Teoria da Informação e trabalhos subsequentes para a fundação/formação da
Psicolinguística
O trecho de Mussalim e Bentes destaca como a Teoria da Informação, surgida após a
Segunda Guerra Mundial, trouxe uma estrutura mais sólida e clara para entender os
processos de comunicação, incluindo a linguagem. Shannon e Weaver definem uma
unidade de comunicação formada por
Fonte→Transmissor/codificador→Canal→Receptor/decodificador→Destinação"
O modelo de Shannon e Weaver trata-se da forma linear de comunicação, na qual o objeto
principal repousa sobre a transmissão da mensagem. O modelo de transmissão linear apresenta
um emissor, que envia uma mensagem sob a forma codificada, e o receptor efetua a
decodificação em um ambiente perturbado, o que chamamos por ruído. Basear-se sobre esse
modelo pode parecer atualmente algo ultrapassado. No entanto, tais contribuições mostram-se
interessantes em um contexto de simplificação.
No esquema abaixo, distinguimos:
Fonte de informação: trata-se do emissor da mensagem cuja natureza varia, podendo ser um
som, um sinal, um texto;
O canal: que corresponde ao meio de transmissão (linha telefônica, onda, disco). O canal
apresenta perturbações segundo sua natureza, o que chamamos por ruído. Pode tratar-se de um
elemento do meio (perturbação, sinal ruim, problema de codificação) ou da própria natureza do
canal. Um dos aspectos primordiais do canal é sua capacidade. De fato, é essencial conhecer qual
a quantidade de informação que o canal pode transportar;
A mensagem: é transmitida pelo canal e repousa sobre o conteúdo e, logo, sob a forma de
mensagem oral, escrita, eletrônica, códigos, linguagem;
O receptor: quem levanta os problemas de compreensão e de adequação da mensagem em vista
de suas referências.
Logo que o receptor recebe a mensagem, ele emite de sua parte uma segunda mensagem de
retorno que chamamos por feedback ou retroação (WIENER, 1952). Pode se tratar de um gesto,
de uma palavra, um olhar ou repetição. O feedback representa então a reação do receptor à
mensagem emitida.
A redundância corresponde à repetição da mensagem sobre diferentes formas que permitem
assegurar sua transmissão. Segundo Shannon (1948), o conceito de informação está
necessariamente associado à noção de redundância e de ruído.
Ao definir uma unidade de comunicação composta por Fonte, Transmissor, Canal, Receptor e
Destino, essa teoria fornece um modelo que ajuda a compreender como as informações são
codificadas, transmitidas e decodificadas, o que é fundamental para os estudos psicolinguísticos.
Na psicolinguística, essa abordagem é importante porque permite analisar como o cérebro
humano processa a linguagem, considerando os diferentes estágios de transmissão e
compreensão.
Trabalhos subsequentes baseados na Teoria da Informação ajudaram a entender melhor os
mecanismos cognitivos envolvidos na produção e compreensão da fala, além de explorar
questões como a eficiência da comunicação, perdas de informação e interferências.
Assim, essa teoria forneceu uma base epistemológica mais consistente para o desenvolvimento
de estudos que investigam como os seres humanos processam, armazenam e utilizam a
linguagem, contribuindo significativamente para a formação da psicolinguística como campo de
estudo.
Referências bibliográficas
Mussalim, F.; Bentos, A. C. (2001), Introdução à Linguística: Domínios e Fronteiras, São Paulo:
Cortez Editora.
Shannon, C., & Weaver, W. (1948). Théorie mathématique de la communication.
Wiener, N. (1952). Cybernétique et société.