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IA e Arte: Desafios da Criação Humana

O artigo discute a relação entre inteligência artificial e arte, enfatizando que a IA não deve substituir a criatividade humana, pois isso pode levar à perda da autenticidade e da profundidade na expressão artística. A obra sugere que os artistas devem se desenvolver a partir de suas próprias experiências e esforços, evitando a dependência da tecnologia para a criação. A reflexão é baseada em diálogos com o artista Claudio Toscan, que destaca a importância da individualidade e da conexão com o 'Ser' na prática artística.

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IA e Arte: Desafios da Criação Humana

O artigo discute a relação entre inteligência artificial e arte, enfatizando que a IA não deve substituir a criatividade humana, pois isso pode levar à perda da autenticidade e da profundidade na expressão artística. A obra sugere que os artistas devem se desenvolver a partir de suas próprias experiências e esforços, evitando a dependência da tecnologia para a criação. A reflexão é baseada em diálogos com o artista Claudio Toscan, que destaca a importância da individualidade e da conexão com o 'Ser' na prática artística.

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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO:

RELACIONAMENTO COM A ARTE

Gabriel Franklin Forsch

Linha temática – Inteligência artificial e inteligência humana: Diálogos possíveis.

Resumo: Em relação a arte e as práticas humanistas, abordamos alguns problemas relacionados ao artista como fonte
de vida e criação. A inteligência artificial é um assunto delicado e ao mesmo tempo necessário ser tratado. Mesmo
que existam muitos artistas no mundo e possamos encontrar em redes sociais, na internet em geral; é difícil encontrar
artistas que dedicam sua vida a isso ou mesmo que não vivam necessariamente de sua arte, priorizem seu lado artístico,
dando valor real à ele, em nossa volta, por perto. é comentado nesse artigo a necessidade de desenvolvimento do
artista a partir da sua capacidade e esforço, dando como recomendação que não se deve optar pela IA (Inteligência
Artificial) quando se trata de arte, atividades intelectuais e outras práticas humanistas. Visto que a mente artificial não
pode ser vista como a extensão da mente humana, mesmo que leve em conta seu vasto banco de dados e informações,
o desenvolvimento da sua base como artista deve depender e só depende do indivíduo, esses assuntos são abertos e
comentados a partir de uma conversa relacionada com o artista (pintor) Claudio Toscan, quem deu a reflexão sobre
alguns problemas relacionados, trazendo uma maneira melhor e mais confiável a desenvolver o assunto.

Palavras-chave: Arte, Artista, Inteligência Artificial, Prática Humanista

1. INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos, nós seres humanos criamos diversas alternativas com o intuito de facilitar
nosso crescimento como sociedade, alternativas essas que hoje se passam em volta da tecnologia;
celulares, computadores, internet, veículos, todos esses fazem parte de uma tecnologia, porém, não
possuindo a possibilidade de criação, não possuem inteligência suficiente para copiar ou criar novos
conteúdos e ideias, não fazem papel de criador. A inteligência artificial generativa1 (IA Generativa) é
uma tecnologia recente. Agora, possuindo a possibilidade de explorar profundamente estes recursos,
sejam eles conversas, histórias, imagens, vídeos, músicas, códigos de programação. É uma tecno-
logia com possibilidade de criação, que tenta imitar a inteligência humana em tarefas tradicionais
(Ex: dublagem, tradução e criações artísticas) utilizando dados de treinamento para resolver novos
problemas, abrindo nos dias de hoje, um grande mar de possibilidades e evoluções para nós, seres
humanos. Entretando, é necessário enxergarmos pontos importantes na criação de novas tecnologias
e descobertas, tendo em vista a grandeza que isso se torna e o poder que podem trazer consigo. Apli-
cações de IA Generativa chamam muita atenção e a imaginação de todos, alimentando nas pessoas
uma esperança como possibilidade de criação, nos deixando à beira de um mar de expectativas, a pre-
ocupação no entanto, não está na reinvenção de aplicações ou na criação de novas, a real preocupação
se encontra em tornar o que temos como inteligência artificial em uma espécie de “extensão” para a
mente humana, levando à dependência da mesma para atividades intelectuais e artísticas.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. SUBSTITUIÇÃO

1 Inteligência Artificial Generativa: Se refere ao uso de IA para criar novos conteúdos, como texto, imagens, música, áudio e vídeos. É utilizada
como referência quando se diz em “mente artificial” por conta da quantidade de áreas que pode vir a ser utilizada, sendo algumas delas: Arte ou
Design, Música, Entretenimento e Saúde. [Link]
artificial%20generativa%20ou%20IA,a%20solicitações%20em%20linguagem%20comum.

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O ponto em que se localiza o problema da mente artificial está no quanto o ser humano pode
vir trazer a perda de si2; claro, não há problema em inovarmos em tecnologias novas, sistemas etc.
Todavia, a questão é que não se deve igualar ou sobrepor a mente artificial à mente humana. O igua-
lar-se ou sobrepor a mente artificial à mente humana está mais ligada ao acreditar que a mente arti-
ficial pode ter a mesma capacidade ou então ser até mais produtiva do que o raciocínio humano ou
então a sua capacidade de criação, resultando em um estado de inércia, onde não se mede esforços
a sair do lugar e evoluir, dito isso, enquanto abrimos um mar de possibilidades a usufruir dessa nova
tecnologia, também nos acostumamos a depender cada vez mais desta criação; ao falar de sobrepor
ou igualar a IA à mente humana, podemos vir a recordar que foi trago a um tempo, uma proposta
de dublagem artificial, a dublagem realizada com inteligência artificial, com o fim de substituir a
dublagem viva, é um bom exemplo a ser utilizado quando se fala sobre utilizar a capacidade da IA
para substituições de emoções humanas, já que quando falamos sobre dublagem, também levamos
em conta as emoções que são depositadas em uma cena, para dar vida a algo.
Enquanto a dublagem e diversas criações artísticas são realizadas de modo artificial e raso
por inteligências artificiais, não utilizamos do nosso conhecimento, sentimentos, do que há de hu-
mano em nós, optamos por deixar de fazer o manual e o autêntico para ir pelo automático, quando
deixamos de apresentar uma dublagem sentimental e profunda, para que seja feita uma dublagem
robótica, outro exemplo a ser citado ao relacionar à entrega de si. Quando escrevemos textos, fa-
zemos poemas, poesias, músicas dentre outros a partir de uma mente artificial, também nos perde-
mos, não estimulamos um sentimento, não fazemos algo que pertence a nós, no momento em que
recorremos à uma espécie de caminho mais fácil, deixamos de evoluir uma escrita profunda. uma
pintura gerada é sublime e única, não sendo criada a partir de uma mente artificial, porém, se por
uma mente real, humana, que não expressa o que lhe foi dito como deve ser feito, mas sim, o que
lhe foi sentido e inspirado, algo que é teu e apenas a ti pertence.

2.2. ACOMODAÇÃO

O mal da mente artificial não é se tornar uma tecnologia de criação, é trazer uma acomodação
ao ser humano a ponto em que ele não seja mais3, onde chega em uma situação em que deixa de
criar coisas para si e por si. Temos a arte como materialização/manifestação do nosso Ser4, visto que
possuímos uma forma única de fazermos arte, de tornar algo belo, a inteligência artificial por sua vez,
existe, mas não “é”, possuindo a habilidade de criação, mas não de fazer uma arte própria. O homem
ao recorrer a inteligência artificial generativa para pedir que sejam feitas pinturas, escritas, músicas
entre outras formas de fazer arte, está tornando superficial seu “Ser”, não torna sua arte profunda e
única; claro, uma ideia ou um projeto podem ser únicos, porém se bem desenvolvidos, uma escrita só
se torna completa ao ser bem desenvolvida e trabalhada, ao apagar e reescrever, ao estudar sinônimos
e projetar no papel a imagem do seu “Ser”. Quando se pede que seja impressa uma arte apenas com
uma frase, ou contornar com grandes parágrafos, ainda assim ela (mente artificial) não poderia pro-
jetar o que pertence a ti; evidentemente, sua arte deve ser trabalhada pela sua mente, vista com seus
olhos e criada pelas suas mãos, para que assim seja fiel a ti e autenticada como sua arte verdadeira.
Heidegger aborda a questão do ser5 e da autenticidade, o que pode ser relacionado à ideia de
que a criação artística é uma forma de o ser humano se manifestar no mundo. Ao comparar a cria-
2 A perda de si: Quando abordo a reflexão do “perder a si mesmo” quero dizer com isso que ao se entregar intelectualmente ou artisticamente a
essa facilidade, é esperado que se torne um conforto estar esperando o auxílio da mente artificial sem sequer se trabalhar para evolução da sua arte,
trazendo a tona cada vez mais os problemas citados nas páginas seguintes.
3 O ponto em que ele não seja mais: A arte como representação além de estética, também representa vida, o “não ser mais” está ligado à capacidade
de criação, não se evolui, não sai do mesmo lugar, se torna estático e não é produtivo, sua arte já não flui.
4 ser: “Do meu ser eu sou o verdadeiro, e do meu verdadeiro eu sou”, cada um possui uma individualidade, cada um possui uma maneira própria
de fazer sua arte, cada um é constituído por uma hecceidade, que na linguagem escolástica se vê como aquilo que faz com que uma essência se
individualize e esteja presente no mundo. Por isso a inteligência artificial existe, mas não é, ela se faz presente como tecnologia, mas não possui sua
individualidade, não é artista.
5 ‘ser’: Para Heidegger, a questão do ser não é uma pergunta sobre a existência de algo, mas sim sobre a própria essência da existência, sobre o que
significa “ser” no mundo. O ser é caracterizado por sua existência autêntica ou inautêntica.

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ção humana com a produção da IA, você pode explorar a noção de autenticidade e a importância
da experiência humana na produção artística.

2.3. CRIATIVIDADE E INVENTIVIDADE

Com o tempo substituindo o manual para poupar o esforço e o tempo de se desenvolver em


alguma forma de fazer arte, mesmo tendo a noção que é necessário preservar sua genuinidade e
focar em acrescentar mais a si, é fato que se encontra a acomodação, e por fim, acaba se entregando
à facilidade que a mente artificial oferece, essa que desencadeia outros resultados maléficos para a
sua produtividade, fazendo com que futuramente sinta certo bloqueio6 em sua criatividade e criar
lacunas em sua capacidade inventiva, existem algumas maneiras de criar sua base artística sem que
precise priorizar a uma extensão artificial.

2.4. BELO E SUBLIME

É interessante utilizar como exemplo para “Belo e Sublime”, Kant, que distingue entre a
beleza e o sublime. A beleza que é encontrada em objetos que são proporcionais, harmoniosos e
agradáveis aos nossos sentidos. E o sublime, por sua vez, está relacionado a experiências que nos
causam um sentimento de temor misturado à admiração, como ao contemplar uma tempestade ou
uma montanha imponente. Quando se lê algo relacionado a essa obra7 de Kant, se enxerga uma
fala que pode ser encaixada em relação à arte, a arte nada mais nada menos que sendo aquele sen-
timento citado, enxergada com admiração e contemplação.

3. METODOLOGIA

A abordagem metodológica do artigo não está ligada a um caminho linear para o artista seguir,
não posso imaginar que a forma de fazer arte está em um caminho correto a tomar, claro que pode
variar de como se enxerga, se o indivíduo se vê como pintor, não seguirá o mesmo caminho de um
escritor, mas todo artista pode ter alguns problemas em comum, seja no começo da sua vida de artista
ou até mesmo depois de experiente; ao pensar dessa forma, o caminho correto é experimentar e ir
atrás da sua arte, desenvolvendo uma base sólida.

3.1. TÉCNICA E TÉCNICA DE SI

É importante que o artista por si encontre sua forma de sair do seu bloqueio artístico, daquilo
que prende sua criatividade e o impossibilita de criar novas artes, sem que opte por ir atrás de for-
mas mais fáceis (mente artificial) de chegar em algum tipo de resultado, para sair do seu bloqueio
artístico, se deve buscar maneiras para alcançar técnicas e enfim obter certa base para começar,
pode-se utilizar tecnologias para ir atrás de conteúdos, mas nunca para fazer seu trabalho.
Quando se cria a base fundamental para seu crescimento artístico, é necessário que busque
incentivos que te ajudem a fundamentar uma base de si próprio (uma ajuda a alcançar o desenvol-
vimento de sua base artística, também está ligada ao artesanato, assim como é defendido e comen-
tado nas obras de Bernard Leach8), desenvolver sua própria maneira de fazer arte; não se deve fazer
6 “Bloqueio” ou “Bloqueio Artístico”: O bloqueio artístico, também chamado de art block, é um sentimento de paralisação que impede que a ins-
piração e as ideias criativas surjam. Geralmente, o bloqueio artístico dá indícios de que irá começar a acontecer. O primeiro e mais comum deles é
quando o artista produz bastante e não consegue ficar satisfeito com o seu trabalho, esse fato gera uma profunda sensação de insatisfação e, assim,
como uma bola de neve, o artista se sente estagnado e incapaz de ter e aplicar ideias criativas.
7 Obra: A Crítica do Juízo, Immanuel Kant.
8 Bernard Leach: Leach foi um ceramista que defendia a importância de reviver as tradições artesanais e de conectar o artista com a natureza e
os materiais. Sua obra, marcada pela simplicidade e pela funcionalidade, demonstra como a técnica artesanal pode ser um veículo poderoso para a
expressão artística.

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isso antes de criar uma base primordial, aquela que se cria ao iniciar um estudo, pois sem ela, pode
ser que se sinta perdido em algum momento, e novamente bloqueado.

3.2. RECONEXÃO ARTÍSTICA

Em algum momento pode ser que a ajuda de alguma tecnologia seja útil, caso não consiga
se conectar com si próprio, poderá ir atrás de seus amigos de tempos distantes, sejam eles encon-
trados em livros ou em pesquisas na Internet. Caso pintor, busque se conectar com pintores e suas
artes que te inspiram, se encontrar com suas obras (refazendo em seu traço, utilizando como inspi-
ração… Maneiras essas façam que se reconectar com seu eu artístico novamente) pode fazer com
que você mergulhe em si de novo e se livre do bloqueio criativo. Caso escritor, a biblioteca é a casa
de diversos mundos, onde se conectar com seu escritor que te inspire ou ambiente que te abrace,
pode ser a melhor maneira de submergir-se em si novamente.

3.3. AMADURECIMENTO
3.3.1. TÉCNICO

Ao começar a estudar sua base artística seja ela relacionada à escrita, música, pintura, dança,
teatro etc. é importante racionalizar que não utilizará de uma técnica padrão para sempre em sua
vida de artista, seu desenvolvimento é trabalhado a partir de uma base criada no começo dos seus
estudos, mas a partir daí, as diferentes técnicas que irá desenvolver, estão em constante evolução.
Assim como sua arte nunca será a mesma a ser produzida, suas técnicas também não serão
as mesmas a serem utilizadas para chegar a tal resultado, assim como pinturas carregam diferentes
traços, escritas carregam diferentes linguagens e a dança carrega diferentes emoções, sua arte carre-
gará diferentes técnicas a serem trabalhadas, não se deve colocar-se em um estado de comodismo
em relação à sua arte.

3.3.2. ESTÉTICO

É fato que desde cedo recebemos uma percepção visual e estética9 das coisas, ao brincar, ao
experimentar, ao desenhar, temos contato com o estético desde criança, mas de qualquer forma,
deve ser trabalhado, se deve dar olhos às suas emoções, ao ambiente que se convive, às pessoas que
estão a sua volta, tudo possui algo único e belo que se pode fazer arte, desenvolver um amadure-
cimento estético é necessário para que se evolua gradativamente seu modo de enxergar o mundo.
Vygotsky, um teórico do desenvolvimento infantil, discute como as interações sociais e culturais
moldam o pensamento e a percepção da criança, o que se relaciona diretamente com a ideia de que
a visão estética é construída desde cedo.
Amadurecimento esse que se desenvolve experimentando e evitando se fechar às experiên-
cias e informações que os ambientes nos passam, é preciso de qualquer forma, testar coisas novas,
sejam experiências com o mundo externo ou consigo mesmo, fazendo com que o indivíduo con-
siga enxergar o seu redor de maneira mais estética, conciliando as coisas à sua volta com sua arte.

3.3.3. INDIVIDUAL

O amadurecimento individual está ligado à superação das dificuldades que foram acumula-
das, os complexos, modelos de comportamentos não funcionais etc. Também é visto como uma
das formas de começar sua evolução, não somente como pessoa, mas como artista, passar a com-
9 Percepção visual e estética: Arnheim analisa a relação entre a percepção visual e a criação artística, explorando como os artistas organizam e in-
terpretam o mundo visual. É argumentado que a arte imita a natureza, não no sentido de copiar a realidade, mas de organizar os elementos visuais
de forma semelhante à natureza.

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preender pouco a pouco nosso organismo, atitudes e escolhas que fazemos que nos fazem bem,
aquelas que com o tempo, nos trazem retorno de vida, de arte.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em certo ponto, pode ser discutida uma relação entre a inteligência artificial e a mente humana,
esse ponto se encontra em que se pode relacionar a mente artificial a alguns afazeres do cotidiano
e em vida profissional, porém, essa conversa não deve chegar a um ponto de conflito. Como disse
o artista alemão Klaus Mitteldorf, como uma ferramenta, ela não produz arte, e sim quem detém a
essência criativa e emocional que são as forças motrizes da expressão artística, sendo, portanto, uma
exclusividade do artista. a IA pode ser um meio para desenvolver novas tecnologias e ampliar o alcan-
ce da arte, mas não deve ser considerada um substituto para a criação artística humana. Não se utiliza
um pseudo raciocínio como extensão do seu próprio, se limitando em algumas áreas da sua mente.
É discutido nesse artigo as relações entre a IA (Inteligência Artificial) e a Inteligência Humana (mais
precisamente relacionada à arte), talvez reconheça o artista pelas pequenas coisas, em traços, como
a maneira de ver o mundo, manejar situações e lidar com situações à sua volta, mas dificilmente se
encontra alguém que valoriza a própria arte ou a própria capacidade artística. Abordando um dos pos-
síveis motivos, a IA Generativa, que eventualmente, acaba levando a acomodação de muitos artistas,
relacionado principalmente à facilidade de chegar a um resultado mais rápido, sem necessitar de mui-
tos recursos ou esforços. Pode vir a ser uma tecnologia interessante ser utilizada em algumas ocasiões
que seja necessário ou recomendado, entretanto, se utilizada além do limite, pode-se afetar outras áre-
as, não apenas relacionado ao emocional, mas também o intelectual, visto que ao acolher a extensão
de uma superficialidade, acomoda-se muito mais facilmente. Para um artista atualmente, pode vir a se
tornar mais árdua a tarefa de desenvolver seu lado artístico, deixando de amadurecer-se tecnicamente,
pois não se encontra mais necessidade de ir atrás de aprender, criar e desenvolver uma base artística,
levando em conta que descrever de forma rasa como deve ser feito se torna mais confortável do que
investir horas, talvez dias em seu projeto; não encontra a necessidade de amadurecer-se esteticamente
e individualmente. O indivíduo não possui a carência de encontrar arte no mundo à sua volta, seus
olhos não enxergam o mundo de forma sensível e estética, nada é inspirador o suficiente e nada faz
sentido se tornar arte, do contrário, quando se amadurece esteticamente, tudo a sua volta se torna
inspirador e pequenas coisas podem ser gatilho de criação, claro que em momentos que o artista se
encontra em um bloqueio criativo, por algum tempo, a inspiração se torna algo distante, e por essa
razão é necessário evoluir-se individualmente e criar uma base sólida. Porém, se não possui uma ca-
rência estética10, como afirma Nietzsche em “A Vontade de Poder”, a relação entre a arte e a vida, é
uma forma de superar a angústia existencial, é uma interpretação válida, mas que requer algumas dife-
renciações para ser compreendida em sua totalidade, mas mesmo que Nietzsche utilize essas palavras
para se referir a um fim que pode ser utilizado a arte, podemos ver a arte como o Belo e o Sublime
de Kant, mas de qualquer maneira, se não faz as mínimas coisas de forma bela, mesmo nascido para
ser artista, não se desenvolve seu lado individual, a arte está em todas as coisas, não basta ter interesse
pelo estético e pela forma de fazer, se deposita todas ideias de forma genérica em uma mente limitada,
esperando que atue como uma extensão da sua mente vasta.
Em suma, a mente artificial (inteligência artificial), em algumas situações pode ser utilizada,
mas em meio artístico, onde é visto uma arte real, não se deve ser cogitado recorrer a uma ferra-
menta que não vai entregar-se em um projeto como o indivíduo deveria se entregar. O resultado
se encontra ao aplicar um método a desenvolver seu lado artístico, claro que a mente artificial se
utilizada mais do que sua própria capacidade de criação e discernimento, também é inevitável que
10 Carência Estética: É estar sempre buscando o belo em todas as coisas, desde as coisas vivas, até as coisas materiais e até mesmo metafísicas,
para todo lado que olhar pode se ver o estético, pode ver uma beleza genuína, basta ser carente estéticamente e buscar estas coisas, tudo pode ser
belo como se vê. É um conceito que, embora não seja explicitamente definido em uma única teoria ou obra, pode ser explorado a partir de diversas
perspectivas filosóficas, psicológicas e artísticas.

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serão afetados outros lados do indivíduo, como por exemplo, seu lado intelectual, pelo qual sofre
se não dos mesmos, resultados parecidos, onde se espera que determinada ferramenta irá resolver
todos os problemas ou ao menos, sempre estará disponível caso sua capacidade intelectual falhe, le-
vando a buscá-la novamente, a consequência de qualquer forma é a acomodação e a sujeição a estar
sempre recorrendo à mesma alternativa. De qualquer maneira, se deve buscar seu próprio desen-
volvimento, e não buscar a solução para os problemas e a resolução de tarefas pelo caminho mais
fácil que temos atualmente, sendo ele, a inteligência artificial; não sou um ignorante da atualidade,
menos ainda estou contra a evolução da tecnologia, mas sim buscando a preservação do saber fa-
zer, é importante buscar maneiras de se manter criativo e manter-se em constante evolução consigo
mesmo, não traindo a si enquanto busca maneiras mais fáceis de alcançar um resultado esperado,
como um estudo bem feito ou uma arte bela, esse artigo trata a ideia de se manter fiel, não traindo
a si próprio com algo que se faz a extensão da mente humana, como comentado e recomendado no
artigo com base em uma conversa com o artista (pintor) Claudio Toscan, temos algumas maneiras
de nos descobrirmos e mantermo-nos criativos, existem formas de criar sua base de realizar seus
projetos, caminhos comentados que servem para crie e evolua sua capacidade artística.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando se fala sobre arte, não de forma rasa, mas com o intuito de discutir um assunto sério
e com a pretensão de passar recomendações e fazer alertas, se deve buscar de pessoas que vivem
disso ou passaram por determinada situação, afinal, é importante que a voz que te dê determinada
direção seja aquela que já tem a experiência; algumas ideias e recomendações foram passadas por
uma mente que se dispôs a fazer parte desse artigo é trazer certo conhecimento, abrindo um bom
espaço de visão para prosseguir em um assunto tão importante nos dias de hoje, deixo meus agra-
decimentos ao artista e pintor Claudio Toscan, por ter me dirigido um bom caminho e ter expandi-
do a minha visão sobre algumas maneiras de um artista poder se desenvolver e criar seu caminho,
sua base sólida; é de extrema importância que esse artigo seja lido com a mente aberta e interesse a
mais sobre o assunto, não é apenas sobre a importância de não sobrepor a mente artificial à mente
humana, mas também, comentando sobre uma das belezas do ser humano, a sua maneira bela e
sublime de materializar a imagem do que se sente.

REFERÊNCIAS

MENEGHETTI, A. Manual de Ontopsicologia. 4. ed. Recanto Maestro: Ontopsicológica


Editora Universitária, 2022.

MENEGHETTI, A. Manual da Ontopsicologia. 3. ed. Recanto Maestro: Ontopsicológica


Editora Universitária, 2022. p. 160.

CARTÃODEVISITA.R7. ‘IA e Criatividade’. Disponível em: [Link]


conteudo/49750. Acesso em: 04 ago. 2024

[Link]. ‘Inteligência artificial generativa, o que é?’. Disponível em: [Link]


market/conteudos/consumo/inteligencia-artificial-generativa/. Acesso em: 05 ago. 2024.

LEACH, BERNARD. ‘A Potter’s Book’. St. Ives, Cornwall: The Studio, 1961.

[Link]. ‘A inteligência artificial pode substituir os artistas?’. Disponível em: agemt.


[Link]/noticias/inteligencia-artificial-pode-substituir-os-artistas?. Acesso em 05 ago. 2024

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LAART. ‘Afinal, o que é bloqueio artístico?’. Disponível em: [Link]/blog/bloqueio-artisti-


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MEIO&MENSAGEM. ‘A inteligência artificial pode realmente criar arte?’. Disponível em:


[Link]/opiniao/a-inteligencia-artificial-pode-realmente-criar-arte. Acesso em:
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Disponível em: [Link]/portuguese/internacional-62949698. Acesso em: 06 ago. 2024.

G1. ‘Por que dubladores brasileiros protestam por regulamentação da inteligência artifi-
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VYGOTSKY, L. S. ‘A formação social da mente’. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

HEIDEGGER, M. ‘Ser e tempo’. Petrópolis: Vozes, 2019.

ARNHEIM, R. ‘Arte e percepção visual’. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2010.

KANT, I. ‘Crítica do juízo.’ São Paulo: Editora Pétalas, 2023.

NIETZSCHE, F. ‘A vontade de poder’. Tradução de Roberto Leal Ferreira. 2. ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 2010.

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