num corpo
magro; quem não iria querer isso? Inferno, provavelmente iria
correr nua se fosse ela. — O que trouxe para vestir?
— Queria ir com algo divertido então trouxe minhas calças de
couro e saltos altíssimos. Tenho duas camisas, mas não sei qual
usar.
— Eu provavelmente vou usar um vestido—, digo, passando
por minhas roupas. — Sou tão pequena que a maioria das calças
ficam muito grandes. Qual deles prefere—? Mostro dois vestidos,
um azul marinho e um roxo escuro.
— Oh, o azul ficaria ótimo com seu cabelo—, Gwen diz de pé
nua, e segurando duas camisas. — Devo ir com a curta para
mostrar minha barriga, ou com o decote para mostrar meus
peitos?
Não posso deixar de rir, pensando que ela está realmente
querendo uma noite selvagem. Aposto que seu irmão ainda não
sabe que vai sair.
— A curta. Se o meu fosse assim o mostraria sempre. Cortaria
todas as minhas blusas.
— Está brincando comigo? Eu mataria por suas curvas. Os
homens amam uma mulher que tenham onde segurar. Enquanto
isso tenho zero de bunda e pernas de frango.
Apenas balanço a cabeça, sorrindo.
— Acho que todos querem o que não podem ter.
Vou ao banheiro, escolhendo ser um pouco mais modesta. Meu
vestido é perfeito para uma noite fria de outono. Ele é de um
ombro só, mostrando meu pescoço e clavícula. Se apega ao corpo
e desce até metade da coxa. Tenho botas marrons escuras na
altura do joelho para usar com ele, por isso é confortável, mas
ainda me sinto bonita.
Felizmente, meu cabelo encaracolado vermelho está um pouco
controlável hoje e cai nas costas sem parecer selvagem. Aplico
um pouco de maquiagem, pensando que poderia muito bem
colocar um batom vermelho.
Uma vez que saio do banheiro, Gwen assovia para mim. Sinto
meu rosto queimar, e tenho certeza que está tão vermelho
quanto meu cabelo.
— Obrigada—, murmuro enquanto olho Gwen de cima abaixo.
Ela soltou os cabelos loiros e colocou um pouco de maquiagem
pesada. Sua camisa tem “Eu amo Drácula” no peito, e as calças
de couro se encaixam como uma segunda pele. Ela está com um
par de saltos pontiagudos vermelho sangue que iria me matar,
mas nela parece uma estrela do rock. — Droga, garota. Você está
sexy!
— Obrigado, chica. Duvido que vá encontrar o único esta
noite, mas não custa tentar.
— Único? Quer dizer que está procurando um marido?
— Algo assim—, ela pisca para mim, agarrando a bolsa da
minha cama. — Está pronta?
Nós escolhemos caminhar até o bar mais próximo para não ter
que dirigir. Saímos e andamos cerca de uma quadra para o Covil
do Lobo.
Gwen parece saltar, e olho para vê-la radiante.
— Está animada sobre ir ao Covil do Lobo? —, pergunto.
Ela joga seu cabelo loiro por cima do ombro e ri.
— Oh menina, você não tem ideia. Vai amá-lo.
— Já esteve lá muitas vezes?
— Não, meu irmão me mataria se soubesse que viria aqui esta
noite.
Eu sorrio, já tendo essa suspeita.
— Então por que acha que vou amá-lo? —, pergunto quando
chegamos à porta da frente do bar.
Gwen se adianta, agarrando a maçaneta e abrindo a porta
para mim.
— Apenas confie em mim. Você vai ter um bom tempo.
— Tenha uma boa noite—, digo, pela quinta vez consecutiva.
Assim que entramos, Gwen me sentou no bar e disse que ia jogar
sinuca. Posso vê-la de lá, e ela acena para mim a cada momento
antes de voltar para o jogo com alguns rapazes. Pensei que seria
uma noite das meninas, mas ao invés disso estou quase por
conta própria. Digo “quase” porque a cada minuto desde que
cheguei, os homens vieram dizer Olá. Estou surpresa com a
atenção, mas ainda mais surpresa com o quão rápido se
levantam e saem quando lhes digo que possuo a padaria.
Lentamente bebo uma cerveja, realmente não querendo ficar
muito bêbada estando por minha conta. Sei que Gwen está aqui,
e ela parece conhecer todos, mas não sei quanto tempo posso
aguentar. Quando penso em sair, sinto outra pessoa sentar-se ao
meu lado.
— Eu possuo a padaria, então siga em frente e vá embora.
— Estou bem ciente disso e não vou a lugar nenhum.
Ao som da voz de Dominic, meu corpo amolece. É como se sua
presença derretesse tudo, e sou apenas uma poça de
necessidade. O que está acontecendo? Toda vez que pensei nele
hoje, comecei a ter loucas ondas de calor e uma dor entre as
pernas. Juro por Deus, é como estive perto de gozar o dia todo.
Viro o banco do bar, e quando o faço ele se move e minhas
pernas ficam entre as dele, e estamos diante um do outro. Ele se
inclina para perto e aperta as pernas de modo que empurra as
minhas juntas. Sinto um pouco da dor entre elas diminuir. Ele
ajuda minha necessidade a desacelerar, mas também faz com
que seja mais profunda, como se meu desejo estivesse
aumentando.
Esta é a primeira vez que ele me toca, e sinto o calor ir até
minhas pernas, em meu estômago e peito. Meu corpo inteiro
aquece em seu toque, e fecho os olhos, pensando que talvez
tenha sido drogada.
— Apenas relaxe, linda. Eu só preciso me esfregar em você um
pouco.
— O quê? —, pergunto, balançando a cabeça. Está nebulosa, e
parece que estou flutuando, mas minha mente está clara. É a
coisa mais louca que já senti. Como puro prazer sendo esfregado
na minha pele. Fecho os olhos e sinto um gemido sair de meus
lábios quando suas mãos tocam meus braços. Sentindo os braços
fortes me puxando para ele, desço do banco do bar.
— Vem comigo. Eu preciso de você.
Abro os olhos enquanto ele me puxa para o fundo do bar.
Sinto o formigamento onde nossas mãos estão ligadas, e é como
se estivesse flutuando atrás dele. Se apenas o seu leve toque é
tão bom, vou fazer qualquer coisa que o homem diz. Com o canto
do olho, vejo Gwen sorrindo para mim, mas não tenho a
capacidade ou vontade para parar e explicar. Estou muito feliz
para me preocupar com outra coisa senão Dominic.
Ele me puxa através de uma porta. A fecha e vejo que
estamos num quarto escuro. Não posso dizer onde estamos ou
ver muita coisa. Está escuro como breu e não posso ver minha
mão na frente do rosto. De repente, vejo o brilho prateado dos
olhos de Dominic, e embora devesse estar apavorada, isso me
acalma. Sinto Dominic pressionar-me contra a parede, e os meus
braços instantaneamente vão ao redor de seu pescoço. Não digo
ao meu corpo para fazer nada disso, ele o faz por conta própria.
— Já tive o bastante de assistir os homens falando com você.
Tenho que fazer algo para manter as pessoas longe do que é
meu.
— Eu sou sua? — A névoa em que estou é maravilhosa, e isso
me faz querer que Dominic me reivindique. Sinto-me esfregar
contra ele e ele se esfrega em mim. É como se tudo dentro de
mim assumisse, e qualquer objeção sumisse.
— Sim—. A palavra sai áspera, mas vai direto para meus
mamilos e clitóris, fazendo com que as partes mais sensíveis do
meu corpo ganhem vida. De repente, estou doendo mais do que
antes, e deixo escapar um gemido.
— Porra. Ainda não, mel. Apenas uma noite.
— Por favor—, imploro, e não sei o que estou pedindo. Não
tenho nenhum controle sobre meu corpo ou palavras.
Fechando os olhos, inclino minha cabeça contra a parede,
expondo meu pescoço, onde meu vestido cai no ombro. Não sei
por que, mas sinto que mostrar isso deve fazê-lo fazer alguma
coisa. Tenho a súbita vontade de ter sua boca em mim, me
mordendo.
— Não—. Seus dentes estão cerrados, e ele está lutando
contra o desejo.
Ele aperta seu grande corpo contra mim, e sentir seu peso
acalma um pouco da minha necessidade. Ele se move para cima
e para baixo, esfregando-se contra mim, fazendo o material do
vestido esfregar contra meus mamilos. Eles endurecem, e me
movo em resposta, passando os braços ao redor dele, tentando
trazer seu corpo ainda mais perto do meu. Puxo minha perna
para cima e a envolvo em seu quadril, sentindo o calor de seu
pênis contra mim. Estou respirando com dificuldade, o calor do
quarto e nossos corpos esfregando faz uma gota de suor escorrer
pelo meu pescoço.
— Apenas um gosto—, ele sussurra e se inclina para baixo,
lambendo a gota.
Sua língua é quente e áspera como a de um gato. A textura
grossa é tão boa contra a minha pele sensível que gemo alto,
querendo mais.
— Mais—. Não percebo que disse a palavra em voz alta até
que ele começa a lamber, movendo-se para entre os meus seios.
Ele inala profundamente lá, cheirando minha pele e lambendo
meu decote.
— Tão doce.
De repente, sinto seus dedos na bainha do meu vestido.
Empurro contra sua parte inferior do corpo e imploro para ele
levantá-lo. Quando ele lentamente puxa meu vestido para cima e
sobre minha bunda, ele se afasta e se move para baixo do meu
corpo. Não posso ver qualquer coisa no quarto, mas não preciso.
Sinto Dominic se ajoelhar na frente de minha buceta e empurrar
meu vestido para cima.
Querendo manter-me esfregando nele, corro minhas mãos por
seu cabelo, constantemente o acariciando. Algo em minha luxúria
diz para fazer isso com ele, diz para meu corpo acariciá-lo e
mostrar a ele que quero que continue.
Sinto sua boca quente em minha calcinha enquanto ele se
inclina e pressiona o nariz lá. Quando inala, meus olhos se
fecham, e minha boca cai aberta, gemendo. Algo sobre ele
cheirar meu corpo me excita ainda mais. Sei que carrego seu
perfume e ele o meu. Parece completamente louco, mas, neste
momento, é tão certo. Como devia ser.
Quando ele se afasta de meu calor, começo a protestar, mas
então sinto seu dedo na minha calcinha a descendo. Antes que
possa implorar, sua língua quente e áspera está na minha vagina,
lambendo em longas voltas, sugando minha umidade.
— Dominic—, gemo, agarrando seus cabelos, puxando-o para
perto de mim. Abro minhas pernas, e ele solta um grunhido alto.
— Porra, Ruby. Posso provar sua virgindade. Não entendo
como sei disso, mas meu lobo pode prová-la. Ele sabe que você é
intocada.
Começo a perguntar como diabos sabe disso, mas, de repente,
ele está em pé com a boca ainda na minha buceta. Ele me prende
enquanto me come, rosnando e batendo o punho contra a
parede.
A névoa de prazer assume quando sua boca suga minha
buceta. Aperto contra seu rosto, implorando por mais, e ele
segura minha bunda. Não sei quanto tempo ele me come; tempo
e espaço não existem neste momento.
Estou à beira do orgasmo, mas tenho medo de senti-lo. Sinto
que se gozar, vou quebrar num milhão de pedaços.
— Dê-me seu prazer, baby. É tudo o que podemos ter agora.
Por favor.
Sinto seus dentes afiados contra meu clitóris, e a sensação me
envia ao longo da borda. Ele me prende firmemente quando
gozo, longa e profundamente, gritando de prazer. Ele vai para
sempre, e não quero que acabe. Quando meu corpo desce do
alto, sentir Dominic contra minha pele é maravilhoso.
Lentamente, ele me desliza para baixo de seu corpo
musculoso, ajudando minhas pernas quando mal consigo me
sustentar. Ainda não consigo ver outra coisa senão seus olhos
brilhando no escuro, mas me sinto segura e protegida.
Seu pau duro pressiona contra mim, e movo a mão para tocá-
lo. Pouco antes de fazer contato, ele agarra meu pulso.
— Amanhã, doce.
Não sei o que dizer sobre isso, então só mantenho a calma.
Sentindo-me completamente exausta, encosto-me em Dominic.
— Vamos levá-la para casa.
Concordo com a cabeça contra ele, e sinto seus braços fortes
me pegarem. Estou tão oprimida pelas sensações e sono que não
protesto.
Quando sinto os lençóis frios contra minha pele, quase não
abro os olhos, vendo Dominic acima de mim. Seus olhos ainda
estão brilhando, mas encontro conforto neles.
Meu companheiro.
Caio no sono querendo saber de onde esse pensamento veio.
6
Dominic
Olho para seu corpo esparramado na cama. Levou tudo em mim
soltar minha companheira. Ela agarrou-se a mim, mesmo no
sono. Companheiros humanos não são incomuns, mas também
não é normal. A única na cidade foi minha tia-avó. Não tinha
percebido o quanto seu corpo iria começar a almejar o meu sem
que tenha sequer a tocado ainda.
Pensei que se colocasse um pouco de distância entre nós ela
ficaria bem. Mas sabia quando me sentei ao lado dela no bar esta
noite que seu corpo ganhou vida apenas estando ao lado do meu.
Meu lobo virou de costas para ela quando percebeu isso também.
Ele provavelmente teria dado a ela sua garganta se pensasse que
iria agradá-la.
Ela é tão linda com o cabelo vermelho espalhado contra os
lençóis brancos, o vestido subindo em torno dos quadris,
revelando sua calcinha molhada e o pequeno pedaço de pelo
vermelho sobre a vagina, algo que não pude ver no quarto escuro
na parte de trás do bar.
Não posso lamentar que a primeira vez que comi sua doce
buceta foi num bar. Não, não com o sabor dela ainda revestindo
minha garganta. Enlouqueci por um minuto, algo que me
acostumei desde que ela entrou na minha vida. Sentei-me no bar
e vi alguns homens irem até ela, e embora rapidamente se
afastassem quando descobriam quem era, ainda não ajudou a
acalmar meu temperamento. Deveriam ter sido capazes de dizer
que ela era minha a vinte metros de distância, se ao menos eu
tivesse meu cheiro nela.
Nada me pararia depois de notar isso. Ela não iria a lugar
algum, nunca mais sem meu cheiro. Não posso esperar até
afundar meus dentes nela amanhã à noite, a ligando a mim para
sempre, nossos aromas se tornando um. Para o resto de nossas
vidas, sempre teremos o cheiro de um ao outro. Mas só por esta
noite, tive que me esfregar contra ela, deixando algo de mim em
sua pele.
Quando cheguei à parte de trás e cheirei seu desejo por mim,
tinha que provar. Antes que soubesse o que fazia, tinha meu
rosto pressionado contra sua vagina, respirando o cheiro dela
profundamente. Cada parte de mim a queria.
Queria sair do bar, deixando todos saberem o quanto minha
companheira me desejava. Que eu trouxe isso nela, e ninguém
mais o faria. Ela era toda minha.
Solto meu cinto e seguro meu pau sempre duro para acariciá-
lo, enquanto a olho. Sei que não vou ser capaz de gozar, não
importa quanto tempo faça isso, mas não dou à mínima. Quero
que meu lobo veja o que ele está me implorando para reivindicar
nestas últimas semanas. Quão perto estamos de finalmente estar
dentro dela.
Não podia acreditar quando enterrei meu rosto entre suas
coxas e meu lobo rosnou “Virgem”. Nunca sonhei com ela sendo
intocada. Não tinha pensado nisso. Tudo o que importava para
mim era ser seu último. Ela é uma fêmea humana de vinte e
quatro anos. A virgindade é geralmente algo muito longe para
elas nesse ponto. Não é como se nossa espécie esperasse nossos
companheiros; não temos escolha. Mas quando meu lobo me
disse que ela era intocada, eu quis uivar. Ambos seríamos únicos.
Tudo um para o outro.
Não sei quanto tempo fiquei ali, olhando para ela, mas quando
vi o primeiro raio de sol através da janela, soube que precisava
ir. Ela acordava cedo para abrir a padaria, e sendo Dia das
Bruxas, tenho certeza que ia estar ocupada até todos os turistas
irem para casa.
Ela não precisava acordar comigo de pé sobre ela como um
cachorro no cio. Sua mente provavelmente a provocará sobre
como reagimos um ao outro na noite passada. Sei que meu lobo
deve ter se mostrado, mas não tenho certeza de quanto ela viu
no escuro.
Vou esperar até que possa realmente acasalar com ela antes
de deixar o cão fora do saco. Com a lua cheia alta do céu esta
noite, vou ter a natureza do meu lado, fazendo a atração ainda
mais forte.
Coloquei meu pau de volta na calça, prendi o cinto, e desliguei
a lâmpada ao lado de sua cama. Poderia facilmente observá-la
com as luzes apagadas, mas não quis perder um único detalhe.
Inclino-me para perto, e sua cabeça cai para o lado, expondo
o pescoço. Mesmo no sono está submetendo-se a mim. Não
posso me ajudar, mas a lambo ali, farejando uma última vez. Sua
pele está me chamando, e chupo, sabendo que estou deixando
uma marca para todo mundo ver. Uma amostra do que está por
vir.
Afastando-me, sussurro em seu ouvido:
— Esta é a última vez que acorda sozinha, minha doce
companheira.
Com toda a força que tenho, saio trancando a porta atrás de
mim e indo para a casa do alfa. Vai ser um dia longo do caralho.
Quando chego à casa de Stone, seu sofá me espera. Mas
quando ando até ele, a necessidade de acasalar começa a subir.
Mal toco as almofadas macias antes de estar de volta aos meus
pés, andando para lá e para cá. Um sentimento forte e potente
rasteja por minha espinha. Deveria estar morto pela falta de
sono, mas, de repente, estou bem acordado.
Quero falar com o alfa sobre como manter um olho nas coisas
esta noite com a lua cheia. Shifters masculinos no limite com
outros machos não acasalados ao redor. Depois iria para casa,
deixar as coisas prontas para quando Ruby for ver sua casa nova.
Não posso esperar para mostrar a ela onde vamos criar nossos
filhotes.
Mas agora me sinto sufocando. Não posso respirar, e de
repente meu lobo está rosnando “Preciso agora”. Meu queixo
aperta, e sinto os dentes começarem a alongar. Talvez seja muito
tempo sem tocá-la. Talvez o gostinho de ontem à noite só
aumentou o violento fogo dentro de mim, agora que estou tão
longe dela. Preciso voltar para ela. Agora.
Sinto o início de pelo cobrir meu rosto. Meu lobo está
ganhando a batalha, e de repente não me importo. Meus instintos
mais básicos estão assumindo.
Vou para a porta, mas antes que possa alcançá-la sou lançado
de volta. Bato na parede, e isso tira o ar dos meus pulmões.
Pedaços de concreto caem no chão de madeira ao meu lado, mas
não estou perturbado.
— Minha—, rosno, levantando, os olhos no bloqueio de Stone.
Ele está na porta da frente, de pé entre mim e o que é meu.
Mostro meus dentes de raiva.
— Se controle—, Stone rosna para mim, mas meu lobo está
tão longe que não reconhece o comando alfa.
— Você me afasta da minha companheira?— Minha voz é tão
profunda que não tenho certeza que as palavras são entendidas.
Que porra há para entender agora? Quero minha companheira, e
todo mundo precisa dar o fora do caminho.
— Nunca iria afastá-lo de sua companheira, mas está
perdendo o controle, e não posso deixar você sair daqui até estar
normal. Um ser humano pode vê-lo.
— Então a resposta é sim, você está me afastando da minha
companheira—. A última palavra sai da minha boca enquanto me
agacho no chão. Sinto meu nariz alongar, pelos tomarem meu
corpo e então ataco o alfa.
Bater em Stone com meu corpo é como bater numa parede de
tijolos, porra. Nós caímos no chão, fazendo o piso tremer.
Levanto rapidamente, indo para seu pescoço, meu lobo querendo
o sangue de qualquer coisa que o afasta de sua companheira.
Precisamos dela mais do que nunca. Não podemos respirar sem
ela agora.
Stone tem-me pela parte de trás do pescoço, o punho cheio
com meu cabelo enquanto me afasta, antes que possa afundar os
dentes nele.
— Porra, Dom, não estou afastando-o de sua companheira! —,
ele rosna para mim. — Não faça isso. Você está insano, e
poderíamos acabar nos matando—. O próprio lobo de Stone
começa a empurrar para a superfície, os olhos derretendo em
preto total.
Eu rosno com suas palavras.
— Dom, você vai perturbar Ruby se aparecer esta noite todo
machucado—. Uma voz de mulher diz atrás de mim, me fazendo
soltar o domínio sobre Stone. Ouvir as palavras ‘perturbar Ruby'
faz algo em mim parar.
Olho para o lado, vendo Gwen se aproximar. Sua mão está
estendida como se fosse me confortar.
— Eu não sou seu para tocar—, rosno, sem me sentir culpado.
O pensamento de sua mão em mim causa dor. Minha necessidade
de Ruby está cada vez mais forte, me fazendo jogar a cabeça
para trás e uivar. Meu lobo não pode esperar, e começo a mudar.
De repente, sinto uma dor aguda nas costas. Olho por cima do
ombro, vendo uma seringa em mim. Gwen salta para trás,
deixando a agulha presa no lugar. Meu corpo afrouxa, manchas
pretas tomam a sala, e a visão do rosto de Ruby vem na minha
mente. Quero estender a mão e tocá-la, mas não posso mover
meus braços.
— Você não pode afastar-me dela—, forço as palavras pelos
lábios.
— Veremos—. É apenas a resposta do alfa.
7
Ruby
Olho pela janela da frente da padaria, as ruas uma vez cheias de
crianças estão agora vazias quando viro a placa na porta para
sinalizar que estamos fechados. Decepção e agitação me
atingem; não vi Dominic durante todo o dia.
Fiquei triste quando acordei esta manhã e não o vi na cama
comigo. Pensei que talvez tivesse bebido muito noite passada e
apenas tido um dos sonhos detalhados sobre ele.
Era isso até que olhei no espelho quando estava me
preparando para o trabalho e vi o chupão evidente. Com minha
pele clara sabia que nenhuma quantidade de maquiagem ia
encobrir a marca. Por alguma razão, o pensamento de cobri-la
não me animou. Fiquei tocando a marca o dia todo. Cada vez que
fiz, um raio de desejo tomou meu corpo.
Agora estou chateada. Ele está de pé fora da minha padaria
todos os dias durante três semanas, e um dia depois de comer
minha buceta, ele desaparece?
O que é pior é que o meu corpo não se importa no momento.
Se ele entrar pela porta agora, provavelmente vou subir nele
como uma árvore e pedir para fazê-lo novamente, não me
importando que ele fugiu no meio da noite e me evitou todo o
dia.
Não tinha ideia que poderia ser assim. Ele me fez sentir como
se eu fosse a melhor coisa que ele já tocou. Que estava carente
de mim. Que nunca se cansaria, mas é evidente que já cansou.
Suspirando, caminho para trás do balcão e começar a fechar
os displays enquanto Gwen lida com a cozinha, tentando correr
depois que chegou atrasada esta manhã.
Poucos minutos depois, ela vem da cozinha com uma cesta
cheia de biscoitos de Halloween na mão.
— Não acho que teremos mais crianças—, digo, apontando
para a janela da frente. A rua está vazia. As crianças fantasiadas
estavam lá mais cedo. Ouvi alguém dizer que crianças iam para a
cidade vizinha pedir doces ou travessuras este ano por causa da
lua cheia, que não faz qualquer sentido para mim, mas isso
parecia acontecer muito aqui. Não achei que teria que lidar com a
barreira da língua vindo do norte da Califórnia para o Colorado,
mas parece que sim.
Ela balança a cabeça, concordando comigo.
— As crianças não vão caçar doces com esse tempo.
As nuvens estiveram escuras todo o dia e, finalmente, parece
que estão prestes a se soltar.
— Provavelmente. Pelo menos eles tiveram as lojas.
Foi bonito assistir todas as crianças, fantasiadas e andando
para cima e para baixo com seus pais. Mesmo alguns pais se
fantasiaram. É tempo de ter minha própria família. Dominic pisca
por minha mente, fazendo meu corpo aquecer.
— Onde vai com a cesta, então? —, pergunto, tentando
manter minha mente fora dele. Tiro o avental, dobrando-a e
colocando sob o balcão.
— É uma entrega—, diz ela, simplesmente, como se fosse
rotina.
— Nós não fazemos entregas.
— Bem, a antiga padaria fazia, então só pensei... — Ela morde
o lábio como se eu fosse ficar chateada, mas uma entrega
significa alguém local fazendo um pedido, e vou aceitar todos os
clientes locais que encontrar.
— Está bem. Você tem o endereço?
Alcançando em seu bolso, ela pega um pedaço de papel e o
entrega para mim.
— Realmente sinto muito sobre isso—. Vejo a preocupação em
seus olhos sobre algo que não é um grande negócio.
— Está tudo bem. Não como eu tenha algo melhor para fazer
esta noite. Falando nisso, não deveria estar fora da cidade?
Pensei que era o plano.
— Sim você está certa. Tem um lugar onde preciso estar—. Ela
passa a cesta para mim, me puxando para um abraço apertado.
— Ele nunca teria te machucado, nunca você—, ela sussurra em
meu ouvido. Não tem que dizer o nome para saber de quem está
falando.
Ela se afasta, saindo pela porta da frente. Sigo atrás dela,
trancando. Começa a chover quando Gwen chega do outro lado
da rua.
Pego a cesta do balcão e coloco na cozinha, e subindo as
escadas para pegar minha bolsa e as chaves do carro. Parando,
pego minha capa com capuz vermelho para me proteger da
chuva. Posso usá-la para proteger a cesta também. Deslizando-a
sobre meus ombros, amarro ao redor do pescoço antes de puxar
o capuz.
Caminho de volta para baixo e agarro a cesta. Tranco a porta
antes de correr para o carro. Digito o endereço no GPS, e vejo
que a casa não está longe, mas parece que é fora do caminho
asfaltado. É na floresta, então talvez seja apenas uma casa com
um monte de terra. Talvez estejam dando uma festa de
Halloween ou algo assim.
Pego a rua completamente vazia e a chuva começa a cair
enquanto dirijo, tornando difícil ver. Isso faz com que o caminho
seja demorado. A chuva diminui quando finalmente chego ao final
do asfalto. Tenho certeza que vai começar de novo a qualquer
momento, então talvez eu possa fazer a entrega antes que chova
novamente.
Dou a volta, passando da superfície pavimentada, suave para
um áspero caminho de cascalho. Antes que possa reagir, meus
pneus escorregam. A vala agarra minha roda traseira, puxando-
me para fora. Aperto o volante e tento empurrar o acelerador,
mas os pneus do meu carro são insignificantes, e simplesmente
derrapam no lugar.
— Bem, merda.
Posso ver a casa com meus faróis, e parece ser cerca de uma
milha, no final da estrada, em frente a um grupo de árvores.
Olhando ao redor, vejo que tudo é cercado por árvores; estou
completamente na mata. Pego minha bolsa e xingo quando vejo
que não tenho área no telefone. Não tenho muita escolha, assim
é a casa. Mesmo que seja perto, é assustador estar cercada por
uma floresta escura.
O sol se pôs totalmente, então preciso começar a me mexer.
Talvez uma vez que entregar os cookies, possam me dar uma
carona até a cidade, ou talvez tenham um caminhão para me
desatolar. Realmente não acho que isso seria preciso muito,
apenas um bom puxão.
Agarrando a cesta, saio do meu carro, colocando o capuz
sobre a cabeça. Estou na metade quando começo a ouvir o
crepitar das folhas. Alguém está andando pela floresta,
esmagando-as sob seus pés. Paro e tento ver o que está fazendo
o barulho, mas como o sol desapareceu e as nuvens são escuras,
não vejo muito.
Ouço um rosnado à minha direita, seguido de outro galho
estalando, fazendo meu coração pular no peito. Quando ouço o
uivo a minha esquerda, o pânico realmente me atinge e começo a
correr para a casa. Meu coração bate no meu peito, e olho para
trás enquanto corro, vendo um lobo branco na minha cola. Isso
me faz correr mais rápido do que jamais pensei que poderia, e
quando chego à varanda, vejo que a porta está desbloqueada.
Alívio me toma quando puxo a maçaneta. Abriu. Eu entro
correndo. Consigo fechar a porta, batendo-a atrás de mim e me
pressionando contra a madeira.
De repente, ouço o som de uma fechadura do lado de fora.
Lentamente tento rodá-la. Ela se move, mas a trava está
fechada. Vejo o trinco na parte superior da porta. Quem coloca
uma trava tão alto, e por que tranca alguém na casa e não fora
dela?
Outro rosnado e desta vez é dentro da casa, fazendo-me
congelar no lugar. Deixo cair à cesta da minha mão.
— Sinto muito, Ruby, não tivemos escolha. — Ouço a voz de
Gwen do lado de fora.
— Gwen! Há um lobo aí fora! —, grito para ela.
Então é quando percebo que há um aqui também.
8
Dominic
Minha.
Vejo Ruby girar lentamente ao redor e me encarar, sua capa
vermelha cobrindo um pouco do rosto, mas sinto seu cheiro em
todo lugar. A lua de acasalamento está completa, e é hora de
reivindicar minha companheira.
Tê-la perto de mim acalma minha besta, e sou capaz de
pensar claramente. Lembro-me de Gwen me drogar, e tenho
flashes de Stone me trazendo para casa. Devo ter dormido por
horas, porque quando acordei, era noite, pude sentir o cheiro de
Ruby próximo. Comecei a andar pela sala, ouvindo-a cada vez
mais perto. Podia sentir os outros lobos, Gwen e Stone levando-a
para mim, então esperei. Agora que a tenho comigo, podemos
acasalar, e posso marcá-la totalmente como minha.
Dou um passo em direção a ela, ainda na forma de lobo.
Nossos lobos são maiores do que o lobo normal, o triplo do
tamanho aproximadamente. Me movo lentamente para que ela
note minhas intenções, e presto atenção a reação dela.
Posso ouvir seu coração acelerado, mas não cheiro medo. Ela
deve reconhecer meus olhos, porque eles brilham mais quando
estou totalmente mudado. Quando chego a um pé dela, me curvo
com a cabeça baixa, mostrando que não vou machucá-la. Preciso
que minha companheira confie em mim e deixe seu corpo
perceber o que sou para ela.
Após um momento de hesitação, sinto os dedos no pelo cinza
na parte de trás do meu pescoço.
— Dominic? —, ela sussurra, e meu lobo deixa sair um suave
grunhido de prazer, inclinando-se para seu toque.
A outra mão junta-se a primeira e ela esfrega meu pescoço,
sentindo meu corpo. Pressiono meu rosto contra ela, sentindo o
calor dela me abraçar. O calor de acasalamento está tomando
conta, e cheiro o início de seu desejo.
— Dominic, o que está acontecendo? —, ela não soa com
medo, apenas sobrecarregada. — O que está acontecendo
comigo?
Afasto-me de seu toque, e ela me segue. Estamos no meio da
cabana na sala de estar, mas alguém deve ter movido o
mobiliário por precaução. Há grossos cobertores no chão e um
fogo na lareira. A única luz é o brilho laranja proveniente das
brasas, fazendo o quarto parecer uma caverna.
Uma vez que estamos perto do fogo, seguro meu lobo e
começo a mudar. A única razão pela qual ele está me deixando
fazer isso é porque queremos acasalar com ela, e tenho que estar
em forma humana para fazê-lo. Ainda vou tê-lo na minha mente,
e um monte de mim não vai mudar completamente. Quando sinto
o começo da mudança, vejo Ruby puxar o capuz para trás da
cabeça para ver o que está acontecendo.
Ainda não cheiro medo, apenas um desejo crescente enquanto
mudo. Posso sentir meus caninos longos e afiados, e minhas
unhas como garras. Meus olhos estão brilhando, e o pelo grosso
cinzento ainda cobre meu corpo. Quando estou tão transformado,
Ruby me olha de cima a baixo. Seu olhar faz uma pausa no meu
pau, e ela coloca as mãos sobre a boca quando o vê.
Olho para baixo e vejo que está maior que o habitual. Sou
grande, mas agora que a lua de acasalamento está plena, é
muito maior.
— Seu corpo quer a minha marca—. Minhas palavras vêm do
fundo do peito, meu lobo ainda na superfície.
Ela não diz nada, apenas balança a cabeça e move as mãos da
boca para a fita de sua capa, a soltando.
Rosno com necessidade quando a capa cai e a vejo tirar os
sapatos. Ela chega até a bainha do vestido, puxando-o para cima
e sobre a cabeça. Ela está lá, apenas de calcinha, e é tudo o que
posso fazer para ficar em minha pele. Seus seios estão cheios e
pesados com necessidade. Quando acasalarmos, vão pingar leite
cada vez que a lua estiver cheia. O pensamento faz minha boca
salivar. Suas curvas parecem tão suaves e irão amortecer minhas
estocadas quando meu lobo e eu estivermos dentro dela. Quero
empurrá-la para baixo e montá-la, mas se a tocar, vou perder o
domínio do lobo. O calor de acasalamento está nos puxando, e
estou tentando desesperadamente controlá-lo.
— Pode sentir isso? —As palavras de Ruby são ofegantes, e há
um ligeiro gemido nelas. Ela está sendo tomada pela lua de
acasalamento, e seus desejos estão crescendo. — Sinto que
estou indo para... Para... Deus, eu não sei. Por favor.
Ela tira a calcinha, nua na minha frente, e começo tremer.
Como ela é humana, nunca imaginei que seu corpo precisaria do
meu corpo como preciso do dela, mas parece que a natureza é
mesmo sábia. Fecho os olhos com força por apenas um segundo,
guardando a imagem de minha deusa na memória.
Com todo o controle que tenho, vou para o chão e deito de
costas, braços e pernas esticadas. Meu pau se projeta para cima,
e está quase roxo com necessidade quando me ofereço a ela,
deixando-a saber que sou submisso a suas vontades, mostrando
que nunca vou machucá-la, que ela tem todo o poder.
Meu lobo geme de dor, mas tento mantê-lo calmo. Ruby é
humana, e nosso primeiro acasalamento não pode ser como o
acasalamento de lobos normais. Normalmente, o macho monta a
fêmea, afundando os dentes em seu pescoço por trás. Minha
companheira é mais delicada, e terá que estar no controle na
primeira vez.
Rubi deve sentir o que seu corpo está querendo. Ela caminha
até mim e está ao lado de meu corpo. Posso cheirar seu desejo e
vê-lo brilhando em suas coxas à luz do fogo, evidência de que a
lua de acasalamento quer unir nossos corpos.
Ela levanta um pé, passando por cima do meu corpo e monta
meus quadris. Nesta posição, abriu suas coxas para mim, e posso
ver sua boceta pingando de necessidade.
— Não sei o que está acontecendo comigo, mas preciso de
você, Dominic, mais do que qualquer coisa—, diz ela, de pé em
cima de mim em posição dominante. Em vez de combatê-la, viro
a cabeça para o lado, expondo meu pescoço. Depois de apenas
um segundo, a vejo começar a abaixar-se para mim.
Olho para cima e encontro os olhos da minha companheira
quando sua abertura molhada beija a cabeça do meu pau.
Quando a ponta grossa está em sua entrada, nossos corpos
assumem, sabendo o que fazer.
Sentir sua boceta molhada contra a ponta do meu pau é puro
céu. Esperei minha vida inteira por ela, e, finalmente, tenho
minha companheira e é o paraíso.
Seguro-me quando jatos de sêmen saem do meu pau. O
orgasmo é o primeiro que já tive, e é duro e rápido. É apenas o
suficiente para iniciar, mas preciso dar-lhe o suficiente para
ajudar o calor a assumir. Não estou totalmente nela, mas sei que
meu sêmen contém propriedades curativas, que vão acalmar seu
corpo. Se eu der mais agora, seu calor de acasalamento vai
assumir totalmente, e o corpo irá acomodar meu tamanho.
Quando os lobos acasalam, é áspero, e sua forma humana não
seria capaz de levá-lo. Ela precisa ter meu sêmen dentro dela na
lua. Ela vai assumir algumas das nossas características e ser
capaz de cruzar comigo.
Quando termino, fecho meus olhos e uivo. É alto e satisfatório,
e quando termino, Ruby desce no meu pau, levando-me
totalmente dentro dela.
Seu pequeno corpo se abre e leva tudo do meu pau quando
tiro sua virgindade e a tomo como companheira. Ela se inclina
para baixo em cima do meu peito, agarrando meu cabelo em
suas mãos. Olho em seus olhos e vejo que estão brilhando, seu
calor de acasalamento assumindo. Não há amor delicado entre
lobos; somente uma profunda e forte paixão. Ela começa a me
montar duro, esfregando contra a base do meu pau e roçando
seu clitóris em mim.
Ela range os dentes, e posso ver que seus caninos estão mais
longos. Sua postura agressiva atiça meu lobo ainda mais. Ele
quer virar e reclamá-la, mas ela precisa de mais sêmen. Ainda é
humana em sua maior parte, e preciso marcá-la enquanto ela
goza.
Sinto meu pau gozar dentro dela novamente, e uivar com a
sensação de encher seu ventre desprotegido. O pensamento de
enchê-la com meus filhotes me consome, e empurro mais forte.
Ela se inclina e coloca as palmas das mãos nas minhas coxas.
Vejo seus seios saltarem enquanto ela rola os quadris para trás e
para frente no meu pau. Estico-me e belisco seus mamilos, e a
vagina aperta no meu pau. Sua vagina é tão apertada e quente
que não posso controlar nada, e gozo dentro dela outra vez,
bombeando enquanto ela continua a me montar. Neste ponto,
meu sêmen está transbordando e escorrendo pelo meu pau,
fazendo uma bagunça cremosa entre nós.
Chego até onde estamos conectados e passe meus dedos lá,
levando-os a boca de Ruby. Ela precisa tanto da minha porra
dentro dela quanto possível, para fazer a ligação de acoplamento
mais forte. Ela olha para meus dedos e, como se sentisse o que
deve fazer, abre a boca e os chupa. Seus olhos verdes brilham e
posso dizer que ela está perto.
Sinto-me gozando novamente quando ela termina de chupar
meus dedos, e meu queixo dói com a necessidade de marcá-la.
Está na hora. Posso sentir.
Ruby se inclina para frente novamente, desta vez colocando
seu corpo em cima de mim quando empurro dentro dela. Ela
paira sobre minha boca, e lambe meus lábios, querendo um
beijo. Quando seus lábios tocam os meus, sou dominado pelo
desejo de marcá-la. Afasto-me, movendo a boca para onde seu
pescoço e ombro se encontram, cravando meus dentes lá.
— Por favor, Dominic. Por favor—, ela geme, e empurro com
força uma última vez, esvaziando meu pau de novo, e sinto sua
boceta me apertando, gozando ao mesmo tempo.
Quando seu orgasmo acontece, afundo os dentes apenas o
suficiente para provar seu sangue e deixo minha saliva se
misturar com ele, acasalando-a para a vida e marcando-a como
minha.
Quando perfuro a pele e sinto seu clímax, ela deixa escapar
um gemido que se transforma num grito, os novos traços
aparecendo. Ela nunca vai ser um shifter completo, mas vai estar
tão perto de um como pode sem mudar.
Quando ela desaba, e começa a relaxar contra mim, meu lobo
rosna com a necessidade e nos vira. Sinto mais pelo cobrir meu
corpo, mas ainda estou me segurando o suficiente para não
mudar. Empurro forte dentro da minha companheira, e meu lobo
rosna.
É sua vez agora.
9
Ruby
Sinto uma queimação no meu sangue. É como se estivesse em
chamas, mas amo o sentimento. Dominic está dentro de mim,
mas de repente ele puxa para fora e me vira, como se eu pesasse
como uma pena. Ele puxa meu rabo no ar. Estou tomada de
surpresa e começo a entrar em pânico, mas uma vez que o sinto
dentro de mim novamente tudo some. Os únicos pensamentos
que parecem continuar por minha mente são de tê-lo dentro de
mim e reproduzir com ele.
Quando me virei na cabana e vi o enorme lobo, não estava
com medo. O medo que sentia desapareceu. Algo dentro de mim
começou a aquecer, e senti como se as coisas estivessem se
encaixando. Era como se tivesse esperado por este momento
toda a minha vida, e finalmente acontecido.
Uma pessoa sã iria questionar tudo e querer respostas, mas
em vez disso deixei meu corpo assumir. Sabia que podia confiar
em Dominic, e quando o vi mudar, fui me juntar a ele sem
hesitação.
Ele é o meu destino e por que não gostaria que o sentimento
dentro de mim continuasse? É como se estivesse mais unida a ele
do que estou ao meu próprio corpo. Tornamo-nos um, e agora
vejo que era isso que ele estava esperando.
Abaixo minha cabeça nos cobertores macios e abro minhas
pernas mais amplas. Quero que ele tenha cada polegada de mim
tanto quanto puder. Relaxo quando ele empurra, abrindo meu
corpo para ele. Abraço cada impulso, acolhendo seu sêmen
dentro de mim. É assim que somos acoplados e como todo
mundo vai saber que estou reivindicada. Não entendo como sei
disso, mas de alguma forma eu sei.
Virando a cabeça para o lado, exponho meu pescoço, o lado
que ele não mordeu. Quero que ele me marque em todos os
lugares. Quero que nosso vínculo seja o mais forte possível e
nosso acasalamento poderoso.
Dominic começa a gozar dentro de mim, mas não abranda os
impulsos. Ele continua fodendo forte, dentro e fora enquanto
goza na minha buceta.
Sinto o calor se espalhando quando ele se inclina e coloca os
dentes na minha pele. Meus próprios dentes estão doendo,
querendo mordê-lo. Quero marcar sua pele e alertar outras
mulheres que este homem é meu. Minhas unhas cresceram e são
afiadas, doendo com a necessidade de marcar Dominic. Agarro os
cobertores, os rasgando, querendo rosnar.
Estou perto de outro orgasmo, mas até mesmo chamá-lo de
um orgasmo é uma piada. É como se corpo explodisse em
estrelas e fosse para o espaço, apenas para cair de volta para a
terra e me deixar completa novamente. É a grande sensação da
minha vida, e estou me aproximando de outro com medo e
excitação.
Alcançando atrás de mim, agarro o ombro de Dominic e o
arranho, seus dentes afundam em mim, e gozo. A explosão é
mais intensa do que a primeira e quase desmaio.
Algo acontece quando Dominic me marca, e gozamos ao
mesmo tempo. Nossos orgasmos compartilhados nos unem, e é
como se fossemos um. Sinto que ele entra no meu sangue e me
inunda com paixão, não sabia que isso existia.
Quando desço do auge, tento acalmar minha respiração. Solto
o ombro de Dominic, e ele lambe meu ombro onde mordeu.
Sorrio para os cobertores com sua doçura, amando o lado suave
de seu animal.
De repente, Dominic tira seu pênis para fora e me vira de
costas. Rapidamente, me puxa para sentar-se e me coloca no
colo, dentro de mim outra vez.
— Eu preciso ver você—, ele rosna baixo em seu peito. Seu
lobo está próximo à superfície, e corro meus dedos por seu
cabelo, tentando tranquilizá-lo que estamos acoplados, e não vou
a lugar nenhum. Não sei como ou por que sei como fazer isso,
mas é como se instintos dominassem tudo. Não vou questionar
algo tão perfeito.
— Sim, meu companheiro.
Seus olhos brilham mais com as palavras, e ele começa a
gozar novamente. Seu pênis cresce enquanto continuo a montá-
lo.
Deveria estar ferida pelo tamanho de seu pênis e o tratamento
áspero, mas tudo o que eu sinto é euforia. É como se estivesse
numa nuvem de luxúria e amor, e nunca quero deixá-la.
Mergulho meu dedo entre nós para os restos de seu esperma e
o trago a boca. Quero tanto dele dentro de mim quanto possível,
e esta é apenas outra maneira de obtê-lo. Quando provo nossos
sabores combinados, sinto meu corpo aquecer, preparando-se
para gozar novamente.
Dominic lambe os lábios, inclinando-se e alegando minha boca
com a dele. Provar seu esperma e o meu misturados, tem-me
perto da borda.
É como se Dominic soubesse o quão perto estou, e quebra o
beijo, inclinando-se para chupar meu mamilo na boca. Sinto seus
dentes afiados em mim, e minha pele sensibilizada responde. Ele
move-se para o lado do meu peito, delicadamente raspando os
dentes lá, tornando claras suas intenções. Ele vai me marcar lá
também.
Olho para baixo e vejo seu pescoço exposto, e sei que é a
minha chance. Meus dentes estão doendo para marcá-lo, e quero
fazê-lo enquanto ele me marca.
Inclino-me para baixo e o mordo, ao mesmo tempo em que
ele morde o lado do meu seio. O gosto de cobre bate minha boca.
A sensação de marcação compartilhada nos envia ao longo da
borda. Ele empurra duro uma última vez e enche meu corpo
enquanto aperto seu pênis, o orgasmo pulsando através de
minha buceta.
Dominic começa a lamber o lado do meu peito onde me
marcou, então eu lambo seu pescoço da mesma forma.
Carinhosamente cuido da pequena ferida, não querendo que meu
companheiro sinta qualquer dor.
Ele olha para mim com os olhos brilhantes de prata, e derreto
com o amor lá. Vejo que o que sente por mim vai além de
qualquer coisa que poderia ter imaginado. Corro os dedos sobre o
peito peludo e, em seguida, através de seu cabelo, acariciando-o
e mostrando-lhe meu amor.
Lentamente, ele me deita nos cobertores, enquanto
permanece dentro de mim. Ele empurra duro, e as minhas pernas
vão ao redor de sua cintura, fechando atrás dele. Uma paixão
como esta não é suave e doce, é áspera e ardente e consome
tudo.
Tenho certeza que vou estar dolorida amanhã, mas agora sob
a lua cheia, quero tudo o que ele pode me dar antes que seu
corpo se renda.
10
Dominic
—
Pensei que disse que o calor passaria—. A voz ofegante de
Ruby geme em meu ouvido quando empurro dentro dela, suas
pernas em volta da minha cintura me segurando, a cabeceira da
cama batendo na parede. É um milagre que não tenha quebrado
ainda.
— Ele passou. Isso é apenas seu companheiro te querendo—.
Com minhas palavras ela morde meu ombro, mais uma vez, o
prazer me envia sobre a borda, minha libertação a leva comigo
quando sua buceta aperta meu pau.
Mesmo após várias tentativas, ele não parece descer. Não que
o culpe com Ruby tão perto. Não querendo sair dela, nos rolo
então ela está em cima de mim, meu pênis ainda profundamente
dentro.
Seu corpo cobre o meu enquanto ela continua a dar pequenas
mordidas no meu peito, fazendo mais esperma sair do pau dentro
dela. Parece que minha pequena companheira quer ter certeza de
eu esteja marcado. Ela pode não saber o que está fazendo, mas
amo esse lado possessivo aparecendo e que ela queira me
marcar para todo mundo ver. Ela poderia cobrir todo meu corpo
com suas marcas, se quisesse, e eu amaria cada minuto.
— Se o calor passou, isso significa que o sexo shifter é sempre
assim? Tão intenso? — A sinto tensa com a pergunta, lembrando-
me o quanto ela não sabe. Mas temos o resto de nossas vidas
para isso, e quero aliviar seus pensamentos.
— Querida, eu só estive com você—. Sua cabeça levanta, um
suave grunhido retumbando em seu peito, meus traços shifter se
mostrando desde o nosso acasalamento.
Suas bochechas coram ao som do próprio rosnado.
— Como é que isto é possível?
Sentando-me, a levo comigo então ela está no meu colo.
Deixo meu pau deslizar livre, sabendo que se mantê-lo nela não
vamos falar.
— Como notou, sou um shifter lobo—. Não sei porque prendo
a respiração, depois das palavras saírem. Isso é algo que ela
sabe desde que entrou na cabana.
— Eu sou... — Suas palavras pairam no ar. Não tenho certeza
se ela está com medo de que a mudei.
— Só um pouco. Você não é totalmente shifter. Nossos filhotes
serão, mas você não vai ter uma mudança completa—. Eu corro
uma das mãos sobre a barriga distraidamente, pensando sobre
filhotes crescendo lá.
Ela mostra os dentes, olhando para os caninos que deslizam
para fora quando fazemos amor.
— Seus dentes vão crescer, terá garras, vai ser mais veloz,
mais forte, e se curar mais rápido. É a maneira da natureza
certificar-se que possa proteger os filhotes se for necessário, que
pode lidar com eles. Você está brava? Eu não lhe disse tudo isso
antes de...
Ela me corta, pressionando os lábios nos meus, sua doçura
enchendo minha boca.
— Acho que te amei desde o primeiro momento que te vi
sentado naquela padaria, todo mal-humorado. Algo sobre você...
Era como se uma parte de mim soubesse que você era meu—, diz
ela, afastando-se do beijo.
— Sei que te amei desde que dei a primeira respiração nesta
terra. Estive esperando por você toda a vida, e vou te amar
mesmo depois deste mundo me levar.
Seus olhos brilham com lágrimas não derramadas, fazendo
meu lobo rosnar, infeliz com a visão.
— Você é minha companheira, meu tudo; vou passar a vida
inteira te fazendo feliz. Eu te amo, querida.
— Também te amo. Mesmo quando me irrita—. Ela me dá um
tapa brincalhão no meu peito.
— Confie em mim, foi difícil ficar longe de você, amor. As três
mais agridoces semanas da minha vida.
— E agora?
— Agora você é toda minha—. A solto, prendendo-a debaixo
de mim, meu lobo empurrando, fazendo com que meus olhos
fiquem pretos.
— Por que esses olhos tão grandes? —, ela brinca, com um
sorriso nos lábios.
— São para te ver melhor minha linda companheira—. Brinco
de volta quando vago sobre seu corpo perfeito debaixo de mim e
lentamente deslizo por sua forma.
— Por que esses dentes tão grandes? — Suas palavras estão
ofegantes de desejo.
— São para te comer melhor—. Agarro suas coxas, e as abro,
expondo sua vagina, mostrando-lhe o quão bem posso comê-la.
Epílogo
RUBY
Três meses depois…
— Estou maior que uma casa! — Deito na cama com os pés
apoiados nos travesseiros enquanto Dominic faz uma massagem
neles.
— Você está mais bonita a cada dia, querida—. Ele está me
dando aquele sorriso sexy, e tudo que quero fazer é espalhar
minhas pernas e sentir esse sorriso contra minha buceta.
Ele inala profundamente, fechando os olhos.
— Cuidado, companheira. Pode dar à luz a qualquer momento,
e temos que ser fácil. Esta é a primeira vez que carrega nossos
filhotes, e quero ter certeza que esteja saudável.
— Gostaria que tivesse dito que a gravidez dura apenas
noventa dias para shifters—. Esfrego minha enorme barriga,
sentindo nossos bebês chutarem. Fomos capazes de descobrir
que acabou sendo trigêmeos, meninos, e, quando quase desmaiei
de choque, Dominic uivou com prazer. Ele não parou de sorrir
desde esse dia, contando a todos a novidade. Ele disse que é
muito raro uma fêmea humana procriar muitos filhotes de uma só
vez, por isso acha que acasalou forte demais. Essa é a única
explicação.
— Às vezes, pode demorar mais tempo, dependendo da raça
de shifter—. Ele beija cada um dos meus dedos gordinhos, e riu
com a sensação. Ele sempre me estraga, e eu não consigo ter o
suficiente.
Desde a lua de acasalamento, a vida tem sido um conto de
fadas. Ainda possuo a padaria e consigo trabalhar alguns dias por
semana. Ou seja, quando Dominic permite. Gwen tem sido
incrível, assumindo a maior parte das operações do dia-a-dia,
enquanto apenas fico no caixa. Ela contratou duas moças locais
para ajudar, e tem sido uma loucura boa.
— Uma vez que os meninos nascerem vou transformar o
escritório ao lado da padaria numa creche. Talvez algumas
mulheres locais possam usá-la se quiserem tomar um café e ter
uma pausa. Sei que vou querer verificá-los constantemente nos
dias que trabalhar.
Dominic começa a beijar minhas pernas, e gemo com a
sensação.
— Estarei com você e os filhotes ainda mais do que agora.
Ri para sua declaração.
— Você está sempre ao alcance do braço.
Uma vez que ele atinge o interior de minhas coxas, me morde
um pouco, e meu corpo responde instantaneamente. Não sei o
que faria sem ele ao meu lado constantemente. Ele está sempre
comigo e onde quer que vamos, seu lobo deseja meu corpo e
meu corpo deseja cada polegada dele.
— Você me quer mais longe de você? —, ele sussurra as
palavras contra a minha calcinha, lambendo o tecido já úmido.
— Nunca, meu amor.
Ouço seu lobo grunhir baixo em seu peito, sua necessidade
por mim subindo. Sinto seus dentes rasparem minha calcinha, e
isso causa um arrepio de desejo em mim.
— Talvez eu possa ser gentil e dar o que nós dois precisamos.
Concordo com a cabeça e abro mais as pernas. Estou tão
grávida que é muito bom apenas ficar aqui e tomar o que ele me
dá. Mas meu companheiro é o macho mais perfeito que já viveu,
e ele me acha mais sexy a cada dia que passa. Sua paixão só
alimenta nosso amor, e não posso imaginar minha vida sem ele.
Quando o sinto puxar a calcinha para o lado e a língua quente
encontrar meu centro, fecho os olhos e me entrego ao prazer.
Dominic é dono do meu corpo, coração, mente e alma. Eu teria
que estar louca para lutar contra este tipo de amor.
Fim